necessidade de uma política pública que regulamentasse e recomendasse a inserção e a
abordagem deste tema em específico. Por isso surge o Plano de implementação das Diretrizes
Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais, para subsidiar, apoiar e
regulamentar ações que circundam este tema (NOGUERA, 2012, p. 70). “O documento não
deixa dúvidas, toda a sociedade brasileira é destinatária dessas ações; negras, negros e
indígenas não devem ser definidas(os) como agentes exclusivas e exclusivos das políticas em
prol de uma educação antirracista” (NOGUERA, 2012, p. 70).
E então surge a proposta de Noguera com relação à prática de “denegrir a educação”,
evidenciando esta heterogeneidade que compõe o Brasil e confrontando generalizações que
padronizam, hierarquizam e excluem. Denegrir a educação partiria da adoção da
pluriversalidade, assumindo que nem todos precisam aprender tudo da mesma maneira, mas
reconhecer as diferenças que existem nos espaços (NOGUERA, 2012, p. 71). Portanto,
Noguera descreve:
como um esforço de revitalizar as perspectivas esquecidas, problematizando
os cânones, refazendo e ampliando currículos, repensando os exames e as
tramas que colocam um suposto saber estabelecido como regra e norma para
enquadramento das pessoas que desconhecem o que “deveriam” saber para o
seu próprio bem. Neste sentido, a pluriversalidade pedagógica pode trazer,
em se tratando de sala de aula, um conjunto de novas alternativas para o
aprendizado (NOGUERA, 2012, p. 71).
No documento, percebemos que a educação das relações étnico-raciais necessita de
um projeto de sociedade justa que parte de um objetivo comum. O combate ao racismo
perpassa pelo fim da desigualdade social e racial, sendo necessário então promover a
reeducação das relações (BRASIL, 2004, p. 14). Assim, a escola pode ter um papel crucial na
eliminação destas desigualdades ao possibilitar o acesso a conhecimentos científicos,
registros culturais, conquista da racionalidade e conhecimentos indispensáveis para a
construção de espaços democráticos. Ao confrontar o racismo, supera-se o etnocentrismo. Ao
utilizar pedagogias outras, há o reconhecimento de outros lugares de enunciação e produção
de conhecimento.
A escola tem papel preponderante para eliminação das discriminações e para
emancipação dos grupos discriminados, ao proporcionar acesso aos
conhecimentos científicos, a registros culturais diferenciados, à conquista de
racionalidade que rege as relações sociais e raciais, a conhecimentos
avançados, indispensáveis para consolidação e concerto das nações como
espaços democráticos e igualitários. […] A escola, enquanto instituição social
responsável por assegurar o direito da educação a todo e qualquer cidadão,
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