popular, mas de uso das esperanças do povo em proveito próprio. — Não será uma tarefa fácil — reconheceu Burt.
—
Eu farei isso. Todos me ouvirão, tenho certeza — afirmou a garota. O xerife entrou sorridente em seu gabinete, ao
perceber que Robert estava ali a sua espera. Foi direto a um armário para apanhar uma garrafa de uísque e
comemorarem. — Seu estúpido! Onde está o dinheiro? — indagou Robert, furioso. — Como? — retrucou o homem da
lei, olhando-o surpreso, sem entender aquela fúria inesperada. Robert já estava junto dele, olhando-o nos olhos, com o
dedo em riste quase enfiado em seu nariz. — Tínhamos combinados que o dinheiro seria mandado para a nossa
fazenda... — ia dizendo Robert. — Mas foi o que fizemos... — Mentira! Ele não chegou lá. — Mandamos dois homens...
Mas... O que está havendo afinal? Onde foi parar todo aquele dinheiro? Se aqueles malditos... — Encontramos dois
homens mortos no caminho. Um estava com uma faca em suas costas. O outro foi enforcado. Eram Ted e Simon. Seriam
esses os emissários? Os olhos do xerife estavam arregalados. Ele se lembrou do olhar de Rose e da determinação do
delegado federal, quando cruzara com eles na rua. — Espere um pouco, Robert — disse o xerife, pensativo. — Meu pai
está possesso com o que aconteceu. Esperava sentir esse dinheiro em suas mãos... — Se Ted e Simon foram mortos,
alguém roubou esse dinheiro deles... — E quem sabia que esse dinheiro estava sendo mandado para a fazenda, além de
você e alguns oficiais? Para todos os outros, o dinheiro estava sendo mandado para ser oculto por Rose, no saloon, não?
— Está insinuando que algum de nós... — Não se trata de insinuação, xerife. Algum de nós nos traiu e roubou todo
aquele dinheiro... Naquele momento, Billy entrou no gabinete esbaforido. — Que diabos está havendo, Billy? — indagou
o xerife, exasperado. — Alguma coisa está acontecendo lá no saloon, xerife. Rose levou o delegado federal para lá.
Estão dizendo que não há dinheiro na mala que foi escondida por ela... O xerife e Robert empalideceram, trocando
olhares atônitos e raivosos. — Reuna o pessoal, Billy — ordenou o xerife. — Demônios! Como ele descobriu isso? — Não
tenho a menor idéia. Só sei que teremos muito trabalho para explicar ao povo o que está acontecendo. O ataque e sua
finalidade já devem ser do conhecimento de todos eles. Não teremos como evitar uma revolta contra nós... — Espere,
xerife... Vamos manter a calma... Tem certeza que não se enganou com as malas, mandando a que tinha o dinheiro para
Rose? — Absoluta! — Neste caso, temos de ser espertos... — Não haverá esperteza que nos livre da fúria de nossa
gente, quando descobrirem o que — Não se preocupe. O ódio aos ianques sempre será maior do que qualquer coisa.
Podemos fazer o feitiço se voltar contra o feiticeiro — falou Robert, tentando pensar como seu pai naquele momento.
