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G. Liberdades Religiosas

O documento aborda as liberdades religiosas, destacando o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, conforme estabelecido no Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ele discute a perseguição religiosa em várias partes do mundo, incluindo casos de discriminação contra minorias religiosas, e enfatiza a necessidade de proteção e respeito pela diversidade religiosa. Além disso, menciona a importância do diálogo inter-religioso para a paz e segurança global.

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G. Liberdades Religiosas

O documento aborda as liberdades religiosas, destacando o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, conforme estabelecido no Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ele discute a perseguição religiosa em várias partes do mundo, incluindo casos de discriminação contra minorias religiosas, e enfatiza a necessidade de proteção e respeito pela diversidade religiosa. Além disso, menciona a importância do diálogo inter-religioso para a paz e segurança global.

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G.

LIBERDADES RELIGIOSAS

LIBERDADE DE PENSAMENTO, DE CONSCIÊNCIA E DE RELIGIÃO


LIBERDADE DE ADOTAR OU MUDAR A SUA RELIGIÃO OU CRENÇA
LIBERDADE DE MANIFESTAR ESTES DIREITOS

“Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este


direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade
de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em
privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.”
Artigo 18º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1948.
252 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

HISTÓRIA ILUSTRATIVA
Egito: Ativistas Livres Detidos em Visita O tiroteio, o rescaldo (manifestações que ter-
de Solidariedade minaram com a detenção de Muçulmanos e
Cristãos; detenção de ativistas que davam as
A 6 de janeiro de 2010, seis Cristãos cop- condolências às famílias das vítimas do tiro-
tas e um guarda Muçulmano foram atingi- teio) e o tratamento do caso pelas autoridades
dos por tiros no Egito quando os Cristãos demonstram a situação precária dos Cristãos
deixavam uma igreja em Nag’ Hammadi Coptas no Egito. Os Coptas são vítimas de
depois da missa de Natal. Os tiros foram ódio religioso e de ataques com base na sua
disparados de um carro em andamento. afiliação e prática religiosas. No seu relatório
De acordo com relatórios, três homens fo- anual de 2010, a HRW acusou o Egito de “dis-
ram detidos dois dias depois, a 8 de ja- criminação disseminada contra os Cristãos
neiro, e condenados, a 9 de janeiro, por Egípcios, assim como de intolerância oficial
“homicídio premeditado, tendo posto a de seitas Muçulmanas heterodoxas.”
vida de cidadãos em perigo e também por (Fonte: Human Rights Watch. 2010. Egypt:
danos à propriedade pública e privada”. Free Activists Detained on Solidarity Visit; Hu-
Apesar de a detenção ser vista como um pas- man Rights Watch. 2011. World Report 2011)
so na direção certa pela Human Rights Watch
(HRW), não é suficiente. A HRW argumenta Questões para debate
que a rotina, em casos semelhantes, consis- 1. Que razões pensa terem estado na base do
te em chamar as famílias envolvidas para tratamento dos Cristãos Coptas no Egito?
que estas não prossigam com a investigação 2. Já ouviu falar de incidentes compará-
criminal e procedam à resolução do caso de veis no seu país ou região?
modo privado. Frequentemente é paga uma 3. Que parâmetros internacionais de direi-
compensação às famílias das vítimas. tos humanos foram violados?
Sarah Leah Whitson, Diretora da HRW 4. Como se poderão prevenir situações se-
para o Médio Oriente instou o governo melhantes?
egípcio a implementar uma “campanha 5. Que instituições e procedimentos inter-
séria de respeito pela diversidade religiosa nacionais existem para fazer face a es-
e de direitos iguais para todos.” tes casos?

A SABER
1. Liberdades Religiosas: ainda um lon- gá-lo, a deixar a família, a ser-se persegui-
go caminho a percorrer do, posto na prisão ou até morto.
Milhões de pessoas acreditam que existe No século III a.C., os Budistas eram perse-
algo superior à humanidade que nos guia guidos na Índia por acreditarem nos ensi-
espiritualmente. Por força daquilo em que namentos de Buda. A partir do século IX
se acredita, é possível ser-se forçado a ne- d.C. – a “Idade das Trevas” da Europa -
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 253

Muçulmanos e outros crentes não Cristãos ódio de grupo. A perseguição por motivos
começaram a ser perseguidos “em nome religiosos pode ser vista em conflitos re-
de Deus”. Subsequentemente, a guerra centes entre crentes e não crentes, entre
para expandir o Império Otomano e o Is- religiões tradicionais e “novas”, ou entre
lão assustou a Europa. Os Judeus eram Estados com religião oficial ou preferida e
fechados em guetos por Cristãos, mas indivíduos ou comunidades que a ela não
também já o tinham sido anteriormente, pertencem.
por Muçulmanos. O extermínio dos habi-
tantes nativos da América Latina também “Por natureza, ninguém está vinculado a
foi levado a cabo durante o seu processo nenhuma igreja ou seita particular mas
de Cristianização. todos se juntam, voluntariamente, àquela
No passado e no presente, as pessoas têm sociedade em que acreditam ter encontrado
sido ameaçadas pelas suas crenças e con- aquela fé e culto que é, verdadeiramente,
vicções. A faculdade de acreditar em algo aceitável para Deus. A esperança na salva-
e de o manifestar é conhecida e protegi- ção, sendo a única razão para a sua entra-
da como liberdade religiosa. Esta é uma da nessa comunhão, só poderá ser a única
questão não só jurídica mas também mo- causa da sua permanência aí […] Assim,
ral. As crenças religiosas interferem bas- uma igreja é uma sociedade de membros,
tante com a esfera privada do indivíduo, voluntariamente, reunidos para aquele
uma vez que tocam convicções pessoais e fim.”
a compreensão do mundo. John Locke. 1689. Letter Concerning Toleration.
A fé é um dos maiores elementos de ex-
pressão da identidade cultural. É por esta
razão que as liberdades religiosas são um “Não haverá paz entre as nações sem paz
tópico particularmente sensível de abordar entre as religiões. Não haverá paz entre as
e parece causar mais dificuldades do que religiões sem diálogo entre as religiões. Não
outras questões de direitos humanos. haverá diálogo entre as religiões sem inves-
Um outro problema tem impedido a re- tigação dos fundamentos das religiões.”
gulação das liberdades religiosas no di- Hans Küng, Presidente da Global Ethic Foundation.
reito internacional dos direitos humanos.
Por todo o mundo, religião e crença são As violações atuais das liberdades religio-
elementos chave da política. As crenças sas ocorrem por todo o mundo. No en-
e liberdades religiosas são muitas vezes tanto, a supressão sistemática de certas
usadas incorretamente para exigências crenças manifesta-se presente nos seguin-
políticas e reivindicações de poder, o que tes países: na Birmânia, todas as minorias
resulta, frequentemente, em argumentos religiosas são perseguidas – em particular,
enganosos quando religião e política são os Muçulmanos Rohingya e também Pro-
ligadas. testantes e monges Budistas; o governo
Uma proteção adequada tem-se tornado Norte-Coreano considera todas as crenças
mais premente em anos recentes, uma e ritos religiosos além da ideologia Juche
vez que a intolerância religiosa e persegui- como uma ofensa ao culto da personali-
ção têm tido lugar de destaque em vários dade da família Kim e uma violação da
conflitos trágicos em todo o mundo que autoridade governamental; no Egito, as-
envolvem problemas de etnia, racismo ou sistimos a discriminação contra Coptas,
254 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

