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ANos últimos 20 anos eu assisti a duas apresentações via YouTube de


dois profissionais que me inspiram e que fizeram muita diferença no
mundo, falando sobre um tema comum: a Morte. Foram eles Steve
Jobs e Tom Keley.

O primeiro, falava do valor da renovação que a morte oferece, o


segundo falou da preocupação de deixar alguém que se ama, sem
que se possa fazer algo.

Mas o ponto do discurso de ambos que me chamou mais a atenção,


foi reforçado por uma experiência que passei no finalzinho de 2014,
30 de dezembro, sendo específico, quando fui submetido a uma
cirurgia que deveria ter sido simples para corrigir uma fratura de
mandíbula: o procedimento ficou complexo no meio do caminho,
vulnerabilidade e reação.

À parte detalhes de minha cirurgia, ambos dizem mais ou menos isso:


você já está nu, seu sobrenome pessoal e/ou institucional não fazem
qualquer diferença e já não depende mais apenas de você.

Tom Keley é ainda mais cruel, talvez por ser um pouco mais humano,
ele tem aquele olhar de Experiência de Usuário, e foi além: “você está
cercado por outras pessoas também de camisola e bunda de fora,
algumas amareladas e outras acinzentadas e sabe que boa parte
delas talvez não saia viva de lá; não sei se eu sairei”.

Curioso, mas meu caso sendo muitíssimo mais simples que o deles
inspirou a mesma sensação e parte da reação: o que eu posso fazer
para sobreviver a isso?

Tive uma recuperação fora do padrão segundo os médicos, talvez


pela vontade de sair rápido do hospital, vontade de passar o reveillon
em casa, ainda que longe dos meus filhos e neta, mas em casa.
Talvez porque fora de lá eu me sentisse com uma primeira de
algumas vitórias que teria de travar por pelo menos 18 meses, talvez
porque a noção de tempo e de importância das coisas ficou um pouco
distorcida em relação a antes da anestesia geral (aliás como isso é
bom, foi minha primeira vez!).

Corro o risco de fazer apenas mais um discurso afetado pelo medo


natural de situações desse tipo, e/ou efeito residual da anestesia
geral (não pretendia tomar outra tão rápido, mas é uma coisa muito
boa! E sim, menos de 2 anos depois, por duas vezes, outro acidente
bobo), mas serviu para reavaliar algumas coisas que fiz e tenho ainda
feito no passado recente.

Eu confesso que de uma certa forma me divirto quando alguém me


diz "Humberto, queria ser igual a você, não ter problemas e estar
sempre brincando e rindo!" Me divirto, porque essa imagem é positiva
e talvez inspiradora, e me divirto também porque trata-se de um
equívoco tamanho Allianz Park. Na verdade eu não vivo minha vida
em cima da auto-flagelação por conta de eventos ou pessoas que me
magoaram, chatearam ou de eventos que não saíram como previsto,
o nome disso é Vida.

É óbvio que tenho problemas, igual a todo mundo, e aliás alguns


foram muito, mas muito maiores que a média. Apenas aproveitei para
aprender com eles, e se tiver que errar de novo, cometerei erros
novos e não repetirei os antigos.

Eu poderia fazer uma lista (grande) das coisas que aprendi com erros,
resultado de problemas que enfrentei e seria uma das coisas mais
chatas de se ler, mais ainda que esse texto longo.

Vou falar apenas de um: em 1991, no auge da crise econômica


mundial, perdi o emprego, e demorou pouco mais que a reserva no
banco para encontrar um novo.

Um dia cheguei em casa com essa mania de tripudiar o destino e


disse à ex-esposa (Aparecida Delatin)

- Olha hoje estou feliz!

Ela imaginando que eu tivesse endoidado de vez, me pergunta:

- Porque?

- Batemos no fundo do poço; a gente tá tão mal, mas tão mal, que
não tem como piorar; qualquer coisa que aconteça só pode ser
melhor que hoje.

Olha, não gosto de dar conselhos, a não ser esse: Jamais, mas jamais
mesmo diga essa bobagem, a coisa pode sim sempre ser pior (ou
melhor), depende de tantas variáveis, e muitas não controlamos. Na
mesma semana, eu ainda sem emprego e sem convênio médico
recebo a notícia de que meu filho sofreu um acidente durante um
treino. Ele teria de se submeter a uma operação de urgência.

Os detalhes são muitos, e resumindo, conseguimos e foi sucesso, mas


junto com o alívio do sucesso, os caprichos do acaso, ele herdou
algumas coisas bem interessantes de mim, entre elas a alergia a
Dipirona, aquela coisinha que faz a dor mais intensa diminuir.

Acabada a operação, as dores que ele sentia eram muito intensas e


eu podia ouvir do corredor do hospital ele reclamando daquela dor.

Como ele não parava, eu não consegui ir embora e avisei em casa


que ficaria mais um pouco mas por lá.

Não tinha autorização para entrar no quarto, mas do lado de fora do


hospital, da calçada, perto de onde deveria ser o seu quarto, eu ouvia
ele reclamando da dor que o paracetamol não diminuía. Só fui para
casa quase quando amanhecia, depois que eu percebi que ele não
reclamava mais havia quase uma hora.

Acho que eu nunca contei essa história em casa, nem mesmo para
ele, e não queria que minha ex esposa se sentisse tão impotente
quanto eu me senti durante as quase 8 horas que fiquei lá plantado,
chorando junto.

Porque eu estou falando disso, misturando tudo como no Samba do


Crioulo Doido do Stanislaw PontePreta?

Bom, há uma crença antiga de que a dor purifica a alma e molda o


caráter, e de que o sofrimento nos mantém paralisados. Escolha
encarar a situação e pensar em como pode resolver, não seja do tipo
de pessoa que fica feliz quando declara para o mundo a sua
infelicidade, infortúnio, dor ou sofrimento, mas também não faz nada
para mudar.

