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Sensor Bus, Device Bus, Field Bus

A Pirâmide da Automação é composta por cinco níveis que variam em comunicação e velocidade de dados, desde o Nível de Negócio (ERP) até o Nível de Campo/Sensor (sensores e atuadores). À medida que se sobe na pirâmide, o volume de dados aumenta, mas o determinismo de tempo real diminui, enquanto descer na pirâmide resulta em maior determinismo e menor volume de dados. A pirâmide ajuda na escolha do protocolo de rede adequado para diferentes tarefas na Indústria 4.0, promovendo uma comunicação mais eficiente entre dispositivos e sistemas.
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Sensor Bus, Device Bus, Field Bus

A Pirâmide da Automação é composta por cinco níveis que variam em comunicação e velocidade de dados, desde o Nível de Negócio (ERP) até o Nível de Campo/Sensor (sensores e atuadores). À medida que se sobe na pirâmide, o volume de dados aumenta, mas o determinismo de tempo real diminui, enquanto descer na pirâmide resulta em maior determinismo e menor volume de dados. A pirâmide ajuda na escolha do protocolo de rede adequado para diferentes tarefas na Indústria 4.0, promovendo uma comunicação mais eficiente entre dispositivos e sistemas.
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A Pirâmide da Automação

A pirâmide é tipicamente dividida em cinco níveis, onde a comunicação e a


velocidade dos dados variam drasticamente:

Exemplos de Redes de
Função
Nível Nome da Camada Dispositivos/Sistem Comunicaçã
Principal
as o Típicas
Planejamento, Redes
Nível de Negócio finanças e Corporativas
5 ERP (SAP, Oracle)
(TI) gestão da (Ethernet,
empresa. WAN)
Gerenciamento MES (Manufacturing Redes de
da Produção e Execution System), Supervisão
4 Nível de Gestão
Supervisão de Historiadores, (Ethernet,
Planta. SCADA OPC UA)
Controle de
CLPs (Controladores Ethernet
Nível de processos e
Lógicos Industrial
3 Supervisão/Contro lógica de
Programáveis), IHMs, (Profinet,
le máquinas/célula
DCS EtherNet/IP)
s.
Controle direto e Servomotores,
Devicebus
Nível de coordenação de Inversores de
2 (DeviceNet,
Dispositivo dispositivos Frequência, Leitor de
CANopen)
inteligentes. Código de Barras
Aquisição de
Sensorbus
dados de campo Sensores, Chaves
Nível de (AS-
1&0 e atuação Fim de Curso,
Campo/Sensor Interface -
binária Válvulas, Atuadores
AS-i)
(ligar/desligar).

Características Chave em Cada Nível


Existem duas tendências importantes conforme você se move na pirâmide:

1. Subindo na Pirâmide (Nível 1 -> Nível 5):

o O volume de dados (em tamanho de pacote) aumenta.

o O determinismo de tempo real (tempo de resposta crítico)


diminui.

o O foco muda de Tecnologia Operacional (OT) para Tecnologia


da Informação (IT).
2. Descendo na Pirâmide (Nível 5 -> Nível 1):

o O determinismo de tempo real (latência previsível) aumenta.

o O volume de dados (em tamanho de pacote) diminui.

o A velocidade e o custo de comunicação por nó são críticos.

Por que isso é importante?

A pirâmide ajuda o engenheiro a escolher o protocolo de rede correto para


cada tarefa:

 Para controlar um servo motor (Nível 2): Você precisa de um


protocolo rápido e determinístico (como EtherCAT), pois o tempo de
resposta é crucial para a precisão do movimento.

 Para enviar um relatório de produção (Nível 4): Você precisa de um


protocolo que consiga lidar com grandes pacotes de dados e se
comunicar com sistemas de banco de dados (como OPC UA), onde um
atraso de alguns segundos é aceitável.

Na Indústria 4.0, há um esforço para "achatar" esta pirâmide usando o


Ethernet Industrial e o protocolo OPC UA, permitindo que o dado de campo
suba diretamente aos níveis de gestão de forma segura, sem ter que passar
por todos os CLPs intermediários.

Aprofundamento: Determinismo e Tempo Real


O que é Determinismo?

O Determinismo é o fator mais crítico que separa as redes de TI (escritório) das redes
OT (industrial).

 Em Redes de TI (Não-Determinísticas): O objetivo é maximizar a taxa de


transferência (throughput). Se você solicitar uma página da web, não importa se
ela chega em 100 ms ou 500 ms; o sistema apenas a retransmite se houver erro.
O atraso (latência) varia muito, e isso é aceitável.
 Em Redes Industriais (Determinísticas): O objetivo é garantir que o dado
chegue ao destino em um tempo exato e previsível (um ciclo de tempo). Para
um engenheiro mecânico controlando a posição de um motor de servo, a
informação de erro de posição deve chegar ao controlador em, digamos, 1 ms,
sempre.
o Latência (Latency): O tempo que leva para o dado ir do ponto A ao
ponto B.
o Jitter: A variação ou instabilidade da latência. O determinismo exige
baixo Jitter.
Determinismo≈Latência Baixa+Jitter Quase Zero

 Determinismo vs. Não-Determinismo:


o Redes de TI (Não-Determinísticas): Priorizam taxa de transferência;
atrasos (latência) não são críticos (e.g., internet).
o Redes OT operation tecnologic/Industriais (Determinísticas):
Priorizam tempo de resposta (latência fixa e previsível); crucial para
controle de ciclo fechado (e.g., controle de um robô ou
servoacionamento).

