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N2 Cecilio

A Lei nº 11.079/04 estabelece as Parcerias Público-Privadas (PPP) como contratos administrativos de concessão, que podem ser patrocinadas ou administrativas, com requisitos formais e limites de valor e prazo. As agências reguladoras e executivas têm papéis distintos na gestão e fiscalização de serviços públicos, enquanto o consórcio público e as organizações sociais atuam na prestação de serviços e desenvolvimento social. A desapropriação é um procedimento administrativo que transfere a propriedade de bens para o Estado, garantindo indenização justa ao proprietário.

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N2 Cecilio

A Lei nº 11.079/04 estabelece as Parcerias Público-Privadas (PPP) como contratos administrativos de concessão, que podem ser patrocinadas ou administrativas, com requisitos formais e limites de valor e prazo. As agências reguladoras e executivas têm papéis distintos na gestão e fiscalização de serviços públicos, enquanto o consórcio público e as organizações sociais atuam na prestação de serviços e desenvolvimento social. A desapropriação é um procedimento administrativo que transfere a propriedade de bens para o Estado, garantindo indenização justa ao proprietário.

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PARCERIA PÚBLICO PRIVADA (PPP)

Lei nº. 11.079/04

A partir de agora, a lei 8.987/1995 será denominada como concessão comum ou ordinária.

A Lei de Parceria Público-Privada também define questões referentes à concessão,


afirmando que as parcerias são modalidades de concessão. Trata-se de uma concessão
qualificada, pois contempla duas modalidades (patrocinada e ordinária):

Contrato de Concessão Patrocinada: É um contrato administrativo, pelo qual, o poder


público transfere a outrem a execução do serviço público precedido de obra pública
para que este o execute em seu próprio nome, por sua conta e risco, assegurada a
devida remuneração, com contrapartida do poder público de até 70% do valor do
contrato e sob normas e controle do estado.

Art. 2º Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão, na modalidade


patrocinada ou administrativa.

§ 1º Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de obras públicas de


que trata a Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver, adicionalmente à
tarifa cobrada dos usuários contra prestação pecuniária do parceiro público ao parceiro
privado.

§ 2º Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de que a


Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra
ou fornecimento e instalação de bens (contrato administrativo de prestação de serviço
do qual o poder público é usuário direto ou indireto).

O contrato de parceria público-privada exige alguns requisitos formais para sua válida
celebração, conforme previsto no §4º do art. 2º da Lei nº. 11.079/04:

§ 4º É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:

I - cujo valor do contrato seja inferior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais);

II – cujo período de prestação do serviço seja inferior a 5 (cinco) anos (5 a 35 anos); ou

III – que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e


instalação de equipamentos ou a execução de obra pública.
Quando o serviço público começar a ser prestado, o poder público começa a pagar à
concessionária. Ele pode pagar, via de regra, até 70% do valor do contrato, o restante
do valor virá por tarifa (de usuários).

Para o pagamento de mais de 70% do valor contratual, é necessário legislação prévia. Não
existe concessão patrocinada sem obra pública. Se não for necessário a realização
de uma obra pública, será utilizada a concessão comum ou ordinária.

​Princípio da Eficiência impõe ao Estado uma prestação de serviços de qualidade; e

Princípio da modicidade das tarifas o serviço público deve ser o mais acessível possível,
com preço e tarifas modicamente estabelecidas.

Contrato de Concessão Comum ou Ordinária: Aquela abordada nas aulas anteriores, a


partir da lei 8.987/1995.

Contrato de Concessão Administrativo: Trata-se de um contrato administrativo de


prestação de serviço público do qual o poder público é usuário direto ou indireto (art. 2º, §
2º), são serviços dos quais qualquer pessoa jurídica necessita.

Exemplo: O Presídio de Minas Gerais é uma concessão administrativa pois, para o presídio
entrar em atividade e administrá-lo é necessário de mão de obra da concessionária.

Na concessão administrativa quem paga na integralidade a concessionária é o poder


público.

O valor do contrato é no mínimo de 10 milhões de reais e o prazo do contrato deve ser no


mínimo de 5 anos e até 35 anos.

