Estatística 23/02 - 1ª aula
Estatística é uma área da matemática que tem por objetivo levantar dados de
determinado fenômeno ou população, assim, relacionando fatos e números.
A estatística é o campo da matemática que relaciona fatos e números em
que há um conjunto de métodos que nos possibilita coletar dados e analisá-
los, assim sendo possível realizar alguma interpretação deles. A estatística é
dividida em duas partes: descritiva e inferencial. A estatística descritiva é
caracterizada pela organização, análise e apresentação dos dados, enquanto
a estatística inferencial tem como característica o estudo de uma amostra de
determinada população e, com base nela, a realização de análises e a
apresentação de dados.
Princípios da estatística
Veremos, a seguir, os principais conceitos e princípios da estatística. Com
base neles, será possível definir conceitos mais sofisticados.
População ou universo estatístico - 1ª aula
2ª aula
A população ou universo estatístico é o conjunto formado por todos
elementos que participam de um determinado tema pesquisado.
Exemplos de universo estatístico
a) Em uma cidade, todos os habitantes pertencem ao universo estatístico.
b) Em um dado de seis faces, a população é dada pelo número de faces.
Dado estatístico
O dado estatístico é um elemento que pertence ao conjunto da
população, obviamente esse dado deve estar envolvido com o tema da
pesquisa.
População Dado estatístico
Dado de seis faces 4
Campeões Brasileiros de Mountain
Henrique Avancini
Bike
Amostra
Chamamos de amostra o subconjunto formado com base no universo
estatístico. Uma amostra é utilizada quando a população é muito grande ou
infinita. Em casos em que coletar todas as informações do universo
estatístico é inviável por motivos financeiros ou logísticos, também se faz
necessário a utilização de amostras.
A escolha de uma amostra é de extrema importância para uma pesquisa, e
ela deve representar de maneira fidedigna a população. Um exemplo clássico
da utilização das amostras em uma pesquisa é na realização do censo
demográfico do nosso país.
Variável
Em estatística, a variável é o objeto de estudo, isto é, o tema que a
pesquisa pretende estudar. Por exemplo, ao estudar-se as características
de uma cidade, o número de habitantes pode ser uma variável, assim como o
volume de chuva em determinado período ou até mesmo a quantidade de
ônibus para o transporte público. Note que o conceito de variável em
estatística é dependente do contexto da pesquisa.
A organização dos dados em estatística dá-se em etapas, como em todo
processo de organização. Inicialmente é escolhido o tema a ser pesquisado,
em seguida, é pensado o método para a coleta dos dados da pesquisa, e o
terceiro passo é a execução da coleta. Após o fim dessa última etapa, faz-se
a análise do que foi coletado, e assim, com base na interpretação, busca-se
resultados. Veremos, agora, alguns conceitos importantes e necessários para
a organização dos dados.
Rol
Em casos em que os dados podem ser representados por números, ou seja,
quando a variável é quantitativa, utiliza-se o rol para organização desses
dados. Um rol pode ser crescente ou decrescente. Caso uma variável não
seja quantitativa, ou seja, caso seja qualitativa, não é possível utilizar-se o
rol, por exemplo, se os dados são sentimentos sobre determinado produto.
Exemplo
Em uma sala de aula, foram coletadas as alturas dos alunos em metros. São
elas: 1,70; 1,60; 1,65; 1,78; 1,71; 1,73; 1,72; 1,64.
Como o rol pode ser organizado de maneira crescente ou decrescente, segue
que:
rol: {1,60; 1,64; 1,65; 1,70; 1,71; 1,72; 1,73; 1,78}
Observe que, com o rol já montado, é possível encontrar um dado com mais
facilidade.
Tabela de distribuição de frequência
Em casos nos quais há muitos elementos no rol e muitas repetições de
dados, o rol torna-se obsoleto, pois a organização desses dados é inviável.
Nesses casos, as tabelas e a distribuição de frequências servem como uma
excelente ferramenta de organização.
