INFORMATIVO 1188 DO STF1
DIREITO CONSTITUCIONAL
Resumo: É inconstitucional — por violar a competência privativa
da União para legislar sobre direito civil e política de seguros (CF/1988,
art. 22, I e VII) — norma estadual que determina a inclusão automática
de recém-nascidos como dependentes em planos de saúde,
independentemente de manifestação de vontade do titular da
cobertura.
1 Fonte [Link]
Processo: ADI 7.428/MS, julgado em 29.08.2025.
Inteiro Teor: A competência suplementar estadual, para dispor
sobre a proteção do consumidor, não pode alcançar a disciplina das
relações contratuais estabelecidas entre operadoras e beneficiários
(titulares ou dependentes) de planos de saúde.
Por outro lado, enquadra-se no âmbito da competência legislativa
suplementar dos estados e do Distrito Federal (CF/19889, art. 24, V e XII)
a normatização quanto ao dever de informação ao consumidor em
contratos de plano ou seguro de saúde.
Na espécie, a lei estadual impugnada estabeleceu a inclusão
automática ao plano de saúde do titular, como dependente, do neonato
em tratamento terapêutico após 30 dias de seu nascimento (art. 1º),
bem como o dever de informar a necessidade de inscrição do recém-
nascido ao plano de saúde do titular, para que ele fique isento do
período de carência (art. 2º).
Com base nesses entendimentos, o Plenário, por unanimidade,
julgou parcialmente procedente a ação para declarar a
inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 5.980/2022 do Estado de Mato
Grosso do Sul.
DIREITO CONSTITUCIONAL
Resumo: São inconstitucionais a equiparação da carreira de
delegado de polícia às carreiras jurídicas e a fixação de teto
remuneratório em desconformidade com o preconizado no art. 37, XI,
da Constituição Federal.
Processo: ADI 7.428/MS, julgado em 29.08.2025.
Inteiro Teor: Conforme jurisprudência desta Corte, a
independência funcional e a autonomia administrativa e financeira são
incompatíveis com a sujeição hierárquica da polícia judiciária ao chefe
do Poder Executivo. Nesse contexto, à luz do princípio da simetria, não
cabe ao constituinte derivado incluir os delegados de polícia no rol de
carreiras jurídicas, na medida em que não pode, nesse ponto, inovar,
mas, sim, observar estritamente o tratamento federal.
Além disso, ao adotar o subsídio dos desembargadores do Tribunal
de Justiça como limite remuneratório dos auditores fiscais, delegados de
polícia e auditores governamentais, a norma impugnada criou um
subteto diverso do estabelecido pelo texto constitucional.
Na espécie, as normas estaduais impugnadas caracterizam o cargo
de delegado de polícia como carreira jurídica do Poder Executivo e fixam
teto remuneratório próprio aos membros do Ministério Público, aos
procuradores do estado, aos defensores públicos, aos auditores fiscais
da fazenda estadual, aos delegados de polícia e aos auditores
governamentais.
Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por
unanimidade, conheceu em parte da ação e, nessa extensão, a julgou
parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade
(i) do termo “jurídicas”, constante do art. 12, parágrafo único, da
Lei Complementar nº 37/2004 do Estado do Piauí; e
(ii) da expressão “aos Auditores Fiscais da Fazenda Estadual, aos
Delegados de Polícia, e aos Auditores Governamentais”, contida no art.
54, X, da Constituição do Piauí, na redação dada pela EC estadual nº
44/2015.
DIREITO INTERNACIONAL
Tese Fixada 1. A Convenção da Haia de 1980 sobre os aspectos civis
da subtração internacional de crianças é compatível com a Constituição
Federal, possuindo status supralegal no ordenamento jurídico brasileiro,
por sua natureza de tratado internacional de proteção de direitos da
criança.
Tese Fixada 2. A aplicação da Convenção no Brasil, à luz do
princípio do melhor interesse da criança (art. 227, CF), exige a adoção de
medidas estruturais e procedimentais para garantir a tramitação célere
e eficaz das ações sobre restituição internacional de crianças.
Tese Fixada 3. A exceção de risco grave à criança, prevista no art.
