como se deu a minha primeira aventura, mas temo que lhe seja enfadonho. — Oh, não! Em absoluta!
Na verdade, estou
ansioso por ouvi-la! Brigitte contemplou a brasa do cigarro, com ar pensativo. — A princípio, realizei alguns trabalhinhos
sem importância para a CIA. Podemos começar pela primeira missão realmente significativa, a qual teve inicio com um
trágico prelúdio na Jamaica, sem a minha participação imediata, pois, aquela altura, eu ainda aspirava pertencer à
Central Intelligence Agency. Entrei no enredo mais tarde. Imagine, mister Pierson, que... PRELÚDIO NA JAMAICA
Sombras nascidas da escuridão da noite O ignoto caminho das esmeraldas Fúria selvagem contra um corpo morto... A
lancha parou junto às rochas da orla litorânea, depois de vencer os últimos cento e cinqüenta metros com o motor
parado, a remo. O homem que vinha remando saltou para as pedras, escondendo-se entre elas. Empunhava uma
pistola. Ouvia-se apenas o ruído das ondas. A uns cem metros na direção da terra, via-se uma casa bem iluminada. O
homem ficou uns cinco minutos esperando, imóvel, olhando para todos os lados. Via apenas um pequeno iate que
flutuava a pouca distância e, na praia, o pequeno telheiro feito de troncos e folhas de palmeira. Finalmente, saltou das
rochas para a areia e correu até junto das primeiras palmeiras. Quase havia chegado lá quando uma sombra apareceu
diante dele, saída de trás de uma rocha, Assustou-se, ergueu a pistola e... recebeu violentíssimo pontapé no baixo-
ventre. Dobrou-se ao meio, para frente, deixando cair a arma. Outro homem entrou em cena, desferindo-lhe um
pontapé nos rins que o lançou de bruços no chão. Ainda estava com a cabeça quase enterrada na areia quando levou
outro pontapé, desta vez na altura do estômago, de lado. Seguiram-se mais três, em rápida seqüência. O último a bater
recolheu a pistola da areia e tornou a aproximar-se dele, com intenções visivelmente malévolas. Foi quando duas
sombras de mulher, altas, esguias, empunhando revólveres, surgiram como por encanto de um conjunto de palmeiras.
— Está bem, Morton, já chega... — disse uma das mulheres. — Vejamos o que diz mister Rutherford. Anne, vá dizer-lhe
que o agente da CIA caiu na cilada, como previu Pedraza. A outra mulher afastou-se rapidamente, encaminhandose para
acaso. Regressou em menos de três minutos acompanhada de três homens. Um deles era gigantesco, destacando-se
nele um gorro de marinheiro. Também vestia japona de marujo. Um dos outros dois apressou-se em sujeitar o
maltratado agente da CIA. o qual ficou, assim, firmemente imobilizado entre três homens, um dos quais era preto. O
último personagem, homem corpulento, calvo, vestindo apenas uma túnica muito fresca e adequada ao clima, ergueu a
mão, chamando a atenção de todos. Morton, Salters, Jolion: agarrem-no bem. Vocês, Annie e Florrie. fiquem atentas.
Não quero que tenha a menor possibilidade de intentar algum truque. — Fez uma pausa, voltando-se para o gigante: —
Como é, Pedraza: é esse o tal que o estava seguindo? — É, mister Rutherford. Tenho toda a certeza — respondeu o
marujo. — Eu o vi com outro sujeito em Kingston — asseverou Morton. — Era um indivíduo louro, seco, de olhos claros.