AGÊNCIAS

1. Tipos de Agências

● Agência Reguladora
● Agência Executiva

Agência Reguladora: É uma autarquia em regime especial, com a finalidade de regular e


fiscalizar serviços públicos essenciais, assegurando a proteção dos interesses da sociedade
e a eficiência na prestação dos serviços.

Características do Regime Especial


● Competência Normativa: Às agências reguladoras possuem a competência para
elaborar normas e regulamentos, atuando quase como legisladoras.
■ Nos Estados Unidos, as agências têm maior autonomia legislativa,
enquanto no Brasil essa competência é limitada, sendo exercida
através de atos administrativos e resoluções.
○ As normas emitidas são obrigatórias, fundamentadas
em leis que requerem a aprovação do Poder
Legislativo.
○ Exemplo: A ANVISA, por meio de uma resolução,
proibiu o bronzeamento artificial. Embora tenha havido
questionamentos sobre a legalidade dessa ação, a
decisão foi acatada, evidenciando o poder regulatório
da agência.

■ Mandato dos Dirigentes (fixo e não coincidente): Os dirigentes das


agências reguladoras são nomeados para mandatos fixos e não
coincidentes entre si, o que garante a estabilidade e a continuidade
das funções técnicas.
○ A nomeação é feita pelo Presidente da República e
deve ser aprovada pelo Senado.
○ Apesar do mandato fixo, um dirigente pode ser
destituído em casos de conduta ilícita.
○ Essa estrutura busca assegurar uma diversidade
política entre os dirigentes, refletindo diferentes
correntes ideológicas (por exemplo, indicações de
partidos como PT e PSDB).
○ Os dirigentes podem ser servidores públicos ou
indivíduos externos à administração pública.
■ Ao término do mandato, os dirigentes mantêm
acesso a informações privilegiadas, que podem
impactar o mercado.
■ Exemplo de restrições: em casos de acidentes
ou situações críticas, legislações podem proibir
ex-dirigentes de atuar em empresas reguladas
por um período (por exemplo, seis meses), com
o Estado custeando o salário do servidor nesse
intervalo.

■ Decisões Administrativas: As decisões emanadas das agências


reguladoras são, em última instância, incontestáveis
administrativamente.
○ Exemplo: Na ANTAQ, as instâncias administrativas
geralmente se estendem até três níveis, embora
possam ser limitadas a dois.
● A Advocacia Geral da União (AGU) destacou que, em
algumas situações, as decisões da agência podem não ser
majoritárias, o que pode reduzir a força e a eficácia da
atuação regulatória.

Lei 9.648/1998

Agência Executiva (artigos 51 e 52)

Agência Executiva é entidade jurídica preexistente que após o cumprimento de dois


pré-requisitos recebe essa qualificação do mediante Decreto do Presidente da República.

Requisitos da agência executiva:

1. Elaboração de Plano Estratégico de Reestruturação e de Desenvolvimento


Institucional;
2. Celebração de Contrato de Gestão; e
3. Decreto do Presidente da República.

Caso a entidade, qualificada enquanto agência executiva, descumpra os dois primeiros


pré-requisitos, o decreto poderá ser revogado, retornando a entidade ao status anterior.

Essas entidades exercem suas atividades com maior autonomia gerencial, orçamentária e
financeira.

O objetivo principal dessa qualificação é melhorar controles, serviços públicos,


competências, revitalizar e aprimorar a gestão dessas entidades. Para receber essa
qualificação, a entidade precisa celebrar um contrato de gestão com o ente político ao
qual está vinculada.

Exemplo de agência executiva: Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade


Industrial (INMETRO).
Lei 11.107/2005

Consórcio Público

O Consórcio Público é pessoa jurídica de direito público ou privado, formada por 2 ou


mais entes da federação, sem fins lucrativos, objetivando prestar serviço públicos e
desenvolver ações conjuntas de interesse das entidades que constituíram o consórcio
público.

A constituição do consórcio: Em um primeiro momento, todos os consórcios públicos


serão constituídos mediante autarquia (pessoa jurídica de serviços públicos - criadas em
lei).