13 da Convenção da Haia de 1980, deve ser interpretada de forma
compatível com o princípio do melhor interesse da criança (art. 227, CF)
e com perspectiva de gênero, de modo a admitir sua aplicação quando
houver indícios objetivos e concretos de violência doméstica, ainda que
a criança não seja vítima direta.
Resumo: A “Convenção da Haia” é compatível com a Constituição
Federal de 1988 e possui natureza supralegal. Sua interpretação e
aplicação deve ser orientada pelo princípio do melhor interesse da
criança (CF/1988, art. 227) e, especificamente nos casos de violência
doméstica, adotar-se-á uma interpretação com perspectiva de gênero,
ou seja, de proteção à mulher (CF/1988, arts. 1º, III; e 226, § 8º),
admitindo-se sua aplicação ainda que a criança/adolescente não seja
vítima direta das agressões.
Processo: ADI 4.245/DF e ADI 7.686/DF, julgado em 27.08.2025.
Inteiro Teor: A referida convenção concretiza normas
constitucionais de proteção à infância (CF/1988, art. 227) e de proteção
da dignidade da pessoa humana (CF/1988, art. 1º, III), de modo que sua
incorporação ao ordenamento jurídico brasileiro assume natureza
supralegal, por ser um tratado internacional sobre direitos humanos
(proteção de direitos da criança).
O texto dessa convenção deve, de modo geral, ser interpretado
conforme o princípio do melhor interesse da criança e, no tocante à
exceção de risco grave à criança, ser interpretado com perspectiva de
gênero, para admitir sua aplicação quando houver indícios objetivos e
concretos de violência doméstica (alegações suficientemente
fundamentadas), ainda que a criança/adolescente não seja vítima direta,
visto que a exposição da mãe a situações de violência pode acarretar
efeitos negativos no bem-estar do menor.
No contexto internacional, o Brasil tem sido percebido como um
cumpridor deficitário da convenção devido à lentidão nos processos, o
que compromete a eficácia das normas protetivas e a reputação do País.
A demora contribui para a consolidação de novos vínculos no Estado de
acolhimento, gerando prejuízos para as crianças.
Para combater essa morosidade, o STF determinou diversas
medidas estruturais e procedimentais para garantir a tramitação célere
e eficaz das ações sobre restituição internacional de crianças. Entre as
iniciativas, destacam-se
(i) a criação de um grupo de trabalho interinstitucional para
elaborar uma resolução que assegure decisões em, no máximo, um ano;
(ii) a concentração da competência em varas especializadas dos
Tribunais Regionais Federais para uniformidade e agilidade;
(iii) a implementação de selos de tramitação preferencial em
sistemas eletrônicos;
(iv) o fortalecimento da Autoridade Central Administrativa Federal
com metas de desempenho; e
(v) a celebração de acordos de cooperação judiciária entre
tribunais para compartilhar informações e equipes multidisciplinares.
Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, em
apreciação conjunta, julgou, por unanimidade, parcialmente procedente
a ADI 4.245/DF e, por maioria, parcialmente procedente a ADI 7.686/DF,
para:
(i) conferir interpretação conforme a Constituição ao art. 13, 1-b
da Convenção da Haia de 1980 (Decreto nº 3.413/2000) e, por
conseguinte, reconhecer que a exceção ao retorno imediato da criança
por risco grave à sua integridade física, psíquica ou situação intolerável
aplica-se aos casos de violência doméstica, mesmo que o menor não seja
vítima direta e desde que demonstrados indícios objetivos e concretos
da situação de risco, tudo em consonância com o princípio do melhor
interesse da criança e da perspectiva de gênero;
(ii) determinar, nos termos da respectiva ata de julgamento, uma
série de medidas estruturais e procedimentais com a finalidade de
combater a morosidade nos processos referentes à Convenção da Haia
acerca da subtração internacional de crianças; e
(iii) fixar a tese anteriormente citada.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Tese Fixada: O prazo bienal para ajuizamento de ação, previsto na
parte final do art. 7º, XXIX, da Constituição Federal, não se aplica aos
servidores temporários que tiveram seus contratos declarados nulos,
por se tratarem de ocupantes de cargos públicos regidos por vínculo de
natureza jurídico-administrativa. Nesses casos, incide o prazo
prescricional quinquenal, nos termos do art. 1º do Decreto nº
20.910/1932.