Aula: Redes Industriais Sensorbus (Para


Engenharia Elétrica)
I. Introdução e Hierarquia de Redes (15 min)

1. A Pirâmide da Automação

 Relembre a hierarquia: o Sensorbus está na base (Nível 1), atuando


como a espinha dorsal para os dispositivos de campo mais simples.
 Nível 1 (Dispositivo/Campo): Sensores e Atuadores binários
(ligado/desligado) e digitais simples.
 Função do Sensorbus: Substituir a fiação paralela ponto a ponto (cada
sensor com seu próprio par de fios até o CLP) por um único cabo de
barramento, reduzindo drasticamente custos de material, tempo de
instalação e complexidade de manutenção.

2. Características Chave do Sensorbus

Descrição para Engenharia


Característica Impacto no Projeto
Elétrica
Transmissão de pequenos Não adequado para variáveis
Dados pacotes de bits (dados analógicas complexas
discretos/binários). (temperatura, pressão).
Distância Curta (geralmente até 100 m Uso em células de trabalho e
Descrição para Engenharia
Característica Impacto no Projeto
Elétrica
por segmento). máquinas compactas.
Principal atrativo para
Baixo Custo por nó e de
Custo grandes volumes de I/O
cabeamento.
simples.
Capacidade de fornecer energia
Alimentação e dados no mesmo cabo (ex. Simplifica a fiação de campo.
AS-i).

II. O Protocolo AS-Interface (AS-i): O Padrão do Sensorbus (30


min)

O protocolo AS-Interface (Actuator-Sensor-Interface) é o principal exemplo e


padrão de mercado para redes Sensorbus.

1. Meio Físico e Alimentação

 Cabo Plano Amarelo: Característico do AS-i. É um cabo de dois


condutores não blindado, fácil de perfurar com conectores de
deslocamento de isolamento.
 Meio Físico: Tipicamente RS-485 ou um barramento serial proprietário.
 Power over Cable: Um dos condutores é usado para dados e
alimentação (tipicamente 30 DC) dos módulos eletrônicos. O segundo
cabo (preto) é usado opcionalmente para alimentação auxiliar (e.g.,
para atuadores pneumáticos mais pesados).

2. Topologia e Endereçamento

 Topologia: Principalmente Árvore ou Linha, com ramificações simples.


Permite derivações (taps) flexíveis.
 Mestre-Escravo: Um único Mestre AS-i (instalado no painel e
conectado ao CLP) comunica-se com até 62 Escravos (sensores,
atuadores, módulos de I/O) na rede.
 Endereçamento: Cada escravo possui um endereço único de 1 a 62.

3. Comunicação (Ciclo de Tempo)

 A comunicação é baseada em um ciclo de polling (varredura) realizado


pelo Mestre.
 Formato do Pacote: O pacote de dados é extremamente curto.
o O mestre envia a requisição de $5\text{ bits}$ (endereço +
controle).
o O escravo responde com 4 bits de dados de I/O (2 entradas e 2
saídas) + 1 bit de status.
 Tempo de Ciclo: O tempo para que o Mestre converse com todos os
62 escravos é de aproximadamente 5ms (dependendo da taxa de
baud), o que é rápido o suficiente para a maioria das aplicações
discretas.
III. Exercícios Resolvidos (35 min)

Exercício 1: Análise de Custo e Fiação

Uma linha de produção de embalagens precisa monitorar $25$ pontos de


presença (sensores binários) e controlar $15$ atuadores binários (solenoides).
O CLP está em um painel central. A distância média entre cada dispositivo de
campo e o CLP é de 20 m.

1. Calcule o número de cabos de pares (fiação discreta) necessários


para a solução convencional.
2. Determine o número mínimo de cabos AS-i e o número de Escravos
AS-i (módulos com 4 I/O discretas) necessários.

Tipo de I/O Quantidade


Sensores (Entradas - DI) 25
Atuadores (Saídas - DO) 15
Total de I/O Discretas 40

Resolução do Exercício 1:

1. Solução Convencional (Fiação Discreta):

 Cada dispositivo binário (sensor ou atuador) requer, no mínimo, um par


de fios (sinal + comum) para ser conectado ao cartão de I/O do CLP.
 Número de cabos/pares necessários: 25 (Sensores)} + 15 (Atuadores)} =
40 pares de fios.
 Conclusão: 40 cabos percorrendo 20m cada, totalizando 800 metros de
cabo de sinal, além da complexidade de conectar cada fio em blocos de
terminais.

2. Solução Sensorbus (AS-i):

 Módulos Escravos: Usando módulos AS-i padrão de 4 I/O discretas


(configurados, por exemplo, como 2 Entradas/2 Saídas).
o Total de I/O: 40
o Número de módulos necessários: 40 IO / 4 IO por módulos =10
Módulos Escravos.
 Cabeamento: A rede AS-i utiliza apenas um cabo de barramento (o
cabo amarelo, para dados e alimentação) percorrendo a área de
trabalho. A fiação é reduzida a um único lance que conecta os 10
módulos.
 Conclusão: Redução da fiação de 800 m de pares para cerca de 50 a
70 metros de um único cabo AS-i (estimativa baseada no layout). O
custo de instalação e material é drasticamente reduzido.

