DNA
O DNA, ou ácido desoxirribonucleico, é a base molecular da herança genética,
sendo descoberto em meados de 1800 e compreendido em 1953 com a
estrutura de dupla hélice. Composto por uma cadeia de açúcar-fosfato e pares
de bases (adenina-timina, guanina-citosina), o DNA armazena informações
genéticas, replica-se e expressa traços.
O genoma humano contém 6 bilhões de pares de bases em 46 cromossomos, o
que o torna um sistema de armazenamento de informações compacto e
eficiente.
O DNA desempenha um papel importante na nossa individualidade. É o DNA
que vai determinar, por exemplo, a cor do seu cabelo, a cor de seus olhos e
diversas outras coisas. E o DNA não só faz com que você seja um ser humano
único, mas ele também te conecta com outros humanos, porque o material
genético dos humanos é mais similar entre si do que, por exemplo, com o
material genético de um chimpanzé, ou de uma mosca da fruta, ou de uma
planta, por exemplo.
Regra de pareamento: A-T; C-G (nos procariontes T é U – uracila)
Replicação do DNA
E o processo pelo qual uma molécula de DNA faz uma cópia idêntica de si
mesma antes da divisão celular.
Esse processo acontece durante a fase S da intérfase, antes da célula entrar
na divisão (mitose ou meiose).
É semiconservativa: cada nova molécula tem uma fita antiga e uma
fita nova.
Enzimas importantes: DNA helicase (abre a dupla hélice) e DNA
polimerase (constrói a nova fita).
O DNA tem extremidades químicas chamadas 5’ e 3’ (lê-se “cinco linha” e
“três linha”).
A DNA polimerase só consegue adicionar nucleotídeos na extremidade
3’ da nova fita.
Isso cria duas situações diferentes:
1. Fita líder (leading strand em inglês, mas aqui chamaremos apenas de
fita líder)
o É sintetizada de forma contínua, acompanhando a abertura da
hélice.
2. Fita atrasada (lagging strand)
o É sintetizada em pequenos trechos chamados fragmentos de
Okazaki, que depois são unidos pela DNA ligase.
Etapas da replicação
1. Abertura da dupla hélice
o A helicase rompe as pontes de hidrogênio entre as bases
nitrogenadas.
2. Estabilização das fitas
o Proteínas específicas mantêm as fitas separadas.
3. Início da síntese
o A primase insere um pequeno trecho de RNA (primer) para a DNA
polimerase começar a trabalhar.
4. Alongamento
o A DNA polimerase adiciona nucleotídeos complementares à fita
molde: A pareia com T e C pareia com G.
5. Remoção dos primers
o Outros tipos de DNA polimerase removem o RNA e substituem por
DNA.
6. Ligação final
o A DNA ligase sela as lacunas entre os fragmentos, formando uma
molécula contínua.
Tradução
Gene é uma região específica da molécula de DNA, que determina a produção
de uma molécula específica de RNA, transcrevendo seu código para ela.
Essa molécula de RNA vai orientar a produção de proteínas, traduzindo a
informação codificada em uma sequência de aminoácidos, que caracterizam a
proteína.
Existem 21 aminoácidos e uma infinidade de proteínas.
A tradução do DNA em proteínas é um passo fundamental para que as
informações genéticas saiam do papel e se tornem algo funcional no
organismo.
As proteínas atuam em praticamente todos os processos vitais:
Estruturais: como a queratina (cabelo, unhas) e o colágeno (pele,
tendões).
Enzimáticas: aceleram reações químicas (enzimas como amilase,
catalase).
Transporte: como a hemoglobina, que carrega oxigênio.
Defesa: como os anticorpos.
Hormônios proteicos: como a insulina.
Ou seja: sem proteínas, não teríamos crescimento, metabolismo, defesa ou
comunicação celular.
Como acontece a tradução
1. DNA → RNA mensageiro (transcrição)
o O trecho de DNA (gene) é copiado para uma molécula de RNA
mensageiro.
2. RNA mensageiro → proteína (tradução)
o No citoplasma, o RNA é lido pelos ribossomos.
o Cada conjunto de 3 bases nitrogenadas (códon) corresponde a
um aminoácido.
o Os aminoácidos vão sendo ligados na ordem correta para formar
a proteína.
