Inf 0879
Inf 0879
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
PRIMEIRA SEÇÃO
DESTAQUE
No caso, a União defende que a competência para julgar a demanda é da Justiça do Trabalho,
conforme o art. 114 da Constituição Federal, que abrange ações oriundas da relação de trabalho e de
penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de
trabalho. Argumenta que a política pública de igualdade salarial afeta diretamente o contrato de emprego
e suas partes, e que a não implementação das obrigações legais impacta os direitos dos empregados,
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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
Nesse contexto, verifica-se que a ação busca a suspensão de normas editadas pela União na
implementação de políticas públicas com o intuito de mitigar a desigualdade salarial entre homens e
mulheres.
Nesse sentido, nenhuma das hipóteses elencadas no art. 114 da Constituição Federal se
enquadra na discussão que se examina. Pelo contrário, no mandado de segurança, a empresa impetrante
visa à declaração de nulidade de normas cuja exigência busca afastar, não guardando relação direta com
o contrato de trabalho.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Constituição Federal (CF), art. 84, IV; e art. 87, II; art. 114;
Lei Federal n. 14.611/2023;
Decreto Federal n. 11.795/2023;
Portaria MTE n. 3.714/2023.
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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
PROCESSO EREsp 2.174.294-DF, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 4/12/2025, DJEN 12/12/2025.
DESTAQUE
O acórdão embargado da Primeira Turma está em conformidade com a tese fixada no Tema
1048/STJ, que estabelece que o prazo decadencial para o lançamento do ITCMD sobre doação não
declarada pelo contribuinte tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento
poderia ter sido efetuado, observado o fato gerador.
Por fim, conclui-se que a tese da Primeira Turma reflete o entendimento consolidado no
julgamento do Tema 1048/STJ do STJ, que deve prevalecer sobre o entendimento divergente da Segunda
Turma; e, portanto, nos casos de transmissão de bens imóveis mediante doação, o fato gerador do ITCMD
ocorre com a efetiva transcrição realizada no registro de imóveis, conforme o art. 1.245 do Código Civil.
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1048/STJ.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 694
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/24
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PRIMEIRA TURMA
PROCESSO AREsp 1.440.445-SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 4/11/2025, DJEN 12/11/2025.
DESTAQUE
O art. 8º da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) foi significativamente alterado pela Lei n.
14.230/2021. O texto original previa que: "O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou
se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança".
A redação atual, por seu turno, assim dispõe: "O sucessor ou o herdeiro daquele que causar
dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o
limite do valor da herança ou do patrimônio transferido".
Com efeito, o mencionado artigo, primitivamente, permitia a sujeição dos sucessores, de modo
geral, às sanções não personalíssimas previstas na lei.
Tanto é assim que tal previsão fundamentava a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça,
no sentido de que o enunciado original da Lei n. 8.429/1992 dispunha ser a multa transmissível "aos
herdeiros, 'até o limite do valor da herança', somente quando houver violação aos arts. 9° e 10° da referida
lei (dano ao patrimônio público ou enriquecimento ilícito), sendo inadmissível quando a condenação se
restringir ao art. 11" (REsp n. 951.389/SC, Relator Ministro Herman Benjamim, Primeira Seção, DJe de
4/5/2011).
Agora, a LIA apenas estabelece que o sucessor responderá pelas obrigações de reparar o dano
ou de ressarcir o enriquecimento ilícito.
Ademais, conforme fixado pelo STF no Tema n. 1.199 da repercussão geral, em respeito ao
princípio do tempus regit actum, as penalidades por improbidade devem observar a legislação vigente no
momento da aplicação da reprimenda, ou seja, ao tempo da própria decisão judicial, e não da prática do
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
Assim, o atual regime jurídico da LIA impõe a exclusão da transmissão da multa civil em
desfavor dos sucessores do réu, ante a inexistência superveniente de fundamento normativo na
legislação.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei de Improbidade Administrativa (LIA), art. 8º, art. 9°, art. 10°, art. 11;
Lei n. 14.230/2021.
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 1.199/STF
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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.187.412-MT, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 10/2/2026, DJEN 13/2/2026.