Não controlamos tudo ao nosso redor, mas podemos pensar em


termos de pró-ação, ou seja estabelecer os planos de contingência
até mesmo para o pouco provável, sem deixar-se levar pela neurose,
refiro-me exclusivamente a planejamento.

Pense nas pessoas. Eu sou de certa forma egoísta, não egoísta do


mal, movido pela ambição, mas o egoísta que esconde sentimento,
como se fosse sinal de fraqueza. Não sou crítico de recursos
tecnológicos e acho uma chatice sem fim pessoas que criticam as
maquininhas bacanas da modernidade de qualquer tempo.
Para esses recomendo voltar às cavernas, dormir no chão e jamais
comprar em supermercados. Ao mesmo tempo penso que podemos
dosar um pouco o quanto passamos com a cara enfiada em coisas
retangulares brilhantes nos bolsos e bolsas, e interagir mais com
quem está por perto.

As coisas podem sim piorar ou melhorar, e parte disso depende de


você. Veja o que depende, veja o que pode previnir (pra não piorar) e
o que pode começar a fazer já, para melhorar.

Em tempo, minha vida não é muito diferente da sua. Eu sou bem


normal, previsível e de uma certa forma chato, mas adoro estar vivo.
Sei que tenho bastante contribuições ainda para a família, para a
sociedade e um pouquinho para a educação, e isso me deixa muito,
mas muito feliz mesmo.

Talvez o motivo de eu estar sempre rindo e brincando, que na pior das


hipóteses inclusive faz parte do meu ofício de profissional de
criatividade e inovação, é saber que ainda tenho tempo (prometo não
entrar na discussão do tempo de Blade Runner), é saber que posso
interagir com as pessoas ao redor, ou via tecnologia - a pandemia
comprovou minha crença anterior - fazendo com que minha voz e
pensamentos possam se multiplicar, inspirar, provocar, e que as
coisas podem ser melhores, sem necessariamente terem de ter
chegado ao pior de tudo para isso.

Faça sua escolha. Siga em frente. Seja Feliz!

Nos últimos 20 anos eu assisti a duas apresentações via YouTube de


dois profissionais que me inspiram e que fizeram muita diferença no
mundo, falando sobre um tema comum: a Morte. Foram eles Steve
Jobs e Tom Keley.

O primeiro, falava do valor da renovação que a morte oferece, o


segundo falou da preocupação de deixar alguém que se ama, sem
que se possa fazer algo.

Mas o ponto do discurso de ambos que me chamou mais a atenção,


foi reforçado por uma experiência que passei no finalzinho de 2014,
30 de dezembro, sendo específico, quando fui submetido a uma
cirurgia que deveria ter sido simples para corrigir uma fratura de
mandíbula: o procedimento ficou complexo no meio do caminho,
vulnerabilidade e reação.

À parte detalhes de minha cirurgia, ambos dizem mais ou menos isso:


você já está nu, seu sobrenome pessoal e/ou institucional não fazem
qualquer diferença e já não depende mais apenas de você.
Tom Keley é ainda mais cruel, talvez por ser um pouco mais humano,
ele tem aquele olhar de Experiência de Usuário, e foi além: “você está
cercado por outras pessoas também de camisola e bunda de fora,
algumas amareladas e outras acinzentadas e sabe que boa parte
delas talvez não saia viva de lá; não sei se eu sairei”.

Curioso, mas meu caso sendo muitíssimo mais simples que o deles
inspirou a mesma sensação e parte da reação: o que eu posso fazer
para sobreviver a isso?

Tive uma recuperação fora do padrão segundo os médicos, talvez


pela vontade de sair rápido do hospital, vontade de passar o reveillon
em casa, ainda que longe dos meus filhos e neta, mas em casa.
Talvez porque fora de lá eu me sentisse com uma primeira de
algumas vitórias que teria de travar por pelo menos 18 meses, talvez
porque a noção de tempo e de importância das coisas ficou um pouco
distorcida em relação a antes da anestesia geral (aliás como isso é
bom, foi minha primeira vez!).

Corro o risco de fazer apenas mais um discurso afetado pelo medo


natural de situações desse tipo, e/ou efeito residual da anestesia
geral (não pretendia tomar outra tão rápido, mas é uma coisa muito
boa! E sim, menos de 2 anos depois, por duas vezes, outro acidente
bobo), mas serviu para reavaliar algumas coisas que fiz e tenho ainda
feito no passado recente.

Eu confesso que de uma certa forma me divirto quando alguém me


diz "Humberto, queria ser igual a você, não ter problemas e estar
sempre brincando e rindo!" Me divirto, porque essa imagem é positiva
e talvez inspiradora, e me divirto também porque trata-se de um
equívoco tamanho Allianz Park. Na verdade eu não vivo minha vida
em cima da auto-flagelação por conta de eventos ou pessoas que me
magoaram, chatearam ou de eventos que não saíram como previsto,
o nome disso é Vida.

É óbvio que tenho problemas, igual a todo mundo, e aliás alguns


foram muito, mas muito maiores que a média. Apenas aproveitei para
aprender com eles, e se tiver que errar de novo, cometerei erros
novos e não repetirei os antigos.

Eu poderia fazer uma lista (grande) das coisas que aprendi com erros,
resultado de problemas que enfrentei e seria uma das coisas mais
chatas de se ler, mais ainda que esse texto longo.

Vou falar apenas de um: em 1991, no auge da crise econômica


mundial, perdi o emprego, e demorou pouco mais que a reserva no
banco para encontrar um novo.
Um dia cheguei em casa com essa mania de tripudiar o destino e
disse à ex-esposa (Aparecida Delatin)

- Olha hoje estou feliz!

Ela imaginando que eu tivesse endoidado de vez, me pergunta:

- Porque?