Cristãos ortodoxos, Bahai, Ahmadis, Cora- sas. Se não pode acreditar num Deus
nistas, Shiitas e Muçulmanos Sufi, assim ou num qualquer conceito de universo
como antissemitismo virulento; na Eri- que queira, a liberdade e a segurança
treia, os seguidores das Testemunhas de pessoais continuarão fora do alcance.
Jeová, os Cristãos Evangélicos e o Movi- As ameaças à liberdade de pensamento,
mento de Pentecostes são alvos de supres- de crença, de consciência e de religião
são particulares; no Irão há discriminação afetam, diretamente, tanto indivíduos
e perseguição dos Bahai, Sufis, Muçul- como grupos no que respeita a assegu-
manos dissidentes e Cristãos; no Iraque e rar e desenvolver a integridade pessoal.
na Nigéria contra Cristãos e no Paquistão Quando a discriminação e a perseguição
contra Ahmadis. Na China, os Muçulma- baseadas na religião são sistemáticas ou
nos Uigures em Xinjiang, Protestantes, se- estão institucionalizadas, tal pode levar
guidores de Falun Gong e os Budistas Ti- à existência de tensões entre comunida-
betanos são particularmente afetados. No des ou mesmo a crises internacionais.
Sudão, os Cristãos são discriminados, e na Os agentes da insegurança podem ser
Árabia Saudita, os Muçulmanos Shiitas e quaisquer uns – indivíduos, grupos e
Ismaelistas. Por fim, assistimos a discrimi- até Estados. Esta ameaça, omnipotente e
nação forte contra grupos religiosos não omnipresente, à segurança pessoal, com
registados no Turquemenistão e Uzbequis- base na religião e na crença, precisa de
tão. As violações das liberdades religiosas medidas de proteção especiais. A educa-
variam do crescimento recente do funda- ção e aprendizagem para os direitos hu-
mentalismo Cristão nos EUA, à intensifica- manos são a solução para se respeitar as
ção do extremismo religioso islâmico, bem crenças religiosas e os pensamentos dos
como a novas formas de antissemitismo outros. A compreensão do respeito, da
(i.e., medo e ódio por Judeus/Judaísmo) tolerância e da dignidade humana não
em vários países e, especialmente, desde o pode ser alcançada à força. Tem de ser
11 de setembro de 2001, a uma Islamofobia um compromisso duradouro de todos na
(i.e. medo e ódio de Muçulmanos/Islão) construção conjunta da segurança indi-
crescente, embora muitas vezes ignorada, vidual e global.
nos EUA e na Europa.
Infelizmente, existem outros numerosos 2. DEFINIÇÃO E DESENVOLVIMENTO
casos que podem exemplificar a urgência DA QUESTÃO
de lidar com as liberdades religiosas, es-
pecialmente, quando estão ligadas a extre- O que é a Religião?
mismo. Este fenómeno tem de ser aborda- Não existe uma definição comum de re-
do separadamente. ligião nas discussões filosóficas ou socio-
lógicas. No entanto, nas diferentes defini-
Liberdades Religiosas e Segurança Hu- ções, vários elementos comuns têm sido
mana propostos.
Etimologicamente, religião, ligada ao La-
O direito de viver sem medo é um va- tim religare, refere-se a uma “vinculação”.
lor essencial da segurança humana. Este Religião é aquilo que vincula o crente a al-
valor essencial é extremamente ameaça- gum “Absoluto” – concetualizado em ter-
do pela violação das liberdades religio- mos pessoais ou impessoais. Normalmen-
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 255

te, inclui uma série de ritos e rituais, regras Contrariamente a esta definição intelectu-
e regulações que permitem ao indivíduo al estrita de fé como ato de reflexão, a fé
ou comunidades relacionar a sua existên- significa um ato de crença ou confiança
cia com um “Deus” ou com “Deuses”. De em algo Supremo (seja esse algo pessoal
acordo com Milton J. Yinger, a religião re- ou não, como as Quatro Nobres Verdades
presenta um “sistema de crenças e práticas do Budismo).
pelos quais um grupo de pessoas luta com O Comité dos Direitos Humanos das Na-
os problemas derradeiros da vida”. ções Unidas, no seu Comentário Geral
Em comparação, o Dicionário de Black nº 22 sobre o artº 18º do Pacto Interna-
Law define religião como “Uma relação cional sobre os Direitos Civis e Políticos
[humana] com o Divino, a reverência, ado- (PIDCP) define a proteção da religião ou fé
ração, obediência e submissão a ordens e deste modo: “O artigo 18º protege fés teís-
normas de seres sobrenaturais ou superio- tas, não-teístas e ateístas tal como o direito
res. No seu sentido mais lato, [religião] in- a não professar qualquer religião ou fé.” O
clui todas as formas de crença na existên- Comentário Geral menciona também “Os
cia de um poder superior que exerce poder termos religião e fé devem ser entendidos
sobre os seres humanos, impondo sanções latamente. O artigo 18º, no que respeita à
e regras de conduta, juntamente com com- sua aplicabilidade, não se limita a religiões
pensações e punição futuras”. tradicionais ou a religiões e fés com carac-
Esta definição e outras semelhantes in- terísticas institucionais ou práticas análo-
corporam o reconhecimento da existência gas às das religiões tradicionais. O Comité,
de um Supremo, Sacro, Absoluto, Trans- consequentemente, encara com preocupa-
cendente, seja pessoal ou impessoal. O ção qualquer tendência para a discrimi-
“Supremo/Derradeiro” tem uma função nação de qualquer religião ou fé por um
normativa e os crentes devem seguir os qualquer motivo, incluindo o facto de as
ensinamentos e as regras de conduta da mesmas terem sido recentemente estabele-
sua religião, como o caminho até este cidas ou representarem minorias religiosas
Absoluto. Os crentes devem igualmente que possam ser alvo de hostilidade por par-
expressar as suas crenças religiosas sob te de um grupo religioso predominante”.
várias formas de adoração ou culto. Mui- (Fonte: Comité dos Direitos Humanos da
tas vezes, mas nem sempre, uma entida- ONU. 1993. Comentário Geral nº22, §48,
de legal, como uma igreja ou uma outra sobre o artº 18º do PIDCP)
instituição é estabelecida para organizar o Fés de outra natureza - seja política, cul-
grupo ou as práticas de adoração. tural, científica ou económica – não caem
sob esta proteção e têm de ser tratadas de
O Que É a Fé? forma diferente.
Fé é um conceito mais amplo do que re-
ligião. Inclui religião mas não se limita Liberdade de Expressão
ao seu significado tradicional. O Dicioná- Liberdade dos Meios de Informação
rio de Black Law define a mesma como
a “crença na verdade de uma proposição, O Que São
subjetivamente existente na mente e indu- as Liberdades Religiosas?
zida por argumentação, persuasão ou pro- Em direito internacional, as liberdades reli-
va direcionada ao julgamento”. giosas são protegidas enquanto liberdade
256 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

de pensamento, consciência e religião. 2. Liberdade de exercer práticas coletivas;


