Aves
Aves
Algumas aves, tendo dominado o voo, usam esse pod er para cos que mantêm a estabilidade interna - , permitindo às aves evi-
fazer as longas migrações sazonais. O deslocamento entre regiões tar extremos climáticos.
de invemada ao sul e de reprodução ao norte, com longos dias O cenário migratório inspira admiração, e os mecanismos fisio-
de verão e abundância de insetos, provê os pais de grande quan- lógicos da migração sâo, igualmente, desafios aos pesquisadores.
tidade de alimento para criar seus filhotes. Predadores de aves O que determina o momento da migração e como cada ave estoca
são pouco abundantes no extremo norte, e o aparecimento breve, energia suficiente para essa jornada? Como se originaram as rotas
1 vez por ano, de aves jovens vulneráveis nâo favorece o desen- migratórias, muitas vezes difíceis, e quais estímulos as aves usam
volvim ento de populações de predadores. A migração também na navegação? Com o o instinto conduz as ondas migratórias, na
aumenta imensamente o espaço disponível para a procriação e primavera e no outono, levando com êxito a maioria das aves
reduz o comportamento territorial agressivo. Finalmente, a migra- para seus ninhos no norte, enquanto outras incontáveis falham
ção favorece a homeostase - o equilíbrio de processos fisiológi- e morrem, selecionadas por essa tarefa sempre desafiadora?
ntre os vertebrados, aqueles da classe Aves (L. pi. de avis, mente exigente. Uma ave deve, é claro, ter asas para sustentação
aves) são os mais notáveis, os mais melodiosos, e, segundo e propulsão. Os ossos devem ser leves e, ainda, servir como uma
alguns, os mais bonitos. Com mais de 9.700 espécies, rígida estrutura aérea. O sistema respiratório deve ser muito efi-
distribuídas em quase toda a Terra, as aves excedem muito em ciente para atender às intensas demandas metabólicas do voo e
número qualquer outro grupo de vertebrados, exceto os peixes. serve, também, com o um sistema termorregulador, para manter
As aves habitam florestas, desertos, montanhas, pradarias e todos a temperatura corpórea constante. Uma ave d eve ter um sistema
os oceanos. É sabido que quatro espécies visitam o Polo Norte digestivo adequado e eficiente para processar dietas ricas em
e uma, um mandrião, foi vista no Polo Sul. Algumas aves vivem energia; ela deve ter uma taxa metabólica alta e, ainda, um sis-
em total escuridão nas cavernas, encontrando seus caminhos por tema circulatório de alta pressão. Acima de tudo, as aves devem
ecolocalização, e outras mergulham a profundidades maiores que ter um sistema nervoso finamente sintonizado e os sentidos agu-
45 m para predar organismos aquáticos. O beija-flor-abelha de çados, especialmente, uma visão magnífica para orientar proble-
Cuba (Mellisuga helenaé), que pesa apenas 1,8 g, é um dos meno- mas complexos de voos precipitados de alta velocidade.
res vertebrados endotérmicos.
A única característica que distingue as aves dos outros animais
atuais são suas penas. Se um animal tem penas, ele é uma ave;
ORIGEM E RELAÇÕES
se nele nâo existem penas, nâo é uma ave. Todavia, notamos Há cerca de 147 milhões de anos, um animal voador submergiu
que penas nào foram tão diagnosticas no passado, pois alguns e depositou-se no fundo de uma lagoa marinha rasa, onde é hoje
dinossauros terópodes tiveram penas. a Baviera, na Alemanha. Ele foi rapidamente coberto por um lodo
Há uma grande uniformidade estrutural entre as aves. Apesar finíssimo e, consequentemente, fossilizado. Lá ele permaneceu
de cerca de 150 milhões de anos de evolução, durante os quais até 1861, quando foi descoberto por um trabalhador que lascava
elas proliferaram e se adaptaram a modos especializados de vida, ardósia em uma pedreira calcária. O fóssil tinha, aproximada-
nós nâo temos dificuldade para reconhecer uma ave atual como mente, o tamanho de um corvo, com um crânio semelhante ao
ave. Além das penas, todas as aves têm os membros anteriores das aves modernas, exceto quanto ao bico com pequenos den-
modificados em asas (embora nem sempre utilizadas para o voo); tes ósseos implantados em alvéolos como aqueles dos dinossau-
todas têm os membros posteriores adaptados para andar, nadar ros (Figura 27.1). O esqueleto era decididamente reptiliano, com
ou empoleirar-se; todas têm bicos córneos, sem dentes; e todas uma cauda óssea longa, dedos com garras e costelas abdominais.
