Luto
> Encontrar respostas com essas
> É uma realidade pela qual todos pessoas para diminuir ou colmatar o
passamos; sofrimento;
> Tema pouco abordado/debatido; > Incentivar a expressão de sentimentos;
> Morte é ainda um tabú; > Ajudar a família a estar com o doente
> Quando a morte se aproxima… como pessoa viva e não como se já
“(...) Torna-se, por isso, fundamental recuperar tivesse morrido;
o sentido da naturalidade da morte, voltar a > Estar presente sempre que necessário
encará-la como um processo inerente à e possível;
condição Humana e deixar de a pensar como > Ajudar a dizer “Adeus, Gosto de ti,
um acidente ou um acontecimento que podia Desculpa, Perdoo-te”;
ser evitado (...)” Pacheco (2000) > Sempre que possível prevenir
situações descompensação;
Quando falar da morte?
> Reforçar o Apoio à família durante a
agonia;
> Desde o início do internamento…. e não
apenas na fase agónica; > Prestar Apoio aquando da Morte.
> Falar da morte com a pessoa e com a No momento de morte
sua família;
> Como é que se introduz este tema na > Manter uma atitude calma e
relação terapêutica? tranquilizadora;
> Permitir à família a exteriorização dos
Intervenções
seus sentimentos;
> Acompanhar a pessoa e a sua família, > Reforçar positivamente os cuidados
demonstrando disponibilidade e prestados, evitando sentimentos de
abertura. culpabilização;
> Encorajar a partilha de pensamentos e > Mostrar disponibilidade;
sentimentos, reforçando/salientando a > Permitir à família participar nos
importância de o fazer. cuidados ao corpo;
> Validar os esforços de todos os > Dar espaço/tempo às despedidas.
envolvidos.
Após a morte
Cuidados/Avaliações
> A dor é real;
> Funcionamento da família; > Momento de grande impacto na família;
> Situações de doença e lutos anteriores; > Continuação da intervenção da equipa;
> Contexto e significado da doença; > Ajudar a integrar a morte no percurso
> O que é a morte para esta família? da vida;
> Recordações, significados e
Intervenções aprendizagens.
> Avaliar necessidades da pessoa/ O luto
família;
> Identificar sinais de sofrimento; O luto é um processo normal, que traz
benefícios quando é realizado
> Atualmente, a expressão de > Reorganizar a vida emocional, dirigindo
sentimentos é associada à fraqueza, a energia para outras atividades e
particularmente exteriorização de relações.
sentimentos de dor e de tristeza;
> Esta ideia socialmente partilhada tem
Tipos de luto
influência direta sobre os nossos
Luto preparatório: Ruminação sobre o
comportamentos, dificultando muitas
passado, “retirada” afetiva de familiares/
vezes a realização do luto;
amigos, tristeza, sofrimento, ansiedade.
> Luto em privado, sem partilha e sem
procura de ajuda, leva mais facilmente Luto antecipatório: Assunção do papel de
ao luto patológico. enlutado por parte dos familiares, amigos,
elaboração das mudanças emocionais
Apoio no luto associadas à morte previsível e iminente do
ente querido.
Processo/Fases do luto
Luto prematuro: Processo pelo qual os
I. Choque / Negação
familiares, amigos iniciam mudanças
II. Desorganização / Desespero
emocionais e sociais numa fase precoce face à
III. Reorganização / Recuperação
possibilidade de morte; processo que,
Critérios de adaptação normal: habitualmente, determina sentimentos de
culpa.
I. Grau e duração da atitude de negação
face à perda. Luto latente ou tardio: Reações muito tempo
II. Proporcionalidade e rigidez de após a perda e parte da consideração de que
sentimentos de culpa e irritabilidade. um processo de luto nunca termina por
III. Progressão da desvinculação completo, deixando sempre uma marca
progressiva e integração harmoniosa de indelével suscetível de ser reativada em
novos papéis e atividades de qualquer momento ou no contexto de perdas
redescoberta de significados pessoais, significativas.
sociais, transcendentais.
