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Contratos

A aula aborda os contratos administrativos sob a nova Lei 14.133/2021, destacando suas características, como serem consensuais, formais, onerosos, comutativos e intuitu personae. A legislação estabelece normas gerais sobre contratações públicas que devem ser seguidas por todos os entes da federação, além de exigir a divulgação dos contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas. O documento também menciona a possibilidade de subcontratação e a obrigatoriedade de formalização por escrito dos contratos administrativos.

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Contratos

A aula aborda os contratos administrativos sob a nova Lei 14.133/2021, destacando suas características, como serem consensuais, formais, onerosos, comutativos e intuitu personae. A legislação estabelece normas gerais sobre contratações públicas que devem ser seguidas por todos os entes da federação, além de exigir a divulgação dos contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas. O documento também menciona a possibilidade de subcontratação e a obrigatoriedade de formalização por escrito dos contratos administrativos.

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Aula 03

TCE-SC (Auditor Fiscal de Controle


Externo - Administração/Administração
Pública) Administração Pública +
Agentes Públicos + Controle da
Administração Pública +
Descentralização - 2026 (Pós-Edital)
Autor:
Antonio Daud

25 de Fevereiro de 2026

03628118905 - Priscila Girardi


Antonio Daud
Aula 03

Índice
1) Contratos Administrativos - Lei nº 14.133/2021
..............................................................................................................................................................................................3

2) Questões Comentadas - Contratos administrativos - Lei 14.133 de 2021 - FGV


..............................................................................................................................................................................................
65

3) Lista de Questões - Contratos administrativos - Lei 14.133 de 2021 - FGV


..............................................................................................................................................................................................
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Antonio Daud
Aula 03

INTRODUÇÃO
Olá, amigos (as)!
Nesta aula, do “curso simplificado”, iremos discorrer acerca dos contratos celebrados pelos entes
públicos sob regime predominantemente de direito público, ou, simplesmente, contratos
administrativos, com foco na nova lei de licitações e contratos (Lei 14.133/2021).

Inicialmente, vamos diferenciar os “contratos administrativos” dos “contratos de direito privado


celebrados pela Administração”.
Na sequência, iremos conceituar os “contratos administrativos”, comentar suas principais
características, as cláusulas que geralmente são previstas nestes instrumentos, sua duração e, entre
outros aspectos, as formas de extinção destes contratos, sempre buscando comparar com as
regras anteriores ao surgimento da Lei 14.133/2021.
Prontos? Vamos lá!

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS: NOÇÕES GERAIS


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXÍSSIMA
Assim como ocorre em nossa vida cotidiana (em que celebramos contratos de serviços de
telefonia, contratos de serviços bancários, serviços educacionais, entre outros), a Administração
também deverá celebrar contratos para conseguir desempenhar suas atividades.
Percebam, assim, que um contrato nada mais é do que o acordo de vontades, pelo qual duas ou
mais pessoas se comprometem a honrar determinadas obrigações. De forma mais precisa,
podemos considerar que um “contrato”, seja na esfera pública ou na privada, é marcado pelos
seguintes elementos:

acordo voluntário de vontades

Contrato interesses das partes são antagônicos


criando direitos e obrigações
produção de efeitos jurídicos para ambas as recíprocos
partes
“faz lei entre as partes”

Já passando aos contratos da Administração Pública, lembro que é privativa da União a


competência para legislar a respeito de normas gerais sobre contratações (CF, art. 22, XXVII). As
normas editadas com base nesta competência obrigam todas as esferas de governo (União,

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Aula 03

Estados/DF e Municípios), a partir de onde dizemos que a União edita normas gerais sobre
contratações de aplicação nacional.
Com fundamento nesta competência constitucional, foi editada a Lei 14.133/2021, que substituiu
a Lei 8.666/1993, na medida em que prevê normas gerais sobre contratações públicas e licitações.
Portanto, a Lei 14.133 prevê normas aplicáveis a todos os entes da federação, alcançando a
Administração Direta, as autarquias e as fundações públicas.
No tocante aos “contratos administrativos”, as regras da nova lei estão concentradas nos seus
artigos 89 a 154, os quais iremos comentar nesta aula.

CARACTERÍSTICAS
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Segundo Hely Lopes Meirelles, o contrato administrativo é sempre consensual e, em regra, formal,
oneroso, comutativo e realizado intuitu personae.
Assim, além de ter sempre a Administração como parte e buscar o alcance do interesse público,
temos ainda as seguintes características dos contratos administrativos:

Consensual

Formal

Oneroso

Comutativo

Intuitu personae

Para memorizar, a dica é usar o mnemônico Co-F-O-Co-I.


Além destas características, em regra os contratos administrativos devem ser precedidos de
licitação (CF, art. 37, XXI). Excepcionalmente, a licitação será inexigível ou dispensada/dispensável
nos casos previstos na lei.
Di Pietro acrescenta a esta lista – ainda sob a égide da Lei 8.666 – o fato de ser um contrato de
adesão, como detalharemos mais à frente.
Adiante passemos a detalhar estas principais características dos contratos administrativos.
Consensualidade
Os contratos administrativos são chamados de "consensuais" porque exigem a manifestação de
vontade pelas partes contratantes. Nenhum contrato administrativo poderia ser imposto ao

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particular, sem que houvesse sua concordância. Em outras palavras, a partir do consenso entre as
partes, surgirá o vínculo jurídico entre contratado e contratante.
Formalismo
Nos contratos administrativos, apesar de o consenso ser necessário, ele não será suficiente. Ao
contrário, é necessário que sejam observados também determinados requisitos de forma.
Vamos já adiantar que, segundo a nova lei, o formalismo dos contratos administrativos pode ser
visualizado, principalmente, nas seguintes regras:

os contratos administrativos devem ser


formais e escritos (em regra)

dispensa de licitação por


baixo valor

independentemente do
formalismo dos facultativo
valor, para compra com
contratos entrega imediata e
administrativos Instrumento de integral (sem obrigações
contrato futuras)

obrigatório demais casos

exceção: pequenas compras e


contrato verbal, em regra, nulo e
serviços de pronto pagamento
de nenhum efeito
(até R$ 10 mil)

Adiante vamos detalhar cada uma destes três conjuntos de regras!

1) Como regra geral, os contratos administrativos terão forma escrita (art. 91, caput).

Em virtude da exigência da forma escrita, dizemos que, em regra, é necessária a existência de um


termo de contrato (ou instrumento de contrato), o qual poderá ser em papel ou na forma
eletrônica (art. 91, §3º). Este “termo de contrato”, não sendo sigiloso, deverá ser divulgado na
internet e mantido à disposição para consulta do público em geral (conforme detalharemos mais
adiante).
Além disso, se o contrato versar sobre direitos reais sobre imóveis (como o contrato de compra e
venda de um prédio, por exemplo), este será formalizado por escritura pública (art. 91, §2º), que
também deverá ser divulgada ao público em geral.
Isto nos leva à segunda regra:

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2) Como regra geral, o instrumento de contrato é obrigatório (art. 95).


Todavia, o instrumento de contrato passa a ser facultativo nos casos de:
I - dispensa de licitação por baixo valor (art. 75, I e II)
II - compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais
não resultem obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica,
independentemente de seu valor.

Nestas situações em que o instrumento de contrato é facultativo, não se trata de contrato verbal.
Caso não utilize o instrumento de contrato, a Administração deverá substituí-lo por outros
documentos hábeis, tais como carta-contrato, nota de empenho de despesa, autorização de
compra ou ordem de execução de serviço.

Sintetizando este último ponto, temos o seguinte:

Instrumento de contrato

FACULTATIVO OBRIGATÓRIO

independentemente do
dispensa de
valor, para compra com
licitação por baixo demais casos
entrega imediata e integral
valor
(sem obrigações futuras)

Agora, no 3º ponto, temos uma situação específica do contrato verbal:

3) Em regra, é nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a administração.


A exceção fica por conta das pequenas compras ou serviços de pronto pagamento,
limitadas a até R$ 10 mil (valor atualizado para 13.098,41, para o ano de 2026, pelo
Decreto 12.807/2025), casos em que se admite o contrato verbal.

Em resumo, agora temos que:

REGRA nulo e de nenhum efeito

Contrato verbal
pequenas compras e
EXCEÇÃO serviços de pronto até R$ 10 mil
pagamento

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Bilateralidade
Os contratos administrativos são negócios jurídicos bilaterais, pois seu surgimento demanda a
concordância de mais de uma parte e, assim, produzem efeitos para ambas as partes.
Uma destas partes será sempre um ente da Administração Pública, em geral chamada de
“contratante”, sendo a outra parte chamada de “contratada”.
Onerosidade
Em regra, os contratos administrativos têm caráter oneroso. Isto significa que o poder público se
compromete a entregar uma contraprestação (em geral, financeira) à empresa contratada que
cumprir suas obrigações contratuais.
Quando, por outro lado, for celebrado contrato pactuando a alienação de determinado bem por
parte da Administração, o ônus financeiro será do particular. De qualquer modo, os contratos
administrativos em regra não são gratuitos.
Comutatividade
Além de serem onerosos (existência de contraprestação), os contratos administrativos, em regra,
são comutativos (ou sinalagmáticos), na medida em que existe equivalência ou reciprocidade entre
as obrigações a que se comprometeram as partes.
Vou abrir um parêntese aqui para adiantar que uma das características marcantes dos contratos
administrativos é a existência das cláusulas exorbitantes, que colocam o poder público em um
patamar de superioridade em relação ao particular contratado – verticalidade (assunto detalhado
mais adiante nesta aula).
No entanto, tais cláusulas exorbitantes não desnaturam a comutatividade dos contratos
administrativos, uma vez que o particular tem garantida, mesmo nos casos de alteração unilateral
do contrato, a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato (isto é, a manutenção
da equivalência das obrigações). Portanto, mesmo diante das cláusulas exorbitantes, o contrato
continua administrativo sendo comutativo, com prestações equivalentes e economicamente
equilibradas.
Intuitu personae (pessoalidade)
Em regra, os contratos administrativos para os quais a lei exige licitação são firmados intuitu
personae, isto é, são celebrados em razão das condições pessoais da empresa contratada, aferidas
por meio do procedimento da licitação. Daí se diz que os contratos administrativos são
personalíssimos.
Em outras palavras, se uma empresa foi selecionada para ser contratada, é aquela própria empresa
quem deverá prestar os serviços ou fornecer as mercadorias contratadas.
No entanto, atendidas as condições previstas em lei, em caráter excepcional, é possível que ocorra
a subcontratação.

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Exemplo: se a contratada foi a ‘empresa A’, atendidas determinadas condições, ela


poderia “transferir” uma parte do contrato para a ‘empresa B’. Neste caso, dizemos que
a ‘empresa B’ foi subcontratada.

Nesse sentido, a Lei prevê que:


Art. 122. Na execução do contrato e sem prejuízo das responsabilidades contratuais e
legais, o contratado poderá subcontratar partes da obra, do serviço ou do
fornecimento até o limite autorizado, em cada caso, pela Administração.
Reparem que, como regra geral, a subcontratação – quando admitida – somente será em relação
a partes do contrato (e não de sua integralidade) atendendo ao limite previsto pela Administração
(por exemplo, limite máximo de 25%) e à autorização da Administração em cada caso.
Mas, mesmo quando a empresa contratada subcontratar parte do objeto, ela continuará
responsável pelas obrigações legais ou contratuais inicialmente assumidas (art. 122, caput, parte
inicial c/c art. 115, caput).

parcial (regra)

subcontratação denetro dos limites autorizados pela Administração

sem prejuízo das responsabilidades do contratado

Contrato de adesão
Consoante leciona Di Pietro, todas as cláusulas dos contratos administrativos são fixadas
unilateralmente pela Administração. Nesse sentido, destaco que a Lei 14.133/2021 prevê a minuta
do contrato a ser celebrado como anexo edital da licitação (art. 18, VI), como regra geral.

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INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Vimos acima que, em regra, os contratos deverão ser formalizados por escrito. Agora, é
importante percebermos que o “instrumento de contrato” em regra é público, sendo admitido o
contrato sigiloso quando imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, nos termos da
legislação que regula o acesso à informação (art. 91, §1º).
E, não sendo caso de contratação sigilosa, a Administração fica obrigada a divulgar o contrato no
Portal Nacional de Contratações Públicas (art. 94). Esta obrigatoriedade vale tanto para o contrato,
como para suas alterações, os chamados “aditamentos”.

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Portanto, qualquer que seja seu valor, o ente público contratante deve divulgar o
contrato e seus aditamentos no Portal Nacional de Contratações Públicas (art. 94).

Este é uma condição para que o contrato possa produzir efeitos, de onde se diz que a “divulgação
(..) é condição indispensável à eficácia do contrato” (art. 94). Caso o contrato assinado não seja
divulgado, ainda que seja válido, ele não poderia produzir efeitos, como regra.
Em relação aos prazos para divulgação, a nova lei ajustou a redação que constava da Lei 8.666,
passando a prever que a divulgação deve ocorrer dentro dos seguintes períodos (contados de sua
assinatura):

20 dias
se celebrado após licitação
úteis

10 dias
após contratação direta
úteis

Tomando por base a regra geral no sentido de que os contratos sejam formalizados em um
“instrumento de contrato”, a Lei 14.133 prevê o conteúdo mínimo deste contrato, ou seja as
“cláusulas necessárias” do contrato, o que será detalhado a seguir.

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CLÁUSULAS NECESSÁRIAS OU ESSENCIAIS


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
O contrato administrativo possui cláusulas necessárias (ou essenciais) e, de outro lado, cláusulas
acessórias (ou secundárias), que podem ou não estarem previstas. No nosso curso, iremos destacar
as necessárias, que devem figurar em todo contrato regido pela nova lei de licitações.
As cláusulas necessárias dos contratos administrativos são estabelecidas no art. 92 da Lei
14.133/2021, o qual pode ser sintetizado da seguinte forma:
ao edital da licitação
objeto (e seus elementos)
à proposta vencedora
vinculação
ao ato que autorizou a
contratação direta
inclusive quanto aos casos
legislação aplicável
omissos
regime de execução (ou forma de fornecimento)
preço e as condições de pagamento
mecanismos de reajustamento de preços e de atualização
monetária
critérios e periodicidade da medição (quando for o caso)
prazos p/ pagamento
prazos de início das etapas de execução, conclusão,
entrega, observação e recebimento definitivo
necessárias
Cláusulas

crédito pelo qual correrá a despesa com a classificação da despesa


matriz de risco (quando for o caso)
prazo para responder pedido de repactuação (quando for o caso)
prazo para responder pedido de reequilíbrio econômico-
financeiro (quando for o caso)
garantias contratuais
prazo de garantia
direitos e as responsabilidades das partes
penalidades cabíveis e valores das multas
condições de importação e taxa de câmbio (quando for o caso)
obrigação de o contratado manter todas as condições de
habilitação durante todo o contrato
pessoa com deficiência (PcD)
obrigação de o contratado cumprir as exigências de
reabilitado do INSS
reserva de cargos para
aprendiz (entre outros)
modelo de gestão do contrato
casos de extinção

Ressaltamos, na cor vermelha, as cláusulas necessárias que não constavam do art. 55 da Lei 8.666,
que passaram a ser previstas pela nova lei, as quais possuem maior tendência a serem exploradas
nas próximas provas.

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Vale destacar, ainda, o disposto no artigo 150 da Lei, que prevê que todo contrato deve conter:
Art. 150. Nenhuma contratação será feita sem a caracterização adequada de seu
objeto e sem a indicação dos créditos orçamentários para pagamento das parcelas
contratuais vincendas no exercício em que for realizada a contratação, sob pena
de nulidade do ato e de responsabilização de quem lhe tiver dado causa.

CLÁUSULAS EXORBITANTES
Cláusulas exorbitantes, pelo próprio nome, são aquelas que exorbitam do direito comum. Elas
seriam consideradas “leoninas”, ilícitas, em um contrato privado, que está sujeito à equivalência
jurídica entre as partes contratantes (horizontalidade). Mas, nos contratos administrativos
(marcados pela verticalidade), elas representam sua principal característica. Estas cláusulas
consistem em poderes, prerrogativas, conferidos à Administração a fim de que o interesse público
possa prevalecer sobre o interesse privado. Neste sentido, o art. 104 da Lei 14.133/2021 enumera
as seguintes cláusulas exorbitantes:

para melhor adequação ao


modificação unilateral do
interesse público (respeitados os
contrato
direitos do contratado)

nos casos especificados na Lei


extinção unilateral
14.133/2021

fiscalizar a execução do
cláusulas contrato
exorbitantes pela inexecução total ou parcial
do ajuste
aplicar sanções
motivadas

risco à prestação de serviços


essenciais
ocupação provisória nas
hipóteses de:
acautelar apuração administrativa
de faltas contratuais

Além destas, poderíamos considerar também como cláusulas exorbitantes1 (art. 96 e art. 137, §2º,
IV, respectivamente):

1 Parte da doutrina considera, ainda, como cláusula exorbitante a possibilidade de exigência das “medidas de
compensação” a que se refere o art. 26, §6º, da Lei 14.133/2021.

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exigência de garantias restrições à exceção do


pela Administração contrato não cumprido

Aproveito para lembrar que a grande maioria destas cláusulas exorbitantes não estão presentes
no regime de contratações estabelecido pela Lei das Estatais.
Dito isto, vamos detalhar cada uma destas sete cláusulas!

Alteração unilateral do contrato


INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
Como já ocorria sob o regramento da Lei 8.666, as cláusulas de um contrato, em geral, dividem-
se em cláusulas econômicas (ou financeiras) e cláusulas regulamentares (ou de serviço).
As cláusulas econômicas (ou financeiras) versam sobre o preço, a remuneração devida ao
contratado. Já as cláusulas regulamentares (ou de serviço) são aquelas que disciplinam sobre o
objeto do contrato e a forma de sua execução, sem afetar a remuneração da empresa contratada.
A remuneração (por vezes chamada de “equação financeira do contrato”) deve ser preservada
durante toda sua vigência, não sendo passível de ser alterada unilateralmente.

Nesse sentido, o poder da Administração de alterar unilateralmente o contrato administrativo


incide apenas sobre as cláusulas regulamentares (ou de serviço). Não se pode promover alterações
diretas, de forma unilateral, em cláusulas econômicas dos contratos administrativos. Para estas, há
que se ter concordância prévia do contratado:
Art. 104, § 1º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos não
poderão ser alteradas sem prévia concordância do contratado.

Vejam, portanto, que nem toda cláusula do contrato administrativo comporta alteração unilateral.
Há algumas que, dada a característica da consensualidade do contrato e seus efeitos financeiros,
exigem consentimento da empresa contratada (alteração bilateral).
Nesse sentido, o art. 124 elenca dois conjuntos de situações: (I) aquelas que podem ser realizadas
unilateralmente e (II) que exigem alteração bilateral. Comparando, lado a lado, estas cláusulas
temos o seguinte:
Admitem alteração unilateral (art. 124, inc. I) Exigem acordo entre as partes (inciso II)

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Qualitativas substituição da garantia de execução


(isto é, modificação do projeto ou das
especificações, para melhor adequação técnica
aos seus objetivos)

Quantitativas modificação do regime de execução da obra


(isto é, modificação do valor contratual em ou serviço, bem como do modo de
decorrência de acréscimo ou diminuição fornecimento, em face de verificação técnica
quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos da inaplicabilidade dos termos contratuais
pela Lei) originários
modificação da forma de pagamento,
-
mantido o valor inicial atualizado
restabelecer o equilíbrio econômico-
financeiro inicial do contrato, em caso de
força maior, caso fortuito ou fato do príncipe
- ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou
previsíveis de consequências incalculáveis,
que inviabilizem a execução do contrato tal
como pactuado.
A partir do art. 124, inciso I, da Lei 14.133/2021, poderemos ter duas possibilidades de alteração
unilateral:

decorrente de modificação do projeto


ou das especificações

Qualitativas
ex.: o contrato previa que a obra fosse
executada com areia artificial, mas a
Administração determinou substituição
Alterações por areia natural
unilaterais
modificação do valor contratual
decorrente de acréscimo ou diminuição
quantitativa de seu objeto
Quantitativas
ex.: o contrato previa a compra de 100
carros, mas foram necessários 120

A Lei estabelece limites para as alterações, sejam qualitativas ou quantitativas, da seguinte forma
(art. 125):

- limite de 25% para acréscimo ou supressão unilaterais


- limite de 50% só para acréscimo unilateral no caso de reforma

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Em virtude da alteração redacional promovida pela nova lei, agora não há mais dúvidas de que
tais limites aplicam-se também para as alterações qualitativas.
Em qualquer dos casos, a alteração unilateral do contrato não poderá transfigurar o objeto da
contratação (art. 126).
Além disso, tratando-se de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado já houver
adquirido os materiais e posto no local dos trabalhos, a Administração deverá pagá-lo pelos custos
de aquisição, regularmente comprovados e monetariamente corrigidos, cabendo também
indenização por danos sofridos pela empresa contratada (art. 129). Em síntese:

Regra: 25%
Acréscimos
unilaterais do valor inicial
Reforma:
atualizado do
50%
contrato
Limites p/
alterações Supressões
-25%
unilaterais

Extinção unilateral do contrato


INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
No direito privado, em geral não existe a figura da extinção unilateral de um contrato. Já nos
contratos administrativos, a supremacia do interesse público garante à Administração a
possibilidade de extinguir unilateralmente um contrato administrativo.
Em outras palavras: em determinadas situações, o particular é obrigado a aceitar o fim do contrato
administrativo.
Além de não depender da concordância da empresa contratada, a Administração não precisa
recorrer ao Poder Judiciário para extinguir a avença. Como tal extinção é autoexecutória, poderá
a Administração declarar, diretamente, que o contrato foi extinto.
Aqui temos outro grande exemplo da desigualdade jurídica entre as partes em um contrato
administrativo.
Quando tratarmos das formas de extinção do contrato administrativo iremos nos aprofundar neste
tema, que encontra-se previsto no art. 138, I, da Lei 14.133/2021.
É importante destacar que apenas a Administração detém a prerrogativa de extinguir o contrato
unilateralmente. O particular nunca poderá extingui-lo unilateralmente.
Além disso, como o regime de contratações imposto pela Lei das Estatais é regido
prioritariamente por normas direito privado, em que a superioridade da Administração foi
significativamente reduzida, não se admite a extinção unilateral dos contratos regidos pela Lei
13.303/2016.

