Aluno: Jean Alves Piedade
Matricula: 180033441
Resumo texto: Os arquivos no Brasil e sua proteção jurídico-legal, da autora Janice
Gonçalves.
Esse texto traz um panorama sobre os arquivos no Brasil e a proteção legal que
existe para eles, com foco na constituição de 1988 e as dificuldades para ter uma
legislação especifica para o tema.
A Constituição garantiu o acesso à informação e a obrigação dos órgãos públicos em
disponibilizá-la.
Documentos de arquivo entram em várias categorias de patrimônio protegido pela
lei.
Mesmo com avanços, ainda falta uma lei geral que organize o acesso e a proteção
dos arquivos no país.
Os Arquivos no Brasil e sua Proteção Jurídico-Legal
A Constituição de 1988 reconheceu o acesso à informação como um direito
fundamental e estabeleceu obrigações para órgãos públicos em relação à
disponibilização de documentação.
A Constituição também abriu a possibilidade de salvaguardar documentos de arquivo
de interesse permanente, incluindo-os nas categorias de "patrimônio público" e
"patrimônio histórico e cultural".
Célia Leite Costa e Priscila Fraiz destacaram a ausência de uma legislação geral sobre
arquivos no Brasil, apesar dos esforços para elaborá-la.
Por uma "lei de arquivos"
A Lei nº 8.159/91, sancionada em 1991, estabeleceu deveres do poder público em
relação aos arquivos públicos e privados, definindo responsabilidades e garantindo o
acesso à documentação.
O Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) foi criado para definir a política nacional
de arquivos, atuando como órgão central do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR).
Decretos federais vincularam-se à Lei nº 8.159/91, regulando a microfilmagem de
documentação, a classificação de documentos sigilosos e a política nacional de
arquivos públicos e privados.
Legislação e Arquivos
A Constituição de 1988, ao garantir o direito a "certidões em repartições públicas",
influenciou a Lei nº 9.051/95, que estabeleceu prazos para expedição de certidões,
impactando as instituições arquivísticas públicas.
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A Lei nº 9.507/97 regulamentou o habeas-data, permitindo ao cidadão conhecer,
retificar, complementar ou contestar informações em órgãos públicos, o que teve
forte associação com documentos das polícias políticas.
A garantia de direitos, relacionada ao valor de prova de documentos, está ligada às
transformações tecnológicas na geração de documentos em diversos formatos.
Documento de arquivo e patrimônio cultural
A legislação sobre microfilmagem, desde a década de 1960, buscou garantir o valor
de prova na migração de informações para outros suportes, como o microfilme.
A legislação relativa à preservação do patrimônio cultural, embora imprecisa na
Constituição de 1988, permitiu incluir documentos de arquivo na categoria de
"patrimônio cultural" ou "histórico".
A noção de patrimônio cultural, referida a bens culturais significativos para uma
coletividade, consolidou-se com a articulação a noções como "bem comum",
"interesse público" e "cidadania".
A Evolução da Proteção ao Patrimônio
A proteção ao patrimônio cultural inicialmente focou em "monumentos" artísticos ou
históricos, com a criação de comissões e museus para inventariar e preservar bens.
A ideia de "nação" influenciou a seleção de registros, documentos e edificações para
representar a "história nacional".
Outros países europeus também criaram órgãos para identificar e proteger
"monumentos", como a Áustria, que nomeou Aloïs Riegl para a Comissão de
Monumentos Históricos.
O Caso Brasileiro
No Brasil, inspetorias estaduais de "monumentos nacionais" foram criadas na década
de 1920, e a proteção de "monumentos" foi consagrada na legislação da década de
1930.
A Constituição de 1934 estabeleceu a competência da União, dos Estados e dos
municípios para proteger objetos de interesse histórico e o patrimônio artístico do
país.
O Decreto-lei nº 25/37 organizou a "proteção do patrimônio histórico e artístico
nacional", criando o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN).
