Livia Maria - Programa
Livia Maria - Programa
No 0041
OTIMIZAÇÃO E DIMENSIONAMENTO DE
TRELIÇAS PLANAS DE MADEIRA EMPREGANDO
O MÉTODO DOS ALGORITMOS GENÉTICOS
CDU: 624.011.1
.
Aos meus pais, Ildeu e Maria do Carmo (Cuca) que me
ensinaram a confiar num Deus que eu não podia ver e
a viver para um Salvador que nunca havia encontrado
antes, crendo que meu futuro já preparou da melhor
maneira. Aos meus irmãos Kátia e Kleber pelo carinho
constante neste período importante da minha vida.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus que nunca me desamparou permitindo a conclusão de mais esse sonho.
Mesmo quando pensei em desistir, sabia que poderia contar com sua presença constante
me abençoando.
Ao meu orientador Prof. Dr. Francisco Antonio Romero Gesualdo pela dedicada
orientação durante esses dois anos, e enorme carinho e atenção dispensados durante esse
período.
Ao Prof. Dr. Dogmar Antonio de Souza Junior que contribuiu de maneira especial me co-
orientando para o desenvolvimento deste trabalho
À minha tia Mércia que me acolheu esses dois anos em sua casa, dispensado carinho em
todos os momentos difíceis me incentivando e apoiando. Amo muito a senhora.
À minha grande amiga Anne Danielle e seu esposo Gilberto que compartilharam comigo
as alegrias e vitórias conquistadas, e pelo incentivo sempre presente.
RESUMO
ABSTRACT
The objective of this study is to present information on the optimization of plane truss
wooden structure using the method of genetic algorithms. All assessments are made by the
computer program called Optimization Structures Plane (OTP). It was also used the
computer program GESTRUT for determining forces and displacement. It was evaluated
pitched trusses, with the goal of finding the best geometrical configuration in terms of the
distribution of members and inclination between chords. It was evaluated three study cases
of trusses with different configurations in relation to the length/width of the area covered.
S - Fator estatístico
sc - Sobrecarga
Vi - Volume de madeira consumido em cada modelo
ABREVIATURAS
SIGLAS
AG - Algoritmo Genético
CE - Computação Evolucionista
EE - Estratégia Evolucionista
PE - Programação Evolucionista
OTP - Otimização de Estruturas Planas
OTR - Otimização de Estruturas Reticuladas
LISTA DE FIGURAS
Figura 1-1 – Esquema comparativo entre projeto convencional e projeto ótimo. ................. 2
Figura 1-2 – Trajetória das formigas em linha reta entre o ninho e o alimento..................... 4
Figura 1-3 – Introdução do obstáculo no caminho original. .................................................. 4
Figura 1-4 – Divisão mediana das formigas nos dois sentidos. ............................................. 5
Figura 1-5 – O menor percurso é escolhido (ótimo) no decorrer do tempo. ......................... 5
Figura 2-1 − Habitação com cobertura em troncos de madeira. .......................................... 11
Figura 2-2 − Habitação com cobertura em pranchas de madeira. ....................................... 12
Figura 2-3 − Habitações com coberturas côncavas. ............................................................ 12
Figura 2-4 − Seção transversal composta de madeira.......................................................... 13
Figura 2-5 − Estruturas de coberturas com barras encaixadas............................................. 14
Figura 2-6 − Estrutura de cobertura com barras inclinadas. ................................................ 14
Figura 2-7 − Estrutura de cobertura posterior ao século IV d.C. ......................................... 15
Figura 2-8 − Estrutura de cobertura da Arquitetura Românica do séc. XV......................... 16
Figura 3-1 − Procedimento de Algoritmos Evolucionistas. ................................................. 22
Figura 3-2 – Seleção pelo Método da Roleta ....................................................................... 31
Figura 3-3 – Cruzamento de um ponto ................................................................................ 32
Figura 3-4 – Cruzamento de multipontos ............................................................................ 32
Figura 3-5 – Cruzamento de multipontos. ........................................................................... 33
Figura 3-6 – Exemplo de mutação. ...................................................................................... 33
Figura 4-1 – Exemplo de treliça com suas constantes e variáveis ....................................... 41
Figura 4-2 – Tela principal do programa de otimização computacional – OTP .................. 42
Figura 4-3 – Tela de entrada para a definição da ação do vento.......................................... 45
Figura 4-4 – Tela de entrada do peso próprio das telhas e posição das terças..................... 46
Figura 4-5 – Ilustração da tela “duas faces igualmente permeáveis”. ................................. 46
Figura 4-6 – Ilustração da tela de propriedades físicas da madeira. .................................... 47
Figura 4-7 – Carregamento da estrutura pela ação do peso próprio (pp) e sobrecarga (sc) 48
Figura 4-8 – Carregamento da estrutura pela ação do vento. .............................................. 48
Figura 4-9 – Ilustração dos esforços. ................................................................................... 48
Figura 4-10 – Fluxograma do algoritmo genético implementado. ...................................... 53
Figura 5-1 – Primeiro caso – treliça Howe .......................................................................... 57
Figura 5-2 – Segundo caso – treliça Pratt ............................................................................ 57
Figura 5-3 – Terceiro caso – treliça Belga ........................................................................... 58
Figura 5-4 – Resultados do aumento do volume de madeira (%) – Modelo 10×20 ............ 60
Figura 5-5 – Resultado do aumento do volume de madeira (%) – Modelo 12×20.............. 61
Figura 5-6 – Resultado do aumento do volume de madeira (%) – Modelo 14×20.............. 61
Figura 5-7 – Resultado do aumento do volume de madeira (%) – Modelo 15×20.............. 61
Figura 5-8 – Índice de aproveitamento – Resistência. ......................................................... 62
Figura 5-9 – Índice de aproveitamento – Estabilidade X. ................................................... 63
Figura 5-10 – Índice de aproveitamento – Estabilidade Y. ................................................. 63
Figura 5-11 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 10×20. ............................... 65
Figura 5-12 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 12×20. ............................... 66
Figura 5-13 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 14×20. ............................... 66
Figura 5-14 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 15×20. ............................... 66
Figura 5-15 – Índice de aproveitamento – Resistência. ....................................................... 67
Figura 5-16 – Índice de aproveitamento – Estabilidade X. ................................................. 68
Figura 5-17 – Índice de aproveitamento – Estabilidade Y. ................................................. 68
Figura 5-18 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 10×20. ............................... 71
Figura 5-19 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 12×20. ............................... 71
Figura 5-20 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 14×20. ............................... 71
Figura 5-21 – Aumento do volume de madeira (%) – Modelo 15×20. ............................... 72
Figura 5-22 – Índice de aproveitamento – Resistência ........................................................ 73
Figura 5-23 – Índice de aproveitamento – Estabilidade X .................................................. 73
Figura 5-24 – Índice de aproveitamento – Estabilidade Y .................................................. 74
Figura 5-25 – Variação do volume de madeira (%) – Modelo 10×20 ................................. 76
Figura 5-26 – Variação do volume de madeira (%) – Modelo 12×20 ................................. 78
Figura 5-27 – Variação do volume de madeira (%) – Modelo 14×20 ................................. 79
Figura 5-28 – Variação do volume de madeira (%) – Modelo 15×20 ................................. 80
Figura 5-29 – Índice de aproveitamento da resistência – Treliça Howe ............................. 81
Figura 5-30 – Índice de aproveitamento da resistência – Treliça Pratt ............................... 82
Figura 5-31 – Índice de aproveitamento da resistência – Treliça Belga .............................. 82
Figura 5-32 – Índice de aproveitamento da estabilidade X – Treliça Howe ....................... 83
Figura 5-33 – Índice de aproveitamento da estabilidade X – Treliça Pratt ......................... 83
Figura 5-34 – Índice de aproveitamento da estabilidade X – Treliça Belga ........................ 83
Figura 5-35 – Índice de aproveitamento da estabilidade Y – Treliça Howe ....................... 84
Figura 5-36 – Índice de aproveitamento da estabilidade Y – Treliça Pratt ......................... 84
Figura 5-37 – Índice de aproveitamento da estabilidade Y – Treliça Belga ........................ 84
Figura 5-38 – Disposição do valor do volume no modelo 10×20 ....................................... 86
Figura 5-39 – Disposição do valor do volume no modelo 12×20 ....................................... 86
Figura 5-40 – Disposição do valor do volume no modelo 14×20 ....................................... 87
Figura 5-41 – Disposição do valor do volume no modelo 15×20 ....................................... 88
Figura 5-42 – Deslocamento da estrutura – m=4 ................................................................. 89
Figura 5-43 – Deslocamento da estrutura – m=5 ................................................................. 89
Figura 5-44 – Deslocamento da estrutura quando as terças são definidas – m=4 ............... 89
Figura 5-45 – Deslocamento da estrutura quando as terças são definidas – m=5 ............... 89
Figura 5-46 – Estrutura real analisada ................................................................................. 91
Figura 5-47 – Variação do volume de madeira. ................................................................... 92
Figura 5-48 – Distribuição da função custo X geração ....................................................... 93
Figura 5-49 – Índice de aproveitamento da seção transversal ............................................. 94
Figura 5-50 – Estrutura otimizada gerada pelo programa de otimização com m=6 ............ 95
Figura 5-51 − Estrutura otimizada com m=4 ....................................................................... 95
LISTA DE TABELAS
Tabela 1-1 – Trabalhos relevantes que utilizam o algoritmo genético na área de estruturas 5
Tabela 3-1 – Seleção Roleta. ............................................................................................... 30
