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O Que É Constipação: Causas Funcionais (Sem Lesão Orgânica)

A constipação intestinal é caracterizada pela dificuldade em evacuar, com critérios clínicos definidos. As causas incluem fatores funcionais e secundários, sendo comum em idosos devido a múltiplos fatores. O tratamento envolve aumento da ingestão de fibras, hidratação e atividade física, além de investigar causas subjacentes.
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O Que É Constipação: Causas Funcionais (Sem Lesão Orgânica)

A constipação intestinal é caracterizada pela dificuldade em evacuar, com critérios clínicos definidos. As causas incluem fatores funcionais e secundários, sendo comum em idosos devido a múltiplos fatores. O tratamento envolve aumento da ingestão de fibras, hidratação e atividade física, além de investigar causas subjacentes.
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1.

O que é Constipação
Constipação intestinal (ou obstipação) é a diminuição da frequência evacuatória ou
dificuldade persistente para eliminar fezes, podendo se manifestar como evacuações
infrequentes, fezes endurecidas, esforço excessivo, sensação de evacuação incompleta
ou obstrução anal.

Critério clínico (Roma IV):


Presença de dois ou mais sintomas por pelo menos 3 meses, com início há 6 meses:

 Evacuações ≤ 3 vezes/semana
 Esforço em >25% das evacuações
 Fezes duras (Escala de Bristol tipo 1–2)
 Sensação de evacuação incompleta
 Sensação de obstrução anal
 Necessidade de manobras digitais para evacuar

2. Fisiologia da Evacuação (como ocorre)


A evacuação depende da coordenação entre o peristaltismo colônico, a integridade
neuromuscular e o reflexo retoanal inibitório.

Etapas fisiológicas:

1. Motilidade colônica: movimentos peristálticos impulsionam as fezes em


direção ao reto.
2. Acúmulo no reto: distensão retal → estímulo de receptores de estiramento.
3. Reflexo de defecação: mediado pelo plexo mioentérico e nervos pélvicos →
relaxamento do esfíncter anal interno.
4. Controle voluntário: o córtex decide relaxar o esfíncter anal externo →
expulsão fecal.

Se houver alteração em qualquer ponto (motilidade, sensibilidade retal, força do


assoalho pélvico ou inervação), ocorre retenção fecal → constipação.

3. Causas mais comuns


Causas funcionais (sem lesão orgânica)

 Baixa ingestão de fibras e líquidos


 Sedentarismo
 Supressão voluntária do desejo evacuatório
 Uso crônico de laxantes (efeito rebote)
 Transtornos psicológicos (ansiedade, depressão)
Causas secundárias (orgânicas ou medicamentosas)

 Medicamentos: opioides, antidepressivos tricíclicos, anticolinérgicos, ferro,


cálcio, anti-hipertensivos (bloqueadores de canal de cálcio)
 Doenças endócrinas/metabólicas: hipotireoidismo, diabetes, hipercalcemia
 Doenças neurológicas: Parkinson, AVC, lesão medular
 Doenças intestinais: megacólon, neoplasia de cólon, estenoses, fissura anal
 Distúrbios do assoalho pélvico: anismo (não relaxamento do esfíncter)

4. Constipação em Idosos (é normal?)


 Parcialmente sim, mas não é fisiológica: é frequente, não “normal”.
 Ocorre por múltiplos fatores:
o Redução da motilidade intestinal (perda de neurônios entéricos e plexo
mioentérico)
o Menor ingestão de fibras e líquidos
o Uso de muitos medicamentos
o Menor atividade física
o Disfunção do assoalho pélvico
o Doenças crônicas (Parkinson, AVC, DM)

Importante: Sempre investigar causas secundárias em idosos, pois constipação pode


ser sinal de câncer colorretal.

5. Achados Semiológicos
Anamnese

Perguntar:

 Frequência evacuatória e aspecto das fezes (usar Escala de Bristol)


 Esforço ou dor ao evacuar
 Sensação de evacuação incompleta
 Dieta (fibras e líquidos)
 Medicamentos em uso
 História de doenças endócrinas, neurológicas ou cirurgias
 Presença de sangue nas fezes, perda de peso, anemia (sinais de alarme)
Exame físico

1. Inspeção abdominal: distensão, ruídos hidroaéreos diminuídos.


2. Palpação: cólon palpável, fecaloma (massa endurecida).
3. Toque retal:
o Presença de fezes endurecidas;
o Avalia tônus do esfíncter e sensibilidade;
o Detecta fissuras, hemorróidas, tumores.