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Fiscalização do contrato
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A Administração contratante tem o poder-dever de acompanhar e fiscalizar a execução do
contrato administrativo. Tal acompanhamento e fiscalização ocorre de modo permanente, durante
todo o período de execução do contrato.
Para esta atividade, é especialmente designado um ou mais representantes da administração,
normalmente chamado(s) de “fiscal(is) de contrato” (art. 117). Assim, na atividade fiscalizatória
este representante deverá verificar se o contratado está obedecendo às regras previstas no
contrato e na legislação.

Por exemplo: o fiscal de contrato irá checar se os empregados estão utilizando uniformes
(conforme ‘cláusula X’ do contrato administrativo), se a empresa contratada está
pagando em dia a remuneração de seus empregados (fiscalização sob o prisma
trabalhista), se os tributos estão sendo recolhidos adequadamente pela contratada etc.

É importante destacar, também, que, como são diversas e complexas as atribuições deste fiscal
de contrato, a legislação possibilita a contratação de terceiros para auxiliá-lo (art. 117). Além disso,
a contratação destes terceiros não eximirá de responsabilidade o fiscal do contrato, nos limites
das informações que ele possuía (art. 117, § 4º, II). Ou seja, caso seja praticada uma irregularidade
durante a fiscalização, em regra o fiscal continuaria será responsável por esta conduta, mesmo que
seja auxiliado por terceiros.

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Para finalizar este item, é importante já adiantar que a fiscalização desempenhada pela
Administração não exclui ou reduz a responsabilidade da empresa contratada pelos danos que a
execução do contrato venha a causar (art. 120).

Aplicação direta de sanções administrativas


INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A legislação confere à Administração o poder-dever de aplicar sanções de natureza administrativa
à empresa contratada que cometer faltas.
Estas penalidades são impostas diretamente pela Administração Pública, ou seja, sua aplicação
não depende de manifestação prévia do Poder Judiciário.
São penalidades que decorrem do poder disciplinar da Administração Pública. Não decorrem,
portanto, do poder de polícia, na medida em que existe vínculo específico que liga o poder
público àquele particular: o vínculo contratual.
Antes de detalharmos cada uma delas, vamos listar as sanções administrativas aplicáveis aos
contratados (Lei 14.133/2021, art. 156) 2:

2 Comparando com a Lei das Estatais (aplicável aos contratos celebrados por empresas públicas, sociedades de
economia mista e subsidiárias), destaco que aquela lei deixou de prever a possibilidade de aplicação da pena de
declaração de inidoneidade e o prazo máximo do impedimento é de 2 anos (Lei 13.303/2016, art. 83).

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Advertência
por atraso injustificado –
“multa de mora”
Multas
por infração administrativa -
"multa compensatória"
Sanções impedimento de licitar e
administrativas contratar com a por até 3 anos
administração

Declaração de
de 3 a 6 anos
inidoneidade

Adiante vamos examinar alguns aspectos importantes da aplicação de sanções diretamente pelo
ente público contratante.
Sanções administrativas aplicáveis
A seguir cada uma das sanções aplicáveis pela Administração Pública.
A) Advertência
A advertência é a sanção mais branda que pode ser aplicada no bojo dos contratos administrativos.
Será aplicável nas hipóteses de inexecução parcial do contrato, quando não se justificar a
imposição de penalidade mais grave (art. 156, §2º).
Destina-se a advertir, alertar, o contratado quanto a desvios cometidos durante a execução do
contrato, a fim de que não ocorram novamente. Apesar de a lei não ter previsto o processo para
aplicação da advertência, não se poderia conceber sua aplicação sem prévio contraditório, na
medida em, embora seja mais branda, igualmente consiste em uma sanção (art. 156, caput, parte
final).
B) Multas
Como adiantado acima, a Lei 14.133 prevê duas espécies de multas:
i) multa por atraso injustificado – chamada de “multa de mora”
Art. 162. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado a multa
de mora, na forma prevista em edital ou em contrato.
Esta multa de mora tem lugar, por exemplo, nos contratos de obras públicas em que a empreiteira
descumpre o cronograma contratual, atrasando de entrega de parcelas da obra, com prejuízos ao
poder público.
A respeito desta sanção, a lei deixa claro que a aplicação da multa de mora não impede que a
Administração a converta em “multa compensatória” (decorrente de infração administrativa) e
promova a extinção unilateral do contrato com a aplicação cumulada de outras sanções (art. 162,
parágrafo único).

ii) multa por infração administrativa

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Esta multa poderá ser aplicada se o contratado (ou licitante) praticar qualquer das infrações
administrativas previstas no art. 155 da Lei 14.133. Além disso, a nova lei chega a prever limites
de valor para a multa, a qual não poderá ser inferior a 0,5% e nem superior a 30% do valor do
contrato (art. 156, §3º).
----
Em geral, uma conduta pode dar azo a uma única penalidade, sob pena de ocorrer o chamado bis
in idem (ou seja, dupla punição por um mesmo fato). No entanto, as multas podem ser cumuladas
com outras sanções (art. 156, §7º). Então é possível que uma mesma conduta do particular seja
penalizada com multa de inexecução contratual e, ao mesmo tempo, com a suspensão de licitar,
por exemplo.
Diferentemente das demais sanções administrativas e cláusulas exorbitantes, a multa por
inexecução contratual somente pode ser aplicada se houver previsão no edital da licitação ou no
contrato, consoante previsto no §3º do art. 156 da nova lei. Do contrário, não haveria como
calcular o valor da multa a ser aplicada. Não por outro motivo, o valor das multas é cláusula
obrigatória de todo contrato (art. 92, XIV).
C) Impedimento de licitar e contratar
Esta é a sanção aplicável a condutas de gravidade média. Caso o particular receba esta sanção,
ficará impedido de participar em licitações ou de ser contratado pela Administração Pública pelo
prazo de até 3 anos (art. 156, §4º, parte final).

Esta sanção impede o particular de ser contratado/licitar apenas com aquela


organização? Com toda a Administração Pública daquela esfera? Em todo o país?

Para colocar um fim nas discussões a este respeito, a nova lei previu expressamente o alcance das
sanções de impedimento temporário de licitar e contratar, deixando claro que esta sanção alcança
toda a administração pública daquele ente federativo (direta e indireta). Portanto, o impedimento
alcança a administração pública do ente federativo no qual a sanção foi aplicada.

Exemplo: se a empresa QuêBrada recebe esta sanção de impedimento por parte de um


órgão do município de Araguari/MG, ela não poderia ser contratada por qualquer outra
organização pública daquele município, durante a vigência da sanção. Isto não impediria
que ela fosse contratada por um órgão do Estado de Minas Gerais ou por uma entidade
federal.

Adianto que, apesar do prazo máximo de 3 anos, esta sanção admite reabilitação do condenado
após o prazo de 1 ano (art. 163), consoante detalhado mais à frente.

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D) Declaração de Inidoneidade
A declaração de inidoneidade para licitar e contratar com a Administração consiste na sanção
administrativa mais dura, destinada às condutas mais graves. A declaração de inidoneidade, pela
nova lei, não pode ter duração inferior a 3 anos e nem superior a 6 anos.
Além dos prazos de duração, a inidoneidade ainda diferencia-se do impedimento para contratar
quanto a outros dois aspectos: (a) seu alcance e (b) a competência para sua aplicação.
Isto porque a declaração de inidoneidade alcança toda a administração pública brasileira (não
apenas do ente federativo no qual a sanção foi aplicada) – art. 156, §5º, parte final.
Além disso, a competência para sua aplicação foi confiada, com exclusividade, a autoridades do
nível de ministro de estado ou, na administração indireta, à máxima autoridade da entidade (art.
156, § 6º) – não tendo sido especificada a competência para o impedimento para licitar e contratar.

competência exclusiva de
ministro de Estado, de
órgão
secretário estadual ou
Poder municipal
Executivo competência exclusiva da
autarquia ou
autoridade máxima da
decl. de fundação
entidade
inidoneidade -
competência competência exclusiva de
Legislativo, Judiciário, Ministério autoridade de nível
Público e Defensoria Pública hierárquico equivalente
àquelas mencionadas acima

Por fim, adianto que a declaração de inidoneidade também admite reabilitação do condenado,
após o prazo de 3 anos (art. 163).

Sintetizando as sanções administrativas previstas na nova lei, temos o seguinte:

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----
Uma vez encerrados os comentários quanto à aplicação de sanções, vamos a mais uma cláusula
exorbitante.

Ocupação provisória ou temporária


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
A Lei 14.133 prevê que a administração poderá ocupar provisoriamente bens (móveis e imóveis)
e utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, inclusive após sua extinção, nas
hipóteses de:
Art. 104, V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços
vinculados ao objeto do contrato nas hipóteses de:
a) risco à prestação de serviços essenciais;
b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo
contratado, inclusive após extinção do contrato.
A primeira hipótese se fundamenta no princípio da continuidade dos serviços públicos. Portanto,
quando se estiver diante de um serviço essencial com risco de paralisação, a Administração
poderia assumir aquela prestação.
Na segunda hipótese, a ocupação provisória consiste em medida acautelatória, lançada para
viabilizar a apuração de irregularidade ocorrida na execução do contrato. Assim, o contrato está
em execução e a ocupação provisória visa a preservar sua continuidade, enquanto são apuradas
as faltas da empresa contratada. Ao final da apuração, poderá ou não se encaminhar para a
extinção do contrato. Aqui o legislador permitiu, até mesmo, a ocupação após a extinção do
contrato.

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Exigência de garantias
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A legislação autoriza ao poder público exigir garantias das empresas licitantes ou contratadas, as
quais buscam minimizar riscos do contrato e da licitação. Caso o particular descumpra obrigações
legais ou contratuais, a administração poderia reter a garantia, até mesmo para facilitar o
recebimento do valor das multas e o ressarcimento dos prejuízos sofridos.
Mas antes de prosseguir um alerta: o gestor não está obrigado a exigir garantias. Sua exigência
encontra-se dentro da discricionariedade do gestor público. Caso decida por exigi-la, deverá
constar do edital da licitação (art. 96, caput).
As garantias das empresas podem ser exigidas pela Administração em duas situações:

para participar de uma licitação


garantia
para assinar um contrato

No primeiro caso, chamada de garantia de proposta (ou “garantia por participação”), caso o
gestor opte por exigi-la, todas as empresas licitantes deverão prestar a garantia ao ente público
que está promovendo a licitação. Tal exigência busca primordialmente garantir que a proposta da
empresa licitante será honrada, ou seja, que ela irá assinar o contrato caso seja convocada.
Nesta situação, a exigência da garantia faz parte do processo licitatório, no momento da
apresentação da proposta:
Art. 58. Poderá ser exigida, no momento da apresentação da proposta, a
comprovação do recolhimento de quantia a título de garantia de proposta, como
requisito de pré-habilitação.
§ 1º A garantia de proposta não poderá ser superior a 1% (um por cento) do valor
estimado para a contratação.
Vejam que, neste caso, a garantia prestada pelos licitantes é limitada a 1% do valor estimado da
contratação.
----
Já no segundo caso, denominada garantia de execução contratual (ou simplesmente “garantia
contratual”), a garantia é exigida imediatamente antes da assinatura do contrato (no caso de
contrato precedido de licitação, será sempre após fim do processo licitatório).
Além disso, nesta situação, a garantia é exigida apenas da empresa que será contratada.
Neste caso, a garantia se presta a assegurar o cumprimento integral do contrato administrativo
(art. 97), em regra sendo devolvida à empresa após o fim do contrato (art. 100).
Mas relembro que a garantia somente pode ser exigida pelo poder público quando previsto no
instrumento convocatório da licitação.

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Em relação aos limites máximos, a Lei 14.133/2021 inova ao estabelecer 3 situações distintas (arts.
98 e 99):
limites das garantias de

máximo 5% do valor inicial


regra geral
do contrato
contrato

complexidade técnica e máximo de 10% do valor


riscos envolvidos inicial do contrato

exceções:
obras e serviços de máximo de 30% do valor
engenharia de grande vulto inicial do contrato
(acima de R$ 200 milhões) (seguro-garantia)

Vejam que a regra geral continua sendo a mesma que constava da Lei 8.666/1993: a garantia
contratual será de no máximo 5% do valor inicial do contrato.
Mas, excepcionalmente, em razão da complexidade técnica e dos riscos envolvidos, devidamente
justificados, poderá ser exigida garantia de até 10% do valor inicial do contrato (art. 98). Por outro
lado, tratando-se de obras e serviços de engenharia de grande vulto (acima de cerca de R$ 200
milhões3), a garantia poderá chegar até a 30% do valor inicial do contrato (art. 99). Neste caso, a
garantia será na modalidade seguro e irá prever “cláusula de retomada” do contrato pela
seguradora.
---
Além disso, nos contratos que importem na entrega de bens pela administração, dos quais o
contratado ficará depositário, deve-se somar o valor desses bens ao valor da garantia (art. 101).
Mas não é só isso! Em regra, tanto na garantia de proposta como na contratual, o particular é
quem escolherá a modalidade da garantia (art. 96, §1º), dentre as seguintes:

3
Valor atualizado para R$ 261.968.421,04, no ano de 2026, por força do Decreto 12.807/2025.

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caução em dinheiro ou títulos da dívida pública

seguro-garantia

fiança bancária

título de capitalização

Em todos os casos, a garantia prestada pelo contratado é liberada ou restituída após a execução
do contrato, caso a empresa não deixe “pendências” decorrentes do contrato. Além disso, na
hipótese de suspensão do contrato por ordem ou inadimplemento da Administração, o contratado
ficará desobrigado de renovar a garantia ou de endossar a apólice de seguro até a ordem de
reinício da execução ou o adimplemento pela Administração (art. 96, §2º).
----
Por fim, lembro que a alteração da garantia prestada exige acordo entre as partes, não podendo
ser realizada unilateralmente (art. 124, II, ‘a’).

Restrições à exceção do contrato não cumprido


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Em contratos privados, se uma das partes descumprir o contrato, em geral a outra parte também
poderá descumpri-lo, fazendo uso da exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti
contractus). Esta é uma decorrência do art. 477 do Código Civil4.
Portanto, na esfera privada, se uma empresa é contratada por outra para prestar serviços de
limpeza, por exemplo, e esta deixa de pagar a remuneração prometida, aquela pode suspender a
prestação de serviços até que o pagamento seja regularizado. Tal suspensão é consequência
justamente da exceção do contrato não cumprido.
Já nos contratos administrativos não é bem assim.
A doutrina clássica defendia que, se a Administração Pública descumprisse o contrato, o particular
não poderia automaticamente interromper a execução do contrato, por imposição dos princípios
da supremacia do interesse público e da continuidade do serviço público. Falava-se, então, na
inoponibilidade da exceção do contrato não cumprido perante a Administração Pública.
Assim, ao particular caberia tão-somente requerer a extinção do contrato, mas continuar
cumprindo e executando o contrato, até o deslinde do seu requerimento. Reparem o quão
rigoroso era tal entendimento para o particular contratado.

4CCB, art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu
patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à
prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la.

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Posteriormente, tal rigor foi abrandado, de sorte que, atualmente, fala-se apenas em restrição
temporal quanto à oposição da exceção do contrato não cumprido perante a Administração.
De toda forma, é importante perceber que tal garantia opera apenas em favor da Administração,
não se cogitando sua oposição quando o descumprimento for proveniente da empresa
contratada.
Nesse sentido, a nova lei conferiu à Administração a tolerância de 2 meses de atraso nos
pagamentos (contados da emissão da nota). A partir do 2º mês de atraso, permanecendo a mora
quanto ao pagamento, como regra geral a empresa contratada poderá (i) suspender
automaticamente a execução do contrato ou, ainda, (ii) pleitear a extinção do contrato.

Reparem que, pelo regramento da Lei 8.666, tolerava-se o atraso de até 90 dias como
regra. Agora este prazo foi reduzido para 2 meses!

Destaco, também, que a regra dos 2 meses não se aplica em quatro situações excepcionais (art.
137, §3º, I): (i) calamidade pública, (ii) grave perturbação da ordem interna, (iii) guerra ou (iv)
quando o atraso decorrer de ato ou fato que o contratado tenha praticado, do qual tenha
participado ou para o qual tenha contribuído.
Nestes casos excepcionais, em tese o contratado teria que suportar o atraso, sem ter direito a
suspender a execução ou requerer a extinção contratual.
Em sínese:

Particular mantém regularmente a


até 2 meses
execução do contrato

Particular suspende a
execução até a
atraso no pagamento normalização dos
regra pagamentos
ou
pleiteia a extinção
superior a 2 contratual
meses
Calamidade, grave
perturbação da ordem
Exceções
interna, guerra ou atraso
causado pelo contratado

Por fim, friso que falamos até agora no descumprimento contratual da parte da Administração. No
caso de inadimplemento do particular, a Administração poderá opor normalmente a exceção do
contrato não cumprido e, automaticamente, deixar de honrar suas obrigações perante o particular.

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DURAÇÃO DOS CONTRATOS


INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Primeiramente é importante destacar que, em regra, os contratos administrativos devem ser
celebrados por prazo determinado.

No entanto, uma das novidades da Lei 14.133 é a possibilidade de serem celebrados contratos
por prazo indeterminado:
Art. 109. A Administração poderá estabelecer a vigência por prazo indeterminado
nos contratos em que seja usuária de serviço público oferecido em regime de
monopólio, desde que comprovada, a cada exercício financeiro, a existência de
créditos orçamentários vinculados à contratação.

Exemplo: imagine que uma repartição pública vá contratar o fornecimento de energia elétrica e
que, naquela localidade, exista um único concessionário daquele serviço. Assim, como a
Administração é usuária do serviço e este é prestado em regime de monopólio, tal contrato
poderia ser por prazo indeterminado.

Reparem que a Lei 8.666 vedava, em caráter absoluto, a celebração de contratos por prazo
indeterminado, sendo que, agora, é possível que isto ocorra, na restrita hipótese destacada acima
(usuária de serviço público em regime de monopólio) 5. Portanto, em relação à predeterminação
do prazo contratual temos que:

regra: prazo determinado


contratos
administrativos contrato em que a
exceção: prazo
Administração é usuária de
indeterminado serviço público
prestado em regime de
monopólio
existência de orçamento, a
cada exercício

5A rigor, este caso nem diria respeito a um “contrato administrativo” propriamente dito, podendo ser considerado
um contrato privado da Administração, a qual será usuária do serviço público.

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Partindo, então, da regra geral de que o contrato administrativo terá um prazo, adiante veremos
a duração máxima destes contratos6.

Regra geral
A nova lei simplesmente prevê que a duração dos contratos será aquela prevista no edital da
licitação que deu origem ao contrato (art. 105).
Nesse sentido, o legislador previu que:
Art. 105. A duração dos contratos regidos por esta Lei será a prevista em edital, e
deverão ser observadas, no momento da contratação e a cada exercício financeiro, a
disponibilidade de créditos orçamentários, bem como a previsão no plano
plurianual, quando ultrapassar 1 (um) exercício financeiro.
Portanto, embora a duração seja dada pelo edital, sua execução deverá observar a disponibilidade
de orçamento e, caso a duração ultrapasse 1 exercício financeiro, deverá observar também o Plano
Plurianual (PPA - que tem duração de 4 anos), o que nos leva ao seguinte diagrama:

duração dos contratos - regra geral

disponibilidade de previsão no PPA


prazo previsto no edital créditos orçamentários (se ultrapassar um
em cada exercício exercício financeiro)

Adiante vamos conhecer os prazos máximos que podem ser previstos no edital, para cada tipo de
contrato.

Duração máxima de 5 anos


A lei prevê que tanto os serviços e fornecimentos contínuos como o aluguel de equipamentos e a
utilização de programas de informática terão contratos com duração de até 5 anos (art. 106, caput
e §2º).
Nos “serviços e fornecimentos contínuos” encontram-se, por exemplo, os contratos de limpeza e
vigilância das repartições públicas e de fornecimento contínuos de suprimentos de escritório
(papel, caneta, marca texto etc), que representam necessidades permanentes do poder público.
Assim, como os respectivos contratos visam atender à necessidade pública de forma permanente
e contínua, por vários exercícios seguidos, poderiam ser celebrados desde logo com duração
máxima de 5 anos.

6 Lembrando que os prazos da Lei 14.133 são gerais, os quais não excluem nem revogam os prazos contratuais
previstos em leis especiais (art. 112). Por exemplo, as parcerias público-privadas continuam tendo prazos variando
de 5 a 35 anos (Lei 11.079/2004, art. 5º, I).

