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Sentença Roubo 157 TJSP

Os réus Luiz Guilherme Aguiar de Souza e Guilherme de Andrade Cardoso foram processados por roubo qualificado, tendo sido presos em flagrante após subtraírem um celular de uma vítima em São Paulo. A sentença concluiu que a ação foi um roubo, não um furto, devido à violência empregada, e a defesa não conseguiu desclassificar o crime ou afastar as qualificadoras. A condenação foi mantida, considerando a gravidade da ação e a participação dos réus no crime.
Direitos autorais
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Sentença Roubo 157 TJSP

Os réus Luiz Guilherme Aguiar de Souza e Guilherme de Andrade Cardoso foram processados por roubo qualificado, tendo sido presos em flagrante após subtraírem um celular de uma vítima em São Paulo. A sentença concluiu que a ação foi um roubo, não um furto, devido à violência empregada, e a defesa não conseguiu desclassificar o crime ou afastar as qualificadoras. A condenação foi mantida, considerando a gravidade da ação e a participação dos réus no crime.
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fls.

178

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO


COMARCA DE SÃO PAULO
FORO CENTRAL CRIMINAL BARRA FUNDA
6ª VARA CRIMINAL
AVENIDA DOUTOR ABRAAO RIBEIRO, 313, São Paulo-SP - CEP
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Horário de Atendimento ao Público: das 13h00min às17h00min

Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 1522518-02.2023.8.26.0228 e código DJfVZ7ST.
SENTENÇA

Processo Digital nº: 1522518-02.2023.8.26.0228


Classe – Assunto: Ação Penal - Procedimento Ordinário - Roubo
Autor: Justiça Pública
Réu: GUILHERME DE ANDRADE CARDOSO e outro
Réu Preso
Tramitação prioritária

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MARGOT CHRYSOSTOMO CORREA, liberado nos autos em 06/02/2024 às 18:35 .
Juiz(a) de Direito: Dr(a). Margot Chrysostomo Corrêa

Vistos.

LUIZ GUILHERME AGUIAR DE SOUZA e GUILHERME DE


ANDRADE CARDOSO, qualificados nos autos, foram denunciados e estão sendo processados
como incursos no artigo 157, § 2º, inciso II e VII do Código Penal, isto porque, no dia 28 de julho
de 2023, por volta das 08h30min, na Avenida Rio Branco, altura do nº 500, Campos Elíseos, nesta
cidade e comarca de São Paulo, agindo com consciência e vontade e previamente ajustados entre
si e com outros dois indivíduos ainda sem identificação, em unidade de desígnios e divisão de
tarefas, subtraíram, mediante violência exercida com um estilingue e um pedaço de ímã, coisa
alheia móvel consistente em um aparelho de telefone celular da Marca Samsung, modelo S9,
avaliado em R$2.000,00 (dois mil reais), pertencente a Mauricio Santos Martins Lopes.
Os réus foram presos em flagrante (fls. 05), sendo suas prisões
convertidas em prisão preventiva (fls. 48/53).
Oferecida a denúncia de fls. 01/04, foi ela recebida no dia 14 de
agosto de 2023 (fls. 98/99). Consequentemente, os acusados foram citados (fls. 123; 125), vindo
aos autos, no prazo legal, a defesa prévia de fls. 129. Não sendo supridos os requisitos para a
absolvição sumária, agendou-se uma audiência de instrução de julgamento para o dia 11 de
dezembro de 2023 (fls. 130/131).
Durante a instrução da causa, a vítima foi ouvida, e foram
tomados os depoimentos de duas testemunhas arroladas pela acusação, sendo os acusados
interrogadso ao final da instrução, tudo registrado em mídias digitais acostadas aos autos.
Encerrada a instrução criminal e superada a fase do artigo 402, do
Código de Processo Penal, manifestaram-se as partes em alegações finais, oportunidade na qual o
Ministério Público requereu a condenação do réu nos termos da denúncia.
A defesa, por seu turno, pleiteou a absolvição do acusado
Gulherme, alegando, em síntese, precariedade probatória. Alternativamente, requereu: a) a
desclassificação do delito para o previsto no artigo 155 do Código Penal; b) a fixação da pena-
base no mínimo legal; c) em segunda fase seja reconhecida a atenuante da confissão em relação a

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Luiz Guilherme; d) que sejam afastadas as majorantes do concurso de agentes e do emprego de
arma branca; e) a fixação de regime aberto para cumprimento de pena; f) a revogação da prisão
preventiva dos acusados.
Encontram-se, ainda, nos autos, o auto de prisão em flagrante (fls.
05); o boletim de ocorrência alusivo aos fatos (fls. 06/09); o auto de reconhecimento (fls. 15); o
auto de exibição e apreensão (fls. 25); o laudo pericial (fls. 111/114; 115/116); bem como as
folhas de antecedentes e as certidões de distribuição de ações criminais dos acusados (fls. 88/89;
90, 91/95 e 96).

