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Processo Civil 2

O documento discute a divergência na aplicação da reconvenção sucessiva no processo civil, destacando a diferença entre acórdãos que tratam de ações monitórias e ações de despejo. A análise revela que a reconvenção sucessiva é vedada em ações monitórias, enquanto em outros casos, sua admissibilidade depende do cumprimento de requisitos processuais. O trabalho é uma avaliação acadêmica submetida à disciplina de Processo Civil 2 da Universidade Federal de Pernambuco.

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Processo Civil 2

O documento discute a divergência na aplicação da reconvenção sucessiva no processo civil, destacando a diferença entre acórdãos que tratam de ações monitórias e ações de despejo. A análise revela que a reconvenção sucessiva é vedada em ações monitórias, enquanto em outros casos, sua admissibilidade depende do cumprimento de requisitos processuais. O trabalho é uma avaliação acadêmica submetida à disciplina de Processo Civil 2 da Universidade Federal de Pernambuco.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


CURSO DE DIREITO

DANIEL FELIPE FRANÇA FERREIRA DE MELO


JÚLIA GOMES DE CARVALHO MENDES BOURBON OLIVEIRA
HYAGO MONTEIRO DE LEMOS

DIVERGÊNCIA NA QUANTIA DE RECONVENÇÕES EM PROCESSO

RECIFE
2024
DANIEL FELIPE FRANÇA FERREIRA DE MELO
JÚLIA GOMES DE CARVALHO MENDES BOURBON OLIVEIRA
HYAGO MONTEIRO DE LEMOS

DIVERGÊNCIA NA QUANTIA DE RECONVENÇÕES EM PROCESSO

Documento submetido à disciplina de


Processo Civil 2 da graduação em Direito
da Universidade Federal de Pernambuco
como requisito de avaliação.

Professor: Francisco Antônio de Barros e


Silva Neto

RECIFE
2024
DIVERGÊNCIA NA QUANTIA DE RECONVENÇÕES EM PROCESSO

1. INTRODUÇÃO

A reconvenção é um incidente processual que amplia o objeto litigioso do processo, por


isso Fredie Didier afirmou:

A reconvenção é demanda do réu contra o autor no mesmo processo


em que está sendo demandado. É o contra ataque que enseja o
processamento simultâneo da ação principal e da ação reconvencional,
a fim de que o juiz resolva as duas lides na mesma sentença. [...]
Embora mais no plano teórico, reconvenção da reconvenção, que não
é vedada — salvo na ação monitória, em que há vedação expressa (art.
702, §6º, CPC). (Fredie Didier, 2015, p. 657)

Porém isso por si só é insuficiente para explicar a origem da divergência existente na


aplicabilidade de uma reconvenção à reconvenção, também chamada de reconvenção
sucessiva, a qual pode ser percebida também no fato de a definição do autor do livro “Curso
de Direito Processual Civil” não abarcar uma reconvenção do autor contra o réu em
sequência. Isso porque o principal requisito da reconvenção é a conexão para finalidade de
celeridade processual; entretanto, com a reconvenção sucessiva, existe uma chance maior de
haver tumulto processual, por isso a jurisprudência ainda não está pacificada totalmente neste
tópico.

Então, apesar da reconvenção ser tratada no Código de Processo Civil (CPC), há uma
margem em que exceções a aplicabilidade da reconvenção sucessiva são estabelecidas
jurisprudencialmente, partindo inclusive ao nível em que Bondioli fez necessário apontar no
livro “Reconvenção no Processo Civil: “[...] Pode ser restringida sempre, em última análise, a
reconvenção ofertada trouxer mais perdas do que ganhos para as partes e o bom desempenho
da atividade jurisdicional” (Bondioli, 2009, p. 109-113). E são elas que tornam à tona a
divergência nos acórdãos sobre o tema.

2. ACÓRDÃOS

Para trazer um caso de divergência sobre a aplicação da norma descrita no art. 343 do
CPC que determina que na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar
pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. Mas há
regulamentação esparsa sobre essa matéria e é nesse limiar que o TJPE (Tribunal de Justiça
do Estado de Pernambuco) ponderou materialmente.

2.1 ACÓRDÃO A

O caso concreto em questão trata de embargo de declaração em uma ação monitória,


procedimento especial do Novo CPC usado para realizar cobranças, ajuizado pela
empresa Tayla Kids Teens Ltda - ME em face de acórdão que negou provimento ao
recurso de apelação a favor do embargado, Banco do Brasil. Na fundamentação da
decisão, é citado o artigo 702, parágrafo 6, que disciplina que em ações monitórias não
é possível a reconvenção sucessiva, ou seja, nessa situação, apesar de não haver no
artigo 343, o qual trata da ação reconvencional, proibição específica à reconvenção
sucessiva, dispositivos esparsos podem tratar dessa matéria e impedí-la em certos
casos.
2.2 ACÓRDÃO B

O acórdão em análise trata de uma sequência de ações entre locador e locatário,


começando com uma ação de despejo contra o inquilino em questão, reconvenção do
residente, reconvenção sucessiva do dono do imóvel alugado, ambas as reconvenções
incluídas nos autos da ação de despejo, e por fim, uma ação indenizatória feita pelo
locatário. Nesse caso concreto, o juiz extinguiu sem resolução de mérito a
reconvenção sucessiva, não por haver regra específica que a impeça, mas,
simplesmente pelo autor da reconvenção, depois de intimado, não recolheu as devidas
custas para o seguimento do processo. Observa-se que a ação foi extinta pela falta de
interesse do seu autor em seu prosseguimento, e não pelo entendimento de que essa
reconvenção sucessiva não seria cabível ou não seria permitida de acordo com a lei.