- Batemos no fundo do poço; a gente tá tão mal, mas tão mal, que
não tem como piorar; qualquer coisa que aconteça só pode ser
melhor que hoje.

Olha, não gosto de dar conselhos, a não ser esse: Jamais, mas jamais
mesmo diga essa bobagem, a coisa pode sim sempre ser pior (ou
melhor), depende de tantas variáveis, e muitas não controlamos. Na
mesma semana, eu ainda sem emprego e sem convênio médico
recebo a notícia de que meu filho sofreu um acidente durante um
treino. Ele teria de se submeter a uma operação de urgência.

Os detalhes são muitos, e resumindo, conseguimos e foi sucesso, mas


junto com o alívio do sucesso, os caprichos do acaso, ele herdou
algumas coisas bem interessantes de mim, entre elas a alergia a
Dipirona, aquela coisinha que faz a dor mais intensa diminuir.

Acabada a operação, as dores que ele sentia eram muito intensas e


eu podia ouvir do corredor do hospital ele reclamando daquela dor.

Como ele não parava, eu não consegui ir embora e avisei em casa


que ficaria mais um pouco mas por lá.

Não tinha autorização para entrar no quarto, mas do lado de fora do


hospital, da calçada, perto de onde deveria ser o seu quarto, eu ouvia
ele reclamando da dor que o paracetamol não diminuía. Só fui para
casa quase quando amanhecia, depois que eu percebi que ele não
reclamava mais havia quase uma hora.

Acho que eu nunca contei essa história em casa, nem mesmo para
ele, e não queria que minha ex esposa se sentisse tão impotente
quanto eu me senti durante as quase 8 horas que fiquei lá plantado,
chorando junto.

Porque eu estou falando disso, misturando tudo como no Samba do


Crioulo Doido do Stanislaw PontePreta?

Bom, há uma crença antiga de que a dor purifica a alma e molda o


caráter, e de que o sofrimento nos mantém paralisados. Escolha
encarar a situação e pensar em como pode resolver, não seja do tipo
de pessoa que fica feliz quando declara para o mundo a sua
infelicidade, infortúnio, dor ou sofrimento, mas também não faz nada
para mudar.

Não controlamos tudo ao nosso redor, mas podemos pensar em


termos de pró-ação, ou seja estabelecer os planos de contingência
até mesmo para o pouco provável, sem deixar-se levar pela neurose,
refiro-me exclusivamente a planejamento.

Pense nas pessoas. Eu sou de certa forma egoísta, não egoísta do


mal, movido pela ambição, mas o egoísta que esconde sentimento,
como se fosse sinal de fraqueza. Não sou crítico de recursos
tecnológicos e acho uma chatice sem fim pessoas que criticam as
maquininhas bacanas da modernidade de qualquer tempo.

Para esses recomendo voltar às cavernas, dormir no chão e jamais


comprar em supermercados. Ao mesmo tempo penso que podemos
dosar um pouco o quanto passamos com a cara enfiada em coisas
retangulares brilhantes nos bolsos e bolsas, e interagir mais com
quem está por perto.

As coisas podem sim piorar ou melhorar, e parte disso depende de


você. Veja o que depende, veja o que pode previnir (pra não piorar) e
o que pode começar a fazer já, para melhorar.

Em tempo, minha vida não é muito diferente da sua. Eu sou bem


normal, previsível e de uma certa forma chato, mas adoro estar vivo.
Sei que tenho bastante contribuições ainda para a família, para a
sociedade e um pouquinho para a educação, e isso me deixa muito,
mas muito feliz mesmo.

Talvez o motivo de eu estar sempre rindo e brincando, que na pior das


hipóteses inclusive faz parte do meu ofício de profissional de
criatividade e inovação, é saber que ainda tenho tempo (prometo não
entrar na discussão do tempo de Blade Runner), é saber que posso
interagir com as pessoas ao redor, ou via tecnologia - a pandemia
comprovou minha crença anterior - fazendo com que minha voz e
pensamentos possam se multiplicar, inspirar, provocar, e que as
coisas podem ser melhores, sem necessariamente terem de ter
chegado ao pior de tudo para isso.

Faça sua escolha. Siga em frente. Seja Feliz!

Nos últimos 20 anos eu assisti a duas apresentações via YouTube de


dois profissionais que me inspiram e que fizeram muita diferença no
mundo, falando sobre um tema comum: a Morte. Foram eles Steve
Jobs e Tom Keley.
O primeiro, falava do valor da renovação que a morte oferece, o
segundo falou da preocupação de deixar alguém que se ama, sem
que se possa fazer algo.

Mas o ponto do discurso de ambos que me chamou mais a atenção,


foi reforçado por uma experiência que passei no finalzinho de 2014,
30 de dezembro, sendo específico, quando fui submetido a uma
cirurgia que deveria ter sido simples para corrigir uma fratura de
mandíbula: o procedimento ficou complexo no meio do caminho,
vulnerabilidade e reação.

À parte detalhes de minha cirurgia, ambos dizem mais ou menos isso:


você já está nu, seu sobrenome pessoal e/ou institucional não fazem
qualquer diferença e já não depende mais apenas de você.

Tom Keley é ainda mais cruel, talvez por ser um pouco mais humano,
ele tem aquele olhar de Experiência de Usuário, e foi além: “você está
cercado por outras pessoas também de camisola e bunda de fora,
algumas amareladas e outras acinzentadas e sabe que boa parte
delas talvez não saia viva de lá; não sei se eu sairei”.

Curioso, mas meu caso sendo muitíssimo mais simples que o deles
inspirou a mesma sensação e parte da reação: o que eu posso fazer
para sobreviver a isso?