Exercício 2: Capacidade Máxima da Rede AS-i


Um Engenheiro Elétrico está projetando uma máquina grande. Ele quer usar a
máxima capacidade de I/O discreta possível em um único Mestre AS-i, usando
módulos escravos padrão que suportam 4 bits} de dados (2 Entradas e 2
Saídas por endereço).

1. Qual é o número máximo de I/O discretas que ele pode ter em uma
única rede Mestre AS-i?

Resolução do Exercício 2:

 Endereços Máximos: O protocolo AS-i suporta um máximo de 62


endereços de escravos por Mestre.
 Dados por Endereço: Cada escravo padrão transmite $4\text{ bits}$ de
I/O (2 Entradas e 2 Saídas).
 Cálculo:

I/O Total = Número Máximo de Escravos x Bits de I/O por Escravo

I/O Total = 62 x 4 bits/escravo = 248 bits de I/O

 Resposta: Uma única rede Mestre AS-i tem a capacidade máxima


teórica de gerenciar 248 pontos de I/O discretas (124 entradas e 124
saídas) no mesmo ciclo de 5 ms.

IV. Vantagens e Desvantagens (10 min)

Vantagem (Relevante para EE) Desvantagem (Limitação de Projeto)


Baixa Largura de Banda: Não
Economia de Fiação: Redução
adequado para grandes volumes de
massiva de cabos e terminais,
dados (analógicos ou frames
simplificando projetos de painel.
complexos).
Distância Limitada: A distância
Alimentação e Dados (AS-i): Uso de
máxima (100 m) exige o uso de
um único cabo para simplificar o layout
repetidores ou a divisão da rede em
de campo.
múltiplas sub-redes.
Diagnóstico Simples: O Mestre pode Foco em I/O Discreta: Limita o uso
identificar exatamente qual escravo para dispositivos mais "inteligentes" ou
falhou, reduzindo o troubleshooting de comunicação mais sofisticada (e.g.,
(busca de falhas). servo drives).
Redes Industriais Devicebus (Nível do Dispositivo)
I. Transição do Sensorbus para o Devicebus (10 min)

1. O Nível Devicebus (Nível 2 da Pirâmide)

 Localização na Hierarquia: O Devicebus fica acima do Sensorbus (I/O


discreto) e abaixo do Fieldbus/Controlnet (controle de malha fechada).
 Função Principal: Conectar dispositivos inteligentes e modulares que
requerem mais que apenas um bit de dado.
 Dispositivos Típicos:
o Servomotores e Inversores de Frequência (VFDs): Requerem
comandos de velocidade, torque e status do dispositivo.
o Interfaces Homem-Máquina (HMIs) e Leitores de Código de Barras.
o Válvulas de Bloco (Valve Blocks) com Diagnóstico.
o Módulos de I/O Remotos (com mais capacidade de dados que o
Sensorbus).

2. Comparação com o Sensorbus (AS-i)

Devicebus
Característica Sensorbus (AS-i)
(DeviceNet/CANopen)
Bytes (dados de 8/16/32 bits,
Tamanho do Dado Bits (discreto, binário)
variáveis analógicas).
Baixa (apenas
Inteligência do Alta (diagnóstico, configuração,
leitura/escrita de
Dispositivo parâmetros de motor).
estado).
Suficiente Alto Determinismo (essencial
Determinismo
(ciclo de 5 ms). para controle de motor).
Custo de Nó Muito Baixo. Intermediário.

II. O Protocolo Base: Controller Area Network (CAN) (20 min)

Muitos protocolos Devicebus de sucesso (como DeviceNet e CANopen) são


construídos sobre o hardware e as regras do CAN (desenvolvido originalmente
para a indústria automotiva).

1. Características do Barramento CAN

 Meio Físico: Tipicamente Par Trançado.

 Comunicação por Mensagem (Message-Based): Diferente do Mestre-


Escravo tradicional (polling), o CAN é um protocolo broadcast. Um
dispositivo envia uma mensagem (um Frame CAN), e todos os outros
nós a recebem, processando-a se for relevante.
 Arbitragem Não-Destrutiva de Bits:

o O CAN utiliza identificadores de mensagem (IDs) para definir


prioridade. Quanto menor o valor do ID, maior a prioridade.

o Se dois nós tentam transmitir ao mesmo tempo, o nó com a


mensagem de maior prioridade (ID mais baixo) vence a
arbitragem e continua a transmitir, enquanto o outro nó para e
tenta novamente mais tarde. Isso garante que os dados críticos
sejam entregues primeiro, sem perda de tempo com colisões.

2. DeviceNet: O Devicebus da CIP (Common Industrial Protocol)

 Base: Utiliza o barramento físico CAN, mas adiciona as camadas


superiores (aplicação) do Common Industrial Protocol (CIP).

 Modelo de Comunicação Orientado a Objetos: No DeviceNet, cada


dispositivo é visto como uma coleção de Objetos (e.g., o objeto
Assembly, o objeto Motor Control).

 Vantagem Elétrica: O cabo DeviceNet (tipicamente o cabo


arredondado ou flat) contém:

o Um par para Dados (Verde/Amarelo).

o Um par para Alimentação de Potência (Vermelho/Preto),


geralmente $24\text{ V}\text{ DC}$. Isso permite que os
dispositivos sejam alimentados diretamente pela rede, assim
como no AS-i.