Pareciam grandes amigos. — Também deve ser da CIA opinou Rutherford, — Onde está ele? — Não sei, mister
Rutherford, porque nos concentramos em capturar este. Chama-se Sam Hagerty, segundo consta da ficha do hotel em
que está hospedado. — Bem... — Wilson Rutherford ergueu a cabeça de Hagerty segurando-o pelos cabelos. — Parece
que está em maus lençóis, mister Hagerty. Pertence mesmo à CIA? Sacudiu brutalmente o homem da CIA, porém ele
nem sequer se queixou. Conseguiu erguer a cabeça e, na escuridão, seus olhos brilharam com angustiada expressão de
firmeza. — Não falará — disse José Pedraza, o marujo. — Deixe-o comigo, mister Rutherford. — É preciso tentar —
consentiu este. — O homem louro que perambula por Kingston pode tornar-se perigoso. Hagerty tem de dizer onde ele
está. Bata firme, Pedraza. O marujo se adiantou sorridente, mostrando dentes muito alvos. Seu punho fortíssimo atingiu
em cheio o estômago do americano, que soltou um uivo e ficou pendurado nos braços do negro Jolion e dos brancos
Morton e Salters. Wilson Rutherford tornou a erguer a cabeça do agente da CIA, sempre a puxando pelos cabelos. —
Mister Hagerty, antes do senhor, cuidamos de um companheiro seu que se dizia chamar Albert Connors. Deve entender
bem: isto não é uma brincadeira. Onde está o homem louro que foi visto em sua companhia? — Vá... para o... inferno...
suíno! — gemeu o prisioneiro. — É para onde irá se não responder minhas perguntas. Que sabe do caminho das
esmeraldas? Samuel Hagerty estava com a boca cheia de sangue. Aparentemente, os golpes no baixo-ventre, nos rins e
no estômago lhe tinham causado sérios danos internos. Mas o que fez foi cuspir sangue no rosto de Rutherford, o qual
recuou de um salto, rosnando de nojo. Simultaneamente, as duas mulheres se adiantaram, golpeando o americano com
cutiladas de caratê no dorso, na cabeça e na garganta. Hagerty tornou a ficar pendurado nos braços de Jolion, Morton e
Salters. Uma das mulheres apontou o revólver para sua cabeça. — Posso matá-lo, mister Rutherford? — Não assim:
destroçando-o. Façam-no vocês mesmas, Anne e Florrie. Deverá arrepender-se de me cuspir no rosto! Num minuto, as
duas mulheres, como verdadeiras panteras, deixaram o agente desfigurado, golpeando-o apenas com as mãos, que
pareciam verdadeiras achas de lenha. A cada golpe, os ossos e as carnes de Samuel Hagerty, estalavam tetricamente.
Estava bem claro que as duas feras louras sabiam perfeitamente onde bater. Sem dúvida o americano teria sido
esquartejado a cutiladas de caratê se o próprio Rutherford não tivesse detido a fúria animalesca das duas mulheres de
corpo escultural. — Não se cansem mais... — disse o corpulento Rutherford. — Já está quase morto. Joguem-no no
‘depósito’ de agentes da CIA. Espero que tenha mais cuidado da próxima vez. Pedraza. Agora, termine você mesmo o
trabalho. — Está bem, mister Rutherford! — entusiasmou-se o marujo. José Pedraza sacou de uma navalha, apertou o
botão e a lâmina se projetou para fora do cabo. Segundos depois, ouvia-se o tétrico chiado do rasgar de carnes,
enquanto o brutamontes, às gargalhadas, continuava retalhando o corpo do agente Samuel Hagerty, já morto.
CAPÍTULO SEGUNDO Cinco pares de olhos pregados numa tela Uma faceta especial de caráter, reservada para
momentos oportunos Enterro com musica de dança No silêncio da sala ouviu-se uma voz masculina: — Podem iniciar a
projeção! Um rosto de mulher apareceu imediatamente na tela e um murmúrio de admiração ecoou contra as paredes.
Era um filme colorido e a primeira coisa a chamar atenção foram uns maravilhosos olhos azuis, grandes, rasgados. O
rosto era fino, ovalado, emoldurado por negra e brilhante cabeleira. Maçãs ligeiramente pronunciadas c nariz pequeno,
reto gracioso. Sobrancelhas bem traçadas, impecáveis; lábios róseos, sorridentes, o superior graciosamente
pronunciado; uma deliciosa covinha no queixo. O conjunto era de impressionante beleza. Sem dúvida aquela figura
adorável faria qualquer homem cair em êxtase.