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É o relatório.
Fundamento e decido.

É parcialmente procedente a ação penal porque ao final da


instrução criminal restou devidamente comprovado que os réus praticaram o crime de roubo
qualificado pelo concurso de agentes, afastando-se a utilização de arma branca, esta não
comprovada.
A materialidade veio bem demonstrada pelo auto de prisão em
flagrante (fls. 05); pelo boletim de ocorrência alusivo aos fatos (fls. 06/09); pelo auto de
reconhecimento (fls. 15); pelo auto de exibição e apreensão (fls. 25); pelos laudos periciais (fls.
111/114; 115/116); bem como pela prova oral produzida.
A autoria, de igual forma, restou comprovada extreme de dúvidas.
Em primeiro lugar, observo que a vitima se feriu no decorrer da
ação criminosa.
Isso porque, restou comprovado que os estilhaços de vidro
cortaram uma de suas mãos, fato confirmado por ela e pelos policiais que foram ouvidos no dia de
hoje em regular instrução.
Pois bem.
A defesa alega que o roubo deve ser desclassificado para o crime
de furto qualificado pelo rompimento de obstáculo. Sem razão, contudo. A ação de,
repentinamente, quebrar o vidro do carro evidentemente provoca temor na vítima, assusta os
ocupantes do veiculo, sendo um ato de violência que não pode ser desconsiderado.
O furto tem como principal característica a clandestinidade. Não é
possível que estourar o vidro de um veiculo com o arremesso de um objeto pesado, ingressar
dentro do carro e arrebatar um celular contra a vontade do proprietário, que mesmo assustado,
tentou impedir a ação criminosa, mas, não conseguiu, seja considerado um furto, alegando-se que
a violência teria sido praticada contra a coisa.
De fato, a violência não foi praticada contra a coisa, na medida
em que não pretenderam roubar o veiculo e sim o celular. Portanto, a violência foi praticada
contra seu proprietário, que estava dentro do veiculo, circunstancia da qual os acusados tinham
plena ciência.
A conduta dos réus foi sim recebida como grave ameaça por parte
da vítima, que chegou a se ferir na mão em razão da conduta criminosa. Trata-se de ameaça e
violência contra pessoa, não contra o bem. Roubo claro.
Neste sentido:
Roubo majorado – Recurso da Defesa – Condenação -
Declarações da vítima corroboradas pelos testemunhos policiais – Requerimento de
desclassificação da conduta para o crime de furto – Impossibilidade – Situação a configurar
ameaça diante do rompimentos dos vidros do veículo, superioridade de agentes e demais
peculiaridades do contexto factual – Violência configurada por estilhaços de vidro que chegaram

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a machucar a vítima - Condenação mantida - Dosimetria – Primeira fase – Pena-base fixada
acima do mínimo legal diante de maus antecedentes - Segunda fase – Agravante da prática do
crime em estado de calamidade pública – Não cabimento - Necessária a comprovação do nexo
causal entre a conduta e a situação pandêmica – Agravante afastada - Atenuante da confissão
espontânea não considerada, pois o juízo de primeiro grau valeu-se de outros elementos para
convicção – Razão de aumento alterada - Terceira Fase – Pleito para afastar o concurso de
pessoas – Impossibilidade – Majorante configurada – Regime fechado – Pena aliada à
reincidência e às circunstâncias judiciais desfavoráveis - Inviabilidade, pelas mesmas razões, da