 Topologia: Linha (Tronco) com drops (Derivações). Requer o uso de


Terminadores de $120\text{ \Omega}$ em ambas as extremidades do
tronco para evitar reflexões de sinal.

III. Exercícios Resolvidos (35 min)

Exercício 1: Limitações Físicas do DeviceNet

Um engenheiro elétrico precisa projetar a rede DeviceNet para uma nova célula
de robótica.

Limitação Padrão
Parâmetro Requisito de Projeto
DeviceNet
Comprimento Total da Ver tabela de taxa
$100\text{ m}$
Linha Principal (Tronco) de baud.
$500\text{ kbps}$ (para
Taxa de Comunicação
controle rápido de $500\text{ kbps}$
Necessária
inversores)
Limitação Padrão
Parâmetro Requisito de Projeto
DeviceNet
45 dispositivos (Robô,
Número de Nós 64
Servos, Módulos de I/O)
Comprimento das Limitado (soma
$5\text{ m}$ (média)
Derivações (Drops) total)
Tabela de Relação Taxa de Baud vs. Distância (DeviceNet):

Taxa de Baud Distância Máxima do Tronco


$125\text{ kbps}$ $500\text{ m}$
$250\text{ kbps}$ $250\text{ m}$
$500\text{ kbps}$ $100\text{ m}$

1. Determine se a rede atende aos requisitos de distância e taxa de


comunicação.

2. Qual é a principal função do resistor terminador de $120\text{ \Omega}$ em


ambas as extremidades da rede DeviceNet?

Resolução do Exercício 1:

1. Análise de Requisitos:

 Taxa de Baud: O requisito de $500\text{ kbps}$ é crítico para o controle


rápido (Inversores/Servos).
 Distância (Tronco): A uma taxa de $500\text{ kbps}$, a distância
máxima permitida para o tronco é de $\mathbf{100\text{ m}}$.
 Conclusão: O requisito de $100\text{ m}$ de tronco limita o projeto ao
limite máximo da taxa de $500\text{ kbps}$. O projeto é viável, mas não
há margem de erro para a distância, exigindo cuidado na instalação.

2. Função do Terminador:

 Reflexão de Sinal: O cabeamento do DeviceNet (Par Trançado) é uma


linha de transmissão. Quando o sinal (que é uma onda eletromagnética)
chega ao final do cabo aberto (circuito aberto), ele é refletido de volta
pela linha.
 Resistor Terminador: O resistor de $120\text{ \Omega}$ é colocado
para casar a impedância característica da linha de transmissão (que é
tipicamente $120\text{ \Omega}$ para cabos CAN/DeviceNet).
 Função: A função do terminador é absorver o sinal de comunicação
ao final da linha, evitando a reflexão do sinal que causaria erros
(interferência) na comunicação. É fundamental para garantir a
integridade do sinal em alta velocidade.
Exercício 2: O Desafio do Broadcast e Prioridade no CAN

O barramento CAN subjacente ao DeviceNet utiliza uma lógica de arbitragem


para gerenciar colisões.

Cenário: Dois dispositivos tentam transmitir simultaneamente:

 Dispositivo A (Alarme de Falha Crítica): ID da Mensagem Binário:


0000 0010 0101 (Dec: 69)
 Dispositivo B (Relatório de Status Não-Crítico): ID da Mensagem
Binário: 0000 0010 1100 (Dec: 76)

1. Qual dispositivo vencerá a arbitragem, e porquê?

Resolução do Exercício 2:

 Regra de Arbitragem CAN: O CAN utiliza o princípio da arbitragem bit


a bit (o nó com o bit dominante, que é o '0', vence). A arbitragem se
baseia no ID da Mensagem: quanto menor o valor binário do ID,
maior a prioridade da mensagem.

Dispositivo A (ID Dispositivo B (ID Resultado da


Bit
69) 76) Arbitragem
1 (MSB) 0 0 Empate
2 0 0 Empate
... ... ... ...
9 0 1 Dispositivo A vence!

 Ocorrência: No nono bit, o Dispositivo A transmite um '0' (dominante),


enquanto o Dispositivo B transmite um '1' (recessivo). Ao detectar que o
barramento está em '0', o Dispositivo B para de transmitir imediatamente
(arbitragem não-destrutiva).
 Resposta: O Dispositivo A (Alarme de Falha Crítica) vence a arbitragem
porque sua mensagem tem um ID binário menor, garantindo que a informação
de falha crítica seja priorizada e transmitida imediatamente no barramento,
demonstrando a natureza determinística do Devicebus.

IV. Conclusão (5 min)


O Devicebus resolve o problema da comunicação com dispositivos inteligentes,
fornecendo:

1. Capacidade de dados em bytes (configuração, diagnóstico).


2. Alto Determinismo (via CAN Arbitragem).
3. Fiação Otimizada (dados e alimentação em um único cabo com terminadores).

O próximo passo seria subir para o nível Fieldbus/Controlnet (como Profibus e


Profinet), onde o foco é o controle de malha fechada complexa e a interconexão de
PLCs.

