0% acharam este documento útil (0 voto)
13 visualizações24 páginas

Documento

A história narra a origem de Eclipse, a guardiã do Tempo e Espaço, que renasce após sua morte como uma humana comum chamada Ste. Ao longo de sua jornada, ela treina sob a tutela de um deus, enfrenta desafios e forma laços com Neo, outro guardião, culminando no nascimento de seu filho, Eduardo, que traz uma nova esperança ao universo. A narrativa explora temas de amor, sacrifício e a complexidade do tempo e espaço.

Enviado por

luizamachado2909
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
13 visualizações24 páginas

Documento

A história narra a origem de Eclipse, a guardiã do Tempo e Espaço, que renasce após sua morte como uma humana comum chamada Ste. Ao longo de sua jornada, ela treina sob a tutela de um deus, enfrenta desafios e forma laços com Neo, outro guardião, culminando no nascimento de seu filho, Eduardo, que traz uma nova esperança ao universo. A narrativa explora temas de amor, sacrifício e a complexidade do tempo e espaço.

Enviado por

luizamachado2909
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

A Saga dos Primos Rivais

Origem da Eclipse

Narrado por Eduardo, anos depois

CAPÍTULO 1 – A Mulher que Morreu Duas Vezes

Antes de aprender a segurar uma espada, antes de ouvir meu nome


ecoar em bocas de deuses, antes mesmo de abrir os olhos pela
primeira vez… existiu uma mulher comum.

Minha mãe.

Não a Eclipse.

Não a guardiã do Tempo e Espaço.

Mas Ste, uma humana que acordava cedo, dava bronca em alunos
bagunceiros e jurava que café era magia em estado líquido.

Às vezes ela me contava sobre a vida antiga dela.

Outras vezes… a voz falhava.

Nem toda ferida temporal é visível.

1.1. Uma sexta-feira que não devia existir

Ela dizia que tudo começou numa tarde chuvosa, daquelas em que as
nuvens parecem sussurrar segredos.

O guarda-chuva mal aguentava o vento, e ela, exausta da semana,


decidiu dar um pequeno desvio para comprar chá.

“Um chá de frutas vermelhas resolveria minha vida”, ela ria.

Eu imagino ela assim: passos leves, mochila nas costas, pensando em


corrigir provas no fim de semana.

Foi quando o som apareceu.

Primeiro o motor.

Depois o pneu deslizando no asfalto molhado.

Depois o impacto.

Ste voou da calçada como se o mundo tivesse puxado o chão debaixo


dos pés.

No instante em que caiu, não sentiu dor.

Sentiu medo.
Um medo tão forte que a mente dela gritou:

“Eu não quero morrer. Minha vida é perfeita. Deixem eu continuar.”

E alguém respondeu.

1.2. O Deus sem nome

Quando a visão dela escureceu, uma luz rasgou o vazio.

Não era branca.

Não era dourada.

Era… viva, como se a própria realidade estivesse respirando.

Dessa luz saiu uma voz que não tinha som.

Ela não ouviu pelos ouvidos.

Ouviu pela alma.

— Ste… você quer viver?

Ela tentou falar, mas não tinha mais corpo.

— Posso te dar outra chance. Mas não como humana.

Você renascerá em outro mundo. E será minha guardiã das Linhas do


Tempo e Espaço.

Ela não entendeu nada, mas respondeu o que qualquer pessoa diria
ao ser arrancada da morte:

— Eu aceito.

E assim, minha mãe morreu.

E renasceu em um mundo que não tinha chão, nem céu, nem direção.

O Reino do Entre-Tempos.

CAPÍTULO 2 – A Criação de Eclipse

Se eu fechar os olhos, consigo sentir o que ela descrevia.

O Reino onde renasceu parecia tecido por lembranças de mundos que


nunca existiram.

Linhas brilhantes atravessavam o ar como rios flutuantes.

Portais se abriam e fechavam como batimentos cardíacos do


universo.

Ela estava deitada numa superfície que não era sólida, mas também
não era líquida.
E uma figura surgiu.

O Deus que a salvou.

Ele vestia um manto feito de constelações.

O rosto nunca era o mesmo — mudava como horas do dia — mas os


olhos eram sempre iguais: azuis como o centro do tempo.

— Seja bem-vinda, Eclipse.

— Eclipse? — ela perguntou, confusa.

— Ste morreu no seu mundo. Aqui… você recomeça.

E assim ela ganhou um novo nome.

Um novo destino.

E uma nova vida.

CAPÍTULO 3 – O Treinamento Entre Eras

Minha mãe sempre descrevia essa fase como “os dez anos mais
longos e mais curtos da minha existência”.

Isso porque, no Reino do Entre-Tempos, tempo não funciona.

