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E1 Masc

O e-book aborda a relação entre meio ambiente, sociedade e cidadania, destacando a importância do papel do cidadão na sociedade moderna. Discute a origem das sociedades humanas, os conceitos de cidadania e a interdependência entre o homem e a natureza. O conteúdo enfatiza a necessidade de uma compreensão reflexiva sobre cidadania e sustentabilidade no contexto atual.

Enviado por

Fabrício Favero
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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O e-book aborda a relação entre meio ambiente, sociedade e cidadania, destacando a importância do papel do cidadão na sociedade moderna. Discute a origem das sociedades humanas, os conceitos de cidadania e a interdependência entre o homem e a natureza. O conteúdo enfatiza a necessidade de uma compreensão reflexiva sobre cidadania e sustentabilidade no contexto atual.

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Conceitos Fundamentais

Manassés Dos Santos Silva

Você sabe qual a sua relação com o meio ambiente e a sociedade


em que vive? Provavelmente pensou em algo relacionado com a
preservação da natureza. Mas vai muito além disso, principalmente
para você como cidadão!

Sendo assim, caro estudante, o conteúdo que será tratado neste


e-book é de fundamental importância para a compreensão dos
conceitos e da relação meio ambiente e sociedade, destacando o
papel do cidadão na sociedade moderna.

Bons estudos!
Subtópicos
Sobre as sociedades humanas������������������������� 3
A origem das sociedades humanas�����������������������������������������������3
Conceitos relacionados às sociedades modernas�����������������������5
Considerações finais�����������������������������������������������������������������������8

Sociedade e cidadania��������������������������������������� 9
Breve histórico da ideia de cidadania���������������������������������������������9
Considerações finais���������������������������������������������������������������������15

Sociedade e Meio ambiente����������������������������16


A Relação homem-natureza: origens�������������������������������������������16
A relação homem-natureza: as mudanças no século 20������������21
A relação do homem-natureza: início do século 21��������������������26
Considerações finais���������������������������������������������������������������������30

Referências Bibliográficas & Consultadas���31

2
Sobre as sociedades
humanas
Neste tópico, você conhecerá um pouco sobre a origem
das sociedades humanas, as características que leva-
ram a uma sociedade moderna e um breve histórico da
ideia de cidadania.

A origem das sociedades humanas


Na evolução da linha do tempo, muitas teorias surgiram
para explicar a vida social e seu nascimento. Para enten-
der como surgiram as sociedades humanas, precisamos
compreender o conceito de “sociedade”: domínio das
relações entre indivíduos (ou grupos de indivíduos, co-
munidades) que se desenvolve à margem das relações
de poder e, em um âmbito mais moderno, que caracte-
rizam as instituições estatais.

Existem muitas teorias que tentam explicar a origem


dos Estados, que são desencadeadas por duas teorias
principais: a teoria Naturalista, em que o Estado foi for-
matado por acaso, ou seja, a partir de uma sociedade,
o surgimento do Estado é um processo natural; e a teo-
ria Contratualista, no qual o Estado foi gerado por uma
força de vontade humana manifestada através de uma
série de eventos volitivos, sendo que tais eventos foram
incentivados por uma variedade de problemas sociais,
por sua complexidade e por suas consequências, ou

3
seja, a sociedade, e consequentemente o Estado, surgiu
a partir de objetivos em comuns (Cezario, 2010).

Estudando as teorias sobre a sociedade e suas origens,


podemos observar que o ser humano tem necessidade
de viver em grupo, por desejo, segurança etc. Assim,
passamos a entender que o homem é um ser racional
e político que convive de forma organizada. Essa ne-
cessidade de convivência harmoniosa e organizada
decorre da característica humana de ter consciência e
emoções, não apenas instinto.

Faz parte do ser humano associar-se com outros que


são semelhantes a você e crescer em sociedade. À me-
dida que os grupos crescem, devido à natureza humana,
regras e líderes precisam ser desenvolvidos para que
as pessoas possam se auto-organizar. À medida que o
grupo cresce, as relações interpessoais entre os mem-
bros tornam-se mais complexas e as regras e formas
de liderança tornam-se mais abrangentes.

