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Inf 0879

O Informativo de Jurisprudência n. 879 destaca decisões sobre conflitos de competência, com ênfase na Justiça Federal para mandados de segurança relacionados a normas sobre igualdade salarial entre gêneros. Também aborda o prazo decadencial para o ITCMD em doações de bens imóveis e a impossibilidade de transmissão de multas civis por improbidade administrativa aos herdeiros. Por fim, discute a extinção de contratos de arrendamento rural em caso de perda da propriedade pelo arrendador.

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Inf 0879

O Informativo de Jurisprudência n. 879 destaca decisões sobre conflitos de competência, com ênfase na Justiça Federal para mandados de segurança relacionados a normas sobre igualdade salarial entre gêneros. Também aborda o prazo decadencial para o ITCMD em doações de bens imóveis e a impossibilidade de transmissão de multas civis por improbidade administrativa aos herdeiros. Por fim, discute a extinção de contratos de arrendamento rural em caso de perda da propriedade pelo arrendador.

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Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

PRIMEIRA SEÇÃO

PROCESSO AgInt no CC 208.248-SP, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 10/12/2025, DJEN
23/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Conflito de competência. Mandado de segurança. Declaração de


nulidade. Decreto n. 11.795/2023 e Portaria MTE n. 3.714.
Regulamentações sobre igualdade salarial e de critérios
remuneratórios entre mulheres e homens. Natureza administrativa da
discussão. Competência da Justiça Federal.

DESTAQUE

Compete à Justiça Federal julgar o mandado de segurança impetrado contra ato


atribuído a Superintendente Regional do Trabalho e Emprego, em que se objetiva a declaração de
nulidade do Decreto n. 11.795/2023 (que dispõe sobre igualdade salarial e de critérios
remuneratórios entre mulheres e homens) e da Portaria MTE n. 3.714, a qual regulamenta o
mencionado decreto.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em definir qual o juízo competente para o julgamento de mandado de
segurança impetrado por empresa contra ato atribuído ao Superintendente Regional do Trabalho e
Emprego no qual se requereu a declaração de nulidade do Decreto n. 11.795/2023 (que dispõe sobre
igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens) e da Portaria n. 3.714 do
Ministério do Trabalho e do Emprego, a qual regulamenta o mencionado decreto.

No caso, a União defende que a competência para julgar a demanda é da Justiça do Trabalho,
conforme o art. 114 da Constituição Federal, que abrange ações oriundas da relação de trabalho e de
penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de
trabalho. Argumenta que a política pública de igualdade salarial afeta diretamente o contrato de emprego
e suas partes, e que a não implementação das obrigações legais impacta os direitos dos empregados,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

configurando ilicitude trabalhista-administrativa.

A Lei Federal n. 14.611/2023 dispõe sobre a igualdade salarial e os critérios de remuneração


entre homens e mulheres. Essa lei foi regulamentada pelo Decreto Federal n. 11.795, de 23 de novembro
de 2023, que determina que o Ministério do Trabalho e Emprego deve definir quais informações devem
estar presentes no Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, além de estabelecer
o formato e o procedimento para seu envio. Para isso, foi publicada a Portaria MTE n. 3.714, em 24 de
novembro de 2023, que define os procedimentos administrativos para a atuação do Ministério do
Trabalho e Emprego em relação aos mecanismos de transparência salarial e aos critérios de remuneração
mencionados no art. 1º do Decreto Federal n. 11.795/2023.

Embora reconheça a relevância do tema, a parte impetrante aponta que há


inconstitucionalidades e ilegalidades nas normas regulamentadoras infralegais mencionadas (Decreto
Federal n. 11.795/2023 e Portaria/MTE n. 3.714/2023), defendendo que essas normas teriam ultrapassado
o poder regulamentar previsto constitucionalmente (arts. 84, IV, e 87, II, da Constituição Federal).

Nesse contexto, verifica-se que a ação busca a suspensão de normas editadas pela União na
implementação de políticas públicas com o intuito de mitigar a desigualdade salarial entre homens e
mulheres.

Não se trata, portanto, de relações de trabalho existentes entre empregados e empregadores,


ou com a respectiva representação sindical, pois as normas tão somente exigem do empregador o envio
de informações, sobre as medidas de combate à desigualdade, aos órgãos e às entidades indicados no
Decreto n. 11.795/2023 e na Portaria MTE n. 3.714/2023.

Nesse sentido, nenhuma das hipóteses elencadas no art. 114 da Constituição Federal se
enquadra na discussão que se examina. Pelo contrário, no mandado de segurança, a empresa impetrante
visa à declaração de nulidade de normas cuja exigência busca afastar, não guardando relação direta com
o contrato de trabalho.

Desse modo, encontra-se configurada a natureza administrativa, e não trabalhista, no caso, o


que atrai a competência da Justiça Federal.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 84, IV; e art. 87, II; art. 114;
Lei Federal n. 14.611/2023;
Decreto Federal n. 11.795/2023;
Portaria MTE n. 3.714/2023.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

PROCESSO EREsp 2.174.294-DF, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 4/12/2025, DJEN 12/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA ITCMD. Fato gerador. Prazo decadencial. Termo inicial. Transmissão


da propriedade do bem.

DESTAQUE

O prazo decadencial para o lançamento do ITCMD sobre doação de bens imóveis


decorrentes de excesso de meação em partilha de divórcio consensual tem início a partir da
transmissão da propriedade do bem, mediante registro no cartório de imóveis.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão em discussão consiste em saber qual é o termo inicial do prazo decadencial para o
lançamento do ITCMD sobre excesso de meação em partilha de bens imóveis: (i) o registro do imóvel no
cartório competente, conforme entendimento da Primeira Turma; ou (ii) a homologação da sentença de
partilha, conforme entendimento da Segunda Turma.

O acórdão embargado da Primeira Turma está em conformidade com a tese fixada no Tema
1048/STJ, que estabelece que o prazo decadencial para o lançamento do ITCMD sobre doação não
declarada pelo contribuinte tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento
poderia ter sido efetuado, observado o fato gerador.

