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29

Durante um almoço, Irish Wells conta a Clark Jackson sobre sua busca por seu pai e a experiência de ser atacada. Clark revela que está em busca de um homem para se vingar por ter sido roubado, e ambos discutem suas motivações e experiências passadas. A conversa entre eles revela uma conexão crescente, apesar das tensões e desentendimentos sobre suas respectivas situações.
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29

Durante um almoço, Irish Wells conta a Clark Jackson sobre sua busca por seu pai e a experiência de ser atacada. Clark revela que está em busca de um homem para se vingar por ter sido roubado, e ambos discutem suas motivações e experiências passadas. A conversa entre eles revela uma conexão crescente, apesar das tensões e desentendimentos sobre suas respectivas situações.
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Enquanto tomavam o café, almoçando em seguida, a jovem narrou a Clark o que lhe tinha acontecido.

Ele a ouviu
atentamente e, quando a; loura terminou, perguntou-lhe: — Já os conhecia? — Garanto-lhe que nunca os vi na vida. —
E pediram-lhe o dinheiro? — Sim. Isso mesmo... — Seria indiscrição perguntar-lhe o que vem fazer aqui? — De modo
algum. Fiquei só e vim atrás de meu pai. Julguei que fosse menos arriscado fingir que sou um rapaz. — Estando sozinha,
sim. Embora, salvo alguns canalhas, as mulheres sejam respeitadas. E os canalhas não respeitam ninguém, seja homem
ou mulher, como bem pôde ver... — É verdade... — admitiu ela. Continuou: — A última carta que tive de papai foi
enviada de Sequoia... A última e quase a primeira desde que saiu de casa, há um ano mais ou menos. Recebemos outra
há uns oito meses... Em seguida, resumiu a história de sua vida. — Já encontrou alguma pista dele? — perguntou
Jackson. 17 — Em Sequoia, soube que partira em direção Leste e que não seria de estranhar se estivesse em Nevada. Há
ouro por lá... — Devo reconhecer que é valente e ousada. Chamo-me Clark Jackson. E você? — Irish Wells — respondeu,
perguntando também, — Para onde vai? — Por ora, sigo seu mesmo caminho, jovenzinha. —Também procura ouro? —
Bem, Irish. O ouro não me incomoda e bem que gostaria de encontrar um belo filão. Mas agora não procuro ouro. —
Seria indiscreta, perguntando-lhe o que procura? — Não é indiscrição perguntar. Talvez indiscrição fosse eu responder...
— Desculpe-me... — Não há de que. Na verdade, tinha o direito de fazer a pergunta, uma vez que também lhe fiz
muitas. E foi mais clara em suas respostas do que eu. — Não tem importância. Talvez sua missão seja reservada e faz
bem em não contá-la. — Nada tem de particular, mas é melhor não falarmos nisso. — Para mim, é suficiente ter-me
salvo a vida. Estou certa de que é uma boa pessoa. O jovem coçou a nuca, com uma expressão de intensa perplexidade
e respondeu: 18 — Boa pessoa... Não tenho muita certeza disso, Irish. Não sou canalha nem bandido como os que a
atacaram, mas dizer que alguém é uma boa pessoa, é coisa muito vaga... — Não acredito. O que fez comigo prova, que é
bom. — Não podia agir de outro modo, Irish! Não ia permitir que a correnteza a arrastasse, afogando-a... O rosto da
linda loura expressou certo coquetismo ao dizer: — Mas o senhor, depois, portou-se como um cavalheiro e foi muito
delicado comigo... — Bem, não sou selvagem! E para magoá-la é preciso alguém ser muito animalesco... Haviam
terminado de almoçar, e Clark fumou lentamente um cigarro, contemplando com frequência o rosto da jovem. Afinal,
disse: — Bonito demais para ser rapaz. Não compreendo como conseguiu enganar os outros, apesar de suas mãos
calejadas... — O senhor também ficou iludido por algum momento, até que resolveu tirar-me a camisa — replicou ela,
ruborizando-se. — Não acredite. Quando a tomei nos braços, à margem do rio, senti uma sensação esquisita...