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substituição da pena privativa por restritiva de direitos – Recurso parcialmente provido. (TJ-SP -
APR: 15303367320218260228 SP 1530336-73.2021.8.26.0228, Relator: Fátima Vilas Boas Cruz,
Data de Julgamento: 25/05/2022, 4ª Câmara de Direito Criminal, Data de Publicação:
25/05/2022).
Outra questão a ser vencida diz respeito a qualificadora atinente
ao concurso de agentes, perfeitamente delineada, pesem as ponderaçãos da defensoria pública.
Isto porque por ocasião dos fatos a vitima, apos ter o celular
roubado, acompanhou com os olhos o assaltante. Presenciou o exato momento em que ele se
juntou a outros três que estavam a três ou quatro passos de distância.
Na sequencia, Luiz Guilherme - que foi quem efetivamente
invadiu o carro para pegar o celular – correu em companhia do acusado Guilherme, que era um
dos três que o esperavam. Os outros dois correram na direção oposta.
A vitima, na sequencia, fez contato com uma viatura policial, que
por ali passava, e, logo após, voltou a ver os acusados e os reconheceu. Os apontou aos policiais,
que fizeram a abordagem, sendo que com Luiz Guilherme localizaram uma sacola, no interior da
qual encontraram um imã, um estilingue e um cachimbo, objetos que constam no auto de
apreensão de fls. 25.
Observo que o estilingue não é qualquer estilingue. Com efeito, o
objeto foi apreendido e periciado e se encontra devidamente fotografado a fls. 114. Junto com o
estilingue verifica-se a presença de um outro objeto, metálico e pontiagudo, utilizado justamente
para quebrar vidros e praticar crimes.
Como a propria vitima esclareceu, a ação é assustadora e muito
rápida. Ainda assim, descreveu Luiz Guilherme, com riqueza de detalhes, a dinâmica do crime e,
na sequencia, reconheceu seus autores.
Quanto a Guilherme, embora o tenha descrito como uma pessoa
branca e que trajava uma camiseta vermelha, se é certo que na audiência de custodia é possível se
verificar que ele estava com uma blusa branca – também é certo que ele estava de bermuda, como
bem mencionou a vitima, bem como que sua bermuda era vermelha.
Por outro lado a vitima deixou bem claro que um dos autores
estava de camiseta branca.
As ponderaçãos da Defensoria Publica quanto a inocência de
Guilherme não convencem.
Com efeito, é importante ressaltar que a vitima presenciou o
momento em que Luiz Guilherme, após levar o celular, se juntou com o réu e mais outros dois e
pareceram combinar algo. Na sequencia, os réus correram juntos e foram presos e devidamente
indicados pela vitima, que os reconheceu ali, na hora.
Esse reconhecimento é valido. É feito no momento do crime, na
rua, dentro de uma dinâmica da qual não se pode exigir que os policias efetuem um
reconhecimento nos termos propugnados pelo Código de Processo Penal.
Os policiais, de outra parte, devem que ser informados sobre a

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identificação dos agressores o que somente pode ser feito, via de regra, pela vitima. Caso
contrario seria impossível a prisão em flagrante de crimes não presenciados pelos agentes da lei.
A sociedade, as pessoas, o povo brasileiro não aguentam mais
tanta violência e leniência. O roubo na modalidade quebra-vidro é gravíssimo, causa danos
psicológicos, medo e deve ser encarado como uma grave ameaça a pessoa.
Os assaltantes dessa modalidade de crime em regra andam em
grupos. Se apoiam, combinam as ações, confundem e amedrontam ainda mais as vitimas. Essa
situação é notória e basta ter olhos para ver e ouvidos para escutar.

