ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS
O PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL
O papel do professor é fundamental, pois o bom andamento das
atividades de ensino depende diretamente da ação docente, de
como se faz a mediação conhecimento/criança. Compreende-se
como importante característica do profissional de Educação
Infantil a busca constante por aprender sobre o desenvolvimento
da criança, sua forma de ver e sentir o mundo, criando
oportunidades para ela manifestar suas ideias, sua linguagem,
seus sentimentos, sua criatividade, suas reações, suas relações
sociais e sua imaginação.
Na ação pedagógica, deve-se compreender o ato de brincar
como estratégia permanente da prática educativa e oferecer aos
alunos um ambiente com espaços e materiais organizados que
propiciem desafios e diferentes manifestações infantis,
potencializando assim sua expressão por meio de diferentes
linguagens, movimentos, imaginação, criatividade, emoções,
socialização, autonomia, conhecimento de mundo, pensamentos
e sentimentos.
Ter uma boa interação, estabelecer um trabalho conjunto com
outros profissionais de modo integrado e relacionar o ato de
educar e ensinar de maneira responsável, reconhecendo a
criança como um ser inteiro, são características que o professor
deve cultivar de maneira ética, respeitando os demais
profissionais, os alunos e as famílias.
Importante também ser criativo e paciente nas relações, ter
disponibilidade para brincar com os alunos, exercitar o olhar e a
escuta infantil e reconhecer que a educação, especialmente
nesta fase, é um ato de amor, de construção, de exploração de
potencialidades, de busca e de descoberta.
A AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO
Afetividade vem do verbo afetar e mostra como podemos influir
positiva ou negativamente no desenvolvimento dos alunos por
meio de nosso comportamento em sala de aula e de como
ensinamos, ou seja, como lidamos com os conteúdos e como é
nossa relação com os alunos.
Segundo especialistas, o desenvolvimento da autoestima por meio
do exercício da afetividade é um grande tema transversal e eixo
fundamental na proposta pedagógica de qualquer curso. Sabe-se
hoje que aprendemos mais e melhor se o fazemos num clima de
confiança, de incentivo, de apoio, em meio a relações cordiais e de
acolhimento.
A afetividade dinamiza as interações, as trocas, a busca, os
resultados positivos. Facilita a comunicação, toca os participantes,
promove a união. O clima afetivo prende totalmente, envolve
plenamente, multiplica as potencialidades.
Por meio da educação, podemos ajudar a desenvolver o potencial
de cada aluno, considerando suas possibilidades e limitações. Para
isso, precisamos praticar a pedagogia da compreensão e do
humanismo, e não a pedagogia da intolerância, da rigidez, do
pensamento único, da desvalorização.
A pedagogia da inclusão não deve ser praticada somente com os
alunos que estavam fora da escola ou simplesmente “recebê-los”,
ela deve se constituir em uma verdadeira prática de acolhimento,
por meio da qual incluímos os diferentes; os que nunca falam e os
que falam demais; os muito quietos e os muito agitados; os mais
rápidos e os mais lentos.
Por isso, é importante que alunos e professores desenvolvam
autoconfiança, autoestima e respeito por si mesmos e pelos outros.
Assim, será mais fácil aprender e comunicar-se com os demais. Sem
autoestima, alunos e professores não estarão inteiros, plenos para
interagir, e se verão como inimigos, quando deveriam ser parceiros.
A MEDIAÇAO DO PROFESSOR E SUA IMPORTÂNCIA NO
DESENVLVIMENTO DOS ALUNOS
O que é mediação?
Ser mediador é se posicionar literalmente entre o ensino e a
aprendizagem, ou seja, é não dar respostas prontas, e sim
estimular a busca de respostas promovendo a reflexão, mostrando
os caminhos, compreendendo as dificuldades e o motivo de elas
estarem ocorrendo. Dessa maneira, o professor-mediador estará
colaborando para a construção da autonomia dos alunos - seja de
pensamento seja de ação - ampliando a participação social e
dinamizando o desenvolvimento mental deles, de forma a capacitá-
los a exercer o papel de cidadão do mundo.
Resultados de uma mediação adequada
A mediação terá sucesso quando o professor:
interagir com a criança, e não coagi-la;
interagir com a criança procurando compreender seu mundo e
o modo de ela vivenciá-lo; para isso, é preciso entender o
universo dela e o processo que está em andamento;
considerando o conhecimento de mundo que a criança traz,
valorizá-la, estimulá-la e proporcionar-lhe outros
conhecimentos e outras leituras;
estimular a reflexão e a busca de respostas;
usar o “erro” da criança para buscar o “acerto”;
não ignorar nem desrespeitar as várias formas dialetais
utilizadas pelos alunos. Ao contrário, num clima de respeito,
desde a Educação Infantil, encorajar todas as crianças a falar,
a escrever e a ler como sabem;
der voz à criança e orientá-la a respeitar a fala dos outros.
A BRINCADEIRA INFANTIL: UMA AÇÃO PEDAGÓGICA
A brincadeira infantil representa o aprendizado. É uma ação privilegiada no
desenvolvimento humano, principalmente na infância, pois é um meio para a
elaboração e a reelaboração do conhecimento. Brincar é uma forma de ação
cognitiva na qual a criança abstrai, interpreta e entende a realidade, pois
simula essa realidade.
Os jogos promovem contextos ricos e desafiadores para o aluno explorar
diferentes tipos de situações-problema. Por meio de situações lúdicas, a
criança tem a oportunidade de se apropriar de novos conhecimentos, pois
pode pensar, levantar hipóteses, confrontar estratégias, discutir, interagir
com os colegas, com as situações e os objetos de conhecimento,
comparando pontos de vistas diferentes e vivenciando verdadeiras e
genuínas situações de comunicação.
O seu papel, nesse processo, é fundamental. Conhecer o jogo, criar e propor,
com base nele, situações-problema desafiadoras é uma de suas tarefas, bem
como observar as tentativas do aluno durante o jogo, apoiando-o quando
surgirem as dificuldades e estimulando-o a desenvolver suas
potencialidades. É preciso assegurar a cada participante do jogo o direito de
pensar, expressar o pensamento, negociar as ideias e criar outras com base
nas discussões realizadas, ou seja, ele dever ter o direito de viver
intensamente o jogo de forma prazerosa e enriquecedora.