Greenstone Belt
Greenstone Belt
Alexandre de Amorim Teixeira1 , Adalene Moreira Silva2 , Augusto César Bittencourt Pires3 ,
Roberto Alexandre Vitória de Moraes4 e Carlos Roberto de Souza Filho5
Recebido em 25 agosto, 2006 / Aceito em 17 novembro, 2006
Received on August 25, 2006 / Accepted on November 17, 2006
ABSTRACT. Poor outcrop and deep weathering characterize the Rio das Velhas Greenstone Belt in the southeastern from Brazil. This paper summarizes the use of
high-density airborne survey for mineral exploration studies based on interpretation enhancements of magnetic, radiometric and frequency domain electromagnetic data
using image-processed methods and an unsupervised classification. The generated products provide new insights and an excellent tool for mapping and trace individual
lithological units, improving the information content of the single geophysical channels. The geophysical images were processed using different combinations. The best
product was the analytical signal amplitude and inclination integrated by IHS transformation. Information extracted from this image maps the geology and lineament
patterns at both regional and local scales. The K-means technique using ten classes was also applied to the geophysical data. These results enhance the lithologies
mapped by the field geologists at the 1:100.000. Also shows important host rocks and different gold mineralized geological domains. Such domains host the known
gold mineralization, illustrating the utility of these techniques to improve the geological knowledge in the study area.
Keywords: Digital Imaging Processing, gold mineralization, Rio das Velhas Greenstone Belt.
RESUMO. Afloramentos escassos e um intemperismo acentuado caracterizam o Greenstone Belt Rio das Velhas no sudeste do Brasil. Este artigo sumariza a utilização
de dados aerogeofı́sicos de alta densidade de amostragem aplicados à exploração mineral baseado no realce e na interpretação de dados magnéticos, radiométricos e
eletromagnéticos no domı́nio da freqüência através de métodos de processamento digital de imagens e classificação não supervionada. Os produtos gerados forneceram
novos insights e uma excelente ferramenta para mapeamentos dos diferentes litotipos, melhorando o conteúdo da informação presente nos canais individuais. As
imagens geofı́sicas foram processadas utilizando diferentes combinações. O melhor produto obtido foi a integração via IHS da amplitude e da inclinação do sinal
analı́tico. Informações extraı́das desta imagem mapeiam tanto a geologia quanto lineamentos na escalas regionais e locais. Aplicou-se a técnica de classificação não
supervisionada conhecida com média K aos dados aerogeofı́sicos. O resultado realça litologias mapeadas por geólogos de campo na escala 1:100.000. Ela mapeia
também rochas hospedeiras e diferentes domı́nios associados com a mineralização aurı́fera. Tais domı́nios são conhecidos por hospedar a mineralização aurı́fera,
ilustrando a utilidade destas técnicas para enriquecer o conhecimento geológico da área estudada.
Palavras-chave: Processamento Digital de Imagens, mineralização aurı́fera, Greenstone Belt Rio das Velhas.
1 Agência Nacional de Águas – ANA, Setor Policial Sul, Área 05 Quadra 03, Bloco “B” – Sala 105, 70610-200 Brası́lia, DF, Brasil. Tel: +55 (61) 2109-5378
– E-mail: [Link]@[Link]
2 Laboratório de Geofı́sica Aplicada, Instituto de Geociências, Universidade de Brası́lia, 70910-900 Brası́lia, DF, Brasil. Tel: +55 (61) 3307-2877; Tel./Fax: +55 (61)
Figura 1 – Mapa Geológico do Quadrilátero Ferrı́fero, MG (Modificado de Dorr, 1969 in Silva, 1999).
grupos, da base para o topo: Caraça, Itabira e Piracicaba (Dorr, Gandarela, no topo do grupo, exibe mármores dolomı́ticos, su-
1969; Cordani et al., 1980 e 1989; Ladeira & Viveiros, 1984; Alk- bordinadamente, itabiritos e filitos.