2.3 DIVERGÊNCIA

Como já explicado antes, a principal diferença é que a ação A (anexo A) é monitória, por isso
não pode haver reconvenção sucessiva, já que mesmo a norma geral não proibindo em geral,
uma outra norma mais específica. E essa vedação expressa no artigo 702, §6, do CPC, a
diferencia da ação B, pois ela não é encaixada em nenhuma outra regra específica.

3. REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código de Processo Civil. Diário
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 17 mar. 2015. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16
jun. 2024.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO. Detalhe do processo. Disponível em:


[Link]
[Link]?ca=8e47eb631d5db2c740642988d36d77439afe6cd02382befbf408db45c13d
c19f806cf116b742ed7c2621c5827b92e0ac2cc3b8ef8298c2bf&idProcessoDoc=26522544.
Acesso em: 16 jun. 2024.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO. Detalhe do processo. Disponível em:


[Link]
726f1ec3a015ec46b86f3af95d252b6a78d4076099119cf7. Acesso em: 16 jun. 2024

DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil. 12. ed. rev. e atual. v. 1. Salvador:
Juspodivm, 2019.
Anexo A

Tribunal de Justiça de Pernambuco


Poder Judiciário

Primeira Turma da Primeira Câmara Regional de Caruaru

Rua Frei Caneca, s/n, Maurício de Nassau, CARUARU - PE - CEP: 55012-330 - F:( )

Processo nº 0000075-70.2018.8.17.3490

APELANTE: BANCO DO BRASIL

APELADO: TAYLA KIDS E TEENS LTDA - ME, AIRTON BARROS DE OLIVEIRA,


MARIA IVONETE NOGUEIRA DA SILVA DE OLIVEIRA

INTEIRO TEOR

Relator:
JOSE VIANA ULISSES FILHO

Relatório:

1ª CÂMARA REGIONAL DE CARUARU – 1ª TURMA


EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO n.º 000075-70.2018.8.17.3490
JUÍZO DE ORIGEM: Vara Única da Comarca de Toritama
EMBARGANTE: Tayla Kids Teens Ltda - ME
EMBARGADO: Banco do Brasil S/A
RELATOR:Des. José Viana Ulisses Filho

RELATÓRIO
Cuida-se de embargos de declaração opostos por Tayla Kids Teens Ltda - ME em face
de acórdão proferido por esta 1ª Turma que, à unanimidade, negou provimento ao recurso de
apelação interposto pela empresa, ora embargante, mantendo-se a sentença de rejeição dos
embargos monitórios, constituindo o título judicial (contrato de abertura de conta corrente –
Giro Flex/pessoa jurídica) em favor do Banco do Brasil S/A no valor de R$ 113.936,20 (cento
e treze mil, novecentos e trinta e seis reais e vinte centavos), sob o fundamento de que não há
abusividade na cobrança dos juros, tampouco de comissão de permanência, bem como afastou
o alegado excesso de valores cobrados.
Alega a seguradora embargante, em suas razões recursais, haver omissão no julgado,
aduzindo ter sido acostada documentação, em que os extratos bancários demonstram de forma
cabal que haviam lançamentos quinzenais de débitos na conta corrente das Embargantes,
valores esses que não foram deduzidos do valor atualmente exigido pela Embargada.
Aduz que durante o período de um mês o montante de aproximadamente R$ 25.000,00
(vinte e cinco mil reais) foi pago pela embargante e tal montante não foi amortizado do valor
cobrado.
Por fim, argumenta que os valores indevidamente exigidos pela Embargada referem-se
ao montante total do contrato de abertura de crédito
– BB GIRO CARTÕES nº 574.202.545 no valor de R$ 130.000,00, desprezando totalmente os
valores mensais que eram adimplidos pela Embargante por um longo período.
À vista disso, requer seja sanada a omissão apontada para o fim de acolher os
presentes aclaratórios com efeitos infringentes.
Dispensa de intimação da parte embargada para apresentação das contrarrazões
recursais, ante a ausência de atribuição de efeitos infringentes.
É o que importa relatar. Inclua-se em pauta

Des. José Viana Ulisses Filho


Relator

8
Voto vencedor:

1ª CÂMARA REGIONAL DE CARUARU – 1ª TURMA

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO n.º 000075-70.2018.8.17.3490


JUÍZO DE ORIGEM: Vara Única da Comarca de Toritama

EMBARGANTE: Tayla Kids Teens Ltda - ME

EMBARGADO: Banco do Brasil S/A

RELATOR:Des. José Viana Ulisses Filho

VOTO

Não assiste razão ao embargante.

Alega a empresa ré, ora embargante, ter a decisão embargada sido omissa, ao não
apreciar o valores pagos no importe de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) constantes dos
extratos bancários, não deduzindo do montante de R$ 130.000,00 (cento e trinta mil reais),
valor cobrado em excesso pelo Banco embargado.

Ocorre que o acórdão embargado, ao contrário do que alega o embargante, discorreu


claramente e fundamentadamente sob o ponto do excesso de valores cobrados, asseverando-
se que não foi exibido o cálculo que entende ser o correto, limitando-se a defender que efetuou
o pagamento de parte da dívida e que o importe de R$ 25.000,00 debitados na
conta corrente não foram amortizados, sem, contudo, demonstrar qual o valor entende devido.
Confira-se trecho extraído do voto condutor (id 14786709):

.DO EXCESSO DE VALORES COBRADOS

Os embargos à monitória quando fundado em excesso de cobrança


devem ser instruídos com demonstrativo discriminado e atualizado da
dívida, pois constituem meio de impugnação da pretensão autoral.
Melhor sorte não assiste ao apelante.