No julgamento do Tema, ficou definido, ainda, que, em se tratando do imposto sobre a


transmissão de bens ou direitos, mediante doação, o fato gerador ocorrerá, no tocante aos bens imóveis,
pela efetiva transcrição realizada no registro de imóveis (art. 1.245 do CC/2020), e que "para o caso de
omissão na declaração do contribuinte, a respeito da ocorrência do fato gerador do imposto incidente
sobre a transmissão de bens ou direitos por doação, caberá ao Fisco diligenciar quanto aos fatos
tributáveis e exercer a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício, dentro do prazo
decadencial".

Com efeito, configura-se a doação quando há partilha desigual de bens e inexiste


contrapartida financeira por parte do beneficiado, incidindo ITCMD sobre o excesso de meação. Antes "da
averbação do título translativo no registro imobiliário, não há fato gerador para fins de início de contagem
de prazo decadencial do ITCMD pela doação de bem imóvel, ainda que ocorrida no bojo de partilha de
bens em processo de divórcio" (Voto Vista do Ministro Gurgel de Faria no AgInt no relatora Ministra
Regina Helena Costa, Primeira REsp 2.168.168-SP, Primeira Turma, julgado em 9/9/2025, DJEN de
21/10/2025).

Por fim, conclui-se que a tese da Primeira Turma reflete o entendimento consolidado no
julgamento do Tema 1048/STJ do STJ, que deve prevalecer sobre o entendimento divergente da Segunda
Turma; e, portanto, nos casos de transmissão de bens imóveis mediante doação, o fato gerador do ITCMD
ocorre com a efetiva transcrição realizada no registro de imóveis, conforme o art. 1.245 do Código Civil.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC), art. 1.245.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1048/STJ.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 694

Recursos Repetitivos / DIREITO TRIBUTÁRIO - ITCMD

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO AREsp 1.440.445-SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 4/11/2025, DJEN 12/11/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Improbidade administrativa. Multa civil. Transmissão aos herdeiros.


Art. 8º da Lei de Improbidade Administrativa, com redação dada pela
Lei n. 14.230/2021. Impossibilidade.

DESTAQUE

O atual regime jurídico da Lei de Improbidade Administrativa impõe a exclusão da


transmissão da multa civil em desfavor dos sucessores do réu, ante a inexistência superveniente
de fundamento normativo na legislação.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia sobre a possibilidade de transmissão da multa civil, prevista na Lei n.
8.429/1992, em desfavor dos herdeiros de réu condenado por improbidade administrativa, diante da
natureza de reprimenda pessoal em desfavor do agente público.

O art. 8º da Lei de Improbidade Administrativa (LIA) foi significativamente alterado pela Lei n.
14.230/2021. O texto original previa que: "O sucessor daquele que causar lesão ao patrimônio público ou
se enriquecer ilicitamente está sujeito às cominações desta lei até o limite do valor da herança".

A redação atual, por seu turno, assim dispõe: "O sucessor ou o herdeiro daquele que causar
dano ao erário ou que se enriquecer ilicitamente estão sujeitos apenas à obrigação de repará-lo até o
limite do valor da herança ou do patrimônio transferido".

Com efeito, o mencionado artigo, primitivamente, permitia a sujeição dos sucessores, de modo
geral, às sanções não personalíssimas previstas na lei.

Tanto é assim que tal previsão fundamentava a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça,
no sentido de que o enunciado original da Lei n. 8.429/1992 dispunha ser a multa transmissível "aos
herdeiros, 'até o limite do valor da herança', somente quando houver violação aos arts. 9° e 10° da referida
lei (dano ao patrimônio público ou enriquecimento ilícito), sendo inadmissível quando a condenação se
restringir ao art. 11" (REsp n. 951.389/SC, Relator Ministro Herman Benjamim, Primeira Seção, DJe de
4/5/2011).

Agora, a LIA apenas estabelece que o sucessor responderá pelas obrigações de reparar o dano
ou de ressarcir o enriquecimento ilícito.

Houve claro estreitamento das cominações passíveis de atingir os sucessores, não se


legitimando mais a aplicação da multa, pois essa pena não foi mencionada expressamente.

Ademais, conforme fixado pelo STF no Tema n. 1.199 da repercussão geral, em respeito ao
princípio do tempus regit actum, as penalidades por improbidade devem observar a legislação vigente no
momento da aplicação da reprimenda, ou seja, ao tempo da própria decisão judicial, e não da prática do

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

ato ou da interposição do recurso.

Assim, o atual regime jurídico da LIA impõe a exclusão da transmissão da multa civil em
desfavor dos sucessores do réu, ante a inexistência superveniente de fundamento normativo na
legislação.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei de Improbidade Administrativa (LIA), art. 8º, art. 9°, art. 10°, art. 11;
Lei n. 14.230/2021.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 1.199/STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.187.412-MT, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 10/2/2026, DJEN 13/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Contrato de arrendamento rural. Perda da propriedade rural pelo


arrendador. Extinção do contrato de arrendamento. Art. 26, VIII do
Decreto n. 59.566/1966. Ausência de sub-rogação nos direitos e
obrigações relativos ao contrato.

DESTAQUE

A perda da propriedade do imóvel rural pelo arrendador implica a extinção do contrato


de arrendamento, de modo a impedir que o arrendatário seja mantido na posse até o término
previsto para a relação contratual.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em determinar se a perda da propriedade dos imóveis rurais pelo
arrendador implica a extinção do contrato de arrendamento, de modo a impedir que o arrendatário seja
mantido na posse até o término previsto para a relação contratual.

Trata-se, na origem, de ação de interdito proibitório ajuizada em 17/10/2021 pelo arrendatário.

O autor assinalou que, ao tempo da celebração dos contratos de arrendamento, não havia, nas
matrículas, quaisquer averbações acerca da existência de ações judiciais relativas aos imóveis arrendados.
Contudo, em 29/8/2020, foi surpreendido ao tomar ciência da imissão do réu na posse dos bens, por
meio de decisão liminar em favor desse último em execução provisória de sentença por ele movida contra
os arrendadores, decorrente de decisão proferida em ação reivindicatória ajuizada por aquele.