mim & Marshak, 1998; Carneiro et al., 1995; Noce, 1995). A unidade basal do Grupo Piracicaba, Formação Cercadinho,
O Grupo Caraça apresenta, na base, a Formação Moeda, caracteriza-se pela alternância de quartzitos e filitos, freqüente-
constituı́da por quartzitos com intercalações de filitos e nı́veis mente ferruginosos. A Formação Fecho do Funil é constituı́da
conglomeráticos aurı́feros-uranı́feros na porção basal. Esta tran- por filitos quartzosos, filitos dolomı́ticos e lentes de dolomito.
siciona para a Formação Batatal, onde predominam filitos se- As Formações Taboões (ortoquartzitos) e Barreiras (filitos grafi-
ricı́ticos, por vezes carbonosos ou ferruginosos. tosos) são de ocorrência restrita.
O Grupo Itabira inicia pela Formação Cauê, composta por A unidade superior do Grupo Piracicaba, Formação Sabará,
formações ferrı́feras bandadas do tipo Lago Superior e, subor- é constituı́da por clorita xistos, filitos, metagrauvacas, metatufos,
dinadamente, por filitos ferruginosos e dolomitos. A Formação metaconglomerados, quartzitos e formação ferrı́fera subordinada.
Figura 2 – Nova subdivisão estratigráfica para o Greenstone Belt Rio das Velhas. As unidades foram agrupadas em
blocos tectônicos, denominados de: Nova Lima, Caeté, Santa Bárbara e São Bartolomeu, que segundo Pinto & Silva
(1996), Zuchetti et al. (1996) retratam ambientes petrogenéticos distintos.
Segundo Dorr (1969), a Formação Sabará possui uma espes- O Supergrupo Espinhaço é representado por um pacote ro-
sura máxima de 3000 m, aproximando-se da espessura máxima chas quartzı́ticas a nordeste do Quadrilátero Ferrı́fero, na Serra
atingida pelo conjunto das demais unidades do SGM, que é de das Cambotas. A posição estratigráfica desta unidade foi sem-
3500 m. Barbosa (1968) e Ladeira (1980) propõem a elevação da pre controvertida por incluir pacotes distintos de rochas, tecto-
Formação Sabará à categoria de grupo, devido a sua espessura e nicamente justapostos (Freitas et al., 1991; Crocco-Rodrigues et
presença de litotipos diferenciados. Segundo Reis et al. (2002), al., 1991).
o Grupo Sabará representa uma bacia de antepaı́s compartimen- Dentro do quadro geológico regional do Quadrilátero Fer-
tada, gerada durante a deformação, soerguimento e erosão dos rı́fero, deve-se destacar também a existência de uma densidade
depósitos Arqueanos e Paleoproterozóicos do Cinturão Mineiro. razoável de corpos ı́gneos máficos intrudindo as unidades Arque-
anas a Fanerozóicas. Duas gerações de diques máficos de direção grafia, para o gamaespectrômetro de 45 metros para o mag-
predominantemente NS cortam os terrenos granito-gnáissicos netômetro/VLF e de 30 metros para o eletromagnetômetro. A
(TTG) do QF e regiões adjacentes (Carneiro, 1992). São encontra- taxa média de amostragem do eletromagnetômetro é de ± 5 me-
dos também sills e diques de rochas básicas de direção NS, ora tros (5 leituras/segundo), a do magnetômetro é de ± 5 metros
deformados, ora metamorfizados, com idades em torno de 1,7 G.a (5 leituras/segundo), a do VLF – EM é de ± 5 metros (5 leitu-
(Carneiro et al., 1995; Silva et al., 1995). A intrusão de diques ras/segundo) e, finalmente, o gamaespectrômetro possui taxa de
máficos na região do QF foi mais expressiva durante a abertura do amostragem de ± 25 metros (1 leitura/segundo). A velocidade
protooceano Brasiliano/Panafricano (Silva et al., 1995). O último de operação do helicóptero utilizado como plataforma esteve en-
evento, de idade Mesocenozóica aflora na forma de diques de tre 70 a 110 km/h. O eletromagnetômetro empregou três bobinas
direções variáveis, não apresentando deformação nem metamor- coplanares com transmissores centrados nas freqüências de 500,
fismo. A origem destes diques está relacionada à fragmentação 4.175 e 33.000 Hz e duas bobinas coaxiais com 935 e 4600 Hz.
