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O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune que afeta principalmente crianças e adolescentes, com o Brasil ocupando o terceiro lugar em incidência global. O tratamento visa prevenir complicações crônicas e requer conscientização sobre a importância do controle glicêmico, que inclui insulina, dieta e exercícios. A revisão de literatura destaca a necessidade de diagnóstico precoce e acompanhamento para reduzir riscos de comorbidades associadas ao mau controle do diabetes.

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O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune que afeta principalmente crianças e adolescentes, com o Brasil ocupando o terceiro lugar em incidência global. O tratamento visa prevenir complicações crônicas e requer conscientização sobre a importância do controle glicêmico, que inclui insulina, dieta e exercícios. A revisão de literatura destaca a necessidade de diagnóstico precoce e acompanhamento para reduzir riscos de comorbidades associadas ao mau controle do diabetes.

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A IMPORTÂNCIA DO CONTROLE E TRATAMENTO DO

DIABETES MELLITUS TIPO I EM JOVENS BRASILEIROS


Arnoud Ferreira Neto1
Letycia Stephany de Melo Lima2
Cléssia Bezerra Alves Morato3

Biomedicina

ciências biológicas e da saúde

ISSN IMPRESSO 1980-1785


ISSN ELETRÔNICO 2316-3143

RESUMO

O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune que surge na infância ou na
adolescência, caracterizada pelo aumento da glicose na corrente sanguínea, denomi-
nada hiperglicemia. Esse tipo de diabetes ocorre com maior prevalência em crianças e
adolescentes, entretanto também pode manifestar-se em jovens adultos. O Brasil ocupa
o terceiro lugar, entre os cinco países com maior incidência de diabetes mellitus tipo I,
apresentando também crescente incidência de novos casos por ano. O principal obje-
tivo do tratamento é prevenir o aparecimento ou a progressão das complicações crô-
nicas do diabetes descompensado. O trabalho tem como objetivo alertar aos jovens a
importância do controle e tratamento do diabetes a fim de reduzir os impactos causados
devido ao mau controle. Foi realizada uma revisão de literatura a partir do levantamento
de informações através de plataformas online, no período de 2012 a 2021, utilizando
como descritores: fisiopatologia do diabetes, diabetes mellitus e diabetes tipo 1. O dia-
betes, quando não tratado corretamente, pode evoluir para graves complicações que
podem levar ao coma e ocasionar a morte, além de causar também disfunção sexual,
alterações no humor, hipoglicemia e distúrbios de ansiedade. O diagnóstico precoce
e o acompanhamento são feitos através de exames laboratoriais. O tratamento é feito
com doses diárias de insulina, um bom controle glicêmico, exercícios físicos e uma dieta
balanceada. Por isso, é importante que haja uma conscientização do público em geral e
uma melhor abordagem dos profissionais de saúde para que se possa reduzir os riscos
de comorbidades, aumentando a incidência de triagem precoce e rápido diagnóstico.

PALAVRAS-CHAVE

fisiopatologia do diabetes, diabetes mellitus, diabetes tipo 1.

Ciências Biológicas e de Saúde Unit | Pernambuco | v. 5 | n. 1 | p. 98-111 | Julho. 2022 | [Link]


Cadernos de Graduação | 99

ABSTRACT

Type 1 diabetes mellitus (DM1) is an autoimmune disease that appears in childhood