Celebra-se um protocolo de intenções, que deve ser subscrito por todos os entes
consorciados. O objetivo é a manifestação de intenção em um primeiro momento, podendo
ou não se consolidar, ou seja, uma das partes pode desistir.

1. Celebração de protocolo de intenções, que deve ser subscrito pelos entes


consorciados;

2. publicação do protocolo de intenções;

3. Ratificação do protocolo de intenções mediante Lei sancionada por cada um dos


entes consorciados; e

4. Estatuto que deverá ser levado a registro.

Exemplo: Consórcio entre 3 municípios, após realizado o protocolo de intenção o município


X desiste. Ele não pode ser punido, porque demonstrou apenas uma intenção.

Após esse momento, é publicado o protocolo de intenções no diário oficial e,


posteriormente, realiza a ratificação do protocolo de intenções mediante lei sancionada por
cada um dos entes consorciados.

O consórcio vai se consolidar quando, pelo menos, dois entes federados, ratificarem
mediante lei de cada um dos entes consorciados.

Exemplo: Consórcio entre 3 municípios, cada um dos municípios devem ratificar o protocolo
de intenções mediante lei de cada um deles.

O consórcio irá impactar a administração indireta de todas as entidades consorciadas.


Ratificou o protocolo de intenções mediante lei, em tese, ele já está se constituindo.

Consórcio Público de Direito Privado

A lei não é suficiente para constituir esse ente por se tratar de pessoa jurídica de direito
privado. Ela se constitui mediante registro em cartório de pessoas civis.

No consórcio público de direito privado, além da celebração do protocolo de


intenções e sua ratificação, deve existir um contrato, um estatuto que deve ser levado
a registro em um cartório de registro de pessoas civis.

É realizado da seguinte maneira:

1. Celebração de protocolo de intenções, que deve ser subscrito pelos entes


consorciados;
2. Publicação do protocolo de intenções;
3. Ratificação do protocolo de intenções mediante Lei sancionada por cada um dos
entes consorciados; e
4. Estatuto que deverá ser levado a registro em cartório de registro de pessoas civis.

Se o presidente do consórcio for do estado de São Paulo, a prestação de contas do


consórcio, em sua integralidade, deve ser feita no Tribunal de Contas do estado de São
Paulo, ou seja, a prestação de contas do consórcio dependerá da localização do presidente
do consórcio.

!!!! Cecílio disse que Consórcio cai na P2 !!!!

Lei nº 9.637/98

Organização Social (OS)

Artigos: 12, 14

Organização social é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que tenha
por atividades relativas ao ensino, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico,
proteção e preservação do meio ambiente, mediante a celebração de contrato de gestão
com o Ministério da área afeto ao seu objetivo social, com incentivo e fiscalização do
Poder Público.
Não integra a administração pública, sob qualquer hipótese, ela está no terceiro setor. São
pessoas jurídicas de direito privado constituídas por particulares, sem fins lucrativos (Não
se admite Organização social (OS) sem fins lucrativos).

Exemplo: Se for exercer alguma atividade relacionada à saúde, celebre o contrato de


gestão com o Ministério da Saúde (sempre referente a sua entidade superior vinculante às
suas atividades).

A Organização social recebe verbas públicas (denominadas como incentivos), essas verbas
são denominadas como verba carimbada. A Verba Carimbada refere-se aquelas que,
efetivamente, vão chegar nas mãos de quem devem chegar, ou seja, da organização social.

Além das verbas carimbadas, existe o termo de permissão de uso destinada à


organização social, ou seja, a organização social pode usufruir de um bem público
(exemplo: a organização social não tinha um espaço correto para exercer suas atividades).

Ainda, entre os incentivos, o poder público (ministério vinculado à organização social)


também pode disponibilizar servidores públicos para atuarem/trabalharem junto à
organização social.

Exemplo: Organização Social não possuía espaço próprio e/ou funcionários para atuarem,
sendo assim, o ministério vinculado disponibilizará os recursos para tal.

