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O estudo apresenta um levantamento das pteridófitas na Pedra de Itacoatiara, no Parque Estadual da Serra da Tiririca, registrando 24 espécies de 15 gêneros e nove famílias, com destaque para a família Pteridaceae. Treze das espécies identificadas possuem utilidades econômicas, incluindo medicinal e ornamental, enquanto duas são tóxicas. O trabalho contribui para o conhecimento da flora pteridofítica em afloramentos rochosos litorâneos do Rio de Janeiro.

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O estudo apresenta um levantamento das pteridófitas na Pedra de Itacoatiara, no Parque Estadual da Serra da Tiririca, registrando 24 espécies de 15 gêneros e nove famílias, com destaque para a família Pteridaceae. Treze das espécies identificadas possuem utilidades econômicas, incluindo medicinal e ornamental, enquanto duas são tóxicas. O trabalho contribui para o conhecimento da flora pteridofítica em afloramentos rochosos litorâneos do Rio de Janeiro.

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Acta bot. bras. 20(1): 115-124.

2006

Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de um afloramento


rochoso do Estado do Rio de Janeiro, Brasil1
Marcelo Guerra Santos 2,4 e Lana da Silva Sylvestre3

Recebido em 9/02/2004. Aceito em 16/07/2005.

RESUMO – (Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de um afloramento rochoso do Estado do Rio de Janeiro, Brasil). O
presente trabalho apresenta o levantamento das pteridófitas ocorrentes na Pedra de Itacoatiara, afloramento rochoso localizado no
Parque Estadual da Serra da Tiririca, no litoral do Município de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Foram registradas 24 espécies
pertencentes a 15 gêneros e nove famílias. As famílias encontradas foram Aspleniaceae, Blechnaceae, Dennstaedtiaceae, Lycopodiaceae,
Polypodiaceae, Pteridaceae, Schizaeaceae, Selaginellaceae e Thelypteridaceae. Dessas, a mais representativa foi Pteridaceae com oito
espécies distribuídas em cinco gêneros (Adiantum, Adiantopsis, Doryopteris, Hemionitis e Pityrogramma). Os gêneros com maior
número de espécies foram Anemia (quatro espécies) e Selaginella (três). É apresentada uma chave de identificação e, para cada espécie,
são fornecidas informações sobre o padrão de distribuição geográfica, utilidades atribuídas e observações ecológicas. Das 24 espécies
encontradas, 13 são úteis ao homem (medicinal, comestível, ornamental, ritualística e cosmética) e duas são tóxicas.

Palavras-chave : Mata atlântica, plantas medicinais, vegetação litorânea, monilophyta, licophyta

ABSTRACT – (Floristics and economics aspects of the pteridophytes of rocky outcrop from Rio de Janeiro State, Brazil). This work
presents the inventory of the pteridophytes from Pedra de Itacoatiara. This area is formed by rock outcrop and belongs to Parque
Estadual da Serra da Tiririca, on the coast of Niterói, Rio de Janeiro State, Brazil. Twenty four species were registered, belonging to 15
genera and nine families. The families Aspleniaceae, Blechnaceae, Dennstaedtiaceae, Lycopodiaceae, Polypodiaceae, Pteridaceae,
Schizaeaceae, Selaginellaceae and Thelypteridaceae were registered in this area. The richest family was Pteridaceae with eight species and
five genera (Adiantum, Adiantopsis, Doryopteris, Hemionitis and Pityrogramma). The richest genera were Anemia (four species) and
Selaginella (three). A key is provided for species identification. Geographic distribution and attributed usages are also given, as well as
comments about ecological features. Thirteen species are useful to men (medicinal, feeding, ornamental, folklore rituals and cosmetic)
and two are toxic.

Key words: Atlantic rain forest, medicinal plants, coastal vegetation, monilophyte, licophyte

Introdução Apesar da existência de alguns trabalhos realizados


em locais de constituição rochosa no estado do Rio de
Os afloramentos rochosos abrigam um ecossis- Janeiro, são poucas as referências de pteridófitas.
tema de estrutura frágil, com hábitat singular e muitas Oliveira et al. (1975), estudando as encostas rochosas
espécies endêmicas (Meirelles et al. 1999). Possui uma nos maciços da Tijuca e Pedra Branca, citam apenas
flora que muitas vezes difere marcadamente da duas espécies de pteridófitas: Doryopteris sp. e
vegetação que lhe faz limite (Porembski & Barthlott Selaginella sp.; Carauta & Oliveira (1982) listam para
2000; Porembski 2002). Essas formações são as encostas do Pão de Açúcar quatro espécies de
denominadas “inselbergs” (do alemão, insel = ilha; pteridófitas: Anemia phyllitidis (L.) Sw., Blechnum
berg = montanha) (Porembski 2002). As comunidades unilaterale Sw. (=Blechnum polypodioides Raddi),
vegetais dos afloramentos rochosos recebem pouca Doryopteris sp. e Gleichenia bifida (Willd.) Spreng.
atenção dos cientistas e ambientalistas (Meirelles et al. [=Sticherus bifidus (Willd.) Ching]; Meirelles et al.
1999), sendo poucos os trabalhos que enfocam esta (1999) registram seis espécies de pteridófitas
vegetação. pertencentes a cinco gêneros e quatro famílias,