SAIBA MAIS
As teorias, Naturalismo e Contratualismo, procuram defender, às
suas maneiras, a origem da sociedade que, consequentemente,
fundamentou os alicerces para o surgimento do Estado. Para
conhecer mais sobre as teorias e suas características, leia o
texto Naturalismo VS. Contratualismo ou a completude de duas
teorias, de Leandro Fazollo Cezario.

4
Disponível em: [Link]
19564/naturalismo-vs-contratualismo-ou-a-completude-
-de-duas-teorias.

Conceitos relacionados às sociedades


modernas
Determinar uma data específica para o nascimento da
modernidade é uma tarefa desafiadora, pois o conceito
de “história” tem um significado imenso na sociedade
atual. Para que uma civilização seja classificada como
moderna, ela deve possuir uma historiografia que en-
fatize sua distinção e crie seu próprio relato histórico.
Essa historiografia deve reconhecer a ocorrência de fe-
nômenos históricos sem precedentes, em vez de apenas
replicar um padrão universal sem idade (Soares, 2019).
Geralmente, a civilização contemporânea é retratada
como um sistema que gira em torno da troca e da pro-
dução, ao mesmo tempo em que funciona como uma
hierarquia estruturada de posições sociais com níveis
variados de significado dentro da estrutura social mais
ampla. A atribuição desses papéis não é uniforme em
termos dos benefícios obtidos com o trabalho, que po-
dem incluir tanto a compensação financeira e o tempo
de lazer, quanto o nível de poder exercido sobre a so-
ciedade como um todo.

5
De acordo com o estudioso Antony Giddens (2001), a
modernidade é uma cultura de contradições, ou seja,
tem dois lados: por um lado, oferece enormes oportuni-
dades de riqueza, expectativa de vida, tecnologias que
melhoram as condições gerais de vida, etc., por outro
lado, preza pelo individualismo e pela manutenção de
sistemas de alta desigualdade. Segundo Giddens (2001),
o pensamento clássico parece não ter explorado adequa-
damente os aspectos duais da modernidade, oscilando
quase sempre entre o otimismo exagerado do progresso
científico e tecnológico, e o pessimismo de vislumbrar
um mundo regido pela racionalidade instrumental.

A modernidade não é inteiramente dinâmica, é também


estática, com suas reconhecidas âncoras materiais,
suas “longas prisões”, suas tradições, suas raízes, seus
arquétipos, enfim, valores e práticas antigas e modernas,
que reproduzem e reforçam o caráter contraditório do
que estamos discutindo.

A modernidade, em sua estrutura, é esse turbilhão de


contradições, sendo o lugar da produção industrial, do
conhecimento tecnológico e científico, do Estado-Nação
secular, da introspecção permanente em todos os as-
pectos da vida social e do princípio do individualismo.
Esse conjunto de características compõem o que po-
demos chamar de cultura moderna, que se realiza em
vários níveis de intensidade em cada país.

6
Um conceito manifesto nas sociedades modernas é o
conceito de “tecnociência”, que Ogiboski (2012) afirma
ser um recurso de linguagem para denotar a íntima re-
lação entre ciência e tecnologia. Porém, mais que um
simples termo, representa um conceito amplamente
utilizado na comunidade interdisciplinar de estudos
sociais da ciência e tecnologia que buscam evidenciar
a desconfiguração dos limites desse cruzamento. O
termo procura sublinhar os laços sociais das atividades
científico-tecnológicas, mantidas e afirmadas por redes
materiais não humanas.

7
Considerações finais
9 A origem das sociedades humanas modernas está
baseada nas teorias do naturalismo e do contratualismo.
9 A sociedade moderna está organizada com base no
princípio do individualismo.
9 A tecnociência é uma forma hegemônica de conhe-
cimento nas sociedades modernas.

8
Sociedade e cidadania
Neste tópico, você conhecerá o processo histórico da
ideia de cidadania e suas características dentro da
sociedade.