Aula: Redes Industriais Fieldbus (Nível de Controle)


I. Introdução e Posicionamento (15 min)

1. O Nível Fieldbus (Fieldbus / ControlNet)

 Localização: Nível 3 (Controle) e Nível 2 (Supervisão/Controle) da Pirâmide da


Automação.
 Função Principal: Interligar Controladores Lógicos Programáveis (CLPs),
Sistemas de Controle Distribuído (DCS) e dispositivos de campo inteligentes
(transmissores, válvulas de controle, analisadores).
 Características Chave:
o Comunicação de Pacotes de Dados: Transfere grandes blocos de dados
(configuração, diagnósticos, variáveis analógicas).
o Elevado Determinismo: Essencial para o controle de malha fechada
(PID), garantindo que os dados cheguem em um tempo previsível.
o Capacidade de Gerenciamento: Suporte a download e upload de
configurações remotas e funções de diagnóstico avançadas.

2. Principais Protocolos Fieldbus

O termo Fieldbus engloba protocolos que, diferentemente do Devicebus, foram criados


especificamente para a indústria e o controle de processos:

 Profibus: O mais dominante, com foco em Manufatura (DP) e Processo (PA).


 Foundation Fieldbus (FF): Foco em aplicações de Processo Contínuo,
permitindo o controle distribuído no próprio instrumento.

II. Estudo de Caso 1: PROFIBUS (Process Fieldbus) (30 min)


O PROFIBUS é o protocolo Fieldbus mais utilizado globalmente, dividido em duas
variantes principais.

1. PROFIBUS DP (Decentralized Periphery)

 Foco: Manufatura Discreta e Automação de Máquinas.


 Função: Comunicação de alta velocidade entre CLPs e Periféricos
Descentralizados (módulos de I/O remotos, inversores, HMIs).
 Meio Físico:
o RS-485 (Mais Comum): Barramento elétrico de par trançado e
blindado. Requer terminadores.
o Fibra Óptica: Usada para cobrir longas distâncias ou ambientes com
alta Interferência Eletromagnética (EMI).
 Taxas de Comunicação: Variável, de 9,6 kbps até 12 Mbps. A velocidade é
inversamente proporcional à distância.

2. PROFIBUS PA (Process Automation)

 Foco: Indústria de Processo Contínuo (Química, Petróleo, Gás).


 Meio Físico: Baseado na norma IEC 61158-2 (codificação Manchester).
 Características Elétricas Cruciais (Para Engenharia Elétrica):
o Potência e Dados no Mesmo Cabo: O barramento de dois fios fornece
energia (9 V DC a 32 V DC) e dados simultaneamente.
o Segurança Intrínseca (Ex): O PA pode ser projetado para operar em
áreas classificadas (risco de explosão), limitando a energia elétrica no
barramento a um nível seguro para evitar ignição.
 Taxa de Comunicação: Fixa em 31,25 kbps. Essa taxa é lenta, mas o trade-off
é a capacidade de fornecer segurança intrínseca e energia.

III. Estudo de Caso 2: FOUNDATION Fieldbus (FF) (20 min)

 Foco: Controle de Processo Distribuído.


 Característica Distinta: O FF não apenas transfere dados, mas também executa
o controle. As funções de controle de malha (PID) são executadas no próprio
instrumento de campo inteligente (válvula ou transmissor), e não no CLP/DCS
central.
 Vantagem Elétrica/Projeto: Redução da carga de processamento no
controlador central e melhoria da confiabilidade do controle (se o controlador
central falhar, a malha de controle no campo continua a funcionar).
 Meio Físico: Semelhante ao Profibus PA (também usa IEC 61158-2) para
suportar segurança intrínseca e potência no cabo.

IV. Exercícios Resolvidos (25 min)

Exercício 1: Projeto de Rede Profibus DP e PA


Um Engenheiro Eletricista está projetando a rede Fieldbus para uma nova fábrica. Ele
precisa interligar dois setores:

 Setor A (Manufatura): Um CLP central deve se comunicar com 15 módulos de


I/O Remoto. A distância máxima do cabo será de 150 m. O tempo de varredura
(polling) deve ser o mais rápido possível.
 Setor B (Química): Um transmissor de pressão e uma válvula de controle (total
de 2 instrumentos) devem ser integrados. A área é classificada como perigosa
(Ex). A distância é de 500 m.

Tabela de Velocidade/Distância do Profibus DP (RS-485):

Taxa de Baud Distância Máxima (sem repetidor)


12 Mbps 100 m
1,5 Mbps 200 m
500 kbps 400 m
Exportar para as Planilhas

1. Qual protocolo Profibus e qual taxa de comunicação devem ser usados no Setor
A? 2. Qual protocolo Profibus deve ser usado no Setor B, e qual a sua limitação de
velocidade e distância?

Resolução do Exercício 1:

1. Setor A (Manufatura - Alta Velocidade):

 Protocolo: PROFIBUS DP. É o protocolo de alta velocidade para comunicação


entre CLP e I/O remota.
 Distância: 150 m.
 Escolha da Taxa: A taxa de 12 Mbps tem limite de 100 m. Para 150 m,
devemos usar a próxima taxa mais rápida, que é 1,5 Mbps (limite de 200 m).
 Conclusão: O engenheiro deve especificar a rede PROFIBUS DP a 1,5 Mbps
com cabo RS-485 adequado e terminadores, garantindo a comunicação rápida.