Tive uma recuperação fora do padrão segundo os médicos, talvez


pela vontade de sair rápido do hospital, vontade de passar o reveillon
em casa, ainda que longe dos meus filhos e neta, mas em casa.
Talvez porque fora de lá eu me sentisse com uma primeira de
algumas vitórias que teria de travar por pelo menos 18 meses, talvez
porque a noção de tempo e de importância das coisas ficou um pouco
distorcida em relação a antes da anestesia geral (aliás como isso é
bom, foi minha primeira vez!).

Corro o risco de fazer apenas mais um discurso afetado pelo medo


natural de situações desse tipo, e/ou efeito residual da anestesia
geral (não pretendia tomar outra tão rápido, mas é uma coisa muito
boa! E sim, menos de 2 anos depois, por duas vezes, outro acidente
bobo), mas serviu para reavaliar algumas coisas que fiz e tenho ainda
feito no passado recente.

Eu confesso que de uma certa forma me divirto quando alguém me


diz "Humberto, queria ser igual a você, não ter problemas e estar
sempre brincando e rindo!" Me divirto, porque essa imagem é positiva
e talvez inspiradora, e me divirto também porque trata-se de um
equívoco tamanho Allianz Park. Na verdade eu não vivo minha vida
em cima da auto-flagelação por conta de eventos ou pessoas que me
magoaram, chatearam ou de eventos que não saíram como previsto,
o nome disso é Vida.

É óbvio que tenho problemas, igual a todo mundo, e aliás alguns


foram muito, mas muito maiores que a média. Apenas aproveitei para
aprender com eles, e se tiver que errar de novo, cometerei erros
novos e não repetirei os antigos.

Eu poderia fazer uma lista (grande) das coisas que aprendi com erros,
resultado de problemas que enfrentei e seria uma das coisas mais
chatas de se ler, mais ainda que esse texto longo.

Vou falar apenas de um: em 1991, no auge da crise econômica


mundial, perdi o emprego, e demorou pouco mais que a reserva no
banco para encontrar um novo.

Um dia cheguei em casa com essa mania de tripudiar o destino e


disse à ex-esposa (Aparecida Delatin)

- Olha hoje estou feliz!

Ela imaginando que eu tivesse endoidado de vez, me pergunta:

- Porque?

- Batemos no fundo do poço; a gente tá tão mal, mas tão mal, que
não tem como piorar; qualquer coisa que aconteça só pode ser
melhor que hoje.

Olha, não gosto de dar conselhos, a não ser esse: Jamais, mas jamais
mesmo diga essa bobagem, a coisa pode sim sempre ser pior (ou
melhor), depende de tantas variáveis, e muitas não controlamos. Na
mesma semana, eu ainda sem emprego e sem convênio médico
recebo a notícia de que meu filho sofreu um acidente durante um
treino. Ele teria de se submeter a uma operação de urgência.

Os detalhes são muitos, e resumindo, conseguimos e foi sucesso, mas


junto com o alívio do sucesso, os caprichos do acaso, ele herdou
algumas coisas bem interessantes de mim, entre elas a alergia a
Dipirona, aquela coisinha que faz a dor mais intensa diminuir.

Acabada a operação, as dores que ele sentia eram muito intensas e


eu podia ouvir do corredor do hospital ele reclamando daquela dor.

Como ele não parava, eu não consegui ir embora e avisei em casa


que ficaria mais um pouco mas por lá.

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ele reclamando da dor que o paracetamol não diminuía. Só fui para
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reclamava mais havia quase uma hora.

Acho que eu nunca contei essa história em casa, nem mesmo para
ele, e não queria que minha ex esposa se sentisse tão impotente
quanto eu me senti durante as quase 8 horas que fiquei lá plantado,
chorando junto.

Porque eu estou falando disso, misturando tudo como no Samba do


Crioulo Doido do Stanislaw PontePreta?

Bom, há uma crença antiga de que a dor purifica a alma e molda o


caráter, e de que o sofrimento nos mantém paralisados. Escolha
encarar a situação e pensar em como pode resolver, não seja do tipo
de pessoa que fica feliz quando declara para o mundo a sua
infelicidade, infortúnio, dor ou sofrimento, mas também não faz nada
para mudar.

Não controlamos tudo ao nosso redor, mas podemos pensar em


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maquininhas bacanas da modernidade de qualquer tempo.

Para esses recomendo voltar às cavernas, dormir no chão e jamais


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dosar um pouco o quanto passamos com a cara enfiada em coisas
retangulares brilhantes nos bolsos e bolsas, e interagir mais com
quem está por perto.

As coisas podem sim piorar ou melhorar, e parte disso depende de


você. Veja o que depende, veja o que pode previnir (pra não piorar) e
o que pode começar a fazer já, para melhorar.

Em tempo, minha vida não é muito diferente da sua. Eu sou bem


normal, previsível e de uma certa forma chato, mas adoro estar vivo.
Sei que tenho bastante contribuições ainda para a família, para a
sociedade e um pouquinho para a educação, e isso me deixa muito,
mas muito feliz mesmo.

Talvez o motivo de eu estar sempre rindo e brincando, que na pior das


hipóteses inclusive faz parte do meu ofício de profissional de
criatividade e inovação, é saber que ainda tenho tempo (prometo não
entrar na discussão do tempo de Blade Runner), é saber que posso
interagir com as pessoas ao redor, ou via tecnologia - a pandemia
comprovou minha crença anterior - fazendo com que minha voz e
pensamentos possam se multiplicar, inspirar, provocar, e que as
coisas podem ser melhores, sem necessariamente terem de ter
chegado ao pior de tudo para isso.

Faça sua escolha. Siga em frente. Seja Feliz!

Nos últimos 20 anos eu assisti a duas apresentações via YouTube de


dois profissionais que me inspiram e que fizeram muita diferença no
mundo, falando sobre um tema comum: a Morte. Foram eles Steve
Jobs e Tom Keley.

O primeiro, falava do valor da renovação que a morte oferece, o


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que se possa fazer algo.