Às vezes ela treinava por uma semana que durava 30 minutos.

Às vezes por uma hora que durava seis meses.

O Deus a ensinou tudo:

Manipular tempo

• acelerar segundos

• congelar momentos

• atrasar eras inteiras

Manipular espaço

• abrir portais

• fragmentar distâncias

• caminhar no vazio entre mundos

Combate temporal

Essa era a parte que ela odiava no começo.

O Deus criava criaturas feitas de horas destruídas, monstros


originados de futuros que foram apagados.
Eles se moviam em velocidades diferentes.

Alguns em câmera lenta.

Outros tão rápidos que pareciam piscar.

E minha mãe… tinha que enfrentá-los.

A primeira luta dela foi horrível.

Ela tremia.

A criatura avançou.

O treinamento exigia sangue.

Ela segurou um bastão temporal como se fosse uma régua da escola.

E quando golpeou, o bastão atravessou a criatura, que explodiu em


poeira de relógio.

A cada batalha, ela ficava mais forte.

Mais rápida.

Mais consciente.

Aos poucos, Ste desapareceu.

Nasceu Eclipse, a guardiã aprendiz que um dia mudaria todo o meu


destino.

Mas durante anos… ela esteve sozinha.

Até o dia em que ele apareceu.

CAPÍTULO 4 – Neo, o Guardião que Não Devia Existir

Minha mãe dizia que o universo gosta de ironias.

E a maior delas foi o primeiro encontro entre ela e Neo.

Ela estava numa missão complexa: costurar duas linhas do tempo


que estavam se chocando.

Um erro simples — um cálculo feito com pressa — e o portal abriu do


lado errado.

Minha mãe caiu.

Literalmente.

E despencou no vazio.

Mas antes que sumisse para sempre, uma mão segurou seu pulso.
Uma mão quente.

Firme.

Como se tivesse sido feita exatamente para estar ali.

— Caiu do portal errado, guardiã? — disse uma voz com humor suave.

Era ele.

Neo.

Cabelo escuro, olhar calmo, uniforme desgastado.

Tudo nele parecia treinado demais para ser descuidado… e, ao


mesmo tempo, humano demais para ser um deus.

Ele puxou ela de volta com facilidade.

— Deixa eu adivinhar… primeira missão sozinha?

— Segunda — ela respondeu, irritada. — E a primeira foi pior.

Neo riu.

Uma risada curta, bonita, que ela odiou ter gostado.

E naquele instante, minha mãe percebeu algo que tentava negar:

Ela não estava mais sozinha no universo.

Parte II – Ecos que Não Morrem

O tempo não corria naquele lugar.

Entre dobras invisíveis do espaço, Eclipse treinava sozinha, repetindo


o mesmo movimento há horas. Seus pés tocavam plataformas de
energia suspensas no vazio, enquanto as mãos desenhavam símbolos
temporais no ar. Cada erro fazia a realidade ao redor tremer, como se
o próprio universo estivesse testando seus limites.

Ela respirava fundo.

Concentrava-se.

E tentava outra vez.

— Mais rápido.

— Mais preciso.

A voz ecoou atrás dela.

Eclipse se virou num salto defensivo, invocando um arco de energia


temporal — mas parou no mesmo instante.
Neo estava ali.

Encostado em uma estrutura de luz antiga, observando-a com a


calma habitual. Seus olhos não julgavam. Apenas analisavam.

— Você demorou dois segundos a mais do que deveria — disse ele,


aproximando-se. — Em uma ruptura real, isso te custaria a existência.

Eclipse cerrou os dentes.

— Eu não sou você.

— Ainda — respondeu Neo.

Ela atacou.

O golpe veio rápido, rasgando o espaço como uma lâmina invisível.


Neo desviou girando o corpo, abriu um portal sob os próprios pés e
reapareceu atrás dela, segurando seu pulso antes que o segundo
ataque fosse conjurado.

A energia dos dois colidiu.

O vazio explodiu em fragmentos de luz.

Eles se separaram ofegantes.

Não havia ódio ali.

Havia algo mais perigoso: respeito em formação.

Treinamentos e Silêncios

Com o passar das eras, Eclipse e Neo passaram a dividir missões.


Reparavam linhas do tempo colapsadas, enfrentavam criaturas que
existiam fora da causalidade, selavam paradoxos vivos.

Cada combate era brutal.

Em uma dessas missões, uma entidade conhecida como Cronófago


emergiu de uma falha temporal — uma criatura feita de segundos
mortos e futuros devorados.

Ela atacou Eclipse primeiro.

O impacto lançou a deusa contra uma muralha de tempo congelado.


