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Unidade 3

O documento aborda os fundamentos da educação inclusiva, destacando a importância de políticas de inclusão, currículo inclusivo e adaptações curriculares. Enfatiza que o currículo deve ser flexível e atender à diversidade dos alunos, promovendo a equidade no acesso ao conhecimento. O Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) é apresentado como uma abordagem que busca planejar o currículo para atender a todos os estudantes desde o início.

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Unidade 3

O documento aborda os fundamentos da educação inclusiva, destacando a importância de políticas de inclusão, currículo inclusivo e adaptações curriculares. Enfatiza que o currículo deve ser flexível e atender à diversidade dos alunos, promovendo a equidade no acesso ao conhecimento. O Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) é apresentado como uma abordagem que busca planejar o currículo para atender a todos os estudantes desde o início.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

CAMPUS UNIVERSITÁRIO PROF. ALBERTO CARVALHO


DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA


2025/2

Profª Drª Adriana Alves Novais


Conteúdos 3ª Unidade

• Políticas de inclusão e Currículo Inclusivo-


Flexibilização, adaptação curricular e o DUA
• O Plano de Ensino Individualizado
• Tecnologias Assistivas e recursos pedagógicos
inclusivos
• Público da educação especial: seminários temáticos
Currículo: conceito, disputas e inclusão

• Currículo: concepções (tradicional, tecnicista, crítico e


inclusivo);
• Currículo como construção social, cultural e política;
• Inclusão, diversidade e equidade no currículo escolar.
Currículo, poder e inclusão
O currículo é compreendido como uma construção histórica, social e
política, marcada por disputas de poder e por escolhas que definem
quais conhecimentos são legitimados na escola.
Autores como Gimeno Sacristán (2000) e Apple (2006) evidenciam que
o currículo não é neutro: ele seleciona saberes, produz identidades e
pode reforçar desigualdades.
Na perspectiva da educação inclusiva, Mantoan (2003, 2015) defende
que currículos rígidos e padronizados operam como mecanismos de
exclusão, ao desconsiderarem as diferenças como constitutivas do
processo educativo. Assim, pensar currículo e inclusão implica
questionar a lógica da homogeneização e assumir a diversidade como
princípio pedagógico.
Para refletir...

Quando o currículo diz que todos devem


aprender a mesma coisa, da mesma forma e
no mesmo tempo, quem fica de fora?
Currículo e práticas pedagógicas inclusivas
• Currículo como invenção.
• De que currículo estamos falando quando tratamos de currículo
Inclusivo?
• Qual o objetivo da escola?
• Currículo igual para todos mesmo?
• Garantia de direitos é garantia de acesso aos mesmos conhecimentos
e condições de aprendizagem com equidade.
• Atenção: currículo não é só conteúdo!
Adaptações curriculares: sentidos e práticas

• Conceito de adaptações curriculares;


• Adaptações de acesso ao currículo;
• Adaptações nos objetivos, conteúdos, metodologias e
avaliação?
• Adaptar é cortar?
Direito à educação
Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica
(2001): art. 8º: Escolas da rede regular de ensino devem prever e prover
na organização de suas classes comuns:
III – flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o
significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias
de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação
adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam
necessidades educacionais especiais[...].

LBI (Lei 13.146/2015): garante acesso, participação e aprendizagem.


BNCC (2017): estabelece um currículo comum, mas flexível.
• III – projeto pedagógico que institucionalize o atendimento
educacional especializado, assim como os demais serviços e
adaptações razoáveis, para atender às características dos
estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao
currículo em condições de igualdade, promovendo a
conquista e o exercício de sua autonomia (LBI, 2015, Cap. IV,
Art. 28).
Adaptações curriculares: acesso, participação
e aprendizagem
As adaptações curriculares são discutidas a partir de uma concepção ampliada
de acesso ao currículo, não como redução de conteúdos, mas como
reorganização pedagógica que possibilita a participação e a aprendizagem de
todos os estudantes.
Mantoan (2003) enfatiza que adaptar não significa empobrecer o ensino, mas
diversificar estratégias e percursos.
Pletsch (2009) e Glat e Blanco (2007) reforçam que as adaptações devem
incidir sobre objetivos, metodologias, recursos e formas de avaliação,
garantindo a permanência do estudante no currículo comum.
O foco desloca-se do déficit do aluno para a responsabilidade pedagógica da
escola.
Flexibilização curricular e avaliação inclusiva