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No caso concreto, os réus estavam juntos na empreitada
criminosa, foram presos juntos, reconhecidos pela vitima minutos depois da prática delitiva e na
posse de um verdadeiro "kit" quebra vidros.
Quanto ao reconhecimento negativo de Guilherme, algumas
observações se fazem necessárias.
Com efeito, não é possível exigir-se das vítimas - pessoas que
passaram por uma situação de violência e estresse, causadora de muito nervosismo e medo-, que
elas guardem a fisionomia todos os seus agressores, de forma que sempre seja possível o
reconhecimento.
Algumas vezes, as vitimas de roubos e outras agressões
conseguem se recordar com facilidade, do rosto e das características físicas dos agentes. Outras
vezes não conseguem se lembrar de nada, principalmente em crimes cometidos por diversos
autores.
Além do estresse causado no psicológico das vítimas, o fator
tempo também é uma importante causa a ser considerada.
E quando falo em "tempo", não me refiro apenas ao tempo
decorrido entre o fato e o reconhecimento, mas, também, ao tempo que durou a agressão.
Existe ainda aquelas situações em que os agressores não
permitem que a vítima olhe para eles bem como situações em que eles se encontram de máscara
(COVID), capacete, capuz, óculos escuros.
Existem situações que a vitima é atacada por um grupo de
agressores, o que naturalmente é causa de uma grande dificuldade no momento do
reconhecimento em juízo, realizado algum tempo depois, geralmente com mudanças na
fisionomia do acusado.
Por fim, existem as situações em que a vitima não pode
reconhecer o agressor simplesmente porque veio a óbito.
Portanto, se o reconhecimento da vitima fosse absolutamente
necessário para se chegar a conclusão sobre autores de homicídios e latrocínios consumados, estes
crimes – os mais graves do Código Penal - seriam insolúveis e seus autores seriam eternamente
brindados com a impunidade.
Evidentemente que essa ideia é absurda.
Daí porque, uma sentença penal condenatória deve se basear em
elementos informativos constantes no inquérito policial bem como nas provas produzidas em
juízo, sob o crivo do contraditório, cuja análise racional a ser feita pelo Magistrado o conduz a
conclusão lógica da autoria e da materialidade do delito em julgamento.
E, no caso concreto, a prisão em flagrante dos acusados bem
como a apreensão de um "kit quebra vidro" em poder de ambos, o reconhecimento feito no local
dos fatos e na delegacia, a meu ver extreme de duvidas, aliados as declarações da vítima prestadas
em juízo no dia de hoje, as declarações dos policiais a confissão de Luiz Guilherme e a falta de
lastro das declarações de Guilherme autorizam o edito condenatório.

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Passo a transcrever o depoimento das vitimas e testemunhas,
vejamos.
MAURÍCIO, a vitima iniciou seu depoimento descrevendo os
seus agressores. Disse que foram quatro.
A pessoa que quebrou o vidro e pegou o celular era pardo, cabelo
meio comprido como rastafári, tatuagem perto do olho, em cima da sobrancelha, algo escrito.
Alto magro e jovem. Usava uma camiseta vermelha com um jacaré colorido no peito e calça
preta.

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Ele se juntou com uma segunda pessoa, alta, branca, cabelo
encaracolado, jovem, magro e com uma camiseta vermelha. Não se recorda se ele tinha tatuagem.
Teve condições de ver o rosto.
Um terceiro que também estava junto estava com uma camiseta
preta mas foi para o outro lado e não tem condições de descrição dele.
O quarto de camiseta branca.
Um deles estava com bermuda.
Durante o reconhecimento, reconheceu o numero 2 (Luiz
Guilherme) como sendo o que roubou seu celular sem sombra de duvidas. O outro não teve
condições de reconhecer.
Sobre os fatos, tem a dizer que estava indo trabalhar na parte da
manhã e quando parou no semáforo sentido Ipiranga, quase em frente eo TRT da 2ª Região.
Estava na faixa da direita, ao lado da calçada. Ao sair com o carro, sentiu o estouro do vidro e já
viu uma pessoa dentro do carro. Ele pegou o celular e saiu correndo. Tentou segurar e machucou
a mão. Ele correu em direção a um grupo e eram em 4. Eles se separaram e então seguiu o que
invadiu o carro que estava com seu comparsa e procurou a policia. Na sequencia identificou os
dois e dentro do carro localizou o imã utilizado para praticar o crime e estourar o vidro. Dali
foram a delegacia e fizeram o BO. Os estilhaços de vidro cortaram a sua mão. O que foi
reconhecido foi o que entrou pelo vidro. Ele correu em direção aos demais que estavam ha uns 4
passos de distância. Eles estavam juntos porque ele foi diretamente em direção a essas pessoas e
pareciam combinar algo. O celular não foi recuperado. Quando eles foram encontrados eram as
mesmas características. O outro era bem branco e não tinha tatuagem. Pode afirmar que no
momento da prisão eles apresentavam as mesmas características físicas dos que o roubaram.
Chegou a ouvir eles dizendo "não fui eu quem roubou seu celular não" ocorre que ninguém havia
dito que eles haviam roubado o celular. Ele quebrou o vidro e ficou em silencio. Ele estourou o
vidro. Estava com a mã na marcha e ao ouvir o barulho, parou o carro e acabou ferindo a mão no
vidro. A mão estava ferida e quem percebeu foi o policial que viu a mão sangrando. Um deles
estava ferido por causa dos vidro. Quando localizou os acusados, já havia dito a uma equipe que
havia sido roubado e a equipe o seguiu. No momento em que os viu, os policiais já desceram
armados. O vidro pegou na sua mão na hora que estourou. Além do objeto de fls. 113 que
reconhece como sendo um dos objetos que foram utilizado para quebrar o vidro, havia um imã.
Tentou impedir que ele pegasse o celular. Ele entrou olhando o declarante e pegou o celular.
Nos crimes contra o patrimônio, dentre eles o de roubo, as
declarações da vítima, quando firmes e harmônicas, têm relevante valor probatório. Se de um lado
o acusado tem razões óbvias para minimizar ou mesmo se eximir da responsabilidade criminal,
por outro o ofendido não tem motivos para prejudicar inocentes, a não ser que se apresente prova
concreta de sua suspeição, ônus do qual a defesa não se desincumbiu.
Confira-se:
[...] “Segundo entendimento reiterado neste Tribunal Superior,
nos crimes contra o patrimônio perpetrados na clandestinidade, sem a presença sensorial de