O Código de Processo Civil, no art. 702, dispõe, ainda, que nos


embargos à monitória fundado em excesso o embargante deve apontar
o valor que entende devido apresentando memória discriminada e
atualizada (§ 2º), sob pena de rejeição liminar (§ 3º):

Art. 702. Independentemente de prévia segurança do juízo, o réu


poderá opor nos próprios autos, no prazo previsto no art. 701
embargos à ação monitória.
§ 1o Os embargos podem se fundar em matéria passível de
alegação como defesa no procedimento comum.
§ 2o Quando o réu alegar que o autor pleiteia quantia superior
à devida, cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende
correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado da
dívida.

§ 3o Não apontado o valor correto ou não apresentado o


demonstrativo, os embargos serão liminarmente rejeitados, se esse
for o seu único
fundamento, e, se houver outro fundamento, os embargos serão
processados, mas o juiz deixará de examinar a alegação de excesso .
§ 4o A oposição dos embargos suspende a eficácia da decisão
referida no caput do art. 701 até o julgamento em primeiro grau.
§ 5o O autor será intimado para responder aos embargos no
prazo de 15 (quinze) dias.
§ 6o Na ação monitória admite-se a reconvenção, sendo vedado
o oferecimento de reconvenção à reconvenção.
§ 7o A critério do juiz, os embargos serão autuados em
apartado, se parciais, constituindo-se de pleno direito o título
executivo judicial em relação à parcela incontroversa.
§ 8o Rejeitados os embargos constituir-se-á de pleno direito o
título executivo judicial, prosseguindo-se o processo em observância
ao disposto no Título II do Livro I da Parte Especial, no que for
cabível.

Na hipótese, o embargante apelante não exibiu o cálculo que


entende ser o correto, limitando-se a defender que efetuou o
pagamento de parte da dívida e que o importe de R$ 25.000,00
debitados na conta corrente não foram amortizados, sem,
contudo, demonstrar qual o valor entende devido.
Por sua vez, limitou-se a colacionar tão somente os extratos
bancários que demonstram o débito automático dos valores do débito
na conta corrente do embargante (13142548) e o lançamento dos
valores da dívida pelo banco (id 13142549).

Ademais, como bem delineado pelo juízo de origem, verifica-se


da planilha de cálculos juntada pelo Banco que os valores foram
devidamente amortizados (id 13142564 e 13142531).

Dessa forma, se o apelante não aponta o valor correto,


tampouco o demonstrativo do cálculo que entende ser o devido,
sequer há como analisar seus argumentos de incorreção dos
cálculos apresentados pelo Banco apelado.

Em virtude de todo o exposto e ante a ausência de prova documental


carreada aos autos (memória de cálculo) por parte do apelante para
fundamentar o valor que alega como correto, não é possível
reconhecer excesso ou abuso por parte do credor, razão pela qual a
sentença recorrida de improcedência dos embargos monitórios é
medida que se impõe.

Por seu turno, o voto condutor colacionou ementa de acórdão alinhado com a
jurisprudência pátria:
APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO.
AÇÃO MONITÓRIA. SENTENÇA OMISSA. GRATUIDADE DA
JUSTIÇA. AJG. INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS. O CPC/15
assegura o direito à gratuidade da justiça àquele que não tenha
condições de pagar, no todo ou em parte, custas, despesas processuais
e honorários do seu advogado - Circunstância dos autos em que os
documentos apresentados demonstram a insuficiência de recursos
financeiros; e se impõe deferir o pedido de gratuidade. EMBARGOS
MONITÓRIOS. DEMONSTRAÇÃO DE EXCESSO. Os
embargos monitórios devem ser instruídos com demonstrativo do
excesso alegado em face da pretensão autoral, sob pena de
rejeição liminar, nos termos do art. 702, §§ 2º e 3º do CPC/15 -
Circunstância dos autos em que se impõe manter a decisão que
rejeitou os embargos. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
(Apelação Cível Nº 70079486916 ([Link] Décima Oitava
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: João Moreno
Pomar, Julgado em 22/11/2018).

Em sendo assim, ao contrário do que alega a embargante, a decisão embargada


discorreu claramente acerca do excesso dos valores cobrados e da suposta amortização do
importe de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), mantendo a rejeição dos embargos
monitórios e a constituição do título judicial, por não ser possível reconhecer excesso ou abuso
por parte do credor, ante a ausência do demonstrativo do cálculo indicando o valor que entende
ser o devido.
Ademais, consta do voto condutor que como bem delineado pelo juízo de origem,
verifica-se da planilha de cálculos juntada pelo Banco que os valores foram devidamente
amortizados (id 13142564 e 13142531).
Por conseguinte, o acórdão embargado no sentido de negar provimento ao apelo
da empresa, dirimiu fundamentada e suficientemente as questões que lhe foram submetidas,
razão pela qual não há se falar em omissão no aresto embargado.
Nesse diapasão, Colendo Superior Tribunal de Justiça, no trecho que importa:
"(...) 2. Não se verifica a alegada violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do
CPC/2015, na medida em que a eg. Corte Estadual dirimiu,
fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas.

(AgInt no AREsp 1513189 ([Link] Rel. Ministro RAUL ARAÚJO,


QUARTA TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 01/04/2020.