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Em relação aos contratos de (i) aluguel de equipamentos e (ii) utilização de programas de


informática, não seria economicamente viável a celebração de contratos muito curtos, pois tal
contratação acaba dependendo do tempo de depreciação destes objetos. Assim, o prazo de 48
meses previsto na Lei 8.666 para tais contratações foi ampliado para 5 anos pela nova lei.
Ainda que se possa criticar aparentes contradições no texto legal, pode-se dizer que, nos casos
tratados neste tópico, o contrato poderia ser celebrado com vigência inicial de até 5 anos, sendo
que sua efetiva continuidade depende de (i) disponibilidade de orçamento e (ii) da existência
vantagem para a Administração. Caso se um destes dois pressupostos não seja atendido, a
Administração poderia extinguir o contrato antes dos 5 anos, sem ônus.
Mas, especificamente em relação aos “serviços e fornecimentos contínuos” além de ser possível
a celebração inicial com o prazo de 5 anos, a lei ainda faculta a prorrogação até o prazo máximo
de 10 anos (por exemplo, vigência inicial de 5, prorrogada por mais 5 anos; vigência inicial de 2
anos, prorrogada sucessivamente até o máximo de 10) – art. 107. Esta prorrogação sucessiva até
o máximo de 10 anos depende, como se vê, de (i) previsão em edital e (ii) comprovação da
vantajosidade do contrato para a Administração.
Além disso, caso a prorrogação nos preços iniciais não se mostre vantajosa, seria possível à
Administração renegociar com o contratado melhores condições, de modo a manter a
continuidade do contrato.

serviços e fornecimentos prorrogável por até


contínuos 10 anos

hipóteses aluguel de equipamentos


utilização de programas de
duração informática
máxima de 5
maior vantagem econômica pela contratação plurianual
anos
existência de créditos orçamentários, no início da
contratação e a cada exercício
diretrizes
opção de extinguir o contrato, sem ônus, quando (i) não
dispuser de créditos orçamentários para sua
continuidade ou (i) entender que o contrato não é mais
vantajoso

Duração máxima de 10 anos


Para outro grupo de contratos, o legislador estabeleceu prazo máximo de 10 anos (art. 108). São
eles:
❑ bens ou serviços produzidos ou prestados no País que envolvam, cumulativamente, alta
complexidade tecnológica e defesa nacional;

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❑ materiais de uso das Forças Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal e
administrativo, quando houver necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura
de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante autorização por ato do
comandante da força militar;
❑ para contratação com vistas ao cumprimento do disposto nos arts. 3º, 3º-A, 4º, 5º e 20 da Lei nº
10.973, de 2 de dezembro de 2004 [Lei da Inovação], observados os princípios gerais de
contratação constantes da referida Lei;
❑ para contratação que possa acarretar comprometimento da segurança nacional, nos casos
estabelecidos pelo Ministro de Estado da Defesa, mediante demanda dos comandos das Forças
Armadas ou dos demais ministérios;
❑ para contratação em que houver transferência de tecnologia de produtos estratégicos para
o Sistema Único de Saúde (SUS), conforme elencados em ato da direção nacional do SUS, inclusive
por ocasião da aquisição desses produtos durante as etapas de absorção tecnológica, e em
valores compatíveis com aqueles definidos no instrumento firmado para a transferência de
tecnologia;
❑ para contratação de associação de pessoas com deficiência, sem fins lucrativos e de
comprovada idoneidade, por órgão ou entidade da Administração Pública, para a prestação de
serviços, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado e os serviços
contratados sejam prestados exclusivamente por pessoas com deficiência;
Note que, para os 4 primeiros casos acima, a Lei 8.666 já previa prazo de 120 meses (equivalentes
aos 10 anos da nova lei), tendo sido acrescentadas as duas últimas hipóteses da lista acima. Além
disso, todos estes casos representam hipóteses de dispensa de licitação, listadas no rol do art. 75
da nova lei.

Duração máxima de 15 anos


O artigo 114 da nova lei prevê que o contrato que previr a operação continuada de sistemas
estruturantes de tecnologia da informação poderá ter vigência máxima de 15 anos.
Repare que, embora seja um serviço contínuo (o qual normalmente atrairia o prazo máximo de 5
anos), estamos diante da operação de um sistema estruturante de TI, o que permite um contrato
com vigência inicial de 15 anos.
----
Após termos detalhado os contratos de acordo com os prazos de 5, 10 e 15 anos, vamos comentar
duas situações específicas igualmente importantes para fins de prova.

Contratos de eficiência ou que gerem receita para Administração


Antes de detalhar os prazos deste tópico, vale a pena contextualizar os contratos de eficiência e
aqueles que geram receita para a Administração.
Contrato de eficiência consiste, em linhas gerais, à contratação de serviços que têm por objetivo
proporcionar economia à Administração, na forma de redução de despesas operacionais (Lei
14.133, art. 6º, LIII).

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Já nos contratos que geram receita para a Administração, quem irá receber recursos financeiros a
partir do contrato é a Administração.
Seja para os contratos de eficiência ou para aqueles que gerem receita, os prazos serão de até
(art. 110):

10 anos contratos sem investimento

35 anos contratos com investimento

Para deixar clara a diferença entre estas situações, o legislador previu que são considerados
contratos com investimento aqueles que impliquem a elaboração de benfeitorias permanentes,
realizadas exclusivamente às custas do contratado, que serão revertidas ao patrimônio da
Administração Pública ao término do contrato (art. 110, II, parte final).
Reparem que, quando há investimento por parte do contratado, é natural que o contrato tenha
um prazo maior, a fim de que a empresa consiga recuperar o investimento por ela realizado de
maneira diluída ao longo do tempo.

Contratos de fornecimento e prestação de serviço associado


Nos contratos sob regime de “fornecimento e prestação de serviço associado”, o artigo 113 da
Lei 14.133 prevê que:
❑ sua vigência máxima será definida pela soma do prazo relativo ao fornecimento inicial (ou
à entrega da obra) com o prazo relativo ao serviço de operação e manutenção

❑ o prazo do serviço de operação e manutenção é limitado a 5 anos, contados da data de


recebimento do objeto inicial
❑ é possível a prorrogação deste contrato até o limite de 10 anos, na forma do art. 107, como
ocorre em relação aos serviços contínuos
Lembro que, nestes contratos, existem dois momentos distintos. Em um primeiro momento, o
contratado deverá fornecer um objeto para a Administração e, em um segundo, inicia-se a
prestação dos serviços associados àquele objeto (art. 6º, XXXIV).
Embora o legislador tenha previsto que sua vigência máxima é dada pela soma destes dois
momentos, a segunda etapa terá, assim como um serviço contínuo, vigência máxima de 5 anos,
sendo possível a prorrogação por no máximo 10 anos.

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Contratos por escopo


Nos contratos com escopo predefinido, o contratado irá realizar uma atividade específica em
período predeterminado, a exemplo de um projeto, de uma obra. Nestes casos, é natural que o
foco seja deslocado da duração do contrato (em X anos) para a conclusão de 100% do escopo.
A este respeito, o legislador limitou-se a afirmar que seu prazo de vigência será automaticamente
prorrogado quando seu objeto não for concluído no período previsto em contrato (art. 111).
Mas, se o atraso ou a não conclusão decorrer de culpa do contratado:
Art. 111, parágrafo único, I - o contratado será constituído em mora, aplicáveis a ele
as respectivas sanções administrativas;
II - a Administração poderá optar pela extinção do contrato e, nesse caso, adotará as
medidas admitidas em lei para a continuidade da execução contratual.

Sintetizando os prazos comentados nesta seção (arts. 106-114), chegamos ao seguinte diagrama:

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prorrogável por
serviços e fornecimentos contínuos até 10 anos
máx. 5 anos aluguel de equipamentos

utilização de prog. de informática


alta complexidade tecnológica +
defesa nacional
materiais de uso das Forças Armadas
- exceto uso pessoal e administrativo

inovação tecnológica
máx. 10 anos segurança nacional
duração dos transferência de tecnologia do SUS
contratos + produtos estratégicos
(prazo previsto em
edital) associação de PcD
contratos de eficiência ou que SEM
gerem receita investimento
operação continuada de sistemas
máx. 15 anos
estruturantes de TI

contratos de eficiência e que gerem COM


máx 35 anos
receita investimento
serviços: máx.
fornecimento + prestação de
5 (prorrog. até
situação serviço associado: soma dos prazos 10 anos)
específica prazo automaticamente
contrato por
prorrogado se não concluído a
escopo
tempo

RESPONSABILIDADE PELA EXECUÇÃO DO CONTRATO


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Neste tópico veremos quem responderá por determinadas ocorrências durante a execução do
contrato administrativo.
Estudaremos as situações em que (i) são detectados defeitos no trabalho realizado pelo
contratado, (ii) o contratado causa danos à Administração ou a terceiros e (iii) o contratado deixa
de pagar certos encargos.

Vícios e defeitos no produto da execução do contrato


Primeiramente, é importante ressaltar que, se o contratado presta um serviço, por exemplo, e
posteriormente são detectados defeitos ou incorreções resultantes dos materiais utilizados ou da
forma de execução do objeto, o contratado será chamado a reparar os defeitos às suas custas:

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Art. 119. O contratado será obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou


substituir, a suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se
verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes de sua execução ou de
materiais nela empregados.
Nesta situação, a Administração não pagará novamente ao contratado para corrigir um defeito
ocasionado por culpa dele (contratado).

Danos causados pela execução do objeto


Agora vamos analisar a situação em que, durante a execução do contrato, são causados danos à
Administração ou a terceiros.
Nesta situação, o contratado também será chamado a responder por tais danos, desde que
tenham decorrido de dolo ou culpa em sua conduta:
Art. 120. O contratado será responsável pelos danos causados diretamente à
Administração ou a terceiros em razão da execução do contrato, e não excluirá nem
reduzirá essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo contratante.
Caso comparássemos a redação de tal dispositivo com o que constava no art. 70 da Lei 8.666 7,
observaremos principalmente a supressão do trecho que delimitava aos danos causados em
decorrência de dolo ou culpa do contratado, o que, por um lado, permitiria cogitar que passa a
ser objetiva a responsabilidade do contratado, aproximando-se tal situação da regra prevista na
Lei das Estatais8.
Seguindo adiante, da parte final do art. 120 acima, é importante registrar que a fiscalização
contratual desempenhada pela Administração não exclui ou reduz a responsabilidade da empresa
contratada pelos danos que a execução do contrato venha a causar a terceiros. Portanto, a
legislação exclui a chamada culpa in vigilando da Administração por danos causados pelo
contratado.
Por fim, é oportuno observar que o contratado responde civilmente pela solidez e segurança da
obra ou do serviço prestado. Tratando-se especificamente de obras, a nova lei fixou prazo mínimo
de 5 anos para a “garantia” por parte do contratado, quanto à solidez e segurança dos materiais,
estabelecendo expressamente sua responsabilidade objetiva por defeitos surgidos neste período
(Art. 140, § 2º).

7 Lei 8.666/1993, art. 70. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a
terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, (..).
8Lei 13.303/2016, art. 76. O contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas
expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes
da execução ou de materiais empregados, e responderá por danos causados diretamente a terceiros ou à empresa
pública ou sociedade de economia mista, independentemente da comprovação de sua culpa ou dolo na execução do
contrato.

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Encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais


A nova lei de licitações prevê que somente o contratado será responsável pelos encargos
trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato, consoante
prevê o caput do art. 121 da nova lei.
Portanto, o pagamento dos salários dos empregados vinculados ao contrato, o pagamento de
tributos, inclusive de natureza previdenciária, e obrigações de natureza comercial relacionadas ao
contrato estão a cargo do contratado, somente, como regra geral.
Mas a Lei 14.133 prevê também o que ocorrerá se o contratado deixa de cumprir tais encargos,
isto é, se o contratado estiver em situação de inadimplência em relação a estes encargos.
Segundo a lei, para os encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, a inadimplência do contratado
não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento (art. 121, §1º). A
inadimplência quanto a estes encargos também não poderá onerar o objeto do contrato, ou seja,
não poderá impor ônus, como impedimento à regularização ou à obtenção de alvará de
funcionamento ao edifício.
No que se refere aos encargos previdenciários e trabalhistas, teremos uma exceção envolvendo
os contratos de “serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra”9.
Nestes contratos, a inadimplência do contratado pode fazer com que a Administração responde
de maneira solidária pelos encargos previdenciários e subsidiária pelos encargos trabalhistas (art.
121, §2º).
Além disso, teremos outra peculiaridade envolvendo os encargos trabalhistas e os contratos de
serviços continuados. A nova lei de licitações – seguindo entendimento do STF10 – estabeleceu
que a responsabilidade da Administração não é automática, pois depende de a Administração ter
sido negligente quanto ao seu dever de fiscalizar o contrato (art. 121, §2º, parte final).

9Art. 6º, XVI - serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra: aqueles cujo modelo de
execução contratual exige, entre outros requisitos, que:
a) os empregados do contratado fiquem à disposição nas dependências do contratante para a prestação dos serviços;
b) o contratado não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de uma contratação para execução
simultânea de outros contratos;
c) o contratado possibilite a fiscalização pelo contratante quanto à distribuição, controle e supervisão dos recursos
humanos alocados aos seus contratos;
10 A exemplo do Recurso Extraordinário (RE) 760931.

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Fiscais

Comerciais Administração não


responde (regra)

Trabalhistas
Inadimplência do
contratado quanto a
encargos Administração
regra geral
não responde
Trabalhistas
Serv. responde
se houver falha
contínuos c/ subsidiariamen
na fiscalização
dedicação te
exclusiva de
M/O Previdenciários Administração responde
solidariamente

Por fim, lembro que, mesmo quando a empresa contratada subcontratar parte do objeto, ela
continuará responsável pelas obrigações legais ou contratuais inicialmente assumidas (art. 122).

FORMAS DE RECEBIMENTO DO OBJETO


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Após o particular ter celebrado o contrato administrativo, ter executado o contrato durante sua
vigência, a Administração ter fiscalizado esta execução contratual, o particular irá entregar o
objeto contratado ao ente público contratante.
Se o objeto do contrato é uma obra, por exemplo, este é o momento em que o contratado
considera a obra concluída e a entrega à Administração. Sendo fornecimento de bens, como
mesas e cadeiras para as repartições públicas, este é o momento em que o particular entrega os
bens, por exemplo, no almoxarifado da repartição.
A partir daí a Administração irá realizar alguns procedimentos para receber o objeto contratado.
Se a Administração recebeu o objeto do contrato, estará confirmando que este foi executado de
acordo com o contrato, o que irá permitir o pagamento ao contratado.
Neste tópico, estudaremos justamente os procedimentos previstos na legislação para que os
agentes públicos do órgão contratante possam receber o objeto contratado e, assim, atestar sua
entrega.
Segundo Hely Lopes Meirelles11, a entrega e o recebimento do objeto do contrato constituem a
etapa final da execução de todo ajuste administrativo para a liberação do contratado.

11 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 261.

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Esta “liberação”, no entanto, não significa que o contratado esteja integralmente isento de
responsabilidades pelo objeto, como detalharemos adiante. Todavia, lhe permite receber a
remuneração a que tiver direito.
Dada a importância do recebimento do objeto, a legislação prevê, em regra, que ocorra em duas
etapas: recebimento provisório e definitivo.
O recebimento provisório é realizado, segundo já lecionava Hely Lopes Meirelles, em caráter
experimental, dentro de um período determinado, para a verificação da perfeição do objeto do
contrato, especialmente quanto aos aspectos técnicos.
Neste momento, a Administração submete o objeto entregue a testes necessários à comprovação
de sua qualidade, resistência, operatividade e conformidade com o projeto e especificações.
As falhas e imperfeições identificadas no período do recebimento provisório devem ser ajustadas
por conta do contratado (art. 119). Por este motivo, até que ocorra o recebimento definitivo, ficam
retidas as garantias contratuais oferecidas por ele.
Já o recebimento definitivo é aquele realizado em caráter permanente, incorporando o objeto do
contrato ao patrimônio do ente público contratante e considerando o ajuste regularmente
executado pelo contratado.
Dessa forma, é por meio do recebimento definitivo que o ente público confirma que o objeto do
contrato foi executado conforme suas especificações.
O recebimento definitivo exonera o contratado dos encargos contratuais, mas não da
responsabilidade pela solidez e segurança da obra, pelo prazo mínimo de 5 anos, nem das faltas
ético-profissionais:
Art. 140, § 2º O recebimento provisório ou definitivo não excluirá a responsabilidade
civil pela solidez e pela segurança da obra ou serviço nem a responsabilidade ético-
profissional pela perfeita execução do contrato, nos limites estabelecidos pela lei ou
pelo contrato.
Após esta breve contextualização, passaremos a tratar das regras legais específicas quanto aos
recebimentos provisório e definitivo.
Veremos que as exigências impostas pela nova lei de licitações, irão variar conforme o tipo de
objeto: obra, serviço e compras de mercadorias (similar ao que já ocorria pela Lei 8.666/1993).
O legislador optou por ser mais rigoroso quanto ao recebimento de obras e serviços e menos
rigoroso no recebimento de compras. Assim, impôs controles mais rígidos quanto à quantidade
de servidores em cada uma destas etapas12.

12Na nova lei, não houve a previsão de prazos mínimos para recebimento (como ocorria sob o regramento da Lei
8.666), pois deverão ser previstos em regulamento ou no próprio contrato. Além disso, na nova lei não foram
previstas regras próprias para o recebimento de equipamentos alugados.

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Tomem um fôlego e vamos lá!


A) Recebimento de obras e serviços
O recebimento provisório é feito pelo responsável pelo acompanhamento e fiscalização da obra
ou da prestação de serviços, em geral o “fiscal de contrato”. Já o recebimento definitivo exigirá
uma comissão ou mesmo um outro servidor que tenha sido designado pela autoridade
competente para aquela missão.
Além disso, quanto ao documento exigido para atestar o recebimento, notem que a lei exige que
se dê por meio do “termo detalhado”, tanto para o provisório quanto para o definitivo (a Lei 8.666
exigia o “termo circunstanciado”).
----
Adiante vamos para o segundo grupo de objetos, atinente às compras de produtos.
B) Recebimento de compras
O recebimento provisório das compras é um pouco mais simplificado que o anterior, de sorte que
ocorrerá de forma sumária (sem a emissão do “termo detalhado”). Aqui, o termo detalhado não
para o recebimento provisório, apenas para o definitivo.
Sintetizando as exigências aplicáveis aos recebimentos, temos o seguinte:
Provisório Definitivo
responsável por seu
acompanhamento e fiscalização Servidor ou comissão
Obras e Serviços
(Fiscal de contrato)

Termo detalhado
responsável por seu
acompanhamento e fiscalização Servidor ou comissão
Compras
(Fiscal de contrato)

Sumário Termo detalhado


Caso, no entanto, o objeto seja entregue em desacordo com o contrato, ele poderá ser rejeitado,
no todo ou em parte (art. 140, §1º).

MEIOS ALTERNATIVOS DE RESOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS


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Tradicionalmente, quando há um conflito entre duas ou mais pessoas, que não pôde ser
solucionado por elas, o caso acaba sendo levado ao Poder Judiciário.

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Ocorre que, buscando a solução mais célere e menos dispendiosa destes conflitos, mais
recentemente13 têm sido utilizados – até mesmo pela Administração Pública14 – os chamados
“meios alternativos” de resolução de conflitos, como a arbitragem, a conciliação e a mediação.
Nesse sentido, a Lei 14.133 consolidou a possibilidade de utilização destes meios alternativos para
resolução dos conflitos que possam surgir no bojo de contratos administrativos, prevendo que:
Art. 151. Nas contratações regidas por esta Lei, poderão ser utilizados meios
alternativos de prevenção e resolução de controvérsias, notadamente a
conciliação, a mediação, o comitê de resolução de disputas e a arbitragem.
Vejam que a lei admite expressamente as seguintes formas:

meios alternativos de solução de controvérsias - NLL

comitê de
arbitragem conciliação mediação resolução de
disputas
Estas formas de solução poderão ser aplicadas às discussões relacionadas a direitos patrimoniais
disponíveis, como as questões relacionadas ao restabelecimento do equilíbrio econômico-
financeiro do contrato, ao inadimplemento de obrigações contratuais por quaisquer das partes e
ao cálculo de indenizações (art. 151, parágrafo único).
Além disso, ainda que o instrumento do contrato não tenha, incialmente, previsto esta
possibilidade, é possível que os contratos sejam aditados para preverem a adoção dos meios
alternativos de resolução de controvérsias (art. 153).

EXTINÇÃO E ANULAÇÃO DO CONTRATO


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Neste tópico trataremos do desfazimento prematuro do contrato, seja por sua anulação ou pelas
hipóteses de extinção.
Nesta aula, iremos focar nas modalidades de desfazimento do contrato mencionadas na nova lei
de licitações, deixando de detalhar aquelas que, embora mencionadas pela doutrina, não constam
do texto legal, a exemplo do advento do termo contratual, da conclusão do escopo do contrato
(extinções naturais) e da impossibilidade material ou jurídica de execução do contrato.
Antes de avançar, reparem que a anulação do contrato consiste no desfazimento do contrato em
razão de uma ilegalidade.

13 Alinhado ao que prevê o Código de Processo Civil, em seu artigo 3º, §3º.
14A exemplo do previsto na Lei 8.987/1995, art. 23-A, e das alterações promovidas pelas Leis 13.129 e 13.140,
ambas de 2015.

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Já na extinção (então chamada de “rescisão” na Lei 8.666/1993), o contrato é desfeito por causa
de situações diversas, como o descumprimento do contrato, o interesse público ou situações de
força maior ou caso fortuito.

Extinção
Nos termos do art. 138 da nova lei, o contrato administrativo poderá ser extinto das seguintes
formas:

exceto no caso de
descumprimento decorrente
Unilateralmente
da própria conduta da
Administração
Extinção por acordo, por conciliação,
contratual consensual mediação ou por comitê de
resolução de disputas
por decisão judicial ou
arbitral

Muito bem, conhecidas as hipóteses de extinção, vamos agora detalhar as formas pelas quais ela
poderá ocorrer.
Extinção unilateral
A Administração, diferentemente do contratado, não necessita recorrer ao Judiciário para
extinguir um contrato, na medida em que o ordenamento jurídico lhe confere o poder de extinguir
unilateralmente o contrato, em determinadas hipóteses. Trata-se, como vimos, de uma cláusula
exorbitante dos contratos administrativos.
A partir do que prevê o art. 138, I, parte final, percebam que a extinção unilateral somente será
possível quando o inadimplemento contratual não for imputável à administração pública. Isto
porque, quando a Administração der causa ao descumprimento contratual (ou seja, nos “fatos da
administração”), poderá ter lugar as outras duas espécies de extinção (consensual ou via
judicial/arbitral).
Nesta hipótese, será necessária a autorização por escrito e fundamentada da autoridade
competente (art. 138, §1º).
Em determinados casos de extinção unilateral, especialmente quando houver culpa do contratado,
além da própria extinção caberá a aplicação de sanções administrativas e, eventualmente a
assunção do objeto do contrato pela Administração, conforme estabelece o artigo 139.
Extinção consensual
A extinção consensual também é feita quando houver interesse da Administração, mas aqui em
geral exige-se a concordância do contratado. Segundo a nova lei, esta modalidade de extinção

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poderá se dar por meio de (i) acordo entre as partes, (ii) conciliação, (iii) mediação ou (iv) por
comitê de resolução de disputas – art. 138, II.
Como detalhado em tópico anterior desta aula, repare que, além do simples acordo entre
contratante e contratado, estamos também diante de meios alternativos de solução de conflitos
(conciliação, mediação e dispute board). No entanto, note que a extinção consensual não admite
a utilização da arbitragem, tratada no próximo tópico.
Na extinção consensual, também será necessária a autorização por escrito e fundamentada da
autoridade competente (art. 138, §1º).
Extinção judicial ou arbitral
Diferentemente das extinções unilateral e consensual (em que há interesse da Administração), aqui
estamos diante de uma extinção litigiosa, que exigirá ou (i) uma decisão judicial ou (ii) a decisão
arbitral. Nestes casos, a decisão – do juiz ou do árbitro – será imposta à Administração,
independentemente de seu interesse. Segundo o legislador, trata-se de hipóteses em que o
contratado “terá direito à extinção do contrato”.
A novidade da Lei 14.133 fica por conta da expressa previsão quanto à atuação de árbitros na
resolução de conflitos da Administração, o que irá depender da existência de cláusula
compromissória ou compromisso arbitral15.
De toda forma, percebam que esta modalidade em geral é requerida pelo contratado, nos casos
de inadimplemento pela Administração, já que ele, em muitos casos, não pode paralisar a
execução do contrato, tampouco extinguir unilateralmente.
Já antevendo as questões de prova sobre este assunto, percebam as principais diferenças desta
categoria de extinção com as duas anteriores:

15Segundo os arts. 4º e 9º da Lei 9.307/1996, cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes
em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal
contrato; e o compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de
uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial.