O mundo ao redor começou a envelhecer e rejuvenescer ao mesmo
tempo.

Neo avançou sem hesitar.

Ele lutava diferente.

Onde Eclipse era impulso, ele era cálculo.


Onde ela explodia, ele moldava.

Juntos, pela primeira vez, sincronizaram seus poderes.

Eclipse prendeu a criatura num loop temporal.

Neo comprimiu o espaço até que o Cronófago colapsasse em si


mesmo.

Quando tudo terminou, eles ficaram ali, sentados sobre uma dobra do
tempo, observando eras passarem como poeira.

Nenhum dos dois falou.

Mas algo havia mudado.

A Chegada de Loonk

Foi durante um período raro de descanso que Eclipse sentiu a


distorção.

Uma presença familiar… mas impossível.

O ar se rasgou, e das chamas surgiu um homem de cabelos escuros,


marcas luminosas pelo corpo e olhos que carregavam algo além da
vida.

— Demorou pra me reconhecer, irmã?

Eclipse ficou imóvel.

— …Loonk?

Ele sorriu. Um sorriso cansado.

Ela correu até ele, abraçando-o com força suficiente para fazer o
espaço vibrar.

— Você… você morreu.

— Eu sei.

Eles se afastaram.

Loonk explicou.

Um ano e meio depois de Eclipse ter deixado aquele mundo, uma


tempestade sobrenatural caiu sobre o reino. Um raio — não comum,
mas carregado de energia divina — o atingiu em cheio durante uma
batalha.

Ele morreu.

Mas não desapareceu.


Uma entidade do fogo primordial o resgatou no instante final,
oferecendo-lhe um novo papel: campeão do fogo eterno, preso entre
vida e pós-existência.

— Eu não envelheço mais — disse ele. — Mas também não pertenço


totalmente a lugar nenhum.

Eclipse passou eras ao lado do irmão.

Riram.

Treinaram juntos.

Lembraram da vida antes da eternidade.

Loonk conheceu Neo.

Observou.

Testou.

E aprovou — mesmo sem dizer.

— Cuida dela — foi tudo o que falou antes de partir.

Quando a Eternidade Aprende a Amar

Depois da partida de Loonk, o silêncio entre Eclipse e Neo mudou de


peso.

Eles começaram a se procurar.

Não por missão.

Mas por vontade.

Passavam tempo juntos em linhas seguras, conversavam sobre o que


eram antes de se tornarem deuses. Eclipse falava de sua vida
humana. Neo, de eras que ele já havia perdido.

O amor não nasceu de repente.

Ele cresceu.

Quando finalmente se permitiram, foi simples. Sem promessas


grandiosas. Sem cerimônia.

Mas verdadeiro.

Com o tempo, vieram os planos.

E depois… o pedido.

O casamento aconteceu fora do fluxo do tempo, sob o Relógio das


Eras, onde nenhuma linha poderia apagar aquele momento.
A Descoberta

Não foi um presságio.

Não foi uma visão.

Foi o corpo de Eclipse que mudou.

A energia ficou instável. Diferente.

Mais viva.

Neo percebeu primeiro.

Eles confirmaram juntos.

Silêncio.

E então… lágrimas.

A gravidez de uma guardiã do Tempo e Espaço não era apenas rara —


era perigosa. Para eles. Para o universo.

Mas Eclipse colocou a mão sobre o ventre e sentiu.

Vida.

— Ele vai nascer — disse ela. — Não importa o custo.

Neo assentiu.

E o universo, mais uma vez, teve que se adaptar.

PARTE II — O NASCIMENTO DE UMA ERA

Capítulo 1 — A Noite em que o Tempo Prendeu a Respiração

Era noite.

Não uma noite comum — o céu estava pesado, coberto por nuvens
espessas que giravam lentamente, como se o próprio firmamento
estivesse observando aquele momento. O vento soprava baixo,
constante, fazendo as folhas do Ninho Temporal dançarem em círculos
lentos. Não havia lua visível. Apenas um brilho suave, azulado, que
vinha das engrenagens invisíveis do tempo ao redor daquele lugar
fora das eras.

Eclipse estava deitada.

Seu corpo tremia não de medo, mas de energia. Cada contração fazia
o ar ao redor ondular, rachando o espaço como vidro fino. O poder
que ela carregava sempre fora imenso — mas agora havia outro
poder dentro dela, crescendo, reagindo.
Neo estava ajoelhado ao lado, segurando sua mão com força.

— Calma… — ele dizia, mesmo sabendo que o universo inteiro


parecia incapaz de obedecer àquela palavra.

O tempo desacelerou por instinto. Não por escolha. O próprio Neo não
percebeu quando fez isso. As engrenagens das eras giravam mais
devagar, como se dessem espaço para aquele nascimento acontecer.