do Supercontinente Gondwana (Silva et al., 1995). O afastamento (transmissor/receptor) foi de 7 metros.
As rochas dos terrenos granito-gnáissicos foram metamorfi- Os dados aerogeofı́sicos utilizados nesse trabalho foram pro-
zadas em condições de fácies anfibolito a granulito (Hertz, 1978) cessados por Silva (1999) e reprocessados por Fuck (2001).
e retrometamorfizadas em xisto verde, enquanto que as supra- O processamento destes dados envolveu a edição e junção dos
crustais do SGRV e do SGM evidenciam paragênese metamór- quatro blocos representativos da amostragem feita numa base de
fica de fácies xisto verde a anfibolito (Hertz, 1978; Hoefs et al., dados única.
1982; Ladeira, 1980; Marshak & Alkmim, 1989). Localmente, as Após esta etapa, os dados foram interpolados. Para os
condições metamórficas do SGM atingem apenas o anquimeta- dados magnetométricos e eletromagnetométricos (resistividade
morfismo. Hertz (1978) e Jordt-Evangelista et al. (1991) descre- aparente), o método de interpolação mais eficiente foi o bi-
vem auréolas de metamorfismo de contato em torno Complexo direcional (implementado no Oasis Montaj como bi-grid ), com
Bação e na porção norte da Serra do Curral, respectivamente. célula quadrada de 50 metros de lado. No caso dos dados ga-
maespectrométricos utilizou-se o método da curvatura mı́nima
(Fuck, 2001). Os métodos de interpolação foram testados exaus-
DADOS AEROGEOFÍSICOS tivamente e, posteriormente, analisados não só através da análise
O projeto Rio das Velhas consiste de aerolevantamento geofı́sico visual, mas também através do espectro de potência. A seguir,
sistemático utilizando os métodos magnetométrico, gamaespec- as diferentes malhas interpoladas foram micronivelados com o
trométrico e eletromagnetométrico (domı́nio da freqüência) (in- emprego de algoritmo otimizado (Fuck, 2001), o qual tratou es-
cluindo VLF) de alta densidade, com o objetivo de identificar pecificamente os problemas de desnivelamentos encontrados nas
novos alvos aurı́feros em zonas de Greenstone belt (Hildenbrand diferentes áreas abrangidas pelo aerolevantamento.
& Perez da Gama, 1993).
A escolha desses métodos teve por base a boa resposta
geofı́sica esperada para as rochas do Greenstone belt Rio das Magnetometria
Velhas que apresentam contraste de susceptibilidade magnética A análise do relevo referente ao campo magnético anômalo foi
com as rochas máfico-ultramáficas/formações ferrı́feras e zonas auxiliada por suas transformações lineares. A amplitude do sinal
de cisalhamento. Já a gamaespectrometria, contribui com a diver- analı́tico foi usada na demarcação da posição horizontal das fon-
sidade litológica causada pela variação de concentração dos ra- tes magnéticas. A fase do sinal analı́tico possui um padrão textu-
dioelementos K, U e Th, e sua relação com eventos hidrotermais. ral que auxilia a caracterização dos domı́nios magnéticos e feições
O método eletromagnético indica a presença de corpos conduto- lineares. A utilização das derivadas, principalmente das verticais,
res como sulfetos maciços e filitos carbonosos. ajudou na compreensão das posições espaciais relativas destas
O aerolevantamento foi realizado em 1992 e as linhas de vôo fontes e as horizontais, ajudaram na demarcação em mapa.
