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O artigo de Rafael de Bivar Marquese analisa a dinâmica da escravidão no Brasil entre os séculos XVII e XIX, enfocando o tráfico de escravos, alforrias e resistência. Destaca a singularidade do sistema escravista brasileiro, que integrava uma população livre de negros e mestiços, e como isso contribuiu para a estabilidade do sistema, evitando revoltas significativas. A Revolta dos Malês é mencionada como um exemplo de resistência, mas a divisão entre africanos e crioulos dificultou uma luta coesa contra a escravidão.

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O artigo de Rafael de Bivar Marquese analisa a dinâmica da escravidão no Brasil entre os séculos XVII e XIX, enfocando o tráfico de escravos, alforrias e resistência. Destaca a singularidade do sistema escravista brasileiro, que integrava uma população livre de negros e mestiços, e como isso contribuiu para a estabilidade do sistema, evitando revoltas significativas. A Revolta dos Malês é mencionada como um exemplo de resistência, mas a divisão entre africanos e crioulos dificultou uma luta coesa contra a escravidão.

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Aqui está uma explicação mais detalhada do artigo “A Dinâmica da Escravidão no Brasil:

Resistência, tráfico negreiro e alforrias, séculos XVII a XIX” de Rafael de Bivar Marquese.
Vou separar os tópicos em seções, abordando os principais argumentos e temas.

1. Introdução ao Sistema Escravista Brasileiro

• Objetivo do Estudo: O autor busca entender a dinâmica do sistema


escravista brasileiro, principalmente como o tráfico de escravos, as alforrias e as
oportunidades de resistência interagiram entre os séculos XVII e XIX.
• Referências Teóricas: O artigo utiliza as proposições teóricas de Orlando
Patterson e Igor Kopytoff, que tratam a escravidão como um processo contínuo, onde o
escravo não é apenas um “outsider” (estranho), mas se transforma ao longo da vida,
possivelmente ganhando novos status sociais, como o de liberto.

2. O Enigma de Palmares

• Palmares como Símbolo de Resistência: Palmares é descrito como o maior


quilombo da América Portuguesa, com milhares de escravos fugitivos que resistiram à
ordem colonial.
• Características de Palmares: O quilombo prosperou durante o período da
ocupação holandesa, quando houve menos controle português sobre a região.
• Questão Historiográfica: O autor questiona por que, após a derrota de
Palmares, não surgiram outros quilombos de tamanho e influência comparável. Alguns
estudiosos atribuem isso à repressão intensiva e ao papel do “capitão-do-mato”
(responsável pela captura de escravos fugitivos), que dificultou a formação de grandes
comunidades quilombolas.

3. Escravismo de Plantation e sua Dinâmica no Brasil

• Comparação com Outras Regiões: O sistema escravista brasileiro é


comparado ao modelo de plantation caribenho, caracterizado por uma economia baseada
na monocultura (açúcar) e por uma grande população de africanos escravizados.
• Diferença Brasileira: No Brasil, o sistema se diferenciava por integrar alforrias
frequentes e uma estrutura social onde a liberdade era possível para descendentes de
escravos. A escravidão não se limitava a plantações de açúcar, mas também incluía
atividades urbanas e outros setores da economia.
• Integração Social dos Escravos: A presença de escravos libertos na
sociedade criava uma população negra livre que muitas vezes se integrava ao sistema
escravista como proprietária de escravos.

4. Tráfico Negreiro e Alforrias: Um Sistema Interdependente

• Volume do Tráfico Negreiro: Entre os séculos XVII e XVIII, o Brasil recebeu


um número enorme de africanos escravizados, especialmente com a expansão da produção
de açúcar e, posteriormente, a mineração.
• Alforrias como Parte do Sistema: A alforria era comum e beneficiava
mulheres, crianças e mulatos nascidos no Brasil (crioulos) mais do que homens africanos
recém-chegados. Esse padrão ajudou a manter o sistema social estável, permitindo que
houvesse uma população livre que não ameaçasse diretamente a ordem escravista.
• Alforria como Controle Social: Ao permitir que alguns escravos se
libertassem, o sistema minimizava as tensões e controlava melhor a população escravizada,
reduzindo as chances de revoltas de grandes proporções.

