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Português - R.R e A.cp

O documento apresenta poemas de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, explorando temas como a efemeridade da vida, a indiferença e a busca por significado. As questões propostas incentivam a análise das emoções e percepções do eu poético em relação ao tempo, à natureza e à sociedade. Através de uma linguagem rica, os poemas refletem sobre a condição humana e a relação com o passado e o presente.

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Mara Guimarães
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O documento apresenta poemas de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, explorando temas como a efemeridade da vida, a indiferença e a busca por significado. As questões propostas incentivam a análise das emoções e percepções do eu poético em relação ao tempo, à natureza e à sociedade. Através de uma linguagem rica, os poemas refletem sobre a condição humana e a relação com o passado e o presente.

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● Ricardo Reis

Lê atentamente o seguinte poema de Ricardo Reis.

A abelha que, voando, freme sobre


A colorida flor, e pousa, quase
Sem diferença dela
À vista que não olha,

Não mudou desde Cecrops. Só quem vive


Uma vida com ser que se conhece
Envelhece, distinto
Da espécie de que vive.

Ela é a mesma que outra que não ela.


Só nós - ó tempo, ó alma, ó vida, ó morte! -
Mortalmente compramos
Ter mais vida que a vida.

02/09/1923
Vocabulário
freme - agita, estremece
Cecrops - rei ateniense

Fernando Pessoa, Odes de Ricardo Reis.

1. Identifica a principal oposição entre o homem e a abelha que se pode observar


neste poema.

2. Explica o significado da segunda estrofe a partir de *Só.….".

3. Indica o desejo mais veemente do homem, segundo o sujeito poético.

[Link]

Lê atentamente o seguinte poema de Ricardo Reis.

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,


E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo


Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a primavera


Aparecem as folhas
E com o outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos


Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença


E a confiança mole
Na hora fugitiva.

Ricardo Reis, Poesia, edição de Manuela Parreira da Silva,

1. Compare a atitude do sujeito poético com a dos outros «humanos» (verso 13),
tendo em conta a oposição simbólica entre «rosas» e «magnólias», por um lado, e
«pátria», «glória» e «virtude», por outro lado (versos 1 a 3).

2. Interprete o sentido da segunda estrofe, a luz da filosofia de vida de Ricardo Reis.

3. Explicite, com base no conteúdo dos versos 7 a 18, dois aspetos que evidenciem
o modo como o sujeito poético perceciona a passagem do tempo.

[Link]
Caeiro-dos-EXAMES

Lê atentamente o seguinte poema de Ricardo Reis.

Frutos, dão-os as árvores que vivem,


Não a iludida mente, que só se orna
Das flores lívidas
Do íntimo abismo.
Quantos reinos nos seres e nas cousas
Te não talhaste imaginário! Quantos,
Com a charrua, Sonhos, cidades!

Ah não consegues contra o adverso mito


Criar mais que propósitos frustrados!
Abdica e sê
Rei de ti mesmo.
Ricardo Reis, Odes
© Assírio & Alvim / © Herdeiros de Fernando Pessoa

Leia atentamente o texto e responda às seguintes questões:

1. Interprete a afirmação contida no primeiro verso, por oposição à mensagem


transmitida pelos três versos seguintes.

2. Que pensa o eu poético dos ambiciosos projectos humanos?


2.1 Esclareça os efeitos de sentido relativos ao uso da interjeição e do ponto de
exclamação nos versos 9 e 10.

3. Explique o sentido dos dois últimos versos do poema.


3.1. Identifique e caracterize a atitude filosófica que lhes está subjacente.

4. Indique o tema dominante da composição poética.

[Link]

● Álvaro de Campos

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,


Que felicidade há sempre!

Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.


São felizes, porque não são eu.

As crianças, que brincam às sacadas altas,


Vivem entre vasos de flores,
Sem dúvida, eternamente.

As vozes, que sobem do interior do doméstico,


Cantam sempre, sem dúvida.
Sim, devem cantar.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.


Assim tem que ser onde tudo se ajusta -
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.

Que grande felicidade não ser eu!

Mas os outros não sentirão assim também?


Quais outros? Não há outros.
O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada, Ou, quando se abre,
É para as crianças brincarem na varanda de grades,
Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.
Os outros nunca sentem.
Quem sente somos nós, Sim, todos nós,
Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada? Não sei..


Um nada que dói....

Álvaro de Campos, Poesia, edição de Teresa Rita Lopes, Lisboa, Assírio & Alvim,
2002

GLOSSÁRIO
sacadas (verso 5) - varandas pequenas.

Apresente, de forma clara e bem estruturada, as suas respostas aos itens que se
seguem.

1. As sensações do sujeito poético são determinantes para a construção de uma


certa ideia de quotidiano teliz.
Identifique duas sensações representadas nas quatro primeiras estrofes, citando
elementos do texto para fundamentar a sua resposta.

2. Caracterize o tempo da infância tal como é apresentado na terceira estrofe do


poema.

3. Explique a relação que o sujeito poético estabelece com os «outros» nas seis
primeiras estrofes do poema, fundamentando a sua resposta em referências textuais
pertinentes.

4. Relacione o conteúdo da última estrofe com as reflexões apresentadas nas duas


estrofes anteriores.

[Link]
Portugues_639.pdf

Que noite serena!


Que lindo luar!
Que linda barquinha
Bailando no mar!

Suave, todo o passado - o que foi aqui de Lisboa - me surge O terceiro-andar das
tias, o sossego de outrora,
Sossego de várias espécies, A infância sem o futuro pensado,
O ruido aparentemente continuo da máquina de costura delas,
E tudo bom e a horas,
De um bem e de um a-horas próprio, hoje morto.

Meu Deus, que fiz eu da vida?


Que noite serena, etc.

Quem é que cantava isso?


Isso estava lá.
Lembro-me mas esqueço.
E dói, dói, dói...

Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça.

Álvaro de Campos, Poesias, Lisboa, Ed. Ática, 1993

• Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas ao questionário.

[Link] poema, o sujeito poético evoca o passado. Refira os traços caracterizadores


desse passado

2. Os quatro primeiros versos são a citação de uma cantiga, parcialmente retomada


no verso 13. Explique a função de cada uma destas citações.

3. Explicite o sentido da oposição adverbial "aqui" Tu 5| e "Zá" Iu 15).

4. Comente o efeito expressivo da repetição "E dói, dói, dói..." Iv 17).

5. Analise os sentimentos do sujeito poético, relativamente ao presente.

Ah a frescura na face de não cumprir um dever!


Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros.
Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo,
Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
É tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
Deliberadamente à mesma hora...
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida!
Até não consigo acender o cigarro seguinte... Se é um gesto,
Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

Álvaro de Campos, Poesias, Lisboa, Ática, 1993

• Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas ao questionário.

1. Indique as relações de sentido que se estabelecem entre os quatro primeiros


versos.

2. Explique como se concretiza a atitude de "deliberação do desleixo" (v. 5).


3. Explicite dois valores expressivos da antitese "vestida" / "nu" (vu. 7 e 8).

4. Caracterize os lugares representados pelos advérbios "lá" (v. 6) e "aqui" (v. 11).

5. Comente a importância dos dois últimos versos no contexto global do poema.

[Link]

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