Enredo e Avisos prévios.
Hermione sentiu a batida em seus ouvidos novamente. Ela o veria pela
primeira vez desde o Salão Principal, magro e abatido na mesa da Sonserina
com sua mãe segurando seu braço. Ela não pretendia procurá-lo. Não nos
corredores, não sob os lençóis brancos dos mortos, não no caminho para a
Câmara Secreta com Ron, mas ela era uma garota estúpida.
Parte um da série "Acertos e Erros".
ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE: Todos os personagens desta
historia pertencem originalmente a criadora original do universo de Harry
Potter e derivados – JK Rowling. Os personagens originais e o enredo são
propriedade da autora da fanfic – Lovesbitca8 – Quem eu não sou. A obra
não é minha, estou aqui apenas traduzindo-a. Esta história não me pertence
e eu não recebo nenhum ganho monetário
Hermione se arrependia de sua escolha de sapatos agora. Ela escolheu
"saltos sensatos", como Ginny os chamaria. "Sensíveis" significava apenas
que eles não eram altos demais para derrubá-la. E que eles eram feios. Ela
percebeu isso quando descobriu que seus sapatos combinavam
perfeitamente com o chão velho e empoeirado dos corredores subterrâneos
do Ministério.
— Hermione.
Ela olhou para cima de seus sapatos para ver Harry caminhando em sua
direção.
— Harry. Como foi? Eles... Você acha...?
— É difícil dizer. — Ele afastou o cabelo da testa, olhando para as portas de
carvalho do corredor. — Eles têm muitas evidências, obviamente. Eles
fizeram muitas perguntas sobre o quinto ano e Umbridge, mas tentei dar a
eles os detalhes sobre... sobre...
Harry gaguejou, e Hermione observou seus olhos vidrados quando ele
desviou o olhar dela. Fazia apenas um ano e meio, então ela entendia sua
hesitação.
— A Mansão Malfoy. — Ela terminou para ele.
— Sim. — Harry engoliu em seco e Hermione o viu segurando Dobby na
praia como se fosse ontem. — Mas eles não me deixaram falar muito, —
continuou ele. — Eles tinham meu testemunho sobre a noite em que
Dumbledore morreu... — Harry piscou novamente, quase um tique nervoso,
ela percebeu — ...mas eu tentei corrigi-lo para incluir mais. Eles não me
deixaram. Disseram que já estava "no arquivo".
Hermione assentiu, olhando para as portas duplas atrás dele. Ela podia
sentir seu batimento cardíaco em seus ouvidos.
— Ele está lá, — disse Harry.
Hermione desviou os olhos para os verdes dele. Harry perfurou os dela,
procurando por... alguma coisa.
— Certo. Quero dizer, claro que ele está. É o julgamento dele. — Ela
prendeu a respiração.
— Ele não está facilitando as coisas para eles, eu acho.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer, ele não... Ele não parece estar lutando muito contra isso.
Ele parece quase entediado.
Hermione olhou para as portas atrás de Harry, assentindo.
— E ele parece... — Harry parou. — Acho que você vai ver.
Hermione sentiu a batida em seus ouvidos novamente. Ela iria ver. Ela o
veria pela primeira vez desde o Salão Principal, magro e abatido na mesa da
Sonserina com sua mãe segurando seu braço. Ela não pretendia procurá-lo.
Não nos corredores, não sob os lençóis brancos dos mortos, não no caminho
para a Câmara Secreta com Ron, mas ela era uma garota estúpida.
— Eu estarei aqui para você quando você sair.
Hermione olhou para Harry novamente. — Ah, Harry, não. Você já fez o
suficiente. Eu sei que você tem que voltar lá para cima.
— Tem certeza? — E lá estava ele de novo, procurando por algo.
— Sim, absolutamente. — Ela colou um sorriso no rosto e apertou o braço
dele. — Vou te encontrar lá em cima quando terminar. Talvez possamos ir
almoçar?
— Isso seria bom. — Ele sorriu para ela.
Harry se virou e começou a longa caminhada de volta aos elevadores.
Hermione o chamou: — Harry! — Ele se virou para ela. — Obrigada, —
ela disse. — Eu sei que você estava... hesitante...
— Não, você estava certa, Hermione, — ele disse. — É a coisa certa a
fazer. — Ele se virou e continuou.
Hermione ouviu seus passos recuarem pelo corredor. Um eco diferente do
que seus sapatos costumavam fazer. Hermione sorriu, pensando na
mudança. Sapatos de couro de dragão eram esperados em certas situações,
ela supôs, ou seja, um julgamento do Wizengamot, mas ela tinha visto
Harry usar esses e outros sapatos mais sofisticados com mais frequência.
Isso poderia ser esperado de O-menino-que-viveu-e-morreu-e-viveu-de-
novo, como Rita Skeeter de forma tão engenhosa e concisa nomeou Harry
em seus artigos. Os pedidos para suas aparições públicas foram
aumentando, e sua celebridade estava fazendo tudo menos vincando. Ele
participou de galas, organizou lembranças para ex-membros da Ordem,
abriu orfanatos para crianças que perderam suas famílias. Hermione teve
seu próprio quinhão de galas e eventos públicos, mas ela só era convidada
se Harry pudesse comparecer, e às vezes apenas se Ron pudesse completar
o trio, o que era mais difícil nos dias de hoje, enquanto Ron estava jogando
quadribol para os irlandeses.
A porta de carvalho se abriu. Um homem pequeno e redondo se espremeu
para fora. Ele a teria lembrado de Umbridge se não estivesse sorrindo para
ela. Uma coisa estranha de se fazer durante um julgamento.
— Senhorita Hermione Granger? — Ele fez um pequeno show olhando ao
redor do corredor vazio antes de seus olhos pousar sobre ela. — Senhorita
Granger, eles estão prontos para você.
Hermione acenou com a cabeça, alisou suas vestes e começou sua
caminhada muito sensata até as portas. Ela nervosamente empurrou o
cabelo para trás das orelhas, algo que nunca fazia. Então ela o puxou de
volta sobre as orelhas. Quando ela alcançou o homenzinho, ele sorriu para
ela e começou o discurso que ela ouviu pelo menos quatro vezes nos
últimos dezoito meses para diferentes julgamentos para os quais ela foi
convocada. Nenhum contato com o acusado. Confisco de varinha. Magia
sem varinha sujeita a prisão. Os olhos dela passaram por cima do ombro
dele, além da porta que ele mantinha aberta, mas tudo o que ela podia ver
desse ângulo eram as fileiras de vestes roxas. Ela entregou sua varinha para
ele, e ele a escoltou para dentro.
Mesmo tendo estado nas masmorras do Wizengamot várias vezes desde
então, ainda a surpreendeu não sentir o frio dos Dementadores que ela
esperava desde a invasão do Ministério no ano passado. Os dementadores
foram dispensados de seus serviços após a queda de Voldemort. Não, ela
sentia um tipo diferente de frio.
Ela contornou a entrada e fez o possível para não olhar na direção da jaula
que ela sabia que estaria a cinco metros à sua direita. Ela subiu na pequena
plataforma e colocou as mãos no corrimão à sua frente.
— Diga seu nome. — Uma voz soou de algum lugar no mar roxo.
— Hermione Jean Granger. — Ela sentiu, mais do que ouviu, um
movimento à sua direita. Era ele. Ela se concentrou nos indivíduos de
cabelos grisalhos em roxo.
— Hermione Jean Granger. Você está aqui por sua própria vontade. Você
não foi citada em defesa do acusado. Isso está correto?
Sua respiração ficou presa na garganta. — Sim. Está correto.
Outra voz dos roxos: — Você está aqui para oferecer informações que
espera que ajudem o Wizengamot a determinar a sentença de Draco Lucius
Malfoy. Está correto?
— Sim. — Sua voz estava mais suave do que antes. Ela precisaria começar
a respirar logo, ela supôs.
— Por favor, prossiga, Srta. Granger.
Inspirando, agarrando-se ao corrimão, ela deixou a história praticada fluir
através dela.
— Em 30 de março de 1998, Harry Potter, Ronald Weasley e eu fomos
pegos por Sequestradores e levados para a Mansão Malfoy. Consegui lançar
um Stinging Jinx em Harry Potter pouco antes da captura, na esperança de
que seu rosto ficasse irreconhecível. Nenhum encantamento foi colocado
em Ron Weasley ou em mim. Fomos levados para Lucius e Narcissa
Malfoy. — As mãos de Hermione apertaram o corrimão. — Eles queriam
ter certeza de que tinham Harry Potter antes de entrar em contato com
Voldemort. — Ela ouviu uma pequena respiração, sem dúvida de algum
manto roxo que ainda não diria o nome em voz alta. — Sra. Malfoy chamou
o filho dela, um colega de escola de Harry Potter, para identificá-lo. Draco
Malfoy recusou-se a fazer uma identificação positiva, ganhando assim
tempo para escaparmos. Se ele tivesse identificado Harry Potter, acredito
que Voldemort teria sido convocado, e Harry Potter teria morrido naquela
noite, encerrando assim a Segunda Guerra Bruxa. Ao escolher não
identificar Harry Potter, Draco Malfoy salvou a todos nós.
Um silêncio caiu sobre a ampla sala. Hermione se perguntou se talvez ela
devesse continuar.
— Srta. Granger, — uma mulher ruiva na segunda fileira a chamou. —
Você diz que Draco Malfoy escolheu não identificar o Sr. Potter. Que
fundamento você tem sobre isso?
Hermione franziu as sobrancelhas antes de prosseguir.
— Como eu disse, ele foi apresentado a Harry Potter e disse que não
poderia identificá-lo...
— Você não colocou um Stinging Jinx no Sr. Potter? — A ruiva a cortou.
— Com o propósito direto de torná-lo inidentificável?
Hermione podia sentir o calor subindo em suas bochechas.
— Mesmo que Malfoy não conseguisse identificar Harry Potter, um colega
de escola que ele conhecia há mais de seis anos, ele podia ver que os
companheiros da pessoa eram Ronald Weasley e Hermione Granger. Ele
não identificou positivamente nenhum de nós.
— Você acha que o Sr. Malfoy seria capaz de identificar você e o Sr.
Weasley? — Um homem de cabelos grisalhos na frente perguntou.
— Sim. Também estivemos na escola com ele por seis anos. — Hermione
pensou que sua resposta poderia ter sido um pouco esnobe...
— Você teve um relacionamento com o Sr. Malfoy em Hogwarts? — A
ruiva.
Suas bochechas queimaram com a insinuação que provavelmente não era
uma insinuação. Ela respondeu: — Fomos colegas de classe.
— Vocês não eram amigos, entretanto? — A ruiva cutucou.
— Não.
— Na verdade, — a ruiva continuou, — ele não era um tanto antagônico a
você na escola, devido ao seu status sanguíneo?
Hermione quase bufou, mas imaginou que isso não ajudaria a situação.
— Um pouco, suponho. Mas dificilmente acho que o bullying no pátio da
escola deva ser examinado nesse tipo de situação.
— O que você acha que deve ser examinado, Srta. Granger? — Uma
mulher loira da quarta fileira perguntou. Ela sorriu com um calor que
lembrou Hermione de Molly Weasley.
— Acho que o caráter dele deveria ser examinado. Acredito que sua mãe,
Narcissa Malfoy, recebeu um perdão total há um ano devido à sua "ajuda na
Batalha de Hogwarts". Acho que acabei de apresentar um momento em que
sua ajuda era necessária. Acho que poderia dar várias outras citações e
momentos em que suas ações falavam não de um Comensal da Morte, mas
de um filho e uma criança. Acho que os crimes do Sr. Malfoy deveriam ser
expurgados e um perdão total concedido.
E com aquele ponto final no final da frase, ela ouviu gaguejar nas
arquibancadas, um suspiro indignado no canto e uma risada à sua direita.
Ela conhecia aquela risada. Ela tinha ouvido muito ao longo dos anos. Ela
não conseguiu se conter naquele momento. Ela olhou para ele.
Ele estava pálido. Excepcionalmente pálido. Seu cabelo não tinha sido
cortado, e se ela pensasse sobre isso, seu cabelo estava comprido na batalha,
encaracolado atrás das orelhas. Agora estava crescendo até a nuca,
desgrenhado e menos louro do que o normal. Seus olhos perfuraram os
dela. Ele estava encostado nas barras da jaula. Nenhuma cadeira ou
banquinho foi fornecido para o acusado na jaula, mas em vez de ficar de pé
e agarrar as barras como tantos haviam feito antes dele, ele se recostou,
cruzando as pernas e os braços. Esperando para ser entretido. E ela o
entreteve. Seu coração batia mais rápido e suas bochechas esquentavam.
— Senhorita Granger. — Hermione recuperou seu foco na loira Molly
Weasley. — Depois de anos de preconceito e "bullying na escola", como
você diz. Depois de ser torturada por sua tia no chão da sala de estar, você
se sente mais adequada para falar em nome de seu personagem?
Hermione olhou para todos os rostos olhando para ela, exceto um. A ruiva
exibia um sorriso presunçoso.
— Você está certa, — disse Hermione. — Esses aspectos não me
qualificam. O que me qualifica é que sou humana e vejo espaço para o
perdão. Eu sou Hermione Granger, heroína de guerra, bruxa mais brilhante
de nossa era e um terço do Trio de Ouro. E esses fatos por si só deveriam
me excluir de ser questionada sobre minhas qualificações, assim como
presumo que as qualificações de Harry Potter não foram questionadas.
A sala ficou quieta. Ela nunca tinha sido tão arrogante em sua vida, ela
percebeu, mas sua pressão sanguínea estava subindo.
— E como Hermione Granger, peço que as ações de um bruxo de 17 anos,
criado em uma família de pureza de sangue, cujos pais, família e amigos
apoiaram o Lorde das Trevas e cuja vida estava sendo ameaçada
diariamente, sejam perdoadas. — Hermione tentou se conter, mas não
conseguiu. — Draco Malfoy não matou Alvo Dumbledore. Ele não matou
ninguém. Portanto, não vejo por que ele está sendo julgado em pleno
Wizengamot como se fosse um assassino e um firme defensor do Lorde das
Trevas. Só porque o nome dele é Malfoy não significa que você pode
colocar os pecados da guerra em seus ombros.
A ruiva franziu os lábios e desviou o olhar. A loira Molly Weasley deu ao
chão um sorriso tímido. O homem de cabelos grisalhos na frente se
levantou.
— Srta. Granger, — ele disse, — Obrigado por vir hoje. Examinaremos seu
testemunho e o testemunho de outras pessoas, — Ele tinha olhos gentis,
mas Hermione ainda se sentia como se tivesse demorado demais em suas
boas-vindas.
— Obrigado aos honrados membros do Wizengamot por me deixarem falar.
— Hermione soltou o corrimão à sua frente, deixando o sangue escorrer
para seus dedos pela primeira vez em dez minutos. Quando ela se virou
para sair, ela não pôde se conter. Ela olhou para ele novamente.
O sorriso levemente divertido se foi. Ele estava olhando para ela.
Examinando-a como se ela fosse uma lagarta encontrada sob seu sapato.
Como se ela não tivesse acabado de tentar salvar a vida dele. Hermione
recuperou o fôlego e continuou indo para fora da sala, com o sangue
latejando.
Seus ridículos saltos estalaram contra as pedras enquanto ela saía, passando
pelo guarda da porta, continuando para os elevadores e ignorando-o
enquanto ele a chamava para devolver sua varinha.
Capítulo 2.
Hermione voltou para sua mesa sem respirar. Pelo menos parecia assim. A
parte lógica de seu cérebro – todo o seu cérebro – sabia que ela devia estar
respirando o tempo todo, mas ela estava ofegante quando chegou ao nível 4.
Ela se sentou em sua mesa por vários minutos, esperando que seu sangue
parasse. lento, e não foi até então que ela percebeu que deixou sua varinha
lá embaixo. Ela fechou os olhos e empurrou as têmporas. Que idiota.
— Granger.
Hermione relaxou as têmporas para ver seu colega de trabalho, Aiden
O'Connor, parado no canto de seu cubículo, comendo uma banana. Que
coisa ruim de se fazer.
— Você teve sua coisa do Wizengamot esta manhã, certo? — Ele ergueu as
sobrancelhas para ela. — Como foi? O idiota está ganhando o beijo? — Ele
sorriu para ela.
Ela estreitou os olhos para ele.
— Na verdade, Aiden, eu me ofereci para testemunhar em seu nome.
A banana parou a meio caminho de sua boca. Seu queixo caiu por um
momento.
— Isso está certo? Desculpa. Achei que vocês dois não se davam bem.
Aiden estava um ano atrás dela em Hogwarts. Ele também estava na
Grifinória, então ela assumiu que ele tinha visto o suficiente de Malfoy e
suas interações ao longo dos anos para apoiar essa ideia.
— Nós não nos dávamos bem. Apenas... era a coisa certa a fazer. Nem todo
erro merece prisão perpétua em Azkaban.
As sobrancelhas de Aiden se ergueram e os cantos de sua boca viraram para
baixo. Ela assumiu que isso significava "Você tem razão!" mas ela não tinha
certeza porque o cheiro de banana a envolvia.
— Tão magnânima. Mas acho que isso é esperado da "Garota de Ouro". —
Ele sorriu para ela e começou a se afastar. — Ah, Mathilda quer aquelas
notas sobre o ovo verde galês esta tarde, se você puder.
— Claro. Obrigado, Aiden. — Hermione o observou sair, carrancuda.
Ele sabia que ela odiava os termos "Garota de Ouro" e "Trio de Ouro" e é
por isso que ele os usava com tanta frequência. Quando ela foi entrevistada
no Departamento de Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas há
dois meses, ela havia enviado seu currículo com um nome falso. Quando
Mathilda Grimblehawk viu Hermione Granger entrar em seu escritório, ela
virou o chá sobre todos os papéis em sua mesa e perguntou a Hermione se
havia algo que ela pudesse fazer por ela. Hermione insistiu que não
recebesse nenhum tratamento parcial simplesmente porque era uma heroína
de guerra, e insistiu em começar em uma posição de nível básico e trabalhar
para subir no Ministério. Embora o Escritório de Realocação de Elfos
Domésticos fosse seu objetivo principal, ela havia sido designada para a
divisão de Bestas do Departamento.
Ron tinha feito exatamente o oposto, exibindo seu status em artigos para o
Profeta. Cerca de um mês após a Batalha de Hogwarts, Rita Skeeter
perguntou a ele o que ele gostaria de fazer a seguir, e quando ele disse que
queria jogar Quadribol no melhor time para tê-lo, as ofertas choveram por
semanas. Ele estava fora da Irlanda havia quase um ano, vindo apenas uma
vez por mês para uma visita. Ele nunca trazia para casa nenhuma das
garotas com quem namorava, mas Hermione tinha visto as fotos deles
juntos. Molly Weasley estava cega para tudo isso, é claro, insistindo que
Hermione deveria se juntar a Arthur e ela para uma visita à Irlanda. Um ano
atrás, quando Hermione estava voltando para Hogwarts para seu "oitavo
ano" e Ron estava indo para a Irlanda, ela disse a ele que eles deveriam se
separar e manter suas opções em aberto. Ela não quis dizer isso aberto.
Harry havia caído em algum lugar no meio. Familiarizado com a fama e os
artigos investigativos de Rita Skeeter, ele se sentia quase confortável como
o centro do mundo mágico. Ele aceitou de bom grado o cargo de Auror no
verão passado, apesar de não ter feito os exames de NIEM. Sua única graça
salvadora era Ginny, que não se importava muito com os holofotes.
Hermione e Ginny ficaram próximas depois de dividirem dormitórios no
último ano de Hogwarts, já que Hermione foi a única garota do "oitavo ano"
da Grifinória a voltar para a escola. Elas alugaram um apartamento depois
que Molly prontamente proibiu Ginny e Harry de morarem juntos após a
formatura de Ginny. Ginny geralmente passava as tardes e noites na casa de
Harry, mas Hermione a via com bastante frequência.
Hermione olhou para o relógio. Quinze para meio-dia. Ela precisava
recuperar sua varinha, mas não queria um encontro casual com nenhum dos
Wizengamot enquanto eles se despediam para o almoço. Ou pior do que
isso: um encontro casual com o prisioneiro enquanto ele era transferido para
o intervalo do almoço.
Hermione estremeceu com a lembrança de seu olhar condescendente
quando ela deixou o tribunal. Era certo que nada havia mudado, ela teve
que se lembrar. Por que ele olharia para ela de outra maneira?
Ginny o havia rotulado como a Caixa de Caridade de Hermione, mas
Hermione sabia que Ginny era mais sábia do que isso. Ela foi muito gentil
em não insistir no assunto, mas pela maneira cuidadosa com que Harry a
tratou esta manhã, ela presumiu que Ginny havia contado algo a ele.
— Então você tem uma queda por Draco Malfoy, — Ginny disse a ela um
dia na primavera passada em seus dormitórios em Hogwarts. Ginny
encolheu os ombros. — E daí?
— Eu não tenho uma queda por ele, — Hermione corou.
— Tudo bem, — disse Ginny. — Você tem uma paixão debilitante por ele.
— Ginny! — Hermione fechou o livro e se virou para a ruiva. — Isso é
extremamente... inapropriado e impreciso.
Ginny lançou um olhar fixo para ela. — Ouça, Granger, — Ginny disse, a
frase favorita dela. — Aqui está o que eu sei. O Profeta Diário de hoje teve
dois artigos em destaque. Um sobre meu irmão e sua vitória contra os
búlgaros, acompanhado de um texto muito informativo e uma foto de Ron e
uma loira na celebração pós-jogo, e outro artigo sobre a data da audiência
de Draco Malfoy. Adivinhe qual artigo você leu cinco vezes.
Hermione sorriu triunfante.
— Ginny, por que eu iria querer ler sobre Ron e sua nova namorada? Ou
sobre Ron e Quadribol? Parecem dois tópicos com os quais não quero ter
nada a ver.
— Mas você quer saber tudo sobre o julgamento de Malfoy e suas
acusações?
— Eu... eu acho... quero dizer, é mais interessante do que Quadribol e loiras
estúpidas, com certeza.
Ginny sorriu para ela como se ainda não acreditasse nela.
— OK. Entendo.
Ela abandonou o assunto naquela noite, mas sempre que podia, ela
mencionava Malfoy. Ela deixava recortes do Profeta no prato de café da
manhã de Hermione pela manhã. Ela bancava a advogada do diabo sempre
que os grupos discutissem a família Malfoy. Ela nunca se juntava à fofoca
silenciosa nos corredores, e ela sempre parava de provocar quando parecia
que Hermione não aguentava mais.
Uma noite em abril passado, com as cortinas fechadas e os sons das outras
garotas caindo no sono, Hermione ouviu a voz de Ginny sussurrar para ela:
— Há quanto tempo você está trabalhando em seu caso de caridade,
Hermione?
A voz de Hermione ficou presa na garganta, mas ela ainda foi capaz de
responder: — Desde o terceiro ano.
Houve silêncio. E então ela ouviu Ginny se virar para dormir. Ela queria
sussurrar para ela que não era nada e ela não precisava se preocupar com
ela. Ela queria que Ginny se virasse e fizesse todas as perguntas para as
quais ela não tinha a resposta. Mas, mais do que isso, ela queria que Ginny
desistisse e nunca mais falasse sobre isso.
O som dos saltos de Mathilda batendo contra o chão trouxe Hermione de
volta ao seu cubículo. Mathilda não precisava de saltos sensatos. Ela podia
andar com muita facilidade em saltos ultrajantes. Hermione teve dois
segundos para fingir estar ocupada antes que Mathilda passasse por ela.
— Hermione! Dia de tribulação até agora?
Hermione virou-se para ver Mathilda elevando-se sobre ela, dando-lhe um
sorriso brilhante.
— Definitivamente sim. — Hermione sorriu.
Mathilda assentiu.
— Bem, não pule o almoço de novo. Certifique-se de fazer suas pausas
quando elas forem devidas.
— Obrigado, sim. E terei aquelas anotações sobre o ovo verde galês às três.
— Oh, até o final do dia está bom. — Ela acenou e sorriu, virando-se para ir
embora.
Hermione voltou para sua mesa. Ela pintou a pena e começou a terminar
suas anotações sobre o ovo encontrado no Beco do Tranco na semana
passada. Ela pegou sua varinha para invocar o relatório e bufou quando
lembrou que ainda precisava descer.
Ela encontrou Harry nos elevadores do Nível 4. Sua ansiedade aumentou.
Ele nunca veio ao andar dela.
— Aí está você, — disse ele.
— O que está errado? — Ela perguntou.
— Nada, — disse ele, surpreso. — Eu pensei que ia encontrar você para o
almoço?
Hermione lembrou agora.
— Oh sim. Desculpe, esqueci. Na verdade, eu preciso... executar uma
missão. Podemos ir amanhã?
— Amanhã é sábado.
Hermione fechou os olhos e pressionou as têmporas.
— Certo. Desculpe.
— Que missão você precisa fazer? — Harry perguntou. Hermione hesitou.
— Eu... eu deixei minha varinha lá embaixo. — Ela franziu os lábios e
desviou o olhar.
— Ah, — disse Harry. — Isso é bastante estranho vindo de você. — Ele riu.
— Eu sei. Estou mortificada.
— Eu irei com você.
— Ah, Harry, você não precisa passar o almoço inteiro correndo pelo
Ministério comigo.
Harry deu de ombros e chamou o elevador.
— O que mais eu vou fazer? Além disso, o café está a caminho! — Ele
sorriu brilhantemente para ela. — Finalmente você pode experimentar os
croissants que eu estava adorando.
Hermione sorriu e o seguiu até o elevador. Eles conversaram sobre o
trabalho e Hermione se viu agradecendo a Merlin por Harry. Ela, é claro,
tinha feito isso muitas vezes nos últimos oito anos, mas enquanto o elevador
se enchia de bruxos e bruxas de outros departamentos que olhavam
abertamente para Harry Potter dividindo o elevador com eles, ele continuou
a falar apenas com ela, completamente alheio para o seu efeito sobre o
mundo ao seu redor.
Harry liderou o caminho pelo corredor em direção às portas de carvalho
pelas quais ela passou voando há menos de uma hora. Ela estava
mortificada de bater apenas para falar com o homem redondo que tinha sua
varinha, mas Harry deve ter sentido isso porque ele fez isso por ela.
Hermione suspirou.
O homem colocou a cabeça para fora.
— Oh, Srta. Granger! Eu estava procurando por você!
— Er, sim, desculpe, eu estava com um pouco de pressa...
— Eu estou com sua varinha!
— Eu... sim, eu sei. Estou aqui para pegá-la.
— Maravilhoso! — ele guinchou. Ele atravessou a porta e a deixou perto de
uma fresta atrás dele. Hermione podia ouvir o murmúrio do Wizengamot e
um sotaque preguiçoso que ela reconheceria pelo resto de sua vida.
Ele conjurou um formulário para ela assinar, permitindo que ele liberasse a
varinha dela para ele. Uma vez assinado, ele tirou a varinha dela do bolso
de suas vestes. Ela se sentiu completa novamente.
Ele cantou coisas como "tenha um bom dia" e "certifique-se de segurar
isso!", mas Hermione estava ouvindo o clamor que começou atrás dele.
Vozes se levantando e discutindo. Uma que parecia que o homem de
cabelos grisalhos estava gritando por paz. A porta se fechou atrás do
homem redondo e houve silêncio. Hermione olhou para as portas,
desejando que elas se abrissem.
— Está pronta? — A voz de Harry a chocou. Ela havia se esquecido dele.
— Sim, absolutamente, — ela resmungou. — Almoço?
Eles se viraram para caminhar pelo longo corredor no momento em que os
elevadores estavam chegando.
Mesmo a vinte metros de distância, Hermione podia reconhecer a forma
longa e branca de Narcissa Malfoy. Seus sapatos estalaram quando ela saiu
dos elevadores em ritmos curtos e elegantes. Suas vestes eram imaculadas e
brancas, cobrindo sua figura perfeitamente. O olhar estranho sobre ela,
como se ela tivesse cheirado algo sujo, foi substituído desde a batalha final
por simples arrogância, menos identificada do que antes. Ela parecia a
imagem perfeita de uma mulher liberta.
— Sra. Malfoy, — Harry disse quando eles se aproximaram, estendendo a
mão. — Boa tarde.
— Sr. Potter. — A voz dela era como mel, mas ainda mais surpreendente
foi o sorriso com que ela o agraciou, como se fossem velhos amigos.
Hermione teve que se lembrar que Harry havia falado em seu próprio
julgamento no verão passado, ajudando a inocentar suas acusações. — Ouvi
dizer que você testemunhou hoje.
— Na verdade, — Harry disse. Ele alisou o cabelo. — Hermione realmente
me convenceu a elaborar minhas declarações anteriores. Ela testemunhou
hoje também. — Harry se virou para encará-la, mas Hermione estava
congelada no lugar quando Narcissa Malfoy voltou seus olhos azuis para
ela. Ela piscou, como se a visse pela primeira vez.
— Senhorita Granger. — Narcissa estendeu a mão. — Eu quase não te
reconheci. — Hermione não conseguia entender o porquê. Ela não tinha
mudado nem um pouco. — Agradeço profundamente por testemunhar hoje.
O braço de Hermione se moveu sozinho e de repente ela estava apertando
as mãos de Narcissa Malfoy.
— De jeito nenhum Sra. Malfoy. Foi... foi a coisa certa a se fazer , — ela
disse. — Ele foi muito corajoso durante a guerra.
Os olhos de Narcissa percorreram seu rosto e naquele momento Hermione
soube que ela havia falhado em sua tentativa de indiferença. Narcissa
Malfoy sabia. Não era Legilimênte. Mas ela sabia. Narcissa soltou sua mão.
— Sim, foi um momento difícil para toda a família. — Ela suspirou e olhou
para as portas. — Bem, eles estão me deixando almoçar com Draco hoje.
Eu convidaria vocês para se juntar a nós, mas tenho certeza que eles não
permitiriam isso.
A pressão arterial de Hermione disparou com a ideia de almoçar com Harry,
Draco e Narcissa Malfoy. O que os quatro discutiriam?
Harry interveio.
— Claro. Foi um prazer vê-la, Sra. Malfoy.
— Você também, Sr. Potter. E Srta. Granger, — Narcissa disse, virando os
olhos para ela, procurando por algo em seu rosto novamente. — Mantenha
contato.
A língua de Hermione estava muito seca para responder, então ela
simplesmente sorriu e acenou com a cabeça. Mantenha contato?
Ela observou Narcissa deslizar para longe. Harry teve que puxar seu braço
para fazê-la andar com ele até os elevadores. Ela se sentia nebulosa.
— "Ele foi muito corajoso durante a guerra?" — Harry levantou uma
sobrancelha para ela. Ela podia ver o sorriso levantando suas bochechas.
— Cale-se. — Hermione corou e Harry riu.
Capítulo 3.
"DRACO MALFOY: UM HOMEM LIBERTO"
de Rita Skeeter
Como um Comensal da Morte possivelmente se redime? Na sequência da
Segunda Guerra Bruxa, Draco Malfoy foi questionado exatamente sobre
isso. Depois de mais de um ano em Azkaban, aguardando julgamento como
os outros Comensais da Morte capturados, o julgamento de Draco Malfoy
começou na última quarta-feira, 25 de agosto, terminando dois dias depois.
Não se sabe quais são as condições de sua libertação. Ele deve ser mantido
em prisão domiciliar? Ele teve que fornecer informações valiosas ao
Wizengamot sobre outros Comensais da Morte? Os bens de sua família
foram confiscados em reparações de guerra?
Fique com esta repórter e você saberá tudo em breve.
Hermione revirou os olhos e mordeu sua torrada. Ela havia dado uma
olhada no começo do artigo um momento antes e agora estava relendo. Ela
saltou através dele, pousando em coisas como " Harry Potter e a heroína de
guerra Hermione Granger testemunharam em seu nome".
Ela ficou bastante surpresa com a veracidade do artigo, considerando sua
autora. A foto que eles escolheram de Draco era de depois do julgamento,
ela assumiu, porque seu cabelo havia sido lavado. Era quase como se ele
tivesse parado para uma sessão de fotos.
Normalmente, qualquer foto ou artigo que envolvesse Draco Malfoy era
colado no teto pela manhã, mas Ginny geralmente dormia até tarde nos fins
de semana. Ela havia sido recrutada para as Holyhead Harpies em sua
segunda linha e treinava de manhã cedo de segunda a sexta-feira, então ela
descansava quando podia.
Hermione não esperava que houvesse notícias um dia após o julgamento,
então quando ela pegou o Profeta para enfiar em sua bolsa, ela passou
vários minutos preciosos examinando. Hermione olhou o relógio. Ela estava
quase atrasada para seu trabalho de fim de semana na Livraria Cornerstone,
uma lojinha pitoresca no Beco Diagonal. Ela trabalhava das dez da manhã
às seis da tarde aos sábados e domingos, uma parte de sua vida que Harry,
Ron e Ginny não entendiam muito bem.
— Por que você quer trabalhar nos fins de semana? — Ron perguntou
quando ele estava visitando para o aniversário de Harry em julho. —
Quando você vai dormir ou ter uma vida social?
— Nem todos nós precisamos dormir até as duas da tarde, Ronald, — foi a
resposta dela.
Além disso, Hermione logo percebeu ao se formar em Hogwarts que não
tinha vida social. Os primeiros meses morando com Ginny pareciam como
os dormitórios, mas ela lentamente se sentia deslocada às vezes quando
Harry se juntava a elas. Ela descobriu que não podia simplesmente
substituir um Weasley por outro. Ela sempre se sentiu excluída da dinâmica
de Ron e Harry, mas sabia que era necessária, desejada. Sempre havia
momentos no relacionamento de Ginny e Harry em que Hermione não era
necessária.
Em meados de junho, ela se candidatou a alguns cargos para mantê-la
ocupada nos fins de semana, visto que não tinha mais dever de casa para
fazer nas noites de sábado. Morty, o dono da Cornerstone Books, a
entrevistou como um ser humano normal, em vez da "Garota de Ouro",
então ela foi imediatamente querida por ele.
Hermione dobrou o jornal, pegou sua jaqueta e saiu pela porta para o ponto
de aparatação local. Ela podia reler enquanto a loja estava lenta, o que
geralmente acontecia.
Ela aparatou no Beco Diagonal perto da Floreios e Borrões às 9h25 em
ponto, como fazia todos os sábados. Uma lâmpada explodiu à sua direita,
como acontecia todos os sábados. Uma voz chamou: — Senhorita Granger!
Por aqui! O que você vai fazer neste fim de semana?
Hermione se virou e sorriu e respondeu no primeiro mês, achando bastante
estranho que a resposta: "Oh, nada realmente. Apenas trabalhar e ler" valeu
uma entrevista de acompanhamento no próximo fim de semana. Em agosto,
ela parou de responder e apenas se virava e sorria. Agora ela nem se virava.
Ela passou pelas fachadas familiares das lojas e chegou à esquina do Beco
Diagonal com o Beco Horizontal. Ela liberou os encantamentos que Morty
havia colocado na noite anterior e a abriu. Era uma loja pequena, mas
milhares de livros estavam amontoados. Não era tão movimentada quanto a
Floreios e Borrões, mas Hermione gostava do silêncio. Ela teve meia hora
de organização, contabilidade e classificação antes que os primeiros clientes
chegassem.
Hermione abriu o Profeta no balcão e começou a tirar o livro-razão
financeiro da loja do armário abaixo. Ela colocou a carta mais recente da
Austrália ao lado do papel, com a intenção de responder a sua
"correspondente" Monica Wilkins hoje. Esperançosamente, ela poderia
expressar o quanto adoraria uma visita à Austrália, e talvez pudesse vê-los
enquanto estivesse lá, sem soar muito forçada.
Hermione vasculhou o artigo várias vezes, procurando por mais
informações. Ele já foi liberado? Ele ficaria na Mansão com Narcissa?
Alguma notícia de Lucius?
Os Malfoys e outros Comensais da Morte acusados foram presos no verão
passado cerca de um mês após a Batalha Final. Assim que o Ministério se
recuperou e Kingsley foi nomeado Ministro, a caçada começou. Todos os
Comensais da Morte suspeitos foram jogados em Azkaban para aguardar
julgamento. Harry, Ron e Hermione deram um testemunho de uma semana
inteira ao Wizengamot no verão passado para ajudar a identificar e
classificar os acusados em ordem de mais perigoso. Harry lutou para que
Narcissa Malfoy fosse julgada imediatamente, pois ele poderia fornecer
evidências de sua inocência e ajudar durante a Batalha de Hogwarts.
Hermione achou estranha a veemência dele pela segurança de Narcissa, mas
ela imaginou que não poderia realmente comentar sobre o quão estranho era
mover céus e terra para salvar um Malfoy.
Infelizmente, os membros do Wizengamot com um machado para moer
contra a família Malfoy decidiram tomar a libertação de Narcissa Malfoy
como uma derrota e rapidamente levaram Lucius Malfoy a julgamento. Ele
foi condenado a vinte anos, mas já negociava para que seu tempo fosse
reduzido pela metade. Draco, por outro lado, esperou julgamento por mais
de um ano, como punição. Muitos membros do Wizengamot trabalharam de
perto com Dumbledore enquanto ele era o Chefe Bruxo, e achavam que
Draco deveria ser responsável por suas ações.
Hermione pulou quando a porta da frente se abriu para o primeiro cliente às
dez e cinco. A loja permaneceu silenciosa durante toda a manhã até por
volta do meio-dia, quando Ginny voou para Cornerstone como um tornado.
— Sabe, eu deixo artigos para você todas as manhãs, — ela gritou da porta,
com as mãos nos quadris. Hermione estremeceu com o som.
— Sim? — Hermione disse, em um nível normal de voz.
Ginny deve ter percebido como seu volume era inapropriado, porque ela
olhou em volta e subiu correndo os dois degraus até o patamar principal.
Ela espalmou as mãos no balcão na frente de Hermione.
— Deixo artigos para você todas as manhãs. Artigos interessantes. E então,
hoje, o artigo mais interessante dos últimos meses desapareceu quando eu
acordei.
Hermione sorriu e jogou o papel para Ginny.
— Ah, eu já vi! — Ela empurrou o papel de volta para Hermione. — Eu
ouvi tudo sobre isso no Harry.
— Bem, sinto muito, Ginny. — Hermione guardou o livro financeiro. — Eu
pensei que você já poderia ter lido.
— Se eu tivesse lido, estaria flutuando acima de sua cabeça no teto para
quando você acordasse. Porque esse é o tipo de amiga que eu sou.
Hermione riu. Ginny adorava bancar a ruiva fogosa mesmo quando não
estava realmente com raiva. Harry tinha dificuldade em distinguir os
momentos.
— Sim, você é uma excelente amiga, Ginny.
— E como sou uma amiga tão excelente, corri até aqui para lhe contar o
que o jornal não contou.
As mãos de Hermione pararam de folhear a correspondência. Ginny tinha
um olhar presunçoso no rosto.
— Sim? — Hermione disse. Ela estava muito quieta.
— Harry recebeu uma chamada de Flu esta manhã. — Ginny sorriu e
baixou a voz. — Malfoy vai trabalhar para o Ministério em duas semanas.
Os olhos de Hermione se arregalaram. Ela se aproximou de Ginny e olhou
para as estantes à esquerda para ver se havia algum cliente espionando.
— Como o que? Que departamento?
— Como informante. No Departamento de Aurores.
— Um informante? — As sobrancelhas de Hermione estavam na linha o
cabelo. — Você quer dizer...?
— Isso não é de conhecimento público, Granger, — Ginny disse. — Mas,
aparentemente, foi ideia dele. — Ginny pegou uma bala de menta da tigela
no balcão e começou a desembrulhá-la. — Pouco antes de irem almoçar
ontem, Draco pediu para falar e sugeriu que ele fosse liberado em liberdade
condicional, alegando que ele poderia ser "essencial" em ajudar o
Departamento de Aurores a reunir os Comensais da Morte restantes e
localizar objetos escuros, passagens escondidas, tudo isso.
Hermione apenas a encarou. Ginny sorriu de volta.
— Você conseguiu, Hermione.
Hermione se endireitou.
— Eu... eu não fiz nada, — disse ela. — Parece que ele negociou seu caso
perfeitamente bem...
— Sim, mas depois que você apareceu com seu unicórnio branco. A
"Garota de Ouro" deve ser ouvida! — Ginny bateu com o punho no balcão
com uma teatralidade que a lembrou de um par de gêmeos ruivos.
Hermione revirou os olhos e pegou vários pedidos reservados para ela
retirar das prateleiras e arquivar atrás do balcão. Ela se dirigiu para a
pequena alcova de prateleiras à esquerda da entrada e Ginny a seguiu.
— Então, — Ginny disse. — Você não me contou como foi ontem no
julgamento. Você acha que ele vai mandar um cartão de agradecimento ou
vai aparecer pessoalmente?
— Nenhum dos dois, tenho certeza. — Hermione puxou um livro da
prateleira de baixo e o colocou em seus braços. — Ele não ficou nem um
pouco emocionado em me ver.
— Deve ser difícil vê-la novamente, tenho certeza. — Ginny cantou.
Hermione sabia o que viria a seguir. — Depois da última vez que ele te viu
foi... você sabe...
Ginny sempre jogava esse jogo. Ela deixava suas frases desaparecerem ao
falar sobre Draco para que Hermione pudesse corrigi-la ou preencher as
lacunas. Era sua maneira de cavar para obter informações.
— A última vez que ele me viu foi provavelmente na Batalha Final, Ginny.
— disse Hermione. Ela andou em círculo ao redor de Ginny para chegar às
estantes atrás dela.
— Ah, certo, certo, — Ginny disse. — Mas antes disso foi o... você sabe...
— A batalha da Sala Precisa, você quer dizer? — Hermione sorriu para ela,
não jogando seu jogo.
— Claro. Mas estou falando sobre a última conversa significativa que vocês
tiveram. Que foi...
— Oh, aquela conversa significativa. Você deve estar se referindo ao
segundo ano no campo de Quadribol quando ele me chamou de sangue-
ruim, — Hermione disse com um rosto neutro. Ela convocou a escada da
estante.
— Sim, por mais sentimental que tenha sido aquela época, tenho certeza de
que houve conversas significativas depois disso, como...
— Quando eu dei um tapa nele no terceiro ano?
— Certo, e então...?
— Quando ele espalhou mentiras sobre mim e Harry para Rita Skeeter
publicar?
— Preliminares. — Ginny acenou com a mão. Hermione riu e começou a
subir a escada para chegar à prateleira de cima. Ginny continuou, — Eu
estava falando sobre aquela conversa significativa que vocês tiveram um
pouco mais tarde, talvez no sexto ano? Quando foi isso?
— Você deve estar se referindo à conversa que tivemos sobre como
consertar um armário que estava desaparecendo, certo? — Hermione sorriu
para ela do segundo degrau. Ginny franziu a testa para ela. — Não tivemos
uma conversa significativa, Gin.
— Então talvez eu esteja confundindo com... você sabe...
— Quando ele deixou os Comensais da Morte entrarem no castelo? —
Hermione percebeu que não tinha certeza de que elas estavam sozinhas na
loja, e ela provavelmente deveria manter sua voz em um nível mínimo
enquanto jogava este jogo. Ela olhou para baixo para ver Ginny franzindo o
rosto para ela.
— Merlim, Granger. Por que você o ama? — Ginny parou de tentar por um
momento e balançou a cabeça. O sangue de Hermione disparou com a
palavra "ama". Ginny continuou, — Tudo bem, então talvez eu esteja
tentando me lembrar daquela história que você me contou... você sabe...
— E que história é essa, Ginny? — Hermione alcançou a prateleira de cima
e encontrou o lugar vazio onde deveria estar o livro. Ela franziu a testa.
— A história sobre... vejamos... a última reunião clandestina que vocês
tiveram?
Hermione riu.
— Ah, a reunião clandestina. Claro. — Hermione desceu um degrau para
ver se o livro estava perdido na prateleira abaixo.
— Você sabe, uma das muitas noites quentes entre vocês dois, — Ginny
disse do chão.
— Nada disso está vindo à mente, realmente. Você pode ser mais
específica, Gin?
— Talvez eu esteja pensando na última vez que ele te beijou? Quando foi
isso?
O livro também não foi perdido ali. Não estava no histórico de ontem, então
ela sabia que ainda estava na loja. Hermione colocou as mãos nos quadris e
procurou nas fileiras. Ela pensou que talvez tivesse uma lombada cinza.
— Oh, a última vez que ele me beijou. Deixe-me evocar essa memória. Por
favor, espere. — Hermione respondeu, os olhos não deixando as pilhas.
— Ou foi a primeira vez que ele te beijou? Talvez seja essa a história que
estou pensando...
Hermione olhou para Ginny. Seu rosto estava brilhante e aberto, esperando.
De alguma forma, Hermione perdeu o momento algumas perguntas atrás,
quando Ginny parou de provocar e começou a perguntar a ela. Ela estava
honestamente procurando uma resposta para uma de suas perguntas idiotas.
Que estranho que ela assumiu...
— Ginny, — disse Hermione. Ela desceu alguns degraus da escada. — Ele
não.... Quero dizer, — Hermione limpou a garganta. — Nós não tínhamos
um relacionamento. Não houve reuniões clandestinas. Pensei que você
soubesse.
Ginny procurou seus olhos.
— E também não houve amassos depois das aulas?
— Não houve amassos, ponto final. — Hermione desceu da escada. — Nós
não... ele não tinha nenhum tipo de sentimento por mim.
— Você não precisa necessariamente ter sentimentos por alguém para jogá-
los em um armário de vassouras depois da aula e beijá-los sem sentido. —
Ginny franziu as sobrancelhas.
— Namorar em um armário de vassouras? Sério, Ginny. Quem fez isso?
Ginny riu.
— Hermione! Todo mundo fez!
Hermione corou. Ela se sentiu muito estúpida, que era a sensação que ela
menos gostava no mundo.
— Bem, nem todo mundo, eu acho. — Hermione se afastou dela para
mover a escada para outra coluna para procurar aquele livro.
— Hermione, me desculpe. — Ginny a seguiu. — Eu não queria rir de
você.
— Você sabe muito bem que ninguém jamais me enfiou em um armário de
vassouras. — Hermione estabilizou a escada. Ginny foi a única pessoa com
quem Hermione conseguiu falar sobre relacionamentos e sexo. Ou, mais
precisamente, sua falta de ambos.
— Nem mesmo Draco Malfoy. — Ginny disse, quase perguntando.
— Nem mesmo Draco Malfoy. — Hermione confirmou. Ela começou a
subir. — Lamento não poder lhe dar informações mais interessantes.
— Eu só queria poder entender por que você gosta dele. — A voz de Ginny
parecia tão pequena do chão.
Hermione avistou uma espinha cara a várias colunas de distância, mas ela
não podia nem se deleitar com aquela vitória.
— Eu também, — disse ela.
Parecia um tanto bobo quando Ginny falou para ela. Eles nunca se beijaram
ou olharam um para o outro, ou mesmo tiveram uma conversa que não
terminasse em duelo de varinha. Ele nunca deu a ela qualquer razão para
acreditar que ele pudesse sentir o mesmo, mas ainda assim ela sentia algo
por ele. E não havia como ele saber disso.
Havia pequenos momentos aos quais ela podia se agarrar, momentos nos
quais ela podia sorrir ou momentos que podiam mantê-la acordada à noite.
Havia a maneira como a luz que vinha da janela da sala de aula de
McGonagall o atingia exatamente por sete minutos ou mais durante a
primavera de seu quinto ano. De sua posição, uma fileira atrás e várias à
frente, ela foi capaz de observar e esperar por isso. Ele sempre ficava
aquecido naquela aula também, estando tão perto da janela, então ela às
vezes o via tirar as vestes durante a aula. Felizmente McGonagall confiava
que ela estava sempre prestando muita atenção e nunca pediu que ela
repetisse a lição durante aqueles sete minutos.
Houve o Baile de Inverno no quarto ano, quando ela praticou várias danças
para estar no braço de um Campeão do Torneio Tribruxo, apenas para
perceber que Viktor não poderia conduzi-la pela sala melhor do que ela
conseguia se lembrar dos passos. Durante a valsa francesa, uma clara
homenagem aos convidados de Beauxbatons, os parceiros se separavam e
se voltavam para o casal de cada lado para fazer uma reverência e uma
pequena dança, virando-se antes de retornar ao parceiro original. Hermione
nunca havia praticado com outros dançarinos, então quando ela se virou
para ficar cara a cara com Draco Malfoy quando os parceiros se separaram,
ela parou de respirar. Draco franziu os lábios para ela, mas então se curvou
primeiro, como era costume na dança. Ela observou suas costas se
endireitarem e as linhas de seu corpo permanecerem tensas enquanto ele
voltava a ficar de pé. Ela podia sentir os olhos dele sobre ela quando curvou
a cabeça e depois dobrou a perna direita para trás, rezando para não cair.
Quando ela se endireitou, ela o encontrou apertando a mandíbula para ela,
sem dúvida pronto para comentar sobre seu equilíbrio pobre. Em vez disso,
ele levou a mão direita até a altura do peito, com a palma voltada para ela, e
esperou que a palma dela encontrasse a dele. Ela levou a mão até a dele,
mas se absteve de tocá-lo, com medo do que ele poderia fazer. Eles
mantiveram cerca de 5 centímetros entre as mãos enquanto andavam um ao
redor do outro em um círculo. Ele segurou os olhos nos dela até o último
momento antes de Viktor estar na frente dela novamente, os braços abertos
para a próxima parte da dança. Ela não o viu novamente naquela noite, mas
Lavender disse a ela mais tarde que ele e Pansy haviam saído mais cedo.
E houve um momento que realmente não deveria ter sido um momento,
afinal, mas Hermione realmente não podia julgar a si mesma quando os
hormônios estavam envolvidos, poderia? Ela estava no escritório de
Umbridge, esperando que Harry terminasse com o Flu. Ele estava
conversando com Monstro através do fogo e Hermione estava tão distraída
tentando descobrir se Monstro estava mentindo que não ouviu a porta do
escritório abrir ou o sussurro " Expelliarmus!" da boca minúscula de
Umbridge. Quando sua varinha voou de sua mão, ela respirou fundo para
avisar Harry, virando-se para ver Draco ali enquanto ele colocava a mão
sobre sua boca. Ele sorriu para ela em triunfo quando seus olhos se
arregalaram. Ele a virou, mantendo a mão sobre sua boca enquanto suas
costas aterrissavam contra sua frente. Ela observou quando Umbridge
entrou na sala com os outros membros do Esquadrão Inquisitorial
rebocando seus amigos. Ela tentou pisar no chão, chutar a parede, qualquer
coisa para que Harry não fosse arrastado para fora do fogo pelas mãozinhas
de Umbridge, mas então o braço de Draco envolveu sua cintura, os dedos se
espalharam pelo osso do quadril, puxando-a de volta para ele. Ela se sentiu
eletrificada e apavorada. Ele estava tão quente e firme atrás dela e sua mão
estava tão intimamente colocada. Ele não tinha ideia, é claro, de que o
batimento cardíaco dela não estava acelerado por causa do medo. Assim
que Harry foi retirado do fogo, sua varinha voou pelo ar. Draco a soltou,
empurrou-a para os braços de Milicent Bulstrode e pegou a varinha de
Harry antes que ela caísse no chão. Esse era o limite do momento, mas era o
suficiente para mantê-la acordada algumas noites, sonhando e respirando.
Hermione respirou fundo e pegou o livro com a lombada cinza,
acrescentando-o à pilha de pedidos reservados.
— Você já voltou?
Hermione se virou para ver Ginny olhando para ela.
— Voltou? — ela disse.
— Da pequena viagem que você fez? — Ginny sorriu para ela. Hermione
riu e trouxe os livros para o balcão. Ginny ficou mais meia hora ou algo
assim, mas deixou de lado o assunto de Draco Malfoy.
Capítulo 4.
Uma semana se passou sem outra foto da família Malfoy no Profeta Diário.
Ainda havia artigos com hipóteses sobre o que Draco faria agora, ou se ele
visitaria Lucius em breve, mas eles foram atribuídos às páginas do meio do
profeta, provavelmente não valendo muito sem fatos ou uma foto.
Hermione fechou o jornal e o enfiou nas gavetas ao lado da caixa
registradora. Ela tinha a sorte de ter espaço suficiente no balcão em forma
de U para trabalhar em várias coisas ao mesmo tempo. Ela olhou ao redor
da livraria vazia e respirou seu perfume favorito: livros. Provavelmente foi
uma das principais razões pelas quais ela escolheu pedir um emprego de
meio período na Cornerstone Books. O cheiro. Às vezes, Hermione sentia
mais falta da biblioteca de Hogwarts do que de sua casa de infância. Era o
cheiro. Isso a lembrava de consertar as coisas, do poder do conhecimento e
da magia.
A porta da frente se abriu, trazendo uma rajada de vento, e seu cabelo
levantou do pescoço antes de se acomodar novamente. O posicionamento
da Cornerstone Books na esquina do Beco Diagonal com o Beco Horizontal
era bom para a comercialização, mas infeliz pelos os túneis de vento e
tornados criados na esquina. Hermione ajeitou seu cabelo e olhou para cima
para ver a bruxa que sempre a visitava às 11h aos sábados. O coração de
Hermione caiu quando ela percebeu que eram apenas 11 da manhã.
A bruxa olhou para Hermione enquanto ela corria para trás. Hermione
arriscou um sorriso, mas sabia que não adiantaria. A bruxa nunca havia
falado ou sorrido, lembrando Hermione de Bathilda Bagshot – ou mais
precisamente, o cadáver de Bathilda Bagshot. Ela havia perguntado a Morty
sobre a bruxa no início, imaginando se deveria ficar de olho nos livros
perdidos, mas Morty insistiu que a bruxa era uma cliente fiel, embora ela
nunca tivesse comprado nada.
Hermione pegou a pilha de livros a serem guardados e foi para a seção de
ficção. Ela os colocou em seus devidos lugares, reorganizando alguns
títulos mal arquivados em seu trabalho. Honestamente, quem em sã
consciência seria tão desrespeitoso a ponto de puxar um livro de uma
prateleira, olhar para ele e colocá-lo de volta em outra prateleira? Hermione
havia colocado uma cesta "A ser arquivado" em cada seção da loja,
esperando que os clientes a usassem.
Alguns clientes estavam circulando, alguns sentados e lendo os primeiros
capítulos antes de decidir. Hermione voltou ao caixa e começou a preencher
os recibos de ontem que Morty havia deixado para ela.
— Eu pensei que você trabalhava para o Ministério. — Uma voz saiu do
balcão.
Hermione se virou e seus olhos saltaram das órbitas quando ela viu Draco
Malfoy parado no caixa. Seu cabelo havia mudado. Não estava penteado
para trás como nos primeiros anos, nem curto como no sexto ano, mas algo
entre os dois. Ele tinha mechas loiras caindo sobre a testa. Ele ainda estava
magro de Azkaban, mas tinha mais cor, se é que se pode chamar assim.
Seus olhos passaram por suas roupas, notando que ele usava vestes cinza
bem ajustadas. Ele levantou uma sobrancelha para ela e ela encontrou sua
voz.
— Não. Quer dizer... quer dizer, sim, eu trabalho, mas não nos fins de
semana. Nos fins de semana eu trabalho aqui.
Draco a encarou, então olhou ao redor da loja.
— Obviamente, — disse ele. O pescoço de Hermione ficou quente. — Mas
por que?
Ela abriu a boca, mas nada saiu. Ela foi questionada várias vezes por seus
amigos, por admiradores que tropeçaram na Cornerstone Books. Ela sempre
foi capaz de responder com pequenas anedotas como "para me manter
ocupada" ou "sinto falta da biblioteca de Hogwarts" ou "tenho um
desconto!" Mas tudo isso parecia tolo ao falar com Draco Malfoy.
— É uma livraria. Gosto de livros. — Hermione poderia ter pulado na
frente do Nôitibus ali mesmo. O rubor se espalhou por sua mandíbula e ela
sentiu uma gota de suor escorrendo por suas costas.
Ele soltou uma pequena risada que não alcançou seus olhos.
— Eu lembro. — Ele aperfeiçoou a condescendência ao longo dos anos, ou
então Hermione não saberia como identificá-la. — Vou pegar um livro.
Hermione foi abruptamente lembrada de que ela trabalhava em uma
livraria. Uma coisa boba para esquecer, pois era a coisa mais boba que ela
já havia explicado.
— Sim, claro! — Isso foi muito animado. Ela se corrigiu. — Você
reservou? — Hermione começou a se mover em direção à gaveta que
guardava os livros pré-reservados. Normalmente, apenas a clientela rica
ligava com antecedência para reservar, preferindo não se misturar com a
ralé de consumidores.
— Está sob Black. — Seus olhos se moveram para ele. Ele mudou de
posição e disse: — É uma ordem da minha mãe.
Curioso.
Ela pegou a primeira bolsa na gaveta em "B." O pergaminho no topo dizia:
A guerra dos Goblins: Fato ou Ficção.
— Oh, este é excelente! — Ela sorriu brilhantemente para a bolsa que
continha o livro. — Ele levanta a hipótese de que várias das rebeliões dos
goblins não aconteceram de verdade, e que os bruxos criaram os mitos delas
para manter os goblins reprimidos. É fascinante, na verdade! — Ela olhou
para cima e ficou surpresa quando percebeu que estava falando demais para
Draco Malfoy sobre um livro. Ela respirou fundo. — Sua mãe tem um gosto
excelente para livros.
— Vou ter certeza de deixá-la saber, — disse ele. Sua expressão era
ilegível. Quase um cruzamento entre entediado e divertido, se possível.
— Certo, — disse ela. — Bem, a compra foi debitada na conta de sua mãe.
— Ela estendeu a bolsa para ele. — Pronto.
Ele pegou a bolsa dela.
— Por que Cornerstone?
A pergunta a parou. Ela abriu a boca, depois a fechou. Então disse: —
Acredito que seja porque está localizado na esquina do Beco Diagonal com
Hor...
— Eu sei por que se chama Cornerstone. — Ele revirou os olhos e as
bochechas de Hermione esquentaram. — Por que você está trabalhando
aqui e não na Floreios e Borrões? Achei que você adoraria ajudar os alunos
do primeiro ano a pegar seus livros didáticos e comprar seus pergaminhos.
Organizar reuniões mensais do fã-clube de Gilderoy Lockheart.
A ideia de que ele passou algum tempo em toda a sua vida pensando sobre
o que ela preferiria fazer depois de Hogwarts, sem rir infinitamente dela, é
claro, fez seu pulso disparar. Ela tentou desviar o olhar de seus olhos e não
conseguiu.
— Acho que gosto da Cornerstone porque é mais afastada. É menos
provável que eu seja reconhecida aqui. — A presunção de ser reconhecida
parecia boba e arrogante assim que saiu de sua boca, e Hermione finalmente
desviou os olhos dele e olhou para a mesa. Ela desejou que ele
simplesmente fosse embora.
— Eu costumava vir aqui durante os verões pelas mesmas razões.
Ela olhou para ele. Ele estava olhando por cima do ombro esquerdo dela.
— Eu nunca vi você aqui, — disse Hermione.
Ele trouxe seus olhos de volta para ela e ela desejou que ele não tivesse
feito isso.
— Esse era o ponto, não era? — ele disse.
Ela não conseguiu ler o rosto dele. Estava completamente em branco. Sua
língua estava seca, então ela assentiu. Ela observou os olhos dele
percorrerem seu rosto uma vez antes de pegar a bolsa e inclinar a cabeça
para ela, que ela supôs ser um "adeus" ou um "obrigado".
E então ela conseguiu vê-lo ir embora.
A semana seguinte foi um borrão. Aparentemente, o mundo mágico não
tinha mais escrúpulos em relação a assassinos acusados se eles se
parecessem com Draco Malfoy. O Profeta Diário começou a publicar
histórias sobre a vida social de Draco, onde ele ia à noite, com quem ele
estava. Rita Skeeter havia desenvolvido um talento especial para adivinhar
sua agenda, e também um talento para comparar seu cabelo com os tons
dourados dos deuses.
Hermione acordava todas as manhãs com um artigo em sua mesa de
cabeceira, cuidadosamente recortado e colocado por Ginny, até a manhã de
sexta-feira, quando a mesa estava vazia. Hermione saiu da cama e foi até a
cozinha para encontrar Ginny lendo o Profeta enquanto mexia seu cereal.
— Bom dia, — Ginny disse.
— Bom dia. — Hermione pegou uma xícara de chá na prateleira e foi até a
chaleira. — O Profeta Diário cansou de imprimir informações sobre
Malfoy, ou você simplesmente cansou de cortá-las para mim?
— Não houve nada hoje. — A voz de Ginny soou tensa. Hermione fez uma
pausa em derramar sua água.
— Realmente?
— Sim. Nada.
Hermione contornou a cozinha e parou com a xícara de chá em uma das
mãos e a chaleira na outra.
— O que é?
Ginny olhou para ela com os olhos arregalados e um sorriso de boca
fechada.
— O que é o quê?
— O que está no jornal hoje?
Ginny suspirou e seu corpo inteiro caiu.
— Eu não acho que você deveria ver.
— Isso é ridículo.
" DRACO MALFOY ENCONTRA O AMOR"
de Rita Skeeter
Hermione lentamente pousou a chaleira antes de deixá-la cair. Uma foto de
Draco entrando em um restaurante com uma morena alta com cabelos
longos e sedosos a encarou. Ele colocou a mão bem embaixo das costas
dela e a guiou para dentro – devido ao fato, Hermione só podia supor, que
ela não possuía a capacidade cerebral de andar sozinha. Ela sorriu para ele
por cima do ombro ao entrar. Ela era deslumbrante.
— Quero dizer, — Ginny começou, — Não é amor. Eles estão claramente
em um primeiro encontro. Eu não a reconheço de Hogwarts, então eles não
devem estar saindo há muito tempo...
— Estou bem, Ginny. — Hermione puxou o papel em sua direção para ver
se Rita Skeeter havia identificado a mulher. Apenas as palavras "búlgara",
"possível modelo" e "Durmstrang" saltaram para ela. Hermione tirou os
olhos da foto e olhou para Ginny. — É estúpido pensar que ele não estaria
namorando. Quero dizer, olhe para ele. Ele foi idolatrado a semana toda
como um solteiro desejável. E ela é... ela é terrivelmente linda. Ele é...
Bem, ele não é meu para perder.
Ginny a encarou.
— Claro, — disse ela. — Eu só não queria que você fosse... distraída.
Hermione assentiu.
— Obrigado. — Ela levou a chaleira de volta para a cozinha e começou a
derramar leite em sua xícara. — Além disso, — ela gritou para Ginny, —
Talvez seja melhor se ele começar a cortejá-la. Pode me ajudar.
— Você está certa. Estou tão feliz que você veja dessa forma. E também, —
Ginny gritou por cima do ombro, — é bom saber que ele gosta de morenas!
Hermione bufou e tomou um gole de sua xícara, antes de perceber que não
havia infundido um saquinho de chá. Ela estava bebendo água quente com
leite.
Capítulo 5.
Hermione estava cruzando T's e pontilhando I's no livro de contabilidade
pela última hora. Literalmente. Ela estava vasculhando as finanças tentando
se manter ocupada e tentando ter um bom motivo para não arquivar livros.
Porque ele voltou.
Draco Malfoy estava sentado na sala de estar da seção de ficção, folheando
uma cópia do primeiro livro de uma série sobre a qual Hermione só tinha
ouvido coisas maravilhosas. Ela ainda tinha que pegá-lo sozinha, mas pelos
vinte minutos que Draco gastou nele, ela podia imaginar que era brilhante.
Ele entrou na loja enquanto ela estava no caixa com um cliente e foi direto
para as estantes à sua esquerda. Ela estava grata que ele a salvou de
qualquer aceno desajeitado ou brincadeira de "bom dia" ao ignorá-la
completamente, mas agora ela estava tentando desesperadamente não notá-
lo ali. Ela podia ver o topo de sua cabeça entre a 4ª e a 5ª prateleira, e podia
ver suas mãos virando as páginas entre as prateleiras abaixo dela.
Ela tentou virar as costas para ele, para não ter que acenar do outro lado da
loja, ou pior – ser pega olhando. Mas ela logo descobriu que não ficar de
olho nele era pior. Ele poderia esgueirar-se sobre ela então.
Seus longos dedos viraram uma página. Ela suspirou. Seu cabelo caiu em
seus olhos novamente e ela viu sua mão empurrá-lo para trás.
— Senhora?
Hermione desviou os olhos para a caixa registradora. Uma pequena senhora
idosa estava no balcão. Como ela se aproximou dela?
— Sim? Em que posso ajudá-la? — Hermione sorriu.
— Eu esperava que você pudesse me ajudar a recuperar um romance de
Gerby Ganfried? Acho que está na prateleira de cima.
Hermione fechou os olhos. Gerby Ganfried era um escritor de ficção. E os
livros de ficção geralmente eram encontrados na seção de ficção, à sua
esquerda. E a Cornerstone Books tinha um feitiço para impedir a
convocação de livros, para ajudar a evitar roubos. Ela colou um sorriso em
seu rosto.
Hermione abriu caminho para a seção de ficção, desviando os olhos da
cadeira no canto. Ela conjurou uma escada para alcançar a prateleira
superior que continha os autores "G".
— Em qual romance de Ganfried você estava pensando? — Hermione
começou a subir a escada.
— Querida, você se importaria de ler os títulos para mim?
Hermione respirou fundo. Ela geralmente adorava ajudar os clientes,
conversando com eles sobre suas escolhas e dando opiniões. Ela nunca teria
achado essa mulher tão frustrante se Draco Malfoy não estivesse a cinco
metros dela, possivelmente observando-a.
— Temos Gertrude e Gwen e o gigantesco Grindylow. E então Yaris, Yeigh
e o Yellow Yarn...
— Oh, a Boneca Yellow Yarn! Oh, que livro adorável! — disse a velha.
— Você gostaria que eu puxasse para baixo para você? — Hermione virou
por cima do ombro para se dirigir à mulher, mas seu olhar pousou em
Draco. Ele estava sorrindo para seu livro, rindo dela. Ela estava com calor.
— Oh, não, querida. Eu já li. Você pode ler para mim os outros títulos?
Hermione leu o resto da estante para ela. Então ela leu a primeira metade da
estante novamente. Eventualmente, a mulher – Beatrice, Hermione logo
descobriu, já que ela havia fornecido essa informação enquanto contava
sobre toda a sua infância – pediu a ela para pegar sete cópias diferentes para
que ela pudesse ler o verso delas. Ela encantou os livros para pairar
enquanto os puxava da estante, mas Hermione ainda tinha que se virar para
alcançar os três últimos, e ela podia sentir sua camisa levantar do cós de sua
calça jeans enquanto pegava cada livro. Ela esperava que sua barriga não
estivesse aparecendo, e ela esperava que a atenção de Draco estivesse
novamente focada em seu livro.
— Oh, muito obrigado, querida! — Beatrice guinchou quando Hermione
desceu o último degrau da escada. Ela se virou para encontrar a cadeira de
Draco vazia, e se sentiu ainda mais irritada com Beatrice por ela ter
arruinado seus minutos finais de observação de Draco em sua visita.
Ela preparou uma mesa lateral e uma cadeira para que Beatrice se sentasse e
folheasse os livros, e voltou ao caixa. Hermione suspirou aliviada ao
descobrir que não havia uma fila se formando em sua ausência. A loja
geralmente era muito calma e não muito movimentada, mas havia
momentos em que Hermione precisava chamar Morty de seu apartamento
no andar de cima para ajudar. Ela se virou para guardar os livros e quando
encarou o caixa novamente, encontrou Draco encostado nele. Seu sangue
latejava em seus ouvidos.
— Malfoy. — Ela o cumprimentou. Ela alisou a camisa. — Você acabou
gostando da nova série de Lance Gainsworth? — O arrependimento a
atingiu instantaneamente. Como ela saberia que livro ele estava lendo antes,
a menos que ela o estivesse observando?
Parecia que o mesmo pensamento passou por sua mente quando sua
sobrancelha deu uma leve contração para cima e um brilho apareceu em
seus olhos. Ele puxou o livro de Gainsworth que estava lendo mais cedo
abaixo de sua linha de visão e jogou-o no balcão.
— Ainda não tenho certeza, — disse ele, olhando para o livro. — Mas
pensei que poderia muito bem comprá-lo, já que já fiz dobras nas páginas.
As mãos de Hermione pararam no meio do caminho para pegar o livro. Os
olhos dela se fixaram nos dele. Páginas com marcas de dobras era a coisa
mais nojenta que alguém poderia...
— Relaxa, Granger. — Ele sorriu para ela. Ele estava brincando. Alívio
inundou suas veias como oxigênio. Ela soltou uma pequena risada e tentou
esconder o sorriso. Ela puxou o livro de volta para a mesa e começou a
escrever o recibo, debitando a compra na conta da família. Houve apenas
três segundos de silêncio antes que ela não aguentasse mais e mergulhasse
na conversa fiada.
— Ainda não consegui começar esta série, mas adorei a série Indesejável
dele, — disse ela sem olhar para ele.
— Realmente. O que você gostou?
Ela encontrou seus olhos. Ele estava olhando para ela como em Hogwarts, o
leve sorriso malicioso e a sugestão de um insulto em seus olhos.
— Bem, — ela começou, afastando o cabelo do rosto. — Eu aprecio o
estilo dele. Cada romance da perspectiva de um Indesejável diferente,
girando em torno dos mesmos momentos até que finalmente se fundem em
clareza...
— Eu diria que contar a mesma história repetidamente é tedioso, — disse
ele. — Você não chega a lugar nenhum se ficar preso em apenas um
momento.
Ele estava olhando diretamente em seus olhos, esperando por sua resposta.
Ela sentiu como se estivesse perdendo alguma coisa.
— Eu... eu discordo. — Ela balançou a cabeça para clareá-la. — Não é o
mesmo momento porque você está vendo a cena de sete ângulos diferentes
e aprendendo algo novo toda vez que é revisitado. — Ela podia ouvir a voz
de Lavender Brown em seu ouvido, algo sobre concordar com tudo que um
garoto diz...
— Achei terrivelmente chato. — Draco mudou seu peso, tornando-o mais
alto, se possível. — As histórias eram obsoletas, os personagens sem
imaginação, e eu não conseguia me conectar com aquele Auror idiota
correndo por aí, estragando tudo...
Enquanto ele falava, Hermione abriu a boca e fechou. Abriu-a novamente e
fez um pequeno rangido. Ele estava dizimando tudo o que ela amava
naquela série.
— Eu suponho que ele foi um pouco, er... subscrito, — Hermione mentiu.
— Por ser o único personagem a aparecer em todos os sete livros, achei que
ele era extraordinariamente desinteressante, — disse Draco. Sua voz estava
tão preguiçosa e desapaixonada. — O Auror não tinha família ou amigos
externos, então o que devemos tirar de sete romances em que ele está
sempre dois passos atrás dos Indesejáveis o tempo todo...
— Exatamente! — Ela gritou. — É isso que faz um bom drama, Malfoy! O
Auror não pode ser onisciente, ou não haveria história!
— Essa é a outra coisa, — ele continuou como se ela não tivesse falado. —
Por que sete romances? Não poderia ser condensado? Que tal uma trilogia?
Ou ainda melhor... um romance com sete perspectivas, se você precisar de
todas elas...
— Um romance! Encaixar todas essas informações em um romance...
— Se você pudesse chamar isso de "informações"...
— Bem, Malfoy, você deve ter gostado de alguma coisa se você leu todos
os sete livros e...
— Eu não gostei. Eu li dois deles.
Hermione engasgou, olhos arregalados. Ele pegou uma bala de menta do
prato no balcão. Ele começou a torcê-la entre os dedos enquanto a
observava.
— Você só leu dois! Como você pode comentar sobre a série então! Os dois
primeiros são quase juvenis em comparação com o terceiro e o quarto...
— Ah, não — disse ele. — Eu li o primeiro e o último.
Hermione ficou boquiaberta com ele. Ela sempre presumiu que ele era
inteligente devido às notas na escola. Na verdade, ao buscar razões pelas
quais eles se dariam tão bem, uma das razões mais claras foi o amor
compartilhado pelo conhecimento e sempre estar certo. Ela se sentiu traída
de alguma forma.
— Eu... eu nem sei como responder a isso. — Ela balançou a cabeça no
balcão. Ela terminou o recibo, enfiou a pena no tinteiro e pegou uma sacola
para enfiar o livro. Ela ignorou seus olhos e a maneira como seus dedos
brincavam com a hortelã desembrulhada.
— É apenas uma opinião, Granger. — Ele parecia bastante satisfeito
consigo mesmo.
— Bem, é a opinião errada, — ela murmurou. Ele riu. Em outras
circunstâncias, o som teria enviado eletricidade correndo por suas veias.
Ela estendeu a sacola para ele, desejando que ele a pegasse e fosse embora.
— Você sabe, Granger, — ele disse. Ele se inclinou para a frente no balcão,
estendendo os antebraços e juntando as mãos, como se estivesse descendo
ao nível dela. — Você pode ter acabado de me lembrar porque eu detesto
tanto esse Grainsword...
— Gainsworth, — ela corrigiu, fechando o punho em torno da bolsa.
— Talvez eu não queira o novo livro, afinal. — Os olhos dele iam de um
lado para o outro entre os olhos dela, algo brilhando neles.
Ela teve o suficiente. Ela enfiou a sacola no peito dele e pressionou-a ali
enquanto sibilava: — Você vai pegar esse maldito livro, Malfoy, vai lê-lo e
vai adorar. E quando terminar, você pegará o segundo livro da série
Indesejável e lerá, depois o terceiro, depois o quarto e assim por diante, até
ter lido o suficiente para fazer comentários inteligentes sobre eles.
Ela chupou em sua primeira respiração e olhou para baixo, seu peito
arfando. Seus olhos vagaram por todo o rosto dela antes de seus lábios se
esticarem em um sorriso.
— Aí está ela, — ele sussurrou. Hermione piscou. Ele se endireitou,
pegando a sacola de onde ela ainda estava pressionada em seu peito. —
Pensei que tínhamos perdido você, Granger.
Um rubor se espalhou por sua mandíbula, aquecendo seu rosto. Ela
procurou por uma resposta nos últimos cinco minutos, mas apenas o
observou colocar a hortelã na boca, erguer uma sobrancelha para ela e se
virar para sair.
Capítulo 6.
A segunda-feira seguinte seria o primeiro dia de Draco no escritório dos
Aurores. Hermione racionalizou que ela quase nem via Harry no trabalho,
então era lógico que ela também não veria Draco durante o dia. Ginny
discordou.
A manhã de segunda-feira chegou com Ginny acordando-a uma hora antes
do horário normal, apressando-a para entrar no chuveiro, e então encarando
seu cabelo molhado por vinte minutos com um pente enquanto Hermione
tomava um gole de chá.
— Ginny, por favor, não exagere. A probabilidade de vê-lo hoje...
— É mais ou menos do que ele favorecer a livraria em que você trabalha?
Agora sente-se quieta. Acho que vou ter que trançar.
Hermione bocejou. Ginny acabou fazendo um bom trabalho com seu
cabelo, trançando o cabelo nas têmporas e puxando-o para baixo em uma
trança lateral que ficava em seu ombro direito, mas no minuto em que ela
sugeriu maquiagem, Hermione estava fora da cadeira.
— Apenas rímel! — foi o tiro de despedida de Ginny quando Hermione
bateu a porta atrás dela ao sair.
Hermione passou pelo fogo no Átrio do Ministério, e a primeira pessoa que
ela viu foi Draco Malfoy. Ele estava ao lado da nova fonte que havia sido
erguida no ano passado e Harry estava com ele. Levou alguns passos
apressados para Hermione perceber que a voz irritante que ecoava por todo
o Átrio era Rita Skeeter, dirigindo os dois enquanto seu fotógrafo corria em
círculos tentando capturar a interação deles.
Hermione manteve a cabeça baixa e observou-os com o canto dos olhos,
virando à esquerda para os elevadores. A voz de Skeeter perfurou o
corredor, pedindo um aperto de mão. Draco murmurou algo para Harry, e
Harry sorriu. Isso a impediu. O sorriso de Harry se transformou em uma
pequena risada. Ela ficou lá observando Harry e Draco rindo, balançando a
cabeça com algo que Harry disse em resposta. Era uma visão tão estranha,
mas confortável. Ela deveria saber que estava parada por muito tempo.
— Senhorita Granger!
Rita a tinha visto. Seus olhos brilhavam de excitação e possibilidades.
Harry a viu por cima do ombro de Draco, dando-lhe um olhar que dizia
"corra!"
Draco se virou. Seus olhos a percorreram de cima a baixo antes de pousar
em seu cabelo. Ginny estúpida.
— Senhorita Granger, que hora perfeita! — Rita estava se aproximando
dela. Ela agarrou seu braço e começou a arrastá-la até os meninos. —
Adoraríamos tirar uma foto sua com Harry dando as boas-vindas a Draco
no Ministério.
— O ministro Shaklebolt não seria um comitê de boas-vindas melhor? —
Hermione disse. Ela estava praticamente cravando os calcanhares nos
últimos metros.
— Ah, não, não, não! Rivais de infância, agora colegas de trabalho!
Possivelmente amigos! É aí que está a história.
Rita a colocou ao lado direito de Harry e pediu que ela sorrisse enquanto
eles apertavam as mãos novamente. Ela não devia estar sorrindo, porque
Rita certamente não estava.
— Srta. Granger, — ela estendeu a mão para ela. — Deixe-me ouvir
algumas palavras de você enquanto os meninos terminam.
Hermione se arrastou para frente e Rita agarrou seu ombro, levando-a
alguns passos para longe.
— Srta. Granger, — Rita começou, e a Pena de Citações Rápidas se
contorceu sobre seu ombro. — Qual é a sensação de ter Draco Malfoy, rival
de longa data e Comensal da Morte de curta duração, trabalhando para o
Ministério?
Hermione engoliu em seco e escolheu as palavras com cuidado.
— Acho que Draco Malfoy é mais do que capaz para a posição. Ele teve
notas excelentes em Hogwarts e sempre foi muito ambicioso.
Os lábios de Rita se apertaram. Ela tentou novamente.
— Foi difícil para você, uma vítima de seu abuso e ódio por tantos anos, vê-
lo esta manhã, no Átrio do Ministério, parecendo tão à vontade?
Hermione apertou a mandíbula e contou até cinco.
— Draco Malfoy se encaixará bem no Ministério. O Gabinete dos Aurores
terá sorte em tê-lo e...
— Você acha que o Ministério é o melhor lugar para um ex-bruxo das
Trevas?
— Ele nunca foi um Bruxo das Trevas! — Hermione esqueceu de contar até
cinco. — Isso, na verdade, é um insulto aos bruxos das trevas em todos os
lugares!
A pena de citações rápidas tremia de alegria enquanto rabiscava, mas Rita
estava muito quieta, como um falcão que encontrou sua presa.
— Por que você testemunhou no julgamento dele, Srta. Granger?
Hermione contou até cinco.
— Era a coisa certa a se fazer.
— E você e o Sr. Malfoy interagiram desde o julgamento? Vocês se
encontraram em particular?
— Não, — disse Hermione. Não adiantava entrar em detalhes. — Agora,
você tem o suficiente? Devo estar lá em cima em cinco minutos.
— Claro! — Rita borbulhou. — Bozo, já chega! — ela gritou para o
fotógrafo. Rita agarrou o braço de Hermione e a arrastou de volta. —
Deixe-me ter um momento com o Sr. Potter, e vamos tirar algumas fotos do
Sr. Malfoy indo para os elevadores! Senhorita Granger, por que você não o
acompanha? — Os olhos de Rita brilhavam.
— Eu não trabalho no andar dele, — disse Hermione. — Faria mais
sentido...
— Venha agora, Srta. Granger. — Rita a empurrou na direção de Draco. —
É para o jornal. Não precisa ser verdade.
Hermione balançou a cabeça, bufando. Ela olhou para Draco, que estava
olhando para ela, e então começou a caminhar em direção aos elevadores.
Ela podia senti-lo ao seu lado direito e podia ouvir seus sapatos estalando
no chão. Couro de dragão.
— Olhem um para o outro! Sorriam! Precisamos da foto de capa! — Rita
estava gritando a seis metros de distância e a lâmpada da câmera estava
iluminando todo o Átrio a cada dois segundos. Hermione se recusou a dar a
ela o que ela queria e manteve os olhos nos elevadores enquanto eles se
aproximavam.
Draco alcançou as grades douradas de um elevador que chegava e ficou de
lado para deixá-la passar primeiro. O cavalheirismo de Draco parecia tão
deslocado que Hermione olhou para ele. Ele estava olhando para ela. Ele
levantou uma sobrancelha. Ela atravessou e sentiu o fantasma da mão dele
em suas costas, guiando-a, assim como ele havia feito com a modelo
búlgara nos jornais. Draco entrou atrás dela e começou a fechar o portão.
— Tudo bem, agora voltem e faremos isso de novo! — A voz de Rita soou
da fonte. Outros funcionários do Ministério, aqueles que ainda não haviam
notado Draco Malfoy e fugido, começaram a evitar o elevador quando o
fotógrafo se aproximou deles. — Não é bem o que queríamos!
Draco continuou a fechar o portão.
— Voltem! Reiniciem!
Hermione o observou enquanto ele fazia questão de olhar ao redor da caixa
do elevador para saber como sair, e então se virou para o fotógrafo e gritou:
— Desculpe! É meu primeiro dia! — Ele agarrou uma corda pendurada no
momento em que a caixa começou a puxá-los para trás e fora de vista.
Hermione suspirou de alívio.
Estava quieto quando o elevador subiu para o Nível 7. A voz anunciou o
Departamento de Jogos e Esportes Mágicos e vários memorandos internos
chegaram. Ela precisava quebrar o silêncio.
— Se você acha que Skeeter está sendo uma "peste" demais, acho que uma
jarra com um Feitiço Inquebrável geralmente resolve o problema. —
Hermione assistiu vários memorandos voarem quando eles alcançaram o
Nível 6.
— Que Sonserino da sua parte.
Ela olhou para ele. Ele estava encostado na parede do elevador, tendo
recuperado o equilíbrio. Ele estava sorrindo para ela. Ela sentiu que isso era
um elogio, vindo dele. Ela desviou o olhar quando o elevador se moveu
para o lado, subindo para o Nível 5. Quase teve que se justificar.
— Eu só... — Ela procurou a explicação, — ...a odeio. — Ela balançou a
cabeça e soltou uma risada nervosa. Ela olhou para seus sapatos, que eram
bastante razoáveis para os padrões de Ginny.
— Vamos lá, — disse ele, e ela podia ouvir o sorriso em sua voz. — Pensei
que Hermione Granger tivesse deixado todo o seu ódio para trás em
Hogwarts.
— Não, há uma reserva especial, — disse ela. — Apenas para Rita Skeeter
e aqueles que não apreciam Lance Gainsworth.
Ela olhou para ele, sorrindo. Isso era o mais próximo que ele chegaria de
um pedido de desculpas pelo comportamento dela em Cornerstone alguns
dias antes. Ela observou como seu sorriso satisfeito se transformou em um
sorriso real.
O elevador desacelerou para chegar ao Nível 5. Ele abriu a boca para dizer
algo.
— Granger!
Hermione virou a cabeça para ver Aiden O'Connor entrando no elevador
com um enorme sorriso bobo no rosto.
— Momento perfeito, — disse ele. — Eu preciso de você.
Hermione escondeu sua careta. Ele sempre tinha um jeito de ser tão direto.
— Aidan. Bom dia. Você se lembra de Draco Malfoy, — Hermione disse
como introdução.
Aiden se virou para ver Draco encostado na parede do elevador. Hermione
notou que o sorriso de Draco havia sumido. Ele saiu da parede e ficou de
pé, estendendo a mão.
— Malfoy, é claro, — disse Aiden. Ele pegou a mão de Draco e sorriu.
Draco não retribuiu o sentimento. — Aiden O'Connor. Eu estava um ano
atrás de vocês em Hogwarts. É bom ter você aqui no Ministério.
Hermione desejou que Skeeter estivesse aqui para isso. Aiden apenas deu a
ela exatamente o que ela estava procurando a manhã toda.
— Obrigado, — disse Malfoy. Eles soltaram as mãos. — E o que você faz
aqui, Aiden?
— Estou no nível 4 com Granger aqui, trabalhando na divisão Bestial. —
Aiden cutucou o braço dela com o cotovelo, um movimento amigável que
ela nunca o vira fazer.
Hermione sentiu o elevador lento para o nível 4 e ela mal podia esperar para
pular.
— Você mudou seu cabelo?
Hermione olhou para cima e Aiden estava olhando para ela. Seus olhos
estavam dançando em torno de seu rosto e seu cabelo.
— Oh, hum, sim. — Ela empurrou um cacho solto para trás sobre a orelha.
— Eu quero dizer não. Está apenas trançado. — Ela desejou que ele parasse
de falar.
— Parece legal, — disse ele. Sem sorte. — Fora do seu rosto e tudo mais.
Hermione acenou com a cabeça para o chão.
— Obrigado.
O elevador parou no Nível 4, anunciando o Departamento de
Regulamentação e Controle das Criaturas Mágicas. Aiden deu um passo
para o lado e gesticulou para que Hermione mostrasse o caminho.
— Prazer em encontra-lo novamente, Malfoy. Boa sorte, — disse Aiden.
— Tenha um ótimo primeiro dia, Malfoy, — disse Hermione.
Ela levantou os olhos do chão para ver Draco dando-lhes uma expressão
neutra quando eles saíram. Hermione sentiu a mão de Aiden guiá-la pelo
elevador, muito parecida com a de Draco quando eles entraram. Ela ficou
tensa. Ela não ousou olhar para Draco.
O que havia com esses homens pensando que ela não podia andar sozinha?
Hermione acordou na manhã seguinte com um recorte do Profeta Diário em
sua mesa. O artigo de Rita não chegou à primeira página – o que fez
Hermione sorrir –, mas apareceu em duas páginas no meio do jornal.
Uma foto de Harry e Draco apertando as mãos acompanhava a primeira
página, com a hipótese de Rita sobre o que exatamente Draco estaria
fazendo no Ministério. Hermione estava tão feliz que a foto dela parada
desajeitadamente atrás de Harry não apareceu.
Mas então, na segunda metade do artigo, uma citação gritava para ela em
letras grandes:
"Ele nunca foi um bruxo das trevas"
– Hermione Granger, a bruxa mais brilhante de nossa era.
Hermione fechou os olhos, beliscando a ponta do nariz. Quando ela os
abriu, ela então viu a foto.
Bozo os capturou caminhando juntos para os elevadores. Ela estava quase
irreconhecível com o cabelo preso em uma trança, mas é claro que enquanto
observava a foto se mover, ela viu Draco abrir a grade para ela, e então ela
se viu olhando para ele. Era claramente ela naquele perfil.
Ela observou enquanto ela passava e a mão de Draco surgiu para guiá-la.
Ela pulou da cama e abriu o armário para encontrar aquele recorte da garota
búlgara. Ela tirou o artigo "Draco Malfoy encontra o amor" de uma caixa
de sapatos e colocou as fotos lado a lado. Ela observou quando ele deu um
passo para o lado para o modelo, abriu a porta do restaurante e colocou a
mão na parte inferior das costas dela. Talvez mais abaixo nas costas da
modelo do que nas dela, mas ela ainda estava olhando para o mesmo
movimento. Ela deu um suspiro de alívio que talvez Draco não estivesse
realmente cortejando a búlgara, talvez ele fosse apenas um cavalheiro puro-
sangue.
Seu sorriso desapareceu de seu rosto enquanto ela lia a segunda página do
artigo onde Rita Skeeter havia tomado extremas liberdades com a
entrevista. Aparentemente, Hermione estava falando sobre as boas
qualidades de Draco com o brilho de paixão em seus olhos.
Perfeito.
Capítulo 7.
Hermione sobreviveu o resto da semana sem encontrar Draco. Nem nos
elevadores, nem no café, nem no átrio ao entrar. Ela não deixou Ginny
pentear seu cabelo de novo. Ela disse a ela que "a pessoa errada notou", o
que deixou Ginny bastante confusa tentando descobrir o que ela queria
dizer com isso.
Sexta-feira chegou e Hermione ficou feliz em ver o relógio marcando cinco
horas. Às vezes, Harry e alguns outros Aurores iam a um pub depois do
trabalho nas sextas-feiras, e Harry a convidou hoje. Ela realmente não
bebia, mas uma cerveja amanteigada soava bem agora.
Eram 16:42 quando Hermione ouviu passos vindo ao seu escritório. Ela
olhou para cima para ver Harry virando a esquina. Ele estava respirando
com dificuldade, como se tivesse corrido.
— Harry, — ela disse. — O que é?
— Eu cometi um erro, — disse ele. Ele passou a mão pelo cabelo e mexeu
os óculos pelo rosto. Hermione sentiu um aperto no peito que não sentia há
quase dois anos.
— O que está errado?
Ginny dobrou a esquina, também sem fôlego.
— Ginny! Está tudo bem?
— Em breve estará! — Ela sorriu. As coisas não deviam estar tão terríveis
se Ginny estava sorrindo.
— Eu, er... — Harry começou. Ele baixou a voz. — Eu estava conversando
com alguns membros da minha equipe sobre sair para o pub hoje à noite, e
Malfoy estava a poucos metros de distância.
Ginny estava tirando um pente e grampos de sua bolsa. Hermione a
encarou, sem entender.
— E, — Harry continuou. — Eu disse "Ei Malfoy, se você não estiver
ocupado depois do trabalho..."
Quando Ginny começou a puxar o cabelo de Hermione, ela de repente
entendeu.
— Nós conseguimos, Potter. Você pode ir, — Ginny disse, girando a
cadeira de Hermione.
— Oque...? — Hermione tentou.
— Mais uma vez, sinto muito, Hermione, — disse Harry. Ele caminhou de
volta para os elevadores.
Ginny puxou seu cabelo para fazê-la olhar para frente.
— Vamos tentar algo diferente desta vez, sim? — disse Ginny.
— Ginny, pare. — Hermione se virou na cadeira. — Você não precisa fazer
isso. Eu vou ficar bem.
— Ouça, Granger. — Ginny se inclinou e colocou as mãos nos braços de
Hermione, trazendo seu rosto ao nível do dela. — Você tem que tentar. Não
custa nada tentar.
— Há algo a ser dito sobre "tentar" demais, — disse Hermione. Um
pensamento a atingiu. — Harry ligou para você?
Ginny assentiu.
— Ele apareceu no flu e disse: "Acabei de cometer um erro terrível,
convidei Malfoy para sair conosco esta noite", e eu disse a ele para ir contar
a você e eu estaria aqui.
Hermione não sabia se devia ficar consolada por ter amigos tão carinhosos,
ou insultada por ninguém pensar que ela pudesse se vestir sozinha.
— E desta vez, — Ginny ameaçou. — Vamos passar rímel.
Hermione foi capaz de detê-la pelo brilho labial. Ginny havia puxado o
cabelo de suas têmporas para trás em tranças novamente, mas deixou o
resto solto, usando sua varinha para enrolar algumas mechas rebeldes nos
cachos que deveriam ser. Ginny não deixou que ela se visse até que elas
estivessem a caminho do pub, mas ela tinha que admitir que Ginny tinha
feito um bom trabalho. O rímel estava pesando em seus olhos, no entanto.
O pub estava particularmente lotado às 17h. Eles vinham aqui depois do
trabalho muitas vezes, mas nunca era assim. Ginny conduziu Hermione
através da multidão até o canto de sempre, esbarrando nas pessoas no
caminho. Katie Bell acenou para elas se dirigirem à mesa e deu um grande
abraço em ambas. Katie começou na Divisão de Uso Indevido de Magia
logo após a Batalha de Hogwarts, então ela geralmente se juntava a eles nas
noites de sexta-feira.
— Hermione! — Katie disse. — Você está tão bonita!
Hermione olhou para Ginny. Ginny sorriu.
— Eu vou tirar isso do meu cabelo, — disse Hermione, mas Ginny agarrou
seu braço quando ela começou a se afastar.
Ginny se virou para Katie.
— Ela está tentando algo novo. Tentando chamar a atenção de alguém.
— Ginny! — Hermione ficou boquiaberta. Ginny riu e se afastou.
Hermione virou-se para Katie, — Isso não é... quero dizer, ela está...
— É sexta à noite, Hermione! — Katie riu. — Você pode ser uma mulher
jovem! — Katie se inclinou para ela. — Quem é ele?
— Não é... quero dizer, ele provavelmente nem estará aqui esta noite, —
Hermione mentiu.
— Oh! — Katie teve um pensamento, então se inclinou para Hermione. —
Você ouviu que Harry convidou Draco Malfoy? Que idiota!
Hermione suspirou, mas então se lembrou de partes do sexto ano...
— Katie, oh não. Eu sinto muito. Você está bem com Malfoy aqui?
Katie acenou com a mão na frente do rosto.
— Está tudo bem, — disse ela. — Eu tenho trabalhado com ele a semana
toda, agora. Além disso, ele veio ao meu escritório no primeiro dia e pediu
desculpas por tudo.
— Ele... Ele pediu? — Hermione não esperava isso.
— Sim, ele apenas disse que queria limpar o ar. — Katie tomou um gole de
seu copo de água. Ela sorriu jocosamente para Hermione e disse: — O quê?
Ele ainda não chegou ao nível 4 para se desculpar com você por anos de
xingamentos e tortura?
Hermione riu. — Não, ainda não. Mas talvez ele tenha começado com os
crimes puníveis por lei.
Katie riu. — Na verdade, ele não é tão ruim assim. Ele mudou desde
Hogwarts.
— Realmente? — Hermione perguntou: — Como ele é no trabalho?
— Agradável, na verdade. Ele é muito mais reservado e não anda com o
nariz empinado como antigamente.
Hermione ia perguntar mais, mas então Ginny voltou com um punhado de
Firewhisky.
— Quem está com o nariz empinado? — Ginny balançou as sobrancelhas
para Hermione. — Draco Malfoy?
— Como você adivinhou? — Katie riu.
Ginny entregou um copo a Hermione e quando Katie recusou o dela com
um sorriso, Ginny pegou a metade e forçou Hermione a engolir o resto.
Hermione teria que ficar com cerveja amanteigada pelo resto da noite.
— Vamos nos juntar aos meninos! — Ginny gritou acima do barulho.
Estava ainda mais alto do que quando elas entraram.
Enquanto Katie e Ginny a levavam para o canto, ela podia apenas pegar seu
copo. Eles estavam em uma mesa alta. Eram Draco, Harry e Anthony
Goldstein. Harry se levantou e beijou Ginny e deu um aperto no braço de
Hermione. Katie estava na cabeceira da pequena mesa, enquanto Draco e
Harry estavam um de frente para o outro. Anthony estava contra a parede, à
esquerda de Draco. Ginny foi até o banco aberto à direita de Harry.
Hermione ativamente não olhou para Draco.
Eles estavam conversando sobre um caso no trabalho. Até Ginny sabia
alguns detalhes através de Harry, então Hermione era a única tentando
alcançá-los. Algo sobre alguns estudantes de Durmstrang e uma antiga
propriedade familiar no interior da Inglaterra. Ela não ousou pedir para eles
começarem do começo, então ela apenas se apoiou contra a parede ao lado
do banquinho de Ginny e escutou.
Draco falava de vez em quando. Parecia que sua especialidade era sobre as
famílias dos alunos de Durmstrang, e que Lucius era amigo íntimo do
ministro escandinavo. Hermione se viu observando a forma como as mãos
dele seguravam o copo de Firewhisky. Ele tinha um anel no polegar
esquerdo que Hermione vira com frequência como uma espécie de anel da
Sonserina. O anel batia no vidro em um ritmo que só ele conhecia, mas isso
não impediu Hermione de tentar descobrir.
Ela sentiu Ginny se inclinar para sua orelha esquerda.
— Pare de olhar para as mãos dele e compre outra rodada para a mesa.
Hermione corou e Ginny riu dela. Hermione achou que era uma ideia
maravilhosa, visto que ela não conseguia entrar na conversa e não
conseguia parar de se fixar nele. Ela se espremeu para fora do canto em que
se encontrava e foi até o bar. Ela ouviu a voz dele dizendo algo sobre o
barulho, e então a mesa riu. Velhos hábitos a deixavam tensa, como se a
piada fosse sobre ela, mas ela tinha que se lembrar que Harry e Ginny
nunca iriam rir dela daquele jeito.
Ela pediu ao barman mais uma rodada para os meninos no canto, uma dose
de Firewhisky para Ginny e duas cervejas amanteigadas para Katie e ela.
Ela levitou as bebidas sobre a multidão e as colocou uma de cada vez na
frente de seus donos.
— Você é uma rainha, você é, Granger! — Anthony virou o copo anterior e
aceitou o novo.
A nova bebida de Draco tilintou contra aquele maldito anel enquanto ela a
levitou em suas mãos. Ela juntou magicamente os copos vazios e os
mandou de volta para o barman.
— Depois que terminar de libertar os dragões e os centauros, Granger, você
deveria considerar uma carreira como garçom, — disse Draco.
Hermione olhou para ele, esperando pelo insulto, mas não houve nenhum.
Ginny interveio com: — Isso é realmente muito raro. Estou mais
acostumada com ela quebrando copos do que limpando.
— Ei! — Hermione cutucou Ginny depois que os copos pousaram com
segurança no bar. Hermione entregou uma cerveja amanteigada para Katie,
que ela não aceitou.
— Na verdade, — disse Katie, sorrindo. — Este é o momento perfeito para
contar as novidades. — Ela olhou ao redor da mesa e disse: — Estou
grávida.
Ginny ofegou. — Não! — Ela riu.
Os meninos se juntaram com um coro de parabéns. Hermione apertou seu
braço, mas estava tentando se lembrar com quem Katie estava namorando,
porque ela certamente não era casada.
— Então, Harry, — disse Katie. — Acho que vou ter que desistir do
Quadribol por um tempo.
— Katie! — Anthony interveio. — Você está no pior momento! Jogamos
Jogos e Esportes Mágicos no próximo domingo!
Katie riu: — Sinto muito! Vou dizer ao bebê para esperar mais alguns
meses!
— Existe uma liga interdepartamental de Quadribol no Ministério? —
Draco perguntou.
O silêncio constrangedor durou pouco. Harry se virou para Draco.
— Sim, nós o formamos alguns meses atrás. Você joga, Malfoy? — Harry
sorriu. Parecia tão natural, esse conhecimento.
Draco sorriu.
— Tenho certeza que você já tem um apanhador. — Draco se dirigiu a
Harry.
— Estamos treinando sem um pomo, então estou tentando como batedor. Se
Katie estiver fora, vamos precisar de um terceiro, comigo e Ginny.
Draco olhou para Ginny.
— E como você conseguiu fazer parte da equipe DMLE se não é uma
oficial DMLE?
— Namorar Harry Potter tem suas vantagens. — Ginny sorriu.
— Eu vou ter que tentar algum dia, — Draco disse, sorrindo para ela.
Anthony engasgou com a bebida. Harry torceu o nariz. Ginny sustentou o
olhar dele com um sorriso, e Katie caiu na gargalhada.
Hermione apenas observou. Sua mente voltou para o momento fora da Sala
Precisa, Draco segurando o corpo inconsciente de Goyle, gritando o nome
de Crabbe. Ela sentiu uma pontada de irritação enquanto se perguntava
onde Pansy Parkinson estava e como ela se sentiria sobre Draco Malfoy
bebendo com Harry Potter e Hermione Granger.
Harry convidou Draco para o treino de amanhã, o que significava que
Hermione não o veria na Cornerstone amanhã. Ela se sentiu desapontada e
aliviada ao mesmo tempo. Ela tomou um gole de sua cerveja amanteigada
enquanto eles conversavam sobre quadribol, e enquanto seu estômago
esquentava, seus cílios pareciam ainda mais pesados com o rímel. Ela
deveria ir ao banheiro e tentar tirar a gosma.
— Granger, você está na Floreios e Borrões, certo?
Hermione olhou para cima para ver Anthony olhando para ela.
— Cornerstone, na verdade. — Ela colocou a cerveja amanteigada na mesa,
percebendo agora que havia bebido metade dela distraidamente.
— Isso mesmo. Minha mãe tem tentado ler mais. Você pode recomendar
alguma coisa?
Hermione abriu a boca, mas uma fala arrastada chegou antes dela.
— Ela deveria experimentar a série Indesejável.
Ela olhou para Draco. Ele sorriu para ela com aquele brilho nos olhos.
— É realmente muito astuto, — ele continuou, mas não estava olhando para
Anthony. — São sete romances, todos com perspectivas diferentes sobre os
mesmos momentos. Alguns diriam que é tedioso assim, mas Gainsworth
consegue mantê-lo interessante, revelando novas informações cada vez que
a cena é revisitada.
— Ok, obrigado, — disse Anthony. — E é por...?
— Lance Gainsworth. — Hermione disse por cima. Ela observou os lábios
dele se contorcerem. Ele tomou um gole de seu copo.
— E você concorda, Hermione? — Anthony disse a ela.
— Oh, sim, — ela disse, encarando Draco. — Você poderia até dizer que
tenho exatamente a mesma opinião.
— Ótimo. — A voz de Anthony flutuou até ela. — Vou ter que passar lá
para pegar o primeiro.
Ela observou enquanto Draco sorria e saía de seu banquinho, indo para o
bar. Em algum momento durante o último minuto, Ginny moveu-se para
falar com Katie sobre o bebê. Harry e Anthony começaram uma conversa
sobre Quadribol novamente. Ela pegou o banquinho de Ginny. Era melhor
sentar. Ela bebeu sua cerveja amanteigada, antecipando sair em breve.
— Granger!
Hermione estremeceu ao ouvir uma voz amigável, mas intrusiva por cima
do ombro.
— Olá, Aiden. — Ela se virou e deu a ele um sorriso convincente.
— Você continua fazendo seu cabelo de maneira diferente. Quase não te
reconheci! — Aiden encostou-se na parede atrás de seu banquinho,
forçando-a a se virar para manter uma conversa.
Não que ela não gostasse de Aiden. Ela achava que ele era perfeitamente
legal. Ele só tinha uma qualidade um pouco... ausente.
— Eu ia convidar você para sair conosco esta noite, mas não consegui
encontrá-la. Coincidência engraçada, hein?
— Definitivamente. — Hermione disse, não se comprometendo com
nenhuma conversa.
Aiden tomou um gole do que parecia ser sua terceira cerveja amanteigada.
Ela olhou por cima do ombro dele para ver três caras que estavam com ele
que ela não reconheceu, mas Harry parecia conhecer um deles. Ele tinha
saído de seu banquinho e estava dizendo olá. Aiden aproveitou a
oportunidade para se sentar no banquinho vazio de Harry ao lado dela. E
novamente ela teve que se virar para encará-lo.
— Você viu o artigo no jornal esta manhã sobre o Rabo Córneo que eles
encontraram?
— Sim. Tenho certeza que estaremos trabalhando nisso durante toda a
próxima semana, — Hermione disse. Ela havia encontrado o artigo ao lado
da mais recente história de Draco Malfoy escrita por Rita Skeeter. Ela
tomou um gole e encontrou sua cerveja amanteigada vazia. Como?
Aiden viu isso e pulou.
— Deixe-me pegar outra bebida para você.
Assim que Hermione estava prestes a dizer "não, obrigada", uma mão
apareceu colocando uma cerveja amanteigada na frente dela na mesa. Ela
olhou para o anel da Sonserina por um momento antes de olhar para cima.
Draco não estava olhando para ela, mas sim dando um sorriso
condescendente para Aiden.
— O'Connor, não é? — ele disse.
— Sim. Malfoy, que bom ver você. — Aiden estendeu a mão e Malfoy a
pegou. — Como foi sua primeira semana? — Aiden sorriu brilhantemente.
Hermione não conseguia entender como ele não percebia a antipatia de
Malfoy por ele. Ou a antipatia de alguém por ele, na verdade.
— Excelente, obrigado. — Isso foi tudo.
Aiden sorriu e acenou com a cabeça.
— Eu vou pegar outra bebida. Vejo você por aí Malfoy! Granger, — Aiden
colocou a mão no ombro dela, possivelmente como um adeus. — Nos
falaremos na segunda-feira!
Draco o observou ir embora. Hermione pegou a cerveja amanteigada que
ele colocou na frente dela.
— Obrigada, — ela disse baixinho. Ela tomou um gole, mas sabia que não
deveria terminar.
Draco sentou-se no banquinho vazio ao lado dela. Ele a encarou. Hermione
percebeu que ninguém mais iria se juntar à conversa porque eles estavam
ocupados com a sua própria. Ela tomou outro gole de sua cerveja
amanteigada.
— Ele me lembra Weasley.
Hermione largou a bebida e limpou a boca.
— Rony?
— Não, a mãe. — Draco revirou os olhos. — Sim, Rony.
Hermione olhou para Aiden no bar, conversando e sorrindo. Ela não
percebeu direito.
— É o jeito que ele sorri e aperta sua mão que traz lembranças de Ron? —
Hermione perguntou. Ela olhou para ele sob os cílios e sorriu.
— Deve ser isso. — Draco sorriu.
— Você parece estar se encaixando muito bem com os Grifinórios. —
Hermione pegou a bebida para fazer algo com as mãos, mas se conteve
antes de tomar um gole. Talvez tenha sido assim que alguns desenvolveram
um problema com a bebida: goles nervosos.
— Bem, Goldstein é um Corvinal, então nos agarramos um ao outro sempre
que alguém tenta correr para um prédio em chamas para salvar gatinhos.
Hermione sorriu. Ela esqueceu de sua promessa para si mesma e tomou
outro gole.
— Eu pensei que você estaria salvando elfos domésticos, não estudando
dragões.
Hermione encontrou seus olhos por cima do copo. Se ele quis dizer uma
insinuação, seu rosto não o traiu. Ela engoliu e lambeu a espuma dos lábios.
— Eu quero trabalhar em realocação, — disse ela, escolhendo um ponto por
cima do ombro para olhar para que ela não tivesse que olhar em seus olhos
enquanto falava. — Espero ir para lá quando houver uma vaga, mas a
divisão bestial está bem por enquanto.
— Eles não deveriam estar se esforçando para lhe dar qualquer posição que
você deseja? Ou você se esqueceu de colocar "Garota de Ouro" em seu
currículo?
— Na verdade, eu me inscrevi com um nome falso. — Ela olhou para suas
mãos. Suas unhas precisavam ser feitas. Ela esperava que ninguém as
tivesse visto esta semana.
— E por que isso?
Ela olhou para ele, lembrando que eles estavam no meio de uma conversa.
Ela e Draco. Conversando. Que estranho.
— Eu realmente não queria receber nada depois da guerra, — disse ela,
olhando por cima do ombro dele novamente. — Eu queria ganhar minha
posição com base no mérito e não em quem fiz amizade no primeiro ano. —
Ela tomou um gole de sua bebida novamente e o líquido frio era tão bom.
Houve silêncio. Ela checou ele, se perguntando se ela o tinha entediado.
Ele estava franzindo a testa para ela.
— Você acha que é por isso que eles te chamam de Garota de Ouro? — Ele
levantou uma sobrancelha. — Porque Potter e Weasley permitiram que você
entrasse no clube deles?
Ela prendeu a respiração, esperando que ele dissesse por quê. Ela o
observou enquanto ele a observava e encontrou seus olhos atraídos para o
canto de sua boca, onde ele escondia seu sorriso. Uma pequena voz em sua
cabeça disse a ela que olhar para a boca dele provavelmente era a coisa
errada a se fazer.
— Ei Granger!
Hermione pulou e procurou no pub para ver Aiden acenando para ela.
Maravilhoso.
— Estamos descendo a rua para o novo pub na esquina. Quer vir comigo?
— Aiden virou a cabeça para trás em direção a várias outras pessoas de seu
departamento que ela não sabia que estavam lá.
— Oh não. Obrigado! — Ela sorriu, esperando que ele simplesmente fosse
embora para que Draco pudesse dizer a ela por que ela era de ouro. Ou algo
assim.
— Tudo bem! — ele gritou de volta para ela. — Mas ainda te devo o
almoço da semana passada, então pego sua bebida da próxima vez! — Ele
sorriu como um cachorrinho enorme e acenou para ela, acenando para
Malfoy. Hermione nem se lembrava de ter comprado o almoço dele na
semana passada. Ela tomou um gole de sua bebida e observou Aiden sair
com seus colegas de trabalho.
— Há quanto tempo você está saindo com ele?
Os olhos de Hermione se voltaram para Draco. Seu rosto estava neutro.
— Desculpe? — ela disse.
— O'Connor, — ele disse. — Vocês estão juntos? — Ele tomou um gole de
sua bebida e a observou por cima do copo.
Ela abriu a boca para protestar, para corrigi-lo, para dizer qualquer coisa,
mas a voz de Harry os interrompeu.
— Ei, Ginny e eu vamos ir embora. — Ele estava parado sobre o ombro de
Draco. — Hermione, você quer ficar ou ir conosco?
Ela realmente queria corrigir Draco, mas essa não era uma das opções
dadas.
— Estou prestes a ir também, — disse Draco. Ele começou a se levantar.
Ela precisava voltar àquela outra conversa. — Ela deveria ficar do seu lado,
Potter. Ela não deveria estar aparatando em lugar nenhum.
Eles estavam falando sobre ela como se ela nem estivesse lá. Ela começou a
sair do banquinho.
— Eu vou ficar bem. Eu só tinha tipo...
Ela escorregou um pouco, mas conseguiu se estabilizar. Os bancos eram um
pouco mais altos do que ela pensava. Não é a melhor evidência para o caso
dela. Harry riu e estendeu a mão para ela. Ela franziu a testa para ele e
estendeu o braço, percebendo que a mão de Draco estava em seu cotovelo.
Ele deve tê-la segurado quando ela escorregou. Ele a soltou assim que ela
olhou para baixo, para onde sua mão estava sobre ela. Ele tocou sua pele
nua com a mão e ela perdeu completamente.
— Então, amanhã em Hodgley Field, Malfoy? — Harry a estava escoltando
para fora, mas Hermione ainda sentia que havia algo que ela precisava
dizer.
— Estou ansioso por isso, Potter.
— Boa noite, Draco, — ela disse. Talvez fosse isso? Sua cabeça estava
confusa. Ela olhou para ele uma última vez. Ele estava muito quieto
enquanto eles se afastavam dele, olhando para ela.
Ela deixou Harry puxá-la para fora da porta. Ele estava reprimindo um
sorriso e quando Ginny os encontrou do lado de fora, Ginny perguntou: —
O que há de tão engraçado?
Harry riu alto depois que a porta se fechou completamente.
— Você o chamou de Draco. — Os olhos de Harry estavam brilhando.
Hermione sentiu o calor deixar seu rosto enquanto ela permanecia imóvel.
— Oh meu Deus! — Ginny cacarejou.
— Oh, meu Deus, — Hermione cobriu o rosto com as mãos.
Capítulo 8.
A manhã de sábado encontrou Hermione cambaleando até o banheiro em
busca de uma Poção Reanimadora. Ela nunca teve uma ressaca, então não
tinha certeza se era uma. Ela se sentiu um pouco melhor depois de beber a
poção antes de lembrar que precisava sair para o trabalho em vinte minutos.
Enquanto ela se vestia, ela se lembrou que Draco estaria no treino de
Quadribol hoje e, portanto, provavelmente não pararia em Cornerstone.
Hermione franziu a testa para si mesma no espelho. Ela parecia tão cansada
com olheiras ao redor dos olhos. Ela então percebeu que não eram as
olheiras, era o rímel que ela não tirou antes de rastejar para a cama.
Ela riu e foi lavar o rosto.
Sentindo-se muito mais fresca, ela saiu pela porta para ir ao ponto de
aparatação.
— Senhorita Granger! Aqui! — O jornalista com a câmera a chamou
quando ela apareceu no Beco Diagonal. Ela continuou sem responder. — O
que você vai fazer no seu aniversário amanhã?
Agora havia uma boa pergunta. Seu vigésimo aniversário havia se
aproximado dela. Ela sempre foi mais velha que o resto de seus colegas de
classe, mas estar entrando na casa dos vinte quando Ginny tinha acabado de
fazer dezoito anos era muito estranho.
Harry havia mencionado levá-la para jantar, mas isso era tudo o que ela
realmente planejara. Morty escreveu um bilhete para ela no meio da
semana, repreendendo-a por não ter contado a ele sobre seu aniversário e
exigindo que ela tirasse o dia de folga, para que não pudesse passar o dia lá.
Talvez ela dormisse? Isso parecia errado.
Após as primeiras duas horas olhando para cima sempre que alguém
entrava na loja, esperando que fosse Draco, Hermione finalmente relaxou.
O treino de Quadribol geralmente durava até meio-dia, mas então eles
saíam para almoçar ou ficavam conversando por algumas horas. Os treinos
que Hermione frequentou se arrastaram por muito mais tempo do que ela
achava necessário.
Eventualmente, ela teve que virar as costas para a porta da frente. Ela só
ficaria desapontada quando Draco não viesse a Cornerstone hoje. Não era
como se eles tivessem um encontro marcado, mas ele tinha estado nos
últimos dois fins de semana. Talvez ele tenha se ofendido tanto com o uso
de seu primeiro nome na noite anterior que não iria mais visitá-la aqui.
Hermione balançou a cabeça. Não, ele não a estava visitando. Ele estava
frequentando uma livraria.
A porta se abriu e enquanto ela estava de costas ela podia sentir o vento
dançar com seus cabelos. Levou cada grama de controle para não se virar.
— Quem você precisa conhecer para conseguir um livro por aqui! — uma
voz familiar ecoou da porta.
Hermione se virou com os olhos arregalados para ver Ron Weasley em seu
tapete de boas-vindas.
— Rony! — Ela engasgou e ele sorriu para ela, esticando os braços.
Ela deu a volta no balcão e desceu os dois degraus até o patamar de entrada,
jogando os braços ao redor dele.
Ela sentiu seus pés saírem do chão quando ele a apertou em seus braços.
Era como se o último um ano e meio nunca tivesse acontecido. Essa era sua
coisa favorita sobre ver Ron. Nada nunca mudava.
— Feliz aniversário, Mione.
Seus pés tocaram o chão novamente e ela o soltou, mas manteve os braços
ao redor dele, puxando-o para trás.
— O que você está fazendo aqui? Você deveria estar treinando para a
temporada de outubro.
— Eu disse a eles que nossa segunda sequência poderia usar um pouco de
prática. Eu tinha que ir para casa para ver uma garota.
Ela se afastou e deu um soco no braço dele, sorrindo para ele.
— Você não está aqui apenas para o meu aniversário.
— Bem, foi o principal motivo! Tenho uma reunião com George e vários
investidores esta tarde e depois um coquetel esta noite com algum ministro
de alguma coisa, mas amanhã sou todo seu.
Ele sorriu para ela e tudo parecia muito simples. Ter alguém abraçando-a,
um toque amigável, mas íntimo. E havia um calor descomplicado que Ron
sempre trazia consigo.
— Bem, — disse ela. — Hoje trabalho até as seis, mas amanhã tenho folga.
— Dia de folga? Hermione Granger tira o dia de folga? Merlin, você
mudou tanto. — Ele brincou com ela e soltou seus quadris, dando uma
olhada ao redor da loja. — Este é um pequeno lugar agradável.
Hermione subiu os degraus até o balcão.
— Eu gosto daqui. É muito tranquilo. — Ela voltou para trás do balcão. —
Então, quando você chegou?
Ele se inclinou no balcão entre eles.
— Há algumas horas atrás. Eu parei em Hodgley Field primeiro, — Ron
disse.
As mãos de Hermione gaguejaram sobre os livros que ela começou a
separar.
— Oh?
— Você sabia que Harry deixou Malfoy se juntar ao time de Quadribol?
Isso é insano!
— Oh, eu sei, — Hermione tentou enfrentar sua indignação.
— Ouvi dizer que ele anda muito mais por aí. O idiota não consegue
encontrar seus próprios amigos?
— Ah, acho que não. — Hermione se virou do balcão para pegar um livro.
— Os amigos dele estão todos mortos ou em Azkaban, tenho certeza.
Hermione estremeceu, mas se virou para sorrir para ele. A antipatia de Ron
por Draco era lendária. E o sentimento era mútuo, Hermione tinha certeza.
Ela mudou de assunto para o time de Quadribol de Ron e como tudo estava
indo para ele na Irlanda. Ela notou que ele convenientemente deixou de fora
pequenos detalhes, como as mulheres que ele levou para certas festas, pós-
festas e incidentes que os jornais cobriram sobre ele ser expulso de bares
com colegas de equipe e fangirls. Tudo bem. Hermione só queria conversar
com seu amigo Ron, não com seu ex-namorado.
Ele ficou por mais uma hora, conversando e ajudando-a a classificar os
livros. Ela se esqueceu completamente de Draco Malfoy e por isso ela
estava grata. Ron saiu para ir ao encontro com George, mas ao sair ele deu
um beijo na bochecha dela que demorou muito, perto do canto da boca dela.
Ele sorriu para ela quando a porta se fechou atrás dele.
No domingo, Hermione acordou com balões cobrindo todo o teto do quarto.
Ela sorriu e se arrastou para fora da cama, seguindo o cheiro do café da
manhã na cozinha.
Ela saiu do quarto na ponta dos pés para encontrar Harry e Ginny na
cozinha. Harry estava de costas para ela, mexendo no bacon no fogão, e
Ginny estava sentada em uma bancada chutando as pernas. Eles estavam
conversando em voz baixa, sorrindo um para o outro, alimentando um ao
outro. Hermione quase desapareceu de volta em seu quarto para dar-lhes
privacidade antes de lembrar que era seu café da manhã que eles estavam
preparando para seu aniversário.
Ela tossiu um pouco para anunciar sua presença antes de ir para a cozinha.
Ginny pulou do balcão e jogou os braços em volta dela.
— Feliz aniversário, Hermione!
— Bom dia, Gin. Obrigado. — Hermione soltou Ginny apenas para ser
engolfada por Harry em seguida.
— Feliz aniversário, — disse ele, apertando-a com força.
— Obrigada, Harry, — disse ela. — Você não precisava preparar o café da
manhã.
— Ah, mas eu preparei, — Harry se afastou e deu a Ginny um olhar
aguçado.
Ginny a forçou a sentar e deixou que eles a servissem. Bem ridículo na
verdade. Quando se levantou para pegar mais leite para o chá, Ginny a
ameaçou com a espátula para que permanecesse sentada.
Hermione recostou-se na cadeira, balançando a cabeça, e enquanto Harry
dobrava o Profeta Diário da manhã, ela teve um vislumbre de uma cabeça
loira. Harry jogou o jornal no chão e Hermione perguntou: — Alguma coisa
boa no jornal hoje, Harry?
Ele balançou sua cabeça.
— Uma menção ao vigésimo aniversário da "Garota de Ouro", é claro. —
Ele sorriu para ela e ela franziu a testa para ele.
— Ela realmente usou essa frase?
— Claro que sim. — Harry riu. — Aqui, deixe-me mostrar como ela divaga
sobre você...
— Ah-ah! Nada de papéis hoje! — Ginny interrompeu. — Sem novidades!
— Ginny deu a Harry um olhar que ele entendeu imediatamente. Hermione
estava perdida, infelizmente.
— Sem novidades? — Hermione perguntou.
— Sim, sem novidades. — Ginny colocou o leite na mesa na frente de
Hermione. — Estamos comemorando hoje e nada mais nos distrairá! Coma
seus ovos, — ela concluiu, de um jeito bem Molly Weasley.
Eles conversaram durante o café da manhã sobre o trabalho, sobre Ron estar
em casa, sobre nada realmente. Ginny tinha feito planos para jantar naquela
noite em um dos melhores restaurantes da Londres Mágica, então depois de
um dia muito agradável sem fazer nada além de aproveitar a companhia de
seus melhores amigos, eles se encontraram com Ron por volta das cinco
horas para passear pelo bairro antes de ir para a reserva das seis horas. Ron
a beijou no canto da boca novamente, e ela sentiu a mão dele em suas
costelas quando ele se afastou.
Ocorreu-lhe quando eles estavam sentados em uma mesa para quatro
pessoas, Harry à sua esquerda, Ron à sua direita e Ginny à sua frente, que
isso era exatamente como deveria ser. Os quatro eram muito simples
quando não estavam salvando o Mundo Mágico. Ron estava contando uma
história fazendo gestos ruidosos com os braços, Ginny revirava os olhos
para ele, Harry o corrigia e Hermione ria. Eles não eram heróis de guerra ou
crianças bruxas famosas ou jogadores de Quadribol. Eles eram quatro
amigos. Dois casais. Ela talvez pudesse se acostumar com isso novamente.
Depois dos presentes, depois da sobremesa, Harry e Ron acompanharam as
meninas até o ponto de aparatação.
— Acho que estarei de volta no mês que vem, talvez perto do Halloween,
— disse Ron. O braço dela estava no dele e ele estava muito quente.
— Maravilhoso. Precisamos planejar algo então.
— Eu sinto muito a sua falta, Hermione.
Ela olhou para ele. Ele estava olhando para ela com um sorriso triste. Ela
sorriu para ele e apertou seu braço perto do dela.
— Eu também sinto muito a sua falta. Todos nós sentimos. Mas estou muito
orgulhosa de você por perseguir seus sonhos, Ron.
Ele sorriu para o chão. Quando chegaram ao ponto de aparatação, Harry
deu um beijo de despedida em Ginny e deu um abraço em Hermione. Ron
deu um soco no braço de sua irmã e a abraçou. Então ele se virou para
Hermione e a abraçou com força. Ele se afastou e deu um simples beijo em
seus lábios. Ela sorriu para ele.
HERMIONE GRANGER E RONALD WEASLEY APAIXONADOS
DE NOVO!
por Rita Skeeter
Em tempos incertos, olhamos para a esperança. Olhamos para aqueles que
nos dão esperança.
Nos últimos oito anos, Hermione Granger e Ronald Weasley nos deram
esperança de várias formas, mas agora eles nos oferecem um tipo diferente
de esperança. Uma esperança de felizes para sempre.
Hermione ficou boquiaberta com a foto na página. Ela não tinha visto o
homem da câmera, mas Bozo conseguiu o beijo. O beijo que... pensando
depois, não significou nada para ela. Ela pensou que talvez Ron estivesse
tentando fazer-lhe uma promessa de voltar para ela, ou ser fiel a ela. Mas
não havia nada para ser verdade. Eles não estavam juntos e não ficavam há
mais de um ano.
Claro, o artigo de Skeeter discordava.
Desde a Batalha Final, a Srta. Granger e o Sr. Weasley mantêm contato
apesar da distância. A senhorita Granger visita seu amado na Irlanda todo
fim de semana, e Ronald Weasley foi visto visitando-a no trabalho neste
sábado.
Depois de um jantar de aniversário para a Srta. Granger ontem apenas
com amigos íntimos, o Sr. Weasley desejou-lhe boa noite com uma
promessa para o futuro deles. Minha única pergunta, queridos leitores, é...
demos uma olhada no dedo anelar da Srta. Granger?
Hermione bufou. Ela amassou o papel e jogou no lixo. Levou vinte minutos
de raiva e beicinho antes que ela pudesse se recompor o suficiente para ir
para o trabalho.
Chegando no Átrio do Ministério, ela estava cercada por seu rosto beijando
o de Ron. Parecia que todo mundo estava lendo um jornal, tinha um jornal
debaixo do braço, gesticulava freneticamente com um jornal. Ela embarcou
em um curso direto para os elevadores, esperando estar dando a impressão
de que estava de mau humor e ninguém deveria falar com ela hoje.
Ela pulou no primeiro elevador disponível, cheio de vários funcionários do
Ministério subindo dos andares inferiores. Alguns do Átrio se juntaram a
ela no elevador, alguns que ela reconheceu pelo rosto, não pelo nome. Ela
estendeu a mão para agarrar uma corda pendurada e, conforme o elevador
retrocedeu, ela notou várias bruxas se virando em sua direção. Ela franziu a
testa para elas. Ela estava acostumada com as pessoas olhando para ela –
ela geralmente olhava para o chão quando isso acontecia – mas hoje ela
estava tão brava com Skeeter, com Bozo, com Ron....
O elevador parou no nível 6 e admitiu uma bruxa em vestes azuis
brilhantes. Ela se juntou ao elevador lotado e se agarrou, parando na frente
de Hermione. Não foi até que a bruxa se virou, sorriu para ela e
rapidamente olhou para cima que Hermione percebeu que havia agarrado
uma corda com a mão esquerda. Todos estavam procurando o maldito anel.
— Eu não estou noiva! Parem de procurar um anel!
Silêncio. Cada bruxo que estava olhando para a mão dela ficou parado
como uma estátua. Os bruxos que não tinham ideia do que estava
acontecendo se afastaram dela. O elevador diminuiu a velocidade e parou
no nível 5, e quase todas as pessoas saíram, embora Hermione tivesse
certeza de que nem todos trabalhavam no Departamento de Cooperação
Internacional em Magia. Ela era uma maluca.
Dois homens ficaram com ela enquanto o elevador se dirigia para o Nível 4.
Ela olhou para cima para se desculpar com eles e se viu olhando para Draco
Malfoy.
Ele devia estar enfiado na parte de trás quando ela pulou do Átrio, porque
de outra forma ela não poderia tê-lo perdido. Ele tinha uma expressão
neutra no rosto enquanto olhava para ela.
Ela soltou uma risada nervosa.
— Desculpe, — disse ela. — Já foi um longo dia.
O outro homem assentiu. Draco piscou.
— Obviamente. — Um sotaque.
O elevador parou no Nível 4. Ela saltou e não olhou para trás. Ela chegou à
sua mesa e assim que ela se sentou, respirando novamente, Aiden apareceu
comendo uma maçã.
— Oi! Vamos dar uma olhada no anel.
Capítulo 9.
Na manhã de terça-feira, todos no Nível 4 sabiam que não deviam procurar
um anel, perguntar a ela sobre o casamento que se aproximava ou mesmo
olhar em sua direção. O resto do dia na segunda-feira foi tão tenso depois
que ela gritou com Aiden por arquivar um arquivo de caso incorretamente,
que Mathilda provavelmente enviou algum tipo de memorando. A notícia
deve ter chegado ao Nível 2, porque Harry apareceu em seu escritório na
quarta-feira, pouco antes do almoço.
— Como está a futura noiva? — Ele sorriu.
Ela olhou para ele e continuou jogando arquivos em uma ordem que só ela
sabia.
— Vamos. Vamos descer para o café.
— Eu não estou com fome, — ela soltou.
— Bem, estou e quero companhia. — Ele sorriu para ela. — Além disso,
esses arquivos ainda estarão aqui em meia hora e ainda precisarão de alguns
ajustes.
Ela olhou para baixo e percebeu que cada arquivo que ela havia tocado
agora estava amassado, rasgado ou dobrado. Ela suspirou e pegou sua bolsa
de moedas.
Uma vez sozinhos nos elevadores, Harry se virou para ela.
— Então, com quem você está realmente chateada? Ron ou Skeeter?
— Ambos, mas principalmente eu. — Ela fechou os olhos e pressionou as
têmporas. — Estou com tanta raiva que deixei ele me beijar.
Houve silêncio. Os portões se abriram.
— Você quer voltar com Ron?
Ela olhou para ele. O rosto de Harry estava completamente aberto para ela.
Ele não esperava uma resposta. Ele estava perguntando por curiosidade
honesta. Ela tentou uma resposta tão honesta quanto pôde.
— Não, realmente não. Ou talvez seja "agora não"? Eu não tenho certeza.
— Ela arregaçou as mangas de suas vestes. — Eu só não gosto de sentir que
a escolha está sendo tirada de mim. Pela maldita Rita Skeeter!
Os elevadores chegaram ao Átrio. Harry começou, dizendo por cima do
ombro: — A maioria das pessoas sensatas sabe que Rita publica bobagens
absolutas na maior parte do tempo. Quero dizer, veja o que ela disse sobre
Malfoy no fim de semana! Ele também está em bom estado!
Hermione parou, deixando os funcionários do Ministério passarem por ela
para entrar no elevador. Sua mente vasculhou os eventos do fim de semana
e não encontrou nenhum artigo sobre Malfoy.
— Que artigo foi esse? — Ela encontrou suas pernas novamente e seguiu.
Harry se virou para andar para trás enquanto liderava o caminho para o
café.
— Você sabe, aquele sobre ele visitando seu pai? E seus palpites sobre por
que eles estavam se encontrando? Mas, ela não estava lá. Ela não poderia
saber. Bobagem absoluta.
Hermione não se preocupou em lembrá-lo de que ela poderia estar lá, uma
mosca na parede.
— Que dia foi esse?
— Ele o visitou no sábado, depois do nosso treino de Quadribol, eu acho,
— disse Harry, baixando a voz quando eles entraram no café e se juntaram
ao final da fila. — O artigo foi publicado no domingo.
A vaga lembrança de uma cabeça loira na primeira página, Ginny não a
deixando ler o artigo... Hermione fez uma anotação mental para checar as
latas de lixo em busca do jornal de domingo.
— O que ele disse? O que ela estava hipotetizando?
Harry se virou para ela e ela podia ver agora a mesma expressão em seu
rosto quando Ginny lhe disse para não compartilhar o papel com ela.
— Só... por que ele estava visitando Lucius. — Ele pegou uma bandeja e
olhou para ela.
— Harry, eu vou encontrá-lo e lê-lo de qualquer maneira.
Harry suspirou e coçou a mandíbula. Ele olhou ao redor do café para se
certificar de que ninguém poderia escutar.
— Ela mencionou a herança de Draco e como ele pode estar tentando
liberá-la antes do tempo.
Hermione semicerrou os olhos para ele.
— E ele precisava falar com Lucius? Todo o dinheiro dele não deveria estar
disponível para Narcissa?
Eles chegaram na frente da fila então, e Hermione teve que esperar
enquanto Harry pedia chá e dois dos croissants que ele a incomodava.
Então, quando ele se afastou para ela pedir, e ela percebeu que os dois
croissants eram para ele, ela reprimiu um sorriso e pediu um para ela.
— Algumas das famílias Puro-sangue têm seu dinheiro guardado com
magia antiga, — disse Harry. Hermione assentiu. Ela sabia um pouco sobre
isso, mas claramente Harry sabia mais. Ele continuou: — Provavelmente no
caso de Malfoy, sua herança seria liberada para ele no dia do casamento,
depois que Lucius realizasse um ritual transmitido pelos homens Malfoy.
Os olhos de Hermione estremeceram com as palavras "dia do casamento".
Harry encontrou uma mesinha que misteriosamente se tornou disponível no
momento em que o-menino-que-viveu-e-morreu-e-viveu-de novo olhou
para ela. Ele sorriu em agradecimento para as senhoras que se levantaram,
claramente não tendo terminado com seus almoços.
— Então, ele quer seu dinheiro adiantado? Isso é tudo que Rita tinha a
dizer? — Hermione assistiu Harry devorar seu primeiro croissant em uma
representação perfeita de Ron na hora do jantar.
Harry limpou a boca.
— Bastante. — Ele tomou um gole de chá e olhou para um ponto por cima
do ombro dela. Hermione franziu a testa para ele.
— O que mais, Harry?
Seus ombros caíram.
— Bem, naquela noite ele foi a um encontro.
Hermione manteve o rosto neutro. — Isso é tudo?
Harry a estudou.
— Sim. Acho que não queríamos que você lesse tudo isso e olhasse as fotos
deles no seu aniversário. — Ele olhou ansiosamente para seu segundo
croissant. Hermione notou que havia fotos.
— Bem, acho que foi o melhor. Tive um dia adorável até que meu noivo
decidiu me beijar. — Ela cortou seu croissant, dando a Harry a permissão
que ele precisava para continuar arrebatando seu prato. — Então, ele está de
mau humor? Malfoy?
Com a boca cheia, ele disse: — Ele está sendo assediado a semana toda.
— O que você quer dizer?
— Cartões, flores, currículos... tudo de esposas em potencial. É como a
época de acasalamento. O artigo de Rita quase deu permissão para cortejá-
lo. Ele está ateando fogo a qualquer coisa que entre em seu escritório com
corações.
— Mas isso não faz sentido, — disse Hermione. — Ele foi listado como
solteiro elegível por semanas. Por que essas bruxas enlouquecidas estão
agindo assim agora?
Harry rapidamente terminou sua última mordida e, enquanto beliscava as
migalhas deixadas no prato, disse: — Acho que se sua herança fosse
liberada para ele no sábado, então ele poderia se casar com uma mestiça,
uma nascida trouxa, até Merlin, uma trouxa! e ainda receber o dinheiro.
Lucius não poderia mantê-lo como refém. — Harry recostou-se na cadeira,
sorrindo. — E agora ele é provavelmente o bruxo solteiro mais rico de sua
idade.
— Se o dinheiro fosse liberado para ele. — Ela arranhou a camada superior
da massa com a unha.
— Certo. Se.
Hermione calmamente terminou seu croissant enquanto Harry tagarelava
sobre o trabalho.
Depois de vasculhar todas as latas de lixo de casa, sem encontrar nada,
Hermione levou o Flu até a Sede do Profeta Diário, pedindo o jornal
impresso em seu aniversário, como uma "lembrança". Depois que a mulher
mais velha de pele escura lhe entregou o papel – segurando sua mão por
mais tempo do que o necessário, agradecendo-a por tudo que ela fez na
guerra – Hermione percebeu que o flash de cabelo loiro que ela tinha visto
na primeira página era de Lucius Malfoy. Ela sentiu sua respiração faltar
enquanto olhava para o rosto dele pela primeira vez em um ano e meio. As
semelhanças com Draco eram tão impressionantes, e mesmo em suas vestes
de Azkaban, olhando nos olhos dela através do papel, ela ainda sentia o frio
da inferioridade.
Ela chegou em casa e folheou o artigo, parando nas fotos do encontro de
Draco. Eles foram jantar em um dos cafés mais chiques da Londres Mágica.
Ela tinha cabelos loiros ondulados e dentes perfeitos e Draco sorriu para
ela. Ela era uma garota francesa puro-sangue de acordo com Rita, o que na
opinião de Hermione não teria ajudado no caso de todas as mestiças e
nascidas-trouxas lutando para serem as primeiras da fila. Rita nem indicou
no artigo que as "preferências" de Draco haviam mudado desde a guerra,
mas basicamente deu um "Isso serve!" para todas as idades, tamanhos e
nascimentos. Era bastante encorajador se você fosse insípida o suficiente
para acreditar.
Hermione observou que em nenhum momento Rita confirmou que o
encontro foi um sucesso e a foi herança liberada. E ela não comentou sobre
a foto de Draco deixando Azkaban, de cabeça baixa, carrancudo e maxilar
cerrado.
Na sexta-feira, Hermione estava usando seus saltos sensatos novamente. Ela
realmente precisava que Ginny a levasse às compras para encontrar sapatos
que não a envergonhassem, mas hoje não havia tempo. Ela ia falar com o
Wizengamot hoje sobre a sentença de Antonin Dolohov.
De acordo com Harry, o Wizengamot vinha discutindo há algum tempo
sobre o pior dos Comensais da Morte, particularmente aqueles que já
haviam sido presos antes e escaparam. Ela ouviu rumores no escritório de
que um dementador havia sido capturado na semana passada e, embora
Aiden gostasse de levantar hipóteses sobre as coisas mais idiotas, Hermione
sabia que o momento do julgamento de Dolohov era suspeito.
Ela não tinha pena de Dolohov, mas se O Beijo estava sendo reintroduzido
como uma possibilidade, onde isso iria parar?
Hermione saiu do elevador no andar de baixo e parou quando viu uma
cabeça loira a vinte metros de distância. Ele estava encostado na parede de
pedra e olhando para os sapatos. Ela não o via desde seu colapso mental nos
elevadores na segunda-feira, mas Rita Skeeter manteve o nome dele nos
jornais. Na verdade, ele almoçou com a mesma garota búlgara no dia
anterior. Ela sorriu demais.
Tanto quanto ela podia dizer, ele ainda não a tinha notado, e ela estava tão
tentada a se virar e subir as escadas. Seus pés começaram a levá-la para ele.
Ele ouviu o clique de seus sapatos e olhou para ela. Ela viu por um
momento um olhar de curiosidade aberta antes de ser substituído por
desconfiança.
— Malfoy, — ela o cumprimentou, lembrando que a última vez que eles
realmente se falaram ela o chamou de Draco.
— O que você está fazendo aqui? — Ele semicerrou os olhos para ela. Ela
parou a cerca de dois metros dele.
— Fornecendo informações ao Wizengamot. Muito parecido com o que eu
suponho que você esteja fazendo?
Ele apertou a mandíbula e olhou para o chão novamente. Quando ficou
claro que ele não diria mais nada, ela se encostou na parede oposta. Parar
com ele contra a parede teria sido estranho, ela assumiu, mas agora ela
gostaria de ter feito isso porque eles tinham que se encarar do outro lado de
um amplo corredor. Ela concentrou os olhos na porta de carvalho no
corredor, esticando o pescoço para mantê-lo fora de sua linha de visão.
— Diga-me, Granger, — ele disse, e ela fez o seu melhor para encará-lo.
Ele não estava olhando para ela. — Você tem como prioridade libertar todos
os Comensais da Morte? — Ela piscou para ele, e ele continuou: —
Testemunhar em nome do acusado é um compromisso permanente de sexta-
feira em seu calendário?
Ele olhou para ela com a expressão meio entediada e meio aborrecida que
ela tinha visto tantas vezes nele. Ele foi tão caloroso com ela na última
sexta-feira, até pagando uma bebida para ela, conversando com ela. E havia
algo sobre ela ser de ouro... Era como se ela tivesse imaginado tudo isso e,
em vez disso, eles ainda tinham doze anos no campo de quadribol.
— Na verdade, estou testemunhando contra o acusado hoje, — disse ela,
segurando o olhar dele. Seus olhos piscaram, e ela suspeitou que isso era
tudo o que ela precisava dizer, mas sua boca tinha uma ideia diferente. —
Não se preocupe, Malfoy, você ainda é a exceção à regra. — Ela levantou
uma sobrancelha para ele, como ele sempre fazia com ela.
— A exceção... — Ele murmurou e seus olhos se estreitaram no chão entre
eles. Então, de repente: — E quem pediu para você me salvar, Granger? —
Ele saiu da parede, pescoço e ombros tensos. Ela prendeu a respiração. —
Porque eu não pedi sua pena. Eu não preciso de uma "heroína". — Ele
zombou dela. Isso a lembrou tanto de Hogwarts que ela levou um momento
antes de responder.
— Eu nunca me ofereci para ser sua "heroína", — Hermione zombou.
Ele se aproximou dela.
— Então para que você está se voluntariando? — Havia um brilho em seus
olhos e um sorriso malicioso escondido no canto da boca. Hermione se
sentia pequena e quieta, mas principalmente ela se sentia quente. Era como
se ele tivesse ligado um interruptor em algum lugar e mudado toda a
atmosfera do corredor.
— N-nada. — Ela se concentrou no olhar de desgosto em seu próprio rosto,
tentando mantê-lo lá, tentando retratar a confusão. — Merlim, Malfoy!
Você não pode simplesmente aceitar quando alguém é legal com você?
Foi... foi a coisa certa a fazer.
O sorriso deslizou de seus lábios, mas seus olhos ainda estavam brilhando.
As pupilas dele dançavam para frente e para trás entre os olhos dela com
uma determinação que ela lembrava de observar durante a aula de
Aritmancia.
— Então, é uma dívida vitalícia? — ele perguntou.
Ela não precisava mais fingir estar confusa.
— Uma dívida vitalícia?
— Você me salvou de uma vida inteira de apodrecimento em Azkaban,
então agora eu devo a você, Granger? É assim que funciona?
Hermione estava genuinamente chocada.
— Não. Não, essa não era minha intenção. — Ela balançou a cabeça e se
concentrou olhando para o espaço entre as pontas dos sapatos. Apenas dois
passos. Ela engoliu em seco. — No mínimo, Malfoy, uma dívida foi paga.
— Ela olhou para cima por baixo de seus cílios. Ele estava olhando para
ela. — Eu quis dizer o que disse em seu julgamento. Se você tivesse nos
identificado na Mansão...
— Pare! — ele estalou e ela pulou. — Pare de glorificar aquela noite.
Ela se afastou dele, procurando seu rosto. Ele estava olhando para ela
novamente. E ele estava corado.
— Eu não dou a mínima para salvar o mundo, ou parar o Lorde das Trevas,
ou você e seus amigos idiotas! — Parte de sua franja caiu em sua testa e ele
a colocou de volta no lugar.
— Eu sei que você me reconheceu, — disse ela, balançando a cabeça para
ele. — Eu sei que você me viu, viu Ron, e poderia facilmente...
— Entregar você para os Comensais da Morte? Você teria gostado disso
Granger? Isso teria esclarecido as coisas em seu cérebro lógico?
— Claro que não! — Ela quase riu do absurdo.