Breve histórico da ideia de cidadania


A palavra “cidadão” é derivada do latim “civitas”. Este
conceito pode ser rastreado até os tempos antigos. Na
civilização grega, tem conotações de república, igual-
dade e liberdade. Aristóteles descreve cidadão como
uma pessoa que tem a capacidade de exercer o poder
público e participar do processo decisório público da
cidade-estado. Aristóteles também elaborou os critérios
para obter esse status.

Nos tempos antigos, o conceito de igualdade era restrito


a um grupo limitado de homens livres, excluindo efeti-
vamente estrangeiros, escravos e mulheres. Embora a
cidadania clássica fosse altamente seletiva, Aristóteles
enfatizou que ela fornecia uma dimensão política que
permeia todos os aspectos da vida da cidade-estado
(Costa; Ianni, 2018).

Costa e Ianni (2018) defendem que os cidadãos são


aqueles que podem usufruir dos benefícios e vantagens
da vida na cidade, isto é, trata-se de um indivíduo que
participa da vida política e do processo decisório da
cidade-estado. Isso é conhecido como cidadania ativa,

9
no entanto, a capacidade de participar está diretamente
relacionada ao status de pessoa livre.

FIQUE ATENTO
Aristóteles é um dos nomes mais conhecidos entre os grandes
filósofos da humanidade. Viveu no período da Grécia Antiga e
dedicou-se aos estudos sobre diversos assuntos, como a Ética
e a Política, tendo como obras notáveis Poética, Physica, Política
e Ética a Nicômaco.

Em sua análise seminal da cidadania, Marshall (1967)


examinou a experiência histórica britânica e identificou
três categorias distintas de direitos: direitos individuais
ou civis, direitos políticos e direitos sociais. Esses direi-
tos não foram concedidos imediatamente, mas foram
obtidos gradualmente, permitindo a identificação de
épocas históricas específicas que correspondiam a
cada conjunto de direitos.

Para Marshall (1967), a cidadania moderna é um status


concedido àqueles que são membros integrais de uma
comunidade, e todos aqueles que possuem o status
são iguais com respeito aos direitos e obrigações per-
tinentes ao Estado.

Vamos saber um pouco sobre esses direitos identifica-


dos por Marshall (1967) a seguir:

z Direitos dos indivíduos ou direitos civis: abrangem


uma ampla gama de privilégios, incluindo a liberdade

10
de congregar, expressar-se, opinar, acreditar em uma
determinada religião, viajar, fazer contratos, acesso a
processos legais justos, emprego e propriedade, entre
outros. Esses direitos foram estabelecidos na Europa
durante o século 18 e desde então foram refinados e
desenvolvidos.

z Direitos políticos: abrangem o direito de voto e o


direito de concorrer a um cargo político, seja como
membro de um órgão governamental ou como eleitor
registrado. Esses direitos foram obtidos em toda a Eu-
ropa durante o século 19.

z Direitos sociais: relativos ao acesso aos benefícios


do patrimônio coletivo, como saúde, educação e previ-
dência social. Este tipo de direito garante um nível básico
de bem-estar e segurança econômica. O século 20 viu
o estabelecimento desse direito como uma conquista
europeia significativa.

REFLITA
No Dicionário de Políticas Públicas (Ferreira; Fernandes, 2013,
p. 45), afirma-se que “[...] os termos cidadão e cidadania geral-
mente remetem ao indivíduo pertencente a uma comunidade e
portador de um conjunto de direitos e deveres [...]. Que direitos
são esses? Eles mudam ao longo da história? Em que âmbito
são exercidos?”.

Isso nos faz refletir que, à medida que a tecnologia e o desen-


volvimento econômico avançam, a sociedade passa a ter uma
maior consciência ambiental e de cidadania. Essa mudança

11
gradual a cada ano do século 21 levou a uma concepção mais
reflexiva de avaliação do desenvolvimento, propondo, assim, a
sustentabilidade como fator social.