Como se observa de forma clara, a pretensão recursal trata-se de inconformismo direto


com o resultado do julgamento, que foi contrário aos interesses da seguradora ré, ora
embargante.
Insurge-se a parte embargante, na verdade,contra a própria decisão de mérito proferida,
não havendo, na decisão embargada, qualquer omissão, obscuridade, contradição ou erro
material a sanar.
As questões suscitadas pelo embargante foram suficientemente esclarecidas na
fundamentação da decisão recorrida, mesmo se enfrentadas sob preceitos normativos diversos
dos que entende pertinentes.
De acordo com Moniz de Aragão (“Pré-questionamento”, Revista Forense): Se alguma
questão fora julgada, mesmo que não seja mencionada a regra de lei a que está sujeita, é
óbvio que se trata de matéria ‘questionada’ e isso é o quanto basta.

Os embargos de declaração não são via recursal apta a provocar a revisão do mérito
da decisão embargada.
Da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a inadequação dos
embargos de declaração para a reapreciação da matéria já enfrentada na decisão embargada,
transcrevo alguns arestos:

“EMBARGOS DECLARATÓRIOS - INEXISTÊNCIA DE VÍCIO


- DESPROVIMENTO. Uma vez voltados os embargos
declaratórios ao simples rejulgamento de certa matéria,
inexistindo, no acórdão proferido, qualquer dos vícios que os
respaldam - omissão, contradição e obscuridade -, impõe-se o
desprovimento.” (STF - ARE: 823552 RS, Relator: Min. MARCO
AURÉLIO, Data de Julgamento: 25/11/2014, Primeira Turma,
Data de Publicação: DJe-246 DIVULG 15-12-2014 PUBLIC
16-12-2014)

“EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DIREITO CIVIL.


DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL.
OMISSÃO.
CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INOCORRÊNCIA.
CARÁTER INFRINGENTE. 1. Inexistente descompasso lógico
entre os fundamentos adotados e a conclusão do julgado, a afastar
a tese veiculada nos embargos declaratórios de que contraditório
ou obscuro o decisum. 2. Não se prestam os embargos de
declaração, não obstante sua vocação democrática e a finalidade
precípua de aperfeiçoamento da prestação jurisdicional, para o
reexame das questões de fato e de direito já apreciadas no acórdão
embargado. 3. Ausente contradição, omissão e obscuridade,
justificadoras da oposição de embargos declaratórios, nos termos
do art. 535 do CPC, a evidenciar o caráter meramente infringente
da insurgência 4. Embargos de declaração não providos.” (EMB.
DECL. NO AG. REG. NO ARE N. 860.851 - CE, Relator(a): Min.
ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 12-04-2016,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-85 DIVULG 29-04-2016
PUBLIC 02-05-2016)
Pelo exposto, rejeito os embargos de declaração, mantendo-se incólume o
decisum embargado.
É como voto.

Caruaru,

Des. José Viana Ulisses Filho

Relator

Demais votos:
Ementa:

Tribunal de Justiça de Pernambuco


Poder Judiciário
Gabinete do Des. José Viana Ulisses Filho

Rua Frei Caneca, s/n, Maurício de Nassau, CARUARU - PE - CEP: 55012-330 - F:( )

1ª CÂMARA REGIONAL DE CARUARU – 1ª TURMA

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO n.º 000075-70.2018.8.17.3490


JUÍZO DE ORIGEM: Vara Única da Comarca de Toritama

EMBARGANTE: Tayla Kids Teens Ltda - ME


EMBARGADO: Banco do Brasil S/A

RELATOR:Des. José Viana Ulisses Filho

EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE


DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA NA DECISÃO EMBARGADA DE
OMISSÃO. IRRESIGNAÇÃO CONTRA O MÉRITO DA DECISÃO.
EMBARGOS REJEITADOS.

1. Não há na decisão agravada omissão, porquanto discorreu


claramente acerca do excesso dos valores cobrados e da suposta
amortização do importe de R$
25. 000,00 (vinte e cinco mil reais), mantendo a rejeição dos
embargos monitórios e a constituição do título judicial, por não ser
possível reconhecer excesso ou abuso por parte do credor, ante a
ausência do demonstrativo do cálculo indicando o valor que entende
ser o devido. Ademais, consta do voto condutor que como bem
delineado pelo juízo de origem, verifica-se da planilha de cálculos
juntada pelo Banco que os valores foram devidamente amortizados.

2. A parte embargante insurge-se, na realidade, contra o próprio


mérito da decisão.
3. Os embargos de declaração não se prestam à reanálise do
mérito da decisão.
4. Embargos de declaração rejeitados. Decisão unânime.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos, ACORDAM os Desembargadores integrantes da Primeira


Câmara Regional de Caruaru – 1ª Turma, deste Tribunal de Justiça, à unanimidade, em
REJEITAR os embargos de declaração nº 0000075-
70.2018.8.17.3490, nos termos do relatório e voto constantes dos autos, que ficam fazendo
parte integrante deste julgado.

Caruaru,

JOSÉ VIANA ULISSES FILHO

Desembargador Relator

Proclamação da decisão:

a unanimidade de votos, foi o processo julgado nos termos do voto da relatoria

Magistrados: [JOSE VIANA ULISSES FILHO, HUMBERTO COSTA


VASCONCELOS JUNIOR, RUY TREZENA PATU JÚNIOR]

CARUARU, 17 de maio de 2021

Magistrado

Assinado eletronicamente por: JOSE VIANA ULISSES FILHO


17/05/2021 12:25:02
[Link]
ID do documento: 15987110

21051712250269700000015
Anexo B

Tribunal de Justiça de Pernambuco


Poder Judiciário

3ª Câmara Cível - Recife

, 123, 4º andar, RECIFE - PE - CEP:

50030-260 - F:( ) Processo nº

0055552-15.2020.8.17.2001

APELANTE: LAERTZ AFONSO MAIA FILHO, NING LIN

APELADO: NING LIN, LAERTZ AFONSO MAIA FILHO

INTEIRO TEOR

Relator:
FRANCISCO EDUARDO GONCALVES SERTORIO CANTO

Relatório:

Apelação Cível n. 0055552-15.2020.8.17.2001***


Apelante/apelado: Laertz Afonso Maia Filho

Apelante/apelado: Ning Lin

Apelação Cível n. 0085935-39.2021.8.17.2001***


Apelante: Ning Lin

Apelado: Laertz Afonso Maia Filho

Relator: Des. Eduardo Sertório Canto

RELATÓRIO

Laertz Afonso Maia Filho, em 2019, firmou com Ning Lin contrato de locação de imóvel
comercial localizado na Rua do Nogueira, nº 177, São José, Recife, com vigência até
30/12/2024.

Após alguns meses de boa relação entre os contratantes, inclusive com regular pagamento
de aluguéis, houve desentendimento entre as partes, dando ensejo a múltiplas ações
judiciais, quais sejam:

1) Ação de despejo (PJe nº 0055552-15.2020.8.17.2001, ID 21721862): Laertz Afonso


Maia Filho ajuizou, em 8/9/2020, ação de despejo por infração contratual contra
Ning Lin.

Na referida ação, Laertz afirma que, embora pago regularmente o aluguel, o inquilino
Ning Lin descumpriu diversas cláusulas contratuais
por negligenciar o dever de manutenção do imóvel.

Tal situação foi constatada por meio de vistoria de engenharia civil, na qual verificou-se
no imóvel infiltrações, vazamentos, infestações de cupim, mofo, exposição de fiação
elétrica, dentre outros danos.

Por esse motivo, Laertz pleiteia o despejo de Ning Lin por descumprimento
contratual.

2) Reconvenção de Ning Lin (ID 21721905 dos autos da ação de despejo): nos mesmos
autos, Ning Lin afirmou que, em 2020, Laertz começou a cobrar, ilegalmente e sem
previsão contratual, o valor de R$ 80.000,00 a título de luvas.

Desse valor, Ning Lin informa ter pago apenas R$ 50.000,00, tendo se recusado a pagar
o restante.

Tal controvérsia a respeito das luvas, segundo Ning Lin, motivou Laertz a propor a
ação de despejo alegando danos ao imóvel.
Por isso, requereu a improcedência da ação por ausência de descumprimento contratual
e, em reconvenção, a declaração da ilegalidade de cobrança das luvas e
ressarcimento do indébito em dobro.

3) Reconvenção sucessiva de Laertz (ID 21721980 dos autos da ação de despejo): em


resposta à reconvenção, Laertz apresentou reconvenção sucessiva, negando ter recebido
qualquer valor a título de luvas.

Defende, nesse tocante, ter o inquilino confessado a inadimplência, razão pela qual
requer a condenação de Ning Lin ao pagamento de R$ 80.000,00 pelas luvas.

4) Ação indenizatória (PJe nº 0085935-39.2021.8.17.2001, ID 19955793): Ning Lin


ajuizou, em 27/9/2021, ação com o objetivo de ser ressarcido pelas obras realizadas
no imóvel.

Alega que Laertz teria feito uma denúncia junto


à Prefeitura do Recife afirmando que Ning Lin estaria descumprindo o dever de
manter o imóvel em boas condições.
Após vistoria da prefeitura, foram constatadas irregularidades estruturais no imóvel, as
quais defende ser de responsabilidade do proprietário os reparos.

A despeito disso, para garantir o funcionamento do seu estabelecimento, realizou obras


de reparos, mediante autorização do proprietário.

Porém, quando já realizada 70% das obras necessárias, o proprietário Laertz passou a
sustentar que a obra nunca foi por ele autorizada e que seus custos deveriam ser
integralmente suportados pelo inquilino.

Por isso, Ning Lin propôs a ação indenizatória para ter declarado o dever do
proprietário de arcar com os custos da obra, com a compensação dos valores devidos a
título de aluguel mensal.

O Juízo da 32ª Vara Cível da Capital – Seção A julgou cada um dos pedidos da seguinte
forma:

Sentença quanto ao pedido 1 (despejo) (ID 21721998 da ação de despejo): julgou


improcedente o pedido de despejo por entender não comprovado nem o descumprimento
contratual, nem a má conservação do imóvel.
Condenou o autor Laertz em custas e honorários advocatícios sucumbenciais à razão de
20% sobre o valor da causa.

Sentença quanto ao pedido 2 (ilegalidade das luvas) (ID 21721998 da ação de despejo):
julgou improcedente o pedido da reconvenção por entender não ter Ning Lin comprovado
o pagamento de quaisquer valores a título de luvas.

Condenou, neste tocante, o réu reconvinte Ning Lin nas custas da reconvenção, além de
honorários advocatícios à razão de 20% do valor da causa.

Sentença quanto ao pedido 3 (reconvenção sucessiva) (ID 21721998 da ação de


despejo): extinguiu sem resolução de mérito a reconvenção sucessiva, pois, intimado,
Laertz não recolheu as devidas custas.

Condenou, ainda, Laertz em custas da reconvenção sucessiva, além de honorários


advocatícios sucumbenciais à razão de 10% sobre o valor da causa.
Sentença quanto ao pedido 4 (indenização pelas obras de reparo) (ID 19956022):
extinguiu o feito sem resolução do mérito, nos termos do art. 485, V, do CPC, por
entender configurada a litispendência em relação ao processo 0055552-15.2020.8.17.2001.