• A flexibilização curricular é entendida como estratégia de justiça


curricular, ao reconhecer que os estudantes aprendem em tempos,
ritmos e modos distintos.
• Sacristán (2013) defende que currículos flexíveis ampliam as
possibilidades de participação e aprendizagem significativa.
• No campo da avaliação, Luckesi (2011) critica práticas avaliativas
classificatórias e excludentes, propondo uma avaliação diagnóstica e
formativa.
• Articulada à inclusão, a avaliação deve acompanhar processos, valorizar
avanços e orientar intervenções pedagógicas, conforme defendem
Esteban (2008) e Mantoan (2015).
O que é preciso?

• Escuta sensível: olhar para o outro (Barbier)


• Nem sempre o estudante verbaliza. É preciso enxergá-lo!
• Por onde começar? Como agir?

A partir daí vem a busca por estratégias e condições para que


ele saia de um nível e consiga fazer sozinho (Vygotsky).
Flexibilização versus Adaptação

 Flexibilizar é potencializar o aprendizado de todos os


estudantes, não só dos alunos público-alvo da educação
especial;
É ajustar métodos, estratégias e recursos para todos. É
ferramenta de inclusão, não uma perda de qualidade.

 Adaptação: é individual, são ajustes mais específicos para


atender alunos com necessidades complexas ou que requerem
objetivos de aprendizagem diferenciados. Mas sem o risco de
diminuir, cortar, determinar o que cada um pode ou não.
Resumindo...
• Estudante padrão não existe, cada pessoa é diferente, ninguém
aprende exatamente da mesma maneira;
• Flexibilização curricular: o que é e o que não é;
• Considerar tempos de aprendizagem;
• Currículo é caminho. Vai além do conteúdo e do planejamento
do professor;
• Avaliação inclusiva: processos, instrumentos e critérios.
Atenção!
• Adaptar não é minimizar. Não é possível determinar o
que um aluno pode ou não.
• O foco é dar acesso ao currículo!
• Abordar o mesmo conteúdo e atividades de formas e
níveis diferentes, mas sem esperar que todos
aprendam e dominem o conteúdo da mesma forma.
• É preciso recriar, ressignificar a aula para que todos
caibam nela.
Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA)
• O Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) constitui uma
abordagem pedagógica que busca planejar o currículo desde o início
para atender à diversidade de estudantes, reduzindo a necessidade
de adaptações posteriores. Fundamentado nas pesquisas do Center
for Applied Special Technology (CAST), o DUA parte do princípio de
que a variabilidade é uma característica inerente aos sujeitos e não
uma exceção.
• Propõe que objetivos, métodos, materiais e avaliações sejam
organizados de forma flexível, garantindo acesso, participação e
aprendizagem para todos.
• Dialoga diretamente com a educação inclusiva ao deslocar o foco do
aluno para o currículo, compreendendo que muitas barreiras à
aprendizagem são produzidas pela própria organização do ensino.
Princípios fundamentais do DUA

Múltiplos meios de • “por que aprender”, reconhecendo diferentes


interesses, motivações e formas de
engajamento envolvimento dos estudantes;

Múltiplos meios de • “o que aprender”, oferecendo diferentes


formas de apresentar os conteúdos (visual,
representação auditiva, textual, multimodal);