Na tabela de distribuição de frequência absoluta, devemos colocar a
frequência em que cada dado aparece, ou seja, a quantidade de vezes que
ele aparece.
Vamos construir a tabela de distribuição de frequência absoluta das idades,
em anos, dos alunos de uma determinada classe.
Distribuição de frequências absolutas
Idade Frequência (F)
8 2
9 12
10 12
11 14
12 1
Total (FT) 41
Da tabela podemos obter as seguintes informações: na classe temos 2
alunos com a idade de 8 anos, 12 alunos com 9 anos, e mais 12 alunos com
10 anos, e assim sucessivamente, alcançando o total de 41 alunos. Na tabela
de distribuição de frequências acumuladas, devemos somar a frequência
da linha anterior (na tabela de distribuição de frequência absoluta).
Vamos construir a tabela de distribuição de frequência acumulada das idades
da mesma classe do exemplo anterior, veja:
Distribuição de frequências acumuladas
Idade Frequência (F)
8 2
9 14
10 26
11 40
12 41
Total (FT) 41
Na tabela de distribuição de frequências relativas, utiliza-se a
porcentagem em que cada dado aparece. Novamente faremos os cálculos
baseados na tabela de distribuição de frequência absoluta. Sabemos que 41
corresponde a 100% dos alunos da classe, logo, para determinar
a porcentagem de cada idade, basta dividirmos a frequência da idade por 41
e multiplicarmos o resultado por 100, para, assim, escrevermos na forma de
porcentagem.
2 : 41 = 0,048 · 100 → 4,8%
12 : 41 = 0,292 · 100 → 29,2%
12 : 41 = 0,292 · 100 → 29,2%
14 : 41 = 0,341 · 100 → 34,1%
1 : 41 = 0,024 · 100 → 2,4%
Distribuição de frequências relativas
Idade Frequência (F)
8 4,8%
9 29,2%
10 29,2%
11 34,1%
Classes
Em casos em que a variável é contínua, isto é, quando ela possui diversos
valores, é necessário agrupá-los em intervalos reais. Na estatística esses
intervalos são chamados de classes.
Para construir a tabela de distribuição de frequências em
classes, devemos colocar os intervalos na coluna da esquerda, com seu
devido título, e na coluna da direita, devemos colocar a frequência absoluta
de cada um dos intervalos, ou seja, quantos elementos pertencem a cada um
deles.
Exemplo
Altura dos alunos da classe do 3º ano do Ensino Médio de uma escola.
Distribuição de frequência em classes
Altura (metros) Frequência absoluta (F)
[1,40; 1,50[ 1
[1,50; 1,60[ 4
[1,60; 1,70[ 8
[1,70; 1,80[ 2
[1,80; 1,90[ 1
Total (FT) 16
Analisando a tabela de distribuição de frequência em classes, podemos ver
que, na turma do terceiro ano, temos 1 estudante que possui altura entre 1,40
m e 1,50 m, assim como temos 4 estudantes com altura entre 1,50 e 1,60 m,
e assim sucessivamente. Podemos observar também que os estudantes
possuem altura entre 1,40 m e 1,90 m, a diferença entre essas medidas, ou
seja, entre a maior altura e a menor altura da amostra, é chamada
de amplitude.
A diferença entre o limite superior e o limite inferior de uma classe é chamada
de amplitude da classe, assim, a segunda, que possui 4 alunos com alturas
entre 1,50 metro (inclusos) e 1,60 metro (não inclusos), possui amplitude de:
1,60 – 1,50
0,10 metro
Medidas de posição
As medidas de posição são utilizadas em casos em que é possível construir-
se um rol numérico com os dados ou uma tabela de frequência. Essas
medidas indicam a posição dos elementos em relação ao rol. As três
principais medidas de posição são:
Média
Considere o rol com os elementos (a 1, a2, a3, a4, …, an), a média aritmética
desses n elementos é dada por:
Exemplo
Em um grupo de dança, as idades dos integrantes foram coletadas e
representadas no rol a seguir:
(18, 20, 20, 21, 21, 21, 22, 22, 25, 30)
Vamos determinar a idade média dos integrantes desse grupo de dança.
