Diabetes Mellitus
DEFINIÇÃO E FISIOPATOLOGIA
Hiperglicemia crônica → por falta de insulina e/ou resistência à insulina
Mecanismo pós-prandial:
Insulina = anabolismo
Diabetes = catabolismo → glicogenólise e gliconeogênese (a partir de proteína e gordura) →
hiperglicemia e cetonemia
TIPOS DE DIABETES
Tipo 1 → jovem, magro, criança
doença autoimune: anti-ilhota, anti GAD, anti IA2
destruição de células beta = perda total de insulina
peptídeo C < 0,1 = indetectável
clínica:
perda de peso = estado de catabolismo geral pela falta de colocar glicose dentro das
células e estado de “jejum constante” permitindo ação dos hormônio contra insulínicos →
catabolismo de gorduras → cetoácidos
polifagia = falta glicose, gera fome
hiperglicemia = catabolismo + polifagia + sem insulina → fica muita glicose na corrente
sanguínea
polidipsia = muita glicose aumenta a osmolaridade plasmática, sangue começa a “puxar”
muita água e desidratar o 3º espaço
Diabetes Mellitus 1
poliúria = hipervolemia dentro do vaso, filtra mais, excreta mais, dá mais sede
Tipo 2 → mais velho, obeso, sedentário
genética é um fator mais importante aqui!!
predisposição à resistência insulínica + hábitos de vida que exigem muita produção de insulina
+ fadiga pancreática e déficit de céls. Beta
menor produção de insulina do que a demanda → DM2
clínica:
assintomático!!!
vive anos com hiperglicemia aumentando gradualmente
apresenta clínica das complicações crônicas (micro e macrovasculares)
acantose nigricans = resistência insulínica
MODY
diabetes monogênico
dificuldade de secreção de insulina
forte história familiar
diabetes atípico, mais leve, gradual, paciente jovem, sem autoanticorpo
LADA
“diabetes tipo 1 mais tardio e mais lento”
diabetes atípico, gradual, paciente mais velho, mas não idoso, tem autoanticorpos, mas é mais
lento, só que em algum momento vai depender de insulina
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
TOTG é mais sensível = hora do pâncreas estressado, como ele se comporta?
pode ser 2 testes alterados na mesma amostra
glicemia sérica!!!
Diabetes Mellitus 2
alto risco de desenvolver diabetes
não precisa repetir os exames
se a glicemia de jejum caracteriza pré-diabetes, fazer um TOTG que é mais sensível, porque
nesse teste pode vir DM
Quando rastrear?
de 3 em 3 anos
35 anos ou mais - sociedade americana
45 anos ou mais - sociedade brasileira
IMC de pelo menos 25 + 1 fator de risco independente de idade
HF (1º grau), doença CV, HAS, sedentarismo, dislipidemia, SOP, acantose, DMG, HIV, pré-
DM
criança + 2 fatores de risco
TRATAMENTO DM 1
HbA1c < 7%, mas não muito menor, porque pode indicar hipoglicemia!
No DM1, precisa de um controle glicêmico mais refinado: uso de glicosímetro
Se usa insulina, pelo menos 4 medidas por dia.
jejum
pré almoço
pré janta
antes de dormir
Se ainda há dúvida, acrescentar medida 1h pós prandial
Diabetes Mellitus 3
FISIOLOGIA DA LIBERAÇÃO DE INSULINA
Na DM1, há ausência total de insulina, então tem que repor e a insulina exógena precisa ser
administrada de forma que mimetize a insulina liberada naturalmente
Precisa usar as insulinas rápidas para mimetizar o pico e as insulinas lentas para mimetizar o basal
Dose total: 0,5-1,0 UI/kg/dia
Como aplicar?