Ele mudou seu peso para que pudesse encontrá-la ao nível dos olhos,
inclinando-se para ela. Suas costas sentiram o frio da parede de pedra logo
atrás dela.
— Você ao menos sabe do que eles são capazes? Dolohov? Os Comensais
da Morte?
Ela esmagou a leve alegria de ouvi-lo falar sobre os Comensais da Morte
como se não fosse parte deles e endireitou a coluna.
— Claro que sim! Você estava na sala quando fizeram isso! — Ela não pôde
deixar de pegar seu braço, ainda marcado magicamente com a palavra para
sempre.
— Não Bella. Os verdadeiros Comensais da Morte.
Ela não entendeu. Algo em seu rosto deve ter lhe dito isso.
Ele continuou: — Alguns deles são completamente sãos, com cérebros
lógicos e a capacidade de sonhar com um futuro onde Harry Potter e a
Ordem são derrotados e Lord Voldemort reina. E o que você acha que
acontece com pessoas como você neste mundo, Granger? — Seus olhos
cinza aço perfuraram os dela, e o traço daquele sorriso escondido estava de
volta. Ele estava ganhando em alguma coisa. Ela só não sabia o que ainda.
— Eu entendo, Malfoy. — Hermione revirou os olhos, tentando bravata. —
Todos nós somos torturados. Todos nós morremos. Todos os nascidos-
trouxas recebem uma escultura "sangue-ruim" correspondente...
— Todos os nascidos trouxas, sim. — O brilho estava de volta em seus
olhos. Ele deu mais um passo em direção a ela, e suas costas caíram contra
a parede. — Mas não a "Garota de ouro" de Potter. — Ela se irritou com o
termo. — Ou sua escória Weasley. — Ela fez uma careta com a menção de
Ginny. Ele colocou a mão na parede ao lado da cabeça dela, sorrindo para
ela, e tudo em que ela conseguia pensar era em quantas vezes ela o
encontrou em uma posição semelhante com Pansy Parkinson durante as
rondas dos monitores.
— Você vê, — ele continuou. — Macnair teve a ideia do leilão. Ele é um
homem de negócios brilhante. — Ele riu levemente de alguma piada oculta
que só ele sabia, e Hermione sentiu a respiração dele soprar em seu rosto.
— O leilão? — Ela piscou para ele. Ele sorriu para ela.
— Uma maneira de... dividir os espólios da guerra. Quem quer que se
apossasse de certos nascidos trouxas, traidores do sangue ou membros da
Ordem no final da guerra, teria o direito de leiloá-los pelo lance mais alto...
para qualquer finalidade que desejar.
O peito de Hermione parecia oco. Ela não estava respirando, mas ele
continuou.
— E confie em mim, Granger. — Ele sorriu para ela. — Não eram suas
habilidades domésticas que eles estavam atrás.
Ela podia sentir a bile crescendo em sua garganta enquanto as lágrimas
ardiam em seus olhos. Ela limpou a garganta.
— Então eu suponho que os agradecimentos ainda sejam necessários,
Malfoy, — ela soltou. — Se você tivesse me identificado naquela noite, "A
Garota de Ouro" teria pertencido a Greyback e os ladrões dele no leilão.
Obrigado por me dar a oportunidade de não viver o resto da guerra nas
masmorras Malfoy! Se você vai se tornar um "despojo de guerra", é melhor
fazê-lo com estilo! — Ela cuspiu suas palavras de volta para ele e viu sua
respiração varrer o cabelo que havia caído em sua testa novamente.
— Oh, de nada, Granger, — ele sibilou para ela. — Afinal, ouvi dizer que
Greyback não estava tão interessado em esperar pelo Leilão. Ele preferia
ficar com todos os seus "espólios".
Ela podia sentir o calor dançando em seu pescoço e em sua mandíbula. Ela
engoliu em seco e segurou seus olhos cruéis.
— E, claro, sendo o homem de negócios perspicaz que você é, isso não
serviria. Por que deixar Greyback me pegar quando você poderia aproveitar
a oportunidade para fazer algumas centenas de galeões depois da guerra? É
isso, Malfoy?
Ele riu, e o som sacudiu suas costelas.
— Algumas centenas de galeões? Vamos, Granger, você deve saber que
suas... habilidades teriam valido muito mais do que isso. Você teria sido o
prêmio máximo.
— Pare, — ela sibilou para ele.
— O lance para você e a garota Weasley na verdade começaria em 10.000
galeões cada uma, mas eu tive uma boa fonte que o lance mais alto
discutido era de 20.000 para a ruiva...
— Você é nojento. — Ela precisava sair antes que ela chorasse. Ela
começou a contorná-lo, afastando-se da parede, mas ele a prendeu com o
outro braço.
— E 30.000 galeões para a Bruxa Mais Brilhante de Nossa Era.
Sua respiração deixou seus pulmões com uma pequena risada. Ele estava
sorrindo presunçosamente para ela, provocando-a, observando-a.
— Você não pode estar falando sério, — ela disse. Ela ia chorar ou vomitar
ou ambos. E nenhuma dessas coisas ela queria fazer na frente dele.
— E não vamos esquecer minha parte favorita. — Ele aproximou seu rosto
do dela, se é que isso era possível. — Outros 5.000 seriam adicionados se
pudesse ser provado que você estava "intocada".
Seus pulmões imploravam por ar, mas ela não podia cooperar.
— Então, me diga, Granger. Eu estive curioso, — ele sussurrou. — Se os
eventos tivessem ocorrido de forma diferente na primavera passada, eu
poderia estar 35.000 galeões mais rico?
Sua mão se moveu antes de seu cérebro. Ela deu um tapa nele. Seu sangue
estava gritando em suas veias e ela estava ofegante. Seu rosto mal se moveu
quando ela se conectou, mas ela o pegou bem. Eles olharam nos olhos um
do outro.
— Senhor Malfoy, — uma voz a mil milhas de distância chamou. — Eles
estão prontos para você.
Ele se endireitou e, quando se virou para as portas de carvalho, ela deu
meia-volta e voltou para os elevadores. Ela foi para o átrio. Seus saltos
estalaram em direção à primeira lareira à direita, ela falou seu endereço de
Flu quando a poeira atingiu as chamas, e quando Ginny pulou do sofá,
derramando sua pipoca no chão, Hermione foi direto para o banheiro
enquanto seu estômago revirava.
Ginny sentou com ela no chão do banheiro pelas próximas horas, sem
comentários.
Ela sonhou naquela noite com a Mansão Malfoy. Ela estava deitada no chão
da sala de estar, memorizando o lustre e os padrões que a luz fazia no teto.
Algo estava puxando seu braço, mas ela não conseguia ver.
— Onde você conseguiu a espada? — Um silvo.
— Nós encontramos... eu juro. — Sua voz flutuou para seus ouvidos. Ela
não se lembrava de ter falado.
— Você é uma mentirosa, não é, Granger?
A dor em seu braço. Sua voz gritando. E ela olhou para a esquerda e Draco
Malfoy estava gravando a palavra "sangue-ruim" em seu braço.
Ginny estava lá quando ela acordou, suando.
Capítulo 10.
Ginny passou a noite inteira no chão do banheiro com ela, confortando-a o
melhor que podia, mas toda vez que Hermione olhava para ela, ela sentia a
respiração de Draco contra seu rosto enquanto ele dizia o quanto sua melhor
amiga valia para os Comensais da Morte. Ela não deixaria seu cérebro se
concentrar por muito tempo naquele número, ou então o número 35.000
piscaria em suas pálpebras.
Na noite em questão, ela estava "intocada", como Draco chamou. Ela ainda
estava intocada. Ela e Ron nunca haviam ido longe o suficiente em seu
relacionamento antes de ele partir para a Irlanda e ela partir para Hogwarts.
Então, haveria algum tipo de teste para ver se ela ainda era virgem? Ela
cerrou os portões de sua mente antes que pudesse imaginar um mundo onde
o Leilão acontecesse.
Ela sempre presumiu que se Harry perdesse a guerra, ela já teria morrido no
campo de batalha, ou então teria morrido lutando após a morte dele. Ela
nunca imaginou o que teria acontecido com ela se sobrevivesse à batalha.
Ginny havia presumido que ela estava perturbada por algo a ver com Draco
desde o início, mas ela não jogou seu jogo, cavando por informações. Ela
apenas ficou sentada com ela no chão do banheiro a noite toda, conjurando
um cobertor e um travesseiro sempre que Hermione começava a cochilar,
chorar, sonhar. Foi até por volta das três da manhã que Hermione pôde falar
com ela. Ela contou a ela sobre as masmorras do Wizengamot. Sobre o quão
frio ele estava até que de repente ele explodiu. Ela contou-lhe peças que já
tinha esquecido, peças que ainda não faziam sentido para ela – ele acusou-a
de querer "salvá-lo", acusou-a de criar uma Dívida de Vida, ele...
Ginny a observou gaguejar.
— O que?
— Acho que ele deu em cima de mim. — As sobrancelhas de Hermione se
juntaram enquanto ela tentava se lembrar.
Nunca me ofereci para ser sua "heroína".
Então, para o que você está se voluntariando?
— Realmente? — Ginny esperou.
— Não fique muito animada, — Hermione zombou. Ela ajustou sua posição
no chão. — Eu provavelmente interpretei mal.
Ginny a observou cuidadosamente, mas pediu que ela continuasse.
Hermione disse a ela como tudo mudou rapidamente. Quando ela chegou ao
Leilão, ela deixou Ginny de fora. Ela não queria que isso caísse sobre os
ombros de sua amiga. Quando Ginny ouviu a quantia de 30.000 galeões,
suas sobrancelhas se ergueram e seu queixo caiu.
— Eu... eu não posso.... Hermione, isso não pode ser real. Ele deve estar
brincando com você.
— O leilão?
— Oh, não, eu tenho certeza que o Leilão foi realmente discutido, aqueles
fodidos doentes, — Ginny disse, acenando com a mão. Hermione achou
estranho que Ginny aceitasse tão bem quando ela passou a noite toda
vomitando por causa disso. — É a quantia. Quem tem 30.000 galeões por aí
para esse tipo de coisa!
— Aristocratas de sangue puro? — Hermione deu de ombros, tomando um
gole do copo de água que Ginny havia conjurado para ela.
— Essa não pode ter sido a quantia. Ele está exagerando ou inventou na
hora para torturá-la. — Ginny bufou.
— É uma quantia estranhamente específica para "compensar", — disse
Hermione. — Ele também disse que 5.000 galeões seriam acrescentados se
eu fosse virgem.
Ginny tirou os olhos dos armários do banheiro que ela estava franzindo para
olhar para Hermione com os olhos arregalados.
— Ele disse isso para você?
— Se pudesse ser provado que eu estava "intocada", eles pagariam mais por
mim. — Hermione sentiu que dizer isso em voz alta para ela deveria fazê-la
chorar ou vomitar de novo, mas ela supôs que estava um pouco insensível a
isso agora.
— O que trouxe isso? — disse Ginny. Hermione ergueu os olhos de seu
copo de água para ver os olhos de Ginny brilhando.
— Foi... uma parte de seu fluxo de consciência, suponho.
— Mas ele está dizendo essas coisas horríveis para você, e você... o quê? —
Ginny procurou algo em seus olhos.
— Eu estava tentando sair. Eu estava prestes a vomitar em cima dele. —
Hermione riu um pouco com aquele pensamento horrível.
— Sair? — Ginny perguntou.
— Sim, ele me prendeu. E toda vez que eu tentava sair ele bloqueava meu
caminho. — Hermione estremeceu com a memória de seus olhos e o sopro
quente de sua respiração. Hermione olhou para cima quando Ginny não
disse mais nada. O rosto de Ginny estava estranhamente brilhante, mas ela
não estava sorrindo. — O que?
— Então, — Ginny começou. — Ele estava brincando com você sobre sua
virgindade enquanto ele estava pressionando você contra a parede?
Hermione franziu a testa. — Você faz isso soar muito juvenil.
— É muito juvenil. — Ginny assentiu. — Parece que vocês dois nunca
deixaram Hogwarts.
Hermione balançou a cabeça e olhou para o tapete em que estava sentada.
Não parecia juvenil no momento. Parecia assustador.
— Acho que só reforça seu ponto de vista que eu também dei um tapa nele?
— Ela olhou para Ginny com um sorriso tímido.
Isso deixou Ginny nas nuvens, e ela riu e implorou por mais informações, e
pela primeira vez em vinte e quatro horas, Hermione se sentiu orgulhosa de
si mesma.
Ela quase ligou para Cornerstone dizendo que estava doente no sábado de
manhã, mas pelo menos estava grata por não ver Draco. Ela supôs que ele
poderia ser cruel o suficiente para mostrar seu rosto depois da conversa do
dia anterior. Ela realmente não tinha ideia de até onde ele iria. E ela
provavelmente nunca saberia.
Ela verificou os pedidos reservados logo pela manhã para se certificar de
que não havia nenhum sob Black ou Malfoy. Quando a loja abriu e a bruxa
entrou, ela conseguiu deixar o ontem para trás.
Cornerstone estava surpreendentemente ocupada naquele dia, quase sempre
com uma fila de duas pessoas no caixa, então quando um grande cavalheiro
com bigode lhe desejou um bom dia e se afastou do caixa, Hermione ficou
completamente chocada ao ver Narcissa Malfoy na porta.
Os olhos de Narcissa percorreram as pilhas antes de pousar nela.
Congeladas no lugar, as orelhas de Hermione começaram a queimar.
Merlin, ela deu um tapa no filho dela ontem. Narcissa Malfoy estava aqui
para pedir que ela, por favor, mantivesse suas mãos imundas de nascida
trouxa longe de seu precioso herdeiro de sangue puro?
Narcisa Malfoy sorriu.
Hermione piscou.
— Srta. Granger, — ela disse. Sua voz escorria como mel de uma garrafa.
— Bom dia.
Hermione observou Narcissa Malfoy subir os dois degraus até o patamar
principal, sorrindo para ela.
— Sra. Malfoy, — Hermione resmungou. — Bom dia.
— Draco me disse que você tinha um trabalho de fim de semana aqui. —
Narcissa Malfoy flutuou até o balcão e colocou uma mão delicada sobre ele.
— Eu amo esta loja. É muito melhor ficar longe da agitação do Beco
Diagonal, você não acha?
Hermione engoliu em seco.
— Sim, absolutamente. Eu me sinto da mesma forma.
— Acredito que Draco passou vários de seus verões nesta loja, lendo e
fugindo da agitação das compras. — Narcissa acenou com a mão e
balançou a cabeça, ainda sorrindo. — Você deve ter encontrado ele aqui
antes, não é? — Os olhos de Narcissa piscaram por um momento, assim
como os de seu filho. Ela queria uma resposta específica...
— Eu... Hum, não, na verdade. Nunca nos vimos aqui antes... antes de
algumas semanas atrás. — Hermione colocou as mãos no balcão e
imediatamente as abaixou. — O que a traz a Cornerstone hoje? — Ela
prendeu a respiração, esperando a bola cair...
— O livro sobre as Guerras dos Goblins, — Narcissa disse.
As sobrancelhas de Hermione levantaram. Um livro? Não "a marca da mão
que você deixou na bochecha do meu filho" ou "a paixão boba que você
tem pelo meu filho"? Um livro? Ela veio a uma livraria com a finalidade de
um livro?
— Sim? — Hermione disse. — Você precisa devolvê-lo?
— Eu adorei, — disse Narcissa. Ela sorriu para ela. — Draco me disse que
era um dos seus favoritos também.
Draco... fez o quê?
— Eu... Bem, sim. Eu amo aquele autor...
— Eu esperava que você pudesse me indicar outro livro dele ou um título
semelhante.
— Eu... sim, eu posso absolutamente... um, — Hermione gaguejou. Ela
começou a se mover ao redor do balcão, então lembrou que havia deixado o
livro aberto no balcão. — Eu vou... apenas me deixe... — Ela se dobrou
para trás e enfiou o livro em uma gaveta. — Sim. Tudo bem. Siga-me, por
favor.
Hermione deu a volta no balcão, rezando para que Narcissa Malfoy não
pensasse que ela estava doente da cabeça. Ela podia ouvir o clique de saltos
de couro de dragão atrás dela enquanto ela cambaleava para as estantes à
esquerda da entrada, lembrando-se agora que estava usando tênis, jeans
trouxa e uma camiseta de um grupo musical trouxa. Ela parou em frente ao
M's.
— Tudo bem, então, Mattie McHandry também escreveu não-ficções
semelhantes em relação às histórias dos centauros e élficos, e ele deve
lançar um livro de Lobisomem ainda este ano...
— Vou levar os dois. E, por favor, faça um pedido para mim para o terceiro
quando sair.
Hermione olhou por cima do ombro para Narcissa Malfoy. Ela tinha um
sorriso agradável nos lábios e um plano por trás dos olhos.
— Claro, Sra. Malfoy. Excelentes opções. — Hermione pegou o livro do
Centauro e pegou o livro dos Elfos. Ocorreu a ela que Narcissa Malfoy
estava prestes a comprar um livro sobre a repressão dos elfos domésticos e
o papel que os bruxos desempenham. Foi como uma colisão de vassoura da
qual você não conseguia desviar o olhar. — Havia mais alguma coisa que
você estava procurando hoje?
— Acho que isso deve me satisfazer por algumas semanas agora. Obrigado.
— Narcissa Malfoy puxou uma mecha de cabelo sedoso para trás da orelha.
Hermione levou os livros de volta ao caixa para embalá-los.
— Devo colocar isso na conta da família, Sra. Malfoy?
— Sim, querida. Obrigado.
— E eu tenho o livro de pré-encomendas aqui, — disse Hermione, puxando
um bloco de notas da gaveta de baixo. — Vou listar você para o livro
McHandry Werewolf.
— Você trabalha sábado e domingo, Srta. Granger?
Hermione olhou para os olhos claros de Narcissa. Eles eram mais azuis que
o cinza de Draco, mas igualmente intensos.
— Sim, eu trabalho. Todo final de semana. Dez da manhã às seis da noite.
— Ela terminou de escrever o pedido de Narcissa na lista e colocou o bloco
de notas de volta na gaveta de baixo.
— E com um emprego no Ministério durante a semana? Você deve se
manter muito ocupada, — Narcissa disse. Ela não tirava os olhos de
Hermione. Ela começou a se perguntar se tinha tinta no rosto.
— Eu... Sim, eu me mantenho. Acho que sempre me mantive ocupada. —
Hermione tinha a sacola pronta para entregar a Narcissa, mas ela não queria
parecer que a estava dispensando no meio de uma conversa.
— Deve ser muito difícil para você e o Sr. Weasley se verem, com horários
tão diferentes. — Os olhos de Narcissa piscaram. Hermione não conseguia
piscar.
— E-eu acho que sim. Harry e eu sentimos falta dele enquanto ele está fora,
mas Ron está realizando muito para si mesmo na Irlanda. — Hermione
engoliu em seco.
— Você costuma visitá-lo muito? — Narcissa torceu a cabeça para o lado,
examinando-a.
— Rony? — Hermione sentiu como se houvesse uma resposta que ela
deveria estar dando. — Não, ainda não consegui ir para a Irlanda. — E de
repente ficou claro. Srta. Granger visita seu amado na Irlanda todo fim de
semana. Narcissa estava cavando. Por qualquer motivo. Hermione
acrescentou: — Eu acredito que Ron se mantém... bastante ocupado
também.
Os lábios de Narcissa se contraíram.
— Eu vejo. — Ela respirou fundo. — Bem, eu agradeço muito por sua
ajuda hoje, Srta. Granger.
— De jeito nenhum. — Hermione entregou a sacola a Narcissa. Havia algo
por trás de seus olhos, algum tipo de aprovação. — Esperamos vê-la em
Cornerstone novamente em breve, Sra. Malfoy.
Os dedos delicados de Narcissa pegaram a sacola.
— Por favor, querida, me chame de Narcissa. — Ela sorriu para ela.
Hermione piscou.
Narcissa se virou e saiu, sem fazer barulho.
Naquela tarde, Morty desceu as escadas quando ela estava fechando. Ele era
um homem alto e magro com um bigode grisalho que se contorcia enquanto
ele falava. Hermione pensava que ele era apenas o cavalheiro mais
adorável.
— Boa noite, Morty, — ela cantou.
— Srta. Granger, você vai tirar a tarde de folga amanhã.
Um livro escorregou de suas mãos enquanto ela o arquivava.
— Desculpe? — Ela se virou para olhar para Morty.
— Recebi esta nota esta tarde. — Ele puxou um grosso papel de
pergaminho do bolso da camisa. — Ela pede que você tenha a tarde de
folga. E eu não poderia concordar mais.
— E-eu ainda não entendo, — disse Hermione. Ela estava sendo
dispensada?
— E uma carta para você chegou com ela. — Morty tirou do bolso um
envelope que combinava perfeitamente com o pergaminho que ele tinha.
Tinha uma letra cursiva inclinada e uniforme na frente.
Senhorita Hermione Granger
a/c Mortimer Hindes
Cornerstone Books
Beco Horizontal e Beco Diagonal
Hermione abriu o envelope grosso e encontrou uma caligrafia
correspondente no bilhete.
Prezada Srta Granger,
Por favor, dê-me a honra de tomar o chá da tarde comigo amanhã. Eu
adoraria muito sua companhia. Pedi ao Sr. Hindes para cobrir a loja para
você.
Atenciosamente,
Narcissa Malfoy
Hermione releu o bilhete quatro vezes. Ela estava dividida entre o choque
de que Narcissa seria ousada o suficiente para pedir a um empresário que
alterasse sua agenda para ela, e o terror de que ela se sentaria para tomar
chá com Narcissa Malfoy amanhã. O terror estava vencendo.
— Eu não tinha ideia de que você era tão amiga da Sra. Malfoy. Ela é uma
cliente fiel há anos. — Morty tirou os óculos para limpá-los.
— N-não, não sou. — Hermione dobrou o bilhete. — Somos apenas
conhecidas.
— Bem, ela é definitivamente uma boa conhecida para se ter.
— Eu suponho que sim.
Hermione dirigiu-se ao Eeylops Owl Emporium depois do trabalho para
enviar uma resposta a Narcissa Malfoy. Quando ela chegou em casa, uma
grande coruja cinza estava bicando seu copo. Ela estaria sentada para tomar
chá na Mansão Malfoy às 16h de amanhã.
Capítulo 11.
Faltando cinco para as quatro, Morty desceu e começou a pegar a caixa
registradora dela.
— Deixe-me apenas, hum... — Hermione pegou alguns volumes que ela
havia tirado das prateleiras para um cavalheiro naquela manhã.
— Ah-ah-ah, — Morty cacarejou. Ele pegou os livros dela. — Eu acho que
sei para onde eles vão, — ele disse, levantando uma sobrancelha. — Além
do mais. Você realmente quer se atrasar para o chá com Narcissa Malfoy?
Hermione olhou para o relógio. Três minutos para as quatro. Não, ela supôs
que chegar atrasada para o chá seria pior do que o chá.
— Você! Fora! — Morty disse, lendo sua mente. — Eu abri meu Flu lá em
cima, então você pode ir direto para a Mansão.
O coração de Hermione saltou.
— Tudo bem, — disse ela, pegando sua bolsa. — Mas ainda não terminei
de atualizar o livro razão. Portanto, certifique-se de adicionar...
— Entendi. Adeus. — Morty acenou para ela se afastar.
Hermione desabou e subiu as escadas. A doce esposa de Morty, Maggie, a
deixou entrar em seu apartamento e deu a ela o pó de Flu. Ela ficou tentada
a iniciar uma conversa com Maggie para atrasar o processo, mas Maggie
acenou e desapareceu na cozinha.
Hermione checou seu reflexo no espelho. Ela realmente pediu a Ginny para
trabalhar com seu cabelo hoje. Ela não a deixou a maquiar, mas Ginny a
prendeu na trança que havia feito algumas semanas antes, enquanto contava
a Hermione sobre o treino de Quadribol no dia anterior, dizendo-lhe que
Draco estava irritado e distraído. Bom. Então Hermione encontrou algo
adequado para vestir que não fosse feito de jeans, mas, novamente, o que
poderia ser "adequado" para usar no chá da tarde na Mansão Malfoy?
Hermione escolheu uma saia emprestada de Ginny e uma blusa do fundo de
seu próprio armário.
Hermione respirou fundo. Ela pegou um punhado de pó de Flu e sussurrou,
"Mansão Malfoy" enquanto as chamas ficavam verdes.
Ela saiu de uma lareira opulenta. Mármore branco em todos os lugares. Ela
estava um pouco distraída da última vez que esteve na Mansão Malfoy,
então vê-la novamente, como hóspede, era impressionante. Ela não estava
na sala de estar, felizmente. Foi até passar pela lareira que Hermione
percebeu que ela poderia estar tomando chá com Narcissa Malfoy na
mesma sala que sua irmã a torturou. Ela se perguntou qual seria o feitiço
para limpar o sangue dos tapetes.
Assim que ela estava terminando de admirar o salão, um pequeno elfo
doméstico dobrou uma esquina e cambaleou em sua direção.
— Senhorita Hermione Granger?
— Sim. Olá. — Hermione sorriu pensando no livro de história dos elfos
domésticos no sofá de Narcissa Malfoy.
— Você poderia, por favor, vir com Mippy? — A pequena elfa fez uma
reverência para ela, então se virou para levá-la.
Mippy a conduziu pelo corredor passando por uma grande escadaria que
Hermione tentou não reconhecer. Ela passou por bustos de homens Malfoy
do passado, todos com os mesmos olhos cinzentos, terminando com Lucius.
Ela estremeceu com a semelhança. Mippy parou em um par de portas. Ela
bateu duas vezes e então entrou, abrindo as portas para Hermione.
— Senhorita Hermione Granger para vê-la, senhora.
Narcissa Malfoy estava banhada pela luz do sol que entrava pelas janelas do
lado oeste. Os raios ricocheteavam em seus longos cabelos e se espalhavam
pela sala. Ela se levantou de sua cadeira quando Hermione entrou, e
Hermione sentiu como se estivesse sendo recebida no Monte Olimpo pela
própria Hera.
— Senhorita Granger. — Narcissa flutuou até ela. Ela estendeu a mão e
Hermione a pegou. — Estou tão agradecida por você ter vindo para o chá
hoje. — Narcissa apertou a outra mão em volta da de Hermione e olhou
profundamente em seus olhos. — Eu quero muito a oportunidade de
conhecê-la melhor.
— Eu... Sim, obrigado. Eu concordo. Seria tão bom conhecê-la também. —
Hermione sorriu e descobriu que não conseguia piscar.
— Mortimer foi capaz de cobrir seu turno? — Narcissa soltou a mão dela e
a conduziu até as cadeiras acolchoadas. Ela deslizou em sua cadeira, e
Hermione tentou replicar o movimento.
— Sim, ele foi muito gentil em permitir isso. Ele é realmente um grande
homem. — Hermione cruzou as pernas na altura dos tornozelos, em vez de
na altura dos joelhos como os trouxas fazem. — Ele e Maggie são pessoas
maravilhosas. — Ela abriu a boca para perguntar a Narcissa há quanto
tempo ela vinha frequentando Cornerstone, mas parou ao olhar para a sala
pela primeira vez. Ela não tinha certeza de como havia perdido isso, mas
elas estavam tomando chá na biblioteca pessoal dos Malfoy.
— Oh, que coisa, — Hermione murmurou enquanto girava em sua cadeira
para ver as pilhas e mais pilhas de livros e volumes antigos. A biblioteca da
Mansão Malfoy foi citada como uma das bibliotecas mais antigas e extensas
de toda a Inglaterra dos bruxos, mas é claro que quando Hermione leu isso
em seu segundo ano, ela nunca imaginou que a veria um dia. Tudo estava
imaculadamente limpo e cuidado, e havia até um catálogo perto da porta
que a ajudaria em qualquer assunto que desejasse.
— Ah, sim, —Narcissa disse. — Espero que não se importe de trocar os
livros de Cornerstone pelos nossos. Nosso salão está sendo reformado.
— Não, não. Estou absolutamente chocada. Sua biblioteca é linda Sra.
Malfoy. — Seus olhos dançaram ao longo das lombadas, encontrando o que
ela pensou ser uma primeira edição de Poções Mais Potentes enfiada entre
dois volumes pesados.
— Por favor, querida, me chame de Narcissa.
E assim, Hermione foi trazida de volta para a estranheza que era o chá com
Narcissa Malfoy.
— Narcissa. Sua biblioteca é linda. — Hermione sorriu. Ela se perguntou o
que fazer com as mãos, então simplesmente as deixou desajeitadas em seu
colo.
— Obrigado, querida. Você terá que vir apenas para folhear um dia.
Qualquer livro que você queira pegar emprestado, é seu. — Narcissa
acenou com o braço e Mippy apareceu com o serviço de chá antes que o
cérebro de Hermione pudesse processar a ideia de dar uma olhada na
biblioteca Malfoy.
Mippy empurrou um carrinho com os sanduíches e bolinhos de aparência
mais decadente. Mippy estalou e as xícaras e pires foram produzidos do
nada. Ela os colocou sobre a mesa entre Hermione e Narcissa. Hermione
estava em transe, mas é claro, cautelosa quando se tratava de servidão aos
elfos domésticos.
— Diga-me, Srta. Granger. — Hermione olhou para cima e Narcissa estava
olhando para ela. — Você trabalha na Cornerstone Books nos fins de
semana, mas durante a semana você trabalha no Ministério?
— Sim. No Departamento de Criaturas Mágicas, na Divisão de Bestas.
— Fascinante. — E ela realmente parecia fascinada. — E o que envolve a
Divisão de Bestas? Lobisomens e centauros, sim?
— Sim, o escritório de ligação do Centauro, o Registro de Lobisomem. Mas
também a Força-Tarefa fantasma e o Escritório de Pesquisa e Restrição de
Dragões, que é onde passo a maior parte do meu tempo. — Ela observou
enquanto Mippy servia o chá e colocava pequenos pratos na frente delas.
— Obrigado Mippy, — Narcissa disse, e Mippy desapareceu. — Pesquisa
de dragões? Isso deve ser bem interessante. — Ela derramou leite em sua
xícara e começou a mexer sem um único "tinch" contra a borda da xícara.
— É sim. Eu analiso e escrevo relatórios sobre ovos de dragão encontrados
na Inglaterra Mágica e, na verdade, pedi para liderar meu próprio projeto de
pesquisa em Gringotts. Veja bem, até um ano e meio atrás, havia um dragão
cego acorrentado nas entranhas do prédio, usado como método de
segurança para os cofres mais importantes. Eles torturaram o dragão para
responder a certos sons e... — Hermione percebeu que é possível que
Narcissa soubesse tudo sobre este dragão, já que era o cofre de sua irmã que
eles haviam invadido. — E eu gostaria de ajudar os goblins a encontrar uma
alternativa, para que outro dragão não seja torturado dessa maneira.
Hermione se concentrou em colocar leite em seu chá.
— Isso é bastante honrado, Srta. Granger. Nossa família tem uma longa
história com dragões e não posso contar quantas histórias ouvi sobre as
criaturas sendo usadas para os próprios fins dos bruxos. — Narcissa
balançou a cabeça. — Bem, você deve me manter atualizada sobre esse
projeto. Espero que você tenha o suporte adequado de que precisa.
— Eu... sim, obrigado. Estou apenas no começo, então estou ansiosa para
ver onde isso vai dar. — Hermione acrescentou três colheres de mel ao
copo e começou a mexer.
— Sabe, meu filho toma o chá exatamente da mesma maneira. Que
coincidência, — Narcissa disse. Hermione olhou para ela e ela estava
sorrindo. — Leite e três colheres de mel.
— Que estranho. — Hermione se esqueceu de informá-la que ela, é claro,
sabia como Draco tomava seu chá e, como viciada em café aos treze anos,
ela havia tentado o "jeito de Draco" quando foi forçada a beber chá. Ela
levantou a xícara para tomar um gole. Bastante delicioso em comparação
com o chá matinal de Ginny.
— Você o encontra frequentemente no trabalho?
Hermione olhou para ela por cima da xícara de chá.
— Dr-Draco? — Não havia como evitar dizer seu nome de batismo ali. Ela
não poderia chamá-lo de "Malfoy" nesta casa. Ela gaguejou, — Sim, eu...
quero dizer, não muito. Já o vi nos elevadores. — Ela pousou a xícara e
bloqueou a lembrança do hálito quente dele em seu rosto alguns dias antes.
— Ele parece estar se dando bem?
— Sim, eu acredito que sim. Ele está muito feliz por ter feito amizade com
o Sr. Potter e você.
Hermione reprimiu uma risada.
— Só posso imaginar o quão difícil deve ser para ele mudar a visão pública
de si mesmo. — Hermione tomou um gole antes de dizer qualquer outra
coisa.
— Mas tenho certeza que você sabe exatamente o que ele está passando,
Srta. Granger.
Hermione olhou para ela. Seus olhos eram gentis.
Narcissa continuou: — Como uma criança nascida trouxa entrando em um
mundo de sangue puro, acredito que você trabalhou muito para mudar de
opinião.
Hermione esperou que o outro sapato caísse, mas houve silêncio. Narcissa
Malfoy acabara de reconhecê-la como uma bruxa que lutou por seu lugar de
direito contra aqueles que a rejeitaram no mundo puro-sangue, incluindo ela
mesma. Hermione sentiu um nó na garganta, bloqueando sua respiração.
— Sim, eu lutei. Eu tentei muito alcançá-lo. — Ela pousou a xícara,
batendo contra o pires. Ela queria muito falar sobre outra coisa antes de
chorar na frente de Narcissa Malfoy sem motivo algum. Então, é claro, ela
escolheu o outro tópico que não queria discutir. — Tenho certeza que Draco
e os outros me acharam bastante irritante naquele primeiro ano. — E todos
os anos depois.
— Oh, como ele reclamava de você. — Narcissa riu. Hermione assentiu e
pegou um bolinho para manter as mãos ocupadas. — Ele me escrevia:
"Mãe, aquela garota Granger roubou minha mesa favorita na biblioteca."
Ou "Mãe, aquela garota Granger colou nas provas de fim de ano, eu sei que
sim".
Hermione sorriu com a edição educada de Narcissa. Ela tinha certeza que
"aquela garota Granger" não era como Draco a havia chamado.
— Tenho que admitir, meu objetivo era igualar o placar com Draco. Esse
sempre foi o meu objetivo.
— Bem, tenho certeza de que seus pais estão muito orgulhosos de você e do
nome que construiu para si mesma. O que eles fazem no mundo trouxa?
Narcissa pegou um bolinho da bandeja e se serviu de geléia também.
— Bem, ambos são dentistas. Eles consertam os dentes.
— Oh, que interessante, — disse ela. — E em que parte da Inglaterra eles
moram?
— Eles... bem, eles realmente vivem na Austrália no momento.
Hermione foi capaz de evitar mais detalhes sobre seus pais e seu atual não
relacionamento com eles. Narcissa perguntou se ela tinha irmãos, como
seus pais reagiram quando ela recebeu a carta de Hogwarts, se ela já havia
experimentado alguma explosão mágica antes, etc. Elas mantiveram uma
conversa agradável por quase meia hora. Hermione não tinha certeza de
como isso aconteceu, mas Narcissa voltou a conversa para Draco em um
ponto.
— Draco gostou muito de jogar Quadribol novamente. Devo agradecer a
você e ao Sr. Potter por permitir que ele se juntasse à liga do Ministério. —
Narcissa colocou a xícara e o pires vazios na mesinha lateral, e Mippy
apareceu imediatamente para lhe servir outra xícara.
— Oh, isso é tudo Harry, realmente. Eu não jogo na liga. Andar de vassoura
nunca foi meu forte.
Mippy também serviu uma segunda xícara para Hermione e desapareceu
antes que ela pudesse agradecer. Foi até aquele momento que Hermione
notou que Mippy estava usando um avental.
— Devo admitir, Quadribol também nunca foi minha paixão. Você deve ter
sido arrastada para todos os tipos de treinos e partidas em Hogwarts.
Hermione sacudiu as perguntas do avental de Mippy de sua cabeça e se
concentrou em Narcissa.
— Oh sim. Eu tinha que apoiar Harry, Ginny e Ron em todos os jogos.
Normalmente eu levava um livro. — Hermione riu levemente e levou sua
xícara aos lábios.
— Sim, eu me lembro de Draco me dizendo isso. — Narcissa sorriu. A
xícara de Hermione parou em seus lábios. — Ele escrevia para casa dizendo
"Mãe, aquela Granger nem assiste ao jogo quando está na arquibancada. Eu
olho para baixo e ela está lendo um livro."
Narcissa riu, um som como luzes piscando, mas Hermione fez uma pausa.
Talvez ela fosse uma nota de rodapé em uma história sobre a partida, e em
sua divagação sobre a derrota para Harry, ele acrescentaria outras coisas que
achava irritantes. Talvez?
Narcissa estava sorrindo para ela, então ela tomou um gole e colocou a
xícara na mesa.
— Eu... eu não teria pensado que alguém estava prestando atenção em mim,
embora seja gratificante pensar que de alguma forma eu poderia ter
distraído o apanhador do outro time, permitindo que Harry marcasse! —
Hermione brincou.
Narcissa riu.
— Distraiu mesmo.
Antes que ela pudesse processar totalmente a conversa em mãos, a abertura
das portas da biblioteca fez com que a xícara de chá de Hermione
chacoalhasse no pires.
— Mãe. — Um sotaque. E então Draco Malfoy estava espiando pela porta.
— Você queria me ver?
Hermione prendeu a respiração. Ela piscou antes que o número 35.000
pudesse piscar diante de seus olhos. Ela implorou aos deuses que ele saísse
da sala sem notá-la ali.
— Draco! Já está em casa? — Narcissa sorriu.
Ele entrou completamente na sala. Ela agarrou sua xícara de chá com tanta
força que pensou que fosse quebrar.
— Sim, eu estava fora com... — E seu olhar pousou sobre ela. Ela sentiu o
calor de seu corpo há dois dias, prendendo-a contra a parede de pedra, e ela
podia sentir o cheiro de sua respiração quando ele sorriu cruelmente para
ela. Ela implorou a seus olhos lacrimejantes que não fechassem ou
desviassem o olhar.
Ele congelou no lugar, vendo-a lá. E então seus olhos piscaram, olhando
lentamente para sua mãe. O desdém que ela temia dele agora era
direcionado a Narcissa. Hermione estava confusa.
— Draco, querido, — Narcissa disse, — Eu convidei Hermione para o chá
hoje. Eu não disse a você?
Narcissa estava olhando fixamente para ele. Draco piscou e seus lábios se
apertaram.
— Não, você não disse.
— Por favor, junte-se a nós, Draco. — O pedido de Narcissa tinha um tom
de finalidade. Hermione começou a entrar em pânico.
— Na verdade, eu preciso ir. — Hermione pousou sua xícara de chá com
um ruído metálico. — Eu realmente deveria ver se Morty precisa de ajuda
para fechar a loja. — Ela se virou para Narcissa. — Muito obrigado por me
convidar para um chá. Eu realmente apreciei sua companhia.
Narcissa estava aborrecida, Hermione percebeu. Quando ela se levantou e
pegou sua bolsa do chão, Narcissa se levantou.
— Que pena que você deve partir tão cedo. Eu adoraria encontrar outro
momento para continuar nossa conversa.
— Sim, — disse Hermione. — Eu adoraria isso. — Ela não ousou olhar
para a figura parada no centro da sala. — E novamente, muito obrigado por
me convidar para o chá.
— É claro, querida. — Narcissa sorriu para ela. — Draco, você poderia, por
favor, escoltar Hermione até as lareiras?
Hermione olhou para Draco, olhos arregalados, e o encontrou ainda
encarando sua mãe. Sua mandíbula estava apertada.
— Eu... Isso é muito gentil, mas tenho certeza que posso encontrar meu
caminho de volta para...
— Ah, bobagem. — Narcissa acenou com a mão. — Não é problema, não é
Draco? — Narcissa olhou nos olhos de Draco. Hermione se perguntou se
eles tinham a habilidade de falar telepaticamente um com o outro, porque
ela claramente estava perdendo alguma coisa.
Draco se endireitou.
— De jeito nenhum. — Draco se virou e caminhou até as portas da
biblioteca, segurando uma aberta para ela.
Hermione virou-se para Narcissa.
— Obrigado novamente Sra. Malfoy. Foi um prazer. — Hermione observou
seus pés enquanto eles a carregavam pelo chão acarpetado até um par de
sapatos de couro de dragão.
— Hermione, querida, — Narcissa a chamou. Hermione se virou para
encontrar Narcissa sorrindo. — Por favor, me chame de Narcissa.
O rosto de Hermione estava quente, e ela não sabia por que, mas ela se
sentia envergonhada por estar tão familiarizada com a mãe de Draco sem o
consentimento dele. Ela não ousou olhar para ele enquanto sorria para
Narcissa, virou-se e saiu primeiro da sala. Ela encarou o busto de Lucius
Malfoy, e quando seu filho fechou a porta atrás dela, ela olhou para Draco
rapidamente. Seu rosto estava tão frio e duro quanto a linha de Malfoys que
eles passaram.
Draco a conduziu pelo corredor sem fazer barulho. Ela podia ouvir seus
passos, mas não os dele. Ele a conduziu pela grande escadaria até o
corredor com três lareiras para os convidados que chegavam.
Um barulho alto atrás de uma porta fechada à sua direita. Um zumbido de
magia. Hermione pulou e prendeu a respiração. Ela não tinha notado aquela
porta antes.
— Reformas.
Ela olhou para Draco. Ele estava olhando para um ponto por cima do ombro
dela. Ela se lembrou de Narcissa dizendo agora que a sala de estar estava
sendo reformada. Ela estava agora do lado de fora da sala onde o silêncio de
Draco havia comprado para ele um potencial de 35.000 galeões? Logo
depois daquela porta ela encontraria elfos domésticos limpando o lustre
quebrado e a mancha de seu sangue sujo na pedra?
Ele ofereceu a ela o saco de pó de Flu e, sem olhar para ele, ela jogou a
poeira na lareira, sussurrando seu destino e desapareceu.
Capítulo 12.
Claro, semanas atrás, quando Hermione só queria um vislumbre diário de
Draco para manter seus olhos satisfeitos, ela nunca o via durante a semana
no Ministério. Agora que ela preferia ser lentamente devorada por uma
Manticora do que dividir o elevador com ele, isso foi tudo o que ela fez.
Ela o viu nos elevadores duas vezes na segunda-feira, felizmente com
outras pessoas entrando e saindo. Então ela conseguiu evitá-lo no café, mas
apenas se virando e optando por morrer de fome. Terça-feira a fez correr
para o café meia hora antes do almoço para pegar um daqueles malditos
croissants em que Harry a viciou, apenas para descobrir que ele tinha a
mesma intenção. Eles fizeram contato visual desta vez, então ela não teve
escolha a não ser ir até o balcão e pedir enquanto ele se sentava em uma
mesa de canto, possivelmente observando-a. Ela então pegou o croissant e
comeu em sua mesa.
Na quarta-feira, Harry e alguns outros Aurores prenderam um homem
tentando contrabandear um ovo de dragão para Londres, e visto que Draco
cuidava da papelada e consultava o Escritório dos Aurores, e o Escritório
dos Aurores precisava colaborar com o Departamento de Regulamentação e
Controle de Criaturas Mágicas neste caso, e Hermione aceitou e preparou
relatórios para o Departamento de Regulamentação e Controle de Criaturas
Mágicas, e Aiden estava doente naquele dia... Um memorando chegou à sua
mesa com letras perfeitamente curvas que ela reconheceu imediatamente. E
foi assim que ela se viu essencialmente "passando bilhetes" com Draco pelo
resto da semana.
Ela finalmente escreveu uma nota para Harry na tarde de quinta-feira, –
depois de pedir a Draco o máximo de informações possível sobre os
atributos físicos do próprio ovo, e o memorando dele para ela dizia "Tinha a
forma de um ovo". – perguntando educadamente a Harry se havia mais
alguém com quem ela pudesse se corresponder neste caso.
Na sexta-feira, a bandeja na sala de correspondência entregou um envelope
endereçado à Srta. Hermione Granger em uma letra cursiva inclinada que
ela agora conhecia.
Senhorita Granger,
Gostaria de convidá-la a dar uma olhada em nossa biblioteca e pegar
emprestado os livros de seu interesse. Qualquer dia depois do trabalho na
próxima semana ou no próximo fim de semana está bom. Por favor, deixe-
me saber sua preferência.
Atenciosamente,
Narcissa Malfoy
Hermione suspirou e colocou a cabeça entre as mãos. Como ela se tornou
tão amiga de Narcissa Malfoy?
Hermione escolheu a noite do sábado seguinte. Ela disse a Narcissa que
tinha coisas para fazer depois que ela fechasse em Cornerstone, então ela
não poderia chegar antes das 19h30, se estivesse tudo bem para ela. Dessa
forma, ela chegaria depois do jantar, então Narcissa não poderia convidá-la
para sentar com eles, caso Draco estivesse em casa. O que ela também
presumiu que ele não estaria, pois tinha uma vida social muito ativa,
segundo Rita Skeeter, e não deveria estar em casa às 19h30 de um sábado à
noite jantando com a mãe. Ela esperava.
Às dez para as seis, Hermione estava pensando no que poderia fazer por
uma hora e meia, visto que ela, é claro, não tinha nada a fazer. Ela então
percebeu que poderia levar um presente para Narcissa por convidá-la... e
então percebeu que provavelmente deveria ter feito isso na primeira vez que
Narcissa a convidou. Hermione deu um tapa na testa e fechou os olhos. Que
plebeia ela era.
Depois de passar dez minutos pensando em presentes para levar, ela
finalmente decidiu levar um livro para Narcissa, já que ela iria pegar um
livro (ou cinco) dela. Ela enviou a Morty um Patrono rápido, avisando-o de
que ela faria algumas compras pessoais depois que a loja fechasse, se
estivesse tudo bem para ele.
Hermione optou por um romance de ficção de Mattie McHandry que foi
escrito antes de o autor começar a escrever sobre histórias de duendes e
elfos. Ela colocou as foices na gaveta e anotou no livro, antes de fechar a
loja e aparatar em casa.
Ginny tinha saído com Harry, então ela estava sozinha com seu cabelo – um
fato que ela só percebeu quando se viu no espelho. Ela tentou colocar um
pouco para trás, longe de seu rosto. Esperançosamente, era apenas Narcissa
esta noite.
Ela pegou o pó de Flu e falou "Mansão Malfoy" às sete e meia em ponto.
Ela apareceu pela lareira e Narcissa Malfoy estava esperando por ela com
um sorriso.
— Olá, Narcissa.
— Bem-vinda, Hermione. Espero que você tenha tido tempo suficiente para
fazer suas tarefas?
Hermione se atrapalhou momentaneamente com sua pequena bolsa e o livro
embrulhado em seus braços.
— Sim, eu... um momento. — Ela mudou seus pertences. — Na verdade, eu
trouxe isso para você. — Ela estendeu o livro para Narcissa, e seu sorriso se
tornou ainda mais genuíno, se possível.
— Que adorável, Hermione. Mas você não precisava fazer isso. — Ela
desembrulhou o presente e leu a capa, encontrando o nome do autor. —
Outro livro de McHandry! — Ela olhou para Hermione.
— Sim, embora seja uma ficção. Antes de ele começar sua série de história.
— Com os braços agora vazios, Hermione deixou um braço cair morto ao
seu lado, sem saber o que deveria fazer com ele.
— Mal posso esperar para lê-lo. Obrigado, Hermione. — Narcissa acenou e
Mippy apareceu, fez uma reverência para Hermione e pegou o livro e o
papel de embrulho antes de desaparecer. Hermione notou que ela usava um
vestidinho hoje. — Vamos à biblioteca?
— Sim, obrigado. — Hermione sorriu. — E muito obrigado por me
oferecer seus livros. — Ela começou a seguir Narcissa pelo corredor. —
Tenho que admitir, tenho curiosidade sobre a biblioteca Malfoy há muitos
anos.
— Bem, então considere esta a primeira de muitas visitas. — Os dentes de
Narcissa eram bem retos.
Narcissa colocou mãos delicadas nas portas da biblioteca e elas pareceram
se abrir ao seu toque. Hermione ficou chocada novamente com o quão
grande era a sala, com o sol se pondo pelas janelas ocidentais iluminando as
estantes e prateleiras, o cheiro. Hermione estava se sentindo gananciosa
apenas de pé na soleira.
— Posso oferecer-lhe uma xícara de chá enquanto lhe mostro o lugar? —
Narcissa girou para encará-la, o cabelo flutuando momentaneamente.
— Eu adoraria, obrigada, — disse Hermione.
Mippy apareceu sem ao menos ser chamada. Ela segurava uma bandeja
com duas xícaras e pires.
— A senhorita gostaria de leite e três colheres de mel? — Os olhos
brilhantes de Mippy piscaram para ela. Mippy estava usando uma cartola
com uma florzinha.
— Eu... sim, obrigado, Mippy. — Hermione sorriu para ela e Mippy
entregou-lhe uma xícara e um pires.
Narcissa pegou a dela e agradeceu a Mippy, e então Mippy desapareceu
novamente. Hermione olhou para o local que ela havia ocupado
anteriormente. Ela mergulhou.
— Narcissa, perdoe-me se esta pergunta for impertinente, mas eu estive
pensando se Mippy é uma elfa livre.
Narcissa olhou para ela por cima de sua xícara de chá. Ela curvou os lábios.
— Ela é, de fato.
E assim, Hermione se sentiu ainda mais atraída por Narcissa Malfoy.
Narcissa continuou: — Depois que fui libertada da custódia no verão
passado, quase todos os nossos bens foram congelados, nossos elfos
domésticos realocados e todos os objetos escuros apreendidos. Voltei para
uma casa solitária, mas Mippy me cumprimentou na lareira. — Narcissa
sorriu suavemente. — Ela se escondeu e ficou para trás, esperando que eu
voltasse para casa. Eu disse a ela que não poderia mantê-la, já que a
Mansão Malfoy agora está proibida de ser servida por elfos domésticos,
então ela apontou para a luva que eu estava segurando e me pediu para
libertá-la. Ela está comigo desde então. Eu coloco cinquenta galeões em um
cofre de Gringotts toda semana para ela, e suspeito que ela gaste em roupas
e chapéus.
Narcissa riu e tomou um gole de chá. Os olhos de Hermione estavam
lacrimejando, então ela fez o mesmo.
— Isso é muito generoso da sua parte, Narcissa. Tenho certeza que Mippy
agradece a oportunidade de continuar servindo você e sua família.
— Obrigado, querida. Agora deixe-me mostrar-lhe tudo! — Narcissa girou
para as prateleiras à sua esquerda, e o coração de Hermione deu um pulo
com a ideia de folhear esta biblioteca.
Ela a levou até o catálogo na frente da sala, explicando que ela só precisava
falar qualquer tipo de título, autor ou gênero, e luzes de fada apareceriam
para guiá-la até esses livros. Ela a conduziu até a seção de ficção,
mostrando onde estavam as primeiras edições.
Hermione viu vários volumes vermelhos que ela reconheceu.
— Essa é a série de Lance Gainsworth, os Indesejáveis?
— Sim, são cópias autografadas, — Narcissa respondeu, e os dedos de
Hermione coçaram. — Eu amo essa série. É uma das suas favoritas
também?
— Absolutamente, — disse Hermione. — Atualmente, ele é meu autor de
ficção favorito.
— Draco adorava a série Indesejável. Foram os únicos livros que ele pediu
enquanto aguardava o julgamento daquele ano.
Hermione piscou.
— A série Indesejável?
Narcissa assentiu.
— Todos os sete livros, ou apenas alguns?
— Todos eles. Acho que ele leu essa série umas quatro ou cinco vezes até o
fim. — Narcissa estendeu a mão e tocou os livros com amor.
Hermione franziu a testa. Por que ele mentiria para ela sobre algo tão trivial
quanto livros? Não que os livros fossem triviais para ela...
— Qual é o problema, querida? — Narcissa deve ter visto a carranca em
seu rosto.
— Ah, eu... Não é nada. Ele me disse que não era fã dos livros. —
Hermione tentou ser indiferente e olhou para as outras pilhas.
— Provavelmente só brincando com você, tenho certeza. — Narcissa riu e
procurou o rosto de Hermione.
Brincando com ela. Ela não tinha certeza se gostava disso, agora sabendo
sobre suas intenções de vendê-la como gado naquela noite. Pior que gado...
Ela olhou para Narcissa e ela a estava observando, então ela sorriu de volta
e rapidamente olhou para o chão.
— Bem, vou deixar você navegar, querida. E, por favor, pegue o que quiser.
— Obrigado, Narcissa. Você é muito gentil. — Hermione ainda não
conseguia acreditar que ela teria acesso livre à biblioteca Malfoy pela
próxima... meia hora? Uma hora? Ela olhou para o relógio antigo no canto
enquanto Narcissa passava pela porta. Faltavam dez para as oito. Ela faria o
possível para terminar às oito e meia. Nove, no máximo.
Ela vagou pela seção de ficção, mas estava realmente mais interessada em
alguns dos livros de feitiços e manuais de poções que estavam esgotados há
décadas. Ela desapareceu atrás de uma pilha e encontrou uma seção inteira
que não era visível das cadeiras na sala principal. Ela engasgou com o
tamanho da biblioteca, e agora sabia com certeza que precisaria voltar mais
tarde para examiná-la completamente.
Ela encontrou uma estante inteira com os antigos livros de Hogwarts de
Draco, ainda em bom estado. Ela passou os dedos pelo livro que Remus
Lupin havia usado no terceiro ano, sorrindo ao se lembrar dele. Puxando-o
da prateleira, ela virou para o centro onde sabia que encontraria
Grindylows, e seu sorriso desapareceu quando viu uma cursiva apertada nas
margens.
verde ou bege?
assoc. ou sereianos?
Seus lábios se apertaram, percebendo que perguntas semelhantes foram
riscadas em suas próprias cópias. Ela virou a página para encontrar
desenhos em movimento de Harry sendo perseguido por um dementador,
Ron sendo atingido por várias flechas e um possivelmente dela, mas era
difícil dizer porque uma nuvem de cabelo estava atacando a menina.
Ela revirou os olhos e folheou mais alguns capítulos e descobriu que o
capítulo 18 havia sido completamente ignorado nos estudos de Draco
Malfoy e, em vez disso, ele havia passado aquela semana desenhando
imagens de suas várias mortes. Houve decapitações, estrangulamentos, até
várias eviscerações.
Hermione fechou o livro e o colocou de volta na estante, franzindo a testa.
Ela piscou de vergonha ao lembrar que certos capítulos de seus próprios
livros também estavam cheios de rabiscos, embora não da morte dela. Ela
tinha sido tão tola. Todos os pensamentos foram esquecidos quando ela viu
uma primeira edição de Animais Fantásticos e Onde Habitam.
Vinte minutos depois Hermione tinha sete livros em seus braços, a maioria
deles pesados. Ela ainda não havia saído da seção educacional, ainda
olhando os livros didáticos usados cinquenta anos atrás, ou os manuais de
poções que eram proibidos de ensinar desde o século XIX. Seus braços
estavam começando a tremer, e havia suor em sua nuca, fazendo com que
seu cabelo começasse sua jornada úmida para longe de seu corpo. Toda vez
que ela pensava em levitar os livros, ela se distraía com outro volume que
queria folhear.
Quando ela adicionou um oitavo livro à pilha, decidiu que era hora de
consolidar. Realmente não havia como ela levar oito livros.
Uma garganta pigarreou atrás dela, e Hermione se virou para ver Draco
Malfoy parado a dez passos dela. Ela prendeu a respiração e puxou os livros
ainda mais para perto do peito.
Ele olhou entre o rosto dela e a pilha de livros que ela segurava. Ele ergueu
uma sobrancelha para ela e não disse nada, o que obviamente fez Hermione
começar a falar rapidamente.
— Sua... sua mãe me convidou esta noite para dar uma olhada na biblioteca.
Estou selecionando os livros que gostaria de pegar emprestado. — Seu
coração estava disparado. Ela se arrependeu de ter se explicado, como se
fosse culpada de invadir a Mansão Malfoy para roubar livros. Onde estava
Narcissa?
— Eu sei, — disse ele, olhando-a de cima a baixo. Ele se aproximou dela e
disse: — Eu disse à minha mãe que ela era tola por pensar que você seria
capaz de fazer suas escolhas sem a ajuda de um pequeno trenó. — Ela
corou. Ele continuou: — Então ela me enviou para lhe dar isso. — Ele
estendeu uma cesta de vime que ela não percebeu que ele estava segurando.
Ela pegou a cesta dele e desajeitadamente encontrou uma maneira de
despejar seus livros nela. Ela olhou para cima e ele estava olhando para ela.
— Obrigada, — ela tentou.
— Minha mãe gostaria que você se juntasse a nós para um jantar tardio.
Os olhos de Hermione saltaram das órbitas.
— O que? São oito e meia!
Ele parecia tão satisfeito quanto ela quando disse: — Sim, é por isso que
eles chamam de jantar "tardio", Granger. A mesa já está posta para três. Ela
está esperando por nós.
— Eu... eu não vou... — Ela respirou fundo. — O que eu quis dizer é que
eu já comi, e eu odiaria tomar mais tempo dela esta noite...
— Granger. — Ele revirou os olhos para ela. — Você realmente acha que
dizer "não" é uma opção?
— Só porque você é incapaz de dizer "não" para a mamãe, não significa
que ninguém mais pode, — ela sibilou. — Vou me desculpar diretamente
com ela e recusar. — Ela enganchou a cesta no cotovelo e caminhou ao
redor dele. Ele agarrou o outro braço dela quando ela passou.
— Olha, sua idiota. Você escolheu fazer amizade com minha mãe e
importunar minha família...
— Para esclarecer, ela me escolheu...
— E por qualquer motivo, ela convidou você para jantar com ela esta noite,
saindo de sua rotina para comer mais tarde para que ela pudesse se encaixar
em sua agenda lotada...
— Eu tentei vir depois do jantar!
— Então eu não sei quais são suas intenções de estar aqui, assombrando
minha biblioteca e brincando de casinha com minha mãe...
— Acho sua mãe uma conversadora maravilhosa, uma anfitriã generosa e
uma pessoa adorável em todos os aspectos. É uma pena que esses traços
genéticos tenham acabado com ela, — disse ela.
Ela estava quase ofegante, e a mão dele ainda estava em seu braço,
apertando-a. Ela queria desesperadamente tirar os olhos dele, mas sabia que
seria admitir a derrota. Então, ela olhou para ele, aproveitando a
oportunidade para estudar verdadeiramente suas íris, encontrando as
manchas de azul que apareciam quando havia cor em suas maçãs do rosto.
Ela piscou, sentindo-se estúpida por ainda achá-lo atraente depois de tudo, e
desviou o olhar, puxando o braço dele. Ela continuou contornando as
estantes, indo em direção às portas da biblioteca, ainda sentindo o braço
queimando onde os dedos dele estavam. Ela o ouviu a seguindo. Ela virou à
esquerda do lado de fora da biblioteca, passando pelos homens Malfoy.
— Granger. — Ela olhou para trás para ver Draco na porta. Ele inclinou a
cabeça para a direita e encostou-se ao batente da porta.
Ela olhou para ele e se virou, claramente sem ter ideia de para onde estava
indo. Ele a conduziu mais longe no corredor do que antes, passando por
belas tapeçarias e uma grande janela com vista para o jardim. O céu ainda
estava rosa com o pôr do sol, e ela lutou para acompanhá-lo e examinar
completamente a mansão.
Ele parou do lado de fora de uma grande entrada e gesticulou para que ela
entrasse primeiro. Ela virou a esquina para encontrar uma sala de jantar
extravagante com uma mesa comprida e Narcissa Malfoy na cabeceira.
— Hermione, querida. Estou tão feliz que você pode se sentar conosco.
— Sim, obrigada, Narcissa. Eu não perderia isso por nada no mundo, —
disse ela. Draco entrou e bufou para que só ela pudesse ouvir. Narcissa
gesticulou para ela se sentar à sua esquerda e ela sentiu Draco levantar a
cesta de livros de seu braço. Ela olhou para ele e ele ergueu uma
sobrancelha para ela quando Mippy apareceu para levar a cesta para outro
lugar.
Hermione se virou para Narcissa e se dirigiu para sua cadeira. Draco a
seguiu e puxou a cadeira para ela. Ela se sentiu irritada por ele se comportar
como um perfeito cavalheiro na frente de Narcissa, embora carrancudo.
— Você teve sorte na biblioteca? — Narcissa perguntou, enquanto Draco se
sentava em frente a ela . Maravilhoso.
— Sorte incrível, — ela disse, sorrindo para Narcissa. — Eu mal deixei os
livros instrutivos. Eu acho que peguei muitos, então vou tentar consolidar
antes de sair.
— Ah, absolutamente não. — Narcissa acenou com a mão. — Você pode
pegar quantos quiser, e espero que volte e troque por mais. — Hermione
sorriu de volta para ela enquanto Draco balançava agressivamente o
guardanapo em seu colo. — Draco é realmente o único que ainda usa a
biblioteca.
Hermione observou-o tirar fiapos da toalha de mesa, recusando-se a fazer
contato visual com qualquer uma delas. Seus olhos se estreitaram para ele e
ela não pôde resistir.
— Eu quase peguei as cópias autografadas da série de Lance Gainsworth
para ler de novo, mas sua mãe estava me dizendo o quanto você as ama,
Draco. Eu odiaria que você se separasse delas.
Suas mãos pararam e sua mandíbula apertou. Os lábios de Hermione se
torceram em um sorriso quando ele olhou para ela.
Ela continuou: — Eu também li a série quatro ou cinco vezes, então sei
como é difícil não tê-los ao seu alcance.
Ele deu a ela um sorriso paternalista que não alcançou seus olhos.
— Isso foi muito gentil de sua parte, Granger. — Narcissa sorriu para seu
copo de água. Ele continuou: — E com quais livros você está saindo esta
noite?
— Bem, estou pegando emprestado, — ela dirigiu isso a Draco, e então
mudou seu foco para Narcissa, que parecia bastante interessada em suas
seleções, — vários livros que eu sei que estão esgotados, alguns livros que
foram usados em Hogwarts antes de serem atualizados, e encontrei um livro
sobre captura e controle de dragões que nunca tinha visto antes. Então,
espero que ajude no meu projeto de pesquisa.
— Oh maravilhoso! — disse Narcissa. As tigelas na frente deles se
encheram de sopa de abóbora, e Hermione se lembrou de que mal havia
jantado antes. Narcissa continuou: — Draco, você já ouviu falar sobre o
projeto Gringotts de Hermione, certo?
Draco parou ao pegar um pãozinho da cesta flutuante.
— Não posso dizer que sim. — Ele olhou para ela, com expectativa, mas
entediado.
— Os duendes de Gringotts estão esperando trazer e "treinar" outro dragão
para substituir o Ironbelly ucraniano que escapou no ano passado, — ela
disse, endireitando o guardanapo em seu colo. — Quero evitar esse
tratamento bárbaro tanto quanto possível e espero trabalhar com os goblins
para criar meios alternativos de proteção.
Hermione esperava que a conversa terminasse ali, já que ela não tinha
intenção de explicar completamente a profundidade do projeto para Draco.
E também a sopa de abóbora tinha um cheiro delicioso.
Ela olhou para os talheres e encontrou três colheres. Quantos pratos
Narcissa preparou? Parecia que Narcissa havia escolhido a mais distante do
prato, então Hermione fez o mesmo.
— E você acha que os goblins estarão dispostos a fazer as coisas de uma
maneira diferente?
Ela olhou para ele enquanto ele levava a colher aos lábios. Ela sentiu
ciúmes da elegância daquele movimento.
— Acho que a negociação é sempre possível, — disse ela, mergulhando a
colher, mas uma risada a interrompeu.
— Eu trabalhei com eles pessoalmente várias vezes nos últimos meses. —
Draco sorriu para ela como fazia sempre que Snape o escolhia para uma
demonstração de poções. — Eles não são passíveis de mudanças mágicas.
A colher cheia de Hermione pairava sobre seu prato de sopa.
— Então teremos que fazê-los ver...
— Você não pode fazer um goblin ver nada, — ele disse, com um leve
aceno de cabeça, como se ela fosse absolutamente perder. Ela sentiu o calor
chegar a suas bochechas.
— O Ministério será capaz de impor leis que obrigarão os goblins a
obedecer, — disse ela.
— Então você acha que os direitos dos goblins devem ser subordinados à
lei dos bruxos? — Ele ergueu uma sobrancelha para ela.
Ela ficou boquiaberta com ele.
— Eu não disse tal coisa...
— As negociações só vão funcionar se você conseguir o que quer, certo
Granger? — Ele se recostou na cadeira.
— Draco, — Narcissa balbuciou, e Hermione lembrou que ela também
estava lá. Hermione finalmente colocou sua colher de sopa não consumida
de volta na tigela e sentou-se ereta.
— A única coisa que eu quero é que nenhum outro mal aconteça às
criaturas mágicas pelas mãos de Gringotts. Existe uma solução melhor por
aí, e eu quero que bruxos e duendes concordem com ela.
Ele pegou a colher como se a conversa não o incomodasse.
— Talvez seja a melhor solução, Granger. Talvez você não seja a primeira
pessoa a começar essa luta, apenas para descobrir que manter um dragão
nas entranhas de Gringotes é o melhor método de segurança que existe.
— Não deve ser o melhor método se três jovens de dezessete anos
conseguiram libertá-lo e voar em suas costas na primavera passada, — disse
ela.
Seus olhos brilharam para ela e ele respirou fundo...
— Mippy! — Narcissa chamou, a voz tensa. Mippy apareceu e Narcissa
perguntou: — Poderia trazer um pouco de vinho para a mesa?
Enquanto Mippy produzia uma garrafa de vinho tinto e desaparecia,
Hermione se arrependeu de ter ignorado Narcissa até agora. Ela se virou
para sua anfitriã para iniciar algum tipo de conversa e pegou sua colher
novamente. Realmente cheirava tão bem.
Draco tinha outras ideias.
— Claro, descer para as abóbadas inferiores exigiu um pouco de travessura,
se bem me lembro, — disse ele, e Hermione se virou para ele, os lábios
apertados. — Os três jovens de dezessete anos usaram Imperdoáveis pela
primeira vez para passar pelas primeiras camadas de segurança. Então
talvez não seja o dragão que falhou.
Ela estreitou os olhos para ele e ele levantou uma sobrancelha para ela.
— Hermione, querida, — Narcissa disse. — Uma taça de vinho feito por
elfos?
Ela se virou para Narcissa,
— Não, obrigada, Narcissa. — Ela se virou para o rosto presunçoso dele. —
Então, você está dizendo, que manter o dragão mutilado e torturado no
andar de baixo e reforçar a segurança no andar de cima resolverá o
problema com a mutilação e a tortura?
— Draco? Vinho?
— Não, mãe. — Olhos nunca deixando Hermione. — Só estou dizendo que
a falha que você encontrou na segurança é baseada na habilidade de passar
pelo dragão, mas não teriam sido capazes de passar pelo dragão sem um
pouco de quebra da lei lá em cima. Você pode querer manter esses
argumentos fora de sua apresentação, Granger, senão eles decidirão
investigar mais.
— Bem, eu vou tomar um pouco de vinho, — ela ouviu Narcissa murmurar,
enquanto as orelhas de Hermione queimavam, observando Draco mergulhar
sua colher naquela bela sopa que ela ainda não havia provado.
— Oh, obrigado, Draco, mas o Wizengamot já conhece cada detalhe dessa
situação. Veja, sou perfeitamente capaz de ficar fora de Azkaban sozinha,
sem a ajuda de uma heroína.
Ela observou quando sua colher parou a caminho de seus lábios, e a cor em
suas maçãs do rosto se iluminou. Qualquer vitória que ela sentia durou
pouco quando ela percebeu que até Narcissa havia ficado muito quieta ao
lado dela. Ela tinha ido longe demais.
— Eu... Narcissa, obrigado pelo jantar. Você realmente é muito gentil por
me convidar para ficar, mas devo partir agora. — Ela colocou a colher de
volta na mesa e deu uma última olhada na sopa de abóbora antes de se
levantar.
— Oh, Hermione querida, por favor, fique, — Narcissa disse. Hermione
olhou para ela e não viu nojo, então era possível que o relacionamento fosse
recuperável.
— Sinto muito, não posso. — Ela colocou o guardanapo na cadeira,
evitando o olhar de Draco que ela sabia que estava sobre ela.
— Deixe Draco acompanhá-la, — disse Narcissa. — Eu odiaria que você se
perdesse.
— Absolutamente não, — disse ela, quase rindo. — Eu prefiro me perder
nas masmorras dos Malfoy do que tê-lo perto de mim. Mais uma vez,
obrigado, Narcissa. Você tem sido nada além de generosa.
Ela acenou com a cabeça uma última vez para Narcissa e saiu da sala de
jantar. Ela virou do lado de fora das portas, bufando, e continuou pelo
corredor, reconhecendo várias das tapeçarias.
Demorou um pouco mais para encontrar a biblioteca do que ela se
lembrava, fazendo várias curvas incorretas e até mesmo parando na janela
com vista para o terreno para apreciar a vista à noite. Assim que encontrou
os bustos dos homens Malfoy, ela conheceu seu próprio caminho e ficou
muito orgulhosa de si mesma. Ela se aproximou das lareiras e não
encontrou pó de Flu. Draco havia oferecido a ela um saco duas semanas
atrás, mas ela não se lembrava dele pegando. O corredor estava vazio. Não
havia mesas ou prateleiras escondidas onde se possa armazenar o pó.
— Accio pó de Flu! — ela sussurrou, sem sorte.
Quando ela estava prestes a sair pela porta da frente e tentar chegar a um
ponto de aparatação, ela ouviu o clique de couro de dragão. Ela fechou os
olhos e rezou para Merlin que fosse Narcissa. Ela se virou e Draco estava
indo em sua direção, escondendo um sorriso presunçoso. Ela olhou para ele
e cruzou os braços.
Quando ele a alcançou, ela percebeu que ele estava segurando os livros que
ela havia deixado para trás. Ela corou, mas tentou levantar uma sobrancelha
para ele. Eles foram amarrados por uma fita de artesanato de Mippy e,
quando ele os estendeu para ela, um dedo enganchado na fita, ela percebeu
que ele colocou um feitiço leve-como-pluma neles. Ela pegou os livros sem
fazer comentários, e parecia que no minuto em que tocou neles o encanto se
dissipou, e ela se viu atrapalhada com oito livros pesados sem a ajuda dele.
Uma vez que ela se endireitou, ela olhou para ele e seus olhos estavam
brilhando de alegria, mas ele ainda escondeu o sorriso. Ele convocou o saco
de pó de Flu com um aceno de mão. Claro. Ela estendeu a mão para ele e
ele puxou-o para longe.
— Mamãe está muito chateada, você sabe. Depois da cena que você fez,
espero que esta seja sua última visita à Mansão Malfoy.
— Oh, vai se foder, Draco, — ela disse.
Ela pegou o pó de Flu, jogou na lareira e, ao entrar e se virar para anunciar
seu destino, teve um último vislumbre dele, ainda segurando o pó de Flu,
olhando para o local ao lado dele que ela costumava ocupar, e o canto de
seus lábios se levantando.
Capítulo 13.
Querida Narcissa,
Peço seu perdão pela maneira como me comportei no jantar ontem à noite.
Posso ser muito apaixonada por meus projetos e sei que Draco também
pode ser muito apaixonado. Aprecio muito a sua companhia e agradeço
sinceramente o convite à sua casa e à sua mesa de jantar.
Se houver algo que eu possa fazer para me desculpar, por favor me avise.
Atenciosamente,
Hermione J. Granger
Querida Hermione,
Você é tão gentil em pensar que precisa se desculpar. A verdade é que me
diverti bastante ontem à noite. Eu não vou à Londres trouxa para ver teatro
com tanta frequência quanto antes, então a noite passada era exatamente o
que eu precisava.
Tenho certeza de que estarei visitando Cornerstone no próximo fim de
semana, então vejo você. Talvez possamos fazer um almoço rápido no seu
intervalo?
E enviei com esta carta um pequeno pacote, pois acredito que você não
conseguiu prová-la ontem à noite.
Atenciosamente,
Narcissa Malfoy
Hermione abriu o pequeno pacote marrom e encontrou um pote de sopa de
abóbora. Quando ela a levou aos lábios, quase chorou.
Na manhã de segunda-feira, ela foi recebida em seu escritório com um
memorando da Sala dos Aurores. Ela estremeceu ao abri-lo, esperando não
estar lidando com Draco no início da semana, mas era do chefe do Gabinete
dos Aurores solicitando uma reunião colaborativa entre seu departamento e
o deles sobre o ovo de dragão encontrado na semana anterior.
Passos desajeitados, e então Aiden estava enfiando a cabeça por cima da
parede do escritório dela.
— Você foi convidada para a festa também? — Ele deu um sorriso e
renunciou a um memorando correspondente para ela.
Menos de uma hora depois, ela e Aiden estavam dividindo um elevador até
o Nível 2 com o cheiro da laranja que Aiden estava descascando e
devorando. Ela recusou quando ele lhe ofereceu, e tentou ignorar o cheiro
como se ela estivesse ignorando sua tagarelice sobre como as mesas e
cubículos do Nível 2 eram muito melhores do que as deles.
Eles encontraram o caminho para a sala de conferências com um minuto de
sobra e o primeiro par de olhos que ela encontrou ao entrar foram os de
Draco. Era de se esperar, já que ele era o analista do caso do ovo de dragão,
mas ainda surpreendente logo pela manhã. Ela rapidamente olhou para
outro lugar e encontrou Aiden puxando uma cadeira para ela ao lado de
uma bruxa mais velha que estava lá para fazer uma transcrição.
— Vamos começar. — Gawain Robards, chefe do Departamento de
Aurores, levantou-se e bateu com a varinha na mesa. Uma imagem
tridimensional de um ovo de dragão apareceu no meio da mesa, e Hermione
imediatamente pensou naqueles hologramas de ficção científica. — Como
todos sabem, este ovo de dragão foi apreendido em Londres na semana
passada, e com a ajuda da Srta. Granger, — ele acenou para ela, — foi
identificado como um ovo de Focinho Longo Português. Agora, o
contrabando de ovos de dragão não é incomum, mas foi o Sr. Malfoy quem
descobriu que o ovo Focinho Longo foi encontrado dentro de um raio de
três quarteirões de onde o ovo de Rabo Córneo Húngaro foi encontrado um
mês atrás.
Hermione olhou para Draco, e o encontrou suprimindo o sorriso malicioso
que usava na aula de Snape toda vez que o professor elogiava sua
fabricação de poções. Bem, pelo menos ele estava suprimindo isso. Draco
se levantou.
— Acreditamos que esses negociantes de dragões estão vendendo para o
mesmo comprador, embora sem sucesso até agora, — disse Draco.
Ele pegou uma pilha de papéis que estavam dispostos à sua frente e
começou a distribuí-los. Quando Hermione recebeu o dela, descobriu que
era um relatório completo de dezessete páginas. Hermione olhou para ele e
observou enquanto ele resumia o relatório, apontava para os gráficos e
mapas importantes, mantinha o controle da sala e, pela primeira vez, ela se
perguntou o que ele planejava fazer depois que sua liberdade condicional
terminasse em dezembro. Porque ele era muito bom nisso.
Hermione levantou a mão. Draco piscou para ela.
— Sim, Srta. Granger, — Draco articulou.
— O traficante de dragões que foi preso na semana passada. O que ele tem
a dizer?
Robards limpou a garganta.
— Ele foi interrogado e descobriu-se que não sabia nada sobre o
comprador. Ele era apenas o meio de transporte ao que parece.
— E de que país foi contrabandeado o ovo focinho-longo português? —
Hermione perguntou a Robards.
— Portugal, — Draco disse secamente. Hermione estreitou os olhos para
ele.
— Temos certeza? — ela disse.
Robards empurrou os óculos para cima e se inclinou para a frente.
— O que você quer dizer, Srta. Granger?
— Houve o caso de um ovo de Focinho Longo português recém-posto que
foi contrabandeado para a Suíça no ano passado com a intenção de chocar
durante o ponto mais frio do inverno. Os focinhos longos são normalmente
chocados apenas no calor português, então os negociantes e compradores de
dragões estavam claramente experimentando algo.
Robards acenou com a cabeça para ela.
— Vou investigar isso para você.
— Obrigado.
Draco olhou para frente e para trás entre os dois, esperando que
continuassem. Ela levantou uma sobrancelha para ele.
— Como eu estava dizendo, esperamos que o departamento possa nos
ajudar a determinar o que o comprador pode querer com dois tipos muito
diferentes de ovos de dragão...
Ela levantou a mão novamente. Desta vez sabendo que ele odiaria.
— Granger.
— O que faz você acreditar que pode haver semelhanças? O comprador não
pode estar apenas querendo criar uma variedade de dragões?
Draco respirou profundamente.
— Essa é uma possibilidade, mas gostaríamos de descartar outras.
— Mas por que ele iria querer um Focinho Longo? — Aiden perguntou,
girando sua pena de forma distraída. — Isso é tipo, o dragão menos
impressionante. Não há uso para nenhuma de suas peles na moda, e os
chifres não têm propriedades mágicas. Quero dizer, se eu fosse começar
uma coleção de dragões, escolheria o melhor.
Hermione engasgou, pensamentos zumbindo em seu cérebro. A sala olhou
para ela.
— A única qualidade interessante sobre o Focinho Longo Português é que é
mais fácil cruzar com um Verde Galês Comum, — disse ela. Ela olhou para
Aiden em busca de confirmação. — O Focinho Longo e...
— O Rabo-Córneo Húngaro, — Aiden terminou para ela, sorrindo.
Hermione voltou-se para Draco, pois ele ainda estava parado na frente da
sala.
— E um ovo verde galês comum "desapareceu" da reserva do País de Gales
há dois meses, aparecendo em Knockturn Alley pouco depois, — disse ela.
— Foi avistado, mas não recuperado.
— Então, senhorita Granger, — Robards acenou para a bruxa transcritora,
— sua análise seria que quem quer que esteja tentando adquirir o Rabo
Córneo e o Focinho Longo já tem o ovo Galês Comum e espera cruzar?
— Sim, senhor.
Os lábios de Draco se curvaram e ele engoliu.
— Dez pontos para Grifinória.
Aiden riu de uma forma fraca, e Hermione lançou a Draco um olhar furioso.
— Bem, é isso! — Robards se levantou da mesa. — Vamos entrar em
contato sobre isso, trocando memorandos e coisas do tipo, mas eu diria que
esse é o mistério mais rápido já resolvido aqui. Vou chamar a equipe para
pesquisar o desaparecimento do verde galês e rastreá-lo. Senhorita Granger,
por favor, envie-me todas as suas anotações sobre o verde galês. — Ela
assentiu. Robards gesticulou para frente e para trás entre Hermione e Draco.
— Vocês dois deveriam trabalhar juntos com mais frequência. Vocês
salvariam o resto de nós de um mundo de problemas.
Hermione soltou uma risada trêmula e Draco franziu a testa para Robards.
Ela olhou para a mesa enquanto se levantava e reunia sua papelada,
pretendendo ler o trabalho de Draco mais tarde. Robards saiu agradecendo a
todos, e Aiden começou a conversar com Draco, para o deleite de
Hermione. Ela escapou antes que pudesse ter mais interação com qualquer
um deles.
O sábado seguinte foi um dia lento em Cornerstone, e Hermione se viu
sonhando acordada com mais frequência do que o normal. Ela tinha quinze
minutos até que Morty descesse para assumir a mesa para o intervalo do
almoço, e ela sentiu a necessidade de sair para tomar um pouco de ar fresco.
Havia um livro nos pedidos reservados sob Black, e Hermione lembrou-se
do bilhete de Narcissa do último fim de semana, mencionando que ela
poderia passar por aqui e possivelmente convidá-la para almoçar. Como já
era hora do almoço e ela ainda não tinha visto Narcissa, ela supôs que
deveria se acostumar com a ideia dos biscoitos que ela trouxe como um
plano B.
Ela passou a manhã fingindo não ler o Profeta do dia, que trazia uma foto
de Draco e a garota loira com quem ele tinha saído antes. Eles tinham saído
novamente ontem à noite, aparentemente. Ela ficava arrumando os livros
em cima do artigo para que os clientes não a pegassem relendo, mas ela
sempre mantinha uma lacuna sobre a imagem do perfil de Draco, sorrindo
para a garota enquanto bebiam em Hogsmeade. O livro-razão repousava
permanentemente sobre o rosto da garota.
Enquanto uma mulher grande vestindo muito roxo lhe desejava um bom
dia, ela voltou a seus rabiscos, imaginando o que faria para se divertir esta
noite. Ginny estava fora da cidade com sua equipe, mas chegaria em casa
tarde da noite. O Halloween era daqui a duas semanas, e ela sabia que
estaria tremendamente ocupada, então este fim de semana ela planejava
aproveitar o silêncio. Talvez ela limpasse?
Hermione franziu a testa para sua pena, pairando sobre a foto de Draco, e
resolveu adquirir uma vida social mais ativa assim que a porta da frente se
abriu. Talvez Ron estivesse certo. Ela não precisava trabalhar nos fins de
semana se isso a impedisse de levar uma vida normal, sair da cidade e
coisas do tipo.
Ela ergueu os olhos do Profeta, Draco sorrindo para sua acompanhante,
cantando um "Boa tarde", para ver o verdadeiro Draco em seu balcão, sem
sorrir. Ela piscou.
— O que? — Ela se endireitou.
— "O que?" — ele repetiu. — É assim que você cumprimenta os clientes
aqui? — Ele ergueu uma sobrancelha para ela, e as mãos dela tentaram
mover os livros sobre a mesa para cobrir o artigo sem chamar a atenção.
Ela respirou fundo e tentou um pouco melhor.
— Você está aqui para o livro reservado?
Ela observou quando ele abriu a boca, como se fosse falar, e então
simplesmente acenou com a cabeça uma vez. Suas sobrancelhas se uniram,
mas ela não comentou. Hermione pegou a sacola com a etiqueta "Black" e
começou a escrever uma linha no livro-razão, que ela deixou exatamente
onde estava em cima do rosto da loira idiota.
O livro, Hermione percebeu, era considerado bastante "feminino" – uma
ficção de uma escritora com uma personagem principal feminina. Ela olhou
para cima, prestes a provocá-lo, e o encontrou olhando para ela.
— Seus gostos mudaram, Draco? — O canto de sua boca se ergueu em um
sorriso. Ele piscou para ela. Ela balançou o livro para ele.
— Ah, não é... não é para mim.
— Ah, tudo bem. — Ela sentiu que deveria provocá-lo sobre seu
"presente", mas ele estava tão rígido e havia algo estranho nele. Ela pegou
uma sacola da prateleira, colocou o livro dentro e estendeu para ele. Ele
olhou para o livro.
— A Cornerstone faz embrulhos para presentes?
— Nós... uh, sim, nós fazemos. — Ela pegou a sacola de volta e começou a
limpar o balcão enquanto ele a observava. Seu rosto começou a esquentar e
ela não sabia por quê.
Ela abriu espaço no balcão, empurrando alguns livros para o lado, e se virou
para pegar o papel de embrulho. Quando ela se virou, percebeu que o
Profeta Diário estava espalhado sobre a mesa, visível agora que ela havia
removido os livros. Ela prendeu a respiração. Ela não ousou erguer os olhos
para ele, apenas fechou o jornal e o guardou. Era completamente natural ler
o jornal durante o dia, e talvez tenha sido esse o artigo que ela encontrou
quando o último cliente entrou. Perfeitamente explicável. Ela estendeu o
papel de embrulho e colocou o livro em cima, só agora percebendo que isso
poderia ser um presente – para a loira.
— Minha mãe e eu estamos parando para um almoço rápido no Fortescue's.
— Oh. Diga a ela que eu disse olá. — Suas mãos endireitaram o papel
embaixo do livro e pegaram a tesoura do copo ao lado da caixa registradora.
Então Narcissa escolheu almoçar com o filho em vez de almoçar com ela?
Certo. Claro, Hermione percebeu que este não era o mais racional dos
resmungos...
— O Sr. Hindes desce para cobrir o seu almoço?
Ela olhou para o relógio enquanto dobrava o papel de embrulho em volta do
livro.
— Sim, geralmente em torno das uma. — Seus dedos lutaram com a fita e
ela olhou para cima para encontrá-lo observando suas mãos trabalharem.
Ela olhou para baixo rapidamente e terminou de prender um lado e depois
dobrar o outro.
— Você gostaria de se juntar a nós para o almoço?
Suas mãos escorregaram no papel, perdendo a dobra, e seus olhos se
voltaram para ele. Ele estava usando sua expressão neutra novamente, mas
enquanto ela procurava a piada em seu rosto, ele engoliu em seco.
— Sua mãe quer repetir a performance do último sábado? Em público? —
Ela sorriu e redobrou o lado, prendendo-o com dedos trêmulos e se virou
para pegar a fita.
— Se houver sopa de abóbora, prometo deixar você comer.
Ela sorriu para a fita e começou a enrolá-la no pacote.
— Diga a sua mãe que agradeço o convite, mas estou muito ocupada aqui
hoje. Foi gentil da parte dela me convidar.
— Sou eu quem está convidando, Granger.
Ela olhou para ele e seus olhos se estreitaram para ela.
— Nós dois sabemos quem te mandou, Malfoy. — Ela puxou a fita para
fechá-la, colocou o presente embrulhado na pequena sacola e estendeu a
sacola para ele. Ele pegou dela e abriu a boca para falar. Nesse momento, a
porta que escondia a escada para o apartamento de Morty no andar de cima
se abriu. Morty saiu, ajustando os óculos.
— Srta. Granger, — ele disse. — Bom negócio hoje?
— Sim, absolutamente...
— Sr. Malfoy, — Morty sorriu. — É um prazer vê-lo aqui. — Os olhos de
Morty brilharam e Hermione franziu a testa.
— Sr. Hindes, como vai? — Draco sorriu e apertou a mão de Morty.
— Olha como você cresceu! Nossa! Ele sempre foi tão alto, Srta. Granger?
Hermione olhou entre os dois.
— Uh, não. Ele era mais baixo... antes... — Ela pegou a pena e começou a
fazer anotações no livro.
— Você conseguiu tudo que precisa hoje, Draco? — Morty disse.
— Sim, obrigado. Eu só estava aqui para ver se a Srta. Granger poderia me
acompanhar para o almoço hoje. Minha mãe está na mesma rua.
Sua tinta borrou e ela cerrou os dentes.
— Oh, adorável! Sim, por favor. Eu fico na loja. — Morty começou a
empurrá-la para fora do balcão.
— Bem, eu... eu tenho tanto para fazer aqui, eu não acho...
— Bobagem. Leve o tempo que precisar.
Hermione encontrou sua bolsa enfiada em seu peito, sua pena arrancada de
sua mão e seu corpo forçado a se afastar do balcão enquanto Morty pedia a
Draco para dizer olá a Narcissa por ele e cuidava de tudo ele mesmo.
Hermione se orientou e puxou a alça da bolsa até o ombro. Draco deu um
bom dia a Morty e Hermione o seguiu enquanto ele saía da loja, segurando
a porta para ela.
Ela saiu e de repente a conversa e o barulho desapareceram e ela estava em
uma esquina tranquila com Draco Malfoy sem nada para conversar. Ele
fechou a porta atrás de si e se virou para ela, erguendo uma sobrancelha.
— Bem, parabéns, Malfoy, — ela disse, colocando a bolsa no ombro. —
Você tem uma companheira de almoço.
— Ah, que bom que Morty pôde cobrir seu almoço, — disse ele, virando na
rua em direção ao Fortescue's. Ele virou por cima do ombro. — Você
parecia atolada lá dentro.
Ela olhou para ele e o seguiu. A bolsa da Cornerstone Books balançou de
seus dedos de uma forma alegre e Hermione saltou para alcançá-lo. Eles
pararam quando um grupo de compradores os cruzou na próxima esquina, e
quando estava livre para ir, ela sentiu a mão dele subindo por suas costas,
guiando-a suavemente. Seu corpo deve ter se contorcido porque ele olhou
para ela e ela observou seus pés enquanto eles a carregavam pelos
paralelepípedos.
Eles chegaram na esquina em frente ao Florean Fortescue momentos
depois, e Hermione olhou para cima para ver Narcissa Malfoy sentada no
pátio, vestida com vestes azuis com um chapéu azul enorme combinando
que lembrava Hermione muito das grandes estrelas de cinema trouxas.
Hermione se sentiu muito mal vestida. Draco suspirou ao lado dela. Ela
olhou para ele, e ela poderia dizer que ele estava reprimindo um
comentário.
— Sua mãe certamente sabe como fazer uma declaração, — disse ela
enquanto se aproximavam do portão do pátio.
Ele o segurou aberto para ela e, quando ela passou por ele, murmurou: —
Você não tem ideia. — A voz dele roçou em seu ouvido e ela sorriu e
estremeceu.
Narcissa se levantou da mesa.
— Hermione! Oh, estou tão feliz que você pôde se juntar a nós. — Ela não
pôde deixar de notar que a mesa já estava posta para três.
— Sim, obrigada, — Hermione disse, enquanto Narcissa apertava sua mão
e a puxava para um leve abraço. — Seu filho pode ser muito persuasivo.
Narcissa sorriu para Draco e gesticulou para que Hermione se sentasse à
sua frente. Draco puxou a cadeira para ela, o que estava começando a se
tornar um hábito, e então acenou para sua mãe e entrou para fazer o pedido.
Era uma linda tarde de outono, e Narcissa estava deslumbrante sob a luz do
sol que espreitava pelo telhado do pátio. Elas conversaram por um minuto
ou mais antes de Draco retornar com três xícaras e pires.
— Oh, obrigada, Draco, — Narcissa disse. — Eu espero que você tenha
trazido mel suficiente para vocês dois.
O pulso de Hermione disparou. Narcissa estava prestes a contar a Draco
sobre a "coincidência" de que eles tomavam o chá da mesma maneira, e
Draco iria ver através disso. Hermione prendeu a respiração quando os
lábios de Narcissa se abriram em um sorriso.
— Por acaso você sabe como Hermione toma seu chá?
— Granger bebe café.
Os olhos de Hermione se fixaram nos dele enquanto ele colocava uma
xícara de café na frente dela. Ela olhou para ele.
— Então, a menos que ela coloque mel em seu café...
— Oh, — Narcissa disse, virando os olhos para ela. — Eu não sabia que
você preferia café a chá.
— Eu... sim, eu bebo café com mais frequência. — Ela se virou para Draco.
— Obrigado.
— Da próxima vez que você estiver na Mansão, vou preparar um pouco
para você, — Narcissa disse.
— É muita gentileza da sua parte. — Hermione derramou o leite em seu
copo.
Narcissa continuou conversando com ela pelos próximos vinte minutos,
discutindo tudo, desde a nova propriedade da Fortescue's até a ficção de
McHandry que ela havia terminado. Draco sentou-se silenciosamente com
elas, preparando seu chá com três colheres de mel e leite, e pegando os
bolinhos que o garçom entregou. Hermione podia senti-lo ao seu lado
direito onde ele estava sentado entre as duas mulheres, mas evitou olhar
para ele a menos que Narcissa o arrastasse para a conversa. Ela podia senti-
lo olhando para ela.
— Hermione, querida, eu adoraria conhecer seus pais na próxima vez que
eles estiverem na Inglaterra, — Narcissa disse, e Hermione quase engasgou
com seu bolinho. Ela rapidamente tomou um gole de café antes de tossir.
Ela olhou para cima para ver se algum deles notou, e viu que Draco estava
franzindo a testa para sua mãe. Narcissa continuou, — Eles virão aqui nas
férias ou você irá para a Austrália para visitá-los?
Narcissa estava espalhando geléia em seu bolinho, sorrindo para ela.
Hermione olhou para a mesa.
— Nenhum dos dois, infelizmente. A temporada de férias é uma época
muito movimentada... para os dentistas. Umm... — Ela parou, e podia sentir
dois pares de olhos claros sobre ela.
— Oh, isso é muito interessante, — Narcissa interveio. — Mas que pena. E
quando eles planejam visitá-la da próxima vez?
— Eu... Bem, eles...
Hermione sentiu que deveria mentir e dizer "primavera". As chances de
Narcissa Malfoy realmente querer visitá-los, ou acompanhá-los na
primavera, ou pedir para escrever cartas para eles... ou continuar falando
sobre isso... eram extremamente altas, ela percebeu. Ela largou a faca de
manteiga com a qual começara a brincar. Ela olhou para cima e Draco a
observava com muito cuidado. Ela se virou para Narcissa e a encontrou
examinando seu rosto, e soube então que ela havia hesitado por muito
tempo. Ela respirou fundo e olhou para a xícara de café.
— Na verdade, nunca. — Ela sorriu tristemente e fixou seus olhos em
Narcissa. — Tive que apagar suas memórias há dois anos, antes de... tudo
começar. — Narcissa franziu os lábios. — Eles moram juntos na Austrália,
sem nenhuma lembrança de mim. — Ela engoliu em seco e olhou para suas
mãos. — Eu criei um relacionamento "correspondente" com minha mãe,
então eu posso ouvir sobre o que eles estão fazendo e como eles estão indo,
— ela divagou. Hermione pintou um sorriso falso e olhou para cima para
encontrar Draco cerrando a mandíbula, franzindo a testa para ela.
Ela desviou os olhos dele quando a mão de Narcissa segurou a dela.
— Sinto muito, Hermione. — Os olhos azuis de Narcissa estavam nadando
enquanto olhavam para os de Hermione, e ela nunca havia sentido uma
compaixão tão honesta vindo dela. Ela estava se desculpando por tanto. —
Você é muito forte. E eu admiro muito isso.
Hermione assentiu para que sua voz não quebrasse. Ela respirou fundo. —
Bem, eu adoraria falar sobre outra coisa. — Ela deu uma risada trêmula. —
Eu não queria que o clima mudasse tão drasticamente.
Ela arriscou um olhar para Draco, e o encontrou olhando para a mesa,
mandíbula apertada.
— Foi muito perspicaz da Ordem, — ele olhou para ela, — tomar essa
precaução. — A maneira como sua voz soou sobre "a Ordem", ela sabia que
ele entendia exatamente o que aconteceu.
— Sim, — ela disse, olhando diretamente em seus olhos inteligentes. — Eu
não posso agradecê-los o suficiente.
Narcissa brincou com sua xícara de chá e leite, observando-os.
Vinte minutos de conversa leve depois e era hora de Hermione voltar para
Cornerstone. Narcissa sugeriu que Draco a acompanhasse, é claro, e ela se
viu refazendo o caminho de volta à livraria.
— Você acha que vai continuar no Gabinete dos Aurores? — ela perguntou.
— Seu mandato termina em seis semanas ou algo assim, sim? — Um vento
frio varreu o beco, e ela teve que afastar o cabelo do rosto enquanto ele
batia em sua cabeça.
— Sim, 10 de dezembro. — Ele enfiou as mãos nos bolsos do casaco. —
Eu vou começar algo novo, na verdade. Tirar algumas semanas para as
férias, então pular para o ano novo. Novo milênio.
— Certo, — disse ela, e não conseguia decidir se estava feliz ou
desapontada por não vê-lo no Ministério depois de 10 de dezembro. — O
que você planeja fazer?
Eles pararam em um canto e ele respirou fundo.
— Estou abrindo minha própria empresa. — Ele limpou a garganta e ela
olhou para ele. — Uma espécie de grupo de consultoria. Vou anunciar em 1º
de novembro.
Suas frases foram cortadas e seus olhos correram pela rua olhando para
qualquer coisa, menos para ela, mas Hermione teve seu interesse
despertado.
— Um grupo de consultoria? E em que você vai se especializar?
Ele fez uma pausa antes de responder, então respirou fundo.
— Certos casos e contratos, finanças, gerenciamento e operações, e espero
ter alguns outros ramos menores com especialistas selecionados.
Hermione olhou para ele. Ela mal sabia o que metade daquilo significava.
Ela riu.
— O que? — ele disse, olhando para ela com olhos desconfiados.
— Você está apenas... abrindo uma empresa, — disse ela. Uma risada
borbulhou. — Aos dezenove. — Ela sorriu para ele balançando a cabeça.
— Você e seus amigos derrotaram um bruxo das trevas aos dezoito anos. —
Ele ergueu uma sobrancelha para ela, desafiador.
— Na verdade, Harry tinha dezessete anos.
— Obrigado por me lembrar.
Ela sorriu para o chão, observando seus pés enquanto caminhavam.
— Então, se estou entendendo isso corretamente, você fornecerá assessoria
jurídica para as audiências do Wizengamot, aconselhando as empresas
sobre seus orçamentos e operações, coisas assim?
— Essencialmente. — Muito sem compromisso.
— E você acha que indivíduos e empresas vão contratá-lo com base em
seus dezenove anos de experiência nessas áreas? — Ela sabia que provocá-
lo levemente assim provavelmente o irritaria, mas enquanto ele estava
sendo tão cauteloso...
— Não. — Ele balançou sua cabeça. — Eles vão contratar minha empresa
com base no pessoal com o qual vou me cercar. Especialistas e afins. Estou
conversando com Cuthbert Mockridge para tirá-lo da aposentadoria e
assumir o departamento financeiro...
Hermione olhou para ele. Cuthbert Mockridge foi o chefe do Escritório de
Ligação Goblin antes de se aposentar. Sua sobrancelha estava franzida
enquanto ele continuava.
— E eu comecei um relacionamento com Tiberius Ogden, e pretendo pedir
a ele que se especialize em serviços Wizengamot...
Hermione lembrou o nome dos papéis. Ele havia sido um ancião no
Wizengamot, renunciando quando Umbridge chegou. Ele e sua filha
também eram herdeiros da fortuna da Ogden's Old Firewhisky. Ela o
observou enquanto ele listava vários outros e explicava suas capacidades.
Suas maçãs do rosto estavam rosadas e ele mantinha o olhar no chão, nas
lojas, no céu, em qualquer lugar menos nela, mas falava rápido, pronto para
uma briga. Ele respirou fundo para explicar outra decisão pessoal que havia
feito e ela o interrompeu.
— Isso é muito emocionante, Draco, — ela disse. Ele olhou para ela. —
Você não precisa defender sua empresa para mim. Acho que vai ser um
grande sucesso. Você foi excelente em liderar a reunião sobre o ovo de
dragão esta semana – preparado, sucinto, autoritário. É como se você
tivesse nascido para isso.
Ela sorriu calorosamente. Sua mandíbula se apertou e o vento soprou uma
mecha de cabelo em sua testa. Ela desviou o olhar para não empurrá-la de
volta para o lugar e viu que eles haviam chegado a Cornerstone. Ela teve
uma ideia.
— Você está planejando isso há algum tempo, ao que parece, — ela disse,
notando o silêncio dele. — Você está investindo sua herança neste novo
negócio?
Ele fez uma pausa.
— Esse é o plano.
— Investimento e paixão são dois ingredientes-chave para o sucesso. — Ele
olhou para ela novamente e o vento soprou seu cabelo em seu rosto desta
vez. Ela o empurrou de volta. — E seu pai deve estar apoiando se ele
liberou sua herança para você?
Seus olhos se contraíram quando ele desviou o olhar dela, algo que ela
nunca tinha visto. Ele não gostou que ela mencionou Lucius.
— Sim, uma pequena quantia no início. Então o resto em 1º de janeiro.
Depende de algumas coisas. — Ele coçou a mandíbula e mudou seu peso.
Ela nunca o tinha visto tão desconfortável. Ela tentou aliviar o momento.
— Bem, — ela disse, virando-se para ir até a porta, — que pena para todas
aquelas garotas mestiças e nascidas trouxas que pensaram que você
investiria todo esse dinheiro em seu futuro feliz. — Ela se virou e o
encontrou estudando-a. — Que decepcionante para elas. — Ela deu a ele
um sorriso sarcástico.
— Pensei que você, de todas as pessoas, soubesse que não devia acreditar
em uma palavra do que Skeeter publica. — Ele sorriu para ela. Ela parou na
porta de Cornerstone e ficou impressionada com a imagem de um garoto
levando uma garota até sua porta no final de um encontro, esperando por
um beijo. Seu coração doía. Ela se sacudiu.
— Acho que fizemos um bom trabalho hoje, Malfoy. — Ela se abraçou
contra o vento. — Uma hora inteira de almoço com sua mãe e sem vítimas.
Eu diria que isso é um progresso. — Ela sorriu e observou seus olhos
piscarem para ela. Ela acenou para ele em despedida.
— Granger. — Ela se virou com a mão na maçaneta. — Sobre seus pais...
Sua garganta estalou quando ela respirou fundo.
— Sim?
— Você fez a coisa certa. — Seus olhos estavam pálidos e eles a
perfuravam. Ela estava sem fôlego.
— Obrigado.
— Você... esteve em sua casa desde o fim da guerra?
— Não, não desde que saí.
Ele acenou com a cabeça para ela.
— Não volte.
Capítulo 14.
— Hermione Jean Granger, ACORDE!
Hermione abriu os olhos e pulou na cama, pegando sua varinha, para
encontrar Ginny Weasley de pé em sua cama.
— O que? O que aconteceu? — Seu coração estava disparado e ela sentiu
como se tivessem jogado gelo sobre ela.
— Que diabos é isso?? — Ginny estava acima dela, um pé de cada lado de
suas pernas e segurava um jornal. Seus olhos estavam arregalados e
brilhantes, surpreendentemente acordados.
— O que... quero dizer, bem, o que é isso? — Os olhos de Hermione
estavam se ajustando. Ela acenou com a varinha e acendeu todas as
lâmpadas do quarto.
Ginny se ajoelhou sobre ela e enfiou o papel em seu rosto, lendo a
manchete em voz alta enquanto o cérebro de Hermione registrava na
página.
— O romance estrelado por Hermione Granger e Draco Malfoy.
Hermione engasgou e pegou as páginas da ruiva de aparência selvagem. Ela
desdobrou as primeiras páginas para encontrar uma foto de dois jovens fora
da Cornerstone. Seus olhos se estreitaram e ela percebeu que os jovens
eram ela e Draco. Ela mal conseguia reconhecê-los. Skeeter adulterou a
foto?
— Quando isso aconteceu? — Ginny gritou e Hermione estremeceu quando
seus olhos percorreram o artigo, captando as frases "visitou-a no trabalho",
"olhos cheios de luxúria", "almoço com a mãe".
— Eu-eu-Ontem! — O discurso de Hermione estava lentamente
combinando com o de Ginny sem sua permissão. — Almoçamos com
Narcissa ontem e...
— Oh eu sei! — Ginny saltou. — Continua na página sete!
— O quê?! — Hermione folheou as páginas para encontrar a página sete
com vários outros destaques da tarde, incluindo uma foto dos três no
Fortescue's e uma foto dos dois atravessando a rua, a mão dele subindo para
guiá-la.
— Por que você não me contou sobre isso!
— Não foi planejado! Ele me convidou para almoçar com eles...
— Ele convidou você? — Ginny agarrou seus ombros.
— Eu... sim, mas estava claro que Narcissa o havia enviado. E então nós
caminhamos para Fortescue's... — Hermione apontou para a foto deles
andando, Draco balançando sua sacola da Cornerstone na ponta dos dedos
de uma mão, e usando a outra para tocar suas costas. — E então almoçamos
com Narcissa — Ela apontou para a foto dos três sentados no pátio,
Narcissa parecendo positivamente real em suas vestes e chapéu. — E
depois voltei a trabalhar! Isso é tudo!
— Isso não explica isso!
Ginny amassou as páginas até que a foto na primeira página aparecesse
novamente.
— Ela deve ter alterado. Ela...
Hermione parou e olhou. Lá estava o sorriso malicioso de Draco, e a
maneira como seus olhos brilharam para ela. Ela se afastou dele,
caminhando até a porta da Cornerstone, e voltou sorrindo. Era como um
garoto levando uma garota para casa depois de um encontro, exatamente
como ela se lembrava.
Ela deu suas condolências a todas as mestiças e nascidas trouxas que não se
casariam com ele, e ele sorriu de volta para ela, dizendo-lhe para não
confiar nos jornais.
— Oh, Merlin, isso é terrível. — Hermione cobriu o rosto com as mãos.
— Terrível? Esta é a coisa mais brilhante que aconteceu em meses! —
Ginny gritou.
— Como você pode dizer isso? — Hermione agarrou seu braço. — Olha
como eu pareço desesperada. Veja como é fácil acreditar em tudo que
Skeeter está dizendo!
— Hermione, — Ginny riu e segurou seu rosto. — É fácil acreditar porque
é tão mútuo. — Ela apontou o dedo para o rosto de Draco. Hermione sentiu
seu rosto corar, observando-o sorrir para ela na foto. — Se você está
desesperada, — disse Ginny, virando as páginas para a foto dos três no
pátio, — então ele está morrendo de fome.
Hermione olhou para baixo para ver Narcissa conversando animadamente
com ela, Hermione pegando o bolinho na frente dela, e Draco observando-
a. Ela observou enquanto Draco tomava um gole de seu chá, seus olhos se
movendo entre ela e sua mãe, pousando nela enquanto ele lambia o líquido
de seus lábios.
— Isso é... isso não é... quero dizer, Ginny. Não é assim pessoalmente. Não
é assim!
— Como você saberia?! Você nem está olhando para ele na foto!
— Oh meu Deus. — Hermione fechou os olhos. — Oh, meu Deus. Este é o
jornal de domingo! Todo mundo que eu conheço vai ver isso!
— Mais que isso! Isso é entregue em todo o mundo! — Ginny riu, e então
ela e Hermione pensaram ao mesmo tempo. — Rony vai ver isso. — Ginny
ergueu as sobrancelhas para ela.
Hermione balançou a cabeça e ergueu a mão.
— Eu honestamente não posso lidar com isso agora. Meu Deus, realmente
não aconteceu nada no mundo mágico neste fim de semana que justificasse
a primeira página do Profeta Diário de domingo? — Hermione balançou o
papel e amassou as bordas.
— Bem, a introdução do "novo casal mágico" é muito importante, eu diria.
— Ginny reprimiu um sorriso.
— Ela não disse isso! — Hermione ficou boquiaberta com ela e Ginny
apontou para as palavras na página.
Sra. Skeeter,
Sinto-me honrada por você achar minha vida pessoal tão interessante, mas
gostaria de uma reimpressão para refletir as seguintes alterações, para
manter sua precisão:
Draco Malfoy tem realmente visitado a Livraria Cornerstone desde sua
libertação em agosto, mas ele não foi visto "cortejando" a Srta. Granger.
Ele tem frequentado uma livraria favorita.
Draco Malfoy não tem visitado a Srta. Granger todos os sábados e
domingos desde sua data de lançamento. Se o Profeta Diário se importar
em verificar, as datas em que ele frequentou a livraria são as seguintes:
sábado, 4 de setembro, sábado, 11 de setembro e sábado, 16 de outubro.
Você pode obter as notas contábeis da Cornerstone, se desejar.
A senhorita Granger e Draco Malfoy não foram encontrados "se
agarrando" nas estantes da Livraria Cornerstone, e eu pediria às suas
"testemunhas oculares" que reexaminassem suas declarações, pois um
relatório falso como esse poderia custar o emprego a um funcionário. O
referido funcionário certamente processaria o Profeta Diário, o autor e as
testemunhas caso isso acontecesse.
Se as balas deixadas no balcão para os clientes são de fato as "mentinhas
favoritas" de Draco Malfoy, isso não era do conhecimento de Hermione
Granger. Ela não as distribui para ele toda vez que ele visita.
A senhorita Granger não está "enganando" Ronald Weasley ou Draco
Malfoy. Ela não está namorando nenhum dos bruxos e não tem intenção de
"prolongar isso até a data do casamento".
E, por último, a Srta. Granger estava disponível para comentar, ela
simplesmente não foi solicitada. Se ela tivesse sido solicitada a fazer um
comentário, ela teria solicitado ao autor que retirasse a história.
Atenciosamente,
Hermione J. Grange r
Aquele dia em Cornerstone foi um inferno. O artigo de Rita colocou
Cornerstone no mapa para um monte de bruxas e bruxos, o que Hermione
não poderia estar mais feliz, mas infelizmente o fluxo de novos clientes
sorria para Hermione com olhos arregalados e gananciosos. Ao meio-dia,
quando ela percebeu que havia mais de vinte pessoas folheando as estantes,
e nenhuma delas havia comprado nada, ela concluiu que todos estavam
esperando que Draco aparecesse.
Ela começou a abordá-los, perguntando se precisavam de recomendações,
conjurando cadeiras confortáveis para sentar e ler e terminando com
"Quando você estiver pronto para fazer o check-out, estarei no balcão".
Isso fez com que várias delas fossem embora, inclusive uma bruxa que
comprou apenas um livro, mas ficou vinte minutos parada no balcão,
chorando, dizendo como era maravilhoso ver essa união depois de todos
esses anos.
Morty desceu algum tempo depois disso, deu uma olhada na loja cheia e
disse:
— Escutem, pessoal. A senhorita Granger não dará entrevistas particulares
hoje, pois está no trabalho. O Sr. Malfoy não tem livros agendados, então
ele não irá visitá-la. Por favor, coloquem seus livros de volta onde os
encontraram ou os levem ao caixa, onde finalizarei a compra para vocês,
pois a Srta. Granger está saindo para almoçar.
As orelhas de Hermione ficaram vermelhas quando ela sorriu para o livro.
Morty colocou a mão em seu ombro.
— Se eu fosse você, senhorita Granger. — Sussurrou ele. — Almoçaria em
algum lugar menos público que o Fortescue's hoje.
Quando ela voltou do almoço, houve uma queda significativa no número de
pessoas que visitavam a loja. Morty entregou o livro para ela e disse:
— Tudo bem. Minha vez.
Ela olhou para ele.
— Você tem colocado as balas para ele?
Hermione riu, sabendo muito bem que Morty escolheu as balas há muito
tempo.
— Espero que você não pense que nada disso é verdade. Eu nunca usaria o
horário de trabalho para... dar uns amassos. — A palavra era vil vindo de
seus lábios.
— Sim, sim, eu sei, senhorita Granger. — Morty tirou os óculos para limpá-
los. — Mas tenha cuidado. — Ela olhou para ele e ele apontou para o jornal
que um cliente havia deixado no balcão. O dedo dele pousou na foto de
Draco e ela andando, a mão dele subindo pelas costas dela, e a leve
hesitação dela quando ela olhou para o chão. — Um menino só pode
perseguir algo "difícil de conseguir" por algum tempo.
Ela ficou boquiaberta com ele. Ele ergueu as sobrancelhas para ela e subiu
as escadas.
Dificil de conseguir. Dificil de conseguir!
Isso a incomodou pelo resto do dia e na manhã seguinte.
Se havia alguém se fazendo de difícil, era...
Hermione interrompeu esse pensamento. Ninguém estava se fazendo de
difícil. Eles não estavam namorando.
No dia seguinte, Hermione pegou o Flu para o trabalho e ignorou qualquer
olhar ou sussurro enquanto caminhava para os elevadores. Ela dividiu o
elevador com uma jovem que ela reconheceu como estando alguns anos
acima dela na Sonserina. Ela olhou e revirou os olhos para ela. Hermione
não sabia por que se sentia tão chocada. Com certeza haveria reações de
todos os lados do espectro.
Ela desceu em seu andar e enquanto caminhava para sua mesa, ela ouviu
Aiden chamá-la.
— Granger!
Hermione respirou fundo e se virou para ele.
— Bom dia, Aiden. — Ela realmente não queria nenhuma provocação dele
hoje.
Ele correu para alcançá-la, inclinando-se conspiratoriamente.
— Você ouviu as notícias?
— Notícias?
— Rosenberg está se aposentando.
Hermione piscou.
— Rochelle Rosenberg? De...
— Relocação de Elfos Domésticos. — Aiden sorriu para ela. O cérebro de
Hermione estava girando. — Claro, só estou dizendo isso por cortesia
profissional, — ele disse grandiosamente. — Eu pretendo me candidatar ao
cargo, e obviamente você não conseguiria o emprego em meu lugar. — Ele
revirou os olhos dramaticamente, lembrando-a de George. — Eu tenho mais
idade do que você, então...
Ela ajeitou a bolsa no ombro e balançou a cabeça, sorrindo.
— Sim, nascer um dia antes de mim lhe dá antiguidade. — Ela sabia que
ele não se candidataria ao cargo.
— Bem, algo para se pensar, — disse ele voltando para sua mesa. — Ah, e
você tem um visitante. — Ele acenou com a cabeça em seu escritório.
As sobrancelhas de Hermione se juntaram, tentando lembrar se ela tinha
uma reunião. Esperançosamente, Mathilda não estava esperando?
Ela virou a esquina de seu escritório e encontrou Draco Malfoy, sentado em
sua cadeira, com as pernas para cima sobre a mesa, folheando um de seus
arquivos. Ele olhou para ela e sorriu.
— Olá, amor.
Suas bochechas queimaram e ela perdeu o fôlego em uma baforada que se
transformou em uma risada.
— Bom dia, Malfoy. — Ela levou um momento para colocar o casaco no
gancho e colocar a bolsa na gaveta. — O que te traz aqui?
— Robards.
— Oh? — Ela ficou desapontada e aliviada ao mesmo tempo. Ela se virou
para ele e descobriu que ele não havia saído de sua cadeira. — Mais sobre
os ovos de dragão? — Ela colocou as mãos nos quadris, pois não tinha ideia
do que fazer com elas.
— Oh não. — Ele acenou com a mão. — Isso tudo foi resolvido na sexta-
feira. Comprador pego e sob interrogatório. — Ele olhou-a. — Eu pensei
que isso iria aparecer nos jornais, mas aparentemente havia coisas mais
importantes para relatar neste fim de semana.
— Certo, — ela tentou sorrir de volta para ele. — Aparentemente. — Ela se
virou para um armário e tentou parecer ocupada, pois ele ainda não havia se
levantado de sua mesa. — Escrevi para Skeeter para pedir a ela que corrija
algumas de suas imprecisões flagrantes. Eu teria pensado que as correções
teriam ido para o Profeta de hoje, mas espero que vá esta semana. — Ela
pegou vários arquivos nos quais trabalharia hoje e um novo pote de tinta,
embora tivesse certeza de que o próximo ao pé de Draco estava cheio.
— Corrigir? — Draco fez beicinho de forma zombeteira, e Hermione
desejou que ele afastasse os lábios. — Você quer dizer que aquelas balas
não eram para mim?
Ela reprimiu um sorriso e bateu nos pés dele com um arquivo, não tendo
mais nada a fazer a não ser sentar em sua mesa. Ele chutou os pés e se
levantou, abotoando as vestes. Ela passou por ele, ignorando a maneira
como seus corpos roçaram um no outro.
— Você mencionou Robards? — Ela abriu seus arquivos e substituiu o pote
cheio de tinta por outro pote cheio de tinta.
Ele entregou a ela um memorando. Ela olhou para ele rapidamente, então se
sentou e abriu. Era uma cópia.
Mathilda,
Eu esperava pegar Granger emprestada para trabalhar com Malfoy em um
caso. Eu acredito que os dois poderiam descobrir isso até o final da
semana!
Esperando que você possa poupá-la.
Gawain
Uma semana? Trabalhando com Malfoy?
— Reservei a sala de conferências no andar de cima para esta tarde, visto
que o Nível 4 tem salas e escritórios terrivelmente pequenos. Acho que meu
escritório pode ter o dobro do tamanho do seu, Granger. — Ele olhou em
volta, sobrancelha levantada. — E eu sou temporário. — Ela olhou para ele.
Ele se virou para sair e disse por cima do ombro, — Vejo você às uma,
Granger.
Ela estava com tantos problemas.
Eles resolveram o caso na tarde de quarta-feira. Metade devido ao brilho
combinado e metade devido ao trabalho duro de Hermione para sair daquela
sala de conferências. Era um antigo caso de resolução de runas, o que
significava que a concentração máxima era necessária. Totalmente
impossível quando Draco parecia e cheirava como... Draco.
Na terça-feira, Hermione entrou na sala de conferências trinta minutos
antes, apenas para um pouco de paz antes de Draco entrar. Não funcionou.
Ele estava 28 minutos adiantado e trazia uma xícara de café para ela e uma
de chá para ele. Ele colocou o copo na frente dela e começou a falar sobre
as runas, nem mesmo permitindo um "obrigado". Depois de mais ou menos
vinte minutos, assim que ele se acomodou e investiu em sua leitura, ela
tomou um gole de seu café e o encontrou preparado exatamente como ela
gostava.
— Como você sabia que eu tomo café em vez de chá?
Ele virou uma página.
— Todo mundo sabe que você prefere café, Granger. — Ela piscou para ele.
Ele continuou a ler. — Você tem derramado isso nos livros da biblioteca de
Hogwarts há anos.
Ela engasgou.
— Eu nunca...
O canto de sua boca se contraiu.
— Eu verifiquei os livros depois de você e encontrei as páginas sujas com
café derramado. Praticamente mergulhadas nele.
Ela sabia que ele estava brincando com ela. Ela olhou para ele quando ele
virou outra página, segurando um sorriso malicioso, e tentou se lembrar da
última vez que Harry ou Ginny lhe ofereceram café em vez de chá.
Na manhã de quarta-feira, ela voou para a sala de conferências, lívida.
— Aquela vadia! — Ela balançou o jornal da manhã para ele, e olhou para
cima a tempo de ver Draco cheirar o chá que estava tomando. — Desculpe,
— ela acenou para ele, — mas ela é perversa.
Draco deu um tapinha na boca com um guardanapo e disse: — Skeeter,
presumo?
— Sim. — Ela jogou o papel para ele e notou que ele estava usando o terno
azul que destacava seus olhos. Maldito seja. — Escrevi uma carta de
acompanhamento ontem à noite perguntando sobre o status de minhas
correções e ameaçando escrever minha próxima carta ao editor dela. E
então, esta manhã, ela imprimiu isso!
Ela observou enquanto os olhos dele examinavam a página, procurando até
localizar a caixa de uma polegada no canto inferior direito da página, então
semicerrou os olhos para a fonte.
— Uma correção para "O Romance Estrelado por Draco Malfoy e
Hermione Granger", Granger e Malfoy não foram encontrados dando
amassos na Cornerstone Books.
Ele olhou para ela por cima do papel, e ela abriu os braços exasperada.
— Você esperava mais, Granger?
— Eu exigi mais! Eu exigi uma reimpressão!
Ele fechou o papel e o jogou de volta para ela. Ele sorriu.
— E quais partes do artigo de domingo te ofenderam, Granger?
Ela piscou para ele, com as mãos nos quadris. Ela podia sentir o calor
subindo pelo pescoço.
— As imprecisões.
Draco observou seus dedos brincarem com o grão de madeira lascado na
mesa.
— Acho que Skeeter relatou que eu visitei você no trabalho, convidei você
para almoçar com minha mãe e depois a acompanhei de volta. — Ele olhou
para ela por baixo de seus cílios. — Não foi isso que aconteceu?
Suas sobrancelhas se juntaram. Isso era uma armadilha. Não era?
— Tudo bem então. — Ela cruzou os braços. — Foi sua interpretação
artística das coisas. "Olhos cheios de luxúria" e exageros...
— Ah, mas eu acredito que os "olhos cheios de luxúria" eram meus. — Ele
levantou uma sobrancelha para ela. — Você está preocupada com o trecho
do Profeta? Se for para... digamos, Irlanda?
O rubor começou a subir em sua mandíbula. Ele estava olhando para ela tão
casualmente.
— Não, na verdade não. — Ela deu de ombros. — Eu estava honestamente
mais preocupada com a sua reputação do que com a minha. — O sorriso
caiu de seus lábios. — Mas se você não se importa, eu vou deixar pra lá.
Ela se sentou à mesa. Casualmente.
— Minha reputação?
— Sim. — Ela abriu o caderno. — Se eu tivesse uma namorada para todos
os dias da semana, estaria com pressa para consertar as coisas depois desse
artigo.
Perigoso, Hermione. Recue... se retire.
Ele riu. O som estalou através dela. Ela manteve os olhos em suas
anotações.
— Que gentileza sua se preocupar com minha vida social, Granger. Mas
acredito que minha reputação pode ter subido, — ele demorou. — Nada
aumenta mais a reputação do que ter a Garota de ouro em seus braços.
Ela olhou para ele. Ele ergueu as sobrancelhas e empurrou para ela a xícara
de café que ela não havia notado.
Quinta e sexta foram relativamente monótonas depois que ela e Draco
resolveram o caso das runas antigas. Ela recebeu um agradecimento pessoal
de Robards por doar seu tempo para o escritório Auror, e suas mais sinceras
esperanças de trabalhar com ela novamente.
Na manhã de sábado ela acordou tarde, vestiu suas roupas e foi para o ponto
de aparatação local sem muito tempo de sobra. Ela apareceu ao lado do
Florean Fortescue's e a lâmpada piscou à sua direita.
— Senhorita Granger! — o repórter gritou. — Como Draco Malfoy
terminou com você? Foi um choque? Ou ele te decepcionou facilmente?
Ela tropeçou. Ela olhou para o repórter, com a câmera na mão e um sorriso
ganancioso no rosto.
— Com licença? — Ela o prendeu com os olhos. — Mesmo se eu estivesse
namorando Draco Malfoy e se ele tivesse terminado comigo, como você
ousa fazer esse tipo de pergunta a alguém?
Ele encolheu os ombros.
— Tudo bem então. Você conheceu Katya Viktor? E o que você acha dela
para seu amigo Draco Malfoy. — Ele sorriu para ela.
— Eu não a conheci. Então, não tenho nenhum comentário. Tenha um bom
dia.
Hermione se virou e continuou descendo a rua até Cornerstone, com a
cabeça girando.
Quem diabos era Katya Viktor?
Capítulo 15.
Descobriu-se que Katya Viktor era o nome da garota búlgara com quem
Draco havia saído após sua libertação de Azkaban, estrela do artigo
"DRACO MALFOY ENCONTRA O AMOR".
Katya Viktor também era a garota com quem Draco tinha saído na noite
anterior. O Profeta imprimiu uma foto dele beijando-a, acompanhada por
uma peça de Skeeter lamentando a perda do novo casal de poderes mágicos.
Hermione parou no escritório principal do Profeta Diário antes de correr
para Cornerstone, pegando um jornal e colocando-o em sua bolsa. Uma vez
que ela abriu e preparou a loja – com apenas dois minutos de sobra – ela
puxou o papel.
Nada na primeira página, mas ela abriu a seção de fofocas e sociedade que
Skeeter escreveu, e lá estava Draco, afastando o cabelo do rosto da búlgara
e se inclinando para beijá-la. A garota sorriu contra seus lábios.
Hermione franziu a testa enquanto a imagem se repetia. Ela pegou Draco e
Pansy Parkinson se agarrando nos corredores várias vezes no 5º ano,
algumas vezes no 6º. Às vezes ela ficava nervosa demais para interrompê-
los, sabendo que seriam dois Sonserinos contra uma Grifinória. Às vezes
ela ficava com ciúmes o suficiente para limpar a garganta. Pansy sempre
olhava para ela e a xingava, mas Draco se virava de onde estava com Pansy
pressionada contra a parede e recuperava o fôlego enquanto olhava para ela
com olhos gelados.
Esta foto não parecia assim. Draco afastou o cabelo de Katya de seus olhos
e se inclinou lentamente. Foi menos... apressado.
Isso significava que Draco a queria menos? Ou que ele gostava mais dela?
Hermione deu uma olhada no resto do artigo, fazendo uma careta ao ver seu
próprio nome espalhado por toda parte. Katya era modelo na Bulgária e seu
pai era professor em Durmstrang. Ela era mestiça, surpreendentemente. A
última linha:
E a pobre Hermione Granger. Como ela está recebendo a notícia?
— Nada bem. — Hermione riu para si mesma quando os primeiros clientes
entraram. Ela jogou o papel na lata de lixo.
Depois de um longo dia de olhares de pena e uma série de "Que pena",
finalmente faltavam quinze para as seis. Hermione encostou-se no balcão
enquanto os últimos clientes lhe desejavam boa noite, e desfrutou da paz
por dez segundos até que a porta se abriu novamente.
Draco entrou. Ela estreitou os olhos para ele.
— O que você quer?
Ele ergueu uma sobrancelha para ela enquanto subia as escadas.
— Um livro? Você vende isso aqui?
Ela checou seu relógio.
— Fechamos em quatorze minutos. Você tinha que vir bem no final do dia?
— Bem, eu não queria nenhum curioso para o nosso tórrido caso de amor,
Granger. — Ele se encostou no balcão e ela se virou para uma pilha de
livros para que ele não a visse corar.
— Seja rápido. Eu ainda preciso arquivar tudo isso.
— Está na reserva.
Ela parou e olhou para a prateleira de reserva, só agora percebendo uma
sacola ali. Ela puxou e viu outro título de ficção feminina. Ela ergueu a
sobrancelha para ele e ele ergueu a dele em resposta. Ela começou a anotá-
lo no livro enquanto ele a observava.
— Um repórter me perguntou hoje se você me decepcionou facilmente, —
disse ela. Ela olhou para ele. — Suponho que você foi visto com uma de
suas garotas ontem à noite?
— Sim, Kátia. Eu tenho mais seis para encontrar.
Ela olhou para ele.
— Uma para cada dia da semana, certo? — ele disse. Ela fez uma careta
para ele por jogar suas palavras de volta para ela. — O que me lembra, —
ele demorou, — você tem mais cinco cópias disso? — Ele bateu no livro
feminino cujo título ela estava escrevendo.
Ela zombou dele enquanto terminava o check-out.
— Você sabe, Draco, só porque você dá livros a elas não significa que elas
aprenderão a ler.
Ela olhou para ele quando ele não respondeu, e o encontrou olhando para
ela. Seus olhos brilharam para ela.
— Granger, — ele disse. — Se você sente falta de ser fotografada nos
jornais comigo, acho que minha garota de quarta-feira pode ser um
fracasso. O dia é todo seu.
Seus olhos cinzentos estavam procurando por ela, e ela franziu a testa para
ele.
— Vou ter que verificar meu calendário e te dar uma resposta. — Ela
estendeu a sacola para ele.
— Papel de presente? — Tão inocente com as sobrancelhas levantadas e os
olhos arregalados.
Ela pegou uma sacola de presentes e dois pedaços de papel de seda, jogou-
os no balcão e disse:
— Faça você mesmo, — Ela agarrou a pilha de livros para arquivar e se
dirigiu para as estantes à sua direita sem olhar para ele.
Uma vez atrás das estantes, ela soltou um suspiro silencioso. Seu coração
batia furiosamente contra o peito e seu cérebro trabalhava para descobrir
que direito ela tinha de estar tão irritada.
Depois de colocar alguns livros no lugar, ela percebeu que não tinha ouvido
a porta se abrir. Ela enfiou a cabeça entre as pilhas e viu Draco Malfoy atrás
do balcão, puxando um rolo de papel de presente.
— Malfoy! — Ela correu para a escrivaninha e pousou os livros novamente,
correndo ao redor do balcão e empurrando-o. — Você não pode entrar aqui!
— Você disse "faça você mesmo!" — ele disse, sorrindo.
— Eca. Me dê isso! — Ela pegou o rolo de papel de embrulho e se moveu
para o outro lado dele para estendê-lo. — Você não quer uma sacola de
presente? — ela choramingou.
— Bem, Katya recebeu aquele presente lindamente embrulhado que você
preparou na semana passada, então não posso dar ao resto delas embrulhos
de segunda categoria. Melhor ser igual.
— Você é incorrigível. — Ela puxou o papel de embrulho, tirou o livro da
sacola de compras e colocou-o no balcão. Draco ainda não havia saído de
seu lugar atrás do balcão, então agora ele estava ao lado dela enquanto ela
rasgava a fita e a pressionava contra a dobra.
— Como está indo o seu projeto de dragão?
Ela olhou para ele. Ele a estava observando. Mais uma vez, ela teve a
sensação furtiva de que, de alguma forma, ele era o dragão.
— Er... bem. — Ela dobrou o outro lado do livro. — Enviei minha proposta
inicial ontem, então Mathilda irá revisá-la e fazer os ajustes necessários
antes de enviá-la a Kingsley... er, Ministro Shacklebolt.
— E você já se sentou com o Ministro, para discutir isso?
Ela olhou para ele e descobriu que ele estava a menos de trinta centímetros
dela, todo o corpo voltado para ela, encostado no balcão.
— Hum, não? — Ela franziu a testa para ele. — É para isso que serve a
proposta.
Ele levantou uma sobrancelha para ela.
— Você é amiga íntima e pessoal do Ministro da Magia, tendo lutado uma
guerra com ele. Se você não pode levar o homem para um chá – ou café –
para discutir um projeto de paixão, então de que serve essa amizade?
Ela agarrou a fita.
— Como você é tão Sonserino. Uma amizade não pode ser apenas uma
amizade. Você tem que ganhar alguma coisa com isso, certo, Malfoy?
— E como você é tão Grifinória, — ele disse humildemente. Ele se
aproximou dela. — Começar corajosamente algo sem nenhuma ideia de
como conseguir o que você quer.
Sua respiração ficou presa na garganta. Ela olhou em seus olhos e sentiu
que ele não estava mais falando sobre dragões. Sua mente disparou e ela
sentiu a pressão lateral contra seu quadril direito. Ele a prendeu novamente.
— Tudo bem aqui embaixo? — A voz de Morty e o rangido da porta. — Sr.
Malfoy! Que prazer de novo!
O ar frio voltou quando Draco se afastou dela e ela observou suas
bochechas rosadas sorrirem para Morty. Ela checou seu relógio enquanto os
dois homens conversavam e viu que agora eram seis e cinco. Maravilhoso.
Ela voltou os olhos para a pilha de livros que ainda precisava arquivar.
— Granger estava terminando de embrulhar um presente para mim. Eu
acredito que a mantive além do horário normal, no entanto. Peço desculpas.
Hermione zombou. "Peço desculpas. " Ela sentiu Draco virar os olhos para
ela enquanto ela puxava sua varinha e apontava para o papel de Aberto,
transformando-o em Fechado.
— Sem problemas, meu filho. — Morty pegou a pilha de livros.
— Ah, não, Morty. Eu posso arquivar esses... — ela tentou.
— Absurdo. Termine com o Sr. Malfoy aqui, e eu vou começar isso. —
Morty desapareceu na seção de ficção.
Draco ainda não tinha saído de trás do balcão e agora olhava para ela. Ela
franziu a testa para ele e voltou para o presente que ele planejava dar a uma
de suas garotas. Ela cortou a fita, enrolou no livro, torceu e amarrou as
pontas. Ela se inclinou sobre ele, ignorando a maneira como suas costelas
roçavam a lateral do corpo dele, e pegou a sacola de compras. Ela largou o
livro e o empurrou para os braços dele.
— Obrigado por comprar na Livraria Cornerstone, — ela brincou. Ele
ergueu uma sobrancelha para ela e ela passou por ele, os corpos se tocando
novamente, e foi ajudar Morty a arquivar os livros.
Durante toda a semana seguinte, Hermione fingiu não checar as páginas da
sociedade, mas falhou miseravelmente. Não houve outras aparições de
Draco com outras mulheres, e ela não sabia se isso a deixava feliz ou
ansiosa. Katya era a única se ele não estava mais namorando as outras?
Ela se sacudiu e prometeu não pensar em Draco novamente naquela
semana.
— Ginny. — Ela bateu a porta do apartamento e Ginny olhou para ela do
sofá. — Eu gostaria de namorar.
Ginny mastigou seu queijo grelhado, engoliu e disse: — Isso é muito gentil,
Hermione, mas estou namorando com Harry agora. Talvez se terminarmos?
Hermione revirou os olhos e jogou a bolsa na cadeira.
— Eu acho que é hora de eu namorar.
— Realmente? — Os olhos arregalados de Ginny percorreram seu rosto.
— Sim. — Hermione a encarou. Ginny olhou de volta. Hermione disse: —
Então, o que eu faço agora?
Ginny riu.
— Bem, posso compilar uma lista para você, de caras que são solteiros e
podem interessá-la.
— Bom. Sim. — Hermione colocou as mãos nos quadris.
— Mas, geralmente, você apenas pergunta se eles estão interessados em
pegar uma bebida ou uma xícara de chá.
— Eu pergunto a eles?
— Sim, Hermione. É quase o século 21, você sabe, — Ginny disse.
Hermione bufou. — Agora, devo listar apenas os babacas loiros e ex-
Comensais da Morte para você? Ou seus interesses se expandiram
— Não não. — Hermione fez uma careta para ela. — Resolvi não pensar
mais em Draco Malfoy. É simplesmente uma perda de tempo.
Ginny deu a ela um pequeno sorriso.
— Bom para você.
Claro, isso foi segunda-feira. E na terça-feira, Harry a convidou para
almoçar no café – " agora estão servindo croissants de amêndoa,
Hermione!" – e eles encontraram Draco lá. Harry, tão educado e sem noção
quanto o esperado, o convidou para sentar com eles. Ela tomou um gole de
café principalmente enquanto ouvia os dois discutindo sobre o jogo de
Quadribol no próximo fim de semana. Era Halloween no domingo, ela
lembrou, e ela sabia que Harry estava preenchendo o dia para manter sua
mente longe dos aniversários que isso representava.
— Você vai estar no jogo, certo?
Hermione mexeu seu café, arrancando pedaços de seu croissant. Ela
esperou por uma voz, e quando nenhuma resposta veio, ela olhou para cima
e encontrou os dois garotos olhando para ela.
— O que? Desculpe. — Suas bochechas queimaram.
— Sim, — disse Harry. — Você virá para a partida no Halloween? Acho
que todos os departamentos vão, independentemente de seu time estar
jogando ou não.
— Eu... quero dizer, eu poderia, sim — ela gaguejou. — Eu vou ter trabalho
às dez, mas...
— Cornerstone estará aberta no Halloween? — Draco disse.
Ela olhou para ele e piscou.
— Ah, acho... acho que não.
— Ótimo! — Harry sorriu. — Vamos massacrar o Transporte Mágico e
depois vamos todos tomar uma bebida!
— Ótimo. — Hermione estava menos do que emocionada.
O resto da semana passou voando. Ginny não perdeu tempo em conectá-la
com Rolf Scamander, alguém por quem ela tinha um verdadeiro fascínio,
mas no final das contas não havia química. Eles tiveram uma conversa
maravilhosa de três horas com bebidas sobre tudo, desde o projeto do
dragão até a extinção constante dos Pomos Dourados, mas quando o
encontro acabou, Hermione percebeu que eles não tinham se conhecido.
Rita Skeeter discordou. Suas páginas da sociedade na sexta-feira
apresentavam uma foto de sua discussão animada sobre o trabalho de seu
avô com Grindylows, afirmando que eles realmente "se deram bem" e que
ela parecia estar se recuperando da rejeição de Draco Malfoy.
Mathilda teve a chance de se encontrar com ela na sexta-feira sobre sua
proposta de Gringotts e, infelizmente, muitas de suas críticas refletiram
exatamente o que Malfoy havia dito a ela sobre os goblins não quererem
cooperar.
— Pelo que entendi sobre os goblins — disse Mathilda, jogando o cabelo
para cima em um coque e perdendo várias mechas no processo, — eles
realmente preferem continuar fazendo as coisas exatamente como sempre
fizeram. O próximo dragão já foi selecionado e está sendo transportado para
a reserva do País de Gales para... treinamento. — Mathilda fez uma careta.
— O que? — Hermione deu um pulo. — Eles já estão cegando e torturando
outro dragão?
— Bem, já faz um ano e meio, Hermione. — Ela suspirou. — Eles têm um
negócio para administrar.
— E quanto aos meus pensamentos sobre a proteção dos aurores nos cofres
inferiores, ou dar aos elfos domésticos novas oportunidades de trabalhar em
Gringotts, recuperando itens de cofres onde apenas eles podem entrar?
— Os goblins não vão querer bruxos envolvidos em sua segurança, e você
sabe melhor do que ninguém que elfos domésticos podem ser...
influenciados, quando são leais a alguém de fora. — Mathilda fechou a
pasta, e Hermione sentiu o abalo como se a vida fosse cortada do projeto.
— Sinto muito, Hermione. Os goblins querem sua fera.
Isso deixou Hermione de mau humor pelo resto do dia. Narcissa e ela
escreveram notas de um lado para o outro na semana passada, e nem
mesmo a chegada da nota cursiva inclinada, convidando-a para almoçar na
próxima semana, poderia animá-la. Ela escreveu de volta, dizendo que
adoraria vê-la e que segunda-feira ao meio-dia seria perfeito para ela.
Quando chegou às 17h30 do sábado, Hermione estava pronta para um dia
de folga. Especialmente quando Draco entrou na Cornerstone assobiando.
Ela fez uma careta para ele.
— Draco, só porque Skeeter escreveu que você visita Cornerstone todos os
sábados, não significa que você precise.
Ela se virou e pegou sua sacola reservada, batendo-a no balcão com mais
força do que esperava. Ela olhou para ele e ele lançou-lhe um olhar
cauteloso.
— Ora, você parece positivamente selvagem hoje, Granger. Algo novo com
seu cabelo?
Ela olhou.
— Você vai precisar deste presente embrulhado, senhor?
— Naturalmente, — disse ele. Ela elaborou o livro de registro e começou a
virar as páginas. Estava guardado há horas devido à lentidão da véspera do
feriado. — Seu encontro com Mathilda não saiu como planejado, hein?
Suas mãos pararam e ela olhou para ele.
— Como você sabe?
— Eu ouço coisas. — Ele levantou uma sobrancelha para ela. Ela franziu a
testa, imaginando se Mathilda estava falando sobre ela com outras pessoas.
Robards, talvez?
— Ela acha que os goblins não vão transigir, que eles querem uma fera, —
ela disse. Ela puxou o livro e começou a escrever o título.
— Isso é ruim. Você vai pensar em outra coisa.
Ela estava prestes a responder, mas então viu o título. Era um livro infantil,
semelhante a Os Contos de Beedle, o Bardo, mas menos respeitado.
Ela olhou para ele.
— Sua garota não pode lidar com a ficção? — Ele sorriu para ela. Ela olhou
para o livro, ponderando. — Também poderíamos embrulhar um dicionário
para ela. — Ela virou os olhos inocentes para ele e ele apoiou os cotovelos
no balcão.
— Não não. Se ela aprendesse palavras maiores, então teríamos que nos
comunicar mais.
— Claro. — Hermione balançou a cabeça e puxou o rolo de papel de
embrulho, puxando uma tesoura para cortá-lo no tamanho pequeno do livro.
— Se ela gostar deste, Draco, há outro que eu recomendaria. A é para Acid
Pops, B é para Broom, C é para Centauro s. É um best-seller para esse
nível de leitura.
Ela colocou o livro sobre o papel e começou a dobrar as laterais.
— Você começou a me chamar de Draco, — ele falou lentamente, e as
mãos dela pararam. Era uma pergunta?
Ela olhou para ele, encontrando seus olhos nela, e rapidamente olhou para
baixo. Ela empurrou alguns cachos para trás e disse: — Bem, eu acho... sua
mãe te chama de Draco, então...
— Sim, não consigo fazer com que ela pare de fazer isso, — ele brincou.
Ela lutou contra o sorriso que queria abrir seus lábios e manteve os olhos no
papel de embrulho. Seu polegar e indicador estavam brincando com o anel
da Sonserina em seu polegar esquerdo, a centímetros de onde ela estava
dobrando o livrinho no papel laranja e preto temático do dia das bruxas. Ela
podia sentir os olhos dele em seus dedos, deixando-a tão constrangida que
escorregou na dobra algumas vezes e precisou tentar novamente. Ela pegou
a fita.
— Não tive a oportunidade de conhecer Rolf Scamander, mas ouvi dizer
que ele é um cara fascinante.
A fita envolveu os dedos de Hermione, enrolando e se tornando inútil. Ela
olhou para ele e seus olhos estavam em seu rosto.
— Eu... Sim, quero dizer, eu também não o conhecia antes, — ela gaguejou
e olhou para baixo. — Ele é muito aberto a discutir o legado de seu avô,
então eu o achei bastante... er, bastante fascinante.
Ela arrancou a fita amassada de seus dedos e percebeu pela primeira vez
que poderia usar feitiços para todos aqueles embrulhos de presente. Era
apenas uma segunda natureza para ela fazer isso do jeito trouxa. Talvez
fosse por isso que Draco observava as mãos dela sempre que ela
embrulhava.
Só que agora ele estava observando seu rosto. Observando seu rosto e
falando sobre o cara com quem ela tinha saído há dois dias. Ela não tinha
certeza se deveria elaborar sobre o encontro com Rolf. Ela poderia contar a
verdade para ele – que eles iriam se encontrar novamente, como amigos –
ou poderia embelezar um pouco o encontro. Talvez dizer nada fosse
melhor?
Ela ouviu a porta da frente se abrir, e decidiu não dizer nada e continuar
embrulhando rapidamente, esperando poder conduzir Draco para fora e
apressar quem quer que fosse que decidiu vir para Cornerstone faltando
vinte minutos para fechar. Draco, é claro, parecia não ter pressa, ainda
encostado no balcão confortavelmente.