2. Setor B (Química - Área Classificada):

 Protocolo: PROFIBUS PA (Process Automation). Este é o único protocolo


Fieldbus do Profibus capaz de fornecer segurança intrínseca e alimentação no
cabo.
 Velocidade: Taxa fixa de 31,25 kbps. A baixa velocidade é o trade-off para a
segurança e energia.
 Distância: O PA (usando repetidores) pode atingir longas distâncias (até 10 km
no total com repetidores), mas um segmento sem repetidor pode chegar a
1.900 m. O requisito de 500 m é facilmente atendido.

Exercício 2: Cálculo de Terminadores em PROFIBUS DP


Uma rede PROFIBUS DP utiliza a topologia em Linha, conectando um Mestre (CLP) a
8 Escravos (Módulos de I/O) em um único segmento de 50 m.

1. Quantos resistores terminadores de $120\text{ \Omega}$ são necessários e onde


devem ser instalados? 2. Qual a consequência se apenas um terminador for
instalado?

Resolução do Exercício 2:

1. Instalação de Terminadores:

 Número Necessário: Dois resistores de $120\text{ \Omega}$.


 Localização: Devem ser instalados nas duas extremidades físicas da linha de
transmissão (no primeiro dispositivo e no último dispositivo).
o Neste caso: Um no Mestre (CLP) e um no último Módulo Escravo.
 Função: Casamento de impedância para evitar reflexão do sinal (assim como no
DeviceNet).

2. Consequência (Um Terminador Faltando):

 Se apenas um terminador for instalado, a extremidade não terminada estará em


circuito aberto.
 Consequência: A ausência de um terminador levará à reflexão total do sinal.
Isso resultará em erros de comunicação intermitentes ou falha total da rede
(especialmente em altas taxas de transmissão como 1,5 Mbps ou 12 Mbps), pois
os sinais refletidos interferem na leitura dos dados.

V. Próximos Passos

Agora que cobrimos Sensorbus, Devicebus e Fieldbus, o próximo nível é a integração


total usando Ethernet Industrial (como Profinet ou EtherNet/IP) – a base para a
Indústria 4.0.

Você gostaria de uma aula sobre Ethernet Industrial ou prefere um aprofundamento


na integração entre os diferentes níveis de redes?

Excelente. O próximo e crucial tópico na Engenharia Elétrica de Automação é a


Ethernet Industrial, que não só unifica a comunicação no nível Fieldbus, como
também permite a integração vertical completa, unindo o chão de fábrica (OT)
aos sistemas de gestão (IT).

Abaixo, apresento um plano de aula que cobre ambos os tópicos: Ethernet


Industrial e Integração Vertical.

🌐 Aula Final: Ethernet Industrial e Integração


Vertical (Indústria 4.0)
I. Ethernet Industrial: A Base da Indústria 4.0 (30 min)

1. A Necessidade de Migração

 Limitação dos Fieldbus Tradicionais: Protocolos como Profibus-DP e


DeviceNet (baseados em RS-485 ou CAN) têm limites de velocidade
(máx. $12\text{ Mbps}$) e rigidez de topologia.
 A Vantagem do Ethernet (IEEE 802.3): Oferece altíssima largura de
banda (tipicamente $100\text{ Mbps}$ ou $1\text{ Gbps}$), facilidade de
uso (baseado em TCP/IP) e uma vasta gama de componentes de baixo
custo.
 O Desafio da Indústria: O Ethernet padrão é não-determinístico
(latência variável e colisões de pacotes), o que é inaceitável para o
controle de malha fechada.

2. Solução: Protocolos de Ethernet Industrial

O Ethernet Industrial é o Ethernet padrão com extensões e mecanismos


especiais para garantir o Determinismo de Tempo Real (Real-Time).

Mecanismo
Protocolo Foco de Aplicação
Determinístico
O IRT utiliza time slicing e hardware
RT (Real Time) e IRT
especial para eliminar jitter e garantir ciclos
PROFINET (Isochronous Real
de $\mu\text{s}$ (essencial para motion
Time).
control).
Utiliza o CIP (Common Industrial Protocol) e
CIP e QoS (Quality
EtherNet/IP garante prioridade de tráfego em tempo real
of Service).
sobre o tráfego não-crítico.
O frame Ethernet passa por todos os
dispositivos. Cada nó lê/escreve o que lhe
"Processing on the
EtherCAT compete em tempo real, sem retransmitir o
Fly".
frame completo. Oferece o maior
determinismo ($\sim 100\text{ µs}$).
3. Topologias e Meios Físicos

 Topologia: Flexível (Estrela, Anel, Linha). O Anel com Redundância


(Ring Topology) é fundamental para garantir que, se um cabo for
cortado, a comunicação continue (função gerenciada pelo switch
industrial).
 Meio Físico: Par Trançado Industrial (cabo robusto, frequentemente
STP) para distâncias curtas, e Fibra Óptica para longas distâncias ou
backbones de fábrica.

II. Integração Vertical e o Modelo Purdue (25 min)

A Integração Vertical é o processo de conectar o nível de Dispositivo/Controle


(OT) com o nível de Negócio/Gerenciamento (IT).