De acordo com a fórmula, devemos somar todos os elementos e dividir esse
resultado pela quantidade de elementos do rol, assim:
Portanto, a idade média dos integrantes é de 22 anos.
Para saber mais sobre essa medida de posição, leia nosso texto: Média.
Mediana
A mediana é dada pelo elemento central de um rol que possui uma
quantidade ímpar de elementos. Caso o rol possua uma quantidade par de
elementos, devemos considerar os dois elementos centrais e calcular a
média aritmética entre eles.
Exemplo
Considere o rol a seguir.
Veja que o elemento 4 divide o rol em duas partes iguais, logo, ele é o
elemento central.
Exemplo
Calcule a mediana das idades do grupo de dança.
Lembre-se de que o rol das idades desse grupo de dança é dado por:
(18, 20, 20, 21, 21, 21, 22, 22, 25, 30)
Veja que o número de elementos desse rol é igual a 10, logo, não é possível
dividir o rol em duas partes iguais. Assim devemos tomar dois elementos
centrais e realizar a média aritmética desses valores.
Veja mais detalhes dessa medida de posição em nosso texto: Mediana.
Moda
Chamaremos de moda o elemento do rol que possui maior frequência, ou
seja, o elemento que mais aparece nele.
Exemplo
Vamos determinar a moda do rol das idades do grupo de dança.
(18, 20, 20, 21, 21, 21, 22, 22, 25, 30)
O elemento que mais aparece é o 21, portanto, a moda é igual a 21.
Medidas de dispersão
As medidas de dispersão são utilizadas nos casos em que a média já não
é suficiente. Por exemplo, imagine que dois carros tenham percorrido uma
média de 40.000 quilômetros. Somente com conhecimento sobre média
podemos afirmar que os dois carros andaram determináveis quilômetros cada
um, certo?
No entanto, imagine que um dos carros tenha percorrido 79.000 quilômetros,
e o outro, 1.000 quilômetros, veja que somente com as informações sobre
média não é possível realizar afirmações com precisão.
As medidas de dispersão nos indicarão o quanto os elementos de um rol
numérico estão afastados da média aritmética. Temos duas importantes
medidas de dispersão:
Variância (σ2)
Vamos chamar de variância a média aritmética dos quadrados da diferença
entre cada elemento do rol e a média aritmética desse rol. A variância é
representada por: σ2.
Considere o rol (x1, x2, x3, …, xn) e que ele possua média aritméticax. A
variância é dada por:
Desvio-padrão (σ)
O desvio-padrão é dado pela raiz da variância, ele nos indica o quanto um
elemento está disperso em relação à média. O desvio padrão é denotado por
σ.
Exemplo
Determine o desvio-padrão do conjunto de dados (4, 7, 10). Veja que, para
isso, é necessário determinar-se primeiro a variância, e que, para tanto, é
necessário antes o cálculo da média desses dados.
Substituindo esses dados na fórmula da variância, temos:
Para determinar o desvio-padrão, devemos extrair a raiz da variância.
Para que serve a estatística?
Vimos que a estatística está relacionada a problemas de contagem ou
organização de dados. Além disso, ela tem um importante papel no
desenvolvimento de ferramentas que possibilitam o processo de organização
de dados, com em tabelas. A estatística está presente também em diversos
campos da ciência, com base na coleta de dados e em seu tratamento, é
possível trabalhar modelos matemáticos que permitem maior
desenvolvimento na área estudada. Alguns campos em que a estatística é
fundamental: economia, meteorologia, marketing, esportes, sociologia e
geociências.
Na meteorologia, por exemplo, os dados são coletados em determinado
período, depois de organizados, eles são tratados, e assim, com base neles,
constrói-se um modelo matemático que nos permite afirmar sobre o clima de
dias anteriores com maior grau de confiabilidade. A estatística é um ramo da
ciência que nos permite fazer afirmações com certo grau de confiabilidade,
mas nunca com 100% de certeza.
[Link]
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