A noção de cidadania é multifacetada, no entanto, o que


exatamente isso implica? Cidadania denota o status de
membro de um indivíduo e reconhecimento dentro de
uma comunidade particular. Também está associado
a uma série de responsabilidades e privilégios que um
indivíduo deve à sociedade da qual faz parte. O conceito
de cidadania é historicamente e geralmente contextua-
lizado por uma referência espacial, que se caracteriza
pela correlação entre um indivíduo e um determinado
território, pertencente à estrutura sócio-política da área.

Isso demonstra que cidadania não é um conceito inato


e objetivo, mas sim uma ideia que a sociedade criou.
Ela ganha significado a partir de experiências comparti-
lhadas, tanto pessoais quanto sociais. Especificamente,
a cidadania representa uma identidade sociopolítica e
precisamos compreender que a identidade pessoal se
refere às qualidades e traços inerentes de alguém, en-
quanto a identidade social refere-se às características
que definem o relacionamento de alguém com outras
comunidades. Em essência, a identidade social é um
sentimento de pertencer a um coletivo maior, uma so-
ciedade (Costa; Ianni, 2018).

Existem múltiplas interdependências entre a socieda-


de e o meio ambiente, entendido como a base física e

12
territorial do desenvolvimento. Procuramos satisfazer
as nossas necessidades todos os dias e para isso re-
corremos à biodiversidade do planeta e tudo o que ela
tem para nos oferecer.

No Brasil, apesar dos notáveis ganhos de direitos após


o fim do regime militar (1964-1985), ainda há muito tra-
balho a ser feito na questão da cidadania. Ainda assim,
a cidadania permanece remota para muitos brasileiros,
pois a conquista dos direitos políticos, sociais e civis não
pode mascarar a tragédia de milhões mergulhados na
miséria, alto desemprego e grande número de analfabe-
tos e semianalfabetos – sem falar na tragédia nacional
das vítimas da violência privada e oficial.

Adquirir o direito à cidadania brasileira muitas vezes


envolve o atendimento de pré-requisitos específicos. O
conceito de nacionalidade refere-se àqueles que nascem
em uma determinada localização geográfica ou são
considerados equivalentes a tais indivíduos. No Brasil,
por exemplo, são considerados cidadãos os nascidos
no país ou filhos de pais brasileiros. O mesmo vale para
os estrangeiros que solicitaram a naturalização.

De acordo com a idade de um indivíduo, certas respon-


sabilidades e privilégios são concedidos ou esperados.
Um exemplo disso é a exigência de educação dos 4 aos
17 anos, o direito de voto nas eleições aos 16 anos e
a maioridade legal aos 18 anos. Os indivíduos que são
condenados à prisão estão sujeitos a restrições legais.

13
Seus direitos políticos são suspensos e eles são legal-
mente impedidos de exercer sua liberdade.

Para que possamos compreender melhor os nossos


direitos e deveres enquanto cidadãos, observe os se-
guintes exemplos de direitos: saúde, educação, moradia,
trabalho, previdência, lazer etc.; e de deveres: obediên-
cia à lei, eleição de governantes por voto obrigatório,
serviço militar obrigatório (para homens), pagamento
de impostos etc.

SAIBA MAIS
No Direito Brasileiro, a questão da nacionalidade brasileira é
matéria constitucional e regida pelo artigo 12 da Constituição
Federal. Esse artigo reúne os cidadãos da República Federativa do
Brasil. Para saber mais sobre a Nacionalidade Brasileira, acesse
o site do Governo Federal, disponível em: [Link]
mre/pt-br/assuntos/portal-consular/nacionalidade-brasileira.

14
Considerações finais
9 A cidadania está sempre em processo de constru-
ção contínua.
9 A cidadania corresponde a uma história criada pela
mudança social, repleta de lutas, contradições e persis-
tência para resolver problemas sociais.
9 A cidadania é uma identidade político-social que está
intrinsecamente ligada ao processo de exclusão-inclusão.

15
Sociedade e Meio
ambiente
Neste tópico, você conhecerá o processo histórico da
ideia de cidadania e suas características dentro da
sociedade.

A Relação homem-natureza: origens


Você já observou as dinâmicas da natureza? Já perce-
beu como os fluxos naturais interferem nas rotinas e
desenvolvimento de uma sociedade?