Quando o choro ecoou, não foi apenas som.

Foi luz.

Uma luz dourada e branca explodiu suavemente pelo ambiente,


iluminando as nuvens, atravessando dimensões, fazendo deuses
antigos abrirem os olhos em tronos distantes.

O bebê nasceu envolto em asas pequenas, quase translúcidas, que


tremulavam instintivamente.

Eclipse chorou.

Neo caiu sentado no chão, incapaz de falar.

Ali… nascia Eduardo.

Capítulo 2 — O Primeiro Amanhecer

O amanhecer naquele lugar não vinha do sol.

Ele vinha do relógio das eras, que projetava uma luz quente quando
um novo ponto fixo surgia no fluxo do tempo. Naquela manhã, o
brilho estava mais intenso do que nunca.

Eduardo dormia tranquilo, envolto em mantos que reagiam à sua


energia, mudando de cor conforme sua respiração. A cada inspiração,
pequenas faíscas de luz escapavam de suas asas.

Eclipse observava em silêncio.

Ela estava exausta, mas não conseguia dormir. Seus olhos percorriam
cada detalhe do filho: os dedos pequenos, o peito subindo e
descendo, a forma como o espaço parecia se ajustar ao redor dele,
como se o aceitasse.

— Ele… é estável — murmurou ela.

Neo assentiu.

— Estável… mas profundo. O tempo não o rejeita. Isso nunca


aconteceu antes.
O vento da manhã passou pelo Ninho Temporal, trazendo um cheiro
leve de chuva distante. Eclipse fechou os olhos por um instante,
sentindo algo que não sentia havia séculos.

Paz.

Capítulo 3 — O Primeiro Ano

Os meses passaram como ondas suaves.

Eduardo crescia rápido, mas não de forma antinatural. Seus primeiros


sorrisos faziam o ar vibrar. Seus choros criavam pequenas distorções
no espaço, que Eclipse corrigia com um simples gesto.

À noite, quando o céu assumia tons violeta e o vento ficava frio, Neo
costumava caminhar com o filho nos braços, andando em círculos
lentos pelo Ninho.

— O tempo não corre aqui — ele dizia baixinho. — Mas você corre…
cresce… e isso é bom.

Durante o dia, Eclipse treinava.

Ela se afastava para áreas seguras do fluxo temporal, onde o céu era
claro e o chão parecia feito de vidro líquido. Seus treinos eram
intensos: manipulação de linhas do tempo, combate contra entidades
instáveis, reconstrução de eventos quebrados.

Sempre que voltava, Eduardo parecia sentir.

Mesmo bebê, ele reagia à presença dela, abrindo os olhos, batendo as


asas pequenas, soltando sons baixos que pareciam risadas.

Era como se reconhecesse sua energia.

Capítulo 4 — O Retorno de Loonk

Era fim de tarde quando o céu escureceu de repente.

Nuvens negras surgiram rasgando o espaço, acompanhadas de


trovões secos, sem eco. Eclipse sentiu o arrepio antes mesmo do
portal se abrir.

O fogo surgiu primeiro.

Depois, a silhueta.

Loonk atravessou o portal cambaleando, o corpo marcado, o olhar


pesado. O cheiro de ozônio e cinzas tomou o ar.

— Irmã… — ele disse, a voz rouca.

Eclipse congelou.
Eles se encararam por longos segundos, enquanto o vento
aumentava, rodopiando folhas e fragmentos de energia.

— Você… — ela engasgou — você estava morto.

Loonk respirou fundo.

— Morri. Um ano e meio atrás. Um raio caiu direto sobre mim… não
era natural.

O silêncio foi cortante.

Nos dias seguintes, Loonk permaneceu ali. Passava horas observando


Eduardo dormir, às vezes sorrindo, às vezes fechando os punhos em
silêncio. Ele contou pouco sobre sua morte, apenas que algo havia
tentado apagar sua existência — e falhou.

— Esse garoto… — ele disse certa noite, enquanto o céu chovia luz
fraca — ele é o motivo de tudo isso, não é?

Eclipse não respondeu.

Mas o vento respondeu por ela.

Capítulo 5 — Dois Anos

Eduardo deu seus primeiros passos ao amanhecer.

O chão reagiu suavemente sob seus pés, criando pequenos círculos


de luz a cada passo instável. Suas asas já eram maiores, fortes o
suficiente para se abrirem quando ele caía — não para voar, mas para
amortecer.

O céu estava limpo naquele dia. Azul profundo, sem nuvens.

Eclipse ajoelhou, abrindo os braços.

— Vem… devagar.

Ele caiu. Riu. Levantou.

Neo observava de longe, sorrindo em silêncio.