Tabela 5-1 – Parâmetros geométricos e propriedades mecânicas dos materiais ................. 55
Tabela 5-2 – Valores definidos para o carregamento da estrutura....................................... 56
Tabela 5-3 – Valores adotados para os parâmetros do AG.................................................. 56
Tabela 5-4 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Howe ....................................... 59
Tabela 5-5 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Howe ....................................... 59
Tabela 5-6 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Howe ....................................... 59
Tabela 5-7 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Howe ....................................... 60
Tabela 5-8 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Pratt ......................................... 64
Tabela 5-9 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Pratt ......................................... 64
Tabela 5-10 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Pratt ....................................... 64
Tabela 5-11 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Pratt ....................................... 65
Tabela 5-12 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Belga ..................................... 69
Tabela 5-13 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Belga ..................................... 69
Tabela 5-14 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Belga ..................................... 70
Tabela 5-15 – Resultados obtidos na otimização da Treliça Belga ..................................... 70
Tabela 5-16 – Posição no eixo x das terças definidas pelo usuário ..................................... 75
Tabela 5-17 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Howe .............................. 75
Tabela 5-18 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Pratt ................................ 76
Tabela 5-19 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Belga .............................. 76
Tabela 5-20 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Howe .............................. 77
Tabela 5-21 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Pratt ................................ 77
Tabela 5-22 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Belga .............................. 77
Tabela 5-23 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Howe .............................. 78
Tabela 5-24 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Pratt ................................ 78
Tabela 5-25 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Belga .............................. 79
Tabela 5-26 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Howe .............................. 79
Tabela 5-27 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Pratt ................................ 80
Tabela 5-28 – Resultados da otimização de estruturas – Treliça Belga .............................. 80
Tabela 5-29 – Volume de madeira (m3) para o modelo 10×20 ........................................... 85
Tabela 5-30 – Volume de madeira (m3) para o modelo 12×20 ........................................... 86
Tabela 5-31 – Volume de madeira (m3) para o modelo 14×20 ........................................... 87
Tabela 5-32 – Volume de madeira (m3) para o modelo 15×20 ........................................... 87
Tabela 5-33 – Valores dos deslocamentos nodais (cm) – direção Y ................................... 90
Tabela 5-34 – Posição no eixo X das terças definidas na estrutura real. ............................. 92
Tabela 5-35 – Resultados obtidos na otimização do modelo 18×20 ................................... 92
Tabela 5-36 – Comparação de resultados entre a estrutura real e otimizada. ...................... 96
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 – INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 1
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
1.1 PRELIMINARES
A madeira tem sido utilizada como elemento estrutural na construção civil há milhares de
anos, portanto, têm-se observado o surgimento de muitas variedades de sistemas estruturais
devido à evolução dos diversos produtos provindos da madeira. Dentre os sistemas
estruturais mais utilizados, o treliçado é tradicionalmente o mais empregado para estruturas
de coberturas. O seu uso segue procedimentos convencionais baseados em hipóteses e
considerações padronizadas estabelecidas no passado, quando as ferramentas de cálculo
eram diferentes das atuais. O cálculo era totalmente manual, sem o uso de computadores.
Essas condutas foram se consagrando com o passar do tempo. No entanto, hoje se têm
muitos recursos facilitadores que exigem adaptações e redirecionamentos.
As análises de estruturas são feitas a partir do emprego dos métodos numéricos aliados ao
crescente avanço dos processos utilizados em computadores e à enorme competitividade
criada nas empresas para buscar uma redução nos custos de seus projetos, tendo se tornado,
atualmente indispensável para qualquer especialista na área de engenharia das estruturas.
Os projetos são desenvolvidos para se obter estruturas que satisfaçam aos requisitos
funcionais e que atendam as especificações da norma. Contudo, a maioria dos problemas
de engenharia, tem mais que uma configuração possível para atender a essas exigências.
Capítulo 1 - Introdução 2
Rigo (1999) associa esse fato à evolução muito rápida dos computadores pessoais que tem
servido de motivação para pesquisas de novas metodologias empregadas em projetos
estruturais e, em particular, o emprego e desenvolvimento de algoritmos numéricos mais
robustos e eficientes com vistas à obtenção de esforços em uma estrutura.
Não
A estrutura atende
Modifica-se a configuração aos requisitos de
inicial tendo-se por base a Sim convergência?
experiência/heurística
Não Sim
Pode-se então definir de forma objetiva a otimização como sendo uma maneira inteligente
de se alcançar uma melhor solução dentre as inúmeras possíveis de um problema.
Como existe uma necessidade de identificar as variáveis envolvidas e seus domínios, bem
como as constantes relevantes do problema, faz-se o equacionamento objetivando
determinar a representação do problema e suas restrições na busca da solução ótima. Isso
já vem sendo empregado em várias áreas da engenharia civil, como em projetos de redes
de abastecimento de água, na dosagem de materiais, no gerenciamento de itinerários de
linhas de transporte, bem como na otimização de projetos de estruturas, focalizando
principalmente a minimização de custos (OLIVEIRA, 2004).
A utilização de técnicas de otimização teve início depois da Segunda Guerra Mundial, fase
em que ocorreu o crescente desenvolvimento computacional. Uma das técnicas
empregadas é a do Algoritmo Genético (AG), que se iniciou na década de 70 com o
pesquisador John Holland, da Universidade de Michigan. Sua pesquisa é baseada no
processo de seleção natural das espécies, de Charles Darwin que, segundo sua teoria da
evolução, os indivíduos competem entre si, de maneira que os mais aptos têm maiores
Capítulo 1 - Introdução 4
• Pássaros → Aviões
• Morcegos → Sonares
• Peixes → Submarinos
Figura 1-2 – Trajetória das formigas em linha reta entre o ninho e o alimento.
Fonte: [Link] (2006)
Tabela 1-1 – Trabalhos relevantes que utilizam o algoritmo genético na área de estruturas
ADELI e CHENG (1993) Apresentaram a otimização de estruturas espaciais utilizando
três diferentes tipos de treliças empregando a elas o método
da função penalidade através do uso da integração do
algoritmo genético.
ADELI e CHENG (1994) Os autores apresentam um Algoritmo Genético Langrageano
para otimização de grandes estruturas, tais como altos
edifícios e estações espaciais.
COHN e LOUNIS (1994) Apresentam superestruturas de pequenas e médias extensões
de sistemas de pontes que pode ser concebido como
otimização de multinívies e multiobjetivos para projetos
ótimos.
KOUMOUSIS e GEORGIOU (1994) Mostra a utilização do algoritmo genético para a otimização
de estruturas treliçadas de aço para telhados.
KOSKISTO e ELLINGWOOD Apresenta um modelo para a minimização do custo do ciclo
(1997) de vida de elementos e estruturas de concreto pré-fabricado.
CAMP e BICHON (2004) Utiliza a técnica da otimização colônia de formiga para
avaliar projetos de treliças espaciais, considerando o custo e
o desempenho das restrições dos limites de tensões e
deslocamentos.
Capítulo 1 - Introdução 6
Outros trabalhos foram ainda desenvolvidos usando o método dos AGs, tendo em vista
suas facilidades de implementação quanto aos resultados encontrados na literatura. Muitos
desses trabalhos agem no domínio da Engenharia Estrutural, mais especificamente em
estruturas de aço e concreto, contudo poucos trabalhos estão relacionados à área das
estruturas de madeira.
1.2 OBJETIVO
Este trabalho tem por objetivo avaliar por meio do método dos algoritmos genéticos,
formatos otimizados de estruturas planas de madeira para cobertura do tipo treliçado. Foi
usado o programa computacional chamado de OTP (Otimização de Estruturas Planas). Ele
é uma adaptação do programa computacional OTR (Otimização de Estruturas Reticuladas)
desenvolvido para o estudo de estruturas reticuladas espaciais formadas por barras
cruzadas. Também foi usado o programa para cálculo de estruturas denominado
GESTRUT que determina esforços e deslocamentos de estruturas. Os programas OTP e o
GESTRUT foram desenvolvidos na Universidade Federal de Uberlândia. Enfim, este
trabalho é uma proposta do uso de métodos de otimização, no caso, algoritmo genético, à
criação de estruturas eficientes que satisfaçam as necessidades de maneira a se obter o
menor custo.
1.3 JUSTIFICATIVA
As obras de engenharia são projetadas com uma preocupação muito grande em relação ao
custo final na execução dos projetos. Assim, as estruturas de coberturas de galpões
industriais, ginásios, depósitos etc., ou como parte de uma construção genérica merecem
um tratamento otimizado para garantir sua eficiência ao longo de sua vida útil e economia
na sua implantação.
A diminuição dos custos das estruturas nas construções torna-se cada vez mais importante
com a globalização da economia. No caso das treliças, que são estruturas leves, de rápida e
fácil execução, o menor custo será em função do menor peso da estrutura, visando projetos
de estruturas que cumpram com segurança a sua finalidade.
No Capítulo 2 será apresentada uma revisão bibliográfica sobre treliças de madeira, bem
como uma introdução geral à otimização de estruturas, mostrando os métodos de
otimização mais utilizados.
No Capítulo 5 será feita uma análise dos comportamentos globais das estruturas planas de
madeira do tipo treliçado através de resultados que serão obtidos da otimização de três
modelos de treliças utilizando o programa computacional OTP, e a comparação dos
resultados entre um modelo real e um otimizado.