or adolescence, characterized by an increase in glucose in the bloodstream, called
hyperglycemia. This type of diabetes is more prevalent in children and adolescents,
however it can also manifest itself in young adults. Brazil ranks third among the five
countries with the highest incidence of type I diabetes mellitus, also showing an in-
creasing incidence of new cases per year. The main objective of treatment is to pre-
vent the onset or progression of chronic complications of decompensated diabetes.
The work aims to alert young people to the importance of controlling and treating
diabetes in order to reduce the impacts caused by poor control. A literature review
was carried out based on the collection of information through online platforms, in
the period from 2012 to 2021, using as descriptors the pathophysiology of diabe-
tes, diabetes mellitus and type 1 diabetes. Diabetes, when not treated correctly, can
develop into serious conditions complications that can lead to coma and death, in
addition to causing sexual dysfunction, mood swings, hypoglycemia and anxiety di-
sorders. Early diagnosis and follow-up are done through laboratory tests. Treatment
consists of daily doses of insulin, good glycemic control, physical exercise and a ba-
lanced diet. Therefore, it is important that there is an awareness of the general public
and a better approach to health professionals so that the risks of comorbidities can be
reduced, increasing the incidence of early screening and rapid diagnosis.

KEYWORDS

Diabetic Pathophysiology. Diabetes Mellitus. Type 1 Diabetes.

1 INTRODUÇÃO

O diabetes mellitus tipo 1 é definido como uma doença metabólica, autoimune


caracterizado por hiperglicemia constante, decorrente de defeitos na secreção e ação
da insulina, ocasionada por destruição progressiva das células beta pancreáticas. Esse
tipo de diabetes ocorre com maior prevalência em crianças e adolescentes, entretanto
também pode manifestar-se em jovens adultos. Os portadores dessa doença metabólica
necessitam diariamente da administração de insulina exógena (SALES-PERES et al., 2016).
De acordo com a International Diabetes Federation (2019), o Brasil ocupa o terceiro
lugar, entre os cinco países com maior incidência de diabetes em crianças, adolescentes e
adultos com DM1. Com uma crescente incidência de novos casos por ano, e uma estima-
tiva de mais de 88 mil brasileiros diagnosticados, afetando igualmente homens e mulheres.
A presença de autoanticorpos associados a DM autoimune identifica indivíduos
com risco aumentado de desenvolvimento de DM1, tanto em parentes de pessoas
com DM1 quanto na população geral. O risco de desenvolvimento do diabetes se ele-
va conforme o aumento do número de autoanticorpos. O diabetes se subdivide em
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dois tipos, o DM tipo 1A e DM tipo 1B, dependendo da presença ou ausência de au-


toanticorpos. Algumas alterações fisiopatológicas são rastreadas com antecedência
como fome excessiva, perda de peso e poliúria. Entretanto, na maioria dos casos de
pré-diabetes ou diabetes, o quadro é assintomático. O diagnóstico é feito com base
em exames laboratoriais como; Glicemia de jejum, Teste oral de tolerância à glicose
(TOTG) e Hemoglobina glicada (HbA1c) (SBD, 2019).
A hiperglicemia crônica está associada a danos a longo prazo como: disfunção e
falência de diferentes órgãos, especialmente olhos, nervos, rins e coração. As compli-
cações de longo prazo incluem a perda da visão; a insuficiência renal; risco de úlceras
nos pés e amputações; doenças cardiovasculares e até disfunção sexual (ADA, 2014).
O principal objetivo do tratamento é prevenir o aparecimento ou a progres-
são das complicações crônicas, (retinopatia, nefropatia, neuropatia e cetoacidose) ao
mesmo tempo, minimizando os riscos de complicações agudas (hipoglicemia seve-
ra). O estilo de vida é um determinante importante do controle glicêmico na vida do
paciente com DM1, a autodisciplina é essencial para o tratamento que é um pouco
doloroso e essencial para a sobrevida do paciente. O tratamento envolve insulinote-
rapia, orientação alimentar, monitorização da glicemia e habilidade de autoaplicação
da insulina além do conhecimento sobre a doença (SALES-PERES et al., 2016).
Este trabalho tem como objetivo secundário alertar a população diabética so-
bre o risco de desenvolver doenças secundárias devido ao diabetes descompensado,
que por ser uma patologia crônica é necessário o conhecimento do diagnóstico para
aprender uma forma de otimizar o tratamento e diminuir os riscos de comorbidades.

