UNIVERSIDADE DO NORTE DO PARANÁ
BACHARELADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
Geoci Oliveira Dantas Júnior
COMPOSIÇÃO CORPORAL E NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA DE
TRABALHADORES DA INDÚSTRIA: Revisão bibliográfica
CAICÓ/RN
2023
GEOCI OLIVEIRA DANTAS JUNIOR
COMPOSIÇÃO CORPORAL E NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA DE
TRABALHADORES DA INDÚSTRIA: Revisão bibliográfica
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel em Educação Física.
Orientador: Prof. Ms Bruno José Frederico Pimenta
CAICÓ/RN
2023
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BVS Biblioteca Virtual de Saúde
DCNT Doenças Crônicas Não Transmissíveis
GC Gordura Corporal
IMC Índice de Massa Corporal
OMS Organização Mundial de Saúde
PAT Programa de Alimentação do Trabalhador
Scielo Scientific Electronic Library Online
SUMÁRIO
1INTRODUÇÃO.............................................................................................................5
2PROBLEMA..................................................................................................................6
3JUSTIFICATIVA........................................................................................................... 6
4OBJETIVOS................................................................................................................. 7
4.1Geral...................................................................................................................... 7
4.2Específicos............................................................................................................7
5FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................................7
5.1Composição Corporal..........................................................................................7
5.2Atividade física..................................................................................................... 8
5.3Saúde do trabalhador..........................................................................................9
6METODOLOGIA........................................................................................................10
7RESULTADOS E DISCUSSÃO...............................................................................11
8CONCLUSÃO............................................................................................................ 13
REFERÊNCIAS............................................................................................................ 14
1INTRODUÇÃO
Com a globalização e os avanços tecnológicos, as empresas vem
sofrendo grandes transformações e embora a tecnologia venha trazendo
benefícios para população ela também pode impactar negativamente
contribuindo para uma redução na qualidade de vida dos trabalhadores. (SILVA
et al, 2018)
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a qualidade de vida é
definida através da percepção do indivíduo sobre sua posição na vida em um
contexto socioeconômico, cultural e em relação aos seus objetivos,
expectativas, padrões e preocupações. (WHOQOL, 1994)
Segundo Berto et al (2016), a composição corporal também é um forte
indicador da qualidade de vida e sofre influência direta da ingestão e absorção
dos alimentos bem como a prática de atividade física. A atividade física,
segundo Silva et al (2018), é “todo movimento corporal realizado pelos
músculos esqueléticos que seja capaz de gerar gasto de energia acima do
estado de repouso com o objetivo de aperfeiçoar ou manter as condições de
aptidão física”.
Quando a atividade física é competitiva, institucionalizada e atende
regras e aspectos técnicos de cada modalidade, a mesma pode ser
caracterizada como esporte. Segundo a OMS, a recomendação global para a
prática de atividade física, para adultos, é de, pelo menos, 150 minutos
semanais de atividade leve ou moderada ou, no mínimo, 75 minutos quando é
intensa.
É importante destacar que com a globalização e o avanço da tecnologia,
o trabalhador tem passado muito mais tempo dedicado ao trabalho e muito
tempo frente a telas, o que pode, segundo Silva at al (2018) diminuir seu
convívio social, lazer e cuidados com a saúde, o tornando vulnerável à
exaustão, ao adoecimento ocupacional e à inatividade física.
Segundo Hallal et al (2012) a inatividade física tornou-se um fator de
risco para a mortalidade em nível mundial sendo ela a responsável por cerca
de 5 milhões de mortes ao ano em todo mundo. Essa inatividade é
frequentemente justificada em razão das transformações no mundo do
trabalho, pelas longas jornadas de trabalho, pelas transformações tecnológicas
e pelo lazer cada vez mais voltado ao mundo virtual como redes sociais,
videogames, computadores, televisão, entre outros. (JESUS;JESUS, 2012)
Segundo a OMS, a prática regular de atividades físicas vem sendo
apontada como um dos principais fatores para promoção da saúde,
contribuindo na prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT)
auxiliando na redução e controle de dislipidemias, doenças cardiovasculares,
obesidade, diabetes, câncer, osteoporose, transtornos mentais e
consequentemente na diminuição da taxa de mortalidade.