foram orientadas perpendicularmente à direção preferencial das A Figura 3 apresenta-se um dos mapas com as soluções da
rochas do Supergrupo Rio das Velhas no interior da área (Fi- equação de Euler gerados neste trabalho que apresentou a me-
gura 1) com espaçamento das linhas de vôo de 250, amarra- nor dispersão (ı́ndice estrutural N = 1, Linha de pólos – tipo di-
dos por linhas de controle de 5000 metros. Os sensores fo- que semi-infinito), feito na tentativa de se compreender o com-
ram mantidos a uma altura de 60 metros, por sobre a topo- portamento dos falhamentos. Seguindo a proposta de Reid et
Figura 3 – Mapa de estimativa de profundidade de fontes magnéticas por deconvolução de Euler. Legenda: Muito Raso, Raso
(ciano claro), Pouco Raso (ciano escuro), Pouco Profundo (azul), Profundo (vermelho), Médio Profundo (amarelo claro), Muito
Profundo (amarelo escuro).
al. (1990), utilizaram-se janela de 10 × 10 células da malha do te classes (µ ± nσ ; n = −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3) usando-
campo magnético anômalo com dimensões espaciais de 50, 125, se distribuição log-normal (Tabela 1), visto que visualmente o
250 e 500 metros. Essa ação visa a determinação de corpos em gráfico de freqüência das estimativas de profundidade apresenta
maiores profundidades à medida que se aumenta o tamanho da ja- esse tipo de distribuição.
nela. Para tanto, também se calculou a profundidade dos corpos
com tolerâncias de 5, 10 e 15% para todas as malhas. Quanto Tabela 1 – Reclassificação das estimativas de profundidade.
maior esta e menor é o tamanho da célula da malha, maior é o Intervalo da
número de ocorrências calculadas. Desse modo, a escolha da to- profundidade estimada Classificação
lerância visou limitar a grande quantidade de ocorrências geradas (metros)
pelas células menores e ampliar o número das ocorrências calcu- 0–62 Muito Raso
ladas pelas células maiores. Foram escolhidas as tolerâncias de 62–119 Raso
5% para malhas com células de 50 e 125 metros; de 10% para 119–230 Pouco Raso
aquelas com células de 250 metros e, por fim, 15% para as de 230–436 Pouco Profundo
500 metros. Todas as estimativas feitas foram corrigidas para a 436–852 Profundo
superfı́cie do terreno. 852–1643 Médio Profundo
As estimativas de profundidades foram classificadas em se- 1643–3706 Muito Profundo
Figura 4 – Imagem da fusão da Amplitude do Sinal Analı́tico e Fase do sinal analı́tico (intensidade).
K Th U ASA C(4.175Hz)
K 1 0,28 0,21 –0,24 –0,19
Th 0,28 1 0,44 –0,05 –0,21
U 0,21 0,44 1 –0,006 –0,22
ASA –0,24 –0,05 –0,006 1 0,09
C(4.175 Hz) –0,19 –0,21 –0,22 0,09 1
Figura 5 – Composição colorida falsa-cor RGB (Amplitude do sinal Analı́tico, Condutividade no canal 4.175Hz e Canal de Contagem Total).
Observa-se pela tabela de autovetores (Tabela 2) que, de uma dos os canais com exceção do canal condutivo. A escolha dessa
forma geral, os canais gamaespectrométricos apresentam peso componente no canal azul é para homogeneizar a composição
semelhante ao longo de todas as principais componentes. Isso dos planos de informação na imagem colorida. Essa composição
ocorre principalmente por causa da afinidade geofı́sica desses colorida, com apenas três bandas, sintetiza 76% da variância
elementos em comparação com as propriedades fı́sicas dos ou- total das informações gamaespectrométricas, magnetométrica
tros planos de informação, como susceptibilidade magnética e e condutiva.