põem ovos. A razâo para essa grande uniformidade estrutural e Ele poderia ter sido classificado com o um dinossauro terópode,
funcional é que as aves evoluíram como máquinas voadoras, o exceto p elo fato de possuir uma inconfundível impressão de
que restringe muito a diversidade morfológica. penas. Denominado Archaeopteryx lithographica (Gr., signifi-
Toda a anatomia das aves é delineada para o voo. A conquista cando “asa antiga inscrita sobre pedra”), o fóssil foi uma desco-
do ar para um vertebrado grande é um desafio evolutivo alta- berta valiosa especialmente porque o registro fóssil de aves era,
decepcionantemente, raro. O achado também foi dramático por- (2 ) Neognathae (Gr. neos, novo, + gnathos, maxila), todas as
que acarretou consideráveis dúvidas sobre as relações filogené- demais aves, quase todas voadoras que têm o esterno com quilha,
ticas entre as aves e os dinossauros terópodes. onde se fixam poderosas músculos de voo. Existem várias aves
Os zoólogos há muito tempo reconheciam similaridades entre neognatas que nào apresentam quilha no esterno (Figura 27.4). A
aves e répteis não aves. Os crânios de aves e répteis conectam- incapacidade de voar surgiu, independentemente, em muitos gru-
se com a primeira vértebra cervical por um simples côndilo occi- pos de aves; o registro fóssil revela corruíras, pombas, papagaios,
pital (pequena articulação óssea: mamiferos têm dois côndilos). grous, alcas, patos e até mesmo uma coruja, todos nâo voadores.
As aves e os demais répteis têm um único osso na orelha média, Pingüins são aves nâo voadoras, embora utilizem suas asas para
o estribo (mamiferos têm três ossos no orelha média). A mandi- “voar” na água (ver Figura 10.8). Geralmente, a incapacidade de
bula das aves e demais répteis é composta por cinco ou seis voar evoluiu em ilhas onde não existem grandes predadores ter-
ossos, enquanto a dos mamíferos tem apenas um osso mandibu- rícolas. As grandes paleognatas atuais (avestruz, ema, casuar, emu)
lar, o dentário. As aves e os demais répteis excretam seus resí- são aves nâo voadoras que vivem no solo e que podem correr
duos nitrogenadas na forma de ácido úrico, enquanto os mamí- rápido o suficiente para escapar de predadores. A avestruz pode
feros excretam os seus como ureia. As aves e os demais répteis alcançar velocidade de até 70 km (42 milhas) por hora e afirma-se
põem ovos semelhantes com muito vitelo, e o embrião desen- que foram observadas velocidades de 96 km (60 milhas) por hora.
volve-se, inicialmente, por clivagem superficial. A evolução e a geografia histórica das aves nâo voadoras são dis-
Um renomado zoólogo inglês, Thomas Henry Huxley, ficou tão cutidas nos Capítulos 6 e 37, respectivamente.
impressionado com essas e muitas outras afinidades anatômicas e
fisiológicas que chamou as aves de “répteis glorificados” e classi-
ficou-as em um grupo de dinossauras denominados terópodes (ver O corpo das aves não voadoras foi drasticamente redesenhado,
Capítulo 26), que exibiam muitas características semelhantes às das para remover todas as restrições ao voo. A quilha d o esterno e os
aves (Figuras 27.2 e 27.3). Os dinassauros terópodes compartilham pesados músculos de vo o foram perdidos (cerca de 17% do peso
muitos caracteres derivados com as aves, cujo mais óbvio deles é corpóreo das aves voadoras), além de desaparecerem outros
o pescoço alongado, móvel, em forma de “S”. mecanismos especializados para o voo. Pelo fato de a massa
As penas precederam ambos - as aves e o voo. Os dromeos- corpórea nâo ser uma restrição, as aves não voadoras tendem a se
sauros, um grupo de terópodes que inclui Velociraptor, compar- tornar grandes. Várias aves nâo voadoras extintas eram enormes:
tilham muitos caracteres derivados adicionais com aves, incluindo as moas gigantes da Nova Zelândia pesavam mais de 225 kg (500
a fúrcula (clavículas fusionadas) e os ossos lunares do punho, libras) e a ave-elefante de Madagascar, a maior ave que já existiu,
que permitem movimentos giratórios, posteriormente usados no pesava, provavelmente, perto de 450 kg (cerca de 1.000 libras) e
vo o (Figura 27.3). Evidência adicional, ligando aves aos drome- media, aproximadamente, 3 m de altura.
ossauros, veio de fósseis descritos recentemente e oriundos de
sedimentos do Jurássico Superior e Cretáceo Inferior da provín-
cia de Liaoning, China. Esses extraordinários dromeossauros fós-
seis incluem alguns com filamentos, com o Sinosauropteryx, e ADAPTAÇÕES ESTRUTURAIS E
alguns com penas, tais como Protarchaeopteryx e Caudipteryx.