Resumo: O prazo prescricional para servidores temporários
cobrarem os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) após nulidade de suas contratações é de cinco anos.
Processo: RE 1.336.848/PA, julgado em 29.08.2025.
Repercussão Geral Tema 1.189
Inteiro Teor: O texto constitucional (art. 37, IX) dispõe que a lei
estabelecerá as hipóteses de contratação pela Administração Pública
por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de
excepcional interesse público, gerando vínculo de natureza jurídico-
administrativa, isto é, não celetista. No âmbito federal, as condições e
os prazos estão previstos na Lei nº 8.745/1993.
O desvirtuamento da contratação por inobservância aos requisitos
exigidos garante direito somente ao saldo de salário e ao levantamento
do FGTS, ao passo que férias e décimo terceiro serão devidos apenas se
estipulados em contrato.
O § 3º do art. 39 da Constituição Federal é taxativo quanto aos
direitos trabalhistas extensíveis aos ocupantes de cargo público. Por
isso, inexiste base constitucional para limitar o prazo para ajuizamento
de ações relacionadas à cobrança do FGTS por servidores temporários
com vínculo declarado nulo ao período bienal previsto aos trabalhadores
submetidos ao regime privado. Nesse caso, deve prevalecer a regra geral
do Decreto nº 20.910/1932.
Na espécie, o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, ao verificar as
sucessivas renovações do contrato que desvirtuavam a temporariedade
exigida pela lei, declarou a nulidade da contratação temporária do
empregado público e reconheceu o seu direito à percepção de FGTS,
afastando a incidência da prescrição bienal.
Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por
unanimidade, ao apreciar o Tema 1.189 da repercussão geral,
i) negou provimento ao recurso extraordinário; e
ii) fixou a tese anteriormente citada.
DIREITO ADMINISTRATIVO
DIREITO CONSTITUCIONAL
Tese fixada: É inconstitucional o artigo 144-A da Lei n. 6.880/1980
(Estatuto dos Militares), ao condicionar o ingresso e a permanência nos
órgãos de formação ou graduação de oficiais e de praças, ainda que em
regime de internato, de dedicação exclusiva e/ou de disponibilidade
permanente peculiar à carreira militar à inexistência de vínculos
conjugal, de união estável, de maternidade, de paternidade e de
dependência socioafetiva.
Resumo: É inconstitucional — por violar os princípios da igualdade
(CF/1988, art. 5º, caput), da liberdade de escolha de profissão (CF/1988,
art. 5º, XIII), da não discriminação em razão do estado civil (CF/1988, art.
7º, XXX) e da proteção à família e ao livre planejamento familiar
(CF/1988, art. 226, caput e § 3º) — norma que proíbe o ingresso de
pessoas casadas, em união estável ou com dependentes, em cursos de
formação ou graduação de oficiais e de praças que exijam regime de
internato, de dedicação exclusiva e de disponibilidade permanente
peculiar à carreira militar.
Processo: RE 1.530.083/RN, julgado em 27.08.2025.
Repercussão Geral Tema 1.388
Inteiro Teor: Conforme a jurisprudência desta Corte, o texto
constitucional proíbe discriminação de acesso a carreiras sem relação
direta com a função a ser exercida. Nesse contexto, deve ser afastada a
validade de normas que estabelecem diferenciações arbitrárias ou que
criam barreiras desproporcionais ao exercício de determinada atividade
profissional.
Além disso, não há evidências de que o estado civil ou a existência
de dependentes prejudiquem a adaptação à rotina militar intensa ou o
desempenho eficaz das funções. Inclusive, a vivência familiar pode até
favorecer atributos como a responsabilidade e a disciplina, desejáveis no
meio militar.
Na espécie, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região rejeitou
incidente de arguição de inconstitucionalidade relativo ao art. 144-A da
Lei nº 6.880/1980 - Estatuto dos Militares e negou pedido de anulação
da cláusula de edital do curso de formação e graduação de sargentos
que vedava o ingresso de candidatos casados ou com filhos.