CAPÍTULO 2
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1.1 Preliminares
Sendo a madeira um recurso natural sempre presente no dia-a-dia do ser humano, seu
emprego ao longo do desenvolvimento histórico mostra que é um material pioneiro na
engenharia estrutural. Possuindo uma diversidade em suas características observa-se o seu
emprego para as mais diversas finalidades, tais como pontes, coberturas, silos,
escoramentos, bem como na fabricação de móveis, peças de artesanato, brinquedos,
lambris e pisos, instrumentos musicais, embalagens (caixas), implementos agrícolas,
divisórias, produtos de papel e chapas de madeira em geral.
Nota-se que tal fato está ligado aos aspectos históricos da utilização da madeira nas
estruturas de cobertura, visto que toda a tradição de seu uso se traduz em vários pontos,
desde as formas geométricas envolvidas até as técnicas construtivas utilizadas usualmente
pelos carpinteiros. Entretanto, o comportamento e as características intrínsecas da madeira
não alcançaram ainda um conhecimento pleno, fato que não pode ser ignorado.
Desde a sua existência, o homem tende a melhorar sua própria situação humana,
propiciando um desenvolvimento gradativo de suprir suas necessidades. Dessa maneira, o
homem tem se preocupado em oferecer a si mesmo, à sua família e à sociedade na qual
está inserido, condição necessária de um ambiente, onde além de proteger das intempéries
da natureza, possa exercer suas atividades com tranqüilidade e segurança.
Para tanto, aos poucos foram surgindo as primeiras edificações, construídas com os
materiais disponíveis da época, ou seja, a pedra, a argila e a madeira. No começo a pedra e
a argila constituíam a moradia, destinando a madeira somente para a construção de estacas
de defesas.
Sendo assim, no decorrer dos anos, foram surgindo novas técnicas para a aplicação dos
materiais mais comuns, em contrapartida novos materiais eram descobertos, possibilitando
uma crescente aplicação dos mesmos. Inicialmente, o grande interesse nas descobertas dos
novos materiais relacionava-se ao melhoramento das habitações. Contudo, havia-se a
preocupação em desenvolver técnicas construtivas para as edificações, bem como a
estabilidade e a durabilidade das estruturas.
sempre mais aperfeiçoadas, com melhor utilização dos materiais, ao lado de configuração
estético-funcional mais desenvolvida.
Desta forma, dentro de um contexto geral das edificações, cada elemento arquitetônico e
estrutural inserido na construção, tem importância significativa, pois deve-se apresentar
como todo, completo e homogêneo entre si. Para tanto, cada elemento deve ser
cuidadosamente projetado e construído para atingir a homogeneidade desejada, sob todos
os pontos de vista.
Portanto, sendo a cobertura uma etapa de importância significativa em uma edificação, ela
deve ser tratada, reconhecida e estudada de forma mais abrangente.
Tem-se no período neolítico, uma associação da madeira com a argila, sendo ambos os
materiais abundantes e de fácil manipulação. Com respeito às primeiras evidências do
emprego da madeira, destacam-se as estruturas feitas pelos egípcios, por volta do ano 3000
a.C, construídas ao logo do Rio Nilo. Estas construções eram feitas de elementos
estruturais treliçados de madeira com argila, e tinham como função a vedação. A fundação
era feita de pedra. Sendo a pedra e a madeira material de maior predominância na
paisagem egípcia, começava-se a se definir as funções do emprego da madeira.
O uso de cobertura de madeira para a sustentação de telhados, foi uma evidência para os
antepassados, pois era necessário cobrir certo espaço para se proteger dos intemperismos
da natureza, e que também permitisse o escoamento da água da chuva, e para tanto era
preciso um plano inclinado.
Por volta de 1000 a.C, esse processo já era executado na Mesopotâmia, em que a madeira
era empregada na cobertura, usando-se troncos de palmeiras estendidos horizontalmente,
apoiados uns nos outros e sustentados por troncos dispostos na vertical (Figura 2-1).
Portanto, no que se refere às ligações feitas entre esses troncos não foram encontrados
nenhuma referência. Contudo, a partir do século VII a.C na Pérsia, a madeira já era usada
para coberturas em estruturas planas (Figura 2-2), sendo que seu madeiramento era feito
em três níveis possibilitando o apoio dos elementos.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 12
Pranchas (madeira)
Vigas Secundárias (madeira)
Esteios (pedras)
Sendo o Oriente uma região mais rica em florestas naturais que o Ocidente, o emprego da
madeira nessa região ocorreu de forma mais abrangente. Na Índia, as coberturas em formas
de abóbadas ou arcos já eram empregadas em sua arquitetura, assim como as coberturas de
forma piramidal.
A madeira sempre esteve presente na arquitetura chinesa, onde era empregada comumente
nas estruturas de coberturas. Os conjuntos das peças que compunham as estruturas de
cobertura se distribuíam em forma de retângulos rígidos superpostos. Foi desenvolvido
para as regiões onde o índice pluviométrico é alto, um telhado com uma determinada
concavidade que facilitava o escoamento das águas das chuvas, e possuindo beirais mais
largos para a proteção das paredes (Figura 2-3).
Com o avanço do desenvolvimento das ferramentas, ainda no século V a.C, houve uma
evolução das coberturas num processo de se ampliar as dimensões dos elementos,
deixando as configurações geométricas mais complexas, possibilitando o vencimento de
grandes vãos livres.
Bem mais simples que as estruturas chinesas, a geometria das estruturas japonesas
empregava a madeira como uma forma típica de cobertura, além de utilizá-la como
estrutura de vedação pintada com uma tinta especial aumentando a sua durabilidade
natural.
Quando não era possível obter peças de seções transversais suficientes para a estrutura
projetada, fazia-se a união de dois ou mais elementos por meio de travessas, ou seja, as
precursoras das cavilhas (Figura 2-4).
Diante disso ficou mais fácil vencer grandes vãos sem que fosse necessário a utilização dos
apoios intermediários, característica das coberturas gregas. É importante ressaltar que a
arquitetura romana foi uma das primeiras a apresentar tesouras que tivessem banzos
superiores e inferiores compostas por montantes e diagonais. Esse tipo de estrutura foi
muito difundida nas regiões de domínio romano devido à expansão do Império Romano.
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 15
Essa forma de telhado foi mantida em grande parte das edificações. Nesse mesmo período
surgiram as primeiras medidas contra incêndio, passando a utilizar folhas metálicas de
maneira convenientemente associada à madeira, na estruturas de cobertura.
Pelo relato histórico apresentado até agora, percebe-se que as primeiras estruturas de
madeira utilizadas pelo homem com o fim específico para cobertura, foram as estruturas
treliçadas na forma de tesoura. Mesmo com toda a tradição envolvendo o emprego da
madeira, pode-se notar que até as primeiras décadas do século XIX, não existia um
conhecimento aprofundado de suas propriedades, ou seja, de suas características físicas,
Capítulo 2 - Revisão Bibliográfica 17
mecânicas e elásticas. Dessa forma, não havia como se desenvolver projetos estruturais
mais elaborados devido à falta de processos de cálculo apropriados.
Contudo, otimizar é projetar um sistema que tenha uma melhor eficiência com um baixo
custo. É encontrar os parâmetros do sistema em estudo, de modo que o rendimento do
sistema seja próximo do valor ótimo, baseado em um critério prévio de otimização
(SOUZA JR, 2005).
• Solução Ótima: É a junção formada pelo ponto ótimo e valor ótimo, e podem ser do
tipo local quando o valor ótimo é localizado, e global quando esse valor for global
em uma região viável.
Mesmo que os métodos matemáticos apresentem um teorema que lhe forneça uma
convergência para a solução ótima, essa solução não será necessariamente a solução ótima
global. Segundo Bastos (2004) isso ocorre porque a solução encontrada por esses métodos
depende extremamente do ponto de partida que foi fornecido, e este é um problema que
vem intrigando os pesquisadores desta área há algum tempo, mas que ainda continua sem
uma solução.
Capítulo 3 – Fundamentos do Algoritmo Genético 21
CAPÍTULO 3
3.1 PRELIMINARES
Com a existência da grande quantidade de problemas físicos e matemáticos que tem como
finalidade a solução de valores extremos de uma determinada função, as resoluções para
tais problemas têm se dirigido para os estudos dos métodos de otimização. Considerada
como uma ferramenta indispensável na análise de soluções de problemas, a otimização
pode maximizar ou minimizar um problema de forma clara e objetiva podendo com isso
melhorar consideravelmente o desempenho de muitos processos das funções pré-
estabelecidas que estejam ou não sujeitas às restrições.
variação na posição dos apoios. Outros pesquisadores como Holland e Fogel também
contribuíram para o avanço da computação evolucionista.
Através da computação evolucionista, pode-se estabelecer uma ligação que está associada
aos Algoritmos Genéticos (AG), Programação Evolucionista (PE) e Estratégias
Evolucionistas (EE). Todas elas estão baseadas no conceito de população de indivíduos,
em que cada indivíduo representa uma solução potencial do problema e ainda são
manipulados por meios de operadores genéticos, designados de mutação e cruzamento.
Essas três classes de algoritmos evolucionistas, foram de início projetadas para resolver
problemas de otimização em ensaios experimentais. Porém existem diferenças entre elas,
tanto na forma de representação dos indivíduos, quanto na definição do operador genético
(mutação e cruzamento) e ainda na forma de seleção e reprodução.
Um algoritmo evolucionista tem como passo inicial a geração de uma população aleatória
formada de possíveis soluções, que dependendo do problema podem ser simples ou
complexas. Essa população passa por uma avaliação chamada aptidão, que vai refletir na
qualidade da solução, isto é, os membros mais aptos são selecionados enquanto os menos
aptos são descartados. Nessa fase de escolha ficam definidos quem serão os pais e quem
serão os filhos. A partir daí os filhos começam a sofrer recombinação e mutação em suas
características fundamentais gerando novos descendentes para a próxima população. Isso é
repetido inúmeras vezes até que se consiga chegar a uma solução satisfatória, como mostra
a Figura 3-1.
