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Capítulo 1

O capítulo apresenta Jay Blackwell, um jovem que lida com visões estranhas e a pressão de uma família disfuncional. Ele se destaca por sua relação com amigos e a dinâmica familiar complicada, especialmente após a morte de sua mãe. O texto explora temas de amizade, aceitação e a luta contra a percepção de ser 'estranho' na sociedade.
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Capítulo 1

O capítulo apresenta Jay Blackwell, um jovem que lida com visões estranhas e a pressão de uma família disfuncional. Ele se destaca por sua relação com amigos e a dinâmica familiar complicada, especialmente após a morte de sua mãe. O texto explora temas de amizade, aceitação e a luta contra a percepção de ser 'estranho' na sociedade.
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# capítulo 1

🎧ও.♰

∘ᘏ ☆
˙ JAY BLACKWELL

É 7h da manhã . O céu ainda tá naquele tom pálido de quem acordou


antes da vontade, e o sol aparece devagar, como se também estivesse
com preguiça. O ar é fresco, uma brisa leve entra pela janela, e o único
som que realmente existe é o do carro cortando a rua. Calmo demais… o
tipo de calma que me deixa desconfiado.

E, claro, aqui estou eu. Dentro do carro. Com meu motorista. Fone de
ouvido no volume máximo, costume que provavelmente vai me deixar
surdo antes dos 30, mas é o único jeito de me desligar do mundo. Ou pelo
menos fingir que consigo.

Acho que eu devia me apresentar, né? Vamos lá.


Meu nome é Jalen, mas absolutamente ninguém me chama assim. É Jay.
Professores, colegas, até gente que mal me conhece. Jalen só aparece
em documentos e broncas mais sérias. E não, eu nunca fui uma criança
normal. Até hoje não sou.
Desde pequeno eu vejo coisas que o resto das pessoas simplesmente…
não vê. E, bom, você pode imaginar como isso termina: “louco”,
“problemático”, “imaginação demais”. Clássico. Minha família tentou
ajudar — quer dizer, minha mãe e minha irmã tentaram. O resto só se
preocupava com a imagem da família, Boatos são piores que monstros,
aparentemente.

Na minha família, você tem que ser o melhor, ou vão te eliminar...

Bem-vindo à família Blackwell.


Isso é normal na família Blackwell, não somos uma família de verdade,
apenas compartilhamos um sobrenome...isso não é estranh-

— Chegamos, senhor. — a voz de Henry me corta.

Já estamos parados na esquina da escola.

— Obrigado de novo, Henry. Hoje não precisa me buscar. A senhora Olívia


vem me pegar.

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Abro a porta antes que ele responda e saio do carro. Vejo Henry acenar,
dizendo que tá tudo bem, como sempre. Ele é o tipo de pessoa que nunca
faz perguntas.

Onde eu tava mesmo?


Ah, sim. Minha família. Mas isso fica pra depois.
Voltando ao ponto da “criança estranha”: eu sempre tive essas… visões.
No começo me assustavam. Depois me causaram problemas. Agora?
Viraram rotina. Eu simplesmente ignoro.
Por exemplo: agora mesmo estou entrando na padaria da tia Vanessa, e
eu posso jurar que ela tem duas orelhas de gato no topo da cabeça e um
rabo longo balançando atrás dela.
E não, não tô falando da bunda dela.
Rabo de gato. Literalmente.

— BOM DIA, TIA! — digo, entrando com um sorriso educado enquanto


empurro a porta.
— Bom dia, querido! O Mike já tá descendo. Se atrasou de novo, você
acredita?! — ela responde.

E, eu vejo perfeitamente as orelhas dela se eriçando e o rabo ficando duro,


em pé. Raiva. Irritação. Emoção à flor da pele.
Coisas da minha famosa “alucinação”.

— Isso já é notícia velha, tia. Quando foi que ele não se atrasou? — digo,
me aproximando do balcão e me sentando em um dos bancos ao lado.

— Eu fiz um lanchinho pra você! Tem seus doces favoritos. Você tá muito


magrelo, menino! Cadê a gordurinha saliente, hein?! — ela diz enquanto
aperta minhas bochechas.
E quando eu digo “aperta”, não é força de expressão. A tia Vanessa leva
isso como missão de vida.