Estas três liberdades básicas são aplicáveis 3. Liberdade de determinadas entidades;
igualmente a fés teístas, não teístas e ate- 4. Liberdade de não ter religião.
ístas, assim como a posições agnósticas e
incluem todas as fés com uma visão trans- 1. Liberdade de exercer práticas indivi-
cendente do universo e um código norma- duais específicas
tivo de comportamento. O artº 18º da Declaração Universal dos
A liberdade de religião e fé, num sentido es- Direitos Humanos (DUDH) identifica as
trito, inclui liberdade de religião e fé e liber- liberdades religiosas como um direito
dade de não ter religião nem fé, o que pode de “todas as pessoas”, o que significa que
ser entendido como o direito a aceitar e a protege crianças e adultos, nacionais e es-
não aceitar normas ou atitudes religiosas. trangeiros e não pode ser derrogada mes-
A liberdade de pensamento e consciência mo em estado de emergência ou em tempo
é protegida da mesma forma que a liberdade de guerra. A lista de liberdades religiosas
de religião e fé. Comporta a liberdade de pen- individuais contida no artº 18 do PIDCP
samento em todas as matérias, convicções fornece uma detalhada enumeração dos
pessoais e o compromisso com a religião ou direitos que constituem um padrão míni-
fé, quer estes sejam manifestados individual- mo aceite internacionalmente:
mente ou em comunidade com outros.
A liberdade de consciência é várias vezes - A liberdade de manifestar a sua fé ou
violada, como prova o número de “prisio- de reunião ligada a uma religião ou
neiros de consciência” existente em todo o crença, de estabelecer e manter locais
mundo. Estes prisioneiros, na sua maioria, para este fim;
pertencem a minorias religiosas.
- A liberdade de fazer, adquirir e usar,
A liberdade de pensamento e consciência
adequadamente, os artigos e os mate-
e a liberdade de escolher e de mudar de
riais necessários relativos aos ritos e aos
religião ou fé são protegidas incondicio-
costumes de uma religião ou crença;
nalmente. Ninguém pode ser forçado a
revelar os seus pensamentos ou a aderir a - A liberdade de solicitar e receber con-
uma religião ou fé. tribuições financeiras voluntárias e ou-
tras contribuições de indivíduos e ins-
Padrões Internacionais tituições;
O direito internacional dos direitos huma- - A liberdade de formar, nomear, ele-
nos evita a controvérsia acerca da defini- ger ou designar por sucessão, líderes
ção de religião e fé e contém, antes, um apropriados como estabelecido por
catálogo de direitos que visa a proteção normas e condições de qualquer reli-
da liberdade de pensamento, consciência, gião ou crença;
religião e fé. - A liberdade de respeitar dias de descan-
Para uma melhor compreensão da com- so e de celebrar dias sagrados e cerimó-
plexidade das liberdades religiosas, po- nias de acordo com os preceitos da sua
der-se-á fazer uma classificação com qua- religião ou crença;
tro níveis:
1. Liberdade de exercer práticas indivi- - Liberdades religiosas no trabalho, in-
duais específicas; cluindo o direito a rezar, códigos de
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 257

vestuário e normas relativas à alimen- de Intolerância e de Discriminação Ba-


tação; seadas na Religião ou Crença.)
- A liberdade de assembleia e de associa-
ção para a prece e festas religiosas; 4. Liberdade de não ter religião
- A liberdade de manifestar a sua crença; A liberdade negativa de religião ou neutra-
- O direito de mudar ou recusar a sua lidade religiosa significa que os cidadãos
religião; não religiosos podem invocar a liberdade
de não ter religião no domínio público.
- O direito à educação religiosa “no inte-
Na Alemanha, por exemplo, a liberda-
resse superior” da criança.
de negativa de religião ou a neutralidade
(Fonte: Nações Unidas. 1966. Artº 18º religiosa tem sido particularmente salien-
do PIDCP) tada desde que o Tribunal Constitucional
Federal no “julgamento sobre crucifixo”
2. Liberdade de exercer práticas coletivas decidiu que afixar uma cruz ou crucifixo
Os direitos religiosos não habilitam apenas nas salas de aulas de uma escola pública
os indivíduos a gozar das liberdades acima obrigatória, uma escola não religiosa, con-
mencionadas. Uma religião ou crença pode traria o artº 4º, nº1, da Lei Fundamental
ser, e normalmente é, manifestada em comu- Alemã. Esta neutralidade religiosa atingiu
nidade e, por conseguinte, muitas vezes em um novo clímax com as novas leis e di-
espaços públicos. Este facto implica igual- retrizes e a sua implementação em oito
mente a garantia de liberdade de associação estados federados alemães; estes incluem
e assembleia à comunidade de crentes. restrições severas sobre o uso de símbolos
religiosos, incluindo os véus no setor pú-
3. A liberdade de determinadas entidades
blico. A organização de direitos humanos
Determinadas entidades com base religio-
Human Rights Watch criticou a neutralida-
sa também gozam de proteção total por
de religiosa alemã acentuada até à data,
força da liberdade de religião. Estas en-
uma vez que os novos regulamentos vio-
tidades podem constituir casas de culto
lariam a responsabilidade internacional da
ou instituições educativas que lidem com
Alemanda de proteger a liberdade religiosa
questões religiosas ou até mesmo ONG.
e também o direito de igualdade perante a
lei. A França e a Bélgica também têm leis
Os seus direitos incluem:
e proibições sobre o uso de roupas e sím-
- A liberdade de estabelecer e manter bolos religiosos no domínio público desde
instituições de solidariedade e humani- 2011.
tárias apropriadas;
- A liberdade de escrever, publicar e di- O Princípio da Não Discriminação
vulgar publicações relevantes nessas A discriminação e intolerância baseadas
áreas; na religião, significa que qualquer dis-
- A liberdade de ensino de uma religião tinção, exclusão, restrição ou preferência
ou crença em locais adequados. baseada na religião ou fé, são proibidas.
A proibição da discriminação e intolerân-
(Fonte: Nações Unidas. 1981. Declaração cia religiosas não se limita à vida pública,
para a Eliminação de Todas as Formas mas respeita também à esfera privada dos
258 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

indivíduos, na qual estão enraizadas as ticá-la, sozinho ou com outros, a cumprir


crenças religiosas ou de outra natureza. regras de dieta alimentar e regras de vestu-
ário ou ao uso de uma linguagem particu-
Não Discriminação lar e a celebrar rituais associados à nossa
fé. A manifestação da religião ou fé sig-
Educação nifica igualmente a possibilidade de evi-
Os pais têm o direito a educar os seus fi- tar atos que sejam incompatíveis com as
lhos de acordo com a sua fé. A disposi- prescrições de uma determinada fé. Estas
ção “no interesse superior da criança” tem ações podem consistir na recusa de jura-
como propósito limitar a liberdade de ação mentos, de serviço militar e a participação
dos pais apenas quando uma prática re- em cerimónias religiosas, confissão ou tra-
ligiosa possa prejudicar a saúde física ou tamento médico.
mental da criança. Esta prática pode con-
sistir na recusa de tratamento médico ou Limitações às Liberdades Religiosas
educação escolar. Por exemplo, a recusa Apesar de a fé em si mesma ser protegi-
de transfusões sanguíneas pode conduzir da sem reservas, a manifestação da crença
à morte dos filhos de Testemunhas de Jeo- pode atingir limites quando estão em cau-
vá cuja crença, por princípio, não permite sa os interesses de outras pessoas.
a transfusão de sangue. O artº 9º da Convenção Europeia dos Di-
No domínio público, os Estados têm a reitos Humanos (CEDH), por exemplo,
obrigação de providenciar educação que especifica que as restrições ao direito de
proteja a criança da intolerância e discri- manifestar uma crença religiosa têm de ser
minação religiosas e que ofereça curricula proporcionais e baseadas na lei. Apenas
que inclua a educação sobre liberdade de podem ser impostas quando necessárias
pensamento, consciência e religião. para proteger a segurança pública, a ordem,
a saúde ou moral ou os direitos fundamen-
Direitos Humanos da Criança tais e liberdades de outras pessoas. As limi-
Direito à Educação tações a esta liberdade são permitidas, por
exemplo, em casos de sacrifício humano,
Questões para debate automutilação, mutilação genital feminina,
1. Como é feita a educação religiosa no escravatura, prostituição forçada, atividades
seu país? subversivas e outras práticas que ameacem
2. O currículo escolar e os manuais lidam a saúde humana e a integridade física.
com a liberdade de religião e de fé, in-
cluindo a liberdade de não acreditar? 3. PERSPETIVAS
3. Existem, no seu país, garantias de inde- INTERCULTURAIS
pendência da educação religiosa? E QUESTÕES CONTROVERSAS