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terceiros, as declarações da vítima como espécie insculpida no art. 201 do Código de Processo
Penal e permeada pelo sistema do livre convencimento motivado -, quando ulteriormente
ratificadas em juízo e corroboradas, a exemplo, pela oitiva da autoridade policial, que, in casu,
confirmou ter a vítima reconhecido o Agente como sendo o autor do delito de estelionato, gozam
de destacado valor probatório, sobretudo quando evidenciam, com riqueza de detalhes, sem
contradições e em confronto com os demais elementos probatórios colhidos na instrução
processual, as circunstâncias em que realizada a empreitada criminosa, o que se harmoniza ao
caso em apreço”. [...] (STJ, AgRg no AREsp 1383364/DF, Relatora

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Além disso, suas declarações foram confirmadas pelos policiais
ouvidos no dia de hoje, vejamos:
FERNANDO, compromissado, declarou que no dia dos fatos
estava em patrulhamento com a outra policial quando foi acionada pela vitima com o vidro do
carro dianteiro [Link] disse que três o abordaram, estouraram o vidro e levaram o celular.
Nisso ele apontou os acusados que passavam pela Rio Branco. Desceu e foi em direção aos dois.
Realizaram a abordagem e com eles nada foi localizado. Com eles, em uma sacola de lixo foi
localizado um cachimbo, um estilingue e a metade de um imã. A sacola estava com Luiz
Guilherme. A vitima os reconheceu com certeza. Os dois foram conduzidos a delegacia.
Guilherme com uma camisa vermelha e Luiz não se recorda das vestes. Guilherme estava com os
pés feridos e acredita que foi por conta da fuga. A vitima estava com ferimentos na mão e foi
levada ao IML para exame. O celular não foi localizado. Eles, segundo a vitima, estavam em 3. O
estilingue, na ponta dele, tem um formato pontiagudo. O imã é pesado então é lançado contra o
vidro com o estilingue e caso não quebre o vidro o objeto pontiagudo e usado parara quebrar o
restante. Esclarece que não houve a comparação entre os imãs e não pode afirmar que o imã
encontrado com eles era metade do imã encontrado com a vitima.
Suas palavras foram confirmadas pela policial CAMILA que
também recordou-se dos fatos. Ela declarou ter sido acionada pela vitima de um roubo apelidado
de "quebra-vidro" que na sequencia já os apontou. O parceiro correu em direção a eles e eles
tentaram fugir. Eles negaram os fatos. No bolso de Guilherme encontraram uma vídia (fls. 114),
um imã e um cachimbo de crack pelo que se lembra. A vitima não teve duvidas de que eram eles.
A vitima estava com a mão machucada. Os dois estavam machucados, um na região do braço e
outro nos pés.
Como se percebe, além das declarações da vitima e dos policiais
quanto aos fatos e ao reconhecimento, os agentes da lei se recordaram que um deles estava com
os pés feridos, certamente em razão da fuga, provavelmente dos estilhaços.
E não existe demonstração probatória de qualquer interesse desses
policiais militares em prejudicar pessoas inocentes, não havendo daí motivo para que essa prova
seja desprezada.
Aliás, como qualquer outra testemunha, os policiais prestaram
compromisso de dizer a verdade e não viriam a Juízo para apresentar versão mendaz, apenas para
justificar a diligência que realizaram.
Não se pode, pois, desconsiderar a prova em questão por mera
presunção, sem demonstração de suspeita ou má-fé, ou prova concreta de que não corresponda à
verdade real dos fatos.
Nesse sentido: “O valor do depoimento testemunhal de servidores
policiais - especialmente quando prestado em juízo, sob a garantia do contraditório - reveste-se
de inquestionável eficácia probatória, não se podendo desqualificá-lo pelo só fato de emanar de
agentes estatais incumbidos, por dever de ofício, da repressão penal” (HC 73518 / SP, Relator(a):
Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 26/03/1996 Órgão Julgador: Primeira Turma).