Surpreendeu-se ao ver que olhava para ela como a uma mulher. Esmagou o toco de cigarro contra o chão e disse logo:
19 — Vamos mudar de assunto? — De acordo. Não se preocupe comigo. Não pretendo seduzi-lo — respondeu Irish,
com entonação maliciosa . — Que idade tem? — Vinte e dois anos. E o senhor? — Vinte e nove. A loura comentou com
uma expressão de falsa ingenuidade, a qual tinha muito de cômica: — Até que os dois faríamos um belo par. - Percebeu
o susto de Clark, sorriu com expressão matreira e apressou-se a dizer: — Não tenha receio! Não vou pedi-lo em
casamento. Ele respondeu, ligeiramente irritado: — Não receio que isso aconteça. Sei perfeitamente dizer-lhe não. —
Bem, já fui reprovada... Também, não se pode dizer que seja muito galante. — Não se trata disso. Não tenho vontade de
estragar minha vida e muito menos a sua. — Não creio que a estragasse. Uma mulher precisa casar-se. E eu já estou em
idade disso. — De acordo, de acordo! Então ficasse em Monterrey, onde teria mais possibilidades. Estou certo de que
não lhe faltariam pretendentes. Você é atraente e parece boa moça... Irish riu discretamente, dizendo depois: — Já está
melhor. Suspirou de maneira cômica e explicou: 20 — Sim. Tive alguns pretendentes, mas não gostei de nenhum.
Depois olhou para Clark, com intenção maliciosa, e disse: — Não havia ninguém com sua aparência. Tendo acendido
outro cigarro, Jackson quase se engasga com a fumaça. Conseguiu refazer-se, e disse: — Vou responder à sua pergunta
de antes, Irish. — Qual delas? — Queria saber o que faço por aqui... A loura encolheu os ombro e replicou: — Não tem
importância. Como disse que seguia o mesmo caminho que eu, pensei que talvez procurasse, ouro, como papai. Embora
julgue que ele já o tenha encontrado. — Pois bem. Não procuro ouro e sim um homem para matá-lo. — Mas isso é uma
selvajaria! — replicou ela, calmamente. — Imagino que ele lhe tenha dado motivos, logo... Bem, compreendo que
queira matá-lo. Desde que afastasse da mente da jovem aqueles pensamentos de torná-lo seu marido, qualquer
assunto seria bom. Assim, o rapaz continuou: — O grande porco levou-me um belo monte de dinheiro, aproveitando-se
de minha embriagues. 21 Sem dar-lhe importância, Irish exclamou: — Caramba! Ouvi comentários sobre o caso em
Tulare... — Pois foi justamente lá que aconteceu! — confirmou ele. — Estava tão embriagado, que não consegui mover-
me e cheguei a dormir como um tronco. Uma loura me acompanhava... Uma expressão de asco passou pelo rosto de
Irish. Falou: — Eu a vi e raios! Tentou conquistar-me... Clark arregalou os olhos e perguntou: — Será possível? — Sim, é
possível. Não creia que esse tipo de mulheres anda atrás apenas de homens como o senhor... Disse que eu era um
simpático rapaz e que me amaria loucamente, assim que me viu tirando dinheiro para pagar a despesa... Apertou os
olhos, com expressão maliciosa, e perguntou: — Aconteceu o mesmo consigo, Sr. Jackson? Ou ela se deixou engambelar
por seu tipo? A pergunta era dirigida num irritante tom zombeteiro o que deixou Clark enfurecido. — Sou um homem
de verdade! — respondeu, desafiante. Irish, então, replicou com seriedade: — Pois comigo portou-se como um homem
de verdade e quero agradecer-lhe de verdade 22 também. Mas com ela, portou-se como um palhaço e sabe disso. Sem
dar importância ao gesto de assombro dele, continuou: — Tulare inteiro ainda se ria do caso quando passei por lá. —
Contudo, não foi ela quem me roubou o dinheiro! — Parece que estava tão bêbeda quanto o senhor. Não sei de quem
sinto mais asco: se de mulheres como aquela ou dos homens que caem em suas malhas. — Escute, jovenzinha! A gente
precisa de certas expansões na vida... Bem, será melhor não falarmos mais nisso. — Claro. É melhor... Naquele
momento, entreolharam-se como dois inimigos, de cenhos franzidos. Clark voltou ao ataque, dizendo: — E não tenho
que dar-lhe explicações de meus atos. — E eu nada pedi. Quem começou a falar foi o senhor... — Qualquer um diria que
está com ciúmes. — Ciúmes? Ciúmes, eu? Essa é muito boa! Ciúmes de semelhante mulherzinha e de um sujeito que se
embriaga até perder os sentidos, deixando que roubem seu dinheiro! Que bela prenda é o senhor! 23 Clark primeiro
sobressaltou-se e depois, quando parecia a ponto de saltar, mudou repentinamente, rindo-se de modo escandaloso.