2 METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão de literatura, foi realizada por meio de levantamento de


publicações no Publisher Medicine (PubMed), Google acadêmico e SciELO platafor-
mas de dados que foram usadas como fontes de informação para pesquisa cujo tema
é: A importância do controle e tratamento do diabetes mellitus tipo 1 em jovens bra-
sileiros. Foram selecionados artigos publicados entre 2012 e 2021, escritos em língua
portuguesa ou inglesa e foram utilizados os descritores: “diabetic pathophysiology” e
“diabetes mellitus” e diabetes tipo 1, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
Posteriormente, esse material foi filtrado por título, definindo uma amostra final de
trabalhos que foi submetida a uma leitura analítica, tendo como objetivo concentrar
as informações para estruturar o referencial teórico.

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 FISIOPATOLOGIA DA DIABETES

O diabetes mellitus representa um grupo de doenças metabólicas com diver-


sas etiologias, caracterizado por hiperglicemia plasmática. O DM1 é causado por
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uma reação autoimune na qual o sistema imunológico do corpo ataca as células


beta produtoras de insulina do pâncreas ocasionando uma deficiência completa
na produção de insulina. As causas exatas ainda são desconhecidas, mas estão
ligadas a uma combinação de condições genéticas e ambientais. O diagnóstico é
mais frequente em crianças, adolescentes e, em alguns casos, em adultos jovens e
subdivide-se em DM tipo 1A e 1B (SBD, 2019).
O DM2 é o tipo mais comum de diabetes, predomina em cerca de 90% das pes-
soas. Ocasionada pela incapacidade das células do corpo em metabolizar adequada-
mente a insulina que produz, denominada “resistência insulínica” (INTERNATIONAL...,
2019). As células betas aumentam a quantidade de insulina que produzem para ten-
tar compensar a resistência à insulina. Com o passar do tempo o indivíduo há uma re-
dução da resposta pancreática de insulina, levando a uma hiperglicemia (ADA, 2021).
Há vários fatores de disfunção da célula beta, entre eles o declínio fisiológico
decorrente do envelhecimento, o grau de insulino-resistência, a acumulação pancre-
ática de peptídeo amilóide, um aumento da concentração sérica de glicose e a carga
genética individual (GUELHO et al., 2013).
A importância das atividades de rastreamento e diagnóstico precoce do DM2 no
Brasil, não pode ser minimizada, já que ele conta com cerca de 14 milhões de pacientes,
dos quais apenas a metade sabe que tem diabetes. Ela se manifesta mais frequentemente
em adultos, mas também pode-se desenvolver em crianças. Obesidade, sedentarismo,
hipertensão arterial e histórico familiar de DM2 são alguns dos fatores de risco (SBD, 2019).
O DM2 apresenta algumas características clínicas associadas à resistência à in-
sulina, como manchas escuras na pele (acantose nigricans) e hipertrigliceridemia. O
diagnóstico diferencial com DM 1 será realizado pela história clínica, observação da
evolução da doença pela presença de um quadro chamado de “período de lua de
mel” que é quando uma pessoa é diagnosticada com DM1 e algumas de suas células
produtoras de insulina ainda funcionam por um curto prazo de tempo, e pela deter-
minação de autoanticorpos. Em jovens com DM 2, os autoanticorpos não estão pre-
sentes e os níveis de peptídeo C podem ser normais ou elevados (SBD, 2021).
O diabetes gestacional, é uma condição temporária que acomete algumas ges-
tantes, acarretando uma intolerância à glicose devido a insuficiência insulínica gerada
pela mãe, ocasionando uma hiperglicemia (OLIVEIRA et al., 2020). Ela afeta entre 2 e
4% de todas as gestantes e pode ou não persistir posteriormente ao parto para a mãe
e o bebê e no Brasil representa 37% das mortes maternas. Esta condição está associa-
da à disfunção metabólica em mulheres durante a gravidez, já que ocorre mudanças
no equilíbrio hormonal para que o bebê se desenvolva.
A placenta, é uma fonte importante de hormônios que reduzem a ação da in-
sulina, responsável pela captação e utilização da glicose pelo corpo. Consequente-
mente, o pâncreas, aumenta a produção de insulina para compensar este quadro. Em
algumas mulheres este processo não acontece de forma eficiente e elas desenvolvem
um quadro de diabetes gestacional, caracterizado pela hiperglicemia. A idade mater-
na avançada, a síndrome do ovário policístico e a obesidade são alguns dos fatores de
risco para o desenvolvimento deste quadro.