5. Mineração e Resistência Escrava em Minas Gerais

• Expansão da Mineração e Aumento do Tráfico: No início do século XVIII, a


descoberta de ouro nas Minas Gerais aumentou a demanda por mão de obra escrava e
incentivou o tráfico negreiro.
• Aumento das Fugas e Formação de Quilombos: A mineração, com suas
condições de trabalho e relativa dispersão, deu aos escravos oportunidades para resistir e
fugir, formando quilombos, como o Quilombo do Ambrósio e o Quilombo Grande.
• Limites à Resistência: Embora houvesse uma quantidade significativa de
quilombos em Minas Gerais, as oportunidades de resistência foram limitadas, e não surgiu
nenhum movimento comparável a Palmares. Alguns autores sugerem que a repressão e o
incentivo à alforria foram fatores que contiveram a resistência.

6. O Sistema Brasileiro de Escravidão

• Estrutura Demográfica Única: O Brasil apresentava uma estrutura racial e


social distinta, com uma população negra e mestiça livre vivendo ao lado de uma população
numerosa de escravos e brancos. Essa configuração diferenciava o Brasil das colônias do
Caribe e do sul dos Estados Unidos.
• Impacto da Alforria na População Livre: A população negra e mestiça livre
era significativa e se integrava ao sistema escravista, com muitos adquirindo escravos. Esse
fenômeno reforçava a estabilidade social e impedia a formação de uma resistência unificada
contra o sistema.

7. As Revoltas Africanas e a Revolta dos Malês na Bahia

• Influência dos Grupos Africanos: Os africanos que chegaram ao Brasil,


especialmente da região da Costa da Mina, trouxeram influências culturais e identidades
fortes, como os nagôs, jejes e hauçás, que foram centrais nas revoltas na Bahia entre 1807
e 1835.
• Revolta dos Malês (1835): Uma das maiores e mais organizadas revoltas
escravas urbanas nas Américas, liderada por africanos islâmicos na Bahia, mas que não
teve apoio dos crioulos e mulatos nascidos no Brasil.
• Conflito Interno na População Negra: A divisão entre africanos escravizados
e seus descendentes brasileiros (crioulos e mulatos) foi um fator que dificultou uma
resistência coesa e eficaz contra o sistema escravista.

8. O Papel do Estado Nacional e a Ideologia Escravista

• Papel dos Negros e Mulatos Livres: A população negra e mestiça livre era
vista pelo governo brasileiro do século XIX como um fator de estabilidade, diferentemente
do temor das autoridades coloniais, que viam esse grupo como uma ameaça.
• Resposta à Pressão Inglesa: Durante o século XIX, o Brasil resistiu à
pressão inglesa pela abolição, argumentando que a escravidão brasileira era “benigna” em
comparação com outras regiões, enfatizando a integração dos libertos ao sistema social.
• Cidadania e Inclusão dos Libertados: A Constituição de 1824 garantiu direitos
de cidadania aos libertos nascidos no Brasil, permitindo que se integrassem ao sistema
econômico e social.

9. Conclusão

• Estabilidade do Sistema Escravista Brasileiro: O Brasil desenvolveu um


sistema escravista que integrava alforrias e a participação de negros livres, o que contribuiu
para uma estabilidade interna que impediu a ocorrência de movimentos abolicionistas
violentos.
• Legado Historiográfico: O autor destaca que, embora o sistema brasileiro
tenha sido visto como “benigno” por alguns estudiosos, ele se baseou em uma exploração
brutal e sustentou uma das maiores migrações forçadas da história.

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