Por fim, para equilibrar o direito individual com a segurança
jurídica e a estabilidade institucional, é pertinente a modulação dos
efeitos da presente decisão (efeitos ex nunc), permitindo que o
recorrente participe do concurso seguinte, sem anular os certames
anteriores.
Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por
unanimidade, ao apreciar o Tema 1.388 da repercussão geral,
(i) deu parcial provimento ao recurso para assegurar ao recorrente
o direito de participar do próximo concurso; e
(ii) fixou a tese anteriormente citada.
DIREITO ADMINISTRATIVO
Resumo: São constitucionais — desde que observem os princípios
da irredutibilidade de vencimentos, da isonomia e da legalidade
remuneratória — normas estaduais que disciplinam o regime jurídico e
remuneratório dos servidores da polícia civil local.
Processo: ADI 7.578/PR, julgado em 29.08.2025.
Inteiro Teor: Conforme jurisprudência desta Corte, o regime de
subsídio (CF/1988, art. 39, § 4º c/c art. 144, IV e § 9º) é compatível com
a exclusão de adicionais remuneratórios vinculados ao exercício
ordinário do cargo, desde que respeitados os direitos expressamente
assegurados aos servidores públicos.
Na espécie, as normas estaduais impugnadas estabelecem que o
subsídio dos policiais civis engloba os adicionais de insalubridade,
periculosidade e risco de vida, vedando o pagamento em separado
dessas parcelas. Essa previsão está em conformidade com o modelo
constitucional de remuneração por parcela única, pois não configura
afronta ao direito à percepção de adicionais nem viola o princípio da
irredutibilidade de vencimentos.
Além disso, a mesma norma trata de regras específicas para
remoção e reenquadramento de delegados de polícia por ato
fundamentado da autoridade competente, observada a aprovação por
dois terços do Conselho Superior da Polícia Civil, em razão das
atribuições próprias do cargo e da estrutura funcional da carreira. Como
não há identidade de funções entre delegados e demais servidores da
polícia, é legítimo adotar critérios diferenciados, especialmente quando
voltados à preservação da imparcialidade na condução da atividade
investigativa e de polícia judiciária e na condução do livre
convencimento técnico jurídico do delegado.
Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por
unanimidade, conheceu parcialmente da ação e, nessa extensão, a
julgou improcedente para assentar a constitucionalidade dos arts. 39, §
3º; 64, § 4º; 78, § 2º; e 82, § 3º, todos da Lei Complementar nº 259/2023
do Estado do Paraná.
DIREITO ELEITORAL
Resumo: É constitucional — e não caracteriza hipótese de
responsabilidade solidária entre os diretórios partidários nem viola o
caráter nacional dos partidos e sua autonomia partidária (CF/1988, art.
17, I e § 1º) — norma da Resolução nº 23.709/2022 do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) que regulamenta o procedimento de execução e
cumprimento de decisões impositivas de multa e outras sanções de
natureza pecuniária, exceto as criminais, proferidas pela Justiça
Eleitoral.
Processo: ADI 7.415/DF, julgado em 29.08.2025.
Inteiro Teor: Conforme jurisprudência desta Corte, não há
solidariedade passiva entre os diretórios partidários nacional, estadual e
municipal nas obrigações cíveis e trabalhistas. A combinação do caráter
nacional e da autonomia partidária resulta na organização dos partidos
em níveis nacional, estadual e municipal, em conformidade com o
modelo federativo brasileiro. Esses diretórios possuem autonomia
funcional, administrativa, financeira e operacional, com liberdade e
capacidades jurídica próprias, o que os habilita a assumir obrigações e
exercer direitos em nome próprio.
Nesse contexto, a sistemática descrita na norma impugnada não
infringe o princípio da proporcionalidade. Ela impõe uma obrigação de
fazer acessória aos diretórios nacionais (órgãos hierarquicamente
superiores) nos processos de prestação de contas dos diretórios
estaduais e municipais sem, contudo, determinar a comunicação entre
os patrimônios do diretório nacional e dos órgãos estaduais e
municipais, o que caracterizaria a solidariedade passiva.