1
Monografia de Bacharelado do primeiro Autor
2
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Departamento de Ciências, Faculdade de Formação de Professores, Rua Dr. Francisco Portela 794,
CEP 24435-000, São Gonçalo, RJ, Brasil
3
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Departamento de Botânica, BR 465 km 7, CEP 23890-000, Seropédica, RJ, Brasil
4
Autor para correspondência: mguerras@[Link]
116 Santos & Sylvestre: Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de um afloramento rochoso...

realizando coletas em oito áreas no estado do Rio de trabalho foi realizado a partir da análise do material
Janeiro. A Pedra de Itacoatiara foi incluída neste botânico coletado (37 espécimes) pelo primeiro autor.
trabalho, sendo registradas as seguintes espécies: Os indivíduos foram coletados e herborizados seguindo-
Doryopteris collina (Raddi) J. Sm., Polypodium se Silva (1984) e Windisch (1992). Todas as exsicatas
loriceum L. e Selaginella sellowii Hieron. foram depositadas no Herbário do Instituto de
O presente trabalho teve como objetivos Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB)
caracterizar as pteridófitas existentes na Pedra de e no Herbário da Faculdade de Formação de
Itacoatiara, relatar como são utilizadas economica- Professores da Universidade do Estado do Rio de
mente e apontar alguns aspectos ecológicos destas Janeiro (RFFP, não indexado).
espécies. Pretendeu-se também, com este estudo, O sistema de classificação adotado foi o de
contribuir para o conhecimento da pteridoflora Kramer & Green (1990), com modificações para o
ocorrente nos afloramentos rochosos litorâneos do tratamento da família Polypodiaceae, reconhecendo-
estado do Rio de Janeiro. se o gênero Microgramma sensu Tryon & Tryon
(1982). A abreviação dos nomes dos autores dos táxons
Material e métodos está de acordo com Pichi Sermolli (1996). Os padrões
de distribuição geográfica foram obtidos com base no
Área de estudo – A Pedra de Itacoatiara, situada no levantamento das coleções dos seguintes herbários:
município de Niterói-RJ entre as coordenadas Instituto de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de
geográficas de 22º58’33’’- 22º59’00”S e 43º01’33’’- Janeiro (RB) e Museu Nacional - UFRJ (R) e nas
43º02’00”W, pertence ao Parque Estadual da Serra informações contidas nas seguintes referências
da Tiririca. Trata-se de um afloramento rochoso de bibliográficas: Tryon (1941; 1942; 1962), Mickel (1962),
granito-gnaisse (Meirelles et al. 1999), limitado de um Brade (1965; 1972), Murillo (1968), Sehnem (1968;
lado pela floresta ombrófila densa de encosta e, de 1970; 1972; 1974; 1979), Braga (1976), Alston et al.
outro, pelo mar. Com cerca de 200 m de altitude é (1981), Øllgaard & Windisch (1987), Mickel & Beitel
constituído de vertentes com angulações variadas, onde (1988), Tryon & Stolze (1989a; 1989b; 1993), Hensen
o acúmulo de matéria orgânica e sedimentos, sobre a (1990), Smith (1992), Hirai & Prado (2000), Sylvestre
rocha nua, forma camadas de solo de espessuras & Windisch (2002) e Salino & Semir (2002). A
variadas, propiciando a instalação da vegetação. Essas caracterização das espécies quanto às formas de vida
formações são conhecidas como ilhas de solo (Meirelles baseou-se na chave proposta por Mueller-Dombois &
et al. 1999). No cume e no sopé, ocorrem indivíduos Ellenberg (1974), que está fundamentada no sistema
de porte arbóreo que formam pequenas matas. São de Raunkiaer. Os nomes populares e utilidades
encontradas plantas terrestres, rupícolas, epífitas e atribuídas às espécies foram obtidas nas seguintes
hemiepífitas. As maiores limitações ao estabelecimento referências bibliográficas: Lima (1940), Mas-Guindal
da vegetação são o déficit hídrico ao qual esta é (1941), Penna (1946), Stellfeld (1951), Cruz (1965),
submetida, as altas temperaturas, que podem chegar a Braga (1976), May (1978), Corrêa (1984), Hertwig
50 ºC na superfície da rocha, a reduzida disponibilidade (1986), Zurlo & Brandão (1989), Roriz (1992), Barros
de substrato para as espécies terrestres e a influência & Andrade (1997) e Santos & Sylvestre (2000). Esses
da salinidade (Pontes 1987; Meirelles et al. 1999; itens não foram incluídos no tratamento das espécies
Porembski & Barthlott 2000). que não possuíam informações sobre os nomes
Coleta e tratamento do material botânico – O presente populares e/ou usos atribuídos.

