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O Racismo

O racismo é a atribuição de características biológicas a qualidades morais e comportamentais, resultando em hierarquizações entre raças. No Brasil, o racismo é um sistema social que marginaliza negros e pardos, apesar de serem a maioria da população, e perpetua desigualdades históricas. A ideia de 'democracia racial' tem minimizado a percepção do racismo, dificultando a implementação de políticas de reparação e combate à ideologia racista.

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O Racismo

O racismo é a atribuição de características biológicas a qualidades morais e comportamentais, resultando em hierarquizações entre raças. No Brasil, o racismo é um sistema social que marginaliza negros e pardos, apesar de serem a maioria da população, e perpetua desigualdades históricas. A ideia de 'democracia racial' tem minimizado a percepção do racismo, dificultando a implementação de políticas de reparação e combate à ideologia racista.

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O RACISMO

O racismo consiste na atribuição de uma relação direta entre características


biológicas e qualidades morais, intelectuais ou comportamentais, implicando sempre
em uma hierarquização que supõem a existência de raças humanas superiores e
inferiores. Fatores como a cor da pele ou o formato do crânio são relacionados a uma
série de qualidades aleatórias, como a inteligência ou a capacidade de comando.
Discursos racistas historicamente têm servido para legitimar relações de dominação,
naturalizando desigualdades de todos os tipos e justificando atrocidades e genocídios.

O racismo e as teorias racistas não surgiram do nada, elas possuem uma história
própria. Os primeiros discursos racistas derivam de uma visão teológica, são
baseados na leitura de uma série de episódios bíblicos, como aquele no qual Noé
amaldiçoa seu único filho negro, afirmando que seus descendentes seriam
escravizados pelos descendentes de seus irmãos. Essas interpretações serviram para
justificar e naturalizar relações de exploração, como a escravização do povo africano
pelos europeus. Já no século XVIII surgem as primeiras teorias racistas de cunho
científico. Da mesma forma como já fazia com as plantas e os animais, a ciência
passa a classificar a diversidade humana e, para tal, usa como critério central a
pigmentação da pele. O problema central dessa classificação é que ela conecta a essas
características físicas atributos morais e comportamentais depreciativos ou
valorativos, a depender de que “raça” se está tratando.

Carl Von Linné, naturalista sueco, foi um dos primeiros a sistematizar essa
classificação racista. Ele divide os humanos em quatro raças: a asiática, de pele
amarela e caráter melancólico; a americana, de pele morena e comportamento
colérico; a africana, negra e preguiçosa; e a europeia, branca, engenhosa e inventiva.
Esse tipo de teoria racista, que junta adeptos por décadas a fio, utilizou-se da sua
autoridade científica para justificar o tratamento de populações não-europeias como
inferiores, indignas de respeito e incapazes de governar a si mesmas, legitimando as
empreitadas colonialistas sob a Ásia, a África e as Américas. Obviamente, o
desenvolvimento da ciência foi completamente incapaz de provar qualquer tipo de
ligação entre as quantidades de melanina de um ser humano e sua
personalidade/capacidade intelectual. No entanto, elementos dessa hierarquização
seguiram intactos nos imaginários coletivos e se expressam até os dias de hoje.

Racismo no Brasil

O Brasil é um país marcado pelo racismo como sistema, uma forma de organização
social que privilegia um grupo em detrimento de outro. O genocídio dos povos
indígenas e o sequestro, escravização e desumanização dos africanos – e seus
descendentes nascidos aqui – ocupam boa parte da história do país. São fatos que
deixaram consequências profundas tanto na forma coletiva de pensar, quanto nas
condições materiais dos descendentes desses povos. Apesar de negros e pardos
constituírem a maioria da população, sua presença é minoritária nas classes sociais
mais abastadas, nos espaços acadêmicos, nos postos de chefia e nas profissões bem
remuneradas.

Nas ações do aparato repressivo, entretanto, a população negra se evidencia,


constituindo-se como maioria entre as vítimas fatais da violência policial. A
perversidade do racismo brasileiro foi suavizada durante anos através da ideia de
“democracia racial”, nascida nas Ciências Sociais, com destaque para a contribuição
de Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala (1933). A ausência de um regime
de segregação institucional – tal como ocorrera nos EUA e na África do Sul, através
do apartheid – foi subterfúgio para amenizar a força do racismo no Brasil. O mito da
democracia racial brasileira fez com que o país postergasse a adoção de medidas de
reparação – a exemplo de ações afirmativas, já há muito consolidadas nos EUA – e
de combate ativo a ideologia racista – tal como a adoção de uma perspectiva
multiculturalista no seu sistema educacional.

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