Na aludida decisão, foi reconhecido o direito de propriedade do réu sobre diversos imóveis
rurais, entre os quais estavam os ocupados pelo arrendatário. O mandado de imissão na posse expedido
nos autos da execução provisória de sentença foi cumprido em 18/2/2021, enquanto inúmeras discussões
processuais ainda se encontravam pendentes de apreciação.

Alegando, essencialmente, sua condição de terceiro de boa-fé e a sub-rogação do novo


proprietário nos direitos e obrigações decorrentes dos contratos de arrendamento, bem como a
impossibilidade de sua extinção automática, o autor postulou a proteção possessória em face do
demandado.

Após regular processamento, sobreveio o julgamento antecipado da lide, com a improcedência


dos pedidos formulados.

À sentença, o demandante interpôs recurso de apelação, ao qual foi negado provimento pelo
Tribunal de Justiça.

Como forma de garantir a estabilidade das relações jurídicas no âmbito rural e assegurar o
cumprimento da função social da propriedade, o artigo 92, § 5º da Lei n. 4.504/1964 (Estatuto da Terra)

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

prevê a sub-rogação do adquirente do imóvel nos direitos e obrigações do alienante em caso de


utilização da terra em regime de arrendamento ou de parceria.

Esse dispositivo, todavia, somente se aplica no caso de alienação ou de imposição de ônus real
ao imóvel. Em caso de perda da propriedade pelo arrendador, decorrente de decisão judicial, não se
verifica a sub-rogação.

O contrato de arrendamento representa uma relação jurídica entre o arrendador, como (via de
regra) proprietário da terra, e o arrendatário, que a explora diretamente. Verificando-se a perda da
propriedade por aquele, essa relação automaticamente deixa de existir.

O Decreto n. 59.566/1966, que regulamenta uma série de dispositivos do Estatuto da Terra,


possui previsão específica acerca das hipóteses de extinção do contrato de arrendamento. Em seu artigo
26, inciso VIII, estabelece: "Art. 26. O arrendamento se extingue: [...] VIII - Pela perda do imóvel rural".

Destarte, obrigar o novo proprietário do imóvel, em caso de reconhecimento da propriedade


pela via judicial, à sub-rogação nos direitos e obrigações decorrentes do contrato de arrendamento rural
mantido entre o arrendatário e o antigo proprietário implicaria, para aquele, a imposição de um encargo
com o qual não consentiu, situação totalmente distinta da que se verifica em caso de alienação ou de
imposição de ônus real sobre o imóvel, as hipóteses previstas no § 5º do artigo 92 do Estatuto da Terra
para a sub-rogação.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 4.504/1964 (Estatuto da Terra), art. 92, § 5º.


Decreto n. 59.566/1966, art. 26, VIII.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.188.605-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 3/2/2026, DJEN 9/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Defensoria Pública. Perícia requerida pela instituição na condição de


parte. Adiantamento de honorários periciais. Art. 91 do CPC.
Inaplicabilidade da regra geral do art. 95 do CPC. Possibilidade de
condenação, observada a previsão orçamentária.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

DESTAQUE

No que tange ao adiantamento de honorários periciais de diligência requerida pela


Fazenda Pública, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública, deve-se verificar
inicialmente: (I) a possibilidade de a perícia ser realizada por entidade pública; (II) havendo
previsão orçamentária, que a instituição que requereu a prova adiante os honorários periciais; e
(III) não havendo previsão orçamentária no exercício financeiro para adiantamento dos honorários
periciais, eles serão pagos no exercício seguinte ou ao final, pelo vencido.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em decidir se a Defensoria Pública pode ser condenada a adiantar o
pagamento dos honorários periciais de diligência por ela requerida com o fim de executar honorários que
favorecem a própria instituição.

Trata-se de processo em fase de execução da verba honorária a que faz jus a Defensoria
Pública em virtude da representação exercida. Sem êxito na execução, foi determinada a penhora de
veículo em nome do executado. Por essa razão, o referido ente requereu perícia para averiguar o valor do
automóvel.

O Tribunal local, com base no art. 91 do Código de Processo Civil - CPC, determinou que a
Defensoria Pública antecipasse o pagamento dos honorários periciais, sob o fundamento principal de que
a instituição goza de autonomia orçamentária.

Notadamente no que tange à autonomia orçamentária, a Constituição Federal - CF


determinou, no art. 134, § 2º, que compete à própria Defensoria Pública gerir seus recursos financeiros,
exercendo a iniciativa de sua proposta orçamentária "dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes
orçamentárias e subordinação ao disposto no art. 99, § 2º".

Como é cediço, em decorrência do ônus de sucumbência, o vencido suportará ao final o


pagamento de todas as despesas do processo, inclusive as realizadas a requerimento do Ministério
Público, da Fazenda Pública ou da Defensoria Pública.

Ademais, conforme determina a regra geral do art. 95 do CPC, "cada parte adiantará a
remuneração do assistente técnico que houver indicado, sendo a do perito adiantada pela parte que
houver requerido a perícia ou rateada quando a perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas
as partes".

Com o advento do vigente Código Processual e da atual lógica de fortalecimento da


Defensoria, a prerrogativa da isenção do pagamento imediato e adiantado das custas processuais
estendeu-se à Defensoria Pública.

Entende-se que, quando a diligência for requerida no exercício de representação do assistido,


ainda que ele esteja sendo representado pela Defensoria Pública, segue-se a regra geral do art. 95 do
CPC.

Por outro lado, quando a Defensoria Pública atua na defesa de seus próprios interesses, isto é,
como parte do processo, atrai-se a aplicação do art. 91 do CPC, o qual traz uma regra específica para
quando a perícia é feita no interesse da própria instituição.

Com efeito, não parece adequado ignorar a norma específica do art. 91 do CPC para seguir a
regra geral do art. 95 do CPC e assim imputar à Defensoria Pública a responsabilidade pelo adiantamento
dos honorários periciais quando for ela a parte interessada na diligência, sob pena de enfraquecer o

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

desenvolvimento de suas atribuições constitucionais, bem como em razão da sua natureza jurídica de
órgão público.

