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O poema celebra a beleza da mangueira e a doçura de sua fruta, destacando a alegria que ela traz à natureza e aos amantes. Em contraste, a figura da mãe d'água é apresentada como uma tentação enganosa, que atrai os jovens com sua beleza, mas esconde perigos. A narrativa enfatiza a importância de ouvir os conselhos maternos e a fragilidade da inocência diante das ilusões.
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O poema celebra a beleza da mangueira e a doçura de sua fruta, destacando a alegria que ela traz à natureza e aos amantes. Em contraste, a figura da mãe d'água é apresentada como uma tentação enganosa, que atrai os jovens com sua beleza, mas esconde perigos. A narrativa enfatiza a importância de ouvir os conselhos maternos e a fragilidade da inocência diante das ilusões.
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A MANGUEIRA Já viste cousa mais bela Do que uma bela mangueira, E a doce fruta amarela, Sorrindo entre as folhas

dela, E a leve copa altaneira? Já viste cousa mais bela Do que uma bela mangueira? Nos seus alegres verdores Se
embalança o passarinho; Todo é graça, lodo amores, Decantando seus ardores A beira do casto ninho: Nos seus alegres
verdores Se embalança o passarinho! O cansado viandante A sombra delia acha abrigo; Traz-lhe a aragem sussurrante,
Que lhe passa no semblante, Talvez o adeus dum amigo; E o cansado viandante A sombra delia acha abrigo. A sombra
que ela derrama Todas as dores acalma; Seja dor que o peito inflama, Ou voraz, nociva chama Que nos mora dentro
d'alma, A sombra que ela derrama Todas as dores acalma. O mancebo namorado Para ela se encaminha; Bate-lhe o
peito açodado, 39 Quando chega o prazo dado, Quando ao tronco se avizinha, E o mancebo namorado Para o tronco se
encaminha. Sob a copa deleitosa Mil suspiros se entrelaçam, E duma hora aventurosa Guarda a prova a casca anosa Nas
cifras que ali se abração: Sob a copa venturosa Mil suspiros se entrelaçam. Grata estação dos amores, Abrigo dos que o
não tem, Deixa-me ouvir teus cantores, Admirar teus verdores; Presta-me abrigo também, Grata estação dos amores,
Abrigo dos que o não tem. A MÃE D’ÁGUA Minha mãe, olha aqui dentro, Olha a bela criatura, Que dentro d'água se vê!
São d'ouro os longos cabelos, Gentil a doce figura, Airosa, leve a estatura; Olha, vê no fundo d'água Que bela moça não
é! Minha mãe, no fundo d'água Vê essa mulher tão bela? 40 O sorrir dos lábios dela, Inda mais doce que o teu, É como a
nuvem rosada Que no romper da alvorada Passa risonha no céu. Olha, mãe, olha depressa! Inclina a leve cabeça E nas
mãozinhas resume A fina trança mimosa, E com pente de marfim!... Olha agora que me avista A bela moça formosa,
Como se fez toda rosa, Toda candura e jasmim! Dize, mãe, dize: tu julgas Que ela se ri para mim! São seus lábios
entreabertos Semelhantes a romã; Tem ares duma princesa, E, no entanto ó tão medrosa!... Inda mais que minha irmã.