2PROBLEMA
Sabendo que há um aumento do nível de inatividade física entre
trabalhadores devido as condições de trabalho geradas pela globalização e
avanço da tecnologia o intuito da pesquisa é saber se o mesmo resultado se
reflete em trabalhadores da indústria e como a ocupação impacta na realização
de atividades físicas e consequentemente em como isso reflete na composição
corporal dos mesmos.
3JUSTIFICATIVA
Devido as mudanças causadas pela globalização e avanço das
tecnologias que vem gerando uma maior carga horária de trabalho e estão
associadas ao nível de inatividade física, e que colocam os trabalhadores em
risco para o desenvolvimento de DCNT, essa revisão se faz necessária para
observar a saúde de um modo geral dessa população utilizando como
parâmetro também a composição corporal dos trabalhadores das indústrias
brasileiras.
Esta pesquisa é de grande importância para saúde pública e pode servir
como parâmetro para o desenvolvimento de políticas públicas para essa
população e também pode ser utilizada como referência para empresas da
iniciativa privada que tenham interesse em melhorar a saúde dos seus
colaboradores.
4OBJETIVOS
4.1Geral
Este estudo tem como objetivo apresentar uma revisão bibliográfica de
produções científicas que abordam a temática da composição corporal e nível
de atividade física em trabalhadores brasileiros.
4.2Específicos
● Rastrear as produções sobre composição corporal e nível de atividade
física em trabalhadores de polos industriais;
● Analisar os conteúdos gerados pela comunidade científica brasileira.
5FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
5.1Composição Corporal
A composição corporal refere-se aos componentes que constituem a
massa corporal sendo divida em dois grupos, a massa magra, aquela que é
composta por proteínas, conteúdo mineral ósseo e água extra e intracelular, e
massa gorda corporal. (MARTINS, 2009)
A composição corporal tem como característica ser muito dinâmica, pois
os componentes corporais sofrem alterações durante toda a vida sendo
influenciada por vários aspectos como fatores genéticos, status
socioeconômicos, estado nutricional, atividades laborais e aspectos ambientais,
nível de atividade física e estilo de vida (COSTA, 2021).
Quando a mudança na composição corporal favorece o aumento da
massa gorda há um aumento no risco de desenvolvimento de vários tipos de
DCNT, como insuficiência cardíaca, dislipidemia, diabetes mellitus, osteoartrite
e hipertensão arterial entre outros. Essas alterações também podem estar
relacionadas a outras doenças, ao envelhecimento, ao estilo de vida e
comportamento sedentário. O que pode promover consequências importantes
na saúde do indivíduo e baixa qualidade de vida (CARVALHO, 2018).
Para calcular e classificar a composição corporal geralmente usam-se
fórmulas estabelecidas pela OMS e por alguns autores, sendo as classificações
mais comuns o Índice de Massa Corporal (IMC), o percentual de Gordura
Corporal (GC) e a Relação Cintura Quadril (RCQ) que sofre influência não só
da alimentação, mas também de fatores genéticos, ambientais e
farmacológicos (BERTO et al, 2016).
De modo geral as aferições da composição corporal são de grande
importância para o diagnóstico e controle de várias doenças bem como pode
ser utilizada em estudos de desenvolvimento, avaliação nutricional, medicina
esportiva, monitoramento da eficácia de intervenções terapêuticas e prescrição
de exercícios físicos (PITANGA et al, 2014).
5.2Atividade física
Atividade física é todo movimento corporal realizado pelos músculos
esqueléticos que seja capaz de gerar gasto de energia acima do estado de
repouso com o objetivo de aperfeiçoar ou manter as condições de aptidão
física. São exemplos de atividade física: caminhar, correr, pedalar, brincar, subir
escadas, carregar objetos, dançar, limpar a casa, passear com animais de
estimação, cultivar a terra, cuidar do quintal, praticar esportes, lutas, ginásticas,
yoga, entre outros (OLIVEIRA; ANDRADE, 2013)
Segundo o Ministério da Saúde (2021), as atividades físicas podem ser
divididas em diferentes intensidades, sendo elas, Leve, Moderada e Vigorosa.
A intensidade é o grau de esforço físico necessário para realizar uma atividade
física, quanto maior a intensidade, maior é frequência cardíaca, a respiração, o
gasto energético e a percepção do esforço.