Mas o ponto do discurso de ambos que me chamou mais a atenção,


foi reforçado por uma experiência que passei no finalzinho de 2014,
30 de dezembro, sendo específico, quando fui submetido a uma
cirurgia que deveria ter sido simples para corrigir uma fratura de
mandíbula: o procedimento ficou complexo no meio do caminho,
vulnerabilidade e reação.

À parte detalhes de minha cirurgia, ambos dizem mais ou menos isso:


você já está nu, seu sobrenome pessoal e/ou institucional não fazem
qualquer diferença e já não depende mais apenas de você.

Tom Keley é ainda mais cruel, talvez por ser um pouco mais humano,
ele tem aquele olhar de Experiência de Usuário, e foi além: “você está
cercado por outras pessoas também de camisola e bunda de fora,
algumas amareladas e outras acinzentadas e sabe que boa parte
delas talvez não saia viva de lá; não sei se eu sairei”.

Curioso, mas meu caso sendo muitíssimo mais simples que o deles
inspirou a mesma sensação e parte da reação: o que eu posso fazer
para sobreviver a isso?

Tive uma recuperação fora do padrão segundo os médicos, talvez


pela vontade de sair rápido do hospital, vontade de passar o reveillon
em casa, ainda que longe dos meus filhos e neta, mas em casa.
Talvez porque fora de lá eu me sentisse com uma primeira de
algumas vitórias que teria de travar por pelo menos 18 meses, talvez
porque a noção de tempo e de importância das coisas ficou um pouco
distorcida em relação a antes da anestesia geral (aliás como isso é
bom, foi minha primeira vez!).
Corro o risco de fazer apenas mais um discurso afetado pelo medo
natural de situações desse tipo, e/ou efeito residual da anestesia
geral (não pretendia tomar outra tão rápido, mas é uma coisa muito
boa! E sim, menos de 2 anos depois, por duas vezes, outro acidente
bobo), mas serviu para reavaliar algumas coisas que fiz e tenho ainda
feito no passado recente.

Eu confesso que de uma certa forma me divirto quando alguém me


diz "Humberto, queria ser igual a você, não ter problemas e estar
sempre brincando e rindo!" Me divirto, porque essa imagem é positiva
e talvez inspiradora, e me divirto também porque trata-se de um
equívoco tamanho Allianz Park. Na verdade eu não vivo minha vida
em cima da auto-flagelação por conta de eventos ou pessoas que me
magoaram, chatearam ou de eventos que não saíram como previsto,
o nome disso é Vida.

É óbvio que tenho problemas, igual a todo mundo, e aliás alguns


foram muito, mas muito maiores que a média. Apenas aproveitei para
aprender com eles, e se tiver que errar de novo, cometerei erros
novos e não repetirei os antigos.

Eu poderia fazer uma lista (grande) das coisas que aprendi com erros,
resultado de problemas que enfrentei e seria uma das coisas mais
chatas de se ler, mais ainda que esse texto longo.

Vou falar apenas de um: em 1991, no auge da crise econômica


mundial, perdi o emprego, e demorou pouco mais que a reserva no
banco para encontrar um novo.

Um dia cheguei em casa com essa mania de tripudiar o destino e


disse à ex-esposa (Aparecida Delatin)

- Olha hoje estou feliz!

Ela imaginando que eu tivesse endoidado de vez, me pergunta:

- Porque?

- Batemos no fundo do poço; a gente tá tão mal, mas tão mal, que
não tem como piorar; qualquer coisa que aconteça só pode ser
melhor que hoje.

Olha, não gosto de dar conselhos, a não ser esse: Jamais, mas jamais
mesmo diga essa bobagem, a coisa pode sim sempre ser pior (ou
melhor), depende de tantas variáveis, e muitas não controlamos. Na
mesma semana, eu ainda sem emprego e sem convênio médico
recebo a notícia de que meu filho sofreu um acidente durante um
treino. Ele teria de se submeter a uma operação de urgência.
Os detalhes são muitos, e resumindo, conseguimos e foi sucesso, mas
junto com o alívio do sucesso, os caprichos do acaso, ele herdou
algumas coisas bem interessantes de mim, entre elas a alergia a
Dipirona, aquela coisinha que faz a dor mais intensa diminuir.

Acabada a operação, as dores que ele sentia eram muito intensas e


eu podia ouvir do corredor do hospital ele reclamando daquela dor.

Como ele não parava, eu não consegui ir embora e avisei em casa


que ficaria mais um pouco mas por lá.

Não tinha autorização para entrar no quarto, mas do lado de fora do


hospital, da calçada, perto de onde deveria ser o seu quarto, eu ouvia
ele reclamando da dor que o paracetamol não diminuía. Só fui para
casa quase quando amanhecia, depois que eu percebi que ele não
reclamava mais havia quase uma hora.

Acho que eu nunca contei essa história em casa, nem mesmo para
ele, e não queria que minha ex esposa se sentisse tão impotente
quanto eu me senti durante as quase 8 horas que fiquei lá plantado,
chorando junto.

Porque eu estou falando disso, misturando tudo como no Samba do


Crioulo Doido do Stanislaw PontePreta?

Bom, há uma crença antiga de que a dor purifica a alma e molda o


caráter, e de que o sofrimento nos mantém paralisados. Escolha
encarar a situação e pensar em como pode resolver, não seja do tipo
de pessoa que fica feliz quando declara para o mundo a sua
infelicidade, infortúnio, dor ou sofrimento, mas também não faz nada
para mudar.

Não controlamos tudo ao nosso redor, mas podemos pensar em


termos de pró-ação, ou seja estabelecer os planos de contingência
até mesmo para o pouco provável, sem deixar-se levar pela neurose,
refiro-me exclusivamente a planejamento.