Sinais de alarme → investigar com exames:

 Sangramento retal
 Perda de peso não intencional
 Anemia ferropriva
 História familiar de câncer colorretal
 Início súbito após os 50 anos

6. Exames Necessários
Exames básicos:

 Hemograma: anemia (sugere neoplasia oculta)


 TSH: descartar hipotireoidismo
 Glicemia: investigar diabetes
 Cálcio sérico: hipercalcemia pode reduzir motilidade

Exames específicos:
 Pesquisa de sangue oculto nas fezes
 Colonoscopia: se houver sinais de alarme, idade >50 anos, ou alteração do
hábito recente
 Enema opaco (menos usado atualmente)
 Manometria anorretal: avalia reflexos e coordenação dos esfíncteres
 Tempo de trânsito colônico (com marcadores radiopacos)

7. O que observar na consulta médica


Durante a consulta, o estudante/médico deve:

1. Avaliar padrão evacuatório habitual e mudanças recentes.


2. Observar sinais de alarme (anemia, sangue, emagrecimento).
3. Revisar uso de medicamentos constipantes.
4. Avaliar estado nutricional e hidratação.
5. Verificar mobilidade, doenças neurológicas, e função cognitiva.
6. Examinar o abdome e realizar toque retal sempre que possível.
7. Propor mudanças no estilo de vida antes de iniciar laxantes.

8. Medidas Gerais e Conduta


 Aumentar fibras alimentares: frutas, verduras, aveia, linhaça.
 Ingestão hídrica adequada: ≥ 2 L/dia.
 Atividade física regular.
 Treino evacuatório: tentar evacuar após refeições (reflexo gastrocólico).
 Evitar uso prolongado de laxantes estimulantes.

Referências

 BRASIL. Guia de Vigilância em Saúde – Volume 1. 6ª ed. Brasília: Ministério


da Saúde, 2024.
 HARRISON. Princípios de Medicina Interna. 21ª ed. McGraw Hill, 2022.
 ROBBINS & COTRAN. Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 10ª ed.
Elsevier, 2022.
 UPTODATE. Evaluation and management of constipation in adults. 2025.

RATO DIGESTIVO ALTO


📍 O que é
Compreende:

 Boca
 Faringe
 Esôfago
 Estômago
 Duodeno (até a papila de Vater)

É responsável pela ingestão, digestão inicial e transporte do alimento.

⚙️Fisiologia

1. Ingestão e mastigação → fragmentação mecânica e mistura com a saliva


(amilase salivar inicia digestão de carboidratos).
2. Deglutição → reflexo coordenado entre faringe, esôfago e esfíncter esofágico
inferior.
3. Estômago → secreta HCl e pepsina, iniciando digestão de proteínas; mistura o
alimento formando o quimo.
4. Esôfago → transporte peristáltico; o esfíncter impede refluxo.

⚠️Causas mais comuns de alterações

 Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)


 Gastrite / úlcera péptica (H. pylori, AINEs, álcool, estresse)
 Esofagite (refluxo, fármacos, infecções em imunodeprimidos)
 Hérnia de hiato
 Neoplasias esofágicas ou gástricas

👵 Causas e alterações comuns em idosos

 Diminuição da motilidade esofágica → disfagia leve.


 Redução da secreção gástrica e da mucosa protetora → gastrite atrófica.
 Uso frequente de AINEs e polifarmácia → úlceras e refluxo.
 Redução da sensibilidade → sintomas menos evidentes (ex: dor discreta).
 Maior risco de hemorragia digestiva alta.

🔎 Achados semiológicos

 Piroses (azia, queimação retroesternal)


 Regurgitação ácida / gosto amargo
 Náuseas e vômitos (hematêmese → suspeitar de HDA)
 Epigastralgia (queimação, dor pós-prandial)
 Disfagia / odinofagia
 Sinais de alarme: emagrecimento, anemia, melena, vômitos persistentes

🧪 Exames importantes

 Endoscopia digestiva alta (EDA) → principal exame.


 Pesquisa de H. pylori (teste respiratório, biópsia ou antígeno fecal).
 Hemograma → anemia ferropriva pode sugerir perda digestiva.
 Teste de sangue oculto nas fezes (rastreio).
 pHmetria e manometria esofágica (casos de refluxo refratário).

🔹 TRATO DIGESTIVO BAIXO


📍 O que é

Inclui:

 Jejuno
 Íleo
 Cólon
 Reto
 Ânus

Responsável pela absorção de nutrientes, formação e eliminação das fezes.

⚙️Fisiologia

1. Intestino delgado (jejuno e íleo):


o Principal absorção de nutrientes (aminoácidos, glicose, lipídios,
vitaminas).
o Enzimas pancreáticas e bile atuam na digestão.
2. Intestino grosso:
o Absorção de água e eletrólitos.
o Formação e armazenamento das fezes.
o Presença de microbiota intestinal → fermentação e síntese de vitaminas
(K, B12).

⚠️Causas mais comuns de alterações

 Diarreias (infecciosas, parasitárias, inflamatórias, medicamentosas)


 Constipação intestinal
 Síndrome do intestino irritável (SII)
 Doença diverticular
 Neoplasias colorretais
 Doença inflamatória intestinal (Crohn, retocolite ulcerativa)

👵 Alterações comuns em idosos

 Constipação crônica (redução da motilidade e da ingesta de fibras/água)


 Diverticulose colônica
 Incontinência fecal (fragilidade do esfíncter anal)
 Maior risco de neoplasia de cólon e reto
 Uso de polifármacos (opiáceos, antidepressivos) que agravam constipação

🔎 Achados semiológicos

 Alteração do hábito intestinal (frequência, consistência, forma)


 Diarreia ou constipação persistente
 Dor abdominal difusa ou localizada (ex: fossa ilíaca esquerda em diverticulite)
 Sangue nas fezes (melena = sangue digerido; hematoquezia = sangue vivo)
 Flatulência, distensão abdominal
 Tenesmo (vontade de evacuar sem eliminação de fezes)
 Perda de peso e anemia → pensar em câncer colorretal

🧪 Exames importantes

 Exame de fezes (parasitológico, cultura, sangue oculto, calprotectina).