O Decreto nº. 25/37 e suas Implicações
O Decreto nº 25/37 está relacionado a disputas entre grupos de intelectuais que se
aproximaram do poder público, confirmando o SPHAN como órgão fundamental para
a proteção do patrimônio cultural.
Rodrigo Melo Franco de Andrade, associado aos modernistas, foi nomeado para
dirigir o SPHAN, em vez de Gustavo Barroso, integralista.
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O decreto procurou equacionar a questão do direito de propriedade, adotando o
tombamento como principal instrumento de preservação.
Desafios na Preservação de Documentos de Arquivo
A legislação anterior ao Decreto nº 25/37 protegia "monumentos históricos",
"artísticos" ou "naturais", e "objetos artísticos" ou de "interesse histórico",
priorizando bens em sua individualidade.
A dificuldade de inserir documentos de arquivo nesse contexto reside no fato de que
seu valor histórico se refere a conjuntos documentais, não a unidades isoladas.
O Decreto nº 25/37 define como "patrimônio histórico e artístico nacional" o
conjunto de bens móveis e imóveis de interesse público, vinculados a fatos
memoráveis da história do Brasil ou a seu valor arqueológico, etnográfico,
bibliográfico ou artístico.
A Atuação do SPHAN e a Documentação Arquivística
As ações de preservação do SPHAN priorizaram o tombamento de bens edificados,
valorizados em seus aspectos artísticos e identificados à herança colonial.
Até 1995, não foram tombados arquivos ou documentos de arquivo, apesar de
algumas coleções museológicas e arqueológicas terem sido incluídas.
Embora o Decreto-lei nº 25/37 possa ter favorecido a proteção da documentação
arquivística, na prática, a proteção não se concretizou.
Outras Medidas Legais e a Documentação Arquivística
Nos anos 1940, a desapropriação por utilidade pública foi adicionada como medida
de proteção, incluindo a preservação de arquivos e documentos de valor histórico ou
artístico.
A Constituição de 1946 referiu-se explicitamente à proteção de "documentos de
valor histórico e artístico".
Leis publicadas nas décadas de 1960 buscavam impedir a saída do país de bens
culturais, influenciadas por recomendações da UNESCO, que incluíam manuscritos,
livros, arquivos e coleções musicais.
A Proteção da Documentação Arquivística na Legislação Brasileira
As leis brasileiras, como a Lei nº 4.845/65 e a Lei nº 5.471/68, não mencionavam
claramente documentos de arquivo, focando em obras de arte e acervos
documentais impressos.
A aplicação dessas leis à documentação arquivística era indireta, como exemplificado
pelo caso do "fundo documental de um comerciante carioca do século XIX".
A partir da década de 1970, sinais de preocupação com a documentação arquivística
começaram a surgir no âmbito federal, especialmente no Centro Nacional de
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Referência Cultural e no Programa Nacional e Preservação da Documentação
Histórica (Pró-Documento).
Arquivos: Setorização e Desafios na Preservação
O Pró-Documento, na SPHAN, representou a setorização da questão dos arquivos,
que permaneceu isolada das demais áreas encarregadas de pensar o patrimônio.
A política de preservação do arquivo público não avançou na identificação do
problema, e arquivos ligados a elementos arquitetônicos preservados não eram
simultaneamente protegidos.
A década de 1970 viu o surgimento de sistemas de arquivo na legislação, com a
criação do Sistema de Serviços Gerais (SISG) e do Sistema Nacional de Arquivos
(SINAR).
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Resumo do texto a atuação do Conselho Nacional de Arquivos na implementação da
política nacional de arquivos, de autoria da Vanessa dos Santos Azevedo e Andrea
Xavier de Albuquerque de Souza.
Este trabalho analisa como o Conselho Nacional de Arquivos tem atuado na
implementação da Política Nacional de Arquivos, principalmente a partir das
discussões em suas reuniões plenárias entre 2017 e 2023.