A atividade leve, exige mínimo esforço físico e causa pequeno aumento
da respiração e dos batimentos cardíacos, é possível respirar tranquilamente e
conversar normalmente enquanto se movimenta como por exemplo, arrumar a
cama, lavar a louça, caminhar devagar, entre outras. (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2021)
A atividade moderada exige mais esforço físico, faz você respirar mais
rápido que o normal e aumenta moderadamente os batimentos cardíacos como
por exemplo, serviços de jardinagem de modo geral, lavar a calçada, dançar,
exercícios físicos praticados em casa, entre outros. (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2021)
A atividade vigorosa exige um grande esforço físico, faz você respirar
muito mais rápido que o normal e aumenta muito os batimentos cardíacos. São
atividades vigorosas esportes competitivos de modo geral, correr, subir
escadas, cortar lenha, por exemplo. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2021)
Ainda segundo o Ministério da Saúde (2021), “os exercícios físicos
também são exemplos de atividades físicas, mas se diferenciam por serem
atividades planejadas, estruturadas e repetitivas com o objetivo de melhorar ou
manter as capacidades físicas e o peso adequado, além de serem prescritos
por profissionais de educação física”.
A OMS orienta aos adultos a prática pelo menos 150 a 300 minutos de
atividade física aeróbica de moderada intensidade; ou pelo menos 75 a 150
minutos de atividade física aeróbica de vigorosa intensidade enquanto a
recomendação do American College of Sports Medicine (ACSM), diretriz
amplamente utilizada em todo o mundo, para promoção de benefícios à saúde
em adultos corresponde a pelo menos 150 minutos de exercício físico aeróbio
de intensidade moderada por semana, sendo 30 minutos ou mais para cinco
dias na semana, ou 20 a 60 minutos com alta intensidade para três dias na
semana. (Haskell et al, 2007; WHO, 2010)
Quando praticada de forma regular, a atividade física tem papel
fundamental na prevenção de doenças como diabetes, hipertensão arterial e
doenças cardiorrespiratórias, melhora da disposição tanto para atividades do
dia a dia quanto para as atividades laborais além da promoção do bem estar
físico, mental aumentando a interação social e por isso deve iniciada e
incentivada desde cedo potencializando todos esses benefícios. (LIMA; LEVY;
LUIZ, 2014)
5.3Saúde do trabalhador
O trabalho é a forma de subsistência do homem e tem passados por
diversas mudanças que chegaram a formas de produção em grande escala e
com o homem em funções cada vez mais especializadas. As doenças
relacionadas ao trabalho são crescentes e têm apresentado efeito negativo na
saúde do trabalhador. (SILVA et al., 2018)
Segundo Oliveira e Andrade (2013), pessoas em países desenvolvidos e
em desenvolvimento estão se tornando mais sedentárias devido as mudanças
no estilo de vida, juntamente com o processo de globalização, avanço das
tecnologias, crescimento econômico e a urbanização.
De acordo com Gonçalves e Vilarta (2004), os números evidenciam que
o Brasil está passando por uma transformação semelhante. É possível
observar nas maiores capitais do país uma crescente nos casos de obesidade
e inatividade física como também o aumento no número de trabalhadores com
alguma DCNT.
A OMS estima um aumento de cerca de 160 milhões de novos casos de
doenças relacionadas ao trabalho, incluindo doenças respiratórias, doenças
cardiovasculares, câncer, distúrbios músculos-esqueléticos, doenças mentais e
neurológicas e que pelo menos 1,1 milhões de indivíduos morrem devido a
lesões e doenças relacionadas ao trabalho. (OLIVEIRA; ANDRADE, 2013)
O trabalhador brasileiro, quase sempre, tem sua condição de saúde e
qualidade de vida deixada para segundo plano, diante das necessidades pela
sobrevivência e dos interesses corporativos relativos à produção e ao lucro. Em
2019 no Brasil, quase 39 mil trabalhadores foram afastados do trabalho devido
a esse tipo de adoecimento. (BRASIL, 2020)
6METODOLOGIA
Essa pesquisa trata-se de uma revisão bibliográfica, de caráter
integrativo.
Segundo Botelho, Cunha e Macedo (2011), a revisão integrativa surgiu
como alternativa para revisar rigorosamente e combinar estudos com diversas
metodologias e de diversas áreas do conhecimento, mantendo o rigor
metodológico das revisões sistemáticas. Essa combinação de métodos amplia
as possibilidades de análise da literatura.
Para a revisão bibliográfica foram utilizadas as cinco primeiras etapas
metodológicas do Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions
como mostra a seguir.