Manifestar a Fé Estado e Fé
A liberdade de manifestar uma crença Uma das maiores diferenças, a nível mun-
religiosa inclui a proteção da linguagem dial, no que respeita à proteção das liberda-
religiosa, ensinamentos, rituais, adoração des religiosas faz-se sentir na relação entre
e observância dessa fé. Temos o direito a os Estados e as religiões ou fés dos seus
falar sobre a nossa fé, a ensiná-la, a pra- cidadãos. Existem vários modelos princi-
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 259

pais no que respeita à forma como os Esta- x Pensa ser possível estabelecer um sis-
dos podem interagir com as fés: religiões de tema de igualdade entre todas as fés,
Estado, igrejas estabelecidas, neutralidade quando uma é privilegiada?
dos Estados relativamente à fé e às suas x Pensa ser legítima a possibilidade de
instituições, inexistência de religião oficial, constituição de partidos políticos con-
separação do Estado e Igreja e proteção de fessionais ou religiosos?
grupos religiosos legalmente reconhecidos.
As normas internacionais não exigem uma Apostasia – A Liberdade de Escolha e
separação entre o Estado e a Igreja e não pres- Mudança de Religião
crevem qualquer modelo particular de rela- O ato de apostasia – abandono de uma reli-
ção entre o Estado e as fés. Os mesmos não gião por uma outra ou por um estilo de vida
requerem a visão de uma sociedade secular secular – é uma das questões mais contro-
que exclua a religião dos assuntos públicos, versas entre culturas diferentes, apesar da
apesar da separação da religião relativamente clareza das normas internacionais.
ao Estado ser uma das maiores caraterísticas Uma pessoa será apóstata se deixar uma
das sociedades modernas (ocidentais). religião e adotar uma outra ou assumir
O único requisito internacional é que uma um estilo de vida secular. Historicamente,
tal relação entre Estado e Igreja não resul- o Islão, o Cristianismo e outras religiões
te na discriminação contra aqueles que não adotaram uma visão muito reprovadora
pertençam à religião oficial ou às fés reco- dos apóstatas. A pena era frequentemente
nhecidas. No entanto, quando apenas uma a morte.
religião é considerada como constitutiva da No que respeita ao Islão, a apostasia é ain-
identidade nacional, é difícil perceber-se da severamente punida em muitos países
como pode ser garantido o tratamento igual onde as respetivas sociedades se baseiam
de fés diferentes ou minoritárias. nas lei Sharia. Países como o Afeganistão,
Do ponto de vista ocidental, é mais provável Irão, Indonésia, Índia, Paquistão, a Arábia
que uma relação neutral entre a religião e o Saudita ou o Egito simbolizam muitos ou-
Estado garanta plenamente a liberdade reli- tros onde é possível impor a pena perpé-
giosa do indivíduo. Pelo contrário, a lei tra- tua ou a pena de morte pela rejeição aber-
dicional Islâmica, Sharia, por exemplo, liga ta da fé Islâmica. Na prática, isto significa
o Estado e a fé porque este sistema é visto que não existe liberdade de escolha ou de
como aquele que providencia uma melhor mudança de religião ou fé.
proteção da liberdade religiosa da comuni- Este facto está em clara contradição com o
dade. Poder-se-á, no entanto, argumentar direito internacional dos direitos humanos.
que quando o Estado está ligado a uma igre- O indivíduo tem o direito a escolher a sua
ja ou religião particulares, será difícil que as fé com liberdade e sem coerção. O deba-
minorias religiosas recebam uma proteção te sobre esta questão é altamente emotivo
igual. e sensível, uma vez que toca convicções
profundas e diferentes entendimentos das
Questões para debate liberdades religiosas. O debate ilustra tam-
x Qual é a atitude do seu país relativa- bém as diferenças culturais na perceção da
mente às diferentes fés? liberdade religiosa e de outras liberdades e
x O seu país reconhece instituições de di- parece estabelecer uma diferença entre o
ferentes fés? “Ocidente” e o “resto do mundo”.
260 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

nova Lei sobre o Ódio Racial e Religioso,


Questões para debate que introduziu uma nova ofensa de “inci-
x Acredita que as pessoas podem escolher tamento ao ódio religioso”, não pudesse
e mudar as suas crenças livremente? impedir o direito de criticar e ridicularizar
x Podem estas situações conduzir a uma as crenças e as práticas religiosas como
colisão com outros direitos humanos? Se parte da liberdade de expressão. Tal Lei foi
sim, com que outros direitos humanos? alterada de acordo com estas observações.

Proselitismo – O Direito de Divulgação Liberdade de Expressão


da Fé Liberdade dos Meios de Informação
Todas as pessoas têm o direito a disseminar
as suas crenças e encorajar outros à con- Objeção de Consciência ao Serviço Mi-
versão de uma fé para outra, desde que não litar
seja usada força ou coerção. Esta ação de- A controvérsia intercultural sobre a ob-
nomina-se proselitismo ou evangelização. jeção de consciência ao serviço militar
Na Europa Central, de Leste e em África, obrigatório ainda existe atualmente. A
têm surgido conflitos entre igrejas locais e isenção ao serviço militar é possível se
religiões estrangeiras que promovem pro- a obrigação de usar força letal confli-
gramas missionários. Em determinados tuar seriamente com a consciência de
casos, estes programas têm sido proibidos uma pessoa e se, consequentemente,
pelos governos. O direito dos direitos hu- pessoas com outras fés não ficarem em
manos exige que os governos protejam o situação de desvantagem. Em países
direito à liberdade de expressão e que os onde existe a possibilidade de presta-
crentes gozem da liberdade de se ocuparem ção de serviço comunitário alternativo
com formas não coercivas de proselitismo, (por exemplo, na Áustria, em França,
como o “mero apelo de consciência” ou a no Canadá ou nos EUA), há uma certa
disposição de cartazes ou paineis. tendência para reconhecer aquele direi-
Apesar de ser claramente uma violação de to na legislação nacional. No entanto,
direitos humanos, forçar alguém a conver- noutros países como a Bielorrússia,
ter-se a uma outra fé, a questão de saber o Chile, Turquia, Turquemenistão, Armé-
que é considerado coerção ainda não está nia ou Israel, não existe qualquer reco-
regulada no direito internacional. Para que nhecimento da objeção de consciência
possa haver limitação do proselitismo é ao serviço militar e é possível colocar
necessário que haja uma “circunstância na prisão uma pessoa que se recuse a
coerciva”: o uso de dinheiro, presentes ou transportar uma arma.
privilégios para que a pessoa se converta;
proselitismo em espaços onde as pessoas Questões para debate
se encontrem por força da lei (salas de x Existem prisioneiros de consciência no
aula, instalações militares, prisões e afins). seu país?
x Pensa ser necessário reconhecer expres-
Incitação ao Ódio por Motivos Religiosos samente, no direito internacional dos
e Liberdade de Expressão direitos humanos, o direito a recusar-se
No início de 2006, no Reino Unido, grupos a matar?
de direitos humanos insistiram para que a
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 261