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Ainda: “Os depoimentos de policiais devem ser cridos até prova
em contrário. Não teria sentido o Estado credenciar seus agentes para exercer serviço público de
repressão ao crime e garantir a segurança da sociedade e ao depois negar-lhe crédito quando
fosse dar conta de suas tarefas no exercício de funções precípuas.” (TJRJ AC Rel. Synésio de
Aquino RDTJR 7/287).
Como já era de se esperar, o corréu Luiz confessou parcialmente
o crime, já que reconhecido de forma categórica não poderia mesmo negar. Porém tentou, sem
sucesso, inocentar seu parceiro até mesmo em uma vã tentativa de derrubar a qualificadora

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atinente ao concurso de agentes.
Digo isso porque como já assentado nesta decisão a qualificadora
restou comprovada de forma que nessa parte as declarações de Luiz não serão aceitas.
Com efeito, LUIZ declarou que tem 21 anos de idade, fez em
março de 2023. Trabalha como catador de reciclagem. Morava com os pais e a avó. Não tem
filhos. Reconhece que praticou o crime mas não tinha estilingue. A vídia para foi encontrada com
o interrogando. No dia não usou a vídia. Usou apenas o imã. Não conhece Guilherme. Estavam
caminhando próximos, na mesma calçada. Não o conhece. Machucou o braço e a mão. Não sabe
se o outro rapaz estava ferido no pé. Já foi condenado por um outro furto mas saiu na custódia.
Foi condenado. Estava sozinho. Acredita que o outro rapaz se assustou ao perceber que a vitima
apontou os dois como autor do crime. O outro perguntou se tinha sido o declarante que praticou o
roubo e ele disse que sim e na sequencia os dois atravessaram a rua mas o outro tentou se afastar.
GUILHERME, por sua vez, negou. Ele declarou que tem 25
anos de idade. Estava trabalhando no CEAG de Guarulhos mas sem registro. Estava há um mês e
pouquinho. Entra as 6 da manhã e sai as 5 da tarde. Trabalhava de segunda a sexta. Nesse dia não
foi trabalhar porque começou a beber e usar droga. Tem familia e mora com mãe. Veio usar
drogas aqui em SP diante da facilidade de conseguir crack. Não conhece Luiz Guilherme. Nega o
roubo. Não viu e nem ouviu o barulho. Estava inda a Rio Branco. Nisso a vitima se direcionou
aos dois, ele e o acusado, dizendo que tínhamos roubado. Ficou sem entender e atravessou a rua.
O corréu veio atrás do depoente e os policiais vieram e fizeram a abordagem. Nisso os policiais
militares vieram na sequenncia e perguntou se havia praticado o crime. Não estava junto. Não era
o depoente quem correu com Luiz.
A negativa não se sustenta de forma alguma.
Além de ter sido reconhecido pela vitima no momento dos fatos,
ele tentou fugir ao perceber a aproximação dos policias. Não explicou o que estava fazendo
naquele local já que reside em Guarulhos. Naturalmente que se a ideia é comprar e usar
entorpecente, não precisava de deslocar de lá até São Paulo já que infelizmente em qualquer lugar
de São Paulo quiçá do Brasil, comprar droga é uma tarefa muito simples.
Assim, a condenação pelo roubo qualificado em relação a amos os
acusados é de rigor.
Passo a dosar as penas:

A) GUILHERME DE ANDRADE CARDOSO

O réu possui três condenações definitivas aptas a configurar


reincidência, oriundas da 7ª vara criminal da Capital (processo 1525020-45.2022.8.26.0228, com
trânsito em julgado pela defesa em 14/02/2023), da 3ª Vara Criminal da Capital (processo
1505560-72.2022.8.26.0228 – com trânsito em julgado para a defesa em 13/10/2022) e da 31ª
Vara criminal da Capital (processo 1508962-98.2021.8.26.0228, com trânsito em julgado para a
defesa em 14/06/2022), todos pela prática de furto.