— Boa noite, — disse Hermione, e se inclinou ao redor de Draco para dar
as boas-vindas ao recém-chegado. Seu rosto empalideceu quando ela viu
Ron Weasley parado na porta, olhando de um lado para o outro entre ela e o
Sonserino. — Rony. Oi. — Ela sorriu com força.
Ela sentiu os olhos de Draco virarem para ela, antes que ele se endireitasse
e virasse para olhar para Ron atrás dele. Hermione assistiu enquanto os dois
se encaravam com olhos duros.
— Bem, você sabe, — Draco murmurou para ela enquanto se virava. —
Eles conseguem o jornal na Irlanda.
Seus olhos piscaram para Draco e viram um sorriso satisfeito. Ela olhou
para Ron e ele estava olhando para as costas de Draco.
Se essa fosse uma situação normal, o que claramente não era, ela daria um
abraço em Ron. Ela realmente correria para os braços de seu melhor amigo
– seu melhor amigo que ela não via há um mês. Mas vendo que seus dedos
estavam segurando a dobra do presente que Draco Malfoy estava
planejando dar para uma de suas sete namoradas, ela estava presa atrás do
balcão. Ela tomou a decisão de liberar a dobra e caminhar – não correr – ao
redor da mesa, passando por Draco, e abraçar Ron enquanto ele subia para o
patamar principal.
— Feliz Dia das Bruxas, — disse ele rigidamente em seu ouvido.
— F-Feliz Halloween, sim. — Ela se afastou depois de um abraço bastante
inexpressivo, pretendendo voltar para o papel de embrulho e tirar Draco
Malfoy de sua loja o mais rápido possível. Mas Ron segurou os quadris
dela, segurando-a contra ele. Ela deixou os braços penderem, mas então
decidiu colocá-los nos cotovelos dele. — O que... o que você está fazendo
aqui?
Ela quase estremeceu com sua escolha de palavras, mas então viu que a
atenção de Ron estava em outro lugar. Ela não ousou olhar para Draco
enquanto as mãos de Ron estavam firmes em seus quadris.
— Eu disse a você que estaria de volta no Halloween. — Ron olhou para
ela, e pela primeira vez ele sorriu seu sorriso caloroso, espalhando-se por
seus olhos.
Mas era muito íntimo. As mãos dele nos quadris dela, quase a trinta
centímetros de distância, sorrindo para ela, com Draco ainda em sua visão
periférica. Ela lançou a Ron um pequeno sorriso e deu um passo para trás,
fora de seu alcance, e caminhou de volta ao balcão.
— Quanto tempo você vai ficar aqui? — Era estranho ter uma conversa sem
Draco quando ele estava entre eles, mas os dois ainda não haviam se
reconhecido verbalmente.
— Só até amanhã à noite.
Hermione assentiu e refez a dobra no papel de embrulho com dedos
trêmulos. Sem mais nada para fazer, Ron olhou para Draco.
— Malfoy. — Uma espécie de saudação.
— Weasley, — Draco falou lentamente. Ela notou que Draco estava
encostado casualmente no balcão novamente. — Excelente jogo na semana
passada.
Hermione olhou entre os dois. Pelo que ela lembrava, a Irlanda havia
perdido no fim de semana passado. Pela maneira como Ron estava
carrancudo para Draco, parecia que ela se lembrava corretamente.
Ela tentou mudar de assunto.
— Então, você estará aqui amanhã de manhã para o jogo de Quadribol?
Você pode se sentar comigo e com Katie Bell. — Sua voz estava mais alta
que o normal.
— Não, na verdade, — Ron disse. Hermione olhou para ele, e o encontrou
olhando para Draco. — Acabei de falar com Harry e o Sr. Bolota. Parece
que o Goleiro do Transporte Mágico adoeceu hoje e, em vez de cancelar o
evento, Bolota me pediu para jogar amanhã.
Hermione olhou para trás e para frente entre os dois homens. O sorriso de
Draco estava apenas levantando os cantos de sua boca, e as sobrancelhas de
Ron se ergueram em desafio. De repente, ela mesma se sentiu muito mal.
Talvez devesse desmaiar. Então tudo isso pararia.
— Oh, maravilhoso, — disse ela, quando ninguém respondeu.
— Sim, maravilhoso, — Draco disse. — É tão legal que eles deixam
qualquer um entrar... quando há uma necessidade como essa.
Ron franziu a testa para ele.
— Sim, evidentemente, — ele dirigiu a Draco.
Hermione pegou a fita preta para amarrar o presente de Draco. Era melhor
separar esses dois, ela percebeu. Isso chamou a atenção de Ron e ele se
aproximou do balcão, parando ao lado de Draco.
— Comprando um presente de Halloween para alguém?
Hermione respirou fundo e implorou a seus dedos para cooperar enquanto
eles giravam em torno do pequeno livro embrulhado.
— Sim, — Draco disse. — Alguém especial para mim.
Hermione soltou uma risada. Ela olhou para cima e os dois homens estavam
olhando para ela. Ela apertou a fita enquanto suas bochechas coravam. Ela
pegou uma sacola e jogou o presente embrulhado dentro e estendeu para
Draco.
— Aqui. Obrigado. — Por favor saia.
— Oh, obrigado, Granger. — Ele sorriu para ela com os dentes, e ela
desejou que não fosse para se amostrar. Ele se virou para Ron e disse: —
Vejo você no campo amanhã, Weasley.
— Estou ansioso por isso, Malfoy.
Draco acenou com a cabeça para ela uma vez, então se inclinou sobre Ron,
pegando uma bala de menta do prato. Hermione observou os olhos de Ron
pousar naquelas balas por um segundo a mais.
— Até amanhã. — E Malfoy saiu, bastante orgulhoso de si mesmo.
Ron ergueu os olhos das balas para ela.
Ela sorriu para ele e perguntou sobre sua semana em Praga.
Mais tarde naquela noite, depois que Hermione navegou com sucesso em
qualquer outra conversa longe de Draco Malfoy, Hermione sentou-se em
sua sala de estar com Ginny, Ron e Harry, bebendo vinho e rindo. Os três
estavam discutindo o jogo de amanhã, então Hermione tomou um gole de
vinho lentamente e ouviu, esperando que Harry e Ginny não mencionassem
Draco.
Uma batida na janela deles, e Ginny se levantou para abrir o vidro para uma
grande coruja de águia que Hermione reconheceu imediatamente. Seu
coração disparou quando pousou na frente dela e deixou cair um pacote
preto e laranja, virou e voou para fora.
— Hermione, o que é isso? — Ginny saltou para ela.
A fita preta amarrada às pressas brilhou, e Hermione olhou para ela. Que
jogo ele estava jogando? Ela arrancou o pequeno cartão de cima do
presente.
Para minha garota de sábado Se você precisar de um dicionário para isso,
a balconista da Livraria Cornerstone disse que o forneceria com prazer.
DM
ps: Dê uma segunda olhada na página 23.
Hermione releu o bilhete quatro vezes. Ginny leu por cima do ombro e
olhou para ela. Estava silencioso na sala, e Hermione olhou para cima para
ver Harry olhando curiosamente para ela, e Ron carrancudo.
Isso era sobre Rony. Tinha que ser. Aquele filho da puta.
— O que isso significa? — Ginny sussurrou, pegando o cartão.
— É um jogo, só isso. — Hermione se levantou do sofá e puxou o laço,
rasgou o papel de embrulho de Halloween que ela mesma havia embrulhado
e encontrou o livro infantil que Draco Malfoy comprou dela hoje cedo. Ela
não sabia por que esperava que fosse algo diferente, já que reconhecia seu
trabalho de embrulhar, mas resmungou e foi até a cozinha para jogar o
embrulho e o laço no lixo.
Ela jogou o livro no balcão e olhou para ele.
Comprando um presente de Halloween para alguém?
Sim, alguém especial para mim.
Ele sabia que Ron estaria com ela quando ela recebesse isso. Qual era o
problema dele, em nome de Merlin!
Ela abriu na página 23. Era uma fábula infantil. Ela ergueu as mãos,
exasperada.
Exceto que isso estava na reserva, antes mesmo dela começar a trabalhar
hoje. Ela olhou para o livro. Ele havia escolhido isso antes de saber que
Ron estava vindo para a cidade.
Ela virou algumas páginas, olhou a contracapa, sacudiu as páginas em
busca de anotações. Ela recostou-se na página 23. A Quimera. Ela tinha lido
essa história antes, ou pelo menos variações dela.
Uma quimera vivia sozinha na floresta, guardando uma fonte cintilante que
podia curar todos os ferimentos. Um bruxo queria levar seu pai doente para
a fonte, mas primeiro deveria fazer amizade com um goblin para ajudá-lo.
Era uma pequena alegoria maravilhosa para as interações entre humanos e
goblins, então se ele estava tentando enfatizar a teimosia dela em relação
aos goblins, tudo bem. Ela aceitaria isso. Mas por que passar por tudo isso
só para cutucá-la?
Seus olhos pousaram em uma passagem. A passagem que explicava que
Quimeras são naturalmente repelidas por goblins, e somente com o goblin
ao seu lado o bruxo poderia passar pela Quimera.
Seu coração parou. Um suspiro saiu de sua garganta.
— O que! — Ginny apareceu na porta. — O que é?
Hermione olhou para ela com olhos brilhantes.
— Tenho que ir à biblioteca!
Capítulo 16.
Ela passou o resto da noite na biblioteca, pegando livros, recortes de jornais
e revistas sobre Quimeras e qualquer relação com goblins. Embora não
houvesse muito a ser encontrado, havia o suficiente para montar um caso
sólido para levar uma Quimera para Gringotts. Não teria que haver
nenhuma tortura ou treinamento, pois as Quimeras são naturalmente ferozes
e antagônicas. Exceto para goblins. Os bruxos podiam acessar com
segurança seus cofres em Gringotts, desde que um goblin estivesse com
eles o tempo todo.
Ela discutiu se deveria ou não escrever uma nota de agradecimento para
Draco. Ele claramente tinha duas intenções ao enviar aquele livro. Primeiro,
para ajudá-la; segundo, para irritar Ron. Depois de quatro rascunhos, ela
decidiu contra isso e agradeceria a ele pessoalmente. Se a oportunidade
surgisse.
Quando ela viu Ron na manhã seguinte, antes do jogo, ele voltou ao
normal. Não havia nenhuma indicação de que ele havia sido incomodado
por Draco Malfoy no dia anterior. Ginny continuou tentando se comunicar
com Hermione com os olhos, mas Hermione apenas balançou a cabeça e
disse que elas conversariam mais tarde. Ela sabia que tinha visto as iniciais
de Draco naquele bilhete, então não haveria como explicar a Ginny por que
Draco Malfoy havia enviado a ela um presente com um bilhete chamando-a
de sua garota de sábado.
Ridículo.
Ela foi com Harry, Ron e Ginny para Hodgley Field às sete da manhã, e
enquanto eles se aqueciam e se vestiam, ela escolheu um lugar na
arquibancada para Katie e elas se sentarem. Ela trouxe um livro, é claro, e
lançou um feitiço aquecedor sobre si mesma. Katie chegou por volta das
sete e meia quando o resto da multidão começou a chegar. Hermione ficou
surpresa ao ver tantas pessoas tão cedo em um domingo, mas ela supôs que
não entendia totalmente o fascínio pelo Quadribol de qualquer maneira.
— Olá! — Katie subiu as arquibancadas e Hermione se levantou para guiá-
la. Katie a empurrou para longe. — Não estou tão grávida que não consiga
ver meus pés! — Ela riu. — Ainda não!
— Como vai tudo? Com o bebê?
— Excelente. — Katie se sentou e começou a desfazer uma sacola,
entregando a Hermione um saco de pipoca para as duas. — Minha irmã
teve seu primeiro ano passado, então eu tenho informações privilegiadas
sobre todos os truques e poções.
— Oh, isso é maravilhoso.
Katie sorriu e acenou para alguém que Hermione não reconheceu.
Hermione teve um vislumbre de Aiden e alguns outros colegas de trabalho
das Criaturas Mágicas se estabelecendo em alguns assentos adiante. Ela
ainda não conseguia acreditar em quantas pessoas estavam aqui. Ela viu um
flash disparar e, à sua direita, encontrou Bozo e Skeeter.
— O que a imprensa está fazendo aqui? Não é apenas para o Ministério? —
Hermione disse.
— Eles terão fotógrafos aqui de vez em quando. É muito bom ver todos os
ex-alunos de Hogwarts de volta ao mesmo campo, especialmente depois
que Draco se juntou ao time. — Katie mastigou sua pipoca. — E acho que
com Ron jogando como Goleiro do outro time, provavelmente é uma boa
oportunidade para o jornal.
— Hum. — Hermione fez uma careta para Skeeter.
— Então, eles me disseram para não comer muito chocolate durante a
gravidez, — disse Katie, virando-se para sua bolsa, — mas se você beber
um pouco também, sinto que posso me safar, — Katie pegou duas garrafas
térmicas e ofereceu uma a Hermione. — Cacau quente?
Hermione sorriu e pegou.
— Obrigado.
Katie sorriu e enfiou o queixo em seu cachecol quando uma rajada de vento
passou por elas.
— Katie, — Hermione começou. — Posso perguntar quem é o pai?
Katie riu e se virou para ela. — Merlin, há quanto tempo você está
segurando isso?
— Cerca de seis semanas. — Hermione sorriu. — Eu não quero me
intrometer. Eu só estou curiosa.
— Claro. De jeito nenhum. — Katie afastou o cabelo do rosto. — Na
verdade, é de um doador.
Hermione não esperava por isso. Ela piscou para Katie.
— Realmente? Quero dizer, eles têm opções mágicas para as mulheres no
Mundo Mágico?
— Eu mandei fazer do jeito trouxa. — Katie sorriu, e sua mão
distraidamente subiu para seu estômago.
— Oh! Que... que legal! — Hermione sorriu para ela. Katie deu a ela um
sorriso malicioso.
— Você quer saber por quê, não é? — Katie disse.
— Terrivelmente sim. — Hermione deu uma risada nervosa. — Nunca ouvi
falar de alguém procurando um doador aos 21 anos.
— Vinte, na verdade, — disse Katie. — Meu aniversário é em dezembro.
— Os olhos de Katie ficaram vidrados enquanto ela olhava para o campo
vazio. — Com a Guerra, e vendo tantas pessoas que eu amava morrerem,
decidi que não queria perder mais tempo antes de conseguir o que queria.
Eu quero uma família. Eu quero ser mãe.
— E se... — Hermione parou e reformulou. — Você tem medo de ter se
movido rápido demais? Se aquele homem perfeito que também quer uma
família aparecer...
— Então teremos outro. O homem "perfeito" ficaria "perfeitamente" bem
em namorar e casar com uma mãe solteira, você não acha? — Katie sorriu
para ela. Ela estava tão confiante, como se tivesse respondido a essas
perguntas milhares de vezes.
— Eu acredito que sim. — Hermione riu. — Eu te aplaudo por ir atrás do
que você quer.
— Obrigada, — Katie disse, tomando um gole de seu chocolate. — Eu senti
que cheguei até aqui. Lutei em uma guerra, escolhi o lado vencedor. Eu não
deveria ter que esperar ou resolver. Essas são as duas coisas mais
prejudiciais que uma pessoa pode fazer.
Hermione foi atingida. Ela olhou para Katie enquanto limpava o chocolate
dos lábios e ficou maravilhada por ela conseguir o que queria. Ela era
corajosa. Grifinória corajosa. Hermione deixou sua mente ruminar sobre
esperar e resolver. Ela concordou. Bastante prejudicial.
Como se fosse uma deixa, doze vassouras dispararam para fora das cabines,
loiros e ruivos imediatamente avistados. Os amigos, familiares e colegas de
trabalho nas arquibancadas aplaudiram, batendo os pés. Katie se levantou e
gritou alguma coisa, algum canto que outros oficiais do DMLE se juntaram
a ela. Hermione bateu palmas e gritou, preparando-se mentalmente para
uma partida de Quadribol.
— Acho que você pode ser a única pessoa na história da comunidade
mágica que não gosta de Quadribol, Hermione Granger. — Katie olhou para
ela, rindo.
— Eu gosto muito de Quadribol! — Hermione gritou para a multidão.
— Você está mentindo! — Katie sentou-se e bateu no cotovelo de
brincadeira. Hermione sorriu.
Oliver Wood pegou sua vassoura e foi para o centro do campo.
— Graças a Merlin Oliver Wood está de volta à Inglaterra. — Katie disse,
pegando um pouco de pipoca de sua bolsa. Ela ofereceu o recipiente para
Hermione.
— Graças a Merlin por Oliver Wood! — Hermione pegou um punhado de
pipoca e Katie riu, balançando as sobrancelhas.
Os jogadores se alinharam em um círculo no ar ao redor de Oliver, e
Hermione viu Draco parecendo mal-humorado ao lado de Harry, tão
diferente do paquerador que pedia livros para serem embrulhados para
presente. Seu rosto estava definido. Ela fez uma careta para ele,
examinando-o. Oliver estava dando uma palestra pré-jogo, e todo o grupo
riu de algo que ele disse, exceto Draco. Ele estava ajustando as luvas.
Hermione observou enquanto ele segurava a vassoura firme apenas com as
coxas enquanto suas mãos estavam ocupadas. Ela engoliu em seco.
O movimento da direita chamou sua atenção. Ron estava acenando para ela.
Ela ergueu o braço para acenar de volta. Ele sorriu.
Oliver Wood mergulhou na caixa que continha as bolas. Quando os balaços
voaram e a Goles foi lançada, Hermione pensou.
— Katie, quando o jogo termina se não houver nenhum pomo para pegar?
Katie jogou mais pipoca na boca e respondeu: — Em vez disso, é um jogo
cronometrado. Então, eles jogam até o tempo acabar. — Seus olhos estavam
voando pelo campo, pegando todas as nuances que Hermione nunca
entenderia.
— E quanto tempo dura o jogo? — Hermione percebeu que não tinha ideia
de quanto do seu dia seria gasto aqui no campo.
— Geralmente em torno de seis horas. — Katie pegou seu chocolate
quente.
— Seis horas?! — Hermione gritou.
Katie estava rindo.
— Relaxe, Hermione! É só uma hora e meia. — Katie ainda estava rindo
quando Hermione a encarou. — Parecia que um Goblin havia roubado seus
galeões!
Hermione bufou e tomou um gole de chocolate. Ela tentou seguir a goles,
perguntando a Katie algumas vezes onde ela havia parado, mas achou
infinitamente mais fácil seguir Harry e Ginny, e infinitamente mais
interessante seguir Draco. Fazia tanto tempo que ela não conseguia vê-lo
voar. Ele havia desistido do Quadribol no sexto ano, e Umbridge tornou
tudo tão desagradável no quinto, e o Torneio Tribruxo cancelou o esporte no
quarto. Ela nunca conseguiu ver o quão bom ele ficou. Ele voava tão
diferente de Harry. Ele era mais preciso.
Ela o observou girar a goles para Ginny enquanto um balaço disparou em
sua direção. Hermione engasgou quando ele mergulhou no último
momento, o balaço arranhando sua orelha. Katie olhou para ela.
Ginny curvou a bola em direção ao aro esquerdo, e Ron errou por
centímetros. Metade das arquibancadas aplaudiram quando o DMLE
marcou os primeiros pontos. Ron e Ginny trocaram palavras no ar, enquanto
Harry ria. Oliver Wood mergulhou para pegar a goles e trazê-la para Ron, já
que ele não tinha intenção de fazer nada além de discutir com Ginny.
Assim que a bola voltou ao jogo, Katie disse: — É tão estranho ver Draco
Malfoy de vermelho, você não acha?
Hermione, é claro, já o observava, então ela ajustou os olhos para observar
toda a aparência dele. A cor escolhida para o DMLE foi o vermelho, já que
eram em sua maioria Grifinórios. O Departamento de Transporte Mágico
escolheu uma cor lavanda, que combinava maravilhosamente com o cabelo
de Ron. Mas Draco... ficava bem em qualquer coisa.
— Eu acho que sim. Ele é mais Grifinório hoje em dia do que a maioria, no
entanto. — Hermione riu um pouco quando Harry desviou de um balaço e
jogou a goles para Draco.
— Como estão as coisas entre você e ele? — Katie perguntou. Hermione
tirou os olhos de Draco enquanto ele desviava dos artilheiros do DMT, e
checou Katie. Ela estava olhando para ela por cima de seu chocolate,
inocência escrita em sua testa.
— Eu e Malfoy?
— Sim. Você o vê muito?
— Bem, ele e sua mãe frequentam a Cornerstone, então eu o encontro de
vez em quando. — Hermione brincou com o abridor de sua garrafa térmica.
— E como é isso? — Katie ainda estava olhando para ela.
— Tenso, às vezes. — Hermione riu. — Mas, em geral, há uma sensação de
seguir em frente. — Hermione ergueu os olhos a tempo de ver Draco jogar
a Goles na direção dos aros. Ron entrou no último segundo para rebatê-lo.
Ron deu a ele um sorriso presunçoso e Draco imediatamente se virou e se
dirigiu para o campo, esperando o jogo começar.
— Você está ficando amiga de Narcissa Malfoy, ouvi dizer? — Katie abriu
a garrafa térmica e acrescentou mais chocolate quente com a varinha. —
Isso deve ser interessante!
— "Desafiador", é mais a palavra. — Hermione riu. — Ela originalmente
só queria me convidar para um chá para me agradecer por falar no
julgamento de seu filho. Ela é muito gentil, na verdade.
— Isso é bom de ouvir. Eu nunca a conheci antes. — Katie colocou alguns
marshmallows em seu chocolate e torceu a tampa de volta. Hermione notou
que a atenção de Katie tinha saído completamente do jogo.
— E vocês três passam tempo juntos? Não pude deixar de ver as fotos do
Fortescue's.
— Ah, — Hermione riu. — Isso foi... uma coisa estranha, única. Narcissa
queria me ver na hora do almoço em Cornerstone, e Malfoy estava com ela
naquele dia. — Ela observou o goleiro do DMLE deixar a Goles passar por
ele, concedendo dez pontos ao Transporte Mágico. As arquibancadas
aplaudiram e gemeram, exceto Katie Bell. — Foi... completamente
aleatório.
— Ou completamente intencional. — Katie ergueu as sobrancelhas para
Hermione.
Hermione estava prestes a responder quando o grupo à direita engasgou.
Ela olhou para cima a tempo de ver Ron pegar a Goles voando em direção
ao aro direito, mas se esquivou no último momento quando um balaço
apontado para ele acertou o aro. A madeira lascou e se espalhou por toda
parte, deixando apenas o poste para trás. Oliver apitou e pediu uma pausa
para que pudessem consertar o aro.
O relógio parou e Oliver congelou os balaços no ar. Ginny e alguns dos
outros jogadores ficaram no ar, mas outros foram até o chão para pegar
água.
— Não sei se já vi uma partida pausar. Quero dizer, exceto quando os
dementadores atacam ou quando alguém encanta um balaço. — disse
Hermione.
— Eu diria que qualquer jogo em que Harry Potter esteja envolvido é
sempre uma exceção à regra. — Katie riu. — Não, eles geralmente não
param, mas os campos de Quadribol profissionais têm aros reforçados, não
de madeira. Então, isso normalmente não aconteceria.
Hermione olhou para baixo e viu que tanto Draco quanto Ron haviam caído
no campo e desmontado. Harry estava caindo também. À distância, parecia
que Draco e Ron estavam conversando, o que era... diferente. Então ela viu
Ron inclinar a cabeça em sua direção. Ela congelou.
— Interessante, — disse Katie ao lado dela.
Harry estava desmontando de sua vassoura a alguns passos de distância.
Ginny estava circulando acima, olhando para eles, então olhando para ela
nas arquibancadas. Ron deu um passo na direção de Draco. Draco
permaneceu muito quieto, esperando. Então Ron o empurrou. E então
houve o caos.
Harry correu os vinte passos até eles enquanto Ginny mergulhava. As
pessoas nas arquibancadas murmuraram. Draco recuperou o equilíbrio e
disse algo para Ron. Ron respondeu dando um soco no rosto dele.
— Oh! Rony! — Hermione se levantou. Ela correu pelas arquibancadas,
pulando sobre os espectadores que começaram a torcer pela luta. Ela podia
ouvir Katie em seus calcanhares e o clique da câmera à sua direita.
Hermione alcançou a parede na beira do campo no momento em que Draco
se chocou contra Ron, levando-o ao chão.
— Parem! — Hermione gritou. Ginny caiu no chão correndo enquanto
Harry puxava Draco de cima de Ron. Hermione nunca tinha visto Draco em
uma luta real. Normalmente Crabbe e Goyle tomavam conta dessas
situações e Draco escapava para reclamar sobre seus ferimentos. Ela nunca
o tinha visto bater no rosto de alguém como ela estava observando ele bater
em Ron.
Hermione começou a se mover para a entrada do campo, mas Katie agarrou
seu braço.
— Eles conseguiram, Hermione. Basta sentar e desfrutar do show! — O
rosto de Katie estava radiante.
— O que? — Hermione estava sem fôlego, olhando entre Katie e os
meninos. Um flash disparou à sua direita e ela se virou para ver Bozo
tirando uma foto dela! Ela olhou de volta para o campo. Harry puxou Draco
pelos braços, mas Ginny ainda não havia chegado até Ron, então ele
investiu contra os dois. O otário do Ron deu um soco no estômago de Draco
enquanto Harry tinha seus braços contidos. Harry parecia ofendido
enquanto Draco caía no chão, ofegante.
— Rony! Pare com isso! — Hermione tentou correr para o campo
novamente, mas Katie a agarrou novamente.
— Você não se pergunta quem é que os deixou tão nervosos, Hermione? —
Katie estava sorrindo para o campo.
— Oh, eu sei exatamente o que está acontecendo aqui, e é completamente
juvenil! — Hermione fez beicinho.
Ginny parou na frente de Ron, empurrando seu peito. Harry ajudou Draco a
se levantar, protegendo-o de Ron. Enquanto os garotos eram afastados um
do outro, Rony gritou ao longe.
— Fique bem longe dela!
O calor subiu pelas costas de Hermione. Ginny olhou para ela e Katie
apertou seu braço, rindo. Ron finalmente olhou de volta para as
arquibancadas e a encontrou lá na beira do campo. Seus olhos queimaram
os dela enquanto ela o olhava boquiaberta. Ele se virou e se dirigiu para as
arquibancadas opostas. Oliver Wood, que havia perdido tudo por estar no ar
consertando o arco, sentiu que alguém deveria estar com Ron e o seguiu.
Hermione olhou para a esquerda e viu Harry levando Draco para as cabines.
Ela olhou para Ginny, que estava parada no meio do campo com as mãos
nos quadris, respirando com dificuldade. Elas fizeram contato visual e o
rosto de Ginny se abriu em um enorme sorriso. Katie riu novamente.
— Eu... eu ainda não tenho ideia do que todo mundo acha tão engraçado.
Isso foi totalmente bárbaro. — Hermione balançou a cabeça e olhou para
Katie.
— Bem, Hermione, — disse Katie. — Oliver Wood pode ter sido o árbitro
da partida hoje, mas parece que você decide quem venceu. — Katie sorriu
brilhantemente.
Hermione piscou para ela. Ela olhou para Ron com a mão de Oliver Wood
em seu ombro através do campo, e então para as cabines onde Draco e
Harry estavam desaparecendo, o resto da equipe DMLE a seguindo.
Ela se virou para Katie, que estava balançando as sobrancelhas para ela.
Hermione franziu a testa.
— Você quem me disse. Esperar ou resolver. — Ela se afastou de Katie e
voltou para as arquibancadas para pegar seus pertences.
O jogo foi efetivamente adiado. Skeeter tentou entrevistá-la enquanto ela se
dirigia as cabines, mas Hermione descobriu que o silêncio era o melhor
remédio para Rita Skeeter.
— Senhorita Granger! Qual desses cavalheiros arrojados tem seu coração?
Você contou a Ron Weasley sobre seu romance com Draco Malfoy? Ele
ainda está esperando sua resposta à proposta dele? Você acha que algum
desses homens realmente venceu essa luta?
— Eu acho que os dois são idiotas, — Hermione murmurou enquanto
ultrapassava Skeeter e seus saltos ridículos, afundando na grama.
— O que? O que é que foi isso? Senhorita Granger?
Hermione a ignorou e continuou. Ela se aproximou da porta da cabine
assim que Draco e Harry saíram. O olho de Draco estava inchado e cortado
ao longo da sobrancelha. Havia uma contusão se formando em sua
mandíbula também. Harry a viu marchando e rapidamente deu um passo
para o lado. Homem inteligente.
— Você está bem? — Ela parou na frente de Draco. Seu cabelo estava
molhado do banho.
Ele olhou para ela e apertou a mandíbula.
— Estou bem.
— Bom. — Ela empurrou seus ombros. — Que diabos tem de errado com
você?!
Ele tropeçou de surpresa e suas costas bateram contra a porta da cabine.
— Comigo?
— Sim! Por que você está dando mais munição para Skeeter?! — Ela o
empurrou novamente. — Você sabe que as fotos de vocês dois brigando
estarão em todos os jornais amanhã!
— E o que te faz pensar que era tudo sobre você, Granger? — ele sibilou
para ela e saiu pela porta. Ela se manteve firme.
— Claro que era sobre mim, porque você não pode alcançar o suficiente
sozinho!
— Para sua informação, estou louco para estourá-lo desde o dia em que nos
conhecemos.
— Sim, e tenho certeza que o que você disse para fazê-lo bater em você
primeiro não teve nada a ver comigo. Você o atiçou durante todo o fim de
semana!
— Atiçou? Tenho certeza que não sei o que você quer dizer...
— Ah, por favor, Malfoy. A hortelã? — ela disse. Ele escondeu um sorriso
malicioso e mordeu a língua entre os dentes.
— Aquelas são minhas balas favoritas, Granger. No entanto, você sabia? —
Sua voz cadenciada.
— E você sabia que ele estaria comigo quando seu presente chegasse...
— E de nada por isso, a propósito, — ele sorriu. — Ou você ainda não
notou.
Ela engasgou.
— Eu não notei? Claro, eu notei! Mesmo alguém tão insípida quanto sua
garota de terça-feira poderia notar aquilo...
— Ah, fiquei curioso, visto que não recebi nenhum cartão de
agradecimento...
— Bem, obrigado, Malfoy, por aparecer e me salvar da minha ignorância...
— Estamos de volta a Malfoy, não é? Achei que estávamos chegando a
algum lugar, Granger.
— Sim, quando você está sendo um idiota absoluto, é Malfoy.
— E quando é Draco?
— Quando você está sendo um idiota absoluto! — Ela empurrou seus
ombros novamente. — Não se atreva a me trazer para este comportamento
mesquinho novamente. — Ela apontou um dedo para o rosto dele.
— Eu não coloquei você nisso, Granger. Ele colocou.
— Se você quer bater nele, bata nele. Não me use para fazer com que ele
bata em você primeiro, — ela sibilou.
Na hora, uma lâmpada piscou à sua esquerda. Ela se virou e encontrou a
câmera, Skeeter e Harry, Ginny e vários outros membros de ambas as
equipes os observando.
— Peço desculpas por seu jogo ter sido arruinado, — disse ela. Ela saiu
marchando no momento em que Ron e Oliver Wood estavam indo para as
outras cabines.
— Hermione... — a voz de Ron.
— Não comece, Ronald Weasley! — Ela rosnou para ele e continuou para
fora do campo.
O resto do dia foi arruinado. Ela se despediu de uma sorridente Katie Bell e
foi direto para a biblioteca para continuar esboçando sua nova proposta. Seu
objetivo era colocá-la na mesa de Mathilda na manhã seguinte e exigir uma
reunião no dia seguinte. Ela escreveu uma nota para Kingsley perguntando
se eles poderiam se encontrar amanhã à tarde. Sua determinação a distraiu
do desejo irresistível de bater em alguém.
Ela chegou em casa um pouco antes da hora do jantar e encontrou Harry e
Ron ainda na sala de estar. Ambos pararam de falar quando ela entrou e
olharam para ela. Ginny colocou a cabeça para fora da cozinha.
— Jantar, Hermione?
— Não, obrigado. — Seu estômago roncou. Ela se virou para Rony. —
Você não tinha que ir hoje à noite?
— Sim, — Ron se levantou e tirou os olhos dos tapetes. — Eu queria me
despedir antes de partir.
— Adeus. — Hermione se virou e foi em direção ao seu quarto. Ela jogou a
bolsa na cama e acendeu as luzes com a varinha. Ela ouviu a porta ranger e
virou-se para fazer cara feia para um Ron Weasley de aparência muito
pequena, encostado no batente da porta.
— Desculpe. — Ele fez beicinho.
— Por? — Ela colocou as mãos nos quadris.
— ...por tudo pelo o que você está com raiva de mim.
Ela jogou as mãos para cima e rosnou.
— Não é bom o suficiente, Ron!
— Olha, eu não sei o que dizer! — Ele entrou no quarto e deixou a porta
entreaberta apenas o suficiente para Harry e Ginny escutarem
inevitavelmente. — Você deveria ter ouvido o que ele disse sobre você,
Hermione. Você também teria dado um soco nele!
Ela sentiu um rubor subir pelo pescoço.
— Então deixe-me socá-lo!
— Eu estava defendendo você...
— Não, você estava fazendo sua reivindicação, — ela disse. Ele olhou-a. —
Eu não sei o que você acha que está acontecendo aqui...
— Eu vi os jornais, — disse ele. — Eu vi as fotos de vocês dois.
— Oh maravilhoso! — ela brincou. — Sabe, Skeeter publicou que Harry e
eu estávamos namorando quando tínhamos quatorze anos, e isso também
era verdade!
Rony olhou para o chão. Hermione se aproximou dele e tocou seu braço.
— Ron, eu quero ter certeza de que estamos sendo claros, — ela disse
calmamente. — Você e eu não estamos namorando. — Ele olhou-a. — É
impossível fazer isso neste momento e... e não acho que seja o que
queremos, de qualquer maneira. — Ele abriu a boca e, antes que pudesse
dizer qualquer coisa de que se arrependesse, de que a desejava, ela disse: —
E vou começar a sair com as pessoas. — Ele fechou a boca. — Você não
pode dar um soco na cara das pessoas sempre que me ver numa foto no
jornal com elas.
Ele assentiu. Ele olhou para o rosto dela, procurando.
— Então, não há nada acontecendo entre você e Draco Malfoy?
Hermione olhou em seus olhos azuis e pensou em um anel da Sonserina
entregando-lhe uma bebida, olhos cinzentos brilhando para ela, aquecendo-
a, uma voz prateada sussurrando: " Você acha que é por isso que eles te
chamam de Garota de ouro?" , o fantasma de uma mão guiando-a pela rua,
a pressão de seu quadril contra o balcão da Cornerstone enquanto o corpo
dele invadia seu espaço... e o calor de sua respiração em seu rosto enquanto
ele sibilava o número 35.000 para ela.
Os momentos que eram apenas momentos, e não o suficiente para esperar,
não o suficiente para fixar um sonho.
Ela piscou e não mentiu.
— Não há nada acontecendo entre Malfoy e eu.
Depois disso, Ron foi embora. Ele a abraçou e sorriu tristemente enquanto
fechava a porta. Ela ficou lá, ouvindo-o fazer planos com Ginny para o
Natal, e realmente sentiu pela primeira vez em quase dez anos que ela e
Ron Weasley não iriam se casar e ter filhos um dia. Ela sentiu uma perda,
mas não tão aguda quanto a que a incomodava agora que ela havia feito um
balanço de seu "relacionamento" com Draco Malfoy.
Talvez ela devesse entrar em contato com Rita Skeeter. Ela ficaria arrasada
ao saber que nenhum dos cavalheiros foi seu namorado escolhido. Ela riu
de si mesma quando uma batida bateu na porta.
Harry se encostou no batente da porta.
— Ele se foi.
Hermione assentiu e se virou para dobrar algumas roupas. Harry era o único
que ela conhecia que escolhia fazer certas tarefas domésticas do jeito
trouxa, como ela.
— Sabe, — ele continuou, — eu não entendi por muito tempo.
Ela olhou para ele, levantando as sobrancelhas em questão, pegando roupas
para dobrar.
— Eu pensei... bem, eu pensei que era muito estranho... e diferente de você.
— Harry, o que...?
— Mas eu vi vocês juntos hoje. E acho que entendi agora.
Hermione franziu a testa para ele. — Viu...?
— Você e Malfoy.
Suas mãos pararam de dobrar o jeans em que estava trabalhando.
— Nos viu? O que você quer dizer?
Ele olhou para os sapatos. Tênis casuais, ela percebeu, e seu coração se
aqueceu com a normalidade.
— Vocês são muito parecidos. Ambos leitores, ambos apaixonados. E
quando vocês brigam... Não é como entre você e Ron. E acho que entendi
agora.
Ele olhou de volta para ela e sorriu levemente.
— Não há nada para entender, — ela disse suavemente. — Malfoy e eu não
temos um relacionamento.
Harry piscou para ela e olhou para seus sapatos novamente.
— OK.
Ela se virou e continuou dobrando o jeans. Ela o ouviu fechar a porta.
A data no papel dizia 1º de novembro de 1999. Hoje era o dia em que Draco
anunciaria sua empresa de consultoria, cortejando todo o mundo mágico
com o quão longe ele havia chegado e quão ambicioso ele era. Em vez
disso, ele estava dando um soco no rosto de Ron Weasley.
" A LUTA PELO CORAÇÃO DE HERMIONE GRANGER!"
por Rita Skeeter
Hermione franziu a testa. Sua cabeça doía. O artigo apresentava algumas
fotos maravilhosas da luta, mas várias outras de Hermione parada na beira
do campo com Katie, Hermione empurrando Draco, Hermione saindo do
campo.
O que mais irritou Hermione sobre o artigo foi sua precisão. Não havia
nada para brigar com Skeeter. Os dois garotos começaram uma briga no
campo de Quadribol e isso teve algo a ver com ela. Skeeter não exagerou
nada.
Hermione jogou o papel na lata de lixo. Ela ligou o Flu para o trabalho e
ignorou os olhares e as conversas que paravam quando ela passava. Ela
chegou à sua mesa e encontrou sete Uivadores esperando por ela. Ela
franziu a testa. Ela os enviou para a sala de conferências e lançou um feitiço
silenciador.
Depois de trinta minutos suportando o Fã-Clube de Ron Weasley, a
Sociedade para a Preservação da Linhagem de Draco Malfoy e alguns
entusiastas de Quadribol que estavam realmente ansiosos pelo jogo de
ontem, Hermione finalmente conseguiu entregar sua proposta a Mathilda.
Ela voltou para sua mesa para encontrar um bilhete de Narcissa, solicitando
que elas se encontrassem em algum lugar privado para o almoço naquela
tarde, e sugeriu uma pequena loja na Londres trouxa, surpreendentemente.
Hermione ficou mais surpresa que Narcissa ainda quisesse a encontrar. Se
Hermione estava tendo um dia como hoje, Draco e Narcissa também
deviam estar sobrecarregados.
Hermione chegou ao café e encontrou Narcissa enfiada em um canto ao
lado de uma estante. Ela estava vestida como "trouxa" como Narcissa
Malfoy conseguia, mas ainda parecia o epítome da graça e da moda.
— Oh, Hermione, querida, — Narcissa se levantou e a puxou para dentro.
— Que dia, tenho certeza que você deve estar tendo.
— Sim, — Hermione disse, se afastando. — Tenho tentado. Mas e você?
Draco não deveria anunciar sua empresa de consultoria hoje?
Narcissa franziu os lábios.
— Sim. Sim ele deveria. E agora precisa ser adiado pelo menos uma
semana. — Narcissa balançou o guardanapo no colo.
— Sinto muito, Narcissa.
— Ah, não é sua culpa. Você não se envolveu em uma competição de mijo
na frente de uma câmera. — Narcissa pressionou a mão na têmpora e os
olhos de Hermione se arregalaram com sua linguagem. — Peço desculpas.
Estou sob muito estresse.
Hermione escondeu um sorriso.
— De jeito nenhum. E deixe-me saber se houver algo que eu possa fazer
para ajudar com... "controle de danos". Eu suspeito que a melhor coisa que
posso fazer é ficar longe.
Os olhos de Narcissa brilharam e o garçom chegou. Narcissa pediu um chá
para ela e café para Hermione, mas quando o garçom perguntou sobre
prensa francesa, descafeinado, expresso, macchiato, Hermione observou as
sobrancelhas de Narcissa se erguerem em confusão. Hermione interveio e
apenas esclareceu que um café comum seria perfeito com um pouco de
leite.
Narcissa se virou para ela e disse: — Bem, antes que as travessuras deste
fim de semana acontecessem, eu queria convidá-la para almoçar com um
propósito específico, Hermione.
— Oh? — Hermione baixou o cardápio para dar toda a atenção a Narcissa.
Narcissa nivelou os olhos nela.
— Hermione, — ela começou, — Você sabe o quanto estou agradecida por
você ter escolhido falar no julgamento de Draco?
Hermione piscou para ela.
— Ah sim, claro. Foi a coisa certa a se fazer.
— Você realmente deu a ele uma segunda chance. Este negócio... se algum
dia decolar, — ela murmurou, revirando os olhos e então continuou, — será
realmente uma oportunidade para Draco provar a si mesmo. Para se
destacar da Guerra. Da reputação de Lucius. E não posso agradecer o
suficiente por essa oportunidade.
Hermione ficou tão agradecida que o garçom chegou com o café e o chá e
anotou os pedidos. Ela nunca tinha ouvido Narcissa falar sobre Lucius e não
sabia como responder a isso. Ela tinha uma vaga lembrança de Narcissa
usando seu nome de solteira ao colocar os livros na reserva em Cornerstone.
O garçom se afastou e Hermione agarrou sua xícara de café.
— Eu... Sim, estou tão feliz que Draco também tenha essa oportunidade.
Ele tem um olho muito aguçado para oportunidades de negócios.
Narcissa tomou um gole de chá, olhando-a por cima da xícara. Ela a
colocou na mesa.
— Eu também disse a Lucius quão instrumental você tem sido na nova vida
de Draco. Sua amizade e a amizade do Sr. Potter foram muito influentes.
Hermione piscou para ela. Narcissa continuou.
— Lucius gostaria de ter a oportunidade de agradecer por falar no
julgamento de Draco também. — Os olhos de Narcissa brilharam e
Hermione se sentiu muito tensa. — Eu também disse a ele que agora você é
uma querida amiga minha, e que... caberia a ele conhecê-la melhor.
Narcissa adicionou apenas um toque a mais de açúcar em seu chá. Ela
mexeu com a colher e observou o rosto de Hermione.
— Ele ficaria honrado se você o visitasse em Azkaban no próximo sábado.
Capítulo 17.
Pelo que Hermione entendia sobre os privilégios de visita em Azkaban,
aqueles em segurança média eram permitidos apenas uma visita por mês.
Quando Hermione perguntou a Narcissa sobre isso, ela ignorou, dizendo
que no próximo mês eles teriam permissão para uma visita em dezembro e
uma opção para ver Lucius no dia de Natal, então ela não estava muito
preocupada.
Hermione estava. Ela estava muito preocupada.
Com os olhos azuis de Narcissa examinando-a sobre sua xícara de chá, não
havia opção de dizer não.
Na terça-feira, ela recebeu um memorando de Robards no escritório de
aurores solicitando sua ajuda em outro caso. Ela teve que adiar sua reunião
de acompanhamento com Mathilda até o dia seguinte, mas Mathilda
apareceu em sua mesa para mencionar que o ministro se juntaria a elas
amanhã. Ela piscou para ela, e Hermione odiou que Draco estivesse certo.
O encontro com Kingsley na tarde de segunda-feira acabara de lhe garantir
um projeto.
Ela entrou na sala de conferências no andar de cima e encontrou Draco,
como esperado, examinando mapas e gráficos e todos os tipos de
diagramas. Ele lhe entregou um café enquanto ela se acomodava,
explicando o caso e no que eles iriam trabalhar. Não havia nenhuma
indicação de que ele estivesse perturbado com o artigo de Skeeter no dia
anterior. E não havia nenhuma indicação de que ele tivesse qualquer tipo de
opinião sobre ela visitar seu pai no sábado.
Hermione ansiava por perguntar a ele, talvez obter conselhos, descobrir o
que Lucius queria perguntar: "Draco, qual é a melhor maneira de sair viva
de uma conversa com Lucius Malfoy?"
Mas talvez nem ele não soubesse disso. E isso a confundiu mais.
— Quando você vai anunciar sua empresa? — Hermione perguntou depois
de uma hora de silêncio.
Seus olhos se voltaram para ela e ele respondeu: — Na próxima segunda-
feira. — Isso foi tudo o que ele disse. Ele continuou lendo o gráfico em que
estava.
Hermione assentiu. Ela precisaria garantir que nada de interessante
acontecesse no fim de semana, para não estragar o anúncio dele novamente.
Ela supôs que isso significava que ambas as partes precisavam sair ilesas no
sábado.
O que se veste para encontrar Lucius Malfoy?
Ela tinha certeza que Ginny teria algumas ideias... se ao menos ela tivesse
decidido contar a Ginny o que estava fazendo hoje. Ginny estava se
preparando a semana toda para um jogo fora da cidade com as Harpies. Ela
foi escalada para o primeiro lugar no inverno, e Hermione podia ver o
estresse e a alegria nela durante o tempo limitado que elas passaram juntas,
então ela não se preocupou em contar a ela. Não era grande coisa de
qualquer maneira. Lucius Malfoy queria agradecê-la pessoalmente por falar
no julgamento de seu filho.
Hermione considerou deixar um bilhete, mencionando a localização de seu
testamento e a chave do cofre em Gringotes.
Ela continuou sua tentativa de trançar o cabelo, enquanto franzia a testa
para o artigo e a foto da Skeeter daquela manhã. Draco e Katya tinham
saído novamente ontem à noite. Eles jantaram em um café seguido de
alguns drinques em um bar elegante. Havia duas fotos, uma dos dois
conversando durante o jantar – Draco rindo de algo que ela disse – e uma
deles no ponto de aparatação do lado de fora do bar. Draco a tinha
pressionada contra o tijolo, sua mão no quadril dela e os dedos dela em seu
cabelo. Um beijo muito diferente daquele retratado duas semanas atrás.
Skeeter mencionou que eles não aparataram juntos para casa. Agradeço a
Merlin pelos pequenos milagres.
Hermione decidiu que se ela pudesse sobreviver ao bate-papo de hoje, ela
provavelmente poderia sobreviver a mais algumas datas em seu calendário,
e prometeu a si mesma pelo menos acompanhar o querido Rolf Scamander.
A noite não terminaria como a de Draco, mas pelo menos ela conheceria
novos caras, treinando-se para namorar.
Ela se olhou no espelho. Por mais apresentável que pudesse, ela escreveu
uma nota rápida para Morty, dizendo que tinha um compromisso esta
manhã às nove, mas esperava estar lá para abrir.
Narcissa sugeriu que Hermione fosse um pouco antes para que ela pudesse
usar o Flu da Mansão Malfoy, que já estava conectada às lareiras de
Azkaban. A Rede de Flu abriria precisamente às 8h45 e permaneceria
aberta por exatamente três minutos. No início da semana, Hermione havia
arrancado de Harry que eles teriam um treino de Quadribol no sábado de
manhã, mesmo sem Ginny, então Hermione tinha certeza de que Draco não
estaria na Mansão.
Ela se olhou no espelho novamente. Ela pegou sua bolsa e jogou o pó de
Flu na lareira.
— Mansão Malfoy.
Mippy estava esperando por ela. A elfa deu um sorriso tão largo que
Hermione quase riu com a forma de expressão que puxou seu rosto.
— Srta. Hermione Granger. — Mippy cumprimentou-a e curvou-se em
reverência. — Mippy leva você para a biblioteca agora.
Hermione sorriu apesar do frio na barriga, e seguiu a pequena elfa que
usava apenas um vestido e meias felpudas. Elas passaram pelos bustos
cinzentos do patriarcado Malfoy, e Hermione evitou os olhos cinzentos de
pedra de Lucius enquanto Mippy abria as portas da biblioteca.
— Hermione, querida. — Narcissa se levantou. — Você está adorável.
— Oh, obrigada, — Hermione corou. Ela gastou tempo suficiente em sua
aparência para merecer esse elogio, ela supôs. — Bom dia, Narcissa.
Narcissa gesticulou para que ela se sentasse e ofereceu-lhe um café.
Hermione disse que sim, e então considerou se a cafeína seria uma escolha
sábia com o estado atual de seus nervos.
Enquanto Mippy pegava a xícara de café e o pires e depois desaparecia com
eles, ela disse: — Oh, Narcissa. Esqueci completamente que pretendia
trazer de volta aqueles livros que peguei emprestados. — Ela balançou a
cabeça. — Que bobo da minha parte.
— Oh, tudo bem, querida, — Narcissa acenou com a mão. — Você só vai
ter que voltar logo se trocá-los por novos!
Narcissa sorriu e tomou um gole de chá. Narcissa parecia pensar que
Hermione sairia ilesa dessa reunião, e isso acalmou um pouco o estômago
de Hermione. Ou isso ou Narcissa faria Mippy recuperar os livros de seu
apartamento depois que seu corpo fosse enterrado.
Ela decidiu pegar leve com a cafeína.
Hermione se virou para colocar sua xícara de café na mesa e parou quando
viu uma caixa dourada ornamentada na mesa lateral. A tampa estava aberta
e o anel de diamante mais bonito que ela já tinha visto descansava nas
dobras do tecido.
— Este anel é seu, Narcissa?
— Em um ponto. — Ela apareceu ao redor do ombro de Hermione, olhando
para o anel. — Peço desculpas por tê-lo colocado assim. Preciso levá-lo
para reformar.
— É impressionante, — disse Hermione. Ela observou os lados do
diamante brilharem com magia. Ela não sabia muito sobre diamantes ou o
corte deles, mas este anel era notável.
— Obrigado. — A voz de Narcissa flutuou sobre seu ombro. — Está na
família Malfoy há gerações, transmitido a cada nova noiva. — A palavra
ecoou nos ouvidos de Hermione, enquanto Narcissa continuava, o anel
brilhando. Ela se perguntou quantos diamantes havia nele. — Lembro-me
do dia em que Lucius me deu. Eu estava com tanta raiva dele naquele dia
por causa de alguma coisa boba que ele disse, e eu estava... Não, querida!
Não toque!
Hermione deu um pulo. Ela olhou em volta, tentando encontrar a pessoa
que estava pegando o anel e encontrou seus próprios dedos a centímetros de
distância. Narcissa deu um pulo e agarrou o braço dela.
— Eu-eu... eu não sei o que acabou de acontecer, — Hermione gaguejou.
— Sinto muito. Narcissa. — Seu rosto estava quente e ela não conseguia
olhá-la nos olhos.
— Não, não, — Narcissa disse, com a mão no coração. — É minha culpa,
querida. — Ela pressionou as costas dos dedos nos lábios. — Eu deveria
saber... — Narcissa se inclinou para ela e agarrou seus ombros. — Não é
sua culpa, Hermione. Existem... encantamentos no anel, para afastar...
— Nascidos-trouxas. — Hermione terminou para ela.
— Todos os sangues não-puros. — Narcissa suspirou. — Tem um pouco de
magia negra para atrair aqueles que podem ser amaldiçoados se o tocarem.
— Narcissa franziu a testa para o anel, e Hermione olhou para um ponto por
cima do ombro da mulher, o calor correndo por ela de vergonha. — Na
verdade, é por isso que estou levando-o hoje... para dar uma olhada no
quebra-maldições.
— Mais uma vez, sinto muito, Narcissa.
— Ah, bobagem. — Narcissa passou as mãos para cima e para baixo nos
braços de Hermione, confortando-a de uma forma que a fez sentir falta de
sua mãe. — Eu não deveria ter deixado ele assim. Mippy!
Mippy apareceu.
— Sim, senhora?
— Mippy, por favor, leve o anel Malfoy para o meu escritório.
Mippy estalou e a linda caixa flutuou até suas mãos, apenas levitando acima
delas, e Hermione se perguntou se os Malfoys também amaldiçoaram o anel
contra ladrões e elfos domésticos.
— O anel é muito bonito, sim? — Mippy disse, e levou um momento para
Hermione perceber que a elfa estava falando com ela. Os olhos de Mippy
estavam arregalados quando eles olharam para ela.
— Ah, sim, com certeza. — Hermione sorriu para ela.
— Pertence ao Mestre Draco agora. E ele dará para alguém muito especial
em breve.
O coração de Hermione saltou. Se a elfa sabia que Draco ia pedir alguém
em casamento em breve... A imagem de Draco rindo com a garota búlgara,
pressionando-a contra a lateral do bar e sua mão apertando o quadril dela. E
Hermione lembrou que Katya Viktor era meio-sangue. E um anel de
noivado que deveria ser usado no dedo de uma puro-sangue precisaria ser
levado a um quebra-maldições...
— Ela terá muita sorte. — Sua voz falhou em cada palavra.
— Você está pronta, querida? — A voz de Narcissa cortou a biblioteca.
Hermione checou seu relógio e viu que eram 8h43. Ela respirou. Narcissa
continuou: — Nós temos a lareira da biblioteca ligada ao Flu de Azkaban,
então você pode passar por aqui.
Ela gaguejou uma resposta e Narcissa produziu o Pó de Flu. Hermione
colocou a bolsa no ombro e se juntou a Narcissa na lareira.
— Há... há algo que eu deva saber? Ou...
— Você será recebida por um Auror que fará o check-in e orientará você
nos procedimentos. E você se encontrará com ele em uma sala privada.
Hermione engoliu em seco.
— Tudo bem. E há algo que você gostaria que eu dissesse ao Sr. Malfoy?
Ou há algo para o qual eu deveria estar preparada? — Hermione se sentiu
boba, pedindo conselhos a Narcissa sobre como falar com o marido.
Narcissa sorriu, vendo através dela.
— Ele só quer agradecer por ajudar a reabilitar a vida de Draco. E conhecê-
la oficialmente.
Hermione mordeu a língua, prestes a comentar que eles haviam se
conhecido. Ele a estava ignorando na Floreios e Borrões ou lançando
maldições em seu caminho no Departamento de Mistérios, mas eles se
conheceram.
Hermione pegou um punhado de pó de Flu, jogou na lareira, entrou e disse:
— Centro de Visitantes de Azkaban.
A imagem de Narcissa sorrindo para ela segurando o saco de pó girou para
longe dela e ela pousou em uma sala de pedra. Três cadeiras alinhadas na
parede oposta, e portões de metal à sua esquerda separavam a sala de um
corredor escuro. Ainda estava frio, mesmo sem os dementadores.
Um Auror se aproximou dos portões pelo outro lado e começou a
destrancá-los com uma série de feitiços complicados. Ele sorriu para ela
quando o portão se abriu e disse: — Hermione Granger?
— Sim. Olá.
— É excelente finalmente conhecê-la pessoalmente, Srta. Granger. — Ele
apertou a mão dela. — Venha comigo.
Ele a levou a uma pequena sala com armários. Ele a instruiu a remover
todas as joias ou objetos de metal de sua pessoa e colocar sua bolsa e
varinha em um armário. Ele lançou um feitiço para revelar objetos ocultos,
como armas ou varinhas secundárias, e então a fez assinar um acordo sobre
o uso de magia sem varinha.
Ele então a passou para outro guarda, que abriu uma série de mais portões,
trancando todos atrás dele. O eco de seus passos nas pedras abalava seus
nervos, e ela começou a olhar para trás a cada seis passos, antecipando se
alguém os seguisse.
Eles chegaram a uma porta de pedra de aparência normal, e o guarda disse a
ela que ela só precisaria bater para indicar que a reunião havia terminado e
ela seria imediatamente liberada.
O guarda abriu a porta de pedra. E Hermione encontrou Lucius Malfoy, de
cabelo puxado para trás, vestes cinza de Azkaban, mãos cruzadas na frente
dele e sentado em uma mesa para duas pessoas. Havia um pedaço de papel
na mesa à sua frente.
Ele olhou para ela e sua boca sorriu para ela enquanto seus olhos não.
— Senhorita Granger.
O guarda acenou para ela e fechou a porta.
— Senhor Malfoy.
Ele apontou para a cadeira vazia em frente a ele. Ela sentiu o fantasma de
onde sua varinha geralmente pressionava seu quadril.
Ela puxou a cadeira de metal e o arranhão contra a pedra foi obsceno. Ela se
sentou, afastou uma mecha de cabelo do rosto e voltou a olhá-lo para
encontrá-lo olhando para ela. Ela piscou para ele, mas ele não falou.
— Foi muito gentil da sua parte querer se encontrar comigo, Sr. Malfoy.
Devo confessar que ainda estou chocada por você ter desistido de seu fim
de semana este mês com sua família.
— Bem, — ele disse, e sua voz era tão familiar, mas eles mal se falaram no
passado. — Narcissa me convenceu de que era muito importante conhecê-
la, Srta. Granger. Você se tornou tão importante para ela.
As palavras eram sinceras, mas a intenção não. Mais uma vez, Hermione
teve o medo de não sobreviver a esta reunião.
— Ela se tornou muito importante para mim também.
— E você tem se dado bem com Draco, pelo que ouvi. — Sua voz
cadenciada. Era um efeito tão oposto ao sotaque arrastado de seu filho. Isso
o fez parecer mais interessado do que estava.
— Sim, — ela disse, sem saber para onde ir com isso. — Nós dois
trabalhamos no Ministério agora.
— Isso é maravilhoso. — Ela poderia dizer que não era. — Eu não posso
agradecer o suficiente por falar em seu julgamento, Srta. Granger.
— Claro senhor. Foi a coisa certa a se fazer . — Sua resposta mais segura.
Seus olhos piscaram para o pequeno pedaço de papel descansando entre
seus dedos.
— Narcissa queria que eu te agradecesse por isso, e te conhecesse melhor,
— ele disse. Ele se sentou muito alto e imóvel e a observou. — Mas não foi
por isso que eu convidei você aqui hoje.
Hermione piscou para ele. Ela engoliu em seco.
— Oh?
Ele empurrou o pedaço de papel dobrado para ela. Ela o arrancou da mesa
e, após um aceno dele, ela o abriu.
Graciosa
Requintados modos à mesa
Habilidosa em hospedagem
Espirituosa
Charmosa
Líder entre os pares sociais
Bonita
Na moda
Equilibrada
Conhecimento financeiro
Obediente
Treinada em decoração
Dançarina experiente
Inteligente
Temperamento frio
Puro-sangue
Hermione leu a lista duas vezes, os olhos tropeçando nos rabiscos
uniformes. Ela dobrou a página novamente e trouxe seus olhos para
encontrá-lo, o coração batendo rápido.
— E o que é isso?
— Uma lista. — Ele se inclinou para frente em sua cadeira. — De
qualidades em uma esposa Malfoy.
Hermione sentou-se muito quieta, esperando que ele falasse novamente.
Quando ele não falou, ela tentou: — Você gostaria que eu passasse isso para
sua esposa e filho?
— Não, você deve se apegar a isso, Srta. Granger. — Seus olhos nunca
deixaram seu rosto.
— Você está... me atribuindo a tarefa de encontrar uma noiva adequada para
Draco?
Ele levantou uma sobrancelha para ela, assim como seu filho fazia. Ele se
levantou da mesa, e Hermione manteve os olhos nele, mantendo a
respiração estável.
— Não estou disposto a abrir mão de um único item dessa lista, Srta.
Granger. — Ele contornou a cadeira e colocou as mãos nas costas. —
Exceto o último.
Puro-sangue.
As sobrancelhas de Hermione se juntaram. Ela abriu a boca, mas nenhum
som saiu.
— Recebo o jornal aqui em Azkaban, Srta. Granger. Eu sei que vocês dois
estão romanticamente envolvidos.
Sua respiração a deixou em um sopro. Ela transformou isso em uma risada.
— Você sabe o que Rita Skeeter diz a você.
— Eu posso ver as fotos, Srta. Granger. Elas não precisam da...
interpretação artística de Skeeter. — Hermione apertou a mandíbula para
não falar. — E além disso, mesmo que eu não tivesse a prova nas fotos,
tenho a palavra da minha esposa. Que passou a gostar muito de você como
mais do que uma amiga. Como filha, ela me disse. — Seus olhos brilharam
para ela.
Ah, Narcissa. O que é que você fez.
— Peço desculpas, Sr. Malfoy. — Ela olhou para a mesa para recuperar a
compostura antes de olhar para ele. — Você foi mal informado. Não há
nada romântico acontecendo entre seu filho e eu. Somos apenas... — Ela
parou.
— "Apenas amigos?" — Ele sorriu para ela.
— Nós mal somos isso.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Sim, Draco tentou me tirar do caminho também, saindo com aquela
meio-sangue búlgara toda vez que vocês dois são retratados juntos no
jornal, — ele disse. Ela piscou para ele e observou enquanto ele coçava a
mandíbula. Ela arquivou esse comentário. — Você aprenderá, Srta.
Granger, uma vez que seremos... — ele respirou fundo. — ...família, que eu
não gosto de jogos. — Ele começou um passeio leve ao redor da mesa,
contornando a parte de trás da cadeira dela. Ela reconheceu isso como uma
técnica de intimidação. Ela permaneceu imóvel. — Eu sei que esse
relacionamento vem se desenvolvendo há anos.
A voz dele flutuou sobre seu ombro direito, e ela o ouviu completar sua
viagem ao redor de sua cadeira.
— Não sei do que você está falando...
— Eu já sei sobre as visitas de Draco à mãe de Narcissa, Srta. Granger. —
Ele disse como se isso significasse algo para ela. — Contornando o feitiço
de vinculação de herança. — Ele murmurou: — Desperdiçando seu futuro.
Tudo por você.
Ele apareceu à vista dela novamente e encostou-se à mesa, cruzando os
tornozelos tão casualmente. Ele a examinou. A mente de Hermione estava
correndo.
— Eu não... acho que você entendeu mal, Sr. Malfoy. — Ela limpou a
garganta e ele a deixou continuar. — Não sei nada sobre a mãe de Narcissa,
e se ele estava pedindo dinheiro, para contornar a herança, tenho certeza de
que era para o negócio que ele está tentando construir.
Seus olhos a imobilizaram, como os de seu filho, mas sem o brilho de algo
mais.
— Isso foi anos atrás, Srta. Granger. E não estou falando do negócio. Estou
falando do Leilão.
Suas veias se transformaram em gelo. E ela sentiu o sangue escorrer de seu
rosto.
— Que leilão? — ela tentou.
Os lábios de Lucius se abriram em um sorriso. Foi perturbador.
— Vou adicionar "Mentirosa Convincente" à lista de características
desejáveis para você trabalhar, Srta. Granger.
Seu coração ricocheteou em torno de sua caixa torácica. Ela lutou para
puxar o ar em seus pulmões enquanto o observava se afastar da mesa e
começar outro passeio arrogante de volta para sua cadeira. Hermione ainda
estava tentando reunir todas essas informações quando ele continuou.
— Druella não pode ser culpada por fofocar, é claro. Ela veio me ver logo
depois que Draco implorou pelo dinheiro, pedindo-me para mostrar a ele
alguma pena.
— Que dinheiro? — Ela respirou.
— Os 35.000 galeões, é claro.
Houve um suspiro, e Hermione levou um momento para perceber que tinha
vindo dela. Ela olhou para suas mãos. Elas estavam tremendo.
— Ah, — ele continuou. — Então, você conhece a história. — Ele sorriu
para ela. — Devo admitir que demorei algumas semanas para descobrir
para que servia o dinheiro. O comércio de escravos não era realmente
minha praia com os Comensais da Morte.
Isso não estava certo. Hermione cerrou os punhos para impedi-los de
tremer. Ele disse a ela que a venderia se tivesse a chance. Isso não era... Se
ele a comprasse, ela seria dele neste futuro distópico, sem lucro. Qual seria
o propósito disso?
" E confie em mim, Granger. Não eram suas habilidades domésticas que
eles procuravam."
Ela olhou para Lucius, e ele a estava observando de seu lado da mesa. Ela
se recompôs e tentou ver da perspectiva dele, visto que a perspectiva dela
estava lhe dando dor de cabeça.
— Então, deixe-me entender isso corretamente. — Ela fixou os olhos nele.
— Você pega seu filho tentando comprar uma garota como uma prostituta
comum, vê algumas fotos no Profeta de seus "olhos cheios de luxúria" e
decide que é hora de transformá-la em "material para esposa".
Ele sorriu e olhou para a mesa de metal.
— Que pena que você seja tão inteligente, Srta. Granger. Isso a impede de
ver a verdade. — Ele colocou as mãos sobre a mesa, inclinando-se para ela.
— Ele não ia comprar você. Ele ia salvar você.
Ela respirou.
Os olhos olhando para ela combinavam com os de Draco. Ela se concentrou
neles, se concentrou neles enquanto seu cérebro trabalhava. Não deu certo.
Lucius ficou de pé novamente.
— Aqui está minha proposta, Srta. Granger. — Sua voz deslizou sobre a
palavra "proposta", como se fosse uma piada particular entre os dois. —
Você começará a seguir Narcissa em seus compromissos sociais. Aprenda
com ela, com seus maneirismos, com suas expressões. Ela colocará você
em contato com Madame Michele, uma amante de Feitiços e Etiqueta que
ensina boas maneiras a todas as garotas de sangue puro. A maioria das
meninas começa aos oito anos, então você terá um longo caminho a
percorrer. Você vai pesquisar a história da família Malfoy, familiarizando-se
com a linhagem, os famosos ancestrais, a própria Mansão...
Hermione deixou a voz dele passar por ela. Ele continuou. Ele listou vários
outros professores de boas maneiras, professores de dança, especialistas em
decoração de interiores.... Ela o deixou falar. Ela o deixou falar para que ela
pudesse pensar.
Seu cérebro percorreu os últimos dez anos, tentando entender essa nova
informação caso ela decidisse aceitá-la. Para salvá-la. Era incongruente.
Não houve um único momento nos últimos dez anos de sua vida em que
Draco Malfoy a teria salvado. E ele deixou perfeitamente claro que a
Mansão Malfoy não era exceção a essa regra. Ela pensou que por não
identificá-los naquela noite, ele se importava, ou os queria vivos, mas ele
negou isso.
" Eu não dou a mínima para salvar o mundo, ou parar o Lorde das Trevas,
ou você e seus amigos idiotas!"
Seus olhos estavam vidrados sobre o tampo da mesa e nas mãos de Lucius
enquanto se moviam.
— ...quem vai te trazer para tomar chá com minha mãe. Você não
mencionará seu parentesco, a menos que seja mencionado...
Ela pensou para trás, antes da guerra começar. Para comprá-la, sim. Para
humilhá-la publicamente na frente dos garotos da Sonserina que ganharam
a guerra. Passear por ela como uma prostituta, se isso fosse o que lhe
convinha. Para desfilar com ela na frente dos membros restantes da Ordem,
provando que a Garota de Ouro era tão manchada quanto o resto.
Esses eram os pensamentos que a mantinham acordada desde o momento
em que ele lhe contou sobre o Leilão, seis semanas atrás. A escrava mais
valiosa não seria tratada apenas como uma escrava ou apenas como uma
concubina.
— ...nesse ponto você começará uma conta com Madame le Roux, que fará
as medições...
Ela pensou de volta. Era possível que Draco a quisesse? Agora havia
momentos em que ela podia ver algo em seus olhos, algo mais do que
provocador, mas naquela época? É possível que ele a tivesse comprado para
satisfazer uma curiosidade. Ouvir sua virtude sendo discutida entre os mais
velhos e cruéis Comensais da Morte, ou mesmo seus amigos, e decidir que
se ele a torturou e investiu nela ao longo dos anos – ele deveria ser o único
a colher os frutos.
Esses eram cenários possíveis.
Ela olhou para cima, e Lucius não tinha terminado. Ele andava como seu
filho. Calmo e no controle de seu corpo.
— ...com a cerimónia no jardim do Solar. Recepção a seguir no salão de
festas...
Ela pensou de volta. A mão dele no quadril dela no escritório de Umbridge,
então a empurrando para longe. Seus olhos cortando através dela no Baile
de Inverno, enquanto eles giravam um ao redor do outro. Sua voz
zombando dela, arrastando-se em seus ouvidos ao longo dos anos. As
lembranças que importavam para ela não importavam nem um pouco para
ele. Era inconsistente. Lucius estava blefando.
Draco não teria sacrificado sua herança, seu futuro, para salvá-la de se
tornar escrava de outro homem.
— ...Você então...
— Eu não vou.
Ele parou de andar. Ele olhou para ela. Ela cerrou o maxilar.
— Eu aprecio as medidas que você está tomando para garantir que sua
linhagem e seu nome sejam preservados, Sr. Malfoy, mesmo tendo uma
sangue-ruim como nora.
Ele ficou parado e inclinou a cabeça para ela.
— Mas Draco e eu não estamos noivos. Então, eu não vou cumprir suas
exigências.
Ele sorriu para o chão.
— "Draco", não é?
Ela engoliu em seco.
— Sim. Draco. Somos amigos agora. Mas ele nunca se apaixonou por mim
e não tem intenção de me propor casamento. Então, você pode abster-se de
se envergonhar ainda mais.
As bochechas dela ficaram vermelhas enquanto os olhos dele
empalideciam.
— Sua pobre garota tola.
— Não tenho intenção de me tornar uma "Senhora Malfoy", então não vou
precisar da sua lista. — Ela a colocou sobre a mesa e se levantou, virando-
se para a porta.
— Eu espero que você tenha memorizado, Srta. Granger. — Ela fechou os
olhos exasperada. — Pois a maior parte de sua herança ainda está ligada a
mim. Se eu souber que ele terá um relacionamento com alguém que não
atende às minhas exigências de uma mulher Malfoy, posso decidir manter o
resto do dinheiro preso até que uma parceira adequada seja encontrada.
Ela se virou para ele.
— Você arruinaria seu empreendimento comercial apenas para me irritar?
— Céus, não, senhorita Granger. — Sua voz gotejou. — Tudo o que faço,
faço pelo meu filho.
Ela olhou para ele do outro lado da sala, com a palma da mão na porta.
— Você não tem nada para se preocupar, Sr. Malfoy. Você pode manter seu
último item em sua lista.
Ela bateu na porta. O guarda abriu imediatamente e acenou para ela.
Sua voz flutuou para ela.
— Cuide disso, Srta. Granger.
O guarda o trancou e a acompanhou pelo corredor, trancando todos os
portões atrás deles. Seus pés bateram contra as pedras frias. Seus dedos se
fecharam em torno de sua varinha quando ela foi devolvida a ela. O mesmo
guarda de antes sorriu para ela e a acompanhou até a entrada. A lareira de
pedra surgiu diante dela e ele destrancou um armário contendo o pó de Flu.
Ela pensou em sua cama. Ela pensou em seu chuveiro. Pensou em se enfiar
debaixo das cobertas até que tudo passasse, apagando as luzes.
O guarda jogou o pó, ela entrou e ele declarou "Mansão Malfoy" para ela
antes que ela pudesse processar. O Flu a varreu e ela pousou na biblioteca
Malfoy, encarando o modelo de uma esposa Malfoy perfeita.
Ela sorriu quando Hermione chegou.
— Hermione, querida. — Ela se sentou em sua cadeira, lendo um livro e
bebendo seu chá.
Hermione olhou para a bela mulher loira, com a cabeça latejando.
Graciosa. Habilidosa em hospedagem.
— Como foi? — Narcissa colocou o chá na mesa de canto, no mesmo local
onde o anel de diamante estava antes.
O anel que estava sendo levado para um quebrador de maldições para que
Draco pudesse se casar com uma sangue-ruim. Ela entendeu agora.
Uma risada borbulhou de seu peito antes que ela pudesse impedir. Ela
respirou fundo e sentiu a cabeça girar, as lágrimas brotando de seus olhos.
Narcissa mudou em um segundo e ela se levantou.
— O que está errado? — E foi tão maternal. Era tão parecido com o que ela
queria que sua própria mãe dissesse para ela, que ela sabia o que tinha que
fazer.
Ela teria que se afastar de Narcissa Malfoy.
— Narcissa, — ela falou, e sua voz falhou. — Draco e eu... não temos um
relacionamento.
Narcissa ficou muito quieta, com as mãos cruzadas na frente dela.
Hermione admirou como ela não falava nada. Ela se perguntou onde isso se
encaixava na lista de Lucius.
— Claro que sim, querida. — Narcissa sorriu, os lábios fechados. — Vocês
são velhos colegas de escola, sobreviveram a uma guerra e agora estão se
tornando amigos.
— Sim, e isso é tudo, — disse Hermione, sentindo seu coração partir. —
Acredito que a levei a acreditar que há mais coisas acontecendo. E por isso
eu realmente sinto muito. — Ela sentiu sua voz falhar novamente.
Narcissa olhou para o tapete, desagradada.
— O que Lucius disse para você?
— Na verdade, ele apoiou bastante esse "noivado" que você inventou. Ele
encontrou uma maneira de negociar o que ele quer. — Hermione engoliu
em seco. — Mas não é o que Draco quer.
— Lucius lhe disse isso? — Narcissa disse, os lábios apertados.
— Ele não precisava, — disse Hermione. — Não estamos namorando,
Narcissa. E algo me diz que Draco não tem ideia sobre meu encontro com
Lucius, ou sobre o anel que você está levando para ser alterado.
Narcissa deu a ela um sorriso triste.
— É só uma questão de tempo, Hermione. Achei melhor estar preparada.
Seu pulso disparou, pensando que Narcissa sabia algo que ela não sabia.
Mas ela matou aquele sonho tão rápido quanto ele veio a ela. Narcissa e
Lucius construíram algo sobre uma montanha de areia. Então ela se
lembrou da herança de Draco, ligada a Lucius até que ele achasse
adequado. Não, ela precisava acabar com isso.
— Não há nada para o qual se preparar.
Narcissa congelou. Ela mordeu o interior da bochecha, estudando-a.
Hermione se sentia tão sozinha aqui, agora.
— Eu deveria ir embora, — ela disse. — Adeus, Narcissa. E obrigado por
tudo. — Seus pulmões estavam queimando quando ela se virou para as
portas da biblioteca. Ela estava perdendo o controle, os olhos embaçados.
Sua voz a chamou quando ela agarrou a maçaneta da porta.
— Você não deseja se casar com meu filho?
E Hermione riu. Ela estava prestes a ter uma pausa mental completa, ela
poderia dizer. Ela fechou os olhos e balançou a cabeça. Como as coisas
ficaram tão invertidas? Ela se virou para ver Narcissa observando-a,
calculando. E ela ouviu a voz de Lucius.
" Cuide disso, Srta. Granger."
Ela sabia que Narcissa não iria deixá-la em paz. Ela não podia deixar em
aberto, sua resposta ambígua.
— Não, eu não desejo.
Narcissa permaneceu imóvel. Temperamento frio e cabeça equilibrada.
Hermione acenou para ela em adeus e se virou para as portas quando as
primeiras lágrimas caíram.
Ela escancarou as portas, correndo para fora, e engasgou ao se ver
encarando o busto de Lucius Malfoy, esquecendo que ele estava lá. Ela se
virou rapidamente para a esquerda, pretendendo sair correndo da casa e
quase colidiu com Draco, a três passos de distância e com o cabelo molhado
do banho depois do Quadribol, tão surpreso em vê-la.
Ele olhou entre ela e as portas abertas da biblioteca. Ele deu um passo à
frente, observando as lágrimas em seu rosto e a maneira errática com que
ela sugava o ar.
— O que aconteceu?
Ela não aguentou mais. Essas três pessoas eram demais.
— Eu... Draco, eu sinto muito, muito por tudo. Eu... eu não quis dizer nada
daquilo. — Ela sentiu novas lágrimas picando-a, e vergonha quente
pensando em como Narcissa explicaria isso a Draco. Como as ações
estúpidas de Hermione e os sentimentos não censurados enganaram seus
pais e quase o forçaram a um noivado com ela. Ela se virou e correu,
disparando pelo corredor, passando voando pelas lareiras e saindo para o
pátio.
Draco a observou correr. Ele se virou para ver sua mãe, em sua biblioteca,
no armário de álcool.
— Bem, Draco, — ela sussurrou, girando um copo de gim. — Seu pai
conseguiu arruinar tudo. — Ela bebeu.
Capítulo 18.
Era o primeiro sábado após o reinício das aulas, e o cérebro de Hermione
precisava de uma pausa. As férias de Natal foram relaxantes o suficiente,
mas se acostumar com o Vira-Tempo novamente depois daquela pausa era
cansativo. Isso e os meninos não estavam falando com ela. De novo.
Entre Perebas e a Firebolt, nem Ron nem Harry se sentiram muito
inclinados a passar muito tempo com ela. Isso era bom. Contar à
professora McGonagall sobre a Firebolt foi a coisa certa a fazer.
Ela tinha dormido depois do café da manhã, e não encontrando ninguém
esperando por ela na sala comunal, ela se dirigiu para a biblioteca. Havia
um livro de ficção que ela lia pelo menos uma vez a cada seis meses para
relaxar ou estimular a mente cansada. Hoje seria um dia maravilhoso para
se perder nele.
Ela acenou para Madame Pince – que não acenou de volta – e se dirigiu
para as pilhas de ficção, procurando a segunda prateleira de baixo, lado
esquerdo, doze pilhas atrás. Ela examinou a segunda prateleira em busca
da lombada verde e dourada. Não estava lá. Ela olhou para ver se algum
idiota o havia substituído incorretamente, mas não foi encontrado em lugar
nenhum.
Ela se aproximou de Madame Pince e perguntou se o livro havia sido
retirado e, depois de ser silenciada, Pince disse a ela que não.
Hermione franziu a testa. Então, alguém estava lendo na biblioteca. Ela
olhou em volta. Era o tipo de livro que poucas pessoas achariam divertido.
Não tinha fotos. Hermione sorriu para si mesma. Ela havia sugerido aquele
livro em particular para várias pessoas sempre que tentavam pedir a
leitora ávida por uma recomendação de livro. Nem Parvati, nem Justin,
nem uma garota estranha chamada Luna acharam o livro interessante o
suficiente. Ela pegou Penelope Clearwater com o livro em uma noite de
quarta-feira na biblioteca e, depois de falar sobre isso, perguntando a
Penelope quem era seu personagem favorito, se ela ria daquela parte etc.,
Penelope a informou que na verdade "Eu não poderia responder. Eu
realmente não gostei dele" e devolveu-o naquele momento.
Talvez a pessoa que o pegou tenha ficado entediada com ele e o tenha
deixado fora da prateleira. Ela procurou nas mesas e se deparou com sua
mesa favorita, ocupada por Draco Malfoy, lendo um livro com lombada
verde e dourada.
Hermione suspirou. A vida não era justa.
Sua mesa favorita. Seu livro favorito. Seu garoto menos favorito.
Ela se sentou em uma mesa vizinha e olhou para ele, esperando que talvez
ele sentisse seu olhar odioso e fizesse a coisa honrosa. Ir embora.
Ela puxou um livro da estante para parecer ocupada e tirou o caderno e a
pena. Ela observou Malfoy virar uma página e erguer as sobrancelhas.
Maldito seja. Ele estava realmente interessado no livro. O livro dela. Ela
esticou o pescoço um pouco para descobrir em que capítulo ele estava.
Parecia que ele estava a um quarto do caminho, e Hermione imaginou que
ele chegaria à parte em que o príncipe é transfigurado em um cachorro. As
reações do resto dos personagens foram tão absurdas e a escrita tão
precisa que foram as duas páginas mais engraçadas que Hermione se
lembrava de ter lido em sua vida.
Ela olhou para Malfoy. Ele não acharia graça. Ele não merecia este livro.
A personagem principal era uma jovem que vivia no mundo trouxa e foi
puxada para um reino diferente. Como ele poderia se conectar?
Ela bufou. Ele iria colocá-lo para baixo em breve. Ele não iria rir como
ela, cobrindo a boca, rindo, borbulhando enquanto a situação piorava. Ele
não podia...
Ele sorriu. Ela observou o sorriso abrir seus lábios, mostrando os dentes.
Ele se conteve e apertou os lábios. Hermione franziu a testa. Talvez ele
estivesse rindo de como achava a escrita horrível, zombando do autor em
sua cabeça.
Um sopro de ar saiu de seus lábios fechados e ele pressionou os nós dos
dedos contra a boca. Ela podia apenas ver o canto de seus lábios, puxando
para cima. Ela nunca o tinha visto sorrir assim. Seus sorrisos eram sempre
cruéis, na verdade, maliciosos.
Seus olhos brilhavam de alegria, e Hermione leu o livro através dele. O
príncipe acabara de se transfigurar em um cachorro, e a Rainha riu,
comentando como ele estava muito mais bonito agora. Um dos trolls disse
que ele cheirava melhor também, e então o cachorro saiu correndo,
correndo pelo castelo, disparando pelo banquete, confundindo os
convidados, e então o bruxo disse a frase favorita de Hermione no livro...
Draco riu. Ele imediatamente olhou para cima, envergonhado, e se virou
para encontrá-la olhando para ele. Ela olhou para baixo antes que ele
pudesse rosnar para ela. Era muito mais agradável vê-lo sorrir e rir. Ela
não queria arruiná-lo.
Ela o ouviu se mexer um pouco, fechar o livro e espiou quando ele se
levantou e saiu da mesa, levando o livro com ele. Ela observou enquanto
ele conferia com Madame Pince e saía da biblioteca.
Ela ficou olhando para ele, imaginando o que faria agora.
Hermione saiu correndo da Mansão Malfoy como se alguém a estivesse
perseguindo. Ela voou pelos portões de ferro que ela reconheceu "daquela
noite", parando apenas para testar se ela estava pronta para aparatar.
Quando ela não podia, ela correu novamente em direção ao topo de uma
colina. Uma vez que ela tentou de lá, ela aparatou.
Ela reapareceu em sua sala de estar. Ela ofegou, sugando o ar e forçando-o
para fora. Ela largou a bolsa e guardou a varinha. Ela andou pela sala,
tentando recuperar o fôlego.
"Ele não ia comprar você. Ele ia salvar você."
Ela pressionou os olhos fechados. Ela sentiu o frio de Azkaban em sua pele,
os olhos de Lucius coçando em seus poros.
"É só uma questão de tempo, Hermione."
Os braços quentes de Narcissa e seu olhar amigável. Era tudo um jogo? Um
plano?
Ela correu para o banheiro e ligou o chuveiro. Ela se despiu, ainda ofegante,
e pulou antes que a água esquentasse.
Ela esfregou a pele sob a água fria, tremendo. A água escorria por seu rosto,
misturando-se com as lágrimas que começavam a escorrer de seus olhos.
"Então, diga-me, Granger. Estou curioso. Se os eventos tivessem ocorrido
de forma diferente na primavera passada, eu poderia estar 35.000 galeões
mais rico?"
Ela desligou a água e pegou seu roupão, enrolando-se nele. Ela foi para o
quarto e desabou na cama, o cabelo molhado umedecendo os travesseiros.
Um deles estava mentindo. Draco disse a ela que iria vendê-la. Lucius disse
que Draco planejava salvá-la. Draco sibilou para ela que ela valia 35.000
para ele, enquanto Lucius afirmou claramente que Draco foi até a mãe de
Narcissa solicitando 35.000 como plano B.
Ela piscou para o teto do quarto. Essa linha de pensamento era
desnecessária. O Leilão não ocorreu. Os 35.000 galeões eram hipotéticos,
independentemente de quem estava pagando. O que a incomodava agora era
Narcissa informando a Lucius que ela e Draco logo ficariam noivos.
As lágrimas voltaram aos olhos dela. Ela respirou fundo. Que embaraçoso.
Cada pessoa sabia que ela o amava, e cada pessoa os queria juntos. Ginny
sabia. Harry sabia. Lucius e Narcissa Malfoy sabiam. Eles tinham seu
próprio fã-clube, torcendo por eles, liderados por Rita Skeeter e Morty...
Morty!
Hermione sentou-se, ofegante. Ela consultou o relógio. 10h10. Ela xingou e
pulou da cama quando uma bicada em sua janela chamou sua atenção. Ela
abriu o vidro e uma pequena coruja voou para dentro. Hermione pegou o
bilhete e encontrou a caligrafia de Morty.
Senhorita Granger,
Espero que você esteja bem. Não se preocupe em vir hoje se o seu
compromisso a atrasou. Eu cuidarei da loja na sua ausência.
Por favor, deixe-me saber se você está saudável para que eu possa parar de
me preocupar. E não se preocupe.
morty
Hermione gritou, amassando o bilhete. Ela não conseguia se lembrar da
última vez em que ficara tão angustiada a ponto de perder o trabalho, uma
tarefa ou uma aula. Ela sobreviveu a uma guerra e ainda conseguiu manter
suas notas. Ela estava ofegante de novo, pressionando as palmas das mãos
contra os olhos.
Hermione não conseguia respirar. Ela era a pessoa mais inteligente que ela
conhecia. A Bruxa Mais Brilhante da Nossa Era. E ela sempre estaria dois
passos atrás dos Malfoys.
Ela respirou fundo, afastando as mãos dos olhos vermelhos. Ela focou seu
olhar em sua parede, curando sua mente, liberando sua respiração.
Ela era a porra da Hermione Granger. E ela obteria respostas.
Ela acendeu sem varinha todas as luzes de seu quarto. Ela pegou uma pena
e escreveu de volta para Morty, dizendo que sentia muito, mas a reunião
não foi nada boa e ela não estaria lá nem hoje nem amanhã. Ela estava
perfeitamente saudável, mas precisava de um ou dois dias. Ela prendeu o
bilhete ao pássaro e, quando ele olhou para ela, implorando por uma
guloseima, ela o encarou. O pássaro decolou.
Ela convocou sua varinha de sua pilha de roupas no banheiro. Elas voaram
para ela e ela acenou para a parede em frente a sua cama, removendo fotos
e espelhos. Ela apontou para o baú ao lado de sua cama, e flutuou todos os
recortes de jornal que Ginny havia cortado para ela, e aqueles que ela
mesma havia guardado secretamente.
Começando pela esquerda, no ponto ao lado de sua porta, Hermione colou o
artigo anunciando a data do julgamento de Draco que havia saído enquanto
ela estava em Hogwarts para seu 8º ano. Então o artigo de Skeeter "
DRACO
MALFOY: UM HOMEM LIBERTO", ela carimbou bem à direita. Ela
continuou até ter uma linha do tempo.
Enquanto seus olhos percorriam os artigos e fotos, o rosto de Lucius a
encarou do artigo impresso em seu aniversário. Draco visitou Lucius em
Azkaban em 18 de setembro e saiu chateado, de acordo com a foto. Ele
perguntou a Lucius sobre liberar a herança, e Lucius forneceu "uma
pequena quantia" de acordo com Draco. O restante seria lançado em 1º de
janeiro, "dependendo de algumas coisas".
Hermione se perguntou que tipo de ultimato Lucius havia dado a ele
naquele dia, e se era algo parecido com os ultimatos que ela havia recebido
naquela manhã.
Ela roeu a unha do polegar enquanto lia o resto do artigo – um hábito do
qual se livrou anos atrás. Draco tinha saído com uma garota francesa
naquela noite. Algo provocou em sua memória.
"Sair com aquela meio-sangue búlgara toda vez que vocês dois são
retratados juntos no jornal."
Que suposição, Lucius. Ela examinou todas as fotos de Katya Viktor,
encontrando " DRACO MALFOY ENCONTRA O AMOR". O primeiro
encontro deles foi pouco antes de ele começar a trabalhar no Ministério,
antes que ela e Draco fossem fotografados juntos.
Ela encontrou o segundo encontro com Katya. O artigo foi publicado no dia
do julgamento de Antonin Dolohov. O dia em que Draco contou a ela sobre
o Leilão. Ele havia levado Katya para almoçar no dia anterior, apenas
alguns dias depois que Draco visitou seu pai em Azkaban. Seus olhos
escanearam e encontraram a primeira vez que Draco a beijou nos jornais.
Foi uma semana depois que Narcissa, Draco e ela se sentaram no
Fortescue's. O encontro mais recente foi ontem à noite. Ela correu os olhos
para trás ao longo da linha do tempo e encontrou o último artigo publicado
sobre Draco apresentando a briga com Ron, e sua conversa acalorada na
frente das cabines.
Ela arquivou isso. Não era bem um padrão, mas Lucius ainda parecia
pensar que isso significava alguma coisa. Ele não disse nada naquela
reunião de hoje que não fosse para ser ouvido, para ser analisado.
Ela olhou para o artigo sobre a briga da semana passada. Ela tinha
perguntas. Ela pegou uma pena e escreveu notas diretamente na parede,
desenhando setas, circulando palavras. Seus olhos pousaram nas fotos do
Fortescue's. Ele disse a ela para não voltar para casa.
Amanhã, ela começaria por aí.
Várias horas depois, houve um estalo e um ruído vindo da sala de estar.
Harry. Ela mandou uma coruja para ele cerca de vinte minutos atrás,
pedindo-lhe para aparecer depois do jantar.
— Hermione?
— Estou aqui!
Harry entrou em seu quarto cautelosamente, e pelo jeito que ele olhou para
ela, ela percebeu que estava um desastre.
Sentou-se no chão em frente à cama, com uma caixa de comida chinesa que
havia pedido no colo, os pauzinhos ainda estalando entre os dedos. Ela
ainda estava de roupão e seu cabelo havia secado naturalmente, o que
significava que estava uma tragédia. Seus olhos a observaram e depois se
fixaram na parede.
A Muralha Malfoy, ela a chamou.
Seus olhos estavam arregalados, mas cautelosos quando voltaram para ela.
— O que aconteceu?
— Não muito, mas tudo de uma vez, — ela respondeu.
— Você foi trabalhar?
— Tirei o dia de folga para resolver algumas coisas. — Ela manteve os
olhos na parede, não querendo ver o rosto dele agora.
— Que coisas?
— Estou tentando identificar um mentiroso. E preciso que você preencha
algumas lacunas para mim. — Ela estalou seus pauzinhos juntos.
— ...Tudo bem...
— O que você lembra daquela noite na Mansão Malfoy?
Ele estava quieto, e ela olhou para ele. Suas sobrancelhas saltaram e ele se
virou para olhar para a Muralha Malfoy. Ela a expandiu um pouco,
adicionando notas e perguntas aos artigos impressos, mas também
continuando a linha do tempo ao contrário, trabalhando de trás para frente a
partir do primeiro artigo e escrevendo na parte de trás da porta. Harry
estava vendo isso agora, ela percebeu.
— Eu... quero dizer, eu acho que me lembro bastante. O que é que você não
lembra?
Ela pulou, levando seus pauzinhos com ela.
— Você se lembra de alguém mencionando algo sobre um leilão? Ou uma
troca monetária por prisioneiros? — Ela se virou para ele. — Qualquer
coisa que Rabicho ou Greyback possam ter mencionado?
— Um Leilão? Não, nada disso. Os Sequestradores estavam querendo nos
entregar por dinheiro, eu acho, mas... — Ele a encarou novamente. — Você
se importa se eu verificar sua temperatura?
— Sim, eu me importo. — Ela caminhou até a parede e, com seus
pauzinhos, esfaqueou a foto de Rony e Draco lutando. — Você sabe por que
essa luta começou?
Ele se aproximou dela, um sorriso tímido no rosto.
— ...Porque foi a brilhante ideia de deixar Ron e Malfoy jogarem Quadribol
juntos? Posso pegar um pouco de água?
— Ron disse que Draco o irritou. Que se eu tivesse ouvido o que Draco
disse, eu teria socado ele também. Você ouviu?
Harry respirou fundo e desviou o olhar, o que significava que ele estava
prestes a mentir.
— Er... não realmente, não.
— Harry Potter, parece que estou brincando hoje?
Harry a olhou. Roupão cor-de-rosa, uma meia, cabelo levantado, olheiras, e
ainda estalando um par de pauzinhos para ele.
Ele suspirou e desviou o olhar dela.
— Bem, eu acho que Ron acusou Draco de se exibir para você, ou tentar
marcar pontos apenas para humilhar Ron. Então, Ron disse a ele para ficar
longe de você, e... eles começaram a brigar. — Harry olhou para a foto,
observando enquanto a imagem dele mesmo entrava em cena para tirar
Draco de cima de Ron.
— E você não se lembra do que Draco disse a ele? — ela disse.
Harry fez uma pausa.
— Não.
— Você prefere me dar sua lembrança do evento? Eu tenho uma penseira
aqui.
Harry revirou os olhos.
— É um pouco grosseiro, só isso.
— Harry, eu prometo a você, isso não vai nem entrar na lista das dez coisas
mais chocantes que ouvi hoje.
Harry coçou a mandíbula e se aproximou das fotos da luta.
— Bem, Ron disse a ele para ficar longe de você. Ele disse algo, como,
"você deveria encontrar uma nova livraria para frequentar" e "fique longe
de Hermione". — Harry continuou, — E então Draco disse, "Por quê? Você
já fica longe dela o suficiente por nós dois."
Ela observou os lábios de Draco se moverem na foto, parados e calmos.
Como o pai dele.
Harry disse: — E então Ron o empurrou, eu acho... sim, bem ali. — Ele
apontou para a foto enquanto Ron empurrava Draco. — E Draco disse... —
Harry parou, e a imagem continuou. Os lábios de Draco se moveram e
então Ron o socou no rosto.
— Harry?
Harry olhou para baixo.
— Bem, eu o ouvi dizer, algo como, "A Irlanda fica muito longe. Eu só
estava mantendo-a aquecida para você."
Harry ajeitou os sapatos, corando. Hermione observou enquanto Draco se
recuperava do soco e rosnava enquanto derrubava Rony no chão, atacando-
o.
Hermione riu. Harry olhou para ela enquanto ela ria.
— Oh, Merlin. Rapazes... — Ela balançou a cabeça e pressionou o polegar
contra a têmpora. Harry ficou em silêncio enquanto ela observava toda a
cena acontecer novamente, agora conhecendo o diálogo.
Para comprá-la.
Ela mordeu a unha. Observando como Draco tratava sua sexualidade, e
coincidentemente sua virgindade, como uma mercadoria. Poderia ter sido
para comprá-la.
Harry entrou em cena, puxando Draco de cima de Ron, e Ron o socou.
Hermione estremeceu. Ou essa briga de Quadribol poderia não ter sentido.
Apenas Ron Weasley e Draco Malfoy encontrando outro motivo para bater
um no rosto do outro.
— Hermione, — Harry disse, e ela olhou para ele. — Vou ficar e responder
mais perguntas, mas vou pegar um chá para você, certo?
— Tudo bem, — disse ela, acenando para ele ir embora.
Ela o ouviu sair do quarto e começar a vasculhar a cozinha em busca da
chaleira. Ela pegou sua pena e escreveu na parede, " a Irlanda fica muito
longe. Eu estava apenas mantendo-a aquecida para você."
Ela deu um passo para trás e olhou para a Muralha novamente. Ela pensou
em fazer um gráfico de vender, comprar, economizar e marcar pequenos
pontos abaixo de cada um deles, sempre que um evento ou memória
confirmasse um. Ela procurou espaço na parede e descobriu que tinha
acabado. Ela deu mais um passo para trás, observando seu quarto. Isso era
loucura.
Ela sentiu uma dor de cabeça chegando e lágrimas picaram seus olhos.
Quão ridículo era isso? E ela deixou Harry ver sua mania?
Ela ouviu um estalo e um ruído vindo da sala da frente. Harry tinha ido
embora? Ele a havia abandonado?
Vozes da sala da frente e depois passos. Ginny abriu a porta lentamente,
pijama, chinelos e máscara de dormir em volta da testa. Ela olhou ao redor
do quarto e Hermione corou.
— Que porra é essa?
— Eu... eu não sei. Acho que estou perdida. — Hermione começou a sugar
o ar, prestes a explodir.
Harry enfiou a cabeça pela porta.
— Eu não sabia o que fazer. Parece que ela está assim o dia todo, — ele
sussurrou para Ginny.
— Entendi, Potter, — Ginny disse, pegando o chá de suas mãos.
— Você deveria estar em Istambul. Você tem um jogo amanhã de manhã.
— Hermione tentou afastar o cabelo do rosto e do pescoço, controlando-o
de alguma forma.
Ginny a ignorou e voltou sua atenção para a Muralha. Hermione sentiu o
calor subir pelo pescoço enquanto Ginny examinava sua loucura e Harry
permanecia como um guarda na porta. Ginny se virou para ela.
— O que ele fez?
Hermione balançou a cabeça.
— Não foi Draco. Foi Lucius. — Ela ouviu Harry se mexer na porta. As
sobrancelhas de Ginny se ergueram. — Mas não foi apenas Lucius. Foram
todos os três. — Hermione suspirou e sentou-se ao pé da cama, de frente
para a Muralha.
— Como Lucius está envolvido? — Ginny perguntou, depois de ter certeza
que Hermione não iria elaborar.
— Eu fui vê-lo em Azkaban hoje. — Hermione fechou os olhos quando
houve silêncio no quarto, não querendo ver as reações de seus amigos à sua
credulidade. — Narcissa armou tudo. Ela disse que ele só queria me
agradecer por falar no julgamento de Draco, mas ao invés disso ele estava
redigindo o contrato de casamento.
Ela olhou para cima e Ginny estava olhando para ela com olhos grandes e
gananciosos. As sobrancelhas de Harry estavam unidas.
— Bem, — disse Harry, — Isso aumentou rapidamente.
Ela contou a eles sobre a lista, sobre Narcissa e o anel. Ela contou a eles
sobre a insistência de Lucius de que havia um relacionamento romântico
entre Draco e ela. E quando ela chegou ao Leilão, ela gaguejou e olhou para
Harry. Ginny o mandou para fora do quarto, para sua confusão.
— E então, você decidiu fazer uma parede de serial killer? — Ginny
questionou depois que Hermione lhe contou o resto. Ginny sentou ao lado
dela na cama.
— Eu só... estou tão cansada de ser confusa e não entender. Estou tentando
entender.
Ginny assentiu, olhando por cima da Muralha. Ela se virou para ela.
— Você se lembra do que estava na "lista" dele? — Ela sorriu.
Hermione olhou para a Muralha. Ela evitou propositadamente escrever a
lista na Muralha, pois não tinha intenção de cumpri-la. Mas, é claro, isso
significava que ela tinha isso passando por sua cabeça por várias horas
agora.
— Graciosa, boas maneiras à mesa, boa em recepcionar, espirituosa,
charmosa, líder social, bonita, elegante, equilibrada, com conhecimento
financeiro, obediente, treinada em decoração, dançarina experiente,
inteligente, de temperamento frio... e de sangue puro.
Ginny riu.
— Vamos lá, Granger. O que há de difícil nisso? Vários deles vêm até você
naturalmente, como "obediente" e "temperamento frio".
Hermione sorriu. — Estou feliz que você esteja aqui, Gin, mas gostaria que
você não tivesse vindo. Já é tarde na Turquia agora.
Ginny acenou e disse: — Bem, do jeito que eu vejo, Granger, você tem duas
escolhas. — Ginny se levantou e apontou para a Muralha. — Você pode
derrubar essa coisa, dormir um pouco, e amanhã, escolher seguir em frente
sem os Malfoys. Optar por ignorar Draco Malfoy e tratá-lo como um colega
de trabalho na melhor das hipóteses. Não seu ex-noivo.
Hermione fez uma careta e Ginny continuou.
— Ou deixar pra lá, dormir no meu quarto para você descansar, e quando eu
voltar na segunda-feira vamos começar a resolver isso juntas, enquanto
você ignora Draco Malfoy e o trata como um colega de trabalho e não seu
ex-noivo.
Hermione revirou os olhos. E Ginny disse: — Eu preferiria que você
escolhesse a opção um, mas acho que é a opção dois. Mas, de qualquer
forma, você não deve começar a investigar nada disso sozinha. Está me
ouvindo, Granger?
Hermione assentiu.
Doze horas depois, Hermione estava na calçada em frente à casa de sua
infância, sozinha.
Ela podia sentir a magia zumbindo a apenas dois passos de distância do
jardim da frente, e sabia que Malfoy não estava brincando com ela. Algo
aconteceu aqui.
Ela olhou para cima e para baixo na rua, agora lamentando ter vindo
durante o dia. Ela sabia que nenhum de seus vizinhos a reconheceria mais,
por isso ela também não havia apagado suas memórias. Ela tinha ido
embora por tanto tempo.
Ela entrou no caminho e sentiu um zumbido através dela. Alguém havia
lançado um Feitiço Repelente de Trouxas na casa. E não tinha sido ela. Isso
explicaria por que a casa não havia sido vendida ou tocada.
Movendo-se para a porta da frente, ela protegeu sua varinha e murmurou,
"Specialis Revelio." Nada. Não havia feitiços ou encantamentos esperando
por ela lá dentro. Ela respirou fundo e abriu a porta.
Estava exatamente como ela esperava. A mesinha ao lado da porta onde sua
mãe deixava as chaves e seu pai esquecia que o guarda-chuva havia sumido.
Havia um leve contorno na parede onde ficava pendurada a foto dos três em
Londres.
Ela fechou a porta atrás de si e tentou, "Homenum Revelio". Nada. Ela
fechou os olhos. Não havia zumbido de magia.
Hermione deu um passo à frente, enfiando a cabeça pela entrada da sala da
frente. Todos os móveis removidos e o contorno dos quadros na parede. Ela
continuou até a cozinha e a encontrou vazia, várias gavetas abertas e o
pingar constante da torneira que seu pai nunca conseguia fechar. Ela pegou
o caminho da cozinha para a sala de estar e, virando a esquina, foi quando o
encontrou.
Espalhadas na parede acima da lareira, onde costumavam ficar as fotos e os
cartões comemorativos, onde sua mãe e ela penduravam guirlandas no
Natal, havia letras vermelhas brilhantes, pingando.
sangue-ruim,
Você pode correr, mas eles não podem se esconder.
Ela estremeceu. Ela se virou rapidamente, certificando-se de que não havia
ninguém à espreita atrás dela. E seus olhos pousaram nas palavras,
claramente escritas em sangue, o "s" em "eles" escorreu além do rabisco e
tinha acabado de alcançar os tijolos da lareira antes de secar.
Ela acabou de receber uma carta de Monica Wilkins na semana passada.
Dizia que os dois estavam bem e apenas se recuperando de um resfriado.
Eles iriam mergulhar na próxima semana para o aniversário deles. Ela sabia
em seu cérebro que sua mãe e seu pai haviam sobrevivido, mas seu coração
precisava de segurança.
Ela precisava saber de quem era o sangue que escorria por suas paredes.
Ela ergueu a varinha e disse: "Dominus Sanguinem". As letras tremeram e
se desprenderam da parede. Elas giraram uma ao redor da outra em um
pequeno tornado vermelho, indo em direção à varinha dela. Elas giraram
enquanto formavam uma silhueta vermelha, moldando-se em três
dimensões.
Era um homem, e o coração de Hermione deu um pulo enquanto ela
esperava que a mandíbula fina de seu pai aparecesse ou suas sobrancelhas
finas.
As feições se transformaram em um rosto pontiagudo, com uma mandíbula
firme e olhos que ela sabia que eram cinzas, e ela observou enquanto o
sangue de Draco Malfoy girava em um rosto dele mesmo.
Ele esteve aqui. E ele espirrou sangue nas paredes da sala dela.
Capítulo 19.
Ele estava com o livro na mesa de jantar da Sonserina. Em torno de
comida. Que desprezível.
Ele estava com o livro há quase uma semana, e Hermione riu de como sua
compreensão devia ser lenta se ele ainda estava tentando terminá-lo. Ela o
encontrou lendo durante a História da Magia na segunda-feira, na
biblioteca novamente na terça-feira e agora na quarta-feira no café da
manhã.
Ela espetou os ovos com o garfo e olhou. E se ele derramasse suco de
abóbora nele! Ela absolutamente o delataria então.
Ela observou quando ele virou uma página e percebeu que não estava no
final. Ele estava no começo. Ele estava relendo? Eca!
Por que alguém iria...?
Ela interrompeu esse pensamento, pois tinha certeza de ter lido o mesmo
livro duas vezes em uma semana, dois anos atrás.
— Hermione, você sabe onde Harry está?
Ela olhou para cima e Seamus estava chamando por ela, alguns assentos
atrás.
— Não, não estamos conversando.
— Ah... tudo bem.
Ela voltou sua atenção para Malfoy e seu livro. Ela poderia realmente usar
esse livro esta semana. Já fazia várias semanas que Harry e Ron haviam
parado de falar com ela. Lavender e Parvati começaram a falar sobre
meninos nos dormitórios à noite, então ela tinha que silenciar as cortinas
para evitá-las ou passar mais tempo fora. O livro teria sido a distração
perfeita esta semana. Ela tinha ido visitar Hagrid várias vezes, mas havia
um limite para o bolo de pedra que alguém poderia fingir comer.
Ele virou outra página e deve ter sido uma parte divertida, porque Malfoy
levava os dedos à boca sempre que tentava não sorrir. Ela notou isso
ontem. Ela observou enquanto Pansy Parkinson chegava mais perto de
Malfoy. Se ela ousar colocar a mão suja em seu livro...
Pansy se inclinou sobre ele, tentando ver o que ele estava lendo. Ele a
empurrou. Hermione sorriu quando Pansy fez beicinho. Malfoy se levantou
da mesa, revirando os olhos para ela e arrumou suas coisas para sair...
levando o livro.
Hermione fez uma careta. Ela se levantou da mesa da Grifinória e o seguiu.
Ela saiu do Salão Principal e virou à esquerda, encontrando o corredor
vazio.
— Por que você está me observando, Granger?
Ela se virou e encontrou Draco Malfoy, um braço segurando seu livro e
outro apontando a varinha para ela.
— Você terminou esse livro?
Ele piscou para ela. Ele olhou para o livro verde e dourado que estava
segurando.
— O que?
— Você realmente não deveria ler livros que nem são seus na mesa de
jantar. Se você derramasse a menor gota de café nas páginas, Madame
Pince o mataria. Confie em mim, — ela resmungou.
— Bem, ainda bem que eu não bebo café. — Ele olhou para ela e se virou
para ir embora.
— Você terminou isso ou não?
— O que há com você, sangue-ruim? — Ele gritou por cima do ombro e
continuou a se afastar.
— Você só pode retirar um livro por no máximo duas semanas!
— Então você pode obtê-lo em duas semanas! — Ele gritou para ela,
virando-se. — A menos que eu o pegue novamente! — Ele sorriu para ela e
ela bufou, virando-se para retornar ao Salão Principal.
Merlin, ela o odiava!
"DRACO MALFOY: EMPREENDEDOR"
por Rita Skeeter
Você sabe o nome. Você conhece o rosto. Você conhece o cabelo! O que
você não sabe sobre Draco Malfoy é o que ele planeja fazer a seguir.
Mas eu sim!
Draco Malfoy, filho do Comensal da Morte Lucius Malfoy e da socialite
Narcissa Malfoy, foi perdoado pelo Wizengamot há apenas oito semanas e
tem trabalhado para o Ministério em liberdade condicional desde então.
Mas uma vez Sonserino, sempre Sonserino, e seu espírito ambicioso não
poderia ser satisfeito no Ministério.
"Eu tinha o sonho de ter meu próprio negócio. Não é algo novo, é algo que
me manteve são em Azkaban e está me motivando a continuar."
Draco Malfoy sentou-se com você para uma entrevista exclusiva sobre este
novo empreendimento comercial e o que isso significa para ele. Continua
na página 7!
Hermione deu um suspiro de alívio quando abriu o jornal na manhã de
segunda-feira. Ela ficou tensa durante todo o domingo – mesmo antes de
visitar a casa de sua infância – pensando que alguém a havia fotografado
saindo de Azkaban no dia anterior. Quando nenhuma foto ou história foi
encontrada no jornal de domingo, ela sabia que havia apenas mais um dia
que ela precisava ficar fora do radar para que Draco pudesse anunciar.
Abrindo o jornal e encontrando o rosto de Draco sorrindo para ela com o
título de Skeeter, ela sabia que estava limpa.
Skeeter continuou na página sete, detalhando a empresa de consultoria e
listando os serviços que o grupo de consultoria Malfoy ofereceria. Draco foi
muito sincero com ela, falando sobre como era importante para ele separar-
se da reputação de seu pai. Ela também se surpreendeu na entrevista com a
notícia de que ele havia sido escolhido para a capa da edição de dezembro
da Witch Weekly, ganhando o prêmio de Sorriso Mais Charmoso. Skeeter
descreveu sua graciosa aceitação.
Bom. Bom para ele. Era assim que deveria ser. Ela poderia não entender por
que ele estava em sua casa, por que o sangue dele estava em suas paredes,
mas ela sabia que praticamente fez um acordo com Lucius Malfoy para não
atrapalhar o andamento dos negócios de Draco. Um artigo no jornal sobre o
futuro e potencial ilimitado de Draco que não mencionou o nome dela uma
vez era uma boa notícia.
Ela suspirou. Ginny estaria em casa esta noite e ela teria que dizer a ela que
ela foi para sua casa ontem, sozinha.
A imagem das letras vermelhas passou por sua mente, e Hermione balançou
a cabeça para clareá-la. Em algum momento durante a guerra, o sangue de
Draco Malfoy foi colocado nas paredes de sua sala. Seu sangue puro. Ela
franziu a testa. Ela não podia imaginá-lo derramando seu amado sangue por
qualquer motivo. Mas o fraseado soava como ele. Como Draco Malfoy em
Hogwarts.
Ela jogou o papel na lata de lixo e saiu para o trabalho abominavelmente
cedo. Tirar dois dias de folga de Cornerstone realmente atrapalhou sua
agenda, e ela estava ansiosa pela consistência do trabalho.
Ela abriu caminho pelo já movimentado átrio, pegou os elevadores até o
quarto andar e caminhou alegremente por um escritório vazio das criaturas
mágicas. Assim que ela chegou à sua mesa, ela encontrou um lembrete dela
mesma. Ela tinha uma audiência do Wizengamot hoje. Oh maravilhoso.
Johnathan Jugson estava apelando de sua sentença de prisão perpétua hoje,
alegando que havia sido colocado sob a maldição Imperius, forçando-o a
participar da Batalha do Departamento de Mistérios.
Boa tentativa, Jugson. Hermione sorriu.
Quando ela ouviu os sapatos de Mathilda estalando em direção ao seu
escritório dez minutos depois, Hermione respirou fundo e a encontrou lá.
— Mathilda, — ela disse da porta.
— Granger! Bom dia! — A blusa de Mathilda estava abotoada, e seu cabelo
estava espetado em ângulos estranhos. Hermione quase pensaria que ela
acabou de sair de um encontro se ela já não soubesse que esse era o visual
diário de Mathilda. Mathilda largou os arquivos em seus braços sobre a
mesa. — Você chegou cedo.
— Sim, eu queria lembrá-la de que tenho uma audiência do Wizengamot às
dez.
— Isso é bom. Isso é bom. — Mathilda tirou o casaco e o jogou na cadeira
do canto, errando.
— E eu adoraria uma palavra, uma vez que você esteja acomodada.
— Sim Sim. — Mathilda sentou-se em sua cadeira. — Estou acomodada!
Algo errado?
— Não, de jeito nenhum, — disse Hermione, sentando-se na cadeira em
frente a ela. — Ouvi dizer que Rosenberg está se aposentando.
— Sim! Tão emocionante para Rochelle! Ela tem sete netos, sabia? —
Mathilda pegou uma pena e derrubou o pote de tinta.
— Eu não sabia, na verdade. — Ela observou enquanto a mulher à sua
frente fazia desaparecer a tinta derramada e mergulhava a pena, escrevendo
HG 11-8-99 no topo de um pergaminho. — Eu queria que você soubesse
que pretendo me inscrever.
Mathilda olhou para ela.
— Realmente?
— Sim, — ela disse. — Você sabe que sou muito apaixonada pelos direitos
dos elfos domésticos e espero que você me considere assim que o trabalho
for publicado.
Mathilda mordeu o lábio e recostou-se na cadeira.
— Seria um movimento lateral para você.
— Sim, mas um movimento na direção certa, ainda.
Mathilda assentiu e sentou-se para a frente, fazendo anotações em seu
pergaminho. Hermione se perguntou se isso era tudo.
— Rochelle está nessa mesa há quarenta anos. Você sabia disso? —
Mathilda cruzou um "t" e olhou para ela novamente.
— Eu não sabia.
— Ela é muito parecida com você. Apaixonada pelos elfos domésticos. Ela
recusou todas as ofertas para uma posição de alto escalão ao longo desses
quarenta anos, porque não conseguia se desvencilhar delas. Ela ficou muito
confortável. — Mathilda juntou as mãos à sua frente. — Eu odiaria que
você ficasse confortável, Hermione.
Hermione piscou para ela.
— Eu... eu entendo. Pretendo continuar subindo à medida que as posições
forem abertas.
— Mas apenas na Relocação de Elfos Domésticos?
— Eu... Bem, — Hermione engoliu em seco. — Acho que meu objetivo de
curto prazo sempre foi a realocação, sim. Mas...
— Qual é o seu objetivo a longo prazo, Hermione?
Hermione abriu a boca. E fechou. Mathilda continuou.
— Você sabia que Millicent Bagnold trabalhou em cinco dos sete
departamentos do Ministério antes de ser eleita ministra? Scrimgeour
começou no Transporte e depois subiu no DMLE antes de chefiar o
escritório dos Aurores. Leonard Spencer-Moon trabalhou como ajudante de
chá em Acidentes e Catástrofes Mágicas antes de passar para o Escritório
de Ligação Trouxa e depois para o DMLE por Uso Indevido de Artefatos
Trouxas.
Mathilda sorriu para ela. Estes eram todos ministros. Ministros.
— É sensato, Srta. Granger, — Mathilda sussurrou, — considerar outros
departamentos enquanto você sobe. Isso só vai te ajudar no final.
No final. Qual era o fim de Hermione Granger?
— Isso é definitivamente algo para se pensar sobre, Mathilda. Obrigado.
— Eu queria que você soubesse, — Mathilda se levantou e começou a abrir
prateleiras, puxando arquivos, — que Robards está bastante impressionado
com você.
— Gawain Robards?
— Sim, — disse ela, deixando cair mais arquivos em sua mesa. — Draco
Malfoy vai embora em dezembro... excelente artigo no jornal hoje, por
sinal. Você teve a chance de lê-lo?
— Er, sim...
— Bem, Robards está procurando fazer da posição de Malfoy uma posição
de analista sênior em tempo integral. — Ela sorriu para ela. — Ele espera
que você se candidate.
Analista sênior? Isso não era subir a escada. Isso era cortar os primeiros
degraus.
— Bem, é definitivamente algo para se pensar, — disse Hermione, com a
cabeça girando.
Ela agradeceu a Mathilda por seu tempo e voltou para sua mesa, pensando
no cargo. Ela trabalharia com Harry com mais frequência. E Katie Bell.
Mas não teria nada a ver com elfos domésticos ou criaturas mágicas. Ela
acabara de obter seu primeiro sucesso na posição atual com o projeto
Quimera.
Ela ainda estava carrancuda, pesando os prós e os contras até dez minutos
para as dez, quando chamou o elevador para descer para os tribunais.
O elevador chegou, os portões se abriram e Draco Malfoy estava encostado
na parede. Seu sangue gelou. Ela tinha esquecido tudo sobre ele por três
horas. Quão adorável foi isso.
Os olhos dele mostravam a mesma surpresa e suspeita da última vez que ela
o vira – na Mansão Malfoy, enquanto ela corria. Ela cerrou os dentes e
juntou-se a ele no elevador. Quando os portões se fecharam, ela podia senti-
lo observando-a.
O que ele sabia sobre o encontro dela com Lucius? Ele sabia do plano de
Narcissa? Ou ele estava completamente alheio? O que Narcissa disse a ele
depois que ela fugiu? Ela disse a ele que Hermione o rejeitou? E isso
importava?
Não seu ex-noivo. Seu colega de trabalho.
— Bom dia, — disse ela. Estava atrasada. Houve muito silêncio antes que
ela o cumprimentasse.
O elevador desacelerou para parar no nível 5. Ela não sabia se xingava, já
que a viagem levaria uma eternidade se parasse em cada andar, ou suspirava
se isso significasse que haveria outros se juntando a eles.
Quando os portões se abriram e revelaram Aiden O'Connor mordendo uma
maçã, Hermione decidiu que era seu dia de sorte.
— Ei! — Aiden murmurou em torno de sua maçã. — Malfoy, ótimo artigo
hoje. Isso é emocionante, não é?
— Obrigado, sim. — Sua voz estava tensa. Aiden continuou falando, sua
característica mais forte.
Quando o elevador diminuiu novamente para o átrio, e Aiden ainda estava
falando, Hermione quase sorriu. Quase acabando.
Aiden saiu e olhou por cima do ombro.
— Vão sair nesse?
— Não, estou indo para o Wizengamot, — Draco disse. Merda merda
merda.
— Er, o mesmo. — Ela disse.
Aiden acenou e mordeu sua maçã novamente enquanto os portões se
fechavam e eles desciam.
Ela ouviu Draco tomar fôlego para falar, e ela o cortou.
— Foi um excelente artigo, realmente, — disse ela. — Skeeter fez um
trabalho maravilhoso apresentando o grupo de consultoria Malfoy ao
Mundo Mágico.
Ela não olhou para ele.
— Obrigado.
— E parabéns pelo Witch Weekly. — Ela riu.
O elevador chegou ao nível 10. Ele segurou o portão aberto para ela. Ela
manteve o olhar fixo à frente, na porta de carvalho no final do corredor.
Seus sapatos ecoavam contra as pedras, e ela se perguntou se ele estava
adiantado ou atrasado para seu encontro com o Wizengamot. Porque ela
estava cinco minutos adiantada.
Por favor, não deixe que eles fiquem aqui por cinco minutos, esperando que
o nome dela seja chamado.
Ele a estava observando novamente. Eles pararam cerca de três metros do
corredor, mais ou menos no mesmo lugar em que estiveram da última vez
que compartilharam o corredor.
Da última vez, ela se arrependeu de ficar de frente para ele, forçada a
encará-lo e olhar para ele ou olhar para o chão. Ele parou e encostou-se na
parede à direita. Ela decidiu se juntar a ele em sua parede desta vez, alguns
metros atrás.
Isso era muito pior.
Ela não podia vê-lo. Ela podia senti-lo, senti-lo olhando para ela.
A última vez que eles compartilharam este corredor, ele a acusou de tentar
libertar todos os Comensais da Morte, acusou-a de criar uma dívida de vida
por testemunhar para ele em Azkaban, pressionou-a contra esta mesma
parede e deixou o ar quente sibilar de seus lábios sobre Leilões e galeões e
virgindades.
— Você não estava em Cornerstone ontem.
Ela sentiu sua respiração ficar presa em seus pulmões. Seus olhos estavam
nela, então ela não se mexeu e se concentrou na respiração.
— Não, eu estava doente. — Ela olhou para a parede oposta, mantendo a
cabeça erguida. — Morty foi capaz de ajudá-lo?
Ele ficou em silêncio. E ela tinha certeza que se olhasse para ele, ele estaria
carrancudo para ela.
Então ele foi para Cornerstone um dia depois que ela fugiu de sua casa,
recusando-se a se casar com ele. Uma voz em sua cabeça riu do esqueleto
da situação. O que ele queria dela? Outro livro embrulhado para presente
para outra namorada?
Pelo canto do olho, ela podia vê-lo virar o corpo para ela, cruzando um
tornozelo sobre o outro.
Ou talvez para se desculpar? Ou para esclarecer? Ou para confundi-la ainda
mais. Provavelmente o último.
— Ouvi dizer que você foi ver meu pai.
Ela fechou os olhos. Colega de trabalho. Colega de trabalho. Colega de
trabalho.
— Eu fui, — disse ela. — Foi muito legal da parte dele querer se encontrar
comigo.
Ela estava prestes a elaborar. Mentir, ou disfarçar a verdade, ou se ater aos
quarenta e cinco segundos de conversa agradável que Lucius e ela tiveram,
mas ela se lembrou do sangue em suas paredes. Ela realmente não devia
nada a ele. Ela ouviu o nó do dedo de Draco estalar à sua direita. E a
silhueta dele puxando o cabelo para trás.
Ele estava agitado. Ai que delícia.
Ela manteve os olhos fixos à frente e não disse mais nada. Ele pressionou a
mão contra a parede, descruzando os tornozelos.
— E você teve uma boa visita?
— Perfeitamente legal. — Ela pensou em examinar as unhas na presença
dele, mas achou que poderia ser muito insensível. — Eu nunca o conheci de
verdade. — Ela se virou para olhar para ele e, com um olhar falsamente
agradável, disse: — Vocês são muito parecidos.
Seu olho esquerdo estremeceu, e ela pensou no papel em sua cesta de lixo
em casa, afirmando inflexivelmente o quanto Draco queria se distanciar de
seu pai.
O canto de sua boca se ergueu enquanto ela tentava impedi-lo. Ele viu e
apertou a mandíbula. Ele deu um passo à frente.
— Se eu soubesse da reunião, eu a teria interrompido.
Ela segurou seus olhos. Ele estava a três passos dela, mas ela podia sentir o
ar apertando no corredor, como da última vez.
— Minha mãe gosta de se intrometer em coisas com as quais não tem nada
a ver. Peço desculpas por você ter se envolvido nisso.
Uma desculpa? Pelo que? Pela proposta injustificada? Para começar, pelo
estresse de sentar com Lucius Malfoy? Por todo o falso relacionamento com
Narcissa Malfoy? Ainda não havia respostas dele.
— Eu não sei o que ele disse para você, mas...
— Por que seu sangue está nas paredes da minha sala?
Sua boca parou no meio da palavra, e ele piscou para ela, os olhos
dançando de um lado para o outro entre os dela. Ela o prendeu com seu
olhar, não cedendo. Ela observou quando sua mandíbula se fechou, e ele
engoliu em seco.
— Senhorita Granger? — O homem corpulento colocou a cabeça para fora
da porta. — Você está pronta?
— Bastante. — Ela saiu da parede e abriu caminho em direção à porta de
carvalho, deixando Draco para trás.
— Diga-me novamente o que ele disse.
Hermione suspirou e esfregou a testa. Ela se sentou à mesa de jantar
enquanto Ginny andava pela sala, torcendo as mãos. Harry estava
preparando o jantar na cozinha, de vez em quando participando. Ela havia
se esquecido de como a "pesquisa em equipe" era cansativa. Ela tinha que
continuar a recontar e reexplicar pedaços que vinham tão facilmente à sua
mente.
— Sangue-ruim, você pode correr, mas eles não podem se esconder.
— E qual era o tamanho das letras? — Ginny mudou seu caminho e se
virou ao redor da mesa de café.
Hermione abriu as mãos, indicando o tamanho. Harry colocou a cabeça para
fora da cozinha para olhar.
— Isso é muito sangue, — disse Harry.
— Não me diga! — Hermione riu.
— Não, quero dizer... — Harry saiu da cozinha, colher de molho na mão.
— Draco Malfoy cortou sua preciosa pele, cortou sua preciosa veia e
perdeu tanto de seu precioso sangue? Para que? Só para assustar você?
Ginny estava balançando a cabeça e andando de um lado para o outro,
olhando para o chão. Era estranho tê-la aqui no lugar de Ron. Normalmente
Ron apenas ficava sentado, comendo, até que Hermione descobrisse tudo
sozinha.
— E isso foi tudo? — disse Ginny.
— Procurei pelo resto da casa e não encontrei nenhuma outra mensagem.
Não houve maldições. Apenas o feitiço repelente de trouxas.
— Preciso olhar para a Muralha. — Ginny coçou a cabeça e mudou seu
passo para um caminho direto para o quarto de Hermione.
Harry desapareceu de volta para a cozinha. Hermione pegou sua xícara de
café, prestes a tomar um gole quando Harry reapareceu, franzindo a testa
para o chão, braços cruzados.
— Ginny pode estar fora da cidade, mas eu estava aqui. — Ele olhou-a. —
Você não deveria ter ido sozinha. Ainda somos uma equipe.
Hermione piscou.
— Eu... me desculpe. Eu só... — Ela olhou para baixo. Ele ficou
desapontado. — Eu queria voltar para casa sozinha.
Harry assentiu e disse: — Eu permiti que você fosse comigo quando voltei
para casa.
Ele voltou para a cozinha, e ela ouviu uma panela borbulhando. Ela olhou
para o local onde ele desapareceu, pensando em Godric's Hollow, até que
ela ouviu os passos de Ginny levando-a de volta para a sala de estar.
— Feitiço repelente de trouxas. Por que? — Ginny retomou seu ritmo.
Hermione sacudiu a culpa e virou-se para a ruiva.
— Eu... eu não sei.
— E você não colocou um quando saiu?
— Não, eu pensei que a casa fosse vendida, — ela disse, pegando sua
xícara novamente. — É possível que os feitiços que coloquei em meus pais
os tenham feito fazer as malas e partir sem pensar em colocar a casa à
venda. Deixei claro que eles precisavam se mudar para a Austrália dentro
de uma semana.
Harry apareceu da cozinha, levitando três pratos de macarrão e vegetais. Ele
os colocou sobre a mesa.
— Talvez possamos parar de falar sobre o... sangue na parede. — Harry
acenou com a cabeça para Ginny, que estava andando, estalando o pescoço.
A mente de Hermione trouxe à tona a imagem do sangue do lado de fora do
Banheiro da Murta Que Geme. A Câmara Secreta foi aberta. As malditas
cartas que Ginny escrevera enquanto estava possuída. Hermione havia
esquecido e a arrastou pra isso novamente.
— Eu não sou uma flor, Potter. — Ginny fez uma careta para ele e sentou-
se à mesa. — Eu quero descobrir isso tanto quanto ela, então deixe-me
ajudar.
— Não, Harry está certo. Podemos deixá-la descansar um pouco. —
Hermione pegou o guardanapo e começou a comer. Houve silêncio.
— O que ele disse quando você perguntou a ele?
Ela olhou para cima. Ginny não estava comendo. Ela estava carrancuda
para a mesa.
— Nada. Quero dizer, não foi realmente uma pergunta. Foi mais uma...
pontuação. — Ela sorriu. — Eu não esperava uma resposta.
— Você acha que ele diria a verdade se você realmente perguntasse a ele?
— Harry disse.
— Não, — Ginny e Hermione disseram ao mesmo tempo.
Ginny se levantou e começou a andar de novo. Harry suspirou.
— Ele disse que não sabia sobre seu encontro com Lucius? — disse Ginny.
— Não. Ele disse que teria parado se soubesse.
Ginny esfregou a testa.
— Isso é enlouquecedor!
Hermione riu.
— Acredite em mim, eu sei. Mas deixa para lá, Ginny. Coma.
— Quero saber o que se passa naquela cabecinha loira estúpida! — Ginny
pisoteou. Hermione sorriu.
— É uma pena não termos nenhum contato no Wizengamot. — Harry levou
o garfo à boca, girando a massa.
Ginny e Hermione olharam para ele.
— Por que?
— Bem, o Wizengamot conseguiria revisar as memórias que ele forneceu.
Elas podem ter algumas respostas. — Harry mastigou, olhando para o prato.
— Memórias? — Hermione disse.
— Sim, — disse Harry com a boca cheia. — Ele forneceu memórias no dia
em que foi solto. Os testemunhos e as memórias foram as únicas razões
pelas quais ele escapou. Memórias provando sua inocência ou condenando
outros Comensais da Morte. — Ele olhou para elas. — Eu te falei isso.
— Não, — disse Ginny. — Eu acho que você disse.
— Oh. — Harry deu de ombros. — Bem, ótimo. Eu não devia. Não devia!
— E onde estão essas memórias agora?
Harry girou outro pedaço de macarrão em seu garfo.
— Provavelmente no escritório de Serviços Administrativos do
Wizengamot, arquivadas para revisão.
Ginny olhou para Hermione. Ela levantou uma sobrancelha. Hermione
podia sentir seu coração batendo e ela não sabia por quê.
— E, — Ginny disse lentamente, — Que medidas de segurança estão em
vigor no escritório administrativo do Wizengamot? Maldições? Senhas?
— Senhas rotativas e um turno de dois Aurores. — Harry limpou a boca.
Ele agarrou seu copo de água.
— E, — Ginny disse, — quando é o seu turno?
Harry olhou para as duas garotas por cima de seu copo de água. Seus olhos
arregalados, depois cansados.
Ele colocou o copo para baixo, carrancudo para a mesa.
— Ah, merda.
Capítulo 20.
Seriam mais três semanas antes do turno de Harry guardando a sala de
arquivo do escritório do Wizengamot. Ele se recusou a trocar de turno, pois
isso levantaria muitas suspeitas. E Harry deixou bem claro que suspeitas
não seriam toleradas.
— Eu não só seria demitido, como também seria levado a julgamento por
isso, sabe.
— Nós sabemos, nós sabemos. — Ginny estava praticamente dançando em
sua cadeira.
— Vamos, Harry, — disse Hermione. — Já fizemos pior. — Ela piscou para
ele.
— Sim, mas isso é para sempre! Isso é apenas... egoísta.
— Tudo bem, — disse Ginny. — Você vai perguntar a Draco Malfoy qual é
o problema dele.
Harry revirou os olhos. Ele disse a ela que era possível que não houvesse
mais nada de útil no escritório administrativo. Uma vez que as memórias
foram examinadas e as determinações finais feitas a partir delas, elas eram
transferidas para o Departamento de Mistérios. Você só poderia recuperar
uma memória do Departamento de Mistérios com a permissão do Ministro
da Magia.
— Mas o julgamento dele foi meses atrás, — Ginny disse. — Ainda haverá
memórias dele que não foram revisadas?
— Oh, sim, — Harry riu. — Podemos ter magia, mas ainda somos o
governo. Tudo se move lentamente. Suas memórias da noite em que
Dumbledore morreu provavelmente não estarão lá, provavelmente
examinadas imediatamente, mas qualquer outra coisa relacionada aos
próximos julgamentos dos Comensais da Morte ainda pode estar
armazenada.
Hermione assentiu, mastigando o interior de sua bochecha. O que
exatamente ela esperava encontrar?
A semana seguinte transcorreu lentamente. Ela só viu Draco duas vezes.
Uma vez nos elevadores no dia seguinte, parecendo exausto e magro, e
novamente na sexta-feira no átrio. Ele pegou os olhos dela nas duas vezes, e
ela desviou o olhar.
Naquele sábado em Cornerstone, Morty trouxe uma caixa grande para o
andar de baixo, avisando que, se encontrasse mais tempo, ele agradeceria se
ela estocasse o novo carregamento. Ela abriu a caixa e encontrou o novo
livro de lobisomens de Mattie McHandry.
Ela fechou os olhos e suspirou. Depois de abastecer as prateleiras, ela teria
que avisar aqueles que encomendaram o livro. Incluindo Narcissa Malfoy.
Ela flertou. Ela limpou. Ela equilibrou os livros. Ela tentou conversar com a
bruxa que a encarava com olhos violetas arregalados, e então se afastou.
Finalmente, ela escreveu para todos os outros na lista de pré-venda. Uma
vez que se aproximava das cinco horas, ela percebeu que havia menos
chance de que um Malfoy entrasse em Cornerstone na próxima hora.
A coruja de Morty voou de volta pela janela dos fundos e Hermione
prendeu a última carta em sua perna. Ela havia escrito uma carta de
Hermione J. Granger, amiga de Narcissa Malfoy. Ela a amassou e jogou
fora. Então ela escreveu outra de Cornerstone, com um post-script de
Hermione Granger, desejando boa leitura a Narcissa. Ela jogou aquela,
também. Ela optou por uma carta genérica, assim como as últimas vinte ou
mais encomendas haviam recebido. Não havia indicação de que a carta
fosse dela, exceto pelo fato de que Narcissa conhecia a caligrafia de
Hermione.
Ela observou a coruja voar e se ocupou, espiando o novo livro. Quinze
minutos depois, a grande coruja de Narcissa voou, deixando cair um bilhete
no parapeito da janela, e esperou.
Hermione pegando o bilhete, rezando para que não dissesse "obrigado, já
vou" ou "Draco vai aparecer amanhã".
Morty,
Muito obrigado por me avisar que o livro de McHandry chegou. Por favor,
envie-o de volta com a coruja e coloque na conta.
Narcissa Malfoy
Hermione leu duas vezes. A coruja estalou o bico para ela e ela a silenciou.
Estava endereçado a Morty, embora ela soubesse que Narcissa reconhecia a
caligrafia de Hermione. Também faltava o "Atenciosamente, Narcissa
Malfoy" que Hermione sabia ser a assinatura de Narcissa. Não havia
realmente nada de errado com a carta, mas Hermione ainda se sentia como
se um ex-namorado tivesse acabado de pedir a ela para embalar as coisas
dele e enviá-las pelo correio.
Ginny a forçou a sair na noite seguinte. Uma das Harpies tinha um irmão
que gostava bastante de livros e estava atualmente trabalhando nas relações
dos Centauros na Alemanha, e Ginny conseguiu arrumar os dois na noite de
domingo.
Evan estava bem. Ele era legal. Ele era muito bonito, realmente. Mas ela o
considerou... uma reflexão tardia. Eles marcaram um encontro no próximo
mês, quando ele estivesse na cidade novamente, mas uma vez que a noite
acabou, ela já havia esquecido a data que eles haviam combinado.
Felizmente, não havia paparazzi por perto para o encontro. Hermione não
tinha certeza do que era pior, a versão dos eventos de Rita Skeeter ou a de
Ginny.
— E ele disse a Amanda que tudo correu bem e que ele está animado para
vê-la novamente no próximo mês! — Ginny estava servindo chá e forçando
Hermione a reviver o encontro na segunda à noite.
— Oh, isso é legal. Sim, foi uma noite adorável. — Hermione sorriu.
— Adorável? — Os olhos de Ginny brilharam quando ela colocou uma
xícara na frente de Hermione.
— Sim, adorável, — ela disse. Ginny balançou as sobrancelhas para ela e
Hermione sorriu. — Eu não sei o que você quer que eu diga Ginny! Nada
emocionante aconteceu.
— Bem, vamos esperar que algo emocionante aconteça no próximo mês!
Hermione tomou um gole de chá e perguntou a Ginny sobre a partida no
próximo fim de semana.
No dia seguinte, Hermione chegou à sua mesa e encontrou um memorando
esperando por ela. Ela largou a bolsa e abriu, rezando.
Orações não recebidas. Robards queria sua ajuda lá em cima. Hoje... não
era o dia dela.
Ela bateu na parede do cubículo de Aiden. Ele estava examinando um
arquivo e comendo uma ameixa.
— Ei! — Ele sorriu. — A Garota de Ouro chegou!
Ela fez uma careta para ele.
— Por acaso você recebeu um aviso de Robards esta manhã?
— Não. — Ele mastigou. — Ele quer sua mente brilhante lá em cima hoje?
— Parece. — Ela franziu a testa para a nota. — Bem, vejo você mais tarde
hoje, eu acho. — Ela se virou, indo para os elevadores.
— Ei! — Aiden chamou. — O último dia de Rosenberg é quinta-feira.
— Depois de amanhã? — Ela piscou para ele. — Já?
— Sim, — disse ele. — Ela vai ter uma pequena comemoração no café da
rua depois do trabalho.
— Ah muito bem. Obrigado por me avisar. — Ela tentou sair novamente, e
sua voz a impediu.
— Ei, er... — Ela o observou girar a pena. — Alguns de nós estão pensando
em ir a um pub ou dois depois da festa. Você gostaria de vir comigo?
Havia algo diferente em seus olhos quando ele perguntou. Ela disse: — Em
uma noite de semana? — e levantou uma sobrancelha para ele.
Ele sorriu.
— Vamos. Viva um pouco, Granger.
Ela piscou para ele. — Eu... eu vou ter que ver como estou me sentindo na
quinta-feira. Talvez. — Ele sorriu para ela. — Obrigado por me convidar.
— Claro, — disse ele. — Divirta-se lá em cima!
Ao entrar no elevador, ela ainda tentava decifrar o convite de Aiden. Era um
encontro? Era um grupo pequeno? Ela queria mesmo ir?
Ela acenou para Katie Bell ao sair do elevador com um gesto que dizia
"Volto mais tarde" e se dirigiu ao escritório de Robards.
— Senhorita Granger! — Gawain Robards se levantou de sua mesa. —
Estamos muito honrados por você nos ajudar novamente esta semana.
Os olhos de Hermione estremeceram ao ouvir "esta semana" em vez de
"hoje".
— Bom dia, Sr. Robards, — disse ela, apertando sua mão. — Estou honrada
em ser convidada.
— Temos mais daquelas runas aparecendo, e eu prefiro ter aqueles cujas
mentes ainda estão brilhantes com sua educação em Hogwarts para
trabalhar com elas, do que aqueles de nós que estão trinta anos atrasados ou
mais! — Ele deu um tapinha no peito.
Hermione sorriu. Ela poderia trabalhar para o Sr. Robards. Eles tinham um
bom relacionamento e ele parecia se dar bem com Harry.
— Devo confessar, Srta. Granger, — ele continuou, — que Mathilda
mencionou que você está pensando em se candidatar a novos cargos.
— Sim, estou pensando em fazer uma mudança.
— Bem, espero que você lembre de nós. A posição de Draco Malfoy será
aberta em dezembro, e precisamos de alguém tão brilhante e analítico para
intervir.
Hermione sorriu e disse a ele que estava pensando sobre isso. Ela ainda
tinha esperança – esperança tola – de que seria direcionada a algum lugar
diferente da sala de conferências no final da reunião, mas é claro que
Robards lhe desejou um bom dia e disse que o Sr. Malfoy a informaria.
Hermione arrastou os pés até a sala de conferências. Ela bateu, por
educação, e abriu a porta para encontrar Draco de pé sobre a mesa, criando
pilhas de papéis sobre a mesa, pena entre os dentes, cabelo caindo nos
olhos. Ele olhou para ela e ela o amaldiçoou. Mas ele ficou surpreso ao vê-
la. Ele tirou a pena da boca.
— Robards me convocou.
Ele desviou o olhar e coçou a mandíbula.
— Eu disse a ele que tinha tudo sob controle.
Hermione parou na porta.
— Bem, eu estou aqui agora.
Ela respirou fundo e se moveu para colocar as anotações e a pena na
beirada da mesa. Draco apertou a mandíbula e se moveu para o lado para
que ela se juntasse a ele para olhar a papelada. Ele explicou que o DMLE
estava interceptando mensagens passadas em Knockturn Alley e outros
locais de má reputação que identificavam a localização de comércios de
objetos escuros ou pontos de encontro. Semelhante aos outros casos em que
ela e Draco trabalharam, eles começaram a usar runas para se comunicar
para despistar os Aurores. Robards estava interessado em saber se essas
mensagens estavam relacionadas, se havia alguém "no comando".
Enquanto ele falava, explicando seu progresso e suas perguntas atuais, ele
apontou para pilhas de papéis com dedos longos e gesticulou para o livro de
runas, e Hermione ficou impressionada novamente com o quão bom ele era
nisso. Com que facilidade ele assumia o comando de uma sala e
apresentava um problema, apresentava soluções e apresentava um curso de
ação.
Mas ele não olhou para ela uma vez.
Depois de trinta minutos de Draco voltando ao que estava lendo quando ela
entrou, e Hermione começando do começo, lendo as notas e relatórios das
primeiras interceptações adiante, ela largou a pena, puxou a varinha e virou-
se para a parede em frente do outro lado da sala. Ela removeu as fotos
"inspiradoras" e as placas, apontou a varinha para a mesa e colou as
mensagens na parede, em ordem.
Quando uma voou da mão de Draco, ele disse: — O que você está fazendo?
— Confie em mim. É muito útil.
Várias horas e becos sem saída depois, a muralha de runas havia se
expandido e agora tinha vida própria. Ela e Draco geralmente trabalhavam
em silêncio, a menos que um deles tivesse um novo pensamento. Ela estava
listando todas as diferentes traduções possíveis para um conjunto de runas,
quando percebeu que os cabelos de sua nuca estavam arrepiados. Draco a
estava observando. Ela engoliu em seco e continuou escrevendo até que a
voz dele quebrou o silêncio.
— Foi uma missão. Do Lorde das Trevas.
Ela se recompôs antes de tirar os olhos da página e olhar para ele. — Que
tipo de missão?
Ele estava recostado na cadeira e, se ela não o conhecesse melhor,
presumiria que ele estava curvado. Mas ela sabia que os Malfoys não
relaxavam.
— O pior tipo. — Ele apertou a mandíbula. Ela não ousou perguntar a ele o
que aquilo significava.
— Então, depois de encontrar uma casa vazia... você decidiu redecorar?
Ele engoliu em seco e ela observou o movimento de sua garganta. Seus
olhos caíram sobre os papéis à sua frente.
— Esse era o projeto de Yaxley.
Yaxley. Ele não estava sozinho.
— Mas o seu sangue?
Ele deu à mesa um sorriso triste.
— Por que derramar o dele?