4. IMPLEMENTAÇÃO lei Sharia tem de ser feita de acordo com


E MONITORIZAÇÃO as obrigações internacionais. O Tribunal
Europeu dos Direitos Humanos (TEDH),
O maior problema relativo à implementa- em Estrasburgo, é um dos instrumentos
ção da liberdade religiosa é a falta de exe- mais eficazes para a implementação da
quibilidade efetiva do artº 18º do PIDCP. liberdade religiosa ao nível regional euro-
A Declaração das Nações Unidas de 1981 peu. Muitas decisões, como a decisão so-
sobre a Eliminação de Todas as Formas de bre a Cientologia na Rússia (vide TEDH.
Intolerância e Discriminação Baseadas na 2007. Caso Igreja da Cientologia de Mosco-
Religião ou Crença, dedicada à luta contra vo c. Rússia, 5 abril, 2007) ou a decisão so-
a intolerância, os estereótipos negativos e bre o reconhecimento das Testemunhas de
a estigmatização de religiões, os apelos à Jeová como uma comunidade religiosa na
violência e a violência contra pessoas com Áustria (vide TEDH. 2008. Caso das Teste-
base na religião ou crença, tem um certo munhas de Jeová et al c. Áustria, 31 julho,
efeito legal, uma vez que pode ser vista 2008) são disso prova. A mais recente de-
como confirmando o direito internacional cisão sobre o debate relativo aos crucifi-
consuetudinário. No entanto, em geral, xos nas escolas públicas italianas também
uma declaração não é juridicamente vin- aponta nessa direção (vide TEDH. 2011.
culativa. Apesar de haver acordo interna- Caso Lautsi et al c. Itália, 18 março, 2011).
cional quanto à necessidade de uma con- Existem igualmente muitos órgãos e comi-
venção, não existe ainda consenso sobre o tés no seio do Conselho da Europa e da
seu possível conteúdo. Organização para a Segurança e Coopera-
Em 1986, foi instituído o mandato de Re- ção na Europa (OSCE) que lidam com os
lator Especial sobre Intolerância Religiosa direitos à liberdade de pensamento, cons-
para monitorizar a implementação da De- ciência, religião e ideologia.
claração de 1981. O seu mandato consiste
principalmente em identificar incidentes Medidas de Prevenção e Estratégias Fu-
e ações governamentais que sejam incon- turas
sistentes com as disposições da Declara- Antes de se continuar com os esforços ten-
ção e fazer recomendações de medidas dentes à adoção de uma convenção juri-
reparadoras que devam ser tomadas pelos dicamente vinculativa, é necessária uma
Estados. A perseguição e discriminação melhor promoção da Declaração das Na-
baseadas na religião afetam indivíduos e ções Unidas sobre a Eliminação de Todas
comunidades de todas as fés por todo o as Formas de Intolerância e Discriminação
mundo, incluindo violações do princípio Baseadas na Religião ou Crença de 1981, de
da não discriminação religiosa e da tole- forma a desenvolver-se uma cultura de co-
rância de religião e credo, violações dos abitação multirreligiosa. A ênfase deve ser
direitos à vida, integridade física e segu- colocada no papel da educação como meio
rança humana do indivíduo. essencial para combater a intolerância e a
Existem igualmente instrumentos regio- discriminação religiosas. Os Estados têm
nais de direitos humanos que lidam com obrigações claras de direito internacional
a liberdade religiosa: a Comissão Africana de combater a violência e a discriminação
dos Direitos Humanos decidiu, num caso no que respeita a questões de fé. Por outro
respeitante ao Sudão, que a aplicação da lado, as ONG, as organizações religiosas e
262 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

seculares têm uma obrigação igualmente que a sua fé é verdadeira. Uma cultura de
clara de salientar as violações dos Estados tolerância e respeito exige que nos recu-
e outros atores, de defender os persegui- semos a discriminar, denegrir ou difamar
dos e de promover a tolerância através de outras religiões e respeitemos o direito
campanhas informativas, campanhas de fundamental a ser-se diferente também em
sensibilização, programas educativos e termos religiosos. Significa igualmente que
educação. nos recusemos a discriminar o outro em
termos de emprego, habitação e acesso a
O Que Podemos Fazer? serviços sociais porque este tem outra fé. É
Nós podemos começar a prevenir a discri- também necessário, para uma efetiva mu-
minação e a perseguição religiosa, respei- dança de atitude, a promoção do diálogo in-
tando os direitos dos outros. A tolerância terreligioso e o encontro de crentes, numa
religiosa implica o respeito pelos seguido- plataforma comum, e não crentes para que
res de outras fés, quer acreditemos ou não aprendam a respeitar-se mutuamente.

CONVÉM SABER
1. BOAS PRÁTICAS x Parlamento Mundial das Religiões;
x Fundação Ética Mundial.
Diálogo Interreligioso Existem igualmente, por todo o mundo,
para o Pluralismo Religioso numerosas iniciativas locais e regionais
Durante as últimas décadas, as questões que promovem a resolução e prevenção de
sobre pluralismo religioso e cultural fize- conflitos, através do diálogo:
ram reavivar o interesse nas igrejas e co- x No Médio Oriente, a “Clergy for Peace”
munidades de crentes. Há um sentimento promove o encontro de rabinos, padres,
de urgência relativamente à construção de pastores e imãs em Israel e na Cisjordâ-
relações criativas entre pessoas de diferen- nia, tendo em vista o desenvolvimento
tes fés. Tal como o interesse no diálogo de uma ação comum e para ser teste-
tem crescido, assim também tem crescido munha da paz e justiça na região;
a sua prática, permitindo, deste modo, às x No Sul da Índia, o “Council of Grace” reú-
várias comunidades religiosas entende- ne Hindus, Cristãos, Muçulmanos, Budis-
rem-se melhor umas com as outras e tra- tas, Jains, Zoroastrianos, Judeus e Sikhs
balharem mais próximas na educação, re- numa tentativa de lidar com situações de
solução de conflitos e na vida quotidiana conflito comunitário (Comunalismo);
da comunidade. Entre muitas outras, estas x No Pacífico, a “Interfaith Search” reúne
ONG internacionais têm promovido o di- representantes de várias religiões nas
álogo religioso e a paz: Fiji com o objetivo de superar precon-
x Conselho Mundial das Igrejas; ceitos e promover o respeito e a apre-
x Conferência Mundial sobre Religiões e ciação mútuos;
Paz, com o seu grupo de trabalho per- x Na Europa, o “Project: Interfaith Europe”
manente sobre “religião e direitos hu- é a primeira iniciativa do género a con-
manos”; vidar políticos urbanos e representantes
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 263