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Quando o bebê é exposto a grandes quantidades de glicose ainda no ambien-


te intrauterino, há um risco maior de macrossomia fetal conhecido como, cresci-
mento excessivo e, consequentemente, hipoglicemia neonatal, partos traumáticos
e possivelmente até diabetes e obesidade na vida adulta. É necessário um cuidado
pré-concepcional, informando a paciente que um bom controle glicêmico antes da
concepção e durante toda a gravidez reduz, porém não elimina, os riscos de aborto,
malformação congênita e morte neonatal (SBD, 2019) (FIGURA 1)

Figura 1 – Tabela com valores referenciais para o diagnóstico de diabetes gestacional

Fonte: [Link]

3.2 DIABETES MELLITUS TIPO 1

O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença poligênica, caracterizada


pela hiperglicemia persistente, resultante de uma destruição autoimune das cé-
lulas beta pancreáticas, onde as células imunológicas secretam anticorpos con-
tra as células beta do pâncreas, identificando-as como invasoras, destruindo-
-as e ocasionando uma deficiência completa na produção de insulina. Este tipo
de diabetes representa cerca de 5-10% dos casos de DM. Sendo diagnosticada
mais frequentemente em crianças e adolescentes, afetando igualmente homens
e mulheres (SBD, 2019).
Segundo Norris e colaboradores (2020), globalmente, a incidência de diabetes
tipo 1 começou a aumentar na década de 1950, com um aumento médio anual de
3-4% sobre nas últimas três décadas. O diabetes mellitus é uma das doenças crô-
nicas autoimunes mais comuns na infância e adolescência, além de ser uma das
principais causas de óbitos no Brasil, que se encontra em terceiro lugar como o país
com maior incidência de crianças e adolescentes com diabetes (INTERNATIONAL...,
2019) (FIGURA 2).

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Figura 2 – Tabela de países com maior índice de crianças e adolescentes com diabe-
tes tipo 1

Fonte: SDB (2019).

Segundo Schmidt e colaboradores (2014), 50% dos indivíduos identificados com


diabetes não sabiam que tinham o diagnóstico de diabetes. Em 2017, a Federação
Internacional de Diabetes estimou que 8,8% da população entre 20 e 79 anos, vivia
com diabetes e a tendência era de aumento dos casos nos próximos anos. Pelo fato
de o diabetes estar associado a maiores taxas de hospitalizações e maior incidência
de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, cegueira, insuficiência renal e am-
putações, pode-se prever a sobrecarga que trará para os sistemas de saúde de todos
os países nos próximos anos (SBD, 2019).
Subdivide-se em DM tipo 1A, quando a deficiência de insulina ocorre por des-
truição autoimune das células beta e DM tipo 1B, que ocorre deficiência de insulina de
natureza idiopática. O início é, em geral, inesperado, podendo ter como primeira ma-
nifestação a cetoacidose diabética (SBD, 2019). Na criança, a idade precoce do início
dos autoanticorpos das ilhotas associados ao diabetes tipo 1 sugere que exposições
ambientais, como infecções virais nos primeiros anos de vida, podem ser contribuin-
tes para o desenvolvimento da doença. No entanto, segundo a American Diabetes
Association, os estudos sobre as contribuições ambientais para o diabetes tipo 1 têm
sido pequenos e um tanto contraditórios (ADA, 2017).
A hiperglicemia crônica é o principal fator de desencadeamento de complica-
ções macrovasculares e microvasculares, sendo relacionadas as principais causas de
morbimortalidades e na qualidade de vida dos diabéticos (VILAR, 2016).
Os principais sintomas da diabetes são: poliúria, polidipsia, polifagia e perda
de peso involuntária, apresentando quadros de fadiga e cansaço ou simplesmente o
paciente pode ter um início assintomático. Entretanto, algumas vezes o diagnóstico é
feito a partir de complicações, como: retinopatia, nefropatia, doença cardiovascular e
neuropatia. Em alguns casos, uma pessoa pode chegar ao ponto de uma cetoacidose
diabética antes que o diagnóstico seja feito. A Cetoacidose diabética (CAD) ocorre
quando a glicose no sangue está muito alta e as células não conseguem absorver
a glicose devido à ausência de insulina, então o corpo quebra a gordura para obter
energia, causando um acúmulo de cetonas no sangue e na urina. Se não for tratada,