DESTAQUE
O autor assinalou que, ao tempo da celebração dos contratos de arrendamento, não havia, nas
matrículas, quaisquer averbações acerca da existência de ações judiciais relativas aos imóveis arrendados.
Contudo, em 29/8/2020, foi surpreendido ao tomar ciência da imissão do réu na posse dos bens, por
meio de decisão liminar em favor desse último em execução provisória de sentença por ele movida contra
os arrendadores, decorrente de decisão proferida em ação reivindicatória ajuizada por aquele.
Na aludida decisão, foi reconhecido o direito de propriedade do réu sobre diversos imóveis
rurais, entre os quais estavam os ocupados pelo arrendatário. O mandado de imissão na posse expedido
nos autos da execução provisória de sentença foi cumprido em 18/2/2021, enquanto inúmeras discussões
processuais ainda se encontravam pendentes de apreciação.
À sentença, o demandante interpôs recurso de apelação, ao qual foi negado provimento pelo
Tribunal de Justiça.
Como forma de garantir a estabilidade das relações jurídicas no âmbito rural e assegurar o
cumprimento da função social da propriedade, o artigo 92, § 5º da Lei n. 4.504/1964 (Estatuto da Terra)
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
Esse dispositivo, todavia, somente se aplica no caso de alienação ou de imposição de ônus real
ao imóvel. Em caso de perda da propriedade pelo arrendador, decorrente de decisão judicial, não se
verifica a sub-rogação.
O contrato de arrendamento representa uma relação jurídica entre o arrendador, como (via de
regra) proprietário da terra, e o arrendatário, que a explora diretamente. Verificando-se a perda da
propriedade por aquele, essa relação automaticamente deixa de existir.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO REsp 2.188.605-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 3/2/2026, DJEN 9/2/2026.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
DESTAQUE
Trata-se de processo em fase de execução da verba honorária a que faz jus a Defensoria
Pública em virtude da representação exercida. Sem êxito na execução, foi determinada a penhora de
veículo em nome do executado. Por essa razão, o referido ente requereu perícia para averiguar o valor do
automóvel.
O Tribunal local, com base no art. 91 do Código de Processo Civil - CPC, determinou que a
Defensoria Pública antecipasse o pagamento dos honorários periciais, sob o fundamento principal de que
a instituição goza de autonomia orçamentária.
Ademais, conforme determina a regra geral do art. 95 do CPC, "cada parte adiantará a
remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que
houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas
as partes".
Por outro lado, quando a Defensoria Pública atua na defesa de seus próprios interesses, isto é,
como parte do processo, atrai-se a aplicação do art. 91 do CPC, o qual traz uma regra específica para
quando a perícia é feita no interesse da própria instituição.
Com efeito, não parece adequado ignorar a norma específica do art. 91 do CPC para seguir a
regra geral do art. 95 do CPC e assim imputar à Defensoria Pública a responsabilidade pelo adiantamento
dos honorários periciais quando for ela a parte interessada na diligência, sob pena de enfraquecer o
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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
desenvolvimento de suas atribuições constitucionais, bem como em razão da sua natureza jurídica de
órgão público.
Até mesmo porque, mesmo quando perseguindo os honorários sucumbenciais a que faz jus, os
valores obtidos são destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o
seu rateio entre os membros da instituição, conforme determina o Tema n. 1002 do STF.
Portanto, a autonomia orçamentária da Defensoria Pública, prevista no art. 134 da CF, não
anula a ordem legal de preferência do art. 91 do CPC e não impõe indiscriminadamente o adiantamento
imediato dos honorários periciais.
Se não houver previsão orçamentária para o adiantamento dos honorários periciais, a despesa
deverá ser paga no exercício financeiro seguinte ou ao final, pelo vencido, caso o processo se encerre
antes do adiantamento a ser feito pelo ente público, conforme determina o art. 91, § 2º do CPC.
De outro lado, não é possível obrigar que o perito exerça seu ofício gratuitamente, tampouco
transferir ao réu o encargo de financiar ações contra ele movidas.