de diferentes religiões de toda a Europa 2. TENDÊNCIAS


para as cidades de Graz e Sarajevo;
x A cidade de Graz, na Áustria, estabeleceu Cultos, Seitas e Novos Movimentos Re-
um Conselho para Assuntos Interreligio- ligiosos
sos, onde se discutem problemas comuns Jacarta (16 de julho de 2005): O Vice-
às várias fés e se aconselha a cidade acer- -Presidente Yusuf Kalla condenou, no
ca do modo como os revolver. sábado, um ataque de cerca de 1000 mu-
çulmanos à sede de uma seita islâmica
Questão para debate pouco conhecida e considerada como
“No diálogo, a convicção e abertura são herege pelos principais grupos muçul-
mantidos em equilíbrio”. manos de todo o mundo. Munida com
(Fonte: Worldwide Ministries – Guidelines bastões e pedras, a multidão atacou a
for Interfaith Dialogue: [Link]/ sede da seita Ahamadiyah na cidade de
pcusa/wmd/eir/[Link]) Bogor, situada a sul de Jacarta, vanda-
x Como pode ser feito este diálogo, indi- lizando escritórios e outras divisões. A
vidualmente e em comunidade? polícia tentou parar o ataque, mas foi in-
capaz perante tantas pessoas.
“Religiões para a Paz”
(Fonte: The Jakarta Post. 16 julho, 2005.
através da Educação
VP condemns mob attack on Islamic
A educação interreligiosa encoraja o res-
sect.)
peito por pessoas de outras fés e prepara
os estudantes a pôr de parte barreiras de
preconceito e intolerância. A liberdade religiosa não deve ser interpre-
x Em Israel, um projeto chamado “Common tada estritamente, incluindo apenas as re-
Values/Different Sources” promoveu o en- ligiões tradicionais do mundo. Igual prote-
contro de Judeus, Muçulmanos e Cris- ção deve ser dada aos novos movimentos
tãos, tendo em vista o estudo de textos religiosos ou às minorias religiosas. Este
sagrados na procura de valores comuns princípio adquire particular importância à
que se possam praticar na vida quotidia- luz de acontecimentos recentes nos quais
na. O resultado deverá, eventualmente, novos movimentos religiosos são um alvo
ser um livro escolar uniforme; recorrente de discriminação e repressão.
x Na Tailândia e no Japão, recentes Cam- Estes novos movimentos são conhecidos
pos Éticos de Liderança Jovem pro- por diferentes nomes e necessitam de uma
moveram o encontro de jovens repre- análise mais profunda.
sentantes das comunidades religiosas Os termos “culto” e “seita” são usados
destes países em programas de forma- para referir grupos religiosos que diferem
ção em liderança, valores éticos e mo- das principais religiões nas suas crenças
rais, serviço comunitário e de fortaleci- e práticas. Ambas as expressões são al-
mento da reconciliação; tamente ambíguas. Uma seita geralmente
x Na Alemanha, Inglaterra e noutros pa- refere-se a um grupo religioso dissidente
íses, os educadores estão a analisar o que se formou a partir do ramo principal
tratamento das tradições religiosas em da religião dominante, enquanto culto
textos escolares, que sejam estranhas é geralmente visto como um sistema de
ao público-alvo dos livros. crenças religiosas não ortodoxo ou apócri-
264 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

fo, muitas vezes acompanhado por rituais mes as penalizem ou mesmo ameacem as
únicos. suas vidas:
Considerando que ambos os termos são x A taxa de mutilação de meninas em zo-
definidos a partir da ideia de “desvio da nas rurais do Egito é de 95%. A muti-
norma”, a visão do que constitui seita ou lação genital feminina (MGF) é uma
culto será diferente entre as várias cren- tradição cultural em muitos países e é
ças. Enquanto o Budismo e o Hinduísmo severamente condenada pelos padrões
usam estes termos num sentido neutro, no internacionais de proteção dos direitos
mundo ocidental, “seita” ou “culto” são humanos. Graves problemas de saúde
conceitos frequentemente usados com co- podem surgir subsequentemente, po-
notação negativa. Este facto deriva não só dendo potencialmente resultar na morte.
da diferença destes grupos relativamente No entanto, em junho de 2003, foi alcan-
à norma, mas também do facto de serem çado um progresso a este respeito quan-
muitas vezes associados com uma comple- do representantes de vinte e oito países
ta devoção ou abusos em termos financei- africanos e árabes afetados por esta prá-
ros. Não estão protegidos pelas liberdades tica assinaram a Declaração Conjunta
religiosas grupos que se tenham formado do Cairo para a Eliminação da MGF na
como negócios, em vez de grupos religio- Consulta de Peritos Africanos e Árabes
sos. Um famoso e controverso exemplo é sobre “Medidas Legais para a Prevenção
a Igreja da Cientologia, que, em alguns da Mutilação Genital Feminina”.
países (sendo a Alemanha o mais famoso x Em zonas da Nigéria, Sudão, Paquistão
exemplo) não é reconhecida como religião e noutros países, são praticados casa-
por ser antes vista como uma empresa. mentos forçados que resultam frequen-
temente em escravidão. A necessidade
Questões para debate de consentimento da mulher não é res-
x As minorias religiosas são protegidas no peitada. Muitas vezes, as “esposas” não
seu país? Se sim, como? têm mais do que nove anos. No seio de
x Essas minorias têm os mesmos direitos/ determinados grupos na Europa e na
apoio do que a(s) principal(ais) fé(s)? América do Norte, são também prati-
cados casamentos forçados, defendidos
Mulheres e Fé ou tolerados em nome da cultura, tradi-
Durante toda a história, as mulheres têm ção e religião, apesar da existência de
sido discriminadas por praticamente todas proibições gerais de tal prática, nesses
as fés. Só tardiamente o seu direito hu- países.
mano à liberdade religiosa foi abordado. x A violação como forma específica de
A discriminação das mulheres na religião “limpeza étnica”: a afiliação religiosa
envolve dois aspetos. Por um lado, pode das vítimas foi em muitos casos a ra-
haver uma limitação da sua liberdade de zão por detrás de violações em massa
manifestar a sua fé, se não puderem ace- na ex-Jugoslávia, Geórgia, Sudão, Ru-
der em condições de igualdade a espaços anda ou Chechénia. A gravidez força-
de culto ou não puderem pregar ou lide- da de mulheres violadas garantia que
rar as suas comunidades. Por outro lado, publicamente as mesmas fossem vistas
podem ser vítimas de determinadas fés, como tendo sido violadas e, consequen-
quando as leis religiosas, práticas e costu- temente, desonradas e humilhadas, pro-
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 265