Pense nas pessoas. Eu sou de certa forma egoísta, não egoísta do


mal, movido pela ambição, mas o egoísta que esconde sentimento,
como se fosse sinal de fraqueza. Não sou crítico de recursos
tecnológicos e acho uma chatice sem fim pessoas que criticam as
maquininhas bacanas da modernidade de qualquer tempo.

Para esses recomendo voltar às cavernas, dormir no chão e jamais


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dosar um pouco o quanto passamos com a cara enfiada em coisas
retangulares brilhantes nos bolsos e bolsas, e interagir mais com
quem está por perto.
As coisas podem sim piorar ou melhorar, e parte disso depende de
você. Veja o que depende, veja o que pode previnir (pra não piorar) e
o que pode começar a fazer já, para melhorar.

Em tempo, minha vida não é muito diferente da sua. Eu sou bem


normal, previsível e de uma certa forma chato, mas adoro estar vivo.
Sei que tenho bastante contribuições ainda para a família, para a
sociedade e um pouquinho para a educação, e isso me deixa muito,
mas muito feliz mesmo.

Talvez o motivo de eu estar sempre rindo e brincando, que na pior das


hipóteses inclusive faz parte do meu ofício de profissional de
criatividade e inovação, é saber que ainda tenho tempo (prometo não
entrar na discussão do tempo de Blade Runner), é saber que posso
interagir com as pessoas ao redor, ou via tecnologia - a pandemia
comprovou minha crença anterior - fazendo com que minha voz e
pensamentos possam se multiplicar, inspirar, provocar, e que as
coisas podem ser melhores, sem necessariamente terem de ter
chegado ao pior de tudo para isso.

Faça sua escolha. Siga em frente. Seja Feliz!

Nos últimos 20 anos eu assisti a duas apresentações via YouTube de


dois profissionais que me inspiram e que fizeram muita diferença no
mundo, falando sobre um tema comum: a Morte. Foram eles Steve
Jobs e Tom Keley.

O primeiro, falava do valor da renovação que a morte oferece, o


segundo falou da preocupação de deixar alguém que se ama, sem
que se possa fazer algo.

Mas o ponto do discurso de ambos que me chamou mais a atenção,


foi reforçado por uma experiência que passei no finalzinho de 2014,
30 de dezembro, sendo específico, quando fui submetido a uma
cirurgia que deveria ter sido simples para corrigir uma fratura de
mandíbula: o procedimento ficou complexo no meio do caminho,
vulnerabilidade e reação.

À parte detalhes de minha cirurgia, ambos dizem mais ou menos isso:


você já está nu, seu sobrenome pessoal e/ou institucional não fazem
qualquer diferença e já não depende mais apenas de você.

Tom Keley é ainda mais cruel, talvez por ser um pouco mais humano,
ele tem aquele olhar de Experiência de Usuário, e foi além: “você está
cercado por outras pessoas também de camisola e bunda de fora,
algumas amareladas e outras acinzentadas e sabe que boa parte
delas talvez não saia viva de lá; não sei se eu sairei”.
Curioso, mas meu caso sendo muitíssimo mais simples que o deles
inspirou a mesma sensação e parte da reação: o que eu posso fazer
para sobreviver a isso?

Tive uma recuperação fora do padrão segundo os médicos, talvez


pela vontade de sair rápido do hospital, vontade de passar o reveillon
em casa, ainda que longe dos meus filhos e neta, mas em casa.
Talvez porque fora de lá eu me sentisse com uma primeira de
algumas vitórias que teria de travar por pelo menos 18 meses, talvez
porque a noção de tempo e de importância das coisas ficou um pouco
distorcida em relação a antes da anestesia geral (aliás como isso é
bom, foi minha primeira vez!).

Corro o risco de fazer apenas mais um discurso afetado pelo medo


natural de situações desse tipo, e/ou efeito residual da anestesia
geral (não pretendia tomar outra tão rápido, mas é uma coisa muito
boa! E sim, menos de 2 anos depois, por duas vezes, outro acidente
bobo), mas serviu para reavaliar algumas coisas que fiz e tenho ainda
feito no passado recente.

Eu confesso que de uma certa forma me divirto quando alguém me


diz "Humberto, queria ser igual a você, não ter problemas e estar
sempre brincando e rindo!" Me divirto, porque essa imagem é positiva
e talvez inspiradora, e me divirto também porque trata-se de um
equívoco tamanho Allianz Park. Na verdade eu não vivo minha vida
em cima da auto-flagelação por conta de eventos ou pessoas que me
magoaram, chatearam ou de eventos que não saíram como previsto,
o nome disso é Vida.

É óbvio que tenho problemas, igual a todo mundo, e aliás alguns


foram muito, mas muito maiores que a média. Apenas aproveitei para
aprender com eles, e se tiver que errar de novo, cometerei erros
novos e não repetirei os antigos.

Eu poderia fazer uma lista (grande) das coisas que aprendi com erros,
resultado de problemas que enfrentei e seria uma das coisas mais
chatas de se ler, mais ainda que esse texto longo.

Vou falar apenas de um: em 1991, no auge da crise econômica


mundial, perdi o emprego, e demorou pouco mais que a reserva no
banco para encontrar um novo.

Um dia cheguei em casa com essa mania de tripudiar o destino e


disse à ex-esposa (Aparecida Delatin)

- Olha hoje estou feliz!

Ela imaginando que eu tivesse endoidado de vez, me pergunta:


- Porque?

- Batemos no fundo do poço; a gente tá tão mal, mas tão mal, que
não tem como piorar; qualquer coisa que aconteça só pode ser
melhor que hoje.

Olha, não gosto de dar conselhos, a não ser esse: Jamais, mas jamais
mesmo diga essa bobagem, a coisa pode sim sempre ser pior (ou
melhor), depende de tantas variáveis, e muitas não controlamos. Na
mesma semana, eu ainda sem emprego e sem convênio médico
recebo a notícia de que meu filho sofreu um acidente durante um
treino. Ele teria de se submeter a uma operação de urgência.