 Colonoscopia → padrão ouro para investigar cólon e reto.
 Enema opaco (em locais sem colonoscopia).
 Teste de função pancreática / absorção (quando má absorção suspeita).
 Tomografia de abdome / RM pélvica (complicações, tumores).

🩺 O que observar na consulta médica


Durante anamnese e exame físico, preste atenção em:

🧩 História clínica

 Localização e tipo da dor abdominal.


 Relação com alimentação.
 Presença de náuseas, vômitos, pirose, disfagia, regurgitação.
 Alterações do hábito intestinal.
 Medicamentos em uso (AINEs, laxantes, opioides).
 História familiar de câncer gastrointestinal.
 Presença de sangue nas fezes ou vômitos.
 Perda ponderal não explicada.

🩹 Exame físico

 Inspeção abdominal: distensão, cicatrizes, movimentos peristálticos.


 Ausculta: ruídos hidroaéreos.
 Palpação: dor, massas, visceromegalias.
 Percussão: timpanismo (gases), macicez (líquido ou massa).
 Toque retal: avaliar tônus, massas, sangue.

📋 RESUMO ESQUEMÁTICO
Região Função principal Doenças comuns Exames principais
Trato Digestão inicial (saliva, DRGE, gastrite, úlcera, H. Endoscopia, pHmetria,
alto ácido gástrico, enzimas) pylori, câncer gástrico teste H. pylori
Constipação, diarreia, DII,
Trato Absorção, formação e Colonoscopia, exame de
diverticulite, câncer
baixo eliminação das fezes fezes, TC abdome
colorretal

44 anos problema a mais de vinte anos

DIARREIA ALTA – CONCEITO GERAL


A diarreia alta é aquela originada no intestino delgado (intestino delgado –
duodeno, jejuno e íleo).
➡️Caracteriza-se por grande volume fecal, fezes aquosas, pouca ou nenhuma
presença de muco ou sangue, e frequência moderada (3–6 evacuações/dia).

⚙️FISIOLOGIA E MECANISMO
O intestino delgado é responsável por:

 Absorver cerca de 80–90% da água ingerida;


 Absorver nutrientes (glicose, aminoácidos, lipídios, íons e vitaminas);
 Secretar muco e enzimas digestivas.

Quando há alteração na absorção ou aumento na secreção intestinal, ocorre diarreia.

🔬 Mecanismos fisiopatológicos principais:

1. Diarreia osmótica: presença de substâncias não absorvidas (ex.: lactose em


intolerantes) → retenção de água na luz intestinal.
2. Diarreia secretória: aumento da secreção de água e eletrólitos (ex.: toxinas
bacterianas – Vibrio cholerae).
3. Diarreia exsudativa/inflamatória: dano à mucosa com exsudação de muco e
sangue (ex.: doença celíaca, Crohn).
4. Diarreia por alteração de motilidade: trânsito intestinal acelerado (ex.:
hipertireoidismo, síndrome do intestino irritável).

⚠️CAUSAS MAIS COMUNS


1. Agudas (até 14 dias):

 Infecções virais (Rotavírus, Norovírus);


 Infecções bacterianas (Salmonella, E. coli enterotoxigênica);
 Parasitoses (Giardíase);
 Intoxicação alimentar.

2. Crônicas (> 4 semanas):

 Doença celíaca;
 Doença de Crohn;
 Síndrome do intestino irritável (SII);
 Insuficiência pancreática;
 Intolerância à lactose;
 Supercrescimento bacteriano.
👴 DIARREIA EM IDOSOS – CAUSAS NORMAIS
OU FREQUENTES
 Uso de laxantes, antibióticos ou antiácidos com magnésio;
 Atrofia da mucosa intestinal → absorção reduzida;
 Disbiose intestinal (alteração da microbiota);
 Doenças crônicas associadas: diabetes, insuficiência pancreática, doença
diverticular;
 Fatores dietéticos: dieta pobre em fibras ou com excesso de alimentos
industrializados.

⚠️Atenção: em idosos, a desidratação ocorre rapidamente e pode evoluir para


insuficiência renal aguda e distúrbios eletrolíticos graves.

🔎 ACHADOS SEMIOLÓGICOS
Durante o exame clínico, observar:

 Sinais de desidratação: mucosas secas, hipotensão postural, taquicardia,


diminuição da diurese;
 Abdome: ruídos hidroaéreos aumentados, distensão, dor difusa ou
periumbilical;
 Fezes: volumosas, aquosas, sem sangue (características de origem alta);
 Perda ponderal e astenia (em casos crônicos);
 Sinais carenciais (hipovitaminose, anemia por má absorção).