longando o dano psicológico. Os seus


“Tal como a religião pode ser usada, er-
filhos continuam a ser discriminados.
radamente, para justificar o terrorismo,
Entre as vítimas estavam meninas entre
também as ações “antiterrorismo” dos
os 7 e os 14 anos de idade.
governos podem ser erradamente usadas
para justificar atos que colocam em peri-
Extremismo Religioso e os seus Impactos
go os direitos humanos e a liberdade de
Depois dos ataques ao “World Trade Cen-
religião ou crença.”
tre” e ao Pentágono, em 11 de setembro
de 2001, e também como consequência (Fonte: OSCE. 2002. Conferência sobre a
do ataque no metro de Londres, a 7 de Liberdade de Religião e a Luta contra o Ter-
julho de 2005, o terrorismo parece explo- rorismo. Liberdade de Religião e Crença.)
rar, mais do que nunca, a crença religiosa.
Muitos entendem que estes trágicos acon- Difamação da Religião
tecimentos marcam apenas a ponta do Desde 1999 tem havido esforços nas Nações
icebergue que está por detrás da ligação Unidas no sentido de fazer da difamação da
entre fé e terrorismo: sequestro de aviões, religião uma forma nova de racismo. Estes
os bombardeamentos das embaixadas oci- esforços foram encorajados pela Organização
dentais em países dominados por Muçul- da Conferência Islâmica5 para proteger o Islão
manos, para não falar da questão “israelo- de ataques. Em 2001, a Comissão de Direi-
palestiniana” e outros “conflitos de baixa tos Humanos da ONU passou uma resolução
intensidade” por todo o mundo que usam para a luta contra a difamação da religião,
a religião por razões políticas. tendo nomeado apenas o Islão. A resolução
Esta ligação é, todavia, bastante perigosa, refere ainda que a difamação da religião con-
uma vez que divide o mundo entre “bons” duz a violações de direitos humanos e que
e “maus” cenários e rotula as pessoas com é a razão da instabilidade social no mundo.
base na sua fé. No entanto, tal como nem A resolução foi aprovada pelo Conselho de
todo o terrorista ou extremista será religioso, Direitos Humanos, tendo os Estados da UE,
nem todo o crente é terrorista. Quando ata- a Suíça e outros países ocidentais (ex. EUA,
ques extremistas são ligados à fé e os ofen- Canadá) abstido pelo facto de o conceito de
sores argumentam o cometimento de um difamação da religião ser inconsistente com o
crime “em nome de Deus”, a religião e as direito dos direitos humanos.
suas liberdades são usadas e abusadas para A resolução foi considerada contraditória,
ocultar atos ou exigências motivadas politi- uma vez que estabelece o direito de uma re-
camente. O recurso ao terrorismo em nome ligião em vez de um direito dos indivíduos,
da fé não prova a existência de um confron- enquanto os direitos humanos geralmente
to de diferentes culturas baseado em crenças protegem os indivíduos e não conceitos e, en-
religiosas, uma vez que o extremismo é uma quanto tais, religiões. Mais, um direito contra
ameaça global que não está limitada a uma a difamação de religião implicaria uma forte
sociedade ou fé em particular, mas que se restrição à liberdade de opinião. Em 2009,
baseia na ignorância e intolerância. uma coligação de mais de 180 ONG declarou
A única forma de combater efetivamente
o extremismo é encontrar formas de que-
brar o círculo vicioso de violência que gera 5
Em junho de 2011, a OCI passou a designar-se Or-
violência. ganização da Cooperação Islâmica.
266 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

a sua oposição à resolução pelo facto de a 1950 Convenção Europeia para a Pro-
mesma ameaçar a liberdade de opinião. Não teção dos Direitos Humanos
obstante, a resolução foi aprovada pelo Con- e das Liberdades Fundamentais
selho de Direitos Humanos. (Artº 9º)
Apenas em 2011, a Conferência dos Esta-
dos Islâmicos propôs uma resolução revis- 1965 Declaração sobre a Liberdade Reli-
ta que foi aceite por todos os estados do giosa pelo Conselho do Vaticano
Conselho de Direitos Humanos e preten- 1966 Pacto Internacional sobre os Direi-
de proteger pessoas que, por força da sua tos Civis e Políticos (Artos 18º, 20º,
religião ou crença, são confrontadas com 24º, 26º, 27º)
intolerância e violência. 1969 Convenção Americana sobre Direi-
(Fonte: Conselho de Direitos Humanos da tos Humanos (Artos 12º, 13º, 16º,
ONU. 2011. Combating intolerance, nega- 17º, 23º)
tive stereotyping and stigmatization of,
1981 Carta Africana dos Direitos Huma-
and discrimination, incitement to violence,
nos e dos Povos (Artos 2º, 8º, 12º)
and violence against persons based on reli-
gion or belief.) 1981 Declaração das Nações Unidas
sobre a Eliminação de Todas as
Questões para debate Formas de Intolerância e de Discri-
x Quais são as principais razões de confli- minação Baseadas na Religião ou
to no seio e entre comunidades religio- Crença
sas? Pode dar exemplos, tendo em conta 1989 Convenção sobre os Direitos da
a sua própria experiência? Criança (Artº 14º)
x Qual é o papel das fés na procura de paz
e na resolução de conflitos? Pense em 1990 Declaração do Cairo sobre Direitos
exemplos onde a religião tenha sido um Humanos no Islão
agente de reconciliação. 1992 Declaração das Nações Unidas so-
bre os Direitos de Pessoas Perten-
3. CRONOLOGIA centes a Minorias Étnicas, Religio-
sas e Linguísticas (Artº 2º)
Etapas importantes na história do de-
1993 Declaração para uma Ética Global,
senvolvimento das liberdades religiosas
apoiada pelo Parlamento das Reli-
1776 Declaração de Direitos da Virgínia giões do Mundo em Chicago
(1789 Carta de Direitos com Pri- 1994 Carta Árabe dos Direitos Humanos
meira Emenda) (Artos 26º, 27º)
1948 Declaração sobre a Liberdade Re- 1998 Carta Asiática dos Direitos Huma-
ligiosa do Conselho Mundial das nos (Artº 6º)
Igrejas
2001 Conferência Internacional Con-
1948 Declaração Universal dos Direitos sultiva das Nações Unidas sobre
Humanos (Artos 2º, 18º) a Educação Escolar em relação à
1948 Convenção sobre a Prevenção e a Liberdade de Religião e Crença, à
Repressão do Crime de Genocídio Tolerância e à Não Discriminação
(Artº 2º) (Madrid)
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 267

2001 Congresso Mundial para a Preser- 2007 Declaração da OSCE sobre Intole-
vação da Diversidade Religiosa rância e Discriminação contra Mu-
(Nova Deli) çulmanos
2004 Carta Árabe dos Direitos Humanos