Organização da Sociedade Civil para a Realização do Interesse Público

A Organização da Sociedade Civil (OSC) é uma pessoa jurídica de direito privado que
tem como objetivo a realização de interesse público. Essas organizações atuam em
diversas áreas, buscando promover o bem-estar social, a cidadania e o desenvolvimento
sustentável.

A formalização das atividades das OSCs ocorre por meio de um contrato de gestão. As
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), por sua vez,
estabelecem suas atividades através de um termo de parceria. Esse termo define as
condições e os objetivos da colaboração entre a organização e o poder público.

O principal benefício financeiro recebido por essas organizações é a verba pública, que se
refere a recursos financeiros destinados a projetos específicos e que são frequentemente
chamados de verbas carimbadas. Isso significa que esses recursos devem ser utilizados
exclusivamente para os fins especificados, sem possibilidade de desvio.
Desapropriação

A desapropriação é um procedimento administrativo que visa a transferência da


propriedade de um bem de um particular para o patrimônio público. Essa transferência deve
ser acompanhada de uma indenização justa e prévia em dinheiro, salvo exceções
previstas em lei.

Formas de desapropriação:

1. Desapropriação;
2. Servidão Administrativa;
3. Requisição Administrativa;
4. Limitação Administrativa;
5. Tombamento; e
6. Ocupação Temporária.

A desapropriação se justifica em razão do progresso social e econômico, permitindo que


o Estado atue em prol do bem comum, como em projetos de infraestrutura ou expansão
urbana.
Dentre seus requisitos destaca-se que deve ser um ato administrativo (deve existir um
decreto de desapropriação), manter o interesse público (necessidade pública, utilidade
pública ou interesse social na desapropriação) e, ocorrer uma indenização, prévia, justa e
em dinheiro para o desapropriado.

● O processo de desapropriação é dividido em duas fases:


1. Fase Declaratória: Nesta fase, a desapropriação é oficialmente declarada,
geralmente por meio de um decreto. Esse ato formaliza a intenção do
Estado de desapropriar o bem.
2. Fase Executória: Após a declaração, ocorre a fase em que a
desapropriação é efetivamente implementada, com a transferência do bem e
o pagamento da indenização ao proprietário.

A desapropriação é regida pelo Decreto-Lei nº 3.365/1941, conhecido como a Lei Geral


das Desapropriações. Essa legislação estabelece os procedimentos e critérios para a
desapropriação, garantindo que sejam respeitados os direitos dos proprietários.

É importante destacar que a desapropriação pode ser estabelecida por meio de lei, além do
decreto. Isso proporciona um mecanismo adicional de formalização e legitimação do
processo desapropriatório.
A desapropriação submete o bem à força expropriatória do Estado, que tem a prerrogativa
de agir em nome do interesse público, mesmo que isso signifique a remoção de propriedade
privada.

DESAPROPRIAÇÃO (CONTINUAÇÃO)

Efeitos Jurídicos da Desapropriação

A desapropriação submete o bem à força expropriatória do Estado, permitindo que este


exerça o poder de expropriação, independentemente da concordância do particular.

A partir da desapropriação, inicia-se a contagem do prazo de caducidade, e a


administração pública ganha o direito de acessar o bem para realizar medições e avaliações
necessárias.

A desapropriação é um ato administrativo unilateral, o que significa que, mesmo que o


particular não concorde, isso não influencia o resultado do ato desapropriativo. O bem está,
portanto, submetido ao poder expropriatório do Estado, e o particular deve suportar as
consequências.

1. Efeitos do Decreto de Desapropriação

● Imperatividade: A desapropriação confere ao Estado um poder extroverso, o que


lhe permite realizar a expropriação sem a necessidade de anuência do particular.
● O decreto de desapropriação fixa a situação do bem, aspecto importante para as
benfeitorias que possam ser realizadas na propriedade após a emissão do decreto.

2. Benfeitorias

● Benfeitorias Necessárias: Sempre indenizáveis. São aquelas essenciais para a


conservação do bem.
● Benfeitorias Úteis: Podem ser indenizáveis, mas somente se forem previamente
autorizadas pelo poder público.
● Benfeitorias Voluptuárias: Não são indenizáveis. Essas são as que têm caráter
meramente estético ou de luxo.