🩺 O QUE INVESTIGAR NA CONSULTA


Anamnese detalhada:

 Início, duração e frequência das evacuações;


 Consistência e aspecto das fezes (usar escala de Bristol);
 Relação com alimentos, medicamentos ou viagens;
 Sintomas associados: febre, náusea, dor abdominal, perda de peso;
 História de doenças crônicas ou uso de fármacos.

🔬 EXAMES COMPLEMENTARES
1. Laboratoriais:

 Hemograma completo (anemia, leucocitose);


 Ionograma (Na⁺, K⁺, Cl⁻);
 Função renal (ureia e creatinina);
 Glicemia e TSH (alterações metabólicas);
 Pesquisa de sangue oculto nas fezes.

2. Coprológicos:

 Parasitológico de fezes (3 amostras);


 Cultura de fezes (susp. bacteriana);
 Pesquisa de gordura fecal (má absorção);
 pH fecal e substâncias redutoras (intolerância à lactose);
 Teste respiratório de hidrogênio (supercrescimento bacteriano).

3. Endoscópicos e de imagem:

 Colonoscopia e enteroscopia (suspeita de doença inflamatória ou tumoral);


 Ultrassom abdominal e tomografia (casos com dor persistente ou massas).

🧠 HIPÓTESE DIAGNÓSTICA – EXEMPLO


PRÁTICO
Paciente: mulher de 44 anos, constipação crônica, mas há 5 dias apresenta fezes
pastosas volumosas, sem sangue, associadas a distensão e cólicas leves.
Histórico: uso crônico de AINES e dieta rica em laticínios.

👉 Hipóteses principais:

1. Intolerância à lactose (diarreia osmótica);


2. Disbiose intestinal;
3. Enteropatia induzida por AINE;
4. Diarreia funcional (SII tipo diarreica).

💊 PLANO TERAPÊUTICO
1. Medidas gerais:

 Hidratação oral rigorosa (Soro de reidratação oral ou isotônicos);


 Dieta leve (evitar leite, gorduras e alimentos ultraprocessados);
 Fracionar refeições e aumentar fibras solúveis gradualmente (ex.: aveia).

2. Tratamento específico conforme etiologia:

Causa Conduta
Infecciosa viral Hidratação e dieta; antibióticos não indicados
Bacteriana invasiva (ex.: Antibióticos conforme antibiograma
Shigella)
Parasitária (Giardia) Metronidazol 250 mg 8/8h por 5–7 dias
Intolerância à lactose Restrição temporária de lactose; enzima lactase
SII tipo diarreica Antiespasmódicos e probióticos; manejo do
estresse
Má absorção pancreática Enzimas pancreáticas e dieta balanceada

3. Em idosos:

 Avaliar necessidade de suspender laxantes, AINES e antibióticos;


 Corrigir eletrólitos e manter vigilância hemodinâmica;
 Orientar cuidador quanto à ingestão hídrica e vigilância de diurese.

⚕️RESUMO FINAL – PONTOS-CHAVE


Aspecto Diarreia Alta
Local de origem Intestino delgado
Fezes Volumosas, aquosas, sem muco/sangue
Mecanismo comum Osmótico ou secretório
Principais causas Infecções, intolerâncias, má absorção
Idosos Disbiose, fármacos, má absorção
Exames principais Coproparasitológico, eletrólitos, colonoscopia se crônica
Tratamento Reidratação, dieta leve e terapia específica conforme causa

1. O que é Diarreia Alta


A diarreia alta é aquela cuja origem está no intestino delgado (principalmente
jejuno e íleo). Caracteriza-se por evacuações volumosas, aquosas, com restos
alimentares e poucos odores fétidos, indicando que o alimento não foi totalmente
digerido nem absorvido antes de atingir o cólon.
⚙️2. Fisiologia e Mecanismo
 O intestino delgado é o principal local de digestão e absorção de nutrientes e
água.
 Normalmente, recebe cerca de 8–9 L de líquido/dia (entre ingestão e secreções
digestivas) e reabsorve quase tudo — restando <200 mL nas fezes.
 A diarreia ocorre quando há falha na absorção ou excesso de secreção
intestinal.

Principais mecanismos:
Tipo Fisiopatologia Exemplo
Solutos não absorvidos retêm Intolerância à lactose, uso de
Osmótica
água no lúmen intestinal. laxantes osmóticos.
Infecções (Vibrio cholerae, E. coli
Secreção ativa de íons e água
Secretora enterotoxigênica), tumores
pelas células intestinais.
secretores.
Inflamação da mucosa com
Exsudativa Doença de Crohn, retocolite
exsudato de muco, sangue e
(inflamatória) ulcerativa.
pus.
Por motilidade Trânsito acelerado → menor Síndrome do intestino irritável,
aumentada tempo para absorção. hipertireoidismo.