— T-tia… — tento falar, mas minhas bochechas já não me pertencem mais.

Ouço passos descendo a escada, rápidos, apressados. Tipo alguém que já


conhece essa cena e sabe que, se não intervir, vira refém também.

— Mãe! A senhora tá perturbando o Jay logo cedo! — diz Mike, com aquela
cara clássica de indignação mal disfarçada.

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Meu melhor amigo. O mais antigo, pelo menos. A gente já passou por
muita coisa junto. Quando eu digo muita, é muita mesmo.

ᘏ°↺.Flashback.↻°ᘎ ON
— MIKE, POR QUE VOCÊ INVENTOU DE ROUBAR AQUELA GUITARRA?! —
grito, correndo atrás dele, completamente sem fôlego.

— ERA SEU PRESENTE DE ANIVERSÁRIO, JAYZINHOOO! — ele responde,


correndo e rindo, com aquele sorriso idiota e a janelinha no meio dos
dentes.

— É ESTRANHAMENTE FOFO, MAS PRECISAVA SER DO POLICIAL?!


Mike só responde com aquelas risadinhas de criança que claramente não
sente arrependimento algum.

ᘏ°↺.Flashback.↻°ᘎ OFF

Foram bons dias.


Caóticos.
Mas bons.

— Deixa eu apertar essas bochechinhas só mais um pouquinho, ele é


muito fofinho! — a tia insiste, apertando ainda mais.

— Mãe, a gente vai se atrasar! — Mike me puxa pro lado, finalmente me


libertando.

— Desculpa, tia… mas ele tem razão — digo, soltando um sorrisinho


enquanto esfrego a bochecha dolorida.

Nem dá tempo de uma despedida decente. Meu querido amigo já me


arrasta pra fora da padaria como se estivéssemos fugindo da polícia. Só
vejo a tia acenando, animada, antes da porta fechar.

— Você precisa parar de dormir tarde, mano. Tá acabado. Por isso sua
mãe joga água gelada em você de manhã. Sem contar que você anda
fedendo — Coloco as mãos no bolso do casaco.

— Hahaha. Muito engraçado. Pra sua informação, eu dormi cedo — ele


responde vira o rosto de forma exageradamente dramática.

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— uhum sei, e a Olívia é minha mãe de verdade.

Vocês devem ter ficado confusos com essa minha fala, certo? Bom, aqui
vai um pequeno resumo. Minha mãe morreu quando eu tinha dez anos. Foi
algo traumático demais , pesado demais para alguém daquela idade. O
tipo de perda que rasga por dentro e deixa um silêncio estranho na casa,
porém, não foi só a morte dela foi o que veio depois. Meu padrasto não
demonstrou luto algum, Aquilo era exatamente o que ele queria, No dia
seguinte ao enterro, ele apareceu em casa com a Olívia, como se
estivesse trocando um objeto quebrado por outro novo. Sem avisos, sem
conversas.

— Mike solta uma risadinha nasal, daquelas que ele sempre dá quando
sabe que cutucou onde dói.

— Nossa, falando da bruxa… é sério que ela ainda tá nessa de família


perfeita? — ele puxa um pirulito do bolso do casaco e coloca na boca,
como se estivesse assistindo a um espetáculo.

— Desde sempre — dou de ombros. — Aparência é tudo pra ela. Se parecer


perfeito, então é perfeito. Pelo menos na cabeça deles.

Ele me olha de lado, avaliando, como se estivesse decidindo se continua


zoando ou se muda de assunto. Mike sempre foi assim: faz piada, mas
sabe a hora de parar. Ou quase sabe.

— Deve ser cansativo — ele comenta, com o pirulito preso entre os dentes.
— Fingir o tempo todo.

— Você não faz ideia — respondo.

— Ainda mais ter que atuara aquela falsa, como sua irmã aínda não
quebrou a cara dela? Isso Seria icônico!

— Dou um sorriso satisfeito imaginando a cena—seria um colírio para os


meus olhos!

— Urrr, já tamo de frente pra escola… nãooooo, piedade, pai! — Mike


dramatiza, quase se jogando pra trás.

— Para de escândalo, Michel — digo, cruzando os braços. — Se chorar


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muito, a diretora te da advertência por perturbação.

