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Resumo

Sigmund Freud descreve a psique humana como composta pelo id, ego e superego, onde o id busca gratificação imediata, o ego media entre desejos e realidade, e o superego representa a moralidade. O documento também aborda conceitos como bissexualidade psíquica, mecanismos de defesa, e a teoria metapsicológica, além de discutir a dinâmica de casos-limite e a importância da transferência na psicanálise. Michael Balint complementa a teoria com a ideia de 'falha básica', 'edípico' e 'criação' na constituição subjetiva.

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Resumo

Sigmund Freud descreve a psique humana como composta pelo id, ego e superego, onde o id busca gratificação imediata, o ego media entre desejos e realidade, e o superego representa a moralidade. O documento também aborda conceitos como bissexualidade psíquica, mecanismos de defesa, e a teoria metapsicológica, além de discutir a dinâmica de casos-limite e a importância da transferência na psicanálise. Michael Balint complementa a teoria com a ideia de 'falha básica', 'edípico' e 'criação' na constituição subjetiva.

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Para Sigmund Freud, o id, ego e superego são as três partes que

compõem a psique humana. O id é a parte instintiva e primitiva que


busca gratificação imediata (princípio do prazer). O ego é o mediador
racional que tenta equilibrar os desejos do id com a realidade (princípio
da realidade). O superego representa a moralidade e os valores sociais
internalizados, agindo como uma consciência moral.

Id

Função: Buscar a gratificação imediata dos instintos e desejos básicos,


impulsionado pelo "princípio do prazer".

Características: Totalmente inconsciente e presente desde o


nascimento. É a parte mais primitiva da personalidade.

Exemplo: Um bebê que chora quando está com fome para ter sua
necessidade atendida instantaneamente.

Ego

Função: Media as demandas do id com a realidade externa, buscando


maneiras realistas e aceitáveis de satisfazer os desejos.

Características: Guiado pelo "princípio da realidade" e funciona no


consciente e inconsciente. É o "eu" que tomamos consciência.

Exemplo: Uma pessoa que, ao sentir fome, planeja ir ao mercado em


vez de roubar comida.

Superego

Função: Representa a consciência moral, internalizando as regras,


padrões éticos e morais da sociedade.
Características: Age como um "juiz", buscando a perfeição e
impulsionando a pessoa a seguir o que é certo.

Exemplo: Sentir culpa ao pensar em mentir para um amigo, mesmo que


não haja consequências físicas.

Mecanismos na Posição Esquizoparanoide

Este é um estado primitivo em que o ego é fragmentado e a realidade é


dividida. Os principais mecanismos incluem:

Cisão: O ego se divide em partes boas e más, separando o seio bom do


seio mau, e essa divisão se estende a outras figuras importantes.

Projeção: Sentimentos ou aspectos indesejados são projetados em


outras pessoas ou objetos, buscando se livrar deles.

Idealização e Onipotência: O objeto é visto como perfeito e intocável


(onipotência), e o indivíduo pode acreditar ter o controle total da
situação.

Negação: A negação da realidade ou de partes da personalidade é


usada para evitar sentimentos que causam angústia.

Mecanismos na Posição Depressiva

À medida que o ego amadurece e o "objeto bom" é internalizado, o


indivíduo entra na posição depressiva. As defesas se tornam mais
complexas e visam reparar os danos ao objeto amado:

Reparação: Desejo de restaurar o objeto interno que foi por ele


danificado pelas próprias fantasias agressivas.
Integração: O ego integra os aspectos bons e maus do objeto,
percebendo que o outro é um ser separado e complexo.

Culpa e Responsabilidade: O indivíduo consegue reconhecer sua culpa


e assume a responsabilidade de seus atos, em vez de apenas projetá-
los.

A Transição entre Posições

A transição da posição esquizoparanoide para a depressiva é um


processo angústico e doloroso, que envolve a perda de idealizações e
da noção de onipotência. Experiências de amor e compreensão facilitam
essa transição, enquanto vivências traumáticas podem dificultá-la,
levando ao uso de defesas mais primitivas.

Bissexualidade

Para Sigmund Freud, todos os seres humanos são psiquicamente


bissexuais desde o nascimento, uma noção conhecida como
bissexualidade psíquica inata. Essa bissexualidade não se refere à
orientação sexual, mas sim à coexistência de energias e predisposições
sexuais masculinas e femininas dentro de cada indivíduo desde o início
da vida, que depois são moldadas pelo desenvolvimento psicossexual, a
influência de fatores como a família e a sociedade.