Para a busca dos artigos foram utilizadas a Biblioteca Virtual de Saúde
(BVS) e as bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Google
Acadêmico e PubMed. Foram utilizados 3 descritores como critério de seleção
dos artigos, sendo eles: Composição corporal, Exercício Físico e
Trabalhadores. Serão incluídos os artigos que analisarem Índice de Massa
Corporal (IMC), e que tenham sido publicados nos últimos 10 anos. Foram
excluídos os artigos em que o público alvo não eram trabalhadores de polos
industriais, e que
não contemplem os critérios de inclusão.
7RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na plataforma BVS foram encontrados 15 artigos com os descritores
utilizados, apenas 1 atendiam os critérios de inclusão. Na plataforma PubMed
foram encontrados 9 artigos e nenhum deles atendia os critérios de inclusão.
Na plataforma Scielo foram encontrados 10 artigos e apenas 1 atendia aos
critérios de inclusão. Na plataforma Google Acadêmico foram encontrados 2
trabalhos que atendiam os critérios de acordo com os descritores e tempo de
publicação.
Martins e Leite (2020), observou 42 funcionários de uma indústria
metalúrgica. 61,9% estava com excesso de peso, com IMC acima de 25kg/m²,
e 38,1% considerados eutróficos. Outro dado importante apresentado foi a
circunferência abdominal, onde 29 estavam com baixo risco para
desenvolvimento de doenças associadas a obesidade (<94cm), 7
apresentavam risco moderado (≥94cm) e 6 apresentaram um alto risco
(≥102cm) para o desenvolvimento de doenças associadas a obesidade.
Outros autores que também utilizaram em seu estudo a circunferência
abdominal como medida para avaliação da composição corporal foram Tavares
e Pereira (2018) que realizaram um estudo com 171 homens, trabalhadores de
uma empresa do ramo de produção de fios de cobre. Destes, 61 (35,67%)
apresentaram baixo risco para desenvolvimento de doenças associadas a
obesidade (<94cm), 54 apresentavam risco moderado (≥94cm) e 56
apresentaram um alto risco (≥102cm) para o desenvolvimento de doenças
associadas a obesidade.
Em relação ao IMC 66 (38,59%) foram classificados com eutróficos
enquanto 84 (49,14%) foram classificados com sobrepeso e 21 (12,27%) foram
classificados em algum dos graus de obesidade. (TAVARES; PEREIRA, 2018)
Mesquita e Mesquita (2013) realizaram um estudo com 103
trabalhadores do ramo industrial de confecção, sendo 24 (23,3%) do sexo
masculino e 79 (76,7%) do sexo feminino entre 20 e 40 anos. O IMC médio
apresentado pelos homens foi de 24,67 kg/m² (eutrofia) enquanto o das
mulheres foi de 25,26 kg/m² (sobrepeso).
Pimenta et al (2019), realizou um estudo com 437 participantes que
trabalhavam em turnos alternados, sendo excluídos aqueles que exerciam
atividades administrativas. Destes, 50% apresentaram o IMC médio de 26,16
kg/m², sendo classificados com sobrepeso. Também foi avaliado a
circunferência da cintura e foi obtivo uma média de 92cm, sendo classificados
com baixo risco para o desenvolvimento de DCNT.
No estudo de Torres et al (2020), 1.069 trabalhadores de 26 indústrias
do Estado do Rio Grande do Norte no Brasil foram avaliadas sendo elas 53,1%
do sexo masculino e 46,9% do sexo feminino. Torres et al, dividiu o estudo em
duas etapas observando a composição corporal dos trabalhadores beneficiários
do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e de trabalhadores não
beneficiários, concluindo que não houve diferença entre os grupos em relação
ao IMC, mas houve uma pequena variação em relação a circunferência da
cintura, sendo maior, a dos beneficiários do PAT.
De um modo geral, pôde-se observar que, em todos os estudos
encontrados, os trabalhadores apresentaram em sua maioria excesso de peso
e risco para o desenvolvimento de DCNT.
8CONCLUSÃO
Diante do exposto, podemos concluir que o trabalhador do ramo da
indústria também vem sofrendo com o impacto da globalização. O aumento da
carga horária e os baixos níveis de atividade física reflete diretamente na
composição corporal e na saúde dos trabalhadores brasileiros.
Por isso, essa pesquisa se faz ainda mais importante, servindo como
referência para os órgãos públicos e para as empresas privadas na tentativa de
reduzir os impactos desses resultados e melhorar a saúde dessa população.
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