— Que show todo é esse? Comigo não tem quem não fique alegre nesse
presídio! — Ayla aparece bem na hora, já fazendo pose como se alguém
estivesse prestes a tirar uma foto.

— Olha aí, Mike — comento. — Até ela chegou inteira, e você tá nesse
estado.

— Chega mais, Jay, pra aparecer também! — Ayla puxa meu braço. — O
Mike estraga a foto toda até quando se arruma, imagina feio assim?

— Ei, eu tô ouvindo! — ele reclama.

— Infelizmente — respondo, entrando na pose e inclinando um pouco a


cabeça. — Mas ela tem razão. Você é o tipo de pessoa que estraga foto
em grupo só existindo.

— Traição — Mike leva a mão ao peito. — Dois contra um é golpe baixo.

— Isso não é golpe baixo — Ayla sorri. — É justiça amoreee.—Diz ela


jogando o o cabelo para trás, já esqueceu totalmente da tal foto

— Animados para o último dia?! Férias tá logo ali, só mais duas


semaninhas!

— Eu queria que fosse é hoje, ae eu não teria ido dormir— Mike diz
entrando na escola

— Não sei como você não fica cheio de olheira, Deus tem os seus
preferidos mesmo— Ela coloca a mão na cintura e sai andando enquanto
fala de beleza de pele, você não vai querer ouvir isso

_________________________________________________

📘 °•Corredor dos Armários/ 4° andar

A gente passou o caminho todo até aqui só fazendo o de sempre, falando


mal dos outros e rindo, mas o grupo ainda não tá todo reunido, quando
estiver pode ter certeza que não sobra alma viva que passe sem a gente
falar
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— Como você descobriu isso?! Eu nunca vi eles dois juntos — Mike
arregalou o olho surpreso com um sorriso no rosto

— Eu já disse, TUDO chega aos meus ouvidos, e todo mundo já sabia que
o professor era gay, eu só acabei pegando segurando o microfone do
diretor... Se é que você me entende! — ela diz dando uma cotovelada em
Mike com um sorriso esquisito

Ayla fica sabendo das coisas mais absurdas possíveis na escola, eu


também, as pessoas costumam dizer qualquer coisa para gente, só que
ela supera qualquer um!

Espera… o diretor não é casado?! Ele tem até uma foto com os filhos e a
esposa na sala dele.
Assim que falo isso, sinto uma mão no meu ombro. Era uma garota de
cabelos ruivos avermelhados e, com certeza, não era da nossa escola.
— Desculpa, você é o Jalen? — ela pergunta sem hesitar, de forma direta e
fria.

Uh… sim. Por quê? — respondo alguns segundos depois. Era muito
estranho ouvir alguém me chamar assim.

— Vem comigo.

Ela segura minha mão, pronta pra me arrastar. Eu já estava prestes a puxar
a mão de volta quando a Ayla se meteu antes que qualquer um reagisse.

— QUEMMMMM você pensa que é pra tocar em homem CASADO?! — ela


diz, se colocando entre a gente e nos separando.

Para informação de vocês, eu não sou comprometido, a Ayla que colocou


na cabeça que eu e o Logan somos almas gêmeas, ela faz isso com todo
mundo.

— Ay—

— CALADO, JAY! Você tá louca de sair levando os outros assim, ainda


mais comprometido! — ela me interrompe completamente.

— O quê? Não… isso não é verdade, eu não sabia que ele era se—
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— Eu não preciso ouvir suas desculpas. Vamos embora! — Ayla aponta o
dedo na cara da garota, cortando ela sem piedade.

— EU TO CERTA OU NÃO TÔ?! — Ela vira a cabeça olhando para gente, e


ela parece bem Intimidante assim.

— TÁ! — a gente concorda sem hesitar

Derrepente tava se formando uma multidão envolta da gente e para não


complicar a situação, saímos rápido pelo corredor.

— Esperem! — a garota grita.

Mas a multidão que começou a se juntar pra ver a confusão já tinha


tomado conta do lugar.
Andamos mais um pouco e entramos na primeira sala que vimos.

— Que tipo de invasão é essa? — diz uma voz sonolenta.

Era o Nick, largado no sofá, usando só uma calça de moletom.