1. O Modelo de Referência Purdue (ISA-95)

Este modelo define a arquitetura hierárquica ideal para a automação e é crucial


para entender a integração:

Nível Tecnologia de
Nível de Atividade Protocolo Chave
Purdue Rede
Negócio e Planejamento
Nível 5 TI/Ethernet HTTP/SQL
(ERP)
Operações da Planta
Nível 4 TI/Ethernet OPC UA
(MES/SCADA)
Controle de Supervisão Ethernet
Nível 3 PROFINET/EtherNet/IP
(HMI/CLP) Industrial
Devicebus /
Controle de Dispositivo
Nível 2 Ethernet EtherCAT / DeviceNet
(Servos/Inversores)
Industrial
Nível 1 & Campo
Sensorbus AS-Interface
0 (Sensores/Atuadores)
2. O Papel do OPC UA (Open Platform Communications Unified
Architecture)

 O OPC UA é o protocolo padrão da Indústria 4.0 para integração


vertical.
 Função: Atua como um tradutor ou broker de dados. Ele padroniza
como os dados (variáveis, tags) dos CLPs e sistemas de chão de fábrica
são lidos, estruturados e disponibilizados para os sistemas de nível
superior (MES/ERP), superando problemas de incompatibilidade de
drivers.
 Segurança: Possui recursos integrados de segurança (autenticação e
criptografia), essenciais na fronteira OT/IT.

3. Cybersegurança Industrial na Fronteira OT/IT

 A integração vertical expõe as redes determinísticas (OT) ao mundo


não-determístico e ameaçador (IT/Internet).
 Solução: Implementação de Firewalls Industriais e DMZs (Zonas
Desmilitarizadas) na fronteira entre os Níveis 3 e 4 para inspecionar e
controlar rigorosamente o tráfego de dados.

III. Exercício Resolvido de Integração (35 min)

Exercício 1: Design de Comunicação na Indústria 4.0

Um Engenheiro Eletricista precisa integrar três sistemas em uma nova linha de


produção:

1. Controle de Eixos: 4 servomotores que movem o principal portal de


usinagem. Ciclo de sincronização de $500\text{ µs}$
(microssegundos).
2. I/O de Campo: $40$ sensores fotoelétricos e $20$ atuadores
pneumáticos dispersos na linha.
3. Monitoramento: Enviar dados de produção (contagem de peças, tempo
de ciclo) para o sistema MES da empresa.

Topologias e Protocolos Requeridos:

Requisito de Protocolo
Sistema Nível na Pirâmide
Comunicação Recomendado
1. Controle de Altíssimo Determinismo
Nível 2 (Dispositivo)
Eixos ($< 1\text{ ms}$)
2. I/O de Baixo Custo,
Nível 1 (Campo)
Campo Comunicação Discreta
Integração Vertical Nível 4/5
3. MES/ERP
(Nível 4) (Gerenciamento)
1. Preencha a tabela com o protocolo mais adequado para cada requisito.

2. Descreva como o fluxo de dados de produção do Nível 1 chega ao Nível 4.

Resolução do Exercício 1:

1. Preenchimento da Tabela:

Requisito de Protocolo
Sistema Nível na Pirâmide
Comunicação Recomendado
Altíssimo
1. Controle EtherCAT ou
Determinismo ($< 1\ Nível 2 (Dispositivo)
de Eixos PROFINET IRT
text{ ms}$)
2. I/O de Baixo Custo,
Nível 1 (Campo) AS-Interface (AS-i)
Campo Comunicação Discreta
Integração Vertical Nível 4/5
3. MES/ERP OPC UA
(Nível 4) (Gerenciamento)
2. Descrição do Fluxo de Dados de Produção (Integração Vertical):
O fluxo de dados de uma Contagem de Peças (Nível 1) até o Gerenciamento
de Produção (Nível 4) ocorre da seguinte forma:

1. Nível 1 (Aquisição de Dados): O sensor fotoelétrico conta a peça e


envia o sinal binário ao Módulo Escravo AS-i. O Mestre AS-i agrega
esta informação.
2. Nível 3 (Controle): O Mestre AS-i (frequentemente um gateway ou
módulo de comunicação do CLP) transfere a contagem de peças para a
memória do Controlador Lógico Programável (CLP). O CLP, que
opera na rede Ethernet Industrial (Profinet/EtherCAT), acumula e
processa o dado.
3. Nível 4 (Integração): O Servidor OPC UA é configurado para monitorar
a tag de memória do CLP que armazena a contagem final. O Servidor
traduz o formato proprietário do CLP para um formato padronizado
(JSON/XML) e o envia de forma segura (criptografada) através da rede
de TI para o Sistema MES (ou para a nuvem de dados).

Este processo garante que o controle de tempo real (Nível 1 e 2) não seja
afetado pela comunicação de gerenciamento (Nível 4).

IV. Conclusão da Série de Aulas

O Engenheiro Eletricista deve dominar esta hierarquia:

 AS-i (Sensorbus): Otimiza a fiação, minimiza custo.


 DeviceNet/Profibus DP (Devicebus/Fieldbus): Conecta motores e
dispositivos inteligentes de forma determinística.
 Ethernet Industrial (Profinet/EtherCAT): Oferece velocidade e
determinismo para controle de movimento.
 OPC UA: A ponte de dados segura entre a Automação (OT) e os
Sistemas de Gestão (IT).

Com este último tópico, encerramos a série de aulas sobre Redes Industriais,
cobrindo todos os níveis hierárquicos, do bit de campo à análise de dados.

Resumo do Conteúdo: Redes Industriais (Do


Campo ao Gerenciamento)
Abaixo está a compilação completa das aulas sobre a hierarquia de Redes
Industriais para o curso de Engenharia Elétrica: Sensorbus, Devicebus,
Fieldbus e Ethernet Industrial/Integração.