Não é a orientação sexual: A bissexualidade psíquica não é o mesmo


que a atração por mais de um gênero (orientação sexual), mas sim a
ideia de que possuímos, inconscientemente, características e energias
de ambos os sexos.

Formação posterior: A orientação sexual (heterossexualidade,


homossexualidade, etc.) se desenvolve ao longo da vida, influenciada
por experiências, identificações com os pais, normas sociais e a
repressão de um dos lados dessa bissexualidade inata.

Influência dos primeiros objetos de amor: Freud acreditava que a


escolha do objeto de amor (os primeiros amores, como os pais) e a
forma como a psique se organiza durante o complexo de Édipo, por
exemplo, são decisivos para a fixação de uma orientação sexual.

O conceito metapsicológico

É a teoria abstrata da psicanálise que busca explicar o funcionamento do


aparelho psíquico em seus aspectos tópico (lugar das instâncias),
dinâmico (forças em conflito) e econômico (energia psíquica). Criado por
Freud, ele se baseia em pressupostos e hipóteses que vão além da
observação direta do comportamento, buscando dar uma explicação
mais profunda a fenômenos como o inconsciente, o recalque e a pulsão.

Aspectos principais da metapsicologia

Tópico: Refere-se à organização do psiquismo em "lugares" ou


instâncias psíquicas (como o id, ego e superego, na segunda tópica),
que realizam diferentes funções.

Dinâmico: Descreve as forças psíquicas que atuam constantemente no


aparelho psíquico, especialmente as pulsões, e os conflitos gerados
entre elas e a moral/realidade.

Econômico: Explica a energia psíquica (ou pulsional) como uma


quantidade que circula, se investe, se divide ou se descarrega. É a
dimensão quantificável da energia psíquica.

Exemplos de conceitos metapsicológicos


O inconsciente, A pulsão, O recalque, O desejo, A transferência, A
compulsão à repetição.

"Casos-limite" referem-se a uma classificação em psicanálise e


psicologia para situações que se situam "entre" a neurose e a psicose,
caracterizadas por instabilidade do eu, dificuldades nas relações
interpessoais e de comportamento, e uma fragilidade na constituição de
limites psíquicos e da identidade. Esses casos envolvem uma estrutura
psíquica complexa, onde a comunicação muitas vezes se dá pelo corpo
e por ações, e o foco do trabalho clínico é na formação dos limites do eu
e na elaboração de traumas e afetos.

Características dos Casos-Limite

Instabilidade do Eu: Dificuldade em definir os limites entre o eu e o outro,


e entre as diferentes partes do próprio psiquismo.

Angústia de Perda e Desamparo: Sensações de anulação do eu,


desamparo e a angústia de separação, perda do objeto ou abandono.

Comunicação Não-Verbal: A palavra pode não ser o principal canal de


comunicação, e a sintomatologia se manifesta no corpo e em atuações,
como formas de comunicação.

Dificuldade na Simbolização: Tentativas frustradas de comunicação que


se manifestam no corpo, exigindo um trabalho psíquico para construir
imagens mentais e bases para a simbolização.

Relação entre Neurose e Psicose: Os casos-limite ocupam um espaço


"entre" a neurose e a psicose, com características que desafiam as
teorias clássicas.
Abordagem Psicanalítica

Foco na Transferência: A experiência transferencial, envolvendo ações e


atuações do paciente, assume um papel importante no processo
analítico.

Elasticidade Técnica: A técnica psicanalítica precisa se adaptar e se


tornar mais elástica para lidar com a fragilidade psíquica e as
manifestações corporais desses pacientes.

Papel do Analista: O analista oferece sua capacidade de pensar, seu


aparelho psíquico e escuta para ajudar a constituir a autonomia da
capacidade de pensar do paciente, que está aprisionada na paixão.

Na psicanálise, a introjeção é o processo inconsciente de internalizar


crenças, valores ou características de outra pessoa para formar o
próprio eu e o superego, como no exemplo de uma criança que se
assemelha ao pai para se sentir segura ou no fanatismo de absorver
dogmas de uma religião sem criticá-los. O processo de introjeção é
fundamental para a formação da identidade e do senso de moral, mas
pode gerar mal-estar quando informações são absorvidas sem serem
"digeridas" ou elaboradas pela reflexão.

Conceito de Introjeção

Absorção do externo: É o ato de "colocar dentro" da própria psique


elementos do mundo externo, como um ídolo ou a figura de um pai.

Mecanismo de defesa: Frequentemente serve como defesa contra


ansiedade ou medo, permitindo que a pessoa se sinta mais segura
diante de ameaças.
Formação psíquica: É vital para a construção do ego e do superego, pois
as imagens e ideais das figuras parentais e sociais são introjetadas.