Neste tópico, você conhecerá a estreita relação e inter-


dependência entre a natureza e os padrões de forma
de vida humana, como o meio ambiente, com seus ele-
mentos físicos, químicos e biológicos, continuam se
relacionando com as sociedades.

Mesmo que por muito tempo o homem tenha erronea-


mente achado que poderia driblar e controlar a natureza
e seus processos, se torna cada dia mais perceptível
que isso não é tão fácil ou possível quanto parece.

Partindo do pressuposto “natureza não é natural”, haja


vista ser “criado e instituído pelo homem”, a concepção
de natureza é algo constituído e construído no âmbito
social, histórico e espacial. A natureza se define, em nos-
sa sociedade, por “aquilo que se opõe à cultura e esta é
tomada como algo superior e que conseguiu controlar
e dominar a natureza”. Ou seja, é tudo aquilo que tem

16
característica natural e que não apresenta intervenção
antrópica (ação humana). Dessa forma, a concepção de
natureza tem mostrado uma relação de interesse social
dos diversos grupos humanos (Gonçalves, 2002, p. 23).

Desde a formação das primeiras civilizações, é possível


perceber a intensa relação entre homem e natureza, e
como a compreensão desse meio e suas dinâmicas
mudaram o curso da história humana. Ao verificarmos
as atuais questões ambientais que preocupam a so-
ciedade e podem extinguir as diversas formas de vida,
e até mesmo tornar inabitável o nosso planeta, você
com certeza já conseguiu compreender que a relação
homem-sociedade nem sempre foi, ou é, uma relação
equilibrada e saudável. A seguir você entenderá como
essa história começou e como se perpetua até os dias
atuais.

A luta pela sobrevivência sempre foi um dos principais


motivos para que a sociedade entendesse que sua re-
lação com a natureza era indispensável. Entender os
ciclos naturais foi crucial para o desenvolvimento do
modo de vida produtivo e estável.

Você consegue imaginar nossas vidas sem o fogo para


realizar o cozimento dos alimentos? E como seria o cul-
tivo deles sem o conhecimento dos fluxos agrícolas?

É difícil imaginar nossas vidas sem esses recursos em


um mundo globalizado e cheio de tecnologias. Chega
a ser complicado até conceber que a espécie humana

17
já viveu esse momento, e que foi justamente a partir do
desenvolvendo de técnicas e conhecimento acerca da
natureza e de suas dinâmicas que foi possível chegar-
mos aos dias atuais enquanto sociedade.

A espécie do Homo sapiens surgiu no planeta Terra há


cerca de 195 mil anos e se desenvolveu principalmente
nos últimos 10 mil anos (Mendonça, 2005). Nesse período
formaram relações complexas, sociedades organizadas,
desenvolveram técnicas agrícolas, estabeleceram rela-
ções com outras espécies vivas e assim contribuíram
para a formação do conhecimento que primariamente
garantiram uma sobrevivência bem-sucedida e estável.

O Paleolítico é o primeiro e o mais extenso período da


humanidade, representando 99% da vida das sociedades
humanas. Neste período o homem começou a construir
ferramentas que auxiliam no processo de caça, mas não
dominava o fogo, não conhecia as técnicas agrícolas
e criação de animais. Esses fatores faziam com que
o homem paleolítico ainda vivesse de forma nômade.

FIQUE ATENTO
Nomadismo corresponde aos povos nômades, cujo estilo de vida
é errante ou sem destino. Já o Sedentarismo corresponde aos
povos sedentários, aqueles que escolhem um lugar para morar
e se estabelecer. Embora um estilo de vida sedentário seja o
dominante e mais prevalente em nossa espécie, ambos podem
ser encontrados em diferentes comunidades humanas hoje.

18
Entre os anos de 7 mil a.C. a 2500 a.C., ocorreu o perío-
do Neolítico, a segunda etapa da pré-história, conhecido
como Revolução Neolítica, por causa dos grandes feitos
e descobertas desse período que mudaram o curso da
humanidade. Naquele período o homem já dominava o
fogo, o que permitiu ampliar sua procura e conservação
de alimentos. Com a pedra polida, ferramentas eficien-
tes foram fabricadas, e a domesticação e criação de
animais agilizou e possibilitou as formas de transporte.