Resultados e discussão

Chave para as espécies de Pteridófitas na Pedra de Itacoatiara, RJ


1. Microfilos; um esporângio na base de cada esporofilo, formando estróbilos ou não
2. Rizóforos ausentes .........................................................................................4. Lycopodiella cernua
2. Rizóforos presentes
3. Microfilos monomorfos e dispostos espiraladamente; esporângios em esporofilos ao longo
da porção mediana e distal dos ramos ........................................................21. Selaginella sellowii
Acta bot. bras. 20(1): 115-124. 2006. 117

3. Microfilos dimorfos e dispostos dorsiventralmente; esporângios em esporofilos formando


estróbilos terminais
4. Microfilos axilares com duas aurículas na base; microfilos laterais com base assimétrica
e lado acroscópico auriculado ................................................................ 22. Selaginella sulcata
4. Microfilos axilares e laterais com base obtusa, não auriculada ...............20. Selaginella muscosa
1. Megafilos; alguns a muitos esporângios na face abaxial ou na margem das folhas ou em pinas
basais modificadas
5. Esporângios em um par de pinas basais modificadas (na forma de espiga)
6. Folhas pinadas
7. Caule horizontal; pinas oblongas, margem incisa, base cuneada .....................17. Anemia hirsuta
7. Caule vertical; pinas ovado-lanceoladas, margem inteira a crenada, base assimétrica
com lado acroscópico auriculado ................................................................. 16. Anemia collina
6. Folhas pinado-pinatissectas a bipinadas
8. Folhas pinado-pinatissectas; caule ascendente ...............................................19. Anemia villosa
8. Folhas bipinadas; caule horizontal subterrâneo.............18. Anemia tomentosa var. anthriscifolia
5. Esporângios em soros na superfície abaxial ou na margem das folhas, ou dispostos sobre toda
a face abaxial
9. Esporângios dispostos sobre a superfície abaxial das folhas; face abaxial de cor alva ou
amarelada ........................................................ 15. Pityrogramma calomelanos var. calomelanos
9. Esporângios em soros na superfície abaxial ou na margem das folhas; face abaxial de
coloração diferente
10. Soros na superfície abaxial das folhas
11. Soros lineares
12. Lâmina foliar pilosa; indúsio ausente ..................................... 14. Hemionitis tomentosa
12. Lâmina foliar glabra; indúsio presente
[Link] inteiras; nervuras anastomosadas; soros oblíquos em relação à costa
e dipostos sobre as nervuras secundárias ..................... 1. Antigramma plantaginea
[Link] pinadas; nervuras livres; um soro de cada lado da costa, paralelos a
esta e dipostos sobre uma comissura vascular ................... 2. Blechnum serrulatum
11. Soros arredondados
14. Folhas inteiras, pinatissectas ou pinadas
15. Folhas inteiras, dimorfas .......................................... 5. Microgramma vacciniifolia
15. Folhas pinatissectas ou pinadas, monomorfas
16. Soros formando uma série paralela à costa; folhas pinatissectas;
segmentos oblongas, base decurrente, ápice obtuso.... 6. Polypodium catharinae
16. Soros formando duas ou três séries paralelas à costa; folhas pinadas;
pinas lanceoladas, base assimétrica, ápice agudo .......... 7. Polypodium triseriale
14. Folhas pinado-pinatífidas ou bipinado-pinatissectas
17. Folhas pinado-pinatífidas .................................................... 24. Thelypteris dentata
17. Folhas bipinado-pinatissectas ................................. 23. Macrothelypteris torresiana
10. Soros marginais
18. Folhas inteiras
19. Pecíolo cilíndrico, negro; nervuras anastomosadas .....................13. Doryopteris varians
19. Pecíolo sulcado ou achatado, castanho-escuro; nervuras livres ou anastomosadas
20. Pecíolo sulcado adaxialmente; nervuras livres .................. 12. Doryopteris concolor
20. Pecíolo achatado adaxialmente; nervuras anastomosadas ...... 11. Doryopteris collina
18. Folhas bipinadas a quadripinado-pinatissectas
21. Folhas quadripinado-pinatissectas, com mais de 1m de comprimento; segmentos
fortemente coriáceos e quebradiços .......... 3. Pteridium aquilinum var. arachnoideum
21. Folhas bipinadas ou tripinadas, com menos de 1m de comprimento; segmentos
membranáceos ou subcoriáceos
118 Santos & Sylvestre: Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de um afloramento rochoso...

