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Amizade e A Lua

O texto narra uma memória de amizade entre Luana e Pedro, destacando momentos de conversa e aprendizado na biblioteca, onde reflexões sobre a vida e a morte são feitas. Luana, em um estado de introspecção, lida com a pressão familiar e a busca por liberdade, enquanto recorda brincadeiras da infância. A narrativa culmina em um encontro tenso com seu irmão, que agora é o novo capitão da guarda real, trazendo um clima de incerteza e medo.

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Amizade e A Lua

O texto narra uma memória de amizade entre Luana e Pedro, destacando momentos de conversa e aprendizado na biblioteca, onde reflexões sobre a vida e a morte são feitas. Luana, em um estado de introspecção, lida com a pressão familiar e a busca por liberdade, enquanto recorda brincadeiras da infância. A narrativa culmina em um encontro tenso com seu irmão, que agora é o novo capitão da guarda real, trazendo um clima de incerteza e medo.

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A amizade e a lua

O fim é um passo para sermos memórias queridas. Acho que é minha frase favorita,
lembro-me do dia que Pedro a disse. O som do vento assobiando nas janelas, meus olhos
pesados não querem abrir. Não quero sair de meus sonhos, nada vai preencher o vazio.
Me revirei algumas vezes antes

Estávamos sentados no salão central da biblioteca, eu lembro daquele tapete vermelho e


sedoso. Eu estava deitada olhando para o afresco dos Noiterus primordiais no teto:
-​ Quer ouvir uma história ? parece que já não consegues ler Lua.
Sua voz serena e polida pelos anos de corte tomaram a biblioteca e minha atenção. Ao
me virar, lembro-me como ele estava naquele momento, com seus cabelos brancos
caindo em seus ombros, frágeis em suas pontas. Chifres azuis recurvados marcados por
anos de cera para bailes. Sua pele pálida recoberta por manchas avermelhadas de anos e
anos de vida, cicatrizes de histórias vividas. Suas orelhas pequeninas com dois brincos
brancos como a própria lua no seu dia mais brilhante. Uma joia Sant mare que carrega
não só beleza mas a realeza que corre em seu sangue. Com meus olhos vidrados nos
brincos, peço:
-​ De onde vem esses brincos ?

Ele funga seu grande nariz redondo, ajusta sua corcunda na cadeira ajeita seu impecável
terno magenta em sua poltrona de veludo combinando como o terno, ambos pareciam
ainda mais imponentes banhados pelo fogo da lareira. A luz azulada e bruxuleante
dançava sobre nós quando ele disse em um tom simples:
-​ Não posso minha crescente, sei que o terror vive em suas favoritas, mas a
realidade não é aterrorizante, é apenas cruel.
Disse se levantando da poltrona com dificuldade.
-​ Por favor, eu prometo que não vou te incomodar mais
Levantei junto para ajuda-lo, carregando alguns livros para guardar.
-​ Não é sobre promessas com você, são ordens diretas do seu pai.
Apontando para o último dos Noiterus no afresco com uma grande foice e chifres
vermelhos. Dobrei o beiço e falei quase que para dentro:
-​ Tá, então me conte algo sobre esse autor aqui… Greee
Ele pegou os livros de minhas mãos, levou eles as prateleiras mais próximas, pegou o
último livro da prateleira e indagou:
-​ Greskisteryre?
Respondi enquanto ele encaixava o último livro:
-​ Isso!
Ele estendeu a mão sob minha cabeça e a afagou gentilmente enquanto me respondia:
-​ Tenho uma muito boa …
Ele levanta e busca um livro prateado com marcas de arames pretos como a noite, e
contínuo
-​ Antes de começarmos, me responda onde fica Dahab?
-​ Para …
Giro em direção em direção horária, apontando para a janela:
-​ Todos os lugares ficam lá fora
-​ Muito bem, não importa o que digam, é lá fora que estão as suas histórias.
Quando eu mo…
Interrompo com ímpeto puxando a baía de sua calça, sentindo meus olhos encherem de
maresia:
-​ Não, não fale isso
-​ O fim é um passo para sermos memórias queridas, por isso devemos viver ao lado
de quem nos aprecia. Irei com tranquilidade quando for a hora pois sei que você
sabe de minha história