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unilateral consensual litigiosa

há interesse da há interesse da não depende de interesse


Administração Administração da Administração

hipóteses: hipóteses:
não aplicável no caso de •acordo
descumprimento por •conciliação •judicial
parte da Administração •mediação •arbitral
•comitê

necessária autorização necessária autorização


por escrito e por escrito e determinação judicial ou
fundamentada da fundamentada da arbitral
autoridade competente autoridade competente

Anulação
O contrato poderá ser declarado nulo quando se concluir que ele padece de uma irregularidade
insanável.
Isto porque, caso se esteja diante de uma irregularidade sanável, o gestor público deveria optar
pela correção da irregularidade (saneamento), sem chegar ao extremo de desfazer o contrato.

Mas não basta o gestor estar diante de uma irregularidade insanável. Segundo a nova sistemática
da Lei 14.133, a anulação do contrato (ou da licitação) exige, adicionalmente, que tal medida se
revele de acordo com o interesse público. Nesse sentido, o artigo 147 prevê que:
Art. 147. Constatada irregularidade no procedimento licitatório ou na execução
contratual, caso não seja possível o saneamento, a decisão sobre a suspensão da
execução ou sobre a declaração de nulidade do contrato somente será adotada na
hipótese em que se revelar medida de interesse público, com avaliação, entre outros,
dos seguintes aspectos: (..)

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Detalhando um pouco mais, parte da doutrina16 tem defendido que a Lei 14.133 criou um "estudo
de impacto invalidatório"17, de sorte que a decisão pelo desfazimento do contrato administrativo
(ou mesmo pela sua suspensão) seria adotada após a ponderação de diversos aspectos (e não mais
seria um efeito “automático” da existência de irregularidade) e, assim, se demonstrar que é a
medida mais consentânea ao interesse público:

irregularidad interesse
anulação
e insanável público

Caso sejam ponderados determinados aspectos e a Administração entenda que a paralisação ou


anulação não é do interesse público, o poder público deverá optar pela continuidade do contrato
e pela solução da irregularidade por meio de indenização por perdas e danos, sem prejuízo da
apuração de responsabilidade e da aplicação de penalidades cabíveis (art. 147, parágrafo único).
De toda forma, assim como estudamos em relação aos atos administrativos, a anulação pode ser
realizada pela própria Administração Pública, mediante provocação ou de ofício, ou pelo Poder
Judiciário, mediante provocação.
E, assim como nos “atos administrativos”, a anulação do contrato, em regra, também produz
efeitos retroativos (ex tunc):
Art. 148. A declaração de nulidade do contrato administrativo requererá análise prévia
do interesse público envolvido, na forma do art. 147 desta Lei, e operará
retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que o contrato deveria produzir
ordinariamente e desconstituindo os já produzidos.
Portanto, como regra, a anulação do contrato opera efeitos retroativos, desfazendo o vínculo entre
o contratado e o ente público desde o nascimento do contrato.
Apesar de a retroação dos efeitos da anulação ser a regra geral, o legislador previu duas exceções:
Art. 148 , § 1º Caso não seja possível o retorno à situação fática anterior, a nulidade
será resolvida pela indenização por perdas e danos, sem prejuízo da apuração de
responsabilidade e aplicação das penalidades cabíveis.
Art. 148 , § 2º Ao declarar a nulidade do contrato, a autoridade, com vistas à
continuidade da atividade administrativa, poderá decidir que ela só tenha eficácia em
momento futuro, suficiente para efetuar nova contratação, por prazo de até 6 (seis)
meses, prorrogável uma única vez.

16 Consoante leciona Marçal Justen Filho.


17 Assim como consta na LINDB, art. 21, caput, e art. 22, §1º.

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No primeiro caso (art. 148, §1º), os efeitos não retroagem, mas podem ser cobradas indenizações
buscando-se reparar aqueles que foram lesionados pela irregularidade (e são apuradas as
responsabilidades pela irregularidade identificada).
Já no segundo caso (art. 148, §2º), considerando o princípio da continuidade, a Administração
poderia modular os efeitos da anulação, permitindo que o contrato ainda perdure pelo tempo
necessário para se fazer nova contratação. Nesta hipótese, o contrato ainda poderia ser executado
por mais 6 meses, prorrogáveis uma única vez.
----
Além disso, uma vez desfeito o contrato em razão de sua nulidade, caso o contratado já tenha
comprovadamente se mobilizado para a prestação de serviços, adquirido produtos para entregar
à Administração ou, até mesmo, executado parte do contrato, ele deverá ser indenizado (art. 149).
Percebam que a indenização pode se referir a (i) parcela do objeto executada e (ii) outros prejuízos
que tenha sofrido (chamados de “danos emergentes”).
A legislação não prevê qualquer indenização em relação a lucros cessantes, que consiste na
parcela de lucro que o particular deixou de auferir caso o contrato houvesse sido executado
regularmente.
Além disso, não há que se falar em indenização se o prejuízo houver acontecido por culpa do
contratado.

MUTABILIDADE DO CONTRATO E TEORIA DA IMPREVISÃO


INCIDÊNCIA EM PROVA: BAIXA
Anteriormente nesta aula estudamos situações que autorizam a alteração do contrato. Nesse
sentido, é importante percebermos que o contrato administrativo é mutável. Além da alteração
contratual, unilateral ou mediante acordo entre as partes, a avença pode ser modificada em razão
de circunstâncias alheias à vontade das partes.
Em razão desta mutabilidade, o equilíbrio do contrato administrativo é essencialmente dinâmico.
Assim, para minimizar a insegurança econômica do contratado, foi elaborada a teoria do equilíbrio
econômico do contrato administrativo, na qual são estudados mecanismos de manutenção do
equilíbrio econômico-financeiro inicialmente pactuado, incluindo a teoria da imprevisão.
Em todos os casos, havendo mudanças profundas nas condições inicialmente pactuadas, há um
rompimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, dando azo à alteração do contrato
para, quando possível, reestabelecer o equilíbrio original ou, quando não for possível, à
promovendo-se sua extinção.
Sendo possível a recomposição do equilíbrio contratual, esta se dará por meio de acordo entre as
partes (alteração bilateral). A respeito das áleas ou riscos de quem contrata com o poder público,
tomando por base as lições de Di Pietro, temos as seguintes situações possíveis:

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- Presente em qualquer tipo de negócio.


Álea ordinária ou Resultam da própria flutuação do
empresarial mercado (riscos da própria atividade
empresarial).
- Em regra, o contratado responde.

alteração unilateral

Administração
Álea administrativa fato do príncipe
Riscos responde
(ou ‘áleas’)
fato da administração

aplicação da teoria da
Álea econômica
imprevisão

regra: rescisão
Caso fortuito e força
contratual sem culpa
maior
das partes

Deixando de lado o ‘caso fortuito e força maior’ e as situações específicas envolvendo matriz de
alocação de riscos (art. 22), teremos três diferentes tipos de riscos no contrato administrativo, a
saber.
A álea ordinária (ou empresarial) é aquela ordinariamente assumida pelo empresário na condução
das atividades empresariais, é risco ordinário e contratual, integralmente assumido pela empresa
contratada.
Diferentemente, as áleas administrativa e econômica estão dentro da álea extraordinária, já que
são situações que fogem ao ordinariamente esperado de um contrato. Dentro da álea econômica,
estudaremos a chamada “teoria da imprevisão”, importantíssima em provas! Veremos que,
diferentemente do que ocorre em relação à álea ordinária, estas situações extraordinárias não são
suportadas integralmente pelo contratado.
----
Adiante iremos estudar as circunstâncias que provocam alterações nos contratos administrativos,
examinando mais especificamente o fato do príncipe, fato da administração, as interferências
imprevistas, além do caso fortuito e da força maior e da teoria da imprevisão (álea econômica).
Como há grande controvérsia doutrinária quanto à classificação das figuras que se seguem, iremos
nos pautar pela posição esposada por Di Pietro, não deixando de enumerar outros tipos
igualmente importantes para fins de prova.

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Fato do príncipe
Segundo leciona Hely Lopes Meirelles, fato do príncipe consiste em toda determinação estatal,
geral, positiva ou negativa, imprevista e imprevisível, que onera substancialmente a execução do
contrato administrativo.

Exemplo: a Administração contrata uma empresa para fornecer mil unidades de um


medicamento importado, ao custo unitário de R$ 1mil. Dez dias depois, sobrevém o
aumento da alíquota do imposto de importação, de sorte que é impossível ao particular
fornecer os medicamentos àquele valor.

Percebam que o ato de majoração do imposto tem caráter geral, alcançando a todos que se
encontrarem importando aqueles produtos, incluindo o particular recém celebrado. Neste caso, o
contrato é atingido de modo incidental (ou reflexamente).
Além disso, nesta majoração o Estado não atuou como uma das partes do contrato, mas fez uso
do seu poder de império.
Quando a conduta estatal, nesta condição, desequilibra a economia do contrato ou impede sua
plena execução, deverá haver a revisão dos custos do contrato mediante acordo entre as partes.
É um exemplo do chamado “reequilíbrio econômico-financeiro do contrato” (art. 134, caput).
No mesmo exemplo acima, se a Administração, ao invés de aumentar a alíquota de importação,
baixasse uma lei proibindo a importação daquele medicamento, o contrato seria rescindido (sem
culpa do contratado), uma vez que o fato do princípio tornou impossível sua execução.
Fato da Administração
Fato da Administração consiste em toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo direta
e especificamente sobre o contrato, retarda ou impede sua execução.

Exemplos18: a Administração contrata empresa para construção de um hospital, mas não


lhe entrega o local da obra; a Administração não providencia as desapropriações
necessárias para construção de uma rodovia; atraso nos pagamentos por longo tempo.

Percebam que o fato da Administração não se confunde com o fato do príncipe:

18 Adaptados a partir de MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 270-271.

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Aula 03

ato geral, que incide indiretamente


Fato do príncipe
sobre o contrato

Fato da ato específico, diretamente


Administração relacionado ao contrato

Surgindo um “fato da administração”, o contratado poderá pleitear a extinção do contrato


(judicial/arbitral ou amigável) por culpa da Administração. O que não se permite ao particular,
como regra, é a paralisação automática dos trabalhos pela invocação da exceção de contrato não
cumprido.
Percebam, portanto, que aqui não há responsabilidade do particular pela inexecução do contrato.
Assim, caso surja um fato da Administração poderá ter lugar a (i) extinção do contrato ou sua (ii)
revisão para a continuidade dos trabalhos.
No primeiro caso, o particular será indenizado pelos prejuízos causados pelo fato da
administração.
No segundo, havendo desequilíbrio da equação econômico-financeira inicial, as partes são
obrigadas a uma nova composição de preços, destinada a compensar os prejuízos causados ao
contratado.
Estudadas as situações que compõem a álea administrativa, adiante iremos abordar o “caso
fortuito e força maior”, as “interferências imprevistas” e, na sequência, a “álea econômica”, a qual
dá ensejo à teoria da imprevisão.
Caso fortuito e força maior
O caso fortuito e a força maior consistem em eventos imprevisíveis ou inevitáveis que criam ao
contratado uma impossibilidade absoluta de executar o contrato.
Apesar do intenso debate doutrinário quanto à exata diferenciação de “força maior” e de “caso
fortuito”, de acordo com o entendimento perfilhado por Hely Lopes Meirelles19, força maior é o
evento humano que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade, cria para o contratado
impossibilidade intransponível de regular execução do contrato.

Exemplo: greve que paralisou o transporte de um produto do qual depende a execução


do contrato, desde que não exista outros meios para contornar a incidência daquele fato
no contrato.

19 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 268-269.

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Já caso fortuito consiste no evento da natureza que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade,
cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do contrato.

Exemplo: fortes chuvas que inundam o local em que a obra seria executada.

Em qualquer dos casos (causa humana ou da natureza), o que caracteriza o evento como caso
fortuito ou força maior são: a imprevisibilidade, a inevitabilidade de sua ocorrência e o absoluto
impedimento de se executar o contrato20.
Reparem que aqui não se trata de mera falta de previsão (evento imprevisto, mas previsível), mas
da impossibilidade de sua previsão.
A força maior e o caso fortuito equiparam-se ao fato da administração quanto aos efeitos
produzidos, no sentido de isentar a responsabilidade do particular pela inexecução do contrato.
Na Lei 14.133, ambas as circunstâncias autorizam (i) a extinção do contrato sem culpa das partes
– art. 137, V – ou (ii) a alteração bilateral do contrato – art. 124, II, ‘d’.
Além disso, nos regimes de contratação integrada e semi-integrada, embora a regra geral seja
pela impossibilidade de alteração contratual, havendo força maior ou caso fortuito será possível a
alteração do valor dos contratos (art. 133, I).
No próximo item, veremos situações que, embora previsíveis, deixaram de ser identificadas.
Interferências imprevistas
As interferências imprevistas consistem em ocorrências de ordem material (não previstas pelas
partes) que surgem na execução do contrato, de modo surpreendente e excepcional, dificultando
e onerando de modo extraordinário o prosseguimento dos trabalhos.

Exemplo21: a Administração celebra contrato de obra pública, no qual havia indicado que
o terreno do local seria arenoso. No entanto, durante as obras, constata-se que, na
verdade, o terreno é rochoso, o que irá onerar sobremaneira a empresa contratada.

As principais características das interferências imprevistas são as seguintes22:


➢ antecedem a celebração do contrato, mas não foram previstas à época
➢ se houvessem sido previstas, o contrato seria celebrado em bases diversas, com a
inclusão de custos correspondentes à dificuldade imprevista.
➢ oneram significativamente os custos da execução do contrato

20 Op. cit.
21 Adaptados a partir de MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 272.
22 ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 644

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Assim, a ocorrência de interferências imprevistas autoriza a revisão contratual (prazos e preços),


por acordo entre as partes (art. 124, II, ‘d’).
Teoria da Imprevisão
Como leciona Di Pietro, a álea econômica (ensejadora da teoria da imprevisão) consiste em
“acontecimento externo ao contrato, estranho à vontade das partes, imprevisível e inevitável, que
causa um desequilíbrio muito grande, tornando a execução do contrato excessivamente onerosa
para o contratado”.
Neste cenário tem lugar a teoria da imprevisão, que busca rever o contrato para se reestabelecer
o equilíbrio original.
Conforme aponta Carvalho Filho, o fundamento da teoria da imprevisão é o princípio da cláusula
rebus sic stantibus, segundo o qual o contrato deve ser cumprido desde que presentes as mesmas
condições existentes no cenário dentro do qual foi o pacto ajustado. Se tais condições forem
profundamente alteradas, rompe-se o equilíbrio contratual, e não se pode imputar qualquer culpa
à parte inadimplente.
Não seria justo obrigar a parte prejudicada a continuar cumprindo seu encargo, tendo ciência de
que ela não teria celebrado o contrato se houvesse previsto as alterações que o oneraram
profundamente.
Reparem que o acontecimento deve ser imprevisível, seja (i) quanto à sua ocorrência ou (ii) quanto
à dimensão de suas consequências. Se o fato for previsível e de consequências calculáveis, ele é
suportável pelo particular contratado, caracterizando álea econômica ordinária. Nesta situação,
não terá lugar a teoria da imprevisão.

Assim, reforço que a teoria da imprevisão somente terá lugar para a chamada álea extraordinária,
isto é, aquela que extrapola o risco ordinariamente assumido pelo empresário na condução das
atividades empresariais. A teoria da imprevisão não se aplica a simples alterações de preços, em
proporções suportáveis pelas partes.
Não podemos confundir a teoria da imprevisão com as interferências imprevistas, estudados logo
acima.
As interferências dizem respeito a fatos de ordem material, que já existiam no momento da
celebração do contrato, mas eram desconhecidos pelos contratantes (eram previsíveis). Já para a
teoria da imprevisão, há que se ter a impossibilidade de previsão, seja quanto à sua ocorrência,
seja quanto às suas consequências.
Além disso, o fato deve ser alheio à vontade das partes. Se o acontecimento decorrer da vontade
do particular, este responderá sozinho pelas consequências de seu ato. Por outro lado, se o

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acontecimento decorrer da vontade da Administração, estaremos diante de um fato do príncipe


ou da Administração, dentro das regras relativas à álea administrativa.

Ante o exposto, podemos perceber os seguintes requisitos para restabelecimento do equilíbrio


econômico-financeiro do contrato por meio da aplicação da teoria da imprevisão:
1) acontecimento estranho à vontade das partes
2) imprevisibilidade quanto à ocorrência ou quanto à dimensão das consequências
3) inevitabilidade
4) causa de profundo desequilíbrio no contrato

Atos gerais do Estado que atingem


Fato do príncipe
indiretamente o contrato

Fato da Ato da Administração que atingem


Administração diretamente o contrato

Reequilíbrio econômico- Caso fortuito e força Eventos imprevisíveis ou inevitáveis que


financeiro maior impedem a execução do contrato

Interferências de ordem material,


Interferências
preexistentes e imprevistos, que oneram a
imprevistas
execução contratual
Acontecimento imprevisível, alheio à
Teoria da Imprevisão vontade das partes que causa profundo
(álea econômica) desequilíbrio contratual, sem impedir sua
execução

CONTROLE DE LICITAÇÕES E CONTRATOS


Uma das grandes novidades da Lei 14.133 diz respeito à previsão de um capítulo específico sobre
o controle (ou fiscalização) das contratações (arts. 169-173). Ou seja, a partir de agora teremos

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regras gerais, válidas nacionalmente, a respeito dos mecanismos de controle a que se sujeitam as
licitações e os contratos administrativos regidos pela nova lei.
Reparem que esta fiscalização não se confunde com o acompanhamento e fiscalização do contrato
realizados pelo “fiscal de contrato” a que se refere o art. 117 da nova lei. O acompanhamento
realizado pelo fiscal de contrato tem por objetivo principal assegurar que a empresa contratada
cumpra as obrigações legais e contratuais assumidas.
As regras que iremos comentar aqui, de outro lado, possuem um viés muito mais amplo,
aplicando-se tanto às licitações como aos contratos, e que reforçam a preocupação do legislador
com o trinômio GRC: Governança, Riscos e Compliance23 das contratações públicas.
Ou seja, estamos diante de regras que, em síntese, buscam reforçar que

as contratações estejam alinhadas ao interesse público Governança

os riscos a que se expõem um contrato estejam gerenciados


(identificados, avaliados e endereçados), a fim de que se maximizem as Riscos
chances de sucesso da contratação

as contratações estejam de acordo com as normas aplicáveis Compliance

Nesse sentido, as regras deste capítulo buscam aprimorar a fiscalização, o controle, a que se
sujeitam as licitações e os contratos administrativos.
Estas normas aplicam-se ao controle administrativo (aquele controle realizado pela própria
administração pública no exercício da autotutela) e do controle legislativo (realizado por órgãos
do Poder Legislativo, incluindo os tribunais de contas) sobre as contratações públicas.
Avante!

Gestão de Riscos, Controle Preventivo e Linhas de defesa


INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
A nova lei prevê que as contratações estejam submetidas, de modo contínuo e permanente, a
gestão de riscos e de controle preventivo (art. 169) inclusive mediante adoção de recursos de
tecnologia da informação.
Como riscos e controles são temas relacionados à governança, o legislador previu que a
implementação destas práticas será de responsabilidade da alta administração do órgão ou
entidade.
Além disso, obedecendo à máxima de que o custo de nenhum controle pode seu benefício
potencial, o legislador previu que a adoção dos controles preventivos e da gestão de riscos e
levará em consideração os custos e os benefícios decorrentes de sua implementação, bem como

23“Compliance”, do inglês, deriva de “comply”, que significa estar em conformidade, de acordo com as normas
aplicáveis.

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devendo-se optar pelas medidas que promovam relações íntegras e confiáveis, com segurança
jurídica para todos os envolvidos, e que produzam o resultado mais vantajoso para a
Administração, com eficiência, eficácia e efetividade nas contratações públicas.
Três linhas de defesa
Seguindo boas práticas adotadas internacionalmente24, que já vinham sendo utilizadas por órgãos
de controle25, a nova lei previu que as contratações públicas estejam submetidas a 3 linhas de
defesa (art. 169, caput), assim organizadas:

1ª linha 2ª linha 3ª linha

•servidores e
empregados
públicos •assessoramento
•órgão central de
•agentes de jurídico
controle interno
licitação
•autoridades que •controle interno do
•tribunal de contas
atuam na estrutura próprio órgão
de governança do
órgão contratante

Vejam que a 1ª linha refere-se às “defesas” ou controles adotados pelos agentes que estão mais
próximos da contratação. Ou seja, nesta 1ª linha inserem-se os controles adotados pelos agentes
da contratação, servidores e empregados públicos do órgão contratante, bem como pelas
autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão contratante.
Percebam que estes agentes da 1ª linha são aqueles que estão “com as mãos na massa”
conduzindo a contratação. Portanto, eles devem se preocupar não apenas em concluir a
contratação, mas também em se certificar de que a legislação está sendo seguida e os riscos sendo
gerenciados.
Já a 2ª linha contempla a atuação das consultorias jurídicas (que examinam as minutas de editais
e contratos), bem como o controle exercido pelo órgão de controle interno do próprio órgão que
está realizando a contratação. Esta diz respeito, portanto, a controles menos próximos à
contratação do que aqueles da 1ª linha.
Por fim, a 3ª linha abrange o controle exercido pelos tribunais de contas (que são órgãos de
controle externo) e pelo órgão central de controle interno.