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pode resultar em inconsciência e até morte (BANDEIRA, 2021).


O diagnóstico laboratorial do DM pode ser realizado por meio de medição da
glicemia de jejum, dosagem de glicemia 2 horas após teste oral de tolerância à glicose
(TOTG) que é considerado o principal exame no diagnóstico da DM e a hemoglobina
glicada (HbA1c) (SBD, 2019).
Como a característica do DM1 é não produzir insulina, o tratamento depende da
reposição desse hormônio de forma exógena, onde muitas vezes utiliza-se dois tipos
de insulinas, onde uma é basal e a outra é de ação rápida, possibilitando a cobertura
das necessidades básicas. Além de estabelecer “alvos glicêmicos” para serem alcan-
çados (SBD, 2019-2020).

Figura 3 – Mecanismo de ação da insulina

Fonte: [Link]

3.3 SINTOMATOLOGIA

  O DM1 pode manifestar-se de várias formas, como hiperglicemia, poliúria, po-


lidipsia crônica, polifagia, perda de peso, cetonúria, cetoacidose diabética, cansaço
excessivo, visão turva, cortes que demoram a cicatrizar ou simplesmente uma desco-
berta silenciosa e assintomática (SBD, 2019).
A hiperglicemia ocorre devido a redução da concentração efetiva da insulina. Os
sintomas mais frequentes são polidipsia, poliúria, polifagia, hálito cetônico e náuseas.
Em situações mais graves ocorrem confusão mental, sonolência e visão turva. Aconte-
ce quando a glicose plasmática se encontra acima de 250mg/dl (CUNHA et al., 2018).  
A poliúria ocorre quando a concentração sérica de glicose aumenta significati-
vamente acima de 180mg/dL, ultrapassando o limiar renal para a glicose, provocan-
do aumento da excreção urinária. Caracterizada por um débito urinário inadequada-
mente alto (mais de 3 litros em 24 horas) (RAMIREZ, 2021).
A polidipsia crônica se caracteriza pela sede intensa devido ao aumento da os-
molaridade sérica ocasionado pela hiperglicemia e hipovolemia. O consumo exces-
sivo de fluídos constitui o ponto de partida deste distúrbio, do qual resulta aumento
dos fluídos corporais em uma tentativa do corpo de se livrar das grandes quantidades
de glicose circulante (MAYER; DAVIS, 2018).
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A polifagia é caracterizada pela fome excessiva e acontece devido a incapacida-


de do corpo em usar corretamente a glicose dos alimentos, ocasionada pela ausência
da produção de insulina (NORRIS, 2021).
A cetonúria acontece devido a presença de corpos cetônicos na urina, sinal de
glicemia descompensada e que há um aumento da degradação dos lipídios para gerar
energia, uma vez que os estoques de carboidratos estão comprometidos (KIM, 2019).