Ela estava percebendo que não tinha ideia de como era a "verdade" nele.
Não que ele sempre tivesse mentido, mas ela simplesmente não tinha
nenhuma conversa anterior para se basear. Mas havia algo aqui que não
estava sendo dito.
Ela observou seus olhos, seguiu o caminho de seu nariz reto, até seus lábios
apertados, encontrou a tensão em sua mandíbula.
Para comprar, para vender, para economizar.
Com os olhos ainda em suas anotações, sua boca se abriu.
— Que outros segredos meu pai contou para você?
Ela piscou. Ele assumiu que Lucius contou a ela sobre o sangue na parede.
Que estranho. Era uma semana e meia depois, e Draco ainda estava
tentando entender a conversa dela com Lucius. Então ela lembrou que ele
não teria chance de perguntar diretamente ao pai até dezembro. Uma visita
por mês.
— Seu pai não me contou nada sobre isso, — ela disse, e seus olhos se
viraram para ela. — Você me disse para não ir para casa. Então, claro, eu
fui.
Ele franziu a testa para ela quando uma batida bateu na porta.
— Ei, Malfoy. — Harry entrou na sala, olhando para a papelada em suas
mãos. Ele olhou para cima, vendo Hermione ali. — Oh, uh... Você está
ajudando de novo?
— Robards mandou me chamar, — ela respondeu. Ela lançou a Harry um
olhar que dizia: "Estou bem."
— Er, bem. Outra mensagem foi interceptada.
Draco e Hermione pularam de suas cadeiras e correram para as páginas nas
mãos de Harry. Hermione as pegou primeiro e as segurou na frente dela,
lendo os rabiscos e juntando os detalhes que eles conseguiram nas outras
mensagens. Ela podia sentir Draco lendo sobre seu ombro.
— Bem, aquilo se encaixa com o germânico do noroeste, mas isso aqui se
encaixa no escandinavo.
— Nós descartamos o escandinavo, — Draco disse. — Deve ser o
germânico.
— Mas agora que temos isso, não podemos descartar o escandinavo. —
Hermione correu de volta para a mesa para começar a cruzar as referências
de suas anotações, enquanto Draco arrancava a mensagem de sua mão.
— Oh, — ela ouviu Harry dizer. Ela olhou para cima, e Harry estava
olhando para a muralha de runas. — Você... fez uma Muralha.
— Ela faz muito isso? — Draco perguntou a Harry.
Harry olhou para ele com um sorriso.
— É uma coisa recente. — Hermione olhou para ele, e ele estava dando a
ela um sorriso travesso. — Vocês dois vão fazer uma pausa para o almoço?
Ela viu Draco checar seu relógio e ela fez o mesmo. Meio-dia e dez.
— Oh, er, sim, — disse ela. — Eu suponho que sim.
Draco rapidamente voltou para sua cadeira, organizando as anotações.
— Cafeteria? — Harry disse. E Hermione podia ver os croissants dançando
em seus olhos. Ela assentiu e Harry se virou para Draco. — Malfoy? Está
com fome?
— Obrigado, mas, não. Tenho um compromisso. — Draco fez uma
anotação final e começou a juntar suas coisas.
Ela disse a ele que o veria depois do almoço e saiu da sala com Harry, que
correu para deixar a papelada de lado e pegar suas moedas. Hermione
caminhou até a mesa de Katie Bell para ver se ela ainda estava lá.
— Hermione Granger. — Uma voz sedosa.
Hermione se virou e se viu cara a cara com Katya Viktor. Ela se sentiu
presa ao chão enquanto Katya deslizava em sua direção. Kátia sorriu.
Maldita seja ela. Ela era deslumbrante.
— Olá... — Hermione tentou dizer mais, mas foi pega tentando descobrir se
os olhos de Katya eram castanhos ou mel.
— Olá, eu sou Katya. — Brancos, dentes brancos. — Eu queria tanto
conhecê-la. — Uma mão perfeitamente manicurada se estendeu, unhas cor
de vinho. Hermione a apertou. — Eu sou uma amiga de Draco.
— Eu... Sim, olá. Eu sou Hermione. — Que idiota. E suas unhas estavam
lascadas.
— Eu estava morrendo de vontade de conhecê-la, mas Draco disse que você
é tão ocupada! — Ela riu e o som aqueceu o espaço. Ela não tinha o sotaque
áspero de Viktor Krum. — Mas, claro que você é! Você é Hermione
Granger!
— Eu... eu sou.
— Devo dizer, — e Katya moveu sua bolsa brilhante debaixo do braço
enquanto ela nivelava um olhar intenso em Hermione. — Eu tenho seguido
você muito de perto ao longo dos anos. Toda Durmstrang estava tão
interessada na garota de quinze anos que chamou a atenção de Vítor Krum!
— Ela riu e tocou o braço de Hermione levemente. Hermione se sentiu
muito rígida, e se perguntou se isso era algum tipo de feitiço...
Ela continuou: — Mas então eu continuei vendo seu nome nos jornais e
você estava sempre fazendo algo maravilhoso como salvar uma espécie, ou
você enfrentava bruxos das trevas sozinha e eu... — Ela fez uma pausa e
balançou a cabeça. — Sinto muito, estou falando demais! Eu só queria
muito conhecer você.
Maldita seja ela. Ela era inebriantemente adorável também.
— Eu... Bem, obrigado. É um prazer conhecê-la também. — Ela sorriu e se
sentiu muito aborrecida. — Eu ouvi tanto sobre você.
— Tenho certeza que é mentira! — ela riu. Sempre rindo. — Não há muito
o que ouvir!
Katya empurrou uma mecha de cabelo para trás da orelha.
Linda. Encantadora. Graciosa.
Só então, ela ouviu a porta da sala de conferências abrir. Ela se virou e viu o
rosto de Draco no exato momento em que ele percebeu que ela e Katya
estavam se conhecendo. Ele parou com a mão na porta, o casaco enfiado
debaixo do braço.
Compromisso.
— Draco! — Katya arrulhou. Sua voz estava excitada sem a qualidade
estridente que a de Hermione poderia ter. — Olha quem eu finalmente
conheci!
Ela observou enquanto Draco abria a boca, olhando entre as duas mulheres
no corredor. Olhos neutros, com um sorriso que não puxava suas
bochechas.
— Maravilhoso, — disse ele. — Granger, esta é Katya.
Hermione assentiu com a cabeça e Katya disse: — Eu tenho falado demais.
Desculpe. Eu simplesmente não posso acreditar que encontrei com ela!
Hermione estava girando um pouco. Onde estava Harry?
— Bem, — ela começou. — Foi um prazer conhecê-la Katya. — E ela
apertou sua mão novamente. — Aproveitem seu almoço juntos.
— Oh, mas você está livre para se juntar a nós? — Katya disse com os
olhos arregalados.
Habilidade em hospedagem. Modos à mesa.
Ela não ousou olhar para Draco.
— Oh, isso é muito gentil, mas eu já tenho planos para o almoço. Obrigado,
Kátia.
— Teremos que ter uma conversa adequada em algum momento! — Kátia
sorriu. — Eu adoraria levar você para almoçar e saber suas opiniões.
Atualmente, estou trabalhando com uma instituição de caridade investida
em direitos de anões e elfos domésticos e adoraria ouvir algumas de suas
opiniões.
Oh, vai se foder Katya.
— Isso... isso parece perfeito. — Hermione sorriu. Ela a odiava. Ela a
odiava porque não podia odiá-la.
Ela olhou para Draco quando ele estalou o pescoço e respirou fundo. Ele
colocou a mão levemente nas costas de Katya.
— Vejo você depois do almoço, Granger. — Ele olhou para ela brevemente
antes de se virar para guiar Katya até o elevador.
— É um prazer conhecê-la, Hermione! — Kátia cantou.
Hermione observou-os se afastarem, as costas de Draco rígidas e Katya
balançando, conversando, sorrindo, se aperfeiçoando.
Ela tentou se lembrar de qual livro ela embrulhou para presente para ela.
Harry apareceu na esquina.
— Deus, onde diabos você esteve, — Hermione rosnou e passou por ele.
— O que...?
Foram almoçar no café. Hermione voltou para cima e foi direto ao trabalho.
Draco entrou logo após as uma e ela podia sentir seus olhos nela pelo resto
da tarde. Eles avançaram nas runas, mas teriam que trabalhar novamente na
sala de conferências no dia seguinte.
Ela voltou para cima para pegar suas coisas no final do dia e correu para
Aiden.
— Como foi? Você resolveu a fome mundial ao meio-dia? — Ele piscou
para ela.
Ela olhou para ele. Sorrindo para ela. Aberto. Honesto. Legal.
— Aiden, eu adoraria sair com todos vocês na quinta-feira. Diga-me onde
encontrá-lo.
Seu sorriso educado se transformou em um sorriso verdadeiro.
Capítulo 21.
Quarta-feira, ela e Draco trabalharam em silêncio durante a maior parte do
dia. Ela parou no café para tomar uma xícara de café enquanto subia e,
quando chegou à sala de conferências do Nível 2, viu Draco rapidamente
sumir com a xícara de café que trouxera com o chá para ela.
Quinta-feira, eles precisaram conversar mais um com o outro. Eles não
conseguiram nenhuma resposta definitiva sobre o caso das runas, então
prepararam relatórios para Robards, listando as possibilidades. Ela voltou
para o Nível 4 com trinta minutos restantes do dia, esperando algum tempo
em sua própria mesa antes de sair.
Assim que ela se instalou em seu escritório, Aiden bateu.
— Ei, quanto tempo não te vejo, — disse ele. Ela sorriu, educadamente. —
Você ainda está interessada em nos encontrar para beber hoje à noite?
— Sim, definitivamente, — disse ela, movendo a papelada. Ginny colocou
um tubo de rímel em sua bolsa apenas para a ocasião. — Entretanto,
encontro você na festa de Rosenberg. Quero tentar fazer algumas coisas na
minha mesa.
— Ótimo, — ele sorriu para ela. — Vejo você em breve então!
Ela olhou para o local que ele havia desocupado. Valia a pena. Ela também
poderia ver se ela poderia suportá-lo fora do trabalho.
Ela trabalhou um pouco, ouvindo as pessoas se despedirem, e quando olhou
para o relógio já eram cinco e meia. Ela rapidamente terminou, fazendo
anotações, e ficou feliz por não precisar terminar os relatórios com Draco
amanhã, porque essa pilha era ridícula.
Ela conjurou um espelho e tentou escovar a gosma preta em seus cílios, e
então saiu. Ela chegou ao café depois que o grupo já havia pedido comida.
Aiden acenou para ela e a direcionou para uma cadeira ao lado dele que ele
havia guardado para ela, e ela ficou agradavelmente surpresa com o quão
bem Aiden a incluía em conversas, especialmente aquelas nas quais ela não
tinha interesse.
Ela tomou um gole de água, recusando educadamente metade do sanduíche
gorduroso e batatas fritas de Aiden, e se pegou rindo mais, tentando
conhecer melhor seus colegas de trabalho. Aiden descansou o braço nas
costas da cadeira dela, mas não tocou seus ombros ou pescoço como Ron
costumava fazer. Ela sempre achou isso tão estressante.
Assim que a festa começou a diminuir, ela desejou a Rosenberg uma feliz
aposentadoria e corou quando Rosenberg perguntou baixinho se ela se
importaria de autografar algo para sua neta para o Natal.
Aiden a levou para fora com outros dois colegas de trabalho do Ministério
que ela reconheceu e uma de suas namoradas. Deram uma bela caminhada
por vários quarteirões, e Hermione aproveitou para conhecer melhor a
namorada. Ao todo, foi uma noite agradável até agora. Esse foi o
pensamento que passou por sua cabeça quando Aiden a guiou para o
próximo pub, a mão descansando educadamente em suas costas, e
conseguiu bater no ombro de uma garota loira no braço de Draco Malfoy.
— Desculpa, amor! — Aiden fez uma pausa quando avistou seu par. —
Malfoy! Imagine competir com você!
Aiden lançou uma história detalhada sobre a festa de aposentadoria de
Rosenberg enquanto Hermione amaldiçoava sua sorte. Ela olhou para Draco
e viu seus olhos no braço de Aiden, ainda curvado atrás de suas costas.
— O'Connor, Granger, esta é Noelle, — Draco disse assim que Aiden
terminou.
Noelle sorriu e riu sem motivo algum. Seu cabelo loiro era curto e
encaracolado frouxamente ao redor do rosto e ela tinha um nariz pequeno e
olhos azuis. Hermione pensou tê-la reconhecido como uma das namoradas
dos tablóides de Draco no passado.
— Oi! Aiden, — ele se apresentou. — Prazer em conhecê-lá. — Aiden
apertou sua mão.
— Olá, sou Noelle. — Ela era americana. E insípida. Ela assumiu.
— Olá, — disse Hermione. — Eu sou Hermione Granger.
— Oh meu Deus! Você é?? — Os olhos de Noelle se iluminaram e ela
agarrou a mão de Hermione para cumprimentá-la. — Isso é tão legal!
Os olhos de Hermione piscaram para Draco a tempo de vê-lo respirar fundo
e esfregar a têmpora.
Noelle ainda estava falando.
— Tínhamos notícias da guerra nos Estados Unidos também, e eles sempre
mencionavam vocês três! Ron Weasley e Harry Potter também não estão
aqui, estão? — Noelle olhou por cima do ombro de Hermione, como se
pudesse desejar que eles estivessem ali.
— Er, não. Só estou tomando uns drinks com colegas de trabalho hoje à
noite.
— Oh, Draco, temos que ficar agora! — Noelle se virou para Draco e
agarrou seu cotovelo. Hermione pensou em dentes brancos, cabelos
castanhos sedosos e pernas longas e bronzeadas e de repente ficou
irracionalmente chateada. Como ele ousava fazer isso com Katya. Aquele
anjo.
— Sim! Pegue uma mesa conosco! — Aiden estava sinalizando para os
amigos com quem eles entraram, fazendo-os empurrar as mesas do bar
juntas. — Malfoy e eu vamos pegar uma rodada de bebidas.
— Incrível! — Noelle borbulhou. — Hermione, sente-se ao meu lado! — E
Noelle pegou o banquinho na ponta, dando tapinhas no que estava ao lado.
Esta era... não a noite que ela esperava.
Assim que um estóico Draco e um animado Aiden partiram para o bar, e
Hermione se acomodou ao lado de sua nova melhor amiga, ela se virou para
Noelle e disse: — O que a traz a Londres, Noelle?
— Cheguei da universidade trouxa, visitando a família, — ela disse
alegremente.
— Ah, sua família mora aqui? — Hermione disse, desembrulhando o lenço
em volta do pescoço.
— Sim! Eu tinha três anos durante a Primeira Guerra Bruxa, então meu pai
me mandou para a América para ficar com parentes e estudar lá.
Hermione assentiu, não totalmente interessada.
— E como você conheceu Draco? — Ela tentou a inocência.
— Oh, nossas famílias são amigas há anos, — Noelle acenou com a mão,
como se isso não tivesse importância. — Mas vocês dois estudaram juntos,
certo?
— Sim, com certeza. — Ela olhou para cima e Draco e Aiden estavam
voltando para a mesa. Draco levitou todas as bebidas, colocando-as em
frente a cada pessoa – até mesmo os amigos de Aiden que ele não conhecia.
Noelle pegou um coquetel cheio de babados, firewhiskies para os dois
amigos de Draco e Aiden, vinho para a namorada e cerveja amanteigada
para ela e Aiden.
Aiden estava atrás dele, dizendo: — Eu pago a próxima rodada, Malfoy! —
Draco parecia que já estava farto dele, o que a fez sorrir. Aiden agarrou o
banquinho à direita de Hermione e Draco sentou-se em frente a Noelle.
Uma pequena imagem estranha.
— Então, Aiden, o que você faz? — Noelle perguntou, colocando sua boca
delicada no canudo de sua bebida de um jeito que Hermione achou adorável
e vulgar.
— Hermione e eu trabalhamos no Departamento de Criaturas Mágicas do
Ministério. Nós dois somos especializados em dragões.
— Oh, meu Deus, dragões! Eu amo dragões!
Hermione levantou a sobrancelha e tomou um gole de sua cerveja
amanteigada.
— Sim? — Aiden sorriu brilhantemente. — Você tem um tipo favorito?
— O azul! — Noelle disse.
Hermione piscou.
— O... focinho curto sueco?
— Qualquer um que seja azul. Azul é minha cor favorita! — Noelle riu e
sorveu sua bebida. Hermione virou os olhos para Draco e deu a ele um
olhar que ela esperava transmitir "você está falando sério?"
Ele encontrou seus olhos e olhou para seu firewhisky. Ela ainda estava
olhando para ele quando uma mão pousou em seu ombro, o anel da
Sonserina no polegar.
— Eu reconheceria a parte de trás da sua cabeça em qualquer lugar, cara.
Draco olhou de volta para o sonserino que acabara de interromper sua
competição gritante, e ela ficou chocada ao ver seus lábios se abrirem em
um sorriso enorme e honesto.
— O que você está fazendo aqui, seu desgraçado?! — Draco se levantou e
deu um abraço no cara. Ela finalmente deu uma boa olhada em seu rosto.
Marcus Flint. Ele havia consertado os dentes.
Ela observou Draco enquanto ele se encontrava com seu velho amigo e
capitão de Quadribol, observando-o irradiar calor enquanto eles
rapidamente se aproximavam antes que Draco se virasse para eles.
— Marcus, você se lembra de Noelle Ogden?
Algo mudou no cérebro de Hermione, ouvindo o sobrenome de Noelle. Ela
guardou para mais tarde, quando Marcus deu um abraço amigável em
Noelle. Ela não tinha nenhuma lembrança feliz de Marcus Flint, e se
lembrou disso quando os olhos dele pousaram nela.
— Hermione Granger, — disse ele. Algo brilhou por trás de seus olhos, e
Hermione não tinha certeza se gostava. Mas ele não estava zombando dela,
o que ela supôs ser um progresso. — Você não é um colírio para os olhos?
— Olá, Flint. Como você tem estado?
— Bem, obrigado. — Ele ainda estava olhando para ela, o olhar deslizando
sobre seu rosto. — Potter e Weasley estão logo atrás? — Ele levantou uma
sobrancelha e deu uma olhada ao redor do pub.
— Não, — ela disse. — Estou sozinha esta noite. — Ela levantou uma
sobrancelha, dando-lhe um olhar que ela esperava dizer que ela poderia
lidar sozinha, mesmo que a proporção de Sonserinos tivesse acabado de
aumentar.
Flint, Draco e Noelle começaram a conversar, perguntando um ao outro
sobre famílias antigas, o que Gregory Goyle estava fazendo, "como está seu
pai, Noelle?" "parabéns pelo seu negócio Draco"...
Hermione sentiu Aiden se inclinar para ela.
— Esse é Marcus Flint?
— Sim, — disse ela, levando o copo meio vazio aos lábios.
— Acho que ele me trancou no banheiro da Murta Que Geme quando eu
era primeiranista.
Hermione bufou, achando toda essa situação muito cômica e desgastante.
Ela riu, enxugando os olhos e se virando para ver Aiden sorrindo para ela.
Quando ela se virou para observar Flint novamente, os olhos de Draco
tinham acabado de deixá-los.
Ela acompanhou a conversa com Marcus Flint por um tempo, então se virou
e tentou entender onde a conversa de Aiden e seus amigos havia chegado.
Ela pairava no limite de cada conversa, bebericando silenciosamente sua
cerveja amanteigada, observando o rosto de Draco se iluminar toda vez que
Flint fazia uma piada ou trazia uma lembrança. Quando Noelle bebeu o fim
de sua bebida – como a plebéia que ela era – Draco e Flint se ofereceram
para pegar outra rodada. Ao saírem, Noelle virou-se para ela.
— Isso é divertido, não é? — Seus olhos estavam arregalados e começando
a brilhar com os coquetéis. Hermione tentou sorrir e pensou que Katya
nunca se permitiria ficar embriagada na frente de estranhos. Ela tinha mais
classe. Ela ficou tão ofendida por essa garota em nome de Katya...
obviamente.
— Há quanto tempo você e Draco estão se vendo? — Hermione perguntou,
e imediatamente ficou séria. Como isso saiu da boca dela?
— Oh, — Noelle riu. — Não estamos realmente nos vendo. — Ela chupou
o gelo derretido por seu canudo, e Hermione se perguntou se Noelle sabia
sobre Katya – tendo vindo dos Estados Unidos, talvez ela não tenha pego o
Profeta. Hermione levou a ponta de sua cerveja amanteigada aos lábios.
Noelle disse: — Ele só está realmente atrás do meu dinheiro, — E sorriu
para ela enquanto Hermione tossia.
— O-o quê? — Ela pegou um guardanapo para não cuspir.
— Quero dizer, não o meu dinheiro. O dinheiro do meu pai. — Noelle
gargalhou ao ver a expressão no rosto de Hermione. — Meu pai é Tiberius
Ogden. Ele quer que ele invista em sua empresa e entre para o Conselho de
Administração.
Ogden. É por isso que era familiar. Noelle e seu irmão eram os herdeiros da
fortuna de Ogden's Old Firewhisky. Merlin, metade da mesa estava
bebendo.
— Oh, — Hermione começou. — Eu não tinha percebido...
— Então, Draco está nos enrolando, essencialmente. Vamos almoçar com
meu pai neste fim de semana. — Ela esfaqueou seu gelo, casualmente.
— Oh, isso é maravilhoso. Er, quero dizer... isso te incomoda de alguma
forma?
— Não! — Ela riu. — Draco Malfoy pode me pagar bebidas e me levar a
festas o quanto quiser! Quero dizer, caramba, ele é lindo. — Noelle mostrou
a língua para ela e Hermione riu.
Tudo bem. Talvez Noelle não fosse tão ruim.
Draco e Flint voltaram com uma rodada para toda a mesa. Conforme eles se
aproximavam, Flint disse algo que fez Draco rir. Realmente rir. Seu rosto se
dividiu e seus olhos se enrugaram e o som explodiu. Foi adorável.
Aiden e seus amigos agradeceram pelas bebidas, e ela ouviu um deles
sussurrar: — Eu não tinha ideia de que Draco Malfoy era tão legal.
Uma segunda cerveja amanteigada caiu em suas mãos, mas ela não a havia
pedido. Ela realmente não deveria beber se quisesse alguma chance de
aparatar em casa. Talvez eles tivessem um menu de comida neste pub.
Flint ocupou o único assento vago na mesa – aquele em frente a ela e ao
lado de Draco. Noelle estava rindo ao lado dela de algo que Draco disse.
— Você não bebe, Granger?
Ela olhou para cima e Flint a estava examinando por cima do copo
enquanto bebia.
— Não, eu bebo. — Ela colocou as mãos em volta do vidro. — Só devagar.
— Ela encontrou seus olhos e um desafio estava lá.
— Aposto que você está tirando pontos de todos nós em sua cabeça. — Ele
sorriu para ela. — "Dez pontos da Sonserina por beber mais de uma bebida
por hora." — Ele acenou com a cabeça para Noelle. — "Dez pontos de –
qualquer que seja a porra da casa em que você estava em Ilvermorny – por
rir fora de hora."
Noelle começou a rir. Hermione manteve um olhar cauteloso em Flint. Ela
tinha muitas respostas passando por sua cabeça, mas todas elas colocariam
um fim direto nesta noite.
— Você era uma boazinha, Hermione? — Noelle perguntou, sorrindo.
Antes que ela pudesse responder... — Oh, ela era a pior! — Flint disse,
olhando para ela. — Mesmo antes de ser monitora, ela andava por aí como
monitora-chefe. — Seus olhos estavam dançando, levemente provocantes,
mas ela podia ver o Sonserino trabalhando. Ela manteve os olhos nele, sem
olhar para Draco. Ele estava sentado em silêncio. — Diga-me, Granger, —
Flint continuou, — você já quebrou as regras, pelo menos uma vez?
Por que ele estava fazendo isso? Ele a estava provocando, mas por que
parecia um flerte? Suas mãos apertaram o copo.
— Eu quebrei as regras várias vezes, — ela disse a ele. Ela pegou sua
cerveja amanteigada, sem pestanejar. — Mas ao contrário de você, eu nunca
fui pega. — Ela tomou um gole. Pontuação e finalização da conversa.
Flint sorriu. Noelle riu. Draco se mexeu.
Ela passou a próxima hora neste limbo estranho. Ela tentou
desesperadamente entender a conversa de Aiden, que graciosamente a
colocaria em dia, mas Flint continuou puxando-a de volta para ele. Fazendo
perguntas sobre Harry e Ron, incitando-a a reviver memórias desastrosas de
Hogwarts. Draco franzia a testa toda vez que Flint falava com ela e ficava
em silêncio. Noelle ria. Ela finalmente virou todo o seu corpo para Aiden,
esperando que sua linguagem física dissesse que ela havia terminado.
Aiden se ofereceu para pagar a próxima rodada, e depois de recusar um
terceiro drinque ela aproveitou a oportunidade para agarrar a cadeira dele e
se aproximar da namorada – cujo nome ela já havia esquecido – e se afastar
dos Sonserinos. Elas conversaram brevemente enquanto o grupo começava
a se transformar. Noelle foi até o banheiro fazendo com que Draco e
Marcus Flint se levantassem, como os cavalheiros de sangue puro que
foram criados para serem, e um dos amigos de Aiden a seguiu até o bar.
Flint e Draco permaneceram de pé, afastando-se um pouco, rindo. Quando a
namorada viu um amigo dela e se desculpou, Hermione tomou um gole de
sua bebida e começou a arquitetar seu plano de fuga. Eram quase nove
horas e ela queria começar a trabalhar cedo amanhã para fazer progressos
em sua mesa.
Ela balançou a cabeça, percebendo que estava olhando para o papel de
madeira na mesa do bar por mais ou menos trinta segundos, deixando sua
mente percorrer suas tarefas para amanhã. Ela deve ter parecido bastante
bêbada.
A cerveja amanteigada a estava deixando tão quente. Hermione terminou o
resto e colocou o copo sobre a mesa, pegando em sua bolsa um elástico de
cabelo. Ela jogou o cabelo em um coque e discretamente usou um
guardanapo para secar o pescoço.
Ela olhou em volta e encontrou Aiden conversando com um rosto familiar,
possivelmente um ex-aluno de Hogwarts. Draco estava com o braço em
volta da cintura de Noelle, conversando com Flint. Ela decidiu correr para o
banheiro para jogar água fria no rosto. E então talvez ela desse boa noite a
Aiden e fosse para casa.
Escorregar do banquinho foi um desafio, e ela culpou aquela segunda
cerveja amanteigada e a falta de jantar. Se ao menos ela tivesse pedido algo
no primeiro café, mas toda a comida parecia tão gordurosa.
Ela tinha ouvido Ginny dizer a ela uma vez que você nunca sabe o quão
bêbada você realmente está até que você se levante, e ela estava sentindo o
efeito disso pela primeira vez. Ela caminhou até o corredor do banheiro e
encontrou três garotas encostadas na parede, esperando. Ela se inclinou para
elas por um momento, abanando-se. A garota mais próxima a ela se
inclinou para ela.
— Se você acha que vai vomitar, pode ir na minha frente.
Hermione sorriu.
— Isso é muito gentil, mas estou tão quente. E um pouco tonta.
— Você bebeu demais? Estou tentando me controlar ficando na fila do
banheiro, mas geralmente estou no seu lugar. — Ela deu um sorriso torto
para ela. Sua franja era muito curta para sua testa.
— Eu acho que sim. — Hermione fechou os olhos. Era tão bom encostar na
parede fria. — Não, espere. — Ela ficou alta novamente. — Eu só tomei
duas cervejas amanteigadas esta noite.
— Talvez tenha sido algo que você comeu? Não está enjoada?
— Certo. Deve ser isso. — Hermione empurrou a parede. — Eu só vou sair
por um segundo.
A garota disse algo para ela, mas ela não estava ouvindo. Ela estava
concentrada em caminhar. Seus saltos estavam balançando debaixo dela...
Ela olhou para baixo em suas sapatilhas. Ela não estava usando saltos.
Ela encontrou a placa de saída no ar, flutuando acima de uma porta lateral, e
abriu caminho para fora, sentindo o ar frio contra seu rosto antes que seu pé
perdesse o degrau. Ela nem viu. Ela se endireitou jogando as mãos no chão,
sentindo o cimento arranhar suas palmas e ouvindo a porta fechar atrás dela.
Ela ficou de pé novamente e o impulso jogou suas costas contra a porta. Ela
virou para a esquerda e rastejou ao longo da parede, afastando-se da saída.
Isso não estava certo.
Ela não tinha comido. Não poderia ter sido intoxicação alimentar.
Envenenamento.
Hermione engasgou e se encostou no tijolo. Ela sentiu sua varinha contra
seu quadril. Sua bolsa ainda em seu ombro. Seu corpo estava deslizando.
Ela tentou se manter de pé. Ela estava deslizando para a esquerda. Sua mão
encontrou um caixote sujo e a manteve de pé, inclinada.
Ela precisava de Harry. Ela precisava...
Onde estava Harry?
Harry não estava aqui.
Ela precisava chegar em casa. Ela puxou sua varinha e ela caiu no chão,
estalando contra seus tímpanos. Ela se inclinou para agarrá-lá e caiu para a
frente novamente. Seus dedos a agarraram e ela usou o caixote para se
levantar.
Como isso aconteceu? Ela tinha tomado duas cervejas amanteigadas. Foi na
cerveja amanteigada. Alguém havia colocado algo em sua bebida.
Ela precisava vomitar. Para esvaziá-la antes que entrasse mais em seu
sangue. Havia um feitiço para isso. O que era isso?
Quem fez isto? Quem manuseou as bebidas dela? Ela tentou se lembrar da
aparência do barman. O poste em frente a ela se dividiu em dois. Ela
morreria? Neste beco?
Algo era familiar. Algo puxando ela. Colocou algo em sua bebida. Havia
algo tão... trouxa nisso. Por que ela ainda não estava morta? Qual era o
ponto?
Drogada. Essa era a palavra.
Drogada? Quem a drogou? A única pessoa que lhe deu bebidas esta noite...
— Granger?
O calor a deixou. Enquanto ela arrastava seus olhos para a porta para ver
Draco Malfoy examinando-a, ela sentiu um arrepio como gelo.
— Malfoy. — Ela sussurrou. Sua língua pesada.
Ele deixou a porta se fechar atrás de si, e tudo ficou em silêncio. Eram
apenas os dois. Seu coração estava disparado.
— O que você está fazendo aqui? — ela perguntou, as palavras tropeçando.
— Prestes a fazer a mesma pergunta. — Ele olhou para a varinha em sua
mão. — Espero que você não esteja tentando aparatar, Granger. Você não
parece estar em nenhum estado.
— Por que você está aqui fora? — Ela tentou novamente. Talvez ele não a
tenha ouvido da primeira vez. Ela tentou focar os olhos nele enquanto ele
caminhava até ela, mas ele estava borrado.
— Quanto você bebeu na festa de aposentadoria?
Ela sentiu o batimento cardíaco em seus ouvidos, girando, e seus pulmões
buscaram ar.
— Como você sabia que eu viria aqui? O que você quer de mim!
Ele estava na frente dela agora, a dois passos de distância. Seu rosto entrou
em foco e ele estava olhando para ela como se ela fosse um cachorro vadio
que ele precisava prender.
— O que você tem? — ele disse. Ele poderia ter dado um passo mais perto.
Ela agarrou a varinha com a mão direita, a madeira marcando sua pele, e
tentou erguer a esquerda, dizendo para ele parar, mas ela ouviu as palavras
saírem de seus lábios e elas se misturaram.
— Você está sangrando, — ele disse, e ela se lembrou da dor quando caiu
para frente, as palmas das mãos a pegando. Ela virou a palma da mão e
Draco estendeu a mão para ela, agarrando seu pulso esquerdo para olhar o
corte.
No momento em que seus dedos roçaram sua pele, ela explodiu.
A magia desceu por seu braço, em seu peito e até os dedos dos pés. Estava
quente e frio ao mesmo tempo. Havia um zumbido em seus ossos, e seu
sangue disparou em suas veias, e ela sabia que algo estava errado, mas era
tão bom. Ela engasgou e deixou cair a varinha no chão enquanto lutava para
tocá-lo.
Ela agarrou seu colarinho para puxá-lo para mais perto, os dedos deslizando
em seu pescoço, queimando quando ela tocou a pele, e ela deve ter se
lançado sobre ele porque estava caindo para frente nele. Ele engasgou
quando a pegou, e seu corte na mão esquerda se enroscou em seu cabelo.
Finalmente.
Os dedos dos pés dela mal arranharam o chão quando ele os endireitou, as
mãos nos quadris dela e o rosto dela contra o pescoço dele. O cheiro dele
fez seus dedos se curvarem e ela suspirou em seu ouvido.
— Draco...
Ela precisava de mais. Os lábios dela encontraram o ponto onde a
mandíbula dele cortava uma linda linha do pescoço e ela o beijou ali. Sua
pele era tão quente. Ela precisava de mais.
Ela beijou uma linha abaixo de sua mandíbula, deixando sua língua prová-
lo, ofegante, e finalmente seus braços se moveram.
Uma mão ficou em seu quadril, apertando e movendo-se lentamente para
pressionar sua pélvis mais perto, e a outra dançou em suas costas,
movendo-se para seu pescoço. Ela gemeu quando ele tocou sua pele.
— Granger, o que você está fazendo? — ele ofegou.
Os lábios dela estavam se aproximando dos dele, e um deles estava
tremendo. Isso... não estava certo. Ela estava queimando por ele, mas como
eles chegaram aqui?
Ela sabia que era a droga. Ela havia sido envenenada e o estava atacando
com o corpo e a boca. Isso não era justo. Não era assim que deveria
acontecer.
Ela reuniu toda a força que lhe restava enquanto sua boca sugava o queixo
dele, a cabeça dele virando-se para ela, e o empurrou para longe. Ele
cambaleou dois passos para trás e a força disso a jogou para trás também,
aterrissando contra a parede, a cabeça batendo contra os tijolos e ela viu
estrelas.
Cada centímetro de seu corpo queria se reaproximar dele, mas ela podia
sentir o zumbido parar, o giro em seu abdômen diminuindo.
— O que você fez comigo? — ela resmungou, sua visão embaçando
novamente, embora ela não soubesse se era devido ao leve ferimento na
cabeça.
Ele estava ofegante. Ela não conseguia distinguir o rosto dele, sua cabeça
pesada, e ela estava feliz pela parede atrás dela.
— O que? — ele sussurrou.
— Por que você está fazendo isso? — ela disse, lentamente voltando a si e
lembrando que estava sozinha em um beco tranquilo com o garoto que
queria vendê-la... ou comprá-la. E ela não tinha certeza do que era pior
agora. E sua varinha rolou para longe.
— Granger?
E ela estava escorregando para a esquerda novamente. Estava tudo bem. Ela
sabia que as caixas iriam pegá-la novamente. Ela estendeu a mão para se
conter e engasgou quando sentiu o braço de Draco em volta de sua cintura.
Não foi como antes. Ela não foi afetada pelo veneno. Talvez tenha acabado?
— O que aconteceu com você? — Ele demandou. Sua cabeça pendeu e ele
deve ter tentado ajudá-la, porque de repente tudo voltou. A eletricidade
dançante. A queima. A mão dele estava em sua bochecha, mantendo sua
cabeça erguida e ela gemeu e colocou sua mão sobre a dele, mantendo-a lá.
A outra mão dele já estava levemente na cintura dela e ela usou a mão livre
para agarrar a camisa dele novamente.
— Oh, Deus, Draco.
Ela virou a cabeça e começou a beijar a palma da mão dele, então lambeu
seu pulso, segurando-o para ela. Ela gemeu, chupando a pele fina. Ela podia
sentir a respiração dele em seu rosto. A mão dele deixou a cintura dela e os
apoiou contra a parede enquanto ele se aproximava, e a imagem de Draco e
Katya veio à mente. Bem assim. Fora de um bar, pressionando-a contra a
parede.
— Granger... — A voz dele escorregou sobre ela como óleo.
— Pare! — Ela largou a mão dele e empurrou. Ele a soltou e ela pôde
respirar novamente. — Não faça isso!
A queimação parou e pouco antes de sua visão ficar turva novamente, ela o
viu dar um passo para trás, segurando ambas as mãos em sinal de rendição.
Suas bochechas rosadas e sua respiração embaçada no ar entre eles.
Ela se apoiou pesadamente contra a parede.
— Por que você me seguiu até aqui? — Sua voz estava clara, pelo menos.
Ele manteve as mãos à sua frente, os dedos abertos.
— Eu vi você sair.
Por que isso importava? Onde estava Noelle?
"Ele não ia comprar você. Ele ia salvar você."
Ela balançou a cabeça, balançando a voz de Lucius Malfoy até ficar em
silêncio.
— O que você me deu? — ela rosnou para ele. Ela começou a suar, uma
névoa embaçando sua visão, e ela sabia que pararia se ele simplesmente a
deixasse tocá-lo novamente. Ela apertou os punhos.
— Dei a você? — Ele semicerrou os olhos para ela. E ela notou que o
cabelo dele estava desgrenhado de seus dedos da maneira mais atraente.
— O que você colocou na minha bebida, Malfoy?!
Ela observou quando ele abriu a boca e a fechou. Ele baixou as mãos e
olhou para a porta de onde eles vieram. Então ele ficou borrado novamente
e ela não conseguiu observá-lo.
— O que é? Como faço para pará-lo? — Suas palavras caíram novamente, e
ela sentiu seu corpo deslizar. Ela o ouviu dar um passo à frente para
ajudar... — NÃO ME TOQUE!
Sua forma parou. Ela agarrou as caixas e se inclinou.
— Por que você me drogou? O que você quer?
Ele permaneceu em silêncio enquanto o mundo continuava a girar. Seu
cérebro funcionou. O objetivo da droga seria tirar vantagem de um parceiro
"disposto". Mas ele parava toda vez que ela o afastava.
Ela olhou para ele. Ele estava carrancudo para ela, suas mãos abrindo e
fechando, sua mandíbula fazendo o mesmo. Ele queria ajudá-la, mas ela
não o deixava tocá-la.
Talvez não fosse ele.
Ele respirou fundo, abrindo a boca para falar, e a porta lateral se abriu.
— Aí estão vocês! — Aidan.
Hermione fechou os olhos e se concentrou em sua respiração.
— Estamos falando de ir para o pub na rua debaixo, — disse Aiden, sua voz
alegre cortando o beco. — O que você acha?
Ela abriu os olhos e tentou se levantar. Foi um pouco mais fácil. Ficou claro
no rosto de Aiden que ele não achou nada de errado com seu... "encontro"...
estar sozinha em um beco com outro homem. Ela invejava aquele otimismo
e ingenuidade.
— O que está acontecendo? — ele disse. E ela percebeu que eles não
responderam. Ela olhou para Draco e seus olhos estavam no chão.
Talvez não fosse ele.
— Eu... eu comi demais. — Ela engoliu em seco e sentiu os olhos de Draco.
— Draco me pegou tentando aparatar para casa. E não estou em estado
algum. — Ela riu levemente.
— Granger, — Aiden riu. — Você está tão leve! — Seu rosto entrava e saía
de foco. Ela afastou o cabelo do rosto e o ouviu dizer: — Você está cortada?
Aiden pegou seu pulso. Draco pulou, e ela era muito lenta. Ele tocou sua
pele. E nada.
— O que aconteceu? — Aiden perguntou, ainda olhando para a mão dela,
alheio a eles.
Hermione olhou de onde os dedos de Aiden tocavam sua pele nua até
Draco, para encontrá-lo olhando para seu pulso também. Se ela fosse
apenas afetada pelo toque de Draco, por que alguém faria isso com ela?
Seus olhos deslizaram até ela, e ela olhou para ele, as lágrimas embaçando
seu rosto.
— Caí.
Aidan riu.
— Ok, vamos levar você para casa, Granger. — Ele passou um braço em
volta dos ombros dela, e Hermione assistiu Draco apreciá-los. Ele olhou de
volta para o chão. Aiden disse: — Bom papo com você esta noite, Malfoy!
— e começou a conduzi-la pelo beco em direção a um ponto de aparatação.
— Granger. — A voz dele lhe deu calafrios. O tipo bom e o ruim.
Aiden os virou e ela viu Malfoy recuperando sua varinha entre as caixas e
estendendo-a para eles. Ela pegou.
— Oh Ho! — Aidan riu. — A Garota de Ouro derrubada por algumas
cervejas amanteigadas, hein? — Ele apertou o ombro dela e os levou de
volta ao beco. Ela observou seus pés enquanto eles caminhavam, sentindo-
se mais no controle quanto mais longe eles ficavam de Draco.
Ela franziu a testa, lágrimas picando atrás de seus olhos. Aiden não sabia o
quão certo ele estava. Ela baixou a guarda com os Sonserinos. E ela foi
atacada.
Aiden a ajudou a subir as escadas, garantiu que ela abrisse a porta de seu
apartamento e deu um sorriso bobo ao dizer que eles deveriam fazer isso
novamente algum dia. Hermione quase riu, ou chorou.
Ela fechou a porta atrás dela e encontrou Harry e Ginny assistindo
televisão. Eles sorriram para ela. Ela largou a bolsa, entrou na cozinha,
abriu o armário embaixo da pia e tirou a sapatilha. Ela puxou o cabelo para
trás, tomou um gole e tossiu na pia.
Ela ouviu os passos silenciosos de Ginny contra os ladrilhos. Ela colocou a
mão nas costas e esfregou, pegando a garrafa de remédio e lendo o rótulo.
— O que está errado?
Hermione estava engasgando e chorando e ela apertou o balcão enquanto
vomitava, lamentando ter perdido o gosto da pele de Draco mesmo que ela
o odiasse.
Ela ficou acordada a noite toda, repassando os acontecimentos da noite e
pesquisando poções do amor. Com uma mente mais clara e não confusa
pelo pânico, era mais fácil supor que Marcus Flint tinha algo a ver com
isso.
Draco só havia tocado a pele dela quando se preocupou com o corte em sua
mão. Se ele tivesse dado uma poção para ela e a seguido para fora para...
Se esse fosse o objetivo, ele poderia ter feito contato com a pele dela
imediatamente. Ele parecia tão confuso sobre os efeitos.
Além disso, por quê?
E antes que o número 35.000 pudesse passar por sua cabeça, ela corrigiu:
Por que agora? Por que em um lugar público?
Ela entrou para o trabalho com cerca de uma hora de atraso. Ela se dirigiu
diretamente para o segundo andar e direto para a sala de conferências.
Draco estava de pé sobre a mesa, papéis espalhados diante dele. Ele
levantou a cabeça quando a porta se abriu e fixou os olhos nela. Ela fechou
a porta atrás de si e ergueu a cabeça.
— Sinto muito por ter acusado você de me drogar ontem à noite, — ela
disse. Ele largou a papelada que estava examinando e se virou para encará-
la, toda a mesa de conferência de doze pessoas entre eles. — Eu tinha... eu
tinha acabado de descobrir o que estava acontecendo quando você saiu.
Agradeço por ter ido me checar, mas agora sei que sua intenção não era me
seguir para... — Ela olhou por cima do ombro dele e engoliu em seco. —
Eu não deveria ter tirado conclusões precipitadas. Eu estava assustada.
Ela olhou para ele e ele estava olhando para a mesa. Ele enfiou a mão no
bolso e tirou um pequeno frasco. Ele jogou para ela e, surpreendentemente,
ela pegou. Havia uma gota de uma poção prateada dentro.
— Ovo Ashwinder, asfódelo e várias outras coisas, — disse ele. — Seus
efeitos devem ser um processo de aquecimento lento, seguido de tontura e
desorientação e, eventualmente, luxúria quando tocado pela pessoa cujo
cabelo foi adicionado à poção. — Ele olhou para o frasco enquanto ela a
examinava. — Foi Flint.
Ela olhou para ele. — E ele usou seu cabelo, e não o dele?
Ele engoliu em seco e quando sua garganta se moveu ela viu o hematoma
em seu pescoço de sua boca. Ela olhou para o pulso direito dele e viu outro.
— Marcus tem maneiras muito interessantes de se divertir. — Ele manteve
os olhos nos papéis. Ela se perguntou por que ele não usava um feitiço no
pescoço e no pulso. A mão dele também foi arranhada. Da parede?
Ela embolsou o frasco. — Obrigado por ir lá fora para me verificar. E
obrigado por não... se aproveitar da situação.
Ele soltou uma risada. Era quase um escárnio. Isso era engraçado? Era uma
ideia ultrajante que ele tivesse ido mais longe? Ela se sentiu envergonhada
por mencioná-lo.
— Devo ter uma definição diferente de "tirar vantagem da situação". —
disse ele, dando à mesa um sorriso condescendente.
Ela franziu a testa. Ele se sentia culpado. Ela pensou na mão dele correndo
por suas costas e na maneira como a boca dele quase se virou para ela. A
maneira como ele se aproximou dela, pressionando suas costas contra a
parede de tijolos.
— Poderia ter sido muito pior ontem à noite. — Ela se virou e o deixou lá.
Ela pegou o elevador até o nível 4. Ela chegou à sua mesa e Aiden colocou
a cabeça para fora.
— Ai está ela! — Ela poderia socá-lo. — Se sentindo melhor? Sabe,
perdemos um pouco da diversão ontem à noite.
Ela fez uma careta.
— Realmente?
— Sim! Briga de bar! Malfoy e Marcus Flint!
Ela parou, com o coração batendo.
— O que aconteceu?
— Acho que logo depois que saímos, Malfoy voltou para dentro e começou
a bater em Flint! Acho que ele estava flertando com Noelle ou algo assim?
— Huh. Desculpe por ter perdido isso. — Ela sorriu para ele e foi até sua
mesa.
Capítulo 22.
Hermione nunca teve tanto medo de abrir o jornal nos dias seguintes à noite
no pub com Marcus Flint. Não foi até segunda-feira que ela finalmente
parou de procurar fotos de Draco empurrando-a contra a parede.
Ela pensou em Lucius Malfoy e na herança de Draco, e rezou.
Harry a ajudou a registrar um relatório no DMLE sobre o incidente. Ou,
mais precisamente, Harry a forçou a registrar um relatório no DMLE sobre
o incidente. Ele disse que se ela não registrasse o relatório, ele próprio iria
atrás de Flint.
Ela arquivou anonimamente, para grande consternação de Harry. Harry
disse a ela que relatórios anônimos eram mais difíceis de comprovar e mais
difíceis de investigar.
— Eu realmente não me importo de um jeito ou de outro com Flint, Harry,
— disse ela na manhã de segunda-feira. Ele tinha ido ao apartamento deles
para levar a papelada para ela. — Eu só quero que esta poção seja levada ao
conhecimento dos Aurores. Não quero que isso aconteça com mais
ninguém.
— Eu me importo com Flint. — Ele olhou para ela e ela desviou o olhar. —
Eu quero ser o único a pegá-lo e jogá-lo em Azkaban.
— Não tenho provas de que foi ele. Eu tenho a palavra de Draco. Se ele for
trazido para isso e nós formos questionados e se isso chegar aos ouvidos de
Skeeter... — Ela balançou a cabeça. — Eu não posso... eu não posso mais
fazer isso. Não posso temer o dia em que Lucius Malfoy fique sabendo
disso.
— Isso não deveria ser sobre Lucius Malfoy! Isso deveria ser sobre justiça!
— Harry jogou os braços para os lados, abertos e questionando-a.
Ela se afastou dele, franzindo a testa para fora da janela. Estava chovendo.
— Tudo é sobre Lucius Malfoy, Harry.
Na terça-feira ela mal conseguia ver os hematomas no pescoço e no pulso
de Draco.
Na quinta-feira ela tinha esquecido o gosto dele.
E na segunda-feira seguinte, o sussurro de " Granger" em seu ouvido
finalmente evaporou no vento.
Na noite de terça-feira, ela se encontrou na Toca. Bill e Fleur estavam
visitando antes de partirem para fora da cidade durante todo o mês de
dezembro, e Molly estava em um estado ruim, reclamando porque eles
tinham que agendar uma noite durante a semana em vez de todo o fim de
semana. Hermione estava exausta depois do trabalho, e desejou poder se
desculpar da noite, mas Ginny a ameaçou, praticamente sob a mira de sua
varinha.
— Ah, não, não, Granger. — Ela jogou um suéter na cama, procurando a
roupa perfeita. — Eu preciso de você lá, então minha mãe vai falar com
você sobre Ron. Dessa forma, ela não vai ficar me criticando sobre quando
Harry e eu vamos nos casar.
Ginny começou a trocar de roupa abruptamente, e Hermione desviou o
olhar, estremecendo com a ideia de Ginny e Harry se casarem. Eles ainda
não tinham treze anos, sentados à mesa da Grifinória, vendo Seamus
queimar as sobrancelhas?
Hermione estava dentro da Toca por cinco minutos antes de Molly
perguntar a ela sobre Ron. Aparentemente, ele estaria em casa na véspera de
Natal, mas eles jogariam no dia de Natal.
— Ele disse isso a você, é claro? — Molly disse, lambendo uma colher na
cozinha.
— Er, não. Nós dois estivemos terrivelmente ocupados.
— Bem, é claro, você está convidada para essa noite. Dessa forma, vocês
dois podem se ver!
Hermione observou enquanto Molly enxugava as mãos no vestido e usava a
varinha para temperar o ensopado. Ela não tinha ouvido nada de Ron sobre
os dois, então.
Foi uma noite tranquila depois disso. Fleur sentou-se entre ela e Ginny na
sala de estar, o que Ginny achou bastante irritante. Ginny encontrou uma
desculpa para se levantar, deixando Hermione sozinha com Fleur.
Elas conversaram um bom tempo sobre livros e elfos domésticos – os
únicos tópicos que alguém poderia discutir com ela, aparentemente. Ela
observou Fleur enquanto ela se movia, enquanto falava, e se perguntou se
ela também possuía habilidades em dança, design de interiores e equilíbrio
financeiro.
— Fleur, — Hermione perguntou, depois de uma pausa, — você conhece
uma Madame Michele?
O rosto brilhante de Fleur escureceu.
— Oh sim. — Ela levantou uma sobrancelha com desgosto. — Eu a
conheço muito bem.
— Oh, você... Você teve aulas de boas maneiras com ela? — Hermione deu
um gole em seu chocolate.
—Eu a vi duas vezes por semana durante dez anos, — Fleur disse. — Ela é
uma mulher abominável.
— Ouvi dizer que ela é a melhor professora de boas maneiras e encantos
para os puros-sangues.
— Oh sim! — Fleur virou-se para ela, graciosamente. — Ela é a melhor!
Mas não significa que eu tenho que gostar dela! — Ela riu. — Por que você
pergunta?
Felizmente Molly Weasley anunciou o jantar naquele momento. Ela se
sentou ao lado de Harry e observou Fleur silenciosamente do outro lado da
mesa durante a refeição. Ela segurou a colher como Narcissa. Ela
mergulhou o utensílio no ensopado, dando pequenas mordidas, tomando
cuidado para não derramar. Hermione observou e se viu imitando o
comportamento. A cada três colheradas, Fleur levava o guardanapo à boca.
Era hipnótico. Ela não tinha umidade em seus lábios, mas ela ainda dava
tapinhas neles do mesmo jeito. Sempre que Fleur adicionava uma conversa,
ela encontrava o momento exato para fazer isso para que sua voz fosse
ouvida. Ela nunca teve problemas com outra pessoa falando sobre ela.
Hermione tentou encontrar o truque para isso, mas parecia ser uma
característica inata.
Hermione se perguntou quanto disso era a parte Veela e quanto foi a
professora de boas maneiras.
Naquela sexta-feira foi o dia em que Harry teve seu turno no escritório dos
Serviços Administrativos do Wizengamot. Em quarenta e oito horas, ela
teria descoberto Draco Malfoy.
Talvez.
Ela estava começando a duvidar de si mesma. Talvez invadir a mente de
Draco não fosse a melhor maneira de fazer isso. Ela estremeceu ao pensar
que Draco descobriria o que ela e Harry estavam prestes a fazer.
Ela estava se tornando uma Sonserina?
Ela dividiu o elevador com Draco na quarta-feira. Ele disse bom dia. Ele era
tão cuidadoso com ela agora, sem olhar para ela, sem tocá-la.
Ela o observou enquanto outros funcionários se juntavam a eles no
elevador, e ele cerrou a mandíbula, movendo-se para abrir espaço para eles,
mas ainda encontrando uma maneira de não tocá-la.
— Você só tem mais uma semana, sim?
A mulher à sua frente conseguiu se virar e olhar para ela, mas Draco ainda
não conseguiu.
— Sim. A próxima sexta-feira é meu último dia.
O elevador parou para várias pessoas descerem.
— Isso é emocionante, — disse ela. — Está tudo indo bem? Com o grupo
de consultoria?
Ele engoliu em seco, olhando atentamente para a parte de trás da cabeça de
um homem careca.
— Até agora tudo bem. Estamos programados para lançar em 1º de janeiro.
— Isso é maravilhoso. Parabéns.
O elevador parou no nível 4. Ela se virou para sair.
— Tenha um ótimo dia. — Ela observou os olhos de Draco piscarem para
ela, cautelosos e curiosos. Ele assentiu. E os portões se fecharam.
Oh sim. Ela iria fazer aquilo.
Harry esboçou seu plano em detalhes perfeitos. Hermione ficou chocada.
Hermione subiria para o Nível 2 depois do almoço. Ela faria questão de ser
vista por várias pessoas, como Katie Bell, Anthony Goldstein, para que, se
algo acontecesse, sua presença pudesse ser explicada. Ela esperaria por
Harry no pequeno escritório vazio logo à esquerda dos elevadores.
Quando Harry fizesse seu intervalo de quinze minutos às 14h15, ele viria
encontrá-la. Ela colocaria a Capa da Invisibilidade, e eles voltariam juntos
ao seu posto. Às 3 da tarde, Rudolf Montgomery, o parceiro designado de
Harry naquele dia, faria sua pausa para fumar à tarde.
O plano saiu perfeitamente. Ela teve um pequeno ataque cardíaco tentando
ir do pequeno escritório em frente aos elevadores para o escritório
administrativo escondido. Harry esbarrou em Draco no caminho de volta, e
ela se encostou na parede.
Eles trocaram gentilezas, e Draco perguntou sobre um arquivo no qual
Harry estava trabalhando. Hermione achou muito estranho como os dois
agora se comunicavam. Quando Draco se afastou, Harry se virou para onde
ele achava que ela estava.
— Tudo certo?
— Sim, — ela sussurrou.
Harry a levou a uma grande porta no final do corredor principal de
cubículos. Ele a segurou bem aberta para que ela pudesse passar primeiro.
Ele certificou-se de que ela estava trancada atrás dele e a conduziu por um
corredor que não tinha muita manutenção. Eles passaram por alguns
escritórios vazios, as velas ficando mais espalhadas à medida que
avançavam. Menos luz.
— Assim como nos bons e velhos tempos, certo, Mione?
Eles viraram uma esquina e no final do corredor, ao lado de uma lanterna,
estava Montgomery. Atrás de Montgomery havia uma porta preta com a
inscrição Wizengamot sala de serviços de administração.
Montgomery era um jovem espinhento de 25 anos. Harry o cumprimentou e
Montgomery perguntou como foi seu intervalo. Eles começaram a
conversar sobre Quadribol, e Hermione encostou-se na parede, tentando não
bater os dedos dos pés.
Montgomery finalmente fez sua pausa às três e quatro. De acordo com
Harry, suas pausas para fumar duravam de quinze a vinte minutos, mas ele
estava tentando parar. Não havia como saber quanto tempo duraria sua
pausa se ele decidisse não fumar. E estava chovendo lá fora.
Harry esperou que os sapatos de Montgomery parassem de ecoar no
corredor de pedra. Hermione tinha certeza de ter ouvido a porta de madeira
abrir e fechar, mas Harry esperou mais dez segundos.
Ele se virou para a porta preta e começou a recitar vários feitiços de
desbloqueio. Ele falou a senha e a porta se abriu.
O coração de Hermione estava acelerado. Harry a conduziu, deixando a
porta aberta.
Era uma pequena sala escura, decorada como o Departamento de Mistérios.
Azulejos pretos e pouca iluminação. Ele apontou para um armário no canto
da sala, acenando com a varinha. Uma penseira apareceu na prateleira de
baixo.
Hermione tirou a capa da invisibilidade.
— Você tem dez minutos. Quinze no máximo, — alertou Harry, antes de
fechar a porta.
Ela se virou para o armário contendo memórias atuais sob revisão. Ela abriu
a porta e descobriu que estava encantado, crescendo para conter milhares de
frascos. Ela desperdiçaria seus dez minutos apenas procurando!
— Draco Malfoy. — Ela esperou. E muito lentamente, cerca de dez frascos
surgiram das profundezas do armário. Eles pairaram na frente.
Ela passou os dedos pelas etiquetas.
Antonin Dolohov
6 de julho de 1997
Mansão Malfoy
Severus Snape e Lorde Voldemort
Re: Alecto Carrow e Amycus Carrow
12 de agosto de 1997
Mansão Malfoy
Bellatrix Lestrange
23 de dezembro de 1997
Mansão Malfoy
Seus dedos estavam ávidos para despejar cada memória na bacia e
mergulhar na mente de Draco Malfoy, mas ela sabia que estava ali com um
propósito. Seus dedos tremeram sobre um no meio.
Yaxley, Dolohov, Greyback
24 de dezembro de 1997
Residência dos Granger
Ela se virou para a penseira, certificando-se de que estava livre de outras
memórias. Ela destampou o frasco, pingou a memória e abaixou a cabeça
para a superfície sem pensar duas vezes.
Ela pousou na frente de sua casa ao entardecer. À sua esquerda, quatro
Comensais da Morte mascarados, todos olhando para a frente da casa.
Ela olhou para baixo. Ao lado dela, uma mão branca segurava uma varinha
de espinheiro.
Mesmo sabendo que os quatro homens não encontrariam seus pais, mesmo
sabendo como essa história terminava, mesmo sabendo que eles não
poderiam machucá-la, Hermione sentiu o terror fluindo por ela.
Em uma deixa silenciosa que Hermione não entendeu, os quatro homens se
moveram. Draco fechava a retaguarda, possivelmente por causa de seu
status e idade. Hermione imaginou que Fenrir Greyback era o terceiro na
fila pelo rosnado que ela podia ouvir. Ela distinguiu Dolohov e Yaxley por
suas alturas. Yaxley era o primeiro, depois Dolohov.
Yaxley destrancou a porta com sua varinha. Hermione pensou que teria
havido mais uma performance sobre isso. Foi um simples Alohomora, não
explodindo a porta das dobradiças. A porta se abriu e Yaxley passou por ela
lentamente.
Hermione não entendeu. Eles estavam aqui para matar dois trouxas. Havia
quatro Comensais da Morte aqui, e todos estavam prontos para lutar. A
etiqueta na memória dizia 24 de dezembro. Eles esperavam encontrá-la lá,
visitando no Natal? Ela e Harry estavam em Godric's Hollow...
Ela atravessou a soleira atrás de Draco, ouvindo sua respiração. Estava
exatamente como ela a encontrou quando voltou... vazia.
— Porra! — Dolohov quebrou o silêncio, tirando a máscara. E então eles
entraram em ação. Yaxley foi até a cozinha e Dolohov o seguiu com
relutância. Greyback estava farejando o ar na entrada, mas Draco empurrou
para a esquerda, na sala de estar e correu para as escadas.
Ela queria esperar, queria descobrir o que aconteceu com a parede acima da
lareira, mas sabia que tinha que seguir Draco. Siga o sangue.
Ele tirou a máscara enquanto subia as escadas, dois de cada vez, como Ron
costumava fazer. Suas pernas curtas a trouxeram no meio do caminho
quando ele parou no topo. Ela podia ouvir Greyback atrás dela, seguindo
Draco.
Draco moveu-se para a esquerda, respirando com dificuldade, então se
virou abruptamente quando ela alcançou o topo da escada e ela quase caiu
para sair do caminho dele quando ele escolheu a direita. Certo, em direção
ao quarto de sua infância.
Ela o seguiu e olhou por cima do ombro enquanto Greyback chegava ao
topo da escada e virava à esquerda, em direção ao quarto dos pais e ao
banheiro.
Ela estava respirando com dificuldade, com medo do que encontraria, mas
sabendo que não encontrariam nada.
Draco irrompeu pela porta. E ela o seguiu para dentro. Ele entrou, passos
ecoando na sala vazia. Ela podia ouvir Greyback entrando no quarto de seus
pais no final do corredor, e Dolohov e Yaxley abrindo armários e cômodas
no andar de baixo.
Draco se virou e inadvertidamente a encarou. Olhos arregalados,
observando as estantes embutidas no armário – a razão pela qual este quarto
era dela. Seu peito arfava em busca de ar.
E de repente seus olhos se fecharam, suas sobrancelhas se franziram, e ele
estava se dobrando, as mãos apoiadas nos joelhos, recuperando o fôlego.
Ela o observou. Mal conseguia ficar de pé no quarto vazio da infância dela,
tirando um momento para si mesmo, sem saber que estava sendo observado.
Ele ficou de pé, levando as palmas das mãos aos olhos, pressionando,
respirando. Ela nunca o tinha visto assim. E ela se perguntou se foi isso que
Harry testemunhou no banheiro da Murta Que Geme.
Ele tirou as mãos do rosto, os olhos ainda fechados. Ele respirou,
lentamente. Ele exalou, abrindo os olhos, e se transformou. Ela encontrou o
rosto que olhava para ela sobre o balcão da Cornerstone, perguntando por
que ela trabalhava lá e não na Floreios e Borrões. O rosto que lhe entregou
uma cerveja amanteigada, sentou-se ao lado dela e quase explicou por que
ela era chamada de Garota de Ouro. O rosto que perguntou sobre seu
encontro com Rolf Scamander, que assistiu Aiden escoltá-la para fora dos
elevadores em seu primeiro dia, que a examinou enquanto ela gritava em
um elevador cheio de pessoas que ela não estava noiva de Ron Weasley. O
rosto que ela não conseguia decifrar.
— Tudo limpo aqui. — Sua voz era suave quando ele chamou lá embaixo.
Ele se virou para sair do quarto dela e Fenrir Greyback estava na porta. Ela
engasgou com a intrusão.
— Este era dela, certo? — O sorriso no rosto de Greyback fez seu sangue
coagular.
— Possivelmente. — Draco respondeu. Ele tentou passar por Greyback.
— Pena que o cheiro dela não está aqui. — Ele cheirou o ar. — Tenho
certeza que ele é doce. E maduro.
Hermione sentiu lágrimas de horror brotarem em seus olhos e teve que se
lembrar de que Greyback estava morto. Ela observou quando o olho
esquerdo de Draco estremeceu, e então ele continuou passando por
Greyback e descendo as escadas.
Enquanto Greyback o seguia, ela correu ao redor dele para alcançar Draco.
Yaxley e Dolohov estavam na sala.
— Nada aqui embaixo.
— Sem cheiro de ninguém. Deve ter sido a vários meses. — A voz de
Greyback atrás dela.
— Malfoy, — Yaxley disse, e Draco olhou para ele. — Me dê seu braço.
Draco parecia confuso, mas deu um passo à frente, arregaçando a manga de
seu braço esquerdo. A Marca Negra. Hermione nunca tinha visto isso antes
nele. Yaxley riu.
— Não esse braço. — Yaxley agarrou o braço direito de Draco e abriu-o.
Draco grunhiu de dor.
— Que porra é essa? — Ele puxou o braço para trás. — Você se atreve a
derramar sangue Malfoy? — Lá estava o Draco que ela reconhecia da
escola.
Yaxley zombou dele.
— Não significa tanto quanto costumava, eu ouvi. — Yaxley apontou sua
varinha para o braço de Draco, então se virou para a parede acima da
lareira. Ela observou enquanto as palavras apareciam. Quando Yaxley
terminou, Dolohov riu.
— Vamos, — ordenou Yaxley. Fenrir o seguiu.
Dolohov parou ao lado de Draco enquanto usava sua varinha para curar o
corte de Yaxley.
— Isso é o que você ganha por ser voluntário, cachorrinho. — Dolohov
cuspiu no tapete aos pés de Draco. Draco ficou parado e olhou para ele.
Dolohov saiu, e Hermione observou Draco dar uma última olhada na
parede, pingando sangue. Ele se virou e ela o seguiu.
Os outros três haviam aparatado. O Sr. Walters estava movendo seu
aspersor. Ele deu a Draco um olhar estranho antes de voltar para dentro.
Draco olhou para cima e para baixo na rua, então voltou para a casa dela,
lançando o Feitiço para Repelir Trouxas.
Ele aparatou e ela foi puxada de volta para o pequeno depósito.
Ela checou o relógio, tremendo. Ela só estava dentro de sua memória por
oito minutos. Ela suspirou, aliviada por não ter tomado muito tempo.
Ela rapidamente recuperou a memória de Draco, despejou-a de volta no
frasco e fechou-a novamente. Com dedos trêmulos, ela a recolocou no
armário e, antes que pudesse fechar a porta, seus olhos se depararam com
outro frasco.
Mansão Malfoy
30 de março de 1998
Suas mãos pararam. Na noite em que foram capturados. A noite em que
Bellatrix a torturou. A noite em que Draco se recusou a identificá-los.
Ela olhou de volta para a porta. Ela tinha sete minutos. Talvez.
Ela pegou o frasco, despejou a memória na bacia e estava dentro da Mansão
Malfoy em instantes.
Draco estava sentado em uma poltrona na sala de estar, lendo um livro. Ele
estava mais magro, magro ao redor dos olhos. Lucius estava sentado à sua
frente em outra poltrona.
Briga no corredor. O corredor pelo qual Hermione acabara de passar
semanas antes. Narcissa entrou, liderando Greyback e Scabior, um bando de
prisioneiros movendo-se lentamente atrás deles.
Sim. Este era o momento.
— O que é isso? — Lucius se levantou.
Hermione observou enquanto Narcissa se movia em direção a Draco,
pedindo-lhe para identificá-los. Narcissa também estava magra. Ela se
moveu rapidamente, e com menos graça do que Hermione sabia que ela
tinha. Sua voz era menos sedosa e suas mãos se entrelaçavam enquanto ela
se levantava. Talvez a lista de qualidades de Lucius Malfoy não se aplicasse
a guerra.
— Não posso... não tenho certeza. — A voz de Draco estava tensa.
Hermione se viu lutando contra as amarras, seu cabelo despenteado. E os
olhos de Draco pousaram na nuca dela. Ele desviou o olhar rapidamente.
Ela assistiu enquanto Lucius e Greyback brigavam sobre quem ficaria com
a glória de encontrar Harry Potter, e então Lucius trouxe Draco de volta
para examinar o rosto de Harry.
— Não sei. — Draco se afastou dos prisioneiros e foi até Narcissa perto da
lareira.
Narcissa estava falando sobre a varinha encontrada com Harry, e então
Greyback rosnou: — E quanto a sangue-ruim, então?
Os sequestradores viraram o grupo de prisioneiros e ela se viu no centro das
atenções. Hermione viu o medo em seu próprio rosto e teve que desviar o
olhar.
Narcissa deu um passo à frente, antecipando, identificando Hermione do
papel. Hermione se sentiu traída de alguma forma, mesmo sabendo que foi
isso que aconteceu. Ela observou enquanto Narcissa se virava para Draco.
— Olha, Draco, não é a garota Granger?
Draco encarou a lareira. De costas para a sala. Ele murmurou: — Eu...
talvez... sim.
Hermione deu um passo em direção a ele, tentando olhar para seu rosto. Era
neutro, olhando para o fogo. Ela olhou para cima e Narcissa estava olhando
para ele, a mão ainda estendida, gesticulando em direção aos prisioneiros.
Hermione observou enquanto os olhos de Narcissa examinavam seu filho, e
ela baixou a mão. Narcissa se aproximou dele, e Hermione finalmente a
reconheceu. A mãe de Draco havia retornado.
— Draco, olhe para ele, — Lucius estava gritando. — Não é o filho de
Arthur Weasley... qual é o nome dele?
— Sim. Poderia ser. — Hermione o observou. Narcissa se aproximou dele e
voltou os olhos para os prisioneiros. Narcissa abriu os lábios para falar com
Draco, e antes que pudesse, uma voz gelou as veias de Hermione.
— O que é isso? O que aconteceu, Cissy?
Isso era um erro. Ela deveria sair da memória agora. Ela tinha visto o que
ela queria ver. Seu tempo certamente estava quase acabando.
Bellatrix Lestrange deslizou para a sala de estar. Hermione ficou congelada
quando Lucius e ela discutiram sobre quem iria chamar Voldemort. Draco
ainda encarava o fogo ao lado dela.
Bellatrix tinha acabado de notar a espada. Ela estava atordoando os ladrões.
Hermione sabia o que viria a seguir. Ela se virou, prestes a sair, para
retornar a sala com a penseira, quando percebeu que Draco estava
tremendo. Narcissa colocou a mão em seu ombro e ele se encolheu.
— Draco, leve essas escórias para fora, — disse Bellatrix, apontando para
os corpos imobilizados dos Sequestradores. — Se você não tem coragem de
acabar com eles, deixe-os no pátio para mim.
Draco começou a obedecer, mas Narcissa o segurou.
— Não se atreva a falar com Draco como...
— Fique quieta! — Bellatrix gritou. — A situação é mais grave do que
você pode imaginar, Cissy! Temos um problema muito sério!
Draco se virou quando sua tia o convocou. Ele ainda estava perto do fogo,
mas agora estava de frente para a sala. A história agora estava chegando a
uma parte que ela realmente não queria reviver, mas ela não conseguia tirar
os olhos de Draco. Seus olhos esvoaçaram pela sala, sem pousar em nada
em particular.
Ela ouviu Bellatrix ordenar que Greyback levasse os meninos para baixo.
Ela se virou para se ver de pé no centro da sala de estar, cercada por
Bellatrix. Havia algo ligeiramente satisfatório em assistir isso fora de seu
próprio corpo, como se ela pudesse fingir que era outra pessoa. Lucius veio
para ficar ao lado de Narcissa perto da lareira, como se estivesse dando
espaço a Bellatrix. Hermione ficou com os três Malfoys perto da lareira,
pensando que visual estranho deveria apresentar.
— Crucio!
Ela observou Narcissa pular e quase levar as mãos ao peito, antes de
retornar à sua posição original. Lucius franziu os lábios. O olho de Draco
estremeceu, mas ele não fez nada.
Ela estava gritando. Ela não olhou para si mesma, mas sabia que tinha caído
de joelhos.
Bellatrix rosnou para ela, perguntando sobre a espada. Ela ouviu sua própria
voz implorando. Então a eletricidade da Maldição Cruciatus novamente e
sua voz gritando.
Narcissa engoliu em seco. A maldição durou mais tempo desta vez. Lucius
olhou para baixo, descontente. Ela continuou gritando.
Um suspiro à sua direita, e Hermione se virou para encontrar Draco se
virando, encarando a lareira novamente. Ele levou a mão a lareira para se
firmar. Seus olhos se fecharam, ofegante. Seus ombros tremeram quando
ele levou a outra mão ao estômago. Olhos bem fechados, como antes.
Ela observou enquanto Narcissa se aproximava dele. Ela se moveu
lentamente, com medo de ser vista, e sussurrou: — O que Severus diria? —
Sua voz era gentil, e sua mão estava em seu ombro, apertando.
Hermione observou enquanto Draco respirava fundo, soltava o ar e abria os
olhos. Ela observou a construção de sua parede e a reconheceu desta vez
como oclumência. Draco se virou e encarou o corpo flácido dela no chão,
enquanto sua tia caía de joelhos, puxando sua faca.
Ela observou enquanto ele permanecia imóvel enquanto ela gritava
novamente, desta vez devido ao corte da faca em seu braço.
Hermione olhou para Narcissa, que tinha baixado os olhos, então passou
dela para Lucius, observando Draco. Ele examinou seu filho, olhando entre
Draco e o corpo dela no chão. Ele o vira quebrar segundos atrás. Lucius
suspirou e levou a mão à testa, como se de todas as pessoas nesta sala, seus
problemas fossem os mais pesados.
A sala começou a girar. Ela estava sendo puxada para trás.
O armário do escritório administrativo nadou para trás antes dela. Harry
estava lá.
— Hermione. Acabou o tempo! — Ele estava reunindo rapidamente a
memória prateada, colocando-a de volta no frasco. Ela ficou olhando para
ele, respirando com dificuldade. Ela ainda podia ouvir sua voz gritando e o
eco de um suspiro à sua direita. Harry olhou para ela.
— Funcionou? Você conseguiu sua resposta?
Ela se virou para ele, olhando em seus olhos verdes. Ela balançou a cabeça,
tentando juntar tudo.
— Ele teria me salvado.
Capítulo 23.
Ela respirou fundo. As capas duras dos livros cavaram em suas mãos, e ela
abriu os olhos, olhando para a porta de madeira da ala hospitalar.
Ela deveria voltar. Sentar-se na sala comunal e simplesmente esquecer que
ela já teve uma ideia tão boba.
Passos vindos do corredor. Ela pareceria tão tola do lado de fora da
enfermaria segurando livros contra o peito. Ela rapidamente entrou e
deixou a porta se fechar atrás dela.
As cortinas verde-menta estavam fechadas em várias camas, e a luz do
escritório de Madame Pomfrey estava acesa. Alguém estava gemendo no
final da fila, e Hermione espiou para encontrar um aluno do primeiro ano
segurando seu braço, olhos bem fechados. Ela continuou descendo a fila,
verificando à esquerda e à direita. E na quarta cama à direita, ela o
encontrou.
Seu cabelo loiro estava colado na testa, molhado de suor. Suas bochechas
estavam rosadas de febre e suas sobrancelhas estavam franzidas, mas ele
estava dormindo. Alívio inundou suas veias, agora que ela não teria que
falar com ele, ouvir seu rosnado e suas provocações.
Ela se aproximou e viu que sob o lençol fino puxado até o peito, a camisa
do pijama estava desabotoada e aberta, e uma cicatriz vermelha raivosa
começava logo à esquerda da depressão em sua clavícula, descendo e
desaparecendo sob o lençol.
Ela engasgou, e o som ricocheteou pela enfermaria, dançando com os
gemidos do primeiranista. Pressionando os lábios para se manter em
silêncio, ela estendeu a mão e puxou o lençol para baixo lentamente. A
cicatriz cruzava seu peito, cortando a outra direção logo abaixo de seu
coração, e cortando sua barriga. Ela brilhava com a pomada que Pomfrey
havia espalhado sobre ela. Os lábios de Hermione tremeram.
— Veio para terminar o trabalho, Srta. Granger?
Ela girou, deixando cair a folha e quase deixando cair os livros. Severus
Snape pairava ao pé da cama, as vestes bem apertadas enquanto ele
cruzava os braços. Seus olhos negros a estudaram.
— Eu... eu sinto muito. Eu estava apenas... apenas entregando as anotações
de Malfoy. — Ele levantou uma sobrancelha para ela, então ela continuou
divagando. — Ele faltou às aulas, e eu sei que ele está ficando para trás,
então eu... eu queria deixar um resumo das aulas, e qualquer coisa em
particular que os professores dissessem...
— Se você recebeu a tarefa de fazer anotações para o Sr. Malfoy, então o
que a Srta. Parkinson trouxe depois das aulas hoje? — Ele acenou com a
cabeça para uma pilha de papéis e livros na mesa lateral de Malfoy.
Hermione corou.
Poemas e bilhetes de amor, tenho certeza. Ela se absteve de zombar e olhou
para suas feições escuras.
— Mas se você, professor de Malfoy, prefere as anotações de Pansy
Parkinson às minhas, então tenho certeza de que acredita que elas estão
completas e minhas anotações... são desnecessárias.
A boca de Snape se contorceu e sua mão disparou, pedindo os papéis dela.
Ela piscou e entregou o livro e as anotações. Ele folheou as anotações dela,
examinando-as, e de repente o corpo de Draco convulsionou. Suas costas
se curvaram e suas mãos se fecharam em punhos. Suas pernas chutaram.
Snape não fez nada, mas virou uma página.
— Ele... ele vai ficar bem, professor?
Snape fechou o livro e franziu a testa para ela.
— Oh, como eu amo a culpa da Grifinória. — Ele se virou para observar
Draco enquanto ele choramingava, ainda dormindo. — Sim. A contra-
maldição vai precisar de alguns dias para fazer efeito nele. O ditamno vai
acabar com as cicatrizes.
Ela observou enquanto os dedos de Draco arranhavam os lençóis, mas
suas mãos permaneceram ao lado do corpo. Seus pulsos devem ter sido
enfeitiçados para grudar na cama, ela percebeu, e ele deve ter tentado
arranhar suas feridas. Seu rosto se contorceu de dor, e ela se coçou para
sentar ao lado dele e passar os dedos em seu rosto tenso.
— Isso é tudo, Srta. Granger?
Ela pulou com a voz sedosa e se virou para encontrar Snape dissecando-a.
Harry contou a ela como era quando ele entrava em sua mente, então
Hermione sabia que não era Legilimência.
— Sim, — ela disse, e se virou para passar por ele.
— A menos que você queira que eu dê uma mensagem ao Sr. Malfoy...?
— Não. Eu que agradeço. Vou voltar para a torre da Grifinória. — Ela
correu para a porta e voou por ela, resmungando consigo mesma sobre
ideias tolas.
— Ele teria me salvado.
Harry a encarou sem expressão.
— Ok... — Ele agarrou o cotovelo dela e a guiou para fora da sala. — Eu
realmente não sei o que isso significa, mas temos que ir. — Ele jogou a
capa sobre a cabeça dela e agarrou seu braço invisível.
Harry a conduziu para fora. Ela podia ouvir seus sapatos batendo, sentir
suas pernas trabalhando, mas não tinha certeza se seu cérebro estava
disparando. Ela ainda estava ouvindo os gritos e o suspiro.
Harry trancou a porta com uma combinação de feitiços que ela não
reconheceu. Seu pulso acelerado. Passos pelo corredor, e ela se recompôs o
suficiente para lançar " Silencio" no pé. Harry se inclinou para onde ele
achava que ela estava.
— Saia quando for seguro. Eu voltarei mais tarde.
E Montgomery dobrou a esquina, puxando as mangas.
— Tudo bem aqui?
— Sim. Chato como sempre.
O cheiro de cigarro velho enchia o corredor e, assim que Montgomery os
alcançou, ela passou por eles, continuando pelo corredor que havia
memorizado.
Ela alcançou o saguão principal do Nível 2 e abriu caminho entre os
cubículos. Ela estava tendo problemas para recuperar o fôlego e queria
tanto se enfiar em um escritório vazio e tirar a capa, mas ela sabia que não
poderia simplesmente aparecer do nada.
Ela passou pelo escritório de Katie Bell enquanto mastigava um lanche e
diminuiu a velocidade ao passar pelo bebedouro perto da sala de
conferências. A porta estava aberta.
Draco sentou-se à mesa de conferência. De costas para a porta. Ela entrou,
contornando a mesa para vê-lo, rastejando por seu ombro direito e para o
outro lado. Seus lábios estavam virados para baixo enquanto ele estudava o
que parecia ser um mapa.
Ele coçou a mandíbula.
Ela pensou nele em sua casa. No topo da escada, ele foi primeiro para a
esquerda, depois escolheu a direita. Como ele sabia qual era o quarto dela?
Ela pensou nele em seu quarto, irrompendo pela porta, embora a casa
estivesse vazia. O que ele esperava encontrar? Ou não encontrar?
Ela pensou nele na frente de sua lareira, tremendo, reconstruindo sua parede
mental depois que ela se estilhaçou.
Ela o observou agora enquanto ele respirava profundamente na mesa da sala
de conferências, suspirando. Seu cabelo tinha caído sobre a testa e ela
queria tanto empurrá-lo para trás para ele.
Ela tentou resolver o enigma que era Draco Malfoy. E ele parecia tão
estranho para ela quanto antes.
Em resposta, seus olhos se arregalaram. Ele virou por cima do ombro e
olhou para a porta. Ele estreitou os olhos, o cérebro trabalhando, ouvindo.
Depois de trinta segundos, ele se levantou e ela prendeu a respiração. Ele se
moveu lentamente para a porta, e ela rastejou para longe dele. Ela observou
enquanto ele colocava a cabeça para fora da porta, olhando para a esquerda,
depois para a direita. Ele voltou, olhando para o chão, pensando.
Ele olhou-a. Ela jurou que sim. Mas então seus olhos se fixaram sobre o
lugar dela na parede e ele respirou fundo. Ele olhou para fora da porta
novamente, uma carranca em seus olhos.
Passos.
— Boa tarde, Malfoy! — A voz alegre de Robards.
Ela observou Draco sorrir suavemente.
— Boa tarde, senhor. Granger está aqui?
Hermione engasgou e colocou a mão sobre a boca.
— Granger? Er, não, eu acho que não. Você precisava dela? — A forma de
Robards apareceu na porta.
— Não, não, tudo bem. Eu apenas pensei que a tinha visto.
O que? Como?
— Posso chamar ela. Tenho... — Robards baixou a voz. — As coisas se
resolveram com vocês dois?
— Er, não. Ainda é melhor se não trabalharmos juntos. Obrigado.
Hermione piscou. Ela franziu a testa para o chão. Isso explicaria por que ela
não foi convocada por quase duas semanas. Draco não queria trabalhar com
ela depois do incidente.
Robards desejou-lhe um bom dia. Draco estava parado na porta, olhos
vidrados. Ele inalou novamente, olhou para fora da porta, estalou o pescoço
e voltou para sua cadeira.
Ela saiu da sala, correndo para o pequeno escritório à esquerda dos
elevadores. Ela tirou a capa de cima dela, ofegante. Ela inclinou a cabeça
em direção ao corpo, farejando. Ela não usava perfume. E ela não tinha
odor corporal – graças a Deus.
A única coisa que ela podia sentir era o cheiro de seu cabelo. Seu xampu.
Ele a teria salvado e reconheceu o cheiro de seu cabelo.
Hermione se sentou antes de desmaiar.
Ela decidiu derrubar a Muralha naquela noite.
Já era tempo. Ela obteve as respostas que procurava quando ergueu a
Muralha pela primeira vez. Ela estava pegando o recorte de jornal de seu
aniversário – Draco visitando Lucius em Azkaban – quando Ginny chegou
em casa.
Ela irrompeu em seu quarto, os olhos arregalados de alegria e curiosidade, e
então ela murchou. Hermione acenou para ela em saudação, e Ginny
observou enquanto Hermione colocava o recorte de jornal de volta em seu
peito.
Ela não sabia o que dizer a ela.
Eu estava errada. Sobre tudo.
Eu me sinto tão perversa e culpada por ter invadido sua mente, seu
coração.
Acho que Draco Malfoy deve ter se importado comigo.
Eu apenas me vi sendo torturada. Ainda posso me ouvir gritar.
Ela não sabia por onde começar.
Ginny a acolheu e olhou para a Muralha, agora meio nua. Ela franziu a testa
para o chão e passou para o outro lado, para os artigos e notas mais
recentes, e começou a anotá-los, um por um, em silêncio até que se
encontrassem no meio.
Ela finalmente começou a falar com Ginny assim que os artigos foram
retirados. Havia notas manuscritas que ainda precisavam desaparecer, como
um papel de parede zombeteiro. Depois de levá-la através de ambas as
memórias, Ginny a encarou com os olhos arregalados.
— Ele mentiu para você. — Sua voz era suave, como se ela estivesse
experimentando algo grandioso.
— Quando? — Hermione riu.
— Todas as vezes.
Hermione olhou para ela, e Ginny estava examinando a parede vazia
novamente. Ginny se levantou, caminhando para o ponto na linha do tempo
onde Hermione havia adicionado o número 35.000 a tinta. Ginny traçou o
número com os dedos. Hermione observou os olhos de Ginny se moverem
para trás. Ela passou pela porta, movendo-se para a parede à esquerda e
traçando seu caminho de volta através dos eventos rabiscados da guerra. Ela
passou pela Batalha de Hogwarts, passou pela Mansão Malfoy e pousou na
véspera de Natal de 1997.
— Ele se ofereceu? — Os olhos de Ginny foram ao seu encontro.
— Foi o que Dolohov disse.
— Isso é o que ele não queria que você soubesse.
Hermione olhou para ela. Ginny estava criando sua própria linha do tempo
em sua cabeça. Ela olhava para a Muralha e então para o chão, os olhos se
movendo, então de volta para a Muralha. Ginny girou e virou-se para ela, os
olhos brilhando.
— Então.... ele te ama.
O coração de Hermione acelerou antes que ela o colocasse de volta em sua
gaiola.
— Ele... ele ficou aliviado porque a casa estava vazia. Quer isso signifique
ou não que ele se importava com os habitantes, ou que ele estava feliz por
não haver matança naquele dia...
— Os habitantes? Granger! — Ginny gritou. — Ele correu direto para o seu
quarto! Isso não é prova suficiente para você?
— É... é, claro, uma possibilidade! Mas talvez...
Ginny levantou a mão.
— Não. Sem talvez. Não vou deixar você se convencer disso. — Ginny se
juntou a ela na cama, agarrando sua mão. — Hermione, Lucius Malfoy
estava certo. — Ginny ergueu uma sobrancelha e piscou, como se a
sentença a tivesse magoado. — Draco foi até sua avó de sangue puro,
pedindo 35.000 galeões como um plano de contingência para salvar uma
garota nascida trouxa com quem ele nem estava namorando. — Ginny
recostou-se, olhos arregalados. — Merlin, que problemas ele tem?
O nariz de Hermione enrugou com sua expressão, e ela se levantou,
começando a andar.
— Eu... eu entendo o que você está supondo com Gin. Posso admitir que...
que parece que Lucius Malfoy estava certo e que Draco tinha... algum tipo
de sentimento por mim. — Ela se virou para a ruiva. — Mas isso foi antes.
E quem sabe o que ele está sentindo agora.
Ginny gemeu e pulou da cama, abrindo o baú com os artigos que haviam
acabado de tirar da parede. Ela pegou um e segurou na frente do rosto de
Hermione.
— Sim! Eu sei o que ele está sentindo agora!
Hermione leu o artigo do almoço deles no Fortescue's. A mão de Draco
subindo para guiá-la enquanto ela atravessava a rua. Os olhos de Draco nela
enquanto ela e Narcissa conversavam. O sorriso fácil de Draco e os olhos
brilhantes quando ele a deixou na porta da frente da Cornerstone. Parecia
uma vida atrás. Como ela voltaria para a facilidade daquele momento?
— Mas agora ele está namorando alguém. Várias pessoas! — Hermione
deu a volta na cama para colocar o artigo do Fortescue de volta em seu baú.
— Bem, então vá dizer a ele que você gostaria que seu nome fosse
adicionado à lista de espera! — Ginny pulou na cama de Hermione, ficando
de pé. Isso a lembrou tanto do último ano em Hogwarts que ela quase
sorriu.
Um crepitar e um silvo vindo da lareira. A voz de Harry gritou um oi.
— Faça um pouco de chá, Potter! — Ginny gritou para ele. — E abra um
pouco de vinho! Temos um planejamento a fazer.
— Oh, merda, — Harry murmurou da sala de estar.
Hermione passou a meia hora seguinte contando a Harry as memórias.
Bem, Ginny falava mais, colocando seu próprio ponto de vista nas coisas.
Hermione sentou-se à mesinha na área de jantar, bebendo uma taça de vinho
que Ginny havia imposto a ela.
Harry calmamente tomou seu chá o tempo todo. Hermione podia ver a
tensão em seu rosto, a tensão em seus lábios enquanto os eventos da Guerra
eram contados para ele. Ginny não percebeu enquanto avançava, contando
novos quadros para ele. Hermione não a culpava. Ela não estava lá. Ela não
estava em Godric's Hollow na noite em que Draco e os Comensais da Morte
tentaram capturá-los na casa de seus pais. Ela não estava na Mansão
Malfoy, ou na praia. Ela não tinha a imagem do túmulo de Dobby impressa
em suas memórias como Harry e Hermione tinham.
— Então a tarefa agora, — Ginny disse, e Hermione foi tirada de seus
pensamentos, — é colocar esses dois na mesma página!
— Ele não está namorando aquela garota búlgara? — Harry disse, pegando
sua xícara de chá.
— Sim, — disse Hermione. — E ela é maravilhosa.
— Tudo bem, chega disso. — Ginny serviu-lhe mais vinho. — Katya o que
quer que seja, não importa. Harry, — ela se virou para ele. — Como um
cara... é possível namorar uma garota, mas estar apaixonado por outra? —
Ginny colocou as mãos nos quadris.
Harry olhou para frente e para trás entre as duas, os olhos pousando em
Ginny.
— Eu sinto que isso é uma armadilha.
— Não é. Responda a maldita pergunta, Potter. Eu sei que você me ama.
— Eu... Bem, sim. É uma coisa podre de se fazer, no entanto.
Ginny sorriu brilhantemente e disse: — E Draco Malfoy é uma pessoa
podre, tão bom! Aí está!
Hermione revirou os olhos e bebeu profundamente de seu copo. Ela pensou
que, talvez no futuro, ela tentaria lidar com seus envolvimentos românticos
sem envolver todo mundo.
— Então, — Ginny continuou. — Malfoy quer Hermione. Hermione quer
Malfoy. Acho que os próximos passos são bem fáceis.
— Bem... — Harry murmurou. Elas olharam para ele.
— Bem o que? — Ginny exigiu.
Harry parecia desejar não ter falado.
— Bem... qual foi a última conversa que vocês dois tiveram?
Hermione piscou.
— Eu... eu o vi nos elevadores na quinta-feira. Perguntei-lhe sobre o seu
negócio e disse-lhe para ter um bom dia.
— E antes disso? — Harry estremeceu. Hermione estava confusa.
— Foi a coisa de Marcus Flint, sim? — Ginny disse, sentando-se à mesa. —
Onde ele respondeu a ela se jogando nele!
— Sim, mas... — Harry respirou fundo. Ela desejou que ele apenas
acabasse com isso. — Você também não o acusou de drogar você para...
tirar vantagem de você?
— Mas ela se desculpou por isso. Eles se consertaram. — Ginny balançou a
cabeça em frustração. Hermione olhou para frente e para trás entre os dois
enquanto eles discutiam sobre ela.
— Tudo bem, mas ainda assim aconteceu. Ele sabe que você o acha capaz
disso.
Ela sentiu uma pedra no estômago.
— Não, isso é... quero dizer... — ela começou.
— Bem, vamos desconsiderar isso porque você "consertou". — Harry se
levantou. Ginny olhou para ele usando suas palavras contra ela. — E o que
aconteceu antes de tudo isso?
— Eu o acusei de jogar espirrar nas paredes da casa dos meus pais. — Ela
olhou para a mesa, resignando-se ao que Harry queria dizer.
— Não não. Ele não espirrou nada, — Ginny disse. — E agora sabemos que
não era isso que realmente estava acontecendo...
— Sim, mas Malfoy não sabe que ela sabe disso, porque isso arruinaria a
pequena missão secreta perfeita que eu e Hermione acabamos de realizar...
— Mas o que isso importa?! Ela deveria trazer o assunto à tona novamente
e dizer a ele que não acredita que ele a machucaria ou a seus pais se
descobrisse...
— Ela pode tentar! — Harry abriu os braços para os lados. — Mas não vai
ajudar que ela já o tenha acusado disso, já o ache capaz...
— Eu entendo, Harry. — Hermione franziu a testa para suas mãos. Harry
estava certo. E era horrível.
— E não vamos esquecer, — Harry começou, mais suavemente, — o que
aconteceu antes disso.
Hermione olhou para ele.
— O que? — disse Ginny. — Antes disso foi Lucius Malfoy.
— Antes disso, — disse Hermione, sentindo o desespero encher seu peito,
— eu disse à mãe dele que nunca me casaria com ele.
Ginny abriu a boca para argumentar, mas então a calou. Ela disse: — Talvez
Narcissa não tenha contado essa parte a ele.
Hermione sorriu tristemente.
— Agora, eu não sou Draco Malfoy, — disse Harry. — Graças a Merlin, —
ele murmurou. — Eu não sou um sangue-puro, Sonserino, pé no saco. Mas
como um cara... — Harry respirou fundo e olhou nos olhos dela. — Eu
presumiria que o navio havia partido. Eu tentaria seguir minha vida.
Hermione acenou com a cabeça para as mãos, sentindo um aperto no peito.
— Bem, então. Precisamos virar aquele navio de volta! — Ginny disse
orgulhosamente, claramente não entendendo a frase trouxa.
Como fazer Draco Malfoy se apaixonar por ela novamente? Ela bateu sua
pena contra o livro de registro. Isso seria muito mais fácil se ela pudesse
descobrir como conseguiu da primeira vez.
Ela se encostou no balcão da Cornerstone, observando a bruxa se mover
apaticamente pelas estantes. Ela começou a rabiscar uma lista de ideias uma
hora atrás. Abordar Robards para mais projetos. Escrever para Narcissa
Malfoy. Sequestro.
Ela olhou para a carta que havia começado a escrever para ele. O segundo
livro da nova série de Lance Gainsworth seria lançado na Cornerstone em
maio. A lista de pré-encomendas geralmente começava três meses antes do
lançamento de um livro, então escrever para ele seis meses antes,
perguntando se ele gostaria de ser colocado na lista de pré-encomendas, era
um pouco exagerado.
Não, ela precisaria encontrar uma maneira casual de manter seu
relacionamento, especialmente porque seu último dia no Ministério seria na
próxima sexta-feira. Ela não tinha mais relacionamento com ele fora do
escritório, então ela precisaria fazer algo esta semana, algo para manter seu
interesse. Casualmente.
Ela ergueu o olhar pelas janelas para as ruas de paralelepípedos do lado de
fora e teve que se sacudir quando viu Draco Malfoy na rua, respirando
fundo antes de alcançar a maçaneta da porta. Ela o havia conjurado?
Ela olhou para baixo rapidamente, encontrando sua carta inacabada para ele
no balcão. Ela a agarrou e a amassou, jogando-a na lata de lixo e fingindo
fechar o livro de registro e guardá-lo quando ergueu os olhos. Casualmente.
— Boa tarde. — Ela deixou seus olhos pousar sobre ele enquanto ele subia
os degraus para o patamar principal. Ela fingiu surpresa. — Ah, olá.
— Granger. — Ele acenou com a cabeça em saudação, e ela estremeceu
com a memória de "Granger" em sua orelha.
— Você... você tem um livro reservado? — Ela se virou para a estante
reservada, sabendo muito bem que não havia nenhum livro sob Malfoy ou
Black.
— Er, não, — disse ele. Ela se virou para ele, mantendo o rosto o mais
aberto possível. — Eu estava... talvez só indo dar uma olhada.
Ele estava usando uma mochila no peito, parecendo um professor
universitário trouxa. Hermione não conseguia decidir se queria rir ou
desmaiar.
— Maravilhoso. — Ela sentiu o coração bater na ponta dos dedos. Ele
estava aqui. E ela estava ansiosa para mantê-lo. — Na verdade tem... hum...
— Ela contornou o balcão em direção à área de estar e estantes à esquerda.
— Muitos títulos novos desde que você esteve aqui pela última vez.
Ela abriu caminho para a seção de ficção, sentindo-o segui-la. Merlin, ela
não tinha ideia do que estava fazendo.
— Há um novo romance lançado, vagamente baseado em um livro trouxa
da década de 1980. — Ela parou na prateleira e bateu na lombada. —
Futuro distópico, lei do casamento, regulamentos sobre ter filhos. — Ela
olhou para ele e ele estava observando seu rosto. — Na minha opinião o
livro trouxa é melhor, mas ninguém ouve falar dele aqui, então...
Ela parou e deu de ombros, movendo-se pelas prateleiras. Havia várias
pessoas circulando na seção de ficção e uma jovem bruxa sentada em uma
das poltronas estava estudando os dois. Hermione passou os dedos por
algumas lombadas e o viu segui-la.
— E aqui. Phineas Bourne tentou sua sorte na ficção, assustadoramente.
Não tive estômago para aguentar, mas Morty me disse que é um romance de
terror horrível, se você gosta disso...
Ela mordeu o lábio, pensando em como devia parecer tola, guiando-o pela
loja como se ele nunca tivesse estado em uma livraria antes. Nenhuma outra
pessoa lendo silenciosamente recebeu um tour privado dos novos
lançamentos.
Ela estava muito envolvida. Ela deveria presenteá-lo com mais um livro e
depois deixá-lo sozinho. Ela não conseguia nem olhar para ele, com medo
de descobrir que ele tinha visto através dela.
— O último que eu queria mostrar a você... er... — Ela virou uma esquina e
felizmente encontrou uma prateleira vazia. Ela estava desesperada para sair
de vista da jovem bruxa que sabia exatamente o que ela estava fazendo. —
Aqui. — Ela pegou um livro na prateleira de baixo. — Uma nova biografia
de Chadwick Boot. Escrevi para Terry Boot para ver se este autor tinha
algum tipo de direito sobre as informações que ele fornece, mas ainda estou
esperando por sua resposta.
Ela tirou os olhos da capa. Seu olhar estava no livro. Ele olhou para ela, um
sorriso malicioso escondido atrás de seus lábios.
— Vou levar os três.
Ela engoliu em seco, observando a maneira como os olhos dele mudavam
de cor.
— Realmente? É... Maravilhoso. — Ela sorriu, tentando manter seu senso
de profissionalismo. — Eu... quero dizer ... eu não queria forçar você. —
Ela riu, e o som era muito estranho. — Você é bem-vindo para navegar, é
claro.
— Não, não, — disse ele, arrancando a biografia de seus dedos trêmulos. —
Se Hermione Granger recomenda um novo livro para ler, então eu seria um
tolo se não a ouvisse.
Hermione observou-o virar a biografia e ler o verso. Ela não se lembrava da
última vez que ele tinha falado seu primeiro nome.
— Eu vou... eu vou pegar os outros e encontrar você no balcão então. —
Ela passou por ele, seus quadris roçando suas coxas no pequeno espaço. Ela
pegou os outros dois livros que havia recomendado, ignorando a forma
como a jovem bruxa sorriu para as páginas de seu livro.
Ela se dirigiu ao balcão e se concentrou em sua respiração. Ela puxou o
livro de registro e começou a escrever ao ouvi-lo se aproximar.
— Na verdade, eu queria te pedir uma coisa, — disse ele.
Ela olhou para ele. Seus olhos piscaram para o balcão. Ela prendeu a
respiração quando seu pulso pulou e sua mente disparou.
— Qualquer coisa.
Oh Deus. Oh, Deus, Hermione. Sua voz estava leve, pelo menos, e não
escurecida pela luxúria ou carregada de promessas. Que resposta estúpida.
Ele olhou para ela novamente, o rosto em branco. Oclumência. Ele a
ocluiria.
— Você conhece Quentin Margolis?
Não era nada disso que ela esperava.
— O líder lobisomem? — ela disse, e Draco assentiu. — Acho que sim. Ele
esteve no escritório várias vezes, e depois da guerra ele queria que eu e
Harry o apresentássemos a Teddy Lupin... — Ela estava divagando. — Por
que você pergunta?
— Espero tê-lo como cliente. Bem, ele e seu bando. — Draco coçou a
mandíbula e desviou o olhar. — Ele está... indiferente às corujas que
mandei para ele. E estou começando a achar que é meu nome, minha
reputação. — Sua mandíbula apertou. — Minha história com Greyback.
Hermione viu a vergonha cruzar a testa dele antes que a imagem de Fenrir
Greyback cheirando o ar em seu quarto passasse diante de seus olhos.
— Eu sei. — Ela não sabia. — Bem, Quentin passa muito pouco tempo
longe do bando. É possível que suas cartas não tenham sido recebidas.
— Oh, elas foram. — Draco sorriu fortemente. — "Sem resposta" é a
maneira gentil de dizer isso, mas ele me disse que não tem interesse em me
conhecer.
Ela assentiu, girando a pena.
— Pode ser uma questão de dinheiro. A comunidade pode não ser capaz de
pagar seus serviços. Lobisomens têm dificuldade em ganhar e manter um
emprego...
— É por isso que estamos lutando. Direitos iguais para os lobisomens. Leis
anti-discriminação.
Sua respiração a deixou ofegante.
— Leis anti-discriminação? — Ela encontrou seus olhos e sabia que os dela
estavam arregalados. A luta pelos direitos dos lobisomens estava chegando
há muito tempo, e Kingsley disse a ela que estava sob revisão para as
próximas audiências. Mas se alguém como Draco Malfoy e seu grupo de
consultoria estavam liderando isso... com assessoria jurídica de verdade...
Seus olhos percorreram o rosto dela, e então ele olhou para o balcão, como
se estivesse envergonhado.
— Eu só preciso de uma ajuda... — disse Draco. — Uma recomendação.
— Claro. — Ela estava sem fôlego. — Vou escrever para Quentin em seu
nome.
— Você vai? — Seus olhos a queimaram. Ela assentiu. — Eu tenho... aqui...
— Ele se virou para sua maldita bolsa e tirou dela uma pasta de couro. —
Aqui está a proposta. Se você quiser se familiarizar com isso.
Ela pegou dele com dedos gananciosos, ansiosa para se derramar sobre as
ideias e planos nele.
— Vou devolvê-la na segunda-feira.
Ele assentiu.
— Obrigado, Granger.
" Granger" . Sussurrou em seu ouvido.
Ela sorriu e guardou a pasta, e continuou anotando a compra dele no livro.
Era possível que a única razão pela qual ele estava comprando esses três
livros fosse porque precisava de um favor dela. Mas Hermione não tinha
nenhum escrúpulo sobre isso.
Com os olhos ainda no livro, ela disse: — Sua equipe vai levar você para
uma comemoração em seu último dia?
— Er não. Eu acho que não.
Ela olhou para ele e afastou o cabelo do rosto.
— Isso não vai dar, — disse ela. — Harry e eu teremos que planejar algo
então.
Seus olhos brilharam para ela. Ela não os via fazer isso há muito tempo. Ele
baixou a guarda.
— Você... não precisa.
— Claro que preciso, — ela disse, sorrindo. — Teremos que fazer algo
realmente embaraçoso, como imprimir seu rosto em um bolo.
Ele estremeceu.
— Isso deve ser uma tradição trouxa.
— Absolutamente. — Ela riu. Seu coração batia tão rápido que parecia que
estava brincando com fogo. — Vamos fazer sexta-feira depois do trabalho?
No seu último dia. — Ela estava voando muito perto do sol e sentiu a
necessidade de diminuir a velocidade. — Farei com que Harry espalhe a
notícia no Nível 2. Traga Katya se quiser.
Como jogar água fria em si mesma.
— Ou Noelle, — ela sorriu, tensa. — Ou quem quer que seja a vez às
sextas-feiras. — Ela conseguiu dar uma pequena risada enquanto colocava
seus três livros em uma sacola.
Ela não conseguia nem olhar para ele. Ela poderia dizer que ele estava
olhando para ela.
— Você vai ter que me dizer como é o romance de terror. Acho que não
consigo superar isso, — disse ela. Ela lhe entregou a sacola.
Ele pegou dela e disse: — Obrigado. Por escrever para Quentin Margolis.
Ela encontrou seus olhos. — Claro. Qualquer coisa que você precise.
Ele sorriu, e ela podia sentir o calor subindo para suas bochechas.
— Cuidado, Granger, — ele disse, e ela observou seus olhos brilharem. —
Eu posso aceitar isso.
O sorriso quebrou em seus lábios antes que ela pudesse detê-lo. Ela mordeu
de volta, sabendo que parecia uma idiota, apertando os lábios e corando
quando ele se virou e saiu da Livraria Cornerstone.
Ela flutuou pelo resto do dia. Ela flutuou para casa. Ela flutuou até seu
quarto e encontrou dois envelopes esperando por ela em sua cama. Ginny
deve tê-los pegado das corujas que entregaram.
Um deles era um envelope de marfim, com uma letra cursiva perfeita e
inclinada, Srta. Hermione Jean Granger. O outro apenas dizia HG Que
estranho.
Ela abriu primeiro o envelope marfim, reconhecendo a caligrafia de
Narcissa Malfoy.
Querida Hermione,
Narcissa e Draco Malfoy gostariam de convidá-la cordialmente para o
baile de gala anual de Ano Novo Malfoy e para a festa de lançamento
oficial do grupo de consultoria Malfoy.
Havia vários outros pedaços de papel no envelope, como um RSVP e
instruções sobre como chegar pelo Flu, mas ela foi consumida pela parte
" Querida Hermione".
Ela sorriu para o rabisco delicado. Talvez as coisas estivessem voltando ao
normal agora. Ela e Draco estavam conversando – flertando, até – e
Narcissa estava se dirigindo a ela com carinho. Ela se imaginou chegando
com um lindo vestido, arrumando o cabelo, deixando Ginny fazer sua
maquiagem e deixando Draco aceitar sua oferta de "qualquer coisa que ele
precisasse".
Ela ainda estava corada, mordendo o lábio, enquanto abria o outro
envelope, retirando dele vários pedaços.
Seu coração parou e seu corpo tremeu ao reconhecer a caligrafia. Um
rabisco regular que ela tinha visto pela última vez em um pedaço de papel
contra uma mesa de metal.
Senhorita Granger,
Escrevi para Madame Michele e estou bastante chocado ao descobrir que
ela não tem nenhum compromisso com você.
Escrevi para Madame Truesdale, Madame Bernard e Monsieur Dubois, e
descobri que você não fez nenhuma tentativa de agendar aulas de dança,
aulas de design de interiores ou aulas de hospedagem.
Pelo que entendi, você não estava envolvida romanticamente com meu filho
e, se optou por se envolver, reconheceu as qualidades que havíamos
combinado que você trabalharia.
Como você não tem intenção de se tornar uma candidata elegível para meu
filho, temo que terei que reavaliar minha disposição de separar a herança
de Draco de suas obrigações conjugais. É uma pena que isso possa afetar
os planos de negócios de Draco. Eu esperava que ele começasse de novo e
se tornasse um líder e tanto neste mundo, mas talvez ele não esteja pronto.
Não se envergonhe ainda mais tentando negar. Eu vi a prova com meus
próprios olhos, Srta. Granger, e devo insistir que você saia do mundo de
meu filho.
Lucius Malfoy
Com dedos trêmulos, ela colocou a carta sobre a cama para encontrar várias
fotografias atrás dela. Ela observou enquanto se jogava nos braços de Draco
em um beco sujo, enfiando os dedos no cabelo dele e pressionando os
lábios no pescoço dele. Ela jogou aquela foto pela sala e encontrou a
imagem de Draco pressionando-a contra uma parede de tijolos enquanto ela
chupava seu pulso.
Ela largou as fotos e cambaleou até o banheiro, ofegante.
Capítulo 24.
Lucius Malfoy era muito talentoso.
Hermione pensou isso enquanto olhava pela janela de seu quarto. Tinha
começado a chover.
Ela parou de engasgar e chorar e voltou para o quarto, as luzes piscando
com magia.
Ela não iria tolerar isso, pensou. Ela não seria manipulada como uma
colegial comum. Ela escreveria de volta para Lucius Malfoy, detalhando
que não tinha intenção de se tornar alguém bom o suficiente para o filho
dele. Ela e Draco iriam começar a namorar, e eles iriam se casar – NÃO nos
Jardins Malfoy, muito obrigado – e eles teriam filhos e nenhum deles seria
loiro porque era uma maldita característica recessiva, Lucius. E ela
garantiria que nenhum filho moreno de Malfoy tivesse a menor ideia de
como segurar uma colher ou equilibrar um talão de cheques, ou dança de
salão, ou qualquer outra coisa!
Ela foi até a bolsa, procurando uma pena e um pergaminho. E foi então que
ela o encontrou.
Uma pasta de couro detalhando como Draco Malfoy iria mudar o mundo.
Ela estava sentada na cama agora, olhando pela janela, a pasta aberta em
seu colo. Ela devorou tudo, da frente para trás, e passou os dedos pela
delicada caligrafia dele. Ele detalhou tudo, claramente tendo feito sua
pesquisa sobre a história dos lobisomens, os problemas atuais e as soluções
fracassadas.
A quinta aba da pasta de couro continha uma análise jurídica. Ele havia
encontrado falhas nas leis existentes que regiam os regulamentos dos
lobisomens. Ele descreveu como o grupo de consultoria Malfoy visaria
essas falhas em um ataque agressivo contra o Wizengamot.
A sétima aba continha hipóteses sobre como o testemunho da comunidade
de lobisomens poderia fortalecer o argumento e como o próprio Harry
Potter poderia se apresentar para defender Remus Lupin e sua excelência no
ensino de Defesa Contra as Artes das Trevas. Draco de alguma forma foi
informado de que Harry aprendeu a produzir um Patrono com Remus
quando ele tinha treze anos, e ele planejava usar isso a seu favor também.
A aba final foi preenchida com notas pessoais. Ela ficou chocada ao ver
rabiscos e ideias de marcadores em sua caligrafia. Chocada por ele deixá-la
vê-los. Uma das ideias era um pensamento informe sobre as novas Leis de
Integração dos Nascidos Trouxas sendo avaliadas pelo Wizengamot nesta
primavera. Essas leis exigiriam que uma porcentagem do pessoal de cada
negócio privado fosse nascido trouxa, e Draco estava claramente no meio
de um pensamento sobre leis semelhantes que poderiam ser aplicadas aos
lobisomens. Ela leu seus rabiscos e anotações e encontrou o motivo para
deixar essa ideia de fora da apresentação completa: Isso seria exclusivo
para lobisomens? Ou as outras espécies/criaturas gostariam que isso fosse
aplicado a elas – se nós representássemos.
Hermione olhou para o nada por vários momentos, imaginando outras
espécies tendo igual representação no Wizengamot... se nós
representássemos.
Era tudo brilhante. Ele era brilhante. E ela decidiu que faria tudo ao seu
alcance para conseguir o que ele queria.
Ela escreveria uma carta excelente para Quentin Margolis. Ela o
convenceria da importância do Grupo de consultoria Malfoy, e daria todo o
seu apoio a Draco Malfoy.
Ela escreveria para Lucius Malfoy. Ela explicaria calmamente que as fotos
em questão eram parte de um mal-entendido, um incidente estranho. Ela
prometeria ficar longe de Draco, a menos que uma reunião social ou um
empreendimento de negócios exigisse isso. Ela iria informá-lo de seu
convite para o Baile de Ano Novo de Narcissa para que não houvesse mal-
entendidos, e deixá-lo saber que ela pretendia ir.
Se isso não fosse suficiente para ele – Hermione enxugou uma lágrima de
seu rosto – ela se ofereceria para começar suas aulas com Madame Michele
em janeiro. Ela imploraria para que ele reconsiderasse a retenção da
herança.
Hermione assistiu enquanto uma gota de chuva escorria pelo lado de fora de
sua janela, juntando-se a outras e passando zunindo.
Qualquer coisa que você precise.
Ela usou Katie Bell na segunda-feira para devolver a pasta a ele. Ela disse a
Katie para esperar até que ele saísse de sua mesa e então colocá-la em sua
cadeira. Ela incluiu uma cópia da carta que escreveu para Quentin Margolis
no bolso da frente.
Ela disse a Harry que ele precisava organizar uma festa depois do trabalho
na sexta-feira para Draco. Harry parecia bastante confuso sobre como fazer
isso, então ela pediu a ajuda de Katie Bell com isso também.
Naquela segunda-feira, o Witch Weekly foi impresso, com uma foto de
Draco Malfoy sorrindo na capa. " Sorriso mais encantador!" Hermione riu.
Ela não achava que alguém tivesse enfeitado a capa sem realmente sorrir.
O artigo continuou entrevistando Draco sobre todos os tipos de assuntos
insípidos. Qual era seu restaurante favorito para encontros, o que ele
procurava em uma mulher, o que uma mulher deveria vestir em um
primeiro encontro.
Hermione sentiu como se tivesse perdido dois NOMs apenas por lê-lo.
Os elevadores os reuniu na quarta-feira na hora do almoço. Ela estava tão
cansada, olhando para seus sapatos. Ela ainda não tinha ouvido a resposta
de Lucius Malfoy, então ela não tinha ideia se esse esforço de não vê-lo,
não falar com ele, valia a pena.
Ela olhou para cima quando o elevador parou no nível 6 e os portões se
abriram e o revelaram. Ele era como água fresca. E ela estava tão ressecada.
Ele a viu e sorriu.
Ela olhou para baixo, apoiando-se na parte de trás do elevador para se
apoiar.
— Granger.
— Olá, como vai?
— Bem, obrigado. — Ele deu um passo ao lado dela, e quando o elevador
disparou para o lado, ela sentiu seus quadris roçarem os dele. — Recebi
uma resposta de Quentin Margolis.
Ela olhou para ele.
— E?
— Ele concordou em se encontrar comigo na próxima semana. — Ele
sorriu para ela e ela sorriu para ele.
— Essa é uma notícia maravilhosa. — Ela sentiu um rubor subindo pelo
pescoço quanto mais ela olhava em seus olhos. — Eu estou... estou tão feliz
por você.
— Eu não posso te agradecer o suficiente, Granger.
Ela sentiu o calor dele ao lado dela e ficou tão aliviada quando alguém
entrou no elevador no nível 5.
— Estou feliz que você me pediu. Estou muito impressionada com toda a
proposta.
Proposta... Por que não havia uma palavra melhor.
— Ouvi dizer que há uma festa para mim em um pub na sexta à noite, —
Draco apertou os lábios, fingindo franzir a testa.
— Há? — Ela perguntou inocentemente. — Talvez seja mais uma
celebração de sua partida.
— Deve ser isso. — Ele assentiu com a cabeça, os lábios se contraindo.
Ela olhou para ele enquanto ele reprimia o sorriso, olhando para os sapatos.
Ela não tinha certeza se tinha permissão para falar com ele, muito menos
estar tão perto dele, então ela levou um momento para absorver isso. Ele
deve ter sentido os olhos dela nele. Ele levantou a cabeça para olhar para
ela enquanto o elevador desacelerava para o Nível 4.
Ela se virou e disse: — Tenha um bom dia, Malfoy, — enquanto descia. Ela
teve que se esforçar tanto para não chamá-lo de Draco.
Ela estava se preparando para dormir naquela noite quando ouviu um
barulho na janela. Hermione se viu olhando para uma simples coruja cinza
do lado de fora de sua janela. Seu coração batia forte quando ela a deixou
entrar. Ela deixou cair um envelope simples e voou para fora.
Ela abriu outra carta para HG com dedos trêmulos. Era curta.
Senhorita Granger,
Agradeço sua preocupação com os negócios de meu filho. Eu aceito seus
termos.
A herança será transferida em janeiro, desde que suas interações sociais
com meu filho permaneçam limitadas.
Madame Michele espera por você às 20h na terça-feira, 4 de janeiro.
Lucius Malfoy
Ela fumegou. Ele marcou uma aula para ela sem levar em consideração sua
agenda?
Ela respirou fundo, lembrando que tinha acabado de salvar a herança de
Draco. Ela precisaria limitar suas interações sociais com ele, no entanto.
Isso seria bastante fácil. Eles já eram limitados antes.
"Eu aceito seus termos." Como se fossem parceiros de negócios.
Ela bufou e se deitou na cama, jogando a carta de Lucius para o lado.
1º de janeiro não poderia vir em breve.
Ela não viu Draco na quinta ou na sexta. Ela deixou o trabalho cedo na
sexta-feira, alegando doença. Ela disse a Katie Bell para dar lembranças a
Draco em seu último dia, mas ela não iria ao bar depois do trabalho.
Ela não o viu naquele fim de semana em Cornerstone. Ela nunca tinha sido
tão grata por sua ausência.
Na segunda-feira, ela foi arrastada para o escritório de Mathilda para
discutir seu futuro. O cargo de Relocação de Elfos Domésticos seria para
entrevistas nas últimas semanas de dezembro, mas Mathilda ainda queria
que ela se candidatasse ao antigo cargo de Draco no andar de cima com
Robards. Hermione assentiu e agradeceu, ainda sem saber o que fazer.
À medida que a Gala de Ano Novo se aproximava, Ginny arrastou
Hermione para comprar vestidos. Ginny marcou um horário para elas em
uma das butiques sofisticadas do Beco Diagonal, geralmente reservadas
para festas de casamento ou para a verdadeira elite bruxa. Ginny usou o
nome de Hermione na reserva e de repente um horário estava disponível.
Uma vendedora de cabelos loiros brilhantes as atendeu, levando-as a uma
sala reservada com vestidos apenas em seus tamanhos. Enquanto elas
folheavam os vestidos, Ginny lembrou a Hermione que era um baile de gala
"Preto e Branco". Ela precisaria de um vestido preto ou um vestido branco.
Ou uma combinação.
— Ouvi dizer que Narcissa Malfoy condenou alguém ao ostracismo por
usar cinza em um baile de gala preto e branco antes. Nunca mais se ouviu
falar da mulher, — Ginny disse enquanto segurava um vestido branco para
Hermione.
— Por que não posso simplesmente usar preto?
— Porque eu preciso usar preto. Obviamente. Não posso aparecer de
vestido branco. Eu ficaria translúcida.
— Mas... Por que não posso usar preto?
— Você quer que nós duas apareçamos vestindo preto, parecendo que
estamos em um funeral? Não, Granger. Pense na estética geral.
Hermione franziu a testa e continuou passando os dedos pelos tecidos. Um
deles era tão liso e macio que ela parou, puxando o cabide. Ela puxou o
vestido do resto e um luxuoso vestido branco até o chão caiu de suas mãos.
Era notavelmente modesto – nada muito revelador na área do peito, sem
mangas com ombros franzidos. Hermione virou o cabide e descobriu que a
parte de trás estava completamente aberta, descendo até o que ela presumiu
ser o topo dos quadris, cobrindo o tecido em estilo grego. Revelador
demais...
— Ah, Hermione. Isso é lindo. — Ginny jogou fora o vestido preto de
chiffon com o qual estava brincando e correu até ela.
— Não, — disse Hermione. — Mas olhe para trás. — Ela virou o cabide e
os olhos de Ginny brilharam.
— Perfeito!
Hermione estava prestes a explicar que preferia estar coberta, quando a
vendedora loira entrou correndo.
— O vestido escolhe a bruxa, você sabe! — Ela pegou o cabide dela e o
ergueu. — Excelente escolha, Srta. Granger. Feito à mão nos ombros e
drapeado clássico. — A garota passou as mãos pelo vestido, apontando para
os ombros, passando os dedos pelo tecido que escorria do cabide como
água.
— Eu... eu não posso usar algo assim com as costas abertas, infelizmente.
— Ah, experimente no corpo, Granger! — Ginny revirou os olhos. — Qual
é o problema?
Hermione bufou, pensando em seu sutiã bege que estava firmemente preso
no meio de suas costas. Ela pegou o vestido e entrou na sala cortinada. Ela
tirou a calça jeans agressivamente, convencida de que odiaria esse vestido.
Ela comprou o vestido. Foi impressionante. Ginny a convenceu de que ela
poderia usar um tipo diferente de sutiã que não aparecesse nas costas, ou ela
poderia ficar sem sutiã, o que Hermione discordou firmemente.
Elas passaram o Natal na Toca. Ron veio para o dia de Natal e, embora
tenha sido tenso, Harry, Ron, Hermione e Ginny se divertiram muito.
Foi adorável ver George, e Percy estava fora de si com ciúmes sobre a Gala
de Ano Novo de Narcissa Malfoy.
Molly continuou tentando deixar Ron e Hermione sozinhos, e na única vez
que ela conseguiu, Ron deu a notícia de que estava namorando alguém.
— Isso é adorável, Rony! — Ela sorriu e tentou não sentir o aperto no peito.
— Sim? — Ele semicerrou os olhos para ela, o rosto contraído de
ansiedade.
— Absolutamente. Espero que ela seja digna de você. — Ela piscou para
ele, e Ron relaxou.
— E você? Você está saindo com alguém? Quero dizer... Você não precisa
me dizer...
— Não, não, — disse ela. — Está tudo bem. Er... ninguém no momento.
Tenho algumas decisões importantes no trabalho na próxima semana nas
quais estou me concentrando. Gawain Robards me ofereceu o antigo cargo
de Draco Malfoy.
Os olhos de Ron piscaram ao ouvir o nome de Draco, mas ele sorriu para
ela.
— Isso seria legal. Você trabalharia com Harry.
— Certo, — ela disse, virando-se. — Mas a outra posição que está aberta é
em Realocação de Elfos Domésticos.
— Oh. — Ele olhou para o chão. — Isso é... uau. — Ele olhou para ela. —
Quero dizer... Qual você escolheria?
Ela riu.
— Exatamente.
Ela estava feliz por ter pessoas em sua vida que realmente a entendiam.
Eles conheciam suas paixões e onde ela queria acabar.
O resto do dia foi adorável. Ela recebeu vários livros, é claro, e um suéter
Molly Weasley. Ela enviou a Monica Wilkins algumas guloseimas trouxas
pelo correio, desejando a ela e ao marido um feliz feriado na Austrália.
Na sexta-feira seguinte era a festa de lançamento e gala de fim de ano.
Ginny arranjou um time de bruxas para fazer o cabelo e a maquiagem, o
que fez Hermione rir.
— Você sabe fazer seu cabelo e maquiagem, Ginny! E você sabe como
fazer o meu!
— Mas eu quero tudo perfeito! Eu quero ser convidada de volta!
Hermione balançou a cabeça para ela. Ela imaginou que Ginny achava
essas coisas tão difíceis quanto ela. As duas cresceram de alguma forma do
lado de fora – Ginny como desprivilegiada e Hermione como nascida
trouxa – e agora estavam sendo convidadas a entrar.
Ginny convenceu a equipe de cabelo e maquiagem a deixar o rosto de
Hermione o mais natural possível, e deixar o cabelo solto. A bruxa do
cabelo puxou metade do cabelo para cima, trançando-o longe do rosto e
enrolando os cachos rebeldes que caíam nas costas e no ombro. Quando ela
colocou o vestido branco, Ginny disse que ela parecia uma deusa grega.
Hermione deu um tapa em seu braço e foi calçar os sapatos.
No intervalo de tempo designado, Hermione e Ginny ficaram em frente à
lareira. Ginny tinha escolhido um lindo vestido preto que ela disse a
Hermione que era do estilo "querida". Ela não sabia o que isso significava,
mas gostou em Ginny.
Ela pegou sua bolsa – emprestada do armário de Ginny – e esperou que a
ruiva entregasse o saco de Flu. Hermione podia sentir o ar da sala dançando
nas costas abertas de seu vestido, e ela já se arrependia da escolha. Ela
estava muito exposta.
— Ok, Granger. — Ginny se virou para ela. — Aqui está o acordo. Você
precisa encontrar Draco Malfoy esta noite e lembrá-lo de que ele está
apaixonado por você. — Hermione revirou os olhos. — Não, estou falando
sério aqui, Granger. — Ginny agarrou seu braço. — 1º de janeiro é daqui a
três horas.
Os olhos de Hermione viraram para o relógio.
— Isso é... quero dizer, Ginny... 1º de janeiro não importa. A transferência
da herança é importante.
— Então pergunte a ele quando for transferida e então lance-se sobre ele à
meia-noite!
Hermione corou e empurrou Ginny para longe dela.
— Farei o meu melhor. Estamos prontas?
Hermione jogou o pó e saiu pela lareira para encontrar uma Mansão Malfoy
completamente diferente. Sim, a grande escadaria estava lá, e os lindos
corredores levando a diferentes alas da casa, mas havia velas flutuantes,
neve mágica caindo e desaparecendo antes de atingir o chão, e pelo menos
uma centena de pessoas vestidas extravagantemente.
Ginny apareceu logo atrás dela e xingou baixinho com a grandeza.
— Meu Deus, Hermione, — ela sussurrou. — Corra de volta para Azkaban
e diga a Lucius que você aceita todos os termos.
Hermione revirou os olhos e a golpeou com o cotovelo. Só então ela viu
Narcissa dando as boas-vindas aos convidados na sala de estar recém-
reformada, e Hermione não sabia se a náusea que sentia era devido a
Narcissa ou ao ver a sala de estar novamente.
Havia elfos domésticos – todos contratados para a noite, Hermione tinha
certeza – andando com bandejas de champanhe e Firewhisky, então Ginny
pegou duas taças de champanhe para elas. Hermione engoliu a dela e
colocou a taça vazia de volta em outra bandeja que passava. Ginny riu.
— Devemos?
Hermione respirou fundo e levou Ginny até a linha de recepção onde
Narcissa estava cumprimentando e sorrindo para todos os tipos de pessoas.
Quando chegou a vez delas, Narcissa voltou os olhos para Hermione e, após
uma pausa, sorriu. O coração de Hermione voltou a bater.
— Hermione, querida. — Narcissa a puxou para um abraço. — É tão
maravilhoso que você pode vir. E esta é Ginny Weasley, sim?
Hermione assistiu enquanto Narcissa cumprimentava Ginny e elas
conversaram brevemente.
— Bem, senhoras, por favor, divirtam-se. Acredito que o Sr. Potter já esteja
lá dentro. Vou me juntar a todo o grupo em apenas alguns minutos. —
Narcissa apertou o braço de Hermione de uma forma muito amigável.
Assim que elas entraram, Ginny avistou Harry do outro lado do caminho.
Ela foi salvá-lo de qualquer conversa em que ele estivesse envolvido,
deixando Hermione cuidar da nova sala de estar.
Foi completamente renovada. Era como se os Malfoys tivessem dado ao
projetista a instrução de tornar esta sala o mais diferente possível da
anterior. Hermione não conseguia nem distinguir onde estavam os marcos
da sala. Ela não conseguia localizar o local exato em que havia sido
torturada por Bellatrix, ou a lareira onde ela havia revivido recentemente ao
lado dos Malfoys nas memórias de Draco. A dor fantasma em seu braço
parou de formigar.
— Hermione Granger?
Ela se virou para ver um homem alto e moreno se aproximando dela.
— Eu achei que fosse você. — Ele sorriu para ela, e ela então o reconheceu
como um Sonserino.
— Blaise Zabini, sim?
— O primeiro e único. — Ele olhou para ela, e Hermione parou antes de
cruzar os braços na frente de seu corpo.
Blaise segurava duas taças de champanhe. Ele estendeu uma para ela,
oferecendo.
— Eu faço questão de não beber nada de um Sonserino, obrigado.
Ele sorriu para ela.
— Então você não vai se divertir esta noite, — disse ele, pegando a taça de
volta e trocando-a por uma nova em uma bandeja que passava. — O
champanhe é da propriedade Malfoy em Verzenay, França.
Ela olhou para a taça quando ele a colocou em suas mãos, aceitando a ideia
de que os Malfoys não só tinham uma propriedade na França, mas também
um vinhedo de Champagne. Ela se recuperou e olhou para ele.
— Li que você morou na Itália. Você está de volta ou apenas visitando? —
Hermione deu um gole em seu champanhe, tentando descobrir como
segurar sua bolsa e sua taça com sucesso.
— De volta, — disse ele. — Vou me juntar ao novo empreendimento
comercial de Draco em janeiro.
— Oh, parabéns.
— Obrigado. — Ele tomou um gole de champanhe e a observou enquanto
sua garganta se movia. — Então, — ele começou. — Diga-me, Granger.
Você está no Salão Principal, Potter está com a Varinha das Varinhas, o
Lorde das Trevas foi derrotado, e daí?
Ela sorriu para o chão. Tão casual na maneira como descreveu a Batalha
Final.
— Eu trabalho para o Ministério no Departamento de Regulamentação e
Controle de Criaturas Mágicas.
— E você já está administrando o lugar?
— Não, estou trabalhando na Divisão de Feras, principalmente preenchendo
relatórios sobre contrabando ilegal de ovos de dragão.
— Realmente? — Ele franziu os lábios. — Eu pensei que você estaria no
caminho certo para Ministra da Magia agora.
— Bem, talvez eu esteja apenas indo devagar. — Ela sorriu para ele. Seus
olhos brilharam quando ele sorriu de volta para ela.
— E você está noiva do Weasley?
— Ah, não, — disse ela. — Isso foi um erro de impressão no Profeta.
— Veja, eu nem mesmo leio o Profeta. Eu estava apenas presumindo.
— Então você presumiu errado. — Ela sorriu. Ele a lembrava ligeiramente
de Draco, mesmo charme, mesma confiança.
— E você se tornou amiga dos Malfoys? Encontros para almoço e coisas
assim?
— Pensei que você não lesse o Profeta. — Ela olhou para ele por cima do
copo. Ele arqueou uma sobrancelha para ela e riu.
Ele se aproximou dela, colocando a mão levemente em sua cintura. Ele
levou a boca ao ouvido dela para sussurrar: — Cá entre nós, Granger, você
poderia fazer melhor.
Ela estremeceu. Suas bochechas esquentaram, seja pelo comentário, pelo
champanhe, ou pela mão dele em sua cintura, perigosamente perto de suas
costas abertas. Ele se afastou, levantando a mão. Ele olhou para o rosto dela
com um sorriso arrogante, e Hermione não sabia o que fazer.
— Blaise, — uma voz feminina. Ela se virou para ver uma das irmãs
Greengrass, bonita e sorridente. — Draco precisa ver você, é sobre o
discurso dele hoje à noite.
— Claro que sim, — Blaise sorriu. Ele se virou para Hermione, agarrou a
mão dela e levou os nós dos dedos dela aos lábios. — Conversaremos
novamente em breve, Granger. — Com uma piscadela, ele se virou para
sair.
A garota Greengrass começou a segui-lo, então virou de volta: — Olá,
Hermione.
— Olá.
Hermione ainda não sabia quem ela era. A garota sorriu e continuou a se
afastar. Hermione tomou um gole de champanhe, seguindo-os com os olhos
para descobrir onde Draco estava. Eles viraram à esquerda em torno de uma
bela escultura de gelo no meio da sala, e ela finalmente viu uma cabeça
loira. Ele estava parado com a outra garota Greengrass, o que não a ajudou
a identificar qual era qual. Suas vestes formais pretas eram forradas de
prata, e os fios refletiam a luz enquanto ele se movia. Ele se inclinou para
Blaise, dizendo algo que colocou um sorriso no rosto do garoto moreno.
Blaise respondeu e Draco fez uma careta. Blaise gesticulou em sua direção,
e Hermione rapidamente desviou o olhar e começou a andar pela sala.
Ginny e Harry a encontraram enquanto ela fingia interesse nas topiárias
penduradas.
— Hermione, você está linda. — Harry beijou sua bochecha.
— Obrigado, Harry. Novo terno? — Ela olhou para ele.
— Sim. Assim como vocês, senhoras, eu não entraria na Mansão Malfoy
com uma roupa que já usei. — O sorriso de Harry mostrou todos os dentes,
e Hermione percebeu que o copo de Firewhisky que ele estava segurando
não poderia ser o primeiro. Ela olhou para Ginny e ela revirou os olhos.
Hermione riu e, sentindo-se um pouco imprudente, disse: — Bem, um
brinde à Mansão Malfoy! E sua sala de estar recém-reformada! — Ela
brindou sua taça de champanhe com as de Harry e Ginny e depois a bebeu.
Ginny riu, com os olhos arregalados, e Harry deu um: — Viva à Mansão
Malfoy! — e isso foi mais alto do que o necessário.
Um flash disparou à esquerda deles, e Hermione virou-se para ver Bozo
fotografando o brinde deles.
— Maravilhoso, — disse Harry, e sorriu para a câmera para a próxima foto
com facilidade praticada.
— Bem, ninguém pode dizer que os Grifinórios tiveram dificuldade em se
encaixar! — Ginny brindou com a câmera e virou seu champanhe. Ela
agarrou a mão de Hermione. — Vamos, vejo Skeeter vindo. Vamos pegar
outra bebida.
Ginny a guiou pela multidão, passando por baixo de bandejas flutuantes de
canapés e andando por entre vestidos pretos e brancos. Hermione riu
enquanto era conduzida através do arco para uma segunda sala com ainda
mais pessoas. Elas pararam e observaram o salão de baile dos Malfoy.
Tinha o dobro do tamanho da sala de estar, com opulentas tapeçarias nas
paredes e um candelabro brilhante. Um quarteto de violinos tocava no canto
e vários casais dançavam no meio da sala.
— Bem, que porra. — disse Ginny. E Hermione começou a rir.
Hermione passou as duas horas seguintes bebendo champanhe e
conversando com a elite bruxa. Ela foi apresentada a vários conhecidos
quebradores de maldições cujos livros ela já havia lido, a um punhado de
professores e graduadas de Beauxbatons e ao Ministro da Magia alemão.
Foi só às onze e quinze que ela percebeu que havia quase uma fila de
pessoas esperando para se apresentar. E Rita Skeeter estava abrindo
caminho para a frente.
Enquanto o especialista em dragões da Romênia se despedia, prometendo
dar continuidade a um projeto especial, Rita interveio.
— Senhorita Granger. Algumas palavras para o Profeta sobre como está
indo a noite?
— Uh... sim, está esplêndida. — Hermione murchou.
— Oh, Hermione querida, aí está você, — disse uma voz à sua direita, e
Hermione ficou surpresa ao ver Narcissa Malfoy chegar como seu cavaleiro
de armadura brilhante. — Rita, com licença, eu adoraria apresentar
Hermione a alguém.
Antes que Rita pudesse dizer outra palavra, Narcissa virou Hermione e a
levou embora.
— Na verdade, não tenho ninguém para te apresentar, só sabia que você iria
querer sair de lá. — Narcissa enlaçou seu braço no dela.
— Oh, obrigada, — Hermione riu. Narcissa a guiou pela multidão.
— Você está absolutamente deslumbrante, Hermione. Você é tudo sobre o
que qualquer um pode falar. — Narcissa apertou seu braço.
— Oh, eu... — Hermione corou. — Obrigado. Tenho certeza de que não é
verdade.
Ela pressionou as costas da mão no pescoço, tentando se acalmar.
— Você está quente, querida?
— Só um pouco. Não costumo usar salto alto, então acho que minhas
pernas estão trabalhando mais do que nunca!
— Você sabe, — Narcissa começou. Ela parou e olhou em volta como se
estivesse prestes a revelar um segredo. — Sempre que organizo essas festas
e me sinto sobrecarregada, reservo um momento na minha varanda privada.
— Oh?
— Aqui, — Narcissa disse. Ela puxou uma cortina e revelou uma bela
entrada para uma varanda. — Tire um momento para você, querida. Eles
estarão atrás de você como abutres pelo resto da noite.
— Obrigado, Narcissa. — Hermione sorriu para ela enquanto saía para a
sacada, desejando que elas nunca tivessem se separado. — Devo dizer que
fui bastante negligente. Ainda tenho seus livros que peguei emprestados.
Posso enviá-los de volta para você?
Narcissa acenou com a mão.
— Oh, eu tinha esquecido, querida. — Seus olhos brilharam. — Por que
não marcamos uma data para você voltar e trocá-los?
Hermione piscou para ela. Ela permitiria que ela voltasse? Depois de tudo?
— Eu... eu gostaria muito disso, Narcissa.
Narcissa sorriu para ela. — Draco fará um discurso à meia-noite, então
volte para dentro até lá! — Ela piscou para ela e desapareceu atrás da
cortina.
Hermione se virou e descobriu que estava olhando para os jardins da
mansão. À luz das estrelas, ela mal conseguia distinguir onde os pavões
dormiam. Ela caminhou dez passos até a sacada e sentiu o encanto
aconchegante do pátio, mesmo com o vento. Ela passou as mãos sobre o
corrimão de pedra.
O reflexo da lua brilhava em um pequeno lago à esquerda, e logo ao lado
um mirante. Ela se perguntou como a vista era deslumbrante durante o dia e
então a atingiu.
Os Jardins Malfoy. Este era o lugar onde seu casamento com Draco seria, se
Lucius conseguisse. Sua respiração formava uma nuvem à sua frente,
imaginando as cadeiras voltadas para o gazebo. O quarteto de cordas que
ela podia ouvir fracamente dentro do salão de baile seria montado na
margem do lago.
Ela odiava que Lucius tivesse planejado um lindo casamento. E que ela não
conseguia pensar em outro melhor.
Ela passou os próximos dez minutos ou mais de pé contra o corrimão,
correndo os dedos sobre a pedra lisa enquanto observava o vento passar por
entre as árvores, ouvindo risos e violinos.
Uma explosão de som atrás dela quando ela ouviu a cortina se mover, e ela
se virou para ver Draco saindo da festa com uma taça de champanhe na
mão.
Ele parou quando a viu ali, e ela estava perfeitamente ciente de que suas
costas nuas estavam voltadas para ele quando ela torceu o pescoço para
olhar para trás. Ele pareceu surpreso ao vê-la.
Oh, Narcissa, sua cadela manhosa.
Ela engoliu em seco quando ele continuou em sua direção. Ela não o via
desde os elevadores do Ministério. Isso foi semanas atrás.
— Sabe, Draco, é uma festa em preto e branco. Seus detalhes em prata
estão realmente prejudicando toda a estética.
Ela tentou um pequeno sorriso.
— Ah, mas eu sou o anfitrião. Devo me distinguir do resto da ralé.
Ele sorriu de volta para ela. Ela voltou seu olhar para o gazebo, pensando
que prata seria uma cor maravilhosa para um casamento no inverno...
— É uma festa linda. Eu nunca vim a uma festa de ano novo de Narcissa
Malfoy. É sempre tão grande?
Ele se aproximou dela no parapeito da sacada, e ela observou o anel da
Sonserina em seu polegar bater no parapeito de pedra. Ele suspirou.
— Quase. O dobro de pessoas.
— Todos clamando para estar mais perto do vencedor do Sorriso Mais
Charmoso de dezembro de 1999, — disse ela.
— Ouvi dizer que você também está atraindo uma multidão, Granger.
Ela encontrou seus olhos. Ele piscou e se virou para o terreno. Algo em seu
rosto estava tenso. Ela tentou apontar isso, mas faltou a facilidade de sua
última interação no elevador.
Então ela decidiu torná-lo mais estranho.
— Onde está Katya esta noite? — Ela prendeu a respiração e desejou um
botão de rebobinar.
Ele manteve o olhar no terreno e disse: — Ela está na Bulgária para as
férias. — Ela o observou enquanto seus olhos percorriam o lago e os
pavões. Ele também imaginava seu casamento nos Jardins Malfoy? — Ela
ainda está desesperada para se sentar com você.
— Bem, eu estaria aberta a isso, — disse Hermione. — Ela é adorável. —
Ela observou como os músculos em sua mandíbula trabalhavam. — Como
está indo a transferência da herança? — Draco olhou para ela, e ela sentiu a
necessidade de continuar. — Lembro-me de você dizendo que seu pai iria
liberá-la em 1º de janeiro, — disse ela. — Está tudo... se encaixando?
Ela se concentrou em exalar enquanto seus olhos brilhavam para ela.
— Meu pai está... sendo um pouco difícil, é claro. — Ele desviou o olhar e
Hermione sentiu seu sangue correr. Aquele bastardo.
— Como assim?
— Ele diz que vai transferir partes dela nos próximos meses. A primeira
parte será transferida nesta terça-feira. — Ele estalou o pescoço.
A boca de Hermione se abriu, chocada. Sua primeira aula com Madame
Michele era nesta terça-feira.
— Mas chega disso. — Draco se virou. Ele encostou as costas na grade, de
frente para a festa, e virou a cabeça para ela. — Você vai assumir o cargo de
analista com Robards?
Ela observou enquanto os olhos dele dançavam sobre seu rosto, sentindo o
calor se esgueirando por sua clavícula.
— É uma possibilidade. — Ela observou o rosto dele ficar tenso e relaxado,
piscando para ela. E isso a atingiu.
Ele estava lutando para construir uma parede. Ela notou a respiração dele se
movendo mais rápido do que o normal, e a maneira rígida como ele se
comportava. Sua mandíbula tensa.
Ela se afastou dele, olhando para o gazebo novamente.
— Existem algumas vagas em aberto, nas quais estou interessada. Tive duas
entrevistas esta semana.
— Eles realmente fizeram você entrevistar? — ele perguntou, levantando
uma sobrancelha para ela. Ela assentiu, confusa. — Então você enviou o
currículo errado de novo? Eu já disse antes, só precisa dizer Garota de Ouro
no topo.
Ela sorriu, pensando na primeira conversa que tiveram no bar, quando disse
a ele que havia se candidatado ao emprego com um nome falso, não
querendo tratamento preferencial.
— Onde mais? Que outras posições? — Ele deu um gole em sua taça de
champanhe, e ela observou enquanto ele a segurava pela haste, entre dois
dedos.
— Relocação de Elfos Domésticos.
— Você não quer trabalhar na Relocação de Elfos Domésticos, Granger. —
Condescendente, sorrindo para os sapatos.
Ela se virou para ele, endireitando-se.
— Ah, eu não quero? — ela zombou.
— Você não quer se sentar em um escritório, preenchendo relatórios sobre
espancamentos e uso indevido de elfos, apenas para retirá-los de suas casas
atuais e colocá-los com um grupo diferente de mestres para espancá-los.
Você não quer trabalhar sob as legislações atuais.