Ressaltou que na ação de despejo já estava sendo


discutida, entre outras questões, a responsabilidade pelas obras estruturais.

Condenou, por fim, o autor Ning Lin em custas, deixando de arbitrar honorários ante o
julgamento liminar, antes da citação do réu.

Ambas as partes apelaram reiterando os respectivos argumentos.

É o breve relatório. Inclua-se em pauta. Recife, data da

certificação digital.

EDUARDO SERTÓRIO CANTO Desembargador


Relator
=

Voto vencedor:

Apelação Cível n. 0055552-15.2020.8.17.2001***


Apelante/apelado: Laertz Afonso Maia Filho

Apelante/apelado: Ning Lin

Apelação Cível n. 0085935-39.2021.8.17.2001***


Apelante: Ning Lin

Apelado: Laertz Afonso Maia Filho

Relator: Des. Eduardo Sertório Canto

VOTO

Cinge-se a controvérsia a definir se: i) houve descumprimento contratual por parte do


inquilino Ning Lin suficiente a justificar o seu despejo; ii) há provas de Ning Lin efetuou
pagamento de R$ 30.000,00 a título de luvas, cuja devolução foi requerida em sede de
reconvenção; iii) se há
litispendência em relação à ação proposta por Ning Lin com o objetivo de ser ressarcido
pelas obras de reparo.

1- Ação de despejo

Na inicial, Laertz requereu o despejo por descumprimento contratual, alegando violação


por Ning Lin das seguintes cláusulas: 1.2.1; 7.1; 11.1; 12.1; 14.1; 15.1 e 15.2.

Passo a analisá-las uma a uma, de acordo com o instrumento contratual juntado aos autos
(ID 21721865).

A primeira cláusula invocada por Laertz, nº 1.2.1 trata da substituição do locatário, nos
seguintes termos:

Cláusula 1.2.1. - DA SUBSTITUIÇÃO DA PESSOA DO LOCATARIO(A) -


Considerando que o Imóvel ora locado destina-se, exclusivamente, a fins
COMERCIAIS compromete-se o LOCATARIO(A), assim que constituída sua
empresa comercial, a proceder, através de Termos Aditivo ao
presente instrumento, com sua substituição.
Contudo, conforme evidenciado na sentença, Laertz não explica ou detalha na inicial a
alegada violação. Também não explicitou tal violação ao notificar extrajudicialmente Ning
Lin.

Na notificação extrajudicial enviado ao inquilino (ID 21721866), Laertz apenas menciona


a cláusula como violada, sem mencionar as razões ou circunstâncias em que esse
descumprimento ocorreu.
Tal omissão do proprietário é relevante, pois sequer foi dada a oportunidade de defesa a
Ning Lin em relação à suposta violação, cujas circunstâncias apenas foram pormenorizadas
por Laertz em sede de apelação.

Logo, em relação à cláusula 1.2.1, entendo não merecer reparos a sentença ao entender não
ter Laertz demonstrado seu descumprimento pelo inquilino Ning Lin.

A segunda cláusula invocada por Laertz, a 7.1, assim dispõe:

7.1 O(A) LOCATÁRIO(A) durante a vigência deste contrato se obriga a


manter o seguro do imóvel contra incêndio pelo valor equivalente do
imóvel objeto da locação, respeitando-se os limites mínimos do mercado
securitário, sendo este valor
corrigido anualmente pelo FAJ-TR, caso a locação seja prorrogada pelo mesmo
período e termos ora acordados. Deve constar da respectiva apólice, disposição
segundo a qual, na hipótese de sinistro, a indenização será paga pela
Companhia de Seguro diretamente ao locador.
Na inicial, Laertz completa afirmando que “até a presente data, apesar de obrigado, o
locatário também não apresentou a apólice do seguro do imóvel”.

Contudo, na contestação, Ning Lin apresentou a apólice do seguro em cumprimento à


referida cláusula (Ids 21721967 e 21721968), razão pela qual o magistrado a quo entendeu
não ter havido descumprimento nesse tocante.

Ressalto que, em sede de réplica, teve Laertz a oportunidade de impugnar a apólice


securitária. Em vez disso, optou por se insurgir genericamente contra “todos” os
documentos juntados por Ning Lin.

Mais uma vez, apenas na apelação, Laertz traz o fato de que o seguro foi contratado em
maio de 2020, quando deveria ter sido contratado desde novembro de 2019, quando foi
assinado o contrato de aluguel.
Tal argumento, entretanto, aventado somente na apelação, configura inovação recursal,
motivo pelo qual deixo de apreciá-lo.

Já a cláusula 12.1 trata da realização de benfeitorias sem autorização do proprietário.


Embora elencada por Laertz entre as violadas, não há, nem mesmo na apelação, descrição
dessa suposta violação, motivo pelo qual acertou o magistrado ao afastar a alegação de
descumprimento nesse quesito.

A demais cláusulas elencadas por Laertz, as de número 11.1 e 14.1, tratam do dever de
manutenção e conservação do imóvel, estabelecendo:

11.1 – Reconhece e declarando haver recebido o imóvel locada conforme Relatório de


Vistoria (anexo 1), que passa a fazer parte integrante deste contrato, assinado pelas partes
contratantes, como se nele estivesse transcrito para todos os efeitos legais obriga-se o
locatário a mantê-lo as suas custas e nessas condições, providenciando, as suas
expensas, qualquer conserto, reparo e substituições necessárias, utilizando sempre mão
de obra e materiais similares ou de boa qualidade, de modo a manter
o imóvel locado nas condições em que o recebeu e assim restitui-lo quando finda ou
rescindida a locação por qualquer modo.
(...)