Algoritmos Genéticos (AGs) são métodos de otimização e busca que utilizam alguns
conceitos da genética e se baseiam na evolução da população de seres vivos. Desenvolvido
pelo pesquisador John Holland, da Universidade de Michigan, na década de 70, foi
inspirado na teoria do princípio da seleção natural e sobrevivência de indivíduos mais
aptos, do naturalista e fisiologista Charles Darwin. Segundo a teoria de Darwin, quanto
melhor for a genética de um indivíduo numa determinada população, melhor será a chance
dele se adaptar ao meio em que está inserido e maior será sua probabilidade de sobreviver
e gerar descendentes, enquanto os indivíduos menos aptos tendem a desaparecer.
Portanto, para Holland um dos pontos principais de sua pesquisa estava em abstrair e
explicar rigorosamente os processos adaptativos dos sistemas naturais e criar programas de
computadores para simular sistemas artificiais, mantendo os mecanismos importantes dos
sistemas naturais (GOLDBERG, 1989). Dessa maneira, direcionou-se a pesquisa para três
pontos: cromossomo, indivíduo e população. Essa divisão foi estabelecida na tentativa de
achar um modo para codificar um cromossomo que representasse um indivíduo em uma
dada população.
3.3 TERMINOLOGIA
Entende-se um Algoritmo Genético como uma metáfora da evolução dos seres vivos, que
incorpora alguns conceitos da genética. Isso explica o porquê dos AGs possuírem muitos
termos originados da biologia. A lista a seguir mostra alguns dos principais termos que são
encontrados na literatura e que serão utilizados ao longo deste trabalho.
A maior parte dos trabalhos já realizados com algoritmos genéticos usou a representação
binária, onde os valores das variáveis são codificados em cadeias de caracteres binários (0
e 1), que representa o gene. O tamanho total desse cromossomo é a soma das subcadeias
que representam as n variáveis do problema. De acordo com Michalewisc (1996), esse tipo
de representação se dá devido ao fato de que aplicações mais apropriadas requeiram
valores discretos.
No caso de uma variável contínua a determinação do número de bits (m) para representar
seus possíveis valores depende do limite inferior (b) e superior (c) do intervalo de valores
que essa variável vai assumir, no domínio do problema, bem como da precisão que a
solução vai requerer, dada pelo parâmetro k. Isso é feito determinando o número inteiro m
que satisfaz a Equação 3.1 (CASTILHO, 2003).
Para ilustrar melhor a utilização da codificação binária, considere um problema que tenha
quatro variáveis x, x, x, x, em que cada uma delas seja codificada com cinco bits, da
seguinte forma:
x1 = 10100
x 2 = 01001
x 3 = 11010
x 4 = 10001
Supondo que associação destas codificações gerada randomicamente, para uma possível
solução inicial, seria representada através do cromossomo:
s1 = 10100010011101010001
Para que os valores originais das variáveis sejam recuperados, é necessário, portanto um
procedimento de decodificação.
Para uma variável discreta, a decodificação fornece um índice que localiza o valor da
variável numa lista de referência, que representa o espaço de busca para essa variável
(LEMONGE, 1999)
A título de ilustração, seja x1 = 101 . Sua decodificação vai indicar que o índice
L xU − x L
x = x + IND × nb
2 −1
É importante ressaltar que a escolha do número de bits para cada variável, o tamanho do
cromossomo e sua decodificação, dependerá de cada problema.
A escolha desses bits para codificar uma variável discreta pode ser da seguinte forma:
(Equação 3.2)
Capítulo 3 – Fundamentos do Algoritmo Genético 27
2 nb = nv Equação 3.2
Já para uma variável contínua, a decodificação fornece um valor real mostrado na Equação
3.3:
x k = x LI + IND × ε
x LS − x LI Equação 3.3
ε=
2 nb − 1
E conseqüentemente o número de bits que são necessários para que a precisão de ε seja
garantida é dado pela Equação 3.4:
x LS − x LI Equação 3.4
nb ≥ log 2
ε
Portanto, com relação a qual tipo de codificação usar, Goldberg (1990) apud Bastos (2004)
sugere que, enquanto a codificação real pode não prejudicar o processo genético em alguns
problemas e pode ser igualmente útil em outros, podem existir problemas onde a
codificação real adicione “barreiras” para a busca do ótimo global. Contudo, a codificação
real parece ser uma substituição natural da codificação binária, tão logo os teoremas de
desempenho possam ser comprovados.
Goldberg (1989) afirma que vários trabalhos já realizados comprovam que a geração da
população inicial não é um ponto crítico, desde que haja indivíduos suficientemente
variados que cubram bem o espaço de busca do problema.
Pode ser interessante utilizar uma população inicial maior que a população que será
utilizada nas gerações seguintes visando dessa forma uma melhor representação do espaço
de busca.
Existe ainda uma técnica denominada “seeding” que pode ser de grande valia em muitos
problemas práticos. Esta consiste em colocar na população inicial soluções encontradas por
outros métodos de otimização. Isto garante que a solução gerada pelo AG não seja pior que
as soluções geradas pelos outros métodos (LACERDA e CARVALHO, 1999).
Diz-se que a boa solução é aquela em que os indivíduos possuem alta aptidão, ou seja, é a
solução que melhor atende ao problema especificado, sendo a função aptidão a forma de se
medir e distinguir essas soluções.
Cada indivíduo possui um valor aptidão que está associado a ele. Para um problema de
otimização com restrições estruturais, a função aptidão pode ser definida como mostra a
Equação 3.5.
Capítulo 3 – Fundamentos do Algoritmo Genético 29
em que f (x) é a função objetivo e pen(x) é conhecida como função penalidade. Em geral
a função objetivo está ligada direta ou indiretamente ao critério econômico, e a função
penalidade está ligada às restrições.
Segundo Castilho (2003) se não houver nenhum problema de violação às restrições, o valor
da função aptidão será o próprio valor da função objetivo, sendo que o valor da função
penalidade não será considerado. As funções penalidades serão abordadas mais adiante. A
maior dificuldade quando se utiliza AG, é de definir a função penalidade que tem relação
direta com o próprio problema.
3.7 SELEÇÃO
• Seleção rank: essa seleção é feita pela classificação do valor da função aptidão, onde o
primeiro indivíduo do rank e o último receberão valores de aptidão arbitrários, sendo
que os indivíduos em melhor posição terão maiores chances de reprodução. As demais
aptidões são obtidas pela interpolação desses dois extremos através de uma reta dada
pela Equação 3.6.
2rα
pα = Equação 3.6
N pop (N pop − 1)
onde N pop é a posição do melhor valor da função aptidão, N pop − 1 o pior valor da função
• Seleção da roleta: este método de seleção foi proposto por Holland em 1975, e ainda
hoje é um dos mais implementados. É comparado com um esquema de escolha
realizado através de sorteio de uma roleta em que cada indivíduo representa de forma
proporcional seu grau de aptidão, ou seja, os indivíduos que tem melhor grau de
aptidão recebem uma parcela maior na roleta, e os que têm menor aptidão uma parcela
menor na roleta. A probabilidade de seleção p i de um indivíduo com aptidão Fi , em
Fi
pi = N pop Equação 3.7
∑F
i =1
i
i
qi = ∑ pi Equação 3.8
j =1
Durante o processo de seleção gira-se a roleta N pop vezes, elegendo os indivíduos que irão
fazer parte da nova população. Girar a roleta significa que será gerado aleatoriamente um
número r ∈ [0,1] . Se r ≤ q i diz-se que o primeiro indivíduo foi selecionado, de outra forma
é selecionado o i-ésimo indivíduo, de tal forma que q i −1 < r < q i . A Tabela 3-1 e a Figura
3-2 apresentam um exemplo de utilização desse método de seleção.
0,14
0,31
0,06
0,49
Este operador pode ser utilizado de várias formas, onde as mais empregadas são:
• Cruzamento uniforme: para este caso, cada par de pais é gerada uma máscara de
bits aleatórios que indicarão a troca do material genético. A codificação dos filhos é
Capítulo 3 – Fundamentos do Algoritmo Genético 33
obtida pela troca ou não de bits dos pais. Se a máscara tiver o bit 1 acontecerá a
troca que corresponde à sua posição, se for o bit 0 não ocorrerá nada (Figura 3-5).
Esse operador é aplicado a indivíduos com uma probabilidade dada pela taxa de mutação
Pm que deve ser pequeno (0,001 ≤ Pm ≤ 0,1) . Esta probabilidade refere-se ao total de bits
da população que deverá ser mutacionada.
Além de permitir que o algoritmo faça buscas em diferentes regiões do espaço, o processo
de mutação protege o algoritmo da perda de material genético potencialmente útil pela
aplicação dos operadores reprodução e recombinação (SOUZA JR., 2005).
O operador de mutação muda os valores dos bits, ou seja, inverte o valor de um dado bit de
1 para 0 e vice-versa. O exemplo desse operador é ilustrado na Figura 3-6.
Existem vários critérios de parada que são utilizados pelos AGs. Dentre eles, os principais
encontrados na literatura são:
Um dos aspectos mais importantes nos algoritmos genéticos são as escolhas das
configurações adequadas de seus parâmetros, taxa de cruzamento, taxa de mutação e
tamanho da população, pois disto depende a sua eficiência.