22. Cada soro na terminação de uma única nervura; lâminas radiadas


.......................................................................................... 8. Adiantopsis radiata
22. Cada soro na terminação de mais de uma nervura; lâminas pinadamente
ramificadas
23. Folhas bipinadas; segmentos oblongos, base assimétrica, ápice obtuso
........................................................................10. Adiantum serratodentatum
23. Folhas tripinadas na base; segmentos flabeliformes, base cuneada, ápice
inciso-crenado ............................................................9. Adiantum raddianum

Aspleniaceae de solo próximas a esta mata. Encontra-se crescendo


junto com Blechnum serrulatum e Pityrogramma
1. Antigramma plantaginea (Schrad.) [Link] calomelanos var. calomelanos. Conhecida popular-
Hemicriptófita rosulada endêmica do Brasil, mente como feio, feto-águia, pluma-grande,
ocorrendo nos estados do Espírito Santo e Rio de samambaia-das-taperas, samambaia-dura, samam-
Janeiro. Facilmente reconhecida pelas suas folhas baia-verdadeira, samambaia-das-roças ou
lanceolado-ovadas, nervuras anastomosadas e soros samambaia-das-queimadas (Corrêa 1984; Zurlo &
lineares indusiados sobre as nervuras secundárias. Na Brandão 1989). São atribuídas a esta espécie usos
área de estudo, ocorre apenas no interior da mata comestível e medicinal. Os báculos desta samambaia,
existente no sopé da Pedra, na vertente sudeste, em que o povo chama de “munheca”, são comercializados
solos com espessa camada de húmus. em certas cidades do interior de Minas Gerais (Corrêa
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: 1984). Para serem consumidos, os báculos devem
Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos 31 (RB); 16/IV/1995, ser picados e aferventados, pelo menos cinco vezes,
Guerra Santos et al. 68 (RB). até perder completamente o gosto amargo. Esse
amargo, segundo Zurlo & Brandão (1989), equivale
Blechnaceae aos princípios tóxicos da samambaia. Santos et al.
(1987) demonstraram que a ingestão de báculos de
2. Blechnum serrulatum Rich. P. aquilinum induziu a formação de tumores no trato
Geófita rizomatosa com distribuição pantropical. gastrointestinal de ratos. Estudos em outras
Distinta por suas pinas serreadas e os soros lineares variedades desta espécie também demonstraram ação
com indúsios localizados um de cada lado da costa. carcinogênica e mutagênica, fato este que fez alguns
Encontra-se crescendo nas ilhas de solo junto com autores sugerirem que ela seja retirada das listas de
Pteridium aquilinum var. arachnoideum e sapê plantas comestíveis (Hodge apud May 1978). Planta
(Imperata brasiliensis Trin. - Poaceae). O chá é invasora (Lima 1940), considerada nociva e tóxica
utilizado para combater edemas (Barros & Andrade para os animais domésticos, especialmente cavalos,
1997). quando ingerida cumulativamente (Hoehne 1939;
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Corrêa 1984; Barros & Andrade 1997). Santos et al.
Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 52 (RB); (2005) indicam que esta variedade possui atividade
27/VIII/1995, Guerra Santos 385 (RB). cianogênica em seus báculos. Os glicosídeos
cianogênicos são substâncias de defesa encontradas
Dennstaedtiaceae em alguns vegetais, capazes de liberar ácido
cianídrico através de reações de hidrólise (Harborne
3. Pteridium aquilinum (L.) Kuhn var. arachnoideum
1984). A infusão das folhas é indicada como anti-
(Kaulf.) Brade
reumática e os báculos servem para combater a
Geófita rizomatosa com distribuição neotropical. expectoração sanguinolenta e a rouquidão. A
Espécie facilmente reconhecida na Pedra de decocção dos rizomas é utilizada para acalmar a tosse
Itacoatiara pela divisão de sua folha (quadripinado- dos tuberculosos em grau adiantado e é também
pinatissecta), segmentos fortemente coriáceos e sudorífera (Lima 1940; Corrêa 1984). Santos &
quebradiços e soros marginais. Na área de estudo é Sylvestre (2000) comentam que a espécie é utilizada
encontrada em clareiras abertas na mata existente para forrar caixotes de hortaliças e Hertwig (1986)
no sopé do afloramento (vertente sudeste) e em ilhas que as folhas possuem ação inseticida e acaricida.
Acta bot. bras. 20(1): 115-124. 2006. 119

Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: 6. Polypodium catharinae Langsd. & Fisch.
Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 38 (RB);
Hemicriptófita reptante de distribuição limitada à
27/VIII/1995, Guerra Santos 393 (RB). América do Sul. Na área de estudo é encontrada
Lycopodiaceae somente nas ilhas de solo e reconhecida pelos pecíolos
articulados ao caule, as folhas pinatissectas e os soros
4. Lycopodiella cernua (L.) Pic. Serm. arredondados formando uma fileira longitudinal paralela
Hemicriptófita reptante de distribuição pantropical. à nervura principal. Espécie utilizada como ornamental
Na Pedra de Itacoatiara é encontrada nas ilhas de solo (Corrêa 1984). As pinas são flexionadas para o lado
e reconhecida pelo caule vertical e intensamente adaxial, o que provavelmente contribui para uma menor
ramificado, com microfilos filiformes e estróbilos absorção da energia solar, minimizando o efeito da
terminais recurvados. Segundo Øllgaard & Windisch radiação excessiva (Larcher 2000). Nos períodos secos,
(1987), é uma espécie pioneira bastante comum em as plantas perdem parcialmente as suas folhas. A
áreas perturbadas ao longo de caminhos e clareiras eliminação total ou parcial das folhas e a presença de
em florestas. Conhecida popularmente como pé-de- um rizoma com parênquima aqüífero constituem
galinha, pinheirinho ou palma-de-São-João, é utilizada importantes adaptações para evitar a dessecação
como medicinal com as seguintes indicações: diurética, (Larcher 2000). Provavelmente a espécie citada por
antidiarréica, adstringente, antiinflamatória e anti- Meirelles (1999) como P. loriceum L. para a Pedra de
reumática (Barros & Andrade 1997). Itacoatiara seja P. catharinae.
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
Niterói, 2/IV/1999, Guerra Santos et al. 1112 (RB). Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 51 (RB);
3/XII/1994, Guerra Santos 62 (RB).
Polypodiaceae
7. Polypodium triseriale Sw.
5. Microgramma vacciniifolia (Langsd. & Fisch.) Hemicriptófita reptante de distribuição neotropical.
Copel. Facilmente reconhecida na área de estudo por seu
Epífita reptante e/ou hemicriptófita reptante de pecíolo articulado ao caule, folha pinada e soros arredon-
distribuição neotropical. Na área de estudo pode ser dados formando duas ou três séries longitudinais
encontrada como corticícola e/ou rupícola e é paralelas à nervura principal. Na área de estudo foi
facilmente reconhecida por seu caule longo, encontrada apenas uma população no cume do aflora-
intensamente revestido por escamas e folhas dimorfas mento. Ocorre nas margens das matas, sendo que em
(as estéreis são ovadas e as férteis lanceoladas). épocas desfavoráveis, como em períodos secos, é difícil
Conhecida popularmente como erva-silvina, erva- encontrá-la, pois provavelmente perde suas folhas.
silveira, erva-tereza, erva-de-lagarto, cipó-cabeludo, Possuem caule espesso e com parênquima aquífero
cipó-peludo, estanca-sangue ou erva-da-mamãe-oxum semelhante ao de Polypodium catharinae, possivel-
(Sehnem 1970; Braga 1976; Corrêa 1984; Barros & mente com igual função, ou seja, evitar a dessecação.
Andrade 1997; Santos & Sylvestre 2000), é utilizada Conhecida popularmente como samambaia-cumaru ou
como ritualística, cosmética (Santos & Sylvestre 2000) pluma-parasita (Corrêa 1984; Sehnem 1970; Braga
e medicinal. Indicada como poderoso adstringente; 1976), é utilizada como ornamental (Corrêa 1984) e
recomendada nas hemorragias, expectorações medicinal. Contém cumarina (Corrêa 1984), que possui
sanguinolentas de tuberculosos, diarréias, disenterias, efeitos alelopáticos e antibióticos (Larcher 2000). A
hematúrias e derramamento de sangue pelo nariz infusão ou xarope das folhas é empregado como
(Corrêa 1984; Cruz 1965; Penna 1946; Braga 1976). antitussígeno na medicina doméstica (Braga 1976).
Utilizada também para o tratamento de cólicas Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
intestinais e hidropisia (Barros & Andrade 1997). Faz Niterói, 7/I/1995, Guerra Santos et al. 66 (RB);
parte da composição química de um xarope 16/IV/1995, Guerra Santos et al. 70 (RB).
comercializado em farmácias, indicado para o
tratamento de doenças do aparelho respiratório (Santos Pteridaceae
& Sylvestre 2000). Santos et al. (2005) indicam que
8. Adiantopsis radiata (L.) Fée
esta espécie possui atividade cianogênica.
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Hemicriptófita rosulada de distribuição neotropical.
Niterói, 7/I/1995, Guerra Santos et al. 67 (RB). Espécie distinta na Pedra de Itacoatiara por suas
120 Santos & Sylvestre: Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de um afloramento rochoso...