A gente tinha acabado de entrar no dormitório — e, por sorte, no dele. Nick


faz parte do nosso grupo também. No começo, eu achava ele meio
arrombado. Agora eu tenho certeza. Mas, ainda assim, é nosso amigo.

— Mike não perdeu tempo e já sentou no outro sofá também — Ah cara,


pelo menos você tá roupa dessa vez

— Ugh, você restaurou esse memória tenebrosa, só porque eu tinha


esquecido— Abaixei a cabeça e Coloquei as mãos nos meus olhos

— Parem de drama, você que entraram no meu quarto sem avisar— Ele se
levantou, ficando sentado de pernas abertas, com os braços apoiados no
encosto.

— Ainda bem que eu fui direto pra casa naquele dia… — Ayla suspira. — Aí,
me desculpa, Nikolas, mas eu não aguento ver seu quarto. Isso aqui é uma
poluição visual e ambiental !!

Agora que paro pra reparar… ela não mentiu nem um pouco. O lugar era
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nojento. E, olhando melhor…

— Aquilo é uma cueca?... Do Superman?! — eu disse apontando para cima


do fogão

— EU - NAO - A - CRE - DI - TO —Mike começa a dar risadas muito altas

— O quê?! N-não! Alguém da festa deve ter deixado isso aí! — o ruivo tenta
se explicar, claramente desesperado.

— Quer saber? Eu tô indo embora! — Ayla levanta as mãos, começa a


andar pra trás e resmunga. —Sete e meia da manhã e eles nessa… —
Quando ela abre a porta, dá de cara com um peitoral. Um peitoral bem
grande, inclusive.

— Uh… se machucou? — Logan pergunta, olhando pra Ayla, que parece


estranhamente focada.

— Me desculpa por bater nesses Belos peitos...

Logan nem reage ao comentário. Ele já se acostumou com a nossa


querida Lily falando esse tipo de coisa. Só empurra Ayla pro lado e entra.

— Como você sabia que a gente tava aqui?! — a gente pergunta quase ao
mesmo tempo, fazendo a maior careta de dúvida possível. Pelo menos
expressou exatamente o que eu tava sentindo.

— Vocês falam como se fosse difícil — ele diz, provocativo. — A escola


inteira viu a Ayla gritando com uma menina e depois vindo pra cá.

— Ah, ótimo — eu respiro fundo. — Então oficialmente somos uma atração


turística agora, cadê nosso prêmio?

— Relaxa — Logan diz, jogando a mochila no chão. — Pelo menos vocês


continuam entretendo metade da escola.

— Metade? — Mike cruza os braços.

— A outra metade tá ocupada espalhando versão errada da história.—


Logan responde

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— Não existe versão errada — Ayla rebate, sentando na ponta da mesa. —
Existe a minha versão. O resto é fanfic!

Nick passa a mão no cabelo ainda tentando entender o que tava


acontecendo

— Alguém pode me explicar por que meu quarto virou ponto de encontro?

— Refúgio — corrijo. — Lugar seguro. Zona neutra. Lixão emocional.

— E cenário de crime — Mike completa, chutando uma lata vazia no chão.

— Então — Logan senta na ponta do sofa— quem era a garota?

— Uma talarica que queria roubar seu macho! — ela diz sem pensar
— ...Eu acho né.

— Meu macho? — ele arquea uma sombrancelha

— enfim, A gente não sabe, Mas era tinha cabelo ruivo bem avermelhado —
Respondo despreocupado — Mas agora eu realmente fiquei curioso,
porém muito provavelmente nem era algo importante, o povo tem mania
de ficar me chamando 24h por dia

— O estranho mesmo foi ela te chamar pelo nome, Jalen — Michel


comenta, agora com uma expressão mais séria. — Nem a gente tem
costume de te chamar assim, mano.

— Nick passa o olho pela sala, aponta pra mim com a cabeça e solta:

— Ou ela só te chamou de Jalen porque tava brava. Nome completo


sempre vem antes da desgraça.

— Verdade — Mike concorda. — Quando minha mãe me chama de Michel,


eu já sei que fiz merda.

— Tá vendo? — Nick completa. — Ciência. Nome completo é prenúncio de


caos.

— então tá... Por que você ainda tá de pijama?