O prazo de caducidade para a desapropriação é de 5 anos para fins de interesse público.


Após esse prazo, a propriedade não pode mais ser expropriada. Para desapropriações com
fundamento em interesse social, o prazo de caducidade é de 2 anos.
A desapropriação é desprovida de autoexecutoriedade, o que significa que, para a sua
efetivação, é necessário um procedimento administrativo adequado.

3. Fases da Desapropriação

● A desapropriação é dividida em duas fases:


○ Fase Declaratória: É administrativa e ocorre quando o particular concorda
com o valor da indenização.
○ Fase Executória: É judicial, e acontece quando há desacordo em relação ao
valor da indenização, resultando na proposta da ação de desapropriação.
Nesse caso, o particular poderá recorrer ao judiciário.

Na desapropriação, a única questão que pode ser discutida é o valor da indenização.


Questões relativas ao direito processual, à inobservância do contraditório e à ampla defesa
também são relevantes.

Ilegalidade do Decreto de Desapropriação: Essa questão pode ser discutida em uma


ação própria, que depende de uma medida cautelar (mandado de segurança) para ações
que visem um direito líquido e certo, como ações anulatórias e ações populares.

Tredestinação refere-se ao desvio da finalidade pública que justifica a desapropriação.


Caso o bem desapropriado não seja utilizado para o fim declarado, isso pode gerar
questionamentos jurídicos.

INTERVENÇÃO NA PROPRIEDADE PRIVADA

DESAPROPRIAÇÃO

Desapropriação é a maior supremacia do direito público.

Alegação de urgência: pode acontecer a qualquer momento, a partir do momento que a


administração pública demonstra urgência, inicia-se o prazo de 120 dias (contados da
alegação de urgência) para requerer a imissão da posse em propriedade (se não fizer, o
direito decai e não pode mais ser renovada).

Contudo, a Administração deve comprovar a urgência e depositar o valor incontroverso da


quantum indenizatório, para que seja concedida a imissão provisória na posse. O depósito
judicial, em dinheiro, é visto como uma indenização, em razão da supremacia do direito
público, onde o particular desapropriado possa ter as mesmas condições que na sua
propriedade anterior.
A indenização é justa, prévia e monetária. É analisada como 'justa' em função de ser
minimamente o valor do mercado, tudo aquilo que for possível ser mensurado em dinheiro
(juros, correção monetária, custos para a mudança/desapropriação, honorários
advocatícios).

É vista como prévia pois, antes da indenização ocorrer, o poder público deve realizar o
pagamento, pago em precatório (após o pagamento do último precatório, é feito o
pagamento em dinheiro, com todas as correções monetárias e seus direitos).

Precatório é um documento que o governo emite para dizer que deve dinheiro a alguém.

Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de conformidade


com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo provisoriamente na
posse dos bens.

O bem móvel pode ser desapropriado, desde que pese o interesse público. No entanto, nem
todos os bens imóveis podem ser desapropriados.

Os direitos de natureza personalíssima não podem ser desapropriados pela


administração pública. Por exemplo: direito ao nome, direito à dignidade, direitos
autorais, etc.

A moeda, corrente nacional, também não pode ser desapropriada. No entanto, a


moeda rara que um terceiro está fugindo do país, pode ser desapropriada.

Desapropriação Indireta: É esbulho possessório, ou seja, o poder público invade a


propriedade privada, ostenta a posse para fins públicos e o particular (que dormiu no ponto)
perdeu as suas terras. Transforma propriedade privada em propriedade pública,
descumprindo mecanismos legais, não cabendo, inclusive, ao particular reivindicar a posse
ou propriedade, restando tão somente ao particular, pleitear reparação civil por perdas e
danos.

Esbulho possessório é a perda ilegal e total da posse de um bem, como um imóvel, por
meio de violência, clandestinidade ou precariedade. O esbulho possessório, cometido pelo
poder público, pode ser revertido através da ação de reintegração de posse (em casos de
desapropriação indireta o particular realmente perde suas terras e pleiteia apenas uma
indenização).
Nesses casos, o particular postula por uma indenização e, após o pagamento integral da
propriedade, o poder público pode registrar a propriedade como pública (realiza a
transferência do registro).