Além disso, decisões judiciais que, em casos concretos, confiram
interpretação equivocada à norma, fixando responsabilidade solidária
de forma indevida, sujeitam-se ao controle jurisdicional por meio de
processos de natureza subjetiva.
Com base nesses e em outros entendimentos, o Plenário, por
unanimidade, julgou improcedente a ação para assentar a validade do
art. 32-A da Resolução TSE nº 23.709/2022, incluído pela Resolução TSE
nº 23.717/2023, por não vislumbrar mácula na sistemática de
operacionalização da responsabilização pelo descumprimento de
obrigações relacionadas à prestação de contas eleitorais, conforme
delineado, em tese, pelo dispositivo impugnado.
DIREITO TRIBUTÁRIO
Tese Fixada: A taxa SELIC, prevista no art. 3º da EC 113/2021, é
aplicável para a atualização de valores em qualquer discussão ou
condenação da Fazenda Pública, inclusive na cobrança judicial de
créditos tributários.
Resumo: Após a vigência do art. 3º da EC nº 113/2021, os valores
devidos nas demandas em que a Fazenda Pública figure como parte
devem ser atualizados pelo índice da taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e de Custódia (SELIC).
Processo: ARE 1.557.312/SP, julgado em 29.08.2025.
Inteiro Teor: Conforme a jurisprudência desta Corte, o art. 3º da
EC nº 113/2021 impõe a incidência da SELIC para todos os litígios que
envolvam a Fazenda Pública e não apenas nas condenações, de modo
que a taxa incide nas causas em que o erário figure também como
credor, independentemente da natureza do crédito.
Após a vigência da referida EC, essa taxa tem aplicabilidade
imediata e indistinta como índice de correção monetária e juros de mora
para todas as condenações que abrangem a Fazenda Pública, seja ela
autora ou ré na demanda.
Na espécie, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo afirmou a
incidência da taxa SELIC para atualizar crédito tributário exigido pelo
Município de São Paulo/SP em execução fiscal.
Com base nesse entendimento, o Plenário, por unanimidade,
reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional
suscitada (Tema 1.419 da repercussão geral), bem como
(i) reafirmou a jurisprudência dominante sobre a matéria e
(ii) fixou a tese anteriormente citada.
DIREITO TRIBUTÁRIO
Resumo: É inconstitucional norma estadual que estabelece valores
de custas para interposição de recursos aos tribunais superiores (“Taxa
de Serviços Judiciários”), por violar a competência exclusiva desses
tribunais.
Processo: ADI 5.689/RR, julgado em 29.08.2025.
Inteiro Teor: Conforme jurisprudência desta Corte, não compete
aos tribunais de justiça cobrar verba para o custeio do processamento
de recursos constitucionais endereçados ao Supremo Tribunal Federal e
ao Superior Tribunal de Justiça. Por outro lado, a fixação de custas
judiciais com base no valor da causa, desde que em porcentagem módica
e com estipulação de limites máximos, não configura ofensa ao texto
constitucional.
Além disso, as custas judiciais possuem natureza jurídica de taxa
de remuneração de serviços públicos, de modo que a cobrança
corresponde à prestação do próprio serviço, ou seja, sem qualquer
relação com a fase processual. Assim, ela pode ocorrer tanto na fase de
conhecimento quanto na de cumprimento de sentença, pois em cada
uma há prestação de serviços distintos.
Na espécie, a norma estadual impugnada estabeleceu a cobrança
em ambas as fases processuais, bem como para a interposição de
recursos aos tribunais superiores.
Com base nesses entendimentos, o Plenário, por maioria, julgou
parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade
dos seguintes dispositivos da Lei nº 1.900/2023 do Estado de Roraima,
sem qualquer repristinação das normas que já haviam instituído custas
judiciais sobre recursos dirigidos aos tribunais superiores:
(i) § 2º do art. 3º;
(ii) inciso I do art. 4º; e
(iii) item “Admissibilidade de recursos aos tribunais superiores”,
constante do Anexo Único.
[Link]
[Link]