padrão ouro: bomba de infusão contínua + orientação do paciente e contagem de CHOS
esquema de múltiplas aplicações - basal + bolus
50% da dose total em rápida → antes das refeições
50% basal → NPH 2-3x/dia ou glargina 1x/dia
esquema de duas aplicações:
café → 2/3 total (NPH 70% e regular 30%)
Diabetes Mellitus 4
jantar → 1/3 total (NPH 50% e regular 50%)
ideia de melhorar adesão do paciente, pode até juntar as duas insulinas numa seinga só
Armadilhas:
Fenômeno do Alvorecer - maioria dos casos
hiperglicemia matinal porque manhã está desprotegida devido picos de contrainsulínicos
(cortisol aumenta bem na hora que a NPH tá acabando)
conduta: aumentar a NPH noturna ou usar mais tarde
Efeito Somogyi
hipoglicemia de madrugada com resposta contrainsulínica e hiperglicemia matinal rebote
devido tanto hormônio contrainsulínico
causa sudorese noturna e pesadelo
conduta: diminuir a NPH noturna ou usar mais tarde
Dúvida: medir glicemia às 3h da manhã
Se tiver hipoglicemia → Somogyi
TRATAMENTO DM2
Drogas antidiabéticas
Diminuir a resistência à insulina
BIGUANIDAS → metformina
atua mais a nível hepático
reduz peso*, benefício CV
EAs: gastrointestinais, redução de B12, acidose lática
contraindicações: DRC (TFG < 30), insuf hepática, IC descompensada
GLITAZONAS → pioglitazona
atua mais no tecido adiposo
pode ser usado no DRC
EAs: aumenta peso (hipertrofia de adipócito, retenção volêmica), risco de fraturas atípicas
contraindicações: IC grave, osteoporose
Aumentar a secreção de insulina - secretagogos
SULFONILUREIAS → glibenclamida, gliclazida, glimepirida
Diabetes Mellitus 5
EAs: aumento de peso, risco de hipoglicemia
meia vida maior
Contraindicação: DRC grave* (alguns atores advogam a gliclazida podendo manter)
GLINIDAS → repaglinida, nateglinida
EAs: aumento de peso, risco de hipoglicemia
ação rápida
menos usada atualmente
Diminuir absorção intestinal de glicose
ACARBOSE
diminui glicemia pós-prandial
EAs: intolerância gastrointestinal intensa
Ação incretinomimética = libera insulina
Incretina = proteína estimuladora de liberação de insulina conforme glicemia
Ou seja, se a glicose não sobe, não estimula insulina
AGONISTAS DE GLP1 → liraglutida, semaglutida
atua diretamento no receptor incretínico
benefício cardiovascular - doença aterosclerótica, benefício renal
perda de peso
Contraindicação se TFG < 15
INIBIDORES DE DPP4 → linagliptina, sitagliptinas
DPP4 destrói incretinas
pode usar na DRC com ajuste de dose (linagliptina nem precisa de ajuste)
neutro em efeito cardiovascular e no peso
Diminuir reabsorção renal de glicose
INIBIDORES DE SGLT2 → dapagliflozina, empagliflozina
excreção maior de glicose e de água - perda de peso discreta
benefício cardiovascular (mesmo sem DM)
benefício renal (reduz albuminúria)
EAs: infecção genitourinária
Na DRC:
empa até TFG 30
dapa até TFG 25
Diabetes Mellitus 6
Manejo inicial = MEV + metformina gradualmente
Se doença aterosclerótica = já iniciar adicionando agonista de GLP1 ou ISGLT2
HbA1c 7,5-9% = adicionar 2º antidiabético conforme comorbidade
HbA1c > 9% ou glicemia de 250 ou mais e sintomas: insulina
insulinização plena (basal-bolus) x insulina à noite (NPH bedtime - gliconeogêne hepática
noturna)
evolução natural da doença é chegar na insulinização plena
Acompanhamento:
rever HbA1c em 3 meses → fora do alvo: intensificar tratamento
TRAMENTO PRÉ-DIABETES
mudança de estilo de vida!!!!
Metformina se:
< 60 anos, IMC > 35, história de DMG, sd metabólica ou HAS, glicemia de jejum > 110
monitorar anualmente
COMPLICAÇÕES AGUDAS
CETOACIDOSE DIABÉTICA (ESTADO HIPERGLICÊMICO HIPEROSMOLAR CETÓTICO)
Em geral, DM1, mas pode ocorrer no DM2 conforme evolução.
hiperglicemia
acúmulo de cetoácidos → cetoacidose metabólica de AG elevado
Critérios diagnósticos
Diabetes Mellitus 7
Fatores desencadeantes
infecção - REMIT = hormônios contrainsulínicos
má adesão ao tto
Clínica:
DM + sintomas específicos
rebaixamento de nível de consciência, náuseas, vômitos, hiperventilação
leucocitose mesmo sem infecção
aumento de enzimas hepáticas, amilase, creatinina
desidratação
Tratamento: VIP → volume, insulina, potássio
hidratação venosa: SF 0,9% 15-20ml/kg na 1ª hora
após, checar sódio:
se normal, usar NaCl 0,45%
se hipo, manter SF 0,9% 250-500ml/h
checar potássio
falta de insulina, acidose e hiperosmolaridade tende a tirar o K da célula
nível sérico de K pode estar até normal porque o rim excreta, mas o global pode ser
baixo porque o K está no sangue e não na célula
se hipoK = repor K e não iniciar insulina (causará hipo ainda mais grave colocando o K
dentro da célula)
se K normal = repor K e iniciar insulina
se hiperK = não repor K, iniciar insulina e acompanhar K
insulinoterapia venosa
insulina regular venosa: 0,14 U/kg/h ou 0,1 U/kg + 0,1U/kg/h em BIC
redução gradual de glicemia: 50-75 mg/dl/h
evitar risco de hipok abrupta ou edema cerebral
Critérios de cura:
Diabetes Mellitus 8
No paciente compensado, manter insulina venosa
começar insulina SC, iniciar dieta
suspender insulina EV
50% = SG + 50% = SF
E o bicarbonato:
só se pH < 6,9!
ESTADO HIPERGLICÊMICO HIPEROSMOLAR NÃO CETÓTICO
ocorre mais no DM2 idoso (debilitado)
se o paciente tem insulina, não faz cetose, mas faz hiperglicemia e
hiperosmolaridade/desidratação (se ele parar de beber água, ele para de resolver a
compensação da desidratação do 3º espaço)
mortalidade mais alta
Critérios diagnósticos
Tratamento = CAD!
Critério de cura se Osm < 310
Diabetes Mellitus 9