ATIVIDADES SELECIONADAS
ATIVIDADE I: Dividir os participantes em grupos de qua-
PALAVRAS QUE FEREM tro a seis pessoas. Uma pessoa de cada
grupo deve ler a primeira frase. Neste mo-
Parte I: Introdução mento, o grupo deve apenas aceitar que
Esta atividade visa mostrar os limites da se trata de um comentário ofensivo e de-
liberdade de expressão quando aquilo que bater a razão pela qual a pessoa magoada
se faz ou diz colide com as crenças religio- se sente dessa forma; se as pessoas devem
sas e sentimentos de outros. poder dizer tais coisas sem ter em conta os
seus possíveis efeitos e o que fazer quando
Parte II: Informação Geral isso acontece.
Tipo de atividade: Debate Repetir o processo para cada frase.
Metas e objetivos: Descobrir e aceitar os Reações:
sentimentos religiosos de outras pessoas; Como se sentiram os participantes durante
aprender sobre os limites que podem ser o debate? Foi difícil aceitar que os comen-
impostos à liberdade de expressão tários feriram alguém e ficar em silêncio?
Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Que limites devem ser impostos ao que se
Dimensão do grupo: 8-25 pode dizer sobre os pensamentos e cren-
Duração: pelo menos 60 minutos ças dos outros? Podemos dizer sempre
Material: quadro e marcador aquilo que queremos?
Preparação: Preparar um quadro e mar- Sugestões metodológicas:
cador. Assegurar-se de que é discreto e respeitoso
Competências envolvidas: Ouvir os outros, quando fizer esta atividade, não fazendo
ser sensível e aceitar opiniões diversas. ponderações ou valorizando subjetiva-
mente as afirmações.
Parte III: Informação Específica sobre a Outras Sugestões:
Atividade Como atividade final: uma carta para to-
Instruções: dos. Escrever os nomes dos participantes
Fazer com que os participantes elaborem uma em pequenos pedaços de papel, fazer
lista de comentários que firam e de estereóti- com que cada um tire um papel à sorte
pos relacionados com a consciência ou cren- e escreva uma carta dizendo coisas amá-
ças religiosas de alguém; comentários que os veis a essa pessoa – um final adequado a
participantes saibam que causem angústia. muitas atividades que evocam controvér-
Escolher alguns dos piores e escrevê-los. sias e emoções.
268 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

Parte IV: Acompanhamento Preparação: Preparar fotografias de dife-


Se os participantes continuarem a trabalhar rentes movimentos religiosos.
juntos, poderá ser uma atividade apropria- Competências envolvidas: Competências
da deixar o grupo encontrar e estabelecer sociais: ouvir os outros, analisar, comuni-
regras do debate e comunicação que po- car; competências de pensamento crítico:
dem ser afixadas na parede, dando assim a dar opinião, reflexão; competências cria-
oportunidade a todos de fazer referência às tivas: compreensão e aplicação de metá-
mesmas quando seja necessário. foras, desenvolvimento de símbolos ilus-
Direitos relacionados: Liberdade de Ex- trativos.
pressão e dos Meios de Informação
(Fonte: Nações Unidas. 2004. ABC Teach- Parte III: Informação Específica sobre a
ing Human Rights. Practical Activities for Atividade
Primary and Secondary Schools.) Instruções:
Primeira Parte
ATIVIDADE II: Espalhar fotografias de diferentes movi-
A FÉ DO MEU VIZINHO mentos religiosos, cerimónias, símbolos,
E A MINHA etc., na mesa ou no chão. Escolher as
fotografias de acordo com o grupo; em
Parte I: Introdução qualquer caso, as fotografias devem re-
O objeto desta atividade é o princípio da presentar todas as comunidades religio-
não discriminação e a proibição da into- sas no país (em muitos casos, mais do
lerância com base na religião. É preferível que se poderia pensar à primeira vista).
trabalhar com participantes que perten- Dependendo do grupo, considerar in-
çam a diferentes crenças religiosas. cluir fotografias de grupos ou movimen-
tos religiosos que (ainda) não são aceites
Parte II: Informação Geral no país.
Tipo de atividade: Atividade com múlti- Cada participante escolhe uma fotografia
plas tarefas que mostra algo que não tolera. Reunir o
Metas e objetivos: Trabalhar e perceber grupo em círculo. Cada participante mos-
a noção de tolerância; analisar as face- tra a fotografia que escolheu e explica por
tas das liberdades religiosas; desenvolver que é que não tolera.
competências de pensamento imaginativo Numa breve recolha de opiniões, pedir
e criativo; aprender sobre diferentes costu- aos participantes que reflitam sobre todo
mes/culturas. o processo:
Grupo-alvo: Jovens adultos e adultos Reações:
A atividade pode ser usada igualmente Por que é que alguém se perturbou com
para estudantes de todas as idades com algo mostrado numa fotografia? Será que
algumas modificações. alguns participantes escolheram a mesma
Dimensão do grupo: 5-30 fotografia? Se sim, porquê? Que fotografias
Duração: 120 a 240 minutos não perturbaram ninguém e porquê? Onde
Material: quadro, papel para quadro e estão as zonas de conflito entre as diversas
marcadores de texto, fotografias de vários religiões?
movimentos religiosos, canetas, canetas de Em resumo, explicar que religiões são
cores, papel, barro, madeira, arame, etc. aceites no país.
G. LIBERDADES RELIGIOSAS 269

Segunda Parte: tação de outros costumes não ofende os


Numa breve sessão de chuva de ideias, sentimentos religiosos de outros crentes,
os participantes revelam os seus conheci- discriminando-os. Começar o exercício
mentos sobre as religiões escolhidas. dizendo aos participantes que as apresen-
O porta-voz do grupo dá informações so- tações devem evidenciar a adoração ou
bre as comunidades religiosas. ritos e não a razão por que estes são os
Os participantes agrupam-se e cada grupo “verdadeiros” ou “bons”. Se, apesar das
escolhe uma das religiões de forma a que suas instruções, os alunos/participantes
mesmo os grupos com uma imagem nega- sentirem que estão a ser discriminados,
tiva tenham sido escolhidos. deverão ter o direito de parar as apresen-
Organizar um encontro multicultural. Pe- tações a qualquer momento. É melhor
dir a cada grupo de participantes que re- se todos os participantes acordarem no
presente um grupo religioso ou espiritual uso de um sinal (ex. um pedaço de pa-
diferente. pel vermelho como um semáforo) para
Pedir para que ilustrem através de uma pin- parar a apresentação que seja ofensiva
tura, pantomina, música, banda desenhada ou que simplesmente esteja baseada em
ou uma pequena peça algo que demonstre equívocos ou informação errónea. Depois
os costumes e crenças dessa religião. de a apresentação ter sido parada, deverá
Dar aos participantes 40 minutos para pre-
seguir-se um debate sobre os motivos de
paração.
ambas as partes.
De volta ao plenário, cada grupo apresenta
Outras Sugestões:
a sua contribuição criativa.
Se trabalhar em escolas pode cooperar com
Encerrar a segunda parte com uma breve
professores de artes para a segunda parte
ronda de opiniões.
da atividade. A apresentação pode também
Reações:
ser feita com plasticina e outros materiais.
O que podem os participantes aprender
com estas apresentações? Existe algo em
comum entre as diferentes apresentações? Parte IV: Acompanhamento
Quanto será preciso saber sobre outras re- Depois desta atividade baseada na experi-
ligiões para ser capaz de as apresentar sem ência e criatividade, pode continuar com
mal-entendidos? contributos intelectuais, por exemplo, pro-
Será mais fácil para os participantes tole- videnciando materiais sobre tolerância/
rarem outras crenças/religiões depois de intolerância.
terem aprendido algo sobre as mesmas? Direitos relacionados/outras áreas a ex-
Sugestões metodológicas: plorar:
Para esta atividade, certificar-se de que o Discriminação com base em outros moti-
grupo respeita as crenças religiosas dos vos, tais como etnia, cor ou género; Liber-
outros participantes. Por esta razão, esta dade de expressão.
atividade não deverá ser usada como uma (Fonte: adaptado de: Nações Unidas. Glob-
atividade de conhecimento do outro. Cer- al Teaching and Learning Project Cyber-
tificar-se igualmente de que a apresen- schoolbus.)
270 II. MÓDULOS SOBRE QUESTÕES SELECIONADAS DE DIREITOS HUMANOS

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