UNIVERSIDADE KIMPA VITA
FACULDADE DE DIREITO
Departamento do Ensino e Envestigação da Faculdade de Direito
Opção – Direito Privado
PROJECTO DE FIM DO CURSO
A PROTEÇÃO JURÍDICA DOS DIREITOS DOS RECLUSOS COM
DEFICIÊNCIA NAS UNIDADES PENITENCIÁRIAS EM ANGOLA:
DESAFIOS NA EFETIVAÇÃO NA PROVÍNCIA DO UÍGE ( COMARCA
DO CONGO E DO KINDOKI)
Apresentado por:
Pacheco Ernesto Jaime
Orientado por: MSC. Guerra Mfumu Mavinga.
UÍGE, 2026
I. INTRODUÇÃO
A protecção jurídica das pessoas privadas de liberdade constitui um dos pilares
fundamentais do Estado Democrático e de Direito, na medida em que a restrição
da liberdade não implica a supressão dos direitos fundamentais inerentes à
dignidade humana. No contexto do sistema prisional, essa protecção assume
especial relevância quando se trata de reclusos com deficiência, grupo que, para
além da condição de reclusão, enfrenta vulnerabilidades acrescidas decorrentes
de limitações físicas, sensoriais, intelectuais ou psicossociais.
Em Angola, a tutela dos direitos das pessoas com deficiência encontra
fundamento na Constituição da República de Angola, bem como em diversos
instrumentos internacionais de direitos humanos ratificados pelo Estado, com
destaque para a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Todavia, a realidade das unidades prisionais revela que a existência de garantias
legais nem sempre se traduz na sua efectiva concretização, sobretudo no que
respeita às condições de acessibilidade, assistência médica adequada,
comunicação inclusiva e igualdade de tratamento no cumprimento da pena.
A ausência de normas específicas que regulem o tratamento dos reclusos com
deficiência no sistema penitenciário angolano, aliada a dificuldades estruturais,
administrativas e de fiscalização, tem contribuído para a persistência de práticas
que podem configurar situações de discriminação indireta, negligência
institucional e violação de direitos humanos. Assim, torna-se imprescindível
analisar de forma crítica o quadro jurídico aplicável e confrontá-lo com os
desafios enfrentados na sua implementação prática.
Deste modo, o presente trabalho tem como objectivo analisar a protecção
jurídica dos direitos dos reclusos com deficiência nas unidades prisionais em
Angola(Comarca do Kongo e do Kindoki-Uíge), examinando os principais
obstáculos que comprometem a sua efectivação, bem como apontar caminhos
para o reforço da tutela dos direitos fundamentais deste grupo particularmente
vulnerável no contexto da execução da pena.
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1.1. Objectivos
1.1.1. Geral
➢ Analisar a protecção jurídica dos direitos dos reclusos com deficiência nas
unidades prisionais em Angola(Comarca do Kongo e do Kindoki-Uíge)
1.1.2. Específicos
➢ Entender o sistema penitenciário de Angola
➢ Identificar os direitos dos reclusos com deficiência nas unidade prisionais
em Angola (Comarca do Kongo e do Kindoki-Uíge)
➢ Compreender os desafios na protecção jurídica dos Direitos dos reclusos
com deficiência nas unidades prisionais em Angola(Comarca do Kongo e
do Kindoki-Uíge).
II. Justificativa
A escolha deste tema, justifica-se pela necessidade de dar visibilidade a um
grupo duplamente invisibilzado. Academicamente, há pouca leitura jurídica
focada especificamente na relidade Angolana em particular na província do Uíge.
Socialmente, o estudo contribui para a fiscalização dos direitos humanos e para
o debate sobre a reforma dos sistema penitenciário angolano.
III. Metodologia
Certamente, o método é o caminho planejado para alcançar uma
determinada finalidade ou no intuito de puder alcançar um determinado
objectivo. A seleção dos mesmos depende de cada caso. No foque deste tema
usaremos alguns métodos que vão de acordo com o problema em apreciação.
Para alcançarmos os objectivos supracitados, usaremos a segunite metodologia:
Quanto aos objetivos da pesquisa: descritivo e explicativo; quanto a natureza da
pesquisa: qualitaiva e quantitaiva; quanto a técnica de coleta: bibiliografico,
entrevista e observação e quanto a técnica de análise de dados usaremos a
analise de conteúdo. Além dos seguintes métodos:
Indutivo: Este método possibilitará aproximação da análise dos fenómenos, do
plano mais abrangente ou geral para o particular, indo nas contestações mais
particulares das leis e as teorias.