14.1 – O(A) LOCATÁRIO(A) fará à sua conta, com solidez, perfeição e urgência, todos os
prementes reparos, substituições e consertos que o imóvel venha a necessitar no curso
da Locação e decorrente do seu uso (...)

Por fim, as cláusulas de 15.1 e 15.2 dispõe sobre a possibilidade de o proprietário realizar
vistorias a qualquer tempo e a obrigação do inquilino de fazer os reparos necessários,
conforme verificação na vistoria.
Houve vistoria ao imóvel em 2020, na qual se verificou deficiências estruturais e de
conservação.

Além disso, o perito judicial, detectou imperfeições apesar de não ter sido conclusivo no
seu laudo acerca da natureza desses defeitos, se estrutural ou decorrente de má
conservação.

De qualquer forma em momento posterior a Prefeitura de Recife determinou a


execução de obras de reparos sob pena suspensão da
autorização de funcionamento do estabelecimento.
Ning Lin, por outro lado, executou as obras de reparos no curso do processo, fato que
equivale ao reconhecimento da necessidade das obras para manutenção do bem.

Nesse tocante, não há dúvidas de que o contrato estabelece o dever do inquilino de bem
manter o imóvel, sobretudo no caso em concreto que o próprio Ning Lin confessa que há
anos seu comércio familiar está estabelecido no imóvel, tendo seu pai figurado como
locatários em contratos anteriores.

Assim, por todos esses fatores, entendo merecer reforma a sentença por concluir haver
provas suficientes a justificar o pedido de rescisão do contrato de locação e consequente
despejo do inquilino por descumprimento de deveres relacionados à manutenção e
conservação do imóvel locado.

2 -Reconvenção

Em reconvenção, Ning Lin alegou ter pago R$ 30.000,00 a título de luvas, verba
indevidamente cobrada pelo proprietário Laertz, motivo pelo qual requer o seu
ressarcimento.
Considerando que Laertz negou a cobrança, bem como o recebimento de quaisquer valores
a esse título, entendeu o magistrado a quo pela ausência de prova de pagamento de
luvas.

Por isso, julgou improcedente o pedido reconvencional.

Na apelação, Ning Lin afirma que o pagamento está comprovado pelas conversas entre as
partes, via aplicativo de celular, as quais foram degravadas, juntadas aos autos e não foram
impugnadas por Laertz.

Ainda, destaca a apresentação de comprovantes de depósito, efetivados na conta de Laertz


em 30/5/2019, que totalizam R$ 20.000,00(ID 21721970).

Quanto aos restantes R$ 10.000,00, afirma ter realizado o pagamento em dinheiro, o que
ficaria demonstrada mediante prova testemunhal, cuja produção lhe foi indeferida.

Contudo, não é o que se extrai dos autos. Nenhuma das conversas aponta para o ajuste de
luvas correspondente a esse contrato no valor de R$ 80.000,00, tampouco provam o
pagamento parcial de R$ 30.000,00.
Embora as conversas não tenham sido impugnadas e as falas deem a entender que laertz
confirma o recebimento de luvas, não fica claro a que contrato se referem, nem os
pormenores dessa negociação. O próprio Ning Lin afirma que houve vários contratos entre
as partes.

Quanto aos depósitos em conta (quatro depósitos no valor de R$ 5.000,00 cada realizados
em 30 e 31/5/2019), não há qualquer indício de que se referem às luvas correspondentes ao
contrato que viria a ser assinado em novembro do mesmo ano (2019).

Além disso, Ning Lin não esclarece por que o pagamento das luvas, supostamente fixadas
em R$ 80.000,00, foi fracionado em depósitos de R$ 5.000,00, sendo 2 feitos no dia 30/05,
quase no mesmo horário (minutos de diferença), e mais 2 no dia seguinte, também em
horários com minutos de diferença.

Não fica claro também se esse depósito de R$ 20.000,00 realizado em maio de 2019 foi o
valor mencionado na conversa juntada aos autos, que apenas aconteceria mais de um ano
depois, em dezembro de 2020.
De acordo com a sua versão, ainda houve o pagamento de mais R$ 10.000,00 pagos
diretamente a Laertz em espécie e sem recibo, cuja prova demandava oitiva de testemunha.
Mais uma vez, não esclarece por que desse pagamento sem registro, sem previsão
contratual, tampouco quem foi a testemunha que presenciou tal pagamento.

Logo, todo esse contexto demonstram a deficiência das provas apresentadas por Ning Lin e
até mesmo a falta de verossimilhança da sua versão dos fatos.

Por isso, entendo irretocável a sentença em relação ao pedido de ressarcimento das


“luvas” efetuado na reconvenção.

3 – Reconvenção sucessiva

Não houve recurso de Laertz contra a sentença que extinguiu o feito por deserção.

4 – Ação indenizatória

Na sentença, o magistrado entendeu que ambas as ações (indenizatória e despejo) discutiam


a responsabilidade sobre as obras estruturais necessárias no imóvel objeto de locação.
Por isso, extinguiu esta ação sem resolução de mérito em razão da litispendência.

Ning Lin, porém, defende que os objetos das duas ações não se confundem, pois enquanto
no processo nº 0055552-15.2020.8.17.2001 discute-se se houve infração de Ning Lin ao
dever de manter o imóvel em boas condições, nesta discute-se quem deve arcar com os
custos das obras realizadas.

É que, no curso da ação de despejo, foi constatada a necessidade de realizar reparos


no imóvel para não comprometer o funcionamento do estabelecimento de Ning Lin, nem a
segurança das pessoas.