3. Causas Mais Comuns da Diarreia Alta


 Infecciosas: vírus (rotavírus, norovírus), bactérias (E. coli enterotoxigênica,
Salmonella, Shigella), protozoários (Giardia lamblia).
 Alimentares: intolerância à lactose, glúten (doença celíaca), uso de adoçantes
artificiais.
 Medicamentosas: antibióticos, laxantes, AINEs.
 Endócrinas/metabólicas: hipertireoidismo, diabetes (neuropatia autonômica).
 Funcionais: síndrome do intestino irritável (tipo diarreico).

👴 4. Diarreia em Idosos — Particularidades


 Em idosos, a motilidade intestinal pode estar diminuída, e diarreia pode
mascarar constipação por “impactação fecal com extravasamento”.
 Também há risco aumentado de desidratação e distúrbios eletrolíticos,
mesmo com perdas pequenas.
 Uso crônico de medicamentos (AINEs, antibióticos, laxantes, diuréticos) é
causa frequente.
 É importante diferenciar diarreia funcional de causas infecciosas ou neoplásicas.
🩺 5. Achados Semiológicos e O Que Observar na
Consulta
Aspecto O Que Avaliar
Frequência, consistência, aspecto das fezes, relação com alimentos, uso de
Anamnese
medicamentos, febre, dor abdominal, perda ponderal.
Exame Sinais de desidratação (pele seca, taquicardia, hipotensão ortostática),
físico ruídos hidroaéreos aumentados, dor à palpação, distensão abdominal.
Outros
Palidez (anemia), icterícia (hepatite), febre (infecção).
sinais

🧪 6. Exames Complementares
1. Hemograma completo – leucocitose, anemia, infecção.
2. Eletrólitos séricos e ureia/creatinina – avaliar desidratação.
3. Coprocultura e parasitológico de fezes – se suspeita de infecção bacteriana ou
parasitária.
4. Pesquisa de sangue oculto nas fezes.
5. Exames específicos – TSH (tireoidismo), sorologia para Giardia, Clostridium
difficile, se uso recente de antibióticos.
6. Endoscopia/colonoscopia – em casos persistentes (>14 dias) ou com sinais de
alarme (sangue, emagrecimento, febre, anemia).

💬 7. Caso Clínico Aplicado


👨 Paciente:

Homem, 25 anos, refere:

 5–6 evacuações/dia, aquosas, tudo que come “passa direto”.


 Ontem só conseguiu ingerir frutas e água.
 Dor abdominal tipo cólica, intensidade 6/10, localizada em região epigástrica
(“no estômago”).
 Tontura (provável hipovolemia leve).
 Usou Buscopan e Captopril (antihipertensivo).
 Fezes de coloração clara, sem sangue.

🧠 8. Hipóteses Diagnósticas
1. Diarreia alta infecciosa aguda (viral ou bacteriana leve).
2. Diarreia osmótica por intolerância alimentar (ex: lactose).
3. Diarreia secretora transitória (infecção viral).
4. Gastroenterite aguda com desidratação leve a moderada.
5. Efeito colateral medicamentoso (menos provável — captopril raramente causa
diarreia).
➡️O padrão aquoso, sem muco, sem sangue e de curta duração favorece diarreia
infecciosa aguda de origem alta (delgado).

💊 9. Plano Terapêutico e Conduta


a) Medidas Gerais

 Hidratação oral imediata (Soro de reidratação oral, água de coco, soluções


com eletrólitos).
 Evitar alimentos gordurosos e lactose temporariamente.
 Reintrodução alimentar leve: arroz, batata, maçã, banana, torradas.

b) Sintomáticos

 Antiespasmódico (Buscopan): pode manter se dor for intensa.


 Evitar antidiarreicos como loperamida se suspeita infecciosa.

c) Investigação complementar

 Hemograma e eletrólitos se tontura persistir.


 Coprocultura se diarreia durar >3 dias ou vier com febre.

d) Sinais de Alerta → Procurar UBS ou Hospital

 Febre alta.
 Presença de sangue ou muco nas fezes.
 Desidratação intensa (letargia, hipotensão, anúria).
 Perda de peso ou diarreia >14 dias.

⚕️10. Tipo de Diarreia do Paciente


O caso é mais compatível com diarreia alta de tipo osmótica ou secretora, de
provável origem infecciosa viral (gastroenterite aguda), dada a:

 Evacuação aquosa e volumosa;


 Rápida progressão após ingestão alimentar;
 Ausência de muco, pus ou sangue;
 Dor abdominal tipo cólica e desidratação leve.

📚 Referências
 BRASIL. Guia de Vigilância em Saúde – Volume 1, 6ª ed., 2024.
 GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica, 14ª ed. Elsevier,
2021.
 HARRISON, T. R. Princípios de Medicina Interna, 21ª ed., 2023.
 CDC. Guidelines for the Management of Acute Diarrhea in Adults, 2022.

Perfeito ⚕️ — vamos montar um quadro completo de raciocínio clínico e


fisiopatológico sobre diarreia alta, e ao final aplicar ao caso clínico do paciente de
25 anos que apresentou o quadro descrito.