Portanto, mesmo após a determinação da Súmula 232 do STJ e do Tema Repetitivo 510 e das
críticas doutrinárias que envolvem o art. 91 do CPC, o fato é que o legislador optou por determinar que,
no que tange ao adiantamento de honorários periciais de diligência requerida pela Fazenda Pública, pelo
Ministério Público ou pela Defensoria Pública, deve-se verificar inicialmente: (I) a possibilidade de a perícia
ser realizada por entidade pública; (II) havendo previsão orçamentária, que a instituição que requereu a
prova adiante os honorários periciais; e (III) não havendo previsão orçamentária no exercício financeiro
para adiantamento dos honorários periciais, eles serão pagos no exercício seguinte ou ao final, pelo
vencido.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 1002/STF.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
PROCESSO REsp 2.238.389-GO, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Rel. para acórdão
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por maioria,
julgado em 16/12/2025, DJEN 22/12/2025.
DESTAQUE
A interrupção da prescrição ocorre uma única vez dentro da mesma relação jurídica,
independentemente de seu fundamento.
No caso, a Corte de origem entendeu que a prescrição foi interrompida com as notificações
judiciais realizadas, de modo que não poderia ser novamente interrompida pelo ajuizamento de ação
monitória, o que se coaduna com a jurisprudência desta Corte.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 754
PROCESSO REsp 2.221.144-RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 9/12/2025, DJEN 17/12/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
emitida por microempresa, figurando como avalistas a pessoa física do empresário individual e sua
esposa, objetivando o recebimento de saldo no valor de R$ 3.482.594,00 (três milhões, quatrocentos e
oitenta e dois mil, quinhentos e noventa e quatro reais).
Nesse contexto, cumpre assinalar que o crédito exigido na execução de título extrajudicial cujo
prosseguimento se requer é de natureza concursal, tendo sido incluído no plano de recuperação judicial
do Empresário Individual.
Isso posto, é preciso esclarecer que o empresário individual é a pessoa física que exerce
atividade empresarial. O fato de não haver distinção entre a pessoa física e o empresário individual faz
com que também não haja distinção entre o patrimônio desses entes. Há um só patrimônio com o qual
serão satisfeitos os credores.
Assim, não há como isolar, dentro do patrimônio do empresário individual, determinados bens
que responderiam às obrigações contraídas na atividade empresarial, enquanto outros, diretamente
atrelados à atividade comum da pessoa física, estariam protegidos do pagamento das dívidas.
Portanto, havendo apenas um patrimônio, é ele que responde por todas as obrigações
contraídas pela pessoa física, seja enquanto exerce atividade empresarial, seja em suas atividades
particulares. Nesse contexto, se o empresário individual está em crise, a pessoa natural também está em
crise.
Não é por outra razão que o artigo 6º, II, da Lei n. 11.101/2005 determina que sejam suspensas
as "execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio solidário,
relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência".
Do mesmo modo, se o crédito está sujeito à recuperação judicial, como no caso, a execução
não pode prosseguir contra o empresário individual, tampouco contra a pessoa física, ainda que na
condição de avalista, pois atingirá o mesmo patrimônio que será empregado para o pagamento dos
demais credores submetidos ao plano. É como se o próprio avalista estivesse em recuperação judicial.
Acerca do aval prestado pelo cônjuge casado pelo regime da comunhão universal de bens,
dispõe o artigo 1.667 do Código Civil que o regime de comunhão universal importa a comunicação de
todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. Nesse contexto, todas as dívidas
do empresário individual casado em comunhão universal de bens também são do cônjuge e serão pagas
com o patrimônio comum.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
submetidos ao plano de recuperação judicial, não há, também em relação a ele, ainda que na condição de
avalista, como prosseguir com a execução de crédito submetido aos efeitos da recuperação judicial.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
O proprietário do espaço, ainda que não tenha participado da produção do espetáculo, obteve
proveito econômico com a cessão do local para execução pública de obras musicais. O benefício indireto
decorrente da exploração do espaço para eventos constitui o elo jurídico suficiente para atrair a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 9.610/1998 (Lei de Direitos Autorais - LDA), art. 68, § 4º; e art. 110.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 15 - Edição Especial
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Nos termos do art. 23, II, do Código de Processo Civil, em matéria de sucessão hereditária, é de
competência de autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, proceder à confirmação
de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
No entanto, a Justiça brasileira, ordinariamente, não é competente para decidir sobre questões
atinentes aos bens situados no exterior. Isso porque, em relação aos bens situados no estrangeiro, o Brasil
adota o princípio da pluralidade dos juízos sucessórios, prestigiando o local onde estão situados os bens
da sucessão hereditária (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro - LINDB, art. 10, caput, c/c arts.