Os filamentos sâo estruturas ocas, semelhantes ao estágio inicial
FUNCIONAIS PARA O VOO
do desenvolvimento das penas. Todavia, esses dromeossauros, Assim com o uma aeronave d eve ser projetada e construída de
mesmo emplumados, nâo podiam voar, pois eles tinham mem- acordo com rígidas especificações aerodinâmicas para voar, as
bros anteriores curtos e as penas com vexilos simétricos (as penas aves também devem satisfazer requisitos estruturais precisos se
de vo o das aves modernas voadoras sâo assimétricas). Assim, elas sâo destinadas a permanecer no ar. A maioria das adapta-
esses filamentos e penas primitivos devem ter tido diferentes ções para o v o o contribui para mais potência ou menos peso. O
finalidades, talvez para prover termorregulaçâo ou camuflagem, vo o tomou-se possível para os humanos quando eles desenvol-
ou usados em exibições para a corte. Dromeossauros mais deri- veram uma máquina de combustão interna e aprenderam com o
vados, tais como o arborícola Microraptor, provavelmente usa- reduzir, a um ponto crítico, a relação peso/potência. As aves con-
vam suas penas para planar ou controlar saltos nas árvores. Mais quistaram o vo o milhões de anos atrás. A o contrário dos aviões,
tarde, as penas passaram por exaptação (Capítulo 6) para o voo as aves devem se alimentar e converter o alimento em energia
batido. Os fósseis da Espanha e da Argentina, que representam metabólica, escapar de predadores, reparar suas próprias lesões,
aves mais derivadas que Archaeopteryx, documentam o desen- manter a temperatura corpórea e se reproduzir.
volvim ento da quilha do esterno e da álula, a perda dos dentes
e a fusão de ossos característica das aves modernas. Evidente-
mente, uma abordagem filogenética da classificação agruparia Penas
aves com dinossauros terópodes. Desse ponto de vista, os dinos- As penas sâo muito leves, porém apresentam extraordinária resis-
sauros nâo estâo extintos - eles estâo conosco hoje com o aves! tência e elasticidade. As mais típicas sâo as penas de contorno
As aves atuais (Neornithes) são divididas em dois grupos: (1) (ou cobertura), penas com vexilos que recobrem e dâo forma
Paleognathae (Gr. palaios, antigo, + gnathos, maxila), as grandes aerodinâmica ao corpo da ave. A pena de contorno consiste em
aves não voadoras similares aos avestruzes e kiwis, frequentemente um eixo oco, ou cálamo, que emerge de um folículo da pele,
chamadas de aves ratitas, as quais têm o esterno achatado com e uma haste, ou raque, que é continuação d o cálamo e sustenta
músculos peitorais pouco desenvolvidos, além dos tinamídeos, e numerosas barbas (Figura 27.5). As barbas são arranjadas de
Sinosauropteryx^ (como Veioaraptor) Protarchaeopteryx^ Archaeopteryxf
1. Corpo em geral fusiforme, com quatro divisões: cabeça,
pescoço, tronco e cauda; pescoço alongado em forma
de S
2. Membros anteriores modificados em asas; os posteriores
sào adaptados para empoleirar, andar ou nadar; pés com
quatro artelhos (2 ou 3 artelhos em algumas)
3. Epiderme recoberta de penas e escamas nas pernas;
tegumento delgado com epiderme e derme; ausência de
glândulas sudoríparas; glândula de óleo ou uropigial na base
da cauda; pina do ouvido rudimentar
4. Esqueleto completamente ossificado com cavidades
aéreas; ossos do crânio fusionados, com um côndilo
occipital; crânio diápsido com fenestra anteorbital; cada
maxila coberta por uma camada córnea formando o bico;
sem dentes; costelas com processos uncinados reforçados;
cauda curta, paite das vértebras caudais reduzidas ao
pigóstilo; esterno, em geral, bem desenvolvido com quilha;
maneira paralela e muito próximas, expandidas diagonalmente apenas um osso na orelha média
para o lado de fora de ambos os lados da haste central, formando 5. Sistema nervoso bem desenvolvido, com 12 pares de nervos
uma superfície plana, expandida e entrelaçada, o v e x llo . Podem cranianos e encéfalo com cerebelo e lobos ópticos
existir várias centenas de barbas em um vexilo. grandes
6. Sistema circulatório com coração de quatro câmaras, com
Quando uma pena é examinada ao microscópio, cada barba
dois átrios e dois ventrículos; circuitos pulmonares e
parece ser uma réplica em miniatura de uma pena, com nume-
sistêmico separados: persistência do arco aórtico
rosos filamentos paralelos, denominados bárbulas, que se dis-
direito; eritrócitos nucleados
tribuem lateralmente em cada lado da barba. Podem existir 600 7. Endotérmicas
bárbulas de cada lado de uma barba, somando mais de 1 milhão 8. Respiração por pulmões levemente expansíveis
de bárbulas por pena. As bárbulas de uma barba sobrepõem-se (parabrônqulos), com sacos aéreos delgados entre os
às bárbulas da barba vizinha, em um padrão de zigue-zague, óigàos viscerais e o esqueleto; siringe (caixa vocal)
mantendo-se juntas com grande tenacidade por minúsculos gan- próxima à junção da traqueia com os brônquios
chos. É necessária uma força considerável para separar duas bar- 9. Sistema excretor com rim metanéfrico; ureteres abrem-se na
bas adjacentes e desassociar os vexilos. Elas são, instantanea- cloaca; não há bexiga urinária; urina semissólida; ácido
mente, entrelaçadas outra vez passando-se a ponta dos dedos úrico principal excreta nitrogenado
10. Sexos separados; testículos pares, com um canal deferente
pela pena. As aves, é claro, fazem esse alisamento com o bico,
que se abre na cloaca; fêmeas apenas com ovário e
e muitas delas ocupam muito de seu tempo para manter as penas
oviduto esquerdo funcionais; órgão copulador (falo) em
em perfeita condição.