🧫 1. O que é Diarreia Alta


A diarreia alta é aquela cuja origem está no intestino delgado (principalmente
jejuno e íleo). Caracteriza-se por evacuações volumosas, aquosas, com restos
alimentares e poucos odores fétidos, indicando que o alimento não foi totalmente
digerido nem absorvido antes de atingir o cólon.

⚙️2. Fisiologia e Mecanismo


 O intestino delgado é o principal local de digestão e absorção de nutrientes e
água.
 Normalmente, recebe cerca de 8–9 L de líquido/dia (entre ingestão e secreções
digestivas) e reabsorve quase tudo — restando <200 mL nas fezes.
 A diarreia ocorre quando há falha na absorção ou excesso de secreção
intestinal.

Principais mecanismos:
Tipo Fisiopatologia Exemplo
Solutos não absorvidos retêm Intolerância à lactose, uso de
Osmótica
água no lúmen intestinal. laxantes osmóticos.
Infecções (Vibrio cholerae, E. coli
Secreção ativa de íons e água
Secretora enterotoxigênica), tumores
pelas células intestinais.
secretores.
Inflamação da mucosa com
Exsudativa Doença de Crohn, retocolite
exsudato de muco, sangue e
(inflamatória) ulcerativa.
pus.
Por motilidade Trânsito acelerado → menor Síndrome do intestino irritável,
aumentada tempo para absorção. hipertireoidismo.

3. Causas Mais Comuns da Diarreia Alta


 Infecciosas: vírus (rotavírus, norovírus), bactérias (E. coli enterotoxigênica,
Salmonella, Shigella), protozoários (Giardia lamblia).
 Alimentares: intolerância à lactose, glúten (doença celíaca), uso de adoçantes
artificiais.
 Medicamentosas: antibióticos, laxantes, AINEs.
 Endócrinas/metabólicas: hipertireoidismo, diabetes (neuropatia autonômica).
 Funcionais: síndrome do intestino irritável (tipo diarreico).

👴 4. Diarreia em Idosos — Particularidades


 Em idosos, a motilidade intestinal pode estar diminuída, e diarreia pode
mascarar constipação por “impactação fecal com extravasamento”.
 Também há risco aumentado de desidratação e distúrbios eletrolíticos,
mesmo com perdas pequenas.
 Uso crônico de medicamentos (AINEs, antibióticos, laxantes, diuréticos) é
causa frequente.
 É importante diferenciar diarreia funcional de causas infecciosas ou neoplásicas.

🩺 5. Achados Semiológicos e O Que Observar na


Consulta
Aspecto O Que Avaliar
Frequência, consistência, aspecto das fezes, relação com alimentos, uso de
Anamnese
medicamentos, febre, dor abdominal, perda ponderal.
Exame Sinais de desidratação (pele seca, taquicardia, hipotensão ortostática),
físico ruídos hidroaéreos aumentados, dor à palpação, distensão abdominal.
Outros
Palidez (anemia), icterícia (hepatite), febre (infecção).
sinais

🧪 6. Exames Complementares
1. Hemograma completo – leucocitose, anemia, infecção.
2. Eletrólitos séricos e ureia/creatinina – avaliar desidratação.
3. Coprocultura e parasitológico de fezes – se suspeita de infecção bacteriana ou
parasitária.
4. Pesquisa de sangue oculto nas fezes.
5. Exames específicos – TSH (tireoidismo), sorologia para Giardia, Clostridium
difficile, se uso recente de antibióticos.
6. Endoscopia/colonoscopia – em casos persistentes (>14 dias) ou com sinais de
alarme (sangue, emagrecimento, febre, anemia).

💬 7. Caso Clínico Aplicado


👨 Paciente:

Homem, 25 anos, refere:

 5–6 evacuações/dia, aquosas, tudo que come “passa direto”.


 Ontem só conseguiu ingerir frutas e água.
 Dor abdominal tipo cólica, intensidade 6/10, localizada em região epigástrica
(“no estômago”).
 Tontura (provável hipovolemia leve).
 Usou Buscopan e Captopril (antihipertensivo).
 Fezes de coloração clara, sem sangue.

🧠 8. Hipóteses Diagnósticas
1. Diarreia alta infecciosa aguda (viral ou bacteriana leve).
2. Diarreia osmótica por intolerância alimentar (ex: lactose).
3. Diarreia secretora transitória (infecção viral).
4. Gastroenterite aguda com desidratação leve a moderada.
5. Efeito colateral medicamentoso (menos provável — captopril raramente causa
diarreia).

➡️O padrão aquoso, sem muco, sem sangue e de curta duração favorece diarreia
infecciosa aguda de origem alta (delgado).

💊 9. Plano Terapêutico e Conduta


a) Medidas Gerais

 Hidratação oral imediata (Soro de reidratação oral, água de coco, soluções


com eletrólitos).
 Evitar alimentos gordurosos e lactose temporariamente.
 Reintrodução alimentar leve: arroz, batata, maçã, banana, torradas.

b) Sintomáticos

 Antiespasmódico (Buscopan): pode manter se dor for intensa.


 Evitar antidiarreicos como loperamida se suspeita infecciosa.

c) Investigação complementar

 Hemograma e eletrólitos se tontura persistir.