Até mesmo porque, mesmo quando perseguindo os honorários sucumbenciais a que faz jus, os
valores obtidos são destinados, exclusivamente, ao aparelhamento das Defensorias Públicas, vedado o
seu rateio entre os membros da instituição, conforme determina o Tema n. 1002 do STF.

Conclui-se que a Defensoria Pública pode ser condenada ao pagamento de honorários


periciais quando é ela que demanda a diligência na função de parte, respeitada a previsão orçamentária
neste sentido.

Portanto, a autonomia orçamentária da Defensoria Pública, prevista no art. 134 da CF, não
anula a ordem legal de preferência do art. 91 do CPC e não impõe indiscriminadamente o adiantamento
imediato dos honorários periciais.

Se não houver previsão orçamentária para o adiantamento dos honorários periciais, a despesa
deverá ser paga no exercício financeiro seguinte ou ao final, pelo vencido, caso o processo se encerre
antes do adiantamento a ser feito pelo ente público, conforme determina o art. 91, § 2º do CPC.

Aliás, segundo a doutrina, a determinação do art. 91, § 2° do CPC, reafirma o entendimento


jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.253.844/SC, Primeira Seção, julgado em
13/03/2013), no sentido de que não cabe atribuir à parte contrária o adiantamento da verba pericial
somente porque a parte que requereu a produção da prova está isenta desse adiantamento.

De outro lado, não é possível obrigar que o perito exerça seu ofício gratuitamente, tampouco
transferir ao réu o encargo de financiar ações contra ele movidas.

Portanto, mesmo após a determinação da Súmula 232 do STJ e do Tema Repetitivo 510 e das
críticas doutrinárias que envolvem o art. 91 do CPC, o fato é que o legislador optou por determinar que,
no que tange ao adiantamento de honorários periciais de diligência requerida pela Fazenda Pública, pelo
Ministério Público ou pela Defensoria Pública, deve-se verificar inicialmente: (I) a possibilidade de a perícia
ser realizada por entidade pública; (II) havendo previsão orçamentária, que a instituição que requereu a
prova adiante os honorários periciais; e (III) não havendo previsão orçamentária no exercício financeiro
para adiantamento dos honorários periciais, eles serão pagos no exercício seguinte ou ao final, pelo
vencido.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 99, § 2º; e art. 134, § 2º.


Código de Processo Civil (CPC), art. 91, § 2º; e art. 95.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 1002/STF.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

PROCESSO REsp 2.238.389-GO, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Rel. para acórdão
Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, por maioria,
julgado em 16/12/2025, DJEN 22/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ação de rescisão contratual cumulada com cobrança. Compra e


venda. Notificação judicial para cumprimento do contrato.
Interrupção da prescrição. Posterior ajuizamento de ação monitória.
Nova interrupção da prescrição. impossibilidade. Princípio da
unicidade da interrupção prescricional.

DESTAQUE

A interrupção da prescrição ocorre uma única vez dentro da mesma relação jurídica,
independentemente de seu fundamento.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


No caso, o Tribunal de origem asseverou que, "segundo o entendimento sufragado nos
precedentes do Superior Tribunal de Justiça, verificada a interrupção por qualquer uma das situações
descritas no art. 202 do CC, não se admite nova interrupção da prescrição por força de um segundo
evento, em deferência ao princípio da unicidade da interrupção prescricional".

Quanto ao ponto, a Terceira Turma, no julgamento do REsp 1.504.408/SP, afastou o


entendimento adotado no voto vencido do ministro Marco Aurélio Bellizze, no sentido de que "as causas
judiciais de interrupção da prescrição poderão incidir indefinidamente e por diversas vezes, de modo que
o prazo recomeçará somente na hipótese de inércia da parte interessada e, nesse caso, será contado a
partir do último ato do processo".

No referido julgado, prevaleceu o entendimento trazido pela ministra Nancy Andrighi no


sentido de que "a interrupção somente ocorre uma única vez para determinado prazo prescricional".
Assim, consolidou-se o entendimento de que, dentro da mesma relação jurídica, a interrupção da
prescrição ocorre uma única vez, independentemente de seu fundamento.

No caso, a Corte de origem entendeu que a prescrição foi interrompida com as notificações
judiciais realizadas, de modo que não poderia ser novamente interrompida pelo ajuizamento de ação
monitória, o que se coaduna com a jurisprudência desta Corte.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC), art. 202

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 754

Informativo de Jurisprudência n. 727

Pesquisa Pronta / DIREITO CIVIL - PRESCRIÇÃO

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.221.144-RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 9/12/2025, DJEN 17/12/2025.

RAMO DO DIREITO RECUPERAÇÃO JUDICIAL

TEMA Empresário individual. Execução. Crédito concursal. Pessoa natural.


Avalista. Cônjuge. Regime de comunhão universal de bens. Confusão
patrimonial. Prosseguimento. Impossibilidade.

DESTAQUE

a) Na hipótese de crédito sujeito à recuperação judicial, a execução não pode


prosseguir contra o empresário individual, tampouco contra a sua pessoa física, ainda que na
condição de avalista, pois atingirá o mesmo patrimônio que será empregado para o pagamento
dos demais credores submetidos ao plano.
b) As dívidas do empresário individual casado em comunhão universal de bens também
são de seu cônjuge e serão pagas com o patrimônio comum, assim não há como a execução de
crédito concursal prosseguir também em relação ao cônjuge avalista, salvo se houver cessação da
comunhão.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em definir se é possível o prosseguimento de execução de crédito
concursal em face da pessoa física do empresário individual em recuperação judicial e de seu cônjuge,
avalista, com quem é casado sob o regime de comunhão universal de bens.

Trata-se, na origem, de execução de título extrajudicial aparelhada com nota promissória

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

emitida por microempresa, figurando como avalistas a pessoa física do empresário individual e sua
esposa, objetivando o recebimento de saldo no valor de R$ 3.482.594,00 (três milhões, quatrocentos e
oitenta e dois mil, quinhentos e noventa e quatro reais).