patos, gansos, paleognatas e em algumas outras aves
11. Fertilização interna; ovos amnióticos com cascas calcárias
Tipos de Penas duras e multo vitelo; incubação externa; jovens ativos
após a eclosão (precoce) ou sem penas e desprotegidos
Diferentes tipos de penas das aves cumprem funções distintas. As
(altricial); determinação sexual por cromossomos (fêmeas
penas de contorno (Figura 27.5E) dâo à ave sua forma extema, heterogaméticas)
e já descrevemos esse tipo de pena. As penas de contorno que se
projetam além do corpo e sâo utilizadas no voo denominam-se
penas de voo. As filoplumas (Figura 27.5G) são penas “degene-
radas” similares a pelos; cada uma tem uma raque delgada com
um tufo de barbas curtas na extremidade. Elas são os “pelos” de
uma ave depenada e nâo têm função conhecida. As cerdas ao Origem e Desenvolvimento
redor do bico de tiranídeos e curiangos sâo, provavelmente, filo- Assim como as escamas dos répteis, às quais sâo homólogas, as
plumas modificadas. As plumas (Figura 27.5H) sâo tufos macias, penas desenvolvem-se de uma elevação epidérmica que recobre
sem raque conspícua, escondidas sob as penas de contorno. Elas um centro dérmico nutritivo (Figura 27.5A). Entretanto, em vez
são macias devido à ausência de ganchos em suas bárbulas. Elas de ocorrer o achatamento, como na escama, o botão germinativo
são abundantes, sobretudo no peito e n o abdome das aves aquá- da pena enrola-se em um cilindro oco e penetra, parcialmente,
ticas e em jovens de codornas e tetraonideos, funcionando, prin- no folículo a partir do qual ele está crescendo. O cilindro oco
cipalmente, para conservar o calor. Um quarto tipo de pena alta- tem duas camadas epidérmicas: uma extema, que forma a bai-
mente modificado, a pena de pó, caracteriza garças, socós, gavi- nha protetora, e outra interna, que forma uma crista destinada a
ões e papagaios; as suas extremidades desintegram-se quando tornar-se a raque e as barbas. Conforme a pena aumenta e seu
crescem, liberando um p ó semelhante a talco que auxilia as penas crescimento aproxima-se do final, raque e barbas moles sâo trans-
a tomarem-se à prova d’água, dando-lhes um aspecto metálico. formadas em estruturas duras pelo depósito de queratina. A bai-
nha de proteção rompe-se, permitindo que a extremidade apical
da pena projete-se e que as barbas se desenrolem.
Muda
A pena é uma estrutura morta após seu desenvolvimento com-
pleto, assim como o pelo dos mamíferos. A troca, ou muda, das
penas é um processo altamente ordenado. Exceto nos pingüins,
cuja muda é simultânea, as penas são descartadas gradualmente
para evitar o aparecimento de áreas nuas. As penas de vo o das
asas e da cauda sâo perdidas aos pares, uma de cada lado, para
que o equilíbrio seja mantido (Figura 27.6). As penas substituídas
emergem antes que o próximo par seja perdido e, assim, a maio-
ria das aves pode voar durante o período de muda. Entretanto,
muitas aves aquáticas (patos, gansos, gávias e outras) perdem
todas as suas penas (rêm iges) primárias ao mesmo tempo e ficam
incapazes de voar durante o período de muda. Muitas aves pre- Em Archaeopteryx, as duas maxilas apresentavam dentes
param-se para a muda, deslocando-se para corpos d’água isola- implantados em alvéolos, uma característica dos arcossauros. As
dos onde podem encontrar alimento e escapar, mais facilmente, aves modernas são completamente desprovidas de dentes; ao
de inimigos. Em linhas gerais, todas as aves passam pelo pro- contrário, têm um bico córneo (queratinizado) moldado ao redor
cesso de muda, no mínimo 1 vez por ano, normalmente no final dos ossos das maxilas. A mandíbula é um com plexo de vários
do verão após a estação de nidificação. ossos articulados para, em algumas aves, proporcionar a açâo da
dupla articulação que permite à boca abrir-se amplamente. A
maioria das aves tem crânio cinético (os crânios cinéticos dos
A cor viva das penas é de dois tipos: pigmentar e estrutural. Penas lagartos foram descritos n o Capítulo 26), com uma articulação
vermelhas, laranja e amarelas sào coloridas por pigmentos, móvel entre a maxila superior e o crânio.
denominados lipocromos, depositados nas bárbulas das penas A característica mais distinta da coluna vertebral é sua rigidez.
