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30

Clark e Irish discutem sobre sua situação enquanto se preparam para atravessar um rio. Irish expressa sua determinação em manter sua identidade feminina, enquanto Clark revela seu medo de compromissos. Eles decidem trabalhar juntos para sobreviver após serem roubados, estabelecendo um acordo de cooperação.
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Clark e Irish discutem sobre sua situação enquanto se preparam para atravessar um rio. Irish expressa sua determinação em manter sua identidade feminina, enquanto Clark revela seu medo de compromissos. Eles decidem trabalhar juntos para sobreviver após serem roubados, estabelecendo um acordo de cooperação.
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desértico. Sabem que iriam para a forca sem alternativa...

Enquanto falavam, Clark foi atirando a roupa para Irish e


depois esticou a manta para que ela tornasse a vesti-las. Quando terminou, contemplou-a sorridente, e disse: — Não
está mal. Quem não sabe pode muito bem confundi-la com um rapaz. Que deseja ser doravante? — Que pensariam do
senhor se o vissem com um rapaz como eu? — Certamente nada de bom. Mas se alguém atrever-se a qualquer
insinuação, encontrará algo que não vai gostar. Irish não hesitou em responder: — Sou mulher e continuarei a sê-lo. —
Não teme que pensem mal de você, vendoa com um sujeito como eu? — Que pensem o que quiserem. Não matarei
ninguém por isso. — Porque é mais valente do que eu — replicou o jovem. — Obrigada. É muito generoso — replicou
ela, com certa coqueteria. 27 CAPÍTULO III Irish virou-se, graciosamente, e disse: — Por onde e como atravessaremos? O
caso não é para atirar-se a nado. — Como imaginava vir para o lado de cá? — Tinha meu cavalo e confiar-me-ia a ele. —
Um pouco mais acima de onde levantou o acampamento, o rio alarga-se um pouco e há um lugar vadeável por onde
atravessei. — É mais esperto que eu — respondeu ela. — Não tenha muita certeza. Agora, já que vamos continuar
juntos, precisamos esclarecer... — Sim? — Você resolveu continuar como mulher e bastante linda, por certo. — A
segunda parte é por sua conta... — Exato. É algo que salta aos olhos. Linda e atraente. — E que tem isso? — Vai portar-
se comigo como uma mulher muito mulher? — Que quer dizer? —Você entendeu. Quando uma mulher quer,
principalmente se é como você, pode deixar um homem louco, mesmo um mais sensato que eu. Como pretende portar-
se quanto a mim? — Alegro-me por ter falado a sério. Seremos dois amigos. 28 — De acordo. - Depois, acrescentou: —
Você não é mulher com quem um homem se divirta e eu não desejo perder minha liberdade. Entendidos? — Não se
preocupe, jovenzinho. Não tentarei conquistá-lo, se é isso que receia. — É justamente o que receio. Pouco importa
enfrentar três sujeitos como os que a atacaram. Mas tenho medo de uma jovenzinha como você, se enfiar na cabeça a
ideia de roubar-me a liberdade. — Não acontecerá nada disso. — Então, em frente, amigo! — respondeu Clark.
Estendeu a mão direita a Irish e ela lhe deu a sua que desapareceu dentro da dele. Contudo, não abusou, apertando-a
além do conveniente. Montaram no magnífico cavalo de Clark, com Irish na garupa. Jackson assoviou, para esquecer
que tinha muito perto de si o tentador corpo da jovem. Irish mostrou-se correta, embora não pudesse evitar encostar-se
nele algumas vezes, principalmente quando vadearam o rio. Não fizeram nenhum comentário, ambos fingindo não
perceber. Quando chegaram ao acampamento dela, a jovem apressou-se a saltar do cavalo, e nos primeiros momentos
evitou olhar para Clark. Correu até sua sacola de viagem, vendo tudo remexido. Exclamou: 29 — Malditos! Levaram
todo o meu dinheiro! — Muito? — Uns duzentos dólares! Ainda bem que deixei o resto em Monterrey, no Banco. O
cavalo pastava tranqüilamente. Contudo, o corpo do cão desaparecera, fenômeno que Irish apontou ao companheiro,
muito irritada: — Estava morto, tenho certeza! E não ficou nem sombra dele! Foi aqui mesmo que caiu. Clark estudou o
lugar e disse: — Apagaram as marcas, habilmente. — E para quê? — O corpo de um cão morto a tiros denunciaria sua
violência. — E a violência que praticaram comigo? — Essa não deixou marcas. Embora afogada, seu corpo apareceria
mais tarde águas abaixo, sem qualquer sinal de violência além do afogamento... Irish comentou pensativa: —
Compreendo. Daria a impressão de que caíra no rio. — Justamente — E que fariam do cão? — Certamente o levaram
consigo para enterrar. Ou colocaram-lhe uma pedra no pescoço, metendo num saco e atirando ao rio. — Pobre "Silver",
tão leal, tão bonito!... — Sim, foi uma pena... Ratos malditos! Após uma breve pausa, Clark acrescentou: 30 — Estas
distantes regiões estão longe do braço da Lei, embora às vezes algum representante apareça por aqui... Ou alguém que
possa denunciar a violência. E aqueles vermes tomaram suas precauções para evitar qualquer aborrecimento.
Repentinamente, Irish empalideceu, expressando seus pensamentos em voz alta: — Deixaram-me sem dinheiro! Que
farei agora? Mal tenho cinco ou seis dólares num bolsinho comigo... — Arranjar-nos-emos como for possível. .Com esse
dinheiro, nem mesmo poderia voltar a Monterrey. — Mas não posso ser-lhe pesada... Seria comprometer minha
independência. — Não pense que tenho muito mais dinheiro que você, embora tenha ganhado em Sequoia. Como
disse, aquele fulano me deixou limpo. — E de que viveremos? — Há caça e pesca. E poderei ganhar mais, Você pagará
seu sustento trabalhando. Cozinhará e tomará conta de minha roupa. Não gosto de lavá-las... — Nem eu, mas concordo.
Assim, ganharei o que gastar. — Trato feito? — Trata feito — respondeu ela. Tornaram a apertarem-se as mãos. 31 —
Então, recolha seus pertences e, em marcha. Agora cada um tem seu cavalo e podemos viajar comodamente. — Sim. É
melhor — assentiu ela. Depois, perguntou: — Por que tem tanto medo do casamento? — Nasci solteiro... A Natureza
assim dispôs e ela sabe mais do que eu. Assim, não serei estúpido a ponto de corrigir o que ela fez. — Também nasceu
despido e está vestido — replicou ela — Demônios! É verdade! Não tinha pensado nisso. Vou despir-me... — Pare com
as brincadeiras... A natureza não produz uísque e no entanto embriaga-se... — Mas a bebedeira passa, enquanto que o
casamento é para a vida toda... —Replicou Clark com ar ingênuo. — Muito engraçadinho... - Após uma brava pausa, ela
continuou. — Não pense que quero caça-lo. Vou dizerlhe o que sucede. — Que tenho eu? — perguntou Clark, fingindo
um cômico susto. — Que o senhor é um covarde que tem medo de contrair responsabilidade. Isso é tudo. Vamos
andando? — Depois do banho, um balde de água fria... Paciência, irmão! .— exclamara Clark, com ar divertido.

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