condutividade e pode ser comprovado pelos valores observados
na matriz de correlação (Tabela 3). CLASSIFICAÇÃO NÃO SUPERVISIONADA VIA MÉDIA K
A melhor composição de imagem utilizando as principais A maioria das técnicas hierárquicas pode necessitar da criação
componentes compreende a composição colorida falsa-cor RGB, e manipulação matrizes de similaridade extremamente grandes
para realce litológico, com a PC1 no vermelho, a PC4 no Verde se o número de amostras for elevado, o que é comum nos da-
e a PC2 no Azul (Figura 6). Observa-se pela tabela de autoveto- dos produzidos pelas técnicas de geofı́sica aérea. Por isso, foram
res (Tabela 2) que a PC1 possui maior peso da amplitude do sinal concebidos procedimentos de agrupamento usando um número
analı́tico e da condutividade (+0,47 e +0,42, respectivamente), em limitado de centros arbitrários de grupos visando reduzir a difi-
contrapartida, a contribuição dos canais gamaespectrométricos é culdade computacional. Sem dúvida, um dos mais usados dentre
negativa. Esses domı́nios são estratégicos para exploração mine- estes é o procedimento da média-K (K-means). Nesta técnica,
ral na região do Grupo Nova Lima. Já a PC4 possui peso positivo k pontos caracterizados por m variáveis são designados como
para o canal de potássio e para a amplitude do sinal analı́tico, centróides iniciais dos grupos. Uma matriz de similaridades en-
realçando assim, domı́nios magnéticos com possı́vel alteração tre os k centróides e as n amostras é calculada e as amostras
hidrotermal. Por fim, a PC2 possui contribuição positiva de to- mais similares são agrupadas ao centróide mais próximo. No-
vos centróides são então calculados e o processo segue intera- A Figura 8 mostra a assinatura geofı́sica das classes resul-
tivamente até todas as amostras haverem sido classificadas. Em tantes da classificação não supervisionada por média-k. Todos
princı́pio, o centróide se deslocará rapidamente em direção ao os planos de informação, bem como todas as classes pertencen-
centro verdadeiro de um grupo em crescimento, na medida em tes aos mesmos, foram reclassificados em relação à sua média
que informações verdadeiras sobre este se sobrepuserem àquela em baixo, baixo-médio, médio, médio-alto e alto.
inicialmente arbitrária.
Neste artigo foram testadas diversas combinações de infor- DISCUSSÕES E CONCLUSÕES
mações visando definir o que melhor caracterizasse os diferen- O melhor produto resultante da transformação IHS para inter-
tes litotipos da região estudada, e conseqüentemente, as rochas pretação estrutural é a amplitude do sinal analı́tico com a fase
hospedeiras da mineralização aurı́fera. Os dados foram exausti- do sinal analı́tico no canal de intensidade (Figura 5). Assim, ao
vamente testados para diferentes classes e diferentes interações. mesmo tempo em que se identifica a posição da fonte magnética,
As classificações estatı́sticas efetuadas mostraram que os dados pode-se identificar uma assinatura do mergulho do gradiente da
possuem em média dez classes. Portanto, foi efetuado um grupa- anomalia. Observa-se que a Zona de Cisalhamento São Vicente
mento em dez classes, após dez interações utilizando as seguintes varia o mergulho de falha ao longo da sua extensão, o que é vali-
informações: canais de potássio, tório, urânio, bem como a am- dado pelos trabalhos anteriores na área (Araújo, 2001). As áreas
plitude do sinal analı́tico e o canal de condutividade (4.175 Hz). mineralizadas ao longo da falha apresentam assinatura padrão
Todos os dados foram reescalonados para 8 bits, ou 256 tons de com valores de fase do sinal analı́tico próximo a zero. As es-
cinza (Figura 7). timativas de profundidade das fontes magnéticas por meio da
Figura 7 – Classes resultantes da aplicação da técnica de classificação não supervisionada por média-k. Legenda:
Classe 1: vermelho, Classe 2: verde claro, Classe 3: azul marinho, Classe 4: amarelo, Classe 5: ciano, Classe 6:
magenta, Classe 7: marrom escuro, Classe 8: verde escuro, Classe 9: roxo e Classe 10: marrom claro.