Com o deferimento da recuperação judicial do empresário individual, a execução foi suspensa


tanto em relação ao devedor principal, quanto em face dos avalistas.

Encerrada a recuperação judicial, a parte recorrente apresentou novo pedido de retomada da


execução, o qual foi indeferido ao fundamento, em suma, de que "o patrimônio comum do casal se
confunde com o patrimônio da pessoa jurídica, sendo descabido o prosseguimento contra os
coobrigados, sob pena de afronta ao plano de recuperação e subversão à ordem de pagamento". Contra
essa decisão, foi interposto agravo de instrumento, não provido pelo Tribunal de Justiça.

Nesse contexto, cumpre assinalar que o crédito exigido na execução de título extrajudicial cujo
prosseguimento se requer é de natureza concursal, tendo sido incluído no plano de recuperação judicial
do Empresário Individual.

Assim, a discussão está limitada ao prosseguimento da execução em relação aos avalistas


garantes.

Isso posto, é preciso esclarecer que o empresário individual é a pessoa física que exerce
atividade empresarial. O fato de não haver distinção entre a pessoa física e o empresário individual faz
com que também não haja distinção entre o patrimônio desses entes. Há um só patrimônio com o qual
serão satisfeitos os credores.

Assim, não há como isolar, dentro do patrimônio do empresário individual, determinados bens
que responderiam às obrigações contraídas na atividade empresarial, enquanto outros, diretamente
atrelados à atividade comum da pessoa física, estariam protegidos do pagamento das dívidas.

Observa-se, diante disso, que a confusão patrimonial, caracterizada pela ausência de


separação de fato entre determinados patrimônios, é inerente à figura do empresário individual.

Portanto, havendo apenas um patrimônio, é ele que responde por todas as obrigações
contraídas pela pessoa física, seja enquanto exerce atividade empresarial, seja em suas atividades
particulares. Nesse contexto, se o empresário individual está em crise, a pessoa natural também está em
crise.

Não é por outra razão que o artigo 6º, II, da Lei n. 11.101/2005 determina que sejam suspensas
as "execuções ajuizadas contra o devedor, inclusive daquelas dos credores particulares do sócio solidário,
relativas a créditos ou obrigações sujeitos à recuperação judicial ou à falência".

Do mesmo modo, se o crédito está sujeito à recuperação judicial, como no caso, a execução
não pode prosseguir contra o empresário individual, tampouco contra a pessoa física, ainda que na
condição de avalista, pois atingirá o mesmo patrimônio que será empregado para o pagamento dos
demais credores submetidos ao plano. É como se o próprio avalista estivesse em recuperação judicial.

Acerca do aval prestado pelo cônjuge casado pelo regime da comunhão universal de bens,
dispõe o artigo 1.667 do Código Civil que o regime de comunhão universal importa a comunicação de
todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. Nesse contexto, todas as dívidas
do empresário individual casado em comunhão universal de bens também são do cônjuge e serão pagas
com o patrimônio comum.

Também aqui se observa a confusão entre o patrimônio do empresário individual, enquanto


exercente da atividade empresarial, de sua pessoa natural e de seu cônjuge. Assim, pelos mesmos
fundamentos já expostos, isto é, o fato de o patrimônio do cônjuge responder a todos os demais credores

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

submetidos ao plano de recuperação judicial, não há, também em relação a ele, ainda que na condição de
avalista, como prosseguir com a execução de crédito submetido aos efeitos da recuperação judicial.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.101/2005, artigo 6º, II.


Código Civil, artigo 1.667.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

QUARTA TURMA

PROCESSO AREsp 2.631.812-GO, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta


Turma, por unanimidade, julgado em 1/12/2025, DJEN 4/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO AUTORAL

TEMA Direitos autorais. Execução pública de obras musicais. Pagamento


das retribuições autorais. Responsabilidade solidária do proprietário
do estabelecimento. Art. 110 da Lei n. 9.610/1998.

DESTAQUE

Aplica-se a responsabilidade solidária do art. 110 da Lei n. 9.610/1998 ao proprietário


do estabelecimento em que ocorre execução pública de obras musicais, independentemente de
participação na organização ou de percepção de lucros.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia versa sobre execução pública de obras musicais em local de frequência coletiva.

Na sentença, o Juízo de primeiro grau condenou solidariamente os réus ao pagamento das


retribuições autorais relativas ao evento realizado no imóvel indicado. A Corte estadual, por sua vez,
afastou a responsabilidade solidária do proprietário por entender necessária a participação na
organização do evento ou a percepção de lucros.

Referido entendimento diverge frontalmente da jurisprudência consolidada no Superior


Tribunal de Justiça, especialmente no REsp 1.661.838/MG, relatado pela Ministra Nancy Andrighi,
segundo a qual o proprietário de imóvel destinado à realização de eventos, ainda que atue apenas como
locador do espaço, é considerado "usuário" e "empresário" nos termos do art. 68, § 4º, da Lei n.
9.610/1998 (Lei de Direitos Autorais - LDA), sendo, portanto, responsável solidário pelo recolhimento dos
direitos autorais devidos. O voto condutor destacou que o proveito econômico do locador é indissociável
da execução pública de obras musicais, uma vez que a aptidão do espaço para comportar eventos
artísticos integra o valor de mercado da locação. Assim, a solidariedade do art. 110 da LDA decorre da
própria exploração econômica do local, prescindindo da prova de participação direta no evento ou de
lucro específico.

A Ministra enfatizou que a finalidade protetiva da legislação autoral impõe interpretação


ampliativa do conceito de "usuário", de modo a abranger todos os agentes que de algum modo lucram
com a utilização pública da obra, sob pena de se permitir o esvaziamento do direito do autor e o
enfraquecimento do sistema de arrecadação coletiva.

Com efeito, a interpretação restritiva conferida pelo Tribunal de origem, ao condicionar a


responsabilidade à participação na produção do evento, acabou por negar vigência aos dispositivos
indicados.