lâminas radiadas ocorrendo somente no interior das sellowii e Anemia villosa em ilhas de solo ou na
matas. Conhecida pelos nomes populares de avenca margem das matas. Algumas pteridófitas da Pedra de
estrelada ou feto estrelado (Braga 1976; Barros & Itacoatiara apresentam enrolamento foliar para o lado
Andrade 1997), é utilizada como ornamental (Braga adaxial (D. collina, D. concolor e D. varians) ou
1976; Roriz 1992) e medicinal. A infusão ou lambedor abaxial (Anemia tomentosa var. anthriscifolia e
são usados como peitoral e antitussígena (Lima 1940; A. villosa). Dependendo da intensidade do enrola-
Mas-Guindal 1941; Barros & Andrade 1997). mento, a folha pode não voltar à posição normal, como
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: conseqüência da falta de reidratação. Segundo Larcher
Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 53 (RB). (2000), o enrolamento foliar, principalmente em musgos
(filídios) e pteridófitas, seria uma estratégia das folhas
9. Adiantum raddianum C. Presl para receber menor energia solar, minimizando o efeito
Hemicriptófita reptante de distribuição neotropical. da radiação excessiva.
A espécie é facilmente reconhecida na Pedra de Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
Itacoatiara pelas folhas tripinadas e segmentos Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 37 (RB);
flabeliformes. Habita preferencialmente lugares 20/III/1994, Guerra Santos 54 (RB).
sombreados e muito úmidos com água escorrendo pela
rocha. Na área de estudo é encontrada apenas uma 12. Doryopteris concolor (Langsd. & Fisch.) Kuhn
população na vertente sudeste. Conhecida pelos nomes Hemicriptófita rosulada de distribuição pantropical.
populares de avenca-de-folha-miúda, avenca-brasileira As folhas pedadas com nervuras furcadas e livres
ou capilária (Lima 1940; Stellfeld 1951; Corrêa 1984) distinguem esta espécie na Pedra de Itacoatiara.
é utilizada como ornamental (Corrêa 1984; Braga 1976; Apenas uma população foi localizada na área de estudo,
Stellfeld 1951) e medicinal. A espécie é indicada como crescendo às margens das matas em local úmido.
peitoral, sudorífera, antitussígena, emenagoga, Apresenta enrolamento foliar para o lado adaxial (vide
emoliente e tônica (Corrêa 1984; Lima 1940; Stellfeld comentários em D. collina).
1951; Barros & Andrade 1997). Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 32 (RB).
Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 34 (RB);
27/VIII/1995, Guerra Santos 389 (RB). 13. Doryopteris varians (Raddi) J. Sm.
Hemicriptófita rosulada de distribuição limitada à
10. Adiantum serratodentatum Willd.
América do Sul. Pode ser confundida com D. collina,
Geófita rizomatosa de distribuição neotropical. mas é facilmente distinta desta por possuir pecíolos
Facilmente distinta na área de estudo pelas suas folhas cilíndricos e negros. Ocorre nas ilhas de solo e nas
bipinadas e soros marginais descontínuos com a margens das matas, em locais úmidos. Apresenta
margem enrolada formando falsos indúsios. Foi enrolamento foliar para o lado adaxial (vide comentários
encontrada apenas uma população nas ilhas de solo em D. collina).
da vertente oeste crescendo junto com o capim sapê Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
(Imperata brasiliensis Trin. - Poaceae) em locais bem Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 33 (RB);
ensolarados. Conhecida popularmente como quebra- 27/VIII/1995, Guerra Santos 386 (RB).
pedra, o chá é usado para combater infecções (Barros
& Andrade 1997). 14. Hemionitis tomentosa (Lam.) Raddi
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Hemicriptófita rosulada de disbribuição limitada
Niterói, 7/I/1995, Guerra Santos et al. 63 (RB). à América do Sul. Espécie reconhecida pelas folhas
pinadas a bipinadas, pinas pilosas e soros lineares
11. Doryopteris collina (Raddi) J. Sm.
sobre as nervuras. Na área de estudo é encontrada
Hemicriptófita rosulada com distribuição limitada no interior ou nas margens das matas, sendo uma
à América do Sul. As folhas pedadas com venação espécie muito freqüente visualmente. O chá é usado
anastomosada e pecíolo castanho, achatado na como anti-helmíntico e sudorífero (Barros & Andrade
superfície adaxial e com alas membranosas 1997).
caracterizam esta espécie na área estudada. Pteridófita Material examinado: B R A S I L. Rio de
terrestre e/ou saxícola encontrada em todo o Janeiro: Niterói, 16/IV/1995, Guerra Santos et al.
afloramento rochoso, crescendo junto com Selaginella 71 (RB).
Acta bot. bras. 20(1): 115-124. 2006. 121