Olha mãe, sabes quem é A bela moça formosa, Que dentro d'água se vê! — Tem-te, meu filho; não olhes Na funda, lisa
corrente: A imagem que te embeleza É mais do que uma princesa, É menos do que é a gente. — Oh! Quantas mães
desgraçadas Choram seus filhos perdidos! Meu filho, sabes por quê? Foi porque deram ouvidos Á leve sombra
enganosa, 41 Que dentro d'água se vê! — O seu sorriso é mentira, Não é mais que sombra vã; Não vale aquilo que eu
valho, Nem o que vale tua irmã: É como a nuvem sem corpo De quando rompe a manhã. — É a mãe d'água traidora,
Que ilude os fáceis meninos, Quando eles são pequeninos E obedientes não são; Olha, filho, não a escutes, Filho do meu
coração: O seu sorriso é mentira, E' terrível tentação. — Junto ao rio cristalino Brincava o ledo menino, Molhando o pé;
O fresco humor o convida, Menos que a imagem querida, Que n'água vê. Cauteloso de repente, Ouve o conselho
prudente, Que a mãe lhe dá; Não é anjo, não é fada, Mas uma bruxa malvada, E coisa má. Ela é quem rouba os meninos
Para os tragar pequeninos, Ou mais talvez! E para vingar-se n'água Da causa tanta magoa, 42 Remexe os pés. Turba a
fonte num instante, Já não vê o belo infante A sombra vã, E as brancas mãos delicadas E as longas tranças douradas Da
sua irmã. O menino arrependido Diz consigo entristecido: — Que mal fiz eu! Minha mãe bem que indulgente, Só por não
me ver contente, Me repreendeu.— Era figura tão bela! E que expressão tão singela, Que riso o seu! Oh! Minha mãe
certamente Só por não me não ver contente, Me repreendeu! Espreita, sim, mas duvida Que a bela imagem querida
Torne a volver; E na fonte cristalina Para ver todo se inclina Se a pode ver! Acha-se ainda turbada, E a bela moça
agastada Não quer voltar; Sacode leve a cabeça, Em quanto o pranto começa A borbulhar. 43 E de triste e arrependido
Diz consigo entristecido: — Que mal fiz eu!... Leda ao ver-me parecia, Era boa, e me sorria... Que riso o seu! As águas no
entanto de novo se aplacam, A lisa corrente se espelha outra vez, E a imagem querida no fundo aparece Com mil peixes
vários brincando a seus pés. Do colo uma charpa trazia pendente, Cortando-lhe o seio de brancos jasmins, Um íris nas
cores, e as franjas bordadas De prata luzente, de vivos rubis. Uma harpa a seu lado frisava a corrente Gemendo
queixosa da leve pressão, Como harpas etéreas, que as brisas conversam, Achando-as perdidas em mesta solidão.
Sentida, chorosa parece que estava, E o belo menino sentado a chorar Perdoa, dizia-lhe, o mal que te hei feito; Por
minha vontade não hei tornar! A harpa dourada de súbito vibra, A charpa se agita do seio ao revés; Das franjas garbosas
as pedras refletem Infindos luzeiros nos úmidos pés. Os peixes pasmados de súbito param No fundo luzente de puro
cristal; Fantásticos seres assomam às grutas Do nítido âmbar, do vivo coral! 44 Entanto o menino se curva e se inclina
Por ver mais de perto a donosa visão; A mãe, longe dele, dizia:— Meu filho, Não ouças, não vejas, que é má tentação. —
Vem meu amigo, dizia A bela fada engraçada, Pulsando a harpa dourada: — Sou boa, não faço mal, Vem ver meu belos
palácios, Meus domínios dilatados, Meus tesouros encantados No meu reino de cristal. Vem, te chamo: vê a linfa Como
é bela e cristalina; Vê esta areia tão fina, Que mais que a neve seduz! Vem, verás como aqui dentro Brincão mil leves
amores, Como em listas multicores Do sol se desfaz a luz. Se não achas borboletas, Nem as vagas mariposas, Que
brincam por entre as rosas Do teu ameno jardim; Tens mil peixinhos brilhantes, Mais luzentes e mais belos Que o oiro
dos meus cabelos, Que a nitidez do cetim. Entretanto o menino se curva e se inclina Por ver demais perto a donosa
visão; E a mãe longe dele, dizia: meu filho, Não ouças, não vejas, que é má tentação. 45 Vem, meu amigo, tornava A bela
fada engraçada, Vem ver a minha morada, O meu reino de cristal: Não se sente a tempestade Na minha espaçosa gruta,
Nem voz do trovão se escuta, Nem roncos do vendaval. Aqui, ao findar do dia, Tudo rápido se acende, E o meu palácio
resplende De vivo, etéreo clarão. Mil figuras aparecem, Mil donzelas encantadas Com angélicas toadas De ameigar o
coração. Quando passo, as brandas águas Por me ver passar se afastam, E mil estrelas se engastam Nas paredes do
cristal. Surgem luzes multicores, Como desses pirilampos, Que tu vês andar nos campos, Sem contudo fazer mal.
Quando passo, mil sereias, Deixando as grutas limosas, Formam ledas, pressurosas O meu séquito real: Vem! Dar-te-ei
meus palácios, Meus domínios dilatados, Meus tesouros encantados E o meu reino de cristal. 46 No entanto o menino
se curva e se inclina Para a visão E a mãe lhe dizia: Não vejas, meu filho, Que é tentação, E o belo menino dizendo
consigo – Que bem fiz eu! Por ver o tesouro gentil, engraçado, Que já é seu: Atira-se às águas: num grito medonho A
mãe lastimável – Meu filho! – bradou: Respondem-lhe os ecos, porém voz humana Aos gritos da triste não torna: – aqui
estou!

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