Ela o observou enquanto seu olhar percorria as cortinas do salão de baile.
— E o que é que eu quero fazer?
Ele olhou para ela.
— Você quer criar a lei. Você quer mudar o mundo. — Ela o observou. —
Você não pode mudar o Ministério de dentro. E você não pode fazer nada
de seu cubículo na Divisão de Bestas, Concentrada Especialmente em
Pesquisa e Restrição de Dragões.
Ele olhou para um lado e para o outro entre os dois olhos dela. Ele estava
dizendo algo a ela. E ele colocou sua parede de volta no lugar.
— Então você acha que eu deveria assumir o cargo na Sala dos Aurores?
— Até que eles ofereçam a você o cargo de Ministra da Magia, essa seria a
melhor escolha entre os dois. Mobilidade ascendente, pelo menos.
Ela apertou os lábios enquanto olhava para o terreno e de repente se
perguntou se o batom ainda estava lá.
— Você tem um discurso à meia-noite?
— Sim, — disse ele. Ele limpou a garganta. — "Obrigado por ter vindo, o
melhor milênio de todos," toda essa bobagem.
Ela sorriu. — Você veio aqui para praticar, não é? — Ele assentiu. — O que
mais você vai dizer?
— Bem, um pouco sobre recrutamento. Mamãe convidou muitos recém-
formados de Hogwarts, Durmstrang e Beauxbatons. Jovens bruxas e bruxos
que procuram carreiras. — Ele encostou o quadril no corrimão, de frente
para ela. — Alguns membros da elite da sociedade também. Estamos
procurando contratar cargos seniores ou aceitar suas empresas como
clientes.
— Você vai roubar pessoas de seus cargos de alto escalão no governo e na
indústria privada esta noite? — ela disse, sorrindo de sua arrogância. Ele
assentiu. — Com um discurso à meia-noite? — Ele acenou com a cabeça
novamente, um sorriso malicioso puxando seus lábios. — E como você
planeja fazer isso? — ela disse com uma risada. — A maioria dessas
pessoas de elite tem cargos ou lealdades permanentes, relacionamentos
duradouros. — Ela olhou para ele e ele já estava olhando para ela.
— Qualquer um pode ser seduzido, Granger.
Ela sentiu sua respiração deixá-la em um sopro silencioso. Seus olhos
estavam escuros e ela se sentia muito quente. Ela engoliu em seco. Seus
olhos se desviaram para os lábios dele por conta própria, e ela sabia que não
deveria estar olhando para a boca dele. Ela o observou engolir. Ela o
observou se aproximar dela.
E ela virou a cabeça, de volta ao terreno, respirando fundo. O dinheiro não
havia sido transferido. Ela nem deveria estar tão perto dele.
Seus lábios estavam secos, então ela os molhou com a língua e
imediatamente se arrependeu de ter lambido os lábios na frente dele. Ela
piscou e procurou outro assunto no terreno, sentindo o vento roçar suas
costas abertas, soprando sobre o tecido onde encontrava sua pele. Ela
estremeceu. Foi o vento?
— O que meu pai disse para você? — Um sussurro, a respiração dele
flutuando em sua orelha.
Ela engasgou, sentindo o calor de um dedo em suas costelas.
Uma voz atrás deles: — Draco?
Hermione virou-se rapidamente e viu o braço de Draco voltando para o seu
lado quando eles encontraram o sorriso malicioso de Blaise Zabini.
— Você me deu um trabalho hoje à noite, companheiro, — disse Blaise,
caminhando em direção a eles. — Certificar-se de que está pronto para o
seu discurso às dez para a meia-noite.
O pulso de Draco estalou, verificando seu relógio.
— Er... sim, obrigado, companheiro. — Ele deu a ela um olhar, e Blaise deu
um passo à frente.
— Eu vou cuidar dela, Draco. — Ele piscou. — Ela pode ficar comigo. —
Blaise ofereceu-lhe o braço e ela o aceitou cautelosamente.
Draco olhou entre eles rapidamente, antes de assentir e sair. Blaise e
Hermione o seguiram. Blaise a conduziu pelo salão de baile e de volta à
sala de estar onde um palco havia sido montado. Uma bandeja passou e
Blaise pegou uma taça de champanhe quando o tilintar de varinhas contra
as taças de champanhe começou, ecoando por toda a sala de estar. Blaise
gesticulou para a bandeja, dizendo-lhe para pegar sua própria taça para que
ela não o acusasse novamente. Ela pegou uma e tomou um gole, tentando se
refrescar.
— Isso funciona bem, então. — Blaise tomou um gole de seu champanhe.
— Eu estava me perguntando quem eu iria beijar à meia-noite.
Hermione olhou para ele. Ele estava sorrindo para ela, deixando seus olhos
percorrerem seu rosto, descendo por seu pescoço. Ela zombou de sua
confiança. Ele era tão charmoso, embora.
— Blaise, — uma voz na frente deles. A mesma irmã Greengrass. — Draco
precisa de você.
Blaise riu e fez um som estrondoso.
— Oh, Merlin, ele é bom! — Ele sorriu e se virou para Hermione, pegando
a mão dela para beijar seus dedos novamente. — Talvez ano que vem,
Hermione Granger.
Ele piscou e seguiu a irmã Greengrass.
O bater das varinhas contra os vidros aumentou, até que ela viu a forma
branca de Narcissa subir ao palco. Ela pressionou a varinha contra a
garganta enquanto a multidão a aplaudia. Ela sorriu graciosamente e
acalmou o grupo com uma mão delicada.
Hermione ficou na parte de trás do grupo, exatamente onde o salão de baile
fluía para a sala de estar. Ela poderia apenas escolher Ginny e Harry, à
frente dela. Eles deram as mãos e se inclinaram um para o outro. Hermione
decidiu ficar parada, ao invés de procurá-los.
— Vocês são todos muito gentis. — A voz fria de Narcissa fluiu sobre a
multidão com a ajuda do feitiço amplificador. — Que ano cheio nós
tivemos. — E várias pessoas riram. — Que século completo! — Mais
risadas. — É um prazer esta noite ver novos amigos e velhos rostos. Claro,
alguns rostos são mais velhos do que outros, eu temo. — Narcissa trouxe
seus dedos bem cuidados para suas têmporas, tocando suas próprias rugas
superficiais. Ainda mais risadas.
Hermione olhou em volta enquanto Narcissa continuava agradecendo a
todos. Todos os olhos estavam sobre ela. Ela estava no controle total de sua
sala, seu povo. As mulheres sorriam, os homens olhavam, e mesmo aqueles
carrancudos estavam silenciosamente apaixonados por ela.
— Eu disse ao meu filho que não tomaria muito tempo, para que ainda
pudéssemos contar até meia-noite. — Ela se virou e sorriu para onde
Hermione presumiu que Draco estava. Hermione se mexeu até que ela
pudesse vê-lo. — Então, por favor, permita-me trazer ao palco alguém que
gostaria de lhes dar as boas-vindas ao ano 2000. Draco Malfoy.
Narcissa se virou para permitir que ele subisse ao palco. Ele subiu os dois
ou três degraus enquanto a multidão o aplaudia impiedosamente. Hermione
bateu palmas, olhando em volta e descobrindo que a maior parte do barulho
vinha de jovens bruxas em vestidos reveladores.
Claro.
— Obrigado, obrigado, — disse Draco. — Minha mãe, ao que parece,
deixou-me apenas três minutos para a meia-noite. — Narcissa deu de
ombros enquanto descia as escadas. A multidão riu e Hermione olhou para
as meninas que riam.
Draco continuou: — Acho que estamos todos ansiosos pelo ano novo. Eu,
por exemplo, estou desesperado para deixar os anos 90 para trás. Eles foram
terrivelmente chatos, não foram? — Sua voz era leve e sarcástica.
Hermione riu alto com isso, e seus olhos procuraram a parte de trás da
cabeça de Harry enquanto a sala inteira caía na gargalhada. Harry estava
balançando a cabeça para Draco, sorrindo, e Hermione ficou impressionada
com a forma como as coisas podem mudar em apenas um ano.
Ela olhou de volta para Draco enquanto ele sorria de sua própria piada.
— E nada terrivelmente emocionante aconteceu este ano também. — Ele
afastou o cabelo do rosto em um movimento delicioso que fez mais de uma
mulher se abanar. Ele levantou uma sobrancelha. — Ou aconteceu? Você
vai ter que me dizer, eu estive em Azkaban a maior parte do tempo.
Hermione soltou uma gargalhada e várias pessoas quase cuspiram seu
champanhe, enquanto Draco Malfoy sorria, zombando de si mesmo na
frente de uma multidão. Risadas estridentes. Risadas incrédulas. O homem
ao lado dela soltou um "Oh, ho!" Ela observou Narcissa franzir os lábios,
ainda sorrindo, mas silenciosamente desaprovando sua indiferença, mas ao
lado dela, Blaise estava cobrindo a boca, os olhos arregalados, e as irmãs
Greengrass estavam olhando uma para a outra com a boca aberta, rindo.
Hermione olhou ao redor da sala enquanto todo o mundo mágico se
apaixonava por Draco Malfoy ainda mais do que já estavam. O que eram
quinze meses em Azkaban se você tivesse senso de humor sobre isso? Ela
viu uma mulher mais velha mal-humorada que havia feito cara feia para
Narcissa Malfoy mais cedo, levando os dedos aos lábios, escondendo um
sorriso.
"Qualquer um pode ser seduzido, Granger."
A voz dele vibrou em seus ouvidos enquanto ela assistia Draco seduzir
todos eles. Ela observou-o morder o lábio inferior, sorrindo para si mesma.
Ele engoliu em seco e continuou.
— Não, mas sinceramente... foi um ano longo e complicado. — E a
multidão se aquietou, ainda sorrindo para ele. — Não faz muito tempo que
eu era o garoto mais odiado de toda a Europa bruxa. E agradeço a todos por
me darem uma segunda chance.
Ela prendeu a respiração quando o som saiu da sala e os sorrisos surgiram
nos rostos.
— Eu diria que o ano 2000 é sobre renascimento. Segundas chances. Estou
começando uma pequena empresa, não sei se vocês ouviram...
Blaise soltou um grito e começou a bater palmas. A sala se juntou e
Hermione então entendeu o propósito de Blaise.
Draco sorriu e disse: — E para mim, esta empresa é sobre segundas
chances. É sobre alcançar objetivos, sonhar ideias e criar novos caminhos.
Eu quero ajudar as pessoas. Quero fornecer apoio e assistência para seus
objetivos, seus negócios, suas batalhas legais.
Hermione pensou em Quentin Margolis e sua matilha de lobisomens. E
todas as outras espécies que o grupo de consultoria Malfoy poderia ajudar.
Ela sorriu para sua taça de champanhe, sentindo nada além de orgulho por
seu novo amigo, Draco Malfoy.
— Nós do grupo de consultoria Malfoy queremos criar a lei. Para mudar o
mundo. — Ela olhou para ele, ouvindo suas palavras da sacada. Seus olhos
já estavam fixos nela. Quinhentas pessoas entre eles. — E se, assim como
eu, você acha que seu escritório está ficando pequeno demais para você...
Ela engoliu em seco, seu coração batendo contra sua caixa torácica. Ele
desviou o olhar dela e sorriu para o resto da multidão.
— ...Estamos contratando.
A multidão riu. As garotas com muita maquiagem e muito decote
balançaram as sobrancelhas umas para as outras e vários homens de meia-
idade sorriram em seu champanhe, pensando em seus escritórios. Hermione
apertou seu copo, o cérebro disparando rapidamente.
— E se eu fiz isso direito, — Draco murmurou, sacudindo o pulso para ver
seu relógio. — Então estamos agora em...
Hermione observou enquanto Draco sorria.
— Dez. Nove. Oito...
Várias pessoas engasgaram e checaram seus relógios. As risadinhas
detestáveis pulavam para cima e para baixo, e os casais se agarravam,
prontos para se beijar.
— Sete. Seis... — A multidão inteira se juntou a eles.
Hermione estava imóvel. Ela não conseguia encontrar sua voz enquanto a
multidão de pessoas acrescentava suas vozes. Draco ergueu sua taça no ar e
toda a sala se juntou a ele.
— Cinco! Quatro!
Ela podia sentir o ar entrando e saindo de seus lábios, mas sentia como se
não estivesse respirando. Então Draco encontrou os olhos dela novamente.
— Três! Dois! Um!
Ele ergueu o copo para ela enquanto fogos de artifício saltavam pela sala.
Ele a observou enquanto levava o copo aos lábios.
— Feliz Ano Novo!
Hermione recuperou o fôlego e levantou seu próprio copo, bebendo
profundamente enquanto ele a observava.
Um homem na frente dela se virou para sua esposa e a beijou, sua cabeça
agora bloqueando a visão dela de Draco. Isso a tirou do sério. Quando ela
pôde vê-lo novamente, ele estava descendo do palco, dando um beijo na
bochecha de sua mãe. Ela observou enquanto ele beijava as irmãs
Greengrass na bochecha, e então Blaise estendeu a mão para ele tocando
sua própria bochecha de brincadeira. Draco o empurrou, franzindo o nariz.
Ela observou quando um senhor mais velho se aproximou dele, apertando
sua mão. Eles falaram brevemente, com Blaise ao seu lado, balançando a
cabeça. Draco gesticulou para Blaise e o homem mais velho apertou a mão
de Blaise. O primeiro negócio de Draco no ano novo.
De repente Ginny estava na frente dela, pulando para cima e para baixo e
agarrando seu rosto, dando um beijo em seus lábios.
Hermione gaguejou enquanto Ginny ria.
Ficaram mais uma hora. Hermione fez ainda mais amizades, esquivou-se de
Skeeter e conseguiu dizer boa noite a Narcissa antes que elas fossem para as
lareiras sem ver Draco novamente.
Ela foi para o quarto, tirou os saltos e pegou um pergaminho e uma pena.
Ela estava suando enquanto escrevia:
Hermione Granger
– A garota de ouro.
Ela o dobrou em um envelope endereçado ao grupo de consultoria Malfoy,
a/c Draco Malfoy, e o enviou sem pensar duas vezes.
Ela andou de um lado para o outro em seu quarto por vinte minutos em seu
vestido branco, imaginando a sensação da taça de champanhe contra seus
lábios enquanto Draco tomava um gole da dele.
Um beijo de um amante à meia-noite.
Ela tirou a maquiagem. Ela tirou o vestido. Ela jogou o cabelo para cima e
vestiu o pijama. Ela deitou na cama, olhando para o teto até que ouviu uma
batida na janela.
Uma coruja de águia mergulhou quando ela abriu a janela, deixando cair
um grande envelope pardo e voando para fora. Ela pegou o pacote com
dedos trêmulos e abriu o selo.
A carta de apresentação dizia:
Bem-vinda ao Grupo de Consultoria Malfoy, Garota de Ouro.
DM
Ela engasgou, o peso disso a atingiu quando ela olhou para o topo do
envelope que ele entregou. Um contrato para seu cargo de Consultora
Sênior, supervisionando um departamento chamado Relações Não Bruxas.
Especializando-se em Criaturas Mágicas e Relações Trouxas.
Ela se sentou na beira da cama. E sorriu.
Capítulo 25.
Hermione repassava mentalmente seu dever de Feitiços enquanto
caminhava pelos corredores. Os NOMs estavam se aproximando e, embora
ninguém mais parecesse inclinado a estudar ou se importar com eles, ela
sabia que era melhor começar cedo.
Ela usou seu tempo nas rondas de monitora para revisar. Havia tanto
silêncio ao redor do castelo àquela hora da noite – agora que Umbridge
havia começado com seus "decretos" – que ela enlouqueceria se não tivesse
outra coisa para se ocupar. Ela perguntou a Ron se ele queria patrulhar
com ela, mas é claro, já que seu dia de ronda era terça-feira, ele recusou
abruptamente.
— Por que eu iria duas vezes? — ele murmurou em torno do pudim na
mesa de jantar.
Para lhe fazer companhia? Ela revirou os olhos e continuou listando os
feitiços criados na década de 1920. Ela virou uma esquina em direção à
sala de aula de História da Magia e parou no meio do caminho.
Draco Malfoy tinha Pansy Parkinson presa contra a parede de pedra. Ele a
estava beijando. Ela estava segurando seus braços.
Hermione piscou, sentindo sua respiração deixá-la.
Suas costas estavam contra a parede e suas mãos estavam apertadas em
seus ombros, torcendo em seu cabelo enquanto ele atacava sua boca com a
dele. A mão direita dele no quadril dela e a esquerda apoiada na parede.
Ela engoliu em seco.
Eles eram... Eles eram monitores, pelo amor de Merlin! E membros do
delicioso esquadrão de Umbridge. Eles sabiam que não deviam sair, se
agarrando às 21h de uma quinta-feira! Vão para a sua sala comunal,
caramba!
Pansy sorriu contra seus lábios.
Hermione abriu a boca, pronta para marchar até eles e separá-los à força
– porque era seu dever de Monitora, é claro.
Então ela observou enquanto Draco afastava sua boca da dela, ofegando,
soprando ar em seu pescoço, e recolocando-se no lugar logo abaixo de sua
orelha. Pansy guinchou um pequeno som, mordendo o lábio.
Hermione não entendia qual era o problema. Sempre que Viktor tentava
beijar seu pescoço, ele fazia cócegas nela ou a machucava.
Hermione percebeu que estava parada no meio de um corredor, observando
Draco Malfoy devorar sua namorada... ou amante... ou o que quer que ela
fosse para ele, ela resmungou. Ela precisava sair ou fazer seu trabalho e
separá-los.
Ela deu um passo à frente no momento em que Draco mudou de posição,
movendo um joelho entre os joelhos de Pansy. Ele se inclinou para frente,
deixando sua coxa desaparecer entre as dela, avançando mais alto, e no
momento em que sua perna alcançou o topo da dela, Pansy gemeu,
ofegando e agarrando seu cabelo.
— Draco...
Tudo bem. Isso era o suficiente. Hermione estreitou os olhos para os dois
Sonserinos.
— Desculpe-me, — disse ela em voz alta. Os olhos de Pansy se abriram e
Draco tirou os lábios do pescoço dela, mas não se virou para encará-la. —
Eu odiaria interromper o que quer que esteja para acontecer aqui, mas
agora são 21h08. Como monitores, vocês sabem que os alunos devem estar
em suas salas comunais.
Draco baixou o joelho, mas manteve a mão na parede, ofegante. Pansy
olhou para ela e deu a volta nele, ajeitando a saia.
— Oh, como se você tivesse alguma ideia sobre o que estava prestes a
acontecer, sua pequena sangue-ruim certinha. — Pansy zombou dela.
— Eu tenho alguns palpites, — Hermione brincou. — Por favor, voltem
para sua sala comunal...
— Ou o que? — Pansy sorriu. — Você vai tirar os pontos da casa? Você
sabe que não pode. Na verdade, como membro do Esquadrão Inquisitorial,
eu diria que você está sendo desnecessariamente rude, sangue-ruim.
Hermione engoliu seu comentário e observou Draco se endireitar, se
afastando da parede e se virando para encará-la com olhos ardentes.
— Eu diria que você está certa, Pansy.
Hermione bufou.
— Dez pontos da Grifinória, por questionar a autoridade de dois membros
do Esquadrão Inquisitorial, — Pansy declarou.
— Dez pontos por membro do Esquadrão, eu diria, Pans.
Vinte pontos por fazer o trabalho dela?
— Vocês dois são ridículos. — Ela contornou Pansy e continuou pelo
corredor, completando seu caminho de patrulha. Ela se virou para eles. —
Se eu os encontrar nos corredores depois do toque de recolher novamente,
estarei dando detenções.
Pansy zombou dela, e Draco, com seu cabelo fora do lugar e sua gravata
torcida, sorriu e disse: — Mal posso esperar, Granger.
Ela olhou e deu meia-volta, andando pelo longo corredor para virar à
esquerda, sabendo que eles a estavam observando o caminho todo.
— Você fez o que?
Hermione estremeceu. Ela tentou apenas dizer isso da cozinha, enquanto
fazia ovos.
— Eu... me inscrevi no Grupo de consultoria Malfoy.
O bater dos pés descalços de Ginny contra o chão e o arrastar da cadeira de
Harry.
— Quando?
Ela quebrou um ovo, de costas.
— Por volta da 1h da noite passada. — Ela jogou a casca do ovo na pia e
enxugou as mãos em uma toalha.
Ela estava nervosa a manhã toda. Ela acordou apavorada, questionando o
que tinha feito, e agora, quando ela parou de questionar e começou a aceitar
isso, ela disse a Ginny e Harry. Para que pudessem interrogá-la.
— Por que? — a voz de Harry. Ela engoliu em seco e se virou.
— Ele me convenceu disso. Ele me lembrou que eu quero salvar o mundo.
— Ela encontrou os olhos de Harry por trás dos óculos. Suas sobrancelhas
desapareceram sob seu cabelo bagunçado.
— Então você está deixando sua posição no Ministério, e todas as opções
de mobilidade ascendente, para se tornar o cachorrinho de Malfoy? —
Harry fez uma careta para ela.
— Eu não serei o cachorrinho de Malfoy. Eu serei a Consultora Sênior de
Relações Não Bruxas. — Ela colocou as mãos nos quadris. E os olhos de
Harry se arregalaram.
— Consultora sênior? — Ginny sussurrou. — Afinal, o que isso quer dizer?
Hermione não tinha a menor ideia. Era isso que a aterrorizava.
— Eu... eu acho que vou descobrir isso. — Ela afastou o cabelo do rosto. —
Mas estarei representando criaturas mágicas, como o caso do lobisomem
que ele trouxe para mim. Acho que vou discutir na frente do Wizengamot...
— Uma de suas coisas favoritas, — Ginny forneceu prestativamente.
— Sim, — disse Hermione. — Vou poder buscar casos e causas que quero
focar.
— Enquanto trabalha para Malfoy, — Harry forneceu, inutilmente.
— Sim, — disse Hermione.
Os três se entreolharam na cozinha, os ovos chiando atrás dela.
— Eu acho, — Ginny disse, — que é uma excelente mudança de carreira...
— Ela disse isso com uma voz tensa, erguendo-se no final.
— Mas...? — Hermione perguntou.
— Bem, — Ginny olhou para ela. — Você nunca vai conseguir dormir com
ele agora.
Hermione piscou para ela, tentando não realinhar suas prioridades. Harry
tossiu e pediu licença para ir para a sala.
Ela entregou seu aviso prévio de duas semanas a Mathilda na manhã de
segunda-feira. Mathilda não estava tão chocada quanto Harry e Ginny. Ela
acenou com a cabeça, sorrindo, e disse que sentiria muito sua falta.
Aiden foi muito... Aiden sobre isso. Ele deu a ela um high-five.
Na terça-feira, ela voltou do trabalho e tomou outro banho, preparando-se
para a primeira aula com Madame Michele. Ela fez Ginny trançar seu
cabelo para que não ficasse uma bagunça. Ela escolheu suas vestes mais
bonitas e seus saltos terríveis e sensatos. E às 19h45 ela atravessou o Flu
para se encontrar no que parecia ser uma pequena Sala de Chá.
Ela olhou ao redor da área de espera, feliz por encontrá-la vazia. Ela vagou
pelas mesas, olhando os arranjos de flores e tocando as pequenas xícaras de
chá. As fotos de xícaras de chá nas paredes a lembravam ligeiramente das
fotos de gatos no escritório de Umbridge, mas pelo menos as xícaras não
miavam para ela.
Ela não ousou sentar. Não havia um sofá para sentar, e ela teria que puxar
uma cadeira para sentar, então ela continuou andando pela sala em seus
saltos sensíveis.
Às 20h em ponto, a porta da sala lateral se abriu. Uma mulher morena baixa
com um turbante elegante colocado na cabeça e pequenos óculos
pendurados na ponta do nariz levantou uma sobrancelha para ela.
— Srta. Hermione Granger?
— Sim. Olá.
— Eu sou Madame Michele.
Esta era a mulher abominável de quem Fleur lhe falara? Ela mal chegava ao
nariz de Hermione.
— Olá. Prazer em conhecê-la, Madame Michele. — Hermione deu um
passo à frente, mexendo no casaco e na bolsa para estender a mão.
Madame Michele olhou para a mão estendida, depois a segurou com a mão
enluvada, levantando o queixo.
Oh céus. Apertar as mãos não era permitido? Ela deveria ter feito uma
reverência?
A pequena mulher soltou sua mão e sorriu para ela.
— Por favor, entre no meu escritório. — Madame Michele deu um passo
para o lado, gesticulando para que Hermione entrasse.
Hermione sentou-se em frente à mesa no canto. Outra sala arejada adorável.
Madame Michele flutuou em sua cadeira, e Hermione ficou impressionada
imaginando como um corpo tão pequeno podia se mover com tanta
elegância. Madame Michele acenou com a varinha e uma pena de citações
rápidas ganhou vida ao lado dela.
— Ignore a pena, srta. Granger.
Hermione voltou seus olhos para a pequena mulher, sabendo que ela havia
adivinhado exatamente onde seus olhos estavam.
A mulher franziu os lábios, olhando para algo em sua mesa. Ficou em
silêncio por vários momentos. Hermione não sabia para onde deveria olhar,
mas sabia que deveria ignorar a pena. Havia uma janela atrás de Madame
Michele, então, enquanto ela esperava que algo acontecesse, ela observou
as nuvens passarem.
Madame Michele levantou o jornal que estava lendo em sua mesa, e
Hermione viu que era o Profeta Diário do sábado de manhã. A primeira
página olhava para ela enquanto Madame Michele olhava para a seção do
meio do jornal, e Draco no palco, segurando sua taça de champanhe,
brilhando para ela.
Ela havia lido o artigo no sábado, mas Skeeter tinha reservado praticamente
todo o jornal para falar sobre o Baile de Ano Novo de Narcissa Malfoy. A
foto de Harry, Ginny e ela mesma brindando e bebendo estava na página 2,
e outra foto dela conversando com o Ministro da Magia alemão na página 4.
Narcissa, Draco, Harry e Blaise também tinham mais fotos. Uma citação
apareceu, dizendo "Noite esplêndida!" – Hermione Granger. Bem, ela supôs
que isso era meio verdade.
Madame Michele segurou o papel entre os dedos.
— Você é uma mulher deslumbrante, Srta. Granger.
— Oh, er... obrigado.
— "Oh, er... obrigado." — Madame Michele largou o papel. — É como
você responde a um elogio?
Oh. Sim, ela agora podia ver o que Fleur queria dizer.
— Obrigada, madame Michele, — ela se corrigiu.
— Então você acha que é uma mulher deslumbrante? — Seus olhos negros
a perfuravam por cima de seus pequenos óculos.
— ...Não?
Madame Michele deu um sorriso condescendente para ela. Ela se levantou
de sua mesa. Hermione também se levantou.
— Vamos tomar um chá. Quero conhecê-la melhor. — Ela deslizou ao
redor de sua mesa e levou Hermione para o Salão de Chá. Hermione a
seguiu, observando a pequena mulher andar com seus saltos curtos.
Madame Michelle parou do lado de fora da porta de seu escritório e pegou
o casaco e a bolsa de Hermione. Ela os colocou no cabideiro. — Por favor,
escolha a mesa de sua preferência.
Hermione olhou para as cerca de doze mesas na sala e escolheu a grande
mesa no centro. Ela puxou a cadeira o mais silenciosamente possível e
sentou-se. Assim que ela se sentou, Madame Michele se afastou dela e foi
até o carrinho de chá. Ela acenou com a varinha e uma bandeja de bolo e
biscoitos flutuou até Hermione, pousando no meio da mesa. A pequena
mulher aqueceu a água com a varinha e, assim que ela assobiou, Madame
Michele carregou na mão a bandeja com o bule, o leite e os adoçantes.
Ela colocou a bandeja na mesa sem magia e sentou-se em frente a
Hermione. Como era uma mesa para seis pessoas, isso significava que elas
estavam bem longe uma da outra.
— Fale-me sobre você, srta. Granger.
Hermione piscou para ela. Madame Michele cruzou as mãos no colo e a
estudou.
— Eu... bem, meu nome é Hermione Granger, — ela poderia ter dito Avada
ali mesmo. — e eu cresci aqui na Inglaterra. Eu sou filha única. Meus pais
são trouxas, mas aos onze anos recebi minha carta de Hogwarts...
Hermione olhou para a pequena mulher de turbante. Ela não disse nada,
mas continuou a observá-la.
— Então... fui para Hogwarts, onde conheci Harry Potter e Ron Weasley,
dois dos meus amigos mais próximos. E apesar de alguns... soluços... e
guerras... saímos vivos de lá. — Hermione sorriu, tentando ser "esperta"
contra Madame Michele. — Eu trabalho para o Ministério agora... ou, er, eu
trabalhei para o Ministério, mas acabei de aceitar um emprego no Grupo de
Consultoria Malfoy.
Hermione pausou, imaginando quanto tempo ela deveria falar sobre si
mesma. Enquanto Madame Michele acenava com a cabeça, batendo no
queixo com os dedos, ela se perguntou se deveria agora pedir-lhe que
falasse sobre si mesma. Isso era um vai e vem?
— Obrigado, Srta. Granger, — Madame Michele cantarolou. — Você
conseguiu passar por cima de cada detalhe interessante sobre si mesma,
focando apenas no mais enfadonho.
Os olhos de Hermione se arregalaram. Enfadonho?
Madame Michele levantou-se e levantou a tampa do bule. Ela mergulhou
uma colher e mexeu no sentido horário, três vezes, então levou o bule para
a xícara de Hermione. Depois de servir os dois copos, ela disse: — Leite,
srta. Granger?
— Sim, obrigado.
A mão de Madame Michele entregou o leite a ela, colocando-o bem na sua
xícara de chá.
— Açúcar, Srta. Granger?
Hermione descobriu que não havia mel na mesa, então ela olhou para ela e
respondeu: — Er, sim, obrigada.
Madame Michele levantou uma sobrancelha para ela.
— Você não usa açúcar, Srta. Granger, então por favor me diga o que você
precisa.
Hermione engoliu em seco.
— Por acaso você tem mel, madame Michele?
Madame Michele sorriu.
— Eu tenho.
Ela acenou com a mão e o mel apareceu na mesa. Madame Michele esperou
enquanto Hermione colocava leite em sua xícara e mergulhava a colher no
mel três vezes. Hermione estava suando quando ela finalmente mexeu sua
xícara, a colher tilintando contra a lateral apenas uma vez, felizmente.
Ela olhou para Madame Michele, ainda de pé ao lado dela. Ela estava
sorrindo para o pote de mel.
O coração de Hermione caiu em seu estômago enquanto ela se perguntava
quantas vezes Madame Michele tinha visto Draco colocar mel em seu chá
três vezes. Ela corou e olhou para baixo.
Madame Michele pegou o leite de volta, sentou-se novamente e preparou o
chá. Hermione observou enquanto suas mãos se moviam. Ela não tinha as
unhas pintadas, mas as unhas estavam aparadas e esquadrinhadas.
Hermione cutucou uma de suas cutículas.
Madame Michele pegou sua xícara de chá, trazendo seu pires com ela, e
disse: — Você é uma mulher muito conhecida para ser solicitada a fornecer
detalhes triviais. Qualquer um que pedir para você "contar a eles sobre você
mesma" está provocando você ou flertando com você, Srta. Granger.
Ela franziu a testa para ela.
— Não faça cara feia.
Hermione relaxou o rosto.
— Srta. Granger, por que você está aqui?
Hermione imediatamente deu uma gargalhada. Ela olhou para a xícara de
chá, agora com vergonha de rir alto. Ela controlou suas feições e olhou de
volta para Madame Michele. Ela tentou pensar na resposta de Lucius
Malfoy para essa pergunta.
— Estou aqui para aprender as graças sociais da sociedade de sangue puro
que perdi quando criança. Estou aqui para me misturar melhor entre meus
colegas.
Madame Michele balançou a cabeça, olhando para a xícara.
— Misturar-se... — Ela tomou um gole. Ela colocou a xícara de volta na
mesa e se levantou da cadeira. — srta. Granger, nossa aula acabou esta
noite.
O que? Quando começou?
— Desculpe? — Hermione se levantou. — Fiz algo de errado?
— Não, não, Srta. Granger, — Madame Michele acenou com a mão e dois
pedaços de pergaminho voaram de seu escritório para suas mãos. — Nunca
assuma que você é a culpada. — Ela olhou para o primeiro pergaminho,
lendo-o. Ela assentiu e dobrou o papel, entregando-o a Hermione.
— Estude isso e retorne melhor.
— O que é? — Hermione disse, não tendo certeza se deveria abrir o papel
aqui.
— Suas anotações.
Anotações? Os olhos de Madame Michele estavam fixos no segundo
pedaço de papel em suas mãos.
— Você trabalha em uma livraria no fim de semana, sim?
— Er, sim, — disse Hermione, imaginando o que havia no segundo pedaço
de papel. Madame Michele olhou para ela, erguendo uma sobrancelha.
Hermione se corrigiu, — Sim, Madame Michele. Eu trabalho.
— Vou agendar você com a senhora Truesdale para quinta-feira à noite, —
disse ela. — E o Sr. DuBois enviará uma coruja para você agendar um
horário no sábado ou no domingo de manhã.
Hermione franziu a testa. — Truesdale...?
— Truesdale. Sua professora de dança.
Os olhos de Hermione se arregalaram.
— Oh, não... eu estou apenas... — Ela parou. — Estou apenas tendo aulas
de boas maneiras com você, madame Michele. Não vou fazer outros cursos
no momento...
— Srta. Granger. — Madame Michele tirou os óculos e os deixou
pendurados no pescoço por um colar de pedras preciosas. Seus olhos
estavam cansados, mas diretos. — A herança será transferida hoje à noite às
21h.
Ela sentiu o peito esfriar.
— Mas apenas um décimo dela. — Madame Michele franziu os lábios. —
Na próxima terça, às 21h, mais um décimo será transferido. E assim por
diante. — Ela nivelou seu olhar sobre ela. — Desde que você assista e
absorva suas aulas nesta semana. Todas elas.
Hermione abriu a boca, um som indignado saindo, e sentiu seu sangue
ferver. Ela cerrou o punho em torno das anotações de Madame Michele e
virou os olhos para o chão, abrindo um buraco. Sua mandíbula estava
apertada enquanto ela pensava nas múltiplas maneiras que desejava matar
Lucius Malfoy. Uma pequena mão ergueu seu queixo.
Quando ela encontrou seus olhos, Madame Michele colocou a mão na parte
superior do peito de Hermione, logo abaixo do pescoço, dois dedos
descansando levemente em sua garganta. Os olhos de Hermione se
arregalaram, alarmados.
— Cabeça erguida, Srta. Granger. Não guarde sua raiva. Dirija-a. Controle-
a. — Olhos negros a perfuraram, e Hermione não conseguiu respirar. — E o
mais importante, não mostre fraqueza. — Hermione sentiu um leve toque
em sua garganta. — É sua única arma.
Ela tirou a mão do pescoço e Hermione sentiu um peso desaparecer, uma
respiração entrar em seu corpo enquanto ela olhava de volta para os olhos
firmes, mas gentis, de Madame Michele.
Que porra foi essa?
— Conheço Lucius Malfoy há muito tempo, Srta. Granger. — Madame
Michele franziu os lábios. — Você não é a primeira pessoa a ser
chantageada por ele e não será a última. Ele vai conseguir o que quer, de um
jeito ou de outro. — Ela estendeu o segundo pedaço de papel para
Hermione. — Escolha o caminho mais fácil.
Piscando rapidamente, Hermione olhou para baixo para encontrar sua
agenda para o resto da semana. Ela tinha aulas de dança na noite de quinta-
feira. Faria aulas no sábado ou domingo de manhã, e ela se encontraria com
um decorador de interiores no sábado, em seu horário de almoço. Essa seria
sua vida pelas próximas dez semanas.
Ela soltou um suspiro trêmulo, tentando se lembrar do que Madame
Michele acabou de lhe dizer sobre direcionar sua raiva. Ela olhou para a
pequena mulher.
— Obrigado, Madame Michele. Como devo pagar pela aula de hoje à
noite?
— Já foi paga, mademoiselle.
— Oh, absolutamente não, — Hermione rosnou. — Por favor, envie a conta
para o meu endereço residencial e devolva o dinheiro do Sr. Malfoy para
ele. Eu não vou aceitar.
Madame Michele sorriu para ela e assentiu. Hermione pegou o casaco e a
bolsa, jogou o pó na lareira e voltou para casa.
Quaisquer sentimentos afetuosos que Hermione tenha encontrado por
Madame Michele no final da aula foram rapidamente esmagados quando
ela leu suas anotações. A pena de citações rápidas estava escrevendo o
tempo todo.
Não vagueie na sala de estar de outra pessoa.
Tremer as mãos?
Elogios?
Não olhe para fora da janela como uma tola.
Não escolha a mesa grandiosa para apenas duas pessoas.
Não balance sua perna debaixo da mesa.
Não há necessidade de ficar de pé quando uma mulher se levanta.
Qual é o nome dos seus sapatos?
Não gagueje, você conhece seu próprio cérebro e sabe o que quer dizer.
A lista continuou, preenchendo todo o pergaminho. Hermione jogou-o no
chão exasperada. Ela pegou novamente cinco minutos depois.
Ela recebeu a conta por coruja logo após chegar em casa. Seu queixo caiu.
Talvez ela devesse ter deixado Lucius lidar com isso.
Então ela se lembrou de ter anotado um valor de salário no contrato de
Draco que era três vezes seu atual salário do Ministério, e ela admitiu que,
de fato, seria capaz de pagar os honorários de Madame Michele uma vez
por semana durante dez semanas. Claro, ela não tinha ideia de quanto
custaria aulas de dança, aulas de hospedagem e aulas de decoração de
interiores.
"Ele vai conseguir o que quer, de um jeito ou de outro."
O que Lucius queria?
Hermione mordeu o lábio e olhou para a parede de seu quarto que
costumava ser a Muralha. Ela pensou que ele queria que ela ficasse longe
de Draco. Que essas aulas eram sua punição por desobedecê-la. Mas agora
ela não tinha certeza.
A senhorita Truesdale acabou sendo a pessoa mais horrível que Hermione
já teve o desprazer de conhecer.
Na aula de dança de quinta-feira, ela teve sua autoconfiança tão
severamente abalada por essa ex-bailarina murcha que comeu uma caixa
inteira de sorvete sozinha.
A senhorita Truesdale deixou bem claro para Hermione que ela precisaria
de muito mais do que dez semanas para recuperar o atraso e não teve
nenhum prazer em vê-la se mover durante a noite. Foi até que a Srta.
Truesdale a levou a uma sala de balé e começou a fazer um aquecimento de
balé trouxa, que ela olhou para ela com tudo menos desgosto. Os dois anos
de balé trouxa de Hermione aos seis anos de idade vieram à tona para ela, e
ela pelo menos foi capaz de se lembrar das posições.
Ela recebeu uma carta na sexta-feira – enquanto cuidava de suas pernas
doloridas – endereçada à Srta. Granger. Estava em papel timbrado do GCM
e era a caligrafia de Draco, mas parecia bastante... genérica.
Ele detalhou um pouco mais de informações que o contrato original e a
papelada não cobriam. O primeiro dia para todos os funcionários seria
segunda-feira, 17 de janeiro, com as operações verdadeiras começando na
semana seguinte. Também convidou todos os Consultores Sênior a
começarem a montar seus escritórios já na próxima segunda-feira. Ele
propôs um encontro casual na noite de terça ou quarta-feira, para que todos
os consultores seniores pudessem interagir.
Hermione escreveu de volta para ele imediatamente, deixando-o saber que
terça-feira não era bom para ela, mas quarta-feira à noite ela poderia ir. Ela
franziu a testa, pensando em sua próxima aula de Madame Michele, tendo
mais nove pela frente. Uma coruja voltou mais tarde. Draco disse que a
noite de quarta-feira era a melhor opção para a maioria.
Sua aula de decoração de interiores no sábado à tarde e sua aula de
hospedagem no domingo de manhã foram adequadas. Seu instrutor não
parecia gostar muito dela, e Monsieur DuBois a fazia sentir que estava
perdendo seu tempo. Sua segunda aula com Madame Michele foi muito
parecida com a primeira. Madame Michele cumprimentou-a da mesma
forma. Às 20h em ponto, a porta do escritório se abriu e Madame Michele
perguntou se ela tinha alguma dúvida.
— Eu... bem... — Hermione respirou fundo e fechou os olhos.
Não gagueje.
— Sim, Madame Michele. Eu esperava que você me explicasse a saudação
adequada, se o aperto de mão não for permitido.
O canto da boca de Madame Michele se contorceu e ela disse: — Você
segura as mãos, Srta. Granger, mas deveria fazê-lo como uma dama. Não
sou um cavalheiro.
Isso era muito vago. A professora viu sua confusão e disse: — srta.
Granger, como vai você? — Ela ergueu a mão, mas a palma não estava
voltada para fora, como um gesto normal de aperto de mão. Sua palma se
inclinou para baixo, seus dedos delicadamente soltos – como a Srta.
Truesdale queria – e ela deu um passo em direção a Hermione.
A única escolha de Hermione era segurar a mão dela com a palma voltada
para cima, como se ela estivesse prestes a beijar seu anel. — Como vai,
madame Michele? — Os dedos de Madame Michele agarraram os seus, de
modo que apenas os dedos se tocavam, não as palmas.
Hermione se sentiu ridícula. Ela se sentiu ridícula durante a maior parte da
noite. Madame Michele instruiu Hermione para, por favor, servir o chá.
Hermione piscou para ela e foi para o canto da sala, mexendo no carrinho
de serviço. Ela sabia que Madame Michele a estava observando e sabia que
a Pena de Citações Rápidas estava rabiscando furiosamente na sala ao lado.
Ela tentou se lembrar de tudo o que Madame Michele havia feito na semana
anterior, sabendo que aquele era o teste.
Sua lista de anotações naquela noite tinha o dobro do tamanho.
Ela precisava de novas vestes. Ela quase gritou de frustração na noite de
quarta-feira, quando nada em seu armário lhe convinha. Ela estava prestes a
conhecer seus novos colegas de trabalho, as pessoas com quem trabalharia
de perto e não tinha nada para vestir. Ela tinha roupas trouxas, trajes de
negócios trouxas, mas ela queria encontrar todo mundo gritando "Eu nasci
trouxa!"?
Ela se estabeleceu em suas vestes azuis. Elas eram as mais confortáveis e
ela amava mais a cor.
O escritório do GCM ficava em Westminster, bem perto da sede do
Ministério. Os convidados deveriam entrar por uma porta com a etiqueta
"Entregas" que se abriria para um saguão com elevador que os levaria direto
ao último andar. Hermione pediu os elevadores e olhou para os pés,
respirando fundo.
Ela pelo menos precisava de sapatos novos.
— Hermione Granger?
Ela se virou para ver um senhor de meia-idade com uma pasta entrando pela
porta "Entregas". Ela não o reconheceu.
— Sim, olá?
— Ouvi dizer que você se juntaria ao grupo de consultoria Malfoy. — Ele
tinha um sorriso caloroso. — Wendell Wentworth. Consultor de
gerenciamento. — Ele estendeu a mão e Hermione esqueceu
completamente a instrução da noite passada de Madame Michele quando
ela pegou a mão dele. — Vou trabalhar de perto com o Sr. Malfoy em casos
de RH, Finanças, tudo isso.
O coração de Hermione voltou a bater quando ela percebeu que "Sr.
Malfoy" era Draco, não Lucius.
— Oh, adorável. — Ela engatou sua bolsa mais alto em seu ombro. — Eu
estarei supervisionando as relações não-bruxas. Criaturas mágicas, parentes
trouxas...
— Nossa, que ideia esplêndida! — Wentworth sorriu. — Que bruxa perfeita
para o trabalho! — Ela já gostava dele. O elevador chegou e eles entraram.
— Sabe, Srta. Granger, eu acredito que você e eu somos os únicos
grifinórios até agora, então devemos ficar juntos!
Hermione sorriu, imaginando se ela estava, de fato, pegando uma carona
para o covil da cobras.
As portas se abriram para revelar um andar de cobertura amplo e aberto.
Havia um balcão de recepção bem na frente deles, escritórios espalhados
pelo centro do andar e portas que davam para escritórios particulares
alinhados nas quatro paredes. Janelas para a luz natural ficavam
orgulhosamente entre os escritórios e havia plantas nos cantos. A sala
estava viva.
— Depois de você, Srta. Granger, — disse Wentworth. E Hermione se
lembrou de si mesma e saiu do elevador.
Uma mulher rechonchuda de cabelos pretos saiu de trás do balcão da
recepção.
— Senhor Wentworth, senhorita Granger. Bem-vindos. — Ela não sorriu.
— Eu sou Doroteia. Gerente da Administração. Assim que tivermos nossas
recepcionistas na próxima semana, estarei em meu escritório ali. — Ela
apontou um dedo grosso para o escritório sobre o ombro esquerdo de
Hermione, logo à direita dos elevadores. Hermione estava secretamente
muito feliz que esta pequena mulher mal-humorada não fosse a única a
receber os visitantes...
— Vocês podem me procurar para quaisquer questões administrativas,
como contracheques, agendamento de chaves de portal, essas coisas. Estou
disponível para tudo o que precisarem. — A voz de Dorothea não
combinava com suas palavras amigáveis e úteis. — Como você pode ver,
nossos pesquisadores, analistas e consultores associados ocuparão a maior
parte do espaço do centro. — Dorothea apontou para os escritórios no
centro do andar. — Senhor Wentworth, seu escritório fica por aqui, perto do
Sr. Malfoy.
Hermione seguiu o dedo de Dorothea enquanto ele apontava para o canto
esquerdo, oposto aos elevadores. Escritório do Sr. Malfoy.
— E Srta. Granger, — Dorothea se virou, apontando para a direita, logo
atrás dela. — Seu escritório é logo aqui.
Um escritório de canto. Um escritório de canto que era o mais distante
fisicamente possível do escritório de Draco. Hermione supôs que era o
melhor.
Dorothea pareceu dispensá-los enquanto se recostava à mesa, folheando um
fichário. Wentworth sorriu para ela e se despediu dela, indo em direção ao
seu escritório. Hermione se virou, observando a porta de seu escritório.
Entre os elevadores e seu escritório havia um sofá, uma pequena área de
espera. Hermione sorriu, pensando nos clientes esperando por uma consulta
com ela. Pessoas que esperariam o dia todo por um momento de seu tempo
livre.
Ela se aproximou de seu escritório e viu a placa com o nome na porta do
escritório à esquerda do dela.
Blaise Zabini
Marketing e Relações Públicas
Hermione suspirou, imaginando como ela faria qualquer trabalho por aqui.
Ela abriu a porta e encontrou um escritório com o dobro do tamanho do
quarto de seu apartamento. Suas sobrancelhas se ergueram e seus lábios se
separaram enquanto ela observava a mesa de madeira, com armários
combinando atrás, e uma parede inteira de estantes de livros vazias à sua
direita. Havia duas enormes janelas com vista para um hall branco, uma em
cada parede externa do escritório do canto.
O carpete era macio sob seus pés, e Hermione ficou parada na porta por
vários momentos, olhando para os assentos quentes em frente a sua mesa, e
as cores quentes nas paredes, pensando em como ela não seria discreta atrás
dessa mesa. Ela seria quente e aberta.
Ela caminhou até o canto mais distante, observando a vista de sua mesa. Ela
olhou para a cor vermelha em seu escritório e finalmente a atingiu.
Dormitórios da Grifinória. Isso é o que ele a lembrou.
Ela sorriu e sentou-se em sua mesa, passando os dedos sobre ela.
" Hermione Granger: Venda Corporativa."
Ela olhou para cima para ver Blaise Zabini encostado no batente da porta.
Ele segurava uma caneca de chá e cruzava o tornozelo direito sobre o
esquerdo.
Ele sorriu para ela.
Venda corporativa?
— Claro. Você tem o escritório de canto, o salário alto, o setor privado.
Vendeu sua alma ao diabo.
Ela levantou uma sobrancelha para ele.
— E se o seu escritório fica ao lado do meu, o que isso faz de você?
Ele levou o chá aos lábios escuros.
— Sortudo. — Ele piscou para ela enquanto tomava um gole.
Ela franziu a testa para ele mesmo quando sentiu um rubor subindo pelo
pescoço.
— Blaise. — A voz de Draco. Hermione se sentou ereta e tentou parecer
ocupada, embora ela estivesse claramente no meio de uma conversa com
Blaise, sem nada em sua mesa.
— Meu senhor, — disse Blaise, virando-se de seu lugar na porta e
executando uma profunda reverência. Hermione podia apenas ver o ombro
de Draco.
— Quando você recebe um escritório, espero que permaneça nele.
— Mas eu prefiro muito mais a vista deste lado do prédio, — Blaise disse,
seu sorriso era um pouco diabólico demais para o gosto de Hermione.
— Como consultor sênior de marketing e relações públicas, preciso de você
mais perto de mim. Saia desse escritório. — Voz firme.
— Sim, Sr. Malfoy. — Blaise o cumprimentou, piscou para ela e saiu
completamente pela porta.
Então Blaise foi designado para um escritório do outro lado do andar, mas
mudou seus pertences e placa de identificação para o próximo ao dela? Ela
balançou a cabeça para as estantes vazias. Suas estantes vazias.
O movimento da porta chamou sua atenção e ela levantou a cabeça para ver
Draco enfiar a cabeça para dentro.
— Olá, Granger.
— Ah, sim, oi.
Ele desapareceu. Ela bateu com a mão na testa.
Hermione decidiu respirar fundo e se recompor. Ela era uma profissional
ativa e precisava começar a se comportar como tal.
Ela se levantou de sua mesa, com a intenção de olhar através de seus
arquivos quando ouviu uma batida no batente da porta.
Ela se virou para ver um homem magro com óculos elegantes encostado em
seu escritório.
— Senhorita Hermione Granger?
— Sim. Olá?
— Sou Corban Hartford. Advogado da consultoria Malfoy. — Ele entrou
totalmente em seu escritório e ela observou suas vestes elegantes.
— O advogado do grupo de advogados? — Hermione sorriu. — Você deve
ser o melhor então. — Ela apertou a mão dele e ele levantou os óculos,
sorrindo.
— Estou tendo reuniões privadas com todos os Consultores Sênior sobre o
contrato e a papelada hoje. Agora é uma boa hora?
— Sim, absolutamente. — Hermione virou-se para sua bolsa e começou a
tirar o pacote que Draco enviou a ela na véspera de Ano Novo com o
contrato e as diretrizes. — Sente-se.
Ela se virou e Corban Hartford estava fechando suavemente a porta de seu
escritório. Que estranho ter um escritório com uma porta em vez de um
cubículo. Que estranho estar em uma reunião a portas fechadas.
Corban sentou-se e abriu a pasta que trazia consigo.
— Tudo bem, então você tem o contrato original. — Seus olhos se voltaram
para os dedos onde ela o segurava. — Adicionamos adendos que ficarei
feliz em discutir com você, se for necessário algum esclarecimento ou se
você quiser negociar alguma coisa. — Sua voz levantou no final, como se
esta fosse sua décima vez fazendo este discurso hoje. Talvez fosse.
Ele continuou com uma voz levemente preguiçosa: — Agora, Srta. Granger,
tenha em mente que embora eu esteja em dívida com o GCM, e com o
próprio Sr. Malfoy, você agora está sob a égide do GCM. Eu também sou
seu advogado agora. Você pode me procurar com qualquer dúvida ou se
precisar de aconselhamento jurídico para si mesma, não apenas como
funcionária, mas também como pessoa. A única vez que não poderei
representá-la é se você abrir um processo contra o Grupo de Consultoria
Malfoy ou o Sr. Malfoy. Mas é meu trabalho aqui hoje, — e ele citou os
contratos e adendos, — garantir que não haja motivo para me encontrar do
outro lado do tribunal. — Ele deu um pequeno sorriso.
Seu cérebro zumbia com todas as ideias diferentes voando por sua cabeça.
Todas as diferentes maneiras possíveis pelas quais ela poderia se encontrar
lutando contra o GCM no tribunal. Lutando contra Draco.
— Tudo bem, sim.
Ele virou uma página do fichário.
— Portanto, temos as Diretrizes do local de trabalho, o Acordo de não
divulgação, a Política de conflito de interesses, os documentos de assédio
sexual, incluindo o Contrato de Amor, a Cláusula de Não Competição e,
claro, sua Declaração de Deveres.
Hermione piscou.
— Er... Há alguns termos aí que precisarão ser explicados para mim.
— Claro, — disse Corban, tirando os óculos para limpá-los. Corban então
lançou um discurso para definir as Diretrizes do Local de Trabalho. Então
ele definiu completamente o Acordo de Confidencialidade. No momento
em que ele começou a Política de Conflito de Interesses, o joelho de
Hermione estava quicando debaixo da mesa, ansiosa para acelerá-lo. Ela
sabia o que era uma porra de Política de Conflito de Interesses.
— Com os documentos de assédio sexual, você encontrará o negócio
normal, — disse ele, coçando a têmpora. — Qualquer reclamação pode ser
dirigida a mim ou à Sra. Bulstrode na administração — Hermione percebeu
que devia ser Dorothea, e ela pensou que infeliz conjunto de genética ali. —
Ou você pode preencher uma reclamação anônima e enviá-la diretamente
para Ministério, para ser apurada por fonte externa.
Hermione piscou. — Sim tudo bem. E o que você disse sobre um Contrato
de Amor?
— Oh sim. — E Corban Hartford acenou com a mão, como se essa não
fosse a coisa mais interessante que ele disse nos últimos dez minutos. — A
Política de Contrato de Amor ajuda a estabelecer algumas diretrizes no
local de trabalho para colegas de trabalho que se envolvem romanticamente.
Pedimos a todos os funcionários que divulguem qualquer relacionamento
romântico atual ou passado com outro funcionário e, se dois funcionários se
envolverem, divulguem imediatamente.
— Ah, claro. — Isso não era realmente tão ruim...
— Todas as relações entre gerentes e membros da equipe de relatórios são
proibidas, é claro, pois isso afetaria as relações de trabalho. Se um gerente e
um membro da equipe de relatórios decidirem se envolver, é o gerente que
precisa se desculpar de sua posição e encontrar emprego em outro lugar.
O rosto de Hermione estava tenso. Seus olhos examinaram os dela, e ela
observou enquanto ele presumia que ela estava confusa.
— Como, por exemplo, — ele continuou, empurrando os óculos para cima,
— se você se envolvesse com um cara que era um de seus consultores
associados em Relações Não Mágicas... ou uma mulher! Não pretendo
assumir!
Ele sorriu. Ele era muito fofo e ela queria muito matá-lo.
— Se você entrar em um relacionamento com alguém um nível abaixo de
você, uma vez que foi divulgado, você precisa se demitir como Consultora
Sênior para continuar saindo com essa pessoa. — Ele cruzou a perna. —
Isso faz sentido?
Ela olhou para si mesma no reflexo dos óculos dele, ouvindo que Draco
teria que ser o único a deixar o Grupo de consultoria Malfoy, caso os dois
encontrassem o caminho um do outro.
Ela engoliu em seco. — Muito sentido.
Capítulo 26.
Hermione passou o resto da semana limpando seu cubículo no Ministério,
se despedindo de seus colegas de trabalho e amigos.
Já se sabia que ela se juntaria ao GCM na quinta-feira. Skeeter escreveu
uma sinopse rápida sobre Draco no Profeta detalhando suas saídas sociais
atuais e seu status de relacionamento – surpreendentemente, Katya não foi
mencionada – e ela conseguiu listar os Consultores Sênior que haviam
assinado. Hermione reconheceu alguns nomes, como Cuthbert Mockridge,
que se aposentou do Escritório de Ligação com Goblins. Ela se lembrou de
Draco o mencionando.
Na sexta-feira, ela recebeu dois uivadores anônimos no Ministério. Uma de
uma fanática de sangue puro que ficou enojada ao saber que ela estaria
manchando o nome Malfoy com seu sangue sujo e modos trouxas, e outra
que a repreendeu por deixar seu futuro para trás e seguir um Comensal da
Morte cegamente. Seu humor em seu último dia estava essencialmente
arruinado até que trouxeram um bolo e deram uma festinha para ela.
Ela levou para casa sua última caixa e deu um abraço em Aiden. Ele sorriu
para ela e disse que talvez passasse na livraria de vez em quando. Hermione
se sentiu mal por eles nunca terem tido um segundo encontro, embora ela
honestamente não tivesse interesse em um segundo encontro, mas era
realmente o princípio da coisa.
Ela havia passado pelas aulas de fim de semana, aprendendo arquitetura
gótica e como comer um prato de queijo, e na segunda-feira estava lutando
contra os nervos a partir das quatro da manhã. Quando ela ouviu Ginny sair
às cinco para o treino, ela decidiu simplesmente levantar e ir para o
escritório. Ela tinha mais uma caixa de coisas para empacotar e levar.
Ela estava no elevador para o GCM às 7h30, segurando uma caixa de
tamanho médio na qual lançara um feitiço leve-como-pluma. As portas se
abriram e ela ficou aliviada por Dorothea não estar mais estacionada na
frente, mas uma ruiva de nariz como um botão sorriu para ela.
— Oi, eu sou Melody! — Ela se levantou da recepção e estendeu a mão
para cumprimentá-la. Hermione mudou a caixa e estendeu a mão. Maldito
aperto de mão.
— Olá, Melody. — Hermione tirou o cabelo do rosto com uma mão. —
Você é nossa recepcionista?
— Uma delas! — Ela tinha dentes largos, mas, no geral, era bastante
atraente. — Oh! Devo avisar a todos que há uma reunião de toda a equipe
às 9h e, depois, apenas de consultores sênior às 9h30. Também há um
memorando em sua mesa sobre isso.
— Brilhante. Obrigado, Melody.
Hermione se arrastou até a porta de seu escritório, conseguiu abri-la com
uma mão e encontrou Blaise Zabini em sua cadeira de escritório, com as
pernas para cima sobre a mesa.
— Ah! O pássaro pega a minhoca, — disse Blaise. Seus dedos brincavam
com uma pena. Provavelmente a pena dela.
Ela balançou a cabeça para ele e arrastou a caixa para a cadeira de visitas,
deixando-a cair. Quão cedo ele tinha que chegar para vencê-la?
— Então, nesta situação, eu sou o pássaro? Ou a minhoca? — Ela franziu a
testa para ele e colocou as mãos nos quadris.
Ele sorriu para ela.
— Você é inteligente demais para saber, Granger.
Ela sorriu e arrancou três livros de sua caixa.
— Sim, já me disseram. — Ela caminhou até as estantes perto de sua porta
e começou a enchê-las. — O que posso fazer por você, Blaise?
— Só queria trazer isso aqui. — Ele se levantou da cadeira dela e tirou um
pedaço de papel do bolso interno. Ele o desdobrou e colocou sobre a mesa
dela no momento em que ela voltava para pegar mais livros.
Dizia Divulgação de Relacionamento do Escritório. Ela piscou para ele. Ela
examinou o documento para ver que a linha do Parceiro nº 1 tinha sua
assinatura e seu nome impresso. O parceiro nº 2 estava em branco.
— Eu pensei que era melhor falar sobre isso, Granger. — Ela olhou para ele
e seu rosto estava divertidamente sério. — Antes que o inevitável aconteça.
— Seus lábios se contraíram.
Hermione sentiu seu queixo cair e um rubor se espalhar, mas ela não pôde
evitar o jeito que sua boca queria sorrir. Ele era o canalha mais detestável
que ela já conhecera!
Ela limpou a garganta e tornou sua expressão o mais séria possível.
— Oh, Blaise, querido, — ela começou, — você sabe como este Contrato
de Amor é pegajoso. Nunca funcionaria entre nós, amor. — Ela conteve o
sorriso enquanto levava mais livros para as prateleiras.
— Ah, mas eu acredito que você está esquecendo alguma coisa, querida, —
disse Blaise. Hermione virou-se para ele depois de colocar o primeiro livro.
Ele se sentou na beirada da mesa dela. — Estamos no mesmo nível. Você
não me superou e eu não superei você... embora eu esteja aberto a ambos os
caminhos, quero que você saiba... — Os olhos dele brilharam e ela olhou
para baixo, torcendo os lábios para não sorrir com o ridículo dele. —
Consultores seniores namorando consultoras seniores não são tão
desaprovados.
Ela olhou para ele. Ele se sentou tão confortavelmente em sua mesa,
sorrindo para ela. Ele estava brincando, sim? Ele estava... irritando-a. Ela
balançou a cabeça para ele e voltou para pegar mais livros.
— Infelizmente, Blaise, eu já tenho um desses com Mockridge. Estamos
fazendo isso em segredo há meses.
Ela olhou para ele inocentemente, infundindo pesar em seu olhar. Ela
observou o olho dele estremecer quando a imagem de Cuthbert Mockridge
de oitenta anos veio à mente.
— Oh, que pena. — Ele disse, sorrindo.
— Hum. — Ela assentiu.
Seus olhos brilharam para ela e ela pensou em como ele seria perigoso para
as jovens bruxas, como Melody.
Uma batida no batente da porta.
— Granger? — E ela se virou para ver Draco erguer os olhos de um papel
que estava segurando. Merlin, ele estava lindo hoje, vestido e arrumado
para seu primeiro dia.
Ela observou enquanto os olhos dele oscilavam entre Blaise, ainda sentado
confortavelmente em sua mesa, e ela mesma.
Ele continuou: — Quentin Margolis quer marcar uma reunião conosco na
próxima semana. Estarei disponível quando quiser, por favor, responda e
me avise. — Ele entregou a ela a carta que estava segurando e ela deu uma
olhada. Houve silêncio. Ela olhou para cima e Draco estava franzindo a
testa para Blaise. Blaise estava sorrindo de volta para ele.
— Blaise, você está preparado para sua reunião com Dogberd esta tarde?
— Sim, senhor. — Os olhos de Blaise dançaram.
— Brilhante. Reúna suas anotações e encontro você em meu escritório em
cinco minutos.
Blaise levou a mão ao coração.
— Senhor Malfoy, você não confia em mim?
Draco nivelou seus olhos nele.
— Não.
Blaise riu, pulou de sua mesa e saiu com um: — Até logo, Granger.
Draco o observou sair da sala.
— Quem é Dogberd? — ela perguntou enquanto pegava mais livros.
— Ele está no comando dos Chudley Canons. — Draco se virou para ela,
observando-a. — Blaise está o convidando para trabalhar em marketing e
relações públicas
— Oh. — Ela olhou para ele. — Isso é um grande negócio, não é? — Ela
levou os livros para as estantes. Ela apontou para a porta, para onde Blaise
acabou de sair. — Ele é bom? Ele tem alguma ideia do que está fazendo?
— Infelizmente, ele é o melhor.
Ela olhou por cima do ombro para ele, e ele sorriu, balançando a cabeça.
— Fico feliz em saber que ele vale o esforço. — Ela riu.
— Você gostou do seu escritório?
Ela colocou o último livro e se virou.
— Eu amei. — Ela se recostou nas prateleiras e sorriu. Ele a observou.
— Bom.
Seu peito estava quente, pensando na última vez que eles fizeram contato
visual assim. Do outro lado de uma sala de estar brilhando com champanhe
e, antes disso, a apenas alguns centímetros de distância em uma varanda.
Ela olhou para o chão, respirou fundo e voltou para sua caixa, passando por
ele.
— Então, uma reunião com todos os funcionários hoje às nove? Seguido
por uma reunião de Consultores Sênior?
Ela começou a tirar suas bugigangas de sua caixa... uma foto emoldurada
dela e de seus pais, pequenas bugigangas que estavam em sua mesa no
Ministério. Ela olhou para cima quando ele não respondeu. Seus olhos
estavam na mesa dela, onde um pedaço de papel com a assinatura de Blaise
ainda estava.
Seu coração parou.
— Er, sim. — Ele saiu do sério e ela abriu a boca para explicar, negar, dizer
qualquer coisa. — Apenas um breve encontro, na verdade. — Ele
endireitou a frente de suas vestes e acenou para ela. — Vejo você às nove.
Ela observou enquanto os olhos dele se apagavam. E ele foi embora.
Ela jogou a cabeça para trás e rosnou. Ela pegou a maldita Divulgação de
Relacionamento do Escritório e ateou fogo.
Ela se dirigiu para a sala de conferências no lado oposto do andar às 8h50.
Ela saiu de seu escritório e ficou surpresa ao ver tanta gente lotando os
escritórios. Ela fechou a porta e o homem no cubículo mais próximo de seu
escritório se levantou e acenou.
— Senhorita Granger. — Ele caminhou até ela e estendeu a mão. Mais uma
vez, as lições de Madame Michele deixaram seu cérebro. — Sou Walter,
seu Associado.
— Meu...?
— Consultor Associado. — Walter pegou seu bloco de notas e gesticulou
para Hermione continuar em direção à sala de conferências. — Cada
Consultor Sênior tem um ou dois Associados e eu sou seu! — Ele deu um
pouco de "ta-daa!" gesto que fez Hermione sorrir.
Ele era... muito bonito... e casado. Ela encontrou o anel. Ele parecia ter
trinta e cinco anos ou mais, e de repente Hermione se sentiu muito estranha
por estar acima desse homem adulto.
— Isso é maravilhoso. Olá, Walter, prazer em conhecê-lo. — Ela virou a
esquina em um conjunto de escritórios e Walter a seguiu. — E onde você
trabalhava antes disso?
— Eu estava na Romênia no Santuário dos Dragões.
Hermione parou no meio do corredor e se virou para ele com olhos
brilhantes.
— Oh! Então você deve conhecer...
— Charlie Weasley, sim! — Walter sorriu. — Um dos meus melhores
amigos.
— Oh, isso é maravilhoso! Por que você deixou o Santuário? — Hermione
continuou pelo corredor quando viu que eles estavam segurando algumas
pessoas.
— Minha esposa está grávida, — disse ele, sorrindo. — Então, era hora de
deixar a disputa de dragões para trás.
Hermione sorriu.
— Tenho certeza que ela está feliz por ter você seguro.
Walter segurou a porta aberta para ela e ela entrou em uma sala de
conferência um pouco maior do que aquela que ela e Draco usavam no
Ministério. Walter então segurou a porta aberta para várias outras pessoas,
então Hermione foi separada dele momentaneamente. Draco estava do
outro lado da sala, na cabeceira da mesa de conferência, falando com
Cuthbert Mockridge. Havia cerca de dez cadeiras à mesa e cerca de vinte
alinhadas nas paredes. Melody acenou para ela de uma perto da porta.
Ela estava prestes a se sentar ao lado de Melody, um pouco afastada de
tudo, quando notou um panfleto sobre a mesa com Wendell Wentworth na
capa. Ela olhou para a direita e viu que o nome de outro Consultor Sênior
estava no panfleto ao lado. Parecia que os assentos foram atribuídos.
Ela passou por Melody e foi para o outro lado da mesa, passando pelo nome
de Mockridge e passando pelo nome de Dorothea.
Logo à esquerda de Draco, estava Hermione Granger – Relações Não-
Bruxas. Ela puxou a cadeira e sentou-se, franzindo a testa. Ela pensou que
seu posto era isolado, removido. Era uma ideia estranha para uma filial de
um grupo de consultoria, e ela presumiu que seria mais a "irmã caçula" da
empresa, indo e vindo e trazendo boa opinião. Mas ela estava sentada à
esquerda de Draco, como se fosse importante de alguma forma. Mais
importante do que Wentworth e Mockridge, que aparentemente trabalhavam
de perto com Draco na Consultoria Financeira.
Ela ergueu os olhos e encontrou Blaise à sua frente, observando-a. Perfeito.
Ela começou a folhear seu panfleto. Continha a declaração de missão, a
prosa sobre os objetivos da empresa e os gráficos de lucratividade.
Precisamente às nove horas, Mockridge sentou-se e Draco chamou a
atenção da reunião. Ela olhou ao redor da sala e descobriu que a equipe de
suporte e os Consultores Associados estavam alinhados nas paredes. Várias
das jovens bruxas na sala tinham seus olhos arrebatados em Draco.
— Bem-vindos. Sejam todos bem-vindos, — Draco começou. — Obrigado
a todos por se arriscarem na consultoria Malfoy e por virem. — Ele bateu
com o nó do dedo no panfleto à sua frente. — Dorothea preparou uma
papelada maravilhosa, que eu acredito que vocês irão revisar quando
quiserem. Mas eu queria passar esse tempo deixando todos se apresentarem,
nos contando o que você fará aqui. — Ele se virou para ela. — Granger?
Ela quase pulou. Draco se sentou. Seu coração batia rápido, pensando em
como ela realmente não sabia a resposta para essa pergunta. Ela se levantou
da mesa e sentiu todos os olhares sobre ela.
— Olá pessoal. Eu sou Hermione Granger, — ela disse. Várias pessoas
alinhadas nas paredes esticaram o pescoço em volta de seus colegas,
tentando dar uma olhada nela. — Eu sou a Consultora Sênior de Relações
Não-Bruxas, especificamente criaturas mágicas e relações Trouxas. — Ela
não tinha certeza se deveria dizer mais alguma coisa, mas as palavras
estavam fluindo dela. — Eu vim do Departamento de Criaturas Mágicas do
Ministério e desenvolvi um forte relacionamento com vários grupos de
espécies. — Ela podia sentir o calor em seu pescoço. — Er, e ser nascida
trouxa ajudará com as outras partes... — Algumas pessoas riram, e algumas
jovens bruxas sorriram para ela. — Er... — Ela olhou para Draco. — Isso é
tudo que eu precisava dizer?
Ele estava recostado na cadeira, o cotovelo apoiado no joelho e a mão
cobrindo a boca. Ela podia apenas ver o canto de seus lábios levantando.
— Mais do que suficiente, Granger. — Seus olhos a estavam provocando.
Ela estreitou o olhar para ele, agradeceu a sala e sentou-se. Dorothea se
levantou e disse: — Dorothea Bulstrode, administradora. — E sentou.
Hermione corou. Como as pessoas continuaram a se apresentar apenas com
seu nome e título, cada vez menos delas se incomodavam em ficar de pé.
Ela manteve os olhos treinados em seu panfleto e finalmente olhou para
cima para ver Blaise sorrindo para ela, rindo.
O resto da equipe de apoio e Associados terminaram de se apresentar, e
Hermione ficou feliz ao notar que Draco só havia contratado funcionários
do sexo masculino sob o comando de Blaise.
Draco disse mais algumas coisas, fortalecedoras, mas autoritárias. Em
seguida, ele liberou a equipe de suporte e os associados. Draco agradeceu a
todos e pediu que abrissem na página quatorze do panfleto de Dorothea.
— Não quero ser cauteloso com vocês sobre finanças ou operações. Eu
gostaria de pensar que somos todos uma equipe aqui. — Draco limpou a
garganta. — E dentro de cada departamento, todos seremos responsáveis
por atingir metas financeiras, manter um orçamento e assim por diante. —
Ele bateu com a varinha na parede e uma versão grande da página quatorze
apareceu na pintura.
Era o mapa financeiro atual do Grupo de Consultoria Malfoy. Hermione
não tinha certeza de quantas pessoas na sala entenderam que o dinheiro
inicial era a herança de Draco, mas ela a reconheceu assim que a viu
dividida em décimos, projetada para entrar nas contas toda terça-feira.
Seus olhos vidrados sobre os números, pela primeira vez compreendendo
quanto era a herança de Draco. Ela piscou, surpresa e ansiosa. Ele não
precisava trabalhar. Ele não precisava trabalhar um dia sequer em sua vida
e, mesmo assim, abriu uma empresa. Ele jogou tudo fora para deixar sua
marca no mundo.
Draco estava falando e ela não estava ouvindo, então ela tentou sintonizar
novamente. Ele estava começando a discutir a receita projetada para os
meses de janeiro e fevereiro.
Cuthbert Mockridge interrompeu.
— Essas dez parcelas.... Bem, as coisas vão ficar bem apertadas no final de
janeiro e possivelmente em fevereiro, quando os contracheques forem
cortados.
— Sim. — Draco não disse mais nada.
— Bem, — Mockridge suspirou, — esse investimento... — Mockridge
coçou a barba. — Você tem alguma preocupação com essas transferências?
Há alguma... contingência? — Do jeito que ele perguntou, Hermione
percebeu que Mockridge entendeu que era a herança de Draco. E
Mockridge entendeu que vinha de Lucius.
— Não. — Draco deu de ombros. Hermione piscou. Ele não tinha ideia...
— Mas, sim, as coisas vão ficar difíceis se não trabalharmos em nosso fluxo
de receita imediatamente.
Ela se perguntou como a comunidade de Criaturas Mágicas pagaria por seus
serviços. Toda a sua filial era praticamente um buraco negro financeiro.
— Também estamos procurando alguém para preencher nossa posição de
Relações com o Wizengamot, então, por favor, espalhem isso, — disse
Draco.
Hermione franziu a testa. Não era essa a posição que Tiberius Ogden
deveria preencher? O pai de Noelle?
Draco continuou: — Então eu estarei atuando como Consultor Wizengamot
por enquanto, com a ajuda de Corban Hartford, que todos vocês
conheceram na semana passada. Por favor, usem-o como um recurso para
seus próprios projetos. Em uma nota mais alta, — Draco sorriu. — Teremos
o Profeta amanhã, junto com alguns outros repórteres. Rita Skeeter fará
uma redação sobre nós, tirando fotos, conversando com a equipe. Espero
conseguir uma boa publicidade para o GCM. Então, por favor, vistam-se
bem e enviarei um memorando esta tarde com pontos de discussão, se
precisarem de ajuda.
Vistam-se bem. Brilhante. Hermione bateu na pena.
— Obrigado a todos por estarem aqui hoje. Reunião dispensada. — Draco
fechou a pasta à sua frente e se levantou da cadeira. Suas vestes cinzas eram
estilizadas como um terno trouxa, então ele fechou os botões da frente
enquanto se levantava.
Hermione rapidamente guardou sua pena e guardou seus papéis. Os outros
funcionários sêniores estavam apertando as mãos e conversando sobre suas
famílias.
— Granger.
Hermione olhou para cima para ver Draco enfiando a cabeça pela porta.
— Você tem uma consulta 10h em seu escritório.
Seus olhos se arregalaram.
— Eu tenho? — Ela pulou da cadeira e seguiu Draco para fora. Ele a
conduziu pelo andar do escritório, ignorando a equipe de secretariados que
batia nele. — Preciso ter algo preparado? Com quem é a consulta? Perdi
este memorando?
— Calma, Granger. — Ele parou na porta dela. — É apenas uma consulta
preliminar.
Draco abriu a porta do escritório e deu um passo para o lado para que ela
entrasse primeiro. Uma mulher com cabelo preto se virou na cadeira de
visitantes, e Hermione parou na porta quando Pansy Parkinson sorriu para
ela.
— Granger, — Pansy disse. — É maravilhoso ver você.
Hermione assistiu enquanto Pansy se levantava de sua cadeira, suas longas
pernas a carregando pela sala. Ela estendeu a mão para pegar a de
Hermione. Ela apertou as mãos como um cavalheiro. Se o cérebro de
Hermione estivesse pensando, ela teria achado isso interessante.
— Espero que você esteja bem. — A mão bem cuidada de Pansy soltou a
dela. Ela olhou por cima do ombro de Hermione para Draco e disse: —
Estamos bem aqui, Draco.
Os olhos arregalados de Hermione encontraram os cinzas neutros de Draco.
Ele olhou para frente e para trás entre as duas mulheres, e então fechou a
porta atrás de si.
Hermione olhou para a maçaneta da porta, implorando para que ela girasse
novamente, antes de lembrar que aquele era o escritório dela, não a sala
comunal da Sonserina. Ela se virou para Pansy e assumiu o controle da
reunião da melhor maneira que pôde.
— Pansy. — Ela tentou sorrir para ela, mas Pansy já estava sorrindo de
volta, como se fossem velhas amigas. — Por favor, sente-se. — Pansy
sentou-se novamente na cadeira que ela já havia reivindicado, e Hermione
deu a volta em sua mesa para encará-la. — Você também faz parte da
equipe do GCM? Peço desculpas se não sabia.
— Oh, não, — disse Pansy, acenando no ar. — Só espero criar uma relação
de trabalho com a empresa.
— Maravilhoso, — disse Hermione enquanto endireitava as penas e
batucava no pote de tinta. — E em qual ramo você está mais interessada?
— Você.
Hermione olhou para cima e Pansy estava sorrindo. De repente, ela sentiu
como se estivesse no Salão Principal de novo, e Pansy descobriu outra
maneira de provocá-la.
— Eu? — Hermione repetiu.
— Granger, — Pansy começou, puxando um grande livro de sua bolsa. —
Eu me mudei para a França após a Batalha Final e imediatamente comecei a
estudar com Madame le Roux. — Ela colocou o livro na mesa de
Hermione.
— Oh. Isso é maravilhoso.
Pansy estudou seu rosto por um momento antes de esclarecer: — Madame
le Roux é a principal estilista de roupas mágicas em toda a Europa Bruxa.
— Sim, claro. — Hermione acenou com a cabeça como se fosse um deslize
acidental, em vez de falta de conhecimento.
— Na verdade, ela desenhou o vestido de noiva para sua amiga, Fleur
Weasley, — Pansy ofereceu, como se isso ajudasse a lembrar. —
Independentemente disso, comecei minha própria linha de moda para a
"Bruxa dos Negócios Modernos", uma mulher que acredito ser
personificada por sua feminilidade e seu domínio, sua inteligência e
sagacidade e sua liderança no mundo mágico dos negócios.
Pansy olhou para ela com expectativa.
— Maravilhoso. — Hermione sentiu que essa era a única palavra que ela
sabia hoje.
Pansy abriu o livro. A primeira página era um anúncio impresso da Witch
Weekly apresentando uma deslumbrante garota de vinte e poucos anos
carregando uma mochila. Ela usava o que parecia ser um terno trouxa, mas
em uma inspeção mais próxima, o terno era na verdade um manto bruxo.
Era uma combinação perfeita das duas culturas. Hermione olhou para a ex-
purista de sangue da Sonserina, confusa.
— A linha Parkinson se concentra na justaposição do Trouxa e do Mágico,
criando um mundo onde os dois podem coexistir.
Pansy virou a página para mostrar um esboço de moda de uma mulher em
longas túnicas mágicas, mas as túnicas eram apertadas na cintura, muito
parecidas com um vestido trouxa. A próxima página tinha uma visão do
terninho moderno. Pansy continuou explicando seus designs, enquanto
virava as páginas, e Hermione se viu sobrecarregada. As roupas eram lindas
e as modelos nos anúncios impressos eram igualmente lindas. Pansy parecia
estar encerrando sua "apresentação", ou o que quer que ela estivesse
fazendo, e Hermione ainda estava confusa.
— A linha Parkinson espera ser o principal designer para os profissionais
que trabalham hoje. — E com isso, Pansy fechou seu livro. — Tudo o que
precisamos agora é a modelo certa. Alguém que não apenas usará nossas
roupas no mundo profissional, mas também personificará os ideais da
"Bruxa dos Negócios Modernos."
Pansy olhou nos olhos de Hermione com um sorriso. Hermione piscou.
— Claro, — disse Hermione. — Tenho certeza de que o grupo de
secretariado ficaria entusiasmado em ser apresentado a esta linha...
— Dane-se tudo, Granger! — Pansy bateu seu livro na mesa. — Você é a
Bruxa Mais Brilhante da Nossa Era ou não? Você é! — Pansy revirou os
olhos. — Queremos que você seja a modelo.
Hermione estava dividida entre o alívio por Pansy estar finalmente agindo
como ela mesma e o choque.
— Eu?
— Sim! Você é a mulher de mais alto escalão na empresa mais nova de todo
o Mundo Mágico. Você é uma heroína de guerra retratada diariamente pelos
tablóides. Quando você estiver na capa do Witch Weekly ou acima da dobra
no Profeta, queremos que você esteja usando a linha Parkinson,
incorporando os ideais de a "Bruxa...
— Sim Sim. A "Bruxa dos Negócios Modernos". — Hermione olhou para o
papel em sua mesa. Ela se sentiu um pouco envergonhada, sendo escolhida
para algo assim. Ela nunca se interessou por moda ou coisas femininas,
então representar um grupo inteiro de pessoas que tinham esses interesses...
Mas então ela supôs que dizer não não era uma opção. Draco claramente
queria que ela tivesse essa reunião. Ele não confiava nela para representar a
empresa adequadamente em suas roupas diárias? Ou ele estava
simplesmente ajudando uma velha amiga com seu novo negócio?
— Como isso funcionaria? —Hermione perguntou. — O que significa ser a
"modelo" da linha de Parkinson?
Pansy sorriu, e Hermione agora reconheceu um brilho em seus olhos que
ela tinha visto em Draco. Isso significava que ela estava ganhando.
— Todos os domingos à noite você receberá as roupas daquela semana por
coruja. No domingo seguinte, você pode devolvê-las à medida que as novas
roupas forem chegando. Vou rotulá-las como segunda, terça, etc., mas se
você tiver alguma dúvida ou se algo não estiver se encaixando
corretamente, estarei disponível pelo Flu todas as manhãs, das seis às oito.
E, geralmente, todas as cinco roupas podem ser trocadas...
— Então, eu receberia cinco roupas novas toda semana? Até onde isso vai
dar? — Hermione pensou em suas vestes azuis em seu armário, que eram
suas vestes "para trabalhar". Ela geralmente usava elas duas vezes por
semana. Ela nem tinha certeza se tinha cinco roupas agora para durar toda a
semana sem repetir.
— Começaríamos com um contrato de três meses e depois continuaríamos a
partir daí.
— Três meses? — Hermione ficou boquiaberta. — Três meses de roupas
novas toda semana?
— Bem, você poderia repetir um sobretudo ou uma saia...
— Pansy, isso realmente parece adorável, — Hermione a interrompeu. —
Mas é um pouco opressor. E ainda nem falamos de custo. Neste momento
eu realmente não tenho fundos para...
— Granger, — Pansy disse. Sua sobrancelha perfeitamente arqueada foi
levantada. — Você seria uma porta-voz e uma modelo. Você não estaria
pagando nada.
— O que? — Hermione olhou para o rosto de Pansy, imaginando como ela
conseguiu fazer sua maquiagem ficar assim.
— Quando alguém te pergunta "O que você está vestindo?" você responde,
"Parkinson". É assim que você paga por essas roupas. Além do mais. Você
não vai mantê-las. É como se você as estivesse alugando. É tudo muito
fácil.
Hermione ainda estava dividida, e Pansy deve ter percebido isso.
— Vamos fazer um teste, sim? Só esta semana? — Pansy tirou uma caneta e
um bloco de sua bolsa. — Escreva seu endereço aqui, e esta noite, quando
chegar em casa do escritório, você terá quatro roupas para o resto da
semana esperando por você. Além disso, o fotógrafo estará aqui amanhã.
Você vai querer estar no seu melhor
Hermione estava apenas imaginando o que ela estaria vestindo amanhã
enquanto as câmeras estivessem aqui, então realmente não havia problema
em dar o endereço para Pansy.
Ao entregar o pedaço de papel com o número do apartamento, Pansy sorriu
e disse: — Espere-me às 6h.
— Às... oh. Você estará lá amanhã de manhã?
— Só para ter certeza de que está tudo certo, ver se preciso fazer algum
redimensionamento de última hora, — Pansy disse, pegando seu livro e se
levantando. — E eu vou levar uma estilista para seu cabelo e maquiagem,
então você não precisa se preocupar com isso. — Ela acenou com a mão e
Hermione percebeu que ela não estava "preocupada com isso". Ela nem
tinha pensado em cabelo e maquiagem.
— Tudo bem. — Hermione se levantou para acompanhá-la, sentindo-se um
pouco tonta. — Pansy, você tem certeza disso? Quero dizer, deve haver
outra pessoa que exemplifique essa "Bruxa dos Negócios Modernos".
Alguém que está nos jornais com bastante frequência e... Katya! E quanto
ao Draco... er, Katya Viktor?
Pansy fez uma careta.
— Como modelo, Katya já assinou contrato com alguns estilistas. E
também, eu a odeio.
Hermione riu alto. Ela conteve o sorriso, preocupação arranhando seu rosto.
— Hermione. — Pansy sorriu para ela. — Você é a bruxa mais comentada
em toda a Europa. A mais fotografada, a mais respeitada... e logo será a
mais temida. — Hermione piscou para ela. — Não é hora de você começar
a se vestir como uma?
Ela não teve a chance de contar a Ginny sobre a chegada de Pansy e sua
turma. Ela não esperava que Ginny tivesse o dia de folga. Então, quando a
ruiva bateu na porta do banheiro às 5h45 quando Hermione estava saindo
do banho, Hermione pulou.
— Hermione... Sua amiga Pansy Parkinson está aqui...
Ela se enrolou em uma toalha e abriu a porta, deixando o vapor sair. O rosto
de Ginny estava largo, e seu cabelo estava uma bagunça por causa do sono.
— Diga-me que isso é um pesadelo.
Antes que Hermione pudesse responder, Pansy apareceu atrás de Ginny.
— Hermione, amor! Que bom que você já tomou banho. Que tipo de
hidratante você usa?
Ela piscou para ela. Ela estava parada na frente de Pansy Parkinson apenas
com uma toalha. Ginny estava certa: era um pesadelo.
— Er... Bem, há um produto trouxa que às vezes coloco em meus braços...
Os olhos de Pansy mudaram.
— Você não usa hidratante? — Seus olhos se moveram sobre seu rosto. —
Merlin, você teve sorte até aqui... — E de repente Pansy Parkinson estava
abrindo a porta do banheiro e colocando as mãos em seu no rosto. Ela
sentiu como se estivesse prestes a ser sufocada ou ter os olhos arrancados.
— Excelentes poros, Granger.
— ...Obrigado.
— Venho dizendo isso a ela há anos. — Ginny balançou a cabeça para ela,
os cachos ondulando ao redor de sua cabeça.
— Sim, você realmente deve usar hidratante. Ginevra, você já
experimentou o Hush Cream da Harper Hoddy?
— Já ouvi falar, sim.
— É adoravel. Você deve tentar. Tenho uma amostra.
— Oh maravilhoso!
Hermione encarou as duas... se unindo? Pansy chamou alguém na sala de
estar, e então uma irmã Greengrass também apareceu na porta.
— Daph, posso pegar duas amostras de Hush Cream?
Daphne Greengrass não era a simpática Greengrass do Ano Novo. Ela era
tão bonita quanto sua irmã mais nova, mas menos inclinada a sorrir,
Hermione logo percebeu.
Depois que Pansy e Ginny falaram mais sobre esse creme, Daphne
perguntou se ela sabia como aplicá-lo... — Não passa no rosto? — ...e
Daphne mostrou a ela a técnica do círculo ascendente, Hermione foi
conduzida para a sala, ainda vestindo apenas uma toalha.
Tracey Davis estava lá, montando uma estação de cabelo. Ginny bancava a
anfitriã em seu pijama rosa, oferecendo café e chá e depois preparando uma
bandeja de muffins.
Daphne cutucou seu rosto enquanto Tracey puxava seu cabelo e Ginny e
Pansy conversavam sobre sapatos. Hermione ficou sentada e bebeu seu café
sempre que Daphne puxava uma escova. Tracey secou o cabelo e prendeu-o
em algo que chamou de "poderoso rabo de cavalo" depois de enrolá-lo.
Pansy tinha a tendência de fazer perguntas quando Daphne estava no meio
de alguma coisa, fazendo com que Daphne franzisse a testa para ela
enquanto respondia.
Uma ideia lhe ocorreu quando Daphne veio até ela com um lápis
delineador, e se elas estivessem pintando seu rosto como um palhaço e
arruinando seu cabelo? E se essas garotas da Sonserina estivessem
torturando-a para fazê-la parecer ridícula em fotos públicas? Seu coração
disparou, mas então ela se lembrou que Ginny estava na sala. Ginny saberia
se estivessem fazendo isso.
Quando as meninas terminaram, Pansy disse a ela para experimentar o
vestido que ela havia colocado em sua cama. Então, em algum momento,
Pansy entrou em seu quarto. Maravilhoso.
Ela fechou a porta do quarto atrás de si e finalmente tirou a toalha.
Hermione suspirou, sentindo um aperto no estômago pensando em ser
entrevistada hoje. E lidar com Skeeter. E Draco. E Blaise e Pansy.
Ela se virou para ver um vestido verde oliva colocado em sua cama, com
uma espécie de colete por cima. Um par de saltos bege no chão. Não era...
nada que ela teria escolhido para si mesma, mas ela podia ver como isso se
encaixava na estética da Bruxa dos Negócios Modernos de Pansy.
Ela deslizou o vestido pela cabeça, gostando de como o tecido era leve e
como as mangas compridas se abriam bem nos cotovelos. A parte de baixo
ficava logo acima dos joelhos, e ela ficou grata por não ser realmente
revelador ou algo assim. Ela se virou para se ver no espelho e teve que dar
um passo para trás.
Sua pele estava perfeita. Suas sobrancelhas estavam mais escuras e
definidas, e suas pálpebras estavam escuras e profundas sem parecer
muito.... bem, como uma prostituta. Seu cabelo estava preso em um rabo de
cavalo alto, preso e controlado, com cachos caindo até as omoplatas.
O vestido serviu perfeitamente. Ela agarrou o colete, desabotoou e deslizou
sobre os ombros. Era mais um cinto, na verdade. Era de couro marrom claro
e quando ela começou a abotoá-lo na frente, Pansy entrou sem bater. Como
a amiga íntima que ela era.
— Ah, Granger. — Ela levou as mãos aos lábios. Hermione olhou para si
mesma. Ela tinha feito errado? Pansy continuou: — Você está
deslumbrante!
Ginny entrou correndo, ainda adorável em seu pijama e Tracey e Daphne a
seguiram, seus olhos arregalados e alegres. Pansy a impediu de abotoar o
colete, alegando que não tinha ideia de quão pequena ela era, e usou sua
varinha para dimensionar o tecido de seu vestido mais perto de suas
costelas. Ela a ajudou a abotoar o colete, dizendo a Hermione para puxar
seus seios para fazê-los levantar acima dos botões apertados. Hermione
calçou os saltos e se olhou no espelho, Pansy aparecendo por cima do
ombro.
— Essa é a Bruxa dos Negócios Modernos.
Até Daphne sorriu.
Pansy, Tracey, Daphne e Hermione estavam no elevador em direção ao
último andar. Era uma nevasca de atividade quando as portas se abriram.
Rita estava conversando com Walter, Bozo estava tirando fotos do escritório
– focando um pouco demais em Melody – e outro repórter estava
conversando com Wentworth.
Pansy passou por todos eles, levando sua tribo para o canto esquerdo, para o
escritório de Draco. Ela nunca tinha o visto antes.
Era todo de prata e couro e uma masculinidade hilária. Era quase do mesmo
tamanho que o dela, mas em vez de uma parede de estantes, ele tinha um
sofá de couro preto ao lado de uma estante singular. Sua mesa parecia feita
de pedra em vez de madeira, como uma obsidiana ou mármore escuro. Seu
escritório era imponente e sexy. E ela pensou em quão oposto era seu
escritório.
Ele não estava no escritório, felizmente, mas Blaise estava conversando
com um repórter, tendo um fotógrafo dançando ao seu redor. Ele a olhou de
cima a baixo quando ela entrou e não conseguiu encontrar um comentário
para fazer, mas sorriu enquanto continuava o que estava dizendo. Parecia
que Tracey e Daphne estavam aqui para verificar o cabelo e a pele dos
outros fotografados. Daphne levou Blaise para o lado para suavizar sua pele
com uma cor mais escura. Hermione assistiu os dois franzirem a testa um
para o outro, sem falar.
Rita se lançou sobre ela naquele momento, tendo as seguido até o escritório
de Draco. Ela respondeu a perguntas sobre qual será seu papel na
Consultoria Malfoy e para quais casos ela estava animada. Rita empurrou
suas costas contra a janela de Draco e fez Bozo tirar algumas fotos dela.
Tracey se aproximou e alisou o rabo de cavalo, trazendo o cabelo sobre o
ombro. Hermione não sabia como ficar de pé ou se sorria ou não, então
Pansy colocou a mão no quadril e disse a ela para olhar pela janela. Bozo
adorou.
Enquanto ela era colocada em outra posição, Draco entrou, deslizando o
braço para dentro da jaqueta. Ele parou quando a viu e ela encontrou seus
olhos. A câmera piscou. Ele ajeitou o colarinho e continuou até Rita,
apertando sua mão. Rita corou.
Os fotógrafos se reuniram no escritório de Draco, e lentamente os
Consultores Sênior entraram. Rita começou a colocá-los ao redor da mesa
de Draco, preparando-os para uma foto. Tracey e Daphne começaram a
correr, certificando-se de que o cabelo dos homens estava no lugar.
Foi até aquele momento que Hermione percebeu. Ela era a única Consultora
Sênior do sexo feminino. Sim, Dorothea era uma diretora executiva e
estaria nas mesmas reuniões, mas ela estava em uma sala de homens, a
maioria Sonserinos, possivelmente de sangue puro. Ela se sentiu bastante
energizada por isso.
Isso foi até Rita pedir para ela se sentar na mesa de Draco.
Ela olhou para ela. Rita a arrastou até o canto da escrivaninha cara de
Draco. Ela procurou por ele, para ver se ele pararia com isso, e o encontrou
conversando com Pansy do outro lado da sala. Ela sentiu uma dor nas
costelas ao vê-los juntos, que ela afastou. Draco olhou para ela enquanto ela
deslizava para o final da mesa. Ele disse algo para Pansy e Pansy sorriu
para ele. Hermione olhou para baixo.
O resto dos Consultores Sênior foram colocados ao redor da mesa de Draco,
deixando a cadeira aberta para ele. Assim que ele sentou, os flashes
começaram. Hermione sorriu, então olhou rapidamente para Wentworth,
que estava sorrindo confiante. Ela olhou para Pansy, que balançou a cabeça
para ela. Não, não sorria.
Hermione deixou suas feições em branco. Isso não parecia certo.
— Excelente. Pausa! — Pansy disse. Hermione ficou surpresa por ela poder
assumir o controle dessa sessão de fotos assim. Tracey e Daphne foram até
os homens, penteando seus cabelos da maneira certa e Pansy se aproximou
dela.
— Você tem que sorrir com os olhos, Granger. — Pansy demonstrou. —
Imagine que você tem um segredo.
Qual deles? Hermione pensou.
Eles começaram a tirar fotos novamente e Pansy sorriu para ela. Seria
possível que ela tivesse feito certo? Os fotógrafos os reposicionaram
algumas vezes, uma vez que todos ficaram atrás de Draco em sua cadeira.
Então Rita dispensou todos os Consultores Sênior, exceto Draco, Blaise e
ela.
— Vamos nos concentrar um pouco nesta próxima geração. — Os olhos de
Rita brilhavam. — Os empreendedores mais jovens.
Hermione engoliu em seco. Ela os dirigiu para o sofá. Hermione sentiu-se
muito dura de repente. Fizeram-na sentar no braço do sofá. Ela estava sendo
tratada como um acessório, ela percebeu. Pansy a viu franzindo a testa e se
aproximou dela.
— O que está acontecendo nessa cabeça brilhante, Granger?
— Não tenho certeza se gosto disso, Pansy. Esta Bruxa de Negócios
Modernos. Eu realmente não acho que fui feita para isso. — Ela desviou o
olhar dela e Blaise as estava observando. — Eu não gosto de como estou...
sendo enrolada em todos os lugares. Como uma boneca.
Pansy levantou uma sobrancelha.
— Bem, esse é o mundo da moda, Hermione.
— Então não acho que seja o meu mundo.
Pansy acenou para ela, pensando.
— Passe por essa sessão e eu consertarei.
Hermione olhou para ela, então assentiu.
Eles fizeram Draco sentar no sofá ao lado do braço dela. Eles colocaram
Blaise atrás do sofá, inclinando-se para frente. Ela teve que cruzar as pernas
desajeitadamente, sabendo que o ombro de Draco estava bem perto de seus
quadris, e depois de alguns flashes, eles a orientaram a colocar a mão logo
atrás do outro ombro de Draco nas costas do sofá e inclinar o corpo dessa
maneira.
Depois que a pose foi feita, Pansy os redirecionou para a mesa. Ela colocou
Hermione dois passos na frente deles. Ela colocou Blaise e Draco atrás
dela, encostados na mesa. Hermione de repente se arrependeu de ter dito
qualquer coisa, já que agora ela estava na frente e no centro. Pansy fez com
que ela colocasse as mãos nos quadris, olhando orgulhosamente para a
lente. Ela sentiu um fluxo de energia através dela quando as lâmpadas
piscaram. Pansy fez os meninos saírem e deu a ela um livro. Eles tiraram
várias fotos dela encostada na mesa de Draco, lendo um livro. Ela se sentiu
bastante confortável. Ela sorriu para Pansy.
— Senhorita Granger, estou adorando esse estilo em você. O que você está
vestindo? — A pena de Rita estremeceu atrás dela.
Hermione olhou para Pansy. Draco estava logo atrás dela, os olhos correndo
sobre ela.
— Parkinson. — Hermione sorriu. A câmera estourou.
Os lábios de Pansy se abriram em um lento sorriso, e os olhos de Draco
brilharam para ela.
Capítulo 27.
Madame Michele ficou bastante surpresa ao vê-la nas roupas de Pansy
naquela noite.
Ela ficou ainda mais surpresa quando Hermione explodiu: — Eu não
consigo lidar com essa coisa de aperto de mão! eles não estão tentando
apertar a mão de uma senhora. Não posso fazer isso e não vou. — Ela
bufou. — Desculpe.
Ela olhou para os próprios pés, envergonhada.
— como você pode saber a diferença, srta. Granger? — foi sua resposta
fria. Ela a olhou de cima a baixo. — Você parece muito adorável.
Hermione se conteve. — Obrigada, Madame Michele. — Ela acrescentou:
— Você é muito gentil. — Ela olhou para o vestido. — Eu me tornei a
porta-voz e modelo da linha Parkinson.
— Oh! Srta. Parkinson. Que garota encantadora.
Hermione evitou revirar os olhos. Claro que ela é.
Naquela noite, Madame Michele aproveitou para ensiná-la a andar de salto
alto e a tratar roupas caras.
Hermione pensou que era a única lição até agora que ela achou um pouco
útil para a vida cotidiana.
Na manhã seguinte, Hermione chamou Pansy em pânico às sete da manhã.
— Eu sinto muito, Pansy, — Hermione disse quando a garota alta saiu de
sua lareira. — Mas tentei fazer o que Daphne e Tracey fizeram ontem e
acho que não funcionou.
Pansy olhou para ela.
— Não deu.
— Eu sei, eu sei. Eu só não quero usar este vestido incrível, se meu cabelo e
maquiagem não combinarem. — Ela apontou para o lindo vestido laranja
queimado que Pansy tinha separado para ela. Ela olhou para Pansy – cuja
maquiagem estava perfeita para esta hora da manhã – e implorou a ela com
os olhos.
— Tire tudo. — Pansy franziu a testa. — Tire o vestido, tire a maquiagem,
tire esse rabo de cavalo desastroso. Merlin, Granger, o que você estava
tentando fazer?
— Eu estava tentando fazer aquela coisa de "rabo de cavalo poderoso" que
Tracey fez ontem! — ela rosnou.
— Granger, você não pode usar o mesmo penteado dois dias seguidos! —
Pansy fez uma careta para ela.
— Você não pode simplesmente me dar um armário cheio de roupas bonitas
e esperar que eu saiba essas coisas, Pansy!
Hermione gemeu e se afastou para tirar tudo. Quando ela voltou de roupão,
cinco minutos depois, Tracy e Daphne estavam na sala de estar, parecendo
mal acordadas.
— Ah, — Hermione disse. — Sinto muito por ser uma dor de cabeça para
todas vocês.
Tracey balançou a cabeça, como se ela não fosse uma dor de cabeça.
Daphne não discordou dela.
— Tudo bem. — Pansy apareceu da cozinha, tendo feito chá para elas. —
Vamos fazer isso na frente de um espelho pelos próximos três dias.
Quando as garotas começaram a atacá-la e Pansy foi jogar fora qualquer
coisa que não gostasse no armário de Hermione, ela se perguntou se era
assim que teria sido crescer na Sonserina. Ela não se arrependia de seus sete
anos com os meninos, e era bom ter Lavender e Parvati deixando-a sozinha
a maior parte do tempo...
Mas ela sentiu que era assim que uma manhã de fim de semana nos
dormitórios da Sonserina teria sido.
O Profeta Diário saiu no domingo de manhã, exibindo a foto de Draco,
Blaise e ela no sofá de Draco acima do braço.
Perfeito. Era a que ela menos gostava de todas as fotos tiradas, mas é claro
que estava na primeira página do Profeta.
"SANGUE NOVO NO HORIZONTE"
por Rita Skeeter
Com equilíbrio e confiança, Draco Malfoy iniciou uma revolução. Ele
escolheu a dedo a equipe, garantiu o espaço do escritório, arrumou os
móveis! A empresa que trará grandes mudanças no mundo mágico foi
aberta.
Um autoproclamado "resolvedor de problemas", Draco Malfoy afasta seu
cabelo dourado enquanto fala com convicção sobre seus principais planos.
Hermione revirou os olhos. Ela se apoiou no balcão da Cornerstone,
franzindo a testa para o título. Tinha... conotações interessantes.
Ela examinou as entrevistas dos outros consultores, deixando seus olhos se
demorarem na foto. Ela parecia muito bonita. O vestido de Pansy era muito
complementar e o colete de couro puxava suas costelas para dentro. O
cabelo e a maquiagem estavam no local.
Então não era ela na foto que ela não gostava. Era tão... sexy. Como um
pequeno ménage à trois perfeito com os três. Assim como ela pensou, os
quadris de Hermione estavam muito perto da cabeça de Draco, e Blaise se
inclinou para frente apenas o suficiente para trazer o peito dele para perto
do ombro dela.
Este era um grupo de consultoria, não um clube de strip, pelo amor de
Merlin!
Hermione abriu o papel para encontrar uma página inteira dedicada a ela.
Ela engasgou no meio da livraria, e a bruxa olhou para ela como se ela
tivesse dito o nome de Voldemort em vão.
A foto dela lendo o livro na mesa de Draco ocupava quase toda a página.
Ela abriu e fechou a boca, imaginando se Skeeter havia brincado com a
imagem. Suas pernas pareciam tão longas nos saltos, e seus lábios pareciam
tão cheios. Ela observou sua mão virar a página e seus lábios sorrirem.
Na página seguinte, Hermione viu uma foto dela posando na frente da
janela de Draco, e ela reconheceu o momento em que Draco entrou na sala
e eles fizeram contato visual.
A Hermione da vida real corou ao ver os olhos da Hermione no Profeta
arderem. — Oh, Deus... — Ela fechou os olhos, bloqueando a imagem de si
mesma observando Draco a observá-la. Ela era realmente tão óbvia
pessoalmente?
Ela suspirou e leu o artigo. O artigo completamente sobre ela mesma.
Skeeter detalhou os deveres do cargo, felizmente incluindo trechos de sua
entrevista sobre quais grupos de criaturas mágicas eles estariam focando no
primeiro trimestre. Então, aparentemente, Skeeter entrevistou os outros
sobre ela.
Uma citação de Blaise Zabini: "Ela é tão apaixonante quanto bonita."
Os olhos de Hermione se arregalaram. Que ridiculamente inapropriado. Ela
examinou a página e descobriu que uma garota da secretaria disse a Skeeter
que Hermione era " uma espécie de heroína para ela! Todos em Ilvermorny
sabiam quem ela era!" Hermione franziu a testa. Ela não reconheceu o
nome da garota e fez uma anotação para descobrir quem era ela.
No final do artigo, Draco Malfoy foi citado. " O que me atraiu nela foi sua
mente. Ela é muito lógica."
Hermione puxou a cabeça para trás. Lógica? Bem, sim...
A porta de Cornerstone se abriu e ela fechou o jornal sobre as fotos de si
mesma. Ela olhou para cima e Corban Hartford estava entrando pela porta.
Ela levou um momento para colocá-lo em sua mente, achando tão difícil vê-
lo em uma discussão sobre romance no escritório.
— Sr. Hartford! Olá! — Ela sorriu quando ele acenou para ela.
— Senhorita Granger, lembrei que você trabalha aqui. — Ele sorriu
enquanto se aproximava do balcão. — Estou procurando um presente de
aniversário para meu pai e pensei em fazer uma visita a você. — Ele
empurrou os óculos para cima e olhou ao redor da loja.
— Bem, é meu dia de sorte então. — Ela empurrou o papel para longe. —
Alguma coisa em particular? Ou apenas navegando?
— Eu adoraria sugestões, se você tiver alguma. — Ele colocou uma sacola
mais alta no ombro. — Ele não é fã de ficção, infelizmente, ou então eu
teria algumas sugestões minhas.
Hermione contornou o balcão.
— Você é um fã de ficção, Sr. Hartford? — Ela o conduziu para as
biografias e não-ficção.
— Sim, absolutamente. Isso mantém minha mente longe de todos os livros
de direito que memorizei. — Ele lançou a ela um sorriso preguiçoso. — E
você pode me chamar de Corban. Não se preocupe com essas coisas de Sr.
Hartford. — Ele acenou com a mão e olhou para as pilhas.
Hermione mostrou a ele os livros de Mattie McHandry que ela havia
inicialmente mostrado a Narcissa. Ele comprou dois deles, e eles
conversaram um pouco sobre como ela estava gostando do Grupo de
Consultoria Malfoy.
— A propósito, o artigo no Profeta foi adorável, — disse ele.
— Ah, obrigado. — Ela corou. Ela seguiu o conselho de Madame Michele
e aceitou o elogio. — Estar na capa do Profeta nunca foi minha coisa
favorita, mas o artigo acabou bem. — Ela colocou os livros em uma sacola
e os entregou. — Espero que seu pai goste dos livros!
— Eu também! — Ele deu a ela uma cara nervosa que ela riu. — Bom dia,
senhorita Granger.
— Você pode me chamar de Hermione.
Ele se virou para ela na porta.
— Bom dia, Hermione. — Ele sorriu e empurrou os óculos para cima.
Hermione sorriu um pouco mais depois disso.
Quando ela chegou em casa do trabalho, uma carta de Ron estava esperando
por ela. Ela largou a bolsa e, ao pegá-la, Ginny colocou a cabeça para
dentro.
— Isso chegou cerca de uma hora atrás. — Ginny pairou na porta.
— Mhm. — Hermione leu a carta. Ron estava questionando suas decisões
com palavras como: "Eu pensei que você estava aceitando um emprego na
Relocação de Elfos Domésticos ou no Gabinete de Aurores? Estou
completamente chocado, Hermione."
Hermione leu tudo, franzindo a testa. Ela olhou para Ginny, que estava
mordendo o lábio.
— Bem?
— Estou chocada por ele ainda não ter ouvido. — Hermione esfregou o
rosto. — Isso nunca surgiu entre vocês dois?
— Eu não ia contar a ele! — Ginny dançou até ela, pegando a carta e
examinando-a. — Oh, legal, Ronald... — ela resmungou.
— E Harry nunca contou a ele? E ele não leu sobre isso na semana passada,
quando Skeeter anunciou? Ele não poderia simplesmente ter me enviado
um Uivador com os outros na semana passada? — Hermione sentou-se na
beira da cama. Uma cópia do Profeta estava ao lado dela.
Ginny tentou fazê-la se sentir melhor por mais um tempo, mas tudo que ela
viu foi a foto dela em um vestido verde com olhos esfumaçados, com as
palavras de Ron dançando em sua cabeça.
" Acho que você realmente é uma Sonserina agora, Hermione."
O artigo do Profeta Diário deve ter feito algo maravilhoso para o GCM,
porque o escritório estava lotado na manhã de segunda-feira. Hermione mal
teve tempo de pousar o café antes que um memorando chegasse, solicitando
a todos os Consultores Sênior uma reunião às nove.
Ela preparou suas anotações, conjurou um espelho de corpo inteiro para
verificar novamente seu trabalho em seu rosto e cabelo naquela manhã e se
dirigiu para a sala de conferências. Wentworth e Dorothea ocuparam seus
lugares habituais na reunião da semana anterior, então ela fez o mesmo.
Draco e Blaise entraram juntos, rindo de alguma coisa. Era doce, realmente,
ver os dois se comportando como amigos, Draco tirando uma folga de sua
personalidade de chefe.
Blaise sentou na frente dela e piscou. Ela levantou uma sobrancelha para
ele.
Assim que Draco começou seu "bom dia", Corban entrou. Hermione sorriu
e acenou para ele. Ele sorriu para ela e colocou sua maleta no final da mesa
no assento vazio de frente para Draco. Ela não o tinha visto no escritório na
semana passada, e enquanto pensava sobre isso, talvez ele não tivesse um
escritório aqui. Talvez ele estivesse apenas aparecendo de vez em quando.
Ela olhou para Draco, preparada para ele começar. Ele estava observando
Corban. Draco olhou para suas anotações, mexeu os pés e começou.
— Excelente primeira semana a todos. Acho que as pessoas estão se
adaptando bem. Quero instigar reuniões semanais às segundas-feiras para
uma oportunidade de fazer check-in, definir metas semanais, se necessário,
compartilhar sucessos. — Ele se virou para Blaise. — Blaise acabou de
conseguir os Chudley Cannons para nós na semana passada. Excelente
notícia.
Hermione se virou para ver Blaise sorrindo orgulhosamente.
— Você está me fazendo corar, Sr. Malfoy.
Draco continuou, descrevendo a semana. Draco e ela se encontrariam com
Quentin Margolis na quarta-feira sobre o projeto do lobisomem, e então
quinta ou sexta-feira eles se sentariam com Corban para discutir os
próximos passos com o Wizengamot. Mockridge tinha algumas famílias de
sangue puro que contrataram GCM para trabalhar em suas finanças, e
Wentworth estava buscando alguns negócios no Beco Diagonal.
À medida que ele prosseguia, e à medida que os consultores conversavam
mais com ele, ela percebeu que estava ouvindo somente "Sr. Malfoy". Era
estranho. Um pouco estranho demais para ela, mas ela imaginou que
chamá-lo de Malfoy era melhor do que Draco. Não era como se fossem
amigos, de qualquer maneira.
— E por último, tenham cuidado com sua correspondência, — Draco
continuou. — O artigo do Profeta realmente nos colocou no mapa, mas nem
toda publicidade é boa. Já lidei com quatro Uivadores esta manhã.
Ele coçou a mandíbula. Ele já parecia cansado e o dia mal havia começado.
Ele os dispensou e, depois que ela arrumou suas coisas, passou por Corban
na saída.
— Seu pai gostou dos livros? Você já deu a ele?
— Ele... bem, ele agradeceu. — Corban sorriu. — Ele não gosta muito de
afeto ou gratidão... ou instintos paternos, na verdade... — Corban riu da
mesa. — Então, ele gostou bastante deles.
Hermione sorriu.
— Isso é maravilhoso. Bem, estou sempre disponível para mais sugestões.
Avise!
— Brilhante. Obrigado, Hermione.
Ele sorriu para ela e começou a folhear algumas notas em vez de fazer a
mala, talvez prestes a ter uma reunião com Draco – Malfoy. Malfoy.
Ela olhou para cima e o encontrou observando ela e Corban. Ele desviou o
olhar e começou a embaralhar suas anotações quando ela saiu.
Ela saiu pela porta e deu de cara com Blaise, que estava encostado na
parede. Ele sorriu para ela.
— Sim, Blaise? — ela soltou, continuando pelo corredor em direção ao seu
escritório.
— Você e Hartford são amigos. Isso é adorável. — Ele seguiu. — Vocês são
como dois nerds que cresceram e se tornaram atraentes.
Ela tossiu para esconder o rubor, ouvindo-o atrás dela.
— Blaise, se você gosta desse tipo de pessoa para se relacionar, eu ficaria
feliz em apresentá-lo para ele. — Ela jogou por cima do ombro, e o pegou
sorrindo.
Ela dobrou a esquina e sentiu os olhos nos escritórios traçando-os. Ou
talvez fosse apenas Blaise, ela pensou, enquanto Melody lhes dava um
sorriso brilhante.
— Walter está com sua correspondência matinal, Srta. Granger, — cantou
Melody.
— Oh maravilhoso. Obrigado. — Ela continuou, esperando que Blaise
fosse pego pelo decote de Melody...
— Estou adorando essa coisa de Bruxa dos Negócios Modernos, Granger.
Sem sorte. E ela percebeu que ele estava andando atrás dela, então o visual
que ele estava comentando...
— Obrigado, Blaise. Agora vá embora.
Ele riu quando ela chegou à mesa de Walter. Walter levantou-se e ergueu
uma lixeira na borda do escritório.
— O que é isso? — ela perguntou horrorizada.
— Sua correspondência, — Walter fez uma careta. Ele olhou para dentro.
— Separei tudo. No lado esquerdo deste balde estão as cartas e pacotes
relacionados ao trabalho. Posso repassar um pouco disso com você mais
tarde, pois encontrei uma carta particularmente interessante da Snidget
Society que gostaria de mostrar para você. — Ele bateu no lado direito da
lixeira. — Mas aqui estão todas as suas cartas pessoais. — Ele fez uma
careta.
— Cartas pessoais? Eu não deveria receber correspondência pessoal aqui.
Walter torceu o nariz.
— Concordo bastante. Fiquei muito desconfortável abrindo tudo, então
talvez possamos tentar um sistema melhor se isso continuar.
— Que tipo de cartas pessoais? — Blaise encostou-se na porta de Walter,
olhando para o balde com um sorriso malicioso. Ele conseguiu uma xícara
de chá em algum lugar.
— Bem, algumas cartas de fãs, algumas cartas de ódio, uma carta do Witch
Weekly – aparentemente você foi escolhida para estampar a capa da
próxima semana – mas também algumas propostas de solteiros elegíveis. —
Walter revirou os olhos.
— Propostas? — Hermione franziu a testa.
— Realmente? — Blaise lançou um olhar guloso para o balde. Ele levou a
caneca aos lábios.
— Suponho que se eu receber algum desses no correio da tarde, posso jogá-
los fora? — disse Walter.
Hermione piscou, ainda sem entender completamente o propósito de uma
proposta de um estranho absoluto pelo correio. Ela olhou para Blaise,
sorrindo ao redor da caneca, e se virou para Walter, levantando uma
sobrancelha.
— Tem fotos?
Blaise bufou em seu chá.
Quentin Margolis sugeriu que eles se encontrassem em um café trouxa em
vez de irem ao escritório do GCM na quarta-feira, o que Hermione achou
uma escolha estranha para um lobisomem recluso. O bando da Floresta do
Norte era um bando pacífico, mas aparentemente tão pacífico que recusou o
convite de Remus para lutar na Batalha de Hogwarts.
Ela e Draco apareceram em um ponto de aparatação e caminharam vários
quarteirões. O silêncio era... confortável. Mas Hermione ainda o odiava.
— Eu queria te perguntar, — ela começou, e ela viu Draco virar a cabeça
para ela, — o que aconteceu com Tiberius Ogden? Fiquei muito surpresa ao
saber que a posição de relações Wizengamot estava aberta.
— Ele recusou.
Hermione olhou para ele. Seus olhos estavam examinando a rua quando
eles pararam em uma faixa de pedestres.
— Recusou? Mas eu pensei que as coisas estavam indo tão bem. Quero
dizer, pela maneira como Noelle estava falando sobre isso.
Ela se lembrou de uma garota loira embriagada espalhando a notícia de que
Draco estava apenas conversando com ela para chegar até seu pai.
Draco ficou em silêncio. O sinal mudou e ele saiu do meio-fio, colocando a
mão nas costas dela para guiá-la. Ela se aqueceu, mas se concentrou.
— O que ele disse quando você almoçou com ele e Noelle?
— Ele cancelou. — Draco apertou a mandíbula. — Ele disse que não tinha
interesse na empresa.
Algo não foi dito. Hermione o estudou enquanto ele segurava a maçaneta da
porta e a deixava entrar no café antes dele. Ela parou na porta.
— Você quer que eu escreva para ele?
Ele olhou para ela, e seus olhos percorreram seu rosto.
— Não, vamos encontrar outra pessoa, Granger.
Ela franziu a testa e entrou. Draco também esperava que Ogden investisse,
se ela se lembrasse corretamente. Que grande ajuda teria sido.... Ela se
virou para ele.
— E quanto a Noelle? Acho que me dei bem com ela. Posso ver quando ela
estiver em casa...
— Não. — Sua voz era firme e seus olhos estavam duros. — Não entre em
contato com Noelle. Está me ouvindo, Granger?
Ela procurou seus olhos, tentando descobrir. — Tudo bem.
Ele engoliu em seco e desviou o olhar dela, procurando no café para ver se
Margolis já estava sentado em uma mesa. Hermione franziu a testa para
seus sapatos – saltos gatinho, como Pansy os chamava – e tentou pensar...
Draco e Noelle saíram em uma quinta-feira, e eles se sentaram com Tiberius
no sábado. Então, nesses dois dias, ele cancelou. O que Noelle disse ao
papai?
Draco os levou até uma área de sofá onde ela podia ver um grande homem
barbudo. Margolis levantou-se quando eles se aproximaram e deu-lhes um
sorriso tenso enquanto eles apertavam as mãos. Depois de cumprimentar
Hermione calorosamente, ele apresentou um segundo homem que ela não
tinha visto atrás dele no sofá.
— Este é Mason, — anunciou a voz rouca.
Enquanto Quentin era moreno e caloroso, Mason era claro e frio. Ele não se
levantou quando foi apresentado e não fez nenhum esforço para apertar a
mão de Draco ou reconhecê-lo. Ele parecia ter cerca de trinta anos, embora
fosse sempre difícil dizer a idade de um lobisomem.
— Posso conseguir alguma coisa para alguém? Café, Granger? — Draco
disse.
— Sim, obrigado.
Quentin pediu um chá e agradeceu. Mason olhou para Draco de cima a
baixo e pediu um chá e um sanduíche de presunto, com uma salada com
bife. Hermione teve a nítida sensação de que Draco estava sendo testado.
Para seu crédito, Draco não vacilou. Ele assentiu e foi até o balcão.
— Como está o jovem Teddy? — Quentin virou-se para ela.
— A última vez que ouvi, ele e sua avó estavam visitando Ron Weasley na
Irlanda. — Hermione sorriu. Seus olhos piscaram para Mason, que a
observava preguiçosamente. — Mason, você conheceu Remus Lupin antes
de ele morrer?
— Eu o conheci, sim.
Ele não disse mais nada. E Hermione podia ouvir a voz de Madame
Michele em sua cabeça sobre convidados difíceis.
— Ele era adorável. Um dos meus professores favoritos em Hogwarts e um
amigo querido, — disse ela. — Eu suponho que você também faz parte do
North Forest Pack?
— Sim.
Hermione olhou para Quentin. Ele apertou os lábios e deu a Hermione um
olhar de desculpas.
Draco voltou com três chás e um café. Hermione reprimiu um sorriso ao vê-
lo fazendo malabarismos sem mágica. Ele colocou um cartão de plástico
com um número no centro da mesa.
— Vamos pular direto ao assunto, certo? — Quentin disse, inclinando-se
para a frente sobre os cotovelos. Mason permaneceu reclinado. Hermione
enfiou a mão na bolsa para pegar sua pasta de apresentação enquanto
Quentin continuava: — Sr. Malfoy e eu tivemos um breve encontro em
dezembro. Portanto, entendo as mudanças de política e as etapas que seu
grupo seguirá. Eu disse ao Sr. Malfoy que pensaria sobre isso e discutiria
com meu bando, — ele gesticulou para Mason, que estava observando
Draco — e nós nos reuniríamos novamente.
— Excelente, — disse Hermione, encontrando a página que precisava. —
Eu elaborei um cronograma prospectivo para o caso. — Ela pegou uma
linha do tempo para cada um deles e os distribuiu. — Posso começar as
entrevistas com os membros do North Forest Pack já em fevereiro. Meu
Consultor Associado e eu podemos ir para a Floresta do Norte, passar uma
ou duas semanas inteiras lá fora, para que sua matilha e sua rotina não
sejam perturbadas...
Mason riu. Hermione olhou para ele, mas quando ele não disse mais nada,
ela continuou.
— Assim que tivermos depoimentos do North Forest Pack, posso começar a
procurar doadores que financiariam o caso. Como o Sr. Malfoy disse em
sua reunião anterior com o Sr. Margolis, o North Forest Pack não pagaria
pelos serviços do Grupo de consultoria Malfoy, mas alguns representantes
são bem-vindos em qualquer festa de arrecadação de fundos. Quando nós...
— Então você vai arrecadar dinheiro para os negócios de Malfoy, com base
em nossas entrevistas. — Mason olhou para Hermione. Não era uma
pergunta.
— Estaremos arrecadando dinheiro para o caso, com base em suas
entrevistas. — Hermione franziu os lábios.
— E diga-me, Hermione Granger, — disse Mason. — Quanto custa para
marcar uma audiência com o Wizengamot?
Ela piscou para ele.
— Eu acredito que é uma taxa de depósito de dez galeões.
— Festas de angariação de fundos para dez galeões? Meu Deus. Seu
negócio deve estar mais complicado do que eu pensava, Malfoy. — Mason
nivelou seus olhos frios em Draco. Draco devolveu o olhar e sentou-se para
a frente.
— A arrecadação de fundos cobriria os custos da pesquisa, a viagem para a
Floresta do Norte, os salários da equipe que trabalha incansavelmente,
acomodações para o bando se eles decidirem vir a Londres para o caso...
— Então, eu te dou uma entrevista, eu te conto como a vida tem sido difícil
para mim como um lobisomem e o quanto eu gostaria de ser como as outras
garotas e garotos, e você me dá um emprego no Ministério? É assim que
funciona? — Mason disse, voltando o assunto para a apólice. Hermione
olhou para Quentin, que estava tomando seu chá em silêncio.
— Não, — disse Hermione, sentindo o rosto esquentar. — Com os
depoimentos do North Forest Pack, daremos a você o direito de ganhar um
trabalho no Ministério, caso você esteja interessado em um. — Ela sentiu
sua respiração ficando mais rápida. — Se algum lobisomem quiser uma
forma estável de emprego, esta política não permitirá qualquer forma de
discriminação. Também estaremos defendendo bolsas de estudos
patrocinadas pelo governo para ajudar quaisquer filhotes em suas despesas
enquanto estiverem em Hogwarts, e a escola será obrigada a providenciar
na lua cheia.
Mason segurou seu olhar. Quentin limpou a garganta.
— Eu aprecio tudo o que você fez, Srta. Granger, na preparação para este
projeto, e todo o trabalho que você planeja fazer para a comunidade de
lobisomens, mas teremos que recusar.
Hermione abriu a boca, sobrancelha franzida para Quentin. Um pequeno
som saiu de sua garganta, antes que ela pudesse expressar: — Por quê?
— Pode ser um pouco mais fácil para você, Srta. Granger, estar no centro
das atenções por toda a sua vida, mas eu não acredito em ser comprado por
publicidade, — disse Quentin. Ele virou seus olhos duros para Draco.
Mais fácil para ela? Hermione franziu a testa para ele. Ela se virou para
Draco para descobrir que ele estava muito quieto, mas sustentou os olhos de
Quentin.
— Isso é muito lamentável, Sr. Margolis, — Draco disse. — Existe algo
que possamos fazer para mudar sua mente?
— Você pode trazer Albus Dumbledore de volta? — Mason brincou. Ele
sorriu para Draco, como se soubesse que o havia acertado em um lugar
macio. Hermione observou as narinas de Draco dilatarem, mas ele não fez
mais nada. Mason continuou: — Ou talvez você possa voltar no tempo e
derrotar Fenrir Greyback, em vez de brincar de casinha com ele por um ano.
A mandíbula de Draco apertou, e ela sentiu como se pudesse ver o
vermelho em sua visão.
Hermione virou-se para Mason.
— Você não tem ideia do que está falando. — A imagem de Greyback
invadindo seu quarto nadou diante dela. — Malfoy não tinha negócios com
Fenrir Greyback que não fossem forçados a ele...
— Eu realmente não entendo você, Hermione Granger, — Mason sibilou
para ela. — Ele lutou contra você em uma batalha apenas dois anos atrás e
agora você joga sua sorte com ele. — Ele sorriu. — O salário deve ser
excelente no Grupo de consultoria Malfoy.
Seu sangue estava zumbindo.
— Se não me falha a memória, Mason, você não lutou na minha guerra.
Pelo menos Malfoy teve a decência de escolher um lado.
A conversa parou. A mandíbula de Mason estalou. Ela ouviu Draco respirar
lentamente ao lado dela.
— Você julgou severamente o Sr. Malfoy e eu, — disse ela. — O que faço
aqui não é para publicidade, é porque é a coisa certa a fazer . Quando me
encontro em posição de ajudar pessoas subestimadas, faço tudo o que posso
para ajudar. Não é publicidade.
— Mas com certeza é uma excelente sessão de fotos, — Mason disparou
para ela, então voltou seus olhos para Draco, — não é, Malfoy? — Ele
sorriu. Ele abriu as mãos na frente do rosto, lendo uma manchete. — Que
time. O sangue-puro e a sangue-ruim.
Ela prendeu a respiração. E Draco sentou-se para a frente.
— Cuidado, — ele rosnou, tão baixo que Hermione não tinha certeza de
qual homem era o lobisomem.
— Tudo bem. Não vamos cair no drama. — Quentin pousou o chá. —
Mason, você já terminou?
— Oh, por favor, fique. — Hermione se levantou e pegou sua bolsa. —
Você tem sua salada e sanduíche a caminho, — ela sibilou para ele. Ela
jogou a pasta em sua bolsa. — Quer saber, Quentin? Vou continuar com
este caso porque me importo, não porque fui paga para cuidar. Vamos lutar
contra essa injustiça sem você, e vamos vencer, e vamos comemorar, e você
pode agradecer a Draco Malfoy quando seus filhos tiverem direitos iguais
aos dos bruxos. — Ela estava muito barulhenta para uma loja trouxa, ela
sabia. — Vamos, Malfoy.
Ela girou e saiu furiosa.
Ela não esperou. Ela continuou descendo a rua, os saltos batendo contra a
calçada. Ela estava furiosa.
Eles claramente não tinham intenção de trabalhar com eles e ainda assim
participaram da reunião. Hermione ignorou a parte de seu cérebro que a
lembrava de que Quentin pode ter sido respeitoso ao recusar pessoalmente,
porque Mason havia sido desrespeitoso de propósito.
"Pode ser um pouco mais fácil para você, Srta. Granger, ter estado no
centro das atenções toda a sua vida, mas não acredito em ser comprado por
publicidade."
Comprada? Ela bufou, sentindo o cabelo cair das presilhas. Ela ouviu os
sapatos de Draco atrás dela, enquanto suas longas pernas a alcançavam.
Eles caminharam em silêncio, cada faixa de pedestres se abrindo para eles.
Ela arriscou um olhar para o rosto de Draco em um canto, e o viu franzindo
a testa para a calçada.
— Sinto muito, — disse ela. Ele olhou-a. — Por eles. Lamento que eles não
vejam você do jeito que eu vejo.
Ela continuou descendo a rua até o ponto de aparatação. Depois de cinco
passos, ela o sentiu ficar atrás dela. Ela parou e se virou para ele. Ele olhou
para ela friamente, e ela franziu a testa, reconhecendo esse olhar de sua
audiência no Wizengamot meses e meses atrás.
— Eu não preciso da sua pena, Granger.
Ela olhou para ele. Sua mandíbula estava apertada, as mãos em punhos em
seus quadris.
— Você não tem a minha pena, — disse ela. — Você tem meu respeito.
Ela balançou a cabeça para ele e se virou, alcançando o ponto de aparatação
primeiro e saindo sem ele.
O almoço de lobisomem azedou seu dia inteiro. Walter tentou perguntar a
ela como foi. Ela estava confiante de que ele seria a última pessoa a fazer
essa pergunta.
Às quatro horas ela finalmente tirou um livro da estante e começou a ler
para acalmar sua mente. Não exatamente pelo que ela foi paga, mas
aparentemente ela foi paga demais de qualquer maneira.
Uma batida na porta aberta e ela olhou para cima para ver Wentworth
sorrindo timidamente.
— Reunião ruim?
— A pior. — Ela fechou o livro. — Eles não podiam simplesmente recusar.
Eles precisavam recusar enquanto insultavam minha integridade. — Ela
olhou para a janela. — Eles pensaram que todo o caso era um golpe
publicitário.
— Ah, — Wentworth fez uma careta. — Bem, teria sido uma publicidade
incrível. "Hermione Granger liberta os lobisomens".
Isso a fez franzir a testa.
— Você não quer dizer "Grupo de Consultoria Malfoy liberta os
lobisomens?"
— Ah, não, não. É tudo você. — Ele sorriu. Ela sabia que ele estava sendo
muito gentil, mas não gostou depois do que Quentin e Mason disseram. —
Devo admitir, eu tinha receio sobre trabalhar com Draco Malfoy, mas uma
vez que ouvi que você estava a bordo, isso realmente me influenciou.
— Oh, isso é tão gentil, — ela disse. — Então, você entrou bem tarde no
jogo também?
— Não muito tarde. Por volta do início de dezembro.
Ela piscou para ele.
— Início de janeiro, você quer dizer?
— Não, foi no começo de dezembro. Por volta do aniversário da minha
esposa.
Ela sentiu um peso frio se acomodar em seu peito.
— Então, Draco disse a você no início de dezembro que eu me juntaria ao
GCM? — Ela manteve o rosto leve.
— Sim, ele disse que entendia qualquer receio que eu tivesse, mas aqui
estava o que ele queria fazer, e aqui estava quem havia assinado para fazer
isso. — Ele sorriu para ela. — Tenho certeza que você foi o fator decisivo
para muitas pessoas aqui, funcionários e clientes.
Ela passou a língua pelos dentes para não falar. Ela contraiu os lábios em
um sorriso. — Bem, obrigado Wentworth. É adorável ouvir isso.
Ele acenou com a cabeça para ela e a deixou sozinha.
Ela se levantou, zumbindo. Ela caminhou até a estante para guardar o livro
e foi fechar a porta para poder pensar.
Draco estava na sala, conversando com um dos Associados de Mockridge.
Como ele adivinhou que ela assinaria logo no início de dezembro? Draco
nem havia falado em se juntar a ela no GCM até 31 de dezembro. Isso nem
passava pela cabeça dela.
Ela o observou encostar-se na porta e revirar os olhos para alguma coisa,
sorrindo.
Mas ele trouxe a pasta de lobisomem antes disso. No início de dezembro.
Ele trocou três livros e um sorriso por uma carta de recomendação e
entregou a ela um portfólio cheio de anotações. Notas que a influenciaram,
notas que despertaram sua curiosidade...
"Qualquer um pode ser seduzido, Granger."
E de repente ela estava na sacada dos Malfoy novamente, em um vestido
branco, observando enquanto Draco encostava seu longo corpo contra a
grade e dizia a ela o que ela queria fazer da vida. Ele decidiu tudo por ela
antes mesmo que ela mesma pensasse nisso.
Ele riu de algo que um dos Associados disse e continuou em seu escritório,
folheando alguma coisa. Ele sentiu os olhos dela nele e olhou para ela, e
acenou com a cabeça.
Ela olhou para ele.
Quentin Margolis estava certo. Só que não foi pelo dinheiro que ela se
apaixonou.
Capítulo 28.
Hermione desejou ter deixado a Muralha de pé.
Ela finalmente conseguiu apagar todas as palavras rabiscadas pouco antes
do Natal, então seu quarto era uma lousa em branco novamente.
Mas ela realmente teria apreciado uma linha do tempo agora.
Draco tinha entrado em Cornerstone com a pasta de lobisomens no primeiro
fim de semana de dezembro, mas antes disso, eles não se falavam há quase
duas semanas – desde o incidente de Marcus Flint.
Hermione franziu a testa para sua parede em branco. Algo deve ter mudado
então. Algo deve ter dado errado se ele sacrificou seu orgulho para ir até
ela. Ele havia admitido abertamente que tinha ido a Cornerstone para lhe
pedir um favor.
Favores, ela não se importava em dar. Publicidade manipuladora, ela tinha
problemas.
Algo puxou sua mente... algo aconteceu com Noelle e seu pai. E o que quer
que fosse, aconteceu antes de Draco pedir a Hermione para escrever para
Quentin Margolis e antes de começar a usar o nome dela para reunir
funcionários e clientes.
Hermione mordeu o interior de sua bochecha. Draco tinha deixado bem
claro que ela não deveria escrever para Noelle....
Então, trinta minutos depois, com uma carta para Noelle enviada com uma
coruja, ela se sentou na beirada da cama, tirou os saltos altos e tirou a
jaqueta. Hermione enfiou a mão na bolsa para olhar o portfólio que Walter
havia preparado para ela naquele dia.
Walter era deliciosamente intuitivo, descobriu Hermione. Ele bateu em sua
porta fechada naquela tarde, encontrando-a com a cabeça entre as mãos, e
trouxe todas as cartas de fãs e cartas de amor que ela recebeu até agora esta
semana.
— Sempre que minha esposa está tendo uma semana ruim, eu misturo toda
a poesia embaraçosa que escrevi para ela em Hogwarts e todas as notas do
NEWT dela, — disse ele, dando de ombros.
Hermione riu.
— Poesia?
— Sim, durante a aula do professor Bins.
— Claro.
Ele também trouxe o portfólio do pomo de Ouro no qual estava trabalhando
e pediu licença para deixá-la ler sua pilha.
Ela tinha jovens empresárias escrevendo para ela pedindo conselhos e
agradecendo por abrir o caminho. Ela tinha veteranos de guerra escrevendo
cartas de encorajamento e elogios. E uma carta de uma garota de treze anos
de Ilvermorny. Ela queria o conselho de Hermione sobre um pelúcio que ela
encontrou na sala de troféus que ela queria manter como animal de
estimação. Ela também terminou a carta com um pedido de conselhos de
Hermione sobre como responder às provocações de seus colegas.
No momento em que ela voltou para casa para passar o dia, Hermione havia
entendido seus sentimentos sobre a situação.
Ela não ia desistir. A essa altura, isso seria um suicídio profissional, e ela
gostava bastante do que estava fazendo no GCM. Ela gostava das
possibilidades. Mas ela ia deixar Draco saber que ela sabia o que estava
acontecendo, e ela não gostava disso.
E ela faria isso com calma.
Ela esperaria.
Às dez horas da manhã de quinta-feira, ela se preparou para falar com
Draco. Ela seria direta, concisa e honesta.
Ela caminhou até o escritório dele e encontrou a porta fechada. Raramente
ele a fechava, então ele devia estar em uma reunião. Quando ela se
aproximou para perguntar a assistente dele quando achava que ele estaria
livre, a porta se abriu.
Pansy saiu. Hermione piscou para ela, confusa. Pansy sorriu.
— Hermione, querida! — Ela a olhou de cima a baixo, avaliando a roupa
para hoje. — Maravilhoso, eu estava indo para ver você.
Hermione sorriu e disse algo educado, o tempo todo distraída por Draco ter
uma reunião a portas fechadas com Pansy. Draco apareceu na porta,
vestindo sua jaqueta.
Ele encontrou os olhos dela. Por um momento ela tinha quinze anos,
observando Draco e Pansy desaparecerem atrás de uma tapeçaria em seu
caminho de volta da biblioteca.
Ela balançou a cabeça, achando toda a situação injustificada. Pansy parecia
imaculada, nem um fio de cabelo fora do lugar, nem uma mancha em seu
batom. Só porque Draco estava se vestindo com sua camada externa não
significava que eles tinham...
— Você me queria? — Os olhos de Draco queimaram nela. Ela quase riu
alto com o duplo sentido não intencional.
— Eu, er... Não, não se você estiver de saída.
— Eu estou. — Ele checou seu relógio. — Tenho uma reunião seguida de
outra. Er, na verdade, se você estiver disponível para almoçar, meu cliente
gostaria de conhecê-la. — Ele tirou o cabelo do rosto e pegou uma pasta de
seu assistente. — Um dos vendedores da dedos-de-mel está processando a
dedos-de-mel e é um grande fã seu. — Ele olhou para a pasta.
Ela franziu a testa. Bom, se esse não era exatamente o problema...
— Não. Não estou livre. — Sua voz estava um pouco firme. Ela podia dizer
pela forma como a sobrancelha de Pansy se contraiu.
— Tudo bem. — Ele a estudou. Desculpou-se e dirigiu-se aos elevadores.
Pansy virou-se para ela.
— Vamos falar do Witch Weekly! Eles estarão aqui na segunda-feira para
fotos e uma entrevista. — Pansy juntou seus braços, como se fossem velhas
amigas.
— Sim, vamos conversar. Eu gostaria muito de não estar de verde para esta
sessão. — Hermione lançou-lhe um olhar.
Pansy ergueu as sobrancelhas.
— Realmente? — Ela sorriu. — Então, vermelho da Grifinória?
— Só não o verde da Sonserina. — Hermione levantou uma sobrancelha.
Ela se sentou com Corban na sexta-feira para discutir o caso do lobisomem.
Ainda havia muito a ser feito, mesmo sem Quentin Margolis e o North
Forest Pack, mas não ter o apoio deles estragou um pouco as coisas.
Corban ajudou a delinear os aspectos legais dos próximos meses, e os dois
trabalharam na declaração de abertura do primeiro dia no Wizengamot em
março. Corban estava contando a ela uma história sobre o dia mais estranho
que ele já teve nos tribunais quando Draco bateu no batente da porta.
Ela olhou para ele, ainda sorrindo com a história de Corban. Ele olhou entre
os dois.
— Hartford. — Ele acenou com a cabeça para Corban.
— Boa tarde, Sr. Malfoy. — A voz de Corban ainda estava alegre por causa
de sua história.
— Como está a declaração de abertura?
— Estamos quase terminando, e então vou enviar para você revisar.
— Excelente. — Draco olhou para ela, mandíbula apertada. — Granger, o
Sr. Townsend está muito interessado na Política de Lobisomem. — Ele
olhou para a carta que estava segurando. — Ele quer jantar conosco na
próxima semana para falar sobre apoio financeiro.
Ele caminhou até a mesa dela e ela pegou dele. — Oh, isso é maravilhoso.
— Terça às sete, — disse Malfoy. Ele olhou entre os dois e se virou para
sair.
Hermione estava muito ocupada examinando a carta para ouvi-lo. Uma vez
que suas palavras afundaram, ela pulou. Senhora Michele!
— Oh, eu... — Mas ele estava saindo pela porta. — Com licença, — ela
disse para Corban, pulando e correndo atrás de Draco.
— Malfoy. — Ela parou na porta, com a mão no batente. Ele virou. — Eu...
eu não posso ir as sete na terça-feira. — Ele a encarou e ela se sentiu
ansiosa. — Eu tenho... eu tenho uma coisa.
— Você não pode reagendar? — Seu olhar era firme, mas inquisitivo.
— Não, eu realmente não posso. — Ela desviou o olhar dele e olhou para o
batente da porta, tentando encontrar uma desculpa razoável. — Er... é... eu
tenho isso...
Ela olhou de volta para ele e parecia que ele havia seguido seus olhos
enquanto ela desviava o olhar dele. Ele olhou para um buraco na parede
dela, bem onde Corban estava sentado pacientemente em seu escritório.
Seus olhos se voltaram para ela, escuros.
Ele deu um passo em direção a ela.
— Se você está adiando esta reunião muito importante para algo não
essencial, eu questionaria suas prioridades Granger, — ele sussurrou. Eles
estavam a alguns passos de Walter e alguns outros trabalhadores. Ele parou
na frente dela. — Eu odiaria pensar que você priorizaria um encontro acima
de sua Política de Lobisomem.
Ela piscou para ele. Um encontro? Com Corban? Isso era um salto...
— Eu não tenho um encontro, — ela sibilou. — E mesmo que tivesse, se
disser que não estou disponível para uma reunião, estou indisponível para
uma reunião, Malfoy. — Ela estreitou os olhos para ele. Os dele queimou
nos dela.
— Certo. — Ele mordeu. — Vou pedir para reagendar. — Ele virou.
— Quarta-feira é melhor para mim. Também não estou disponível na
quinta-feira. — Ela cruzou os braços.
— Quarta-feira não é bom para mim, — Draco começou.
— Oh, Malfoy, eu odiaria ouvir que você priorizaria um encontro acima de
sua empresa, — ela sibilou. Ela revirou os olhos e voltou para seu
escritório, ouvindo Draco bufar.
Ela conseguiu irritar Draco novamente mais tarde naquela tarde. Foi um dia
maravilhoso.
Embora ela ainda precisasse falar com ele sobre o tratamento que ele
dispensava a ela e seu nome, ela não pôde deixar de sorrir e piscar os olhos
para ele quando sua mandíbula se apertou e ele fez uma careta para ela
novamente.
Um dia maravilhoso mesmo.
Ela estava equilibrando o livro-razão em Cornerstone na manhã de sábado
enquanto lia um dos novos lançamentos que haviam sido enviados. Corban
disse que a autora era uma de suas favoritas, mas ela ainda não estava
totalmente investida. Com cem páginas, isso não era um bom sinal.