enquanto elas estão sendo formadas. As cores preta, marrom, A maioria das vértebras, exceto as cervicals (vértebras do pes-
marrom-avermelhada e cinza sào de um pigmento diferente, a coço), fusiona-se. A maioria das caudais é fusionada em um
melanina. As penas azuis de gralhas, Passerina cyanea, e irenídeos plgóstllo (ver Figura 27.7A), enquanto muitas das vértebras rema-
nào dependem de pigmento, mas da dispersão de comprimentos nescentes do tronco fundem-se ao sínsacro. Essas vértebras
mais curtos de ondas de luz, por partículas no interior das penas; fusionadas com a cintura pélvica formam uma estrutura firme,
estas sào cores estruturais. As penas azuis sào forradas, porém leve, para sustentar as pernas e proporcionar rigidez para
normalmente, por melanina que absorve certos comprimentos de o voo. Para auxiliar nessa rigidez, as costelas sâo apoiadas umas
onda, intensificando, assim, o azul. Tais penas parecem as mesmas às outras com processos uncinados (ver Figura 27.7A). Exceto
de qualquer ângulo de visão. As cores verdes sào, normalmente, nas aves nâo voadoras, o esterno ostenta uma quilha grande e
uma combinação de pigmento amarelo com a cor azul estrutural. delgada, denominada carena, que possibilita a fixação para os
Outro tipo de cor estrutural é a linda cor iridescente de muitas músculos de vo o potentes. As clavículas fusionadas formam uma
aves, que alcança desde vermelho, laranja, cobre e ouro até verde, furcula elástica, que aparentemente estoca eneigia quando ela
azul e violeta. A cor iridescente é baseada na interferência de se curva durante as batidas das asas. O exame da anatomia de
algumas ondas luminosas sobre outras, que as reforçam, Archaeopteryx permite alguma ideia quanto a suas habilidades
enfraquecem ou eliminam. Cores iridescentes podem mudar de de voo. As penas assimétricas e a fúrcula grande de Archaeop-
acordo com o ângulo de observação; o quetzal, por exemplo, teryx, junto à anatomia d o encéfalo e da orelha interna, sugerem
parece azul a partir de um ângulo e verde a partir de outro. Entre que ele tinha habilidades de voo. Todavia, ele teria sido um v oa-
os vertebrados, apenas os peixes tropicais de recifes podem dor ineficaz, pois seu esterno pequeno oferecia pouca área para
competir com as aves em termos de brilho e intensidade das cores. a fixação dos músculos de voo (Figura 27.713).
Os ossos das membros anteriores são altamente modificados
para o voo. Eles são reduzidos em número e muitos sâo fusio-
nados. Apesar dessas alterações, a asa das aves é claramente um
Esqueleto
rearranjo do membro de um vertebrado tetrápode, do qual ela
O principal requisito estrutural para o vo o é a leveza do esqueleto, se originou (ver Figura 25.2), e todos os elementos - braço, ante-
mesmo sendo ele robusto (Figura 27.7A). Quando comparado com braço, pulso e dedos - estâo representados de uma forma modi-
a mais primitiva ave conhecida, Archaeopteryx (Figura 27.7B), as ficada (ver Figura 27.7).
ossos das aves modernas são extraordinariamente leves, delicadas
e entremeados por cavidades aéreas. Todavia, tais assos pn eu m á-
tico s (Figura 27.8) sâo resistentes. O esqueleto de uma fragata, Sistema Muscular
com 2,1 m (7 pés) de envergadura, pesa apenas 114 g (4 onças), Os músculos locomotores das asas são relativamente robustas para
ou seja, menos que o peso de todas as suas penas. suprir as demandas do voo. O maior é o peitoral, que abaixa as
Com o os arcossauros, as aves evoluíram de ancestrais com asas durante o voo. Seu antagonista é o músculo supracoracói-
crânios diápsidos (Capítulo 26). Entretanto, os crânios das aves deo, que eleva a asa (Figura 27.9). Surpreendentemente, este último
modernas são tão especializados que é difícil observar qualquer músculo nâo se localiza na coluna vertebral (qualquer pessoa que
traço da condição diápsida original. O crânio das aves é construído já comeu a parte posterior de uma galinha sabe que ela oferece
levemente e, na maioria das vezes, fusionado em uma só peça. pouca carne), mas sim sob os músculos peitorais. Ele é ligado por
A caixa craniana e as órbitas sâo amplas para acomodar um encé- um tendão à porção superior do úmero e puxa a asa para cima
falo saliente e olhos grandes, necessários para uma coordenação por um engenhoso sistema de “corda e roldana”. Os dois músculos,
motora rápida e uma visão superior. Já o crânio de um pombo peitoral e supracoracóideo, ancoram-se (originam-se) na quilha do
pesa apenas 0,21% de sua massa corpórea; em comparação, o esterno. A estabilidade aerodinâmica é aperfeiçoada com a prin-
crânio de um rato pesa 1,25% de sua massa corpórea. Entretanto, cipal massa muscular situada abaixo no corpo.