8°, caput, e 12, § 1°).
Por consequência, ainda que se trate de sucessão em Portugal, a autorização para se lavrar
procuração em cartório no Brasil, autorizando a curadora a atuar em nome do incapaz, inclusive
alienando imóveis arrolados em inventário naquele país, é do Juízo brasileiro. No entanto, não haverá
competência deste para deliberar sobre os efeitos da sucessão corrente no exterior e muito menos para
criar obstáculos à partilha sucessória estrangeira, imiscuindo-se no procedimento adotado em Portugal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), art. 7°, art. 8°, art. 10, e art. 12, § 1°
Código de Processo Civil (CPC), art. 23, II
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 23 - Edição Especial
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
QUINTA TURMA
PROCESSO REsp 2.118.641-RS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma,
por unanimidade, julgado em 9/12/2025, DJEN 18/12/2025.
DESTAQUE
O Tribunal de origem, ao acolher a preliminar de inépcia, conclui que a denúncia não narra a
utilização do saibro extraído para "produção de bens" ou "exploração" econômica sob qualquer
perspectiva, elementares do tipo penal, bem como que a documentação juntada aos autos dá conta de
que o mineral extraído foi apenas descartado. Ainda, destacou que o crime do art. 2º da Lei n. 8.176/1991
se consuma quando a conduta vai além da terraplenagem, pois é necessária a utilização do subproduto
extraído em atividades destinadas à obtenção de lucro.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
A ratio legis do dispositivo em análise reside na proteção ao patrimônio público contra atos de
usurpação, independentemente de o agente auferir vantagem econômica mensurável em pecúnia. Basta,
para a consumação delitiva, que haja aproveitamento da matéria-prima pertencente à União, em qualquer
de suas formas possíveis.
Em relação à ausência de justa causa, a premissa fática derivada do Tribunal a quo firmou-se
no sentido de que o saibro extraído foi descartado, não obstante também faça referência à suposta
utilização do material a título de doação ao Município, como contraprestação pelo uso de maquinário e
mão de obra municipal na terraplenagem - circunstância esta que, se comprovada, configuraria a
exploração da matéria-prima, ante a vantagem patrimonial obtida pelos acusados.
Contudo, mantida a premissa fática segundo a qual houve o efetivo descarte do material
extraído, sem qualquer aproveitamento posterior, não se configura o proveito da matéria-prima,
elemento essencial à tipificação da conduta como exploração.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
SEXTA TURMA
PROCESSO AgRg no RMS 77.232-RS, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta
Turma, por unanimidade, julgado em 25/11/2025, DJEN 28/11/2025.
DESTAQUE
Após a vigência da Lei n. 13.964/2019, que deu nova redação ao art. 51 do Código
Penal, persiste a legitimidade subsidiária da Fazenda Pública para a execução da pena de multa.
Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido que, mesmo após a vigência da
Lei n. 13.964/2019, persiste a legitimidade subsidiária da Fazenda Pública para a execução da pena de
multa. Entende-se que a alteração legislativa, embora tenha fixado expressamente a competência do
juízo da execução penal, não afastou a possibilidade de atuação subsidiária do Estado nos casos em que o
Ministério Público não promover a execução no prazo estabelecido.
Ademais, o texto atual do art. 51 do Código Penal continua a fazer referência à multa como
"dívida de valor" e à aplicação das "normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública", o que reforça o
entendimento de que persiste a possibilidade de atuação subsidiária da Fazenda Pública na cobrança da
multa penal.