Com dois anos, Eduardo já sentia o mundo de forma diferente. Reagia


às mudanças do tempo, ficava inquieto quando uma linha temporal
se rompia à distância, chorava quando o equilíbrio se alterava.

Ele não falava ainda.

Mas o universo já o escutava.

E, naquele momento, enquanto o vento passava leve, o Relógio das


Eras girou um pouco mais rápido do que deveria.
Algo… havia começado.

PARTE II — O NASCIMENTO DE UMA ERA

Capítulo 6 — As Primeiras Palavras

Era fim de tarde.

O céu do Ninho Temporal estava tingido de tons alaranjados e violeta,


como se o próprio tempo estivesse se despedindo do dia. O vento
soprava leve, trazendo consigo o som distante das engrenagens
eternas girando em um ritmo calmo. Não havia pressa naquele lugar
— apenas presença.

Eclipse estava sentada sobre uma plataforma de energia suave, com


Eduardo nos braços.

Ele já não era mais um bebê frágil. Suas asas estavam maiores, mais
definidas, ainda curtas demais para o voo, mas fortes o suficiente
para se abrirem instintivamente quando ele se agitava. Seus olhos,
atentos, seguiam tudo ao redor: a luz, o movimento do ar, o brilho
lento do céu.

Eclipse passou os dedos pelos cabelos dele, sorrindo.

— Você está pesado — murmurou, em tom brincalhão.

Eduardo balbuciou algo incompreensível. Suas mãos pequenas se


fecharam na roupa dela, e ele encostou a testa em seu peito por um
instante, como se reconhecesse ali o lugar mais seguro do universo.

Então, com esforço, levantou o rosto.

Os lábios se moveram devagar.

— …ma… ma…

Eclipse congelou.

O vento cessou por um segundo. As engrenagens do tempo


pareceram dar um pequeno salto fora do ritmo.

Ela piscou, o coração acelerando.

— O quê? — sussurrou.

Eduardo repetiu, agora mais firme, quase impaciente:

— Mama. Mama. Mama.

A voz ainda era frágil, mas clara. Repetida como se ele quisesse ter
certeza de que ela estava ali.
Os olhos de Eclipse se encheram de lágrimas. Ela o apertou contra o
peito, rindo e chorando ao mesmo tempo.

— Eu estou aqui… eu estou aqui — repetia, a voz falhando.

Eduardo se mexeu nos braços dela, curioso. Virou o rosto lentamente,


observando alguém mais ao fundo.

Neo estava a poucos passos, encostado em uma estrutura de luz,


assistindo à cena em silêncio. Ele não se aproximou. Não quis quebrar
o momento.

Mas Eduardo o viu.

Os olhos do pequeno se iluminaram. Ele estendeu os braços na


direção dele, os dedos se abrindo e fechando, pedindo colo.

E então falou, com a mesma certeza simples:

— Papa.

Neo parou de respirar.

Por um instante, o tempo realmente congelou.

Ele deu um passo à frente, quase inseguro, como se tivesse medo de


que aquilo fosse apenas um acaso. Eclipse levantou o olhar para ele,
sorrindo entre lágrimas, e estendeu o filho.

— Acho que ele sabe quem você é.

Neo pegou Eduardo nos braços com cuidado absoluto. O pequeno


segurou o colar dele, puxando com força leve, rindo.

— Papa — repetiu, satisfeito.

Neo fechou os olhos.

Não disse nada. Não conseguiu.

Mas o espaço ao redor deles se estabilizou de uma forma rara,


profunda — como se o universo tivesse reconhecido algo que não
poderia mais ser desfeito.

Capítulo 7 — Aprendendo o Mundo

A noite caiu suave naquele dia.

Luzes naturais surgiram no Ninho Temporal, flutuando como vaga-


lumes presos ao espaço. Eduardo dormiu cedo, cansado pela
novidade de usar palavras que, até pouco tempo atrás, não existiam
para ele.
Com o passar dos dias, o vocabulário cresceu.

“Mama.”

“Papa.”

Depois vieram sons que se aproximavam de nomes, risadas soltas,


tentativas de imitar o vento e o estalo do fogo quando Loonk aparecia
ocasionalmente.

Eduardo não falava como uma criança comum.

Às vezes, ao apontar para o céu, dizia sons que faziam pequenas


ondulações no ar. Eclipse observava com atenção, sempre pronta
para conter qualquer instabilidade.

Durante as manhãs, sob um céu claro e silencioso, Neo começou a


ensinar o filho a caminhar por superfícies instáveis. Plataformas que
mudavam de lugar lentamente, exigindo equilíbrio e atenção.

— Devagar — dizia ele, com paciência. — O mundo muda. Você


aprende a mudar com ele.