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Eu realmente só me dei conta agora, todo mundo de uniforme e
arrumadinho e o Nick ali, largado, nem se deu ao trabalho de se arrumar
ainda.

Nick olha pra própria roupa, depois pra gente, como se estivesse
analisando algo muito profundo.

— Porque o pijama respeita meu estado emocional. O uniforme não.

Ele se espreguiça no sofá e completa, completamente sério:

— Além disso, é cedo demais pra fingir responsabilidade.

Mike solta uma risada, Ayla revira os olhos e eu só balanço a cabeça


negativamente.

Com ele, sempre fazia sentido… do jeito errado, mas fazia.

ᘏ 2° SINALᘎ

— Bom eu acho vamos ter que sair de qualquer jeito. — Ayla fala enquanto
sai

— Já é o segundo? Lily espera a gente! — Mike sai atrás dela e Nick, por
outro lado, começa a procurar as próprias roupas sem pressa nenhuma,
calmamente — típico de quem já leva advertência todo dia e nem se abala
mais.

— Eu me levanto do sofá. Logan, que tava sentado na ponta dele, também


se levanta logo depois, ajeitando a jaqueta.

Ele para um pouco mais á frente da porta, como se esperasse eu passar,


então eu apenas vou e seguimos pelo corredor juntos.

Ficamos em silêncio por um bom tempo. Logan nunca foi um cara de falar
muito — e, quando falava, geralmente era pra ser sarcástico, provocativo
ou pra discutir com alguém.

Não sei se eu já cheguei a comentar isso, mas minha relação antiga com
o Logan não era das melhores.

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“Como assim, Jay?”
Você deve estar se perguntando.

A gente brigava por literalmente tudo, desde a creche. Nunca entendi o


motivo. A gente só brigava. E vivia fazendo pegadinhas um com o outro.
Era implicância constante, Mas, sem eu perceber, aquilo mudou, de
repente, a gente tava se ajudando. Se preocupando. Ele acabou entrando
no meu círculo social, e tudo aconteceu rápido demais pra eu entender
quando exatamente virou outra coisa. Agora, parando pra pensar… Logan
sempre foi meio protetor comigo. Fazia todo tipo de coisa ruim ele
mesmo, mas nunca deixava ninguém mais fazer.

Enfim, depois que eu expliquei tudo isso o Logan decidiu falar!

— Você tá pensativo demais — ele diz, sem olhar pra mim, andando com
as mãos nos bolsos. — Foi aquele negócio da garota?
Dou de ombros.

Não, eu sinceramente já até não ligo para isso, mas você não precisa
saber disso

— Talvez.

— Hm — ele solta, curto.

— Pois é.

— Isso te incomodou?

— Um pouco.

Logan fica em silêncio por alguns passos, depois completa:

— Fica tranquilo. Provavelmente nem era algo importante — ele diz,


passando a mão pelo meu cabelo e bagunçando tudo um pouco. — E
mesmo que fosse, a gente ia estar aqui pra te ajud—

O chão treme antes que ele consiga terminar a frase.

— O que foi isso? — meu corpo inteiro entra em alerta.

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Antes que ele responda, olho de canto pra ele. O rosto do Logan não é de
susto. É de alguém juntando peças rápido demais.

— Jay… por acaso a garota que vocês falaram tinha um ruivo de farmácia?
Aquele meio rosado?

— uh... Ela tinha !

— E os olhos? Eram verde?!

— E-eram...

O Logan engole em seco e suspira. Ele só a faz isso quando algo fica fora
de controle , coisa que não acontece com frequência.

— Droga... Calma, você lembra de ela tava usando algum pingente?! — Ele
me deixa cara á cara com ele

— Agora você falou, ela tava usando um de coração...?

— Ugh. Isso explica muita coisa — ele diz, entrando em total estado de
alerta

Faz o seguinte: reúne todo mundo no dormitório de novo e espera eu


chegar — fala rápido, já começando a andar em direção às escadas.

— O que? Espera, me explica direit–

𝐁𝐎𝐎𝐌.

O som de algo se partindo ecoa pelo corredor.


A parede simplesmente é derrubada, escombros voando pra todo lado,
revelando alguém montado numa pantera gigante, essa pessoa olha para
mim e diz:

— PRECISAMO IR, 𝘈𝘎𝘖𝘙𝘈 !

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