— Pensei que você tivesse largado esse emprego.
Os olhos de Hermione saltaram do livro para ver Draco parado a poucos
metros do caixa. Seu rosto estava frio e sua sobrancelha levantada para ela.
Ela nem tinha ouvido a porta abrir.
— Não. Eu deveria? — ela disse.
Ele franziu a testa para ela e se inclinou sobre o balcão.
— Sim.
Hermione olhou em seus olhos cinzentos e sentiu frio. Ela se sentiu muito
boba por ter sido pega lendo em seu turno, então pegou vários livros para
arquivar e partiu para as estantes à esquerda.
— Acho que não encontrei uma razão lógica para sair, — disse ela. — Você
me conhece. Apenas pensamentos "lógicos" aqui. — Ela bateu na cabeça
com um sorriso, citando sua "coisa favorita sobre ela" e desapareceu atrás
da estante. Ela o ouviu segui-la, como ela sabia que ele faria.
Ela empurrou vários livros para o lado em uma prateleira logo acima de sua
cabeça quando ele apareceu na esquina. Ela o ignorou. Ele encostou o
ombro nas estantes e cruzou os braços.
— Você vai precisar avisar com duas semanas de antecedência.
Hermione terminou de colocar um livro no lugar e olhou para ele por cima
do braço direito estendido.
— Vou precisar de um motivo melhor do que "porque eu disse", Sr. Malfoy,
— ela zombou.
— Você assinou uma Cláusula de Conflito de Interesses.
Ela parou no meio do alcance.
— Conflito de interesses? Como, em nome de Merlin, uma livraria está em
conflito com uma organização multimilionária como o Grupo de
Consultoria Malfoy? — Ela balançou a cabeça para ele e deu alguns passos
para a esquerda para arquivar um grande livro vermelho na terceira
prateleira. Ele a seguiu, ficando diretamente atrás dela enquanto ela
encarava a prateleira.
— Este é um local público de negócios, — disse ele. Sua voz passou por
seu ombro direito. Era enervante não vê-lo, mas senti-lo e ouvi-lo. —
Qualquer um de nossos concorrentes poderia entrar, iniciar uma conversa
amigável e perguntar sobre sua posição na Consultoria Malfoy. Ou pior, a
imprensa.
Hermione franziu os lábios e respirou fundo pelo nariz.
— Além disso, — ele continuou. — Você tem um contrato com Pansy. Se a
pessoa errada visse o que você veste nesta livraria nos fins de semana, você
estaria colocando em risco a carreira dela e também a sua imagem.
Isso a fez girar.
— E o que exatamente há de errado com o que estou vestindo?
Ele zombou dela.
— Jeans trouxa e um pedaço de algodão que mal te cobre? Dificilmente é o
epítome da Bruxa dos Negócios Modernos.
A boca de Hermione se abriu para responder, mas a raiva apertou sua
garganta. Ela não ousou olhar para si mesma, mas ela sabia que a camiseta
que ela vestia não era nem um pouco reveladora. Ela levou um momento
para fazer um balanço e sentiu o tecido de algodão contra a parte inferior
das costas e barriga, e sabia que estava puxada para baixo o suficiente. Ela
não conseguiu se conter quando puxou o último livro que estava segurando
em direção ao peito, como um escudo.
— Isto é o que eu visto nos fins de semana, Malfoy. Não vejo por que...
— Vou ter que fazer Pansy fazer uma linha de fim de semana para você,
então. Porque isso, — ele a olhou de cima a baixo, — é vergonhoso.
Hermione zombou. Suas narinas dilataram.
— Você não fará tal coisa. Você está encarregado de mim de segunda a
sexta-feira, Malfoy. Sábado e domingo são meus dias de folga para fazer o
que quiser. Vou trabalhar nesta livraria o tempo que quiser.
Ele se inclinou para ela, colocando a mão direita ao lado de sua cabeça na
prateleira. Seu rosto estava tão quente e agora ele estava bloqueando o resto
do ar frio.
— Eu não preciso de pessoas fofocando que não posso pagar minha equipe,
Granger. Se o mundo ouvir que Hermione Granger, a Garota de Ouro, —
ele sorriu para ela e ela fez uma careta, — e consultora de alto perfil da
Consultoria Malfoy, ainda trabalha em seu emprego de meio período, eles
vão presumir que você não recebe o suficiente.
— Então eu o esclarecerei quando os repórteres aparecerem na
Cornerstone! — Ela revirou os olhos para ele e deu um passo à direita para
escapar. O braço esquerdo dele subiu, apoiando-se na terceira prateleira e as
costelas dela apenas roçaram o braço dele antes que ela se detivesse. Ele se
aproximou e ela sentiu as prateleiras criando entalhes em suas costas.
— Enquanto você for empregada da Consultoria Malfoy, Granger, você se
comportará e se vestirá como tal. Se você gostaria de voltar a trabalhar
como escória do Ministério, preenchendo relatórios e falhando em criar
mudanças duradouras para suas criaturas abençoadas, fique à vontade, —
ele disse, sua respiração pairando sobre o rosto dela.
Como ele ousa... Ele estava começando a soar como seu pai...
— Só estou "empregada" segunda, terça, quarta, quinta e sexta, Malfoy. Eu
estou livre...
— Ah, devo ter perdido sua demissão nas tardes de sexta-feira, seguida de
sua inscrição nas manhãs de segunda-feira.
— Só recebo de segunda a sexta. Você só pode controlar meu paradeiro de
segunda a sexta.
— E quanto custaria controlar seus sábados e domingos então, Granger? —
Ele arqueou a sobrancelha para ela e respirou profundamente antes de
continuar. — Tenho certeza de que poderia mais do que cobrir o salário que
você ganha aqui.
Ela abriu a boca e fechou. Ela não estava respirando. O calor de seu corpo a
estava sufocando e ela podia sentir sua pele vibrando e sua espinha doendo
contra as prateleiras. Ela riu de uma forma que esperava ser
condescendente.
— Eu não preciso de mais dinheiro, Malfoy...
— Então o que é que você precisa? — Seus olhos brilharam para ela e sua
voz estava quente contra sua boca. Uma mecha loira caiu em sua testa.
Seus lábios estavam secos e seus olhos ardiam enquanto se moviam para
frente e para trás entre os dele. Ela soltou um suspiro trêmulo e engasgou no
ar que pôde encontrar. Seu rosto consumiu seu campo de visão, e ela
observou como o canto de sua boca se contorceu para cima e seus olhos
voaram em direção aos lábios dela.
— Hermione? Olá? — A voz de Harry chamou da frente da loja.
Hermione fechou os olhos e encheu os pulmões. Seus olhos se abriram para
ver Draco se endireitando e se afastando dela. Ele manteve seus braços
envolvendo-a, então ela rapidamente passou por baixo do braço na altura da
cabeça, ajeitou sua camiseta e dobrou a esquina.
— Harry, oi, — disse ela. Ele se virou do balcão. — Eu estava separando
livros.
— Ei! Eu vim para ver se você queria almoçar comigo e com Ginny. —
Harry sorriu para ela, então seus olhos deslizaram sobre o ombro dela e ela
soube que Draco havia aparecido. Ela observou enquanto Harry olhava para
frente e para trás entre os dois, observando o rosto corado de Hermione. Ela
não ousou olhar para Draco.
— Eu não sei, Harry, — disse Hermione. Ela se moveu em direção ao
balcão e começou a manter as mãos ocupadas. — Você vai ter que
perguntar ao meu chefe. — Ela lançou-lhe um olhar e Draco fez uma careta
para ela.
— Uh... sim. Malfoy você gostaria de se juntar a nós três?
Hermione quebrou a pena em sua mão.
— Ah, não, — disse ela. — Malfoy está passando o dia inteiro verificando
seus Consultores Sênior. Ele está reservado. — Ela bateu um volume no
balcão.
— Ótimo. — Harry parecia querer sair da livraria o mais rápido possível.
— Então vejo vocês dois no Fortescue's à uma?
— Parece perfeito, — Draco respondeu, dirigindo sua atenção para
Hermione. Ela bufou.
— Harry, qual é o código de vestimenta para este almoço? Devo correr para
casa primeiro e vestir algo um pouco mais puro-sangue? — Ela manteve os
olhos treinados em Harry, estreitando-os e zombando como se estivesse
falando com Draco.
— Er... Não. Eu acho que o que você está vestindo está bom. Se você
estiver confortável, — Harry disse. Hermione se virou para sorrir para
Draco. Harry continuou: — Quero dizer, você tem jeans sem rasgos nos
joelhos?
O queixo de Hermione caiu e ela ouviu Draco rir. Ela se virou para ele e seu
rosto estava dividido em um enorme sorriso.
— Obrigado, Potter. Por tudo. Vejo todos vocês lá. — Draco estendeu a
mão sobre ela para pegar uma de suas malditas balas e saiu com um sorriso
maroto.
Hermione foi carrancuda até Fortescue. Quando ela estava saindo, ocorreu-
lhe que poderia ser fotografada novamente hoje e, se fosse, gostaria de ter
usado roupas diferentes. Não que ela tivesse levado Draco a saber disso.
Harry e Ginny escolheram uma mesa um pouco mais longe de olhos
curiosos, felizmente. Draco estava chegando ao mesmo tempo, então ele
segurou a porta aberta para ela com um sorriso malicioso e ela olhou para
ele.
Depois de um pouco de conversa fiada, Harry e Draco entraram no balcão
para fazer o pedido.
Ginny se virou para ela.
— O que, em nome de Merlin, deixou você com tanto mal humor hoje!
Hermione suspirou e balançou a cabeça.
— Malfoy parou em Cornerstone para insultar minhas roupas.
Ginny ofegou.
— Não são as roupas de Pansy?
— Não não. As minhas roupas. Essas roupas. — Ela gesticulou para si
mesma. — Ele está chateado porque eu ainda estou trabalhando na
Cornerstone e acha que eu não deveria ser vista com roupas tão
vergonhosas de fim de semana. — Ela tomou um gole de água. — Então ele
se ofereceu para me pagar mais para que eu usasse roupas melhores nos fins
de semana.
— Ele usou a palavra "vergonhosa?"
— Sim.
Ginny estava quieta. Hermione tirou os olhos da rua e encontrou Ginny
sorrindo para sua xícara de chá.
— O que? — Hermione perguntou.
— É só que... — Ginny riu. Ela se virou para ela. — Hermione. Eu tinha
seis anos quando vi uma garota trouxa pela primeira vez. Ela estava usando
as calças mais justas que eu já vi e uma camiseta que mostrava seus
ombros. — Ela sorriu. — Perguntei à minha mãe se ela era uma prostituta.
Hermione riu.
— Tudo bem... aos seis?
Ginny acenou com a mão.
— Eu tinha todos irmãos mais velhos, então infelizmente ouvi coisas... só
estou dizendo que... a moda trouxa não é fácil para os puros-sangues. É
muito difícil entender quando tudo o que você está acostumado são as
largas vestes mágicas.
— Então eu pareço uma prostituta para ele? — Hermione levantou uma
sobrancelha para Ginny.
— Não não! — Ginny riu. — Só estou dizendo que... seu jeans é muito
apertado... para um puro-sangue. — Ela sorriu. — O que não é a pior coisa
do mundo. — Ginny piscou. Hermione franziu a testa.
Ela ouviu a risada de Harry e se virou para encontrar os meninos voltando.
Hermione ficava tão curiosa toda vez que Harry ria de algo que Draco dizia.
Não era natural.
Draco colocou uma xícara de café na frente dela e Harry colocou o número
na mesa.
Assim que Ginny começou a conversar com Draco sobre o GCM,
Hermione teve um momento para examiná-los, impressionada com a
aparência desse "encontro duplo". De repente, ela estava muito consciente
de Draco sentado à sua direita, Ginny à sua frente e Harry à sua esquerda.
Uma pequena foto perfeita.
Ela se mexeu na cadeira, apertando os lábios e pegando a xícara de café,
tentando pegar o pires com a xícara como Madame Michele havia lhe
ensinado. Ginny e Harry estavam contando a Draco uma história que ela já
conhecia, então ela os desligou, colocando o pires na mesa. Ela olhou para
Draco, e ele a estava observando.
Ela desviou o olhar e cruzou os braços sobre a camisa fina de algodão.
Hermione recebeu uma coruja no domingo à noite de Pansy, solicitando que
Tracey e Daphne a preparassem para sua sessão de fotos no escritório no
dia seguinte. Elas fariam várias poses, planos de fundo e trocas de guarda-
roupa ao longo da manhã, e seria melhor se instalar no escritório vago ao
lado do dela, visto que seu escritório seria o plano de fundo da sessão de
fotos.
Hermione estava bastante exausta na manhã seguinte. Ela temia toda essa
coisa de publicidade e esperava acabar com isso depois desse artigo do
Witch Weekly.
Ela lembrou a si mesma que este artigo não era sobre o GCM, era sobre ela.
Ela poderia focar a entrevista em como ela afetaria o mundo mágico com as
principais mudanças nas políticas. Publicidade para a Política de
Lobisomem e seus próximos projetos estava perfeitamente bem.
Publicidade para Draco Malfoy e sua reputação prejudicada não estava.
Ela chegou às 7h da manhã de segunda-feira e descobriu que Pansy já
estava instalada no escritório ao lado do dela. Ela havia conjurado uma
cortina para Hermione se vestir por trás, e a arara de roupas que ela trouxe
para a sessão de fotos.
O queixo de Hermione caiu. Os tecidos e cores gritavam moda elevada. E
Hermione não pôde deixar de notar que não havia um pedaço de verde para
ser encontrado.
— Pansy... — Ela não conseguia tirar os olhos da arara.
— Eu sei, — disse Pansy, ficando ao lado dela. — Está bem, não está? —
Ela pegou um vestido da arara. — Experimente isso. Quero ajustá-lo a você
antes que eles cheguem.
Era azul claro com renda prateada no topo. Algo era vagamente familiar
sobre isso. Hermione o pegou dela e olhou para ele.
— É baseado no seu vestido do Baile de Inverno.
Hermione olhou para cima para encontrar Pansy sorrindo para ela.
— Realmente?
— Bem, você disse nada de verde, então fiquei com tantas cores que odeio.
— Pansy revirou os olhos e a empurrou para trás da cortina.
Ela começou a tirar as roupas simples, mas profissionais, que usava. Ela
estava vestindo o vestido de pervinca, quando ouviu uma batida na porta.
— Tudo bem aqui? — a voz de Draco.
— Sim, querido, — Pansy respondeu.
— Granger já chegou?
— Estou aqui, — disse ela. Ela saiu de trás da cortina e olhou para Pansy.
Pansy engasgou e dançou até ela, para ajudar a abotoar as costas.
Ela moveu o cabelo sobre o ombro e olhou para Draco na porta, de repente
muito constrangida por não estar de sapatos.
Ele estava olhando para o vestido com o maxilar cerrado. Ele odiou isso.
Ela estreitou os olhos para ele. Seus olhos encontraram os dela depois de
olhar o vestido, e ele piscou, virando-se, como se tivesse sido pego.
— Deixe-me saber se você precisar de alguma coisa, — disse ele. Ele olhou
para o batente da porta do escritório, mantendo os olhos longe dela. —
Adiamos a reunião da manhã de segunda-feira para as onze, para lhe dar
tempo suficiente com o Witch Weekly.
Isso era perfeito, na verdade. Harry a encontraria para almoçar ao meio-dia.
— Tudo bem, obrigado.
Ele olhou para ela rapidamente e saiu. Só então Hermione percebeu que
Pansy estava terminando o último dos botões, e Draco basicamente a
observou "se vestir". É por isso que ele desviou o olhar.
Ela corou e tentou se concentrar no que Pansy estava dizendo para ela fazer.
— Oh, espero que eles escolham este para a capa. — Pansy puxou o tecido
com as mãos e segurou a varinha entre os dentes de uma maneira nada
feminina que Hermione achou funcional e hilária.
— Eu amei ele. Eu nem consigo me ver nele e eu amei.
Pansy conjurou sem varinha um espelho de corpo inteiro, e então voltou a
puxar o bordado. Impressionante.
Mesmo sem cabelo e maquiagem feitos, Hermione parecia uma rainha. Ela
riu. E Pansy sorriu para ela.
— Eu amei ele. — Disse Hermione.
— Eu também adorei.
— Malfoy não. — Hermione riu.
— Você está brincando? Ele adorou.
Hermione olhou para ela. Pansy estava apontando sua varinha para as
costuras, mas ela parecia estar falando honestamente.
Depois que elas ajustaram o vestido para ela, Pansy a fez experimentar
alguns que eram um pouco mais "Bruxa dos Negócios Modernos " do que
"princesa de conto de fadas".
Ela estava calçando saltos para combinar com um vestido vermelho escuro
com tecido extra que parecia ser para fins estéticos, em vez de função,
quando Blaise se inclinou na porta, bebendo de uma caneca.
— A Rainha da Grifinória voltou. — Ele sorriu. Hermione revirou os olhos.
— Ótimo trabalho, Pans.
— Obrigado, querido. — Pansy ignorou sua presença depois disso.
— Precisam de ajuda com zíperes ou botões, ou qualquer coisa? — Ele
sorriu e Hermione balançou a cabeça para ele, escondendo o sorriso.
— Blaise, querido, — Pansy disse. — Vai se foder.
Hermione sorriu. Blaise franziu os lábios, segurando um sorriso, e estava
prestes a dizer algo quando Tracey e Daphne passaram pela porta. Tracey
murmurou um "com licença" e continuou, mas Daphne ficou de pé,
esperando que Blaise se movesse para ela.
Hermione observou enquanto o sorriso sumia do rosto dele. Sua mandíbula
se apertou quando ele saiu do caminho dela e continuou. Daphne franziu a
testa para suas costas recuando e finalmente entrou.
Antes que ela tivesse tempo para pensar sobre essa interação, Pansy estava
desabotoando-a e conjurando um roupão de banho para ela se sentar
enquanto elas faziam seu cabelo e maquiagem.
Enquanto Daphne fazia camadas em seu rosto e Tracey começava a torcer
seu cabelo em um estilo complexo, Hermione perguntou se Walter poderia
trazer seu trabalho para fazer. Ela se sentiu muito tola por ser paga para se
sentar e fazer o cabelo e a maquiagem.
As pessoas continuaram andando pela porta aberta, e depois de ver Draco
atravessando o caminho pela terceira vez, ela finalmente pediu a Pansy para
fechar a porta.
Pansy entrou e saiu por uma hora. Ela era uma pessoa inquieta, Hermione
percebeu, e ela não podia sentar e apenas conversar. Ela precisava estar
constantemente em movimento.
Ela tinha ido embora por cerca de dez minutos quando ela voltou, com o
rosto sério.
— Tudo bem, — Pansy disse, contornando a cadeira de Hermione e
examinando-a. — Vamos pentear o cabelo de Hermione hoje.
Tracey zombou.
— Você está brincando.
— De jeito nenhum. — Pansy franziu os lábios.
Tracey largou a presilha que estava colocando no cabelo de Hermione. Ela
havia acabado de passar trinta minutos nesse estilo adorável e complicado e
agora tinha que tirá-lo porque... porque, por quê?
— O Witch Weekly está aqui?
— Não, ainda não.
— Então, quem quer isso?
Pansy piscou os olhos para ela.
— Draco sugeriu...
— Ah, não, obrigado. — Hermione zombou. — Tracey, por favor, continue.
— Ela cruzou os braços e fixou o olhar.
Pansy e Tracey trocaram olhares entre si. Daphne sorriu em sua paleta de
maquiagem.
— Er... eu acho que o que Draco quer dizer é que você deveria se parecer
um pouco mais com a Hermione Granger que todos nós conhecemos para
esta sessão de fotos. Eu concordo um pouco com ele...
— Mas este foi o design de Tracey para esta sessão. — Hermione levantou
uma sobrancelha. — E é adorável.
Tracey piscou. Os lábios de Pansy formaram um sorriso que ela reprimiu.
— Bem, que tal fazermos um acordo? Faça metade para cima, metade para
baixo?
Hermione se levantou, jogando suas anotações pela sala.
— Se você está com muito medo de enfrentar aquele imbecil, então
permita-me. — Ela caminhou até a porta do escritório, abriu-a e saiu de
roupão, descalça, com o rosto meio feito.
Ela ignorou os olhares e as bocas abertas enquanto caminhava para o
escritório no canto oposto do prédio. A porta de Draco estava aberta, então
ela nem bateu. Ela se virou para a porta e o encontrou lendo algo
atentamente atrás de sua mesa.
— Este é o penteado para a sessão de fotos de hoje. — Ela gesticulou
descontroladamente para sua cabeça, e ele olhou para ela. Ele piscou e seus
olhos a observaram desde o topo da cabeça até os pés descalços. — Não
sabia que precisava ser esclarecido com você, mas é isso.
— Você realmente acabou de desfilar pelo escritório em um roupão de
banho? — Ele ergueu uma sobrancelha para ela.
— Sim. Sim eu fiz. — Ela colocou as mãos nos quadris. — E estou
pensando em fazer isso com mais frequência porque é muito confortável. E
da próxima vez que você comentar sobre meu cabelo ou minhas roupas,
guarde para você.
Ela se virou para sair e ele jogou sua leitura em sua mesa, de pé.
— Granger, o que há de errado com você?
— Errado comigo? — ela sibilou. — Não há nada de errado comigo. Estou
tentando fazer minha sessão de fotos esta manhã.
— No meu escritório, então acalme-se!
— Na verdade, a sessão de fotos é no meu escritório...
— Que eu paguei! — Ele gritou.
Ela bateu o pé e apertou os lábios, mantendo qualquer comentário
sarcástico sobre como ela realmente estava pagando por este escritório
garantindo a herança dele!
— Não entendo por que você pode opinar sobre meu cabelo para minha
sessão de fotos!
— Foi uma sugestão...
— Guarde-as para você!
Ele contornou a mesa.
— O que está acontecendo com você?
— Nada está "acontecendo" comigo...
— Você está agindo como uma vadia há dias!
Ela engasgou.
— Talvez eu tenha acabado de perceber que você tem sido um idiota por
meses!
Ele fez uma careta para ela e ela podia sentir sua respiração vindo em
ofegos desiguais.
— Oi, oi, — uma voz hesitante disse, e Hermione se virou para ver Blaise
encostado na porta com os olhos arregalados. — Eu só vou fechar esta
porta... — Ele estendeu a mão para a maçaneta lentamente. — E silenciar a
sala, ok? — Ele olhou entre os dois. — Algo que um de vocês já deveria ter
feito, — disse ele, como se estivesse se dirigindo a crianças.
— Não se preocupe, — disse Hermione. — Eu acabei por aqui.
— Granger...
Ela acenou para ele e passou por Blaise, ignorando os olhares de todo o
andar enquanto marchava passando por eles de volta ao escritório com
Pansy e as meninas.
— Tudo bem, — disse ela. — Tracey, continue.
Tracey ergueu as sobrancelhas. Pansy se virou, sorrindo.
Hermione estava exausta ao final da entrevista para o Witch Weekly. Ela
havia se esforçado tanto para manter as perguntas longe da bobagem
insípida da revista, mas era tão difícil. Ela conseguiu promover o trabalho
sobre a Política do Lobisomem e colocar algumas sugestões sobre onde ela
achava que os direitos dos elfos domésticos estavam indo, mas
principalmente ela tinha que discutir por que sua cor favorita era azul e qual
era sua matéria favorita na escola.
O fotógrafo conseguiu algumas fotos lindas dela em seu escritório, em sua
estante e atrás de sua mesa. As roupas de Pansy foram um sucesso, e elas
ficaram loucas pelo vestido pervinca. Hermione encontrou tempo para
mencionar ao entrevistador o quanto ela apreciava a linha Parkinson por sua
mistura do trouxa e do mágico, e Pansy sorriu para ela.
Eram onze e cinco quando terminaram com ela. Ela correu para a sala da
diretoria, ainda com o vestido pervinca e salto alto, e se desculpou quando
interrompeu Draco no meio de sua abertura. Ela então teve que dar a volta
na mesa à esquerda de Draco.
— Você está linda, mocinha, — disse Mockridge quando ela passou. Ela
corou.
— Ah, obrigada. — Ela olhou para Draco. — Por favor continue.
Ele estava olhando para a mesa. Ele engoliu.
Draco continuou, delineando os objetivos daquela semana. Haveria
entrevistas naquela semana para o cargo de Relações com o Wizengamot, e
Draco esperava preenchê-lo na semana seguinte. Wentworth os atualizou
com seu sucesso nos negócios do Beco Diagonal. Ele estaria lidando com a
reestruturação corporativa de vários locais da rede, o que fez Hermione se
perguntar se George estaria interessado em qualquer tipo de ajuda. Ela teria
que perguntar a ele.
Quando chegou a vez dela ela, ela os atualizou sobre a Política de
Lobisomem e então distribuiu um pacote para todos no projeto do Pomo de
Ouro pelo qual ela era apaixonada. Não a incomodava nem um pouco que
ninguém mais preparasse pacotes para esta reunião.
— Essencialmente, o Santuário Snidget em Somerset está solicitando nossa
ajuda. As taxas de procriação diminuíram drasticamente nesta temporada, e
os pomos no Santuário não estão vivendo muito. Eles querem ser capazes
de liberar Pomos de Ouro na natureza, e ter o crime de caçar pomos
furtivamente ou usá-los em partidas não oficiais de Quadribol aumentado
para uma acusação criminal.
Ela olhou ao redor da mesa enquanto eles folheavam sua papelada. A
mandíbula de Draco estalou.
— Este é um excelente projeto. Eu diria que você pode começar no
próximo trimestre, uma vez que a Política do Lobisomem esteja em
andamento.
Ela piscou. Ele manteve os olhos em sua papelada.
— Respeitosamente, eu gostaria de começar agora. A espécie está quase
extinta como está.
— Você tem um cliente que pagará honorários de consultoria ou este
projeto precisaria de captação de recursos? — Ele olhou para ela, e seus
olhos eram ilegíveis.
— Isso precisaria ser arrecadado. O Santuário não indicou que teriam
condições de pagar...
— Quero garantir que a Política do Lobisomem seja totalmente financiada
antes de você iniciar outros projetos que também precisam de arrecadação
de fundos.
Ela fez uma careta para ele.
— Eu posso fazer várias coisas ao mesmo tempo, Malfoy.
— Mas seria benéfico para ambos os projetos ter seu foco dividido?
Seu rosto estava esquentando, e ela sentiu todos os olhos na sala sobre ela.
Ela respirou fundo para morder de volta para ele, e ele a cortou.
— Como eu disse, um excelente projeto para abril. Podemos enviar você e
Walter para Somerset em março para começar a coletar dados. — Draco se
levantou e abotoou suas vestes. — Obrigado pelo seu tempo. Dispensada.
Ela podia sentir seu sangue fervendo. Ela se virou e saiu pisando duro da
sala de conferências, murmurando: — Maldito idiota.
Hermione não conseguia se lembrar da viagem de volta ao escritório, mas
foi cortada. Ela invadiu as mesas meio vazias de sua equipe, observando as
pessoas saírem de seu caminho, ignorando o tempo todo o clique de couro
de dragão cerca de dez passos atrás dela.
Ela abriu sem varinha a porta de seu escritório e uma vez dentro, tentou
fechá-la. Ela ouviu a porta bater em Draco ao entrar e quase sorriu.
— Granger...
— Por que estou aqui, Malfoy? — Ela se virou para ele. Ele fechou a porta
de seu escritório, mantendo os olhos nela. Sua mandíbula apertada. Ela
continuou: — Você me disse que queria "fazer a diferença" e "mudar o
mundo". Que besteira total.
Ela se virou dele e ficou perto de sua mesa.
— Como eu disse, Granger, não está no orçamento para este trimestre, mas
a partir de abril...
— Que besteira! — Ela se virou de seu caminho para sua mesa, refazendo
seus passos de volta para ele no centro de seu escritório. Ela tentava não
usar essas frases trouxas perto de sangues-puros, já que eles geralmente não
captavam o sentimento, mas sua boca estava se movendo mais rápido que
seu cérebro enquanto seu sangue bombeava através dela como se uma
represa tivesse sido liberada. — Em abril, a espécie pode estar extinta!
— Isso é um exagero. — Ele colocou as mãos nos bolsos da calça e se
apoiou nos calcanhares. Ele franziu a testa para ela, parecendo a imagem da
indiferença, mas sua mandíbula tensa o delatou. — Você será capaz de
realizar tanto em dois meses com um orçamento muito maior...
— Você está me punindo? — Ela colocou as mãos nos quadris e ergueu as
sobrancelhas para ele. Ela deveria agradecer a Pansy mais tarde pelos saltos
de hoje, pois eles deram a ela uma alavancagem muito necessária em altura.
— Punindo você?
— Sim, porque eu não saí da Cornerstone?
Seus olhos brilharam para ela.
— Ou talvez porque minhas roupas de fim de semana não são adequadas
para você? Se eu permitisse que você "possuísse" meus fins de semana,
como você pediu, os Pomos teriam uma chance de lutar? — ela gritou.
— Granger. — Ele se aproximou dela, como se ela fosse um gato selvagem
que ele estava encurralando.
— Por que estou aqui, Malfoy?! — Ela não conseguia baixar o volume
tanto quanto tentava. Ela sabia que parecia louca, e seu cabelo estava
caindo do lindo coque que Tracey o havia feito. — Na Consultoria Malfoy?
— Eu queria a melhor...
— Você disse que todos precisavam de uma segunda chance, mas acho que
não estava falando sobre criaturas mágicas. Você estava falando sobre a
família Malfoy e sua reputação. — Ela enfiou o dedo no peito dele em um
movimento que achou particularmente infantil, mas não se incomodou em
se importar. Ele ficou muito quieto e nem mesmo balançou com a força de
seu empurrão, o que a irritou ainda mais.
— Cuidado com o tom, Granger, — ele resmungou, as narinas dilatadas.
Ele tirou as mãos dos bolsos e cerrou os punhos ao lado do corpo.
Ela persistiu.
— Estou feliz por poder realmente "completar" sua equipe sênior, Malfoy.
Meu Deus, sem mim você não teria feito sua cota de sangue-ruim. — Sua
cabeça se contorceu para o lado tão ligeiramente. — Como você mudaria a
opinião pública sobre a família Malfoy sem um? Não é verdade?
Ele estreitou os olhos para ela e ela sabia que estava em águas perigosas.
Ela estava passando dos limites, mas não conseguia parar. Ela deu um
pequeno passo para frente e para trás, para mostrar.
— Ou possivelmente estou aqui para ser o membro feminino do Grupo.
Não poderia realmente operar sem uma dessas, com todas as leis de
igualdade incômodas que o Ministério vem implementando...
— Pare, — ele advertiu. Ela viu a tensão passar por seus antebraços,
subindo pelas omoplatas. — Pare aí, Granger.
— Não, obrigada, — ela brincou. — Ainda não terminei. — Ela parou de
andar e plantou-se a menos de dois passos dele. — Estou assumindo que a
qualidade mais importante que trago para esta equipe, visto que claramente
não tem nada a ver com meu relacionamento com a comunidade de
criaturas mágicas, é que eu sou Hermione Granger, Garota de Ouro, — ela
cuspiu para ele. — Você esperava que eu espalhasse um pouco desse pó
dourado por aí, Malfoy? Admito, isso resulta em excelentes sessões de fotos
com sua amiga Skeeter!
Ela empurrou o peito dele com as mãos. Ele estava tão rígido que ela queria
movê-lo de alguma forma. Fazer ele lutar com ela. Claro, ele nem mesmo
balançou, mas ela viu que sua respiração estava irregular agora. Bom.
— É isso, Malfoy? — ela continuou. — É legal ter a Garota de Ouro para
se exibir, como manchete de seus artigos do Profeta Diário? Bem, se não é
meu status sanguíneo ou meu gênero, deve ser minha fama. — Ela
empurrou seu peito novamente, e novamente nada mudou. Ela podia sentir
tudo correndo dentro de seu corpo, esperando que ele quebrasse.
— Ou talvez, — ela rosnou, — eu só estou aqui para brincar de me vestir
com Pansy! É isso, Malfoy? Dar uma boneca para a porra da sua namorada?
Sua mão direita empurrou o peito dele o mais forte que pôde e ela percebeu
que seus olhos estavam embaçados. Antes que ela pudesse tirar a mão dele,
ele levantou e agarrou seu pulso, segurando-o entre eles, tão apertado que
poderia quebrar.
Ele abaixou a cabeça para ela, enviou fogo em seus olhos e sibilou:
— Não. Me. Toque.
Ela olhou para o rosto dele, pegou a mão esquerda e deu um tapa no peito
dele.
Sua mão livre disparou, agarrou a parte de trás de sua cabeça e puxou seu
rosto para o dele. E ele a beijou.
E ela estava imobilizada. Olhos abertos. Um gemido derramou de sua
garganta em seus lábios.
O pulso dela na mão dele, a cabeça inclinada para cima e a respiração
perdida. Ele colocou beijos de boca aberta contra os lábios dela, salpicando-
a, e seu hálito quente.
Ele a estava beijando. E ela não estava fazendo nada. Ela engasgou com a
realização, e seus dedos cravaram em seu cabelo retorcido, inclinando sua
cabeça para que ele pudesse saboreá-la.
Ela fechou os olhos, balançando-se para ele enquanto ele atacava sua boca,
ofegante. Seus dedos ainda estavam tão apertados em seu pulso e sua mão
esquerda estava presa entre eles em seu peito. Ela enrolou os dedos em sua
camisa e ele engasgou. Ela tentou perseguir sua boca, deixando sua língua
prová-lo.
Ele se aproximou mais dela, e ela teve que recuar antes de cair. Sua mão
ainda presa em seu cabelo embaraçado, ele puxou sua cabeça para trás
suavemente, levando-a para trás.
A boca dele deixou a dela brevemente e ela quase abriu os olhos para
perguntar o que estava acontecendo, mas ele respirou fundo, a garganta
estalando no ar, antes de se prender a ela novamente. Ele beijou o lado de
sua boca, movendo seus lábios nos dela em pequenos movimentos. Ela
estava queimando. Ela mal podia esperar que ele a possuísse novamente.
Ela foi forçada a recuar novamente.
Seu traseiro bateu na borda de sua mesa e seu corpo pressionou contra o
dela. Ele era sólido e quente. Ele estava atacando sua boca novamente e
gerando os sons mais deliciosos dentro dela. Ela o sentiu pegar a mão em
seu peito e depois colocar as duas mãos atrás dela sobre a mesa. Ela se
inclinou para trás sobre elas, e as mãos dele acariciaram as dela, plantando-
as na mesa, impedindo-as de se mover. Ela queria movê-las. Ela queria
tocá-lo em qualquer lugar. Sentir seu peito, correr por seus braços, e oh,
como ela queria passar seus dedos por seu cabelo. Mas as mãos dele
forçaram as dela a permanecer na mesa. Ela derramou essa frustração em
sua boca, lambendo-o e usando os dentes levemente. Ele gemeu e ela
percebeu que seus joelhos estavam sendo abertos. A perna dele empurrou
entre as dela e moveu seu joelho esquerdo para fora.
A mão esquerda dele soltou a direita dela, depois de dar um empurrãozinho,
dizendo para ela ficar ali. Ele cuidadosamente colocou a mão na cintura
dela. Ela gemeu. Ele a apertou levemente.
Sua língua estava fazendo coisas tão adoráveis com ela e sua respiração
estava saindo em suspiros entre bocadas dele. O corpo dele pressionava o
dela e a empurrava contra a mesa. Ela queria tocá-lo. Ela tirou a palma da
mão direita da mesa e a levou até o queixo dele, os dedinhos no pescoço
dele e o polegar perto da boca.
Com o contato, ele engasgou e sua mão esquerda deslizou para baixo para
agarrar o quadril dela, puxando-a para ele, conectando-os, e a parte superior
de seu corpo começou a empurrá-la para trás.
Uma batida na porta que ela mal ouviu e um: — Hermione, você está
pronta...? — foi o único aviso que tiveram antes de Harry entrar na sala.
Draco pulou para longe dela, afastando-se da porta. Hermione se endireitou
e limpou a boca.
Harry ficou parado com a boca aberta no meio da palavra, com a mão ainda
na maçaneta da porta. Os olhos de Harry moveram-se para frente e para trás
entre os dois.
— É... — Ela tentou. Ela limpou a garganta. — É hora do almoço?
— Er, sim, — disse Harry. — Mas posso voltar mais tarde.
— Não! — Hermione e Draco disseram em uníssono. Draco finalmente se
virou para encarar Harry, apertou sua mandíbula e disse: — Potter, — ao
sair. O ar ficou repentinamente mais leve.
Harry apenas olhou para ela, olhos arregalados e um pequeno sorriso
crescendo em sua boca.
— Deus, Harry, não, — disse Hermione, cobrindo o rosto com as mãos.
— Eu não ia dizer nada! — Ele riu.
Capítulo 29.
Ela havia assinado o Contrato de Amor há menos de três semanas, e já
estava deixando que ele a deitasse em sua mesa e a agarrasse.
Ela engoliu em seco, batendo as unhas na mesma mesa, e deixou seu olhar
borrar as estantes em frente a ela. Ela bateu sua pena contra um
pergaminho, criando pequenos borrões e bolhas.
Ele teria feito isso como nos filmes? Varrendo seu pote de tinta, seus porta-
retratos, seus livros para fora da mesa para que caíssem no chão e depois a
pressionaria para baixo? Talvez eles ririam disso.
Ela piscou e balançou a cabeça, limpando a imagem.
Ela não poderia dizer quem se sentia mais estranho no almoço, Harry ou
ela. Foi o almoço mais rápido e tranquilo que já tiveram. Harry havia
pedido o encontro no dia anterior, então ela pensou que ele tinha novidades
para contar ou alguma história engraçada, mas ele apenas sentou e
observou-a comer. Observou-a pensar.
Ela manteve a porta fechada o resto da tarde e toda vez que alguém batia,
ela dava um pulo. Esperando que não fosse Draco. Esperando que fosse.
Pensamentos sombrios deslizaram em sua mente distraída durante a tarde. E
se Harry não tivesse entrado? Ela o teria deixado... completamente? Ela
nunca tinha...
Draco sabia? Ele assumiu, durante o Leilão. Ele havia pedido 35.000
galeões, pensando que seriam necessários 5.000 extras.
"Outros 5.000 seriam adicionados se pudesse ser provado que você estava
'intocada'."
Ela fechou os olhos, zombando de si mesma e de seus pensamentos
estúpidos e sombrios.
Walter a checou por volta das 15h, perguntando sobre o discurso do Pomo
de Ouro na reunião matinal. Hermione havia se esquecido completamente
dessa parte do dia. Ele ficou desapontado ao saber que o projeto estava
atrasado, mas Hermione disse a ele que eles deveriam continuar avançando
o máximo possível.
Ela ficou trinta minutos mais tarde do que o normal, só para evitar ver
alguém ao sair. Havia uma luz acesa no escritório de Draco. Ela podia vê-la
inundando sob a porta quando ela apertou o botão do elevador. O elevador
demorou uma eternidade para chegar e Hermione se sentiu muito
vulnerável, ao ar livre. Ela contou os segundos, olhos piscando para a porta
de Draco, rezando para que ele não abrisse enquanto ela estivesse aqui.
O elevador chegou com um barulho alto e ela estremeceu, pulando para
dentro e apertando o botão de "fechar porta" vinte ou mais vezes.
Ela aparatou em casa e caminhou os poucos quarteirões até seu prédio. Ela
girou a fechadura da porta externa do prédio e olhou para cima para ver
Ginny sentada na escada para o andar delas.
Ginny deu um pulo, olhos arregalados, uma mão no corrimão e outra em
seu pescoço.
Hermione parou. Ela piscou para ela. A porta se fechou atrás dela.
Ginny piscou de volta.
Hermione abriu a boca e nenhum som saiu.
Ginny mexeu a cabeça, tentando ouvi-la.
Hermione olhou por cima do ombro de Ginny, seus olhos distantes. Ela
fechou a boca. E olhou para as escadas.
Ginny respirou fundo. E parou. E olhou para a parede. Outra respiração... e
parou.
Hermione apertou os lábios.
— Quem beijou quem?
— Ele. Ele me beijou.
Ginny assentiu, tentando lê-la.
— Como foi?
— Foi... foi... Sim. Bom. Foi... Sim.
Ginny cruzou os braços. Em seguida, derrubou-os. — Vamos comer comida
chinesa esta noite?
— Sim. Excelente.
Ginny desligou o telefone do restaurante chinês. Ela se virou para
Hermione.
— Então ele... quero dizer... — Ela franziu a testa. — Harry disse que havia
uma mesa envolvida...
— Sim. Mesa. Sim.
Ginny assentiu. Ela mordeu o interior da bochecha.
— Houve língua?
— Sim.
Ginny assentiu e Hermione começou a lavar os pratos.
Hermione abriu um pacote de molho de soja.
— Foi doce? Ou... lento?
— Não. Eu usaria a palavra "agressivo".
Ginny assentiu e mordeu seu rolinho de ovo.
— Ele disse a você como se sentia, ou você conseguiu se conectar...?
— Estávamos discutindo.
— Hum. — Ginny ligou a TV.
— Mão boba?
— Não, realmente não.
Ginny quebrou o biscoito da sorte ao meio.
Ginny a deixou sozinha depois do jantar. Ela ficou deitada na cama naquela
noite, torcendo e socando o travesseiro até que finalmente cedeu à sua
mente inquieta e apenas deixou fluir.
O que ela diria a ele amanhã? Ela tinha que dizer alguma coisa?
Talvez essa coisa de colega de trabalho tenha sido uma má ideia. Talvez ela
escrevesse para Mathilda e verificasse se sua posição já havia sido
preenchida.
Ela ainda precisava repreendê-lo por usar seu nome para abrir a empresa.
Por que ela teve que tocá-lo depois que ele pediu que ela não o fizesse? Por
que ela fez aquilo?
Qual seria a roupa dela amanhã? Era muito reveladora? Ela precisava
verificar.
Ela tocou sua bochecha, e ele agarrou seu quadril. Ele começou a empurrá-
la de volta para a mesa... e daí?
O que Harry realmente pensou?
Quais eram as ramificações legais reais desse Contrato de Amor? Ela
precisava verificar.
Isso aconteceria de novo? Ou nunca mais aconteceria? Qual era pior?
Como ela se sentaria em uma sala de reuniões com ele, falando sobre
lobisomens e julgamentos do Wizengamot.
Ela se perguntava se beijava como se fosse virgem...
Ela subiu na cama de Ginny às 3 da manhã. Ela começou desde o início.
Ela contou a ela sobre sua descoberta de que ele havia usado seu nome para
obter respeito e negócios. Ela contou a ela sobre o vestido, o cabelo, os
Pomos de Ouro e, finalmente, o beijo.
Ginny engasgou em todos os lugares certos, e gemeu com a estupidez de
Draco, e riu da insolência de Hermione. Ela arrancou os detalhes dela,
fazendo Hermione corar e gaguejar. Ela perguntou como foi, e onde
estavam as mãos dele, e o que você quer dizer com "ruídos", e você teria
deixado?
Ginny tinha que acordar às 5 da manhã para treinar, então Hermione
finalmente a deixou adormecer, pedindo desculpas a ela. Hermione teve
cerca de uma hora de sono.
Ela sonhou com a sacada com vista para os Jardins Malfoy. Ela estava na
amurada, olhando por cima do lago. Draco se aproximou dela por trás e ela
se virou para vê-lo em suas vestes pretas com detalhes em prata, e ela olhou
para si mesma para encontrar seu vestido branco do Ano Novo.
Ele sorriu para ela e pegou sua mão, e quando ela olhou para cima, eles
estavam parados no gazebo. Ela tinha um buquê de flores de prata na mão.
Ela se virou para ver Ginny em um vestido azul, pegando as flores para ela.
Ela acordou sorrindo para o teto de Ginny, a cama vazia, o som do chuveiro
ligado. Então ela chorou.
Ela tirou isso de seu sistema.
Não, ela não tinha todas as respostas. Não, ela não sabia que desafios
enfrentaria hoje com Draco. Mas ela colocou seu vestido roxo, seus saltos
combinando, escondeu suas olheiras e marchou para o escritório.
Ela podia sentir o batimento cardíaco em seus ouvidos quando as portas do
elevador se abriram. Mas então Melody sorriu para ela, deu-lhe bom dia e
ela recuperou o foco.
Ela chegou ao escritório e quase fechou a porta atrás de si, mas percebeu
que não tinha motivo para isso. Ela a deixou aberta, sentindo-se vulnerável,
mas pelo menos seria capaz de vê-lo ou ouvi-lo chegando.
A primeira hora de seu dia foi tranquila. Walter trouxe sua correspondência
e Hermione respondeu a várias cartas. Ela fez o possível para não pular
quando ouviu passos ou o estrondo de uma voz masculina.
Blaise entrou em seu escritório, fazendo beicinho. Ela olhou para ele e o
observou se jogar na cadeira de visitas como uma criança.
— Eu não quero fazer as entrevistas. Por favor, faça-as para mim? — Ele
franziu a testa e esfregou a mão no rosto.
— As entrevistas para o cargo de Relações Wizengamot? — Ele assentiu.
— Por que você as está conduzindo?
— Porque Draco não queria remarcá-las... desculpe, Sr. Malfoy. — Blaise
revirou os olhos. — Você vai fazê-las comigo?
Ela franziu a testa para ele.
— Por que você está no comando?
— Me bata! — Blaise se afundou na cadeira. — Ele me disse para fazer as
entrevistas enquanto ele estava fora.
Hermione o encarou.
— Dra... Malfoy está fora do escritório hoje?
— Mm-hm. — Blaise brincou com a manga de suas vestes.
Ela olhou por cima do ombro dele, a mente trabalhando. Por que ele estava
fora? Ele estava doente? Ele a estava evitando? Este era um negócio, pelo
amor de Merlin, ele precisava estar aqui!
— A primeira é às onze. Por favor, faça-as comigo? Caso contrário,
provavelmente contratarei a primeira mulher bonita que entrar por aquelas
portas.
Ela fez uma careta para ele, sabendo que ele estava dizendo a verdade.
— Certo.
Hermione passou os trinta minutos seguintes revisando a declaração de
deveres e as inscrições enviadas.
Ela e Blaise se instalaram na sala de conferências, decidindo sobre uma lista
de perguntas que se revezariam para fazer. Blaise não parecia estar fazendo
anotações, então Hermione se resignou a ser a anotadora.
Após as duas primeiras entrevistas, Blaise pediu a um dos estagiários que
levasse o almoço para eles na sala de conferências. Hermione não era muito
fã de usar estagiários assim, ou usar fundos da empresa assim, mas Blaise
revirou os olhos e disse que pagaria do próprio bolso.
Ela estava cutucando a salada, movendo os tomates quando Blaise falou.
— Por que você falou no julgamento de Draco?
Ela se virou para ele. Ele estava olhando para ela, comendo o pão de seu
sanduíche.
— Foi a coisa certa a se fazer. — Ela estava ficando cansada dessas
palavras...
Ele estreitou os olhos para ela.
— E o que isso significa? — Ele empurrou um pedaço de pão entre os
lábios.
— Eu... não achei justo o por que o Wizengamot estava acusando dele. Ele
foi o único aluno passando por julgamento e...
— Ele foi o único aluno a tentar matar Albus Dumbledore.
Ela olhou para ele. Ele mastigou, observando-a.
— E ele falhou. Ele abaixou a varinha. Harry viu.
Blaise ergueu uma sobrancelha para ela.
— Então isso explica por que Harry Potter testemunhou, — disse ele, e ela
esperou pelo "mas..."
— Quando fomos capturados pelos Sequestradores – Ron, Harry e eu –
fomos levados para a Mansão Malfoy, — ela disse, olhando para sua salada.
— E ele se recusou a nos identificar. — Ela esfaqueou um tomate. — Eu
não acho que esse tipo de pessoa deva ser trancada em Azkaban.
A imagem de Draco se virando de seu corpo torturado, o som de seu
suspiro...
— E se fosse outra pessoa? — ele disse, e ela olhou para ele. — Diga, se
fosse Gregory Goyle quem foi solicitado a identificá-la. E ele dissesse que
não tinha certeza.
Os olhos de Blaise estavam brilhando e, naquele momento, ela soube. Ela
não o estava enganando nem um pouco.
Ela engoliu em seco.
— Eu teria testemunhado por Goyle então, se o Wizengamot tivesse
escolhido julgá-lo.
Ele sorriu para ela.
— Porque é " a coisa certa a fazer", — disse ele, e enfiou outro pedaço de
pão na boca.
Ela assentiu e ele sorriu. Ela podia sentir seu rosto esquentar, então o
observou separar o sanduíche. Uma maneira tão interessante de comer...
— Qual é o problema entre você e Daphne?
Seus dedos pararam, e ela olhou para cima para ver o sorriso desaparecer de
seu rosto. Ela sentiu como se estivesse pedindo demais, de repente.
— Nós... namorávamos. — Ele olhou para o sanduíche, colocando o pedaço
puxado de volta para baixo.
— Ah, — ela disse. — Separação difícil, presumo?
— Todas não são difíceis? — Ele deu um pequeno sorriso, antes que
desaparecesse.
Ela pensou que poderia ler a culpa em suas feições e imaginou como seria
estar em um relacionamento com Blaise Zabini, o namorador mais
incorrigível que ela já conheceu. Ela deu uma facada no escuro.
— Você a traiu? — Ela manteve seu rosto sem julgamento.
Ele estalou os olhos para ela, e ela estava errada. Ele apertou os lábios.
— O oposto, na verdade. — Blaise engoliu em seco, dobrou e amassou o
pão, levantou-se e pediu licença.
Ela fechou os olhos, jogando o garfo na mesa, lembrando-se de que nunca
deveria presumir nada sobre Sonserinos. Eram muito mais complicados do
que ela jamais imaginaria.
Ela e Blaise terminaram as entrevistas, e ela rascunhou suas anotações para
Draco. Havia mais entrevistas agendadas para quinta-feira, para as quais ela
assumiu que Draco estaria presente.
Madame Michele foi um terror naquela noite. Nada que Hermione fazia
estava correto, e a lista de notas para ela trabalhar era ultrajante. Era sua
quinta aula. Ela estava agora na metade do caminho e não sentia que estava
aprendendo nada ou crescendo.
Se Lucius Malfoy realmente quisesse torturá-la, ele teria agendado um teste
no final de tudo isso.
Na quarta-feira, ela repetiu os passos do dia anterior. Ela colocou várias
camadas de roupas, maquiagem, e se preparou para enfrentar Draco naquele
dia.
Mas ele ainda estava fora do escritório.
Ela abordou a secretária dele por volta das dez.
— O Sr. Malfoy vai vir hoje?
— Eu acredito que não. — A garota ergueu os olhos da revista para ela,
tentando enfiá-la sob alguma papelada.
— Tudo bem, — disse Hermione. — Er... ele cancelou a reunião com o Sr.
Townsend esta noite?
A garota olhou para a agenda dele.
— Não, — ela disse. — Ainda está aqui. — Ela olhou para ela. — Acho
que a chave de portal está marcada para esta noite, um pouco antes.
Hermione piscou para ela.
— Chave de portal? Oh, ele está... fora da cidade?
— Sim, ele está na cidade de Nova York. Ele marcou uma reunião lá fora.
— A garota sorriu para ela, enrolando o cabelo.
Hermione não conseguiu encontrar palavras por um momento. Um
problema raro.
— Você seria capaz de reunir quaisquer anotações que ele tenha sobre a
reunião de Townsend? Receio não estar preparada e esperava me encontrar
com Malfoy hoje para conversar.
— Absolutamente, — disse a garota. Ela puxou um post-it e começou a
escrever. — Vou enviar o arquivo.
— Obrigado, — disse ela, virando-se e voltando para seu escritório.
Cidade de Nova York. A única americana em quem ela conseguia pensar
era Noelle, e ela realmente não achava que ele teria uma reunião com ela
depois de sua insistência para que ela não a contatasse. Além disso, ela
tinha certeza de que a universidade de Noelle ficava na Califórnia.
Quem estava em Nova York?
Ela chegou quinze minutos mais cedo para o jantar com o Sr. Townsend.
Ela havia se preparado totalmente para que Draco não aparecesse, só por
precaução.
A anfitriã mostrou-lhe a mesa e ela ficou aliviada por ser a primeira a
chegar.
Ela tinha lido tudo sobre o Sr. Townsend naquela tarde. Ele era um viúvo
mestiço de sessenta e tantos anos que havia reunido uma pequena fortuna
em um negócio de fabricação de poções. Ele foi bastante franco sobre a
Poção Wolfsbane ser disponibilizada para aqueles que não podiam pagar
por ela.
Faltando cinco para as sete, uma das recepcionistas conduziu um homem de
cabelos grisalhos à sua mesa. Hermione se levantou, sorrindo.
— Senhor Townsend? — Ela estendeu a mão, confiante de que Madame
Michele aprovaria isso.
— Sim. Olá, senhorita Granger. — Ele apertou a mão dela e deu-lhe um
sorriso caloroso. — Estou muito feliz em conhecê-la.
— Da mesma forma, Sr. Townsend. — Ela voltou a se sentar. — Estou tão
honrada que você quis se encontrar conosco para falar sobre a Política de
Lobisomem. O Sr. Malfoy deveria estar aqui, mas sei que ele viajou a
negócios. — Ela gesticulou para a cadeira vazia dele.
O garçom anotou o pedido de bebida. O Sr. Townsend pediu um uísque e
Hermione aproveitou a deixa para pedir uma taça de vinho.
E foi nesse momento que ela se perguntou se esse jantar seria por conta da
Consultoria Malfoy. Ela piscou para a toalha de mesa branca. Ela se
perguntou se tinha ouro suficiente com ela para cobrir isso e depois ser
reembolsada. Era assim que funcionavam os jantares de negócios? Ou
Draco tinha uma conta neste restaurante que ela poderia cobrar? Ela olhou
em volta. Este era um restaurante bruxo, certo? Ela não tinha seu cartão de
crédito trouxa com ela.
Ela escondeu suas preocupações, resolvendo pedir licença para falar com o
maître mais tarde. Ela voltou seu foco para o Sr. Townsend, que era um
homem muito agradável.
Eles conversaram sobre Hogwarts e livros, lentamente abrindo caminho
para os lobisomens.
Eram sete e dez quando ela decidiu que era hora de começar a conversa sem
Draco. Ela tinha acabado de começar a discutir seu progresso atual com o
Sr. Townsend quando uma voz familiar congelou a dela.
— Sinto muito por chegar tão tarde.
Ela olhou para cima para encontrar Draco Malfoy, sorrindo levemente para
o Sr. Townsend. Ela observou quando Draco se desculpou, e o Sr.
Townsend se levantou para apertar sua mão. Ela estava presa, decidindo se
deveria ficar de pé também. Isso era necessário? Maldita seja, Madame
Michele. Por que ela nunca aprendeu nada útil?
Ele parecia excelente. Além de excelente. Ele parecia delicioso.
Hermione piscou e pegou seu copo de água enquanto Draco se sentava ao
lado dela, em frente ao Sr. Townsend.
Ela o observou conversando sobre amenidades, tentando neutralizar sua
expressão. Ele sorriu, trabalhou com as mãos e pediu Firewhisky –
restaurante mágico, afinal – e fez o papel de anfitrião gracioso, mas tardio.
Hermione o observou. E ela tentou não observá-lo.
Assim que a conversa voltou aos lobisomens, Draco gesticulou para que ela
assumisse a liderança. Ela percebeu que ele não olhou para ela uma vez.
Ela piscou para ele e se virou para o Sr. Townsend, começando de onde eles
pararam. Ela trabalhou na linha do tempo dos eventos e em suas lutas
atuais. Draco interrompia de vez em quando e ela só conseguiu estremecer
uma vez ao ouvir a voz dele.
Draco pediu alguns aperitivos para a mesa, e Hermione deu uma olhada no
cardápio. Eles se afastaram um pouco da Política enquanto o Sr. Townsend
conversava com Draco sobre conhecidos em comum, e Hermione lia o
cardápio.
— E Marcus Flint! Você era próximo dele em Hogwarts, certo?
Hermione se encolheu. Ela respirou fundo e olhou para o Sr. Townsend. Ele
estava sorrindo, como se a lembrança de Marcus Flint fosse brilhante e
feliz.
Ela olhou para Draco bem a tempo de vê-lo sorrir e dizer: — Sim, ele foi
meu capitão de Quadribol por vários anos. — Ela teve que olhar de perto
para ver a tensão ao redor de seus olhos.
Ela pegou sua taça de vinho.
— Na verdade, foi Marcus quem me contou sobre a Política. — O Sr.
Townsend sorriu, e Hermione bebeu profundamente. — Ele disse
"Geoffrey, você ouviu o que Draco Malfoy e Hermione Granger estão
fazendo?" — O Sr. Townsend – Geoffrey – riu.
Hermione apertou os lábios. Ela se sentiu um pouco enjoada.
— Ele era um excelente aprendiz. Ótimo pocionista.
E deu um clique. Marcus Flint preparou aquela poção sozinho. Ele foi
aprendiz do Sr. Townsend, que dedicou sua vida a ajudar as pessoas fazendo
poções. Quão terrivelmente triste. Ela respirou fundo e tentou expirar a
tensão.
— Foi muito gentil da parte dele recomendar a Política a você, — disse ela.
Ela sorriu e ouviu o estalo do dedo de Draco à sua direita.
Ela aproveitou a oportunidade para desviar a conversa de Marcus Flint. O
garçom veio e anotou os pedidos. De seu olhar superficial para os preços do
menu, ela estava muito feliz por Draco estar aqui para pagar a conta.
Assim que o garçom desapareceu, o Sr. Townsend tirou o guardanapo do
colo.
— Com licença, vou procurar o banheiro.
Ela sentiu um frio pavor torcer em seu peito. Oh, Sr. Townsend, por favor,
não faça isso...
Cada passo que ele dava para longe da mesa apertava mais e mais o
estômago dela. Hermione não ousou olhar para Draco. Ela pegou sua taça
de vinho e quase a derrubou. Ela a endireitou e a levou aos lábios.
Ela a colocou sobre a mesa. Ela esperou três segundos e a trouxe de volta
aos lábios.
Ela podia ouvi-lo respirando ao lado dela.
— Como foi Nova York?
Ela olhou para ele. Ele estava olhando para o saleiro e pimenteiro. Ela viu
sua mandíbula apertar. Em seguida, soltar.
— Excelente.
Ele não olhou para ela. E ela estava quase grata, sem saber o que faria se ele
voltasse os olhos para ela.
— Um cliente em potencial? — Ela correu os olhos ao longo de sua
mandíbula, descansando seu olhar naqueles lábios.
— Não, — disse ele. Ele limpou a garganta. — Compromisso pessoal.
— Ah, — ela disse. — Desculpe, eu não queria me intrometer...
Ele balançou a cabeça para o saleiro, insinuando que ela não estava se
intrometendo.
— Blaise e eu cuidamos das entrevistas. — Ela desejou que eles pudessem
apenas sentar em silêncio, mas aparentemente ela não iria deixá-los. —
Alguns candidatos excelentes.
Ele assentiu.
— Você estará no escritório amanhã?
— Sim.
O Sr. Townsend voltou. E ela pôde respirar novamente.
Eles tiveram um ótimo resto de tarde. O jantar dela foi delicioso, o Sr.
Townsend manteve o clima leve e até prometeu metade de sua meta de
arrecadação de fundos. Ela estava chocada.
Sr. Townsend e Draco discutiram sobre a conta, que ela achou adorável.
Quando ela se levantou da mesa para usar o banheiro, os dois homens a
detiveram, supondo que ela se ofereceria para pagar a conta. Que precioso.
Quando eles saíram, apertando a mão do Sr. Townsend e agendando uma
reunião de acompanhamento no escritório na próxima semana, Draco
gesticulou para que ela saísse antes dele.
Ela não percebeu o quanto estava acostumada com a sensação da mão dele
na parte inferior de suas costas, guiando-a, até que ela se foi.
Draco, Blaise e ela se sentaram na manhã de quinta-feira para discutir as
entrevistas do início daquela semana.
Ela triplicou suas anotações de terça-feira e entregou um conjunto para cada
uma delas. A mulher por quem Hermione sentia mais fortemente era a
menos favorita de Blaise, é claro.
— Mas eu quero compartilhar com você uma de suas respostas. Foi
realmente impressionante, — disse Hermione, folheando as notas. — Ah,
aqui. Perguntamos "nomeie uma ocasião em que você teve diferenças ou
um desentendimento com um colega de trabalho e como vocês dois
resolveram o problema". E ela disse que gosta de abordar os problemas de
vários pontos de vista. Ela terá um momento para tentar descobrir de onde a
pessoa está vindo, colocar-se no lugar dela e aceitar o fato de que ela pode
estar errada.
Hermione ergueu os olhos de suas anotações para encontrar Draco olhando
diretamente para ela. Ela piscou. Ela não via os olhos dele desde segunda-
feira, desde antes de ele a beijar. Eles estavam quentes então, e cheios de
promessas.
Seus olhos estavam neutros e uniformes agora.
— Er, — ela começou, — Ela também disse que trata todas as situações no
escritório como "negócios, não pessoais" e sabe que as amizades no
escritório às vezes devem ser sacrificadas pelo bem do cliente.
Ela olhou para cima novamente e os olhos de Draco ainda estavam nela. O
mesmo.
— Ela era terrivelmente chata, — Blaise lamentou. — E me senti
pessoalmente atacado em toda a parte "nem todo mundo vai ser amigo"
disso.
— Tudo bem, — disse Draco. — Vou mantê-la em mente. Blaise e eu
faremos as entrevistas hoje, para que ele possa comparar e contrastar
adequadamente todos os candidatos que não consegui ver. — Ele se
levantou da mesa, pegando suas anotações.
Blaise faria as entrevistas hoje? Ela franziu a testa. Blaise, que não fazia
uma única anotação e julgava as pessoas pela aparência? Ela abriu a boca
para argumentar e Draco saiu da sala.
Ela bufou.
Ela pediu à secretária dele que verificasse sua agenda para sexta-feira e
encontrasse uma vaga para ela. Embora ela realmente adorasse discutir o
uso manipulador de seu nome, a atmosfera atual era um pouco... volátil
demais para essa discussão.
Ela queria dar a Walter uma oportunidade de lançar a ideia do Pomo de
Ouro novamente. Ele também tinha dois outros portfólios nos quais vinha
trabalhando, e um deles era bastante interessante. Ele havia rascunhado uma
proposta para Hermione e seu ramo para iniciar um serviço de consultoria
para famílias nascidas trouxas entrando em Hogwarts, aconselhando os pais
e iniciando um programa de "recuperação" para os alunos.
Hermione adorou. Era exatamente o tipo de trabalho que ela estaria
interessada. Ela pensou em Arthur Weasley mostrando a seus pais o Beco
Diagonal, observando seu pai ficar impressionado e observando a
admiração de sua mãe. Ela adoraria ajudar as famílias nascidas trouxas no
processo de transição.
Cerca de trinta minutos antes da reunião improvisada, Walter entrou em seu
escritório.
— Acabei de receber isso, — disse ele, acenando com um pedaço de papel.
— Teremos que reagendar na próxima semana.
Ela franziu a testa enquanto pegava a página dele. Era um memorando da
secretária de Draco, desculpando-se por Draco não estar disponível para as
15h.
Ela tinha acabado de observar a garota verificar sua agenda algumas horas
atrás, encontrando aquele horário disponível.
— Ah bem. — Walter deu de ombros. — Vou continuar polindo e
tentaremos novamente na próxima semana. — Ele saiu.
Hermione caminhou até a porta e encostou-se no batente. A porta de Draco
estava fechada e havia uma luz acesa.
Ele realmente teve um conflito? Ou ele apenas cancelou?
O fim de semana foi lento. Nada terrivelmente emocionante aconteceu em
Cornerstone, e ela se perguntou se deveria pensar em desistir. E então ela se
pegou pensando se deveria continuar trabalhando lá só para irritar Draco.
Na segunda-feira saiu a edição do Witch Weekly. Eles haviam escolhido o
vestido pervinca para a capa, e várias outras poses e roupas preenchiam as
páginas centrais. Hermione ficou muito satisfeita, e ela recebeu um bilhete
adorável de Pansy, deixando-a saber o quanto ela estava animada.
Ela saiu do elevador na segunda-feira e quase tropeçou ao ver Draco na
recepção, lendo alguma coisa enquanto Melody abria a correspondência.
Ele se virou para voltar ao escritório e seus olhos pousaram nela.
Ela acenou com a cabeça para ele e continuou para seu escritório, tentando
se livrar do olhar morto que ele tinha dado a ela.
Na reunião dos Consultores Sênior de segunda-feira, ela apresentou as
propostas de Walter. Parecia que Wentworth havia seguido o exemplo dela
na semana anterior e redigiu seu próprio pacote para distribuir a todos,
propondo seus próximos passos para adquirir mais negócios no Beco
Diagonal.
Quando chegou a ela, ela distribuiu dois pacotes.
— Walter e eu temos trabalhado na revisão da proposta do Pomo de Ouro,
ajustando o orçamento e estabelecendo um cronograma mais viável para
levar o projeto para este trimestre em vez do próximo...
— Pensei que já tinha derrubado isso.
Hermione olhou para Draco. Seus olhos ainda estavam mortos.
— Você derrubou. Por isso revisamos. Para sua avaliação.
Ele fechou o pacote, abriu a boca para falar e ela o interrompeu.
— O que significa que você pega, lê na íntegra, pensa a respeito e volta
para mim com uma decisão, — disse ela.
Seu pescoço estava quente. Ela pensou ter visto um lampejo de vida em
seus olhos, mas se foi antes que ela pudesse pensar nisso. Ela respirou
fundo.
— O próximo projeto que gostaria de apresentar é realmente uma ideia de
Walter e acho que é maravilhoso.
Ela passou a descrever o Programa de Integração dos Nascidos Trouxas,
conduzindo-os através do pacote. Assim que terminou, ela se virou para ver
Wentworth sorrindo, Mockridge olhando para a análise financeira e Blaise
rabiscando nas páginas... como esperado. Draco estava franzindo a testa
para a capa. Ela terminou e ele falou.
— Então, esse é o terceiro projeto da sua filial que vai ser captado, não
tendo receita direta de clientes específicos?
Ela evitou revirar os olhos para ele.
— Algumas famílias nascidas trouxas podem muito bem conseguir pagar as
taxas do programa, mas sim, eu projetei a necessidade de uma espécie de
"fundo de bolsa de estudos" para a integração dos nascidos trouxas...
— Então, novamente, os gastos do seu departamento nos colocarão no
vermelho, sem uma receita futura projetada para nenhum de seus projetos.
Ela encontrou seus olhos frios, tentando manter o calor longe dos seus.
— Não é esse o objetivo da arrecadação de fundos?
— Três projetos ao mesmo tempo?
— O Programa de Integração dos Nascidos Trouxas nem será necessário até
mais perto de julho, quando as cartas de Hogwarts forem enviadas. Isso é
definitivamente para começar no próximo trimestre.
— Isso é um negócio, Granger. — Ele recostou-se na cadeira e sua
indiferença a irritou. — Você está apenas tentando gastar dinheiro em vez
de pensar na lucratividade de sua agência. Embora todas as suas causas, é
claro, reunissem excelente publicidade para o GCM...
— Não é para isso que estou aqui? Publicidade? — ela atirou nele.
Blaise ergueu uma sobrancelha, subitamente interessado.
Ela definitivamente viu um fogo nos olhos de Draco naquele momento. Ele
estalou a mandíbula fechada. E o fogo morreu.
— Continue pensando em ideias que aumentarão a lucratividade.
Ela respirou fundo. Draco dispensou a reunião. E ela se moveu o mais
calmamente que pôde de volta para seu escritório.
Parte dela sabia que ele estava absolutamente correto. Ela sabia melhor do
que ninguém sobre a situação financeira desta empresa. Mas por quanto
tempo ela poderia trabalhar apenas no projeto lobisomem. Ela estava
entediada com o trabalho que estava fazendo, e seu relacionamento com
Draco a deixava tensa o tempo todo.
Isso estava se tornando... impossível.
Na tarde de terça-feira, ela atravessou o escritório com um pedaço de papel
dobrado na mão. Aproximou-se da secretária dele – cujo nome, ela tinha
vergonha de admitir, ainda não sabia – e verificou se ele estava em reunião.
A garota disse que não, desviando os olhos para o lado, mas ele pediu para
não ser incomodado, a menos que fosse de grande importância.
Hermione assentiu e bateu na porta.
Um momento de pausa.
— Entre.
Hermione respirou fundo e abriu a porta. Ele estava sentado atrás de sua
mesa lendo a proposta de Wentworth da reunião de ontem. Ele se recostou
na cadeira, confortável. Seus olhos viraram para ela, então de volta para a
papelada.
— Sim?
Ela fechou a porta atrás dela. Ele olhou para ela novamente, os olhos
piscando entre ela e a porta fechada. Ela engoliu em seco.
Ela caminhou em direção à mesa dele, os dedos brincando com a carta de
uma página que havia escrito. Ela tinha escolhido a roupa que Pansy tinha
deixado para sexta-feira, mas era a sua favorita da semana. Saia fluida azul
marinho na altura do joelho com botão cinza. Ela queria ter a chance de
usá-la. Ela tinha o cabelo preso em um rabo de cavalo elegante, controlando
os cachos como Pansy a ensinou.
Ela colocou a carta em sua mesa.
— Eu queria... eu preciso avisar você.
Ele olhou para a carta e apertou a mandíbula.
— Comecei a me sentir desconfortável aqui e não acho que meu conforto
vá melhorar com o tempo. Meu trabalho está começando a ser afetado. Eu
tinha expectativas irreais ao entrar nesta empresa e acho que não vai dar
certo. Então, estou lhe dando meu aviso prévio de duas semanas.
Ela juntou as mãos à sua frente e mordeu o interior da bochecha enquanto o
observava permanecer imóvel.
— Não.
Ela piscou para ele.
— Não?
— Eu não aceito. — Ele voltou para a papelada à sua frente, sem lhe dar
um olhar.
Hermione sentiu o calor subindo pelo pescoço e ela franziu os lábios,
engolindo algumas palavras bem escolhidas.
— Bem, lamento ouvir isso. Terei prazer em treinar meu substituto. Mas
meu último dia será 25 de fevereiro. Vou trabalhar até o final dessa semana
e saio na sexta-feira.
Ele estalou o pescoço, jogou a proposta de Wentworth sobre a mesa e se
levantou da cadeira. Seu coração batia forte. Ele olhou para ela e seu rosto
estava entediado, mas seus olhos estavam em chamas.
Ele deu a volta na mesa, pegou o papel dobrado que ela colocou na beirada
e o abriu. Ele estava a três passos dela, apoiado na beirada da escrivaninha.
Seus olhos voaram pelas palavras.
— Não diz nada aqui sobre seu chefe assediar você sexualmente. — Ele
olhou para ela, carrancudo.
Ela engoliu em seco. Ah, então eles iam falar sobre isso agora?
— Não. Essa não é minha intenção...
— E qual é a sua intenção, Granger? — Ele amassou a carta e a jogou de
lado. Ele agarrou a borda da mesa atrás dele, erguendo o queixo com
orgulho. Suas bochechas estavam rosadas. — O que é que você quer?
— Eu... eu quero me demitir. Claramente. — Ela balançou a cabeça para
ele, sem entender.
— Você vai renunciar se eu não... o quê? — Ele inclinou a cabeça para ela.
— Se nada, — ela riu. Ela o estudou. Mandíbula apertada e juntas ficando
brancas. — Isso não é chantagem, Draco...
— Draco, de novo. — Ele ficou alto, saindo da mesa. Agora, apenas a dois
passos dela. — Faz meses que não ouço isso. — Ela ouviu um de seus
dedos estalar e sua respiração a deixou. — Acho que a última vez foi em
um beco, sussurrou em meu ouvido enquanto seus dedos agarravam meu
cabelo...
Ela engasgou e deu um passo para trás.
— Ou talvez fosse na minha varanda, você de vestido branco, sorrindo para
mim como se soubesse o que estava fazendo...
— Do que você está falando, Malfoy...
— Nah-ah! Não pode retirá-lo agora. É Draco, de novo. — Ele deu um
passo em direção a ela, os olhos brilhando, a respiração irregular. Ela
recuou, amaldiçoando os saltos. Seu peito estava pesado e ela sentiu como
se ele tivesse deixado todo o ar sair da sala. Seus olhos estavam mortos
segundos atrás, e agora eles estavam queimando.
— Você quer que eu faça uma denúncia de assédio sexual? — Ela riu,
trêmula.
— Eu quero que você seja honesta sobre o motivo de sua partida, Granger.
— Ele deu um passo à frente novamente e ela desejou poder impedir-se de
recuar. — Corajosa garotinha de ouro da Grifinória, deixou-me beijá-la e
não sabe como voltar atrás.
Ela riu mesmo quando deu um passo para trás novamente.
— Sou eu quem quer voltar atrás? — Seus olhos cinzentos dançaram sobre
seu rosto, manchas rosadas em suas bochechas enquanto ela aterrissava
contra a parede. Ele a prendeu, novamente. Sempre prendendo ela. Ela
rosnou para ele: — Draco Malfoy, calmo e controlado, nunca misturando
negócios e pessoais, beijou uma funcionária e agora quer ser punido por
isso.
Seus braços subiram para a parede de cada lado dela. Ele deu um passo
impossivelmente mais perto, e ela podia sentir seu peito contra o dela.
— Você vai me punir, Granger? — Ele puxou o lábio inferior entre os
dentes, e ela pôde ver um sorriso malicioso no canto de sua boca.
Ela estremeceu. Isso não era... o que ela pretendia. Ela podia sentir a
respiração dele em sua boca. Ela esperou, sentindo-o balançar dentro dela e
desaparecer a cada respiração. Ela inclinou a cabeça para trás, esperando.
Sua respiração estava ofegante.
Ela encontrou seus olhos, escuros e brilhantes, e esperando. Esperando que
ela o beijasse.
Maldito seja. Ela ficou na ponta dos pés, nos calcanhares, e pegou os lábios
dele com os dela. Ele perseguiu sua boca e murmurou um "Porra" enquanto
conectava seus quadris. Ela engasgou e ele empurrou em sua boca.
Ela se ouviu gemer, e uma das mãos dele agarrou sua cintura, enquanto ele
pressionava seus quadris contra os dela. A outra moveu-se para seu
pescoço. Ele resmungou e estendeu a mão, agarrando seu rabo de cavalo,
arrancando a faixa de seu cabelo.
— Nunca faça isso... — A voz dele estava rouca contra o pescoço dela
enquanto o cabelo dela caía ao redor deles. Ele chupou seu pescoço e ela
estremeceu.
Ela o sentiu correr os dentes ao longo de sua pele, e ela deixou seus olhos se
fecharem. A mão dele em seu pescoço passou pelo cabelo atrás da orelha,
curvando os dedos contra o couro cabeludo. Ela apertou os lábios, mas o
gemido ainda saiu dela.
Ele gentilmente afastou os joelhos dela com a coxa direita. Ele estava se
movendo lentamente em sua metade inferior, mas arrebatando-a em sua
metade superior. Ela estava segurando seus braços, sem saber o que fazer.
Ela estava ofegante. O joelho dele se interpôs entre os dela, suavemente.
Abrindo ela. Ela podia sentir a mão em seu quadril começando a juntar o
tecido de sua saia, puxando-a para cima.
Ela mordeu o lábio. Aquilo era o paraíso. Era tudo o que deveria ser. Ela
sentiu a coxa dele subir mais alto, conectando-se com seu centro e ela
gemeu, percebendo que era isso que ela o viu fazer com Pansy nos
corredores de Hogwarts. Isso era o que ela sonhava quando tinha dezesseis
anos, o que ela se perguntava.
Ela moveu os quadris contra ele, e a eletricidade percorreu seu corpo
quando ela entrou em contato com a coxa dele. Ela fez isso de novo. E de
novo.
— Oh, Deus, — ela gemeu e suas mãos deslizaram pelos ombros dele e
agarraram seu cabelo. Perfeito. Ela sentiu um tremor passar por ele e puxou
sua cabeça, puxando-o para trás de onde ele estava atacando seu pescoço.
Seus lábios estavam inchados e sua respiração ficou presa quando ele viu o
rosto dela. Ela estendeu a boca novamente e ele a beijou, passando a mão
pelo pescoço, pelo peito, mal roçando o seio e ela gemeu contra a boca dele.
Ela sentiu os primeiros botões de sua camisa abrindo, e o tecido de sua saia
raspando contra sua coxa quando seus dedos finalmente encontraram a pele.
Ele a teria nua em minutos e ela não iria impedi-lo. Ele a queria, e ela não
iria impedi-lo.
— Você está me deixando louco. — Ele ofegou contra seus lábios, olhos
fechados, pressionando sua testa contra a dela. A mão direita dele fazia
círculos na parte superior da coxa dela, onde a saia havia sido puxada, a
esquerda mergulhava na camisa dela, alcançando o seio.
— Desculpe...
Ele riu, apertando os olhos fechados, mordendo o lábio. Ele roçou seu seio,
o tecido de seu sutiã empurrando contra ela. Ela engasgou e ele agarrou sua
coxa, puxando-a até o quadril. Ela oscilou em um salto, mal conseguindo
ficar de pé quando estava em dois.
Seus dedos percorreram a parte externa de sua coxa, descendo em direção a
seu traseiro, encontrando o tecido de sua calcinha. Ele a beijou. Os dedos
dele mergulharam e ela abriu os olhos.
Ele saberia. Logo ele... seria capaz de sentir isso, certo? Ela entrou em
pânico. Como se ele já não pudesse dizer pelo jeito que ela mal conseguia
tocá-lo, mesmo enquanto ele a despia.
Isso era algo sobre o qual você alertava uma pessoa, certo? Mesmo que ele
já tivesse adivinhado...
— Eu sou... eu...
Ele beijou a boca dela novamente, suspirando enquanto puxava o bojo do
sutiã para baixo.
— Espera espera. — Ela engasgou. — Eu sou... você estava certo... em
presumir, antes. Sobre os cinco adicionais.
— O que? — ele sussurrou, seus dedos cada vez mais perto de seu núcleo.
— Teria sido 35. — disse ela, corando.
— 35?
— 35.000. — Ela engasgou. Seus dedos pararam em sua pele. Seus olhos se
abriram para os dela. — Eu sou... eu não...
Sua boca estava aberta e ofegante. Ele fechou os olhos com força, deixando
cair a cabeça em seu ombro.
— Como? — Deixou seu corpo como uma risada.
Ela não sabia se deveria responder.
— Eu queria que você soubesse, antes...
Então ela o sentiu tirar a mão de sua calcinha. E foi como água gelada.
Ele deixou a cabeça em seu ombro, respirando em seu pescoço, e colocou a
mão contra a parede. Ele tirou a outra mão da camisa dela.
Ele baixou o joelho de onde estava empurrando contra ela, esfregando-a
perfeitamente, e ela quase choramingou.
Ele não ia continuar. Porque ela era virgem. Ele não a queria porque ela era
virgem?
Ela abriu a boca e nenhum som saiu.
— Sinto muito, — ele sussurrou em seu ombro. — As coisas foram longe
demais.
Ela engoliu em seco, as lágrimas picando seus olhos. Isso não era justo. Ela
esperou. Ela só tinha sonhado com ele. Ela não se incomodou com mais
ninguém, e agora ele não a queria por isso?
Ele levantou a cabeça e colocou a mão em suas bochechas, levemente.
— Não vá embora. — Seus olhos cinzentos moveram-se para frente e para
trás entre os dela. — Não se demita. — Ele engoliu. — Eu estarei melhor.
Voltaremos a como era... antes. Não vou ignorá-la ou tratá-la de forma
diferente por causa disso.
Voltar para como era antes. De volta aos colegas de trabalho depois disso.
Depois de degustar.
— Não vá embora. — Seu polegar roçou seu lábio.
Ela poderia não ter nada ou poderia ter alguma coisa. Mas ele não lhe daria
tudo.
— OK.
Capítulo 30.
Ele a havia machucado. Marcado ela.
Hermione olhou para o chupão em seu pescoço, sua mão puxando o cabelo
para trás.
A reivindicou.
Ela deixou o cabelo cair. Ela considerou não o cobrir, lembrando que ele
não havia coberto as marcas que ela havia deixado nele, mas ainda não
fazia sentido para ela por que ele as havia deixado.
Então ela pensou no que as pessoas no escritório pensariam se vissem. O
que Blaise poderia dizer...
Ela cobriu o chupão com um feitiço e depois ainda mais com maquiagem.
Ela estava no elevador subindo para o GCM na manhã de quarta-feira,
repassando em sua cabeça todos os motivos pelos quais tentou parar ontem.
Seus projetos estavam sendo abatidos.
Ela não estava recebendo o apoio de que precisava para perseguir suas
ideias.
Ela estava entediada com o projeto atual em que estava trabalhando e era o
único projeto em que ela tinha permissão para trabalhar.
Seu chefe a estava ignorando e a tratando como um estorvo.
Seu chefe a estava usando como meio de publicidade.
Ela tinha um relacionamento volátil com seu chefe que tinha uma
imprevisibilidade que começou a lhe dar dores de estômago.
Ela decidiu deixar de fora qualquer reclamação de assédio sexual desta
lista, em parte devido ao fato de que odiaria parecer uma hipócrita. Ele a
beijou primeiro. Então ela o beijou depois.
Ela afastou esses pensamentos de sua mente antes que pudesse se perguntar
quem beijaria em terceiro lugar?
As portas do elevador se abriram. Ela levantou os olhos do chão,
endurecendo sua expressão, e seu olhar pousou em Draco, parado na mesa
da recepção.
Seu estômago revirou.
Ela observou os olhos dele levantarem para os dela da papelada que ele
estava lendo. Ele acenou com a cabeça em saudação e respirou fundo,
acalmando-se. Ela não teria notado isso uma semana atrás, mas ela sentiu
como se estivesse sincronizada com a respiração dele agora, o jeito que ele
exalava empurrando para dentro de sua boca quando ela inalava...
Ela saiu do elevador, sem saber o que seu rosto estava fazendo, e virou à
direita para caminhar até seu escritório. Ele entrou em sintonia com ela.
— Bom dia, — disse ele.
Ela olhou para ele e encontrou uma mão estendendo uma xícara de café
para ela. Ela piscou para ele. Era uma xícara para viagem, com o nome de
uma cafeteria na esquina.
— Sr. Townsend quer vir para ver a papelada amanhã. Finalize as coisas.
Ela pegou a xícara de café dele, esquecendo completamente as boas
maneiras e não agradecendo.
— Tudo bem.
— Um pouco antes do almoço está bom?
— Sim. — Ela olhou para o copo em suas mãos. Ele poderia ter checado a
agenda dela com Walter.
Eles chegaram à porta dela.
— Tenho algumas ideias para o restante da arrecadação de fundos que
podemos analisar quando for conveniente para você.
Ela olhou para ele. Seu rosto estava imóvel, olhos cinza e neutros, mas ele
não estava frio como antes.
— Excelente, — disse ela.
Eles ficaram parados por um momento, em frente à porta do escritório dela,
olhando um para o outro, antes que ele assentisse e se virasse para voltar ao
escritório. Ela pode ter se enganado, mas quase podia ver os olhos dele
deslizarem sobre seu pescoço antes de se virar. Ela levou a mão livre ao
hematoma e o café aos lábios enquanto o observava se afastar. Proporção
perfeita de adoçante para creme.
A qual "antes" ele se referiu, quando disse que eles voltariam para antes?
Nem uma hora depois, uma vez que Hermione estava acomodada e
finalmente investindo em seu trabalho, ele voltou.
— Granger.
Ela pulou com a voz dele e deu um salto duplo quando olhou para cima por
vê-lo em sua porta.
— Sim?
— Está livre?
Ela piscou para ele.
— Sim.
Ele entrou em seu escritório e seu coração parou quando ele começou a
fechar a porta... mas então ele a deixou entreaberta, uma lasca do resto do
escritório visível.
Oh! Graças a Deus.
— Tudo bem, — disse ele, caminhando para a mesa dela, empurrando o
cabelo para trás. Ele jogou algo – alguns papéis – na mesa dela e ocupou
uma das cadeiras de visitas. — Vamos repassar isso.
Hermione teve o pensamento horrível de que o portfólio que ele havia
jogado na mesa dela continha o Contrato de Amor ou o Conflito de
Interesses ou qualquer outra coisa desagradável.
Ele arrastou a cadeira para a frente e abriu o portfólio.
— O Santuário do Pomo, — disse ele, correndo os olhos pelo papel. — Eles
forneceram números reais de declínio ou apenas estimativas?
Ele olhou para ela e piscou rapidamente, como se estivesse clareando a
visão.
Ela levou um momento para descobrir o que exatamente estava
acontecendo antes de pigarrear e responder: — Essas são estimativas
baseadas no declínio do ano passado.
— Portanto, a primeira coisa seria enviar nosso pessoal para obter números
reais, com base neste ano, e também o declínio projetado para o próximo
ano. — Ele olhou para a papelada, e Hermione finalmente somou dois mais
dois. Era sua proposta do Santuário, com anotações rabiscadas por toda
parte.
Ele a revisou.
— Seu cronograma revisado e orçamento projetado são muito mais viáveis
do que o primeiro, mas para cortar custos drasticamente, gostaria de enviar
apenas Walter para Somerset. — Ele olhou para ela para avaliar sua reação.
Ela podia sentir-se prestes a fazer beicinho...
— Ele pode sair já na semana que vem, — Draco disse. — Mas se você for
com ele, começará a perder várias datas e prazos importantes para a Política
de Lobisomem.
Hermione estalou a mandíbula fechada. Isso é o que era compromisso,
Hermione...
Ela não gostou nem um pouco.
— Sim, — ela disse. — Se pudermos começar já na próxima semana, isso
seria maravilhoso.
Ele acenou com a cabeça para ela.
— Ainda acho que definir a data do tribunal em março é muito ambicioso.
— Ela franziu os lábios. — Eu antecipo que o Wizengamot estará bastante
farto de nós até o final dos procedimentos da Política de Lobisomem, e
pular neles com outro projeto semanas depois do nosso primeiro pode
causar alguma reação.
— Mas eles deveriam ser imparciais, — disse Hermione, franzindo a testa.
— Eles deveriam olhar para cada caso como entidades separadas.
Draco levantou uma sobrancelha para ela.
— Eles deveriam... — Era sobre ele, mas ele não precisava ter dito.
Ele se mexeu na cadeira, tentando cruzar as pernas sem sucesso. Ele olhou
para a cadeira.
— Vou precisar conseguir cadeiras melhores para você. Estas são horríveis.
— Ela o observou mover-se para uma posição diferente.
— Eu gosto dessas cadeiras.
— Você deve odiar seus convidados, então.
— Eu não tenho convidados, realmente, — ela disse. — A única pessoa que
senta aí é Blaise.
— Ah, então vamos deixá-las. — Ele sorriu para ela.
Ela encontrou seus olhos, mais calorosos do que o normal. Ela não tinha
certeza do que eles estavam fazendo. Os lábios dela se contraíram com a
piada dele, mas ela não entendia de onde vinha essa parte dele.
Ela decidiu mudar a conversa de volta para o Santuário.
— Então, vamos planejar em abril uma data no tribunal?
Draco assentiu. Eles passaram a discutir seus objetivos de arrecadação de
fundos.
— Acho que ajudaria a trazer o caso dos Pomos de Ouro para o público, —
disse Draco. — Poucas pessoas conhecem sua história ou sua relação com o
Quadribol. Poderíamos ter mais atenção no caso deles com a ajuda de um
punhado de jogadores de Quadribol que conhecemos. — Ele olhou para ela
cuidadosamente.
Ela ergueu a sobrancelha, ponderando a ideia, e de repente disse: — Oh! Eu
me pergunto se eu poderia entrar em contato com Viktor!
Seu cérebro começou a se formar em torno desse plano, pensando em como
seria interessante ter um porta-voz do Quadribol, alguém para entrevistar.
Ela olhou para Draco e encontrou seus lábios apertados.
— Eu estava me referindo aos Weasleys, mas, sim, — Draco disse,
esfregando o queixo, — Krum pode ser útil também.
Ah, claro, Ron e Ginny. Ela realmente não tinha falado com Ron desde que
ele escreveu aquela carta desagradável algumas semanas atrás.
— O que você está pensando? — ela perguntou.
— Acho que divulgar o projeto pode ajudar, — disse Draco. — Faça com
que Skeeter faça uma redação. Veja até mesmo se o jornal de Lovegood
estaria interessado.
Hermione assentiu. Isso era maravilhoso.
— Você sabe quem mais estava realmente interessado nos Pomos? Rolf
Scamander, — disse ela. — Ele provavelmente adoraria chamar a atenção
para isso também.
Ela olhou para ele com olhos arregalados e excitados, e o viu imóvel,
cerrando a mandíbula e depois soltando.
— Maravilhoso. — Ele disse. — Vá em frente e faça um contato inicial e
faça os preparativos para a partida de Walter na próxima semana. — Ele
pegou suas anotações e se dirigiu para a porta dela.
— Obrigado, Draco. — Ela mordeu o lábio assim que saiu de sua boca.
Ele se virou para ela, assentiu e saiu.
No final do dia, Walter trouxe a correspondência dela. Ele continuou a
separar as cartas pessoais das de negócios, tentando não ler as pessoais
depois de conseguir distinguir entre as duas. Ele deu a ela um memorando
interno informando a todos que os professores de Hogwarts estavam
organizando um Baile do Dia dos Namorados naquele sábado à noite, e
todo o GCM havia sido convidado. Ela revirou os olhos, desprezando a
celebração do Dia dos Namorados tanto quanto o próprio dia. Harry estaria
fora da cidade neste fim de semana visitando Ginny em seu jogo no
Canadá, então ela não podia contar com nenhum deles para ir com ela para
essa coisa.
Ela começou a folhear a correspondência dos fãs e as cartas pessoais
primeiro, e pousou em um lindo envelope laranja queimado com rabiscos
na frente.
Senhorita Hermione Granger
Hermione franziu a testa. Ela o abriu e seus olhos se arregalaram cada vez
mais.
Minha querida Hermione!
Estou finalmente de volta ao Reino Unido depois das férias e adoraria
levá-la para almoçar! Eu preciso parabenizá-la por todo o seu sucesso com
o Grupo de Consultoria Malfoy!
Estou morrendo de vontade de usar seu cérebro para uma instituição de
caridade que estou começando em casa. Por favor, deixe-me saber se você
está livre no final desta semana!
Muito Amor Para Você,
Kátia
Hermione largou a carta na mesa e passou as mãos pelo rosto.
Você está falando sério?
Quinta-feira à noite, a aula de dança de Hermione teve uma reviravolta
surpreendente. Uma melodia familiar tocou no gramofone, e a Srta.
Truesdale anunciou que elas estariam trabalhando na valsa francesa naquela
noite.
A valsa francesa, coincidentemente, era a única dança de sangue puro que
Hermione conhecia. Era a que ela havia aprendido para o Baile de Inverno,
memorizado e praticado – desesperada para não se envergonhar no braço de
Vítor Krum. Aquela em que ela girou momentaneamente ao redor de Draco,
as mãos não se tocando, e portanto, aquela que ela tinha enraizado em sua
cabeça nos últimos cinco anos.
Não que ela tenha dito isso à Srta. Truesdale. Ela simplesmente acenou com
a cabeça enquanto lhe mostravam a formação, como contar uma valsa e
como ficar na ponta dos pés. Ela virou para o lado errado algumas vezes
apenas para mostrar, mas no final da aula, a Srta. Truesdale tinha um
pequeno olhar de satisfação levantando suas feições.
Naquela noite, ela entrou em seu apartamento, sentindo que não havia nada
que ela preferisse fazer do que apenas deitar, ler e adormecer.
Harry se levantou do sofá quando ela entrou.
— Ah, olá.
— Ei, Hermione. — Ele esfregou as palmas das mãos na calça.
— Eu pensei que Ginny estava no Canadá?
— Ela está, — disse ele, coçando a orelha. — Eu me deixei entrar.
— Oh. — Ela largou a bolsa e tirou os saltos. — O que há de errado?
— Er, não há nada de errado. — Harry empurrou os óculos para cima e
começou a torcer os dedos ao redor deles. — Podemos sentar?
Hermione o encarou. O que ela fez? Isso era sobre Draco? Ele iria
finalmente contar a ela suas opiniões? Alguém se machucou? Algo terrível
aconteceu?
Ela se sentou à mesa da sala de jantar, sentindo as pernas bastante bambas.
Harry sentou-se em frente a ela. Ele respirou fundo e as palavras saíram de
sua boca.
— Vou pedir a Ginny em casamento.
Hermione sentiu suas sobrancelhas levantarem, mas essa foi a única parte
de seu movimento. Ela não conseguia sentir seu coração batendo, ou seus
pulmões se expandindo. Ela o encarou.
Sorria. Você deveria sorrir quando isso acontecesse.
Hermione sorriu. Ela riu.
— Harry!
O rosto preocupado de Harry evaporou e ele sorriu para ela.
— Quando!?
— Segunda-feira, — disse ele. — No Dia dos Namorados.
Ela levou as mãos à boca.
— Por que você estava tão nervoso para me contar?
— Eu não sei, — Harry riu. Ele esfregou os olhos. — Você é a última
pessoa na minha lista – além de Ginny, é claro – e estou tão aliviado que já
está pela metade.
A última pessoa...
— Quem mais?
Ele olhou para a mesa.
— Fui ver Arthur esta semana. E no fim de semana passado, fui para a
Irlanda.
Para ver Rony. Hermione assentiu. Ele foi para um país diferente antes de
vê-la. Então ela se lembrou do estranho e horrível almoço que eles tiveram
na semana passada, quando ele a surpreendeu com Draco. Ele a convidou
para almoçar naquele dia. Mas, infelizmente, Hermione fez tudo ser sobre
ela.
Ela mordeu a bochecha.
— Qual dessas conversas foi mais difícil? — Ela riu.
— Rony, surpreendentemente. — Harry acenou com a cabeça. — Ele está
bem, a propósito.
— Excelente.
— Ele está... bem, ele está saindo com alguém. — Harry olhou para ela.
Hermione engoliu em seco.
— Sim, ele me disse no Natal.
— Sim, — disse Harry. Ele coçou o rosto. — Eu conheci ela. Ela é muito
legal.
Hermione respirou fundo.
— Isso é ótimo.
Harry olhou para ela.
— De qualquer forma, estou feliz que você saiba sobre mim e Ginny. —
Harry sorriu.
Hermione assentiu, sorrindo o mais brilhantemente que pôde.
— Você está com o anel?
Harry corou e tirou a caixa de suas vestes.
Hermione sorriu e acenou com a cabeça e riu e perguntou como ele faria
isso, se ele seria romântico ou espontâneo, como Arthur reagiu, a que
restaurante eles iriam. Ela o ouviu e o peso em seu estômago tornou-se cada
vez mais pesado.
Harry iria se casar, Ron estava namorando uma garota legal, e Hermione
estava brincando com Draco Malfoy uma vez por semana.
Sexta-feira de manhã, Hermione olhou para sua roupa planejada para aquele
dia e franziu a testa. Havia algo ligeiramente estranho nela. Era como se as
cores não combinassem, ou talvez fosse a bainha da saia.
Ela pensou em chamar Pansy para descobrir o que havia de errado com ela,
mas ela estava na Itália, desenhando um vestido de Baile de Debutante para
a filha do Ministro da Magia italiano. Era uma grande coisa para ela, e
Hermione não achava que "encontro de almoço com Katya Viktor" se
qualificava como uma emergência.
Draco a encontrou com café novamente, como tinha feito na manhã de
quinta-feira também. Parecia que isso seria um hábito. Ele levaria os quinze
segundos que eles tinham para andar até a porta do escritório dela para
informá-la sobre qualquer coisa urgente, qualquer reunião que eles
deveriam fazer, e então a deixaria em seu escritório, olhando para ela
enquanto ele voltava para o seu.
Ela escapou do escritório às dez para o meio-dia e se dirigiu ao único café
mágico perto do escritório do GCM. Ela nunca esteve lá, mas Katya disse
que era "de morrer".
Katya chegou cedo. Mais cedo do que ela, o que era difícil de fazer. Ela se
levantou da mesa com um sorriso brilhante e braços sedosos e envolveu
Hermione no abraço mais amigável que ela já havia recebido de um
estranho.
Bem. Parecia que Katya não sabia nada sobre os beijos de Hermione com
seu amante intermitente...
— Minha querida! — Katya se afastou do abraço e agarrou os braços de
Hermione. — Você está esplêndida! — Os olhos de Katya percorreram a
roupa de Pansy para hoje, e Hermione reprimiu algum comentário que
Madame Michele descreveria como "não aceitar elogios".
Katya passou os dedos sobre o tecido no ombro de Hermione.
— Oh, eu gostaria que Pansy Parkinson trabalhasse para mim! Ela é tão
talentosa! — Hermione quase riu, lembrando do desdém de Pansy pela
garota búlgara. Katya continuou: — E, claro, as roupas não são nada se a
bruxa certa não estiver nelas! — Dentes brancos brilhantes. E então a mão
de Katya estava tocando o rosto de Hermione com amor.
Hermione descobriu uma maneira de agradecê-la e deslizar para fora de seu
alcance para que elas pudessem se sentar, tirando a atenção dela.
Conversaram um pouco sobre as férias, pediram bebidas à doce velha bruxa
que dirigia o lugar e prepararam o chá e o café do jeito que gostavam.
Katya, ela observou, usou exatamente a quantidade certa de leite e o
número certo de cubos de açúcar, conforme sugerido por Madame Michele.
Sua colher não tilintou na xícara enquanto ela mexia. Mas, novamente, nem
a de Hermione.
— Oh, estou tão feliz por termos tido a chance de conversar! Estou
morrendo de vontade de sentar com você desde que nos conhecemos... bem,
antes disso!
Hermione foi atingida pelo mesmo pensamento que teve quando viu Katya
nos jornais com Draco: Ela sorri demais.
— Também estou feliz que tivemos a chance de realmente nos
conhecermos, — disse Hermione. — Você estará na cidade com mais
frequência? — Hermione não conseguiu se conter enquanto as próximas
palavras saíam dela. — Pelo menos até segunda-feira. Dia dos Namorados?
— Oh não! — Katya fez beicinho. — Eu parto para a Bulgária amanhã.
Não estarei de volta até março, no mínimo.
— Ah, — Hermione disse. Ela ergueu as sobrancelhas o mais
inocentemente possível. — Eu pensei que você passaria o Dia dos
Namorados com Draco.
Por que, Hermione? Por que?
Katya acenou com a mão bem cuidada e disse: — Oh, não havia
necessidade disso. Terminamos nosso acordo há alguns meses. — Katya
levou sua xícara de chá aos lábios, pairando o pires logo abaixo de uma
forma que Madame Michele aprovaria.
O olho de Hermione estremeceu enquanto ela a observava.
— Acordo?
— Sim, a coisa do namoro. — Katya colocou a xícara e o pires na mesa,
dando uma olhada na loja.
Hermione a encarou. Talvez houvesse um problema de tradução do búlgaro.
— Quer dizer que vocês terminaram?
Kátia olhou para ela.
— Terminamos? — Ela parecia tão confusa quanto Hermione. Então foi
como se uma luz se apagasse na cabeça de Katya. — Oh! Que estranho! —
Ela riu. Hermione achou que isso não era motivo de riso. — Eu pensei que
Draco teria contado a você, já que vocês são tão próximos.
Hermione esperou, ignorando sua própria confusão sobre Draco e ela ser
"próxima".
Katya continuou olhando para Hermione com olhos gentis.
— Draco e eu tínhamos um relacionamento para os jornais. Nós não
estávamos realmente envolvidos. — Ela se recostou. — Estou surpresa que
ele nunca tenha lhe contado.
Hermione apertou a mandíbula.
— Assim como eu! — Ela soltou uma risada que soou um pouco histérica.
— Receio que ainda não entendo.
— Ele precisava de uma vida social excitante e desejável assim que
deixasse Azkaban, para reabilitar sua imagem. Então, nós tínhamos um
acordo. — Katya deu de ombros e fez sinal para o garçom.
Elas pediram e Hermione ferveu. Assim que o garçom saiu, Hermione
virou-se para Katya.
— Não quero ser franca, mas você não se sentiu usada?
— Oh, não, — disse Katya, sorrindo. — Na verdade, acho que algumas
vezes consegui a melhor parte do negócio.
Hermione observou Katya. Esta mulher que ela respeitava, odiava e
invejava, e Hermione implorou que ela explicasse.
Katya olhou em volta, baixou a voz e disse: — Tenho um noivo na
Bulgária. — Ela apontou para um anel que Hermione não havia notado. Era
simples, mas adorável. — Ele é um trouxa.
Os olhos de Hermione se voltaram para ela, esperando pela piada.
— Meu pai... Ele não aprova. — Katya franziu a testa para a mesa.
Hermione estreitou os olhos para ela.
— Sinto muito, pensei que sua mãe fosse.... Ouvi dizer que você era meio-
sangue.
— Ela nasceu trouxa. Ela ainda é uma bruxa. Meu pai vê a diferença.
E assim, um vácuo sugou toda a confiança dessa garota com a menção de
seu pai. Sua postura desleixou e ela mordeu o lábio. Katya olhou para
Hermione e se desvencilhou.
— Eu precisava de um pretexto. Enquanto Andrei e eu economizávamos
nosso dinheiro, eu precisava de um motivo para meu pai não me apresentar
aos graduados de Durmstrang ou subsecretário do Ministro da Magia
búlgaro. — Ela revirou os olhos. — Mas agora Andrei e eu vamos fugir no
mês que vem. — Ela sorriu.
— Então... Andrei estava bem com esse acordo? — Hermione tentou
manter o julgamento fora de sua voz. Ela tentou. — Com você beijando
outro homem pelos jornais?
Kátia riu.
— A primeira vez foi fácil. Mas o segundo beijo, ele teve um pouco de
problema. — Hermione ouviu sua risada saltitando pelo café enquanto se
lembrava da imagem de Draco empurrando Katya contra os tijolos, as mãos
em seu cabelo e em seu quadril. A voz de Katya a tirou do sério. — Mas
Draco pediu permissão. Ele disse que precisava de algo mais, apenas uma
vez.
— Por que? — A voz de Hermione estava quieta. Ela sabia a resposta, mas
precisava desesperadamente ouvi-la.
Katya piscou como ela, lançando os olhos para o lado rapidamente, depois
de volta para ela.
— Para o pai dele.
Hermione engoliu em seco, ouvindo as palavras que ela havia
memorizado...
"Sair com aquela meio-sangue búlgara toda vez que vocês dois são
retratados juntos no jornal."
Hermione sentiu-se mal. O garçom colocou a salada à sua frente e Katya
começou a divagar sobre a instituição de caridade que iniciaria naquele ano.
Hermione manteve uma resposta de uma palavra, não confiando em sua
voz.
Quando elas se separaram, prometendo manter contato, Hermione se virou
e disse: — Oh, Katya?
A garota se virou, o cabelo se movendo em câmera lenta atrás dela.
— Draco alguma vez te deu um presente? Um livro embrulhado para
presente?
Katya piscou para ela.
— Não. Não me lembro de nada assim.
O sangue de Hermione ferveu quando ela sorriu para a garota búlgara. Ela
acenou com a mão alegre e girou nos calcanhares, marchando de volta para
seu escritório.
As portas do elevador se abriram e Blaise estava encostado na mesa da
recepção, flertando com Melody. Quando Melody a viu saindo do elevador,
ela se endireitou e seu sorriso desapareceu. Blaise se virou para Hermione e
disse algo, mas ela o ignorou, indo para o escritório dos fundos à esquerda.
A porta dele estava entreaberta, então ela não se incomodou em perguntar
nada à secretária. Ela entrou, fechando a porta atrás de si.
Ele olhou para ela, e ela podia ver seus olhos piscarem em direção à porta
fechada. Ele engoliu.
— Sim, Granger? — Ele olhou de volta para sua papelada.
— Acabei de ter um encontro muito interessante.
Os olhos de Draco se voltaram para ela. Ele a olhou da cabeça aos pés.
— Oh?
— Com Kátia.
Ele encarou os olhos dela.
— Oh. — Ele deu de ombros. — Não sabia que ela estava na cidade.
Ela fumegou. Ela puxou a varinha de suas vestes e murmurou: — Silencio.
— Não... — Draco apertou a mandíbula. — Por favor, não silencie a sala.
— Mas eu quero gritar com você. — Ela sibilou.
— Se eu souber que a sala está silenciada e a porta fechada, isso será mais
difícil para mim, — ele soltou, cor subindo em suas bochechas.
Ela quase perdeu o fôlego, mas aquele fio trêmulo de raiva nela venceu. Ela
devolveu o som para a sala e respirou fundo.
— Onde estão os livros?
Ele a encarou.
— Livros?
— Os livros...! — Ela se deteve e ajustou o volume. — Os livros
embrulhados para presente.
Ele se mexeu na cadeira.
— Se foram presentes, tenho certeza de que os dei...
— Katya nunca recebeu um livro. Ela me contou hoje. — Hermione andou
um pouco. — Embrulhei livros para presente para sua namorada e agora ela
não é sua namorada e nunca foi e nunca recebeu os livros! — Ela baixou a
voz. — Quero saber o que aconteceu com eles.
Ele a estudou, erguendo uma sobrancelha.
— Você está realmente chateada com os livros?
— Sim! — Ela ajustou o volume. — Estou furiosa com os livros, — ela
sibilou. Ela compensou o volume começando a gesticular
descontroladamente.
— Eu não comprei os livros?
— Sim, você comprou...
— Então, depois da transação, eu não estava livre para fazer com eles o que
quisesse?
Ela olhou para ele, observando-o juntar os dedos e os cotovelos na mesa.
— Gastei tempo e esforço valiosos embrulhando esses livros para K atya e
agora ouvi dizer que Katya nunca os recebeu. Então, eu quero saber qual
era o ponto! — ela sussurrou-gritou.
— Sinto muito, — Draco começou, com aquele toque de superioridade que
a deixava furiosa, — Eu tinha a impressão de que embrulhar presentes na
Cornerstone era um serviço prestado ao cliente. — Ele sorriu para ela. —
Eu não sabia que era necessário declarar o destinatário ao solicitar o
embrulho de presente.
Seu queixo caiu. Seus olhos se estreitaram.
— Sabe de uma coisa, Malfoy? — ela sibilou. — Agora que você
mencionou, embrulhar presentes não é um serviço gratuito. Na verdade,
custa duas foices. — Ela apoiou as mãos na mesa dele. — Eu tinha
esquecido disso porque ninguém jamais foi idiota o bastante para pedir que
embrulhasse um livro!
Seu volume aumentou, então ela respirou fundo enquanto olhava para ele.
Ele permaneceu em sua cadeira, segurando os olhos dela. Então ele enfiou a
mão no bolso do terno, tirando uma bolsa.
— Duas foices, você disse?
Ela engasgou.
— Não se atreva a tentar me pagar.
— Não estou pagando você, estou pagando Cornerstone.
— Eu não quero que você pague Cornerstone!
— Então o que você quer?! — Sua voz finalmente subiu acima do volume
normal. Ele jogou as mãos para os lados e suas bochechas estavam rosadas.
Hermione olhou para ele do outro lado de sua mesa de mármore preto, o
peito arfando, e por um momento, ela se perguntou se era por isso que ele
ainda não havia saído de sua mesa. Normalmente, neste ponto da discussão,
ele a pressionava contra a parede...
Ela respirou fundo, dando um passo para trás de sua mesa.
— Eu quero saber, — ela disse, — qual era o objetivo.
Ela observou enquanto ele inalava uniformemente e dizia: — Era uma
maneira de passar três minutos extras com você.
Ela encontrou seus olhos, o coração trovejando. O cinza neles estava mais
quente do que o normal. Ela respirou fundo.
— Algo mais, Granger? — Ele piscou e seus olhos voltaram ao neutro. Não
frios, mas não quentes.
Suas bochechas estavam quentes, e ela olhou para a mesa dele.
— Não. Sim, isso é tudo. — Ela manteve os olhos baixos. — Sim, tudo
bem, — ela gaguejou e se dirigiu para a porta. Ela sentiu que havia algo
mais que ela precisava gritar com ele por...
— Vejo você amanhã.
Ela parou na porta.
— Amanhã é sábado.
Ele ergueu os olhos para ela. Neutro.
— O Baile dos Namorados.
Ela piscou para ele.
— Eu não estava... eu não vou.
Ele estreitou os olhos.
— Você não recebeu o memorando?
— Eu... — ela começou. — Foi uma oferta, não uma necessidade!
Ele bateu com o nó do dedo na mesa.
— Como Consultora Sênior e uma das principais forças por trás da
Consultoria Malfoy, espera-se que você esteja lá.
Ah, sim, era por isso que ela queria gritar com ele. Ela colocou as mãos nos
quadris.
— Você não quer dizer que, como a Garota de Ouro, é esperado que eu
esteja lá?
Ele olhou para ela.
— Com licença?
Ela deu um passo em direção a ele.
— Fui contratada para ser a Consultora Sênior de Relações Não Bruxas,
não o rosto do Grupo de Consultoria Malfoy.
— Sobre o que você está falando, Granger...?
— Eu sei sobre Wentworth, — ela retrucou. Ela baixou a voz, afastando-se
da porta. — Usou-me para conseguir a adesão de Wentworth – e de
inúmeros outros, tenho a certeza! Disse a eles que trabalharia com o GCM
antes mesmo de a ideia me passar pela cabeça. Sei que usou o meu nome e
a minha reputação para melhorar a sua própria, assim como você usou
Katya e estou cansada disso, — ela sibilou.
— Eu poderia ter dito que estava lhe oferecendo o cargo, — disse Draco,
erguendo uma sobrancelha, — mas não me lembro de ter dito a Wentworth
que você havia assinado.
— Mas você não...! — Ela parou e sussurrou: — Mas você não me ofereceu
o cargo. Você brindou com uma taça de champanhe para mim. — Ela
cruzou os braços.
— Mesma coisa. — Draco acenou com a mão, estreitando os olhos em
confusão.
Ela bufou.
— Escute, Malfoy. Fico feliz em defendê-lo para aqueles que não acreditam
em você, ou escrever cartas de recomendação. Fico feliz em defender esta
empresa e o que ela representa. E estou feliz em ajudar você a deixar uma
marca neste mundo, mas não se atreva a presumir nada sobre mim sem me
perguntar.
Ela respirou fundo. Foi feito. Ela olhou para Draco, e ele estava
pressionando os lábios.
Ele se levantou de sua cadeira e deu um passo em direção a ela, um passo
lento ao redor da mesa.
— A única coisa que presumi sobre você, Granger, era o quão ridiculamente
desvalorizada você era no Ministério. — Seus olhos estavam quentes
novamente, e ela deu um passo para a direita, as mãos agarrando uma de
suas cadeiras enquanto ele avançava. — Eu presumi que o Ministério
destruiria você como destrói todos os sonhadores. E presumi que você
poderia fazer melhor.
Respiração constante. Dando um passo para o lado da cadeira de visitas,
colocando-a entre os dois.
— Você veio até mim com o projeto de lobisomem, sabendo que eu não
poderia resistir...
— Eu fui até você com um projeto para atraí-la para mim, sim. Para fazer
você ver do que você poderia ser capaz. O que poderíamos ser capazes de
fazer. — Ele se aproximou, parando na cadeira. — Mas eu não dou a
mínima para os lobisomens.
Ela deveria rosnar para ele, repreendê-lo por ser um hipócrita e obstinado.
Em vez disso, ela estremeceu.
Ele viu, e seus olhos brilharam para ela, como costumavam fazer.
— Você... você não deveria ter contado às pessoas que eu aceitaria esse
emprego sem saber ao certo.
— Eu criei esse cargo para você, — ele sussurrou, e ela observou seus olhos
piscarem sobre ela enquanto ela tentava recuperar o fôlego. — Não haveria
ramo de Relações Não Mágicas na Consultoria Malfoy sem você. Foi feito
sob medida para você e somente para você. Para lhe dar exatamente o que
você queria.
Os joelhos dele tocavam a cadeira, e ela agarrou as costas dela, segurando-a
entre eles como um escudo. Seus lábios estavam secos. Ela os molhou e se
arrependeu quando os olhos dele desceram.
— Da próxima vez, — ela sussurrou, — me pergunte se eu quero.
Suas palavras deslizaram pelo espaço entre eles como névoa. Ela observou-
o respirar, e de repente ela não tinha certeza do que eles estavam falando.
Mas ela o observou acenar com a cabeça uma vez e sentiu o ar mudar, como
se eles tivessem se entendido.
Ele respirou fundo, e ela observou o calor em seus olhos se dissipar.
— Gostaria que você fosse comigo ao Baile dos namorados. — Ele engoliu.
E ela evitou morder a bochecha ao formular seu pedido. Ele continuou: —
Haverá várias pessoas presentes que não serão apenas ótimas conexões para
a Consultoria Malfoy, mas também para você pessoalmente.
Foi a vez dela de engolir.
— Eu... eu não tenho nada para vestir.
Um pequeno sorriso levantou seus lábios, e ele deu um passo para longe da
cadeira.
— Tenho certeza de que podemos fazer Pansy preparar alguma coisa.
Ele cruzou de volta para sua mesa, longe dela. Ela ainda segurava as costas
da cadeira.
— Ela está na Itália. Ela está... — Hermione respirou fundo, agora que ele
estava longe dela. — Ela está em um projeto.
Ele parou, lembrando. Ele xingou baixinho.
— Você honestamente não tem nada em casa?
— Quero dizer, se fosse socialmente aceitável usar o mesmo vestido que
usei no ano novo...
Isso não era o assunto para mencionar, claramente. Ela o observou se virar
para ela, os olhos quentes. Ele rapidamente a olhou antes de desviar o olhar.
Ele limpou a garganta.
— Onde você conseguiu aquele vestido?
— Foi... em uma pequena loja no Beco Diagonal. Não me lembro o nome.
— Desrosiers? — ele perguntou, indo até a lareira.
— Eu acho que sim. — Ela o observou jogar o pó de Flu no fogo e gritar
por "Desrosiers".
Uma mulher magra com longos cabelos grisalhos apareceu com a cabeça no
fogo, e suas rugas se contraíram enquanto ela sorria brilhantemente para
Draco. Ela o cumprimentou como um velho amigo e, de repente, Draco
estava falando francês com ela.
Ela nunca tinha ouvido um som mais delicioso.
Hermione agarrou as costas da cadeira novamente. Sua voz mergulhou e
fluiu sobre as palavras estrangeiras, e Hermione tentou entender, mas não
conseguiu. Ele gesticulou para ela, e fugiu para o lado.
— Senhorita Granger! — A mulher engasgou. — Sim, mademoiselle, tenho
suas medidas. — Ela continuou falando francês com Draco. Ele respondeu
e então eles estavam rindo de alguma coisa. Hermione franziu a testa.
Eles se despediram e a mulher beijou o ar. Ela desapareceu. Ele se levantou
da lareira.
— Eles enviarão seu vestido diretamente para você amanhã à tarde. É
próximo o suficiente do seu vestido de Ano Novo sem ser muito próximo.
Ele voltou para sua mesa e pegou sua pena para escrever uma nota.
— Mande-me a conta, — disse ela.
Ele riu.
— Claro.
Ela estreitou os olhos para ele, não totalmente convencida. Ela o observou
escrever, curvado sobre a mesa, o cabelo caindo sobre os olhos. Ele não
disse mais nada para ela, então ela entendeu a deixa para sair.
Ela se dirigiu para a porta, mal alcançando antes que ele falasse.
— O que há de diferente em sua parceria com Pansy? Ela também está se
aproveitando de você.
Ela se virou para ele.
— É completamente diferente.
Ele pontilhou um "i" e olhou para ela.
— Como?
— Ela... estou recebendo algo em troca. Está ajudando a imagem dela,
assim como a minha.
— Então, você não está recebendo o suficiente do nosso relacionamento,
Granger?
Ela não tinha ideia de como ele conseguia sugar o ar de uma sala com
apenas algumas palavras e seus olhos.
— Isso não é... — Ela desviou o olhar dele.
— Vou te dar o Pomo.
Seus olhos se voltaram para ele. Ele colocou as mãos nos bolsos. Ele
continuou: — Vamos adiantar a data do tribunal.
— Eu não... você não... — Ela gaguejou enquanto ele a observava.
— Ou o Projeto de Integração dos Nascidos Trouxas? Está aprovado, — ele
disse.
Ela piscou para ele. Ela abriu a boca. E fechou.
Ele continuou: — Ou qualquer projeto de estimação que você queira. É seu.
Totalmente custeado.
Seu coração batia descontroladamente em seu peito. Ela não sabia como
conseguiu que ele iniciasse uma negociação. Ele começou a caminhar em
direção a ela, lentamente. Ela gostaria de ainda ter aquela cadeira...
— Mas você precisa perceber que não é Draco Malfoy que eles vão querer
ver nessas festas de gala, arrecadação de fundos e jantares. É Hermione
Granger, ativista, heroína de guerra, Garota de Ouro. Você vai precisar usar
essa fama para conseguir o que você quer.
Ele parou na frente dela, perto o suficiente para tocá-la. Ela respirou o mais
uniformemente que pôde, o eco de seu primeiro nome em seus lábios.
Ela olhou para ele através de seus cílios.
— Você pode precisar me ensinar como.
Sua mandíbula estalou. Ele respirou fundo, e ela notou que suas mãos ainda
estavam nos bolsos, propositalmente longe dela.
— Podemos começar amanhã à noite, — ele sussurrou.
Ela assentiu.
Ele olhou para baixo, recuando.
— Seu búlgaro estará lá amanhã. — Ele checou a reação dela.
— Viktor? — Ela ergueu as sobrancelhas. — No Baile dos Namorados?
— Mm-hm. — Draco cantarolou. — Você pode falar com ele sobre o
Pomo. Tente obter o apoio dele.
Ela mordeu o lábio, pensando.
— Maravilhoso, — disse ela, os olhos dançando sobre o tapete.
— Algumas outras pessoas que eu acho que você poderia colocar do seu
lado por qualquer uma de suas causas, — disse ele. — Eu posso apresentá-
las.
Ela olhou para ele.
— Tudo bem.
Seus olhos percorreram o rosto dela e ele disse: — Vejo você às sete.
O vestido chegou sábado de manhã. Uma caixa que ela reconheceu da
última vez que Desrosier's lhe entregou um vestido. Hermione tirou a tampa
e abriu o papel de seda, ansiosa para descobrir que tipo de vestido Draco
havia encomendado para ela.
Sua respiração a deixou em um sopro enquanto seus dedos se arrastavam
sobre a seda.
Era dourado.
Capítulo 31.
Ela contou a Morty sobre o baile naquela noite e perguntou se ele poderia
cobrir a última hora da noite para que ela pudesse chegar em casa e se
arrumar.
— Absolutamente não. — Ele franziu a testa para ela. — Você vai sair ao
meio-dia hoje, mocinha.
Ela piscou para ele.
— Desculpe?
— O Baile dos Namorados é um grande evento! Não quero você vagando
por uma livraria quando deveria estar se arrumando!
Ela ficou boquiaberta para ele.
— Eu... Bem, eu não preciso de tanto tempo. Eu odiaria incomodá-lo...
— E não se preocupe com o amanhã. — Ele agitou o ar, começando a subir
as escadas para seu apartamento. — Você vai precisar se recuperar!
— O que? Não, Morty. Estarei aqui amanhã!
— Nem pense nisso! — ele gritou de volta para ela.
Ela fez beicinho.
— Certo! Mas estarei de volta ao meio-dia!
A porta do apartamento dele bateu.
Ela franziu a testa.
Quando ele a forçou a sair da loja ao meio-dia daquele dia, Hermione foi
para casa e tomou banho, preparando-se para a chegada de Daphne e
Tracey.
Ela mandou uma coruja para elas ao sair do trabalho no dia anterior,
perguntando se poderia pagá-las para prepará-la para o Baile.
Era estranho ter as duas sem Pansy. Pansy era sempre aquela que
conversava e fofocava sobre velhos amigos, então quando Tracey tocou
música com sua varinha, Hermione resolveu ficar quieta durante a tarde.
— Queremos que aumente ou diminua esta noite? — Tracey perguntou,
quebrando o silêncio.
— Er... — Hermione gaguejou. O vestido era semelhante ao vestido branco
da Gala de Ano Novo. Ginny a fez usar o cabelo solto naquela noite, o
mesmo que a bruxa que a estilizou sugeriu.
— Como é o seu vestido? — Daphne perguntou, enquanto misturava um
pouco de gosma para combinar com seu tom de pele.
— É dourado. E vai até o chão.
— Você pode colocá-lo? — Tracey perguntou com os olhos arregalados.
Daphne parecia mais querer ter certeza de que estava combinando com os
tons de maquiagem, mas Tracey parecia bastante tonta.
— Er... sim...
Hermione foi para seu quarto e vestiu o vestido dourado. Ela ainda não
tinha experimentado. A seda era fria contra sua pele e tinha um corte muito
parecido com o vestido branco. Ela estava planejando transfigurar a cor de
seus sapatos de Ano Novo para dourado para que ela pudesse usá-los com
este vestido também.
Ela saiu de seu quarto. Tracey engasgou. Daphne apareceu por cima do
ombro e lançou-lhe um sorriso muito Sonserino.
Hermione entrou na sala de estar onde a luz era melhor.
— Vou precisar usar um sutiã diferente, eu sei, — ela disse enquanto se
virava. O vestido era sem costas assim como o branco, mas a frente era um
pouco diferente.
Assim que Tracey estava prestes a falar sobre seu cabelo novamente, a
lareira rugiu e a cabeça de Ginny apareceu. Seus olhos se arregalaram.
— Que porra você está vestindo!? O que é isso?! — Sua boca se abriu.
— Eu... Ginny! — Hermione deu um pulo. — O que você está fazendo?
— O que você está fazendo? Eu saio da cidade por três dias e agora você é
a Rainha da Inglaterra?
— Vou ao Baile dos Namorados hoje à noite.
Ginny ofegou.
— Com Malfoy?
Os olhos de Hermione saltaram das órbitas. Ginny não conseguia ver
Daphne e Tracey de sua visão da sala de estar. Hermione também não teve a
chance de conversar com Ginny sobre quase nada esta semana.
— Com... a Consultoria Malfoy, sim, — Hermione tentou. Ela olhou para
Daphne e Tracey rapidamente. Tracey estava sorrindo, aquecendo alguns
instrumentos de cabelo, e Daphne ergueu uma sobrancelha para ela.
— A barba de Merlin, Hermione. — Ginny a olhou de cima a baixo
novamente. — Você precisa que eu lhe ensine o Feitiço Contraceptivo antes
de ir?
Ginny ergueu as sobrancelhas para ela. Hermione congelou com a boca
aberta. Ela ouviu Tracey bufar.
— Eu... eu... — Hermione gaguejou. — Tracey e Daphne estão aqui,
fazendo meu cabelo e maquiagem.
Tracey veio acenar. Ginny ergueu as sobrancelhas.
— Ah, olá. — Como se isso não a incomodasse nem um pouco.
— Tudo bem, você precisa de alguma coisa, Ginny? — Hermione sentiu
seu rosto corar, e sabia que Daphne seria capaz de ver quando ela
começasse a maquiar.
— Eu só estava aparecendo para avisar que estarei em casa mais tarde esta
noite. A partida de amanhã foi remarcada devido ao clima, — Ginny disse.
— Mas parece que você não estará em casa!
— Ah, tudo bem. Vejo você quando voltar, então, — Hermione disse,
ansiosa para tirar o vestido.
— Divirta-se! Não faça nada que eu não faria. — Ginny piscou para ela e
desapareceu.
Hermione fechou os olhos. Quando ela os abriu, Tracey estava olhando para
ela, escondendo um sorriso.
— Então. Para cima ou para baixo?
— Er... qual seria melhor?
Hermione podia ouvir uma voz em seu ouvido, sussurrando. Ela olhou para
Tracey, e foi como se Tracey também tivesse ouvido.
Ela sorriu.
— Vamos fazer um pouco dos dois.
Hermione tirou o vestido dourado, voltou para a cadeira na sala de estar em
seu roupão de banho e deixou as meninas continuarem. Daphne começou a
aplicar seu corretivo, e Hermione tentou evitar que seu rosto ficasse
vermelho.
Daphne se afastou, olhando para ela.
— Granger, isso é um chupão?
Hermione olhou para ela, mortificada enquanto Daphne olhava para seu
pescoço.
Ela apareceu na lareira às sete horas. O salão da mansão do governador era
tão grande quanto a Mansão Malfoy, mas em vez de mármore e flocos de
neve, ela encontrou tapeçarias quentes e corações palpitantes.
Ela se juntou à fila de recepção, indo em direção a uma entrada com
cortinas ondulantes, amarradas com trepadeiras e finalizadas com lanternas
baixas.
Hermione percebeu que não tinha um convite. Ou um par. Na Gala de Ano
Novo, ela recebeu um convite e até o trouxe com ela, caso Narcissa
precisasse vê-lo. Agora ela estava vagando em direção a uma abertura à luz
de velas com um grupo de pessoas, com nada além da lembrança de um
memorando em sua mesa.
Ao se aproximar, ela viu que não havia lista e ninguém verificando os
convites, mas também não tinha ideia de quem estava parado na entrada,
apertando as mãos. Ele era um cavalheiro de barba grisalha com olhos
bondosos, e sua esposa consideravelmente mais jovem pendia de seu braço
como uma bolsa.
— Senhorita Granger! — o homem disse. Ele sorriu brilhantemente para ela
e Hermione decidiu sorrir de volta.
Ele apertou a mão dela e a apresentou a sua esposa. A mulher apertou as
mãos como Madame Michele gostava, e Hermione retribuiu.
— Estou honrada por estar aqui esta noite. Obrigado por convidar o Grupo
de Consultoria Malfoy.
— É claro é claro! — Ele deu um tapinha no peito com orgulho. —
Estamos muito animados para ver o que o jovem Sr. Malfoy e você
alcançaram.
Ela assentiu educadamente, notando que ele escolheu apenas ela e Draco de
toda a Consultoria Malfoy.
Ele continuou: — Eu acredito que o Sr. Malfoy já está lá dentro. Por favor,
divirta-se esta noite, Srta. Granger.
Ela sorriu e passou por baixo do dossel das cortinas, seguindo as sedas em
direção a uma entrada. Ela se viu no segundo andar de um grande salão de
baile, contando com doze candelabros iluminando a sala. Diante dela, a
escada se dividia, contornando os dois lados para desembocar no salão de
baile.
Ela estava se perguntando se o propósito das duas escadas era estético, ou
se havia uma escada adequada para entrar, quando Draco apareceu no final
da escada à sua direita.
E sua dúvida foi esclarecida.
Ela colocou a mão no corrimão, deixando a outra juntar o tecido de seda em
seu quadril para não tropeçar, e desceu do patamar. Ela manteve os olhos
nele. Ele usava um terno branco e um sorriso malicioso.
Ele deixou seus olhos vagarem por sua forma uma vez antes de voltar seu
olhar para seu rosto. Ela sentiu um rubor subindo pelo pescoço antes de um
flash disparar à sua esquerda, e ela virou a cabeça para ver Skeeter e seu
fotógrafo sentados no meio das duas escadas.
— Senhorita Granger! Você está deslumbrante! — Skeeter gritou. — Diga-
me, você está de olho em alguém especial neste Dia dos Namorados?
Ela parou na escada e piscou para ela. Ela abriu a boca, soltou um guincho e
a fechou.
Ela se virou para Draco, ainda observando-a, quatro degraus adiante.
Que mortificante. Era um encontro ou não?
E qual era sua decisão naquele momento?
Draco olhou para baixo. Ela o observou se mover para trás, como se
estivesse prestes a se afastar da escada. Dela. Sair do caminho e retirar-se
do momento.
Hermione virou-se para Skeeter.
— Vou me recusar a responder a essa pergunta incrivelmente invasiva, Rita,
mas se você quiser me fotografar saindo com Draco Malfoy, fique à
vontade.
Os olhos de Rita ficaram arregalados e gananciosos. Ela viu Bozo
levantando a lente rapidamente, e Hermione se virou para encontrar os
olhos de Draco piscando para ela.
Ela continuou descendo os últimos quatro degraus, erguendo a mão do
corrimão e colocando-a na mão estendida de Draco.
Os dedos dele estavam quentes quando deslizaram pela palma da mão dela,
e a câmera disparou. Ele colocou o braço dela em volta do dele e os virou
quando ela desceu o último degrau, se afastando de Skeeter, e foi nesse
momento que Hermione percebeu que o terno branco de Draco era bordado
com fios dourados.
Ela sorriu para seus sapatos, e Draco a guiou até uma bandeja de taças de
champanhe com morangos no fundo. Ele entregou a ela uma taça e, assim
que se virou para dizer algo a ela, uma voz familiar chamou sua atenção.
— Senhorita Hermione Granger!
Ela se virou e encontrou o professor Slughorn tropeçando na direção deles,
seu copo de conhaque derramando nas bordas e suas bochechas coradas.
— Professor!
Ela mal teve tempo de abraçá-lo antes que ele desse um leve beijo em sua
bochecha. Oh meu Deus.
— Senhorita Granger! Você é linda de se ver, minha querida! — Ele voltou
os olhos para Draco. — E meu Sonserino favorito!... não diga ao Sr. Zabini,
— ele sussurrou.
— Eu nem sonharia com isso. — Draco sorriu e apertou sua mão.
— Eu sabia, eu disse, — Slughorn soluçou. — Eu sabia que havia escolhido
um excelente grupo para o clube do Slugh daquele ano! Empresa de
consultoria extremamente bem-sucedida que contém não um, mas três de
meus alunos!
Hermione apertou os lábios, impedindo-se de mencionar que Draco tinha
outras coisas em mente naquele ano...
— Oh! — Slughorn explodiu. — Eu quero apresentá-la a alguém, Srta.
Granger. — Ele começou a se afastar deles, gesticulando para que o
seguissem. — Ela estava antes de seu tempo em Hogwarts, mas ela seria
um excelente contato para você.
Eles o seguiram, Draco tirando o braço dela de seu cotovelo e colocou a
mão na parte inferior das costas dela.
Isso era muito pior. A seda era fria contra sua pele, mas esquentou
imediatamente após o contato com ele.
Ela se misturou e falou com a amiga de Slughorn. Trinta minutos depois,
Hermione ficou surpresa com a forma como Slughorn os havia jogado pela
sala, apresentando-os a quatro pessoas que dariam excelentes recursos ou
clientes para a Consultoria Malfoy. Hermione tomou um gole de
champanhe e encontrou um novo respeito por Horace Slughorn.
Durante todas as apresentações, Draco manteve a mão nas costas dela. Ela
não sabia dizer o que era pior – no começo, quando ele tinha a palma da
mão tão baixa na curva que ela podia sentir a eletricidade correndo em
todas as direções toda vez que ela se movia, ou quando ele levantava a mão
um pouco mais alto quando eles estavam falando com o romancista de
vampiros, deixando seu polegar roçar a pele nua de uma forma que poderia
ser puramente acidental, mas fazia todos os pelos de seu corpo se
arrepiarem e tremerem.
— Ah! Sr. Buckworth! — A voz de Slughorn a tirou de seus pensamentos.
— Sr. Buckworth, venha conhecer meus amigos aqui.
Um homem alto da idade de seu avô se aproximou, estendendo a mão para
Slughorn. Ela sentiu Draco se mexer ao lado dela, e ela olhou para ele
rapidamente para ver que ele estava focado apenas no Sr. Buckworth.
— Sr. Buckworth, você conhece meu amigo Draco Malfoy, certo? —
Slughorn gesticulou para Draco com seu copo de conhaque. Hermione
pensou ter sentido uma gota caindo em seu pé.
Buckworth olhou para Draco.
— O filho de Lucius. Olha só. Você tem feito barulho! — Buckworth sorriu
e apertou a mão de Draco.
Com a menção de Lucius, Hermione checou Draco, esperando que seu olho
estremecesse ou que suas penas se eriçassem por ser chamado de "filho de
Lucius". Draco sorriu. E apertou sua mão com entusiasmo.
— Obrigado, Buckworth. Meu pai fala de você com muito carinho. E você,
é claro, conhece Hermione Granger?
Ela sentiu um leve empurrão nas costas e deu um passo à frente para apertar
a mão de um amigo de Lucius Malfoy. Pelo segundo dia consecutivo, o som
de seu primeiro nome nos lábios de Draco interrompeu seus processos
cerebrais.
— Não sei se tive o prazer! — O sorriso do Sr. Buckworth era gentil, e ela
apreciou que seus olhos não percorreram seu corpo como tantas das pessoas
a quem ela foi apresentada esta noite. — Rhett Buckworth, senhorita
Granger.
— É um prazer conhecê-lo, Sr. Buckworth. Você conhece Horace de
Hogwarts?
— Er, sim e não. — Sr. Buckworth riu e Slughorn riu em seu conhaque. —
Apesar de ser um péssimo aluno em Hogwarts, trabalhei com Horace
depois de meu tempo lá, trabalhando com poções e coisas do gênero.
— Oh, maravilhoso, — disse Hermione.
— Diga-me, Sr. Buckworth, você ainda mantém contato com Geoffrey
Townsend?
Hermione olhou para Draco. Ele tinha um brilho nos olhos que ela
reconheceu, mas era tão fraco que ela tinha certeza de que ninguém mais o
veria.
— Geoffrey? — O Sr. Buckworth inclinou o tronco, como se não tivesse
ouvido direito. — Meu! Não vejo Geoffrey há anos! Excelente pocionista,
não é, Horace?
Slughorn murmurou algo em seu copo.
— Granger teve uma reunião com ele na semana passada, — Draco disse.
Hermione piscou para ele. Ele não estava lá no jantar também? Draco olhou
para ela e deu-lhe o menor aceno de cabeça que ela não poderia sonhar em
interpretar corretamente.
— Isso está certo? — disse o Sr. Buckworth. — Ele sempre adorou me
derrotar no Quadribol na escola. Como está o velho?
Hermione virou-se para o Sr. Buckworth.
— Ele é maravilhoso. Tive um encontro adorável com ele. — Ela sentiu a
mão de Draco em suas costas, pressionando levemente. Ela deu um giro. —
Estávamos discutindo meu projeto atual, a Política do Lobisomem. Vamos
levá-lo ao Wizengamot no próximo mês, tentando obter direitos iguais de
emprego e educação para os lobisomens. O Sr. Townsend foi tão generoso,
ele prometeu uma quantia considerável para nossa meta de arrecadação de
fundos.
— Oh? — disse o Sr. Buckworth. E Hermione observou os lábios do
homem se contorcerem e seus olhos se estreitarem. Ela tinha dito algo
errado? Ele continuou: — Então Geoffrey ainda está gastando seu dinheiro,
não é?
Draco riu ao lado dela. Hermione sentiu como se estivesse perdendo
alguma coisa. Ela não deveria mencionar a arrecadação de fundos?
— Quanto ele prometeu? — Sr. Buckworth perguntou, olhos semicerrados.
Hermione piscou para ele.
— Eu acho que apenas metade do necessário, — Draco forneceu, olhando
para ela como se precisasse de confirmação de seus fatos. O brilho ainda
estava em seus olhos, e ela o reconheceu. Ela tinha visto isso antes nele.
Isso significava que ele estava ganhando.
— Claro que sim, — o Sr. Buckworth murmurou. Ele olhou para um ponto
sobre o ombro de Hermione, então trouxe seus olhos de volta para ela. —
Na sua próxima reunião, você diga a ele que seu velho amigo Rhett igualou
sua doação. — Ele olhou para Draco. — E ele enviou uma linda cesta de
frutas na manhã de segunda-feira.
O que... o que acabou de acontecer?
Draco riu, dizendo algo sobre a generosidade do Sr. Buckworth e apertou
sua mão. Eles fizeram algum tipo de piada sobre como a fruta favorita de
Draco eram aqueles morangos com cobertura de chocolate, e Hermione
sentiu o polegar de Draco roçar em sua pele novamente. Como elogio.
Slughorn chamou a atenção do Sr. Buckworth com uma velha história sobre
lagartas, e Hermione virou-se para o ombro de Draco.
— Eu não tenho ideia do que acabou de acontecer, — ela sussurrou.
— Você acabou de garantir sua arrecadação de fundos para seu primeiro
projeto, Granger. — Sua voz passou pelo topo de sua cabeça e desceu por
seu pescoço.
— Eu... eu não fiz nada, no entanto.
— Você foi perfeita.
Ele a estava ensinando, como havia prometido.
Ela estava feliz por eles terem acabado de garantir o financiamento para o
Projeto Lobisomem. Ela estava confusa sobre como eles tinham feito isso,
mas ela se sentiu um pouco tonta.
Enquanto Slughorn chamava a atenção de um cavalheiro que passava,
Draco se inclinou para sussurrar em seu ouvido.
— Preciso falar com Horace sobre uma coisa, mas este senhor aqui é o
professor mais jovem de Hogwarts. Ele também é nascido trouxa.
Ela olhou em seus olhos cinzentos e assentiu. Esta era sua oportunidade de
discutir o Programa de Integração dos Nascidos Trouxas com alguém que
pudesse realmente apoiá-la.
Draco apertou a mão do professor e deu um passo para o lado com
Slughorn – a mão deslizando pelas costas dela enquanto ele se afastava, o
polegar roçando a pele – enquanto Hermione se apresentava. Ela observou
com o canto do olho quando Draco fez uma pergunta a Slughorn, e os olhos
do homem mais velho se arregalaram e ele acenou com a cabeça
erraticamente. Slughorn escoltou Draco para longe, e Hermione
concentrou-se novamente em sua discussão com o professor de Hogwarts.
Vinte minutos depois, enquanto ela se despedia do professor, prometendo
manter contato, Draco ainda não havia retornado. Ela colocou a taça de
champanhe vazia em uma bandeja que passava e se virou para ver que a
dança havia começado no meio do salão. Ela caminhou em direção a um
pilar e procurou na sala por alguém familiar para conversar.
— Merlin, que visão!
Ela se virou para ver Blaise se aproximando dela, correndo os olhos sobre
seu vestido, seu cabelo.
— Olhos aqui em cima, Blaise. — Ela apontou para o rosto.
— Um pedido impossível.
Ela olhou para ele. Ele estava vestindo um terno rosa. Ela piscou para ele,
espantada com sua coragem.
— Alguém está no espírito do Dia dos Namorados, — disse ela.
Ele se inclinou com ela contra o pilar e disse: — Bem, presumi que a
maioria das mulheres solteiras estaria de vermelho para o Baile. Eu queria
ter certeza de que combinava com as fotos.
Ela sorriu.
— E como estão as perspectivas? Alguém chamou sua atenção?
— Além da companhia atual, você quer dizer? — Ele piscou para ela. —
Não há solteiras suficientes aqui, — ele lamentou, olhando para os
dançarinos. — Algumas aqui e ali, mas nem mesmo tenho meu par
adequado. Até Draco está aqui com alguém.
Ela sentiu o sangue gelar e o sorriso desaparecer de seu rosto. Ela olhou
para ele, procurando desesperadamente.
— O que?
Blaise manteve os olhos na multidão.
— Alguma modelo linda em um vestido dourado.
Hermione franziu a testa, tentando sugar o ar. É por isso que ele estava com
detalhes dourados. Para combinar com uma garota diferente em um vestido
dourado. Por que ele...? Ele estava com ela agora?
Ela se virou para examinar a pista de dança, procurando por dourado.
— Granger. — A voz de Blaise a puxou para olhar para ele. Ela apertou os
lábios, tentando impedi-los de tremer. Blaise levantou uma sobrancelha e
sorriu para ela.
— Eu quis dizer você.
Ela piscou para ele, enquanto seus lábios carnudos se abriam em um
enorme sorriso. Seus olhos se enrugaram. E ele bufou.
— Oh... — Ela sentiu suas bochechas esquentarem. — Oh não. Er, Draco e
eu não estamos...
Blaise riu.
— Oh, você está com tantos problemas, Granger...
— Não, quero dizer... O que eu quis dizer foi...
Blaise se curvou, com as mãos nos joelhos. Sua risada estava crescendo ao
redor deles.
— Isso não é... hum... — Hermione gaguejou.
Blaise se levantou, enxugando as lágrimas dos olhos.
— Merlin, estou feliz por ter esclarecido. A primeira garota em um vestido
dourado que você encontrasse teria sido Avadada na hora!
Hermione sentiu como seu rosto estava quente e balançou a cabeça para ele.
— Eu não quis dizer...
— Boa sorte esta noite, Granger. — Blaise apertou seu ombro. — Não faça
nada que eu não faria. — Ele piscou para ela e a deixou cuspindo.