Importante destacar que o entendimento consolidado pelo STJ proporciona maior efetividade
à execução da pena de multa, na medida em que preserva tanto a legitimidade prioritária do Ministério
Público, em consonância com a natureza penal da sanção, quanto a possibilidade de atuação subsidiária
da Fazenda Pública, que dispõe de estrutura e mecanismos próprios para a cobrança de valores.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
ADI 3.150/DF
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 858
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Em ação penal que apura crime contra a ordem tributária consistente na supressão
continuada de ICMS, a limitação do rol de testemunhas prevista no art. 401 do Código de
Processo Penal deve considerar a unidade fática da conduta, não sendo exigível a oitiva de até
oito testemunhas para cada mês de ocorrência do fato gerador.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
Diante desse cenário, e tendo em vista a forma sequencial da conduta imputada, por meio de
omissão em autodeclaração do imposto, não se exige, na fase instrutória, a oitiva de até 8 testemunhas
em relação a cada mês em que teria havido o fato gerador do tributo.
O limite previsto no artigo 401 do Código de Processo Penal deve considerar a particularidade
do crime tributário imputado. Não se está diante de condutas praticadas em contextos fáticos diferentes.
Pelo contrário, o que se verifica é a reiteração de um mesmo comportamento - a supressão do ICMS por
não declaração do imposto - ao longo de diversos meses, com o mesmo modo de execução.
Destaque-se que a natureza dos crimes tributários, em que o fato gerador do ICMS se renova
mensalmente, é justamente a característica que permite a imputação de crime único em continuidade
delitiva. No caso de outros crimes comuns (estelionato, receptação, furto), a prática de crimes por mais
de uma dezena de vezes seria apta à configuração de habitualidade criminosa a atrair o concurso
material.
Assim, esse mesmo raciocínio deve orientar a interpretação do art. 401 do CPP. Ademais, a
defesa não esclarece quais fatos pretende comprovar com os 28 depoimentos requeridos. Essa
providência realmente não é obrigatória na resposta à denúncia, mas poderia demonstrar eventual
cerceamento de defesa.
Impor ao Juiz natural da causa a oitiva de até 8 testemunhas, a cada período mensal de
supressão do ICMS, implicaria evidente sobrecarga à instrução, com risco de atraso injustificado na
marcha processual e violação ao princípio da razoável duração do processo.
Portanto, o limite legal da prova oral deve ser adequado à conduta continuada de sonegar
ICMS, em um mesmo contexto, por meses contínuos. Nessa situação, existe crime único sob a
perspectiva de unidade fática, e não apenas normativa, o que afasta a alegação de violação à ampla
defesa.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
DESTAQUE
A alteração legislativa, consolidada no art. 28-A do Código de Processo Penal, busca soluções
céleres e proporcionais, aptas a assegurar a reprovação da conduta sem efeitos estigmatizantes, também
com o objetivo de evitar a sobrecarga do Judiciário e encarceramentos desnecessários. Trata-se de
instituto especialmente pertinente ao investigado cuja conduta se apresenta eventual, como fato isolado,
sem maior impacto na ordem pública. Para esses agentes, a medida despenalizadora seria suficiente para
prevenir novos delitos.
Esta Corte tem o entendimento de que inquéritos policiais, ações penais pendentes,
condenações ainda não transitadas em julgado e elementos que evidenciem conduta criminosa
profissional, embora não configurem reincidência ou maus antecedentes para fins de agravamento da
pena (em observância ao princípio constitucional da presunção de não culpabilidade), podem ser
utilizadas pelo julgador para avaliar e conduta habitual dedicação a atividades criminosas.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.
Cita-se, por oportuno, decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no ARE n. 1.534.694
ED/BA, DJe de 19/2/2015, prolatada pelo Ministro Edson Fachin, a qual registrou que "não há ilegalidade
na recursa do oferecimento de proposta de acordo de não persecução penal quando o representante do
Ministério Público, de forma fundamentada, constata a ausência dos requisitos subjetivos legais
necessários à elaboração do acordo, de modo que este não atenderia aos critérios de necessidade e
suficiência em face do caso concreto".
Em outro julgado, o Ministro Dias Toffoli, ao julgar o ARE n. 1.387.543-PR, DJE de 23/6/2022,
também decidiu que "nos termos do artigo 28-A, § 2º, inciso II, do CPP, a habitualidade delitiva
corresponde a um dos impeditivos previstos em lei para a propositura do acordo".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 16 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/24