O proprietário do espaço, ainda que não tenha participado da produção do espetáculo, obteve
proveito econômico com a cessão do local para execução pública de obras musicais. O benefício indireto
decorrente da exploração do espaço para eventos constitui o elo jurídico suficiente para atrair a

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

solidariedade prevista no art. 110 da Lei de Direitos Autorais.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.610/1998 (Lei de Direitos Autorais - LDA), art. 68, § 4º; e art. 110.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 15 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 588

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta


Turma, por unanimidade, julgado em 16/12/2025, DJEN 23/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Sucessão hereditária. Bens situados no exterior. Inventário em


Portugal. Princípio da pluralidade dos juízos sucessórios. Herdeiro
incapaz. Pedido de alvará judicial para lavratura de procuração em
território nacional. Atuação de curadora em inventário de bens
situados no exterior. Possibilidade. Competência da Justiça brasileira.

DESTAQUE

A Justiça brasileira é competente para apreciar pedido de alvará judicial visando à


autorização para lavratura de procuração em cartório no Brasil, em nome de herdeiro incapaz, a
fim de permitir a atuação de sua curadora em inventário de bens situados no exterior.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em definir se o Juízo brasileiro poderia extinguir pedido de alvará
destinado à lavratura de procuração, no Brasil, para que curadora atue em nome de herdeiro incapaz em
inventário em Portugal, inclusive alienando imóveis arrolados em inventário naquele país.

Nos termos do art. 23, II, do Código de Processo Civil, em matéria de sucessão hereditária, é de
competência de autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, proceder à confirmação
de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.

No entanto, a Justiça brasileira, ordinariamente, não é competente para decidir sobre questões
atinentes aos bens situados no exterior. Isso porque, em relação aos bens situados no estrangeiro, o Brasil
adota o princípio da pluralidade dos juízos sucessórios, prestigiando o local onde estão situados os bens
da sucessão hereditária (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro - LINDB, art. 10, caput, c/c arts.
8°, caput, e 12, § 1°).

Na espécie, mostra-se precipitada a extinção da pretensão autoral de obtenção de alvará


judicial - visando à autorização para lavratura de procuração, em nome de herdeiro incapaz, permitindo a
atuação de sua curadora em inventário de bens situados em Portugal.

Com efeito, as disposições legais do ordenamento jurídico nacional regem os direitos da


personalidade, de família, das sucessões do nacional ou naturalizado e dos residentes no Brasil. Por
conseguinte, é a lei do domicílio do herdeiro ou legatário que regula a capacidade para suceder (LINDB,
arts. 7º e 10, § 2º).

Por consequência, ainda que se trate de sucessão em Portugal, a autorização para se lavrar
procuração em cartório no Brasil, autorizando a curadora a atuar em nome do incapaz, inclusive
alienando imóveis arrolados em inventário naquele país, é do Juízo brasileiro. No entanto, não haverá
competência deste para deliberar sobre os efeitos da sucessão corrente no exterior e muito menos para
criar obstáculos à partilha sucessória estrangeira, imiscuindo-se no procedimento adotado em Portugal.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), art. 7°, art. 8°, art. 10, e art. 12, § 1°
Código de Processo Civil (CPC), art. 23, II

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 23 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 563

ÁUDIO DO TEXTO

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

QUINTA TURMA

PROCESSO REsp 2.118.641-RS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma,
por unanimidade, julgado em 9/12/2025, DJEN 18/12/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Crime de usurpação de matéria-prima da União. Conduta de


explorar matéria-prima. Denúncia que não narra o proveito obtido.
Inépcia. Descarte do material extraído. Falta de justa causa. Rejeição
da denúncia.

DESTAQUE

1. O crime de usurpação de matéria-prima da União, previsto no art. 2º, caput, da Lei n.


8.176/1991, no que se refere à conduta "explorar matéria-prima", deve ser compreendido como
sinônimo de aproveitar a matéria-prima, sendo prescindível a obtenção de lucro ou o exercício de
atividade econômica.
2. A denúncia que não descreve o proveito obtido com a matéria-prima extraída é
inepta para a imputação do crime de usurpação de matéria-prima da União.
3. O descarte da matéria-prima denota que não houve a exploração dela e justifica a
rejeição da denúncia por ausência de justa causa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Há duas questões em discussão: (i) saber se a denúncia, por não trazer a destinação do saibro
extraído, deve ser considerada inepta; e (ii) saber se o crime de usurpação de matéria-prima da União,
previsto no art. 2º da Lei n. 8.176/1991, exige como elemento do tipo a retirada da matéria-prima para fins
de lucro.

O Tribunal de origem, ao acolher a preliminar de inépcia, conclui que a denúncia não narra a
utilização do saibro extraído para "produção de bens" ou "exploração" econômica sob qualquer
perspectiva, elementares do tipo penal, bem como que a documentação juntada aos autos dá conta de
que o mineral extraído foi apenas descartado. Ainda, destacou que o crime do art. 2º da Lei n. 8.176/1991
se consuma quando a conduta vai além da terraplenagem, pois é necessária a utilização do subproduto
extraído em atividades destinadas à obtenção de lucro.

Pois bem, a resolução de ambas as questões perpassa, necessariamente, a correta exegese do


conteúdo semântico e da extensão normativa do núcleo típico de explorar matéria-prima da União,
descrito no art. 2º da Lei n. 8.176/1991.

Considerando-se o verbo explorar em sua dimensão semântica de aproveitar, conclui-se que a


resultante exploração de matéria-prima deve ser interpretada como a retirada de proveito da matéria-
prima, a obtenção de vantagem com a matéria-prima, ainda que tal vantagem não se traduza,
necessariamente, em lucro pecuniário mensurável.

Não se vislumbram, na literalidade do tipo penal ou em sua interpretação teleológica, aspectos


restritivos outros, tais como a necessidade de obtenção de lucro econômico direto ou a exploração da

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

matéria-prima no exercício de atividade econômica organizada, conquanto o viés econômico constitua,


ordinariamente, o fim precipuamente visado nas atividades de mineração.

A ratio legis do dispositivo em análise reside na proteção ao patrimônio público contra atos de
usurpação, independentemente de o agente auferir vantagem econômica mensurável em pecúnia. Basta,
para a consumação delitiva, que haja aproveitamento da matéria-prima pertencente à União, em qualquer
de suas formas possíveis.