Os detalhes são muitos, e resumindo, conseguimos e foi sucesso, mas


junto com o alívio do sucesso, os caprichos do acaso, ele herdou
algumas coisas bem interessantes de mim, entre elas a alergia a
Dipirona, aquela coisinha que faz a dor mais intensa diminuir.

Acabada a operação, as dores que ele sentia eram muito intensas e


eu podia ouvir do corredor do hospital ele reclamando daquela dor.

Como ele não parava, eu não consegui ir embora e avisei em casa


que ficaria mais um pouco mas por lá.

Não tinha autorização para entrar no quarto, mas do lado de fora do


hospital, da calçada, perto de onde deveria ser o seu quarto, eu ouvia
ele reclamando da dor que o paracetamol não diminuía. Só fui para
casa quase quando amanhecia, depois que eu percebi que ele não
reclamava mais havia quase uma hora.

Acho que eu nunca contei essa história em casa, nem mesmo para
ele, e não queria que minha ex esposa se sentisse tão impotente
quanto eu me senti durante as quase 8 horas que fiquei lá plantado,
chorando junto.

Porque eu estou falando disso, misturando tudo como no Samba do


Crioulo Doido do Stanislaw PontePreta?

Bom, há uma crença antiga de que a dor purifica a alma e molda o


caráter, e de que o sofrimento nos mantém paralisados. Escolha
encarar a situação e pensar em como pode resolver, não seja do tipo
de pessoa que fica feliz quando declara para o mundo a sua
infelicidade, infortúnio, dor ou sofrimento, mas também não faz nada
para mudar.

Não controlamos tudo ao nosso redor, mas podemos pensar em


termos de pró-ação, ou seja estabelecer os planos de contingência
até mesmo para o pouco provável, sem deixar-se levar pela neurose,
refiro-me exclusivamente a planejamento.

Pense nas pessoas. Eu sou de certa forma egoísta, não egoísta do


mal, movido pela ambição, mas o egoísta que esconde sentimento,
como se fosse sinal de fraqueza. Não sou crítico de recursos
tecnológicos e acho uma chatice sem fim pessoas que criticam as
maquininhas bacanas da modernidade de qualquer tempo.

Para esses recomendo voltar às cavernas, dormir no chão e jamais


comprar em supermercados. Ao mesmo tempo penso que podemos
dosar um pouco o quanto passamos com a cara enfiada em coisas
retangulares brilhantes nos bolsos e bolsas, e interagir mais com
quem está por perto.

As coisas podem sim piorar ou melhorar, e parte disso depende de


você. Veja o que depende, veja o que pode previnir (pra não piorar) e
o que pode começar a fazer já, para melhorar.

Em tempo, minha vida não é muito diferente da sua. Eu sou bem


normal, previsível e de uma certa forma chato, mas adoro estar vivo.
Sei que tenho bastante contribuições ainda para a família, para a
sociedade e um pouquinho para a educação, e isso me deixa muito,
mas muito feliz mesmo.

Talvez o motivo de eu estar sempre rindo e brincando, que na pior das


hipóteses inclusive faz parte do meu ofício de profissional de
criatividade e inovação, é saber que ainda tenho tempo (prometo não
entrar na discussão do tempo de Blade Runner), é saber que posso
interagir com as pessoas ao redor, ou via tecnologia - a pandemia
comprovou minha crença anterior - fazendo com que minha voz e
pensamentos possam se multiplicar, inspirar, provocar, e que as
coisas podem ser melhores, sem necessariamente terem de ter
chegado ao pior de tudo para isso.

Faça sua escolha. Siga em frente. Seja Feliz!

Nos últimos 20 anos eu assisti a duas apresentações via YouTube de


dois profissionais que me inspiram e que fizeram muita diferença no
mundo, falando sobre um tema comum: a Morte. Foram eles Steve
Jobs e Tom Keley.

O primeiro, falava do valor da renovação que a morte oferece, o


segundo falou da preocupação de deixar alguém que se ama, sem
que se possa fazer algo.

Mas o ponto do discurso de ambos que me chamou mais a atenção,


foi reforçado por uma experiência que passei no finalzinho de 2014,
30 de dezembro, sendo específico, quando fui submetido a uma
cirurgia que deveria ter sido simples para corrigir uma fratura de
mandíbula: o procedimento ficou complexo no meio do caminho,
vulnerabilidade e reação.

À parte detalhes de minha cirurgia, ambos dizem mais ou menos isso:


você já está nu, seu sobrenome pessoal e/ou institucional não fazem
qualquer diferença e já não depende mais apenas de você.

Tom Keley é ainda mais cruel, talvez por ser um pouco mais humano,
ele tem aquele olhar de Experiência de Usuário, e foi além: “você está
cercado por outras pessoas também de camisola e bunda de fora,
algumas amareladas e outras acinzentadas e sabe que boa parte
delas talvez não saia viva de lá; não sei se eu sairei”.

Curioso, mas meu caso sendo muitíssimo mais simples que o deles
inspirou a mesma sensação e parte da reação: o que eu posso fazer
para sobreviver a isso?

Tive uma recuperação fora do padrão segundo os médicos, talvez


pela vontade de sair rápido do hospital, vontade de passar o reveillon
em casa, ainda que longe dos meus filhos e neta, mas em casa.
Talvez porque fora de lá eu me sentisse com uma primeira de
algumas vitórias que teria de travar por pelo menos 18 meses, talvez
porque a noção de tempo e de importância das coisas ficou um pouco
distorcida em relação a antes da anestesia geral (aliás como isso é
bom, foi minha primeira vez!).