Além disso, os habitantes viviam em casas de tijolos de


barro. Sem calçadas ou ruas entre as habitações, a maio-
ria era acessada por buracos no teto e portas nas laterais
das casas, com acesso por escadas e degraus (Figura 1).

Figura 1: Çatalhöyük, 7400 a.C., Konya, Turquia – Patrimônio


Mundial da UNESCO.

Fonte: Wikimedia.

19
O desenvolvimento de técnicas agrícolas possibilitou a
rotação de culturas, permitindo que o homem passasse
de nômade a sedentário, além disso, o uso de recursos
naturais para o desenvolvimento artístico como artesa-
nato e pintura foi enorme nesse período, favorecendo
a formação das primeiras civilizações, organizadas,
complexas e com divisão de funções.

REFLITA
É possível que toda essa trajetória histórica da relação entre o
homem e o meio ambiente faça você se perguntar: como che-
gamos nesse panorama atual das questões ambientais?

É notório que o homem começou a entender que a natureza era


a base de todos os recursos naturais para o desenvolvimento
de várias atividades. O seu sucesso inicial, em relação ao co-
nhecimento dos processos naturais, levou a um entendimento
errado de que a natureza era inabalável, que ela se recuperava
sozinha e que os recursos eram inesgotáveis. Não existia uma
consciência de interligação entre homem e meio ambiente e isso
foi um dos diversos motivos que precederam o surgimento das
grandes questões ambientais.

20
O modo de vida sedentário e crescimento populacional
requereu a exploração de mais recursos naturais, e o
surgimento de cidades geraram grandes ciclos de des-
matamento e impacto ambiental. Desta forma, podemos
entender que o estabelecimento das diversas civilizações
só foi possível quando houve interação entre o homem
e o meio ambiente.


A grande mudança de sociedades matriciais
para patriarcais aconteceu quando a tecnologia
disponível deixou de ser aplicada unicamente para
a produção (agrícola e de artefatos) e passou efeti-
vamente a ser utilizada para a fabricação de armas.
Paulatinamente, as sociedades se tornaram domina-
doras. Surgiram os impérios. A ideia de dominação e
apropriação da natureza e de outros povos foi se am-
pliando e difundindo pela região que hoje correspon-
de ao Oriente Médio e Europa, de onde importamos
nosso modo de ser atual. (Mendonça, 2005, p. 59).

A relação homem-natureza: as
mudanças no século 20
A relação do homem com a natureza é o que construiu a
história das sociedades. Observamos que não existiriam
as sociedades se o homem não se permitisse interagir
com o meio ambiente. Por conta disso, discutiremos
a evolução das relações homem/natureza e quais as
mudanças que ocorreram desde o fim do período Neo-
lítico até o século 20.

21
Vamos entender, para tanto, quais etapas foram pre-
cursoras das inovações, avanços e retrocessos do sé-
culo 20. No século 17, conhecido historicamente como
Idade Moderna, as relações entre o homem e a religião
ficaram fragilizadas pela Reforma Protestante e pelo
rompimento com a Igreja Católica.

Por muito tempo a relação religiosa do homem e os


dogmas católicos impediram o homem de produzir co-
nhecimento e entender processos naturais por outros
meios que não fossem criacionistas e desejos divinos.

A ciências e o uso de recursos eram vistos como here-


sias, apesar disso, o movimento conhecido atualmente
como Revolução Científica surgiu, sendo angariado por
Galileu Galilei, que difundiu o pensamento científico, o
antropocentrismo e avanços tecnológicos importantes
que foram precursores do período posterior, a Revolu-
ção Industrial.

A Revolução Industrial teve origem na Inglaterra, no


século 18, e foi disseminada para todo o mundo, mu-
dando as formas de vida e produção, trazendo outras
configurações para a forma como o homem se relacio-
nava com a natureza.