Delineadas as premissas hermenêuticas, em relação à inépcia formal da denúncia, observa-se


que, embora a acusação ministerial expressamente afirme que os acusados exploraram matéria-prima da
União, a narrativa fática limitou-se a descrever a extração do saibro para fins de terraplenagem, sem
indicar, de forma inequívoca, o proveito específico obtido com a matéria-prima extraída.

Ressalte-se ser inconteste que os denunciados obtiveram proveito com a terraplenagem


realizada. Todavia, o delito tipificado no art. 2º da Lei n. 8.176/1991 exige, como elemento normativo
essencial, o proveito com a matéria-prima, porquanto a conduta nuclear é explorar matéria-prima, e não
simplesmente dela dispor fisicamente.

Tal distinção hermenêutica reveste-se de crucial importância: a mera movimentação ou


descarte de matéria-prima, ainda que ilícita sob outras perspectivas jurídicas, não configura, per se, o
núcleo típico de explorar, o qual demanda, necessariamente, alguma forma de aproveitamento ou
proveito extraído da própria matéria-prima.

Em relação à ausência de justa causa, a premissa fática derivada do Tribunal a quo firmou-se
no sentido de que o saibro extraído foi descartado, não obstante também faça referência à suposta
utilização do material a título de doação ao Município, como contraprestação pelo uso de maquinário e
mão de obra municipal na terraplenagem - circunstância esta que, se comprovada, configuraria a
exploração da matéria-prima, ante a vantagem patrimonial obtida pelos acusados.

Contudo, mantida a premissa fática segundo a qual houve o efetivo descarte do material
extraído, sem qualquer aproveitamento posterior, não se configura o proveito da matéria-prima,
elemento essencial à tipificação da conduta como exploração.

Dessa forma, a ausência de aproveitamento da matéria-prima obsta a configuração do núcleo


típico explorar, razão pela qual, nessa hipótese fática, não se verifica a consumação delitiva prevista no
art. 2º da Lei n. 8.176/1991.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.176/1991, art. 2º

ÁUDIO DO TEXTO

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Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

SEXTA TURMA

PROCESSO AgRg no RMS 77.232-RS, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta
Turma, por unanimidade, julgado em 25/11/2025, DJEN 28/11/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, EXECUÇÃO PENAL

TEMA Execução da pena de multa. Inércia do Ministério Público.


Legitimidade subsidiária da Fazenda Pública. Inscrição em dívida
ativa. Alteração do art. 51 do Código Penal pela Lei n. 13.964/2019.
Manutenção da competência subsidiária. Inadequação do mandado
de segurança.

DESTAQUE

Após a vigência da Lei n. 13.964/2019, que deu nova redação ao art. 51 do Código
Penal, persiste a legitimidade subsidiária da Fazenda Pública para a execução da pena de multa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em definir se a alteração do art. 51 do Código Penal, promovida pela
Lei n. 13.964/2019, ao estabelecer expressamente que a multa será executada perante o juiz da execução
penal, retirou da Fazenda Pública a legitimidade subsidiária para sua execução.

Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido que, mesmo após a vigência da
Lei n. 13.964/2019, persiste a legitimidade subsidiária da Fazenda Pública para a execução da pena de
multa. Entende-se que a alteração legislativa, embora tenha fixado expressamente a competência do
juízo da execução penal, não afastou a possibilidade de atuação subsidiária do Estado nos casos em que o
Ministério Público não promover a execução no prazo estabelecido.

Ressalte-se que a referida alteração normativa estabeleceu apenas a mudança da competência


para a execução da pena de multa, que passou a ser expressamente do juízo da execução penal. Não
houve, contudo, modificação que excluísse a legitimidade subsidiária do ente público, reconhecida pelo
Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 3.150/DF.

Ademais, o texto atual do art. 51 do Código Penal continua a fazer referência à multa como
"dívida de valor" e à aplicação das "normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública", o que reforça o
entendimento de que persiste a possibilidade de atuação subsidiária da Fazenda Pública na cobrança da
multa penal.

Importante destacar que o entendimento consolidado pelo STJ proporciona maior efetividade
à execução da pena de multa, na medida em que preserva tanto a legitimidade prioritária do Ministério
Público, em consonância com a natureza penal da sanção, quanto a possibilidade de atuação subsidiária
da Fazenda Pública, que dispõe de estrutura e mecanismos próprios para a cobrança de valores.

No caso, a decisão impugnada limitou-se a dar cumprimento à norma vigente e à


jurisprudência consolidada do STF e do STJ. Diante da inércia do Ministério Público, o Juízo da Execução
determinou à Procuradoria da Fazenda Nacional que procedesse à inscrição da multa penal imposta ao
sentenciado em dívida ativa, nos moldes do art. 51 do Código Penal.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

A atuação do Juízo da Execução não representou ingerência indevida sobre funções


institucionais da Administração Fazendária, tampouco violação a direito líquido e certo da União. Ao
contrário, visou à efetividade da execução penal, dentro da legalidade, e em observância ao
entendimento consolidado segundo o qual a Fazenda Pública detém legitimidade subsidiária para
executar a pena de multa, inclusive após a edição da Lei n. 13.964/2019.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Penal (CP), art. 51


Lei n. 13.964/2019

PRECEDENTES QUALIFICADOS

ADI 3.150/DF

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 858

Informativo de Jurisprudência n. 779

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgRg no HC 968.932-SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta


Turma, por unanimidade, julgado em 3/9/2025, DJEN 8/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Crime tributário. Pretensão de oitiva de até oito testemunhas para


cada mês de supressão do ICMS. Inadequação. Violação à ampla
defesa e ao contraditório. Não ocorrência.

DESTAQUE

Em ação penal que apura crime contra a ordem tributária consistente na supressão
continuada de ICMS, a limitação do rol de testemunhas prevista no art. 401 do Código de
Processo Penal deve considerar a unidade fática da conduta, não sendo exigível a oitiva de até
oito testemunhas para cada mês de ocorrência do fato gerador.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

A controvérsia consiste em definir se o indeferimento da oitiva de 28 testemunhas, em ação


que apura a supressão do ICMS por vários meses, ofende os princípios da ampla defesa e do contraditório.