15. Pityrogramma calomelanos (L.) Link var. regiões rochosas do estado do Rio de Janeiro.
calomelanos Apresenta enrolamento foliar na direção abaxial (vide
Hemicriptófita rosulada de distribuição pantropical. comentários em D. collina). As folhas desta
samambaia possuem um aroma característico, que em
Facilmente reconhecida na Pedra de Itacoatiara pela
camada de cera alva existente no lado abaxial das análise química, revelou ser de um óleo essencial, o
folhas. Na área de estudo, esta espécie está isoafricanol (Santos et al. 2003).
representada por poucos indivíduos, que ocorrem Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
crescendo com Pteridium aquilinum var. Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 47 (RB);
arachnoideum em clareiras existentes na mata da 18/XI/1995, Guerra Santos 611 (RB).
vertente sudeste. Conhecida pelos nomes populares 19. Anemia villosa Humb., Bonpl. ex Willd.
de feto-branco, avenca-branca ou avenca-preta
(Corrêa 1984; Barros & Andrade 1997) é utilizada Hemicriptófita rosulada de distribuição limitada à
como ornamental (Corrêa 1984) e medicinal. É indicada América do Sul. Os esporângios arranjados em um
contra distúrbios renais, como adstringente, analgésica, par de pinas basais modificadas e a lâmina pinado-
anti-hemorrágica, peitoral, depurativa, emenagoga, pinatissecta identificam esta espécie na Pedra de
antigripal, anti-hipertensiva, antitérmico, antitussígeno Itacoatiara. Pteridófita representada por grandes
e estimulante da circulação sangüínea (May 1978; populações na área de estudo, sendo encontrada nas
Barros & Andrade 1997). ilhas de solo, crescendo junto com Selaginella sellowii
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Hieron. e Doryopteris collina. Apresenta enrolamento
Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 35 (RB). foliar na direção abaxial (vide comentários em
D. collina). As folhas desta espécie também produzem
Schizaeaceae um óleo essencial, ainda em estudo por pesquisadores
16. Anemia collina Raddi do Laboratório de Tecnologia de Produtos Naturais
(LTPN) da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Hemicriptófita rosulada endêmica do Brasil, Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
ocorrendo nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos 29 (RB);
e Rio de Janeiro. Ocorre nas ilhas de solo e pode ser 27/VIII/1995, Guerra Santos 387 (RB).
reconhecida pelo par de pinas basais modificadas, pinas
de margem inteira a crenada, caule vertical e pilosidade Selaginellaceae
intensa. Apenas uma população foi encontrada na área
20. Selaginella muscosa Spring
de estudo. A espécie é utilizada como ornamental
(Corrêa 1984). Hemicriptófita reptante de distribuição neotropical.
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: A presença de microfilos e rizóforos ventrais
Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 49 (RB). caracterizam esta espécie na Pedra de Itacoatiara, que
ocorre como terrestre e/ou saxícola em ambiente
17. Anemia hirsuta (L.) Sw. úmido.
Geófita rizomatosa de distribuição neotropical. Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro:
Distinta pelo par de pinas basais modificadas longas, Niterói, 7/I/1995, Guerra Santos et al. 65 (RB).
pinas de margem incisa e caule horizontal subterrâneo.
21. Selaginella sellowii Hieron.
Ocorre nas margens da mata do cume da Pedra.
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Hemicriptófita reptante de distribuição neotropical.
Niterói, 2/I/1994, M. Guerra Santos et al. 30 (RB). Na Pedra de Itacoatiara é encontrada nas ilhas de solo
ou na margem das matas e reconhecida pelos
18. Anemia tomentosa (Sav.) Sw. var. anthriscifolia microfilos uniformes e arranjados espiraladamente.
(Schrad.) Mickel Meirelles et al. (1999), analisando a vegetação de
Geófita rizomatosa de distribuição limitada à afloramentos rochosos no estado do Rio de Janeiro,
América do Sul. Na área de estudo é facilmente afirmam que S. sellowii foi a única espécie registrada
reconhecida pelo par de pinas basais férteis modificadas em ilhas com uma fina camada de solo. Em
e a lâmina bipinada. Pteridófita terrestre encontrada observações realizadas na área de estudo, constatou-
em ilhas de solo da vertente oeste. A. tomentosa var. se que S. sellowii é visualmente freqüente em toda a
anthriscifolia é uma planta visualmente freqüente em Pedra, formando ilhas homogêneas. Nas ilhas maiores
122 Santos & Sylvestre: Aspectos florísticos e econômicos das pteridófitas de um afloramento rochoso...