— O que tem em mente? — Se o dinheiro foi mandado para Rose e sumiu, ela tem que dar conta dele. Principalmente
se ela nos traiu, aliandose ao renegado Oates Fordd, um bastardo que renegou nossa bandeira para servir à da União. —
Acha que pode dar certo? — Se você instruir corretamente seus ajudantes, eles poderão dar a partida numa
manifestação de ódio contra Rose. Vai ser difícil impedir que o povo linche aqueles dois, o que será conveniente para
nós todos. — Pode dar certo... Vou falar com meus rapazes. Eles serão o instrumento que desencadeará o inferno sobre
Rose e Oates, livrando, assim, nossa cara. Quando os três retornaram da adega, trazendo a mala, uma pequena
multidão já havia se juntado no saloon. — Rose, quer nos dizer o que está havendo? —indagou alguém. — O que esse
renegado está fazendo aqui? — Eu lhes digo o que está havendo — falou Oates, apanhando a mala e jogando-a no meio
do salão. Seu conteúdo espalhou-se, diante dos olhares surpresos de todos. — É isso o que está havendo. Vocês estão
sendo usados com falsas esperanças. Têm que entender que o Sul acabou. Agora somos parte da União e é assim que
será de agora em diante... — Cale a boca, renegado! — gritou um dos presentes. — Eu lhe mostro quem é renegado —
disse Oates, saltando sobre ele. Agarrou o homem pelo pescoço e socou-o no nariz, fazendo o sangue espirrar. Os
outros foram em auxílio do amigo, caindo sobre Oates e derrubando-o com socos e pontapés. Rose apanhou a
cartucheira que ficava atrás do balcão e disparou um tiro para o alto, abrindo um rombo no forro. — O próximo que se
mexer ou tocar num fio de cabelo de Oates, vai se haver comigo — ameaçou ela e todos tinham certeza que ela
cumpriria a promessa. — Oates não é um renegado. Pelo contrário, está fazendo por nossa cidade muito mais do que
vocês querem admitir. Ao jurar lealdade à bandeira da União ele apenas foi inteligente diante de uma situação que não
poderemos mais mudar... Temos de admitir: a guerra acabou e fomos derrotados. A Confederação do Sul não existe
mais. E Oates poderia ter ido para qualquer parte do país, mas preferiu voltar para cá e nos ajudar a entendermos o que
havia acontecido. Um silêncio doloroso pairou no saloon, enquanto os homens, cabisbaixos, ouviam o que Rose dizia.
Oates se levantou e caminhou até onde estava a mala com papeis, gravetos e folhas. — Eis o sonho que restou,
pessoal... Estão sendo usados... Estão tripudiando em suas esperanças de voltar no passado... É impossível... Perdemos a
guerra... — Oates está certo, pessoa. — confirmou Burt. — Temos de arregaçar as mangas agora e tentar reconstruir
nossas vidas. Ficar se lamentando agora não vai adiantar nada... O xerife, seus ajudantes e Robert chegaram naquele
momento. Todos os olhares se voltaram para os dois. — O que está havendo aqui? — indagou o homem da lei. — Nós é
que lhe perguntamos isso, xerife — falou Oates, chutando a mala que escorregou pelo assoalho e foi parar aos pés do
homem da lei. — E isto, o que significa? — continuou. — Como se não soubesse, não é, xerife? — ironizou Rose. — Esta
é a mala que os emissários trouxeram para ser escondida. A mala com o produto do roubo na Fazenda Graceland. Oates
percebeu que os ajudantes do xerife se distribuíam pelo saloon. Eram todos ex- combatentes, homens acostumados ao
rigor das batalhas e bons no gatilho. A maneira como se comportavam indicava que estavam seguindo ordens,
preparando-se para a ação. Eram cinco ao todo e pela maneira como se distribuíram, seria impossível para Oates acertá-
los com rapidez. Teria de atingir uns dois ou três, depois procurar um esconderijo. O problema era afastar Rose do
caminho. — Não sei do que está falando — falou o homem da lei, abaixando-se para examinar o conteúdo da mala.
Oates se aproximou de Burt. — Tente tirar Rose da linha de tiro. Acho que isto aqui vai pegar fogo — falou-lhe o
delegado. — Certo, tentarei. Tenho uma arma comigo. Se precisar de ajuda... — Terá que atirar contra seus amigos,
como Billy ali na frente, Don à direita, Thomas, ao fundo... — Diabos! — Apenas tire Rose do caminho e deixe o resto
comigo, está bem? — Não sei do que está falando, Rose — afirmou o xerife, levantando-se e encarando a garota.
Robert, ao seu lado, estava lívido e tremia de indignação. Todo o plano poderia ir por água abaixo, por causa daqueles
dois malditos. — Mas eu sei, xerife. Eu estava numa colina próxima da fazenda. Eu vi o ataque. Eu vi os soldados sendo
fuzilados e as mulheres sendo violentadas. Eu os vi mandando o dinheiro para a fazenda do Coronel... Robert deve saber
onde está o dinheiro. Todos os olhares se concentraram no filho do coronel, o herói que passara toda a guerra num
campo de prisioneiros. — Não sei do que está falando — gaguejou Robert, recuando alguns passos. A multidão já era
compacta atrás deles. — Acho que podem abrir o jogo, pessoal — falou Oates. — Como sei do que o xerife fez, dos
crimes que foram cometidos hoje em Graceland e do dinheiro que foi roubado, acho que não sairei vivo daqui. Assim,
Por que não contam a eles o que aconteceu com o dinheiro? — propôs Oates. A multidão silenciosa concordou com
movimentos de cabeça e olhares interrogativos. Burt conseguira levar Rose para o outro extremo do balcão, deixando a
linha de tiro livro. Oates já analisara suas ações. Balearia dois dos ajudantes, os mais próximos e mais perigosos, depois
se esconderia atrás do balcão. Billy, um dos ajudantes, estava inquieto. Seu pai e seus irmãos haviam morrido na guerra.