3.4 DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS SECUNDÁRIAS


A PARTIR DO DIABETES DESCONTROLADO

3.4.1 Complicações Cardiovasculares

A doença cardiovascular tem como principal fator de risco além da obesidade a


diabetes mellitus. Pacientes diabéticos têm taxa de mortalidade aumentada cerca de
2 a 4 vezes, que em pacientes não diabéticos. Algumas das doenças cardiovasculares
associadas ao diabetes mellitus incluem a doença coronária e o acidente vascular
encefálico (BANDEIRA, 2021).
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é colocado como principal causa de morte
em pacientes diabéticos, esta patologia está ligada aos principais fatores de risco como:
a idade, o sedentarismo, obesidade, hiperglicemia, dislipidemia e hábitos alimentares
inadequados. O diagnóstico de DM expressa risco duas vezes maior de acidente vas-
cular encefálico, comparado com pacientes não diabéticos. A insuficiência cardíaca
congestiva também apresenta maior prevalência em pacientes com diabetes, esses
pacientes têm maior chance de desenvolver doenças cardiovasculares devido a pre-
valência da glicose alta no sangue que danifica as paredes das artérias e pode ocorrer
uma lesão que pode servir como base para formação de uma placa de gordura, que vai
se depositando e aumentando o risco de uma doença cardiovascular (MILECH, 2014).
Para pacientes com doença arterial coronariana, a PA não deve ser inferior a
120/70 mm Hg devido ao risco de hipoperfusão coronariana, dano ao miocárdio e
eventos cardiovasculares. A redução da pressão arterial e do controle glicêmico é
seguido por uma redução significativa do risco cardiovascular (OLIVEIRA, 2017). O
tratamento do paciente com diabetes e cardiopatia deve ser feito antes mesmo do
aparecimento da doença, por meio da tentativa de eliminação dos fatores de risco
cardiovascular e do controle da hiperglicemia (MILECH, 2014).

3.4.2 Neuropatia Diabética


 
A neuropatia diabética (ND) é uma perda da função sensorial começando dis-
talmente nas extremidades inferiores que também é caracterizada por sintomas do-
lorosos e debilitantes. Define-se neuropatia diabética como distúrbio heterogêneo
caracterizado por sinais e sintomas relacionados com alterações neuropáticas em
pacientes com diabetes. Trata-se da principal complicação microvascular do DM sen-

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do responsável por internações hospitalares, amputações e incapacidade funcional.


Os nervos periféricos carregam informações que entram e saem do cérebro, além de
mandar sinais da medula espinhal para o resto do corpo. Os danos causados a esses
nervos são chamados de neuropatia periférica, fazendo com que esse mecanismo de
ligação não funcione de maneira correta. Podendo afetar um único nervo ou nervos
do corpo inteiro (FELDMAN, 2019).
É uma consequência de alterações induzidas principalmente pelo controle
inadequado da glicose, com ativação de diversas vias metabólicas e angiogênicas,
que culminam com dano da fibra nervosa (BANDEIRA, 2019). A hiperglicemia reduz a
capacidade de eliminar os radicais livres e compromete o funcionamento de outras
células, principalmente os neurônios.
Ao mesmo tempo, em uma segunda etapa desta complicação, pode haver re-
dução da sensibilidade protetora. As dores que eram intensas passam a ser menores
do que deveriam. E essa redução da sensibilidade está ligada ao risco de amputação.
Já que pode haver um corte ou queimadura e não ser percebido a tempo. Com o
controle efetivo da glicose reduz drasticamente a progressão da ND em pacientes
com DM (FELDMAN, 2019).

