UNIVERSIDADE PAULISTA
Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia (ICET)
Teoremas de Circuitos: Módulo 8
Alexandre B. de Lima
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Atualizado em: 15 de março de 2009 Versão 1.0
Tabela de Conteúdo
1. Definições Básicas
1.1. Linearidade
1.2. Causalidade
1.3. Invariância no Tempo
1.4. Implicações para SLIT
2. Teorema da Substituição
3. Teorema de Thévenin
3.1. Aplicação do Teorema
4. Teorema de Norton
5. Máxima Transferência de Potência
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1. Definições Básicas
1.1. Linearidade
Definição 1. Uma rede elétrica (sistema ou circuito elétrico) é linear
(a) se são válidos o Princı́pio da Superposição e
(b) o Princı́pio da Proporcionalidade .
A Fig. a seguir mostra o diagrama de um circuito elétrico em que
a função de excitação ou entrada é o sinal (de tensão ou corrente) x(t)
e a resposta ou saı́da é o sinal y(t) (tensão ou corrente).
Pela Superposição, se, para uma dada rede, [x1 (t), y1 (t)] e [x2 (t), y2 (t)]
Seção 1: Definições Básicas 4
são pares excitação-resposta (ou entrada-saı́da), então a resposta à ex-
citação x(t) = x1 (t) + x2 (t) deve ser y(t) = y1 (t) + y2 (t).
Pela Proporcionalidade, se a entrada é C1 x1 (t), em que C1 é uma
constante, então a resposta será C1 y1 (t), ou seja, a constante de pro-
porcionalidade é preservada pela rede linear.
Podemos resumir as duas condições da linearidade no diagrama
abaixo:
Seção 1: Definições Básicas 5
1.2. Causalidade
Definição 2. Uma sistema é causal se a sua resposta é não anteci-
pativa, isto é, se
x(t) = 0 t<T
então
y(t) = 0 t<T.
Em outras palavras, um sistema é causal se antes de aplicarmos
uma excitação no tempo t = T , a resposta é zero para −∞ < t < T .
1.3. Invariância no Tempo
Definição 3. Uma sistema é invariante no tempo se x(t) 7−→ y(t)
implica x(t ± T ) 7−→ y(t ± T ).
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1.4. Implicações para SLIT
A Fig. a seguir ilustra algumas implicações para os Sistemas Lineares
Invariantes no Tempo (SLIT).
2. Teorema da Substituição
Sejam as subredes N (que pode conter resistores e fontes de excitação
independentes e/ou controladas) e N 0 . Vamos assumir que não haja
acoplamento magnético, ou por fontes controladas, entre N e N 0 .
Suponhamos que a rede composta por N e N 0 admita uma solução
única para todas as suas correntes e tensões. Sejam, em particular,
V ∗ e I ∗ os valores da tensão e da corrente nos terminais de N .
Seção 2: Teorema da Substituição 7
Teorema 1 (Substituição). Se substituirmos a subrede N 0 por um
gerador ideal de tensão, com tensão V ∗ , ou por um gerador ideal de
corrente, com corrente I ∗ , então uma solução para a rede original
também será uma solução para a rede modificada. Em particular, se
a rede modificada tiver solução única, esta será também a solução
para a rede original.
Seção 2: Teorema da Substituição 8
O Teorema da Substituição não será demonstrado neste curso.
Ele será usado como ingrediente na demonstração do Teorema de
Thévenin que será visto na sequência.
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3. Teorema de Thévenin
Ocorre geralmente na prática que um elemento de um circuito é
variável (carga), enquanto outros elementos são fixos. Por exemplo,
uma tomada residencial pode ter conectados a ela diferentes apare-
lhos, constituindo uma carga variável. Neste contexto, precisamos
reanalisar o circuito a cada instante em que a carga é variada. Para
evitar este problema, o Teorema de Thévenin fornece uma técnica
pela qual a parte fixa do circuito é substituı́da por um circuito equi-
valente.
Teorema 2 (Thévenin). Um circuito linear de dois terminais pode
ser substituı́do por um circuito equivalente constituı́do por uma fonte
Seção 3: Teorema de Thévenin 10
de tensão VT h em série com uma resistência RT h , em que VT h é a
tensão de circuito aberto nos terminais a − b da Fig. acima e RT h é a
resistência equivalente ou de entrada vista dos terminais a − b quando
as fontes independentes são inativadas.
Note que o Teorema de Thévenin nos permite determinar a tensão
v e a corrente i fornecidas pela rede alimentadora à carga RL sem que
seja necessário analisar (ou seja, determinar as tensões e correntes) a
rede alimentadora.
Seção 3: Teorema de Thévenin 11
O Apêndice contém a prova do Teorema de Thévenin.