Múltiplos meios de • “como aprender”, possibilitando diversas


maneiras de os estudantes demonstrarem o que
ação e expressão aprenderam.
• No contexto brasileiro, o DUA articula-se às políticas de
educação inclusiva, à Política Nacional de Educação Especial
na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e à BNCC, ao
defender a flexibilização curricular, a equidade e o direito de
aprender de todos os estudantes.
• Ao incorporar o DUA ao planejamento pedagógico, a escola
avança de uma lógica reativa — baseada em adaptações
pontuais — para uma lógica preventiva e inclusiva,
fortalecendo o currículo comum e a justiça educacional.
Atividades Fragmentadas
Ações adaptativas
Instruções Curtas e Objetivas Dividir a tarefa em pequenas partes.
Evite instruções longas ou com • Copiar o título
muitas etapas de uma vez. • Fazer a primeira pergunta
• Faça pequenas pausas para verificar se
Por que ajuda: o aluno está acompanhando
Facilita compreensão, já que
muitos estudantes com TEA têm • Por que ajuda?
dificuldade em processar • Reduz sobrecarga cognitiva
linguagem complexa. • Dá sensação de progresso
• Mantém o aluno engajado
Avaliação
E os resultados?
• Engajamento do aluno que antes não participava.

• Turma demonstrou mais cooperação, mais empatia.

• Pequenas mudanças no planejamento, grandes impactos.

Todos ganham
Turmas
heterogêneas

Resistência às Turmas numerosas


mudanças

Necessidades Quais os Tempo reduzido


muito diferentes
desafios?

Falta de formação
Falta de recursos.
ou apoio.

Medo de “não
dar conta”.
O que já se apresenta no horizonte educacional
mundial?

Educação inclusiva para todos!


Estudo de caso:
A partir do perfil de Lucas, discutam:
• Quais barreiras curriculares estão presentes nesse contexto?
• Que adaptações curriculares podem ser realizadas sem excluir Lucas
do currículo comum?
• Como o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) pode
contribuir para o planejamento dessa turma?
• Que ações de planejamento colaborativo seriam necessárias entre
professora regente, AEE e coordenação?
• Como a avaliação pode ser reorganizada para favorecer a
aprendizagem de Lucas?

Atividade para a próxima aula

Assistir ao vídeo disponível em: #TVdoMEC | Inclusão para Valer – EP


03
Oficina de planejamento inclusivo:
• Em duplas ou trios: elaborar um pequeno plano de aula
considerando:
• Objetivo comum;
• Estratégias diferenciadas;
• Possíveis adaptações e flexibilizações;
• Atuação colaborativa dos profissionais.
Finalizando

Flexibilizar e adaptar não é fazer menos, é fazer com


sentido para cada estudante, é garantir o direito de
aprender.

Pequenas mudanças já produzem grandes resultados.


Reflexão final

• A inclusão não começa no estudante, começa no currículo e nas


escolhas pedagógicas que fazemos todos os dias.

• Pensar currículo na perspectiva inclusiva é assumir que ensinar todos


exige ensinar de modos diferentes, sem abrir mão do direito ao
conhecimento.”
Próxima aula:
1. O Plano de Ensino Individualizado
2. As múltiplas inteligências (Gardner, 1980)
3. Tecnologias Assistivas
4. Recursos pedagógicos para o estudante público da Educação
Inclusiva
5. Orientação para seminários temáticos
Referências
• APPLE, Michael W. Ideologia e currículo. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
• BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 23 dez. 1996.
• BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008.
• BRASIL. Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional
especializado e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 nov. 2011.
• BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
• ESTEBAN, Maria Teresa. O que sabe quem erra? Reflexões sobre avaliação e fracasso escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2008.
• GLAT, Rosana; BLANCO, Leila de Macedo Varela. Educação especial no contexto da educação inclusiva. In: GLAT, Rosana (org.).
Educação inclusiva: cultura e cotidiano escolar. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007. p. 15–35.
• GLAT, Rosana; PLETSCH, Márcia Denise. Inclusão escolar de alunos com deficiência intelectual: desafios e possibilidades. Rio de
Janeiro: EdUERJ, 2012.
• LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
• MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.
• MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Educação inclusiva: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2015.
• SACRISTÁN, José Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
• STAINBACK, Susan; STAINBACK, William. Inclusão: um guia para educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999.
Até a próxima!

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