Com relação à taxa de cruzamento, se o valor for muito baixo, a convergência do algoritmo
por ser muito lenta. Quando essa taxa for maior, serão introduzidas novas estruturas mais
Capítulo 3 – Fundamentos do Algoritmo Genético 35
rapidamente na população, mas se essa taxa for demasiadamente alta, podem ocorrer
perdas de indivíduos com boas aptidões, pois a quebra desses indivíduos pode acarretar
perda de material genético.
Na engenharia, problemas com restrições em algoritmo genético tem sido tratado com
certa atenção. É óbvio que o tratamento adequado das restrições do problema também é um
ponto crítico, não só devido às restrições delimitarem o espaço de busca, mas também
porque um bom tratamento das mesmas pode melhorar a eficiência do algoritmo genético.
Muitas técnicas de tratamento para restrições são encontradas na literatura, podendo ser
agrupadas através do tipo de algoritmo, tipo de restrições e tipo de problema. Na maioria
das vezes as estratégias estão associadas a algum tipo de procedimento, como a utilização
de funções penalidades, de operadores especiais de técnicas de otimização multiobjetivo,
de métodos de co-evolução, operadores de reparo, entre outros. Abaixo estão abordadas as
principais técnicas para tratamento de restrições.
O principal objetivo para se formular uma função penalidade é que ela possa conduzir
efetivamente a busca em direção a sub-regiões promissoras do espaço de solução. Segundo
Gen e Geng (1997) apud Oliveira (2004) existem duas maneiras de se construir a função
de aptidão com uma parcela relativa à penalização. As Equações 3.9 e 3.10 mostram essas
duas maneiras:
F ( x) = f ( x) × pen( x) Equação3.10
Neste caso, se x for factível, pen (x) = 1, do contrário, pen (x) > 1.
• São flexíveis para trabalhar com restrições arbitrárias e otimizar múltiplas funções
com objetivos conflitantes;
CAPÍTULO 4
Para que a representação de um problema vise uma solução que contenha o Algoritmo
Genético (AG) como meio de resolução, é necessário que haja inicialmente a identificação
das constantes e das variáveis de projeto, seus limites, e que a função objetivo seja
definida. Essa representação pode ser feita de forma binária e real. Sendo as variáveis do
problema em estudo discretas, a forma escolhida para a representação foi a real, devido a
facilidade na interpretação do código do programa computacional.
• C: comprimento da cobertura;
• L: largura da cobertura;
Se o parâmetro da área (A) for definido pelo usuário, o mesmo assumirá dois valores
distintos, um para a base (b) e outro para a altura (h), ficando assim com duas variáveis.
Mas, se o parâmetro da área (A) assumir os valores cadastrados no banco de dados do
programa, haverá então, somente uma variável, a posição da seção transversal no banco de
dados.
Neste trabalho, a função objetivo que será minimizada está na escolha do tipo de treliça
que consuma o menor volume de peças de madeira. Para tanto, a Equação 4.1 define os
parâmetros necessários os cálculos da função objetivo.
f = L× A Equação 4.1
n
onde L = ∑ li
i =1
y
s
rça
Te θ
x
li
Para se ter uma boa eficiência dos operadores genéticos utilizados nos AGs, trabalhando de
forma adequada, é necessário que as soluções de problemas empregando o algoritmo
genético exijam que suas variáveis de projeto estejam bem representadas. Neste trabalho,
adotou-se trabalhar com as seguintes variáveis de projeto: m, θ e A, em representação real.
O modelo que será estudado neste trabalho permitirá que se use tanto o banco de dados
contendo as seções transversais de madeira encontradas no mercado, como também
permitirá que sejam adotados valores para a largura e altura da seção transversal dos
elementos.
Dessa forma, já definidas as variáveis de projeto, passa-se para o segundo passo que será
criar um espaço de busca, isto é, os possíveis valores que serão assumidos pelas variáveis.
É nessa etapa que o usuário fornece os valores exigidos pelo programa de otimização OTP,
que são os seguintes: o número de módulos na direção x (m máx ) e os ângulos de inclinação
máximo e mínimo (θ máx e θ mín ) . Foi introduzido no programa OTP um banco de dados com
algumas seções transversais, que podem ou não ser usadas pelo usuário, ou o usuário do
programa pode definir os valores para a seção transversal desejada. Foram introduzidos
também as propriedades físicas e geométricas da madeira que são necessárias para o
cálculo do dimensionamento das peças.
A distância entre uma terça e outra, pode ser feita assumindo valores de forma aleatória,
portanto, é necessário que seja fornecido ao algoritmo um comprimento máximo para as
peças de madeira. Essa restrição do tamanho máximo da peça vai evitar que o algoritmo
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 42
perca tempo fazendo buscas em regiões do espaço de busca inviáveis. Contudo, o menor
valor que a variável m poderá assumir é obtido pela Equação 4.2.
L
m mín = Equação 4.2
2l máx
valores de m máx = 12 , onde m=m/2=6, θ máx = 45º e θ mín = 25º , gerando o seguinte espaço
de busca.
m 6 8 10 12
posição 1 2 3 4
θ 25 26 27 28 29 30 ... 40 41 42 43 44 45
posição 1 2 3 4 5 6 ... 16 17 18 19 20 21
Para os valores assumidos pelo parâmetro da área da seção transversal (A), o número
máximo cadastrado no banco de dados é de 1 a 7. Lembrando, portanto, que o usuário tem
liberdade para inserir os valores que desejar às dimensões da peça que o mesmo deseja
utilizar em seu projeto.
Simulando um funcionamento dos AGs será usada uma população de 5 indivíduos. Sendo
que a inicialização dos parâmetros será aleatória.
A
m θ
(b×h)
I 1= 6 25 1
posição 1 2 3
A
m θ
(b×h)
I 2= 8 25 5
posição 1 2 3
A
m θ
(b×h)
I 3= 10 30 3
posição 1 2 3
A
m θ
(b×h)
I 4= 10 35 2
posição 1 2 3
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 44
A
m θ
(b×h)
I 5= 12 25 4
posição 1 2 3
Dessa forma, para cada valor assumido pelos indivíduos os valores da função objetivo são
apresentados usando a Equação 4.1, que são:
f ( I 1 ) = 25 .000
f ( I 2 ) = 160 .000
f ( I 3 ) = 55 .000
f ( I 4 ) = 35 .000
f ( I 5 ) = 200 .000
Associada à função objetivo tem-se a função avaliação, que tem por finalidade associar um
valor numérico, chamado de índice de aptidão, a cada indivíduo da população. Essa função
deve ter o cálculo sempre de forma rápida para que a mesma consiga fazer a avaliação de
todos os indivíduos da população, o que faz com que gere um esforço computacional muito
grande.
F
ai = Equação 4.3
fi
Portanto tem-se o seguinte valor dos índices de aptidão de cada indivíduo com um
5
F = ∑ f (I i ) = 475.000 :
i =1
a1 = 19
a 2 = 2,98
a 3 = 8,63
a 4 = 13,57
a 5 = 2,37
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 45
ai
pi = Equação 4.4
Si
Dos indivíduos gerados acima, o que melhor apresentou índice de adaptação foi o
indivíduo (I 1 ) , que possui o menor valor da função objetivo.
A próxima etapa é indicar a posição das terças, peso próprio e ação do vento. Contudo, a
ação do vento e o carregamento permanente da peça, são gerados automaticamente pelo
programa de otimização. As Figuras 4.3 e 4.4 mostram a tela de definição do carregamento
da estrutura.
Na tela de entrada da ação do vento, aparece uma tela que o usuário deve escolher para a
determinação dos coeficientes de forma interno. Essa escolha pode ser feita para quatro
casos específicos: duas faces opostas igualmente permeáveis, quatro faces permeáveis,
abertura dominante em uma das faces e estrutura estanque. De acordo com a escolha do
usuário, abrirá outra tela ou não. Se por exemplo o usuário escolher as “duas faces opostas
igualmente permeáveis” o software abrirá a seguinte tela, como mostra a Figura 4-5.
Depois de feita a geração dessas solicitações, passa-se para a escolha da estrutura que se
deseja otimizar, determinando suas propriedades físicas, que já estão arquivadas e são
geradas automaticamente quando se escolhe o tipo de madeira e sua classe de resistência.
Esses valores estão calculados de acordo com a NBR 7190 (ABNT, 1997). A Figura 4-6
ilustra essa tela, mostrando todos os valores de uma madeira do tipo dicotiledônea, classe
C-40, com todos os seus coeficientes devidamente majorados conforme a determinação da
norma.
As Figuras 4.7, 4.8 e 4.9 ilustram a configuração de esforços e dos carregamentos impostos
à estrutura. É importante ressaltar, que mesmo os carregamentos a serem distribuídos ao
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 48
longo de toda a estrutura, foi considerado apenas carregamento aplicado como forças
concentradas sobre as terças.
pp + sc
Figura 4-7 – Carregamento da estrutura pela ação do peso próprio (pp) e sobrecarga (sc)
W
W
Detalhe 1
θ
h
N cos θ
b
Seção transversal
Detalhe 1
Figura 4-9 – Ilustração dos esforços.
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 49
• sc – sobrecarga;
Contudo, é esperado que com a configuração da estrutura adotada e com suas dimensões
geométricas, a distribuição dos esforços nas peças seja distribuída por toda estrutura. O
dimensionamento é feito de forma em que a solicitação da estrutura é menor ou igual a sua
resistência, ou seja, é garantir que tenha um segurança estrutural para que a estrutura não
entre em colapso.