Corro o risco de fazer apenas mais um discurso afetado pelo medo


natural de situações desse tipo, e/ou efeito residual da anestesia
geral (não pretendia tomar outra tão rápido, mas é uma coisa muito
boa! E sim, menos de 2 anos depois, por duas vezes, outro acidente
bobo), mas serviu para reavaliar algumas coisas que fiz e tenho ainda
feito no passado recente.

Eu confesso que de uma certa forma me divirto quando alguém me


diz "Humberto, queria ser igual a você, não ter problemas e estar
sempre brincando e rindo!" Me divirto, porque essa imagem é positiva
e talvez inspiradora, e me divirto também porque trata-se de um
equívoco tamanho Allianz Park. Na verdade eu não vivo minha vida
em cima da auto-flagelação por conta de eventos ou pessoas que me
magoaram, chatearam ou de eventos que não saíram como previsto,
o nome disso é Vida.

É óbvio que tenho problemas, igual a todo mundo, e aliás alguns


foram muito, mas muito maiores que a média. Apenas aproveitei para
aprender com eles, e se tiver que errar de novo, cometerei erros
novos e não repetirei os antigos.

Eu poderia fazer uma lista (grande) das coisas que aprendi com erros,
resultado de problemas que enfrentei e seria uma das coisas mais
chatas de se ler, mais ainda que esse texto longo.

Vou falar apenas de um: em 1991, no auge da crise econômica


mundial, perdi o emprego, e demorou pouco mais que a reserva no
banco para encontrar um novo.

Um dia cheguei em casa com essa mania de tripudiar o destino e


disse à ex-esposa (Aparecida Delatin)

- Olha hoje estou feliz!

Ela imaginando que eu tivesse endoidado de vez, me pergunta:

- Porque?

- Batemos no fundo do poço; a gente tá tão mal, mas tão mal, que
não tem como piorar; qualquer coisa que aconteça só pode ser
melhor que hoje.

Olha, não gosto de dar conselhos, a não ser esse: Jamais, mas jamais
mesmo diga essa bobagem, a coisa pode sim sempre ser pior (ou
melhor), depende de tantas variáveis, e muitas não controlamos. Na
mesma semana, eu ainda sem emprego e sem convênio médico
recebo a notícia de que meu filho sofreu um acidente durante um
treino. Ele teria de se submeter a uma operação de urgência.

Os detalhes são muitos, e resumindo, conseguimos e foi sucesso, mas


junto com o alívio do sucesso, os caprichos do acaso, ele herdou
algumas coisas bem interessantes de mim, entre elas a alergia a
Dipirona, aquela coisinha que faz a dor mais intensa diminuir.

Acabada a operação, as dores que ele sentia eram muito intensas e


eu podia ouvir do corredor do hospital ele reclamando daquela dor.

Como ele não parava, eu não consegui ir embora e avisei em casa


que ficaria mais um pouco mas por lá.

Não tinha autorização para entrar no quarto, mas do lado de fora do


hospital, da calçada, perto de onde deveria ser o seu quarto, eu ouvia
ele reclamando da dor que o paracetamol não diminuía. Só fui para
casa quase quando amanhecia, depois que eu percebi que ele não
reclamava mais havia quase uma hora.

Acho que eu nunca contei essa história em casa, nem mesmo para
ele, e não queria que minha ex esposa se sentisse tão impotente
quanto eu me senti durante as quase 8 horas que fiquei lá plantado,
chorando junto.

Porque eu estou falando disso, misturando tudo como no Samba do


Crioulo Doido do Stanislaw PontePreta?

Bom, há uma crença antiga de que a dor purifica a alma e molda o


caráter, e de que o sofrimento nos mantém paralisados. Escolha
encarar a situação e pensar em como pode resolver, não seja do tipo
de pessoa que fica feliz quando declara para o mundo a sua
infelicidade, infortúnio, dor ou sofrimento, mas também não faz nada
para mudar.

Não controlamos tudo ao nosso redor, mas podemos pensar em


termos de pró-ação, ou seja estabelecer os planos de contingência
até mesmo para o pouco provável, sem deixar-se levar pela neurose,
refiro-me exclusivamente a planejamento.

Pense nas pessoas. Eu sou de certa forma egoísta, não egoísta do


mal, movido pela ambição, mas o egoísta que esconde sentimento,
como se fosse sinal de fraqueza. Não sou crítico de recursos
tecnológicos e acho uma chatice sem fim pessoas que criticam as
maquininhas bacanas da modernidade de qualquer tempo.

Para esses recomendo voltar às cavernas, dormir no chão e jamais


comprar em supermercados. Ao mesmo tempo penso que podemos
dosar um pouco o quanto passamos com a cara enfiada em coisas
retangulares brilhantes nos bolsos e bolsas, e interagir mais com
quem está por perto.

As coisas podem sim piorar ou melhorar, e parte disso depende de


você. Veja o que depende, veja o que pode previnir (pra não piorar) e
o que pode começar a fazer já, para melhorar.

Em tempo, minha vida não é muito diferente da sua. Eu sou bem


normal, previsível e de uma certa forma chato, mas adoro estar vivo.
Sei que tenho bastante contribuições ainda para a família, para a
sociedade e um pouquinho para a educação, e isso me deixa muito,
mas muito feliz mesmo.

Talvez o motivo de eu estar sempre rindo e brincando, que na pior das


hipóteses inclusive faz parte do meu ofício de profissional de
criatividade e inovação, é saber que ainda tenho tempo (prometo não
entrar na discussão do tempo de Blade Runner), é saber que posso
interagir com as pessoas ao redor, ou via tecnologia - a pandemia
comprovou minha crença anterior - fazendo com que minha voz e
pensamentos possam se multiplicar, inspirar, provocar, e que as
coisas podem ser melhores, sem necessariamente terem de ter
chegado ao pior de tudo para isso.

Faça sua escolha. Siga em frente. Seja Feliz!

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