Exemplos de Introjeção

A criança e o valentão: Uma criança que teme um valentão pode


começar a imitar seus comportamentos ou atitudes como forma de se
sentir mais protegida e menos vulnerável, ou mesmo alinhada à figura
poderosa.

Internalização de normas sociais: Em fanatismos religiosos ou políticos,


uma pessoa pode introjetar sem crítica os discursos de uma instituição
ou líder, absorvendo suas ideias e regras como se fossem suas, sem
questionar o que não lhe parece pessoalmente significativo.

Influência de ídolos: Uma pessoa pode se espelhar em um ídolo,


internalizando suas qualidades e características como um modo de
minimizar sentimentos de inferioridade ou angústia.

Formação do Superego: As regras e valores dos pais são introjetados,


formando a base do superego, que representa as normas morais e os
ideais internalizados.

Incorporação:

 Mecanismo fantasmático que busca recuperar o objeto-prazer


perdido;

 Processo instantâneo e mágico;


 Compensação à perda do objeto. Busca instalar o objeto perdido
para preservá-lo;

 Recorre a processos próximos aos da alucinação;

 Objetivo secreto de recuperar um objeto proibido;

 Cria ou reforça um vínculo imaginário. Estabelece uma relação


de dependência.

Introjeção:

 Processo pelo qual o sujeito lida internamente com os objetos


externos.

 Introdução dos objetos externos na esfera do Eu.

 Origem autoerótica. Mas tende a regular a dinâmica do amor


objetal e da transferência.

 Ampliação e enriquecimento do Eu.

 Não é motivada pela perda de um objeto de amor.

 Não se refere apenas ao objeto, mas ao conjunto das pulsões e


seus destinos.

 Processo progressivo. Rompe com a dependência do objeto.

Michael Balint
Michael Balint propôs que a constituição subjetiva se desenvolve em três
níveis: "falha básica", "edípico" e "criação". A "área da falha básica", pré-
edípica, refere-se a deficiências na personalidade que exigem um tipo de
tratamento psicanalítico focado na relação transferencial, especialmente
para pacientes "difíceis" ou regredidos. Nesse nível, há um predomínio
de processos não-verbais, uma "vinculação dual" e o uso de
comportamentos como o "ocnofílico" e o "filobata".

Níveis da constituição subjetiva de Balint

Falha básica: Refere-se a deficiências na formação da personalidade,


ocorrendo em uma fase pré-edípica e ligada a pacientes mais
regredidos.
Edípico: O nível mais conhecido, caracterizado pelo conflito edípico.
Criação: Um nível que pode ser acessado através da recuperação
espontânea ou trabalho com a capacidade de criação do sujeito.
Características da área da "falha básica"

Origem: Deficiências na estrutura psíquica durante a infância,


relacionadas a falhas na fase de construção da personalidade.
Relação terapêutica: A relação transferencial se torna crucial, com
ênfase na "cicatrização" da relação e no trabalho com processos não-
verbais e pré-simbolizados.

Comportamentos: O autor identifica comportamentos como "ocnofílicos"


e "filobatas" nesse nível.

Dinâmica: A "vinculação dual" é predominante, com investimentos


libidinais qualitativamente diferentes dos do conflito edípico.
Linguagem: Ocorre um predomínio de processos não-verbais, de uma
linguagem menos simbólica e mais primitiva.
"Ocnofilia" é a necessidade de se agarrar firmemente a objetos,
enquanto "filobatas" descreve a tendência de se afastar, usando o
mundo como uma "rede de segurança". Ambos são termos da
psicanálise de Michael Balint, que descrevem modalidades de defesa e
vínculo em reação a um trauma precoce.

Ocnofilia
Significado: Do grego, significa "agarrar-se com força".
Comportamento: Envolve uma forte necessidade de apego e de agarrar-
se a objetos para encontrar segurança.
Exemplo: Uma pessoa que busca uma ligação intensa e constante com
outras, usando-as como apoio, pode ser descrita como ocnofílica.

Filobatas
Significado: Proposto a partir da imagem do acrobata que anda na ponta
dos dedos, longe do chão firme.
Comportamento: Caracteriza-se por uma tendência a se afastar e a ter
um desapego objetal, usando o mundo como um suporte para suas
acrobacias e aventuras.
Exemplo: Uma pessoa que se sente segura em se afastar e que vê os
outros como instrumentos para alcançar seus objetivos, sem se apegar a
eles.

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