1522518-02.2023.8.26.0228 - lauda 7
fls. 185

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Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 1522518-02.2023.8.26.0228 e código DJfVZ7ST.
Fixo a pena base em 1/5 acima da minima, na medida em que o
réu possui três condenações aptas a caracterizar a reincidência. Assim, nessa fase, considero.
Chego a 04 (quatro) anos, 09 (nove) meses e 18 (dezoito) dias de reclusão e pagamento de 12
(doze) dias-multa.
Em segunda fase nada a considerar, tendo em vista que pelos
critérios da proporcionalidade, todas as reincidências do acusado foram consideradas para majorar
a pena-base.
Em terceira fase, aumento a pena em 1/3 pois o roubo é

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MARGOT CHRYSOSTOMO CORREA, liberado nos autos em 06/02/2024 às 18:35 .
qualificado pelo concurso de agentes. Chego, assim, à pena definitiva de 06 (seis) anos, 04
(quatro) meses e 24 (vinte e quatro) dias de reclusão e pagamento de 16 (dezesseis) dias-
multa.

B) LUIZ GUILHERME AGUIAR DE SOUZA

Em primeira fase, fixo a pena base no mínimo. Isso porque,


embora tenha uma condenação que caracteriza maus antecedentes, confessou o crime. Assim, não
há que se aumentar a pena já que a confissão deverá ser considerada, em segunda fase, para
atenuar sua pena.
Em segunda fase, já considerei a confissão e mantive a básica em
seu mínimo, no caso, em 04 (quatro) anos de reclusão e 10 (dez) dez dias multa.
Em terceira fase, pelo concurso de agentes, aumento a pena em
1/3 e chego à pena de 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão e pagamento de 13
(treze) dias-multa, a qual torno definitiva na ausência de outras causas de aumento ou de
diminuição a serem considerar.

Tendo em vista a natureza do roubo, praticado com grave ameaça


à pessoa, exercida pelo concurso de agentes e utilização de arma de fogo, o que revela
periculosidade de seus executores, um multireincidente e outro com maus antecedentes por
crimes dolosos contra o patrimônio, para garantia da ordem pública os acusados não poderão
recorrer em liberdade, deverão ser recomendados na prisão em que se encontram e iniciar o
cumprimento da pena privativa de liberdade no REGIME FECHADO (art. 33, parágrafos 2º
"a"e 3º, do Código Penal).
E de regime mais brando não há que se falar, nos termos da r.
decisão proferida pelo i. Desembargador Luiz Soares de Mello, colacionada em apelação
Criminal nº 1.439-961-1, da E. 6ª Câmara do tribunal de Alçada Criminal, relator Maia da Cunha:
“Não é mais possível ignorar os traumatismos das grandes e pequenas cidades, do país inteiro,
enfim, com a onda nefasta de violência que assola nossa terra. Não é mais possível compactuar
com benesses indevidas, “data vênia”, com moderações impossibilitadas a quem não é e nem
pretende assim ser e nem foi, no caso com a sociedade onde vive e com os milhares de cidadãos
honrados deste país, que lutam e sofrem para sobreviver. Não é mais possível fechar os olhos
para o fato de que regime nenhum, senão o fechado, é que extirpa do convívio gente que não faz
por merecer este. Não é mais possível a qualquer, muito menos ao Judiciário, negar realidade
evidente, encarada e pendente, que é a quase falência de sistemas alternativos de cumprimento de
pena. Ou se encarcera o cidadão que merece ser encarcerado, tais aqueles que, como aqui,
praticam violência e esquecem-se de que vivem em coletividade, ou se joga por terra um dos
atributos mais marcantes do Judiciário, que também e obviamente é o de combater a
criminalidade. Que se faça até onde as mãos alcançam. E se o Judiciário pode fazê-lo, que o
faça, desde logo e de pronto, para que não seja posteriormente responsabilizados.” (Revisão