o esqueleto total de uma ave nâo é mais leve do que aquele de Na perna, a principal massa muscular localiza-se na coxa e os
um mamífero de tamanho similar. A diferença está na distribui- tendões finas, porém fortes, estendem-se para baixo por uma bai-
ção da massa: enquanto o crânio e os ossos pneumáticos das nha, semelhante a luva, até os artelhos. Consequentemente, as pés
asas sâo especialmente leves, os ossos das pernas sâo mais pesa- sâo quase destituídos de músculos, explicando a aparência fina e
dos do que os dos mamíferos. Isto desloca o centro de gravidade delicada das pernas das aves. Esse arranjo coloca a principal massa
das aves, o que aumenta a estabilidade aerodinâmica. muscular próxima ao centro de gravidade das aves e, ao mesmo
tempo, permite grande agilidade para os pés esbeltos e leves. Os
pés são altamente resistentes ao congelamento, devido ao fato de
serem compostos, predominantemente, por ossos, tendões e pele quando adormecida. O mesmo mecanismo faz, automaticamente,
resistente com escamas. Quando uma ave empoleira-se em um com que as garras de um gavião ou de uma coruja penetrem pro-
ramo, é ativado um engenhoso mecanismo de fechamento dos fundamente em suas presas, quando flexionam as pernas sob o
artelhos (Figura 27.10), o que evita que a ave caia do seu poleiro impacto do choque. O ato possante de agarrar de uma ave de
rapina foi descrito por L. Brown.1
A
Os experim entos dos o rnitólogos alemães G. Kramer e E. Sauer
e d o am ericano S. Emlen dem onstraram, con vin cen tem en te , q u e
as aves p o d em navega r p o r orientação celestial: o sol durante o
dia e as estrelas à n oite. Kramer, u tiliza n do g a io las circulares
especiais, concluiu q u e as aves man têm a orienta ção da bússola
dirigin d o-se para o sol (Figura 27.21). Esta é chamada o r ie n t a -
ç ã o a z im u t e s o la r ( a z im u te , bússola orientada para o so l). Para
usar o sol c o m o bússola, as aves d e ve m c on he ce r a hora d o dia,
p o rq u e a p os ição d o sol m uda a o lo n g o d o dia. Ex p on d o as aves
a ciclos d e luz alterados, para modificar sua p e rce p ç ã o da aurora,
os pesquisadores dem onstraram qu e as aves, d e alguma maneira,
utilizam um r eló g io interno. Os expe rim entos planetários e n g e -
nhosos d e Sauer e Em len sugerem fortem en te qu e algum as aves,
pr ovav elm e n te muitas, p o d e m detectar e na vega r p e lo eix o da
Estrela Polar, ao re d o r da qual as con stela çõe s p arec em girar.
o registro da direçào em que elas tentavam migrar. As aves que fia m a com preensã o. A m aioria das aves, sem dúvida, utiliza uma
tinham visto apenas pontos de luz durante seu desenvolvimento, com b inação d e palpites am bientais e inatos para migrar. A m igra-
sem rotação do céu, nào mostraram habilidade para detectar a ção é uma tarefa rigorosa. O a lvo é, muitas veze s, p e q u e n o e a
direção e moveram-se aleatoriamente. As aves que se desenvolve- se le ção natural inexorav elm en te elim ina os indivídu os q u e c o m e-
ram vendo o céu normal girando ao redor da Estrela Polar tem erros durante a m igração, le va n do apenas os m elhores n av e-
orientaram-se corretamente para a migração; e o grupo que gad or es a p rop agar a esp écie.
Sistema Reprodutor
Durante a maior parte do ano, os testículos dos machos sâo cor-
pos minúsculos em forma de feijão. Durante a estação reprodu-
tiva, eles se tornam muito maiores, cerca de 300 vezes em rela-
ção à estação nâo reprodutiva. Já que os machos da maioria das
espécies não têm falo, a cópula ocorre justapondo as superfícies
cloacais em contato, normalmente enquanto o macho coloca-se
no dorso da fêmea (Figura 27.24). Alguns andorinhões e gaviões
copulam durante o voo.
Nas fêmeas da maioria das aves, desenvolvem-se apenas ová-
rio e oviduto esquerdos. Aqueles do lado direito reduzem-se
a estruturas vestigiais (Figura 27.25). Os óvulos liberados pelo
As aves terrestres, com algumas exceções conspícuas, tais como
ovário sâo conduzidos até a porção final expandida do oviduto,
estorninhos e corvos, tendem a ser menos gregárias que as aves
o infundíbulo. A fertilização ocorre na parte superior do oviduto.
marinhas durante a procriaçâo e procuram isolamento para criar
Várias horas depois, enquanto os ovas estâo passando pelo o vi-
a prole. Mas, espécies que se separam de seus coespecificos,
duto, a albumina, ou clara do ovo, proveniente de glândulas
durante a reprodução, podem se agregar para a migração ou ali-
especiais, é adicionada a eles; mais adiante no oviduto sâo tam-
mentação. A união oferece vantagens: proteção mútua contra
bém secretados sobre os ovos a membrana da casca, a casca e
inimigos, maior facilidade de encontrar parceiros, menor opor- os pigmentos da casca. O esperma permanece vivo no oviduto
tunidade de uma ave desviar-se durante a migração, e as massas da fêmea por muitos dias após um único acasalamento. Os ovos
aglomeradas oferecem proteção contra temperaturas noturnas
de galinha mostram boa fertilidade durante 5 ou 6 dias após o
baixas durante a migração. Certas espécies, tais com o pelicanos acasalamento, mas depois a fertilidade cai rapidamente. Contudo,
(Figura 27.23), podem usar um comportamento cooperativo para ocasionalmente, os ovos podem ser férteis até 30 dias após a
se alimentar. Em nenhum m omento as interações sociais bem galinha separar-se d o galo.