Ainda naquele século, tivemos o desenvolvimento de


várias tecnologias em diversas áreas, como a invenção
da máquina a vapor (1778) (Figura 2), o tear mecânico
(1785), o trem a vapor (1828), entre outros. Junto a es-
ses marcos, a ciências avançava cada vez mais a ponto

22
de, no início do século 19, ocorrer a Segunda Revolução
industrial, momento de grande importância e respon-
sável por originar uma série de problemas ambientais
que permeiam até os dias atuais como, por exemplo, os
buracos na camada de ozônio e o aquecimento global.

Figura 2: Máquina a vapor.

Fonte: Wikimedia.

No século 19 o homem que já havia descoberto o petró-


leo e começava a usá-lo como combustível em diversos
processos produtivos. A energia elétrica também se
tornou a mais utilizada nos ambientes industriais e a
indústria química alavanca com o processo de destila-
ção do petróleo para gerar diversos outros produtos. A
partir daí, surgem alguns dilemas na relação do homem
com o meio ambiente.

23
Houve danos na natureza que não conseguirão ser
remediados pelo homem, a poluição e as alterações
climáticas começam a preocupar diversas sociedades.
Paralelo a isso, o mundo vive a ascensão do regime
econômico capitalista, que incentiva o consumismo e
que trouxe para natureza uma busca desenfreada de
matéria-prima, resultando também em uma enorme
produção de resíduos.

Diante das problemáticas ambientais vividas pelo ho-


mem moderno, o conceito de meio ambiente ganha outra
roupagem. Muitas conferências mundiais são realiza-
das no intuito de desacelerar a destruição do planeta
e, consequentemente, a extinção da espécie humana.
Em meados de 1972, o crescimento populacional, a
falta de saneamento e a poluição foram temas da pri-
meira Conferência das Nações Unidas em Estocolmo,
que tinha como objetivo buscar soluções para frear as
consequências geradas pela desequilibrada relação do
homem com o meio ambiente. É nesse cenário que vai
surgir um conceito que com certeza você já se deparou
muito nos dias atuais: sustentabilidade.

SAIBA MAIS
Em 1972, realizou-se a Conferência das Nações Unidas em Esto-
colmo, com a sugestão de um novo tipo de desenvolvimento, o
“Ecodesenvolvimento”, que buscava conciliar o desenvolvimento
econômico à prudência ecológica e à justiça social, fortalecendo,
assim, a consciência pública quanto aos problemas ambientais.

24
No Brasil, como consequência da Conferência de Estocolmo,
em 1973, é criada pelo Decreto nº 73.030, de 30 de outubro, a
Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema), que propunha
discutir a questão ambiental junto à opinião pública, sem pos-
suir, no entanto, poder de polícia na defesa do meio ambiente.

Para saber mais sobre essas conferências e essa mudança no


pensamento da relação homem/meio ambiente, você pode ler
o artigo de Crisla Maciel Pott e Carina Costa Estrela intitulado
Histórico ambiental: desastres ambientais e o despertar de um
novo pensamento, disponível em: [Link]
pL9zbDbZCwW68Z7PMF5fCdp/?format=pdf&lang=pt.

Nos anos posteriores à conferência de 1972, diversas


outras ocorreram com o intuito de desenvolver práticas
sustentáveis, criar metas de diminuição dos impactos
ambientais e desenvolver mecanismos para preserva-
ção e conservação do meio ambiente.
Com isso, no Brasil, a Constituição Federal de 1988, art.
225, dispõe que: “Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-
-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”
(Brasil, 1988).

Perceba que o conceito de meio ambiente passa agora a


ser mais abrangente, entendendo que os espaços diver-
sos de convivência humana como o trabalho, a cultura
e os meios artificiais também são considerados meio

25
ambiente, não sendo restrito apenas para o local com
árvores e animais.

A relação do homem-natureza: início


do século 21
A partir da Revolução Industrial, tivemos um cresci-
mento exponencial de exploração de recursos naturais,
além de uma série de avanços tecnológicos à medida
que traziam novidades e benefícios, entretanto, trouxe
também grandes impactos ambientais, alguns até já
irreversíveis.