Em síntese, na desapropriação indireta, o governo usa a propriedade de alguém sem seguir


as regras certas, mas o dono pode pedir na justiça para ser compensado.

A desapropriação deve, em regra, estar vinculada ao interesse público.

Por exemplo: O prefeito realizou a desapropriação para construir uma escola. Todavia, a
escola não é construída. Só será considerado ilegal, caso nada seja construido, a partir
disso o proprietário desapropriado poderá requerer o seu direito a retrocessão.

O direito à retrocessão acontece quando o governo desapropriou um terreno ou imóvel de


uma pessoa por um motivo específico (como construir uma escola, hospital, estrada, etc.),
mas não usa o terreno para o que foi planejado. Nesse caso, o antigo dono tem o direito de
pedir a devolução da propriedade. O direito à retrocessão é o direito de reaver a sua
propriedade, em razão dela estar vinculada ao vício de desvio de finalidade.

SERVIDÃO ADMINISTRATIVA

Conceito: A servidão administrativa implica uma restrição ao direito de gozo da propriedade


em razão da necessidade de serviços públicos ou atividades administrativas. Isso permite
que o Estado utilize parte da propriedade para a realização de suas funções.

A servidão administrativa é indenizável apenas se causar prejuízo ao proprietário. Se não


houver danos, não há direito à compensação.

Restrição ao direito de gozo da propriedade em razão da necessidade de serviços públicos


ou atividades administrativas.

É quando o governo, ou uma empresa que presta serviços públicos (como água, energia ou
telecomunicações), precisa usar uma parte da propriedade de um particular para realizar
alguma obra ou serviço público, todavia, a titularidade da propriedade permanece do
particular, administração pública utiliza apenas um pedaço do terreno.

Diferente da desapropriação, na servidão administrativa, o particular continua sendo o dono


do imóvel, mas aceita que uma parte seja usada para serviços públicos.

Somente será indenizável se causar prejuízos ao particular, caso, eventualmente, não haja
prejuízos, não há o que se falar em indenização.
Somente o município pode desapropriar para fins de política urbana.

Art. 182 da CF. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público
municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem estar de seus habitantes.

§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de
vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão
urbana.

§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências


fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização


em dinheiro.

§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no
plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado,
subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena,
sucessivamente, de:

I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão


previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos,
em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e
os juros legais.

Título da Dívida Pública = Artigo 182 CF.

Título da Dívida Agrária = Artigo 184 CF.

Art. 243 da CF. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem
localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na
forma da lei serão expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação
popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções
previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será
confiscado e reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.

REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA

É ato administrativo unilateral, autoexecutório e oneroso, consistente na utilização de bens


ou de serviços particulares pela Administração para atender as necessidades coletivas em
tempo de guerra ou em caso de perigo público iminente.

a. Requisição civil: evitar danos à vida, à saúde e ao bens da coletividade;

b. Requisiçãomilitar: resguardar a segurança interna e a manutenção da soberania


nacional;

Características:

I. Caráter temporário;
II. Indenização posterior.

Ocupação temporária é a forma de intervenção pela qual o poder público usa


transitoriamente imóveis privados, como meio de apoio à execução de obras e serviços
públicos. Direito não é real, incide sobre bens imóveis, natureza transitória. Não tem
caráter urgente.

Pode cair na prova!!! Limitação administrativa - Determinação geral (acontece


mediante Lei), pela qual o poder público impõe a proprietários obrigações de fazer ou não
fazer. Tem caráter geral, gratuita e unilateral, que condiciona o exercício de direitos ou
atividades.

Tombamento - art. 216 da CF - no tombamento, não há transferência de domínio do


particular para o poder público, ou seja, a manutenção do bem tombado é ônus do
particular. Caso o particular não tenha dinheiro para arcar com a manutenção, ele
notificará o poder público que decidirá ou pelo pagamento da manutenção ou pela
desapropriação do bem tombado. Caso não notifique o poder público, o particular será
multado.