Essa memória agora parecia tão distante, no silêncio do meu quarto escuto uma melodia
lenta como um coro de viúvas, eram os primeiros Pardais-caixão anunciando o começo
da noite em menos de uma hora. O espelho refletia uma mulher que não era a mim,
naquele momento não tinha a estatura de minha mãe, asas escuras como uma noite sem
lua, como meu nome, Luana. Em meu reflexo eu era apenas pequena, os mesmos
cabelos castanhos, mais curtos. Olhos grandes e sem cor ainda cheios de esperança e
vontade de aprender. Um toque na porta quebrou minha pequena ilusão:
-​ Já estou pronta!
Me aproximo de minha penteadeira, me observo uma última vez e verifico se a gaveta
está trancada. Os toques da porta se tornam mais pesados:
-​ Está com pressa lacaio? Vá buscar-me um copo d’água se está afobado.
Pude escutar passos pesados, acho que ganhei um tempo. Não posso deixar que abram
isso, mesmo sendo proibido preciso fazer isso. Respiro fundo, aproximo minha mão com
leves movimentos desenhando levemente no ar, sussuro:
-​ Enfeitiçar …
Me concentro na vontade da sombra ser algo, então uma energia crepitante flui de meus
dedos. A penteadeira é coberta com uma capa violeta quando ela desaparece, ao mesmo
tempo que sua sombra surge como uma nova penteadeira idêntica.
-​ Resombra
Escuto pequenos passos, então toques leves na porta. O lacaio deve ter aprendido seu
lugar, me movo até a porta a passos curtos. Ao escutar uma nova batida meu ódio guia
me fala, enquanto abro a porta:
-​ QUEM VOCÊ PENSA QUE É?
Ao abrir a porta, não havia nenhum lacaio, apenas uma Noiteru com olhos pretos,
focados diretamente em minha alma como só alguem que o concebeu poderia.
-​ Mãe, eu não …
-​ Depois, já estamos atrasados desça imediatamente.
Seu tom controlado mostrava seu ódio mais que qualquer grito. Ela continua
caminhando pelas tapeçarias violetas, lentamente, sem variações, sem respiros longos.
Assim que chegou ao fim do corredor uma escada montou-se à sua graça. Assim que ela
saiu de vista, tranquei a porta e me direcionei à nova escada. Lembro-me de brincar de
esconde-esconde com Pedro e meu irmão. Era fácil para nós, nosso sangue descende
daqueles que construíram o castelo por isso ele nos obedecia. Ele criava os esconderijos
perfeitos e sempre o caminho mais fácil e mais curto. E por algum motivo ele sempre me
favorecia quando meu irmão estava buscando.
Ao descer as escadas, as memórias das brincadeiras inundaram meu ser, um leve
sorriso se formou em meu rosto. Era como se minha felicidade pudesse voltar, quando
escutei o som de uma gralha babaca falando:
– Mana, não há alegria no presente. No mesmo passo em que nos prendemos ao
passado, não podemos saltar para o futuro
Parado encostado nas paredes na curva das escadas, sua armadura vermelha nova
mostrava sua inexperiência mas era exuberante em sua riqueza. Olhei em seus olhos
vermelhos,respondi:
-​ Vá a merda
Meus olhos se voltaram para os chifres dele, definitivamente estavam maiores que
os meus, que significava que sua força física supera a minha. O que não era difícil, meus
chifres eram menores que os dos lacaios, continuei caminhando. Ao passar por ele, ele
estendeu o braço e disse:
-​ Ordens do papai
Sorri, meu sorriso mais falsa, agarrei seu braço com leveza. Descemos algumas escadas,
quando ele disse:
-​ Os brincos do tio foram roubados ficou sabendo?
Olhei para ele abria a boca um pouco, e trouxe minha outra mão levemente para cobrir
ela e disse:
-​ Oh, não que tragédia elas eram relíquias de Sant mare ?
-​ Segundo o papai, eram mais antigas que o próprio castelo. Eram joias que eram
reforjadas a cada novo Rei.
-​ Que tragedia…
-​ Por isso o papai colocou a guarda real para procurá los por todo o castelo
-​ Mais do que devido, imagina colocar um príncipe bundão para fazer um trabalho
desse
Ele sorriu um sorriso maléfico, como se eu tivesse caído numa armadilha e disse:
-​ Não soube …
Ele segurou um emblema escondido em colar dentro de sua armadura, duas foices de lua
com uma torre de castelo ao fundo:
-​ Você está falando com o novo capitão da guarda real
Não pude esconder minha reação, o medo tomou meu corpo, era como se tudo fosse
terminar essa noite. Olhei para seu rosto, seu sorriso parecia abrir sobre mim. Quando
em um último passo chegamos ao Salão das mil janelas.

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