Depois de se fazer a avaliação dos indivíduos da população faz-se a seleção dos mesmos,
utilizando os métodos seleção. O método escolhido para ser usado neste trabalho, dentre os
muitos métodos vistos no Capítulo 3, é o método da roleta. É na fase da seleção que os
indivíduos com maiores valores de probabilidade (p), têm maiores chances de serem
escolhidos para as próximas gerações, e os com menores valores tendem a desaparecer nas
futuras gerações.
q1 = p1 = 0,41
q2 = p2 + q1 = 0,474
q3 = p3 + q2 = 0,659
q 4 = p 4 + q 3 = 0,949
q5 = p5 + q4 = 1,00
Sabe-se, contudo que a seleção é feita a partir da escolha de cinco números aleatórios que
variam entre 0 e 1, sendo eles iguais a 0,95; 0,19; 0,60; 0,45 e 0,20.
Diante dos números escolhidos, pode-se concluir que os novos indivíduos serão da
seguinte forma. O primeiro número é maior que q 4 , isso indica que o indivíduo I 4 foi
escolhido. O segundo número é menor que q1 , indica que o indivíduo I 1 foi escolhido. O
terceiro número é maior que q 2 e menor que q 3 , indicando que I 3 foi escolhido. O quarto
número é maior que q1 e menor que q 2 , escolhendo assim o indivíduo I 2 , e por fim, o
quinto número é menor que q1 sendo escolhido o indivíduo I 1 . Sendo excluído o
indivíduo I 5 , porque possuía valores de probabilidades menores.
I '1 = I 4 10 35 2
posição 1 2 3
I '2 = I1 6 25 1
posição 1 2 3
I ' 3 = I 3 10 30 3
posição 1 2 3
I '4 = I 2 8 25 5
posição 1 2 3
I '5 = I1 6 25 1
posição 1 2 3
Feita a seleção dos indivíduos que passarão para a próxima geração, são aplicados nesta
fase, os operadores genéticos, a recombinação (crossover) e a mutação. A recombinação é
feita de forma simples, ou seja, esta operação consiste apenas em trocar o material genético
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 51
dos indivíduos dois a dois, ressaltando que essa escolha é aleatória. Considerando que seja
trocado o material genético apenas dos indivíduos I 2 e I 3 tem-se:
I '2 = 6 25 1
posição 1 2 3
I '2 = 6 25 1
posição 1 2 3
Amostra 1 2 1 1
Amostra 2 1 2 1
I "2 = 10 25 1
posição 1 2 3
I "3 = 6 30 1
posição 1 2 3
I "1 = 10 35 2
posição 1 2 3
I "2 = 10 25 1
posição 1 2 3
I "3 = 6 30 1
posição 1 2 3
I "4 = 8 25 5
posição 1 2 3
I "5 = 6 25 1
posição 1 2 3
O passo seguinte é fazer a mutação, isto é, é alterar o valor de um gene escolhido de forma
aleatória dentro do conjunto de genes de toda a população. Esse operador de mutação é
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 52
aplicado aos indivíduos com uma probabilidade dada pela taxa de mutação p m , sendo que
o valor dessa taxa é pequeno e indica a quantidade de genes que serão mudados na
população. O valor adotado para p m = 0,05 , tendo um total de 20 genes e somente um
sofrerá a mutação. Dessa forma o gene escolhido foi o da posição em destaque.
I "1 = 10 35 2
posição 1 2 3
I "2 = 10 25 1
posição 1 2 3
I "3 = 6 30 1
posição 1 2 3
I "4 = 8 25 5
posição 1 2 3
I "5 = 6 25 1
posição 1 2 3
O parâmetro 3 tem um limite que varia de 1 a 7. Assim sendo, gera-se um número aleatório
dentro desse intervalo, encontrando um novo valor para esse parâmetro de n var = 4 ,
ficando a nova população:
I "'1 = 10 35 2
posição 1 2 3
I "' 2 = 10 25 1
posição 1 2 3
I " '3 = 6 30 4
posição 1 2 3
I "' 4 = 8 25 5
posição 1 2 3
I "'5 = 6 25 1
posição 1 2 3
Capítulo 4 – Algoritmo Genético Aplicados a Estruturas Planas de Madeira 53
Após ter feito todos os procedimentos anteriores, aplica-se ainda o método do elitismo, em
que o melhor indivíduo é inserido na geração seguinte. Esta fase representa o fim de uma
iteração, com isso, retorna-se ao cálculo da função objetivo, agora com os novos
indivíduos, e repete-se todo o processo até chegar a uma população ótima. A Figura 4-10
ilustra um esquema simplificado do funcionamento do algoritmo genético.
População
inicial
Avaliação
Geração da Indivíduo
estrutura melhor
adaptado
Carregamento da
estrutura
Sim
Não
Seleção
Recombinação
Mutação
CAPÍTULO 5
5.1 PRELIMINARES
Neste capítulo serão mostrados os resultados obtidos pelas análises aplicadas em três
modelos de estruturas de treliças planas, que estão subdivididas em quatro casos. Será feita
uma comparação dos valores encontrados, objetivando conhecer a melhor estrutura
necessária para as ações aplicadas e as condições impostas.
Para treliças planas de madeira foi avaliada a influência dos parâmetros do ângulo de
inclinação da cobertura e a posição das terças, bem como a distância entre as treliças e a
relação do comprimento e largura da área coberta. Portanto, é esperado dessa forma, uma
diminuição do volume de madeira para os modelos estruturais estabelecidos, que mostrem
uma melhor capacidade de resistir aos esforços solicitantes.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 55
Treliças de Madeira
A Tabela 5-3 mostra os valores que foram utilizados pelo programa de otimização OTP
para a execução do AG. Nessa execução foram usados como operadores genéticos: seleção
(método da roleta), recombinação discreta, mutação uniforme e restrita e elitismo. Definiu-
se ainda um critério de parada, ou seja, onde o programa executa o dimensionamento de n
números de estruturas e não obtendo uma melhora na função objetivo essa execução é
interrompida.
Os valores dos números dos módulos adotados dependerão do vão coberto da estrutura que
estará sendo analisada. Sendo o vão de cobertura uma constante de projeto, o valor
máximo para a variável m é fornecido pelo usuário.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 57
Treliças de Madeira
São analisados nesta seção os três casos de treliças planas já determinadas, sem, definir a
posição das terças. Neste caso, é admitido que as posições das terças coincidem com os
montantes.
• Modelo 1: 10 m × 20 m;
• Modelo 2: 12 m × 20 m;
• Modelo 3: 14 m × 20 m.
• Modelo 4: 15 m × 20 m
Os resultados das análises feitas dos modelos definidos anteriormente estão apresentados
nas Tabelas 5.4 até 5.7. O cálculo do aumento do volume de madeira é feito empregando a
Equação 5.1.
C i − C1
Aumento = .100% Equação 5.1
C1
onde:
Os gráficos das Figuras 5.4 a 5.7 ilustram a variação no consumo de madeira nos quatro
modelos analisados em função do número de módulos na direção X. A estrutura de
referência para o cálculo do aumento do volume de madeira é a estrutura com 4 módulos
na direção X.
Modelo - 10×20
m=4 m=5 m=6 m=7
0
Aumento do volume de
0
madeira (%)
-5
-10
-12,71
-15
-15,24
-18,86
-20
Modelo - 12×20
m=4 m=5 m=6 m=7
Aumento do volume de
0
0
madeira (%) -10
-20
-30
-40 -39,20
-52,81 -41,26
-50
-60
Modelo - 14×20
Aumento do volume de
14
12 12,84
madeira (%)
10
9,30
8
6
4
2 0 2,36
0
m=4 m=5 m=6 m=7
Modelo - 15×20
Aumento do volume de
3,5
3
madeira (%)
3,01
2,5
2
1,5
1
0,5 0,76
0 0,17
0
m=4 m=5 m=6 m=7
De acordo com os resultados apresentados nas Tabelas 5.4 a 5.7 e nas Figuras 5.4 a 5.7, o
consumo de madeira está simultaneamente associado ao número de módulos na direção X
e a seção transversal ótima encontrada para as barras. Percebe-se que o consumo de
madeira diminui com o aumento do número de módulos somente quando isto provoca uma
redução na seção transversal, caso contrário, o consumo de madeira aumenta, o que é
esperado, pois a quantidade de barras aumenta diretamente com o número de módulos. Por
fim, para cada modelo analisado existe um número ótimo para a quantidade de módulos na
direção X que proporciona o menor consumo de madeira.
As Figuras 5.8, 5.9 e 5.10 apresentam os valores dos índices de aproveitamento quanto ao
dimensionamento à resistência e estabilidades em torno dos eixos X e Y para a barra mais
solicitada da estrutura.
• Resistência
Resistência
das barras mais solicitadas
Índice de apreoveitamento
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m=4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade em X
Estabilidade X
das barras mais solicitadas
Índice de aproveitamento
1,3
1,0
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m=4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade em Y
Estabilidade Y
1,3
1,0
Índice de aproveitamento das
barras mais solicitadas
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
O índice de aproveitamento das seções transversais para a treliça Howe foi obtido por meio
do programa computacional GESTRUT. Os resultados ilustrados nas Figuras 5.8, 5.9 e
5.10 para os índices de aproveitamento apresentam uma dispersão significativa, o que pode
ser explicado pelo fato da variável seção transversal ser discreta e interferir fortemente na
otimização da estrutura. Contudo, nota-se que os maiores valores para os índices de
aproveitamento estão associados à estabilidade em torno do eixo Y, de menor inércia.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 64
Treliças de Madeira
As Tabelas 5.11 a 5.14 mostram as estruturas escolhidas pelo programa de otimização OTP
que demonstram o menor custo no consumo de madeira.