 Coprocultura se diarreia durar >3 dias ou vier com febre.

d) Sinais de Alerta → Procurar UBS ou Hospital

 Febre alta.
 Presença de sangue ou muco nas fezes.
 Desidratação intensa (letargia, hipotensão, anúria).
 Perda de peso ou diarreia >14 dias.
⚕️10. Tipo de Diarreia do Paciente
O caso é mais compatível com diarreia alta de tipo osmótica ou secretora, de
provável origem infecciosa viral (gastroenterite aguda), dada a:

 Evacuação aquosa e volumosa;


 Rápida progressão após ingestão alimentar;
 Ausência de muco, pus ou sangue;
 Dor abdominal tipo cólica e desidratação leve.

📚 Referências
 BRASIL. Guia de Vigilância em Saúde – Volume 1, 6ª ed., 2024.
 GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica, 14ª ed. Elsevier,
2021.
 HARRISON, T. R. Princípios de Medicina Interna, 21ª ed., 2023.
 CDC. Guidelines for the Management of Acute Diarrhea in Adults, 2022.

Se quiser, posso montar um resumo em tabela (comparando diarreia alta vs baixa +


quadro clínico e condutas) para fixação rápida — quer que eu faça isso também?

Você disse:
ansia de vomito nauseas ,escura dor abdominal comeu uma maionese 25 anos,5 a
6vezes no banheiro ,tudo q come vai no banheiro e agora so bebe agua e como uma
fruta ontem sentiu tontura ,coloracao claro dor abdominal classifica a dor como 6 nao ta
conseguindo comer dor no estomago ,buscopan e captopril homem dor no exame fisico

1. Classificação Geral
Quadro compatível com:
Diarreia alta aguda (intestino delgado) associada a gastroenterite infecciosa
alimentar, possivelmente bacteriana (intoxicação alimentar pós-maionese).

2. Fisiologia e Mecanismo
Após a ingestão de alimentos contaminados como maionese meio propício para
Salmonella, Staphylococcus aureus ou E. coli enterotoxigênica, ocorre

 Produção de toxinas bacterianas → aumentam a secreção de água e eletrólitos


(Na⁺, Cl⁻, HCO₃⁻) no intestino delgado.
 Redução da absorção de sódio e glicose → diarreia aquosa.
 Estímulo das terminações vagais → náuseas e vômitos.
 Lesão superficial da mucosa intestinal → dor abdominal tipo cólica.
3. Causas Mais Prováveis (no caso)
Causa Mecanismo Tempo de Características
início
Staphylococcus Toxina pré-formada na 1–6 h Vômitos intensos,
aureus maionese após diarreia aquosa, sem
ingestão febre.
Salmonella spp. Infecção entérica após 6–48 h Febre, dor
alimentos mal conservados abdominal, diarreia
aquosa ou com
muco.
E. coli Toxina 8–24 h Diarreia volumosa,
enterotoxigênica termolábil/termoestável aquosa (“turista”),
(ETEC) dor abdominal.
Clostridium Esporos em alimentos 8–16 h Diarreia aquosa,
perfringens guardados cólica, sem febre.

A maionese caseira ou mal refrigerada é um clássico meio de contaminação por


Staphylococcus aureus ou Salmonella.

4. Avaliação Clínica (Anamnese + Exame Físico)


Anamnese

 Início súbito após ingestão de alimento suspeito.


 Evacuações aquosas (5–6x/dia).
 Dor abdominal tipo cólica (6/10), epigástrica.
 Náusea e ânsia de vômito.
 Fezes escurecidas, sem muco nem sangue.
 Tontura, fraqueza (sugere desidratação leve/moderada).
 Ingestão hídrica e alimentar muito reduzida.

Exame Físico — Achados Prováveis


Sistema Achados esperados
Geral Fácies abatida, mucosas secas, sede intensa.
Cardiovascul Taquicardia compensatória, hipotensão ortostática (desidratação).
ar
Abdome Dor à palpação em epigástrio e mesogástrio, ruídos hidroaéreos
aumentados (hiperperistaltismo), sem sinais de peritonite.
Pele e Turgor diminuído, possível palidez.
mucosas
Outros sinais Sem icterícia, sem massa palpável, sem organomegalia.
5. Hipóteses Diagnósticas (por ordem de
probabilidade)
1. Gastroenterite aguda alimentar por Salmonella ou S. aureus
2. Diarreia alta infecciosa secretora (origem bacteriana)
3. Desidratação leve a moderada secundária à diarreia e vômitos
4. Gastrite aguda associada a irritação gástrica e infecciosa
5. Diarreia osmótica transitória por má absorção pós-infecção

6. Exames Complementares Recomendados


Exame Objetivo
Hemograma Avaliar leucocitose (infecção) e hemoconcentração
(desidratação).
Ureia, creatinina, Na⁺, K⁺ Avaliar desidratação e distúrbios hidroeletrolíticos.
Coprocultura Identificar Salmonella, Shigella, E. coli,
Staphylococcus.
Parasitológico de fezes Descartar parasitoses associadas.
Pesquisa de sangue oculto Se persistirem fezes escuras (melena).
nas fezes

7. Plano Terapêutico e Conduta


a) Reidratação

 Soro de Reidratação Oral (SRO): 1 copo (200 mL) após cada evacuação.
 Alternativas: água, água de coco, sopas leves.
 Se vômitos persistirem → hidratação venosa (SF 0,9% ou Ringer lactato).

b) Dieta

 Evitar: leite, derivados, cafeína, frituras, alimentos crus.