3.4.3 Retinopatia Diabética

Pacientes com DM frequentemente desenvolvem complicações oculares, tais


como paralisias dos nervos motores oculares, instabilidade da refração, úlceras de
córnea, neovascularização de íris, glaucoma e catarata. Entretanto, a mais comum
e a que mais cega é a retinopatia (VILAR, 2020). A retinopatia diabética (RD) é uma
complicação microvascular crônica, caracterizada por alterações na microvasculatura
da retina, de progressão gradual, uma vez que pequenos vasos sanguíneos são vul-
neráveis aos danos causados pelo excesso de glicose no organismo (hiperglicemia),
é a causa mais frequente de cegueira que acomete a população (BANDEIRA, 2019).
A duração do diabetes, hipertensão, hiperglicemia crônica e nefropatia são fa-
tores de risco para o desenvolvimento da retinopatia. A hiperglicemia tem papel fun-
damental na fisiopatologia, pois causa estresse oxidativo, ativação da via dos polióis,
acúmulo de produtos de glicosilação avançada, ativação da proteinoquinase C e re-
gulação positiva do sistema renina-angiotensina (BANDEIRA, 2021).
As lesões clássicas da retina, usadas para classificar a RD incluem micro aneu-
rismas, hemorragias intraretinianas, exsudatos duros (depósitos lipídicos), neovascu-
larização da retina e alterações do calibre venoso, consistindo em áreas alternadas de
dilatação e constrição venosa. A RD pode ser classificada em dois grupos: não pro-
liferativa e proliferativa. A retinopatia diabética não proliferativa é dividida em graus
leve, moderado e grave (BANDEIRA, 2021). A prevenção e detecção precoce da RD, é
importante e depende de vários fatores que podem ser eficazes e evitar a perda visual
em 90% dos pacientes. Por meio de exames oftalmoscópicos com a pupila dilatada,
adaptação a uma dieta saudável, realização de exercícios físicos regularmente, con-
trole rigoroso da glicemia e da pressão arterial (BANDEIRA, 2015).

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3.4.4 Nefropatia Diabética

A Nefropatia diabética trata-se de uma complicação microvascular crônica do


diabetes mellitus. É uma das principais causas de insuficiência renal dialítica. Definida
pela perda progressiva da função renal até a paralisação total. É caracterizada pela
hiperfiltração glomerular, a excreção de proteína pela urina (albuminúria elevada) e o
declínio da taxa de filtração glomerular (BANDEIRA, 2021). No DM1 após cinco anos
de diagnóstico da doença, 80% dos pacientes desenvolvem albuminúria elevada. Te-
mos o controle glicêmico inadequado (hiperglicemia), hipertensão arterial, obesida-
de, tabagismo e o tempo de duração do diabetes como uns dos principais fatores de
risco para o desenvolvimento da doença (BANDEIRA, 2021).
O rastreamento deve ser preferencialmente iniciado pela medida de albumina
em amostra isolada de urina, devido a facilidade deste tipo de coleta e eficácia diag-
nóstica. Todo teste de albuminúria anormal deve ser confirmado em duas de três
amostras coletadas em um intervalo de 3 a 6 meses, devido à variabilidade diária da
excreção urinária de albumina (EUA) (SBD, 2020).
O conhecimento acerca da patogênese da nefropatia diabética implica abordagem
multifatorial, na qual fatores hemodinâmicos, metabólicos e inflamatórios estão associa-
dos. Além disso, seu desenvolvimento inclui muitas vias que levam à lesão renal, como
produtos de glicosilação avançada e vias de poliol, estresse oxidativo, fatores de cresci-
mento pró-fibróticos e citocinas que promovem inflamação (LETELIER et al., 2017).
O tratamento visa a prevenção e o retardo na progressão da doença, que con-
siste em um bom controle glicêmico, suspensão do tabagismo e intervenção dietéti-
ca (MILECH, 2014).