deconvolução de Euler auxiliam o entendimento do comporta- ultramáficos com textura spinifex e sills cumuláticos, correla-
mento geométrico dessa falha em profundidade. No geral, a fa- ciona com a classe 1 e apresenta baixos valores radiométricos e
lha apresenta pouca profundidade (200 m a 400 m) com algumas alta condutividade. Localmente, correlaciona-se a classe 2 com
áreas profundas (400 m a 800 m). A análise qualitativa da fusão essa formação onde ela é mais magnética, porém, não condutiva.
Fase/Amplitude do sinal analı́tico (Figura 5) e da deconvolução A Formação Morro Vermelho caracteriza a classe 8 e diferencia-se
de Euler (Figura 3) permite a determinação de zonas homólogas da classe 1 por possuir médios valores de radiação, porém, muito
a partir da textura da fase do sinal analı́tico, dos valores de am- condutiva. Essa formação caracteriza-se por pequenas lentes de
plitude do sinal analı́tico e dos lineamentos das estimativas de sedimentos quı́micos exalativos como BIFs do tipo algoma, me-
profundidade da deconvolução de Euler. tacherts e xistos carbonáticos. A classe 7 correlaciona-se com
A partir das classes obtidas pela classificação por média-k a Formação Ribeirão Vermelho composta por rochas metassedi-
dos dados aerogeofı́sicos, pôde-se associar a assinatura de al- mentares vulcanoclásticas e constituem-se de tufos dacı́ticos pi-
gumas classes (Figuras 7 e 8) com unidades litoestatigráficas do roclásticos e aglomerados de baixo fluxo. Essa classe caracteriza-
Supergrupo Rio das Velhas mapeadas no projeto Rio das Velhas se por altos valores de radiação de K, Th e U e por médio a bai-
(Pinto, 1996) na escala 1:100.000. Assim, os BIFs, de uma forma xos valores magnéticos e condutivos. A Formação Córrego do
geral, se correlacionam com a classe 10, caracterizada princi- Sı́tio representa as rochas metassedimentares de fontes mistas do
palmente por baixos valores de radiação e alta amplitude do si- Grupo Nova Lima (Pinto & Silva, 1996) e caracteriza-se por finas
nal analı́tico. A Formação Quebra-Osso, composta por magmas intercalações de quartzo-sericita-clorita xisto e feldspato-quartzo
Figura 8 – Assinatura Geofı́sica das classes resultantes da classificação não supervisionada por média-k.
xisto interpretados como metapelitos e metagrauvacas com fi- CARNEIRO MA. 1992. O Complexo Metamórfico Bonfim Setentrio-
nas intercalações de xistos carbonáticos e BIFs. Essa unidade nal (Quadrilátero Ferrı́fero, Minas Gerais): Litoestratigrafia e Evolução
correlaciona-se com as classes 4 e 5. Na parte norte há uma Geológica de um Segmento de Crosta Continental do Arqueano. São
predominância da classe 4 que possui assinatura com médios a Paulo, 233p. (Tese de Doutoramento, Instituto de Geociências da Uni-
versidade de São Paulo).
médio-baixos valores dos dados geofı́sicos. Porém, na região
ao longo da Zona de cisalhamento São Vicente que apresenta CARNEIRO MA, NOCE CM & TEIXEIRA W. 1995. Evolução policı́clica
mineralizações do tipo load , há a predominância da classe 5, que do Quadrilátero Ferrı́fero: uma análise fundamentada no conhecimento
reflete, provavelmente, a alteração hidrotermal da classe 4 carac- atual da geocronologia U-Pb e geoquı́mica isotópica Sm-Nd. Revista da
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Alexandre de Amorim Teixeira. Geólogo pela Universidade de Brası́lia – UnB (2000) e Mestre (2003) em processamento de dados em geologia e análise ambien-
tal pela Universidade de Brası́lia. Atualmente, é especialista em geoprocessamento pela Agência Nacional de Águas – ANA.