Os gráficos das Figuras 5.11 até 5.14 ilustram como se distribuíram os volumes de madeira
para os casos analisados. O valor do volume de madeira tende à aumentar a medida que a
seção transversal das peças encontradas e o número de módulos aumentam, fazendo com
que o valor do custo aumente.
Modelo - 10×20
m=4 m=5 m=6 m=7
0
0
Variação do volume de
-2
madeira (%)
-4
-6
-6,02
-8
-8,31
-10
-12 -10,96
Modelo - 12×20
m=4 m=5 m=6 m=7
0
0
Variação do volume de
-10
madeira (%)
-20
-30
-40
-43,31
-50
-55,80 -52,69
-60
Modelo - 14×20
Variação do volume de
10
0 0,98
0
madeira (%)
-10
-20
-30
-36,60
-40 -38,63
-50
m=4 m=5 m=6 m=7
Modelo - 15×20
Variação do volume de
15
12,40
madeira (%)
10
7,93
5 4,09
0
0
m=4 m=5 m=6 m=7
Como visto na análise feita para a Treliça Howe, os resultados das distribuições dos
volumes encontrados para a treliça Pratt, se deram de forma semelhante. Observa-se que
quando se aumenta o número de módulos na direção X ocorre uma redução no volume de
madeira utilizada para montar a estrutura somente quando há a redução das dimensões da
seção transversal.
• Resistência
Resistência
das barras mais solicitadas
Índice de aproveitamento
1,0
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade X
1,0
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade Y
Estabilidade Y
das barras mais solicitadas
Índice de aproveitamento
1,3
1,0
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
Nesta seção será realizada a análise da treliça do tipo Belga. Este estrutura tem uma
configuração geométrica diferenciada das estruturas de treliça usualmente empregada para
cobertura. Contudo, de acordo com a literatura este modelo estrutural apresenta um
comportamento estrutural mais avantajado se comparado com as treliças já vistas nas
Seções anteriores, o que justifica seu estudo neste trabalho.
As Tabelas 5.18, 5.19, 5.20 e 5.21 mostram os resultados obtidos para as variáveis de
projeto e para a função objetivo (volume de madeira) pelo programa de otimização OTP.
Os valores encontrados para a treliça tipo Belga apresentados nas Tabelas 5.18, 5.19, 5.20
e 5.21 mostram que independentemente das dimensões atribuídas para a largura da
cobertura, as dimensões da seção transversal e o número de divisões na direção X
influenciam significativamente na otimização do volume de madeira. Como exemplo, o
modelo 10 m × 20 m, para m=4, a melhor estrutura gerada numa iteração de 100 gerações
para uma população de 50 indivíduos forneceu uma seção transversal de 50 mm × 70 mm,
enquanto que para m=7 a seção transversal ótima é de 50 mm × 50 mm. Sendo para esse
caso a melhor estrutura m=7, pois possui uma seção transversal menor, contudo um
volume de madeira maior pois aumentou-se o número de barras na estrutura final.
Modelo - 10×20
Variação do volume de
5
4,11
madeira (%) 0 0
-5
-10
-12,19 -13,47
-15
m=4 m=5 m=6 m=7
Modelo - 12×20
Variação do volume de
0
0
madeira (%)
-5
-10
-12,29
-15
-18,07
-20 -22,25
-25
m=4 m=5 m=6 m=7
Modelo - 14×20
Variação do volume de
10
madeira (%)
8 7,74
6
4,34
4
2,53
2
0
0
m=4 m=5 m=6 m=7
2
0
0 -0,17
-2
m=4 m=5 m=6 m=7
Dentre os casos analisados para a treliça Belga, o que apresentou a redução no volume de
madeira mais significativa foi o modelo 14 m × 20 m, onde para um m = 5 o valor do
volume de madeira encontrado pela Equação 5.1 foi de 44,79 % em relação ao modelo 10
m × 20 m. Por outro lado, para o modelo de 15 m × 20 m a seção transversal otimizada foi
a mesma para todos os casos analisados, logo o consumo de madeira aumentou diretamente
com o aumento do número de módulos na direção X, conseqüência do aumento do número
de barras para formar a estrutura.
• Resistência
Resistência
0,8
das barras mais solicitadas
Índice de aproveitamento
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade X
Estabilidade X
1,0
das barras mais solicitadas
Índice de aproveitamento
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade Y
Estabilidade Y
1,3
Índice de aproveitamento das
barras mais solicitadas
1,0
0,8
0,5
0,3
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
Com o intuito de comparar e conferir resultados que forneça a estrutura com uma
configuração geométrica ótima, ou seja, com dimensões de seções transversais adequadas
para que o consumo e o volume de madeira permitam ter custos menores e,
dimensionamentos que atendam com segurança as restrições e exigências determinadas por
norma, foram avaliados os modelos já apresentados na Seção 5.2. Nesta seção, serão
avaliadas estruturas com a posição das terças definidas pelo usuário, usando o programa de
otimização OTP.
Conforme o procedimento feito na Seção 5.2, foram analisados três tipos de treliças para
quatro modelos cuja largura da área coberta da estrutura foi variada e o comprimento se
manteve fixado.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 75
Treliças de Madeira
• Modelo 1: 10 × 20 m;
• Modelo 2: 12 × 20 m;
• Modelo 3: 14 × 20 m;
• Modelo 4: 15 × 20 m.
As posições das terças foram fixadas. Os valores utilizados para o posicionamento das
terças nas estruturas são mostrados na Tabela 5-16. Foi determinada ainda uma população
inicial de 50 indivíduos gerados aleatoriamente, seção transversal escolhida por meio do
banco de dados, madeira dicotiledônea da classe C60.
10×20 10 130 250 370 490 510 630 750 870 990
12×20 10 120 240 360 480 590 610 720 840 960 1080 1190
14×20 10 110 230 350 470 580 690 710 820 930 1050 1170 1290 1390
15×20 10 100 220 340 460 570 680 740 760 820 930 1040 1160 1280 1400 1490
Os resultados dessas análises dos volumes de madeira para cada tipo de treliça estão
mostrados nas Tabelas 5.17 a 5.19.
• Modelo 10 m×20 m
A Figura 5-25 ilustra o gráfico da distribuição do volume de madeira para os três tipos de
treliças analisados para o modelo 10 m × 20 m para as verificações de m=4.
Modelo - 10×20
Variação do volume de
15 11,14
madeira (%)
0,00 2,90
0
-17,50
-15 -17,85
-20,07 -20,55
-23,35
-30 -28,15
-39,01
-45
m=4 m=5 m=6 m=7
Tre liç a Ho we Tre liç a P ra tt Tre liç a B e lga
• Modelo 12 m×20 m
A Figura 5-26 ilustra o gráfico da variação do volume de madeira para os três tipos de
treliças do modelo de 12 m × 20 m.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 78
Treliças de Madeira
Modelo - 12×20
Variação do volume de
10 0,00
4,15
2,74
madeira (%)
0 -5,18
-10
-17,29
-20 -20,33
-30 -37,36
• Modelo 14 m×20 m
A Figura 5-27 ilustra o gráfico da distribuição do volume de madeira para os três tipos de
treliças do modelo de 14 m × 20 m.
Modelo - 14×20
Variação do volume de
15 13,94
10
madeira (%)
8,94 9,58
5,52 5,84
5
0,00
2,61 0,69
0
-2,72
-5 m=4 m=5-4,46 m=6 m=7
-10
Tre liç a Ho we Tre liç a P ra tt Tre liç a B e lga
• Modelo 15 m×20 m
A Figura 5-28 ilustra o gráfico da variação do volume de madeira para os três tipos de
treliças do modelo de 15 m×20 m.
Modelo - 15×20
Variação do volume de
15
10
madeira (%)
9,76
7,98 18,00
4,49 3,85
5
0,00 4,67
0 -0,61
-5 -5,68
-10 -8,37
Como visto nas análises para os modelos de treliças onde não se tinha fixado a posição das
terças, observou-se que o aumento do volume de madeira é diretamente proporcional ao
aumento do número de divisões de m na direção X, quando não há diminuição nas
dimensões da seção transversal. Não obstante, para os modelos de 14 m×20 m e 15 m×20
m, não houve redução nas dimensões da seção transversal em nenhum caso analisado.
5.3.2 Verificação dos índices de aproveitamento das barras mais solicitadas fornecida
pela iteração de n gerações nas três formas de estrutura de treliça
• Resistência
Índice de aproveitamento das
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m=4 m=5 m=6 m=7
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
Pode-se observar a partir dos resultados encontrados para os três casos de treliças
analisados que, em geral a treliça Belga apresentou os menores valores para o índice de
resistência, o que está diretamente associado ao melhor comportamento estrutural deste
modelo se comparado com os modelos do tipo Howe e Pratt. Contudo, a treliça Belga
apresenta o maior consumo de madeira.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 83
Treliças de Madeira
• Estabilidade X
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
• Estabilidade Y
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
10×20 12×20 14×20 15×20
m =4 m =5 m =6 m =7
Por meio das avaliações vistas nas Seções anteriores, será mostrada nesta Seção a
comparação dos resultados entre os modelos estruturais estudados com o objetivo de
identificar qual dos modelos estudados teve o melhor comportamento em função do custo.
As Tabelas 5.29 a 5.32 mostram os resultados obtidos nas análises dos modelos
comparando os três modelos estruturais com o objetivo de identificar a estrutura com
melhor desempenho estrutural e com o menor custo.
