HISTÓRIA
A REVOLUÇÃO
RUSSA (1917)
CONTEXTO RUSSO:
Questão Econômica Questão política
Desigualdades socioeconômicas
Economia ainda mantinha Monarquia absolutista
características feudais Poder centralizado
Atraso econômico Os czares tinham inúmeros privilégios,
Trabalhadores rurais pagavam Terras na mão da Czar
pesados impostos, recebiam Apoio da nobreza e do clero
baixos salários e cumpriam
longas jornadas de trabalho
Questão Social
Trabalhadores urbanos eram
População agrária
proibidos de fazer greves e
Crescente população Urbana
organizar sindicatos
Desigualdade social
Embora a servidão tenha sido abolida na
Rússia em 1861, a liberdade dos
camponeses continuou limitada, pois
eles tinham de comprar suas pequenas
terras pagando preços altíssimos aos
senhores, além de serem obrigados a
pagar elevados impostos ao Estado.
Com isso, viviam endividados, sem
dinheiro para cultivar o necessário para
sua sobrevivência.
Guerra Russo-Japonesa 1904-1905
Somava-se aos fatores
sociais, políticos e econômicos
uma crise militar. Entre 1904 e
1905, o Império Russo se
envolvera em um conflito
com o Japão pela disputa de
territórios na região chinesa
da Manchúria e na península
da Coreia.
Guerra Russo-Japonesa 1904-1905
Após a derrota sofrida pelos
russos, o Exército estava
desacreditado e enfraquecido
às vésperas da Primeira Guerra
Mundial. Além disso, o esforço
Todo esse contexto favorece uma
de guerra havia desorganizado insatisfação social que permeia a
a produção e o abastecimento sociedade russa e fomenta um anseio
do império. A necessidade de por mudanças.
pagar dívidas contraídas
durante a guerra aumentou
ainda mais as tensões internas.
A OPOSIÇÃO POLÍTICA AO CZARISMO
A crescente insatisfação levou os grupos de oposição à monarquia
absolutista do czar a organizar partidos políticos.
Criado em 1898, o Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR)
acabou se dividindo em dois grupos, que foram fundamentais para o
processo revolucionário que ocorreria posteriormente: os bolcheviques e
os mencheviques.
Durante os séculos XVIII e XIX foram feitas
várias tentativas de se propor um tipo de
reforma constitucional que limitasse os
poderes do czar, mas nenhuma delas obteve
sucesso. Foi só com os distúrbios
revolucionários de 1905 que o último czar
russo, Nicolau II (que reinou de 1894 a 1917), foi
forçado a autorizar a realização de eleições
para uma assembleia nacional consultora e
legislativa, conhecida como Imperial Duma
Estatal.
Wood, A. As origens da Revolução Russa. São
Paulo: Ática, 1991. p. 13-15.
A OPOSIÇÃO POLÍTICA AO CZARISMO
Os bolcheviques Os mencheviques
Palavra originada do russo que Ou representantes da minoria –
significa representantes da maioria – propunham uma aliança entre os
defendiam a união dos operários e trabalhadores e a burguesia para
dos camponeses para implantar o mudar a sociedade de maneira
socialismo. Tinham propostas moderada e gradual.
políticas radicais para derrubar o
czarismo.
As ações coletivas russa
Líderes dos mencheviques e dos
bolcheviques participavam ativamente das
várias manifestações populares e revoltas
dos trabalhadores contra as dificuldades
econômicas enfrentadas pela maior parte
da população russa.
O DOMINGO SANGRENTO
Em 1905, os trabalhadores de São Petersburgo e suas
famílias organizaram uma marcha pacífica em direção ao
palácio real, conhecido como Palácio de Inverno, para
entregar um conjunto de reivindicações ao czar Nicolau II.
Assinadas por milhares de operários, essas reivindicações
incluíam pedidos de anistia, de liberdades cívicas e de
melhores condições de vida, além da realização de uma
Assembleia Constituinte.
Entretanto, os manifestantes foram violentamente
reprimidos com tiros disparados pelo Exército Real. Muitas
pessoas ficaram feridas e centenas delas morreram.
O SURGIMENTO DOS SOVIETES
Esse massacre agravou a impopularidade do czar
Nicolau II e o descontentamento da população.
Uma sequência de protestos, greves e rebeliões varreu
o império. Além dos trabalhadores, soldados e
marinheiros também se rebelaram.
As manifestações eram violentamente reprimidas,
mas a população reagia. Nesse contexto, foram
organizados os sovietes, conselhos de representantes
dos trabalhadores, dos camponeses e dos soldados.
Entretanto, a guerra tensionou os recursos econômicos e militares da Rússia,
disparando um conjunto de contradições sociais e políticas que desembocaram,
no contexto de movimentos grevistas, numa grande manifestação pública, em
9 de janeiro de 1905, diante do Palácio de Inverno, em São Petersburgo, sede e
centro do poder imperial russo.
Embora não animados por propósitos revolucionários, os manifestantes foram
recebidos a bala, e a multidão dispersou-se em meio a milhares de mortos e
feridos. A matança passou para a história como o domingo sangrento, ponto de
partida para a Revolução de 1905. E ao longo desse ano, enquanto o poder
imperial parecia imobilizado ou impotente, houve uma surpreendente e notável
convergência de movimentos sociais.
Reis, Daniel Aarão. A Revolução que mudou o mundo: Rússia, 1917. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 18-19.
A DUMA
Diante das pressões geradas pelas manifestações e rebeliões, o czar
promulgou uma Constituição e convocou eleições para uma
Assembleia Nacional, a Duma (Parlamento Russo), com o objetivo de
estabelecer uma monarquia constitucional. As medidas acalmaram a
população e deram fôlego ao regime czarista.
Porém, na prática, a Duma estava submetida ao poder do czar.
A REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO
A entrada do Império Russo na Primeira Guerra Mundial,
em 1914, agravou a crise política e econômica do império.
As sucessivas derrotas nos combates, as crises de
abastecimento e o aumento descontrolado dos preços
provocaram greves e rebeliões de civis e soldados.
Em fevereiro de 1917, o czar já não tinha o controle da
nação e perdera o apoio do Exército. Diante dessa
situação, Nicolau II renunciou.
Iniciou-se, então, um governo provisório liderado pelo
Georgy Lvov príncipe Lvov. A Duma, formada por nobres e burgueses
ricos, disputava o poder com os sovietes, que visavam a
reformas sociais mais profundas.
O SOCIALISMO SOVIÉTICO
Lvov foi derrubado por Kerensky, um político moderado que contava com o
apoio dos mencheviques. As medidas tomadas pela Duma e por Kerensky
não foram suficientes para resolver o caos social e econômico.
A população exigia a reforma agrária e, também, que a Rússia se retirasse da
Primeira Guerra. Porém, a Duma defendia os interesses dos capitalistas que
apoiavam a participação do Império Russo no conflito.
O capitalismo russo, apoiado na industrialização emergente desde a segunda
metade do século XIX, mantinha salários baixos e jornada de trabalho de até
14 horas diárias. Nesse contexto, a propagação de ideias socialistas tornou-se
crescente entre intelectuais e trabalhadores da cidade e do campo.