Sistemas de Acasalamento
Os dois tipos mais comuns de sistemas de acasalamento nos ani-
mais sâo monogamla, no qual os indivíduos têm apenas um
27.23
Embora a maioria das aves tenha sistema de acasalamento
monogâmico, cada membro do casal pode também acasalar com
um indivíduo que nâo é o parceiro. Análises recentes de D N A
mostraram que a maioria das espécies de pássaros é “infiel” e,
frequentemente, envolvida em cópulas extraconjugais. Como
resultado, os ninhos de muitas dessas espécies monogâmicas
contêm uma proporção considerável (30% ou mais) de filhotes
com outros pais além do macho acompanhante. Por que os indi-
víduos se envolvem em cópulas extraconjugais? A aptidão darwi-
niana dos filhotes pode ser melhorada pelo acasalamento com
um indivíduo de melhor qualidade genética. Também, acasalar
com múltiplos parceiras aumenta a variabilidade genética da des-
cendência. Um macho p od e gerar mais filhotes com parceiras
adicionais, e o parceiro da fêmea extraconjugal, com a qual ele
se acasalou, provê cuidado parental para sua prole.
A forma mais comum de poligamia nas aves, quando ela ocorre,
é a poliginia ( “muitas fêmeas”), na qual um macho acasala-se
com mais de uma fêmea. Em muitas espécies de tetraonídeos, os
machos reúnem-se em um terreno de exibição coletiva, a arena
(f eé ), que é dividido em territórios individuais, cada um defen-
dido vigorosamente por um macho em exibição (Figura 27.26).
Nâo há nada de valor para a fêmea na arena, exceto o macho, e
tudo que ele pode lhe oferecer sâo seus genes, já que apenas as
fêmeas cuidam dos filhotes. Em geral, na arena há um macho
dominante e muitas outros subordinados. A competição entre os
machos por fêmeas é intensa, mas elas parecem escolher o domi-
nante para o acasalamento porque, presumivelmente, o status
social correlaciona-se com a qualidade genética.
27.25
A pollandrla ( “muitos machos”), na qual a fêmea acasala-se
com vários machos e o macho incuba os ovos, é relativamente
rara em aves. Ela é praticada por várias espécies de aves limico-
las, incluindo o maçarico-pintado, Actitis macularia. A fêmea
desse maçarico defen d e o território e acasala-se com vários
parceiro, e poligamia, no qual os indivíduos têm mais de um machos, que incubam os ovos no território da fêmea e fornecem
parceiro durante o período reprodutivo. A monogamia é rara na a maior parte do cuidado parental. Essa estratégia reprodutiva
maioria dos grupos animais, porém comum nas aves: mais de nâo usual e o agrupamento de indivíduos p od e ser uma resposta
90% delas são monogâmicas. Em poucas espécies de aves, tais à alta predaçâo de ninhos de maçarico-pintado.
com o cisnes e gansos, os parceiros sâo escolhidos para a vida
toda e, frequentemente, permanecem juntos ao longo do ano. A
monogamia sazonal é mais comum, tanto que a grande maioria
das aves migratórias pareia durante a estação reprodutiva, vivendo
independentemente o resto do ano e, talvez, escolha um parceiro
diferente na próxima estação reprodutiva.
Uma razão para que a monogamia seja muito mais comum
entre as aves do que entre os mamíferos é que tanto o macho
com o a fêmea são, igualmente, competentes na maioria dos aspec-
tos do cuidado parental. Os mamíferos machos nâo geram e nâo
amamentam as filhotes, podendo prover pouca ajuda em cuida-
dos com os filhotes. A fêmea e o macho d e aves podem alternar
cuidados com o ninho e o filhote, o que permite a um dos pais
estar no ninho o tem po todo. Para muitas espécies, a fêmea per-
manece no ninho todo o tempo p or meses, e é alimentada pelo
macho. Essa atenção constante com o ninho pode ser particular-
mente importante para espécies que sofreriam alta perda de ovos
ou filhotes, para predadores ou aves rivais, se o ninho fosse dei-
xado desprotegido. Em muitas espécies de aves, as altas exigên-
cias para o macho cuidar dos filhotes, ou de sua parceira, impe-
dem o estabelecimento de ninhos com fêmeas suplementares.
Nidificação e Cuidado com os Filhotes
Para criar a prole, quase todas as aves põem ovos que devem ser
incubados por um ou ambos os pais. A maioria das obrigações
da incubação recai sobre as fêmeas, embora, em muitos casos,
ambos os pais compartilhem a tarefa e, ocasionalmente, apenas
o macho incube os ovos.