24 IIA. Institute of Internal Auditors. Modelo das Três Linhas do IIA 2020: uma atualização das Três Linhas de Defesa.
25 A exemplo do “Referencial de Combate a fraude e corrupção” do Tribunal de Contas da União (TCU)

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Aula 03

Acesso a documentos sigilosos pelos órgãos de controle


Para não deixar dúvidas quanto à competência dos órgãos de controle, interno ou externo, o
legislador frisou que eles poderão ter acesso a todos os documentos e informações necessárias
para realizarem seus trabalhos, inclusive àqueles sigilosos:
Art. 169, § 2º Para a realização de suas atividades, os órgãos de controle deverão ter
acesso irrestrito aos documentos e às informações necessárias à realização dos
trabalhos, inclusive aos documentos classificados pelo órgão ou entidade nos termos
da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, e o órgão de controle com o qual foi
compartilhada eventual informação sigilosa tornar-se-á corresponsável pela
manutenção do seu sigilo.

CONCLUSÃO
==1a5f64==

Bem, pessoal,
A aula de hoje também está recheada de detalhes. Espero termos ‘decifrado’ o linguajar e os
principais mecanismos da Lei 14.133/2021, no que diz respeito aos contratos administrativos.
Atenção especial às formalidades do contrato administrativo, às cláusulas exorbitantes, à duração
do contrato e aos encargos decorrentes da execução contratual.
Adiante teremos, como de costume, nosso resumo e as questões comentadas relacionadas ao
tema da aula de hoje =)
Um abraço e bons estudos,
Prof. Antonio Daud

@professordaud

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Aula 03

RESUMO
Aspectos iniciais
clásulas do próprio contrato
regras primárias
preceitos de direito público
contratos
administrativos princípios da teoria geral dos
contratos
supletivamente
preceitos de direito privado

Contrato Convênio
interesses antagônicos interesses comuns
não há contraprestação (há
há contraprestação
contrapartida)
"partes" "participantes"
regras da Lei 14.133 aplicáveis no
regras da Lei 14.133 aplicáveis
que couber e na ausência de
diretamente
norma específica

continuará a ser regido de


contrato foi assinado antes da
acordo com as regras da
publicação da Lei 14.133
legislação revogada

contrato celebrado após a Lei continuará sendo regido pela


14.133, em que a Administração "lei antiga" durante toda sua
optou por seguir a "lei antiga" vigência

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Características dos contratos administrativos

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Aula 03

Divulgação dos contratos administrativos

20 dias se celebrado após


úteis licitação
prazos
10 dias após contratação
regra: condição de úteis direta
divulgação eficácia
dos eficácia a partir da assinatura
exceção: caso de
contratos e
urgência publicação nos mesmos prazos
aditamentos
no Portal
contratação de
Nacional divulgar cachê do artista e demais
artista por
despesas do evento
inexigibilidade
peculiaridades em até 25 divulgar
dias úteis quantitativos e
após a preços unitários e
celebração totais
obras
em até 45
quantitativos
dias úteis
executados e os
após a
preços praticados
conclusão

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Cláusulas exorbitantes

para melhor adequação ao


modificação unilateral do
interesse público (respeitados
contrato
os direitos do contratado)

nos casos especificados na Lei


extinção unilateral
14.133/2021

fiscalizar a execução do
contrato
pela inexecução total ou
parcial do ajuste
aplicar sanções
cláusulas
exorbitantes motivadas

risco à prestação de serviços


essenciais
ocupação provisória nas
hipóteses de: acautelar apuração
administrativa de faltas
exigência de garantias pela contratuais
Administração

restrições à exceção do
contrato não cumprido

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Aula 03

evitar descontinuidade na prestação de


serviços essenciais
Ocupação
provisória como medida acautelatória, durante a inclusive após o fim
apuração de faltas administrativas do contrato

De proposta 1%

Regra geral 5%

Complexidade técnica e riscos 10%


De execução
Obras e serv. eng. de grande
30%
vulto (200 mi)
Garantias
Contratado é depositário de + o valor dos
bens da Administração bens
Caução em dinheiro ou em títulos
da dívida pública
Modalidades contratado
Seguro-garantia
escolhe
Fiança bancária (regra)

Obras e serv. edital pode exigir


engenharia seguro-garantia
Seguradora é anuente no contrato

Obrigação de a seguradora
assumir e concluir a obra
(step in)

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Particular mantém regularmente a


até 2 meses
execução do contrato

Particular suspende a
execução até a
atraso no pagamento normalização dos
regra pagamentos
ou
pleiteia a extinção
superior a 2 contratual
meses
Calamidade, grave
perturbação da ordem
Exceções interna, guerra ou atraso
causado pelo
contratado

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Duração dos contratos

prorrogável por
serviços e fornecimentos contínuos até 10 anos
máx. 5 anos aluguel de equipamentos

utilização de prog. de informática


alta complexidade tecnológica +
defesa nacional
materiais de uso das Forças Armadas
- exceto uso pessoal e administrativo

inovação tecnológica
máx. 10 anos segurança nacional
duração dos
transferência de tecnologia do SUS
contratos + produtos estratégicos
(prazo previsto em
edital) associação de PcD
contratos de eficiência ou que SEM
gerem receita investimento
operação continuada de sistemas
máx. 15 anos
estruturantes de TI

contratos de eficiência e que gerem COM


máx 35 anos
receita investimento
fornecimento + prestação de serviços: máx.
situação serviço associado: soma dos prazos 5 / 10 anos
específica contrato por prazo automaticamente prorrogado
escopo se não concluído a tempo

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Encargos contratuais

Fiscais

Comerciais Administração não


responde (regra)
Trabalhistas
Inadimplência do
contratado quanto a
encargos Administração
regra geral
não responde
Serv. Trabalhistas
contínuos c/ se houver falha responde
dedicação na fiscalização subsidiariame
exclusiva de nte
Administração
M/O Previdenciários
responde
solidariamente
Recebimento e Pagamento

fiscal de contrato
provisório
termo detalhado
OBRAS e SERVIÇOS
servidor ou
comissão
definitivo
termo detalhado
RECEBIMENTO
fiscal de contrato
provisório
sumário
COMPRAS
servidor ou
comissão
definitivo
termo detalhado
Se estiver em desacordo Objeto rejeitado
com o contrato (no todo ou em parte)

Testes e provas exigidos Por conta do contratado


(salvo previsão no edital ou ato
por normas técnicas normativo)

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Resolução de conflitos contratuais

Extinção do contrato

unilateral consensual litigiosa

há interesse da há interesse da não depende de interesse


Administração Administração da Administração

hipóteses: hipóteses:
não aplicável no caso de •acordo
descumprimento por •conciliação •judicial
parte da Administração •mediação •arbitral
•comitê

necessária autorização necessária autorização


por escrito e por escrito e determinação judicial ou
fundamentada da fundamentada da arbitral
autoridade competente autoridade competente

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Nulidade do contrato

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Controle das Contratações

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QUESTÕES COMENTADAS
1.​ CNU – NÍVEL SUPERIOR – 2025
O Município Alfa, que fica na região Norte do Brasil, contratou uma obra viária. Durante a
execução do contrato, foi identificada uma ruína ancestral de povos originários, ocasionando a
revisão do traçado previsto originalmente para a estrada e gerando impactos financeiros no
contrato. O contratado solicitou equilíbrio econômico-financeiro, demonstrando os efeitos no
valor contratado.
Nesse caso, recomenda-se que o Município Alfa:
(A) não conceda o pleito, pois esse fato deveria estar previsto no orçamento do contratado;
(B) conceda o pleito, pois se trata de fato imprevisível;
(C) não conceda o pleito, remetendo a solicitação ao Tribunal de Contas do Município para a
decisão;
(D) conceda o equilíbrio, mas tenha o cuidado de remeter a solicitação à Câmara de Vereadores
para manifestação;
(E) não conceda o pleito, pois, ao firmar o contrato, o contratado assumiu esse risco.
Comentário:
Questão exigindo conhecimento sobre as hipóteses que autorizam a alteração do contrato
administrativo, mencionando o exemplo clássico de interferências imprevistas, que são
ocorrências de ordem material, não previstas pelas partes, que surgem na execução do contrato,
de modo surpreendente e excepcional, dificultando e onerando de modo extraordinário o
prosseguimento dos trabalhos. As principais características das interferências imprevistas são as
seguintes1:
​ antecedem a celebração do contrato, mas não foram previstas à época
​ se houvessem sido previstas, o contrato seria celebrado em bases diversas, com a
inclusão de custos correspondentes à dificuldade imprevista.
​ oneram significativamente os custos da execução do contrato
Sendo identificadas interferências imprevistas, está autorizada a revisão contratual (prazos e
preços), por acordo entre as partes (art. 124, II, ‘d’):
Art. 124. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas
justificativas, nos seguintes casos: (..)
II - por acordo entre as partes: (..)
d) para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em caso
de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe ou em decorrência de fatos
imprevisíveis ou previsíveis de consequências incalculáveis, que inviabilizem a
execução do contrato tal como pactuado, respeitada, em qualquer caso, a
repartição objetiva de risco estabelecida no contrato.

1
ALEXANDRINO, Marcelo. Vicente Paulo. Direito Administrativo Descomplicado. 25ª ed. p. 644

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Portanto, a letra (B) está correta, na medida em que a ruína era preexistente (isto é, anterior à
assinatura do contrato), não era conhecida naquele momento, demonstrando-se ser um fato
imprevisível.
Quanto às demais alternativas, note que a letra (A) está incorreta, pois nem se sabia da existência
da ruína, sendo impossível fazer constar dos orçamentos iniciais do contrato. A letra (C) está
incorreta, pois não se exige aprovação do Tribunal de Contas para alteração de contratos
administrativos em geral, tampouco se exige remessa do caso à Câmara de Vereadores - letra
(D).
Por fim, a letra (E) está incorreta, pois a Lei autoriza a revisão do contrato, não se impondo que o
particular contratado assuma este tipo de risco.
Gabarito (B)
2.​ CNU – NÍVEL SUPERIOR – 2025
A Universidade Federal Luzes Novas firmou contrato para fornecimento de alimentação. Trata-se
de um contrato de fornecimento contínuo, com prazo de duração de cinco anos, que se iniciou
em 2022 e rege-se pela Lei nº 14.133/2021. Durante a execução desse contrato, a universidade
atrasou o pagamento por mais de 120 dias.
Nessa situação, é correto afirmar que:
(A) a universidade poderá exigir do contratado a continuidade dos serviços e, em caso de
negativa, penalizá-lo;
(B) o contratado poderá suspender o fornecimento da alimentação, até que os pagamentos
sejam regularizados;
(C) o contratado poderá exigir que a universidade seja penalizada pelo não pagamento;
(D) a universidade poderá extinguir o contrato, porém não devolverá a garantia ao contratado;
(E) o contratado poderá extinguir o contrato, por ato unilateral.
Comentário:
A letra (B) está correta, pois em regra o atraso nos pagamentos superior a 2 meses é ato ilícito do
poder público e, portanto, dá ao contratado o direito de ou solicitar a extinção do contrato ou
suspender sua execução:
Art. 137, § 2º O contratado terá direito à extinção do contrato nas seguintes
hipóteses: (..)
IV - atraso superior a 2 (dois) meses, contado da emissão da nota fiscal, dos
pagamentos ou de parcelas de pagamentos devidos pela Administração por
despesas de obras, serviços ou fornecimentos;
(..)
§ 3º As hipóteses de extinção a que se referem os incisos II, III e IV do § 2º deste
artigo observarão as seguintes disposições: (..)
II - assegurarão ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento
das obrigações assumidas até a normalização da situação, admitido o
restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, na forma da
alínea “d” do inciso II do caput do art. 124 desta Lei.

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Quanto às demais alternativas, note que a letra (A) está incorreta, pelos mesmos motivos
comentados acima.
A letra (C) está incorreta, pois não a Lei não prevê sanções contra a Administração, mesmo
quando ela comete ilicitudes.
A letra (D) está incorreta. Caso o contratado opte pela extinção do contrato, esta ocorrerá por
culpa da Administração e ele será devidamente indenizado, inclusive com a devolução da
garantia (art. 138, §2º, I).
A letra (E) está incorreta. Mesmo quando a Administração pratica um ato ilegal durante a
execução do contrato, o contratado não tem direito à extinção unilateral (somente a
Administração pode extinguir o contrato unilateralmente). Neste caso, embora tenha direito à
extinção contratual, o particular deverá solicitá-la na via judicial ou arbitral (art. 138, III).
Gabarito (B)
3.​ FGV – TCE RR/Conselheiro Substituto - 2025
Após celebrar determinado contrato administrativo com o Poder Público, a sociedade empresária
Alfa contratou a consultoria jurídica prestada pelo escritório ABC com o objetivo de melhor
entender as normas aplicáveis à execução e à fiscalização da avença administrativa.
De acordo com a narrativa e considerando as disposições da Lei nº 14.133/2021, avalie as
afirmativas a seguir.
I. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por dois ou mais fiscais do
contrato, representantes da Administração especialmente designados conforme requisitos
estabelecidos em lei, ou pelos respectivos substitutos, permitida a contratação de terceiros para
assisti-los e subsidiá-los com informações pertinentes a essa atribuição.
II. O contratado será responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a
terceiros em razão da execução do contrato, sendo certo que a fiscalização ou o
acompanhamento pelo contratante, embora não exclua essa responsabilidade, poderá reduzi-la
proporcionalmente.
III. O contratado deverá manter preposto aceito pela Administração no local da obra ou do
serviço para representá-lo na execução do contrato.
Nesse cenário, está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
Comentários:
O Item I está incorreto, pois a execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por 1
ou mais fiscais do contrato, conforme previsto expressamente no Art. 117 da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 117 - A execução do contrato deverá ser acompanhada e
fiscalizada por 1 (um) ou mais fiscais do contrato, representantes da
Administração especialmente designados conforme requisitos estabelecidos

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no art. 7º desta Lei, ou pelos respectivos substitutos, permitida a contratação de


terceiros para assisti-los e subsidiá-los com informações pertinentes a essa
atribuição.
O Item II está incorreto, pois não há redução proporcional da responsabilidade do contratado em
razão da mera existência de fiscalização ou acompanhamento da contratante:
Lei nº 14.133/2021, Art. 120 - O contratado será responsável pelos danos
causados diretamente à Administração ou a terceiros em razão da execução do
contrato, e não excluirá nem reduzirá essa responsabilidade a fiscalização ou o
acompanhamento pelo contratante.
O Item III está correto, conforme previsto expressamente no Art. 118 da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 118 - O contratado deverá manter preposto aceito pela
Administração no local da obra ou do serviço para representá-lo na execução do
contrato.
Assim, apenas o item III está correto e o gabarito é letra (C).
Gabarito (C)
4.​ FGV – TCE RR/Conselheiro Substituto - 2025
Jonas, servidor público, ao ministrar palestra em uma universidade localizada no Estado de
Roraima, afirmou que as contratações públicas deverão submeter-se a práticas contínuas e
permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo, inclusive mediante adoção de
recursos de tecnologia da informação, que tais contratações, além de subordinadas ao controle
social, estarão sujeitas a determinadas linhas de defesa.
Nesse cenário, considerando o que está disposto na Lei nº 14.133/2021, avalie as afirmativas a
seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A primeira linha de defesa das contratações públicas é integrada pelo órgão central de
controle interno da administração e pelo Tribunal de Contas.
( ) A segunda linha de defesa das contratações públicas é integrada pelas unidades de
assessoramento jurídico e de controle interno do próprio órgão ou entidade.
( ) A terceira linha de defesa das contratações públicas é integrada por servidores e empregados
públicos, agentes de licitação e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou
da entidade.
As afirmativas são, respectivamente,
(A) V–F–V.
(B) F–V–F.
(C) V–V–F.
(D) F–F–F.
(E) V–V–V.
Comentários:

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O Item I está incorreto, pois a 1ª linha de defesa é integrada por servidores e empregados
públicos, agentes de licitação e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou
entidade:
Lei nº 14.133/2021, Art. 169, I - primeira linha de defesa, integrada por servidores
e empregados públicos, agentes de licitação e autoridades que atuam na
estrutura de governança do órgão ou entidade;
O Item II está de acordo com o regramento legal sobre a 2ª linha:
Lei nº 14.133/2021, Art. 169, II - segunda linha de defesa, integrada pelas
unidades de assessoramento jurídico e de controle interno do próprio órgão ou
entidade;
O Item III está incorreto, pois a 3ª linha de defesa é pelo órgão central de controle interno da
Administração e pelo tribunal de contas, conforme previsto expressamente no Art. 169, inciso III,
da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 169, III - terceira linha de defesa, integrada pelo órgão
central de controle interno da Administração e pelo tribunal de contas.
Gabarito (B)
5.​ FGV/ISS Cuiabá - 2025
Juliana, no exercício de suas atribuições como servidora pública do Município de Cuiabá, foi
questionada acerca das peculiaridades atinentes aos contratos de prestação de serviços
contínuos, notadamente nas situações que envolvam alocação de mão de obra, à luz do disposto
na Lei nº 14.133/2021.
Diante dessa situação hipotética, assinale a resposta correta a ser dada por Juliana.
(A) Nos contratos de serviços contínuos o critério de reajustamento, observado o interregno
mínimo de um ano da data da formalização do contrato, mediante demonstração analítica da
variação dos custos, é designado de reajustamento em sentido estrito, dependendo de
requerimento e demonstração pelo contratado para a sua efetivação.
(B) Nas contratações de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra,
a Administração responderá solidariamente pelos encargos previdenciários e subsidiariamente
pelos encargos trabalhistas se comprovada falha na fiscalização do cumprimento das obrigações
do contratado.
(C) Nas licitações relacionadas aos contratos em questão não é viável que o edital exija que
percentual mínimo da mão de obra responsável pelo objeto da contratação seja constituído por
mulheres vítima de violência doméstica, nem por oriundos ou egressos do sistema prisional.
(D) Nos contratos para serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, a
repactuação deve ser realizada independentemente de requerimento do contratado, inexistindo
prazo para que a Administração responda a tal pedido, caso venha a ser formulado mediante
apresentação de documentos pelo interessado.
(E) Nas contratações de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra, para
assegurar o cumprimento das obrigações trabalhistas pelo contratado, é vedado que o edital e o
contrato prevejam, entre outras medidas, a de condicionar o pagamento à comprovação de
quitação das obrigações trabalhistas vencidas relativas ao contrato.

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Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois quando ocorre a demonstração analítica da variação dos custos o
critério de reajustamento é denominado repactuação:
Lei nº 14.133/2021, Art. 25, § 8º - Nas licitações de serviços contínuos, observado
o interregno mínimo de 1 (um) ano, o critério de reajustamento será por:
II - Repactuação, quando houver regime de dedicação exclusiva de mão de obra
ou predominância de mão de obra, mediante demonstração analítica da variação
dos custos.
A letra (B) está correta, conforme previsto expressamente no artigo 121, § 2º, da Lei nº
14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 121, § 2º - Exclusivamente nas contratações de serviços
contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, a Administração
responderá solidariamente pelos encargos previdenciários e subsidiariamente
pelos encargos trabalhistas se comprovada falha na fiscalização do cumprimento
das obrigações do contratado.
A letra (C) está incorreta, pois o edital pode exigir que percentual mínimo da mão de obra
responsável pelo objeto da contratação seja constituído por mulheres vítima de violência
doméstica e oriundos ou egressos do sistema prisional:
Lei nº 14.133/2021, Art. 25, § 9º - O edital poderá, na forma disposta em
regulamento, exigir que percentual mínimo da mão de obra responsável pela
execução do objeto da contratação seja constituído por:
I - Mulheres vítimas de violência doméstica;
II - Oriundos ou egressos do sistema prisional.
A letra (D) está incorreta, pois a repactuação deve ser solicitada pelo contratado e a
administração tem 1 mês para resposta, conforme previsto expressamente no artigo 92, § 6º, da
Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 92, § 6º - Nos contratos para serviços contínuos com
regime de dedicação exclusiva de mão de obra ou com predominância de mão
de obra, o prazo para resposta ao pedido de repactuação de preços será
preferencialmente de 1 (um) mês, contado da data do fornecimento da
documentação prevista no § 6º do art. 135 desta Lei.
A letra (E) está incorreta, pois é possível condicionar o pagamento à comprovação de quitação
das obrigações trabalhistas vencidas relativas ao contrato, conforme previsto expressamente no
artigo 121, § 3º, inciso II, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 121, § 3º - Nas contratações de serviços contínuos com
regime de dedicação exclusiva de mão de obra, para assegurar o cumprimento
de obrigações trabalhistas pelo contratado, a Administração, mediante
disposição em edital ou em contrato, poderá, entre outras medidas:
II - Condicionar o pagamento à comprovação de quitação das obrigações
trabalhistas vencidas relativas ao contrato;