Eduardo caía. Ria. Tentava de novo.

Capítulo 8 — Dois Anos e Meio

Era início de manhã quando Eduardo, agora com pouco mais de dois
anos, correu pela primeira vez.

O chão respondeu com círculos de luz sob seus pés rápidos demais
para sua idade. Suas asas se abriram por reflexo, ajudando no
equilíbrio.

O céu estava limpo, azul profundo, e o vento soprava fresco, trazendo


o cheiro distante de chuva futura.

Eclipse observava à distância, sentada, os braços cruzados, orgulhosa


e preocupada ao mesmo tempo.

— Ele está acelerando — comentou.

Neo assentiu.

— O tempo aceita ele. Isso é… perigoso.

Eduardo parou de repente, olhando para o vazio. Franziu a testa,


como se sentisse algo.

Uma linha distante tremeu.

Eclipse se levantou no mesmo instante.


— Neo…

— Eu senti.

Nada aconteceu. A instabilidade cessou sozinha.

Eduardo piscou, confuso, e voltou a correr, rindo.

Mas ambos sabiam: aquilo não tinha sido imaginação.

Capítulo 9 — O Olhar dos Deuses

Naquela noite, sob um céu carregado de nuvens lentas, Eclipse ficou


acordada observando o filho dormir.

Eduardo respirava tranquilo. As asas se mexiam levemente,


acompanhando sonhos que ninguém mais podia ver.

Ao longe, fora do Ninho Temporal, algo observava.

Antigos.

Atentos.

Silenciosos.

O nascimento havia sido notado.

O crescimento… também.

E o universo, paciente como sempre, apenas aguardava o momento


certo para cobrar seu preço.

PARTE III — MARCAS NO FOGO E NO TEMPO

Capítulo 10 — 06:12 da manhã

O céu ainda estava escuro.

Nuvens baixas se moviam lentamente sobre o Ninho Temporal,


tingidas por tons azul-escuros e cinza profundo. O vento da
madrugada soprava frio, passando entre as estruturas suspensas
como um sussurro constante. As engrenagens do tempo giravam em
ritmo lento — era o horário em que o universo parecia respirar fundo
antes de acordar.

Eclipse caminhava com passos calmos, Eduardo apoiado em seu


braço esquerdo.

Ele tinha pouco mais de três anos agora.

As asas estavam maiores, bem definidas, dobradas às costas como


parte natural do corpo. Seus olhos observavam tudo com atenção
exagerada para a idade, sempre atentos aos sons, às variações do ar,
às mudanças quase invisíveis do espaço.

— Calma… — murmurou Eclipse, ajustando o peso dele. — Ainda está


cedo.

Eduardo bocejou, mas não dormiu. Ele nunca dormia completamente


quando o tempo estava instável.

E naquela manhã… estava.

Capítulo 11 — 06:14

Do nada, o ar queimou.

Não houve portal comum. Não houve aviso. Apenas o estalo seco do
fogo se dobrando sobre si mesmo — e então, chamas negras e
alaranjadas se fecharam em círculo, formando uma marca no espaço.

Loonk surgiu do centro do fogo.

O calor espalhou-se instantaneamente, fazendo o vento mudar de


direção. O cheiro de cinzas e ozônio tomou o ambiente.

Eclipse parou.

— Loonk…?

Ele não respondeu de imediato.

Nos braços, envolto em um manto improvisado, havia um bebê.

Muito pequeno. Poucos meses de vida. A respiração era curta, mas


estável. Pequenas faíscas de energia desconhecida pulsavam fracas
ao redor do corpo.

— Eu precisei vir agora — disse Loonk, a voz mais baixa do que o


normal. — Antes que fosse tarde.

Eduardo arregalou os olhos.

Ele reconhecia o som do fogo do tio. Sabia exatamente o que era


aquilo.

E, no mesmo instante, deslizou do braço da mãe, silencioso como só


ele conseguia ser.

Capítulo 12 — 06:15

Eduardo correu.
Não para longe — para trás de uma estrutura de energia, grande o
suficiente para escondê-lo. O chão respondeu aos passos leves com
círculos suaves de luz, mas ele controlou o ritmo, respirando devagar.

Ele queria assustar o tio.

Do outro lado, Eclipse se aproximava de Loonk, os olhos fixos no


bebê.

— Quem é ele? — perguntou.

— Eu encontrei ontem à noite — respondeu Loonk. — 23:47.

O fogo ainda tremulava em volta dele, instável.

— Ele estava sozinho. Em ruínas que não deveriam existir mais.

Eclipse estendeu os braços.

— Me deixa ver.

Loonk entregou o bebê com cuidado extremo.