A maioria das aves constrói alguma forma de ninho, no qual
cria seus filhotes. Algumas aves simplesmente põem seus ovos
em solos descobertos ou rochas. Outras constroem ninhos ela-
borados, tais com o os ninhos pendentes construídos pelos icte-
rídeos, os ninhos delicados feitos de barro e recobertos por
liquens das beija-flores (Figura 27.27) e tiranídeos, os ninhos de
barro em forma de chaminé das andorinhas (Petrochelidon spp.)
e os ninhos flutuantes dos meigulhões (Podiceps griseigend). A
maioria das aves esforça-se, consideravelmente, para esconder
seus ninhos dos inimigos. Pica-paus, chapins, irenídeos e muitos
outros colocam seus ninhos em buracos de árvores ou outras
cavidades; martins-pescadores escavam túneis nas margens de
rios para seus ninhos; e aves de rapina os constroem no alto, em após a eclosão, ainda é alimentada e protegida contra predado-
árvores imponentes ou penhascos inacessíveis. Os parasitos de res pelos pais por algum tempo. Os ninhegos altriciaís, que nas-
ninhos, tais com o chupins e cucos europeus, não constroem cem nus e incapazes de ver ou andar, permanecem no ninho por
ninhos, mas simplesmente p õem seus ovos naqueles de aves 1 semana ou mais. Os pais de espécies altriciais devem carregar
menores que eles próprios. Quando os ovos eclodem, os pais alimento para seus filhotes quase que constantemente, pois aves
adotivos cuidam dos filhotes, chupins ou cucos, que competem jovens podem comer mais que seu próprio peso cada dia. Mui-
com os do próprio hospedeiro. tas aves nâo sâo facilmente classificadas com o precoces ou altri-
O estado d e desenvolvimento da ave recém-eclodida varia ciais, pois seus ninhegos sâo intermediários ao nascer. Por exem-
entre as espécies. O filhote precoce, tal com o o de codoma, plo, gaivotas e trinta-réis nascem cobertos com plumas de recém-
galinha, pato e da maioria das aves aquáticas, é recoberto com nascidos e olhos abertos, mas sâo incapazes de deixar o ninho
plumas do recém-nascido quando eclode e pode correr ou nadar, por algum tempo.
tão lo go sua plumagem esteja seca (Figura 27.28). As aves mais Embora possa parecer que o filhote precoce tenha todas as
precoces sâo as Megapodiidae da Austrália, que incubam ovos vantagens, com sua maior habilidade de encontrar alimento e
em enormes montes de areia e vegetação, com o os crocodilos. para escapar de predadores, as aves altriciais têm algumas van-
Seus filhotes podem voar apás a eclosão. Todavia, a maioria dos tagens próprias. Pelo fato de as aves altriciais porem ovos relati-
filhotes precoces, mesmo aqueles capazes de deixar o ninho logo vamente pequenos, com suprimento mínimo de vitelo, a mãe
tem, relativamente, m enor investimento em seus ovos e pode
facilmente substituir aqueles perdidos por predação ou condições
climáticas extremas. O filhote altricial também cresce mais rápido,
talvez devido ao crescimento potencialmente mais elevado de
tecidos imaturos.
POPULAÇÕES DE AVES E
SUA CONSERVAÇÃO
As populações de aves, como aquelas de outros grupos animais,
variam em tamanho de ano para ano. As corujas-das-neves (Nyctea
scandiacà), por exemplo, estâo sujeitas a ciclos populacionais que
estão estreitamente relacionados com ciclos de oferta de alimento,
principalmente de roedores. Os camundongos silvestres, camun-
dongos e lêmingues no norte têm ciclos de abundância, regular-
mente, de 4 anas. Nesses picos, as populações de predadores, tais
com o raposas, doninhas e gaviões, além de corujas-das-neves,
aumentam porque existe abundância de alimento para criar seus
filhotes. Após o declínio da população de roedores, as corujas-das-
neves deslocam-se para o sul, à procura de suprimento alimentar
alternativo. Elas, ocasionalmente, aparecem em grande número no
Sul do Canadá e Norte dos EUA, onde sua total falta de medo das
seres humanas torna-as alvas fáceis para caçadores.
desde 1681, após o desaparecimento do último dodô. A maioria
foi vítima de mudanças em seus habitats ou com petição com
espécies introduzidas. A sobrecaça contribuiu para a extinção de
algumas espécies, entre elas os pombos-passageiros ( Ectopistes
migratorius.), que, há pouco mais de 1 século, escureciam os céus
sobre a América do Norte em números inacreditáveis, estimados
em bilhões (Figura 27.30).
Atualmente, a caça esportiva de aves é um recurso renovável
e bem-gerenciado nos EUA e Canadá; enquanto caçadores matam
milhões de aves de caça por ano, nenhuma das espécies caçadas
legalmente está ameaçada. As atrações da caça, adquirindo gran-
des áreas de terras úmidas para refúgios e santuários de aves
migratórias, têm contribuído para a recuperação de aves de caça
e outras.