1. ⚡ Aula: Redes Industriais Sensorbus (Nível de Campo)

O Sensorbus (Barramento de Sensor) está no Nível 0 e Nível 1 da Pirâmide da


Automação, focado na interconexão de sensores e atuadores discretos
(ligado/desligado).
Características Principais (Exemplo: AS-Interface - AS-i)

 Função: Simplificar e substituir a fiação paralela ponto a ponto.


 Topologia: Livre (Árvore, Estrela, Linha).
 Meio Físico: Cabo chato de dois fios (formato trapezoidal) para dados e
potência.
 Comunicação: Mestre-Escravo (polling). O mestre interroga
sequencialmente cada escravo.
 Dado: Dados Binários (Bits). Transferência de I/O discretos (Estado:
ON/OFF, Aberto/Fechado).
 Potência: Fornecimento de energia para os escravos através do mesmo
cabo de dados (geralmente $30\text{ V}\text{ DC}$).
 Determinismo: Alto (ciclo de $\sim 5\text{ ms}$ garantido para $31$
escravos).

Conceito Chave: Codificação de Dados e Potência

O AS-i utiliza a codificação de dados para garantir que os dados não interfiram
na alimentação de energia. Os dados são injetados no barramento como uma
pequena variação de tensão (modulação de corrente) que o sensor/atuador
pode ler sem afetar o fornecimento de energia principal.

2. ⚙️Aula: Redes Industriais Devicebus (Nível do Dispositivo)

O Devicebus (Nível 2) conecta dispositivos inteligentes que requerem mais


que um bit de dado.

Protocolo Base: Controller Area Network (CAN)

 Muitos Devicebus (como DeviceNet) são construídos sobre o CAN.


 Comunicação: Baseada em Mensagem (broadcast). Todos os nós
ouvem.
 Arbitragem: Arbitragem Não-Destrutiva de Bits. Mensagens com
menor ID binário (prioridade mais alta) vencem imediatamente as
colisões, garantindo que os dados críticos sejam entregues primeiro.

Estudo de Caso: DeviceNet

 Base: Protocolo CAN + Common Industrial Protocol (CIP).


 Dado: Bytes (variáveis analógicas, parâmetros de configuração,
diagnóstico).
 Fiação: Cabo com 4 ou 5 fios (dados e $24\text{ V}\text{ DC}$ de
potência).
 Topologia: Linha (Tronco) com drops (Derivações). Requer
Terminadores de $120\text{ \Omega}$ nas extremidades para evitar
reflexão de sinal e erros de comunicação.

3. Aula: Redes Industriais Fieldbus (Nível de Controle)


O Fieldbus (Nível 3) interliga Controladores (CLPs/DCS) e dispositivos de
campo complexos.

Protocolo: PROFIBUS (Process Fieldbus)

PROFIBUS DP (Decentralized PROFIBUS PA (Process


Característica
Periphery) Automation)
Processo Contínuo e Áreas
Manufatura Discreta e
Foco Perigosas (Segurança
Máquinas (Velocidade).
Intrínseca).
IEC 61158-2 (Potência e
Meio Físico RS-485 ou Fibra Óptica.
Dados no mesmo par).
Até $12\text{ Mbps}$
Velocidade (inversamente proporcional à Fixo em $31,25\text{ kbps}$.
distância).
Projetado para Segurança
Segurança Não intrinsecamente seguro.
Intrínseca (Ex).
Protocolo: Foundation Fieldbus (FF)

 Principal Diferença: Permite o Controle Distribuído. Funções de


controle de malha fechada (PID) podem ser executadas no próprio
instrumento inteligente de campo, e não apenas no CLP central.
 Aplicações: Indústria de Processo, Petroquímica.

4. 🌐 Aula Final: Ethernet Industrial e Integração Vertical

O Ethernet Industrial é a evolução que une a Automação (OT) e a Tecnologia


da Informação (IT).

Ethernet Industrial (Nível 3)

 Baseia-se no Ethernet padrão (Gigabit Ethernet) mas adiciona


mecanismos de Determinismo de Tempo Real (Real-Time) para uso
em controle.
 Exemplos:
o PROFINET IRT: Utiliza time slicing para sincronização
ultrarrápida ($\mu\text{s}$), essencial para controle de movimento
(motion control).
o EtherCAT: Processa o frame Ethernet em tempo real, atingindo
altíssimo determinismo.

Integração Vertical (Modelo Purdue / ISA-95)

Conecta o chão de fábrica (OT) aos sistemas de gestão (IT).

Nível
Nível de Atividade Exemplo de Rede
Purdue
Nível 4/5 Gerenciamento e Planejamento TI/Ethernet
Nível
Nível de Atividade Exemplo de Rede
Purdue
(ERP/MES)
Nível 3 Controle de Supervisão (CLP/HMI) Ethernet Industrial
Controle de Dispositivo Devicebus/Ethernet
Nível 2
(Servos/VFDs) Industrial
Nível 1 & 0 Campo (Sensores/Atuadores) Sensorbus (AS-i)
A Ponte de Integração: OPC UA

 OPC UA (Open Platform Communications Unified Architecture) é o


protocolo padrão para a comunicação entre o Nível 3 (Controle) e o
Nível 4 (MES/ERP).
 Função: Atua como um tradutor de dados seguro e padronizado,
permitindo que softwares de gestão acessem dados de diferentes CLPs,
independente do fabricante.

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