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Gabarito (B)
6.​ FGV/CGM Cuiabá - 2025
Acerca da penalidade de impedimento de licitar e contratar com a Administração Pública, nos
termos da Lei nº 14.133/2021, é correto afirmar que tal sanção
(A) é a mais grave prevista na norma em comento, de modo que é a única que não pode ser
cumulada com a multa, diferentemente das demais penalidades administrativas.
(B) admite a reabilitação do licitante ou contratado, mediante o preenchimento cumulativo dos
requisitos legais, dentre os quais, o transcurso do prazo mínimo de 1 (um) ano da aplicação da
penalidade.
(C) não poderá ser aplicada nas infrações em que o responsável deixar de entregar a
documentação exigida, nem naquela em que ele não mantiver a proposta, salvo em decorrência
de fato superveniente devidamente justificado.
(D) impedirá o responsável de licitar ou contratar no âmbito da Administração Pública direta e
indireta de todos os entes federativos, pelo prazo mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis)
anos.
(E) quando aplicada por órgão do Poder Executivo, será de competência exclusiva de Ministro
de Estado, de Secretário Estadual ou de Secretário Municipal e, quando aplicada por autarquia
ou fundação, será de competência exclusiva da autoridade máxima da entidade.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois a sanção mais grave é a declaração de inidoneidade para licitar ou
contratar, conforme previsto expressamente no artigo 156, § 5º, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 156:
IV - Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
§ 5º - A sanção prevista no inciso IV do caput deste artigo será aplicada ao
responsável pelas infrações administrativas previstas nos incisos VIII, IX, X, XI e XII
do caput do art. 155 desta Lei, bem como pelas infrações administrativas
previstas nos incisos II, III, IV, V, VI e VII do caput do referido artigo que
justifiquem a imposição de penalidade mais grave que a sanção referida no § 4º
deste artigo, e impedirá o responsável de licitar ou contratar no âmbito da
Administração Pública direta e indireta de todos os entes federativos, pelo prazo
mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis) anos.
A letra (B) está correta, conforme previsto expressamente no artigo 163, inciso III, da Lei nº
14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 163 - É admitida a reabilitação do licitante ou contratado
perante a própria autoridade que aplicou a penalidade, exigidos,
cumulativamente:
III - Transcurso do prazo mínimo de 1 (um) ano da aplicação da penalidade, no
caso de impedimento de licitar e contratar, ou de 3 (três) anos da aplicação da
penalidade, no caso de declaração de inidoneidade;
A letra (C) está incorreta, pois são hipóteses em que se aplica a penalidade de impedimento de
licitar e contratar:

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Lei nº 14.133/2021, Art. 156:


III - impedimento de licitar e contratar;
§ 4º - A sanção prevista no inciso III do caput deste artigo será aplicada ao
responsável pelas infrações administrativas previstas nos incisos II, III, IV, V, VI e
VII do caput do art. 155 desta Lei, quando não se justificar a imposição de
penalidade mais grave, e impedirá o responsável de licitar ou contratar no âmbito
da Administração Pública direta e indireta do ente federativo que tiver aplicado a
sanção, pelo prazo máximo de 3 (três) anos.
Art. 155 - O licitante ou o contratado será responsabilizado administrativamente
pelas seguintes infrações:
V - Não manter a proposta, salvo em decorrência de fato superveniente
devidamente justificado;
VI - Não celebrar o contrato ou não entregar a documentação exigida para a
contratação, quando convocado dentro do prazo de validade de sua proposta;
A letra (D) está incorreta, pois o impedimento é de no máximo 3 anos:
Lei nº 14.133/2021, Art. 156:
III - impedimento de licitar e contratar;
§ 4º - A sanção prevista no inciso III do caput deste artigo será aplicada ao
responsável pelas infrações administrativas previstas nos incisos II, III, IV, V, VI e VII
do caput do art. 155 desta Lei, quando não se justificar a imposição de
penalidade mais grave, e impedirá o responsável de licitar ou contratar no âmbito
da Administração Pública direta e indireta do ente federativo que tiver aplicado a
sanção, pelo prazo máximo de 3 (três) anos.
A letra (E) está incorreta. É a aplicação da sanção de declaração de inidoneidade que exige tal
competência:
Lei nº 14.133/2021, Art. 156:
IV - Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
§ 6º - A sanção estabelecida no inciso IV do caput deste artigo será precedida de
análise jurídica e observará as seguintes regras:
I - Quando aplicada por órgão do Poder Executivo, será de competência
exclusiva de ministro de Estado, de secretário estadual ou de secretário
municipal e, quando aplicada por autarquia ou fundação, será de competência
exclusiva da autoridade máxima da entidade;
Gabarito (B)
7.​ FGV/CGM Cuiabá - 2025
Considerando as impugnações previstas na Lei nº 14.133/2021, bem como as normas atinentes
ao controle das licitações e contratações, assinale a opção correta.
(A) A impugnação do edital de licitação para solicitar esclarecimentos sobre seus termos
somente pode ser realizada pelos licitantes habilitados, que são os únicos legitimados para tanto;

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(B) Os integrantes de todas as linhas de defesa, têm o dever de prontamente invalidar as


licitações e contratações que apresentem vício na sua realização, inclusive em relação às simples
impropriedades formais;
(C) A resposta à impugnação ou ao pedido de esclarecimento devidamente realizado, deve ser
divulgada em sítio eletrônico oficial imediatamente após a data designada para a abertura do
certame;
(D) É vedado aos tribunais de contas suspender o procedimento licitatório, no âmbito do
controle que por ele é exercido sobre as licitações e contratações, que integra a terceira linha de
defesa;
(E) Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar aos órgãos de
controle interno ou ao tribunal de contas competente contra irregularidades na aplicação da lei
de licitações.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois qualquer pessoa é parte legítima para impugnar o edital de
licitações, conforme previsto expressamente no artigo 164 da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 164 - Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar
edital de licitação por irregularidade na aplicação desta Lei ou para solicitar
esclarecimento sobre os seus termos, devendo protocolar o pedido até 3 (três)
dias úteis antes da data de abertura do certame.
A letra (B) está incorreta, pois nos casos de simples impropriedade formal, as linhas de defesa
adotarão medidas para o seu saneamento e para a mitigação de riscos de sua nova ocorrência,
não se recorrendo diretamente à invalidação (anulação) da licitação/contrato:
Lei nº 14.133/2021, Art. 169, § 3º - Os integrantes das linhas de defesa a que se
referem os incisos I, II e III do caput deste artigo observarão o seguinte:
I - Quando constatarem simples impropriedade formal, adotarão medidas para o
seu saneamento e para a mitigação de riscos de sua nova ocorrência,
preferencialmente com o aperfeiçoamento dos controles preventivos e com a
capacitação dos agentes públicos responsáveis;
A letra (C) está incorreta, pois as respostas serão divulgadas no prazo de até 3 dias úteis:
Lei nº 14.133/2021, Art. 164, Parágrafo único - A resposta à impugnação ou ao
pedido de esclarecimento será divulgada em sítio eletrônico oficial no prazo de
até 3 (três) dias úteis, limitado ao último dia útil anterior à data da abertura do
certame.
A letra (D) está incorreta, pois o tribunal de contas pode, sim, suspender o processo licitatório,
conforme previsto expressamente no artigo 171, § 1º, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 171, § 1º - Ao suspender cautelarmente o processo
licitatório, o tribunal de contas deverá pronunciar-se definitivamente sobre o
mérito da irregularidade que tenha dado causa à suspensão no prazo de 25
(vinte e cinco) dias úteis, contado da data do recebimento das informações a que
se refere o § 2º deste artigo, prorrogável por igual período uma única vez, e
definirá objetivamente:

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A letra (E) está correta, conforme previsto expressamente no artigo 170, § 4º, da Lei nº
14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 170, § 4º - Qualquer licitante, contratado ou pessoa física
ou jurídica poderá representar aos órgãos de controle interno ou ao tribunal de
contas competente contra irregularidades na aplicação desta Lei.
Gabarito (E)
8.​ FGV/TJ RR-2024
Ao se deparar com um vício em um contrato administrativo, o agente público competente
passou a analisar as normas constantes da Lei nº 14.133/2021 acerca da
viabilidade/obrigatoriedade da declaração de nulidade, vindo a concluir corretamente que
(A) qualquer irregularidade na execução do contrato deve importar necessariamente no
reconhecimento de sua nulidade, independentemente do interesse público envolvido ou da
possibilidade de saneamento.
(B) os defeitos no procedimento licitatório consideram-se automaticamente sanados com a
formalização do contrato, não podendo ser reconhecidos durante a sua execução, em nenhuma
hipótese.
(C) para a declaração de nulidade basta que o vício no procedimento licitatório ou na execução
do contrato sejam insanáveis, sendo vedada a análise do interesse público no âmbito da
anulação.
(D) constatado um vício insanável e, após a análise do interesse público envolvido para fins de
anulação, a declaração de nulidade não pode operar efeitos retroativos.
(E) a anulação de um contrato administrativo exige não só que a irregularidade constatada seja
insanável, mas também que se verifique o interesse público envolvido para o seu
reconhecimento.
Comentário:
A letra (A) está incorreta. Ao contrário, não é qualquer irregularidade, mas somente aquelas
insanáveis e, ainda, quando se relevar que a medida é de interesse público:
Art. 147. Constatada irregularidade no procedimento licitatório ou na execução
contratual, caso não seja possível o saneamento, a decisão sobre a suspensão da
execução ou sobre a declaração de nulidade do contrato somente será adotada
na hipótese em que se revelar medida de interesse público, com avaliação, entre
outros, dos seguintes aspectos:
Pelo mesmo raciocínio, percebemos que a letra (E) está correta.
A letra (B) está incorreta. A celebração do contrato não representa uma espécie de
"convalidação" do processo de licitação. Como vimos acima, se houver irregularidade não
sanável durante a licitação, é possível que esta gere a nulidade do contrato.
A letra (C) está incorreta, pois é indispensável a análise do interesse público.
A letra (D) está incorreta, visto que a nulidade operará retroativamente:
Lei 14.133/21 “Art. 148. A declaração de nulidade do contrato administrativo
requererá análise prévia do interesse público envolvido, na forma do art. 147

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desta Lei, e operará retroativamente, impedindo os efeitos jurídicos que o


contrato deveria produzir ordinariamente e desconstituindo os já produzidos..”
Gabarito (E)
9.​ FGV/CVM - 2024
O diretor-executivo da sociedade empresária ABC, ao verificar que o estado Alfa publicou edital
de licitação pública, determinou que a sua assessoria jurídica lhe apresentasse um parecer sobre
a alocação de riscos no contexto dos contratos administrativos, visando a uma tomada de
decisão informada sobre a participação ou não no processo licitatório.
Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos), é correto afirmar que:
(A)​ o equilíbrio econômico-financeiro, atendidas as condições do contrato e da matriz de
alocação de riscos, será considerado mantido, renunciando as partes aos pedidos de
restabelecimento do equilíbrio relacionados aos riscos assumidos, inclusive no que se refere ao
==1a5f64==

aumento ou à redução, por legislação superveniente, dos tributos diretamente pagos pelo
contratado em decorrência do contrato;
(B)​ o contrato poderá identificar os riscos contratuais previstos e presumíveis e prever matriz
de alocação de riscos, alocando-os entre contratante e contratado, mediante indicação daqueles
a serem assumidos pelo setor público ou pelo setor privado, vedando-se o compartilhamento de
riscos;
(C)​ a matriz de alocação de riscos definirá o equilíbrio econômico-financeiro inicial do
contrato, devendo ser observada na solução de eventuais pleitos das partes, salvo em relação a
eventos supervenientes;
(D)​ a alocação dos riscos contratuais será quantificada para fins de projeção dos reflexos de
seus custos no valor estimado da contratação;
(E)​ os riscos que tenham cobertura oferecida por seguradoras serão preferencialmente
assumidos pelo setor público.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois o aumento ou a redução, por legislação superveniente, dos
tributos diretamente pagos pelo contratado em decorrência do contrato é uma exceção à
manutenção do equilíbrio econômico financeiro, de acordo com o inciso II do art. 103 da Lei nº
14.133/2021:
Art. 103, § 5º Sempre que atendidas as condições do contrato e da matriz de
alocação de riscos, será considerado mantido o equilíbrio econômico-financeiro,
renunciando as partes aos pedidos de restabelecimento do equilíbrio
relacionados aos riscos assumidos, exceto no que se refere:
I - às alterações unilaterais determinadas pela Administração, nas hipóteses
do inciso I do caput do art. 124 desta Lei;
II - ao aumento ou à redução, por legislação superveniente, dos tributos
diretamente pagos pelo contratado em decorrência do contrato.

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Antonio Daud
Aula 03

A letra (B) está incorreta, além da identificação e atribuição dos riscos entre o contratante e
contratado, a matriz de alocação de riscos também pode estabelecer quais riscos serão
compartilhados entre eles:
Lei nº 14.133/2021, art. 103. O contrato poderá identificar os riscos contratuais
previstos e presumíveis e prever matriz de alocação de riscos, alocando-os entre
contratante e contratado, mediante indicação daqueles a serem assumidos pelo
setor público ou pelo setor privado ou daqueles a serem compartilhados.
A letra (C) está incorreta, diferente do que afirma a alternativa, o equilíbrio econômico-financeiro
definido pela matriz de alocação de riscos será observado em relação a eventos supervenientes:
Lei nº 14.133/2021, art. 103, § 4º A matriz de alocação de riscos definirá o
equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em relação a eventos
supervenientes e deverá ser observada na solução de eventuais pleitos das
partes.
A letra (D) está correta, a alternativa retoma a literalidade da Nova Lei de Licitações e Contratos:
Lei nº 14.133/2021, art. 103, § 3º A alocação dos riscos contratuais será
quantificada para fins de projeção dos reflexos de seus custos no valor estimado
da contratação.
A letra (E) está incorreta, a alternativa vai de encontro à disposição da NLLC, já que os riscos que
tenham cobertura oferecida por seguradoras serão preferencialmente transferidos ao contratado:
Lei nº 14.133/2021, art. 103, § 2º Os riscos que tenham cobertura oferecida por
seguradoras serão preferencialmente transferidos ao contratado.
Gabarito (D)
10.​ FGV/ALESC - 2024
A sociedade Delta, após o devido processo administrativo, sofreu a sanção de declaração de
inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração, em razão do que os respectivos
administradores passaram a participar de licitações por meio da sociedade Beta, coligada de
Delta, de forma dissimulada, com vistas a ludibriar a Administração Pública e continuar
participando dos certames.
Ao verificarem tal situação, as autoridades competentes em âmbito administrativo estão
analisando a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade Delta,
para fins de estender os efeitos da sanção a ela aplicada para a sociedade Beta.
Diante dessa situação hipotética, à luz do disposto na Lei nº 14.133/2021, é correto afirmar que a
desconsideração da personalidade jurídica
(A) para estender os efeitos da sanção aplicada é automática na esfera administrativa, pois,
diante da gravidade da dissimulação, não há necessidade de se respeitar a ampla defesa e o
contraditório.
(B) para fins de estender efeitos de sanções decorrentes da prática de infrações à norma em
questão apenas pode ser realizada pelo Poder Judiciário.

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Aula 03

(C) na esfera administrativa restringe-se às hipóteses de ressarcimento ao erário, para fins de


atingir o patrimônio dos sócios e administradores, não sendo cabível para estender efeitos de
sanção administrativa.
(D) é medida excepcional cuja finalidade precípua é atingir o patrimônio dos sócios em situações
de abuso de direito ou fraude à lei, que apenas pode ser determinada pelo Poder Judiciário.
(E) é possível sempre que a sociedade for utilizada com abuso do direito para dissimular a
prática dos atos ilícitos previsto na norma em questão, sendo viável a extensão de todos os
efeitos da sanção aplicada, observados o contraditório, a ampla defesa e a obrigatoriedade de
análise jurídica prévia.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, a extensão dos efeitos da sanção no âmbito da desconsideração da
personalidade jurídica não é automática, pois, em todos os casos, devem ser observados o
contraditório, a ampla defesa e a obrigatoriedade de análise jurídica prévia, conforme disciplina o
art. 160 da Lei nº 14.133/2021:
Art. 160. A personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre que
utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos
atos ilícitos previstos nesta Lei ou para provocar confusão patrimonial, e, nesse
caso, todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica serão estendidos
aos seus administradores e sócios com poderes de administração, a pessoa
jurídica sucessora ou a empresa do mesmo ramo com relação de coligação ou
controle, de fato ou de direito, com o sancionado, observados, em todos os
casos, o contraditório, a ampla defesa e a obrigatoriedade de análise jurídica
prévia.
A letra (B) está incorreta, é possível que haja a desconsideração da personalidade jurídica seja
realizada na esfera administrativa, uma vez que não há previsão a respeito da necessidade de
intervenção do Poder Judiciário nessa atuação.
A letra (C) está incorreta, a desconsideração da personalidade jurídica pode ser aplicada na
esfera administrativa para estender os efeitos de sanções administrativas, não se limitando
apenas a hipóteses de ressarcimento ao erário, conforme se depreende do art. 160 da Lei nº
14.133/2021:
Art. 160. A personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre que
utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos
atos ilícitos previstos nesta Lei ou para provocar confusão patrimonial, e, nesse
caso, todos os efeitos das sanções aplicadas à pessoa jurídica serão estendidos
aos seus administradores e sócios com poderes de administração, a pessoa
jurídica sucessora ou a empresa do mesmo ramo com relação de coligação ou
controle, de fato ou de direito, com o sancionado, observados, em todos os
casos, o contraditório, a ampla defesa e a obrigatoriedade de análise jurídica
prévia.
A letra (D) está incorreta, a desconsideração da personalidade jurídica realmente é uma medida
excepcional destinada a atingir o patrimônio dos sócios em casos de abuso de direito ou fraude à
lei. Contudo, a parte final da alternativa está incorreta, já que é permitida a desconsideração na
esfera administrativa, sem necessidade de determinação judicial.

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Aula 03

A letra (E) está correta, conforme visto no art. 160 da Lei nº 14.133/2021 supracitado, é possível a
extensão das sanções aplicadas aos administradores e sócios, sempre que a personalidade
jurídica é utilizada com abuso de direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática de ilícitos
previstos na NLLC.
Gabarito (E)
11.​ FGV/CGE-PB - 2024
Imagine que o Estado da Paraíba almeje realizar a contratação de uma obra, pelo regime
delimitado como aquele em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o projeto
executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços especiais e
realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e suficientes para a
entrega final do objeto.
À luz do disposto na Lei nº 14.133/2021, tal definição corresponde a uma:
(A) empreitada integral;
(B) contratação integrada;
(C) contratação por tarefa;
(D) empreitada por preço total;
(E) contratação semi-integrada.
Comentários
A letra (A) está incorreta, na empreitada integral, o foco é a contratação de empreendimento em
sua integralidade, compreendida a totalidade das etapas de obras, serviços e instalações
necessárias.
A letra (B) está incorreta, na contratação integrada, o contratado é responsável por elaborar e
desenvolver o projeto básico, além do projeto executivo.
A letra (C) está incorreta, a contratação por tarefa é o regime de contratação de mão de obra
para pequenos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;
A letra (D) está incorreta, é a empreitada por preço global que promove a contratação da
execução da obra ou do serviço por preço certo e total.
Por fim, a letra (E) está correta, pois o enunciado dispõe a literalidade da definição de
contratação semi-integrada:
Art. 6º Para os fins desta Lei, consideram-se:
XXXIII - contratação semi-integrada: regime de contratação de obras e serviços de engenharia
em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o projeto executivo, executar
obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços especiais e realizar montagem,
teste, pré-operação e as demais operações necessárias e suficientes para a entrega final do
objeto;
Gabarito (E)
12.​ FGV/SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 2024

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De acordo com a Lei de Licitações e Contratos Administrativos, os contratos poderão ser


alterados, de modo unilateral pela Administração e com as devidas justificativas, no seguinte
caso:
A) é conveniente a substituição da garantia de execução.
B) é necessária a modificação da forma de pagamento por imposição de circunstâncias
supervenientes.
C) é necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição
quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos.
D) é necessária a modificação do regime de execução da obra ou do serviço e do modo de
fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais
originários.
E) para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em caso de força maior,
caso fortuito ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou previsíveis de consequências
incalculáveis, que inviabilizam a execução do contrato tal como pactuado.
Comentários
A letra (A) está incorreta, já que a substituição da garantia de execução ocorre por acordo entre
partes (administração e contratado), segundo a Lei nº 14.133/2021:
Art. 124. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas,
nos seguintes casos:
II - por acordo entre as partes:
a) quando conveniente a substituição da garantia de execução;
A letra (B) está incorreta, uma vez que a modificação do valor contratual por imposição de
circunstâncias supervenientes ocorre por acordo entre partes, segundo a Lei nº 14.133/2021:
Art. 124, II - por acordo entre as partes:
c) quando necessária a modificação da forma de pagamento por imposição de circunstâncias
supervenientes, mantido o valor inicial atualizado e vedada a antecipação do pagamento em
relação ao cronograma financeiro fixado sem a correspondente contraprestação de fornecimento
de bens ou execução de obra ou serviço;
A letra (C) está correta, a modificação do valor contratual em virtude de acréscimo ou diminuição
quantitativa do seu objeto e a alteração do projeto ou das especificações para melhor
adequação ao interesse público são as hipóteses de alteração unilateral pela administração,
segundo a Lei nº 14.133/2021:
Art. 124, I - unilateralmente pela Administração:
a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica
a seus objetivos;
b) quando for necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou
diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;
A letra (D) está incorreta, a modificação do regime de execução da obra ou do serviço em face
de inaplicabilidade dos termos originários ocorre por acordo entre as partes, segundo a Lei nº
14.133/2021:

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Art. 124, II - por acordo entre as partes:


b) quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou do serviço, bem como
do modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos
contratuais originários;
Por fim, a letra (E) está incorreta, o reestabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro inicial
do contrato é realizado por acordo entre as partes, segundo a Lei nº 14.133/2021:
Art. 124, II - por acordo entre as partes:
d) para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em caso de força maior,
caso fortuito ou fato do príncipe ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou previsíveis de
consequências incalculáveis, que inviabilizem a execução do contrato tal como pactuado,
respeitada, em qualquer caso, a repartição objetiva de risco estabelecida no contrato.
Gabarito (C)
13.​ FGV/SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 2024
Em decorrência de inexecução contratual gravíssima, que causou prejuízo ao erário, a autoridade
competente do Município Delta, após o devido processo administrativo, aplicou à sociedade Alfa
a penalidade de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública, com base na Lei nº 14.133/2021.
Acerca do tema, é correto afirmar que
A) não há possibilidade de cumular tal penalidade com a sanção de multa.
B) a aludida pena pode ter prazo indeterminado, diante de sua gravidade.
C) preenchidos os demais requisitos, é possível a reabilitação da sociedade Alfa após o
transcurso do prazo mínimo de três anos.
D) a aplicação de tal punição, exime a sociedade Alfa da obrigação de reparação integral ao
erário.
E) tal sanção impede a sociedade Alfa de licitar ou contratar no âmbito da Administração Direta e
Indireta apenas do ente que aplicou a penalidade.
Comentários
A letra (A) está incorreta, pois as multas podem ser cumuladas com outras sanções, pois são uma
exceção ao bis in idem (ou seja, dupla punição por um mesmo fato), conforme Lei 14.133/2021:
Art. 156. Serão aplicadas ao responsável pelas infrações administrativas previstas nesta Lei as
seguintes sanções:
II - multa;
§ 7º As sanções previstas nos incisos I, III e IV do caput deste artigo poderão ser aplicadas
cumulativamente com a prevista no inciso II do caput deste artigo.
A letra (B) está incorreta, a declaração de inidoneidade impedirá o responsável de licitar ou
contratar no âmbito da Administração Pública direta e indireta de todos os entes federativos,
pelo prazo mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis) anos, conforme Lei nº 14.133/2021:

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Art. 156, § 5º A sanção prevista no inciso IV [declaração de inidoneidade] do caput deste artigo
[...] impedirá o responsável de licitar ou contratar no âmbito da Administração Pública direta e
indireta de todos os entes federativos, pelo prazo mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis)
anos.
A letra (C) está correta, a Lei nº 14.133/2021 dispõe que é admitida a reabilitação do licitante
perante a autoridade que aplicou a penalidade, desde que cumprida algumas condições, entre
elas está o transcurso do prazo mínimo de 3 (três) anos da aplicação de declaração de
inidoneidade:
Art. 163. É admitida a reabilitação do licitante ou contratado perante a própria autoridade que
aplicou a penalidade, exigidos, cumulativamente:
III - transcurso do prazo mínimo de 1 (um) ano da aplicação da penalidade, no caso de
impedimento de licitar e contratar, ou de 3 (três) anos da aplicação da penalidade, no caso de
declaração de inidoneidade;
A letra (D) está incorreta, a aplicação de qualquer uma das sanções não exclui a obrigação de
reparação integral do dano causado à Administração Pública, conforme Lei nº 14.133/2021:
Art. 156, § 9º A aplicação das sanções previstas no caput deste artigo não exclui, em hipótese
alguma, a obrigação de reparação integral do dano causado à Administração Pública.
Por fim, a letra (E) está correta, a declaração de inidoneidade impede o responsável de licitar e
contratar na administração pública direta e indireta de todos os entes federativos. Por outro lado,
é o impedimento de licitar que é restrito ao ente que tiver aplicado a sanção.
Art. 156, § 5º A sanção prevista no inciso IV [declaração de inidoneidade] impedirá o responsável
de licitar ou contratar no âmbito da Administração Pública direta e indireta de todos os entes
federativos, pelo prazo mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis) anos.
Gabarito (C)
14.​ FGV/TCE-BA – Auditor - 2023
Lucas e José são amigos de longa data e, após anos de estudos, foram aprovados em concursos
públicos para cargos de auditor de Tribunais de Contas de Estados distintos.
Antes mesmo de tomarem posse, eles estavam debatendo sobre o papel de tais órgãos no
âmbito da nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), concluindo corretamente que:
(A) as Cortes de Contas integram a segunda linha de defesa, no âmbito das práticas contínuas e
permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo das contratações públicas;
(B) eventual irregularidade em edital de licitação na aplicação da Lei poderá ser impugnada
perante as respectivas Cortes de Contas apenas por licitantes e contratados;
(C) todos os contratos administrativos devem ser submetidos à prévia aprovação das Cortes de
Contas para que tenham validade;
(D) a aplicação da penalidade de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
Administração Pública, diante de sua gravidade incumbe exclusivamente às Cortes de Contas;
(E) as Cortes de Contas devem ser comunicadas de alteração da ordem cronológica de
pagamentos dos contratos por autoridade competente, mediante a prévia e devida justificativa
para tanto.

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Comentários
A letra (A) está incorreta, já que os tribunais de contas integram a terceira linha de defesa,
conforme Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14133/2021, art. 169. As contratações públicas deverão submeter-se a práticas contínuas e
permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo, inclusive mediante adoção de
recursos de tecnologia da informação, e, além de estar subordinadas ao controle social,
sujeitar-se-ão às seguintes linhas de defesa:
I - primeira linha de defesa, integrada por servidores e empregados públicos, agentes de licitação
e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou entidade;
II - segunda linha de defesa, integrada pelas unidades de assessoramento jurídico e de controle
interno do próprio órgão ou entidade;
III - terceira linha de defesa, integrada pelo órgão central de controle interno da Administração e
pelo tribunal de contas.
A letra (B) está incorreta, qualquer pessoa pode impugnar edital de licitação ou solicitar
esclarecimentos sobre os seus termos, respeitando o prazo de até 3 dias úteis antes da data de
abertura do processo licitatório:
Art. 164. Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade
na aplicação desta Lei ou para solicitar esclarecimento sobre os seus termos, devendo protocolar
o pedido até 3 (três) dias úteis antes da data de abertura do certame.
A letra (C) está incorreta, uma vez que o STF já declarou inconstitucional o exame prévio de
validade de contratos com o poder público pelos Tribunais de Contas, em virtude de essa
atividade não estar estabelecida como atribuição do TCU pela CF88 e por invadir a competência
da função executiva, conforme decisão abaixo:
O art. 71 da Constituição não insere na competência do TCU a aptidão para examinar,
previamente, a validade de contratos administrativos celebrados pelo poder público. Atividade
que se insere no acervo de competência da função executiva.
É inconstitucional norma local que estabeleça a competência do tribunal de contas para realizar
exame prévio de validade de contratos firmados com o poder público.
[ADI 916, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 2-2-2009, P, DJE de 6-3-2009.]
A letra (D) está incorreta, pois a declaração de inidoneidade para licitar ou contratar não é de
competência dos tribunais de contas, mas sim das autoridades das entidades públicas, conforme
explicitado abaixo no art. 156 da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14133/2021, art. 156. Serão aplicadas ao responsável pelas infrações administrativas
previstas nesta Lei as seguintes sanções:
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
§ 6º A sanção estabelecida no inciso IV do caput deste artigo será precedida de análise jurídica e
observará as seguintes regras:
I - quando aplicada por órgão do Poder Executivo, será de competência exclusiva de ministro de
Estado, de secretário estadual ou de secretário municipal e, quando aplicada por autarquia ou
fundação, será de competência exclusiva da autoridade máxima da entidade;

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II - quando aplicada por órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, pelo Ministério Público e
pela Defensoria Pública no desempenho da função administrativa, será de competência exclusiva
de autoridade de nível hierárquico equivalente às autoridades referidas no inciso I deste
parágrafo, na forma de regulamento.
Por fim, a letra (E) está correta, de acordo com a leitura do art. 141 da Lei 14133/2021, a
alteração da ordem cronológica dos pagamentos é permitida apenas nas situações específicas
elencadas no § 1º. Além disso, é necessária a obtenção de prévia justificativa da autoridade
competente e a posterior comunicação ao órgão de controle interno da administração e ao
tribunal de contas competente:
Art. 141, § 1º A ordem cronológica referida no caput deste artigo poderá ser alterada, mediante
prévia justificativa da autoridade competente e posterior comunicação ao órgão de controle
interno da Administração e ao tribunal de contas competente, exclusivamente nas seguintes
situações:
I - grave perturbação da ordem, situação de emergência ou calamidade pública;
II - pagamento a microempresa, empresa de pequeno porte, agricultor familiar, produtor rural
pessoa física, microempreendedor individual e sociedade cooperativa, desde que demonstrado o
risco de descontinuidade do cumprimento do objeto do contrato;
III - pagamento de serviços necessários ao funcionamento dos sistemas estruturantes, desde que
demonstrado o risco de descontinuidade do cumprimento do objeto do contrato;
IV - pagamento de direitos oriundos de contratos em caso de falência, recuperação judicial ou
dissolução da empresa contratada;
Gabarito (E)
15.​ FGV/TCE-ES/Auditoria Governamental/2023
Em matéria de controle das contratações, consoante dispõe a Lei 14.133/2021, as contratações
públicas deverão submeter-se a práticas contínuas e permanentes de gestão de riscos e de
controle preventivo, inclusive mediante adoção de recursos de tecnologia da informação, e, além
de estarem subordinadas ao controle social, sujeitar-se-ão à(s) seguinte(s) linha(s) de defesa:
I. Primeira linha de defesa: integrada por servidores e empregados públicos, agentes de licitação
e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou entidade;
II. Segunda linha de defesa: integrada pelas unidades de assessoramento jurídico e de controle
interno do próprio órgão ou entidade;
III. Terceira linha de defesa: integrada pelo órgão central de controle interno da Administração e
pelo tribunal de contas.
A(s) linha(s) de defesa está(ão) corretamente indicada(s) em:
(A) somente I;
(B) somente III;
(C) somente I e II;
(D) somente I e III;
(E) I, II e III.
Comentários:

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Questão que aborda as três linhas de defesa das contratações públicas previstas na Nova Lei de
Licitações e Contratos (14.133/2021). Trata-se de mecanismo de controle a fim de garantir a boa
execução do processo de licitação e execução contratual, prevenindo a corrupção e promovendo
a eficiência e a efetividade do procedimento.
Art. 169. As contratações públicas deverão submeter-se a práticas contínuas e permanentes de
gestão de riscos e de controle preventivo, inclusive mediante adoção de recursos de tecnologia
da informação, e, além de estar subordinadas ao controle social, sujeitar-se-ão às seguintes linhas
de defesa:
I - primeira linha de defesa, integrada por servidores e empregados públicos, agentes de
licitação e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou entidade;
II - segunda linha de defesa, integrada pelas unidades de assessoramento jurídico e de controle
interno do próprio órgão ou entidade;
III - terceira linha de defesa, integrada pelo órgão central de controle interno da Administração e
pelo tribunal de contas.
Conforme exposto, os três incisos estão corretamente descritos na questão, de modo que a
alternativa (E) será nosso gabarito.
Gabarito (E)
16.​ FGV/CGE-SC/Auditor do Estado/2023
Em tema do que a doutrina de Direito Administrativo chama de cláusulas exorbitantes, a nova Lei
de Licitações e Contratos dispõe que o regime jurídico dos contratos administrativos previstos na
citada lei confere à Administração Pública, em relação a eles, algumas prerrogativas, como a de
ocupar provisoriamente bens
(A) móveis e imóveis, vedado utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, ainda
que nas hipóteses de risco à prestação de serviços essenciais.
(B) móveis, vedada a ocupação de bens imóveis, e a de utilizar pessoal e serviços vinculados ao
objeto do contrato nas hipóteses de risco à prestação de serviços essenciais.
(C) de qualquer natureza e a de utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato na
hipótese de necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo
contratado, apenas até a extinção do contrato.
(D) de qualquer natureza e a de utilizar pessoal e serviços, ainda que não vinculados ao objeto do
contrato, quando houver necessidade de garantir execução de multa em razão de faltas
contratuais pelo contratado, até extinção do contrato.
(E) móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato na hipótese de
necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, inclusive
após extinção do contrato.
Comentários:
No enunciado foi questionado acerca da possibilidade de ocupação provisória de bens móveis e
imóveis, prevista no inc. V do art. 104 da Lei 14.133/2021:
Art. 104. O regime jurídico dos contratos instituído por esta Lei confere à Administração, em
relação a eles, as prerrogativas de:

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V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços vinculados ao


objeto do contrato nas hipóteses de:
a) risco à prestação de serviços essenciais;
b) necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado,
inclusive após extinção do contrato.
Diante do exposto, pode-se concluir que a alternativa (A), já que é possível utilizar serviços e
pessoal vinculados ao objeto do contrato.
Já alternativa (B), está errada, uma vez que não há vedação para ocupação de bens imóveis,
conforme exposto acima.
A alternativa (C) também está equivocada, dado que a ocupação provisória pode ser, inclusive,
após a extinção contratual.
Quanto à alternativa (D), está incorreta porque é necessário que os bens e serviços estejam
vinculados ao objeto do contrato.
Finalmente, alternativa (E) está perfeita. Ela reproduz a alínea “b” do inc. V do art. 104, exposta
acima.
Gabarito (E)
17.​ FGV/SEN - AL/Administração/2022
Em relação aos contratos administrativos regidos pela Lei 14.133/2021, analise as afirmativas a
seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável
para a eficácia do contrato e de seus aditamentos e permite a ampliação do controle social sobre
as práticas administrativas.
( ) Os contratos deverão estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução,
expressas em cláusulas que definam os direitos, as obrigações e as responsabilidades das partes,
em conformidade com os termos do edital de licitação e os da proposta vencedora ou com os
termos do ato que autorizou a contratação direta e os da respectiva proposta.
( ) O regime de execução dos serviços ou a forma de fornecimento dos bens devem
necessariamente constar das cláusulas contratuais.
As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,
a) F, V e F.
b) V, V e V.
c) V, F e V.
d) F, F e V.
e) V, V e F.
Comentários:
Questão literal da Lei 14.133/2021, trazendo algumas de suas novidades em relação à Lei
8.666/1993. Vamos analisar cada um dos itens!
Item I: A Lei 14.133/2021, que estabelece o novo marco legal para as licitações e contratos
públicos no Brasil, prevê a criação do Portal Nacional de Compras Públicas (PNCP). O objetivo

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desse portal é centralizar e padronizar as informações relativas às licitações e contratos públicos,


facilitando o acesso dos interessados e promovendo a transparência e a eficiência na gestão dos
recursos públicos. Dessa forma, percebe-se que uma de suas decorrências é a ampliação do
controle social sobre as práticas administrativas, visto o portal é de acesso amplo e facilitado.
Item II: Essa é a literalidade do § 2º, art. 89 da Lei 14.133/2021. Essa previsão contratual em
conformidade com o edital da licitação consagra o principio da vinculação ao edital, antigamente
conhecido como vinculação ao instrumento convocatório.
Art. 89. Os contratos de que trata esta Lei regular-se-ão pelas suas cláusulas e pelos preceitos de
direito público, e a eles serão aplicados, supletivamente, os princípios da teoria geral dos
contratos e as disposições de direito privado. (...)
§ 2º Os contratos deverão estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução,
expressas em cláusulas que definam os direitos, as obrigações e as responsabilidades das partes,
em conformidade com os termos do edital de licitação e os da proposta vencedora ou com os
termos do ato que autorizou a contratação direta e os da respectiva proposta.
Item III: De fato, conforme previsão do inc. IV, art. 92, o regime de execução dos serviços ou a
forma de fornecimento dos bens é uma cláusula obrigatória do contrato.
Art. 92. São necessárias em todo contrato cláusulas que estabeleçam:
IV - o regime de execução ou a forma de fornecimento;
Gabarito (B)
18.​ FGV/TRT16 - AJ Administrativa/"Sem Especialidade"/2022
Com base no caso apresentado a seguir, responda à questão.
Sob a égide da nova lei de licitações e contratos administrativos, o Tribunal Regional do Trabalho
da Yª Região, após procedimento licitatório, celebrou contrato administrativo com a sociedade
empresária Alfa. No curso da execução do contrato, a sociedade empresária Alfa deu causa à
inexecução parcial do contrato. O TRT verificou, no bojo de regular processo administrativo em
que foram assegurados contraditório e ampla defesa à contratada, que a inexecução praticada
não causou grave dano à Administração, ao funcionamento dos serviços públicos ou ao interesse
coletivo, razão pela quando não se justificava a imposição de penalidade mais grave à
contratada.
Com base na Lei 14.133/2021, a sanção que o TRT da Yª Região deve aplicar à sociedade
empresária Alfa é
a) a advertência.
b) a multa e impedimento de licitar e contratar.
c) o impedimento de licitar e contratar.
d) a declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
e) a suspensão por até 90 (noventa) dias no direito de licitar e contratar.
Comentários:
De acordo com a Lei 14.133/2021, a sanção a ser aplicada pela inexecução parcial do contrato
depende da gravidade do dano causado à Administração, ao funcionamento dos serviços
públicos ou ao interesse coletivo. No caso em questão, o TRT verificou que a inexecução não

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causou dano grave, o que implica aplicação de sanções menos graves. Assim, a sanção que o
TRT da Yª Região deve aplicar à sociedade empresária Alfa é a advertência, conforme previsto no
§ 2º do art. 156 da Lei 14.133/2021.
Art. 156. Serão aplicadas ao responsável pelas infrações administrativas previstas nesta Lei as
seguintes sanções:
(...)
§ 2º A sanção prevista no inciso I do caput deste artigo (advertência) será aplicada
exclusivamente pela infração administrativa prevista no inciso I do caput do art. 155 desta Lei
(inexecução parcial), quando não se justificar a imposição de penalidade mais grave.
Portanto, conclui-se que a alternativa (A) está correta, enquanto que as alternativas (B), (C), (D) e
(E) estão equivocadas.
Gabarito (A)
19.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021, aplica-se aos contratos que tenham por objeto operação de
crédito interno.
Comentários:
Não é por aí. Os contratos que tenham por objeto operação de crédito, interno ou externo, e a
gestão de dívida pública, incluídas as contratações de agente financeiro e a concessão de
garantia relacionadas a esses contratos, não se subordinam à Lei 14.133, consoante dispõe seu
art. 3º, I.
Gabarito (E)
20.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A Lei 14.133/2021, enquanto norma geral de contratações públicas, aplica-se aos contratos
celebrados por empresas públicas prestadoras de serviços públicos.
Comentários:
Os contratos celebrados por empresas públicas e sociedades de economia mista, sejam
prestadoras de serviços públicos ou exploradoras de atividade econômica, irão seguir as regras
da Lei 13.303/2016 (chamada de “lei das estatais”) – e não as normas da Lei 14.133, que alcança
apenas a administração direta, as autarquias e fundações públicas.
Gabarito (E)
21.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A Lei 8.666/1993 continuará a reger, durante toda sua vigência, os contratos celebrados após o
início da vigência da Lei 14.133/2021 nos casos em que a Administração optar por licitar de
acordo com Lei 8.666/1993.
Comentários:
Se, dentro do prazo de 2 anos, a Administração optar por celebrar um contrato regido pela "lei
antiga", ele continuará sendo regido por aquelas normas durante toda sua vigência, mesmo após
a publicação da Lei 14.133:

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Art. 191, parágrafo único. Na hipótese do caput deste artigo, se a Administração optar por licitar
de acordo com as leis citadas no inciso II do caput do art. 193 desta Lei, o contrato respectivo
será regido pelas regras nelas previstas durante toda a sua vigência.
Gabarito (C)
22.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Uma das novidades da Lei 14.133/2021 consiste na possibilidade de subcontratação integral do
objeto contratual, se a Administração houver exigido seguro-garantia para obras e serviços de
engenharia.
Comentários:
É isso mesmo! Quando a Administração optar por exigir seguro-garantia para contratos de obras
e serviços de engenharia (art. 99), pode-se estabelecer que, caso a empresa contratada
descumpra o contrato, a seguradora assumirá a execução e irá concluir a obra.
Neste cenário, uma das alternativas para a seguradora concluir a obra é a subcontratação
daquela obra para uma empresa do ramo da construção civil e, neste caso, a lei permitiu até
mesmo a subcontratação total, isto é, de 100% do que faltar da obra (art. 102, III).
Percebam que, embora se admita como regra a subcontratação meramente parcial (nos termos
do art. 122), no caso do seguro para obras e serviços de engenharia, passa a ser possível a
subcontratação total (art. 102, III).
Gabarito (C)
23.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras
ou o de prestação de serviços de pronto pagamento, assim entendidos aqueles de valor não
superior a R$ 11.981,20.
Comentários:
O item está correto, ao transcrever a seguinte regra legal, atualizada pelo Decreto 11.871/2023:
Art. 95, § 2º É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de
pequenas compras ou o de prestação de serviços de pronto pagamento, assim entendidos
aqueles de valor não superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais).
Aproveito para sintetizar abaixo o mencionado dispositivo:

Gabarito (C)
24.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD

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Nas compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais não resultem
obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica, será possível substituir o instrumento
de contrato por carta-contrato, qualquer que seja seu valor.
Comentários:
Este item mencionou uma das duas hipóteses em que o instrumento de contrato é facultativo:
Art. 95. O instrumento de contrato é obrigatório, salvo nas seguintes hipóteses, em que a
Administração poderá substituí-lo por outro instrumento hábil, como carta-contrato, nota de
empenho de despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço:
I - dispensa de licitação em razão de valor;
II - compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais não resultem
obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica, independentemente de seu valor.
Gabarito (C)
25.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável para
a validade dos contratos administrativos.
Comentários:
O item está incorreto, pois a divulgação dos contratos e termos aditivos é condição de eficácia (e
não de validade):
Art. 94. A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição
indispensável para a eficácia do contrato e de seus aditamentos e deverá ocorrer nos seguintes
prazos, contados da data de sua assinatura: (..)
Gabarito (E)
26.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A divulgação dos contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) deverá ocorrer
no prazo de 20 dias úteis, contados da data de sua assinatura, no caso de ter sido celebrado
mediante licitação.
Comentários:
Em relação aos prazos para divulgação, o art. 94 da nova lei previu que a divulgação deve
ocorrer dentro dos seguintes períodos (contados de sua assinatura):

Gabarito (C)
27.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD

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Por razões de transparência, mesmo se houver a celebração de contrato em caso de urgência, a


produção de efeitos fica condicionada à sua divulgação no Portal Nacional.
Comentários:
No caso de urgência, os contratos terão eficácia imediata, a partir de sua assinatura (e não a
partir da divulgação no Portal, como os demais), mas deverão ser publicados nos prazos de 20 e
10 dias úteis, sob pena de nulidade (art. 94, §1º).
Gabarito (E)
28.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado a multa de mora.
Comentários:
Item que apenas transcreve o caput do art. 162 da nova lei, no qual está prevista a possibilidade
de aplicação das multas por atraso (multa de mora):
Art. 162. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contratado a multa de mora,
na forma prevista em edital ou em contrato.
Gabarito (C)

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LISTA DE QUESTÕES
1.​ CNU – NÍVEL SUPERIOR – 2025
O Município Alfa, que fica na região Norte do Brasil, contratou uma obra viária. Durante a
execução do contrato, foi identificada uma ruína ancestral de povos originários, ocasionando a
revisão do traçado previsto originalmente para a estrada e gerando impactos financeiros no
contrato. O contratado solicitou equilíbrio econômico-financeiro, demonstrando os efeitos no
valor contratado.
Nesse caso, recomenda-se que o Município Alfa:
(A) não conceda o pleito, pois esse fato deveria estar previsto no orçamento do contratado;
(B) conceda o pleito, pois se trata de fato imprevisível;
(C) não conceda o pleito, remetendo a solicitação ao Tribunal de Contas do Município para a
decisão;
(D) conceda o equilíbrio, mas tenha o cuidado de remeter a solicitação à Câmara de Vereadores
para manifestação;
(E) não conceda o pleito, pois, ao firmar o contrato, o contratado assumiu esse risco.
2.​ CNU – NÍVEL SUPERIOR – 2025
A Universidade Federal Luzes Novas firmou contrato para fornecimento de alimentação. Trata-se
de um contrato de fornecimento contínuo, com prazo de duração de cinco anos, que se iniciou
em 2022 e rege-se pela Lei nº 14.133/2021. Durante a execução desse contrato, a universidade
atrasou o pagamento por mais de 120 dias.
Nessa situação, é correto afirmar que:
(A) a universidade poderá exigir do contratado a continuidade dos serviços e, em caso de
negativa, penalizá-lo;
(B) o contratado poderá suspender o fornecimento da alimentação, até que os pagamentos
sejam regularizados;
(C) o contratado poderá exigir que a universidade seja penalizada pelo não pagamento;
(D) a universidade poderá extinguir o contrato, porém não devolverá a garantia ao contratado;
(E) o contratado poderá extinguir o contrato, por ato unilateral.
3.​ FGV – TCE RR/Conselheiro Substituto - 2025
Após celebrar determinado contrato administrativo com o Poder Público, a sociedade empresária
Alfa contratou a consultoria jurídica prestada pelo escritório ABC com o objetivo de melhor
entender as normas aplicáveis à execução e à fiscalização da avença administrativa.
De acordo com a narrativa e considerando as disposições da Lei nº 14.133/2021, avalie as
afirmativas a seguir.
I. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por dois ou mais fiscais do
contrato, representantes da Administração especialmente designados conforme requisitos
estabelecidos em lei, ou pelos respectivos substitutos, permitida a contratação de terceiros para
assisti-los e subsidiá-los com informações pertinentes a essa atribuição.