3.1. Aplicação do Teorema
Podemos aplicar o Teorema segundo dois métodos:
1. Método 1
(a) Desconectar a carga da rede N (abrindo os terminais a − b)
e determinar a tensão de circuito aberto Voc = VT h ;
(b) Inativar as fontes de excitação independentes da rede N
e determinar Rin = RT h vista dos terminais a − b. As
fontes dependentes não devem ser desligadas porque são
controladas por variáveis do circuito.
2. Método 2
(a) Igual ao do Método 1;
(b) Estabelecer um curto-circuito entre os terminais a − b e
determinar a corrente neste curto, denominada Isc . Após,
calcular RT h = VITsch .
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4. Teorema de Norton
Teorema 3 (Norton (1926)). Uma rede linear de dois terminais a − b
pode ser substituı́da por um circuito equivalente constituı́do por uma
fonte de corrente IN em paralelo com um resistor RN , em que IN
é a corrente de curto-circuito através dos terminais a − b e RN é a
resistência de entrada ou equivalente aos terminais a − b quando as
fontes independentes são desligadas.
De acordo com o que vimos na aula de transformação de fontes,
temos que:
R N = RT h
e
VT h
IN = .
RT h
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5. Máxima Transferência de Potência
Teorema 4 (Máxima Transferência de Potência). Seja uma rede li-
near com tensão de Thévenin VT h e resistência de entrada RT h que
alimenta uma carga RL . Então a máxima transferência de potência
Seção 5: Máxima Transferência de Potência 14
da rede para a carga ocorre quando RL = RT h e neste caso a potência
V2
dissipada pela carga é igual a 4RTThh .
Apêndice A
Demonstração do Teorema de Thévenin
Podemos substituir, invocando o Teorema da Substituição, a carga RL
da Fig. abaixo por um gerador ideal de tensão V̄ que é atravessado
¯
pela corrente I.
Seção 5: Máxima Transferência de Potência 15
Pelo Princı́pio da Superposição
I¯ = I¯1 + I¯2 , (1)
em que I¯1 denota a corrente devida somente às n fontes de tensão e
m fontes de corrente quando a fonte V̄ é inativada (curto-circuitada),
isto é, I¯1 = I¯sc , e I¯2 é a corrente devida somente à fonte V̄ , com o
resto das n fontes de tensão em curto e as m fontes de corrente em
aberto.
Neste caso, a rede N é passiva e I¯2 = − RV̄in como ilustrado pela Fig.
a seguir
Seção 5: Máxima Transferência de Potência 16
Logo,
V̄
I¯ = I¯sc − . (2)
Rin
Seção 5: Máxima Transferência de Potência 17
Como (2) deve ser satisfeita para todos os casos, considere o caso
particular em que desconectamos a carga dos terminais a − b (aberto).
Então I¯ = 0 e nesse caso V̄ é a tensão de circuito aberto V̄ = Voc . De
(2) temos que
Voc
I¯sc = (3)
Rin
e podemos reescrever (2) na forma
Voc V̄ Voc − V̄
I¯ = − =
Rin Rin Rin
ou
Voc − V̄ = Rin I¯ ⇒ V̄ = Voc − Rin I¯ .
Designando Voc = VT h e Rin = RT h obtemos
V̄ = VT h − Rin I¯ . (4)
Demonstração do Teo. da Máxima Transferência de Potência
Seja uma rede linear e seu respectivo equivalente de Thévenin (VT h,
RT h ) que alimenta uma carga resistiva RL . A potência dissipada por
Seção 5: Máxima Transferência de Potência 18
RL é
2 2
V2
RL 1 VT h
P = = VT h = RL (5)
RL RT h + R L RL R T h + RL
em que V é a tensão na carga.
Derivando (5) com relação a RL
dP 1 2(RT h + RL )RL
= VT2h −
dRL (RT h + RL )2 (RT h + RL )4
e igualando o lado direito da relação acima a zero, obtemos
(RT h − RL )
VT2h =0
(RT h + RL )3
que é satisfeita para
RL = R T h (6)
Seção 5: Máxima Transferência de Potência 19
Referências
[1] L. Q. Orsini, D. Consoni, Curso de Circuitos Elétricos - Volume
1. 2a ed., Editora Edgard Blücher Ltda, 2002.
[2] F. F. Kuo, Network Analysis and Synthesis. Second ed., Wiley,
1966.
[3] J. W. Nilsson, S. A. Riedel, Circuitos Elétricos. 8a ed., Pearson
Prentice Hall, 2009.
[4] C. K. Alexander, M. N. O. Sadiku, Fundamentos de Circuitos
Elétricos. Bookman, 2003.