• Modelo 10×20 m
30 Treliça Howe -
terças definidas
20
Treliça P ratt -
10 terças definidas
0 Treliça Belga -
m=4 m=5 m=6 m=7 terças definidas
• Modelo 12×20 m
Modelo 12×20
140
Variação do volume de madeira (%)
Treliça Howe
120
Treliça Pratt
100
80 Treliça Belga
• Modelo 14×20 m
70
60 Treliça Belga
50
40 Treliça Howe - terças
(%)
30 definidas
• Modelo 15×20 m
Modelo 15×20
18 Treliça Howe
Variação do volume de madeira (%)
16
14 Treliça Pratt
12
Treliça Belga
10
8 Treliça Howe - terças
definidas
6
Treliça Pratt - terças
4 definidas
2 Treliça Belga - terças
definidas
0
m=4 m=5 m=6 m=7
As Figuras 5.44 a 5.47 ilustram como as estruturas se deslocaram quando são aplicadas as
forças e definidas as terças. Para facilitar a visualização foi utilizado a ferramenta de fator
de ampliação de deslocamento fornecido pelo programa Gestrut, aumentando esse fator de
1 para 10.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 89
Treliças de Madeira
9
7 14 18 11
5 10 22 13
6 26
y 3 15
2 13 15 17 29
3 7 9 19 21
5 11 23 25 27 16
1
x 1
14 28
2
4 24
3,07 4 8 6 12 8 16 10 20 12 3,07
11
18 22
9 13
14 26
7 19 15
10
30
15 17 21 23 17
5
6 11 13 25 34
3 27
9 19
y 2 5
7 29
31 37
3 33 35
1 36 20
1 x 2 4 4 8 6 12 8 16 10 20 12 24 14 28 16 32 18
1,46 1,46
14 18
7 11
10
5 22
13
6 15 26
3 15
y 2 9
11 13 17 19
21
25 29
5 7 23
3 27
1 16
x 1 2 4 4 8 12 16 10 20 12 24 14 28
6 8
1,16 1,16
11
18 22
9 13
14 26
19
7 15
5 10 30
15 17
3 6 21 23 17 34
y 7 9
13 25
29
31 19
37
2 3 5 11 27 33 35
20
1 x 1 2 4 4 8 6 12 8 16 10 20 12 24 14 28 16 32 18 36
0,70
Como pode ser observado, os deslocamentos não variaram muito de uma estrutura para
outra, o que modifica são os valores das forças aplicadas nos nós, e a distribuição da
configuração das barras ao longo de toda a estrutura.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 90
Treliças de Madeira
A Tabela 5-33 mostra os valores dos deslocamentos por barra em toda a estrutura.
Observa-se que os resultados encontrados mostram que a estrutura que mais se deslocou
foi a de m=4, onde as terças coincidiam com os montantes, sendo as barras de 6 a 11 as
que mais sofreram deslocamentos.
Nota-se que a Figura 5-42 apresentou uma configuração diferenciada na distribuição das
barras em relação às outras figuras apresentadas. Isto ocorre, devido ao fato de que a
estrutura encontrada segue a melhor configuração sugerida pelo programa OTP, sem a
preocupação com o arranjo que pode levar a problemas construtivos.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 91
Treliças de Madeira
Diante de um caso real de estrutura treliçada do tipo Howe, fez-se uma avaliação da
melhor estrutura que poderia ser encontrada através do programa de otimização OTP, na
busca da estrutura com o menor custo.
O modelo escolhido tem suas terças já definidas com o tamanho comercial das telhas. A
Figura 5-46 ilustra as características definidas pela estrutura que possui 18 m de largura da
área coberta por 20 m de comprimento, e com uma divisão de números de módulos na
direção X de m=6.
Os valores atribuídos para a posição das terças estão mostrados na Tabela 5-34, bem como
os resultados encontrados no programa de otimização OTP, onde foram analisados
estruturas com números de módulos variados, ou seja, m=4, m=5 e m=7.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 92
Treliças de Madeira
18×20 10 131 231 391 551 711 890 910 1089 1249 1409 1569 1669 1790
A Figura 5-47 ilustra como se deu a variação do volume da estrutura otimizada em função
do número de módulos na direção X igual a 6.
Modelo 18 × 20
Variação do volume de madeira
20
15
10
(%)
5
0
-5
m=4 m=5 m=6 m=7
Treliça Howe
As Figura 5-48 ilustram como se distribuiu a função custo durante as gerações a melhor
estrutura para o modelo analisado.
Para efeito de comparação de resultados foi analisado o aumento do volume para número
de divisões menores e maiores que o valor atribuído. Dessa maneira, pode-se observar que
o volume para m=4 e m=5 é baixo devido ao fato de terem menor número de peças de
madeira a serem empregados na execução da estrutura. O contrário ocorre para m=7,
mesmo que todas as estruturas apresentem o mesmo valor da seção transversal encontrada
através do programa OTP.
Modelo 18 × 20
Índice de aproveitamento das
barras mais solicitadas
1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
Resistência Estabilidade X Estabilidade Y
A estrutura real analisada possui uma configuração geométrica bem distribuída com
banzos superiores e inferiores de seção transversal 6 cm × 16 cm e 6 cm × 12 cm,
respectivamente, montantes com peça duplas de 2(2,5 cm × 15 cm) e diagonais 6 cm × 16
cm e ângulo de inclinação 20º. As distâncias entre as terças e os montantes estão mostradas
na Figura 5-46.
Figura 5-50 – Estrutura otimizada gerada pelo programa de otimização com m=6
Para o caso otimizado, as posições das terças foram definidas e as posições dos montantes
ficaram livres. Nota-se uma concentração de montantes na região próxima ao apoio,
denotando uma situação imprópria do ponto de vista construtivo e visual. Isto é
conseqüência da imposição da fixação do número de tramos m=6. Certamente, que a
estrutura não exige esse número de tramos, parecendo ser suficiente usar m=4 ao se
transformar o agrupamento de três tramos em apenas um. É o que a Figura 5-51 mostra,
revelando uma estrutura visualmente mais harmônica. Nesta configuração a inclinação é
maior, passa de 15° (m=6) para 17° (m=4). No caso da estrutura real as posições das terças
coincidem com as dos montantes.
A Tabela 5-36 compara os resultados entre os dois casos mostrando a diferença entre a
estrutura real e a estrutura otimizada. Também pode ser observado que a estrutura com
m=4 apresenta melhor comportamento em relação aos índices de aproveitamento e redução
do consumo de madeira.
Capítulo 5 – Análise da Eficiência de Modelos Estruturais para o Dimensionamento de 96
Treliças de Madeira
Outra questão que pode ser levantada refere-se ao fato do índice de aproveitamento ter
atingido 0,752. Certamente o ponto ótimo não atingiu 1,000 tendo em vista que a seção
transversal usada é comercial, ou seja, os valores das dimensões das seções transversais se
alteram abruptamente, não permitindo atingir a situação ideal.
Capítulo 6 – Conclusão e Propostas para Trabalhos Futuros 97
CAPÍTULO 6
Para se ter um entendimento mais detalhado do trabalho realizado é feito neste capítulo
uma revisão das principais conclusões encontradas nas análises efetuadas.
Foram estudados três casos de treliças planas do tipo duas águas aplicando o método dos
AGs na otimização do menor volume de madeira a ser empregado nas estruturas. A
avaliação foi feita para quatro modelos de configurações geométricas distintas e da relação
comprimento/largura da área coberta.
A avaliação foi executada por meio do programa de otimização de estruturas planas OTP
baseado no método dos AGs. Para análises complementares foi utilizado o programa
computacional GESTRUT específico para a determinação de esforços, deslocamentos e,
dimensionamento de estruturas.
Foi avaliado o comportamento mecânico das estruturas quando se define a posição das
terças, definido pelo usuário em função das dimensões das telhas a serem empregadas, e
quando não se define essas posições. Sabe-se, portanto, que ao definir a posição das terças
os montantes não coincidem com as mesmas.
definir, de maneira geral, o modelo de treliça indicado para qualquer situação. Pelo
contrário, dadas as dimensões do vão coberto é necessário que se faça a otimização do
sistema estrutural.
O índice de aproveitamento das seções transversais das treliças foi obtido por meio do
programa de dimensionamento de estruturas GESTRUT, e como esperado, em todos os
casos analisados, o parâmetro crítico no dimensionamento é a estabilidade em torno do
eixo Y.
Verifica-se que impondo a posição das terças na estrutura, o consumo de madeira ótimo
aumenta se comparado com o mesmo caso em que as posições das terças coincidem com
os montantes.
Também foi feita uma comparação entre uma estrutura real e uma estrutura otimizada para
avaliar o desempenho mecânico. Notou-se o esperado, ou seja, a estrutura otimizada
apresentou valores menores de cálculo no dimensionamento da estrutura.
Como proposta para trabalhos futuros podem ser realizadas novas otimizações com
diferentes casos de arranjos estruturais. Além disto, sugerir a implementação no programa
computacional OTP de situações onde seja possível usar diferentes seções transversais
entre banzos, montantes e diagonais.
REFERÊNCIAS
CAMP, C. V.; BICHON, B. J. Design of space trusses using ant colony optimization.
Journal of Structure Engineering. v. 130, n. 5, p. 741-751, May, 2004. Disponível em:
< [Link] Acesso em: 30 nov. 2006.
Referências 101
MAN, K. F.; TANG, K. S.; KWONG, S. Genetic algorithms: concepts and designs.
London: Springer, 2001. 344 p.