(com vegetação arborescente e/ou arbórea) ela ocorre gêneros com maior número de espécies foram Anemia
nas margens. (quatro) e Selaginella (três).
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: Do número total de espécies inventariadas, 13
Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 50 (RB). possuem usos atribuídos. Destas, 11 são consideradas
medicinais (Adiantum raddianum, Adiantopsis
22. Selaginella sulcata (Desv. ex Poir.) Spring ex radiata, Adiantum serratodentatum, Blechnum
Mart. serrulatum, Hemionitis tomentosa, Lycopodiella
Hemicriptófita reptante limitada à América do Sul. cernua, Microgramma vacciniifolia ,
O caule articulado e os microfilos axilares auriculados Macrothelypteris torresiana, Pteridium aquilinum
caracterizam esta pteridófita terrestre e/ou saxícola var. arachnoideum, Pityrogramma calomelanos var.
que ocorre nas margens das matas. calomelanos e Polypodium triseriale ), seis
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: ornamentais (Anemia collina, A. raddianum,
Niterói, 20/III/1994, Guerra Santos et al. 48 (RB); A. radiata , P. calomelanos var. calomelanos ,
16/IV/1995, Guerra Santos et al. 69 (RB). P. triseriale e Thelypteris dentata), três ritualísticas
(M. vacciniifolia, M. torresiana e T. dentata), uma
Thelypteridaceae comestível (P. aquilinum var. arachnoideum) e uma
23. Macrothelypteris torresiana (Gaudich.) Ching cosmética (M. vacciniifolia ). Duas pteridófitas
contêm substâncias tóxicas (M. vacciniifolia e
Hemicriptófita rosulada de distribuição paleotro- P. aquilinum var. arachnoideum).
pical. É uma pteridófita do Velho Mundo que foi Na classificação quanto à forma de vida, as
introduzida nos neotrópicos e rapidamente ampliou sua hemicriptófitas rosuladas dominaram (45,8%), seguidas
distribuição geográfica (Mickel & Beitel 1988; Smith de hemicriptófitas reptantes (29,2%), geófitas
1992). Na área de estudo pode ser identificada pela rizomatosas (20,8%) e epífitas (4,2%). Estes resultados
lâmina bipinado-pinatissecta e os soros arredondados concordam com Meirelles et al. (1999) que registraram
no lado abaxial. Ocorre em substrato úmido ou com 43,5% de hemicriptófitas para oito afloramentos
água escorrendo na margem da mata ou entre rochas. rochosos do estado do Rio de Janeiro.
Conhecida popularmente como samambaia-da-pedra A análise da distribuição geográfica dos táxons
é utilizada como ritualística em banhos de “descarrego” revelou cinco padrões. A maioria das espécies (37,5%)
e medicinal, sendo indicada para dores no corpo, apresenta distribuição neotropical, o que representa
torções, contusões e pancadas (Santos & Sylvestre nove das 24 espécies inventariadas. Com distribuição
2000). limitada à América do Sul foram registradas sete
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: espécies (29,2%), quatro espécies (16,7%) mostram-
Niterói, 2/I/1994, Guerra Santos et al. 36 (RB); Idem, se pantropicais e duas paleotropicais (8,3%). Apenas
2/I/1994, Guerra Santos et al. 39 (RB); Idem, duas espécies (Anemia collina e Antigramma
27/VIII/1995, Guerra Santos 384 (RB). plantaginea) apresentaram distribuição limitada à
região sudeste do Brasil. No estado do Rio de Janeiro,
24. Thelypteris dentata (Forssk.) E.P. St. John
resultados similares foram encontrados para mata
Hemicriptófita rosulada de distribuição atlântica (Sylvestre 1997; Mynssen & Sylvestre 2001;
paleotropical. Pteridófita introduzida e subespontânea Mynssen et al. 2002) e restinga (Santos et al. 2004).
no Novo Mundo (Smith 1992). Espécie reconhecida A ampla distribuição de algumas espécies de
na Pedra de Itacoatiara pela lâmina pinado-pinatífida pteridófitas pode ser atribuída à maior facilidade de
e soros arredondados e indusiados no lado abaxial. dispersão de seus esporos no ar e por permanecerem
Conhecida pelo nome popular de samambaia-do-mato viáveis por longas distâncias, aliado a um fenótipo com
é utilizada como ritualística em banhos de “descarrego” uma grande amplitude ecológica (Tryon 1970).
(Santos & Sylvestre 2000) e ornamental (Côrrea 1984). Analisando a distribuição das pteridófitas ao longo
Material examinado: BRASIL. Rio de Janeiro: da Pedra de Itacoatiara, verificou-se que algumas
Niterói, 7/I/1995, Guerra Santos et al. 64 (RB). espécies têm ocorrência restrita a uma vertente,
Na Pedra de Itacoatiara foram encontradas 24 enquanto outras são encontradas em praticamente todo
espécies de pteridófitas, pertencentes a 15 gêneros e o afloramento rochoso, como é o caso de Selaginella
nove famílias. A família com maior número de sellowii, Doryopteris collina e Microgramma
representantes foi Pteridaceae (oito espécies) e os vacciniifolia. Um maior número de espécies é
Acta bot. bras. 20(1): 115-124. 2006. 123

encontrado na vertente leste e no topo da Pedra, onde Carauta, J.P.P. & Oliveira, R.R. 1982. Fitogeografia das en-
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2/82). Rio de Janeiro, Fundação Estadual de Engenharia
umidade verificada no solo da vertente leste. Sabe-se do Meio Ambiente.
da necessidade que as pteridófitas têm da água para a Corrêa, M.P. 1984. Dicionário das plantas úteis do Brasil e
reprodução sexuada. Deste modo, elas são das exóticas cultivadas . Rio de Janeiro, Instituto
preferencialmente encontradas em ambientes ou Brasileiro de Desenvolvimento Florestal.
substratos que possam reter água por, pelo menos, Cruz, G.L. 1965. Livro verde das plantas medicinais e
parte do tempo (Windisch 1992), o que não impede o industriais do Brasil. Belo Horizonte.
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seu crescimento em lugares com restrição hídrica, como modern techniques of plant analysis. London, Chapman
é o caso das ilhas de solo dos afloramentos rochosos. and Hall.
Meirelles et al. (1999) afirmam que as pteridófitas Hensen, R.V. 1990. Revision of the Polypodium loriceum-
são elementos significativos nas comunidades de ilha complex (Filicales, Polypodiaceae). Nova Hedwigia
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