Foi nesse instante que um estalo ecoou atrás dele.

— BUH!

Eduardo saltou para fora do esconderijo, abrindo as asas de repente.

Loonk se virou num reflexo de combate, o fogo subindo violentamente


ao redor do corpo.

— POR—

Ele travou.

Viu Eduardo rindo, correndo em círculos ao redor dele, batendo os pés


no chão.

— LOONK! LOONK! LOONK!

O fogo se apagou.

Loonk ficou parado por dois segundos… e então começou a rir.

— Moleque… — disse, passando a mão no rosto. — Você quase me fez


abrir um portal pro inferno.

Eduardo continuou correndo ao redor dele, gargalhando, repetindo o


nome como se fosse um troféu.

Eclipse observava a cena, sorrindo de leve, enquanto balançava o


bebê nos braços.

— Ele planejou isso — comentou. — Eu senti.


— Eu também — respondeu Loonk. — E isso é… preocupante.

Capítulo 13 — 06:21 — Quem é Emerson

O bebê se mexeu levemente.

Seus olhos se abriram por um segundo — escuros, profundos demais


para alguém tão pequeno.

Eclipse sentiu.

— Ele não é comum — disse. — Nem humano… nem divino por


completo.

— O nome dele é Emerson — falou Loonk.

Eduardo parou de correr.

Aproximou-se devagar, curioso. Ajoelhou ao lado da mãe e observou o


bebê com atenção silenciosa.

— Dorme — murmurou.

E Emerson se acalmou quase imediatamente.

O ar ao redor estabilizou.

Loonk respirou fundo.

— Eu encontrei ele assim…

Capítulo 14 — 23:47 (Noite anterior)

A noite era pesada.

Chovia fogo fraco naquele mundo — partículas incandescentes caindo


como cinzas lentas do céu rachado. Loonk caminhava sozinho por um
território destruído, seguindo uma marca que ele mesmo havia
deixado anos atrás, usando seu poder de fogo para se teleportar
entre pontos marcados.

Ele sentiu o choro antes de ouvir.

Um som fraco. Quase apagado.

Seguiu até o que restava de uma construção antiga. Ali, entre pedras
quebradas e símbolos apagados, encontrou o bebê.

Sozinho.

Sem proteção.

Com uma energia estranha, silenciosa, resistindo ao colapso do lugar.

— Como você ainda está vivo…? — murmurou Loonk.


Quando pegou Emerson nos braços, o fogo do ambiente recuou.

O mundo não o quis mais ali.

Loonk marcou o espaço com uma chama eterna — e teleportou.

Direto para Eclipse.

Capítulo 15 — 06:34 — Dois Caminhos

O sol artificial começou a surgir no Ninho Temporal, espalhando luz


dourada pelo céu. O vento esquentou levemente. O dia havia
começado de verdade.

Eduardo sentou ao lado de Emerson, observando-o dormir.

— Mama… — disse, baixinho. — Bebê.

Eclipse passou a mão pelos cabelos do filho.

Ela sentia no fundo da alma:

Dois destinos haviam se cruzado ali.

Um moldado pelo tempo.

Outro… pelo fogo e algo mais antigo.

E o universo, silencioso, marcava a hora.

CAPÍTULO 28 — CAMINHOS QUE SE SEPARAM, LAÇOS QUE NASCEM

06:02 da manhã | O céu ainda não decidiu

O céu do Ninho Temporal amanhecia indeciso.

Metade dele era azul pálido, a outra metade carregava nuvens


cinzentas que se arrastavam lentamente, como se o tempo estivesse
testando possibilidades. O ar estava frio, úmido, e cada respiração
soltava um leve vapor.

O campo de treino foi dividido.

Não por muros.

Mas por destino.

Eduardo e Neo — O Peso da Forma

06:17 | Plataforma Leste

Eduardo estava descalço sobre a plataforma flutuante. O metal vivo


sob seus pés reagia a cada mudança de postura, inclinando-se
levemente, exigindo atenção total.
Neo caminhava à frente dele, mãos para trás, olhar firme.

— Força sem forma é desperdício — disse. — E forma sem intenção…


é vazia.

Eduardo tinha seis anos, mas o corpo já entendia coisas que a mente
ainda tentava alcançar. As asas se abriam e fechavam em sincronia
com a respiração. Cada batida levantava pequenas correntes de ar
que faziam os estandartes ao redor ondularem.

Neo lançou três armas ao chão:

Uma espada longa,

Uma adaga curva,

E um bastão de equilíbrio.

— Escolha.

Eduardo escolheu a espada.

Neo assentiu.

O treino começou lento. Golpes simples. Cortes horizontais. Defesa


alta. Defesa baixa. Repetição. Erro. Correção.