O século 21 traz características duais, pois ao mesmo


tempo que cientistas alertam para uma destruição am-
biental sem precedentes, colocando em risco a nossa
própria existência, temos o fomento do modelo eco-
nômico capitalista, que usa de maneira desenfreada
os recursos naturais, principalmente os de fontes não
renováveis, trazendo a problemática da escassez de
vários recursos indispensáveis à sobrevivência não só
do homem, mas de toda a biodiversidade presente no
planeta.

Pode-se afirmar que este século é caracterizado pela


crise na relação homem/meio ambiente. Muitos são os
tratados e conferências que tratam da saúde do meio
ambiente, mas ao que parece as formas de vida susten-
táveis encontram no capitalismo um grande opositor.

26
O grande crescimento populacional, o uso exagerado
de combustíveis fósseis e a grande quantidade de po-
luentes emitidos por diversas fontes traz à tona o caos
ecológico que vive nosso planeta.

O consumismo é um dos vilões deste século, pois dele


surgem vários outros problemas em uma cadeia altamen-
te destrutiva ao meio ambiente. Funciona da seguinte
forma: quanto mais você consome, mais resíduos são
gerados e mais matéria-prima é retirada do meio am-
biente, gerando, dessa forma, uma cadeia de impactos
que vão desde o esgotamento dos recursos naturais,
passando pela poluição dos processos produtivos e
gerando um dos dilemas mais graves dessa crise am-
biental, resultando na geração e destinação de resíduos.

O crescimento elevado do consumismo é perceptível


em vários níveis sociais, independentemente de se ter
mais ou menos recursos financeiros. Aos mais ricos, o
consumo inspira e demonstra poder social, já aos mais
pobres, o desejo de possuir bens, serviços e produtos
levam a uma busca extremamente cansativa por formas
de obter boas remunerações, para conseguir suprir seus
anseios de consumo.

Movimentando toda essa indústria do consumo, fruto


do capitalismo, são estabelecidos padrões, valores e
comportamentos que fomentam cada vez mais a ne-
cessidade do consumo. Muitas são as técnicas que fa-
vorecem ou estimulam o indivíduo ao consumo, mesmo

27
quando não existe uma necessidade aparente. Os gran-
des shoppings são verdadeiros centros estimuladores
de consumo, neles há diversas ambientações e técnicas
que aproximam o indivíduo do consumo, trazendo assim
uma sensação de bem-estar e realização.

As diversas formas de mídia também contribuem de


maneira significativa para tais estímulos. Sem perce-
bermos, somos a todo tempo bombardeados por in-
formações de produtos, promoções, e novidades que
são lançadas nos diversos produtos e serviços. Tudo é
feito de maneira bem articulada – as cores, os sons, a
linguagem – para convencer o público-alvo a comprar
aquele produto.

Se você observar a partir de hoje, perceberá que as pro-


pagandas de brinquedo passam em horários que existem
uma grande quantidade de crianças assistindo a uma
programação infantil. As marcas passam um ideal de
sucesso na aquisição de seus produtos e a partir disso,
mas não só, a cultura do ter vem se sobressaindo sobre a
cultura do ser, trazendo à tona uma geração de pessoas
frustradas por não alcançar os objetivos de consumo.

Contudo, é importante ressaltar que nos dias atuais exis-


tem uma série de possibilidades de associar capitalismo
e sustentabilidade, mas é extremamente necessário a
sensibilidade, engajamento e conscientização sobre
os problemas ambientais e sobre as consequências
advindas desses problemas.

28
Diversos cientistas alertam para a possível irreversibi-
lidade de vários impactos ambientais caso atitudes e
mudanças de comportamento não ocorram, tornando-se
cada dia mais imprescindível uma educação ambiental
massiva em todas as esferas da sociedade.

29
Considerações finais
9 A história do homem e suas relações com a natureza
permitiram o desenvolvimento das sociedades.
9 Os processos produtivos a partir da exploração de
recursos naturais trouxe consequências negativas para as
dinâmicas ambientais, colocando em risco a sociedade.
9 A diminuição dos impactos ambientais é indispen-
sável à aplicabilidade de formas de vida sustentáveis.

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