Introdução
Mecanismos e ações são necessários para solucionar problemas na produção, uso,
preservação e acesso às informações arquivísticas em documentos tradicionais ou
digitais, tanto públicos quanto privados.
A Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados é um desses mecanismos.
Política Nacional de Arquivos
As políticas públicas arquivísticas servem como base para a gestão de documentos e
garantem o direito de acesso à informação.
É comum confundir legislação arquivística com políticas arquivísticas.
A Lei de Arquivos (Lei nº 8.159/11) dispõe sobre a implementação da política
nacional de arquivos públicos e privados.
Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ)
O Conarq foi criado para definir a política nacional de arquivos e atuar como órgão
central do Sistema Nacional de Arquivos – Sinar.
O Conarq é voltado para a gestão e proteção dos documentos de arquivos, servindo
de apoio ao governo nas suas decisões políticas-administrativas e ao cidadão na
defesa de seus direitos.
Algumas de suas competências são propor normas legais necessárias ao
aprimoramento e à implementação da política nacional de arquivos públicos e
privados; zelar pelo cumprimento dos dispositivos constitucionais e legais que
norteiam o funcionamento e o acesso aos arquivos públicos e subsidiar a elaboração
de planos nacionais de desenvolvimento, sugerindo metas e prioridades da política
nacional de arquivos públicos e privados.
CONARQ x Arquivo Nacional x Sistema Nacional de Arquivos
Os responsáveis pela idealização e implementação da política nacional de arquivos
são o Arquivo Nacional e o Conselho Nacional de Arquivos, com o objetivo de garantir
a preservação e o acesso à informação arquivística da administração pública federal.
A vinculação do Conarq ao Arquivo Nacional, junto ao fato de que a presidência do
conselho e a direção do arquivo são assumidas simultaneamente pela mesma pessoa,
gera certa confusão no momento de distinguir as atribuições que cada um possui.
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O Sinar tem como órgão central o Conarq.
A Ausência de Uma Política Nacional de Arquivos
A inexistência de uma política arquivística em nível nacional pode trazer várias
implicações para o universo dos arquivos, ampliando os obstáculos ao direito à
informação e à eficiência do aparelho estatal.
Desde sua criação, o Conarq tem buscado compor um corpus de atos normativos que
regulem matérias arquivísticas referentes à gestão, à preservação e ao acesso aos
documentos públicos.
No entanto, ainda não definiu uma política nacional de arquivos, como previsto na
legislação.
Metodologia
A pesquisa é de natureza básica, de caráter exploratório e descritivo, realizada por
meio de uma abordagem quanti-qualitativa.
A amostra é composta por um conjunto de 30 atas produzidas durante as reuniões
plenárias do Conselho Nacional de Arquivos realizadas no período de 2017 a 2023.
Os documentos foram analisados por meio da Técnica de Análise de Conteúdo
Temática.
Descrição e Discussão dos Resultados
Durante o período de janeiro de 2017 a dezembro de 2023, o Conarq reuniu-se em
30 oportunidades, gerando um conjunto de atas em que são detalhadas suas ações.
Das 30 reuniões do Conselho, 21 aconteceram em caráter ordinário e nove em
caráter extraordinário.
No período de 1994 a 2006, o Conselho reuniu-se 40 vezes, sendo caracterizado por
sua estabilidade e diversidade de conselheiros e temas.
Considerações Finais
O trabalho analisou a atuação do Conselho Nacional de Arquivos na implementação
da Política Nacional de Arquivos.
O reconhecimento e a utilização da informação como direito pela sociedade,
juntamente com as novas tecnologias da informação e da comunicação, ampliaram
os modos de produção, conservação e uso da informação.
Trouxeram novas demandas às práticas arquivísticas e ressignificaram o papel dos
arquivistas dentro das organizações.
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