Ele, mais do que todos, tinha motivos para odiar os ianques e todos os que se ligavam a eles, como o delegado federal.
Não podia admitir, porém, que a memória de seus mortos em batalha fosse usada para fins tão mesquinhos. — Ele tem
razão, Robert. Se o que ele afirma é verdade, temos de reconhecer que é um homem morto mesmo. Assim, onde está o
dinheiro? — quis ele saber. O rapaz encolheu-se, olhando o xerife com apreensão. O homem da lei percebeu que a
situação começava a se inverter. — Acho que temos de perguntar isso a Rose — devolveu o xerife. — O dinheiro foi
entregue a ela, ela tem que dar conta. — Pois aí está ele, a seus pés, xerife — disse ela. — Estão sendo enganados,
rapazes. Rose e esse renegado estão nos enganando. Pegaram o dinheiro e... — O dinheiro foi mandado para a casa do
Coronel e não chegou lá. O que houve com O xerife olhou-o nos olhos, compreendendo tudo. Oates tinha observado
todos os acontecimentos e seguido os emissários, roubando-lhes o dinheiro. — Bastardo! — rugiu ele. — Foi você, não?
— E quem mais poderia ter sido? — retrucou o delegado. — Fogo nele, rapazes! — ordenou o xerife, levando sua mão à
arma. Oates percebeu a indecisão dos ajudantes, chocados com aquela dúvida que pairava no ar. Concentrou sua
atenção no xerife e em Robert. Este, ao ver o xerife sacando, imitou-o. O delegado federal teria que tentar não podia
matar aqueles homens porque não sabia qual seria a reação daquela multidão diante dele. Assim, sacou velozmente sua
arma e atirou no ombro direito do xerife e no quadril de Robert, antes que os dois conseguissem sacar suas armas. —
Maldição, rapazes! Atirem nele! — ordenou a seus ajudantes, mas Oates já os tinha sob sua mira. Todos o haviam visto
sacar. Sabiam que ele era rápido e tiveram uma demonstração ali, diante dos olhos. Ninguém iria se arriscar a enfrentá-
los, principalmente após o que haviam tomado conhecimento. — Muito bem, rapazes, vejo que perceberam a voz da
razão — comentou Oates, indo até os dois feridos e desarmando-os. — Vou nomeá-los ajudantes federais agora. Temos
de levar estes dois... — Deixe-os aqui, Oates! Sabemos o que fazer com eles. Vão dançar na ponta de uma corda —
gritou alguém. — Não, pelo contrário. Acho que a lei deve prevalecer agora. Estes homens têm de ser julgados para
servir de exemplo a todos os aproveitadores — sentenciou o delegado. A multidão concordou, muito embora alguns
estivessem anda indignados com a ação de Robert e do xerife. Riley já estava bem melhor e fora para a cadeia, fazer
companhia ao seu amigo e aos ajudantes. O clima na cidade estava tenso. Oates telegrafara pedindo um destacamento
da Cavalaria, que ainda não chegara. — Deveria ter deixado que a multidão os linchasse lá no saloon — comentou Rose.
— Teria nos poupado aborrecimentos, tenho certeza, mas estaríamos atrasando a chegada da lei e da ordem à cidade.
— Só que agora estamos pior do que antes — comentou Riley. — Agora todo mundo quer nos matar. Os rebeldes, para
tirarem o xerife e Robert daqui e lincharem-nos. Os ianques, porque estamos protegendo os homens que participaram
do ataque a Graceland. E como se não bastasse tudo isso, temos o Coronel e seus homens fiéis a ele ainda, ameaçando
atacar a cidade para resgatar o filho e nos matar. O que mais nos falta agora? — Fique calmo, Riley. A situação não é
desesperadora ainda. A Cavalaria vai chegar logo... — Tomara! Naquele momento, gritos lá fora indicaram a chegada de
encrenca. — Rose, é melhor sair pelos fundos e ficar longe — recomendou Oates. — Nem pensar — afirmou ela,
apanhando