Hermione encontrou Draco um pouco mais tarde, do outro lado da sala
falando com um homem enrugado e grisalho. Eles se entregaram um ao
outro, tendo o que parecia ser uma conversa muito séria. Antes que ela
tivesse a oportunidade de vagar por ali, ela se deparou com várias pessoas
que conheceu na Gala de Ano Novo. Ela passou algum tempo alcançando-
as.
Ela estava se virando para se desculpar de uma conversa particularmente
chata, quando seus olhos pousaram em Viktor Krum, parado a três passos
dela, esperando para falar com ela.
Seus olhos brilharam quando ela o viu. Ele sorriu e ela não pôde deixar de
sorrir de volta.
— Herminny, — disse ele, e ela jogou a cabeça para trás e riu de como as
coisas nunca mudariam.
Ele pegou a mão dela e levou-a aos lábios. Ele não tinha envelhecido um
dia ao que parecia. Seu cabelo ainda era curto, seu pescoço e ombros ainda
eram largos e seus olhos ainda eram gentis. Ele usava túnicas vermelho-
escuras e, quando afastou os lábios da mão dela, ela pôde ver que seus
olhos eram castanhos-escuros, como ela se lembrava.
— Viktor, como você está? — Ela sorriu.
— Estou bem. — Seus olhos dançaram sobre seu rosto. — Você continua
linda.
Ela corou.
— Você ainda está jogando pela Bulgária, certo? Eu sei um pouco mais
sobre Quadribol hoje em dia porque conheço muito mais jogadores de
Quadribol!
— Sim. Eu enfrento seu Ronald Weasley em dois dias. — Ele olhou para
frente e para trás entre os olhos dela com a menção de Ron, então
continuou. — Você está trabalhando com Draco Malfoy?
— Sim, — ela disse. — Estou liderando uma filial de Relações Não-
Bruxas.
— E o que isso significa? — Ele sorriu.
— Eu posso ajudar Criaturas Mágicas e Nascidos Trouxas. — Ela
mergulhou. — Há um projeto no qual estou trabalhando agora que pode ser
do seu interesse... — Ela olhou para ele através de seus cílios e viu que ele
ainda estava com ela. — Você conhece os Pomos de Ouro?
Dez minutos de conversa leve e Hermione tinha Viktor comendo na palma
de sua mão. Ele acenou com a cabeça para tudo o que ela disse e concordou
com todas as injustiças contra os passarinhos. Ela disse a ele que estava
pensando em contatá-lo, para obter alguma publicidade, e ele ficou
emocionado com a ideia de ouvi-la novamente.
Ela estava prestes a mencionar outro fato enfadonho sobre a população do
Pomo de Ouro quando o quarteto de cordas atrás dela começou um novo
movimento. Hermione se virou para olhar, reconhecendo a melodia, e
quando ela olhou de volta, Viktor estendeu a mão.
— Dance comigo de novo, Herminny?
Ela assentiu e colocou a mão na dele. Ele a levou para a pista de dança,
juntando-se a outros casais. Eles se encararam, e Hermione estava tão feliz
por ter acabado de dançar com a Srta. Truesdale.
A valsa francesa começou a tocar.
Viktor fez uma reverência, mantendo os olhos nela.
Ela sorriu para ele e fez uma reverência quando chegou a vez da dama. Ela
pensou que a Srta. Truesdale ficaria muito orgulhosa de quão profunda foi
sua reverência.
Ela pousou nos braços de Viktor, uma mão em seu ombro, a outra em sua
mão, e eles valsaram. Ele a apertou contra ele enquanto a levantava, a seda
esquentando contra sua pele, e ela riu quando ele a colocou no chão.
Isso foi fácil. Foi tão fácil dançar com Viktor Krum, como se o tempo não
tivesse passado. Como se não houvesse guerra e Cedric Diggory ainda
estivesse vivo, e Sirius e Remus e Snape e Fred e Dumbledore. Eles se
viraram um para o outro, e então ela seguiu o que lembrava, virando à
direita para encontrar o cavalheiro a dois casais de distância.
E seu coração parou quando era Draco Malfoy. De novo. Sorrindo.
A mesma dança. A mesma música. Os mesmos parceiros.
Seus olhos brilharam para ela antes de se curvar, assim como havia feito
cinco anos atrás. Quando ele se endireitou, ela sorriu, rindo baixinho. Ela
fez a melhor reverência que pôde.
— Do que você está rindo, Granger?
Ela se levantou e encontrou seus olhos, sorrindo.
— Coincidências.
Ele ergueu a mão direita. Ela trouxe a dela para ele, mas não a tocou, como
não havia feito cinco anos atrás. Só que agora por muitos outros motivos.
— Não acredito em coincidências, — disse ele. Eles começaram a virar um
ao redor do outro.
— Oh sério? — Ela sorriu de volta para ele, pensando se ele soubesse...
— Estou exatamente onde planejei estar. Assim como planejei estar aqui da
última vez que dançamos essa música.
Ela parou, de volta onde ela começou. Seu pulso zumbindo. Ele não poderia
querer dizer...
Ela observou quando ele sorriu para ela, os olhos brilhando, então se voltou
para sua parceira original.
— Herminny?
Ela se virou, com os olhos vidrados, e viu Viktor estendendo a mão para
ela. Ela pegou a mão dele assim que o próximo movimento começou.
Ela não conseguia respirar. Ela não podia...
Ela pisou nos pés de Viktor e ele grunhiu. Ela o deixou conduzi-la, girando,
e ela deixou seus olhos procurarem por Draco. Tentando localizá-lo entre os
dançarinos.
Viktor fez uma reverência. A dança foi feita? Apenas começou. Ela dobrou
os joelhos em uma reverência inapropriada e disse a ele que precisava de
uma bebida e estaria de volta.
Ela se virou, ignorando a voz búlgara perguntando se ela gostaria que ele a
pegasse para ela, os olhos correndo pela multidão.
Ela não conseguia respirar. Ela colocou a mão na barriga, sentindo a seda
dourada, e virou por um corredor silencioso.
Durante anos, ela sonhou sobre como o destino os uniu por apenas um
momento no Baile de Inverno. Ela pensou na maneira como ele olhou para
ela naquela noite, imaginando o que ele estava pensando.
Ela ouviu o clique de seus saltos. E então o estalo do couro de dragão.
Ela não estava pronta. Ela... O que ele quis dizer?
Ela ouviu o couro do dragão mais rápido.
— Granger.
Ela parou. Ela estava no final do corredor e ele logo atrás dela.
— Eu não queria... assustar você ou...
Ela ouviu o som frustrado dele empurrando o cabelo para trás. Ela queria
olhar para ele, mas não confiava em si mesma.
— Quando isso começou para você? Por favor, diga-me, — ela sussurrou.
Silêncio. E ela estava apavorada. Talvez não fosse isso que ele quis dizer.
— Quarto ano.
Havia pânico em seu peito, e alegria girava em torno dele. Ela se virou, e o
rosto dele estava tão apavorado quanto o dela.
— Eu ganhei. — Ela sorriu para ele.
Ele piscou para ela, confuso.
Ela fechou a distância entre eles, e seus olhos escureceram.
— Ah, sua idiota estúpida. — Ele estendeu a mão para ela, e ela quase riu
quando ele a beijou.
Ela enrolou as mãos no terno dele, atrás do pescoço e no cabelo dele,
pressionando o peito contra o dele. Seus lábios se moveram sobre os dela e
suas mãos deslizaram pela seda, para baixo e ao redor para agarrá-la.
Ele os conduziu até uma porta, pressionando-a contra ela enquanto a abria.
Ela caiu em uma pequena sala de estar. Ela recuperou o equilíbrio quando a
porta se fechou, e então suas costas foram pressionadas contra ela.
Ele estava ofegando contra seu rosto e ela se ouviu ofegante. Seus olhos
cinzentos estavam dançando sobre ela, e ela sentiu a mão dele traçando suas
costelas através da seda. Ela sentiu a testa dele contra a dela.
Ela podia ver uma lareira, cadeiras e sofás.
— Você sabia que esta sala de estar estava aqui? — Ela olhou para ele com
desconfiança.
— Granger, você me conduziu por este corredor, não o contrário. — Ele se
inclinou, pairando sua boca perto da dela. — Mas, sim, já estive aqui antes.
Minha mãe e eu tomamos chá naquelas cadeiras no mês passado.
— Sinto falta da sua mãe.
— Vamos falar sobre ela mais tarde, certo?
Ela sorriu e pressionou os lábios contra os dele. Ela ainda estava com as
mãos emaranhadas no cabelo dele e aproveitou a oportunidade para passar
os dedos por ele. Ele gemeu e suas mãos apertaram o traseiro dela,
trazendo-a para mais perto de seus quadris.
— Me diga o que você quer. — A respiração dele embaçou sobre os lábios
dela, as mãos dele correndo ao longo de seu torso, deslizando mais perto de
seu peito. Uma mão roçou seu seio e ela engasgou.
— Tudo.
Ele deixou cair a cabeça em seu ombro e gemeu.
Então ela estava sendo levantada. Ela engasgou, o braço dele em volta de
sua cintura a tirou da porta, virando-os. Ela agarrou seu ombro, e ele os
levou para a sala. Ela teve um momento para olhar a lareira, as poltronas,
antes de cair, pousando em um sofá de pelúcia. A parte de trás da sala
ficava do lado direito, a lareira do lado esquerdo.
Ela recuperou o fôlego pouco antes de Draco se sentar e começar a tirar a
jaqueta.
Oh, Deus, por favor.
Ela estava ofegante quando ele se abaixou sobre ela. O candelabro acima
deles cintilou e iluminou perfeitamente o cabelo dele, como ela sempre
sonhou.
— Diga-me quando parar.
Ela quase riu disso, mas então ele a estava beijando novamente. Ele se
ajoelhou acima dela, ambos os joelhos ao lado dela, e uma mão apoiada no
sofá, enquanto a outra se movia de seu quadril até seu peito novamente. Ela
engasgou contra seus lábios quando ele apertou seu seio, passando o
polegar por ele.
— Oh, Deus, Draco.
Ele mordeu o lábio dela, uma dor pungente. Ele rapidamente se afastou. Ela
pressionou a língua contra a picada.
— Sinto muito, — ele murmurou, agarrando-se ao pescoço dela novamente
enquanto continuava a brincar com ela através da seda.
Ela levou as mãos até os lados dele, sentindo os músculos dele tremerem.
Ela o queria em cima dela, pressionando contra ela. Por que ele estava tão
longe?
— Mais. Por favor, Draco.
Ele estremeceu e bufou contra seu pescoço. Ela moveu as pernas,
levantando o joelho esquerdo, sentindo a seda deslizar pela coxa em direção
à cintura. O joelho dela pressionou contra o quadril dele e ele começou a se
mover. Ele se abaixou sobre ela, pressionando seu peito contra ela e ela
suspirou.
— Melhor?
— Sim, Deus.
Ela podia sentir seus quadris contra os dela, podia senti-lo, duro contra ela.
Ele a beijou, ela se moveu sob ele e ele engasgou. Ela adorou. Ela fez isso
de novo e ele puxou sua boca da dela.
Ele deslizou a mão entre suas costelas para tocar seu seio novamente. Ela
gemeu e então ele revirou os quadris e ela gritou, agarrando seus ombros.
— Diga-me quando parar, — ele sussurrou contra sua boca e revirou os
quadris novamente.
Na terceira vez, ela encontrou os quadris dele com os dela e praguejou. Ele
estremeceu e gemeu. Ela levantou os quadris novamente, mas ele estava
parado.
— Eu não posso... eu preciso...
Ele estava se afastando e ela estava apavorada. Ele ergueu os quadris. Então
ele se inclinou sobre ela novamente, e ela pôde sentir a mão dele em seu
quadril esquerdo, deslizando sob a seda.
Ela suspirou e ele beijou seu pescoço novamente. Ela olhou para o lustre e
os dedos dele seguiram a linha de sua calcinha, chegando mais perto.
Ele a tocou sobre o tecido e ela virou a cabeça para morder sua orelha. Ela
sentiu a respiração dele em seu pescoço, quando ele a tocou novamente.
— Deus, por favor, por favor, por favor, — ela ofegou.
— Diga-me... Diga-me quando parar.
— Por que você esta... — ela gemeu quando ele a tocou novamente. — Por
que você pararia? O que está errado?
Ele olhou para ela, as bochechas rosadas e a testa úmida.
— Se você quer que eu pare... se você quiser parar... — Ele estava ofegante,
seus olhos brilhando para ela.
— Por que diabos nós pararíamos?!
Ela prendeu a respiração quando os olhos dele percorreram seu rosto.
— Porque... porque eu sou virgem? — Ela lambeu os lábios. — É por isso?
— É por isso que você nos parou da última vez.
— Eu nos parei? Você nos parou! — Ela começou a se sentar e ele se
apoiou nos calcanhares.
— Você disse que nunca... Então eu me afastei!
— Sim, eu me lembro. — Ela rosnou para ele. — Mas eu nunca pedi para
você parar!
Suas sobrancelhas se juntaram e sua boca se abriu. Ele parecia tão jovem.
Então seus olhos cinzentos ficaram escuros.
— Se você não me disser para parar, então eu vou foder você, Granger.
Bem aqui neste sofá.
Ela estremeceu e engasgou.
— O que você está esperando?
Ela sentiu suas bochechas corarem com sua ousadia, pouco antes de ele
empurrá-la pelos ombros, suas costas caindo nas almofadas. Ele se inclinou
sobre ela, os olhos a observando. Então ele levou as mãos à frente do
vestido dela e o rasgou ao meio. Ela engasgou.
— O que você está...?
— Vou comprar mil vestidos para você, — ele disse quando seus lábios
pegaram os dela. E seu pulso saltou com a promessa.
Ela tinha começado a se perguntar como deixaria a mansão do governador,
quando Draco deslizou seus lábios por sua bochecha, sugando um caminho
até sua clavícula, e descendo em direção ao seu seio esquerdo. O sutiã dela
era inútil quando Draco pressionou um beijo de boca aberta contra ela sobre
o tecido. Ela agarrou o cabelo dele, pressionando-o mais perto, e levantou a
perna para se mover contra o quadril dele.
Seus dedos começaram a reunir o material nas pernas dela, empurrando-o
até a cintura e ele recuperou o caminho que havia encontrado antes,
circulando mais perto de seu núcleo. Um de seus dedos mergulhou por
baixo e encontrou seu precioso ponto doce imediatamente. Ela arqueou os
quadris e chorou e Draco correu os dentes ao longo do topo de seu seio.
Ele começou um ritmo torturante contra seu núcleo, girando e esfregando e
Hermione fechou os olhos e sentiu tudo.
Ela estava subindo e não percebeu que a boca dele havia deixado seu peito
até que ela o ouviu falar.
— Olhe para mim.
Ela abriu os olhos e o encontrou olhando para ela. Ela mal teve tempo de
ficar envergonhada com o que presumiu que seu rosto estava fazendo antes
que ele a girasse novamente e torcesse a mão, pressionando um dedo dentro
dela.
Ela agarrou o braço do sofá atrás da cabeça e se desfez.
Ela deslizou seu olhar para o lustre acima dela, observando os muitos
cristais em espiral saindo do centro e continuando a dançar no espaço.
Ela engasgou e balançou e apertou as coxas juntas, segurando-o dentro dela.
Quando ela flutuou para baixo, Draco ainda a estava observando.
Bochechas rosadas e suor umedecendo seu cabelo. Sua boca estava
entreaberta e ele ofegava. Ela podia ver sua língua correndo sobre os dentes
inferiores.
Ele retirou a mão dela e ela mordeu o lábio para não gemer.
Ela se sentou. E ele se afastou para deixá-la. Ela tirou o vestido dos ombros
e puxou até conseguir tirar o sutiã e jogá-lo para o lado. Quando seus braços
voltaram, ela o viu lamber os lábios e colocar a mão esquerda no encosto da
poltrona para se apoiar. Ela estendeu a mão e começou a desabotoar a
camisa dele. Material tão fino.
Ele ficou sentado imóvel, observando-a despi-lo, e ela sentiu os olhos dele
comendo-a viva. Sem sutiã, e despindo-o.
Ela estava na metade antes de vê-la. Uma tênue linha irregular começando
em sua clavícula e descendo por seu peito. Ela puxou o lado direito de sua
camisa para trás e descobriu onde a linha rachou sob seu coração e
ricocheteou em seu estômago.
Sectumsempra.
Ele arrancou as mãos dela dele, agarrando seus pulsos. Ela olhou para ele e
sua mandíbula estava apertada, olhando para longe dela. Ele respirou fundo
para se acalmar e virou a mão direita dela, beijando a parte interna do pulso
dela.
Ela o deixou beijar seu braço mais duas vezes antes de se jogar nele.
Ela bateu os dentes contra os dele e ele grunhiu. Ela se afastou, levando a
mão aos lábios doloridos. Ele riu. E o som ricocheteou pela sala,
aquecendo-a.
Ela tentou estender a mão novamente, mas os restos do vestido estavam
escorregando sob ela. Ela bufou e jogou as pernas para fora do sofá, ficando
de pé e empurrando o vestido para o chão. Ela estendeu a mão e tirou cada
um de seus saltos, e não foi até que ela se virou para voltar para ele que ela
percebeu que estava na frente dele apenas de calcinha. E ele ainda estava
completamente vestido.
Não que isso a incomodasse nem um pouco. Ela observou seus olhos
correrem por seu corpo, e seus braços se contraíram para cruzar seu peito.
Ela os manteve abaixados.
— Tire as calças.
Ela mal podia acreditar que as palavras haviam saído de seus lábios. Nem
ele, aparentemente. Seus olhos se arregalaram e escureceram de uma só
vez. Ele olhou para ela e respirou fundo.
— Quero dizer... — ela disse, soando um pouco mais como ela mesma. —
É para onde estamos indo com isso, sim?
Ela estava diante dele no sofá. Ele ainda estava de joelhos, onde estava
antes de ela se levantar e tirar o vestido. Ele sorriu sombriamente para ela, e
em um movimento fluido ele ficou bem na frente dela no pequeno espaço
entre ela e o sofá.
Ela respirou fundo e seus seios tocaram a camisa dele. Ela queria dar um
passo para trás, dar-lhe algum espaço, mas ela se manteve firme. Ela olhou
para ele, esticando o pescoço à pequena distância.
Seus lábios estavam entreabertos, e ela o ouviu respirar enquanto seus seios
roçavam contra ele com cada uma de suas inalações.
Ele moveu as mãos para a fivela de seu cinto, os nós dos dedos varrendo
sua barriga. Ela engasgou. Seus lábios se curvaram.
Ela ouviu os sons ásperos do metal e os botões de suas calças deslizando.
Ela manteve os olhos nos dele, percebendo-se respirando mais rápido só
para sentir a carícia em seus seios.
Um de seus dedos continuou a roçar seu estômago enquanto ele
desabotoava, cada vez mais baixo. Ela lambeu os lábios. Ele engoliu.
Do fundo de sua linha de visão, ela viu suas mãos chegarem à cintura e,
lentamente, ele empurrou as calças pelos quadris. Ela as ouviu bater no
chão e algo empurrou seu estômago, caindo com ele quando ele caiu para
trás para se sentar no sofá. Ela colocou as pernas de cada lado dele e se
prendeu a sua boca enquanto seus dedos agarravam o resto dos botões de
sua camisa.
Ele gemeu contra ela, e ela podia sentir o tecido de sua cueca contra suas
coxas. As mãos dele subiram até os quadris dela, apertando e passando os
dedos por ela suavemente.
Ela terminou com o último dos botões de sua camisa e abriu a camisa. Ela
colocou as mãos em seu estômago, e ele engasgou. Ela empurrou a língua
em sua boca e ele inclinou a cabeça para trás. Ela empurrou a camisa pelos
braços dele.
Ela moveu os joelhos para fora, tentando se aproximar dele, e então trouxe
seus quadris para baixo nos dele.
Eles ofegaram juntos, sugando o ar entre eles. Ela podia senti-lo duro contra
seu centro, e ela sabia que estava molhada e quente. Ela fechou os olhos,
apertou os lábios e girou os quadris contra ele, sentindo-o pressionar contra
ela. Um prazer agudo percorreu sua espinha e ele agarrou seus quadris,
deixando escapar um som tenso.
Ela passou as mãos pelo cabelo dele e se moveu novamente. Seus quadris a
perseguiram, mas então seus dedos estavam pressionando hematomas em
seus ossos do quadril, e ele a manteve imóvel.
— Draco, por favor.
Ele estendeu a mão, segurando-a para ele, e virou-os até que ela estivesse
de costas novamente, com ele pressionando contra ela no sofá.
Ele respirou contra o rosto dela e ela olhou para ele enquanto ele mantinha
os olhos fechados.
Eles se abriram e ele olhou para ela.
— Tem certeza?
— Sim, — ela murmurou. — Sim Sim Sim.
A mão ainda em seu quadril começou a puxar sua calcinha, deslizando-a
para baixo, e ela ergueu os quadris para ajudá-lo.
Ela estava ofegante de uma forma particularmente pouco atraente, mas ele
não parecia se importar. Ela se abaixou para ajudá-lo com a cueca, mas ele
a estava tocando novamente. Ela jogou a cabeça para trás e olhou para seu
lustre favorito na história dos lustres.
Ele empurrou um dedo dentro dela e ela cantarolou. Então ele trabalhou um
segundo, e ela fechou os olhos, pressionando os lábios. Ela podia sentir a
respiração dele em seu pescoço e ele começou a mover a mão.
Os dedos dele eram mais grossos que os dela, e a pressão era boa. Boa
demais.
— Draco, por favor. Por favor por favor. — Ela abriu os olhos e o
encontrou olhando para ela. — Chega disso, por favor.
— Shh. — Ele soprou em seu rosto, silenciando-a enquanto ela
choramingava. — Confie em mim.
Ele se moveu dentro dela por alguns golpes, abrindo e torcendo, então
pressionou contra seu ponto doce e sua boca se abriu em um gemido.
— Estou pronta, estou pronta. — Ela engasgou. E ela soltou as almofadas
onde as segurava e agarrou o cabelo dele, trazendo o rosto dele para o dela.
Ela começou a beijá-lo, implorando, e ele afastou a mão, tirando a cueca.
Ela o sentiu em sua entrada e abriu os olhos para olhá-lo. Ele pressionou
sua testa contra a dela, e ela assentiu.
Ele empurrou para dentro dela, e era apertado. Ela mordeu a língua para não
dizer isso. Ela fechou os olhos com força, um beliscão e uma pressão, e por
que as pessoas faziam isso?
Ela cerrou os dentes e o sentiu soltar um suspiro em seu rosto. Ela abriu os
olhos, e os olhos de Draco estavam fechados com força, mandíbula
apertada. Se também o estava machucando, talvez devessem parar? E então
ela viu sua mandíbula relaxar e reconheceu o prazer cru em suas feições. E
foi ela quem deu a ele.
Ele abriu os olhos para olhá-la, e eles estavam quentes, e ela estremeceu.
— Tudo bem? — ele perguntou.
Ela assentiu.
Ele se afastou e entrou nela novamente, lentamente. A pressão do beliscão
ainda estava lá, mas agora ela podia observar o rosto dele, enquanto ele
fechava os olhos. Na terceira vez, ele inclinou a cabeça para frente e a
beijou, deixando sua língua vagar em sua boca e empurrando e puxando ao
mesmo tempo que seus quadris.
Isso era melhor. Suas mãos estavam em seus ombros e ela deixou suas
unhas cravarem.
Ele deixou uma mão subir e acariciar seu seio.
Isso era melhor também. Ela sentiu um pouco daquela eletricidade
novamente, e isso a acalmou.
Ele deixou a mão trilhar por seu estômago, arredondando seus quadris e
puxou seu joelho ligeiramente para cima, e foi como se ele deslizasse mais
fundo. Ela não era uma grande fã, mas conseguiu observar o rosto dele e
ouvi-lo grunhir.
Isso era muito melhor.
Ela o observou, seus olhos fechados e sua respiração ofegante, e o suor
escurecendo seu cabelo. A cada poucos impulsos, ele arrastava o lábio para
dentro da boca e o soltava no próximo impulso. Ela gostou disso.
Ela estava se acostumando com o ritmo, começando a contar as estocadas
quando os olhos dele se abriram. Ela observou sua respiração mover seu
cabelo.
— Posso ir mais rápido?
Sua voz estava baixa e rouca, e era tudo que ela queria. Ela assentiu. Ele
estalou os quadris e observou a reação dela. Ela apertou os lábios e acenou
com a cabeça para que ele pudesse continuar.
Ele aproximou sua testa da dela novamente e baixou a parte superior do
corpo sobre ela. Ele agarrou a perna que estava ao redor de seu quadril e a
segurou lá enquanto seus quadris se moviam.
Isso era... melhor.
Pelo menos ela podia sentir o peito dele contra o dela, seus seios o
esfregando.
Então a mão que segurava a perna dela deslizou, e no pouco espaço que ele
tinha, ele a tocou novamente.
Isso era o melhor. Sim, isso era o melhor.
Ela gemeu quando empurrou contra ele. Ela quase queria que parasse, então
ela apertou rapidamente, e o ritmo de Draco tremeu. Ele o encontrou
novamente, bem a tempo de ela tentar apertar novamente. Ele gemeu e
ficou ainda mais rápido. E seus dedos brincaram com ela ainda mais rápido.
Ela sentiu o suor entre seus corpos e estava começando a ofegar. Isso era o
melhor. Isso era sexo e era o melhor.
A mão que o sustentava, segurando-o acima dela, começando a se enrolar
em seu cabelo. Ela sentiu um leve puxão e os lábios dele em seu pescoço, a
mão dele entre seus corpos e os dedos dele em seu cabelo.
— Porra... — ele sussurrou.
E ela gemeu. E ele escorregou e trabalhou mais duro. Ela estava no topo e
olhou para o lustre, mordeu o lábio e ele deu um leve beijo em sua
bochecha.
E ela gemeu, deixando sua mente se fechar e seu corpo se abrir.
Ela agarrou as costas dele, ele estalou os quadris e ela chorou, e o apertou.
Ele diminuiu a velocidade quando ela se desfez e, assim que ela gozou, ela
abriu os olhos e ele a observava.
Ela engoliu em seco e sorriu. E ele estalou seus quadris contra ela mais
quatro vezes antes de gemer e tremer.
Ela observou seu rosto, sua mandíbula abrir e seus olhos fechar. Ele deixou
cair a cabeça em seu peito e respirou fundo, o ar quente contra sua pele.
Uma mão ainda estava segurando seu cabelo, e a outra apertada em seu
quadril. O corpo dele era pesado contra o dela, e ela lentamente passou as
mãos pelos ombros dele, pelas costas e pelo cabelo molhado, repetindo o
movimento várias vezes como ondas.
Ela se perguntou se talvez eles dormissem assim. Então ela sentiu os lábios
dele roçando o topo de seu seio, a língua dele saindo para provar o suor em
seu peito. Então ele se mexeu e deslizou para fora dela.
Foi uma sensação estranha.
Seus braços tremeram quando ele se levantou, ajoelhando-se sobre ela. Ela
se lembrou de como estava nua quando ele deu uma última olhada nela
antes de se levantar e ofereceu as mãos para que ela pudesse se sentar.
Eles se vestiram. Bem, ele se vestiu e então transfigurou um manto para ela
com seu vestido rasgado. Ele encontrou um pote de pó de Flu no manto, e
depois que ela desistiu de procurar sua calcinha, ela se juntou a ele na
lareira, segurando seus sapatos.
— Se você está planejando voltar para lá, — ela disse. — Você vai precisar
se olhar no espelho primeiro.
Seu cabelo estava uma bagunça, seu rosto estava corado e o batom dela
estava em cima dele.
Ele acenou com a cabeça para ela.
— Vou inventar desculpas para você.
Hermione assentiu, imaginando todo tipo de coisas.
" Granger teve que ir. Ela foi bem e verdadeiramente fodida e agora ela
precisa de um descanso."
" Por favor, desculpe Granger, ela está procurando sua calcinha."
Ela olhou para cima e ele estava olhando para ela. Ele se aproximou dela e
a beijou levemente nos lábios. Ela engoliu em seco e ele jogou o pó na
lareira. Ela atravessou e murmurou sua localização.
Ela observou os olhos dele girarem para longe dela enquanto as chamas a
lambiam.
Ela saiu na sala de estar. Era tarde.
Ela largou os sapatos, virou-se e foi até o quarto de Ginny. Ela estava
dormindo.
Hermione sentou na cama de Ginny e balançou seu ombro.
Os olhos de Ginny se abriram lentamente.
— Ei. Você se divertiu?
Hermione a encarou.
— Eu preciso que você me ensine o Feitiço Contraceptivo.
Ginny estava repentinamente bem acordada.
Capítulo 32.
O coração de Hermione parou quando Ginny disse a ela que o feitiço
anticoncepcional precisava ser lançado antes.
Então ela começou a chorar quando Ginny disse que tinha uma poção que
se podia tomar no dia seguinte.
Ginny deu um pulo e pegou a poção. Enquanto Hermione soluçava e
engolia em seco, Ginny a observou.
— Então... essa era a minha última, — Ginny disse. — Então, vamos
precisar preparar ou comprar mais... — A voz de Ginny se elevou no final.
— Claro. Eu pagarei por um novo lote para você. — Hermione enxugou os
olhos.
— Certo. — Ginny disse, observando-a. — Devemos estar comprando o
dobro?
Hermione olhou para ela.
— Ou esta é a única vez que você vai precisar de uma poção por um
tempo?
Ginny estava cavando, e Hermione estava exausta demais para descobrir.
— Quero dizer, — Ginny disse. — Para a próxima vez...
Hermione piscou.
— Acho que vou me lembrar do Feitiço da próxima vez.
Ginny se lançou sobre ela, agarrando seus ombros e tremendo.
— ENTÃO HAVERÁ UMA PRÓXIMA VEZ?!
Enquanto seu corpo era sacudido e seu torso montado e abraçado como uma
boneca, Hermione finalmente percebeu o que Ginny estava perguntando.
Ginny se afastou.
— O que você está vestindo? Onde está o seu vestido?
— Ele rasgou.
Ginny caiu da cama.
Haveria uma próxima vez?
Hermione cobriu seus chupões tanto frescos quanto velhos, e olhou para seu
reflexo.
Eles não tinham discutido isso. Como isso funcionaria? Ou não ia? A noite
passada era tudo o que haveria?
E antes mesmo que o Contrato de Amor pudesse passar por sua mente, uma
bicada na janela revelou a coruja com o Profeta de hoje.
Maravilhoso.
Ela o pegou da perna da coruja e o levou para a sala de jantar. Ela abriu a
dobra.
E lá estava ela na primeira página, descendo uma grande escadaria e
deslizando sua mão na de Draco.
Ela se sentou e jogou o papel pela sala, colocando a cabeça entre as mãos.
Trinta segundos depois, ela o pegou novamente, alisou e leu a homenagem
amorosa de Rita ao Baile do Dia dos Namorados. Felizmente, Rita havia
descrito os dois como membros do Grupo de Consultoria Malfoy, e não a
Heroína de Guerra Hermione Granger ou o Ex-Comensal da Morte Draco
Malfoy. Pelo menos poderia haver alguma boa publicidade para o GCM.
Ela se sentou e tomou um gole de café e se perguntou o que fazer com sua
manhã. Ginny já tinha ido embora, e Hermione não precisava se preparar
para Cornerstone até perto do meio-dia, por insistência de Morty.
Ela havia tomado banho na noite anterior por insistência de Ginny. Ginny
começou a contar a ela todo tipo de... coisas interessantes, como se agora
estivessem ligadas por um conhecimento comum do mistério da vida.
Coisas que Hermione tinha ouvido ao longo dos anos, e havia arquivado
como "coisas de adultos", mas ela agora era uma adulta, ela imaginou.
— Você se sente diferente? — Ginny perguntou, assim que Hermione
estava fechando a porta do banheiro.
— Eu me sinto... dolorida.
Ginny assentiu com entusiasmo, explicando como ela e Harry tiveram que
esperar alguns dias antes de tentarem novamente, e quando o olho de
Hermione tremeu involuntariamente, Ginny riu e deixou que ela fechasse a
porta na cara dela.
Ela se sentia diferente?
Seu cérebro tentou articular isso enquanto o chuveiro lavava o cheiro dele.
Ela finalmente se arrastou até Cornerstone às onze e meia. Estava
estranhamente movimentado quando ela chegou e, embora Morty lhe desse
um olhar desapontado por ela ter entrado, ele ficou silenciosamente grato
por ela poder pular imediatamente e ajudar um senhor mais velho com
alguns livros da prateleira de cima.
A loja permaneceu movimentada durante todo o dia, o que não lhe deu
muito tempo para deixar sua mente vagar pela maneira como Draco enfiava
os dedos nos cabelos dela quando estava perto, ou como ele segurava os
quadris dela quando mudava o ângulo, ou o som baixo de sua voz quando
ele sussurrou: "Olhe para mim."
Não por muito tempo. Mas ela encontrou algum de qualquer maneira.
Quando Morty desceu as escadas pouco antes de fechar, ele se juntou a ela
no balcão enquanto ela terminava suas anotações no livro.
— Sua vida está se tornando interessante demais para continuar trabalhando
aqui, Srta. Granger.
Hermione sorriu e fechou o livro.
— O Sr. Malfoy entrou em contato com você?
Ela errou totalmente o pote de tinta enquanto tentava colocar a pena de
volta.
— Desculpe?
Morty limpou os óculos e olhou para ela.
— Ele esteve aqui. Cerca de quinze minutos após a abertura.
O coração de Hermione gaguejou.
— O que... O que ele queria?
Morty voltou a colocar os óculos no nariz.
— Bem, certamente não era um livro.
Os olhos de Hermione se arregalaram quando a sobrancelha de Morty se
ergueu.
— Eu... o quê...
— Eu avisei a ele que você estava de folga hoje, pois presumi que você
levaria o dia inteiro como eu disse.
— Ah, — Hermione disse. — Bem, acho que vou vê-lo no trabalho
amanhã.
Ela se virou do lojista magro e tentou processar isso.
Por que ele veio? O que ele queria?
Um calafrio a atingiu.
Ele queria esclarecer as coisas? Certificar-se de que ela sabia que não
aconteceria novamente? Ou como eles não deveriam discutir isso de novo?
Ela pensou em como ele foi para Nova York depois que eles se beijaram.
Como ele voltou frio e fechado.
Hermione rapidamente fechou a loja e foi para casa.
Na manhã seguinte, depois de mal conseguir dormir o suficiente para o dia,
Hermione foi acordada pelo peso suave de Ginny deitada ao lado dela em
sua cama.
— Ginny? — Ela esfregou os olhos. — São quatro da manhã.
— Sim, é a sua vez, Granger.
Hermione virou de lado e esperou que Ginny falasse. Ginny olhou para o
teto com os olhos arregalados. Ela não tinha dormido nada.
— Eu fiz uma coisa.
— O que há de errado? — Hermione afastou o cabelo do rosto.
Ginny olhou para ela. Então estendeu a mão e colocou algo no quadril de
Hermione.
Uma caixa de veludo que Hermione tinha visto na semana passada.
— Ah, Ginny. Não. — Hermione passou as mãos pelo rosto.
— Então, é verdade? — Os olhos de Ginny estavam arregalados e
lacrimejantes. — É isso?
— Onde você conseguiu isso?
— Ele disse a você? Isso é real?
Hermione mordeu o lábio.
— Sim, ele me disse.
— Quando? Esta noite no jantar?
— Sim, — disse Hermione. — Por que você tem isso?
— Ele está de folga. — Ginny olhou para o teto. — Ele está nervoso e
irritado e estávamos brigando e então eu fiquei nervosa, então revirei as
coisas dele.
— O que? Ginny...
— Oh, não me venha com essa moral elevada. — Ginny se virou para ela.
— Você vasculhou as memórias do seu namorado.
Hermione corou com o termo, e arrancou a caixa de seu quadril,
estendendo-a para ela.
— Você tem que colocar de volta. Coloque de volta antes que ele perceba.
Ginny passou as mãos pelos lençóis de Hermione.
— Eu estava pensando, — ela disse, — eu poderia mantê-lo comigo. Em
seguida, encontrá-lo no jantar e, enquanto ele estiver super inquieto e
chateado, retirar a caixa e pedir ele em casamento. — Ginny deu seu sorriso
maníaco.
Hermione piscou, observando uma expressão em seu rosto que ela
normalmente via em um par de gêmeos.
— Essa é a pior coisa que eu já ouvi.
— Não, mas seria engraçado. Ou talvez eu pudesse aparecer já usando e
então ele...
— Ginny. Deixe seu namorado propor a você. Ele só consegue fazer isso
uma vez.
Ginny engoliu em seco e acenou com a cabeça para o teto. Um sorriso se
espalhou lentamente em seus lábios rosados.
— Vou me casar com Harry Potter.
Ginny virou-se para ela, o rubor florescendo e suas sardas juntas. Ela riu.
Hermione riu.
— A menos que você devolva esse anel para ele, você não vai! Ele pode
muito bem morrer de um ataque de ansiedade se perceber que está faltando!
Hermione devolveu a caixa para ela, e Ginny jogou os braços ao redor dela,
apertando-a com força.
Ela apertou a bolsa contra o peito. Hermione estava no elevador para o
escritório, um pouco mais tarde do que ela normalmente chegaria.
Respire. O pior seria se alguém presumisse algo com base em sua
incapacidade de agir casualmente. Este era apenas mais um dia normal.
Respire.
As portas se abriram e ela foi atacada por corações flutuantes e flâmulas
cor-de-rosa.
Porra. Era o Dia dos Namorados.
Melody sorriu para ela.
— Bom dia!
Hermione murmurou algo de volta e rapidamente virou à direita para ir para
seu escritório. Ela sentiu o aperto no peito diminuir e percebeu que Draco
não estava na frente com o café, como estivera durante toda a semana
anterior.
Apenas mais um dia normal.
Ela respirou fundo e sentou-se à mesa. Antes que ela pudesse decidir o que
sua ausência poderia significar, Draco deslizou em sua porta, como uma
criança de meias em um piso de madeira.
— Granger. Sim, bom.
Ela estava congelada. Este homem tinha estado em cima dela dois dias
atrás. Ele afastou o cabelo do rosto.
— Er, Reunião da Equipe Sênior às nove, e então devemos nos encontrar
sobre as finanças da Política de Lobisomem. Depois do almoço?
Seus olhos estavam arregalados e havia rosa nas maçãs do rosto.
Ele estava envergonhado? Porque ela estava mortificada.
— Sim. Ótimo, — disse ela.
Ele acenou com a cabeça para ela e então saiu. Ela fechou os olhos,
esfregando as têmporas.
Apenas mais um dia normal.
— Er... — da porta. Ela olhou para cima, e Draco estava de volta. — Talvez
antes do almoço seja melhor. Se você estiver livre.
— Sim. Ótimo, — ela repetiu.
Ele assentiu e saiu. Para sempre desta vez. Ela se certificou.
Talvez Walter devesse se juntar a eles para a reunião? Ela não conseguia se
imaginar sentada sozinha com Draco em seu escritório, tentando discutir
alocações financeiras.
Ela respirou fundo e pegou seu calendário e sua pena. Sua mão parou no ar.
Uma xícara de café fumegante estava ao lado de seu pote de tinta.
Normal.
Normal. Normal.
Às nove, ela e sua xícara de café atravessaram o escritório repugnantemente
cor-de-rosa, passando por tigelas de chocolates e doces. Ela entrou na sala
de conferências e encontrou várias pessoas já sentadas. Draco estava
ausente.
Havia uma pequena pilha de doces na frente de cada cadeira da mesa e,
enquanto ela se sentava, Dorothea Bulstrode virou-se para ela.
— Feliz Dia dos namorados. — Ela empurrou um pequeno cartão em forma
de coração para ela, sem sorrir, e então voltou para seus chocolates.
— Er, obrigada, Dorothea.
Hermione abriu o cartão que dizia "Tenha um ótimo dia."
Na hora, Blaise Zabini invadiu a sala, corações palpitantes explodindo no
ar.
— Feliz Dia dos Namorados, pessoal! — Flâmulas voaram, chocolate
espalhado por toda parte, e os corações mágicos vibraram como borboletas,
zunindo pela sala.
— Eu espero que você vá limpar isso, Blaise? — Draco entrou atrás dele,
tomando cuidado para não pisar nos chocolates caídos.
— Sim, Sr. Malfoy, senhor.
Draco se moveu ao redor da mesa, e Hermione se sentiu muito quente
enquanto observava seu corpo de uma forma que nunca o havia observado
antes. Ele usava uma variação mágica em um terno, cinza com gravata.
Abraçou-o perfeitamente e Hermione afastou os pensamentos de suas
costelas da sua cabeça enquanto ele se sentava.
Ela olhou para seus chocolates e agarrou sua xícara de café para evitar que
suas mãos os alcançassem.
Draco sentou-se ao lado dela na cabeceira da mesa, e ela não conseguiu
dizer se ele olhou para ela uma vez, porque ela se recusou a olhar para ele.
— Como foi o fim de semana de todos? — Draco perguntou enquanto
organizava os papéis que trouxera. Hermione se pegou observando as mãos
dele.
Algumas respostas aqui e ali, antes de Blaise falar.
— Eu estava me divertindo muito na mansão do governador antes de
Granger entrar e chamar toda a atenção.
Ela olhou para ele e ele estava sorrindo de volta para ela. Hermione levou a
xícara de café aos lábios para se distrair.
— Sim. Blaise, Granger e eu fomos ao Baile dos Namorados no sábado, —
Draco disse. — Blaise conseguiu proteger algumas contas. Granger também
teve uma noite de sucesso.
Ela engasgou. Café quente, descendo por suas vias respiratórias.
Dorothea bateu com a mão nas costas dela.
Hermione acenou com a cabeça em agradecimento.
— A Política do Lobisomem agora está totalmente financiada, e ela estará
trabalhando na publicidade para a campanha do Pomo de Ouro a seguir, —
Draco disse. — Algo a acrescentar, Granger?
Ela olhou para ele e imediatamente corou.
— Não, — ela disse. — Isso define tudo.
— E aquele foi um bom recurso que Skeeter publicou no Profeta de ontem,
— acrescentou Wentworth. — Grande publicidade para a empresa e vocês
dois pareciam esplêndidos!
Tudo bem, Wentworth. Isso é o suficiente.
— Desculpe-me, Charles, — Blaise entrou na conversa. — Fui fotografado
na página três.
A hora seguinte foi de agonia. Ela não tinha ideia de como ele era capaz de
liderar uma reunião, estando na mesma sala que ela, sem parecer um
completo idiota. Enquanto Draco e Mockridge apresentavam o orçamento
projetado para março, detalhando as áreas onde precisavam cortar ou
avançar, Hermione ativamente manteve os olhos longe dele.
Fora de suas mãos. Fora de seu pescoço.
— E por último, — Draco disse. Fora de seus lábios. — Conseguimos
preencher o cargo de Relações do Wizengamot, e bem a tempo, já que
nosso primeiro encontro no Wizengamot é em algumas semanas. Cornelia
Waterstone começa na próxima segunda-feira.
Pedra D'Água. Essa era a mulher por quem Hermione insistira, que tinha
ótimas respostas sobre a dinâmica do escritório e uma formação
maravilhosa em direito.
Blaise fez beicinho. Ela também foi a mulher menos atraente que foi
entrevistada.
— Sr. Buckworth, nosso novo investidor da política dos lobisomens, nos
entregou uma cesta de frutas no Dia dos Namorados. Está com Melody,
então fiquem à vontade para pegar o que puderem antes que os Associados
levem tudo. — Draco se levantou. — Granger e eu estaremos trabalhando
no financiamento agora, mas estarei disponível depois do almoço para
qualquer coisa.
Agora? Agora mesmo? Ele disse antes do almoço, mas eram 10h. Ela
piscou para a mesa.
A equipe sênior começou a se levantar e sair. Blaise correu em volta de
todos eles, procurando a cesta de frutas. Ela não sabia como reunir todos os
seus materiais e sua xícara de café em tempo hábil com as mãos trêmulas.
Ela jogou a xícara de café vazia na cesta de lixo.
Quando ela finalmente saiu da sala de conferências, Draco estava esperando
por ela. Ele gesticulou para que ela mostrasse o caminho para seu escritório.
Walter? Ela precisava de Walter. Como em nome de Merlin ela deveria falar
sobre finanças com ele sozinha em seu escritório.
Ela olhou para a mesa de Melody e encontrou metade do escritório ao redor
da cesta de frutas, incluindo Walter.
Talvez ela devesse sugerir agarrá-lo?
Eles chegaram à porta de Draco e Hermione entrou, segurando suas
anotações. Ela se moveu para o centro da sala e se virou para ele, prestes a
perguntar sobre Walter, e observou enquanto ele fechava a porta atrás de si.
Ele se virou e recostou-se na madeira, colocando as mãos nos bolsos.
Oh Deus.
Ela puxou suas anotações sobre o peito como um escudo, sentindo os papéis
enrugarem sob seus dedos.
Ele nivelou seus olhos nela, ilegíveis, mas intensos.
— Você acha que vai conseguir ficar quieta, Granger?
Ela sentiu as palavras como uma faca em seu estômago. Era isso. Ele iria
ignorá-la e seguir em frente.
Ele não queria que ela falasse com ninguém sobre isso. Ele não queria que
ela mencionasse isso com ele...
Ele não a queria.
— Sim. — Ela assentiu, olhando para o tapete, o espaço entre os pés. —
Não, sim, eu entendo. — Seu estômago estava pesado.
Merlin, ele provavelmente estava preocupado com o Contrato de Amor.
Hermione estaria, se ela estivesse no lugar dele. Hermione tinha o poder de
destruir ele e esta empresa agora. Ele honestamente achava que ela iria?
Ela continuou: — Você não precisa se preocupar comigo. Não vou falar
sobre isso.
Ela olhou para ele, odiando a forma como sua visão ficou turva. Ela engoliu
em seco e tentou sorrir.
Ele estava imóvel, examinando-a. Seus olhos dispararam entre os dela, e
sua boca estava apertada. Havia uma tensão em suas feições que ela
reconheceu de Hogwarts.
Se ele ainda não estivesse parado na frente da porta, ela acenaria para ele,
sorriria e pediria licença para ir chorar em seu escritório. Talvez ela
precisasse dizer mais?
— Eu vou ser capaz de ficar quieta. Guardar isso para mim. Podemos fingir
que nunca aconteceu, se é isso que você quer. — Ela o observou piscar para
ela. — Você não precisa se preocupar com nenhuma das ramificações
legais...
— Deixe-me esclarecer, — disse ele, saindo da porta. — Você acha que vai
conseguir ficar quieta, — ele repetiu, movendo-se em direção a ela, o rosto
relaxando um pouco, e o menor sorriso puxando seus lábios, — ou eu
preciso silenciar a sala.
Ela piscou para ele. Ele parou na frente dela, as mãos ainda nos bolsos e os
lábios contraídos. Ela apertou os papéis entre os dedos, sobre o peito.
Ele estava... Eles estavam...
Ela engoliu em seco e molhou os lábios por acidente. Seus olhos
escureceram.
— Você vai precisar silenciar a sala.
Ele sorriu para ela, os olhos brilhando. Enquanto ele murmurava o feitiço
silenciador e o feitiço de bloqueio, ela lançou o feitiço contraceptivo. Ela
jogou suas anotações no sofá e se jogou sobre ele.
Ele deu um passo para trás com o impulso dela, as mãos chegando aos
quadris dela enquanto as dela se enroscavam no cabelo dele, puxando os
lábios dele para os dela.
Ela roçou beijos apressados em sua boca antes que ele finalmente
estendesse a mão e segurasse seu rosto enquanto aprofundava o beijo,
separando seus lábios e provando-a. Ambos suspiraram, exalando um no
outro.
— Merlin, eu pensei que tinha perdido você, — ele suspirou contra sua
mandíbula enquanto trabalhava seus lábios em direção ao ombro dela. A
mão em seu rosto deslizou em seu cabelo.
Ela riu baixinho.
— Você pensou? — Ela engasgou quando ele passou os dentes por um
hematoma antigo. Ele deve amar aquele lugar. — É você que estava sendo
tão cauteloso...
— Eu estava querendo ser brincalhão, — ele sibilou em seu ouvido.
— Você é sempre brincalhão...
Ele deslizou a mão em seu quadril para agarrá-la, puxando-a para mais
perto de seus quadris. Ela deixou as mãos deixarem o cabelo dele e
viajarem até os botões do terno. Assim que o primeiro botão se abriu, a mão
em seu cabelo a agarrou, e ainda mais de seu pescoço foi exposto a ele.
Seus dedos trabalharam para remover todos os botões, e uma vez que ele
deu de ombros, os lábios nunca deixando seu pescoço, ele moveu as duas
mãos para o traseiro dela, agarrando-a e levantando-a. Ela guinchou,
agarrou os ombros dele e teve um momento em que não entendeu o sentido
disso. Ela abriu os olhos e eles estavam cara a cara, e ele começou a levá-
los em direção ao sofá atrás dela.
Mas em vez do sofá, ele a pressionou contra a parede ao lado. Exatamente
onde ela havia feito uma das poses na primeira sessão de fotos. Quando ele
pressionou sua coluna contra a parede, movendo as mãos para a parte de
trás de suas coxas, torcendo-as ao redor de seus quadris, ela sorriu, por que
este era o lugar que ela estava parando para as poses contra a janela.
Quando Draco entrou, vestindo sua jaqueta, e a viu pela primeira vez.
Ele a beijou novamente. E ela descobriu que a melhor maneira de não cair
era apertá-lo e deixar que seus quadris a prendessem contra a parede. Ele
gemeu contra sua boca.
Uma mão surgiu e começou a desabotoar sua blusa enquanto a outra fazia
círculos lentos em sua coxa. Enquanto saía dela, ela pensou na roupa de
hoje – como ela estava satisfeita por ser uma combinação de saia/blusa
muito profissional e o quanto ela precisava de profissionalismo hoje.
— Er, — Hermione disse, quando Draco abriu o último botão de sua blusa e
a abriu para vê-la. — A papelada? Você está preocupado com isso?
— As finanças do Lobisomem? Não, claro que não. — Ele a espalmou
através do sutiã.
Ela apertou os lábios e tentou manter os olhos abertos.
— Eu... eu quis dizer o... contrato.
— Contrato? — A mão esfregando círculos em sua coxa de alguma forma
encontrou seu caminho entre elas, agora esfregando-a sobre sua calcinha. A
outra mão agora viajava pelas costas dela até o fecho do sutiã.
Ela gemeu. Em seguida, soltou: — O contrato de amor.
Ambas as mãos pararam, e a mão que pressionava entre elas parou no meio
da massagem, pressionando seu ponto sensível.
Oh Deus. Por que ela estava falando?
Ela abriu os olhos e os olhos cinza dele estavam olhando para ela, rosa
estampado em suas bochechas.
— Você está preocupada com isso? — ele disse, os olhos indo de um lado
para o outro entre os dela, e ela estava muito consciente da mão
pressionando contra seu centro, e ela desejou que ele a removesse ou a
movesse.
— Apenas no sentido de que assinei um documento prometendo não fazer
isso. — Ela apertou as coxas ao redor dos quadris dele – acidentalmente, é
claro – e de alguma forma isso os uniu, a mão dele pressionando firme em
seu centro. Ela engasgou, as pálpebras tremulando, e tentou se impedir de
fazer isso de novo.
Quando seus olhos focaram nele, seu sorriso estava de volta, e os dedos
procurando pelo fecho de seu sutiã continuaram sua jornada. Ele respondeu:
— Apenas no sentido de que criei um documento para nos impedir de fazer
isso.
Seu sutiã se abriu, e seus dedos mergulharam abaixo de sua calcinha.
— E para manter Blaise longe de Melody, — acrescentou, beijando seu
pescoço.
— Bem, isso não está funcionando. — Ela riu contra sua têmpora. Suas
coxas tremiam quando ele passou um dedo ao longo de seu centro,
movendo-se para pressionar contra sua intimidade, e seu corpo inteiro
estremeceu. Ele a circulou, correndo em diferentes direções, e seu outro
braço passou pela cintura dela para apoiá-la. Seu sutiã momentaneamente
esquecido, pendurado em seus ombros.
— Podemos discutir isso mais tarde, eu acho. — Ela murmurou entre
suspiros. — É um contrato comum para empresas, especialmente de
propriedade privada. Eu pesquisei.
— Shh. — Contra sua orelha. — Você pode me ensinar mais tarde.
Ela o sentiu sorrir contra sua orelha, e ela respondeu com um dos seus
sorrisos. Ela estava apenas se perguntando se suas mãos deveriam estar
fazendo alguma coisa, visto que as dele estavam fazendo todas as coisas
quando ela sentiu dois dedos correndo em direção a sua abertura e
empurrando para dentro dela.
Ela gritou. O beliscão estava de volta, mas não era bom. Parecia muito mais
sensível do que há dois dias. Era como se ela tivesse distendido os
músculos, mas eles estavam por dentro.
— O que está errado?
Draco saiu dela. Ela tinha os olhos bem fechados e as mãos em punhos na
camisa dele. Ela se lembrou do que Ginny disse a ela, sobre a necessidade
de esperar alguns dias antes de tentar novamente. Ela respirou fundo e abriu
os olhos, envergonhada por sua visão estar molhada.
— Estou bem, — ela tentou, sorrindo. — Apenas dolorida. Continue.
Ele estreitou os olhos para ela.
— Estou bem, — ela repetiu. Ela deslizou as mãos em seu cabelo e puxou
seus lábios para os dela. Ele a beijou, então deu um passo para trás,
afastando-os da parede, virando-se e depositando-a no braço do sofá de
couro preto.
Suas pernas trêmulas agradeceram, mas ela ainda o segurou perto,
preocupada que eles estivessem parando.
— Não pare. Estou bem, — ela respirou contra seu pescoço. — Eu quero
isso.
Ele estremeceu e se afastou para olhar para ela. Ele agarrou seus quadris,
puxando-a para a borda, e deslizou a mão de volta sob sua calcinha. Ele a
tocou duas vezes, observando-a puxar o lábio entre os dentes, antes de girar
para baixo e pressionar um longo dedo dentro dela.
Sim, isso foi bom. Ela suspirou quando ele bombeou dentro e fora dela
várias vezes, torcendo e então pressionando-a novamente, sacudindo-a,
girando-a. Ela apertou contra sua mão, tentando encontrar seu ritmo.
— Draco, estou pronta. Estou pronta, por favor. — Ela olhou para ele. Ele
estava se segurando com uma mão no braço do sofá ao lado dela,
inclinando-se para o nível dela. Ele a observou enquanto saía, e então
tentou pressionar dois dedos de volta para dentro.
Ela mordeu o lábio, guinchando, e sabia que seus olhos estavam fechados.
Era como se seu corpo não quisesse fazer isso, mas queria ao mesmo
tempo. Ela abriu os olhos e acenou com a cabeça para ele.
— Isso é bom. Estou pronta. — Ela assentiu vigorosamente, apertando a
mandíbula.
Ele levantou uma sobrancelha para ela, desconfiado, e tentou se mover
dentro dela. Ela agarrou seus braços, surpresa por sua camisa ainda estar
vestida, e tentou controlar suas expressões faciais.
Ele franziu a testa para ela e tirou a mão, ficando de pé.
— Não, não. Draco, estou pronta. — Ela tirou o sutiã, jogando-o fora, e
estendeu a mão para começar a desabotoar a camisa dele. Ela observou os
olhos dele deslizarem por seu peito, orgulhosa da maneira como ele lambeu
os lábios. Ele tirou a camisa dos ombros assim que ela terminou.
Ela hesitou, então estendeu a mão para o cinto dele. Ela observou os
músculos do estômago dele se contraírem e os braços dele se contraírem,
como se ele fosse impedi-la. Assim que o cinto foi aberto, ela olhou para
ele. Seu peito estava arfando, e ela correu os olhos sobre sua pele.
Ela começou a desabotoar a calça dele, tentando ignorar a protuberância
pressionando contra a frente. Suas mãos se fecharam em punhos enquanto
ela desabotoava os botões inferiores, e ela sabia que seus dedos estavam
roçando nele.
Bom. Ele tinha feito algo parecido com ela no sábado à noite, e ela sentiu a
pele de seu peito exposto estremecer com a lembrança dele tirando as calças
contra seu estômago. Com o canto do olho, ela viu seus mamilos ficarem
tensos.
Ela propositadamente deixou seus dedos rasparem a tenda em suas calças
enquanto terminava com o último dos botões, e quando ela pensou que
tinha a vantagem, ele estendeu a mão e segurou um seio. Seus dedos
gaguejaram sobre ele enquanto ele a puxava, rolando-a, traçando sua parte
inferior e, em seguida, esfregando o polegar sobre ela.
Ela levou trinta segundos para se lembrar de como desabotoar o último
botão da calça dele. Ela estava ofegante. Ela estendeu a mão até a cintura
dele, pronta para puxar as calças dele para baixo, e ele trocou as mãos,
puxando e lambendo seu outro seio. Ele a beliscou e ela gemeu, deixando
cair a cabeça em seu estômago, as mãos ainda descansando em seus
quadris. Ele continuou correndo o polegar em círculos apertados ao redor
dela, mais e mais, nunca se aproximando e ela ofegou contra seu estômago,
observando seus músculos tremerem.
Isso poderia colocá-la no limite? Ela percebeu que estava mexendo os
quadris contra o sofá, tentando encontrar atrito. Sua calcinha ainda estava
vestida, então ela abriu as pernas, tentando puxar o tecido para mais perto
de sua intimidade, um pouco envergonhada com toda a umidade.
Ajudou um pouco. Ela gemeu quando ele finalmente puxou seu seio. Ela
podia sentir isso crescendo dentro dela, e ela estava prestes a levar as mãos
ao seu centro quando Draco tirou a mão do peito dela, puxou a calça para
baixo e se ajoelhou na frente dela.
Seus olhos estavam quentes, olhando para ela, e sua língua passou por seus
dentes quando ele estendeu a mão e começou a puxar sua calcinha para
baixo.
— Oh, Deus, sim.
Ela ergueu os quadris. Ela estava pronta. Ela abriria caminho se isso
significasse que ele continuaria olhando para ela assim. Ele se inclinou para
frente e deu um beijo no joelho dela. Ela mordeu o lábio.
Ele a observou enquanto pressionava outro beijo contra sua perna, um
pouco mais alto. Então outro. Ele estava na metade de sua coxa antes que
ela percebesse o que ele ia fazer.
— Oh... eu... er... — Ela corou. — Você não... isso é...
Ele soprou o ar contra ela e ela apertou, instintivamente tentando fechar as
pernas em torno de algo, e percebeu que ele a mantinha aberta, uma mão na
parte interna de cada joelho.
— Granger, por que você não me conta a história da Lula Gigante no lago
de Hogwarts? — Ele lambeu os lábios e pressionou outro beijo na parte
superior de sua coxa, observando-a com olhos quentes.
Ela piscou para ele, as mãos apertando o sofá de couro.
— O que? — Ela engasgou.
— Foi depositada lá em 1306, sim? — Ele respirou contra ela novamente, e
ela gemeu.
— Não, estava lá desde o começo. Os fundadores...
E ele a beijou bem no centro. Ela não conseguia definir o som que saiu de
seus pulmões, mas ela enfiou os dedos no couro e tentou juntar os joelhos
novamente. Ele correu as mãos até a metade de suas coxas, ainda abertas.
— Sim? Os fundadores? — Ele ergueu uma sobrancelha inocente para ela e
esperou.
— Os f-fundadores colocaram o castelo de Hogwarts no... — Ele abaixou a
cabeça, ainda olhando nos olhos dela. — O... o terreno, próximo ao lago
negro. — Ela podia sentir a respiração dele nela. — Então, a lula gigante
estava lá toda... oh! — Sua língua. Ele estava... Ele estava empurrando sua
língua contra ela. Começando de baixo e lambendo para cima.
Isso era... íntimo demais. Ela não podia...
Hermione levou as mãos ao rosto, fechando os olhos enquanto ele
começava outro golpe lento.
— E a lula, — ele murmurou para ela. — É uma cor esverdeada, sim?
— Não, é v-vermelha. — Ela curvou os dedos contra o rosto. — Vermelha
escura. Quase roxa. — Suas coxas estavam começando a lutar contra ele
agora, tremendo. Ela queria fechá-las e empurrá-lo para fora, ou segurá-lo
lá. Ela não tinha decidido.
— Ela matou pessoas, ouvi dizer.
— Não não. — Ela gemeu quando ele a lambeu novamente. — É muito
dócil. Útil mesmo. Ela teve várias brigas com os sereianos, mas... — E seus
lábios se fecharam em torno de seu centro. E foi sugado.
Ela engasgou e suas mãos agarraram o cabelo dele, tentando segurá-lo.
— Oh, deus Draco. Por favor!
— E os sereianos?
Ela arrastou as unhas pelo couro cabeludo dele, apertando os olhos
fechados, com medo de olhar para ele.
— Em 1497 os sereianos se revoltaram, e... e... e... — Ele estava lambendo
ela, tentando ritmos diferentes, pressão diferente. — E eles... e eles
tentaram...
Ela percebeu que estava empurrando seus quadris contra ele, arrastando seu
rosto para mais perto com cada movimento de sua língua. Mas ela
adivinhou que ele iria impedi-la se ele se importasse. Ela torceu o cabelo
dele em seus dedos e o sentiu gemer contra ela. Ela empinou os quadris
para a frente com as vibrações.
— Eles tentaram... Os sereianos tentaram... tentaram...
Ela era como um disco quebrado, ela não podia continuar. Ela não ousou
abrir os olhos. Ela estava com medo de vê-lo entre suas coxas, sabendo que
iria queimar em sua memória para sempre.
— Ugh, Draco, por favor.
E ela sentiu a pressão de um dedo dentro dela, a boca dele ainda
trabalhando em cima. Ela começou a se estilhaçar, chegando a um limite, e
ela podia ouvir sua própria voz dizendo várias coisas, e soltando pequenos
gemidos ofegantes no ritmo da língua dele, e ela podia senti-lo grunhindo e
respirando forte contra ela.
Ela gritou quando se separou. Ela pressionou os quadris contra a boca dele,
segurando-o ali. Ela tinha as mãos emaranhadas em seu cabelo, e suas
coxas apertadas ao redor de seu pescoço. Ele continuou passando a língua
por ela, enquanto ela pulsava. Quando ela terminou e não aguentou mais,
ela o soltou.
Ele puxou o dedo dela, e ela quase caiu para baixo nas almofadas do sofá,
esquecendo que não havia nada atrás dela. Ela agarrou o encosto do sofá
para se segurar e lentamente abriu os olhos quando o ouviu se mover.
Um som rápido, no mesmo ritmo de sua respiração. E ela viu o topo de sua
cabeça de onde ele estava ajoelhado na frente dela, o cabelo retorcido e liso.
Seus olhos estavam escuros e profundos enquanto ele corria seu olhar de
suas dobras expostas, até seu peito nu, e ainda mais em seu rosto. Ele
mordeu o lábio e gemeu, e de repente ela percebeu que ele estava se
masturbando.
Ela piscou e desviou o olhar, sem saber se deveria ver. Claro. Ele deveria.
Ela realmente não tinha feito muito por ele.
Um grito cortado, e ela sabia que ele estava gozando. Ele deve ter pintado a
lateral do sofá. Ele deixou cair a cabeça na parte interna da coxa dela
respirando asperamente contra ela. A mecha de cabelo loiro que sempre
caía em sua testa estava se comportando mal de novo, e Hermione mordeu
o lábio e decidiu que ela tinha permissão para empurrá-la para trás para ele.
Quando seus dedos roçaram atrás de sua orelha, seus olhos se conectaram
com os dela. Ele pressionou um beijo contra sua coxa e levantou a cabeça.
— Então, — ele sussurrou, a voz rouca. — Você acha que tem controle
sobre as finanças do Lobisomem? — Ele sorriu para ela.
Ela não pôde deixar de sorrir para ele.
— Eu não sei, — disse ela. — Você pode ter que repassar a última parte
novamente.
Seus olhos brilharam para ela.
— Vou marcar uma reunião amanhã na hora do almoço.
Terça-feira no almoço, Draco ensinou a ela uma lição valiosa sobre as
maravilhas da transa. Enquanto ela estava deitada de costas no sofá de
couro, com Draco se movendo deliciosamente contra ela, ela pensou que
era hora de tirar suas roupas íntimas e ir para lá.
Mas Draco a levou direto ao limite e a seguiu. Mais uma vez, outra bagunça
no sofá.
Ela percebeu que Draco estava cauteloso sobre penetrá-la novamente. Ela
fez a ambos o favor de tentar algumas coisas no chuveiro na manhã de
quarta-feira, fazendo-a sentir que estava pronta para tentar novamente.
Na "reunião" na hora do almoço de quarta-feira, ela tentou dizer isso a
Draco sem muitas palavras, e até conseguiu entrar nas calças dele pela
primeira vez. Ele a deixava acariciá-lo e tentar coisas e ele dizia a ela o que
funcionava e o que o faria se sentir melhor. Ele a tinha pressionada contra a
porta, mal deixando-a passar antes de bater suas costas, mas agora sua
cabeça estava descansando em seu ombro enquanto ela o puxava. Quando
ele agarrou seus quadris, apertando, ela sabia que estava na hora.
Ela o soltou e deslizou para fora de seu vestido, saindo de sua calcinha
também. Ele a observou enquanto ela deixava cair a cueca dele no chão, e
ela o puxou contra ela, mordendo o lábio. Ela encontrou uma maneira de
voltar para a posição em que estavam na segunda-feira, as pernas em volta
dos quadris dele e os quadris dele prestes a arremessá-la contra a porta.
Ela não sabia muito sobre como... posicionar-se... nem estava em uma
ótima posição para iniciar o impulso, mas ela sabia que estava pronta, e ele
ainda a observava, franzindo a testa para ela, mas duro contra ela.
Ela o beijou, tentando se esfregar contra ele novamente, agarrando seu
cabelo e mordendo seus lábios, e ele se afastou para dizer que ela não
precisava.
Ela ergueu uma sobrancelha, imitando-o.
— Não seja tão Lufa-Lufa, Draco.
Seu queixo caiu, seus olhos arregalados. Ela sorriu e ele a beijou. Quando
ele a penetrou, estava apertado de novo, mas nada como a dor que sentira
na segunda-feira. Uma vez que ela o convenceu pela terceira vez de que ele
poderia ir mais rápido, a maneira como seus quadris a agarraram contra a
porta a fez chacoalhar em seu batente.
Eles pararam, ouvindo o eco, imaginando se poderiam ouvi-los fora da sala
silenciosa. Ele riu, movendo-os para fora da porta e contra a parede ao lado
dela.
Na quinta-feira, ela teve que passar uma reunião inteira com Draco e o Sr.
Buckworth em seu escritório. Ela se sentou atrás de sua mesa, com Draco
olhando para ela enquanto o Sr. Buckworth e ela discutiam a Política de
Lobisomem.
No final, Draco se ofereceu para acompanhar o Sr. Buckworth até os
elevadores. Quando voltou, trancou a porta e silenciou a sala.
Hermione engoliu em seco.
Cinco minutos depois, ela estava sentada na ponta da mesa, enganchando a
perna nos quadris de Draco, deixando-o despi-la.
Ele passou o braço pela mesa dela, jogando tudo no chão, e eles riram disso.
Na sexta-feira, eles estavam de volta em seu escritório. Ela começou a se
sentir culpada por nunca discutir trabalho com ele, então ela tentou falar
sobre o progresso do projeto do Pomo enquanto ele a despia. Ele a deixou
falar, chupando seu pescoço e colocando-a em sua mesa.
Quando ela se deitou, ela percebeu que tudo já estava fora de sua mesa, e
decidiu apenas deixar o mármore frio afundar em sua pele enquanto ele
tirava seus sapatos de cadarço.
Depois que ela tirou os sapatos, ele beijou seu calcanhar, depois sua
panturrilha, e continuou a chupar beijos por suas pernas, passando por cima
de sua calcinha e depois subindo por seu estômago. Ele mergulhou para a
direita e tentou colocar um beijo em cada costela.
A bola de gude estava afundando em seus dedos quando ela agarrou as
bordas da mesa, e ele estava na metade de seu peito quando se afastou,
olhando para ela.
Ele franziu a testa.
— O que?
Ele deixou a mão correr pelas costelas dela, olhando-a estranhamente.
— Você está doente?
Suas sobrancelhas se juntaram.
— Doente?
— Você está magra. — Ele pressionou um dedo levemente entre duas
costelas.
Ela piscou para ele.
— Obrigado?
Este era o momento para discutir isso?
— Mais fina.
Ela riu.
— Não almoço há cinco dias. — Ela riu, estendendo a mão para ele.
Ele piscou para ela.
E foi assim que Hermione se viu comendo uma salada no escritório de
Draco.
Ele ajeitou as roupas e colocou a cabeça para fora para pedir a sua
secretária – Carrie – para pedir almoço para eles no café da esquina.
Ele voltou para ela, a fez gritar e, em vez de vestir suas roupas, arrumar seu
cabelo e atravessar o chão de volta para seu escritório, eles se sentaram no
sofá de couro, comendo a entrega de comida...
Era... estranho. Quase como um encontro. Quando o silêncio e a mastigação
duraram o suficiente, ela começou a falar sobre o trabalho. Ele estava muito
mais disposto a conversar agora, e eles acabaram fazendo um plano para a
primeira semana de audiências do Wizengamot em março.
— Você estará em Cornerstone neste fim de semana? — ele perguntou a ela
enquanto amassava os embrulhos de seu sanduíche.
Ela mastigou, empurrando os pepinos e imaginando qual seria a resposta
certa para essa pergunta.
— Sim. — Ela apertou os lábios. — Você poderia ir lá?
— Talvez domingo. — Ele espanou algumas migalhas do sofá e as fez
desaparecer.
Ela reprimiu um sorriso.
— Existe um livro que você precisa?
— Algo parecido.
Ela olhou para ele e ele estava sorrindo para ela. Ela começou a organizar
os tomates restantes com o garfo.
Seu sorriso caiu quando ela pensou na maneira como ele desapareceu em
Nova York, ou no encontro cauteloso que ele teve com Slughorn no baile do
governador, ou na resposta de Noelle, que ela ainda estava esperando. Ela
ainda queria saber coisas sobre ele, queria saber como ele passava o tempo.
— O que você tem amanhã? — Ela não pôde lutar contra o rubor que subiu
em seu pescoço.
Ele fez uma pausa antes de responder, e ela olhou para ele. Ele estava
olhando para o tapete.
— Vou visitar meu pai.
Oh. Não, não importa. Havia algumas coisas que ela não queria saber.
— Está... está tudo bem? Ou...?
— Faz parte das condições dele para a herança. Que eu o visite nas visitas
mensais em janeiro e fevereiro. — Sua voz foi cortada e sua mandíbula
cerrada.
Não eram as únicas condições...
E ela se perguntou quando foi que ele visitou Lucius em janeiro.
Hermione assentiu, como se Draco tivesse acabado de dizer algo com o
qual ela concordasse, e continuou a construir cabanas com seus vegetais.
Seu recipiente de salada foi tirado dela, e ela olhou para cima quando Draco
o estava se movendo no chão para beijá-la.
Ela sorriu contra ele quando ele se inclinou sobre ela para pressionar seus
lábios juntos.
— Ugh, — ele disse, se afastando. — Você está com gosto de queijo. — Ele
torceu o nariz.
Ela riu e segurou em seus ombros. Ela sabia por observá-lo no Salão
Principal que ele odiava molho de queijo.
— Se você tivesse me dito que íamos nos beijar novamente, eu não teria
comido, — ela murmurou contra sua boca.
— Não não. É o seu favorito.
Ele a beijou. E seu peito estava quente.
Ele a observava no Salão Principal também.
Monsieur DuBois a fez bocejar. Ela estava fazendo um trabalho fantástico
em esconder a boca escancarada toda vez que ele mencionava obras de arte
renascentistas e como elas se chocam terrivelmente com os tapetes
venezianos.
Eles se encontravam todos os sábados à tarde em um café trouxa que
parecia ser o lugar favorito de Monsieur DuBois. Eles o conheciam pelo
nome lá. Hermione pediu um café expresso naquele dia, porque seus olhos
não conseguiam ficar abertos. Ela estava apenas deixando a brisa do pátio
ao ar livre em que eles estavam a embalar, e o sol em sua testa aquecê-la.
— Da Vinci era, claro, um Aborto...
Isso chamou a atenção de Hermione.
— Me desculpe, como assim?
Monsieur DuBois levantou uma sobrancelha calculada para ela.
— Eu disse, Leonardo da Vinci era um aborto. Seu bisavô foi o Ministro da
Magia italiano em 1414.
Hermione estreitou os olhos para ele.
— Eu... nunca tinha ouvido falar disso. Por acaso você conhece algum livro
sobre o assunto que eu possa pesquisar?
— Bem, — Monsieur DuBois mudou de posição na cadeira, cruzando as
pernas e virando-se ligeiramente para longe dela. — Eu vi isso em uma
árvore genealógica.
— Hum. — Hermione franziu os lábios.
O garçom se aproximou, flertou um pouco com Monsieur DuBois e anotou
o pedido. Hermione realmente odiava as saladas deste café. Ela já havia
experimentado todas as saladas do cardápio e nenhuma delas era farta ou
saborosa. Ela decidiu por uma tigela de sopa hoje.
Ela olhou para o relógio o mais discretamente possível, mas não era boa o
suficiente.
— Você tem algum lugar para ir, Srta. Granger?
Ela olhou para ele.
— Não, não. Só... checando a hora, Monsieur.
Ela tomou um gole de café expresso.
Monsieur DuBois pegou um livro de decoração renascentista e começou a
discutir os estilos, a arquitetura. Ele começou detalhando a manutenção
adequada de uma mansão renascentista e o que uma reforma adequada
incluiria.
O sol tinha começado a se inclinar nos olhos de Hermione enquanto
Monsieur DuBois explicava a redecoração verdadeiramente desastrosa que
o ministro francês havia tentado. Ele começou a rir de coisas que Hermione
não poderia entender. Ela sorriu o melhor que pôde.
A sombra do garçom caindo em seu rosto quando ele voltou para a mesa
tirou Hermione um pouco de seu transe. Ela esperou que sua sopa fosse
colocada à sua frente, grata pela proteção contra o sol.
Quando Monsieur DuBois parou de falar, e nenhuma sopa foi colocada
diante dela, Hermione olhou para a pessoa que a protegia do sol, e seu
sangue gelou ao ver Draco, mandíbula apertada, mas sorrindo para
Monsieur DuBois.
— Sr. Malfoy! — Monsieur DuBois gorjeou. — Nossa, você está
esplêndido. Gostaria de se juntar a nós?
Hermione sentiu a cafeína em seu estômago virar e cair enquanto observava
Draco sorrir para o homem mais velho, apertando sua mão. Ela se
concentrou em forçar seus pulmões a se expandirem.
— Peço desculpas, Monsieur, mas algo aconteceu, na verdade, — Draco
disse. Ela observou o rosto dele se contrair e se contorcer enquanto ele
sorria. — A senhorita Granger não vai conseguir terminar a aula hoje.
Aula.
Não havia maneira de contornar isso. Ele sabia. Lucius disse a ele.
Ela engoliu em seco.
— Oh, — Monsieur DuBois fez beicinho, olhando para frente e para trás
entre eles. — Espero que esteja tudo bem.
Ela observou Malfoy piscar para ele. Ele virou os olhos para ela, quentes e
agressivos.
— Receio que não.
Capítulo 33.
— A senhorita Granger não vai conseguir terminar a aula hoje.
Ela engoliu em seco.
— Oh, — Monsieur DuBois fez beicinho, olhando para frente e para trás
entre eles. — Espero que esteja tudo bem.
Ele virou os olhos para ela, quentes e agressivos.
— Receio que não.
Ela respirou fundo e começou a tirar o guardanapo do colo. Draco colocou
um punhado de galeões na mesa, desculpando-se com Monsieur DuBois, e
prometendo dizer olá para sua mãe.
Enquanto ela se levantava da mesa, reunindo suas anotações, a mão de
Draco subiu para guiá-la pela porta e para a calçada. Ele acenou com a mão
animada para o professor de design de interiores antes de acompanhá-la na
direção do ponto de aparatação mais próximo.
Havia nuvens de tempestade no céu.
Ele largou o cotovelo dela após a primeira esquina. Ela lutou para
acompanhar seu ritmo.
Ele começou a estalar os dedos e estalar o pescoço após o segundo
quarteirão, por pouco não sendo atropelado por um táxi.
— Draco...
— Há quanto tempo você está trabalhando com meu pai?
Ela olhou para ele quando pararam em uma esquina movimentada. Seus
olhos estavam quentes, examinando as ruas e correndo ao redor dela.
— Você diz isso como se estivéssemos trabalhando juntos, — disse ela.
— Vocês não estão? — Ele respirou fundo. Então caminhou quando o sinal
virou.
Ela levou um momento para compreender. Ele a deixou no meio-fio e ela
lutou para alcançá-lo.
— O que ele te disse? Se ele define isso como algo diferente de chantagem,
então ele mentiu para você...
— Você não é a única que tem um acordo com ele, Granger. — Ela ouviu a
voz dele tremer. Ela o observou engolir em seco enquanto corriam ao redor
de um grupo de crianças. — Você não deveria ter se envolvido nisso.
Ela pulou alguns meios-fios para alcançá-lo enquanto ele avançava pela rua.
— Como você me encontrou aqui? — Ela tentou se ater às perguntas fáceis.
— Pedi a Madame Michele sua agenda.
Ela olhou para os pés que se moviam rapidamente. Ele foi até Madame
Michele primeiro, perturbou sua manhã e depois a localizou. Ela queria
tocá-lo. Ela queria acalmá-lo.
Ela o ouviu rir e o observou balançar a cabeça para algo que passava por
sua mente.
— Você não vai mais fazer essas aulas, — ele sibilou.
Ela estendeu a mão para ele, mas se deteve. Eles estavam no sétimo
quarteirão. Mais um antes que eles pudessem aparatar. A multidão diminuiu
quando o Feitiço Repelente de Trouxas estremeceu sobre eles.
— E quanto ao dinheiro, Draco? As próximas três parcelas?
— Eu disse a ele para enfiá-las em sua bunda, — ele rosnou.
Eles se aproximaram de um pequeno beco antes do final do quarteirão. Se
ela conseguisse acalmá-lo antes que eles aparatassem...
— Precisamos desse dinheiro, Draco. A Consultoria Malfoy mal está
funcionando. Preciso continuar indo a essas aulas...
— Não! — Ele agarrou o cotovelo dela e a levou para o pequeno beco, bem
perto do ponto de aparatação. O resto dos trouxas continuou com seu dia,
puxando guarda-chuvas. Ele apontou um dedo na cara dela. — Você não
deve pisar naquele salão de chá de novo, está me ouvindo, Granger?
Seus olhos estavam queimando nela.
— O negócio é mais importante do que algumas aulas insanas, Draco!
Ele agarrou seus ombros, firme o suficiente para pressioná-la contra os
tijolos.
— Nada é mais importante do que você.
Ela perdeu o fôlego quando ele chupou em um suspiro trêmulo. Seus dedos
se contraíram em seus ombros e seus olhos dançaram de um lado para o
outro entre os dela.
E então ele a beijou. Ambas as mãos subiram pelo pescoço até o rosto,
inclinando a cabeça para trás para ele enquanto ele se aproximava dela.
Ela estava tremendo quando levou as mãos aos lados do corpo dele. Ela o
deixou dominar sua boca, tomando tempo para respirar quando podia, mas
seu corpo a pressionou contra a parede do beco e suas mãos a mantiveram
imóvel enquanto ele movia seus lábios contra ela.
Ela o sentiu deslizar uma mão por sua bochecha, pescoço, costelas e agarrar
seu quadril, enquanto sua boca a beijava ardentemente sua mandíbula.
— Ele já tocou em você?
O sussurro áspero caiu sobre ela, e ela abriu os olhos. Ela se concentrou nos
engradados e caixas velhas no beco.
— N... não. Nada como isso. — Ela sentiu um calafrio.
Draco passou os dedos pelo cabelo dela e puxou até que o pescoço dela
estivesse aberto para a boca dele. Seus lábios se moveram por sua
mandíbula, até sua orelha.
— Você foi vê-lo depois que você foi em novembro?
A mão em seus quadris apertou enquanto sua respiração embaçava seu
pescoço.
— Não, nós escrevemos... ele escreveu cartas. — Ela cantarolou. —
Ameaças. — Ela poderia chamar aquilo de ameaças?
Draco se agarrou ao pescoço dela e começou a chupar e morder seu ponto
favorito. Ela sentiu os quadris dele pressionarem os dela e a mão em seu
quadril começar a deslizar. Ela viu trouxas andando pela entrada do beco,
completamente inconscientes deles devido ao feitiço repulsivo.
— Conte-me sobre as cartas. Diga-me o que ele disse a você.
Draco mordeu o pescoço dela um pouco forte demais. Reivindicando-a.
Marcando-a. Hermione estremeceu e levou as mãos ao rosto dele.
— Draco, pare. — Ela puxou seu rosto para trás para olhar em seus olhos.
Eles estavam nublados, ainda quentes, mas havia uma agressão ali que ela
não reconhecia. — Eu sei o que você está fazendo, Draco, e pare. — Ela
esfregou o polegar em sua bochecha, acalmando-o. — Isso... o que temos é
muito especial para mim e você está transformando isso em algo feio.
Ela observou enquanto ele fechava os olhos, pressionava a testa contra a
dela e tentava relaxar. Ela estava curiosa para saber por que Lucius o
afetava tanto, mas também estava com medo de descobrir.
Ele colocou um beijo suave em seus lábios e se afastou, levantando seus
quadris para longe dela.
— O que meu pai disse para você em Azkaban?
Ela respirou fundo, desejando estar falando sobre qualquer outra coisa. Ela
ouviu um trovão.
— Ele me deu uma lista de coisas para treinar.
Ela olhou para Draco, com os braços afastados dela, as mãos ainda
descansando levemente em seus quadris. Ele estreitou os olhos.
— Para que?
Oh Deus. Ela sentiu o rubor se espalhar por sua mandíbula.
— Para ser... para ser vista com você. Para ser digna de você. Ser uma
noiva Malfoy...
Sua carranca se aprofundou.
— Em novembro? — Ele olhou para o lado, pensando. — Você nem estava
na empresa ainda. — As mãos dele caíram de seus quadris e ela sentiu
como se pudesse respirar novamente.
— Sim, mas estávamos sendo fotografados juntos com tanta frequência. E...
e ele sabia sobre o Leilão.
Ela observou os olhos de Draco virarem para ela. Ele não ficou surpreso.
Ele parecia cauteloso.
Ela continuou: — Ele sabia que você tinha procurado a mãe de Narcissa.
Ele sabia disso – que você teria me salvado. — Isso o pegou desprevenido.
Seu olho esquerdo estremeceu. — Ele pensou que estávamos juntos. Há
muito tempo. Eu... eu o corrigi, claro, — disse ela. Ela queria cruzar os
braços ou roer as unhas, mas se conteve. — Mas depois, ele tinha fotos do...
incidente de Marcus Flint.
Ela olhou para ele, com medo de trazer isso à tona, mas ele já sabia disso
também. Ele não estava nem um pouco surpreso que Lucius tivesse fotos
deles agarrando um ao outro em um beco, não muito diferente daquele em
que eles estavam atualmente. Ela guardou isso para mais tarde quando uma
gota de chuva atingiu sua bochecha.
— Ele ficou desapontado por eu ter mentido para ele sobre nós. — Ela
fungou. — E ele disse que não liberaria sua herança se eu não fosse a essas
aulas. — Ela olhou por cima do ombro dele. Ela se sentiu tão pequena,
admitindo essa fraqueza. Admitindo ter sido chantageada.
— O que estava na lista? — ele resmungou. Seus olhos estavam escuros de
raiva, mas ela sabia que não era dirigida a ela desta vez.
Ela os recitou. Ela se pegou gaguejando sobre alguns deles, aqueles que
claramente eram para uma esposa, não uma namorada, ou o que quer que
estivessem fazendo. Conhecimento financeiro. Obediente. Habilidosa em
hospedagem. Formada em decoração. O rosto dela corou enquanto ele
ouvia, observando-a, imóvel.
— Ele disse que a única coisa de que poderia esquecer era sangue puro.
E Draco riu. O som a sacudiu, e o céu trovejou com ele. Ele se afastou dela,
rindo, levando as mãos para esfregar os olhos. Ele virou as costas para ela e
ela viu sua cabeça balançando enquanto ele ria. Ele respirou fundo.
— Por que você fez isso, Granger?
Ela olhou para as costas dele, ainda maravilhada com a reação dele.
— Eu vou terminar essas próximas três semanas, Draco, e então você vai
acabar com ele. Você não vai dever nada a ele. Você vai se livrar dele.
— Não não. — A voz dele ricocheteou nos tijolos e ela o viu passar as
mãos pela pele do rosto. — Eu nunca vou me livrar dele. — Ele se virou
para ela. — Ele tem suas garras em você, agora.
Ela estremeceu, insegura.
— O que você quer dizer?
— Eu tinha visto, mas ignorei. — Ele recuou dela, os olhos tristes. — Você
está diferente. A maneira como você toma seu café é diferente. A maneira
como você anda. A maneira como você dança. — Ele colocou a mão na
bochecha dela. — Você está mudando. E agora, sempre que eu te ver
levantar o pires com a xícara, vou pensar nele. Pensar nisso. Quando você
fazer uma reverência. Quando você apertar as mãos. — Ele passou o
polegar pelo lábio dela. Ela sentiu uma gota de lágrima deixar seus olhos.
— Por que você fez isso?
Ela fungou novamente, vendo as gotas de chuva caindo nos caixotes atrás
dele. Ela gostaria de ter a coragem da Grifinória para dizer a ele o porquê,
para dizer que era por ele. Então, ela se contentou com a próxima melhor
resposta.
— Era a coisa certa a se fazer.
Eles olharam nos olhos um do outro, gotas de chuva caindo em seus cílios.
Ele pressionou os lábios contra a testa dela, beijando sua sobrancelha, sua
têmpora, sua bochecha. Ele fez um caminho em direção aos lábios dela.
E eles se beijaram na chuva.
Ele a acompanhou até Cornerstone pelo resto do turno. Ela estava pronta
para se despedir dele na porta, mas ele a seguiu, sacudindo a chuva do
guarda-chuva que havia transfigurado.
Morty o cumprimentou e eles conversaram brevemente enquanto ela
voltava para trás do caixa. Quando Morty lhes deu boa tarde e subiu as
escadas, Draco ficou.
Ele folheava os livros e a observava ajudar os clientes. Ele olhava para a
bruxa com cautela, mas principalmente ficava fora do caminho dela.
Por volta das quatro horas, quando as pessoas que esperavam a tempestade
passar ficando dentro da livraria estavam começando a sair, ela estava
muito mais consciente dos olhos dele sobre ela. Ela arquivou livros,
passando pela cadeira dele e sentindo-o observá-la. Ela olhava para ele,
porém, e o encontrava lendo, os olhos em seu livro. Ela fazia anotações no
livro de contabilidade e sentia os pelos do braço eriçados.
Às cinco horas ele nem lia mais. Havia apenas mais duas pessoas na loja, a
maioria desanimada pelo mau tempo, e ele sentou-se em sua cadeira e
observou-a se movimentar pela loja. Ela olhava para ele, como se fosse
pegá-lo, e ele apenas olhava para ela. Isso começou a aquecê-la.
Faltando quinze minutos para o fechamento, o último dos fregueses estava
fazendo suas últimas compras, e ele veio encostar-se nas estantes perto do
balcão. Seus olhos estavam escuros sempre que ela olhava para ele. Ela
tropeçou nas últimas transações e, uma vez que o último comprador acenou
em adeus, ela apontou a varinha para o sinal de Aberto, virando-o para
Fechado.
Ela engoliu em seco e olhou para ele. Ele apoiou o quadril esquerdo contra
as pilhas de livros, as pernas cruzadas na altura do tornozelo. Ele tinha os
braços cruzados sobre o peito, uma mão no queixo, o polegar contra os
lábios. Ela observou seus lábios se abrirem e seu polegar mergulhar dentro.
Ela respirou fundo, tentando se acalmar, e tentou não lamber os lábios.
— Estamos fechados, Sr. Malfoy, — ela disse. — Existe alguma coisa que
eu possa guardar para você, para amanhã? — Ela reprimiu um sorriso
quando ele ergueu uma sobrancelha para ela.
Ele andou em direção ao balcão.
— Você tem certeza de que não há nada reservado para mim lá atrás? —
Ele inclinou a cabeça para o lado enquanto se inclinava sobre os cotovelos
na frente dela.
Ela sorriu para ele.
— Eu posso checar. — Ela se virou, sabendo muito bem que a prateleira de
reserva estava vazia. Ela mordeu o lábio, esperando que estivesse fazendo
algo ligeiramente atraente, e curvou-se na cintura, trazendo a cabeça para a
prateleira e endireitando as costas para empurrar para fora o traseiro vestido
de jeans. Ela apoiou as mãos no balcão.
— Hm. Nada aqui para você. — Ela virou a cabeça para olhar para ele, com
um sorriso no rosto.
Seus olhos estavam quentes. E eles estavam colados a ela. Mais
especificamente, atrás dela.
Seu olhar virou para os olhos dela, e ele sorriu.
— Se importa se eu der uma olhada?
Ela apertou os lábios e assentiu.
— Com todo prazer. — Ela se virou para a prateleira, mantendo as mãos
pressionadas contra o balcão, os quadris empurrando para fora e a coluna
reta e longa. Ela o ouviu vindo ao redor do balcão. Ele deslizou para trás
dela, roçando seus quadris contra seu traseiro. Ela mordeu o lábio para não
fazer barulho.
— Que estranho, — disse ele. Ela viu a mão maior dele descansar ao lado
da dela no balcão. Ela sentiu a outra descansar em suas costelas enquanto
ele se inclinava sobre ela, pressionando o peito contra suas costas. Ele
colocou seu rosto próximo ao dela. — Eu poderia jurar que algo aqui atrás
era meu.
Ela soltou uma risada curta e então pressionou contra ele, sentindo seus
quadris logo atrás dela. A mão em suas costelas, contornando para cima e
pressionando firmemente contra seu seio sobre sua camisa.
Ela sabia que a placa dizia Fechado. Ela sabia que Morty raramente descia
para ver como ela estava depois das seis. E ela sabia que o tráfego de
pedestres àquela hora do dia era leve. E tudo estava aquecendo seu sangue.
Seus dedos a beliscaram através de seu sutiã, e ela engasgou. Ele
pressionou firmemente contra seu traseiro, e ela podia senti-lo duro contra
ela.
— Acho que podemos encontrar o que você está procurando na seção de
não-ficção, — ela sussurrou, virando-se para olhar para ele quando seus
lábios estavam prestes a começar em seu pescoço.
Ele sorriu.
— O atendimento aqui é impecável.
No domingo de manhã, Hermione havia escrito para Madame Bernard para
avisá-la de que precisava reagendar a aula de hospedagem que costumava
ter com ela aos domingos. Ela fez questão de usar a palavra "reagendar" e
não "interromper". Também no domingo, o anúncio do noivado de Harry e
Ginny saiu nos jornais. Hermione convenceu Ginny a deixar Harry a pedir
em casamento no jantar do Dia dos Namorados, e ela não tinha visto muito
os dois desde então.
Harry tinha sido bastante proativo com Skeeter. Ele a contatou para marcar
uma entrevista no sábado para o jornal de domingo, para evitar qualquer
resposta dos tablóides. Isso resultou em um artigo adorável e aprofundado
sobre os dois (e um pouco sobre a história do menino-que-viveu-e-morreu-
e-viveu-de-novo).
Hermione sorriu para o artigo na Cornerstone no domingo.
Ela sorriu por vários motivos naquele dia, um dos quais foi o livro
reservado atrás do balcão que estava lá quando ela abriu. Draco deve ter
escrito para Morty esta manhã para ter o livro reservado para ele, e embora
os dois não tivessem feito planos de se ver hoje depois de se separarem na
noite anterior, ela estava tonta ao pensar que ele voltaria.
Ela ainda estava sorrindo no balcão quando um cliente saiu e Narcissa
Malfoy entrou pela porta.
Hermione piscou para ela – longas vestes azul royal, penduradas nela como
água, dedos delicados deixando a porta se fechar atrás dela. Ela olhou para
Hermione e sorriu.
Era como se um pedaço da alma de Hermione estivesse desalinhado por
meses, e tivesse acabado de voltar ao lugar.
— Hermione, minha querida, — Narcissa disse da porta. Seus olhos
brilharam enquanto ela subia os degraus e chegava ao balcão.
— Olá, Narcissa. — Hermione não conseguia tirar o sorriso do rosto. Ela
teve o súbito pensamento de que Narcissa não tinha ideia de que Hermione
estava transando com seu filho na semana passada, e ela esperava
terrivelmente que não se importasse.
— É maravilhoso ver você. — Narcissa flutuou até o balcão e fixou um
olhar conhecedor nela.
Talvez pensar em transar com Draco agora não fosse a melhor ideia.
— Você está aqui para o livro na reserva? — Hermione se afastou da
senhora Malfoy e tentou afastar a cabeça da imagem de Draco acima dela.
— Sim, obrigada, querida, — Narcissa disse. — E, claro, para visitá-la,
desde que a loja permaneça relativamente calma.
Hermione se virou, segurando a bolsa de reservas, e encontrou os olhos
gentis de Narcissa sobre ela. E Hermione se perguntou se ela sabia sobre as
aulas. Se Draco tinha contado a ela.
— Claro. Como você tem estado?
— Muito bem, obrigada, — Narcissa disse, e Hermione estudou a
peculiaridade de seus lábios e considerou se Narcissa usava as marcas de
maquiagem que Pansy usava nela. — Eu vi as fotos do baile dos namorados
no fim de semana passado. Você estava magnífica.
Hermione se concentrou em evitar qualquer rubor em suas bochechas
enquanto respondia: — Obrigada. Eu estava feliz por estar representando a
Consultoria Malfoy com Draco naquela noite. Fizemos algumas parcerias
maravilhosas.
— Você sabe, Hermione, querida, — Narcissa começou, e Hermione sentiu
seu coração pular em todas as diferentes direções possíveis que isso poderia
tomar. — Você deve acabar aqueles livros que pegou emprestado no
outono.
Hermione olhou para ela, olhos arregalados e congelados. Os livros que
deveriam ter sido devolvidos em dezembro. Os livros que deveriam ter sido
enviados de volta para Narcissa no momento em que ela fugiu da Mansão
Malfoy após a visita a Azkaban. Ela terminou os livros. E era
completamente inapropriado para ela ainda tê-los em sua posse. Era
impróprio.
— Eu... sim, eu realmente terminei eles. — Hermione podia sentir o calor
subindo por seu pescoço. — Peço desculpas por segurá-los por tanto tempo.
— Ela olhou para o balcão. — Vou enviar-lhe uma coruja esta noite...
— Oh, sem pressa, querida.
Hermione olhou para cima e Narcissa acenou com a mão.
Ela continuou: — Eu estava pensando que você poderia ir neste sábado e
trocá-los por outros, — Narcissa inclinou a cabeça para ela, e seu longo
cabelo loiro caiu sobre o ombro.
Hermione percebeu que sua boca ainda estava aberta, então ela a fechou.
— Se você tiver tempo, eu também posso preparar o jantar. — Narcissa
mostrou os dentes. — Eu sei que Mippy adoraria ver você de novo.
Hermione a encarou. Ela se recompôs e respondeu: — Sim, isso é... isso é
tão gentil da sua parte, Narcissa. Adoraria ir jantar neste sábado.
— Bom. — Narcissa sorriu. — Então está resolvido.
Hermione piscou várias vezes antes de perceber que ainda estava segurando
a sacola com o livro de Narcissa, e rapidamente fez as anotações no livro,
sentindo os olhos de Narcissa sobre ela.
— Estou tão feliz que você esteja lendo este autor, — disse Hermione,
tentando uma conversa fiada. — Percival Hawk está realmente se
destacando. Você também leu o trabalho anterior dele?
Hermione olhou para cima e Narcissa estava observando suas mãos se
moverem sobre o livro de registro.
— Sim, eu li. Sempre fui fã dele.
— Eu gostei muito deste novo, — disse Hermione enquanto o colocava de
volta na sacola. — Ele melhorou muito como escritor. Eu sei que ele está
realmente tentando melhorar a si mesmo, estudando um pouco de seus
contemporâneos e tendo aulas nas universidades trouxas.
— É adorável ouvir isso, — Narcissa disse. Ela pegou a bolsa. — Mas o Sr.
Hawk tinha muitos seguidores antes de tentar mudar a si mesmo. —
Narcissa levantou uma sobrancelha para ela. — Sei que sempre gostei dele,
mesmo sem as... aulas.
Hermione piscou quando Narcissa acenou com a cabeça em adeus,
escondendo um segredo em seus lábios.
Então ela sabia sobre as aulas.
"NARCISSA MALFOY PEDE O DIVÓRCIO"
Por Rita Skeeter
Narcissa Malfoy (nascida Black) não será mais Malfoy. Uma coisa muito
incomum de se fazer em casamentos de sangue puro, a irmã Black mais
nova pediu o divórcio na manhã de segunda-feira.
A Sra. Narcissa Black não estava disponível para comentar, mas a
papelada arquivada no Wizengamot citou "diferenças irreconciliáveis" com
seu futuro ex-marido. Lucius Malfoy foi condenado em 1998 por seu apoio
a Você-Sabe-Quem durante a Segunda Guerra Bruxa.
Os registros de visitantes de Azkaban mostram que Narcissa visitou seu
marido em suas visitas mensais consistentemente nos últimos dois anos, até
que seu filho Draco foi libertado de Azkaban, assumindo seu lugar como
visitante principal. Os registros mostram que a última vez que Narcissa
Black visitou Lucius Malfoy em Azkaban foi em 1º de dezembro de 1999.
Quem pode dizer como isso aconteceu, ou se a decisão da Sra. Black foi
causada por um incidente específico? Fique com esta repórter e tenho
certeza de que podemos chegar ao fundo disso juntos.
Hermione não podia acreditar nas palavras na página. Ela não conseguia
decidir se estava mais chocada com Narcissa, ou chocada com Skeeter por
publicar tal artigo.
Ela arquivou a informação de que Rita conseguiu obter os registros de
visitantes de Azkaban e, portanto, sabia que Hermione havia visitado
Lucius em novembro. Ela teria que considerar isso mais tarde.
Não, o que ela realmente não conseguia entender era uma bruxa de sangue
puro de tal posição social pedindo o divórcio.
Ela se perguntou como seriam os acordos pré-nupciais no mundo mágico,
se é que existiam, e esperava que Narcissa tivesse estabilidade financeira no
futuro.
Hermione terminou de tomar seu café da manhã, checou sua maquiagem de
má qualidade no espelho uma última vez antes de ir para o escritório.
Enquanto ela estava no elevador indo para o Grupo de Consultoria Malfoy,
ela se perguntou como Draco estava lidando com isso. Pelo que ela entendia
de seu relacionamento familiar confuso, provavelmente não haveria
lágrimas derramadas. Mas ainda deveria parecer o fim de alguma coisa.
As portas do elevador se abriram e Draco parou na recepção, xícara de café
na mão.
Ele piscou para ela.
E de repente ela se lembrou que estava transando com esse homem. Ela
corou de uma maneira particularmente reveladora e saiu do elevador,
pegando a xícara de café oferecida e sussurrando um "Bom dia".
— Reunião da equipe sênior às dez, então devemos nos encontrar esta tarde
sobre a campanha do Pomo de Ouro — Draco a acompanhou até a porta do
escritório normalmente. — Depois do nosso almoço, é claro.
Ela olhou para ele, e seus olhos no meio do chão do escritório a fizeram se
sentir imprudente. Então, eles estariam "almoçando" novamente esta
semana.
— Almoço, — ela disse. — Sim. — Hermione olhou por cima do ombro
dele e encontrou Walter ocupado com um arquivo. — E o que você está
planejando pedir hoje?
Seus lábios se contraíram.
— Tenho algumas ideias, — disse ele. — Mas estou aberto a sugestões. —
Seus olhos brilharam para ela, e ela olhou para os tapetes para não devorá-
lo.
Ele girou para longe dela, mas antes que pudesse dar mais do que alguns
passos, ela gritou: — Er, Draco?
Quando ele olhou para ela, ela acenou com a cabeça em direção ao seu
escritório e entrou pela porta. Ele se juntou a ela na porta, encostando-se
nela. Ela baixou a voz.
— Eu, er... eu vi os jornais esta manhã. Eu só queria ter certeza de que você
estava... bem.
Ele deu a ela um olhar equilibrado, erguendo uma sobrancelha e disse: —
Excelente.
— Sim, bom, — ela gaguejou. — Só queria... ter certeza... quero dizer, eu
sei que às vezes essas situações podem parecer difíceis, então eu só... — Ela
parou, verificando seu rosto para qualquer tipo de reação.
— Pelo contrário, — disse ele. — Foi provavelmente uma das decisões
mais fáceis que minha mãe já tomou.
— Bom, excelente. — Ela olhou para baixo. — Eu... estou muito feliz por
ela. E você. — Ela sorriu para ele e ele sorriu de volta. — Mas estou
chocada com a ousadia de Skeeter. É um assunto bastante particular, mesmo
que seja uma boa fofoca. Eu sinto muito por sua mãe.
— Não, — disse ele, encolhendo os ombros e olhando brevemente para o
batente da porta. — Foi ela quem avisou Skeeter.
Hermione podia sentir sua boca abrindo e fechando.
— Oh, — finalmente saiu. — Eu pensei que dizia que sua mãe não estava
disponível para comentar.
— Sim, — Draco disse, levantando-se do batente da porta. — Essa era a
única condição de minha mãe. Que ela não esteja disponível para comentar.
— Ele deu a ela um sorriso secreto e a deixou de pé em seu escritório,
imaginando o jogo de xadrez que Narcissa havia preparado.
Trinta minutos depois, Hermione dirigiu-se à sala de conferências para a
reunião da equipe sênior. Ao chegar lá, ficou chocada ao ver um novo rosto
na mesa, antes de lembrar que Cornelia Waterstone começou hoje no cargo
de Relações Wizengamot. Ela estava sentada na ponta da mesa, na cadeira
que ficou vazia desde o início. Quando Hermione entrou, a mulher lançou
um olhar sério para ela e deu um leve sorriso.
— Srta. Granger, sim? — Cornelia Waterstone levantou-se e apertou-lhe a
mão. — É um prazer vê-la novamente.
— Da mesma forma, Sra. Waterstone. Estamos muito felizes em tê-la aqui
na Consultoria Malfoy. — Hermione se sentiu muito estudada, sob os olhos
de Waterstone. — Estou ansiosa para trabalhar com você no próximo caso
da Política do Lobisomem.
— Sim, já reuni algumas informações sobre isso, perfis dos membros do
Wizengamot e seus sentimentos em relação à comunidade de lobisomens.
Devemos discutir mais cedo ou mais tarde.
O rosto desta mulher não se moveu nenhuma vez, exceto por sua boca. Sua
boca era tão fina e apertada que mal se movia enquanto ela falava.
Hermione sorriu para ela e se sentou enquanto o resto do time vinha atrás
dela.
Draco deu as boas-vindas a Cornelia e deu a ela a oportunidade de se
apresentar à equipe. Blaise parecia muito chateado o tempo todo em que ela
falou. Depois que todos deram uma atualização sobre seus projetos atuais,
Draco se levantou e limpou a garganta.
— Eu disse desde o início que não desejo ser cauteloso sobre nossas
finanças. Tivemos uma pequena mudança que eu quero que todos vocês
saibam. — Draco olhou para a mesa rapidamente e Hermione sentiu uma
pedra cair em seu estômago. — Nossa renda semanal, que duraria mais três
semanas, foi cortada cedo. Farei tudo o que puder para renegociar o
contrato entre este investidor, ou para recrutar um novo investidor para
compensar parte da tensão, mas vocês devem saber que a assistente de
Melody, Ranji, e vários outros cargos temporários foram colocados em
espera pelas próximas semanas.
Wentworth suspirou. Mockridge resmungou. Waterstone franziu a testa. E
Blaise estreitou os olhos para Draco.
— E o que aconteceu com aquele investidor, se me permite perguntar? —
disse Blaise.
— Os termos do nosso acordo eram inadequados. — Draco olhou
diretamente nos olhos de Blaise, com um olhar que transmitia o fim da
discussão.
Hermione sentiu seu coração martelar contra sua caixa torácica. Ela olhou
para a madeira da mesa. Ela sabia que deveria ter ido para a aula de
hospedagem ontem. Isso era um erro. Não importa o que Draco dissesse,
essas aulas eram necessárias.
O que quer que estivesse passando por sua mente deve ter sido exibido
abertamente em seu rosto, porque quando ela olhou para cima da mesa,
Blaise estava olhando para ela, uma sobrancelha levantada.
Ela desviou o olhar e rapidamente voltou a se concentrar em Draco, que
estava detalhando as necessidades para as próximas semanas devido ao
fardo financeiro deles.
Mockridge interrompeu e disse: — Achei que você tivesse mencionado que
essas parcelas semanais eram seguras. Elas foram prometidas sem
condições
Draco engoliu em seco e encontrou os olhos de Mockridge.
— Afinal, havia condições.
Mockridge resmungou novamente.
— Então, qual é o seu plano, quando nos aproximarmos do dia do
pagamento no final deste mês?
Hermione sentiu seu estômago revirar. Ela tentou ignorar os planos de
contingência que eles precisavam colocar e olhou para qualquer outra coisa
ao redor da sala. Seus olhos pousaram em Cornelia Waterstone, cujo
primeiro dia foi recebida com esta conversa. Hermione percebeu que o
salário de Waterstone para fevereiro era uma nova despesa a ser paga. Se
eles soubessem da herança, Waterstone não teria sido contratada até março.
Isso estava fora de controle. Ela sentiu uma pressão atrás dos olhos,
frustrando-a. Ela precisaria falar com Draco, e continuar com as aulas.
Quando a reunião terminou, e o humor de todos havia piorado, Hermione
permaneceu na mesa enquanto todos se levantavam e corriam de volta para
suas mesas, com a tarefa de encontrar maneiras de economizar e
possivelmente gerar um pouco mais de receita nas próximas três semanas.
Ela bateu a pena contra o pergaminho, observando as manchas se
formarem. Draco ainda estava na cabeceira da mesa, fingindo juntar suas
anotações.
— Granger.
— Isso não é justo. Não para aqueles que perderam seus empregos. — Ela
mordeu o interior da bochecha.
— Eles não foram demitidos, Granger. Suas horas foram cortadas.
Ela começou a empilhar suas anotações e se levantou para sair.
— Podemos adiar o projeto do pomo de Ouro. E vou procurar maneiras de
reduzir o orçamento do Lobisomem para que possamos realocar esses
fundos...
— Não podemos realocar esses fundos. As doações foram feitas com um
entendimento específico de como os fundos seriam usados.
— Então o meu é o único departamento que não está passando por cortes
orçamentários? — Ela abriu os braços para os lados. — Como isso é justo?
— O seu é o único departamento totalmente financiado pela arrecadação de
fundos, não pela herança. — Ele contornou a borda da mesa para ficar na
frente dela. A porta ainda estava aberta, mas ela queria que ele a tocasse.
Como se fossem parceiros, amantes. Como se eles se consolassem.
Ela apertou os papéis em suas mãos.
Uma ideia lhe ocorreu. — Mas o salário dos membros do meu
departamento é pago pela herança. Walter e eu, — disse ela. Ele estreitou os
olhos para ela. — Você pode cortar meu salário. Praticamente pela metade,
na verdade.
— Não, Granger. Não vamos cortar seu salário. — Ele quase revirou os
olhos para ela, recuando para empurrar a cadeira e fazer suas anotações.
— Não, de verdade. A quantidade de dinheiro que ganho aqui é obscena.
Pelo pagamento de fevereiro, você pode cortar meu salário, ou até mesmo
pegar tudo, — ela sussurrou. — Ninguém precisa saber. — Ela observou
enquanto ele apertava os lábios, preparando seu argumento. — Além disso,
com Pansy cobrindo os custos do meu guarda-roupa e sem as aulas
queimando meu bolso, terei muito poucas despesas.
Suas mãos pararam de mexer na papelada. Sua mandíbula estalou. Ele
olhou-a.
— A despesa com as aulas foi colocada sobre você?
Ela viu o mesmo fogo em seus olhos do beco no sábado.
— Eu não iria deixá-lo cobrir isso. Recusei o dinheiro dele. — Ela piscou
para ele. Ele moveu os olhos pela mesa, pensando, provavelmente
planejando a morte do pai. Ela tocou seu cotovelo para trazê-lo de volta. —
Draco, só em fevereiro. Corte meu salário. A única pessoa que vai notar é
Dorothea e tenho certeza que ela não vai dizer nada.
— Não. Não é assim que vamos lidar com isso, Granger. Eu coloquei todos
nós nessa confusão, então deixe-me tirar-nos daqui. — Sua mandíbula
apertou e ele olhou para ela antes de ir para a porta.
Quando ele saiu, ela se perguntou como, em nome de Merlin, foi ele quem
os colocou nessa confusão. Ela olhou para o pergaminho manchado.
Uma coisa era certa. Ela iria para Madame Michele amanhã à noite. Draco
poderia lidar com isso.
Cornelia Waterstone acabou invadindo seu encontro de "almoço". E não da
maneira divertida.
Cornelia tinha visto no calendário do escritório que Hermione e Draco
passavam algum tempo antes do almoço discutindo seus casos diariamente,
e decidiu se juntar a eles para se atualizar sobre a Política de Lobisomem.
Isso significava que Hermione tinha que pegar suas anotações para a
Política do Lobisomem, já que ela originalmente não tinha intenção de fazer
nada além de envolver as pernas em volta dos quadris de Draco nesta
reunião de "almoço".
Quando ela voltou, Draco e Cornelia já estavam em uma conversa profunda
sobre os próprios membros do Wizengamot e os planos de Cornelia de se
conectar com cada um deles sobre a próxima proposta.
Quando a secretária de Draco (Carrie – o nome era Carrie) interrompeu às
12h30 para perguntar sobre o pedido do almoço de Draco, ele
educadamente convidou Cornelia para se juntar a eles, mas Hermione podia
ver a tensão em seus lábios, a esperança de que ela recusasse.
— Ah, obrigado, senhor. Mas tenho um amigo na rua com quem marquei
um almoço. — Cornelia saiu com um breve aceno de cabeça, e depois que
Carrie anotou o pedido e fechou a porta atrás dela e de Cornelia, Draco
silenciou a sala e acenou com a mão para jogar tudo em sua mesa voando
para o chão.
— Suba na mesa.
Ele estava a meio caminho de sua camisa quando seu cérebro a alcançou.
— Draco, só temos talvez quinze minutos antes de Carrie trazer o almoço!
— Isso é um desafio, Granger? — Ele levantou uma sobrancelha para ela
quando começou a desfivelar o cinto. — Acha que não consigo gozar em
quinze minutos? — Seus olhos estavam quentes nos dela.
Ela piscou para ele, sentindo seu sangue esquentar. Ele já estava meio
despido.
— Bem, definitivamente não duas vezes. — Ela levantou uma sobrancelha
para ele. E sorriu.
Ele estreitou os olhos para ela. E a jogou sobre a mesa.
Dezesseis minutos depois, Draco e Hermione estavam sentados no sofá
novamente, comendo seu sanduíche e salada.
Ele fez algumas perguntas sobre a Política de Lobisomem, ela assumiu para
que eles pudessem contar isso como funcionando.
Ela trouxe alguns pontos para o projeto Pomo de Ouro e se ofereceu
novamente para paralisá-lo devido à situação financeira.
— Desde que seja arrecadado, não há necessidade de atrasá-lo.
Ela assentiu com a cabeça e disse: — Vou me encontrar com Viktor na
quarta-feira. — Ela girou a alface ao redor da caixa. — Vamos almoçar e
vou lançar a campanha do Pomo de Ouro. Espero que assim que ele estiver
a bordo possamos conseguir Skeeter e a Srta. Lovegood para cobrir o
projeto. — Ela espetou um tomate e o levou aos lábios. — A revista
"Seeker Weekly" publica artigos? Ou apenas fala besteiras de Quadribol?
Ela olhou para ele, e ele estava olhando para ela. Ele sorriu.
— Sim, eles têm artigos.
— Ah, que bom. Podemos ver se eles farão um também. — Ela enfiou o
tomate na boca e mastigou alegremente.
Ele terminou de mastigar o sanduíche e disse: — Boas notícias que Krum
quer se envolver?
— Sim, ele estava muito interessado no baile dos Namorados. — Ela
apontou o garfo para outro tomate quando ouviu a risada de Draco.
— Mm-hmm. Tenho certeza que ele estava, — ele cantou. Ele olhou para
ela com olhos sugestivos.
Ela franziu a testa para ele.
— Não, assim não.
— Tenho certeza disso. — Draco ergueu uma sobrancelha enquanto
amassava a embalagem de seu sanduíche. — Você não pode acreditar
honestamente que ele está interessado no bem-estar dos Pomos de Ouro.
— Ele está. — Ela sentiu os ombros tensos. — Ele está muito interessado
nos Pomos de Ouro, e vou provar isso para você quando voltar do almoço
com todo o apoio dele. — Ela empinou o nariz.
— Claro, Granger. Tente usar um saco de lixo desta vez e veremos onde
estão seus verdadeiros interesses.
Ela olhou para ele. Ele sorriu de volta.
Ela se virou para a salada e ele disse: — Ouvi dizer que você vai jantar com
minha mãe no sábado.
Ela olhou para ele.
— Sim, está certo. — Ela espetou um tomate e perguntou: — Você vai estar
lá?
Rápido como uma maldição, ele pegou o tomate de seu garfo e o enfiou na
boca. Ela olhou para ele.
— Possivelmente. — Ele mastigou e piscou para ela.
Ela olhou enquanto pegava o último tomate e o jogava na boca. Ela estava
fechando a caixa e colocando-a no saco plástico para o lixo quando ele
falou.
— Você consideraria passar a noite? Depois do jantar?
Ela olhou para ele de sua posição inclinada sobre o saco de lixo. Ele olhou
para ela, pressionando os lábios.
— Na Mansão? — Ela se sentou, piscando para ele. Ele assentiu. — No seu
quarto?
— Ou o quarto de Mippy. Onde quer que você se sinta mais em casa, — ele
brincou.
— Será que... sua mãe ficaria bem com isso? Não é... impróprio? — Ela riu
com força.
Draco deu de ombros.
— Ela não precisa saber. — Ele se inclinou sobre a almofada do sofá para
sussurrar em seu ouvido. — Teríamos uma ala inteira da Mansão só para
nós. — Ele beijou sua orelha. Então sua mandíbula. Então seus lábios. — E
se ela pegar, eu vou dizer a ela para preparar o café da manhã também.
Ele beijou seus lábios levemente novamente. Ela sorriu.
— Tudo bem. Sim. — Ela mordeu o lábio e acrescentou: — Mas diga a
Mippy que eu durmo do lado direito da cama.
Ele reprimiu um sorriso.
— Vou me certificar de que ela acomode você. — Antes que ela pudesse
começar a entender o que passar a noite no quarto de Draco implicaria, ele
continuou: — Além disso, estarei fora da cidade na sexta-feira. Viagem
pessoal. — Ele se mexeu no sofá, olhando para frente enquanto ela tinha
seu corpo virado para ele.
— Oh. — Isso é tudo o que ela poderia pensar em dizer. — Você vai voltar
para Nova York?
Seus olhos se voltaram para os dela, depois para longe.
— Não.
Ela assentiu, como se ele tivesse dito algo que ela entendeu. Ela mordeu o
interior de sua bochecha antes de reunir sua bravura.
— O que havia em Nova York?
Ela o observou cerrar a mandíbula. Ele voltou tenso, agressivo e não
comunicativo, e ela, por algum motivo, queria apertar seus botões sobre
esse assunto.
— Nova York foi um erro.
Ela se arrependeu de ter trazido isso à tona. Ela sentiu que o que quer que
ele estivesse prestes a dizer seria dez vezes pior do que não saber.
Draco encarou suas mãos, então finalmente respirou fundo.
— Tem uma mulher lá. — Sua mandíbula estalou.
Hermione sentiu como se uma ponta quente tivesse sido enfiada dentro de
seu peito. Sua imaginação muito ativa começou a imaginar Draco em todos
os tipos de posições com uma garota americana sem rosto. Seios grandes,
cintura fina, cabelo loiro de praia. Ela o ouviu respirar fundo ao lado dela,
preparando-se para revelar seus segredos, e ela quase o impediu, não
querendo ouvir mais nada.
— Ela é uma Legilimente.
Sua cabeça virou para encará-lo. Uma Legilimente sexy?
— Eu precisava... pensei que precisava da ajuda dela. — Draco engoliu em
seco, pegando as migalhas de seu sanduíche.
— Ajuda com o quê? — ela sussurrou, com medo de quebrar esse feitiço de
honestidade sob o qual ele estava.
Draco respirou fundo, deslizando as palmas das mãos sobre os joelhos,
preparando-se para falar.
— Eu sou um oclumente muito habilidoso. Entre tia Bella e Severus... tive
alguns professores notáveis. — Draco coçou a mandíbula, mantendo os
olhos no tapete. — Eu tenho compartimentado por anos. Separando
memórias, pensamentos, emoções... — Ele fez uma pausa, como se
quisesse acrescentar algo a essa lista. Hermione não conseguia desviar o
olhar de seu rosto.
Ela pensou nele em seu quarto de infância, uma respiração profunda e então
um olhar vazio. Ele em sua lareira, enquanto ela gritava atrás dele, a mão de
sua mãe na dele. Uma respiração profunda e, em seguida, um olhar vazio.
Ela sabia que era oclumência, mas não sabia o quão profunda era. Ele
continuou.
— Severus costumava me ajudar. Costumava bisbilhotar até me reagrupar.
Até que houvesse paredes resilientes novamente...
Mais uma vez, parecia que havia mais. Mas Hermione estava com medo de
se mover. Com medo de que ele parasse.
— Mas sem ele... — Ele engoliu em seco. — Antes de ir para Nova York,
eu estava escorregando. Por meses. Não conseguia colocar as paredes no
lugar. Não era possível separar. — Ele moveu as mãos sobre os joelhos
novamente. — Blaise tentou ajudar, mas ele é uma merda em Legilimência.
— Draco riu, e o som a irritou, tão nervoso e antinatural.
— Achei que precisava de alguém para... me testar. Para bisbilhotar até que
tudo esteja reagrupado. — Ele passou a mão pelo cabelo. — Então, entrei
em contato com alguém em Nova York que é uma das maiores Legilimentes
de nosso tempo. Ofereci-me para pagá-la generosamente para se encontrar
comigo e preparei uma chave de portal naquela noite.
Hermione não tinha mais medo de uma loira rechonchuda que tinha o corpo
de Draco. Agora ela estava considerando alguém que tinha acesso a sua
mente, seus segredos, os lugares escondidos que ela gostaria que ele
compartilhasse com ela. A dor nas costelas a sufocou.
— Isso é... — Ela limpou a garganta. — Isso é algo que ela faz para viver?
Existe uma profissão nisso?
— Não não. — Draco balançou a cabeça, ainda olhando para o tapete. —
Ela recusou meu dinheiro. Recusou-se a se encontrar comigo, na verdade.
— Ele riu novamente. — Eu tive que implorar a ela. Ela é uma bruxa
normal. Uma viúva.
Viúva. Hermione não queria saber muito mais sobre essa mulher, mas estava
secretamente feliz por não haver uma loira de 25 anos, cintura pequena e
seios grandes nos Estados Unidos que conhecesse cada um dos segredos de
Draco Malfoy.
— Ajudou? — ela perguntou. — Você conseguiu o que queria?
Ela pensou no jantar com o Sr. Townsend. Quão frio ele tinha sido e quão
distante ele tinha estado dela depois.
Um pequeno e triste sorriso surgiu em seus lábios.
— Não. — Ele se virou para olhar para ela. Finalmente. — Eu te beijei de
novo, não foi?
Hermione engoliu em seco, observando-o, lendo-o. Seus olhos estavam
gentis, mas ele a estava apodrecendo por dentro.
Ela tentou igualá-lo e sorriu tristemente de volta.
— Na verdade, eu te beijei.
Ele sorriu, e era como se Draco tivesse voltado. — Sim, você estragou tudo,
não foi? — Ele levantou as mãos de seus joelhos e as trouxe para o rosto
dela. Ele se inclinou para beijá-la e murmurou contra seus lábios, — Graças
a Merlin ela não me deixou pagá-la. Que desperdício isso teria sido.
Ela sorriu contra seus lábios enquanto ele a beijava. Ele pressionou sua
língua contra a dela e ela o deixou consumi-la lentamente, mas ela estava
gritando por dentro. Ela precisava perguntar a ele agora, antes que o
momento desaparecesse.
Ele se afastou para inclinar sua boca contra a dela novamente, e ela trouxe
suas mãos para as dele, parando.
Ele abriu os olhos para olhar para ela, e ela viu o menino que olhava
boquiaberto para o quarto dela, verificando cada canto com os olhos antes
que se enchessem de lágrimas e ele desmaiasse. Ela ouviu o suspiro quando
sua tia a torturou, e ela ouviu a voz de sua mãe – " O que Severus diria?" –
quando ele prendeu a respiração e apertou as pálpebras fechadas. Ela viu os
olhos cinzentos que a encaravam no tribunal, que a encaravam mortalmente
em sua primeira visita a Cornerstone, que perguntavam há quanto tempo ela
saia com Aiden.
— Você foi para Nova York para me esquecer? — ela perguntou.
Ele olhou de um lado para o outro entre os olhos dela e passou o polegar
nos lábios dela.
— Não, — disse ele. — Para colocá-la de volta em sua caixa.
Capítulo 34.
Na noite de terça-feira, ela atravessou a lareira para chegar ao salão de chá.
Ela mordeu o interior da bochecha, imaginando se essa era a decisão certa,
mas no final das contas sabia que, se pudesse garantir as próximas três
parcelas da herança, tudo iria embora.
Ela se sentou em uma das mesas próximas e esperou até as 19h59, quando a
porta do escritório de Madame Michele se abriu.
A pequena mulher a examinou através dos óculos. Hermione se levantou.
— Srta. Granger. Eu fui avisada que você não teria mais aulas.
Hermione engoliu em seco. — Houve um mal-entendido, receio. Pretendo
terminar essas aulas e continuar o acordo que fiz com Lucius Malfoy. Eu
apreciaria se você transmitisse isso a ele.
Madame Michele levantou uma sobrancelha para ela. — Muito bem, Srta.
Granger. Farei o meu melhor.
~*~
Hermione mandou uma coruja para Monsieur DuBois na segunda-feira para
reagendar a aula de design de interiores que Draco havia invadido, e
Madame Bernard, cuja aula de hospedagem Hermione havia adiado para
domingo de manhã.
Madame Bernard concordou em se encontrar às 21h na terça-feira, logo
após Madame Michele, e Monsieur DuBois dissera que apenas na quarta-
feira, às 7h, funcionaria para ele.
Ela tinha a sensação de que todos eles planejaram isso.
Ela chegou ao trabalho na manhã de quarta-feira às oito e cinco, bocejando.
Draco estava lá quando o elevador abriu, e ele ergueu uma sobrancelha para
ela enquanto lhe entregava uma xícara de café.
— Noite difícil?
— Sim. — Ela não se incomodou em inventar qualquer tipo de desculpa.
Ela tomou um gole do café enquanto caminhavam para seu escritório, como
todas as manhãs. Ao afastar o copo dos lábios, ela viu Kelsey, a sócia de
Mockridge, olhar para os dois e sorrir em sua mesa.
Hermione piscou. Eles eram muito óbvios?
— Eu decidi um plano para o almoço, — Draco disse, e Hermione se
concentrou nele. — Algo para recuperar nossa privacidade, — ele sussurrou
para ela.
Cornelia Waterstone tinha quebrado o almoço ontem também. E ontem,
Waterstone tinha aceitado quando Draco a convidou para almoçar com eles.
Eles não faziam sexo desde segunda-feira, nem mesmo se tocavam. O que
de repente ficou muito aparente para Hermione enquanto Draco a guiava até
sua própria porta, com a mão nas costas dela.
Draco continuou, — Eu marquei uma reunião sobre o Programa de
Integração de Nascidos Trouxas para esta tarde. Não vamos precisar de
nenhum conselho do Wizengamot sobre isso. — Ele levantou uma
sobrancelha para ela. — E, eu acho, que nós poderíamos realmente
conversar sobre isso. — Ele piscou para ela e, como estava de costas para o
chão do escritório, ela foi a única a ver.
Ela matou o sorriso nos lábios. — Eu tenho uma reunião de almoço com
Viktor hoje, lembra?
Ela observou o sonho morrer em seu rosto. — Ah sim. Viktor. — Seu
sorriso não alcançou seus olhos.
— Talvez amanhã?
— Tenho uma reunião amanhã na hora do almoço. E então estarei fora da
cidade na sexta-feira. — Ele franziu a testa para ela. — Você está livre
amanhã à noite?
Ela piscou para ele. Amanhã à noite? Tipo... um encontro de verdade? E
não apenas sexo na hora do almoço?
— Er... acho que sim. — Aula de dança! — Quero dizer, er, não. Na
verdade, não estou. — Ela desviou o olhar dele. — Mas estou livre esta
noite. — Ela olhou para ele. Ela não tinha ideia do que ele havia planejado,
mas se ele quisesse se encontrar com ela oficialmente, ela iria.
Ele fez beicinho. — Esta noite não é boa para mim. — Ele olhou para o
batente da porta. — Vou dar um jeito. — Ele olhou para ela e tocou seu
quadril levemente antes de se afastar. Ela tinha certeza de que ninguém
podia ver, mas ela ainda se derreteu um pouco.
Algumas horas depois, ela estava saindo para almoçar com Viktor. Eles se
encontraram no mesmo café que ela e Katya foram, e Hermione se
perguntou se era uma coisa búlgara.
Ele já estava esperando por ela e se levantou da mesa quando ela entrou.
— Herminny, — disse ele, e ela pensou que estava muito perto. Ele a puxou
para ele e a beijou em cada bochecha, roçando perto de seus lábios.
Eles sentaram, conversaram e riram, e ela encontrou o momento perfeito
para trazer à tona a campanha do pomo dourado. Felizmente para ela, ter o
apoio de Viktor custou muito pouco a Viktor e ao MCG. Ele precisaria ser
entrevistado para O Pasquim e o Profeta Diário durante sua campanha de
mídia na próxima semana, e conforme eles se aproximassem da data do
tribunal, ele precisaria fazer alguns anúncios contra a caça ao Pomo
Dourado.
Viktor estava muito aberto para discutir isso. Ele estava atento a tudo o que
ela tinha a dizer, mesmo que a interrompesse a cada poucos minutos para
dizer como ela estava bonita, ou como sua pele brilhava quando ela estava
entusiasmada com os direitos do pomo.
Ela tentou empurrar para baixo o que Draco havia dito sobre Viktor estar
interessado apenas nela e não nos pomos.
No final do almoço, ela se ofereceu para mostrar a ele os novos escritórios
do MCG e deixá-lo conhecer alguns de seus colegas de trabalho, incluindo
Walter, que havia feito o possível para reprimir seu fanatismo por Viktor
Krum naquela manhã.
Viktor atravessou a rua com ela e eles pegaram o elevador de serviço. Os
olhos de Melody ficaram arregalados e gananciosos, e várias garotas nos
cubículos olharam duas vezes para Viktor Krum. Walter apareceu do nada e
começou a apertar a mão de Viktor, discutindo sobre alguma coisa
relacionada ao Quadribol. Hermione sorriu educadamente quando
Wentworth enfiou a cabeça para fora de seu escritório e os três começaram
a contar uma velha história da Copa do Mundo.
Ela ficou na frente, observando enquanto Melody tentava manter os olhos
longe de Viktor a alguns metros de distância e classificava sua
correspondência.
Blaise quase a derrubou na pressa de chegar até Viktor Krum. Enquanto ela
se endireitava, Draco apareceu em seu ombro.
— Como foi seu encontro?
Ela ignorou a frase e disse: — Excelente. Ele se juntará a nós na próxima
semana para a cobertura da mídia. E ele está muito interessado no projeto,
muito obrigado. — Ela baixou a voz e continuou: — Eu não tive que
mostrar meus seios a ele nem nada.
Ela sentiu Draco ainda ao seu lado, e ela sorriu para ele inocentemente.
— Ótimas notícia, Granger.
Viktor estava voltando para Hermione.
— Herminny, preciso ir. — Viktor olhou para Draco e lhe deu um sorriso
tenso. — Olá, Malfoy.
— Krum, — Draco disse, estendendo a mão para cumprimentá-lo. —
Estamos muito felizes em ter seu apoio.
— Sim, — Viktor disse, afastando sua mão de Draco. — Qualquer coisa
por Herminny. — Apesar do erro de pronúncia, Viktor conseguiu pegar a
mão de Hermione com muita confiança e dar um beijo em seus dedos.
Ela sorriu para ele e se ofereceu para levá-lo lá embaixo. Ela saiu com ele,
passou pela porta de entregas e foi para a rua.
Ela prometeu dar mais detalhes sobre o dia da mídia na próxima semana, e
ele a informou com olhos profundos que ela poderia contatá-lo para
qualquer coisa que precisasse.
Hermione corou e foi abraçá-lo. Viktor beijou sua bochecha esquerda,
depois a direita, e assim que Hermione estava se afastando para se despedir,
ele beijou seus lábios, suave e insistente.
Ela piscou para ele quando ele se afastou. Ele deu a ela um sorriso arrojado
e foi embora.
Hermione voltou para dentro, ficou com os lábios zumbindo nos
elevadores, e quando as portas se abriram e Draco ainda estava lá, fingindo
separar a correspondência, ela tentou passar por ele.
— Não gosto do seu búlgaro, — disse ele.
Ela olhou para cima e Melody estava preocupada com alguma coisa.
Ninguém podia ouvi-lo. Ele olhou para ela, verificando sua reação. Ela
fixou os olhos nele.
— Eu tive que aguentar a sua. E eu sobrevivi, — disse ela.
Ela levantou uma sobrancelha para ele, e se afastou, em seu escritório e fora
de vista.
~*~
A foto de Viktor beijando-a na boca estava na seção social de Skeeter na
quinta-feira. Alguém os seguiu desde o café, tirando fotos deles sentados
juntos comendo croissants.
Ginny estava muito confusa, mas Hermione a assegurou que não era nada.
Apenas uma coisa europeia.
Ginny apontou para a foto no momento em que Viktor pressionou seus
lábios contra os dela, mais do que um selinho, e disse: — Sim, parece
positivamente "europeu" para mim.
Hermione franziu a testa para ela e saiu pela porta.
Quando as portas do elevador se abriram e Draco não estava lá com o café,
Hermione percebeu quantas pessoas liam a seção da sociedade de Skeeter.
Ela se dirigiu para seu escritório, ignorando o olhar de Kelsey, a associada
intuitiva, e fechou a porta atrás dela.
— "Antigas chamas queimam mais forte." — Uma voz de sua mesa, e ela
olhou para ver o Profeta Diário pairando na frente do rosto de Draco
enquanto ele lia o título da seção Skeeter. Ele dobrou o papel sobre si
mesmo e olhou para ela por cima. Ela notou uma xícara de café colocada
em sua mesa ao lado de sua tinta.
— Em que posso ajudá-lo, Sr. Malfoy? — Ela deu a ele um sorriso
bajulador, enquanto pendurava o casaco e o cachecol no cabideiro.
Ela olhou para ele e ele ainda estava encostado na beirada da mesa dela,
lendo o jornal. Ele estava sorrindo com as palavras, mas seus olhos não
estavam se movendo e seus lábios estavam apertados.
Ela caminhou até ele lentamente, puxou o papel de seu rosto e se inclinou
para beijá-lo. Ela pressionou os lábios sobre os dele e ele relaxou, passando
um braço pela cintura dela. Ela moveu seus lábios nos dele, levemente,
persuadindo-o até que ele a beijou de volta com firmeza. Ele levou a mão à
bochecha dela, mergulhando a língua em sua boca.
Ela se afastou e sorriu contra seus lábios. — Eu gosto mais da nossa chama.
Ele olhou por cima do ombro dela, tentando lutar contra o sorriso. — Tenho
uma reunião em cinco minutos, ou então me ofereço para foder você nesta
mesa.
— Hum. — Ela corou. — Isso é uma vergonha. — Ela estendeu a mão ao
redor dele, pressionando contra ele de propósito, e agarrou sua xícara de
café. Ela sorriu para ele enquanto bebia.
— A parcela desta semana da herança foi transferida ontem, — ele disse, e
ela deixou o sorriso desaparecer de seu rosto. — Geralmente é nas noites de
terça-feira, mas foi ontem, às 8h. — Ele procurou seu rosto. — Você não
sabe nada sobre isso, sabe Granger?
Ela engoliu o café e balançou a cabeça. — Talvez seu pai queira dar a você,
afinal?
— Talvez, — ele cantarolou, procurando seus olhos. Ele moveu o cabelo
dela sobre a orelha, e então a beijou na bochecha, então mudou para a outra
bochecha, e ela estava sorrindo antes que ele pudesse terminar o mesmo
caminho que Viktor havia mostrado nos jornais. Ele beijou seus lábios.
Ele deslizou para fora entre ela e a mesa, e deu a ela um sorriso sedutor ao
sair. Ela caminhou até a porta quando o ouviu cumprimentar alguém nos
elevadores.
Ela encostou-se no batente da porta e encontrou Draco apertando a mão do
mesmo homem do baile do governador – aquele a quem Slughorn o havia
apresentado. Ela observou enquanto Draco o levava de volta ao seu
escritório e fechava a porta atrás deles.
~*~
Sábado não poderia vir em breve. Hermione embrulhou os livros que havia
emprestado anteriormente e os colocou ao lado de sua bolsa.
Ela checou seu cabelo, vestido e maquiagem no espelho novamente. Era
muito difícil encontrar algo que fosse apropriado para vestir para jantar com
Narcissa Malfoy, e ao mesmo tempo sedutor o suficiente para deixá-la louca
de desejo. Ela se contentou com um vestido aprovado por Narcissa Malfoy,
com uma lingerie, recentemente comprada por Draco Malfoy.
Ela não via Draco desde a manhã de quinta-feira. Ele estava sobrecarregado
no trabalho e depois fora da cidade na sexta-feira. Então já fazia um total de
cinco dias desde que eles fizeram sexo.
Para dizer o mínimo, ela estava pronta para passar um tempo com Draco
esta noite.
Ela deu uma última olhada no espelho e atravessou seu Flu até a lareira dos
Malfoy, no hall de entrada. Na base da escadaria de mármore, Narcissa
Malfoy estava de pé em longas túnicas com as mãos cruzadas. Hermione
levou um momento para sorrir para ela, sentindo como se tivesse voltado
para casa depois de uma longa viagem.
Antes que ela pudesse cumprimentá-la, Mippy apareceu na frente dela.
— Srta. Granger! Mippy está feliz em vê-la! Mippy fez uma excelente sopa
para esta noite, mas Mippy não conseguiu encontrar abóboras! Elas não
estão na temporada! Mippy queria te dar sopa de abóbora!
Os olhos redondos e brilhantes da elfa brilharam para ela. Hermione sorriu
e disse: — Obrigada, Mippy. Tenho certeza de que tudo o que você faz é
maravilhoso.
Mippy sorriu. Narcissa tossiu atrás dela, e Mippy acenou para ela e se
moveu para o lado. Narcissa estava lá com um abraço acolhedor.
— Hermione, querida. Estou tão feliz por ter você aqui.
Ela sentiu braços ao redor de seus ombros segurando-a perto. Ela não
percebeu que sentia falta do cheiro de Narcissa.
— Obrigado, Narcissa. Estou tão feliz por estar aqui.
A mulher mais velha se afastou para sorrir para ela e disse: — Vamos
deixar você na biblioteca um pouco, certo?
Mippy pegou os velhos livros nas mãos de Hermione e saiu com eles,
enquanto Hermione se virava para seguir Narcissa pelo corredor, passando
pelos bustos. Ela manteve os olhos longe do rosto de pedra de Lucius
olhando para ela, e se concentrou em onde o busto de Draco estaria um dia,
bem ao lado das portas da biblioteca.
Narcissa abriu as portas da biblioteca. Cheirava exatamente como ela se
lembrava.
— Vamos sentar um pouco? — Narcissa perguntou. — Não quero tomar
muito do seu tempo de navegação.
— Não, de jeito nenhum. Eu adoraria conversar com você.
Mippy, como se esperasse aquelas palavras mágicas, apareceu segurando
uma bandeja.
— Café, querida? — Narcissa perguntou. — Temos descafeinado também.
Embora fosse um pouco tarde para a cafeína, Hermione pensou na pequena
quantidade de sono que planejava ter esta noite e escondeu o rubor
enquanto pedia cafeína.
Mippy serviu, e ela e Narcissa se sentaram. Tantas coisas mudaram desde o
primeiro encontro na biblioteca. Hermione se perguntou qual seria o grande
esquema de Narcissa.
Elas conversaram sobre livros. Elas conversaram sobre o Grupo de
Consultoria Malfoy. Elas conversaram sobre bailes de caridade e a Quimera
que agora residia em Gringotes e pequenas travessuras de Draco quando
criança. Cada vez que Hermione trazia o pires para baixo da xícara, ela
pegava Narcissa olhando fixamente, os lábios franzidos, e Hermione se
perguntava se havia coisas que ela precisava desaprender.
Narcissa continuou encontrando maneiras delicadas de trazer a conversa
para Draco – seu maior talento. Hermione estava desesperada para saber se
ela sabia sobre os dois, mas também tinha certeza de que os poderes de
percepção de Narcissa eram mais impressionantes do que ela poderia
imaginar.
— Narcissa, — Hermione começou, — eu sei que provavelmente nem é
preciso dizer, mas fiquei triste em saber sobre o processo de divórcio. —
Hermione olhou para seu café. — Draco me garantiu que isso era uma coisa
boa, mas ainda assim, eu queria expressar minha solidariedade pelo que
você está passando.
Ela olhou para cima, checando Narcissa e encontrou um sorriso delicado
em seus lábios.
— Isso é muito gentil da sua parte, mas sim, Draco está certo. Tudo está
como deveria estar. — Narcissa recolocou a xícara no pires e colocou-a na
mesinha lateral. — Lucius quebrou um acordo comigo. Então eu, por minha
vez, estou lucrando com minhas fichas. — Narcissa voltou-se para ela. —
Não é nada que Lucius não tenha previsto.
Hermione acenou com a cabeça para sua xícara de café, tentando entender
as complexidades do drama da família Malfoy.
— Bem, querida, — Narcissa disse, — você tem cerca de uma hora antes do
jantar ser servido. Deixe-me deixá-la navegar. — Narcissa se levantou e
Hermione seguiu o exemplo. Narcissa apontou um dedo para ela. — E não
me deixe pegar você saindo daqui com menos de dez livros novos!
Hermione riu e agradeceu. Narcissa pegou a mesma cesta que Draco trouxe
para ela na última vez que ela procurou por livros, e disse, — Draco deve
estar em casa na hora do jantar.
Ela a deixou, de pé no meio da biblioteca. Hermione sorriu para os livros,
determinada a descobrir algo novo hoje enquanto vagava. Ela se forçou a
passar os livros instrutivos e antigos livros de feitiços, movendo-se mais
fundo nas estantes. Ela não tinha visto a parede dos fundos da biblioteca
antes, então começou a se sentir um pouco sobrecarregada com o tamanho
da sala.
Hermione teve um pensamento passageiro e inocente de que daria qualquer
coisa para ter rédea solta na biblioteca dos Malfoy, para ter reunida esta
coleção, para ser capaz de aumentá-la, para ser capaz de ler todos os livros
nela.
E assim que ela encontrou a parede dos fundos, completa com um assento na
janela com vista para os jardins, Hermione percebeu que a esposa de Draco
Malfoy iria. A senhora Malfoy teria não apenas o controle da biblioteca e
seu conteúdo e cuidado, mas toda a casa. As reformas, o design, os jardins.
As aulas de design de interiores com Monseiur DuBois. As aulas de
hospedagem com Madame Bernard.
Hermione engoliu em seco, procurando pela janela e encontrando o gazebo.
Ela balançou a cabeça, virando-se e concentrando-se nas pilhas. Focando nos
livros. Sólida e descomplicada.
Ela levou seu tempo, examinando as prateleiras, olhando através de livros
antigos em busca de segredos ocultos. Ela colocou alguns que queria levar
com ela no assento da janela, mas, novamente, precisava consolidar. Seus
dedos tinham acabado de passar por cima de um livro sobre Nicolas Flamel,
um que ela tinha quase certeza que teria ajudado os três em seu primeiro
ano, quando ela sentiu o ar mudar em seu canto.