 Iniciar dieta leve: arroz, batata, banana, maçã, torradas.
 Após melhora → retorno gradual à dieta habitual.

c) Medicamentos
Tipo Exemplo Observação
Antiemético Ondansetrona VO/IV Reduz náuseas e
permite reidratação.
Antiespasmódic Butilbrometo de escopolamina Para dor abdominal.
o (Buscopan)
Analgésico leve Dipirona Se febre ou dor
intensa.
Probióticos Saccharomyces boulardii Ajudam na
recuperação da
microbiota intestinal.
Antibiótico Somente se febre alta, sangue nas
fezes ou coprocultura positiva (ex:
ciprofloxacino, azitromicina).

d) Acompanhamento

 Reavaliação em 24–48h se sintomas persistirem.


 Procurar atendimento imediato se:
o Vômitos incoercíveis;
o Diarreia com sangue;
o Febre > 38,5°C;
o Sinais de desidratação (anúria, confusão, taquicardia intensa).

8. Tipo de Diarreia no Caso


Diarreia alta secretora de causa infecciosa alimentar aguda.
Justificativas:

 Início após alimento suspeito;


 Evacuações volumosas e aquosas;
 Presença de náuseas e dor epigástrica;
 Evolução aguda (horas/dias).

9. Referências
 BRASIL. Guia de Vigilância em Saúde – Volume 1, 6ª ed., 2024.
 GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica, 14ª ed. Elsevier,
2021.
 HARRISON, T. R. Princípios de Medicina Interna, 21ª ed., 2023.
 CDC. Foodborne Diseases Guidelines, 2023.
 BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da
Doença Diarreica Aguda, 2022.

Mini Resumo Clínico – Diarreia Alta Aguda Pós-Alimentar


Identificação:Homem, 25 anos.

Queixa principal:“Tudo o que como vai direto para o banheiro.”


História da Doença Atual (HDA):Paciente de 25 anos refere quadro de diarreia há 2
dias, com 5 a 6 evacuações aquosas por dia, sem muco nem sangue, de
coloração clara.
Apresenta dor abdominal tipo cólica (intensidade 6/10), localizada em região
epigástrica (“no estômago”), acompanhada de náusea, ânsia de vômito e
tontura.
Relata que o quadro iniciou após ingestão de maionese, não consegue se
alimentar bem, ingerindo apenas água e frutas.
Fez uso de Plasil (metoclopramida) com leve melhora das náuseas.
Não faz uso de captopril nem de Buscopan no momento.

Exame Físico:

Geral: paciente consciente, orientado, com aparência de cansaço e sinais leves


de desidratação (mucosas secas),Abdome: plano, sem abaulamento, presença
de ponto doloroso à palpação epigástrica, sem defesa ou rigidez,

Peristaltismo: sem movimentos visíveis, mas ruídos hidroaéreos presentes


à ausculta (descarta íleo paralítico)

Sinais vitais: não relatados, porém refere tontura, sugerindo hipovolemia leve.

Diarreia alta aguda secretora de provável origem infecciosa alimentar


(gastroenterite aguda bacteriana leve).
Provável agente: Staphylococcus aureus ou Salmonella spp. (devido à ingestão de
maionese).
Complicação associada: desidratação leve secundária à perda hídrica e ingestão
alimentar reduzida.

Hipóteses Diagnósticas Secundárias:Gastrite aguda associada à irritação da


mucosa,Intolerância alimentar transitória pós-infecção.

Conduta Inicial:

Reidratação Oral:

Soro de Reidratação Oral (SRO) ou água de coco — 1 copo (200 mL) após cada
evacuação.

Evitar bebidas açucaradas e refrigerantes.

Dieta:

Manter alimentação leve: arroz, batata, banana, maçã e torradas.

Evitar leite, maionese, frituras e alimentos gordurosos.

Medicamentos:

Plasil (metoclopramida) → manter para náuseas.

Buscopan → pode ser usado se dor abdominal persistente.

Antibióticos → somente se febre, sangue nas fezes ou coprocultura positiva.


Acompanhamento:

Reavaliar em 24–48h.

Procurar unidade de saúde se:

Febre >38,5°C;

Presença de sangue nas fezes;

Desidratação intensa (pouca urina, fraqueza extrema, confusão).

Resumo do Caso:Homem jovem, sem comorbidades, apresentou diarreia alta


aguda secretora após ingestão de alimento contaminado (maionese), evoluindo
com náuseas, dor epigástrica e desidratação leve. Quadro compatível com
gastroenterite infecciosa alimentar, em tratamento sintomático e suporte
hídrico.

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