Identificar o luto patológico
(A partir de Twycross, 2003; Barbosa, 2010)
> Evitar participar em rituais ou
Comportamentos no luto
atividades relacionadas com a morte;
Sentimentos – Tristeza, solidão, saudade. > Realizar mudanças radicais no estilo de
vida, evitando amigos, familiares e/ou
Sensações físicas – Distúrbios do sono, do atividades associadas ao falecido;
apetite, outras queixas somáticas. > Apresentar comportamentos eufóricos
Pensamentos – Alucinações visuais e ou distantes, desadequados à realidade;
auditivas. > Recusar mexer e/ou despedir-se dos
bens materiais que pertenciam ao
Tarefas no luto falecido;
> Apresentar sintomas físicos
> Aceitar a perda. semelhantes aos do falecido, muitas
> Expressar e gerir sentimentos vezes associados a datas específicas;
associados à morte. > Desenvolver esperança irrealista,
> Adaptar-se à nova realidade, acreditando que o falecido vai voltar;
construindo estratégias que o permitam > Apresentar comportamentos como se o
falecido estivesse presente;
> Desenvolver fobias em relação à doença inseguro, tentativa de suicídio, acidentes
e à morte. sequenciais…).
Apoio no luto Luto indizível: Ausência de “permissão social”
para exprimir reações de perda
> Permitir a expressão de sentimentos e (homossexuais, companheiros anteriores,
emoções, validando os mesmos; amantes ilícitos, colaboradores de trabalho…);
> Ajudar a reconhecer a perda e a conduz frequentemente ao afastamento da
enfrentar as dificuldades que dela família e amigos, raiva, tristeza, isolamento.
resultam; “Não é o sofrimento que destrói o Homem. O
> Não esperar reações semelhantes em que o destrói é o sofrimento sem sentido.” (V.
pessoas diferentes; Frankl)
> Apresentar o que é esperado – piorar
antes de melhorar (atenção aos 3 Critérios do luto complicado
meses); Critérios Cognitivos
> Ajudar à formulação de novos projetos e
à reorganização das prioridades; > Idealização aspetos positivos;
> Ajudar às despedidas e ao encontro do > Recalcamento / dissociação;
conforto na nova situação; > Comportamento “seco”;
> Antecipar momentos complicados – > Medo de doença ou morte r/c objeto
associados a datas especiais. perdido.
Critérios Afetivos
Luto complicado
> Não consegue falar sem se emocionar
Luto traumático: exposição a acontecimento “saudades penosas”;
traumáticos; medo intenso, sentimento de falta
> Factos menores desencadeiam
de ajuda, horror.
expressões de luto;
Luto inibido (retardado, adiado, congelado): > Tristeza não justificada “ausência
quando o sofrimento suscitado pela perda amarga”;
ultrapassou as capacidades de elaboração; > Irritabilidade excessiva, amargura,
inibição das expressões de luto (pode hostilidade;
desencadear reações intensas, mesmo ao fim > Entorpecimento, atordoamento,
de alguns anos ou então reações distanciamento, falta de resposta
desproporcionadas ao grau da perda; ausência emocional prolongados.
de capacidade de falar sobre o falecido sem
expressões intensas de luto. Relação Critérios Existenciais / Espirituais
ambivalente com o “objeto” perdido – > Vida vazia, sem significado; ausência de
idealização). projeção;
Luto crónico (dependente): Processo de luto > Futilidade;
estático; manutenção de níveis de tristeza, > Desinteresse;
irritabilidade, culpa durante meses e anos; > Visão atormentada do mundo.
incapacidade de reinvestimento. Personalidade
dependente. Critérios Comportamentais
Luto exagerado: Comportamentos > Investimento desproporcionado em
autodestrutivos; recurso a estratégias atividades laborais;
adaptativas lesivas (álcool, drogas, sexo > Comportamentos autodestrutivos.
Critérios Sociais
> “Demasiado independente”;
> Evita/sabota relacionamentos;
> Incapacidade em confiar;
> Solidão, vazio;
> Dificuldade em imaginar vida plena;
> Sem falecido.