1522518-02.2023.8.26.0228 - lauda 8
fls. 186

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Criminal nº 461.926/2, São Paulo, VT9807).
Ante o exposto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a
presente ação penal que a Justiça Pública move contra:
1) e CONDENO o acusado GUILHERME DE ANDRADE
CARDOSO, RG 38.571.165, qualificado nos autos, como incurso no artigo o artigo 157, §2º,
inciso II, do Código Penal, à pena de 06 (seis) anos, 04 (quatro) meses e 24 (vinte e quatro)
dias de reclusão, em regime FECHADO, e pagamento de 16 (dezesseis) dias-multa, em seu
piso mínimo, afastando a majorante prevista no artigo 157, §2º, inciso VII, do Código Penal;

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por MARGOT CHRYSOSTOMO CORREA, liberado nos autos em 06/02/2024 às 18:35 .
2) e CONDENO o acusado LUIZ GUILHERME AGUIAR DE
SOUZA, RG 58.072.172, qualificado nos autos, como incurso no artigo o artigo 157, §2º, inciso
II, do Código Penal, à pena de 05 (cinco) anos e 04 (quatro) meses de reclusão, em regime
FECHADO, e pagamento de 13 (treze) dias-multa, em seu piso mínimo, afastando a
majorante prevista no artigo 157, §2º, inciso VII, do Código Penal.
Tendo em vista a natureza dos roubos, praticado com grave
ameaça à pessoa, exercida pelo concurso de agentes o que revela periculosidade de seus
executores, em cumprimento ao que prescreve o artigo 316, parágrafo único, do Código de
Processo Penal, reviso a necessidade da manutenção da prisão preventiva anteriormente decretada
em desfavor dos acusados.
Com efeito, os acusados foram denunciados e condenados pela
pratica de crime gravíssimo, e que vêm causando grande instabilidade social, motivo pelo qual
deve ser severamente reprimido.
A gravidade do crime é concreta assim como é concreta a
necessidade da manutenção dos acusados no cárcere pois a medida extrema encontra esteio
também na efetiva aplicação da lei penal e na manutenção da ordem pública, que precisa ser
preservada.
“No conceito da ordem pública, não se visa apenas prevenir a
reprodução de fatos criminosos, mas acautelar o meio social e a própria credibilidade da justiça
em face de gravidade do crime e de sua repercussão.” (Supremo Tribunal Federal, Min. Carlos
Madeira, RTJ 124/033).
Acrescente-se, ainda, que um dos acusados é multirreincidente e o
outro possui maus antecedentes, ambos pela prática de crimes dolosos contra o patrimônio.
Naturalmente que não têm condições de responder ao processo
em liberdade.
Assim, presentes os requisitos do artigo 312 do Código de
Processo Penal nego o recurso em liberdade, bem como mantenho a PRISÃO PREVENTIVA
decretada em desfavor dos acusados e determino sejam elem recomendados na prisão em que se
encontram.
A fixação de outras cautelares, neste caso concreto, não se
mostram suficientes.
Regularize-se a fila "acompanhamento de preventiva".
Cumpram-se as Normas de Serviço da Corregedoria-Geral da
Justiça do Estado de São Paulo. Transitada em julgado, determino as providências: 1) Em
observância ao item 22, “d”, do Capítulo V das Normas de Serviço da Corregedoria-Geral da
Justiça do Estado de São Paulo, comunique-se o desfecho da ação penal ao serviço distribuidor e
ao IIRGD; 2) Lance-se os nomes dos condenados no rol dos culpados, fazendo-se as anotações de
estilo, nos termos do art. 393, II, do CPP, c.c art. 5º, LVII, da Constituição Federal; 3) Comunique-
se ao Juízo Eleitoral para as providências cabíveis, tal qual consta do art. 15, III, da Constituição
Federal; 4) Extraia-se a guia de execução definitiva conforme art. 105 da Lei de Execução Penal;

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fls. 187

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ou a guia de execução provisória em caso de recurso.
Tendo em vista que os sentenciados foram assistidos pela
Defensoria Pública, fica suspensa a cobrança das custas equivalentes a 100 UFESP´S.
Sentença publicada em audiência.

DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006,


CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA

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