UAA é a sequência para a finalização da tradução.
Códon é uma sequência de 3 nucleotídeos que formam os aminoácidos.
DNA é "transcrito" pelo RNA mensageiro (RNAm) e depois a informação é
"traduzida" pelos ribossomos (compostos RNA ribossômico e moléculas de
proteínas) e pelo RNA transportador (RNAt), que transporta os aminoácidos,
cuja sequência determinará a proteína a ser formada.
Funções principais do DNA no organismo
1. Armazenar informações genéticas
o Contém os genes, que são sequências específicas de nucleotídeos
com instruções para produzir proteínas e regular o funcionamento
celular.
o É como um banco de dados biológico.
2. Transmissão hereditária
o O DNA é passado de geração em geração, garantindo que as
características de uma espécie sejam preservadas.
o Durante a reprodução, ele se replica e parte de sua sequência vai
para os descendentes.
3. Controle da produção de proteínas
o O DNA contém as instruções para a síntese de proteínas, que são
responsáveis por quase todas as funções celulares, desde o
transporte de substâncias até a defesa imunológica.
4. Coordenação das atividades celulares
o Atua como um “centro de comando”, indicando quais genes devem
ser ativados ou silenciados em cada situação (regulação gênica).
Usos do DNA fora do corpo humano
Hoje a ciência aprendeu a “ler” e “editar” o DNA, e isso abriu várias aplicações
práticas:
Medicina
o Diagnóstico de doenças genéticas (ex.: fibrose cística, anemia
falciforme).
o Testes de predisposição a doenças (medicina preventiva).
o Terapia gênica para corrigir mutações.
Biotecnologia
o Produção de insulina e hormônios de crescimento usando DNA
recombinante.
o Criação de vacinas, como algumas contra COVID-19.
Agricultura
o Plantas geneticamente modificadas para resistir a pragas ou
produzir mais nutrientes.
Ciência forense
o Identificação de pessoas em investigações criminais ou
reconhecimento de corpos.
o Testes de paternidade.
Conservação ambiental
o Monitoramento de espécies ameaçadas por análise de DNA
encontrado no ambiente (DNA ambiental).
Como funciona a identificação de pessoas e de paternidade?
Princípio genético
Cada pessoa recebe 50% do DNA da mãe e 50% do pai.
O DNA é formado por sequências específicas de nucleotídeos (A, T, C, G),
mas para testes de identidade, não se analisa o genoma inteiro — e sim
regiões chamadas marcadores genéticos ou microssatélites (STRs).
Esses marcadores variam muito de pessoa para pessoa e, portanto, são
usados como “impressões digitais genéticas”.
2. Coleta de material
Teste de paternidade: geralmente feita por swab bucal (cotonete na
mucosa da bochecha) para coletar células com DNA. Pode ser feita
também com sangue, cabelo com raiz, saliva ou até amostras de objetos
(escova de dentes, talheres).
Biologia forense: amostras podem vir de sangue, sêmen, pele, suor,
ossos, dentes, fio de cabelo etc.
3. Extração do DNA
O material coletado é processado para isolar o DNA de dentro das células,
retirando proteínas e outras impurezas.
4. Amplificação (PCR)
O DNA extraído é “copiado” milhões de vezes em regiões específicas
usando a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase).
Essa técnica foca nos marcadores STR — sequências curtas repetidas
que variam entre indivíduos.
5. Análise dos marcadores genéticos
Cada marcador STR tem duas cópias: uma herdada do pai, outra da
mãe.
No teste de paternidade:
o O DNA da criança é comparado com o da mãe e do suposto pai.
o As partes do DNA que não vêm da mãe precisam
obrigatoriamente vir do pai biológico.
o Se todos (ou quase todos) os marcadores coincidirem, a
probabilidade de paternidade ultrapassa 99,9%.
Na identificação forense:
o O perfil de STRs encontrado na cena do crime é comparado com o
DNA de suspeitos ou com bancos de dados.
6. Resultado
Paternidade confirmada: coincidência em todos os marcadores
analisados (alta probabilidade estatística).
Paternidade excluída: ao menos dois ou três marcadores diferentes já
descartam a relação biológica.
Identificação forense: quando o perfil genético encontrado é idêntico
ao de um indivíduo específico.