3.4.5 Cetoacidose Diabética

A cetoacidose diabética é uma complicação grave da diabetes mellitus descom-


pensada, sendo uma das principais causas de mortes entre pacientes diabéticos, devido
a ocorrência de hipoglicemia, hipopotassemia ocasionada pela administração de doses
inadequadas de insulina e edema cerebral, hipofosfatemia, complicações intracerebrais,
trombose venosa periférica, mucormicose, rabdomiólise e pancreatite aguda (SBD, 2019).
É caracterizada pela presença de hiperglicemia, acompanhada do aumento de
cetonas no sangue e acidose metabólica. O quadro clínico apresenta uma progressão
dos sintomas de DM descontrolada. Entre eles, citam-se poliúria, sede intensa, perda
de peso, náuseas, sonolência e o paciente pode até entrar em coma. A falta de insulina
no organismo do paciente diabético é um dos principais fatores para que ocorra
uma cetoacidose, devido ao aumento do nível de açúcar no sangue. As células não
conseguem metabolizar a energia, e para evitar que as células parem de funcionar,
o organismo usa os estoques de gordura para gerar essa energia. Nesse processo
formam-se as cetonas. Embora a CAD ocorra com mais frequência no diabetes tipo
1, uma significativa proporção ocorre em pacientes com diabetes tipo 2 (FRED, 2019).

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108 | Cadernos de Graduação

Para corrigir a hiperglicemia e a acidose metabólica, inicia-se o tratamento com


insulina. Porém a insulina só deve ser iniciada se o potássio for superior a 3,3 mEq/L,
devido ao risco de arritmias associado à hipopotassemia (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
DIABETES, 2019).
Na CAD, assim que a glicemia estiver abaixo de 200 mg/dl, a hidratação deve
ser substituída para soro glicosado (5%), com redução da dose de insulina até que a
acidose e a cetose sejam controladas, evitando a rápida correção da hiperglicemia. O
diagnóstico rápido e um tratamento eficaz da cetoacidose são essenciais para dimi-
nuir a mortalidade (BANDEIRA, 2021).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O diabetes mellitus tipo 1 é uma doença crônica e a princípio assintomática. No


início o paciente pode ainda não apresentar a sintomatologia clássica como, poliúria,
polidipsia e polifagia que são causados devido a hiperglicemia e isso pode gerar um
diagnóstico tardio e com maiores complicações. A glicemia em jejum, o teste oral de
tolerância à glicose (TOTG) e a hemoglobina glicada são os principais testes para o
rastreio, diagnóstico e acompanhamento (FIGURA 4).

Figura 4 – Valores de referência para categorias de tolerância à glicose

Fonte: [Link]

O diabetes tipo 1, trata-se de uma doença que atinge inicialmente, uma faixa
etária mais fragilizada, que pode ainda não entender a gravidade e suas complica-
ções que incluem a perda da visão, insuficiência renal, insuficiência cardíaca, o risco
de úlceras nos pés e até amputações. Portanto, é necessário que além do uso dos
medicamentos prescritos o paciente possa aderir aos pilares do tratamento, que são:
a reeducação alimentar, controle glicêmico, insulinoterapia, educação em diabetes,
fazer atividade física regularmente e o acompanhamento médico. Esses são os pilares
fundamentais para uma melhor qualidade de vida do paciente e para que se possa
conviver com uma doença que não tem cura, mas tem controle.
Por isso, é importante que haja uma conscientização do público em geral e uma
melhor abordagem dos profissionais de saúde para que se possa reduzir os riscos de
comorbidades, aumentando a incidência de triagem precoce e rápido diagnóstico.

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Data do recebimento: 21 de abril de 2022


Data da avaliação: 9 de junho de 2022
Data de aceite: 12 de junho de 2022

1 Acadêmico em Biomedicina, Centro Universitário Tiradentes – UNIT/PE. E-mail:

2 Acadêmica em Biomedicina, Centro Universitário Tiradentes – UNIT/PE. E-mail:

3 Mestra em Patologia, Biomédica. Centro Universitário Tiradentes – UNIT/PE. E-mail:

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