Diferentemente do que se verifica em crimes comuns (furto, roubo etc.) praticados em


contextos fáticos distintos e com vítimas diversas, o caso em análise retrata uma infração contra a ordem
tributária, cuja ação penal apura supressão ininterrupta de ICMS por vários meses.

Diante desse cenário, e tendo em vista a forma sequencial da conduta imputada, por meio de
omissão em autodeclaração do imposto, não se exige, na fase instrutória, a oitiva de até 8 testemunhas
em relação a cada mês em que teria havido o fato gerador do tributo.

O limite previsto no artigo 401 do Código de Processo Penal deve considerar a particularidade
do crime tributário imputado. Não se está diante de condutas praticadas em contextos fáticos diferentes.
Pelo contrário, o que se verifica é a reiteração de um mesmo comportamento - a supressão do ICMS por
não declaração do imposto - ao longo de diversos meses, com o mesmo modo de execução.

Destaque-se que a natureza dos crimes tributários, em que o fato gerador do ICMS se renova
mensalmente, é justamente a característica que permite a imputação de crime único em continuidade
delitiva. No caso de outros crimes comuns (estelionato, receptação, furto), a prática de crimes por mais
de uma dezena de vezes seria apta à configuração de habitualidade criminosa a atrair o concurso
material.

Assim, esse mesmo raciocínio deve orientar a interpretação do art. 401 do CPP. Ademais, a
defesa não esclarece quais fatos pretende comprovar com os 28 depoimentos requeridos. Essa
providência realmente não é obrigatória na resposta à denúncia, mas poderia demonstrar eventual
cerceamento de defesa.

Impor ao Juiz natural da causa a oitiva de até 8 testemunhas, a cada período mensal de
supressão do ICMS, implicaria evidente sobrecarga à instrução, com risco de atraso injustificado na
marcha processual e violação ao princípio da razoável duração do processo.

Portanto, o limite legal da prova oral deve ser adequado à conduta continuada de sonegar
ICMS, em um mesmo contexto, por meses contínuos. Nessa situação, existe crime único sob a
perspectiva de unidade fática, e não apenas normativa, o que afasta a alegação de violação à ampla
defesa.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 401

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

PROCESSO AgRg no RHC 215.549-GO, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo


(Desembargador convocado do TJSP), Rel. para acórdão Ministro
Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em
10/2/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Acordo de não persecução penal (ANPP). Inquéritos policiais e ações


penais pendentes. Conduta criminal reiterada. Ausência dos
requisitos subjetivos legais necessários à elaboração do acordo.

DESTAQUE

É válida a recusa do Ministério Público ao oferecimento de acordo de não persecução


penal em razão da existência de inquéritos policiais e processos em andamento indicativos de
conduta criminal habitual, reiterada ou profissional.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O acordo de não persecução penal (ANPP) é um instrumento de racionalização do sistema
penal. Parte-se da premissa de que a persecução centrada no processo criminal (e na imposição de pena
privativa de liberdade) não oferece, atualmente, uma resposta adequada para todas as infrações penais.

A alteração legislativa, consolidada no art. 28-A do Código de Processo Penal, busca soluções
céleres e proporcionais, aptas a assegurar a reprovação da conduta sem efeitos estigmatizantes, também
com o objetivo de evitar a sobrecarga do Judiciário e encarceramentos desnecessários. Trata-se de
instituto especialmente pertinente ao investigado cuja conduta se apresenta eventual, como fato isolado,
sem maior impacto na ordem pública. Para esses agentes, a medida despenalizadora seria suficiente para
prevenir novos delitos.

O legislador, ao estabelecer as hipóteses de recusa do acordo, diferenciou nitidamente a


reincidência (que exige condenação transitada em julgado) da conduta criminal habitual, reiterada ou
profissional, para a qual bastam elementos probatórios que evidenciam um padrão de vida criminosa.

No caso, o Ministério Público reputou inadequado o oferecimento do ANPP, pois o acusado já


foi condenado a 34 anos e 18 dias de reclusão pela prática de múltiplos estelionatos, praticados com
idêntico modo de execução e em desfavor de 24 vítimas. Entendeu o titular da ação penal que há sinais
de renitência criminosa do acusado, a revelar a insuficiência do ANPP como instrumento de reprovação e
prevenção do delito ora examinado.

Esta Corte tem o entendimento de que inquéritos policiais, ações penais pendentes,
condenações ainda não transitadas em julgado e elementos que evidenciem conduta criminosa
profissional, embora não configurem reincidência ou maus antecedentes para fins de agravamento da
pena (em observância ao princípio constitucional da presunção de não culpabilidade), podem ser
utilizadas pelo julgador para avaliar e conduta habitual dedicação a atividades criminosas.

Nesse contexto de periculosidade social, o ANPP não se mostraria pertinente, porque, ao


contrário do investigado eventual, a atuação do agente revela padrão de conduta que evidencia risco
concreto de reiteração e torna insuficiente a adoção de medida despenalizadora.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/24
Informativo de Jurisprudência n. 879 3 de março de 2026.

Cita-se, por oportuno, decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no ARE n. 1.534.694
ED/BA, DJe de 19/2/2015, prolatada pelo Ministro Edson Fachin, a qual registrou que "não há ilegalidade
na recursa do oferecimento de proposta de acordo de não persecução penal quando o representante do
Ministério Público, de forma fundamentada, constata a ausência dos requisitos subjetivos legais
necessários à elaboração do acordo, de modo que este não atenderia aos critérios de necessidade e
suficiência em face do caso concreto".

Em outro julgado, o Ministro Dias Toffoli, ao julgar o ARE n. 1.387.543-PR, DJE de 23/6/2022,
também decidiu que "nos termos do artigo 28-A, § 2º, inciso II, do CPP, a habitualidade delitiva
corresponde a um dos impeditivos previstos em lei para a propositura do acordo".

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 28-A.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 16 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 750

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/24

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