Decreto-Lei nº 25/1937 - preservação do patrimônio cultural e artístico brasileiro.


Lei 9784/99 - cabe recurso administrativo em se tratando de tombamento, caso não dê
certo, poderá recorrer ao judiciário.

Hipóteses:
1. Tombamento de Ofício - só ocorre entre bens públicos;
2. Tombamento compulsório - é, via de regra, o procedimento do tombamento -
o particular recebe uma notificação na qual o poder público o cumprimento
por sua propriedade, nesse momento ocorreu o tombamento provisório (o
particular tem restrições a respeito do bem, como alterações, reformas etc.),
o particular terá 15 dias para concordar ou impugnar o tombamento por não
concordar com o valor da indenização, a partir da impugnação, o
responsável por desencadear o procedimento do tombamento deverá
responder a impugnação em 15 dias. A partir da resposta à impugnação,
cabe ao conselho do IFAN decidir sobre o prosseguimento ou interrupção do
tombamento da propriedade;
3. Tombamento voluntário/amigável - quando o particular oferece sua
propriedade para tombamento, solicita pelo tombamento da propriedade;

Tipos de Requisição:

1. Civil: evitar danos à vida, à saúde e aos bens da coletividade


2. Militar: resguardar a segurança interna e a manutenção da Soberania Nacional

Pode-se conceituar a requisição como ato administrativo unilateral, autoexecutório e


oneroso, consistente na utilização de bens ou de serviços particulares pela Administração,
para atender a necessidades coletivas em tempo de guerra ou em caso de perigo público
iminente.

Constituída a requisição administrativa de maneira imediata por meios administrativos


(ordens ou forma escrita), deverá ter caráter temporário e indenização posterior apenas em
casos de dano efetivo.

Exemplo: Autoridade policial, em meio a uma perseguição, solicita o veículo de


algum cidadão que passava pelo local.
28 de outubro de 2024

BENS PÚBLICOS

Bens públicos - é todo patrimônio da União, dos Estados + DF, municípios e respectivas
autarquias e fundações públicas pessoas jurídicas de direito público). Classificação do
bem público - tem que estar sob o domínio do poder público, não pode ser um bem
particular alugado, por exemplo:
→ Bens de uso comum do povo - ruas, avenidas, estradas, mar, praia, etc.;
→ Bens de uso especial - tem finalidade pública predeterminada - fórum, delegacia,
escolas, creches, bibliotecas públicas, etc.;
→ Bens dominiais ou dominicais - desprovidos de finalidade pública -
terras devolutas, terrenos de marinha, qualquer imóvel que não
esteja sendo utilizado;

Bens de uso comum do povo e de uso especial (bens afetados a algum


interesse público - não podem ser vendidos/alienados) - fora do comércio
jurídico de direito privado. Já os bens dominiais (bem desafetado, não
cumpre nenhum interesse público - pode ser vendido/alienado) estão
dentro.
Afetação pode acontecer mediante lei ou ato administrativo, bem como a
desafetação.
Bem de uso comum e uso especial podem ser desafetados, tornando-se bem
dominial, podendo ser alienado.
Regime/atributos do bem público

i. Inalienabilidade - não pode ser onerado, não poder dado em garantia, por
exemplo;
ii. Impenhorabilidade - não pode ser penhorado, por conta das disposições do
art. 100 da CF - calote institucional (pagamento mediante precatórios);
iii. Imprescritibilidade - art. 183, parágrafo 3º da CF - bem público não
pode ser usucapido, desde que atenda sua função social, nesse
caso, os bens dominiais podem ser prescritos, uma vez desprovidos
de finalidade pública.

Uso do bem público pelo particular

Acontece mediante autorização, permissão ou concessão de uso - permanece no regime


jurídico administrativo e terá todas as prerrogativas deste regime. Havendo
competitividade, exige-se licitação, caso contrário, não.