Ela olhou por cima do ombro, e Draco estava lá, inclinando-se casualmente.
Observando-a. Ele sorriu.
Seu sangue esquentou em suas veias quando ela sorriu de volta para ele. —
Sua mãe nunca te ensinou que não é educado olhar fixamente? — Ela
levantou uma sobrancelha para ele.
— Ela tentou. — Ele cruzou os braços. — Mas ela também me disse para
aproveitar as coisas bonitas da vida, então acho isso uma contradição muito
difícil.
Ela piscou para ele, e sentiu-se corar. Ela olhou de volta para o livro de
Nicolas Flamel, abrindo a capa.
— Achados interessantes?
— Mm-hmm. Na verdade, tenho quase certeza de que, se eu tivesse acesso à
biblioteca Malfoy nos últimos dez anos, Voldemort não teria tido chance.
— Ela sorriu para o sumário.
Ela o ouviu se erguer e se aproximar dela. — Bem, da próxima vez que um
bruxo das trevas aparecer, vou me certificar de que você tenha tudo o que
precisa.
Hermione deu um pequeno sorriso, sua mente vagando por seus
pensamentos anteriores sobre quem poderia ter acesso a esta biblioteca no
futuro.
— O que você está lendo agora? — Ela sentiu a voz dele por cima do
ombro, sentiu o calor do peito dele atrás dela enquanto ela encarava as
estantes.
— Nicolas Flamel. Alquimista. Pedra filosofal. — Uma de suas mãos
afastou o cabelo de seu pescoço. — Este livro foi escrito em 1800, antes que
se soubesse muito sobre ele. — A mão esquerda dele pousou em seu quadril,
sobre o vestido leve que ela usava. — Então... então tem principalmente
teorias da conspiração e possíveis avistamentos.
Ela sentiu o rosto dele perto do dela, a bochecha dele roçando sua orelha.
Ele olhou para o livro por cima do ombro dela e cantarolou, — Mm-hmm.
— O som causou arrepios nela, e ela sabia que ele havia notado.
— Provavelmente não é tão factual, — disse ela, e a mão em seu quadril
começou a fazer pequenos círculos, o polegar logo abaixo de suas costelas,
os dedos espalmados em seu osso ilíaco. — Mas... mas esse é sempre um
lugar muito interessante para começar... com pesquisa. — Ela estava se
arrependendo agora de como seu vestido era fino. Ela podia sentir o calor de
sua mão sobre ela como se não houvesse tecido algum. — Começando com
as coisas que foram desqualificadas ou provadas erradas.
Ele cantarolou em seu ouvido novamente, e seus dedos apertaram o livro.
Ela apertou os lábios enquanto ele baixava a cabeça para o pescoço dela,
roçando os lábios em sua pele. Ela se recostou no peito dele, e a mão direita
dele desceu pelo braço dela, deixando arrepios pelo caminho. Ela fechou os
olhos, pensando que a última vez que eles realmente estiveram juntos foi
quando ele a jogou sobre a mesa, seus dedos apertando a pedra enquanto ele
batia seus quadris contra os dela, chupando sua pele.
Sua mão direita finalmente alcançou a mão dela, segurando o livro. — Por
que você não me lê o Prefácio? — Ele virou a página para ela. Ela engoliu
em seco.
Ela respirou fundo e tentou focar seus olhos vidrados nas páginas à sua
frente.
— "Não se sabe muito sobre Nicolas Flamel. Eu o localizei ao longo dos
meus cinquenta e quatro anos e fiz descobertas que gostaria que o mundo
moderno soubesse."
Hermione pausou quando a mão de Draco deixou o livro e se juntou a outra
em sua cintura, ambas agora esfregando círculos contra seu vestido.
— Vá em frente, — ele sussurrou. E seus lábios caíram para o pescoço dela
novamente.
— "Estive na França, na Academia de Magia de Beauxbatons. Eu falei..."
— Seus beijos eram tão leves em sua pele, que ela quase desejou que ele os
pressionasse com mais força. — "Falei com os retratos restantes que podem
saber de Flamel e sua esposa Perenelle. Eles me contaram muitas histórias
sobre o jovem Nicolas..."
Os olhos de Hermione se fecharam por um momento. A mão de Draco subiu
pelo lado esquerdo de suas costelas, contando-as enquanto viajava. A mão
dele parou antes de alcançar o seio dela, deixando cada dedo se encaixar
entre uma costela, e o polegar em volta dela. Ela esperou que ele a tocasse,
as pálpebras tremulando, com a mão direita dele ainda desenhando círculos
em seu quadril e seus lábios desenhando beijos em seu ombro.
— O que os retratos têm a dizer, Granger? — ele murmurou contra sua pele,
e um choque percorreu seu estômago, apertando suas coxas juntas e puxando
a pele de seu peito até que ela sabia que seus mamilos estavam aparecendo
através do tecido.
Ela choramingou. — Hum... — Ela abriu os olhos, piscando para limpá-los.
— ...contos do jovem Nicolas e suas aventuras na escola. Mas alguns deles o
tinham visto desde então. Alguns deles..." — Ela se concentrou no livro
quando o polegar de Draco começou a sussurrar em seu peito, aproximando-
se. Seus dedos se levantaram, envolvendo-a, e sua mão direita deslizou para
baixo, para baixo, juntando o tecido do vestido para chegar por baixo. —
"Alguns deles tinham visto Nicolas Flamel e sua e... esposa em 1798,
colocando os Fl... flamels em cerca de quatrocentos anos de idade."
Draco colocou a mão direita sob o vestido, e ela sentiu o tecido flutuar de
volta para baixo, passando por seus joelhos enquanto os dedos dele
dançavam em suas coxas. Ela sabia que já tinha feito uma bagunça com sua
nova calcinha. A calcinha que usaria para Draco vê-la hoje à noite, e ela
sorriu, mordendo o lábio enquanto ele roçava a mão contra ela. Ele mordeu
seu pescoço e ela gemeu. Sua mão esquerda finalmente deu a ela o que ela
queria, movendo-se sobre seu seio, e então puxando-a, puxando e
provocando através de seu vestido, através de seu sutiã.
— Quatrocentos anos é muito velho, não é, Granger?
— Mm-hmm. — Ela engasgou. — Sim. — Ela sibilou.
A mão que a tocou por cima da calcinha, subiu até a barriga e mergulhou sob
o elástico, correndo para cima e para baixo, deslizando por ela.
Ela se inclinou para ele, quase deixando cair o livro.
— O que mais isso diz? — ele sussurrou, então beijando contra sua
mandíbula, chupando-a.
— Eu... eu não posso, Draco. Por favor.
Ele deslizou um dedo dentro dela, empurrando lentamente, e ela engasgou.
Ele empurrou seus quadris contra ela com firmeza, segurando-a entre seus
quadris e a mão dentro de sua calcinha, e ela o sentiu duro contra seu
traseiro. A mão em seu peito correu para o outro seio, tentando lutar contra o
tecido do vestido para deixá-lo entrar. Ele empurrou seus quadris contra ela
novamente e passou o polegar sobre seu seio.
— Oh Deus. Draco.
Ele acrescentou outro dedo dentro dela e ela podia senti-lo bufando contra
sua mandíbula, beijando-a enquanto empurrava para dentro e para fora,
bombeando um ritmo lento enquanto movia o polegar contra ela
rapidamente, seus quadris começando a moer.
Ela deixou cair o livro. Ela passou as mãos pelos braços dele, tentando
encontrar algo em que se segurar.
— Coloque as mãos nas prateleiras. — Sua voz era áspera contra sua
mandíbula. E suas mãos dispararam para frente, inclinando-se levemente,
mudando o ângulo de seus quadris que fez os dois gemerem. Ela o sentiu
movendo seus quadris rapidamente, mais rápido enquanto ele a esfregava,
mais rápido enquanto ela se apertava em torno de seus dedos enquanto eles
empurravam dentro dela.
— Porra... — ele sibilou contra ela, esforçando-se. — Eu queria isso... —
Ele engasgou contra sua orelha. — Queria isso toda vez que te via na
biblioteca de Hogwarts.
Ela gemeu e começou a apertá-lo. — Por favor, Draco.
A mão em seu sutiã desceu para seus quadris, mantendo-a imóvel enquanto
ele se movia contra ela, os dedos dentro dela desaceleraram, mas seu polegar
continuou se movendo nela. Ela começou a montar sua mão, ouvindo-o
ofegar enquanto ela se movia contra ele.
Um estalo atrás deles. Uma voz esganiçada.
— Mippy vem dizer que o jantar está pronto.
A mão de Hermione tapou sua boca, enquanto Draco parava atrás dela, uma
mão ainda dentro de sua calcinha. Os olhos dela estavam arregalados quando
Draco cuidadosamente deslizou os dedos dela, movendo a mão para a coxa
dela.
Ele limpou a garganta.
— Obrigado, Mippy. Estaremos lá em breve.
Um estalo.
Eles estavam parados.
Hermione riu. Ela sentiu a testa dele cair em seu pescoço e uma maldição
sussurrar contra suas costas. Isso a fez rir ainda mais.
~*~
O jantar foi adorável. Em comparação com a primeira vez que ela jantou
com Narcissa e Draco, foi um passeio no parque.
Quando ela se despediu de Narcissa, agradecendo e prometendo se ver mais
vezes, Draco já estava de pé, esperando para "acompanhá-la para fora".
Ele a acompanhou pelo corredor, passando pela biblioteca, e saiu para o hall
de entrada. Ele se virou no final da escada e começou a subir. Ele pegou a
mão dela e a conduziu para cima. Uma vez no terceiro andar, eles
serpentearam por alguns corredores, passando por tapeçarias e estátuas.
Hermione ficou envergonhada ao perceber que Monsieur DuBois ficaria
muito orgulhoso dela, pois ela reconheceu muitas pinturas e estilos famosos.
O luar brilhava através de uma janela da qual eles estavam se aproximando.
Os dedos de Draco estavam quentes em sua pele. A janela dava para um
pequeno lago, e os pavões brancos só podiam ser vistos na luz do
crepúsculo. Ela parou, olhando pela grande janela, e a mão de Draco foi
puxada da dela.
— Uau, — ela murmurou.
Ela veio até a janela praticamente pressionando o nariz contra ela. Ela se
virou para olhar para Draco e ele a estava observando. Ele o beijou com
fervor, e ela podia sentir o gosto de pecado em sua língua. Ela esperou tanto
tempo por isso.
Ela sorriu, ainda tonta, e deixou que ele a conduzisse pelo corredor.
Eles passaram por algumas portas e pararam em frente a uma de madeira
ornamentada. Havia um dragão esculpido na superfície.
Ele olhou para ela, então respirou fundo e abriu a porta, empurrando-a para o
lado para que ela pudesse entrar antes dele. Ela entrou.
Parecia exatamente como alguém esperaria que o quarto de Draco Malfoy
parecesse. Cama de dossel. Cortinas verdes. Estantes de livros e poltronas.
Lareira. Carpete de pelúcia. Portas que dão para uma varanda.
Hermione riu.
— O que?
Ela olhou para ele, sorrindo, e viu que ele a observava de perto.
— É tudo muito previsível. Eu amo isso. — Ela riu. Ele revirou os olhos e
fechou a porta atrás deles.
Ela caminhou pela sala, duas vezes maior que seu quarto em casa,
possivelmente o tamanho de todo o apartamento com Ginny, se você contar
o closet, o banheiro privativo e a varanda.
Ela foi até a estante, documentando os títulos que Draco gostava de ter perto
dele. Ela deixou seus dedos percorrerem as prateleiras.
Ela enfiou a cabeça no banheiro, encontrando uma enorme banheira de
mármore. Ela tocou as cortinas, deixou seus olhos passarem por uma foto de
Draco com Crabbe e Goyle, tirada por volta do quarto ano.
Ele a seguiu enquanto ela explorava, dando-lhe alguns metros de espaço, e
ela podia sentir seus olhos nela.
Ela se aproximou da porta do armário e se virou para pedir permissão. Ele
assentiu. Ela abriu o closet e encontrou principalmente preto e cinza. Ela riu
novamente. Ela entrou e sentiu que ele vinha encostar-se à porta. Ela passou
as mãos pelas roupas dele.
— Precisamos comprar para você algumas laranjas e rosas. — Ela piscou
para ele.
Seus lábios se contraíram, mas ele ainda estava olhando para ela. Quase
nervoso.
Havia um conjunto de gavetas no canto, e ela quase pediu permissão para
mexer nelas. Ela deixou seus dedos correrem pela madeira, e Draco se
mexeu na porta. Ela se virou para ele e encontrou aquela expressão tensa em
seu rosto novamente.
Hermione moveu-se para ele, enrolou as mãos em seu peito e em seu cabelo,
e o beijou. Ele passou os braços em volta da cintura dela, apertando-a contra
ele. Ela abriu seus lábios e provou o vinho do jantar nele, sorrindo contra sua
boca enquanto ele deixava suas mãos vagarem para baixo e agarrava seu
traseiro. Ele a puxou para perto dele e suspirou em sua boca.
— Eu gosto do seu quarto, Draco.
Seus olhos se abriram, escuros e inebriantes. Ele sorriu para ela e a beijou
novamente.
Ela se afastou e olhou para o peito dele, tímida de repente.
— Eu tenho uma surpresa para você.
— Oh, sério. — A voz dele a provocava.
— Sim, eu acho... acho que você vai gostar.
— Quando recebo minha surpresa? — Suas mãos ainda estavam segurando
seu traseiro, e ele apertou, então massageou, esfregando figuras em sua
carne. Ela sentiu uma onda quente de prazer passar por ela, e ela pensou em
como ela estava pronta para tê-lo dentro dela quando eles estavam na
biblioteca mais cedo.
— Você vai precisar, hum... me dar um pouco de espaço, — ela gaguejou.
Ele sorriu para ela e saiu do armário, movendo-se para se sentar na beira da
cama. Ele sorriu para ela, e ela sentiu um arrepio percorrê-la.
Ela parou na frente dele e estendeu a mão para o zíper do vestido. Ela o
abaixou e olhou para ele enquanto puxava um ombro, depois o outro.
Quando o tecido passou por seu sutiã, seus olhos brilharam para ela.
Era de um verde profundo, com renda preta nas bordas. Era muito fino, tão
fino que ela sabia que ele podia ver seus mamilos através dele.
Ela empurrou o vestido pela cintura e deixou-o deslizar pelos quadris, onde
revelou uma calcinha verde para combinar.
Ele engoliu.
Ela saiu do vestido e ficou lá apenas com seu sutiã, calcinha e salto alto. Ela
pressionou os lábios fechados, tentando não se cobrir.
— Vá para a cama.
Ela olhou para ele e ele estava de pé, movendo-se para o lado da cama para
que ela pudesse subir nele. Seus olhos estavam percorrendo seu corpo, até
seu rosto, e depois de volta para baixo.
Ela sorriu. Hermione moveu-se para a cama, sentindo o ar frio contra sua
pele, e sentindo os olhos dele nela. Ela ouviu a menor ingestão de ar quando
passou por ele, e ele viu pela primeira vez que sua calcinha era estilo tanga.
Ela viu a mão dele se erguer e agarrar a cabeceira da cama.
Ela mordeu o lábio e decidiu provocá-lo. Se ela pudesse.
Ela se inclinou, trazendo um joelho para o fundo da cama, e começou a
engatinhar para o centro. Ela sabia que sua bunda mal coberta estava em
exibição para ele, e ela tentou empurrar seus quadris ainda mais para cima.
Ela podia ouvi-lo respirar.
Ela alcançou o centro de sua cama gigante e virou a cabeça para olhar para
ele.
— Assim?
Seus olhos estavam em seu traseiro. Ele engoliu em seco e olhou para o
rosto dela com olhos quentes. — Deite.
Ela sorriu e se virou para ficar deitada com a cabeça nos travesseiros dele.
Ela olhou para a cama de dossel dele e sorriu. Ela juntou os joelhos
recatadamente, enquanto ele se movia para o pé da cama e tirava os sapatos.
Ele puxou o suéter pela cabeça, jogou-o em algum lugar e começou a
engatinhar na cama, como ela havia feito. Ela se apoiou nos cotovelos para
observá-lo.
Quando sua cabeça alcançou os joelhos dela, ele beijou cada um deles,
repetidamente, até que se separaram contra a vontade dela. Ela podia sentir
sua respiração ficando mais rápida agora, e enquanto seus olhos observavam
seu rosto, ele beijou um caminho até sua coxa, em direção a sua linda
calcinha verde.
Ela mordeu o lábio. Ele só colocou a boca lá uma vez, em seu escritório,
quando ela divagou sobre a lula gigante para ele. Foi bom. Muito bom. Mas
ele a distraiu então, e ela sabia que já estava molhada, e seus olhos estavam
devorando sua calcinha verde enquanto seus lábios se aproximavam cada
vez mais.
Ela estava prestes a talvez agarrar a cabeça dele, puxá-lo para longe de... lá
embaixo, quando ele plantou a boca bem nela, sobre sua elegante calcinha
verde.
Ela engasgou e encontrou os lençóis dele em seus punhos, sua cabeça
pousou em seus travesseiros e seus joelhos tentaram se fechar, tentaram
mantê-lo fora, mas ele a abriu com a mão em sua coxa.
Ele a beijou sobre o tecido duas vezes, uma vez perto de sua entrada, e
novamente em cima de seu clitóris, e ela rosnou alguma coisa. Ela sentiu a
língua dele, deslizando de baixo para cima, sobre o tecido, pressionando
firme na parte superior, e o tecido e a língua dele e a pressão...
— Porra... Draco.
Ele levantou a cabeça. Ela olhou para ele e seus olhos estavam vidrados e
quentes. A boca dele estava aberta e ofegante sobre ela, ela podia sentir o ar
atingi-la cada vez que ele respirava.
— Diga isso de novo.
Ela olhou para ele, ofegante, e sentiu as palavras atingirem sua calcinha.
— Draco...
Ele balançou a cabeça para ela, sorrindo. Ela sentiu os músculos dentro dela
vibrarem em torno do nada. Ela o queria dentro, algo para se agarrar. Ele
ainda a mantinha aberta, a mão em sua coxa, começando a apertá-la.
— Porra, — ela tentou.
Draco sorriu para ela e abaixou a cabeça, beijando-a novamente. Ela gemeu.
— Ah, porra.
Ele riu contra ela, e o som e o ar a atingiram exatamente onde ela queria.
Ele tirou a mão de sua coxa e puxou sua calcinha para o lado. Seus olhos se
arregalaram quando ela percebeu que ele não iria simplesmente tirá-la dela.
Ele baixou a cabeça, os olhos observando os olhos dela, e deixou sua língua
rodopiar sobre ela. Ele deslizou para dentro, lambendo e empurrando, então
para fora novamente.
— Porra, porra, porra, — ela engasgou.
Ele gemeu, com a língua dentro dela, e ela agarrou seu cabelo, empurrando-
o para baixo, forçando-o para mais perto. Ele se abaixou na cama apoiado no
cotovelo e passou o braço sob a coxa dela, abrindo-a mais, empurrando a
perna dela mais alto, o joelho para cima e aberto.
Ela ergueu os quadris. Foi um movimento repentino. E isso o trouxe ainda
mais para dentro. Ele moveu sua língua mais rápido contra ela. Movimentos
rápidos de lambidas contra sua entrada. Ela ergueu os quadris novamente.
— Oh, porra, Draco.
Draco arrastou seus lábios até o clitóris dela, afastando o tecido com a mão,
e moveu-se rapidamente contra ela. Ela resistiu contra ele novamente,
empurrando seu rosto para ela com as mãos na parte de trás de sua cabeça.
Isso era o paraíso. Isso era felicidade. Senti-lo devorando-a, sem conseguir
respirar e sem se importar.
Não conseguir respirar.
Ela soltou a cabeça dele, movendo as mãos para os lençóis novamente, e
gemeu. Ele veio rapidamente para o ar, sugando-o. Ele olhou para ela.
— Deixe-me saber quando estiver perto.
Ela observou enquanto ele pressionava nela novamente, sua língua dançando
através dela. Ela não sabia como saberia quando estivesse perto.
Acontecia tão de repente às vezes.
Ela levou as mãos aos seios enquanto ele a lambia. Ela gemeu enquanto
brincava consigo mesma através do sutiã fino. Ela imaginou as mãos dele,
mexendo e puxando.
Ela sentiu seus músculos se moverem dentro dela. Ela queria fechar as
pernas em alguma coisa. Ele a tinha bem aberta, e ela queria apertar e
montar em alguma coisa.
Ele gemeu contra ela novamente e o som enviou ondas através dela. Ela
agarrou seus seios, puxando e beliscando.
— Eu acho... eu acho que estou... Draco.
Ele olhou para ela, e seus olhos pousaram em suas mãos em seus seios. Ele
fez um som contra ela novamente, e se moveu através dela.
— Porra, — ela sussurrou.
A mão segurando sua calcinha aberta, moveu-se rapidamente para sua
entrada. Ele manteve os olhos nela enquanto batia nela com a língua, cada
vez mais rápido, e ela começou a se mover em direções diferentes.
Dois de seus dedos finalmente a penetraram, empurrando até o fim, e ela os
apertou e começou a gemer. Ele os segurou lá, sem se mover, apenas
empurrou para dentro e chupando com força seu clitóris.
Ela sentiu seus músculos apertarem, satisfeita por ter algo em que se segurar.
E ela gritou enquanto alcançava seu limite.
No caminho para baixo, ela podia sentir os dedos dele, bombeando
lentamente, preguiçosamente. E sua língua fazendo pequenos círculos
apáticos. Ela abriu os olhos e o encontrou olhando para ela, com a língua
nela.
— Porra, — disse ela novamente.
Ele riu contra ela. Ele se ergueu sobre as mãos e rastejou pelo corpo dela,
beijando seu estômago ao longo do caminho. Ele deu beijos leves em cada
um dos seios dela através do sutiã transparente, e ela sorriu e mordeu o lábio.
Ela podia senti-lo duro contra seu quadril enquanto ele pairava sobre sua
boca e perguntou: — Posso te beijar assim?
Ela piscou para ele, sem saber o que ele queria dizer, e então percebeu onde
a boca dele estava, e como seu orgasmo ainda estava em seus lábios.
— Hum, — ela gaguejou. — Eu acho que sim.
Ele sorriu para ela e balançou a cabeça. Ele pegou um lenço de papel na
mesinha lateral e limpou a boca. Ele beijou sua mandíbula, seu pescoço.
Ela estava tão feliz. E quase sonolenta. Mas ele pressionou contra seu
estômago, firmemente, roçando.
Ela deveria... Ela deveria retribuir o favor?
Ela nunca tinha... feito isso antes.
De repente ela estava bem acordada.
Talvez ele falasse com ela sobre isso?
Ela estendeu a mão para a calça dele e começou a desabotoá-la. Ele suspirou
contra seu pescoço.
Ele se afastou e a ajudou, sentando-se de joelhos e olhando para ela,
lambendo os lábios.
Bem, isso não demorou muito. Ela estava excitada novamente.
Ela empurrou seus ombros até que ele estivesse de costas. Ele riu dela, e ela
se arrastou para cima dele. Seu cabelo estava sobre os ombros e ela
pressionou seus lábios contra os dele, esquecendo que ele tinha o gosto dela.
Ela engasgou quando ele empurrou em sua boca.
Ela se afastou e beijou seu peito. Uma das mãos dele foi até a cabeça dela,
passando por seu cabelo. Ela olhou para ele e seus olhos estavam escuros.
Ela beijou um de seus mamilos e seus lábios se curvaram para ela.
Tudo bem, lá não está tão sensível.
Ela abaixou a cabeça, continuando abaixada, e ele engasgou quando
descobriu suas intenções. Ela olhou para cima e seus olhos estavam
arregalados e olhando para ela. Ela o beijou novamente, mais baixo, e sua
mandíbula se abriu. Ela observou enquanto a respiração dele saía mais
pesada quanto mais baixo ela descia.
Ela começou a puxar a calça dele e ele se sentou, agarrando os braços dela.
— Você não precisa.
Ela se sentou e olhou para ele. — Você não quer que eu vá?
Sua boca se abriu. E fechou. E ele não disse nada. Ela olhou para a cintura
dele novamente e viu como ele estava pronto. Ela beijou a barriga dele e
Draco se deitou.
— Oh, Merlin, — ele sussurrou.
Ela puxou a calça sobre os quadris e engoliu em seco enquanto olhava para a
frente de sua cueca. Ela não sabia o que fazer. Ela viu os músculos do
estômago dele se contraírem e olhou para o rosto dele, os olhos fixos nela.
— Nós não... — Ele estendeu a mão para ela, sentando-se novamente. —
Há tantas coisas que eu quero fazer esta noite. Toda noite. Podemos tentar
isso mais tarde.
As mãos dele deslizaram pelos braços dela, e ele a beijou, pressionando a
língua dentro dela e ela provou a si mesma.
— Podemos fazer outra coisa em vez disso? — ele perguntou.
Ela tentou não se sentir envergonhada e inexperiente. Então, ela apenas
assentiu.
Ele a tirou de cima dele e tirou a calça completamente, seguida pela cueca
boxer. Ela estava tão feliz que eles não seguiram o plano A, pois ela
realmente deu uma olhada nele.
Ele puxou a calcinha dela até os joelhos e ela terminou de tirá-la junto com
os saltos. Ela pegou o sutiã e ele a deteve. — Não, eu não quero que você
tire isso. — Ele sorriu contra seus lábios e ela sorriu de volta. Ele pressionou
sobre ela, ele completamente nu agora e ela ainda em seu sutiã.
Ele abriu bem os joelhos dela, pressionando contra ela, e beijou-a na boca
novamente. Uma vez que ela puxou os joelhos para cima, pressionando ao
lado dele, ele os virou, virando de costas. Seu cabelo caiu ao redor deles
quando ela puxou para cima.
— Podemos tentar assim? — ele perguntou, erguendo os olhos dos
travesseiros.
O plano A poderia ter sido mais fácil. Ela não sabia como... mover-se como
ele fazia.
— Eu... não sei como...
Ele sorriu para ela e lambeu os lábios. — Vamos descobrir.
Ele levou as mãos até os quadris dela e a puxou suavemente para cima dele,
deslizando contra ela. Ela apertou os lábios, a metade inferior ainda muito
molhada de antes.
Ela levou as mãos ao peito dele, pressionando contra ele enquanto se
levantava, e deixou que ele se guiasse para dentro dela. Ele entrou com
facilidade e ela tentou relaxar, fechando os olhos e abaixando-se sobre os
quadris dele. Ela pensou que ele estava totalmente dentro, mas ele ainda
estava se esticando nela. Seus músculos se apertaram sobre ele, tentando
acomodá-lo, e ele gemeu.
Ela abriu os olhos e encontrou os dele bem fechados, a respiração acelerada.
Ela não sabia o que fazer a seguir. Ela tentou inverter o movimento e
levantou-se novamente, deixando-o deslizar quase todo para fora dela e, em
seguida, voltar para dentro novamente. Seus olhos se abriram para observá-
la.
Ela empurrou o cabelo para fora do caminho, por cima do ombro, e ele deve
ter gostado disso porque suas mãos apertaram seus quadris.
Ela se levantou novamente, tentando ir mais rápido, mas sabendo que esse
ritmo seria difícil. Ela podia sentir suas coxas tremendo já.
Ela estava prestes a pedir-lhe para assumir. Ela olhou para o rosto dele e o
encontrou ofegante, devorando-a com os olhos, lambendo os lábios e
apertando os dedos nos quadris dela.
Ela tentou mais alguns golpes. Ele estendeu a mão e puxou seu seio. Ela
engasgou e deu mais um golpe. Ela apoiou os braços no peito dele
novamente, colocando seu peso sobre ele, e o ângulo mudou. Ela prendeu a
respiração quando as duas mãos dele subiram para seu peito. Apertando,
levantando e puxando-o pelo sutiã. Seus quadris se contraíram contra ele, e
seus olhos rolaram para trás em sua cabeça.
Ela tentou de novo, e ele gemeu.
Bem, isso ela poderia fazer. E estava começando a parecer bom para ela
também. Ela jogou os quadris para a frente. Movimentos curtos e agudos, e
ele ofegou, agarrando suas costelas.
Ela desceu novamente, colocando as mãos ao lado de sua cabeça. Seu cabelo
caiu sobre o ombro novamente e ela o deixou lá enquanto seus olhos
escureciam. Ela empurrou seus quadris neste ângulo e ela podia sentir a base
dele em sua intimidade. Ela fez isso de novo e resistiu novamente. E
ela pegou o ritmo.
— Sim, — ele sibilou.
Ela olhou para o rosto dele e estava apertado, e os olhos pressionados
fechados. Ela o montou novamente, para frente e para baixo. E seus quadris
se ergueram para encontrar os dela. Ele gemeu.
— Granger, sim. Ah, porra, sim. — Ele moveu uma mão para o quadril dela,
puxando-a para frente quando seus quadris se ergueram, e sua outra mão se
moveu entre seus corpos, e a pressão extra a fez ofegar.
Ela observou seu rosto, pairando sobre ele, enquanto ele começava a
controlar o ritmo. Ela não se importava. Seus quadris subiram para encontrá-
la enquanto sua mão a puxava para baixo sobre ele. Ela abriu mais os
joelhos, e isso a trouxe para mais perto, abrindo mais, e ela prendeu a
respiração quando ele começou a mover os dedos rapidamente sobre ela.
Mais e mais e ela não sabia que era capaz de gozar novamente. Ela pensou
que isso era para ele. Mas ela se sentiu ficando cada vez mais leve. Ela o
beijou, e ele rosnou em sua boca, seu cabelo emaranhado entre seus lábios.
Seus quadris mal se moviam agora, apenas se moviam rapidamente,
empurrando contra a mão dele que estava em seu clitóris. Ela estava
apertando contra ele, e ele estava ofegante em sua boca. Ela puxou para
cima, levantando-se, alta em seus quadris. Ela sentiu que poderia fazer isso
agora.
Ela moveu seus quadris rapidamente para frente. Seus olhos a observaram, e
seus quadris encontraram um ritmo novamente.
Ela levou as mãos aos seios novamente. Ele gemeu do fundo da garganta e
começou a bater para cima, mais rápido. Ela o observou, seus olhos rolando
em sua cabeça e seu lábio entre os dentes. Ele estava suando muito, e ela
sabia que seu peito também estava úmido.
Ela tentou se mover para cima e para baixo novamente, em vez de para
frente. Ela saltou sobre ele duas vezes antes de ele soltar um — oh, sim.
Ela apertou as coxas, tentando manter um ritmo de subir e descer e subir e
descer. Seus dedos começaram a se mover em seu clitóris novamente. Ela
engasgou e quicou mais duas vezes antes de começar a apertar ao redor dele,
seus músculos vibrando e agarrando-o, ela não podia mais quicar. Não podia
fazer nada.
Ela estava caindo. Suas costas bateram no colchão e ela percebeu que ele os
havia virado. Ela ainda estava apertando-o, gemendo e gritando e agarrando
seus ombros, e cravando as unhas em suas costas, mas ele começou a
empurrar dentro sela no colchão. Seus quadris se moviam agressivamente,
mas ela não se importava. Ele estava gemendo em seus ouvidos. Ele estava
ofegando e xingando e ela ainda estava se apertando por dentro e ela não
sabia quando iria parar. Ela passou as mãos em seu cabelo e ele mordeu seu
pescoço enquanto tremia, falhando no ritmo. Ele gritou algo contra sua pele
e estalou seus quadris mais quatro vezes antes de pressionar para frente e se
segurar contra ela, forçando.
Ela gritou e sentiu seus músculos internos massageando-o, puxando-o cada
vez mais para perto. Ela sentiu as estrelas atrás de suas pálpebras e sentiu a
pele dele rasgando sob suas unhas.
Ela ofegou contra ele. Ele estava pesado sobre ela e ela não conseguia
recuperar o fôlego.
— Eu não posso... oh, meu Deus. Não consigo respirar.
Ele se levantou e olhou nos olhos dela. Ele ficou dentro dela enquanto ela
recuperava o fôlego. A cada poucos segundos seus músculos estavam
segurando-o novamente. E ela não tinha ideia de como era para ele, mas para
ela era como uma agonia sem fim. Agonia perfeita.
Ele finalmente saiu dela, e ela sentiu outra onda atingi-la sem ele dentro.
— Ugh, não. Por favor, volte. — Ela agarrou seus ombros. Ele riu. Ela
mordeu o lábio, ainda tentando descobrir se ainda estava no meio de um
orgasmo.
Ele pressionou a cabeça contra o peito dela. Ele beijou cada um de seus seios
repetidamente, alternando beijos. Ela apenas o observou, esperando por
outra onda que nunca veio.
— Você é a coisa mais perfeita do mundo, — ele sussurrou contra seu peito.
Ela sentia o ar passar pelo tecido e se ele pedisse, ela iria de novo. Agora
mesmo.
Ele se virou para deitar de costas e arrastou o corpo dela com ele. Ela deitou
a cabeça no peito dele e ficou impressionada com o quanto uma festa do
pijama era melhor do que um encontro amoroso no escritório ou um sofá em
um baile do governador. Ela tinha que deitar aqui. Com ele.
E ele a havia convidado para passar a noite, então não havia necessidade de
nenhuma reunião desajeitada de roupas e "até a próxima".
Ele puxou o edredom em torno deles. Ela se sentou e tirou o sutiã, jogando-o
em uma direção aleatória. Quando ela se deitou, os olhos dele estavam em
seu peito nu. Ela pressionou contra o lado dele, deitada em um quadril,
envolvendo a perna na dele.
— Vou voltar pela sua cama... — anunciou ela. Ela sorriu e fechou os olhos.
Seu peito roncou. — Só a cama?
— E sua mãe, é claro. A cama. E a sua mãe.
— E a biblioteca.
— E a biblioteca. A cama, sua mãe e a biblioteca.
Ele passou a mão para cima e para baixo em seu braço levemente.
— Minha mãe ficou muito feliz em receber você, — disse ele.
Ela sorriu contra seu peito. — Estou muito feliz por ser amiga dela
novamente. Eu senti a falta dela.
Draco suspirou. — A culpa foi minha, receio. — Ela levantou a cabeça e
olhou para ele. Ele olhou para o teto. — Eu disse a ela para ficar longe de
você. Após sua visita a Azkaban. Depois que calculou mal seu controle
sobre meu pai. — Ele engoliu. — Desculpe. Eu disse a ela para não entrar
em contato com você novamente.
Ela piscou para o rosto dele. — Oh. — Ela pensou em Narcissa e em sua
última conversa antes do afastamento. O jeito que ela ficou gelada com ela
quando Hermione disse que não iria se casar com Draco. Ela se perguntou se
isso foi algo que Narcissa disse a ele... — Na verdade, estou muito feliz em
ouvir isso. Ela é a coisa mais próxima que sinto que tenho de uma mãe.
Então, fico feliz em saber que ela não desistiu de mim.
Ele apertou o ombro dela. — Desculpe.
Ela se virou e beijou o braço dele onde estava deitada. Ela se sentiu
preguiçosa e exausta pela primeira vez, e a mão esfregando seu braço foi
deliciosa.
— Você já foi para a Austrália?
E ela estava bem acordada novamente. — Para... para ver meus pais? — Ele
assentiu. — Não. Não, eu não... eu realmente não acho que gostaria de vê-
los se eles não se lembrassem de mim. — Ela deixou seus olhos vagarem
pela sala. — Se eu tivesse que fingir ser outra pessoa.
Ele continuou seu carinho em seu braço, e ela contou as passadas de sua
mão. No quarto, ele disse: — Você já pesquisou contra-maldições?
Ela sentiu seus olhos se fechando. — Um pouco. Não houve sucesso em
reverter feitiços de memória tão profundos. Remover uma memória é fácil.
Você pode recuperá-la com o tempo. Mas remover uma pessoa... — Ela
engoliu em seco e abriu os olhos, sem saber que eles estavam fechados. —
São muitas memórias.
Ele assentiu. Ela podia sentir isso. Ele esperou seis voltas de sua mão desta
vez, antes de dizer — Sinto muito que você teve que fazer isso.
Seus olhos não conseguiam abrir. Mas ela assentiu um pouco. — Eu sei.
— E eu sinto muito por estar naquela missão. A da sua casa.
— Está tudo bem, — ela cantarolou. — Você não teria machucado eles. —
Ela ouviu sua voz flutuando. — Eu vi no seu rosto.
Ela contou mais nove voltass contra o braço antes de adormecer para
sempre. Depois de mais três, seu braço parou.
~*~
Ela acordou no escuro. Ela se virou para se aconchegar ao lado de Draco e
voltou a dormir, mas ele não estava lá.
Ela se sentou. E olhou ao redor da sala escura. Ele estava no banheiro?
À medida que seus olhos se ajustavam, ela encontrou a forma dele, sentada
na beirada da cama, nos pés. Ele estava de costas para ela.
— O que você está fazendo? — ela perguntou, a voz grogue.
Ela observou como suas costas se moviam com cada respiração, lenta e
constante.
— O Potter te ajudou?
Ela piscou. Ela puxou o edredom em volta do peito. — O que?
— Potter ajudou você a chegar às memórias?
O quarto estava frio. Ela estava muito acordada. E ele estava muito longe.
— Eu... eu não sei o que você...
— É como Hogwarts, não é? Você e Potter correndo sob uma capa de
invisibilidade, fazendo o que quiserem, enquanto o resto de nós tem que
seguir as regras.
Sua garganta estava apertada. Ela disse algo. Como ela tinha adormecido?
Estava tão claro agora que era a coisa errada a dizer.
— Draco. Eu... sinto muito...
— Você sabe o quão difícil foi para mim liberar essas memórias para o
Wizengamot, Granger? — Ele ainda estava de costas para ela. Sua voz era
fria, mas calma. — Você sabe o quanto trabalho duro para manter as pessoas
fora da minha mente?
Ela fechou os olhos com força, implorando para voltar a dormir. Isso era
muito pior agora que ela sabia sobre sua Oclumência.
— Eu queria conhecer você, —disse ela. — Eu queria entender você. —
Ela sabia que deveria ter explicações melhores do que essa. — Eu precisava
saber por que seu sangue estava nas paredes da minha sala.
— Eu disse a você por quê, — ele sibilou. — Você perguntou e eu te contei.
— Nunca toda a verdade. Você sempre deixa alguma coisa de fora.
Ele se levantou, muito de repente e se virou para olhar para ela. — Quem
disse que você tem direito a toda a verdade?
Seus olhos eram brilhantes e quentes. Ele colocou sua cueca de volta, e ela
ainda estava nua em sua cama, segurando os lençóis contra ela. Ela apertou
os lábios.
— Eu não sei como me desculpar por isso, — ela disse, e sua voz falhou.
— Quais? — disse ele.
— O que?
— Quais você assistiu? Ou você pegou um pouco de pipoca e assistiu todas?
Ela respirou fundo. — Não. Só duas. Aquela da minha casa. E na noite em
que os Sequestradores nos trouxeram para a Mansão Malfoy.
Seu rosto se contorceu. — Por que?
Ela sentiu as lágrimas a cegando. — Eu precisava saber por que você nos
salvou. Eu precisava entender...
Ele rondava até ela. — Por que você continua usando essa palavra! — Ele
deu a volta ao lado da cama. — Eu não salvei você, Granger, — ele rosnou.
— Eu não fiz nada. — Seus olhos piscaram. — Você estava gritando no
chão da minha sala de estar e eu fiquei lá.
Ela respirou fundo. — Não foi assim que eu vi.
— Oh, estou tão feliz que nós dois vimos essas memórias, então agora
podemos discuti-las, — ele retrucou.
Ela apertou a mandíbula. — Você fez o seu melhor, Draco. Você tentou nos
ajudar então, e teria me ajudado se houvesse um Leilão. Isso é tudo que eu
queria saber. — Ela foi até o final da cama, segurando os lençóis sob ela. —
Quando você me contou sobre o Leilão pela primeira vez, você me disse que
me venderia com lucro. Mas seu pai me disse algo completamente diferente.
Draco cerrou os punhos e se afastou dela.
— Então, eu tinha que saber! — ela o chamou enquanto ele se movia pela
sala. — E eu poderia dizer que ele estava certo. Você teria me salvado.
— Aí está aquela palavra de novo, — ele cuspiu. Ele se virou para ela e
caminhou até a cama. — Você acha que eu teria te salvado naquele Leilão,
Granger? Você acha que eu juntaria todos os fundos disponíveis, estenderia
a mão para todos os parentes e contatos, para que eu pudesse libertá-la?
Mandar você correr com uma varinha roubada?
A respiração arfava em seu peito enquanto ela o observava, seus olhos
brilhando para ela.
— O quarto pelo qual passamos a caminho do meu? A primeira porta?
Aquele era o seu quarto. — Ele parou na frente dela, zombando. — Você
nunca sairia daqui. — Ele sorriu, balançando a cabeça. — Não sei por que
me incomodei em mentir sobre reconhecê-la naquela noite. Você sempre
acabaria como prisioneira na Mansão Malfoy.
Seu pescoço estava quente. — Então, você está me dizendo que pertencer a
você seria o mesmo que qualquer outro Comensal da Morte? — Seu olho se
contraiu e ela continuou. — Eu teria servido seu jantar e sido sua diversão
em festas? Você me cruciaria quando eu desobedecesse – na melhor das
hipóteses? Eu desfilaria por aí como uma prostituta?
Seu olho se contraiu novamente e ele teve que desviar o olhar dela.
— Eu tive muito tempo para pensar sobre isso, Draco, então deixe-me saber
quando parar...
— Pare.
Ela balançou a cabeça para ele. — Você teria me salvado. Não teria sido
liberdade, mas teria sido o melhor que você poderia ter feito. Você teria me
salvado daquela vida...
— Você acha que eu teria sido capaz de me manter longe de você? — Ele
olhou para ela. — Que você teria vivido seus dias aqui e permanecido
intocada?
— Sim, — ela disse. — Não tente me assustar, Draco. Eu sei que tipo de
pessoa você realmente é.
— Ah sim. Você já viu o pior de mim, não viu, Granger? — Ele zombou
dela. Ele vagou até as portas da sacada. — Só precisava colocar uma
memória em uma bacia e é como se nos conhecêssemos desde sempre.
Ela bateu com os punhos na cama. — Sinto muito, Draco. Desculpe. Achei
que não tinha outra escolha. Eu queria conhecer você. Eu queria te
entender...
Ele se virou. — Então PERGUNTE, Hermione. Não trapaceie!
Ela sentiu as sílabas de seu nome baterem em seu rosto, como se ele
realmente a tivesse esbofeteado. Praticamente as mesmas palavras que ela
usara contra ele algumas semanas atrás, sobre não presumir coisas sobre ela.
E pedindo permissão.
Ela sentiu a primeira lágrima cair.
— Eu gostaria que você fosse embora. — Ele sussurrou no chão. Ela o ouviu
andar pelo quarto. — Saia.
Ela não tinha mais nada a dizer. Ela não tinha pernas para se apoiar.
Draco se virou e foi para o banheiro. Ele fechou a porta.
Ela ficou sentada na cama dele por duas respirações. Ela se levantou, nua, e
pegou o vestido na frente do armário dele. Ela vestiu a calcinha, puxou o
vestido pela cabeça e pegou os sapatos.
Ela queria bater na porta. Para implorar a ele. Sentar-se com as costas contra
a parede até que ele saísse e a perdoasse.
Ela saiu do quarto dele.
Ela não tinha ideia de onde estava. Ela olhou para as tapeçarias e caminhou
até o final do corredor, olhando para os dois lados, desejando já conhecer o
design de sua ala. Ela se virou e encontrou uma porta, o quarto ao lado dele.
O quarto dela.
Ela engoliu em seco. — Mippy.
Um estalo.
— Senhorita!
— Você pode me ajudar a sair daqui? Encontre uma lareira para mim?
— O que a senhorita está fazendo aqui tão tarde!
A pequena elfa olhou para ela com olhos arregalados e sonolentos.
Hermione sentiu mais lágrimas em seu rosto, e não se preocupou em contê-
las.
— Só... — Ela balançou a cabeça, fechando os olhos. — ...arruinando tudo.
E pela segunda vez em alguns meses, ela se viu fazendo uma saída dramática
da Mansão Malfoy e do garoto dentro dela.
Capítulo 35.
Ela não conseguia sentir nada.
Havia um buraco dentro dela, e a cada minuto outro pedaço caía no abismo,
esperando para engoli-la inteira.
Ela havia cavado uma sepultura para si mesma e estava contente em deitar
nela.
Às seis da manhã, Ginny bateu suavemente em sua porta. Ela abriu.
— Eu vi sua bolsa no corredor, — ela disse. Hermione manteve os olhos no
teto. — Eu pensei que você fosse passar a noite.
— Eu também.
O tamborilar dos pés de Ginny no chão. Ela subiu na cama ao lado dela.
— O que ele fez?
Ginny estava de lado, de frente para ela, a cabeça apoiada em seu braço.
— Nada. Ele descobriu sobre as memórias.
Ginny parou ao lado dela. Hermione manteve seus olhos fixos no teto. Eles
estavam secos e cansados.
— Oh.
— E então ele me pediu para sair.
— Oh.
Hermione engoliu em seco. — Sabe, em Hogwarts, sempre que Harry, Ron e
eu fazíamos algo perigoso ou contra as regras, eu planejava uma história
para o caso de sermos pegos. Eu estava sempre preparada para falar com
McGonagall ou Dumbledore. Pronta para lhes contar uma desculpa. —
Hermione se virou para olhar para Ginny, os olhos azuis já nela. — Nunca
pensei que ele descobriria. Eu nunca considerei isso. Então, eu não tinha
nada.
Ginny assentiu.
— Então, o que você acabou dizendo?
— "Desculpe?" — Hermione riu sombriamente. Ela encolheu os ombros
contra os travesseiros e voltou-se para o teto com um sorriso depreciativo.
— Eu disse a ele que queria conhecê-lo melhor.
— Ele sabe que você o ama?
As bochechas de Hermione coraram e ela mordeu o lábio. — Não. Sempre
que tenho a oportunidade, sempre que ele me pergunta por que fiz algo por
ele… Digo que foi a coisa certa a fazer.
— O que é basicamente a mesma coisa para você, — Ginny disse.
Hermione olhou para ela novamente, e Ginny lhe deu um sorriso triste. —
Isso significa que vocês terminaram?
— Nós... não estávamos realmente juntos, estávamos? — Hermione apertou
os lábios. Ela suspirou. — Nós não estávamos saindo, ou tornando nosso
relacionamento público.
— Mas é isso que você quer, não é? — Os olhos de Ginny a observavam.
Hermione assentiu. — Ele sabe que você quer isso?
Ela sentiu suas sobrancelhas se juntarem. — Eu... eu só estou pegando o que
posso, honestamente. — Ela balançou a cabeça.
— Talvez seja hora de você definir as regras, então. — Ginny estava
levantando uma sobrancelha para ela. Ela a lembrava tanto de Fred naquela
época.
— Acho que ele não quer mais nada comigo, — disse ela. — Muito menos,
indo a público para sua equipe, que todos tiveram que assinar aquele negócio
de Contrato de Amor.
Ela sentiu Ginny rolar para fora da cama. — Você nunca saberá até que
pergunte.
~*~
Ela vagou pelo domingo. Ela foi para a aula com Madame Bernard. Ela foi
para Cornerstone. Nenhum Malfoy à vista.
Ela foi para casa. Ginny pediu a Harry para vir cozinhar para elas, então
Hermione tentou ser sociável por algumas horas antes de ir para a cama,
achando exaustivo fingir que estava bem e ignorar a maneira adorável como
os dois interagiam. Sem medo de estarem juntos. Apaixonados.
Ela estava sonolenta a caminho do trabalho na segunda-feira. Draco não a
encontrou com seu café. Ela não esperava que ele o fizesse.
Era o primeiro dia de volta de Walter de sua semana no Santuário, e eles se
encontraram para revisar suas anotações e números antes que ela se dirigisse
à sala de conferências para a reunião da equipe sênior às 9h.
Ele já estava na sala de reuniões quando ela entrou, parado na cabeceira da
mesa, folheando a papelada. Wentworth e Blaise estavam sentados,
conversando sobre alguma coisa. Draco olhou para cima enquanto ela
passava pela porta, e então desviou o olhar.
Como se ela não fosse nada para ele.
Ela puxou a cadeira e se sentou. Ela folheou suas anotações e ignorou as
mãos que moviam a papelada a apenas alguns centímetros dela.
Ela precisava falar com ele em particular, mas ela precisaria jogar isso sobre
ele. Ela não podia imaginá-lo concordando em se encontrar com ela hoje.
— Bom dia, Granger. — A voz de Blaise cantou para ela do outro lado da
mesa.
Ela olhou para cima e ele estava sorrindo. — Bom dia.
— Como foi o seu final de semana?
— Uh... — Ela olhou para suas mãos. — Não tão bom.
Blaise a olhou, e Draco manteve suas mãos em movimento.
Ele começou a reunião alguns minutos depois. Sua voz era a mesma. Seus
maneirismos eram os mesmos. Como se nada o incomodasse. E talvez nada
incomodasse. Talvez ele tenha se resignado a isso.
Quando chegou a hora de fazer um relatório sobre a situação de sua equipe,
ela se levantou. Ela leu suas anotações. Ela olhou ao redor da sala. Ela falou
com eloquência. Ela sentou.
Draco agradeceu. Então eles mudaram para Wentworth. Ela escutou.
Olhando para cima uma vez, ela encontrou Blaise olhando para ela, uma
expressão curiosa.
Quando a reunião terminou, ela voltou para seu escritório. Ela tentou
organizar seus pensamentos.
Que excelente motivo para um Contrato de Amor. Claro, pelos problemas de
assédio sexual, mas mais ainda, pelo fim das coisas.
Uma batida no batente da porta e Blaise estava entrando, fechando a porta
atrás de si. Ela o encarou enquanto ele estava parado na porta.
— Então vocês terminaram, hein?
Um pico quente de pânico, seguido por um calafrio de tristeza.
— Não sei do que você está falando. — Sua voz era uniforme. Ela voltou
para sua mesa.
— Sim, tanto faz, Granger, — Blaise disse, revirando os olhos. Ela o ouviu
sair. E finalmente relaxou.
Ela teve uma reunião de três horas com Draco e Waterstone depois. Três
horas muito dolorosas. Draco não olhava para ela. Ele não a estava
ignorando completamente, ainda dirigindo perguntas a ela ou balançando a
cabeça quando ele concordava, mas para ela, era dolorosamente óbvio que
ele não queria nada com ela. Parecia que ele havia passado o resto do fim de
semana colocando suas paredes de volta no lugar. Ele era impenetrável.
Ela gostaria que ele simplesmente a deixasse com Waterstone trabalhando,
mas era de se esperar um pouco de microgerenciamento. O julgamento do
lobisomem começava na segunda-feira, daqui a uma semana. O primeiro
grande projeto de seu departamento. Draco queria ter certeza de que tudo
correria bem.
Na manhã de terça-feira, quando Walter trouxe a correspondência dela, as
mãos de Hermione pararam sobre uma carta com um endereço de remetente
familiar. Uma universidade na Califórnia.
A tão esperada resposta de Noelle Ogden.
Hermione esfregou a testa. Este não era o momento certo. Draco havia
expressamente pedido a ela para não escrever para Noelle. Ela
desconsiderou seus desejos e escreveu.
Porque ela queria conhecê-lo melhor. Assim como as lembranças.
Levou o dia inteiro para Hermione decidir o que faria com a carta. Não abrir
uma carta enviada a você pode resultar em oportunidades perdidas, amizades
coalhadas como creme esquecido. Mas abri-la pode resultar em descobertas
muito piores.
Faltando uma hora para o final do dia de trabalho, Hermione se arrastou até
o escritório no canto dos fundos. A porta dele estava entreaberta, então ela
entrou e a fechou atrás de si.
Ele olhou para ela, carrancudo em seu rosto, e voltou para seus papéis.
— Se isso não for relacionado ao trabalho, vou ter que pedir para você sair.
Ela apertou os lábios, tentando impedir que qualquer comentário
desagradável explodisse. Ela jogou a carta fechada da Califórnia na mesa
dele. Ele olhou para ela, tentando decifrar seu significado.
— Eu escrevi para Noelle depois que você me pediu para não escrever. Ela
só agora me respondeu. — Ela observou os olhos dele se virarem para ela,
frios e duros. — Eu queria esclarecer as coisas. E deixar você decidir se eu
posso abri-la ou não.
Ele olhou para ela, puxou sua varinha e bateu na carta, colocando fogo nela.
Ela piscou enquanto amassava e estalava.
Bem então…. Isso respondia tudo.
Ele voltou sua atenção para sua papelada, e Hermione se sentiu muito
rejeitada. Ela respirou fundo, aceitando seu castigo, e se dirigiu para a porta.
— Ela interpretou mal a situação. Nada naquela carta teria sido factual de
qualquer maneira.
Hermione se virou. Draco ainda estava focado no que estava lendo. — Que
situação?
Ele olhou-a. — Aquela noite. Com Marcus Flint. — Sua mandíbula apertou.
Ela ficou parada perto da porta. — Depois que você saiu com O'Connor, eu
não lidei muito bem com as coisas lá dentro.
Hermione tentou pensar em como Noelle teria visto isso. Draco e Marcus
brigando no meio de um pub. Hermione pensou em como o amigo de Aiden
havia descrito para Aiden.
"Acho que logo depois que saímos, Malfoy voltou para dentro e começou a
bater em Flint! Acho que ele estava flertando com Noelle ou algo assim..."
Ela acenou com a cabeça para o chão. — E você não esclareceu isso para
ela? Disse a ela o que realmente aconteceu?
— Ela não era minha prioridade no momento. Algo que deixei bem claro
para ela depois. — Ele fez uma careta. — E eu não sabia o quanto disso você
queria que fosse de conhecimento público.
Ela mordeu o lábio, pensando que também não queria que Draco fosse
arrastado para a lama com ela na imprensa, caso ela tivesse ido ao escritório
do Auror sobre Flint.
— Ela disse ao pai que eu era impetuoso e instável. Não alguém em quem
investir. — Draco bateu sua pena no pergaminho à sua frente.
— Isso poderia ter sido facilmente esclarecido, Draco. Eu teria escrito
alegremente para Noelle ou para o pai dela. — Ela queria dar um passo em
direção a ele, mas se conteve.
— O estrago estava feito. Eu não queria que você se envolvesse mais do que
já esteve.
Ela tentou pensar em qualquer outra coisa que ela queria dizer sobre este
assunto. Ela assentiu e voltou-se para a porta.
— Algum outro segredo traidor que você tem guardado para Granger? —
Ela se virou, e seus olhos estavam frios novamente. — É terça-feira. Estou
começando a me perguntar se um décimo da minha herança será transferido
para minhas contas esta noite às 21h.
Ela levantou uma sobrancelha para ele e agarrou a maçaneta da porta. —
Provavelmente vai. — Ela se deixou sair.
~*~
Quinta-feira foi dia de divulgação da campanha Pomorim de Ouro. Ela
trouxe o Profeta e o Pasquim para escrever sobre o projeto, e Ginny, Harry,
Rolf Scamander e Viktor Krum estavam vindo para dar entrevistas e tirar
fotos como parte da campanha “Salve os Pomorim” que aconteceria em
revistas e jornais.
Ela sentiu que todos os seus projetos estavam realmente avançando, tudo na
mesma semana. Hoje era publicidade para o pomorim de ouro, que seria
impresso no domingo, e o julgamento do lobisomem no Wizengamot estava
marcado para começar na segunda-feira. Ela teve uma semana incrivelmente
ocupada. O que era excelente, pois a ajudava a não se concentrar em como
se sentia mal.
Ontem tinha sido tão tenso quanto segunda e terça. Ela precisava preparar o
escritório para a campanha do Pomorim, de modo que, se Rita fosse
bisbilhotar em lugares estranhos, encontraria uma equipe unificada. Ela e
Walter se dirigiram a todo o plenário na tarde de quarta-feira, dando-lhes
informações básicas e pontos de discussão. Draco estava parado na porta de
seu escritório, braços cruzados, ombro apoiado no batente e olhos longe
dela. Eventualmente, ele desapareceu em seu escritório, fechando a porta
atrás de si.
Um ding dos elevadores e um par de saltos marchando a caminho de seu
escritório a trouxe de volta ao presente.
— Querida!
Hermione olhou para cima, e Pansy Parkinson, bronzeada e gloriosa, estava
entrando na sala carregando sacolas e caixas de compras.
— Como eu senti sua falta!
Hermione piscou. — Minha?
— Sim, sua! Minha modelo! Minha musa! — Pasny começou a jogar as
sacolas em uma cadeira e a empurrar as caixas para a mesa de Hermione,
quase derrubando o tinteiro. — Encontrei tantas guloseimas para você
enquanto estava na Itália.
Enquanto ela corria para salvar a papelada em sua mesa que estava
lentamente sendo revirada, Hermione disse, — Você se divertiu?
— Muito! Eu vou te contar tudo sobre isso, mas vamos nos preparar para a
sessão de publicidade hoje, hein?
Pansy conjurou um cabideiro e as roupas começaram a voar para fora das
sacolas e caixas, pousando perfeitamente nos cabides.
Quando Pansy a empurrou para trás de uma cortina com um braço cheio de
vestidos para experimentar, Hermione percebeu que não via Pansy Parkinson
desde antes do Baile do Dia dos Namorados. Foi há apenas três semanas?
Ela olhou para os tecidos em seus braços. Ela e Draco duraram apenas três
semanas antes de implodirem?
Rita Skeeter chegou às 11h, uma hora antes de ser convidada. Enquanto
Daphne e Tracey começavam a se maquiar, ela ouviu Skeeter conversando
com Draco na frente, fazendo perguntas sobre o julgamento do lobisomem
na próxima semana, operações no escritório, seus pensamentos sobre a
campanha do pomorim dourado. A voz de Rita ecoou pelo chão, e o arranhar
de sua Pena de Citações Rápidas começou a arranhar seus ouvidos, mas
Draco manteve seu tom de voz profundo e calmo. Ela só conseguiu captar
uma ou duas palavras de suas respostas.
— E, Draco, querido, como vai sua vida amorosa? Alguém especial agora?
— A cantoria de Rita passou pela porta do escritório de Hermione. Ela
engoliu em seco, tentando ouvir a resposta de Draco. Ela ouviu seu estrondo,
um silvo de palavras e um barulho de consoantes, mas não conseguiu
entender o que ele disse.
Skeeter riu. Um som cristalino agudo que fez os olhos de Hermione
estremecerem.
— Esta pronto?
Hermione olhou para cima e Daphne estava pairando sobre seu rosto com
um lápis labial. Daphne levantou uma sobrancelha para ela. Hermione
percebeu que ela estava mordendo o lábio. Ela o soltou e assentiu.
Daphne olhou por cima do ombro de Hermione para Tracey, domando seus
cachos, e sorriu antes de descer sobre ela com o lápis labial.
Um momento depois, Pansy estava empurrando-a para um vestido roxo com
botões na frente, e ela estava cumprimentando Skeeter. Draco se desculpou e
Skeeter começou seu ataque de perguntas sobre Hermione.
Bozo estava na sala de reuniões, montando cenários e abrindo espaço para as
fotos.
As portas do elevador bateram atrás dela assim que Skeeter começou a
perguntar sobre sua vida pessoal, e Hermione se virou para ver Luna
Lovegood parada dentro do elevador, olhos sonhadores e arregalados.
— Luna! — Hermione sorriu. — Você está representando o Pasquim?
— Olá, Hermione. — Luna saiu dançando do elevador e deixou Hermione
abraçá-la com força. — Meu pai está com um caso terrível de gripe Norflax,
então eu intervi. Estou feliz por poder passar um tempo com você.
— Gripe Norflax? — Rita Skeeter zombou.
— Sim, é um resfriado terrível causado pelo contato com um Flaxson
norueguês. Eles são nativos da Escandinávia. — Luna levantou uma mão
para mexer em seus brincos.
— Oh. Seu pai esteve na Escandinávia recentemente? — Hermione
perguntou.
— Não. — Luna sorriu, como se estivesse pronta para responder a mais
perguntas.
Hermione abriu a boca, depois fechou e acenou com a cabeça, e trouxe Luna
e Rita para a sala de conferências.
Assim que Harry e Ginny chegaram, ela estava muito mais calma, focada na
tarefa em questão. Ginny foi vestir seu uniforme do Holyhead Harpies, e
enquanto Skeeter implorava a Harry para colocar seu velho uniforme de
Quadribol da Grifinória " pelos velhos tempos" – com um piscar de olhos –
Harry conseguiu recusar.
Rolf Scamander chegou, parecendo muito deslocado, e Hermione lhe deu
um abraço.
— Eu não sou um jogador de Quadribol, Hermione, — ele disse, os olhos
correndo nervosamente ao redor da sala. — Sou apenas o neto de alguém.
— E isso é tudo que eu estou pedindo para você ser. — Hermione sorriu para
ele, e ele desapareceu na sala de conferências.
As portas do elevador se abriram e Viktor Krum apareceu parecendo ter
acabado de sair de uma sessão de fotos para uma revista anterior. Vários dos
trabalhadores que o conheceram na semana passada acenaram e pularam
para cumprimentá-lo. Ele avistou Hermione e foi direto para ela, sorrindo e
se inclinando para beijar cada bochecha novamente.
E esse foi o momento perfeito para Draco sair de seu escritório,
reaparecendo para suas entrevistas. Hermione olhou para ele e ele desviou o
olhar, indo até Krum para apertar sua mão.
— Obrigado por estar aqui, Krum. — O rosto de Draco estava tenso e ele
desapareceu na sala de conferências antes que Viktor pudesse responder.
Viktor gesticulou para que ela entrasse primeiro, e ela entrou na moda do dia
de publicidade.
Bozo removeu a mesa e montou alguns cenários, um de um campo de
quadribol para os jogadores de quadribol e um de uma parede de pedra para
Harry e Rolf. Rita estava atualmente babando em Harry, vivendo por cada
palavra que ele dizia sobre o planejamento do casamento, e Rolf estava
conversando com Luna, parecendo muito mais confortável do que ela jamais
o vira. Hermione sorriu enquanto observava os dois.
— Desculpe-me, pessoal, — ela berrou, e a sala ficou em silêncio. — Muito
obrigado a todos por estarem aqui. Aqui está como hoje vai funcionar. O
fotógrafo tirará algumas fotos de cada pessoa para o anúncio. Elas irão para
revistas, jornais, panfletos, com a nossa mensagem "Salve os Pomorim".
Então Luna e Rita vão tirar um tempo para fazer algumas perguntas para
seus periódicos. Harry tem pouco tempo conosco antes de precisar voltar ao
Ministério, então faremos com que Bozo comece com ele. — Ela olhou em
volta. — E talvez tenhamos Rolf começando com Luna e Rita.
Rita parecia perplexa. Pansy, Daphne e Tracey estavam prontas para serem
fotografadas, e todos os outros apenas perambulavam pela sala de
conferências, esperando sua vez. Ela encontrava Viktor em seu cotovelo com
mais frequência do que nunca, e tentava conversar com todos.
Todos menos Draco, é claro.
Rita terminou com Rolf bem cedo, e estava esperando ansiosamente o
depósito de Harry Potter em sua cadeira de entrevista, mas Hermione
observou enquanto Luna continuava a fazer perguntas sobre seus projetos
atuais e o relacionamento de seu avô com os Pomorim de Ouro.
Enquanto eles passavam pelo grupo e Harry saía, Ginny ficou, observando.
— Isso está indo bem, Hermione.
— Obrigado, Ginny.
— Mas você não interagiu com ele, — Ginny disse.
— Sim, — ela suspirou. — Eu sei.
Draco e Pansy estavam conversando no canto. Ela estava sorrindo e
sussurrando sobre a sessão de fotos de Viktor Krum. Ele estava carrancudo.
Quando Krum terminou, Bozo terminou com seus convidados. Era hora de
Hermione e Draco serem fotografados quando Krum se mudou para a
cadeira de entrevistas. Ginny se despediu e Draco foi para o fundo de pedra.
Pansy esvoaçou até Hermione e começou a mexer no vestido e no cabelo.
Hermione tirou suas fotos também, tentando ao máximo parecer alguém que
queria salvar uma espécie, seja lá o que isso parecesse. Quando ela terminou,
Krum ainda estava sendo entrevistado.
— Que tal vocês dois? — Bozo gesticulou com sua câmera, como se fosse
uma extensão de seu braço. Ela seguiu a lente para ver que ele estava
apontando para ela e para Draco.
— Sim! — Pansy bateu palmas. — A dupla que montou tudo isso!
— Não, isso não é necessário, — Hermione começou, mas Pansy já estava
arrastando Draco de volta para o pano de fundo de pedra.
Eles ficaram lá, separados. Ombro a ombro. A lâmpada piscou. Pansy
franziu a testa.
— Tudo bem, — ela riu. M Um pouco mais soltos?
Hermione tentou colocar a mão no quadril, inclinando a cabeça. Ela esbarrou
no lado de Draco e eles se afastaram um do outro.
Pansy parecia horrorizada. Ela entrou e colocou Draco atrás dela. Ela
manteve a mão de Hermione em seu quadril e fez Draco colocar a mão em
seu outro quadril. Hermione podia senti-lo quente atrás dela. Draco colocou
a outra mão no bolso.
A lâmpada piscou algumas vezes.
— Agora, desta vez, como se vocês se importassem? — Pansy tentou.
Hermione fixou o rosto, ignorando a mão leve em seu quadril, exatamente
onde ele adorava tocá-la.
Eles se separaram assim que Bozo permitiu. Viktor havia acabado, então
Hermione se despediu dele enquanto a sala assistia. Ela se sentiu muito tensa
quando ele tentou dar um beijo de despedida em seu rosto novamente e
perguntou se eles poderiam ficar juntos em breve.
Ela sorriu e tentou agir naturalmente enquanto os olhos de Rita Skeeter os
perfuravam.
Depois que Hermione e Draco terminaram suas entrevistas, Pansy e
Hermione voltaram para o escritório dela, passando por Daphne e Blaise
conversando no canto. Eles se afastaram um do outro quando Pansy e
Hermione se aproximaram.
Hermione não tinha capacidade cerebral para essa revelação. Ela estava frita.
Uma vez dentro do escritório, Pansy a ajudou a tirar o vestido e sugeriu que
experimentassem suas roupas para o julgamento na segunda-feira. Ela deu a
ela um vestido azul-marinho para experimentar atrás da cortina do trocador.
Enquanto Hermione o colocava sobre a cabeça, ela ouviu a voz de Pansy
chamá-la.
— Então, o que eu perdi enquanto estava na Itália?
As mãos de Hermione pararam. Bem, um pouco.
— Hum, nada realmente. — Hermione ficou atrás da cortina mais do que o
necessário.
— Mmhmm, — Pansy cantarolou. — Quanto tempo vocês dois ficaram
juntos antes que ele fodesse tudo?
Hermione fechou os olhos. Ela deveria ter pensado melhor antes de tentar
enganar Pansy Parkinson. Ela saiu de trás da cortina e Pansy estava
dobrando roupas, olhando para ela com um sorriso malicioso.
— Er... apenas três semanas. E ele não fez merda. Eu fiz. — Ela calçou os
sapatos que Pansy havia preparado para ela.
Pansy riu. — Não é provável. — Pansy veio até ela e começou a puxar as
mangas e puxar o tecido ao redor de suas costelas. — Eu duvido muito que
qualquer coisa que você pudesse fazer causaria qualquer tipo de dano,
Granger.
Hermione deixou seus olhos brilharem na parede. — Eu invadi o Ministério
e vi as memórias que ele forneceu ao Wizengamot.
Ela sentiu a pausa de Pansy. — Uau, Granger. Uau.
Hermione olhou para ela e encontrou Pansy sorrindo. Ela engoliu em seco.
Pansy se ajoelhou ao lado dela e começou a prender a bainha. — Vocês vão
ficar bem. Apenas dê a ele um pouco de espaço.
Hermione queria acreditar nela, a ex de Draco, mas não podia. — Não sei.
Você não viu o rosto dele. Como ele estava traído. Acho... acho que
realmente estraguei tudo.
Pansy ficou em silêncio enquanto seus dedos trabalhavam. Hermione olhou
para ela e Pansy estava sorrindo.
— O que? — Hermione perguntou.
Pansy respirou fundo e mordeu o lábio. Hermione esperou mais quatro
respirações antes de finalmente falar.
— Você se lembra de como costumava pegar nós dois nos agarrando nos
corredores, Granger?
Hermione de repente se sentiu muito estranha. — Er... sim.
Pansy puxou um alfinete de seus dentes. — Levei muito tempo – mais do
que gostaria de admitir – para descobrir que ele só se encontrava comigo nas
noites de quinta e sábado. E um tempo ainda maior para perceber que ele
escolhia pontos ao longo de sua rota de patrulha de monitora.
Pansy sorriu para ela. E virou a bainha para costurar à mão.
Hermione estava congelada. Seu coração batia forte e rápido enquanto ela
olhava para essa garota em pânico.
Pansy voltou sua atenção para o vestido. — Não até o sexto ano quando ele
sussurrou seu nome para mim, — ela disse, franzindo os lábios tristemente.
— E mesmo assim tentei ignorá-lo por alguns meses.
Hermione engoliu em seco. Seus olhos lacrimejando.
— Ele está esperando por você há muito tempo, Granger, — Pansy disse.
— Apenas dê a ele um pouco mais de tempo. — Ela deu de ombros e se
levantou. — Deixe-o fazer sua birra. E quando ele parar de chorar, vai se
lembrar porque lutou tanto por você.
Hermione olhou para ela, e tudo o que ela conseguiu dizer foi: — Sinto
muito, Pansy.
— Não é sua culpa. — Pansy sacudiu o cabelo. — Tenho péssimo gosto para
homens. — Seus olhos se arregalaram alegremente. — Você sabia que Theo
Nott é gay?
— O que?
— Sim!
— Não!
— Sim!
— Ele é tão lindo.
— Eu sei. Tentei. Eu o tornei gay.
Hermione riu, e Pansy arrumou um de seus cachos soltos, torcendo-o para
trás para ela.
Pansy e Hermione passaram mais uma hora e meia rindo e conversando
sobre garotos, e Hermione sentiu qualquer resquício de culpa desaparecer
dela.
Pansy saiu e Hermione tentou esperar. Tentou dar-lhe tempo. Ela realmente
tentou.
Mas ela tinha que vê-lo.
Ela estava escondida em seu escritório com Pansy por quase duas horas, e
ela não tinha visto nenhum de seus funcionários desde a manhã, antes da
sessão publicitária. Ela se dirigiu ao escritório dele, mas ao se aproximar viu
que a luz dele estava apagada. Ela checou seu relógio. Eram 16h.
— Ele se foi.
Hermione se virou e Blaise estava folheando alguns papéis atrás dela.
— Ele saiu assim que soube.
Hermione franziu a testa para ele. — Soube o quê?
Blaise olhou para ela com a testa franzida. — Você ainda não sabe?
Ela sentiu suas costelas repuxarem e balançou a cabeça para ele.
— Lúcio Malfoy foi esfaqueado esta manhã. Ele está no St. Mungus em
estado crítico.
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Havia repórteres e câmeras do lado de fora do St. Mungus e no ponto de
aparatação. Ela ouviu Skeeter chamando seu nome, dizendo coisas como
“Hermione, querida! Você vai dizer a eles para me deixar entrar, certo?"
Hermione foi direto para a recepção onde a Bruxa de Boas-Vindas a
conduziu até o terceiro andar – “Ferimentos – Mágicos e Naturais”. Ela
ficou nos elevadores, ouvindo as fofocas dos curandeiros em voz baixa.
No terceiro andar, ela seguiu as placas para as suítes particulares e, assim
que viu um oficial bastante notável do DMLE, “disfarçado” de visitante da
sala de espera, soube que estava indo na direção certa.
Ela dobrou uma esquina e no final do corredor havia duas cabeças loiras.
Narcissa estava perto de uma porta, do outro lado de um guarda estacionado,
e Draco se encostou na parede um pouco mais longe. Ele se levantou da
parede e se moveu lentamente pelos ladrilhos até a outra parede.
Narcissa, Draco e o guarda formavam um lindo quadro, tão longe.
Silenciosos. Havia duas cadeiras ao lado de Draco, mas nem ele nem sua
mãe pareciam inclinados a sentar.
Narcissa a viu primeiro. Ela sorriu com força. — Hermione, querida.
Ela viu Draco ficar tenso e depois voltar seu olhar para ela, ainda no
corredor. Seus olhos a abriram, mas ele rapidamente desviou o olhar,
murmurando algo.
Narcissa caminhou ao seu encontro. Elas se abraçaram no meio do corredor,
a alguns passos de Draco e das cadeiras que ele não queria sentar. Narcissa a
abraçou, e se ela sabia alguma coisa sobre a situação entre Hermione e seu
filho, ela não demonstrou.
— É muito gentil da sua parte vir, Hermione. — Narcissa se afastou e
segurou o rosto entre os dedos delicados. Ela colocou uma mecha de cabelo
de volta no lugar para ela, e Hermione se sentiu tão quente dentro de seu
abraço.
— Você já sabe de alguma coisa? — Hermione olhou por cima do ombro de
Narcissa e viu Draco franzindo a testa para o chão. — Há alguém sob
custódia?
— Não, nada disso ainda. — Narcissa passou as mãos pelos braços de
Hermione. — Mas parece que um guarda foi colocado sob a maldição
Imperius esta manhã, e foi ordenado a atacá-lo. Eles ainda estão tentando
descobrir se a faca tinha alguma propriedade mágica.
— Um guarda de Azkaban fez isso? — Hermione olhou para a porta que
protegia Lúcio Malfoy do resto do mundo. — Isso é absurdo.
Draco bufou. Ambas as mulheres se viraram para olhar para ele, e ele as
ignorou, movendo-se pelo corredor, afastando-se delas.
Narcissa voltou-se para ela. — Sente-se comigo?
— Claro.
Narcissa a conduziu até as duas cadeiras, segurando a mão dela. Elas ficaram
sentados em silêncio por um momento até que um Curandeiro em
Treinamento apareceu no corredor. Ela caminhou rapidamente em direção a
ele, e Hermione sentiu Narcissa prender a respiração. A garota sorriu
timidamente e então entrou por uma porta em frente a eles – um
almoxarifado. A garota pegou o que precisava, então fechou a porta atrás
dela, balançando a cabeça educadamente antes de sair correndo. Narcissa
relaxou novamente e olhou para os joelhos.
— Draco me disse que a primeira data do Wizengamot está marcada para a
próxima semana.
Hermione olhou de volta para Narcissa, ignorando o movimento da figura no
corredor. — Sim, segunda-feira. Estamos quase prontos.
— Isso é maravilhoso. — Narcissa sorriu para ela, então se virou para olhar
para Draco. Hermione viu a sobrancelha da mulher erguer-se de uma
maneira adorável e crítica. Narcissa olhou para Hermione, inocentemente.
— Querida, você gostaria de alguma coisa no café lá em cima?
— Oh, não, obrigado. — Ela viu Draco revirar os olhos à distância e
percebeu um segundo tarde demais. — Mas, eu posso correr e pegar algo
para você...
— Não, acho que só vou usar o banheiro. — Narcissa se levantou, e
Hermione estava prestes a dizer que precisava usar o banheiro também,
quando Narcissa fez o que Narcissa fazia de melhor: ela se intrometeu. —
Você vai me esperar aqui?
Hermione respirou fundo e assentiu. Narcissa deu um tapinha em seu ombro
e deixou Hermione sentada sozinha em um corredor com Draco Malfoy e
um guarda silencioso.
Ela tentou pensar em algo para dizer que não fosse tão idiota quanto "como
vai você?" e falhou. Ela estava apenas abrindo a boca para dizer exatamente
isso quando ele falou.
— O que você está fazendo aqui?
Ela olhou para ele, seus olhos ainda nos ladrilhos sob seus pés. Seus lábios
estavam apertados.
— Eu queria estar aqui para você e sua mãe. — Ela observou enquanto ele
jogava os ombros para trás.
— Você deveria estar se preparando para o julgamento na próxima semana.
— Estou preparada.
Ele levantou a cabeça, olhando para a parede à sua frente. — Alguém
precisa estar no comando do escritório...
— Blaise está cuidando disso.
Draco franziu os lábios.
— Eu entendo se você não me quiser aqui, — ela disse. — E eu irei se isso
facilitar as coisas. Mas eu queria ter certeza de que Narcissa estava bem.
Draco apertou a mandíbula. Ele mudou de posição e olhou para o corredor
na direção oposta.
Eles ficaram em silêncio pelo que pareceu um milhão de batimentos
cardíacos.
— Foi uma faca? — ela perguntou.
Ele assentiu.
— E um guarda de Azkaban estava sob a maldição Imperius?
— Isso é o que eles dizem.
Ela o estudou. Suas mãos estavam nos bolsos e seu cabelo caía sobre os
olhos. Ele parecia muito cansado.
— Você já o viu?
Ele balançou sua cabeça. — Não até que ele esteja estável.
Ela ouviu o clique dos sapatos de Narcissa no corredor. Ela voltou com uma
xícara de chá e algumas guloseimas. Ela entregou a Draco um pastel de
abóbora, encorajando-o a comê-lo. Draco revirou os olhos e Hermione
sorriu. Narcissa ofereceu-lhe algumas guloseimas e ela recusou
educadamente.
Narcissa e ela sentaram-se pelos próximos trinta minutos, conversando
intermitentemente sobre nada, evitando o assunto do homem deitado em
uma cama de hospital atrás da porta.
Sempre que Draco cruzava o corredor, andando de um lado para o outro, ela
o observava. Alguém poderia confundi-lo com entediado, se não soubessem
procurar a tensão em sua mandíbula, o cerrar e abrir de seus punhos, o
movimento de uma pessoa bastante imóvel.
A porta do quarto de Lúcio se abriu e, de repente, tudo estava em movimento
novamente.
Um curandeiro saiu, mais velho e claramente no comando. Narcissa deu um
pulo. Draco se levantou da parede. O curandeiro deu um passo à frente para
falar com eles e Hermione se levantou, tentando ficar atrás de Narcissa para
que ela não se intrometesse.
— Nós reparamos o dano em seus órgãos internos, — ele disse, diretamente
para Narcissa. — Ainda é possível que a faca fosse mágica ou tivesse sido
mergulhada em veneno. Temos um quebrador de maldições averiguando ela
agora, mas com base em varreduras preliminares da ferida, não há magia ou
veneno.
Narcissa assentiu com a cabeça, olhos arregalados.
— O que isso significa? — Draco bufou.
O Curandeiro virou-se para ele. — Esperamos que ele se recupere
totalmente.
Hermione observou enquanto Narcissa assentiu, as mãos se contorcendo.
Draco estava parado.
— Eu preciso revisar alguns papéis com você, Sra. Malfoy...
— Black, — Draco disse. Ele estava congelado no lugar assistindo o
curandeiro falar.
— Sim, claro, Sra. Black, — o Curandeiro se corrigiu. — Ele está
descansando agora, mas estará pronto para receber visitas em breve.
— Sim... — Narcissa olhou ao redor do corredor. — Bem, eu irei com você
agora para a papelada.
Ela se virou sem outro olhar para Draco ou Hermione, e seguiu o curandeiro
pelo corredor.
Hermione encarou Draco, seus olhos ainda focados no local onde o
Curandeiro esteve. Sua mandíbula apertou e soltou. Seu olho esquerdo
estremeceu. Ela o observou engolir e respirar fundo, ouvindo o barulho do ar
como um dementador.
Ela reconheceu isso. Ela tinha visto isso nele em suas memórias, logo antes
de ele quebrar.
Ele empurrou o ar para fora de seu peito e olhou para os ladrilhos. Ela se
aproximou dele lentamente.
— Draco…
Ele girou para longe dela, fechando os olhos e pressionando as palmas das
mãos contra o rosto. Ela olhou para cima, e o guarda estava desviando o
olhar, arrastando os pés. Não havia mais ninguém no corredor, mas era um
lugar muito público.
A cabeça de Draco se ergueu rapidamente, e a mão que estava tentando
alcançá-lo voltou para o lado dela. Ele olhou ao redor do corredor com olhos
quentes, como se quisesse destruir alguma coisa. Ela veio para o lado dele e
agarrou sua mão em punho.
Seu peito estava arfando e seus olhos estavam úmidos.
— Draco.
E ele agarrou a mão dela e segurou-a perto dele enquanto se dobrava. Um
som saiu de sua garganta, um soluço. Ele se apoiou nela e ela trouxe a mão
livre para correr os dedos pelo cabelo dele.
— Por que ele simplesmente não morre?
Os dedos de Hermione congelaram. Ela não sabia como evitar isso. Ela não
sabia como era desejar que alguém estivesse morto. Alguém que era sua
própria carne e sangue.
Ela se moveu através de seu cabelo novamente, e ele se inclinou mais para
ela. Ela olhou para cima e o guarda estava deixando seus olhos vagarem para
eles. Uma Medibruxa contornou o corredor, olhando para um gráfico.
— Shh, — ela balbuciou. — Venha comigo.
Hermione abriu a porta do armário de suprimentos e o puxou para dentro.
Uma vez que a porta foi fechada atrás deles, sua voz quebrou em outro
soluço.
Estava escuro no armário, e ela pensou em lançar um feitiço silenciador e
encontrar a luz, mas então ele caiu para frente, de joelhos e passou os braços
em volta dos quadris dela, pressionando o rosto molhado contra o peito dela.
Ela parou de respirar.
— Eu queria que ele morresse, — ele engasgou.
Ela passou as mãos pelo cabelo dele e o sentiu respirar novamente.
— Eu sei. — Ela sentiu as lágrimas brotarem em seus próprios olhos.
Seus braços apertaram ao redor de seus quadris, pressionando-se mais perto
dela, e um soluço quebrado empurrou para fora dele, em seu peito. Ele
enterrou o rosto contra ela, e ela o segurou, deixando os dedos se moverem
pelo cabelo dele, pelo pescoço, pelos ombros e para cima novamente. Ela
repetiu isso várias vezes enquanto a respiração dele desacelerava. Ela sentiu
suas exalações quentes contra seu estômago.
Ela o ouviu fungar enquanto movia a cabeça e se perguntou se o vestido dela
estava molhado por causa das lágrimas dele. Os braços que envolviam seus
quadris se afrouxaram antes que as mãos dele deslizassem por suas costelas,
descansando em suas costas. Seu rosto pressionou contra seu estômago,
então seu esterno, e quando ele se levantou de joelhos, ela percebeu que ele
estava pressionando seus lábios contra ela enquanto sua boca tocava entre
seus seios.
Ela engasgou, e seus braços o seguraram com força enquanto seus lábios
pressionavam contra seu peito, sua clavícula e então seu pescoço. Ele
sussurrou, quente contra seu ouvido, — Eu sinto sua falta.
Ela sentiu sua respiração acelerada quando ele a beijou logo abaixo da
orelha, pressionando-a contra a porta.
— Draco.
Ele passou as mãos pelas costas dela, deslizando para frente para correr
contra seu estômago.
Este provavelmente não era o momento mais oportuno para... o que quer que
fosse.
Suas mãos seguraram suas bochechas, beijando sua boca e deixando sua
língua empurrar contra a dela. Ela suspirou nele, e deixou que ele a beijasse.
Ela empurrou levemente seus ombros.
— Draco. Agora não. — Seus olhos voltaram a se concentrar nela, seu rosto
ainda rosado e úmido. Ele começou a se fechar para ela, como uma rejeição,
e ela puxou o rosto dele novamente para um beijo suave. Seus
lábios tentaram se mover contra os dela e ela se afastou. — Você tem que
voltar lá.
Ele suspirou, pressionando sua testa contra a dela. Ela passou os polegares
pelas bochechas dele, enxugando as lágrimas restantes e passando os dedos
pelos cabelos nas têmporas dele.
Ele a deixou puxá-lo para fora do armário de suprimentos, de volta para o
corredor muito claro. O guarda estava olhando resolutamente para outro
lugar.
— Eu preciso... — Draco começou. — Ainda não preciso vê-lo. — Ele
enxugou os olhos, e Hermione observou seu rosto, rosado e manchado, e a
pele abaixo de seus olhos inchada. Sem dúvida ele estava chorando. Era tão
fácil de dizer. Ela não via lágrimas verdadeiras nele desde que ele era
criança. — Vou verificar a papelada da mãe, e encontrar um banheiro.
Hermione assentiu. — Estarei aqui.
Ele olhou para ela, como se isso o surpreendesse. Ela deu a ele um pequeno
sorriso.
Ele assentiu e se virou para seguir pelo corredor, a mão dela puxando a dele
enquanto ele se afastava. Ela não tinha percebido que ele estava segurando.
Ela o observou ir e se virou para olhar o guarda, olhando para os ladrilhos.
Ela caminhou em direção às cadeiras novamente, mas não queria se sentar.
— Ele está acordado.
Hermione olhou para cima e o guarda estava olhando para ela.
— Ah, — ela disse. — Maravilhoso.
Ele encolheu os ombros. — Você está na lista, se quiser vê-lo.
Ela piscou para ele. — O quê?
— A lista de visitantes aprovados. Hermione Granger está na lista de Lúcio
Malfoy.
Ela sentiu o coração na garganta. — E quando ele fez esta lista se ele estava
inconsciente?
— Está na papelada de Azkaban, então não tenho certeza de quando seu
nome foi adicionado. Mas antes de hoje.
Ela olhou além dele para a porta. Ela prendeu a respiração sabendo que era
uma idiota.
— Tudo bem.
Ele acenou com a cabeça para ela e gesticulou para que ela entrasse.
Ela abriu a porta, sentindo o peso do momento. O momento que deveria ser
reservado apenas para parentes de sangue.
Quarto esparso. Cortinas azuis claras na janela e longas cortinas de
privacidade ao redor da cama no centro do quarto. Havia flores no parapeito
da janela e ela estava curiosa para saber se eram para decoração ou se
alguém realmente se importava com Lúcio Malfoy o suficiente para mandá-
las. Ela ouviu seus próprios passos contra o linóleo, batendo palmas no
quarto silencioso enquanto contornava a cortina de privacidade para
encontrar Lúcio Malfoy, apoiado na cama, como se tivesse acabado de se
hospedar em um spa.
— Senhorita Granger. — Seus lábios se curvaram nos cantos. — Eu
esperava que você estivesse aqui.
Além da camisola do hospital, da cama do hospital e da tonalidade pálida de
sua pele, não havia diferença entre vê-lo agora e sua visita a ele em
Azkaban. Ele usava o mesmo olhar curioso, seu cabelo puxado no mesmo
estilo, e sua atitude superior não havia murchado nem um pouco.
— Sr. Malfoy. — Ela ficou a um passo do pé de sua cama. — Estou surpresa
ao descobrir que fui incluída na sua lista de visitantes. — Ela ouviu sua voz,
medida e controlada. Ela esperava que seu rosto desse a mesma fachada.
— Claro, Srta. Granger. — Seus olhos brilharam para ela. — Você é
praticamente da família, afinal."l
Hermione sentiu um arrepio, começando no topo de sua espinha e passando
por ela como a maldição Cruciatus.
Ela olhou mais de perto e encontrou a pele fina ao redor dos olhos, a maneira
delicada como ele estava apoiado contra os travesseiros, a inclinação
sonolenta de sua cabeça. Ela não tinha nada a temer. Este homem tinha
jogado todas as suas cartas quando contou a Draco sobre as aulas. E
ele claramente não representava nenhuma ameaça física para ela. Era uma
partida mental para a qual ela teria que se preparar.
Ela respirou fundo e olhou-o diretamente nos olhos. — Por que você contou
a Draco sobre as aulas? Que possível motivação você poderia ter para isso?
Ele sorriu para ela, tão diferente e tão parecido com Draco. — Achei que ele
já sabia. Eu não tinha ideia de que vocês dois mantinham segredos um do
outro.
Ele estava brincando com ela, como um rato. Ela convocou algo profundo
dentro de si mesma e sentiu sua sobrancelha se curvar para cima.
— Como deve ser chato. Estar em Azkaban sem ninguém para brincar. —
Ela deu um passo à frente e abaixou as mãos para se apoiar na grade ao pé
da cama. — As coisas estavam ficando um pouco confortáveis demais para
você? — Ela inclinou a cabeça para o lado e viu os olhos dele segui-la. —
Narcissa não estava falando com você. A herança de seu filho – a única
coisa que ainda o ligava a você – estava vazando. E eu estava jogando de
acordo com suas regras. — Ela estreitou os olhos para ele. — Era hora de
apimentar as coisas?
Seus lábios se contraíram. Ela observou enquanto os olhos dele percorriam
seu rosto, um sorriso se espalhando em suas bochechas.
— Como você está diferente, Srta. Granger, — ele cantou. Ela apertou a
grade da cama e manteve os olhos o mais claros que pôde. — Eu poderia
creditar a Madame Michele por refinar sua abordagem, a Srta. Parkinson
por estilizá-la exatamente assim, ou a Srta. Truesdale por ensiná-la a se
mover... — Ele deixou seus olhos vagarem por sua forma, e ela se manteve
firme. — Mas há outra coisa também, — disse ele, os olhos encontrando os
dela novamente.
Ela lançou-lhe um olhar gelado e deixou o sarcasmo pingar em sua voz. —
Não diga que estava " de olho em mim o tempo todo". Não depois de ter
passado por todo esse problema.
Ele sorriu. Quase um sorriso verdadeiro. Ele olhou diretamente nos olhos
dela e disse: — Você será uma ótima Senhora Malfoy para ele, Srta.
Granger.
Qualquer confiança que ela tinha a deixou em um sopro de ar. Ela sentiu seu
olho estremecer e seus pulmões pararem. Ela parou de se inclinar
arrogantemente para a frente na grade da cama e perdeu toda a ideia do que
fazer com as mãos.
Ela procurou seu rosto para o seu jogo. E encontrou quase um carinho ali.
Havia aceitação. Havia orgulho. E se ela alcançasse profundamente seus
olhos, ela quase poderia ver uma expressão perdida em sua memória, uma
que pertencia a seu próprio pai.
O que ele estava fazendo? Que jogo era esse?
— Eu não entendo, — ela respirou.
— Você sabe, Srta. Granger, — ele disse, olhando para a janela à sua
esquerda. — A herança Malfoy só será liberada no dia do casamento do
herdeiro. Tem sido assim há séculos. E só seria liberada se a noiva fosse
aprovada. — Ele se virou e sorriu para ela. — Você teria feito essas aulas
mais cedo ou mais tarde. Draco queria a herança mais cedo. Então, eu
aumentei a linha do tempo.
Hermione sentiu suas mãos tremerem. Ela não deveria ter entrado aqui.
A confiança que ele tinha. A sensação de inevitabilidade. O sorriso triste de
Pansy quando ela virou a bainha esta manhã. A sondagem gentil de Blaise
esta semana. Narcissa e seus abraços e sorrisos e toques gentis e olhos
maternais e diamantes de família.
— Uma vez que você liberou a herança, você não teria nenhum controle
sobre sua noiva, — ela sussurrou. — Então, você me manipulou para fazer
as aulas.
— Não venha com isso agora, Srta. Granger. Você se manipulou. Quase não
tive que fazer nada.
Ele sorriu sem malícia. Sem um plano conivente. Era como se ele tivesse
jogado sua carta final e o baralho já tivesse sido varrido.
Ela sentiu lágrimas de raiva em seus olhos. — Por que você fez tudo isso?
Por que você interferiu? — Ela fechou os olhos, pensando em Blaise, Pansy,
Narcissa. Ginny e Harry. Marcus Flint até... — Todos vocês.
— Eu já disse a você, Srta. Granger, — ele riu. Ela abriu os olhos para vê-lo
olhando para ela suavemente. — Tudo o que faço, faço pelo meu filho.
Ela pensou em sua “proposta” em novembro passado. Fazer aulas,
casamento no gazebo, se espelhar de Narcissa nos bailes da sociedade, e ela
poderia tê-lo.
Ela balançou a cabeça, pressionando os lábios. — Bem, Sr. Malfoy. Valeu a
pena? Este jogo você configurou, com peões e rainhas. Valeu a pena seu
divórcio pendente e seu relacionamento destruído com seu filho? Eles nunca
mais vão querer ver você.
Ela tentou sibilar para ele, mas só conseguia olhar com tristeza.
— Oh, eu não sei sobre isso, Srta. Granger. — Ele ergueu uma sobrancelha
arrogante. — Eu acredito que eles estão do outro lado desta porta.
Ela piscou para ele. E um calafrio a percorreu quando uma peça se encaixou
no lugar. Ela recuou. — O guarda coi Imperiado?
Lúcio sorriu para ela. Orgulhosamente. Paternal.
— Ele foi bem compensado, Srta. Granger. Eu garanto a você, — Lúcio
disse. — Já era hora de... como você chama? — Ele sorriu para ela. — Oh
sim. Apimentar as coisas.
A porta se abriu e ela se virou para encontrar os olhos quentes de Draco nela.
— Fique longe dela.
Ela sentiu sua respiração saindo em movimentos curtos e espontâneos. Ela se
afastou da cama, vendo a expressão traída em seu rosto enquanto ele
contornava a cortina de privacidade e se virava para seu pai. Ela observou
enquanto Lúcio sorria.
— Draco. Que bom que você veio.
A raiva ondulou pelos ombros de Draco quando ele parou na frente dela,
protegendo-a da visão de seu pai.
— Fique longe dela. Não fale com ela.
— Draco, ela veio me visitar.
— Não. — Explodiu dela. Ela olhou Lúcio Malfoy nos olhos até que ela o
viu pousar nela. — Pare de me usar contra ele. O jogo está feito. — Ela
segurou seus olhos pálidos até que ele desviou o olhar, quase fazendo
beicinho, resignado.
— Hermione, por favor, nos deixe em paz, — disse Draco.
Seu nome em seus lábios a fez parar. Ela deu uma última olhada em Lúcio
Malfoy, esperando nunca mais ver ou ouvir falar dele em sua vida, e sabendo
que era um desejo tolo.
Draco tocou o braço dela, puxando o olhar dela de volta para ele. — Por
favor, vá. — Seus olhos eram suaves. — Te vejo de manhã.
Ela se virou para encontrar Narcissa parada silenciosamente na porta, fora da
vista de seu marido. Ela deu a Hermione um sorriso cansado.
Hermione passou os dedos pela mão de Draco em seu braço, olhou para ele e
acenou com a cabeça. Seus olhos voaram para os lábios dela, e ela desejou
que ele lhe desse um beijo de despedida.
Ela se virou, soltando-se do braço de Draco, e se aproximou de Narcissa na
porta. Narcissa tocou seu ombro quando ela passou, um conforto gentil, e
Hermione saiu.
Narcissa entrou totalmente na sala, e Hermione se perguntou sobre esta
reunião de família. A primeira vez que Hermione tinha visto os três no
mesmo espaço desde o Salão Principal de Hogwarts, todos pálidos e
abalados, Lúcio tentando segurar seu orgulho, Narcissa tentando segurar seu
filho e Draco tentando segurar seu controle. E Hermione, olhando para eles.
Narcissa fechou a porta atrás de si.
Ela acenou com a cabeça para o guarda e caminhou pelo longo corredor até
as saídas.
Capítulo 36.
Depois de deixar o St. Mungo's, Hermione voltou para o escritório para
fechar e pegar os pertences que havia deixado para trás, incluindo sua bolsa
de dança.
Ela teve sua última aula com a Srta. Truesdale esta noite. Depois, no sábado,
sua última aula com Monseiur DuBois, e no domingo de manhã sua última
aula com Madame Bernard. Terça-feira seria sua última aula com Madame
Michele, e o último décimo da herança seria transferido às 21h.
Ela passou algum tempo respondendo cartas e atualizando sua mesa, lendo o
Profeta da noite detalhando tanto quanto Skeeter sabia sobre a condição de
Lúcio Malfoy. Ela deixou o escritório faltando cinco minutos para a aula,
aparatando em um ponto a vários quarteirões de distância do pequeno
estúdio de dança. Hermione estava feliz por terminar essas aulas, mas ainda
mais depois de sua conversa com Lúcio Malfoy naquele dia.
"Você teria feito essas aulas mais cedo ou mais tarde."
Ela balançou a cabeça para clareá-la enquanto corria para dentro, tirando
rapidamente o cachecol, o casaco e as luvas e pendurando-os no cabideiro na
pequena área do saguão do lado de fora da porta do estúdio.
Ela tirou as galochas, calçou as pequenas sapatilhas de balé e agarrou os
saltos de duas polegadas que a Srta. Truesdale usava para praticar. Ela estava
tão feliz que Pansy a colocou em um vestido hoje, ou então ela teria que
mudar para as saias de ensaio do estúdio.
Ela se virou para correr para o estúdio, com segundos de sobra, e encontrou
Draco. Sentado na pequena área de espera do saguão, observando-a.
Ela engasgou em choque, então corou de vergonha em seu próprio
melodrama.
- O que você está fazendo aqui? - ela perguntou, com a mão sobre o coração.
- Está tudo... seu pai está bem?
Ele assentiu e se levantou, colocando as mãos nos bolsos. Ainda a
observando.
- Então por que você... - Ela prendeu a respiração. Ele estava aqui para
envergonhá-la sobre as aulas? Para proibi-la de ajudá-lo mais? - Estou tendo
essas aulas, Draco, - ela tentou, com firmeza. - Só me resta mais uma
semana e pretendo terminar. A herança será transferida e pronto. Eu fiz um
acordo.
Ele acenou com a cabeça para o chão. Ela o observou, esperando. Ele deu a
ela um pequeno sorriso e abriu a porta, segurando-a para ela. - Depois de
você.
Ela o encarou, sem compreender. Ela sentiu seus pés se moverem e entrou
no estúdio iluminado, sentindo-o segui-la.
Srta. Truesdale estava no gramofone, de costas para eles.
- Senhorita Granger, você está dois minutos atrasada. - Sua voz severa
chegou até eles através do piso de madeira.
Hermione abriu a boca para se desculpar, mas Draco a cortou.
- Receio que tenha sido minha culpa, senhorita Truesdale.
A ex-bailarina girou em um giro delicado, e quando seus olhos pousaram em
Draco, eles brilharam.
- Jovem Sr. Malfoy! Que bela surpresa. - A senhora de setenta anos - que
ainda insistia em ser chamada de "senhorita" - deixou seus olhos vagarem
pela forma de Draco enquanto ele cruzava o salão, sorrindo para ela e
pegando sua mão para beijar seus dedos. - Você tem feito tanta falta.
Draco sorriu, e Hermione tentou não revirar os olhos, imaginando se essas
professoras que cantavam seus elogios realmente se lembravam de seus
talentos, ou se eram apenas apaixonadas por ele e sua mãe. Ele era realmente
excelente em tudo?
A senhorita Truesdale perguntou a Draco sobre Narcissa, deu suas
condolências pela saúde de seu pai e acenou sua varinha para o gramofone,
enxotando Hermione como uma mosca em direção à barra de balé.
Hermione franziu a testa para a velha Truesdale e começou seu aquecimento.
Ela tentou ignorar a conversa deles, concentrando-se no motivo de Draco
estar ali, sentado em uma cadeira na frente da sala.
A voz da senhorita Truesdale flutuou para ela. - Se você está aqui para
verificar o progresso dela, Sr. Malfoy, lamento informar que ela precisa de
muito mais tempo e foco para realmente se comparar com garotas de sua
idade.
Hermione apertou os lábios para evitar latir de volta enquanto descia de sua
posição final na barra. Ela ouviu Draco rir. A senhorita Truesdale acenou
com a varinha e pegadas apareceram no chão do estúdio, mostrando a
coreografia que ela aprenderia.
- Srta. Granger, - ela disse. - Hoje aprenderemos as formações da valsa
vienense. Troque seus sapatos.
Hermione rapidamente trocou suas sapatilhas pelos saltos de dança e se
juntou à Srta. Truesdale no centro da sala. A mulher mais velha caminhou
pelo chão. Hermione observou os pés da mulher combinando perfeitamente
em cada pegada, girando em círculos e confundindo os olhos de Hermione.
Quando Hermione se aproximou para tentar, ela evitou o olhar de Draco.
Parecia voar de novo em Hogwarts, todos assistindo enquanto a sabe-tudo
encontrava algo que ela não sabia.
Ela tropeçou várias vezes nas pegadas e ouviu um "tsk tsk" vindo da direção
geral do gramofone.
- Está vendo, Sr. Malfoy? Ela é desfocada e descoordenada.
- Hm, - Draco riu, e ela ignorou os olhos dele nela. - Talvez ela esteja
trabalhando há muito tempo sem um parceiro.
Ela olhou para ele, pés desajeitados enquanto ele se aproximava dela. Ela
olhou para ele com horror quando ele pegou sua mão e sua cintura.
- Er, eu ainda não sei os passos...
- Vamos lá, Granger. Deixe-me levá-la para dar uma volta.
Ela observou enquanto ele deslizava uma mão por suas costelas enquanto a
outra segurava sua mão. Ela ouviu a música começar e olhou para seus pés
enquanto a Srta. Truesdale os contava.
- Olhe para mim, - ele sussurrou, e ela olhou em seus olhos assim que ele
deu um passo à frente. Ela contra-atacou. Ela sustentou seu olhar quando ele
os virou para o canto da sala, e quando a palma da mão em suas costelas a
guiou para um determinado caminho. Ela não piscou para longe dele quando
a Srta. Truesdale gritou, algo sobre ficar na ponta dos pés.
Eles voltaram para o centro, e seus olhos estavam sorrindo para ela. A
senhorita Truesdale estava fazendo anotações, inclinando a cabeça e
cutucando a coluna. Ela tentou se concentrar na sensação de estar em seus
braços.
"Trabalhando muito tempo sem um parceiro."
Quando eles tentaram novamente, acrescentando um pouco mais de
complexidade, ela se concentrou na sensação das coxas de Draco roçando as
dela enquanto ele os guiava pela sala. Ela se sentia muito leve e livre, e
quando ele ergueu suas mãos e empurrou suas costelas para girá-la por
baixo, seus pés obedeceram e ela flutuou de volta para seus braços. Sua
mandíbula se abriu e ela soltou uma gargalhada quando ele levantou uma
sobrancelha para ela.
A senhorita Truesdale ficou bastante satisfeita com seu desempenho, mas
lembrou-a de que a dança de salão não era motivo de riso. A ex-bailarina fez
Draco conduzi-la por várias outras formas de dança que Hermione vinha
trabalhando ao longo das semanas. E Draco estava certo. Era infinitamente
mais fácil com um parceiro.
A música tocou para a valsa francesa. Seus olhos se voltaram para ele, e o
canto de sua boca se inclinou para cima. Ele se curvou para ela, e ela
respondeu com uma reverência. Ele estendeu a mão para ela, e ela se moveu
em seus braços, começando a dança que ela conhecia tão bem. Pela primeira
vez, como seu parceiro.
Depois de girar pela sala com Draco, ela não pôde deixar de pensar em como
a mão dele era leve em suas costelas em comparação com o aperto firme de
Viktor. Como Viktor precisaria olhar para seus pés para a terceira formação,
mas Draco manteve os olhos nela.
Ela se separou dele, movendo-se para dançar com o homem imaginário a
dois casais de distância. O lugar onde Draco sempre esteve.
Ela encarou o espelho na parede lateral do estúdio de dança e viu que seu
cabelo estava caindo do rabo de cavalo, seu rosto estava corado e ela tinha
um sorriso bobo no rosto. Por cima do ombro de seu reflexo, ela observou
enquanto Draco se curvava. Ele se levantou, a coluna reta como sempre, e o
espelho à sua frente mostrou a ela seu rosto quando ele capturou seus olhos.
Ela sentiu o sorriso bobo se espalhando quando ela mergulhou em uma
reverência.
Ele ergueu a mão direita, com a palma voltada para seu reflexo e sua
parceira imaginária. Ela levantou a dela, como tinha feito duas vezes antes,
quando era ele na frente dela. Os olhos dele brilharam com o reflexo dela no
espelho, e quando ele deu um passo à frente para girar, ela observou
milhares de Dracos e Hermiones diferentes dançando um ao redor do outro
nos reflexos saltitantes.
Ela pensou em como se sentiu apavorada quando se virou para ele no Baile
de Inverno. Como ela esperou que ele cuspisse veneno nela, e ele apenas se
curvou, observando-a de perto. Ela sentiu falta de ar quando trouxe a mão
para a dele, evitando que sua pele se conectasse, com medo de que ele a
atacasse, recuasse e limpasse a mão na perna da calça.
Ela se virou e capturou os olhos dele através da sala, e riu.
- Senhorita Granger. Mantenha o foco em seu novo parceiro.
Isso a fez rir ainda mais. Draco sorriu para ela, mordendo a bochecha.
- Você deve dar toda a sua atenção ao novo parceiro que conhecer, - Srta.
Truesdale chamou. Hermione terminou o círculo e encarou o espelho
novamente, observando o reflexo de Draco. - O novo parceiro na valsa
francesa significa o fim de nossas aventuras juvenis. - Hermione mordeu a
língua para não comentar sobre o significado da dança de salão. Ela se virou
e voltou para Draco, encontrando-se novamente no centro da sala.
Srta. Truesdale continuou, narrando seus movimentos.
- E ao retornar ao seu parceiro original, - ela encarou Draco novamente. -
significa que você abandonou todos os outros, - Hermione observou
enquanto Draco levantava sua mão na altura do peito novamente, esperando.
- e você escolheu seu parceiro para toda a vida.
Ela piscou para ele. Ele engoliu. Ela levantou a mão, palma com palma com
ele, e pouco antes de começarem a girar um ao outro, ela pressionou sua pele
contra a dele.
Eles contornaram um ao outro. A mão dele era quente e pressionada contra a
dela. Ela mordeu o lábio, observando o rosto dele enquanto terminavam.
Ele se curvou. Ela fez uma reverência. Seus olhos eram profundos e quase
azuis.
- Adequado, Srta. Granger.
A voz da Srta. Truesdale a tirou de seu transe. Ela balançou a cabeça,
respirando fundo, e ouviu enquanto a mulher fazia suas anotações.
Hermione agradeceu. Ela permaneceu estoicamente enquanto a Srta.
Truesdale sugeria algumas aulas para iniciantes que ela dava durante o verão
para os alunos enquanto eles estavam fora da escola. Ela ofereceu para
Hermione se juntar aos puros-sangues de doze anos, já que esse era o
nível em que ela estava atualmente. Hermione levantou uma sobrancelha e
respondeu: - Vou considerar isso.
Hermione acenou adeus à mulher-crocodilo. Draco segurou a porta aberta
para ela no saguão, reprimindo um sorriso.
Quando a porta se fechou, ele disse: - Pelo que vale, acho que você está no
nível de garotas de quatorze anos. Pelo menos.
Ela lançou-lhe um olhar fulminante enquanto trocava de sapatos e se vestia
novamente.
- Você e Monsieur DuBois sempre se encontram naquele café?
Ela olhou para ele. - Er... sim, principalmente. Por que?
- E você e Madame Bernard tomam chá naquele restaurante francês?
Ela estreitou os olhos. - Por que?
- Como eu disse. - Ele estendeu a mão e enfiou o cachecol dela. - Você está
trabalhando há muito tempo sem um parceiro.
Ele ergueu uma sobrancelha e saiu para o ar fresco da noite.
~*~
No dia seguinte, no escritório, Hermione estava ocupada se preparando para
o primeiro dia do julgamento do lobisomem na segunda-feira. Ela mal viu
Draco uma vez, mas havia uma xícara de café esperando por ela em sua
mesa quando ela entrou.
No sábado, ela chegou ao café para encontrar Draco já sentado e
conversando com Monsieur DuBois, rindo de algo que o instrutor disse. Ela
puxou uma cadeira e Monsieur DuBois prontamente a ignorou durante os
primeiros dez minutos, então finalmente começou a interrogá-la sobre
arquitetura moderna.
Domingo de manhã Draco estava lá com Madame Bernard, e a mulher mais
velha achou que era a oportunidade perfeita para Hermione testar suas
habilidades e tentar planejar uma festa imaginária na Mansão com Draco.
Draco insistia em que tudo fosse verde e prata, só para irritá-la.
Em ambas as ocasiões, ele se despediu logo após a aula. Ele não se ofereceu
para acompanhá-la de volta a Cornerstone e não demonstrou nenhum afeto
por ela. Não que ele pudesse. Eles nunca estava. sozinhos. Na manhã de
segunda-feira, ela estava seriamente confusa sobre o status do
relacionamento deles.
Ele a cumprimentou com café na recepção naquela manhã. Ela agradeceu, e
ele caminhou com ela os seis metros até sua porta, discutindo o dia seguinte.
Draco iria para o Ministério mais cedo para lidar com Skeeter para que
Hermione e Waterstone pudessem se concentrar no caso.
Ela levou vinte minutos para reunir suas anotações e praticar seus
argumentos iniciais antes de começar a fazer a mala. Ela deveria ter fechado
a porta.
- Então, sua entrega de café está de volta no horário, pelo que vejo.
Ela olhou para cima para ver Blaise em sua porta, segurando uma xícara de
chá.
- Olá, Blaise. Estou de saída.
Ele a observou em silêncio enquanto ela se atrapalhava com a papelada.
Quando ele não saiu, ela virou os olhos para ele.
- Vocês dois fizeram as pazes? - ele perguntou, erguendo a sobrancelha. Ele
tomou um gole de seu chá.
Ela olhou por cima do ombro dele em busca de bisbilhoteiros. - Er, sim, de
certa forma.
- Nada que um pouco de vida ou morte não possa curar, hein?
Ela olhou para ele novamente. Havia uma tensão em sua voz e uma tensão
em seus lábios.
- Existe algo que você precisa, Blaise?
Ele tomou um gole de seu copo novamente, esvaziando-o. Então
desapareceu com um aceno e fechou a porta atrás de si. Ela observou
enquanto ele colocava as mãos nos bolsos e se inclinava para trás.
- Eu preciso te fazer uma pergunta, Granger. Uma que eu fiz para ele há
muito tempo. - Blaise a observou cuidadosamente, e Hermione sentiu suas
sobrancelhas se juntarem. - Isso é um jogo?
Ela piscou para ele. - Um jogo?
- Um pouco de gato e rato? Algo para quebrar um pouco as regras? - Ele deu
de ombros para ela, e ela sentiu muito frio. - Ou... você está nisso a longo
prazo?
Ela abriu a boca para responder e foi como se tivesse sido Confundida.
- Porque se você não vai com isso até o fim, - ele disse, nivelando seus olhos
nela, - então eu imploro... Afaste-se, porra.
Ela sentiu como se tivesse levado um tapa. Ela não via os olhos de Blaise
assim desde Hogwarts. Desde o bullying nos corredores. Mesmo assim,
havia uma alegria provocante. Mas agora, ela estava sendo castigada. E era
completamente desnecessário.
Ela sentiu a raiva crescer dentro dela, prestes a dizer a ele para cuidar de
seus negócios e dar o fora de seu escritório quando ele falou de novo, mais
baixo.
- Por favor, - disse ele. Seus olhos se suavizaram. - Ele não vai sobreviver a
isso.
Hermione sentiu sua raiva desaparecer. Ela fixou os olhos em Blaise e
assentiu.
- Eu aprecio sua preocupação com ele, - ela disse. Ela limpou a garganta e
olhou para os tapetes. - Mas eu o amo. - Ela sentiu seu coração trovejar. -
Eu tenho o amado há muito tempo.
Ela esperou. Esperou que Blaise risse dela, ou comemorasse sua vitória por
fazê-la se abrir para ele.
- Mas você mudou de ideia sobre um futuro com ele?
Ela olhou para ele. - Mudei de ideia? - Não havia presunção em seu rosto.
Só curiosidade.
- Ainda sem datas para jantar, - disse Blaise. - Sem ir a público com ele.
Hermione começou a gaguejar. - Eu... essa foi a decisão dele tanto quanto a
minha...
- Oh, pare com isso Granger. - Ele revirou os olhos e ela arregalou os dela. -
Como se você não tivesse definido as regras disso desde o começo.
- O que?! - Se isso não fosse exatamente o oposto de como ela se sentia
sobre essa coisa toda...
- Se você mudou de ideia, precisa contar a ele, - disse ele. - Ele está tentando
ter o que pode conseguir.
- Mudei de ideia sobre o quê?! - A voz de Hermione estava aumentando,
mas Blaise permaneceu muito neutro enquanto falava a seguir.
- Você disse que não se casaria com ele.
Ela sentiu sua pele formigar, e seu sangue gelar, e seus olhos perfurados
nele.
Ela disse. Ela disse isso a Narcissa quando ela deixou Azkaban. Ela
precisava que ela parasse de empurrar. Ela precisava acabar com as ilusões
de Narcissa na época.
E Narcissa tinha contado a Draco?
E ele ainda acreditava nisso?
Ela encarou Blaise Zabini, a única pessoa próxima a Draco que tinha
permissão para entrar em sua mente.
Uma batida em sua porta.
- Granger? - A voz de Draco - Pronta?
Ela pulou. - Sim Sim. Entre.
Draco abriu a porta, olhando para Blaise, e Hermione rapidamente pegou sua
papelada, passando por ambos os Sonserinos enquanto se dirigia para os
elevadores, sua cabeça uma bagunça.
~*~
Draco, Cornelia Waterstone e Hermione estavam nos elevadores do
Ministério, levando-os para baixo, para o Wizengamot.
Waterstone estava tagarelando o tempo todo. Ela fez sua pesquisa sobre cada
membro do Wizengamot, observando onde eles se posicionaram sobre
questões do passado. Ela estava muito confiante ao entrar neste julgamento.
Eles ficaram parados nos longos corredores de pedra por cerca de vinte
minutos, Waterstone mencionando os membros do Wizengamot que podem
apreciar mais o contato visual do que outros, e Hermione ficou parada,
absorvendo tudo.
- Cornelia, - Draco disse. - Você sabe o que seria mais útil agora? - Ela ouviu
a voz dele assumir aquele murmúrio suave que ele usava quando estava
prestes a manipular alguém para pensar que tinha uma ideia brilhante. -
Acho que deixaria todos à vontade saber quando eles começarão.
- Ah, com certeza, - disse Waterstone. - Vou subir e ver se consigo observar
o Wizengamot quando eles chegarem, posso?
- Obrigado. Que ideia esplêndida.
Waterstone assentiu e caminhou pelo corredor de volta ao elevador. Assim
que ela desapareceu, Hermione tentou focar sua mente.
- Ansiosa? - Draco disse.
Ela riu. De todas as coisas em sua vida, o Wizengamot era a que menos a
preocupava.
Ela olhou para ele. Ele se encostou na parede em frente a ela, como fizera
meses antes, no julgamento de Dolohov. O dia em que essa confusão
começou. Antes de contratos de amor e muralhas nas paredes.
Ela olhou para as pedras entre eles, como uma linha de batalha para não
cruzar.
Draco pensava que ela não queria se casar com ele.
"Ele está tentando ter o que pode conseguir."
Não foi exatamente isso que ela disse a Ginny na semana passada?
E o que Ginny disse?
"Você nunca saberá até que pergunte."
Ela olhou para ele. Ele olhou para a parede ao lado de seus pés. À espera de
algo.
Esperando.
- Eu quero estar com você. - As palavras passaram por seus lábios e
pousaram nas pedras entre eles. Ela o observou piscar para a parede. Ela
engoliu em seco, empurrando seu coração de volta para baixo de onde havia
ficado preso em sua garganta. - Eu quero sair com você. Em público. Não
apenas almoçar em seu escritório. - Ela checou ele e ele ainda estava fixo no
ponto onde o chão encontrava a parede, olhos vidrados. - Quero vir como
um casal para o MCG e descobrir o que fazer sobre o Contrato de Amor e as
políticas de namoro...
Ela balançou a cabeça, tentando limpar seus pensamentos incoerentes.
- Quero ir jantar com você e ser fotografada no Profeta. E de mãos dadas no
caminho para o ponto de aparatação. - Seu coração batia forte e ela podia
sentir o ritmo nas pontas dos dedos. - Quero passar a noite com você de
novo, todas as noites. Quero fazer as refeições semanais com sua mãe e
deixar Mippy fazer sopa de abóbora para mim e passar horas naquela
biblioteca...
A voz dela falhou, e o canto do ombro dele que ela fixou os olhos começou a
borrar. Ela pensou em quanto queria aquela biblioteca e ele nela. E como
poderia ser fácil tê-lo...
- Eu quero ser sua esposa. - Ela suspirou, as palavras saindo de sua língua. -
E ver você de manhã, casar com você no gazebo e... e governar a porra do
mundo com você.
Ela não conseguia olhar para ele. Ele não moveu um músculo.
- E eu não sei onde os fios se cruzaram ao longo do caminho, eu não sei
como as coisas ficaram tão confusas. Mas isso é tudo que eu sempre quis. -
Ela enxugou uma lágrima de sua bochecha e fungou.
- Quando você me perguntar por que fiz as coisas que fiz, quero poder dizer
que é porque te amo. - Ela engasgou quando saiu dela. - Que tudo foi para
você. Nunca foi sobre a " coisa certa a fazer". - Ela riu, um som maníaco
que não podia ser contido. - É porque eu te amo.
- E eu quero conhecer você. Eu quero saber tudo sobre você. E eu entendo
que devo perguntar, mas quero poder perguntar. Eu quero que você me diga
as coisas quando eu perguntar, - ela disse, batendo o pé. Ela sentiu que
continuaria com esse absurdo até que ele a parasse. - Mas se há algo que
você não pode me dizer, não agora, então talvez haja um... um sinal de mão
ou algo assim. Como se você puxasse sua orelha...
Finalmente, Draco saiu da parede. Ela respirou fundo, esperando por ele.
Ele se virou para encará-la, e suas bochechas estavam rosadas, seus olhos
deslizando sobre o rosto dela. Ele deu um passo em direção a ela, cruzando a
linha invisível entre eles.
- Pergunte, - ele sussurrou. - Pergunte-me agora.
Ela o observou se aproximar enquanto puxava o ar para os pulmões. Um
milhão de perguntas passaram por sua mente, mas ainda havia a primeira
pergunta. Aquela que ela ainda não o ouviu responder.
- Por que você não me identificou naquela noite? Na Mansão Malfoy.
Ele deu o passo final para ela, e ela inclinou a cabeça para trás para ver seu
rosto. Ele olhou em seus olhos, e um pequeno sorriso apareceu no canto de
seus lábios.
- Era a coisa certa a se fazer.
Ela piscou, bebendo seu sorriso, o calor em seus olhos, e sentiu outra
lágrima cair. Uma pequena risada borbulhou em seu peito, quebrando-a em
mil pedaços. Ela engasgou e sentiu seu rosto se contorcer. Ela não conseguia
decidir se estava rindo ou chorando, mas com este homem, era seguro
assumir os dois.
Ela fechou os olhos, a pressão apertando atrás das pálpebras e os lábios
pressionando um contra o outro, e encostou a cabeça na parede.
- Deus, eu te odeio. - Ela riu de novo, sentindo o ar quente bater no rosto
dele.
- Eu também te amo, Granger.
E ele pressionou seus lábios nos dela. Ela apertou os olhos com força e
sentiu as lágrimas escorrendo. Ela jogou os braços ao redor de seus ombros e
ele deslizou as mãos para a curva de sua coluna.
Ela recuou, os últimos cinco minutos atingindo-a no rosto. - Desculpe. Isso
provavelmente foi muito. - Ela abriu os olhos e ele ainda estava ali na frente
dela. - A... coisa do casamento e passar todas as noites...
- Ah, não sei. - Ele deu de ombros, e ela o sentiu em seus braços. - Acho que
o gazebo está disponível neste fim de semana. - Ele levantou uma
sobrancelha para ela e ela riu, batendo em seu peito.
O som dos elevadores chegando. Waterstone estava de volta. Draco
pressionou seus lábios contra os dela uma última vez, e escapou de seus
braços quando os portões se abriram.
Ela sorriu para ele quando Waterstone anunciou que era hora.
As portas de carvalho se abriram e o homenzinho bajulador apareceu. O
mesmo de todos aqueles meses atrás. Ela lhe deu sua varinha e olhou para
Draco. Ele sorriu suavemente para ela.
Ela sabia que seu rosto estava uma bagunça, seus olhos ainda estavam
vazando, e suas mãos tremiam de emoção, mas Draco sorriu para ela.
E era hora de salvar os malditos lobisomens.
~*~
O Wizengamot estava ainda menos animado em vê-la do que o normal. A
mulher ruiva que ela detestava assumiu a liderança no exame do caso, e
parecia estar propositalmente cutucando Hermione o tempo todo. A mulher
loira que a lembrava de Molly Weasley tentou sorrir encorajadoramente, mas
ficou claro pelos rostos no tribunal que eles se prepararam para este dia.
O dia em que Hermione Granger assumiu o Wizengamot.
Depois que suas declarações iniciais foram entregues e o Wizengamot teve a
oportunidade de fazer perguntas, o tribunal foi encerrado depois de apenas
duas horas para permitir que os membros o resto da tarde revisassem a
papelada e as estatísticas fornecidas por Hermione.
O que era maravilhoso, porque significava que Draco poderia levá-la para
almoçar.
Eles acabaram em um restaurante trouxa, e depois de quarenta e cinco
minutos de Hermione tagarelando sobre o quão incrível ela se saiu no
tribunal, e quarenta e cinco minutos de Draco observando-a com um
pequeno sorriso, ela finalmente parou e disse: - sanduíche?
Draco sorriu. - Sabe, Granger, não tenho certeza se gosto desse conceito de
namoro. Por que levá-la para fora e pagar por sua refeição aqui quando
posso ouvi-la divagar sobre si mesma por horas no escritório?
Ela estreitou os olhos para ele. - Talvez eu vá pagar.
- Você pode tentar, - ele alertou.
~*~
O julgamento continuou pelo resto da semana. Harry veio na terça-feira para
testemunhar em nome de Remus Lupin e seu legado. Todas as noites, Draco
levava Hermione para jantar. Eles ainda tinham que descobrir o que fazer
sobre o Contrato de Amor e a dinâmica do escritório, então ficaram nos
restaurantes trouxas, onde teriam menos probabilidade de serem
reconhecidos.
Ele a acompanhava até o ponto de aparatação mais próximo no final de cada
noite, segurava a mão dela e dava um beijo de despedida. Eles não
marcavam os encontros na hora do almoço, e Hermione não sabia se era por
ela estar em julgamento para o Wizengamot, ou se ele estava realmente indo
devagar.
Na noite de terça-feira, ele foi com ela à aula de madame Michele e tomou
chá com eles. Na noite de quarta-feira, ela perguntou se ele queria ir para
casa com ela.
Seus olhos brilharam e ele mordeu o lábio. - Por mais que eu queira, - disse
ele, - não posso. Eu preciso voltar no escritório hoje à noite. - Ele parecia
bastante desconcertado.
- É algo que você precisa de ajuda? - ela perguntou.
Ele piscou para ela e fez uma pausa antes de dizer: - Ainda não. Mas
possivelmente em breve.
~*~
Na sexta-feira, o Wizengamot votou. Quarenta e sete dos cinquenta
membros votaram para implementar as novas leis de lobisomens, permitindo
direitos iguais para lobisomens e ajustando a legislação existente.
Ela tinha certeza de que a ruiva era um dos três votos contra, e fez questão
de pegar seu nome e título para poder enviar a ela uma cesta de frutas
estragada na próxima semana.
Ela e Draco voltaram para o escritório, e ele segurou a mão dela enquanto
eles entravam nos elevadores para levá-los de volta à Consultoria Malfoy.
- Eu tenho uma surpresa para você.
Ela olhou para ele, e ele estava olhando para seus pés.
- Uma boa surpresa? - ela riu.
- Mmmm. - Ele assentiu. As portas do elevador se fecharam. - Fiquei
chocado ao saber que estava pronta hoje. - Ele olhou para ela. - Então, eu
queria que você a tivesse agora, em homenagem ao seu triunfo no
Wizengamot hoje. - Ele sorriu para ela. Nervosamente.
Ela piscou para ele. Um presente? Não um livro ou um suéter ou pergaminho
e penas. Algo que precisava ser feito? Ou trabalhado? Ela não conseguia
pensar em nada que quisesse que precisasse ser feito. Talvez ele tenha
conseguido o pergaminho e as penas com suas iniciais gravadas.
- Eu que agradeço. Estou... realmente sem palavras. - Sua curiosidade
começou a funcionar imediatamente. - É algo que você fez?
- Não, - disse ele, olhando para as portas do elevador. - Consertei, realmente.
Ela franziu a testa. - Consertou? Eu quebrei alguma coisa? - Ela riu, e ele
sorriu.
- Você saberá o que é em apenas trinta segundos, mulher. Você não pode
esperar?
Ela olhou para as portas do elevador. Uma surpresa para ela. Dele.
O elevador desacelerou e ele apertou a mão dela antes de soltá-la, seus dedos
se afastando dela.
- Tenho funcionários seniores e associados na sala de conferências esta tarde
para a reunião de março. Vou informá-los sobre o seu sucesso hoje. -
As portas se abriram. - Você está dispensada pelo resto da tarde, Granger.
Ele começou a sair. Ela pulou.
- O que? Por que? O que? - Ela saiu dos elevadores. - Essa é a minha
surpresa? Você não deve me conhecer, Malfoy, se acha que gosto dos dias de
folga...
- Vá! - Ele se virou, exasperado. - Vá para o seu escritório, aproveite sua
surpresa e até amanhã.
Ele se afastou dela. Tenso. Ele estava nervoso. Ela olhou ao redor,
encontrando várias pessoas entrando na sala de conferências. Ela não foi
convidada para a reunião?
Hermione balançou a cabeça e caminhou até seu escritório. Ela abriu a porta
lentamente, esperando que balões caíssem ou fogos de artifício ou algo
perigoso.
Um homem estava sentado atrás de sua mesa e uma mulher em sua cadeira
de hóspedes. O homem ficou de pé.
- Senhorita Granger. - Ele sorriu. Ele era o homem com quem ela tinha visto
Draco na gala do Dia dos Namorados. Aquele com quem ele se encontrou no
escritório algumas semanas atrás.
Hermione piscou, prestes a perguntar quem eram quando a mulher se virou
para ela, e Hermione estava olhando para o rosto de sua mãe.
Ela sentiu seus pulmões apertarem, puxando para si mesmos. Ela sentiu sua
pele zumbir. Ela olhou para o rosto de sua mãe...
Não. Monica Wilkins. Esta mulher não a conhecia. Hermione podia ver em
seu rosto enquanto ela franzia a testa para ela.
A boca de Hermione estava aberta, então ela a fechou. - Olá, como posso
ajudá-lo? - ela resmungou.
- Hermione? - Uma voz de suas estantes. Seu pai estava parado ali. Ela não o
tinha notado. E ele a chamou de Hermione...
- Sim, sou eu. - Ela podia sentir seu coração batendo. Ela não podia ter
certeza. Ela não podia esperar...
Sua mãe se levantou e seus olhos foram atraídos para ela. Ela sentia falta do
jeito que ela se movia.
- Seu cabelo está diferente.
Hermione estendeu a mão e tocou seu cabelo, penteado em grandes cachos
para a corte de hoje. Ela lembrou.
Monica Wilkins lembrava-se de um antes.
- Mãe? - A visão de Hermione ficou turva. Ela sentiu os lábios tremerem e
os apertou.
Seu pai se moveu em sua direção enquanto sua mãe assentiu. Ela cruzou os
braços, segurando-se juntos. Uma lágrima escorreu por seu rosto quando seu
pai tocou seu ombro.
Ainda havia uma expressão estranha no rosto de sua mãe, mas seu pai a
abraçou e ela sentiu seu peito se partir em pedaços. Quando ele a soltou, ela
se virou para o homem atrás de sua mesa.
- Quem é você? O que aconteceu? Eles estão curados?
Ele sorriu gentilmente para ela. - Meu nome é Dr. Flanders. Sou especialista
em feitiços de memória. Além disso, no mundo trouxa, sou psicólogo. Seus
pais estão no caminho da recuperação. A próxima etapa do processo envolve
você. Conhecer você. Passar um tempo com você.
- Etapa do processo? - Ela franziu a testa para ele. - Há quanto tempo você
trabalha com eles? - Ela não podia ignorar os olhos de sua mãe sobre ela.
- Cerca de duas semanas agora, - disse ele. - Vocês três deveriam conversar.
Façam perguntas um ao outro. Vou permanecer um observador silencioso
caso as coisas se tornem muito desgastantes mentalmente para eles.
Hermione o encarou. Então sua mãe se moveu em sua direção.
- Eu sou... mais lenta no processo, infelizmente, - sua mãe disse, e Hermione
sentiu outra lágrima cair. - Mas eu reconheço você. Hermione. -
Ela tocou seu rosto. - E eu sei que você é minha filha.
Hermione acenou com a cabeça, um sentimento de vazio rasgando-a com a
ideia de que sua mãe precisava ser convencida. Ela precisaria se mover
devagar.
- Diga-me como isso está funcionando. O que você já sabe? - ela perguntou.
- Bem, - seu pai começou. - Dr. Flandres começou com nossas memórias
mais antigas. Quero dizer que me lembro muito bem de você quando
criança.
Sua mãe assentiu.
- E então ter aquele menino nos contando sobre você quando adolescente, -
disse o pai. - Isso foi útil.
- Sim, houve lacunas, mas o Dr. Flanders explicou que você estava em um
internato.
- Escola de magia. Lembra querida? Nós ouvimos sobre a magia?
- Sim, está certo. A magia é mais nova para mim, - sua mãe disse, fechando
os olhos. - Mas então, apenas dois dias atrás, o garoto nos deixou... o que é
isso? Assistir a uma memória?
- Sim, - seu pai disse. - É isso. Nós nadamos em uma... coisa e assistimos
algumas de suas memórias de você na escola. Harold não gostava muito
daquele menino, não é?
- Harry, querido. O nome do amigo dela é Harry.
Hermione piscou, sentindo seu coração gritar. - Qual menino?
~*~
O chão estava morto quando ela pediu licença para sair do escritório por um
momento. Apenas alguns estagiários e secretárias fofocando em um canto,
pulando de surpresa ao vê-la.
Seus saltos estalaram no caminho para a sala de conferências. A porta se
abriu para ela e todos os olhares se voltaram para ela enquanto ela entrava.
Cuthbert Mockridge estava de pé, dando seu relatório sobre seu
departamento. Os funcionários mais antigos sentavam-se em seus lugares ao
redor da mesa e os associados alinhados nas paredes, exceto Walter, que se
sentava em seu lugar à mesa.
- Srta. Granger, - Mockridge disse em saudação. - Como eu estava dizendo...
Hermione fixou os olhos no homem no final da mesa. "O menino" como
seus pais o chamavam. Seus olhos cautelosos e tensos enquanto a observava
caminhar ao redor da mesa, indo direto para ele.
Mockridge continuou seu discurso. Blaise saiu do caminho dela. E Draco
parecia estar preparado para ser atingido. Sua mão disparou e agarrou seu
colarinho, trazendo seus lábios nos dele.
Ela ouviu assobios, engasgos, suspiros, mas ela o beijou. Seus dedos
enrolados em seu cabelo, e ela sorriu contra seus lábios.
Ela se afastou e olhou para cima. Mockridge estava olhando para eles, e
alguns dos associados do sexo masculino pareciam surpresos. Mas as
mulheres estavam rindo, incluindo o sócio de Mockridge que conhecia a
rotina de café de Draco. Blaise estava sorrindo como um maluco, e até
mesmo Dorothea tinha um pequeno sorriso no rosto.
- Olá. - Ela gaguejou. Ela gesticulou entre ela e Draco. - Draco Malfoy e eu
estamos namorando. Nós, uh... Sim. Estamos namorando. Namorado e
namorada. - Ela acenou com a cabeça para a mesa. - Então, precisamos dar
uma olhada naquele... er, negócio de Contrato de Amor. E apenas... abolir
isso, eu digo.
Ela deu de ombros. Blaise disse um: - Aqui! Aqui!
- Porque... porque eu o amo. - Ela olhou para Draco. Ele estava corando e
tentando lutar contra o sorriso rastejando em seu rosto. - E ele me ama... eu
acho...
- Eu amo, sim. - Ele sorriu para a mesa de conferência.
- Então. É isso! Vou, uh, deixar todos vocês voltarem a isso. - Ela acenou
com a mão para Mockridge. - Continue. Vou jantar com meus pais agora.
Ela acenou com a cabeça para todos eles, ignorando a risadinha de Blaise, e
saiu da sala.
Ela ouviu aplausos seguindo-a. E sorriu.
~*~
No jantar com seus pais, eles continuaram com perguntas e histórias muito
fáceis. Ela perguntou a eles sobre a Austrália e sua vida lá. Eles perguntaram
a ela sobre sua vida atual, em vez do passado de que não conseguiam se
lembrar. Sua mãe não tirou os olhos dela a noite inteira.
Eles foram acomodados em um hotel próximo, então Hermione os
acompanhou de volta e os abraçou em despedida no saguão. Eles
almoçariam amanhã em seu intervalo de Cornerstone.
Ela aparatou em casa, subiu as escadas para o apartamento dela e de Ginny, e
abriu a porta para encontrar Draco, Harry e Ginny conversando ao redor da
pequena mesa da sala de jantar. Antes que ela pudesse processar Draco em
sua sala de estar, Ginny se lançou sobre ela.
- Você ganhou! Você ganhou! - Ela apertou os braços ao redor das costelas
de Hermione. Ela se afastou. - E os seus pais! Seus pais!
- Er, sim. Ambos. - Ela olhou além dos cachos ruivos para Draco. - Draco te
contou?
- Sim, Harry e eu teremos uma sessão com eles amanhã.
- Uma sessão?
Draco deu um passo à frente. - Dr. Flanders acha que pode ajudar se seus
pais vissem memórias deles interagindo com você. De um observador
externo.
- Como no Beco Diagonal, comprando livros com o Sr. Weasley, - disse
Harry.
Hermione assentiu, ainda bastante impressionada com tudo isso. Ela estava
desesperada para pegar o cérebro do Dr. Flanders sobre como tudo isso
funcionava.
Ginny olhou para frente e para trás entre Hermione e Draco no silêncio.
- Er, Harry e eu só vamos... ir a algum lugar... por um tempo. Dias, talvez.
Ela agarrou o braço de Harry e o arrastou passando por Hermione. Ela sorriu
para Ginny, e pouco antes de a porta se fechar sobre eles, ela ouviu Harry
dizer, - Mas eu fiz o jantar.
Ela olhou para Draco, parado com as mãos nos bolsos no meio da sala.
- Eu não te pago, Granger? - Ele olhou ao redor do pequeno apartamento. -
Certamente com o salário de Quadribol de Weasley e sua renda miserável,
você pode pagar um apartamento bem maior.
Ela olhou para ele. - Eu gosto deste apartamento. Além disso, mal estou
nele.
Ele sorriu para ela e se aproximou. - Você nos entregou para todo o
escritório hoje.
Ela estremeceu. - Eu entreguei. Eu realmente entreguei, não é? - Ela apertou
os lábios quando ele se aproximou novamente, deslizando os braços em
volta da cintura dela. - Houve uma discussão sobre o que fazer com o
Contrato de Amor ou você precisará renunciar?
Ele sorriu enquanto a beijava. Ela levou as mãos até os braços dele,
segurando-o contra ela. Ela se afastou.
- Você realmente mostrou suas memórias aos meus pais?
Ele desviou o olhar. - Um pouco. Quase todo mundo já viu minha mente
agora, então pensei, qual é a diferença?
Ela sorriu quando ele baixou os lábios em seu pescoço, chupando seu ponto
favorito. Seu pulso acelerou e seu corpo começou a cantar.
- Quais lembranças? - ela respirou.
- Você não gostaria de saber. - A respiração dele passou pelo pescoço dela.
- Obrigado, Draco. - Ela passou as mãos pelos ombros dele e pelo cabelo
dele. - Obrigado por trazê-los de volta para mim.
- Claro. - Ele a puxou para mais perto dele e sussurrou: - Era a coisa certa a
fazer.
Ela deu um tapa em seu ombro e ele riu. Um som que se fez bastante em
casa.
~*~
"HERMIONE GRANGER E DRACO MALFOY APAIXONADOS!!"
por Rita Skeeter
Uma história de amor para as idades. Um romance contra todas as
probabilidades.
Sim, isso mesmo, justos leitores. Hermione Granger conseguiu um Malfoy
para si mesma. E Draco Malfoy deve estar fazendo algo certo, ele mesmo.
O casal foi visto na semana passada em um jantar com um casal que só
poderia ser os pais da Srta. Granger. Depois de dizer boa noite, Granger e
Malfoy foram vistos de mãos dadas e se beijando a caminho de casa.
Os dois foram vistos várias outras vezes durante a semana, até mesmo em
um encontro duplo com Harry Potter e Ginny Weasley. Haverá uma corrida
ao altar?
Quando perguntado sobre seu novo relacionamento, Draco Malfoy
respondeu: "Ela é uma pessoa muito importante para mim. Somos muito
sérios um com o outro."
Hermione Granger se recusou a comentar. Bastante rudemente.
Claro, vocês me conhecem, leitores. Eu tenho tanta voracidade por
conhecimento! Entrei em contato com Narcissa Malfoy para comentar.
"Hermione sempre foi como uma filha para mim. Eu não poderia ser mais
solidária."
Bem, de um amigo para outro, devo dizer-lhe. Acho que é seguro dizer que
Draco Malfoy está finalmente fora do mercado.
Nós do Profeta Diário desejamos a ele boa sorte com sua Garota de Ouro.
~*~
Dois anos depois.
Ela atravessou a lareira bem no horário. O guarda pegou sua varinha, leu as
regras para ela e procurou por armas nela.
Ela seguiu um guarda mais jovem pelo labirinto até ser levada a uma porta
de pedra familiar. O guarda ficou de lado e Hermione abriu a porta.
Ele se sentou à mesa de metal. Cabelo puxado para trás, mãos cruzadas. Ele
parecia exatamente o mesmo que no hospital, apenas dois anos mais velho.
- Senhorita Granger. - Ele sorriu. - A que devo a honra?
- Lúcio. - Ela assentiu. - É "Sra. Malfoy", agora.
Ela caminhou até a cadeira de metal na frente dele e se sentou. Ela cruzou as
pernas e se recostou.
- Sim, - ele sorriu. - Fiquei bastante impressionado com as fotos do Profeta.
O primeiro desenho do vestido de noiva da Srta. Parkinson, não foi?
- Foi. Ela tem várias outras ofertas agora. - Hermione levantou uma
sobrancelha. - Foi um belo dia. Perfeito. E você estava certo sobre os jardins.
O gazebo foi o local perfeito para a cerimônia. Recepção no salão de baile.
Ela juntou as mãos sobre a mesa, combinando com a pose dele, e conseguiu
mostrar o diamante da família Malfoy para ele.
Seus olhos piscaram para baixo. Ele sorriu e olhou de volta para ela.
- Por que você está realmente aqui, Sra. Malfoy?
Ela sorriu com força. - Ouvi dizer que você vai a julgamento no ano que vem
para negociar sua sentença. Com seu bom comportamento e o infeliz
incidente de seu esfaqueamento há dois anos, tenho certeza de que você
pode ter uma chance de sair daqui em cinco anos.
Ele a observou cuidadosamente. - Bem, isso é bom de ouvir.
Ela se sentou muito quieta, assim como Draco a ensinou. - Eu posso ser
seduzida a testemunhar em seu nome. Talvez até consiga que sua ex-esposa
e seu filho façam o mesmo.
Seus olhos brilharam para ela antes de retornarem às orbes cinzentas mortas.
- O que você quer em troca?
Hermione puxou um pedaço de papel do bolso e deslizou sobre a mesa para
ele. Ela o observou franzir a testa.
- E o que é isso?
- Uma lista, - ela disse. Seus olhos viraram para ela. - De qualidades no avô
do meu filho.
Ela descansou a mão na barriga e lançou a ele o sorriso malicioso dos
Malfoy.
"All The Wrong Things", a versão de Draco sobre toda a história de "The
Right Thing To Do" já foi traduzida e publicada neste perfil. Espero que
tenham gostado da leitura, e pra quem gostou dessa história, a visão do
Draco só torna ela ainda melhor.
Document Outline
Capítulo 1.
Capítulo 2.
Capítulo 3.
Capítulo 4.
Capítulo 5.
Capítulo 6.
Capítulo 7.
Capítulo 8.
Capítulo 9.
Capítulo 10.
Capítulo 11.
Capítulo 12.
Capítulo 13.
Capítulo 14.
Capítulo 15.
Capítulo 16.
Capítulo 17.
Capítulo 18.
Capítulo 19.
Capítulo 20.
Capítulo 21.
Capítulo 22.
Capítulo 23.
Capítulo 24.
Capítulo 25.
Capítulo 26.
Capítulo 27.
Capítulo 28.
Capítulo 29.
Capítulo 30.
Capítulo 31.
Capítulo 32.
Capítulo 33.
Capítulo 34.
Capítulo 35.
Capítulo 36.