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II. O contratado será responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a


terceiros em razão da execução do contrato, sendo certo que a fiscalização ou o
acompanhamento pelo contratante, embora não exclua essa responsabilidade, poderá reduzi-la
proporcionalmente.
III. O contratado deverá manter preposto aceito pela Administração no local da obra ou do
serviço para representá-lo na execução do contrato.
Nesse cenário, está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) II, apenas.
(C) III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III. ==1a5f64==

4.​ FGV – TCE RR/Conselheiro Substituto - 2025


Jonas, servidor público, ao ministrar palestra em uma universidade localizada no Estado de
Roraima, afirmou que as contratações públicas deverão submeter-se a práticas contínuas e
permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo, inclusive mediante adoção de
recursos de tecnologia da informação, que tais contratações, além de subordinadas ao controle
social, estarão sujeitas a determinadas linhas de defesa.
Nesse cenário, considerando o que está disposto na Lei nº 14.133/2021, avalie as afirmativas a
seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A primeira linha de defesa das contratações públicas é integrada pelo órgão central de
controle interno da administração e pelo Tribunal de Contas.
( ) A segunda linha de defesa das contratações públicas é integrada pelas unidades de
assessoramento jurídico e de controle interno do próprio órgão ou entidade.
( ) A terceira linha de defesa das contratações públicas é integrada por servidores e empregados
públicos, agentes de licitação e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou
da entidade.
As afirmativas são, respectivamente,
(A) V–F–V.
(B) F–V–F.
(C) V–V–F.
(D) F–F–F.
(E) V–V–V.
5.​ FGV/ISS Cuiabá - 2025
Juliana, no exercício de suas atribuições como servidora pública do Município de Cuiabá, foi
questionada acerca das peculiaridades atinentes aos contratos de prestação de serviços
contínuos, notadamente nas situações que envolvam alocação de mão de obra, à luz do disposto
na Lei nº 14.133/2021.
Diante dessa situação hipotética, assinale a resposta correta a ser dada por Juliana.

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(A) Nos contratos de serviços contínuos o critério de reajustamento, observado o interregno


mínimo de um ano da data da formalização do contrato, mediante demonstração analítica da
variação dos custos, é designado de reajustamento em sentido estrito, dependendo de
requerimento e demonstração pelo contratado para a sua efetivação.
(B) Nas contratações de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra,
a Administração responderá solidariamente pelos encargos previdenciários e subsidiariamente
pelos encargos trabalhistas se comprovada falha na fiscalização do cumprimento das obrigações
do contratado.
(C) Nas licitações relacionadas aos contratos em questão não é viável que o edital exija que
percentual mínimo da mão de obra responsável pelo objeto da contratação seja constituído por
mulheres vítima de violência doméstica, nem por oriundos ou egressos do sistema prisional.
(D) Nos contratos para serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, a
repactuação deve ser realizada independentemente de requerimento do contratado, inexistindo
prazo para que a Administração responda a tal pedido, caso venha a ser formulado mediante
apresentação de documentos pelo interessado.
(E) Nas contratações de serviços contínuos com dedicação exclusiva de mão de obra, para
assegurar o cumprimento das obrigações trabalhistas pelo contratado, é vedado que o edital e o
contrato prevejam, entre outras medidas, a de condicionar o pagamento à comprovação de
quitação das obrigações trabalhistas vencidas relativas ao contrato.
6.​ FGV/CGM Cuiabá - 2025
Acerca da penalidade de impedimento de licitar e contratar com a Administração Pública, nos
termos da Lei nº 14.133/2021, é correto afirmar que tal sanção
(A) é a mais grave prevista na norma em comento, de modo que é a única que não pode ser
cumulada com a multa, diferentemente das demais penalidades administrativas.
(B) admite a reabilitação do licitante ou contratado, mediante o preenchimento cumulativo dos
requisitos legais, dentre os quais, o transcurso do prazo mínimo de 1 (um) ano da aplicação da
penalidade.
(C) não poderá ser aplicada nas infrações em que o responsável deixar de entregar a
documentação exigida, nem naquela em que ele não mantiver a proposta, salvo em decorrência
de fato superveniente devidamente justificado.
(D) impedirá o responsável de licitar ou contratar no âmbito da Administração Pública direta e
indireta de todos os entes federativos, pelo prazo mínimo de 3 (três) anos e máximo de 6 (seis)
anos.
(E) quando aplicada por órgão do Poder Executivo, será de competência exclusiva de Ministro
de Estado, de Secretário Estadual ou de Secretário Municipal e, quando aplicada por autarquia
ou fundação, será de competência exclusiva da autoridade máxima da entidade.
7.​ FGV/CGM Cuiabá - 2025
Considerando as impugnações previstas na Lei nº 14.133/2021, bem como as normas atinentes
ao controle das licitações e contratações, assinale a opção correta.
(A) A impugnação do edital de licitação para solicitar esclarecimentos sobre seus termos
somente pode ser realizada pelos licitantes habilitados, que são os únicos legitimados para tanto;

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(B) Os integrantes de todas as linhas de defesa, têm o dever de prontamente invalidar as


licitações e contratações que apresentem vício na sua realização, inclusive em relação às simples
impropriedades formais;
(C) A resposta à impugnação ou ao pedido de esclarecimento devidamente realizado, deve ser
divulgada em sítio eletrônico oficial imediatamente após a data designada para a abertura do
certame;
(D) É vedado aos tribunais de contas suspender o procedimento licitatório, no âmbito do
controle que por ele é exercido sobre as licitações e contratações, que integra a terceira linha de
defesa;
(E) Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar aos órgãos de
controle interno ou ao tribunal de contas competente contra irregularidades na aplicação da lei
de licitações.
8.​ FGV/TJ RR-2024
Ao se deparar com um vício em um contrato administrativo, o agente público competente
passou a analisar as normas constantes da Lei nº 14.133/2021 acerca da
viabilidade/obrigatoriedade da declaração de nulidade, vindo a concluir corretamente que
(A) qualquer irregularidade na execução do contrato deve importar necessariamente no
reconhecimento de sua nulidade, independentemente do interesse público envolvido ou da
possibilidade de saneamento.
(B) os defeitos no procedimento licitatório consideram-se automaticamente sanados com a
formalização do contrato, não podendo ser reconhecidos durante a sua execução, em nenhuma
hipótese.
(C) para a declaração de nulidade basta que o vício no procedimento licitatório ou na execução
do contrato sejam insanáveis, sendo vedada a análise do interesse público no âmbito da
anulação.
(D) constatado um vício insanável e, após a análise do interesse público envolvido para fins de
anulação, a declaração de nulidade não pode operar efeitos retroativos.
(E) a anulação de um contrato administrativo exige não só que a irregularidade constatada seja
insanável, mas também que se verifique o interesse público envolvido para o seu
reconhecimento.
9.​ FGV/TJ RR-2024
Ao se deparar com um vício em um contrato administrativo, o agente público competente
passou a analisar as normas constantes da Lei nº 14.133/2021 acerca da
viabilidade/obrigatoriedade da declaração de nulidade, vindo a concluir corretamente que
(A) qualquer irregularidade na execução do contrato deve importar necessariamente no
reconhecimento de sua nulidade, independentemente do interesse público envolvido ou da
possibilidade de saneamento.
(B) os defeitos no procedimento licitatório consideram-se automaticamente sanados com a
formalização do contrato, não podendo ser reconhecidos durante a sua execução, em nenhuma
hipótese.

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(C) para a declaração de nulidade basta que o vício no procedimento licitatório ou na execução
do contrato sejam insanáveis, sendo vedada a análise do interesse público no âmbito da
anulação.
(D) constatado um vício insanável e, após a análise do interesse público envolvido para fins de
anulação, a declaração de nulidade não pode operar efeitos retroativos.
(E) a anulação de um contrato administrativo exige não só que a irregularidade constatada seja
insanável, mas também que se verifique o interesse público envolvido para o seu
reconhecimento.
10.​ FGV/CVM - 2024
O diretor-executivo da sociedade empresária ABC, ao verificar que o estado Alfa publicou edital
de licitação pública, determinou que a sua assessoria jurídica lhe apresentasse um parecer sobre
a alocação de riscos no contexto dos contratos administrativos, visando a uma tomada de
decisão informada sobre a participação ou não no processo licitatório.
Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos), é correto afirmar que:
(A)​ o equilíbrio econômico-financeiro, atendidas as condições do contrato e da matriz de
alocação de riscos, será considerado mantido, renunciando as partes aos pedidos de
restabelecimento do equilíbrio relacionados aos riscos assumidos, inclusive no que se refere ao
aumento ou à redução, por legislação superveniente, dos tributos diretamente pagos pelo
contratado em decorrência do contrato;
(B)​ o contrato poderá identificar os riscos contratuais previstos e presumíveis e prever matriz de
alocação de riscos, alocando-os entre contratante e contratado, mediante indicação daqueles a
serem assumidos pelo setor público ou pelo setor privado, vedando-se o compartilhamento de
riscos;
(C)​ a matriz de alocação de riscos definirá o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato,
devendo ser observada na solução de eventuais pleitos das partes, salvo em relação a eventos
supervenientes;
(D)​ a alocação dos riscos contratuais será quantificada para fins de projeção dos reflexos de seus
custos no valor estimado da contratação;
(E)​ os riscos que tenham cobertura oferecida por seguradoras serão preferencialmente
assumidos pelo setor público.
11.​ FGV/ALESC - 2024
A sociedade Delta, após o devido processo administrativo, sofreu a sanção de declaração de
inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração, em razão do que os respectivos
administradores passaram a participar de licitações por meio da sociedade Beta, coligada de
Delta, de forma dissimulada, com vistas a ludibriar a Administração Pública e continuar
participando dos certames.
Ao verificarem tal situação, as autoridades competentes em âmbito administrativo estão
analisando a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica da sociedade Delta,
para fins de estender os efeitos da sanção a ela aplicada para a sociedade Beta.
Diante dessa situação hipotética, à luz do disposto na Lei nº 14.133/2021, é correto afirmar que a
desconsideração da personalidade jurídica

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(A) para estender os efeitos da sanção aplicada é automática na esfera administrativa, pois,
diante da gravidade da dissimulação, não há necessidade de se respeitar a ampla defesa e o
contraditório.
(B) para fins de estender efeitos de sanções decorrentes da prática de infrações à norma em
questão apenas pode ser realizada pelo Poder Judiciário.
(C) na esfera administrativa restringe-se às hipóteses de ressarcimento ao erário, para fins de
atingir o patrimônio dos sócios e administradores, não sendo cabível para estender efeitos de
sanção administrativa.
(D) é medida excepcional cuja finalidade precípua é atingir o patrimônio dos sócios em situações
de abuso de direito ou fraude à lei, que apenas pode ser determinada pelo Poder Judiciário.
(E) é possível sempre que a sociedade for utilizada com abuso do direito para dissimular a
prática dos atos ilícitos previsto na norma em questão, sendo viável a extensão de todos os
efeitos da sanção aplicada, observados o contraditório, a ampla defesa e a obrigatoriedade de
análise jurídica prévia.
12.​ FGV/CGE-PB - 2024
Imagine que o Estado da Paraíba almeje realizar a contratação de uma obra, pelo regime
delimitado como aquele em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o projeto
executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços especiais e
realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e suficientes para a
entrega final do objeto.
À luz do disposto na Lei nº 14.133/2021, tal definição corresponde a uma:
(A) empreitada integral;
(B) contratação integrada;
(C) contratação por tarefa;
(D) empreitada por preço total;
(E) contratação semi-integrada.
13.​ FGV/SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 2024
De acordo com a Lei de Licitações e Contratos Administrativos, os contratos poderão ser
alterados, de modo unilateral pela Administração e com as devidas justificativas, no seguinte
caso:
A) é conveniente a substituição da garantia de execução.
B) é necessária a modificação da forma de pagamento por imposição de circunstâncias
supervenientes.
C) é necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição
quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos.
D) é necessária a modificação do regime de execução da obra ou do serviço e do modo de
fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais
originários.

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E) para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato em caso de força maior,


caso fortuito ou em decorrência de fatos imprevisíveis ou previsíveis de consequências
incalculáveis, que inviabilizam a execução do contrato tal como pactuado.
14.​ FGV/SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - 2024
Em decorrência de inexecução contratual gravíssima, que causou prejuízo ao erário, a autoridade
competente do Município Delta, após o devido processo administrativo, aplicou à sociedade Alfa
a penalidade de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública, com base na Lei nº 14.133/2021.
Acerca do tema, é correto afirmar que
A) não há possibilidade de cumular tal penalidade com a sanção de multa.
B) a aludida pena pode ter prazo indeterminado, diante de sua gravidade.
C) preenchidos os demais requisitos, é possível a reabilitação da sociedade Alfa após o
transcurso do prazo mínimo de três anos.
D) a aplicação de tal punição, exime a sociedade Alfa da obrigação de reparação integral ao
erário.
E) tal sanção impede a sociedade Alfa de licitar ou contratar no âmbito da Administração Direta e
Indireta apenas do ente que aplicou a penalidade.
15.​ FGV/TCE-BA – Auditor - 2023
Lucas e José são amigos de longa data e, após anos de estudos, foram aprovados em concursos
públicos para cargos de auditor de Tribunais de Contas de Estados distintos.
Antes mesmo de tomarem posse, eles estavam debatendo sobre o papel de tais órgãos no
âmbito da nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021), concluindo corretamente que:
(A) as Cortes de Contas integram a segunda linha de defesa, no âmbito das práticas contínuas e
permanentes de gestão de riscos e de controle preventivo das contratações públicas;
(B) eventual irregularidade em edital de licitação na aplicação da Lei poderá ser impugnada
perante as respectivas Cortes de Contas apenas por licitantes e contratados;
(C) todos os contratos administrativos devem ser submetidos à prévia aprovação das Cortes de
Contas para que tenham validade;
(D) a aplicação da penalidade de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
Administração Pública, diante de sua gravidade incumbe exclusivamente às Cortes de Contas;
(E) as Cortes de Contas devem ser comunicadas de alteração da ordem cronológica de
pagamentos dos contratos por autoridade competente, mediante a prévia e devida justificativa
para tanto.
16.​ FGV/TCE-ES/Auditoria Governamental/2023
Em matéria de controle das contratações, consoante dispõe a Lei 14.133/2021, as contratações
públicas deverão submeter-se a práticas contínuas e permanentes de gestão de riscos e de
controle preventivo, inclusive mediante adoção de recursos de tecnologia da informação, e, além
de estarem subordinadas ao controle social, sujeitar-se-ão à(s) seguinte(s) linha(s) de defesa:
I. Primeira linha de defesa: integrada por servidores e empregados públicos, agentes de licitação
e autoridades que atuam na estrutura de governança do órgão ou entidade;

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II. Segunda linha de defesa: integrada pelas unidades de assessoramento jurídico e de controle
interno do próprio órgão ou entidade;
III. Terceira linha de defesa: integrada pelo órgão central de controle interno da Administração e
pelo tribunal de contas.
A(s) linha(s) de defesa está(ão) corretamente indicada(s) em:
(A) somente I;
(B) somente III;
(C) somente I e II;
(D) somente I e III;
(E) I, II e III.
17.​ FGV/CGE-SC/Auditor do Estado/2023
Em tema do que a doutrina de Direito Administrativo chama de cláusulas exorbitantes, a nova Lei
de Licitações e Contratos dispõe que o regime jurídico dos contratos administrativos previstos na
citada lei confere à Administração Pública, em relação a eles, algumas prerrogativas, como a de
ocupar provisoriamente bens
(A) móveis e imóveis, vedado utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, ainda
que nas hipóteses de risco à prestação de serviços essenciais.
(B) móveis, vedada a ocupação de bens imóveis, e a de utilizar pessoal e serviços vinculados ao
objeto do contrato nas hipóteses de risco à prestação de serviços essenciais.
(C) de qualquer natureza e a de utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato na
hipótese de necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo
contratado, apenas até a extinção do contrato.
(D) de qualquer natureza e a de utilizar pessoal e serviços, ainda que não vinculados ao objeto do
contrato, quando houver necessidade de garantir execução de multa em razão de faltas
contratuais pelo contratado, até extinção do contrato.
(E) móveis e imóveis e utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato na hipótese de
necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, inclusive
após extinção do contrato.
18.​ FGV/SEN - AL/Administração/2022
Em relação aos contratos administrativos regidos pela Lei 14.133/2021, analise as afirmativas a
seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa.
( ) A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável
para a eficácia do contrato e de seus aditamentos e permite a ampliação do controle social sobre
as práticas administrativas.
( ) Os contratos deverão estabelecer com clareza e precisão as condições para sua execução,
expressas em cláusulas que definam os direitos, as obrigações e as responsabilidades das partes,
em conformidade com os termos do edital de licitação e os da proposta vencedora ou com os
termos do ato que autorizou a contratação direta e os da respectiva proposta.
( ) O regime de execução dos serviços ou a forma de fornecimento dos bens devem
necessariamente constar das cláusulas contratuais.

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As afirmativas são, na ordem apresentada, respectivamente,


a) F, V e F.
b) V, V e V.
c) V, F e V.
d) F, F e V.
e) V, V e F.
19.​ FGV/TRT16 - AJ Administrativa/"Sem Especialidade"/2022
Com base no caso apresentado a seguir, responda à questão.
Sob a égide da nova lei de licitações e contratos administrativos, o Tribunal Regional do Trabalho
da Yª Região, após procedimento licitatório, celebrou contrato administrativo com a sociedade
empresária Alfa. No curso da execução do contrato, a sociedade empresária Alfa deu causa à
inexecução parcial do contrato. O TRT verificou, no bojo de regular processo administrativo em
que foram assegurados contraditório e ampla defesa à contratada, que a inexecução praticada
não causou grave dano à Administração, ao funcionamento dos serviços públicos ou ao interesse
coletivo, razão pela quando não se justificava a imposição de penalidade mais grave à
contratada.
Com base na Lei 14.133/2021, a sanção que o TRT da Yª Região deve aplicar à sociedade
empresária Alfa é
a) a advertência.
b) a multa e impedimento de licitar e contratar.
c) o impedimento de licitar e contratar.
d) a declaração de inidoneidade para licitar ou contratar.
e) a suspensão por até 90 (noventa) dias no direito de licitar e contratar.
20.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021, aplica-se aos contratos que tenham por objeto operação de
crédito interno.
21.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A Lei 14.133/2021, enquanto norma geral de contratações públicas, aplica-se aos contratos
celebrados por empresas públicas prestadoras de serviços públicos.
22.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A Lei 8.666/1993 continuará a reger, durante toda sua vigência, os contratos celebrados após o
início da vigência da Lei 14.133/2021 nos casos em que a Administração optar por licitar de
acordo com Lei 8.666/1993.
23.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Uma das novidades da Lei 14.133/2021 consiste na possibilidade de subcontratação integral do
objeto contratual, se a Administração houver exigido seguro-garantia para obras e serviços de
engenharia.
24.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD

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É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras
ou o de prestação de serviços de pronto pagamento, assim entendidos aqueles de valor não
superior a R$ 11.981,20.
25.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Nas compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais não resultem
obrigações futuras, inclusive quanto a assistência técnica, será possível substituir o instrumento
de contrato por carta-contrato, qualquer que seja seu valor.
26.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A divulgação no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) é condição indispensável para
a validade dos contratos administrativos.
27.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A divulgação dos contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) deverá ocorrer
no prazo de 20 dias úteis, contados da data de sua assinatura, no caso de ter sido celebrado
mediante licitação.
28.​ QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Por razões de transparência, mesmo se houver a celebração de contrato em caso de urgência, a
produção de efeitos fica condicionada à sua divulgação no Portal Nacional.

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GABARITO
1.​ D
2.​ D
3.​ C
4.​ B
5.​ B
6.​ B
7.​ E
8.​ E
9.​ A
10.​E
11.​C
12.​C
13.​C
14.​E
15.​E
16.​E
17.​B
18.​A
19.​E
20.​E
21.​C
22.​C
23.​C
24.​C
25.​E
26.​C
27.​E
28.​C

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