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Dedutivo: método contrário ao indutivo. Parte do particular ao geral na análise
fenómenos, leis e teorias. Possibilitará nas Observações e generalizações, das
teorias e das leis a partir das ocorrências dos fenómenos gerais para
particulares.
Hipotético dedutivo: permitirá na percepção de algumas lacunas dos
conhecimentos, no qual formulamos as hipóteses.
Histórico: consistirão em investigar acontecimentos, antecedentes, processos,
instituições do passado para verificar sua influência na sociedade actual.
Comparativo: possibilitará no estudo das diferenças e semelhanças entre
diferentes factos, com finalidade de verificar similitudes e explicar divergências.
Analítico: servirá para análise de factos, teorias e leis.
Hermenêutico-jurídico: possibilitará na interpretação das leis ou de normas.
IV. PLANO PROVISÓRIO
CAPÍTULO I. ENQUADRAMENTO TEÓRICO CONCEITUAL
Secção I. A pena
§1. Conceio de pena
§2. Função das penas
Secção II. A Dignidade humana
§1. O princípio da dignidade da pessoa humana
§2. O desrespeito à dignidade humana do recluso deficiente
§3. Os principais problemas nos estabelecimentos prisionais em angola
Secção III. O sistema prisional angolano
§1. A legislação penitênciaria em angola
§2. Os Direitos dos de reclusos com deficiência em Angola
CAPÍTULO II. REGIME JURÍDICO DA PROTECÇÃO DOS
DIREITOS DOS RECLUSOS COM DEFICIÊNCIA EM AMGOLA
Secçao I. As garantias jurídicas dos reclusos com deficiências
§1. Garantias interncionais
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a) A Declaração Universal dos Direitos Humanos
b) Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
§2. Garantias Nacionais
a) A Constituição da República de Angola
b) Lei nº 21/12 de 30 de Julho
§3. Desafios na sua efectivação
Secção II. Estudo comparado de protecção dos direitos dos reclusos com
deficiência
§1. dos direitos dos reclusos com deficiência no sistema prisional português
§2. dos direitos dos reclusos com deficiência no sistema prisional brasileiro
CAPÍTULO III. ESTUDO DE CASO
Secção I. Técnicas e instrumentos de recolhas de dados
§1. Técnicas de recolhas de dados
§2. Instrumentos de recolhas de dados
Secção II. Apresentação e interpretação dos resultados
§1. Identificações das técnicas usadas no processamento dos dados (analise de
conteúdo)
§2. Tratamento dos dados das pesquisas segundo a técnica selecionada
SUGESTÕES
BIBLIOGRAFIA PROVISÓRIA
LEGISTAÇÕES
➢ Constituição da República de Angola de 04 de fevereiro de 2010 e a sua
revisão de 16 agosto de 2021 publicada no Diário da República de Angola,
I Série, n.º 23, de 5 de fevereiro de 2010;
➢ Declaração Universal dos Direitos Humanos de 10 de Dezembro de 1948;
➢ Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência 13 de
Dezembro de 2006;
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➢ Lei nº 21/12 de 30 de Julho Publicada no Diário da República, Série nº
149 de 30 de Julho;
➢ Lei nº 8/08 de 29 de Angosto Publicada no Diário da República, Série nº
163 de 29 de Agosto.
DOUTRINAS
➢ ANDRADE, José Carlos Vieira de. Direitos Fundamentais (artigo), in polis
Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado, Lisboa/São Paulo, vol II,
1984.
➢ RAMOS, Vasco Grandão. O Sistema Prisional Angolano. In Revista da
Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto.
➢ COMPARATO, Fábio Konder. Fábio Konder. A afirmação histórica dos
direitos humanos. 9. ed. São Paulo: Saraiva 2015
➢ GRECO, Rogério. Direitos humanos, Sistema prisional e alternativa
privação de liberdade. São Paulo: Saraiva, 2011
➢ KIRST, Carolina Pereira. O princípio da dignidade humana frente ao
sistema prisional. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 14, n.2082, 14
mar. 2009. Disponível em: [Link] Acesso em:
07/01/2026
➢ LUAMBA, Manuel. Angola: Lotação excessiva na principal cadeia de
Luanda. DW, 2018. Disponível em: [Link]
lota%C3%A7%C3%A3o-excessiva-na- principal-cadeia-de-luanda/a-
43438030. Acesso em: 07/01/2026.
➢ SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos
fundamentais na Constituição da República de Angola de 2010. [Link].
Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012