Assim, o inquilino realizou as obras essenciais, o que afirma ter feito com anuência do
proprietário Laertz. Contudo, segundo defende, essas obras seriam de responsabilidade do
proprietário, por se tratarem de reparos estruturais, cuja origem precede sua ocupação no
imóvel.

Embora a ação de despejo também trate das condições estruturais imóvel, como
pressuposto fático à alegação de descumprimento contratual pelo inquilino, não está em
causa a natureza
das deficiências do imóvel, nem se analisa de quem é a responsabilidade de financiar a
obra que já foi efetivamente realizada.

Logo, a despeito de conexas, entendo não haver litispendência entre esta ação e a ação
de despejo nº 0055552-15.2020.8.17.2001.

Como houve julgamento liminar, antes mesmo da citação do réu, não se está diante de
causa madura. Por isso, cabe remessa do processo à instância a quo para
prosseguimento do feito.

Ante o exposto, voto no sentido de:

1) DAR PROVIMENTO ao recurso interposto por Laertz Afonso Maia Filho nos
autos do processo n. 0055552-15.2020.8.17.2001 para, reformando a sentença,
julgar procedente o pedido e declarar rescindido o contrato de locação, com a
consequente desocupação do imóvel.

Por consequência, inverte-se o ônus sucumebncial, condenando Ning Lin ao


pagamento das custas e honorários advocatícios à razão de 20% do valor da causa.
2) NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto por Ning Lin nos autos do processo
n. 0055552-15.2020.8.17.2001, mantendo a sentença de improcedência em relação
ao pedido reconvencional (luvas);

3) DAR PROVIMENTO ao recurso interposto por Ning Lin nos autos do processo
n. 0085935-39.2021.8.17.2001 para, cassando a sentença de extinção, determinar o
retorno dos autos à instância de origem para regular prosseguimento.

Recife, data da certificação digital.

EDUARDO SERTÓRIO CANTO Desembargador

Relator =

Demais votos:
Ementa:

Apelação Cível n. 0055552-15.2020.8.17.2001***


Apelante/apelado: Laertz Afonso Maia Filho

Apelante/apelado: Ning Lin

Apelação Cível n. 0085935-39.2021.8.17.2001***


Apelante: Ning Lin

Apelado: Laertz Afonso Maia Filho

Relator: Des. Eduardo Sertório Canto

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE DESPEJO. DESCUMPRIMENTO


CONTRATUAL. MANUTENÇÃO DO IMÓVEL. RESPONSABILIDADE DO INQUILINO.
RECONVENÇÃO. RESTITUIÇÃO DE LUVAS INDEVIDAS. AUSÊNCIA DE PROVA DE
PAGAMENTO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. OBRAS ESTRUTURAIS.
RESPONSABILIDADE. AÇÃO DE DESPEJO ANTERIOR. LITISPENDÊNCIA. NÃO
CONFIGURADA. APELAÇÃO PROVIDA.
[Link]-se na origem de ação de despejo fundamentada no descumprimento de diversas
cláusulas contratuais pelo inquilino.
2. Logrou o locador provar o descumprimento das cláusulas referentes ao dever do
inquilino de bem manter o imóvel, razão pela qual deu-se provimento ao recurso para julgar
procedente pedido de rescisão do contrato de locação e consequente desocupação do imóvel.
3. O inquilino, por sua vez, em reconvenção, requereu a restituição do valor de R$
30.000,00 indevidamente cobrados pelo proprietário a título de luvas.
4. Contudo, não houve prova suficiente do ajuste desse valor, tampouco do efetivo
pagamento a esse título, razão pela qual manteve-se a sentença de improcedência da
reconvenção.
5. Houve, ainda, pleito do inquilino em ação própria no sentido de ser ressarcido pelas
obras de reparo executadas no curso da ação de despejo.
6. O Juízo a quo extinguiu a ação indenizatória por entender ter configurado
litispendência.
7. Apesar de conexas, os objetos das ações não se confundem, pois em uma se analisa se
houve ou não descumprimento contratual por parte do inquilino. Já na outra se verifica de
quem é a responsabilidade de financiar as obras efetivamente realizadas no imóvel.
8. Por isso, deu-se provimento ao recurso para cassar a sentença de extinção e determinar
o retorno dos autos à instância de origem para prosseguimento regular do feito.

ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos estes autos da Apelações Cíveis nº 0085935-


39.2021.8.17.2001 e 0055552-
15.2020.8.17.2001, em que figuram como partes as acima indicadas, por unanimidade,
ACORDAM os Desembargadores integrantes da Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça
de Pernambuco em DAR
PROVIMENTO ao recurso interposto por Laertz Afonso Maia Filho, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso interposto por Ning Lin nos autos do processo n.
0055552-15.2020.8.17.2001 e DAR PROVIMENTO ao recurso interposto por Ning Lin nos
autos do processo n. 0085935-39.2021.8.17.2001, na conformidade do relatório, voto, ementa e
notas taquigráficas que integram este julgado.

Recife, data da certificação digital.

EDUARDO SERTÓRIO CANTO Desembargador

Relator =
Proclamação da decisão:

À unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso de Laerts Afonso Maia Filho


e negou-se provimento ao recurso de Ning Lin, nos termos do voto da Relatoria

Magistrados: [BARTOLOMEU BUENO DE FREITAS MORAIS, FRANCISCO


EDUARDO GONCALVES SERTORIO CANTO, ITABIRA DE BRITO FILHO]

RECIFE, 24 de março de 2023

Magistrado

Assinado eletronicamente por: FRANCISCO EDUARDO GONCALVES


SERTORIO CANTO
27/03/2023 13:39:28
[Link]
ID do documento: 26522544

23032713392873700000026

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