1. Autorização de uso - ato administrativo unilateral precário e discricionário


pelo qual o poder público consente no uso do bem público ao particular,
pode ser gratuito ou onerosa (é o meio mais frágil - o uso pode ser
revogado a qualquer momento, não há interesse público, mas sim do
particular);
2. Permissão de uso - ato administrativo unilateral precário e
discricionário pelo qual o poder público outorga ao particular o uso
do bem público objetivando uma finalidade predeterminada -
interesse público + interesse do particular;
a. Permissão de uso condicionada/qualificada - dispensa de licitação -
não há competitividade.
3. Concessão de uso - é contrato administrativo com prazo certo e
determinado, exigindo a instauração de procedimento licitatório para a
outorga do bem público ao particular para a consecução predeterminada.
Interesse público + interesse do particular. Caráter oneroso.

29 de outubro de 2024
BENS PÚBLICOS (Continuação)

Autorização de uso do bem público X autorização de serviço do bem público;

Permissão de uso do bem público X permissão de serviço do bem público; e

Concessão de uso do bem público X Concessão de serviço do bem público.

Autorização de uso do bem público

É ato administrativo unilateral, precário e discricionário pelo qual o poder público


concedente no uso do bem público ao particular.

De todos os instrumentos, a autorização de uso é a mais frágil (se o poder público quiser,
amanhã ele pode revogar qualquer autorização de uso do bem público ao particular - por
isso é denominada como de caráter precário).

Exemplo: Uma empreiteira está construindo um prédio particular, que, ao lado da obra
possui possui um terreno público e, a empreiteira solicita a autorização de uso do terreno
para guardar material durante a obra. Tem caráter discricionário (ou seja, é de interesse do
particular, apenas), desse modo, da mesma forma que o poder público autoriza, pode
revogar a qualquer momento.

Permissão de uso do bem público

É ato administrativo unilateral precário e discricionário pelo qual o poder público


outorga ao particular o uso do bem público, objetivando uma finalidade pré
determinada.

A permissão de uso, tal qual a autorização de uso, não precisa passar por um
processo licitatório, pois é um ato discricionário. Exceto, quando há competitividade.

Exemplo: Ponto de táxi, banca de jornal, quiosque de praia é uma permissão de uso.
Colocação de mesas e cadeiras de bares e restaurantes.

É precário, mas o poder público pode colocar um prazo certo e determinado (permissão de
uso condicionada ou qualificada). Na permissão de uso existe a conjugação do interesse
público associado ao interesse do particular (é um pouco mais sustentável do que a
autorização de uso).

Concessão de uso do bem público


Contrato administrativo com prazo certo e determinado exigindo a instauração de
procedimento licitatório para a outorga do bem público ao particular para a consecução de
uma atividade pré determinada. Normalmente, tem caráter oneroso.

Exemplo: Cantina na escola pública é um caso de concessão de uso.

AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Lei 14.230

É uma presunção de ato desonesto - Lei 8429/92

Atos de improbidade (precisa do dolo) - art. 9º, 10 e 11:

ü Atos que importam enriquecimento ilícito (art. 9º) - a partir da prática de ato
doloso, conseguir qualquer vantagem indevida em razão do exercício de
cargo, de mandato, de função, de emprego ou de atividade nas entidades
referidas no art. 1º;
² Receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou
qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta...
ü Atos que causam prejuízo ao erário (art. 10) - ação ou omissão
dolosa, que enseje, efetiva e comprovadamente, perda
patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou
dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art.
1º); e
ü Atos que atentam contra os princípios da administração pública (art. 11) -
violação dos deveres de honestidade, de imparcialidade e de legalidade;
² Negar publicidade dos atos públicos; revelar fato ou
circunstância que deva permanecer em segredo; deixar
de prestar contas quando obrigado.

Sujeito ativo - agente público (art. 2º) ou terceiro que, mesmo não sendo agente público,
induza ou concorra para a prática do ato de improbidade, ou dele se beneficie sob
qualquer forma direta ou indireta (art. 3º).

Inquérito Civil ou Procedimento Administrativo (art. 14) - qualquer pessoa pode


representar a autoridade administrativa competente para que seja instaurada
investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade.
Cautelar de Sequestro de Bens (art. 16)

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