Adalene Moreira Silva. Engenheira Geóloga (1989) graduada pela Universidade Federal de Ouro Preto, Mestre (1992) e Doutora em Geologia (1999) pela Uni-
versidade de Brası́lia. Profissionalmente, atuou como pesquisadora do Serviço Geológico Americano (1997-1999), Professora Visitante da Universidade de Brası́lia
(2000-2002), Pesquisadora (05/2002-04/2003) e Professora do Instituto de Geociências da UNICAMP (04/2003-10/2005). Atualmente é Professora do Instituto de
Geociências da Universidade de Brası́lia e vem pesquisando sobre novas técnicas de processamento, interpretação e integração de dados aplicados a exploração mine-
ral, hidrogeologia e ambiente.
Augusto César Bittencourt Pires. Geólogo e geofı́sico, formado em 1968 pela UFRJ. Ph.D. em Geofı́sica pela Colorado School of Mines em 1975 e com Pós-
Doutorado em Geofı́sica pela mesma instituição. Foi responsável pelo departamento de Geofı́sica da ENCAL; Chefe do Departamento de Geofı́sica do Observatório
Nacional; Chefe do Centro de Geofı́sica Aplicada do DNPM. No CNPq exerceu funções de Supervisor a Diretor de Programas. Foi Diretor de Programas da CAPES
e Coordenador de Polı́ticas e Planos do MCT. Foi Consultor Legislativo do Senado. É Professor Titular, Coordenador do Laboratório de Geofı́sica Aplicada da UnB e
consultor sênior da HGeo/ InterGeo.
Roberto Alexandre Vitória de Moraes. Geólogo (1968) pela UFPe; Ph.D. em Geofı́sica (1997) Colorado School of Mines, Golden, CO, EUA. Geofı́sico do DNPM,
Rio de Janeiro-RJ; geólogo/geofı́sico da DOCEGEO, Belo Horizonte-MG; geofı́sico-chefe da PROSPEC S/A, Rio de Janeiro-RJ; geofı́sico-chefe do SEMEPO da Paulipetro,
São Paulo-SP; geofı́sico-chefe da Petromisa, Rio de Janeiro-RJ; geofı́sico sênior da Petrobras, Rio de Janeiro-RJ, pesquisador sênior do IPT, São Paulo-SP e Professor
Adjunto do IG da UnB. Especialista nos métodos magnético, gravimétrico, elétrico, eletromagnético (aéreos e terrestres), gamaespectrométrico e em métodos numéricos
para modelagem e inversão em Geofı́sica. Diretor Cientı́fico da HGeo e da InterGeo.
Carlos Roberto de Souza Filho. Engenheiro Geólogo (Universidade Federal de Ouro Preto, 1988), Mestre em Metalogênese (UNICAMP, 1991), PhD (Open Uni-
versity, Inglaterra, 1995, Jovem-Pesquisador (FAPESP-UNICAMP, 1995-1997), Professor-Doutor (UNICAMP, 1997-2002). Desde 2002, é Professor Livre Docente do
Departamento de Geologia e Recursos Naturais do Instituto de Geociências da UNICAMP. Atualmente é Coordenador do Programa de Pós-graduação de Geociências e
lı́der do Grupo de Geotecnologias do IG. Pesquisador Nı́vel 1 do CNPq, é responsável pelos laboratórios de pesquisa em Fs-LA-ICP-MS (IsoGeo), Espectroscopia de
Reflectância (LER) e Processamento de Informações Georreferenciadas (LAPIG). É pesquisador da NASA nos programas ASTER e Mars-Earth Analogs, Editor-Associado
das Revistas Computers & Geosciences e Mathematical Geology.