O vento aumentou às 07:03.

Neo mudou tudo.

— Agora… sem chão.

A plataforma se desfez.

Eduardo caiu por reflexo, asas abrindo com atraso. O ar o segurou por
pouco. Ele girou, perdeu eixo, caiu mais três metros antes de se
estabilizar.

— De novo — disse Neo, impassível.

Eduardo subiu. Caiu. Corrigiu. Caiu melhor. Voou por segundos. Caiu
de novo.

Às 08:41, o suor escorria pelo rosto dele.

— Você não luta só com músculos — disse Neo, finalmente. — Você


luta com decisão. Quando hesita, o mundo cai primeiro.

Eduardo apertou o cabo da espada.

Na última tentativa, ele caiu…

E voou.
Não bonito.

Não perfeito.

Mas real.

Neo sorriu de canto.

Emerson e Loonk — O Instinto que Queima

06:19 | Fornalha Sul

Enquanto isso, do outro lado, o ar era quente.

O chão estava marcado por círculos antigos de fogo. O céu ali parecia
mais claro, como se o calor afastasse as nuvens.

Emerson estava no centro.

Quatro anos.

Olhos atentos.

Silencioso.

Loonk caminhava ao redor dele, deixando pegadas incandescentes


que se apagavam segundos depois.

— Você pensa demais — disse Loonk. — Fogo não pensa.

Emerson fechou os punhos.

— Eu não quero machucar.

— Então aprenda a conter — respondeu Loonk.

Às 07:26, Loonk pediu que ele criasse apenas calor. Sem chama. Sem
luz.

O ar começou a tremer.

Pedras ao redor racharam levemente.

— Bom — disse Loonk. — Agora… ande.

Emerson deu um passo.

O círculo de fogo se abriu sob seus pés, e ele desapareceu por um


instante, reaparecendo dois metros à frente. Dessa vez, não caiu.

Às 08:10, Loonk aumentou a distância.

Emerson falhou. Reapareceu torto. Queimou a própria manga. Não


chorou.

— De novo — pediu, sério.


Loonk cruzou os braços.

— Você não está aprendendo fogo.

— Está aprendendo sobre você.

Às 09:02, Emerson conseguiu teleportar-se cinco metros sem marcas


visíveis.

O chão ficou em silêncio.

— Um dia — disse Loonk, baixo — você vai assustar até os deuses.

Emerson apenas olhou para as próprias mãos.

11:48 | Eclipse e o Encontro

O céu mudou perto do meio-dia.

Nuvens pesadas cobriram o Ninho Temporal, e uma chuva fina


começou a cair, silenciosa, quase respeitosa.

Eclipse caminhava sozinha por um corredor entre reinos menores —


lugares onde o tempo não corria direito.

Foi ali que ela ouviu o som.

Um choro curto. Fraco. Contido.

11:53

Ela se aproximou de uma ruína antiga, coberta de musgo e símbolos


esquecidos. Dentro, protegida por um campo instável, estava uma
criança.

Uma menina.

Pequena.

Cerca de dois anos.

Tinha cabelos castanhos longos, levemente ondulados, com uma


pequena trança lateral. Seus olhos verdes eram grandes e atentos
demais para alguém tão jovem. Preso ao cabelo, um pequeno enfeite
em forma de lua crescente refletia a luz da chuva.

Ela vestia roupas claras, elegantes, em tons suaves de branco e azul,


com detalhes dourados — roupas que não pertenciam àquele lugar.

A menina não chorava mais.

Ela observava Eclipse.

— Oi… — disse Eclipse, ajoelhando.


A criança inclinou a cabeça.

— …Yasmin — disse, com dificuldade, como se o nome fosse tudo o


que ela ainda lembrava.

O tempo ao redor parou por um segundo.

Eclipse estendeu a mão.

Yasmin segurou.

O campo instável se desfez.

Às 12:01, Eclipse a tomou nos braços.

Não como deusa.

Mas como mãe.

18:37 | Dois Irmãos, Uma Nova Estrela

O sol se punha quando Eclipse voltou.

Eduardo e Emerson estavam sentados lado a lado, exaustos.

Quando viram a menina, tudo ficou em silêncio.

Yasmin olhou para os dois.

Sorriu pequeno.

— Quem…? — começou Eduardo.

— Sua irmã — respondeu Eclipse. — Se vocês aceitarem.

Emerson se aproximou primeiro.

— Ela é quente? — perguntou.

Yasmin riu baixinho.

Eduardo sorriu.

O céu escureceu de vez.

Três crianças.

Três caminhos.

Uma família que acabava de crescer.

E o tempo…

Agora tinha mais um nome para observar.

Você também pode gostar