Chegou a deixar Irish desconcertada, a qual perguntou, depois: — Pode-se saber de que se ri agora? — Dos tontos que
somos e principalmente eu. Tem toda a razão, Irish. Dei motivos para que se rissem de mim. Aliviada, Irish riu também,
declarando: — Bem, se reconhece seu erro, não é tão mau. — Confesso que fui um idiota. Mas, quem desconfiaria de
um sujeito que tem cara de excelente pessoa? — Talvez o fosse mesmo, e ficasse irritado com sua bebedeira... — Não.
Essa gente é assim mesmo. Mostra uma boa cara para depois... Fez uma pausa, deixou a frase no ar e balançou a cabeça
em sentido negativo. Acrescentou: — Parece que o fulano descobrira um filão mas não tinha dinheiro para explorá-lo.
Além disso, não era mais muito moço... Irish ouvia vivamente interessada. Clark continuou dizendo: — Eu arranjaria o
dinheiro necessário para a exploração e faria o trabalho mais pesado. Racharíamos os lucros... 24 — E ele temeu que
não respondesse. Assim, levou o dinheiro, não? Se o viu embriagado, não é de espantar... Falavam de Clark Jackson
como de uma celebridade — acrescentou, com entonação maliciosa. — Está bem, jovenzinha. Mereço que zombem de
mim... — Não o merece. Não queria magoá-lo, pelo menos não deveria. — Respondeu ela, sinceramente arrependida .
— Está bem. Não chore agora, Sou muito sensível e ficaria comovido, sendo então capaz de qualquer asneira, como por
exemplo, pedir-lhe que se casasse comigo. — Jamais me casarei com um bêbado. O resultado é funesto. — Então
continuarei bebendo e sendo livre. — Tome cuidado. Nem todas as mulheres são como eu. Alguma pode aproveitar-se
de sua bebedeira e, quando voltar a si, já estará casado. — Demônios! Não tinha pensado nisso! — Não deve ficar
espinhado com o que lhe fez o fulano. Vendo que não podia fazer fortuna, ele se limitou a tirar-lhe o dinheiro que tanta
falta lhe fazia. Não ia ficar esperando que o senhor voltasse de boas... — É um verme imundo! Não o desculpe, por
favor... — Talvez quando achar ouro lhe devolva seu dinheiro... 25 — Não terá oportunidade porque antes hei de meter-
lhe no corpo mais chumbo do que suportar... — Já vem o selvagem novamente! — exclamou ela. Clark levantou-se,
esmagou o resto do cigarro no chão e disse: — Vamos mudar de assunto? Apalpou a roupa dela e anunciou: — Já está
tudo seco, menos a jaqueta... Mas agora não precisa disso. Armarei seu anteparo, você veste suas roupas e iremos ao
acampamento. Já perdemos tempo demais. — Pode seguir seu caminho, se receia não chegar a tempo de matar o
homem que persegue. Estando comigo, eu não o permitirei. — Não falemos nisso por ora. Você precisa de mim, Irish. E
acho sua companhia agradável, embora se meta muito na minha vida. Esta solidão pesa um pouco. Armou o anteparo e
disse: — Vamos, vista-se. Iremos a seu acampamento, ver se restou algo por lá. Depois aproveitaremos para percorrer
alguns quilômetros antes que venha a noite. — E se levaram meu cavalo? — perguntou ela, com expressão angustiada.
— Seriam mais capazes de assassiná-la que roubar um cavalo, muito menos em lugar tão.

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