9.
Rococó
Artes para ENEM - Prof.ª Celina GIl
Prof. Luana Signorelli Faria da Costa, Prof. Celina Gil
9 Rococó
Documento última vez atualizado em 07/11/2024 às 18:33.
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9. Rococó
Índice
9.1) Rococó 3
9.1.1) Arquitetura Rococó 5
9.1.2) Escultura Rococó 7
9.1.3) Pintura Rococó 10
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9. Rococó
Rococó
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A Europa do século XVIII pertencia à nobreza. Os regimes monárquicos estavam em pleno
vigor e as classes abastadas viviam uma vida de luxo. Você se lembra quando falamos de
Versailles na aula passada? Essa era vida dos nobres europeus: grandes palácios, festas, luxo e
frivolidades.
A França, de maneira preponderante, havia se tornado o símbolo da moda e da suntuosidade
naquele período. Desde o governo de Luis XIV, o Rei Sol, entre 1643 e 1715, as referências de
estilo na Europa haviam sofrido uma mudança de paradigma.
Luis XIV teve uma grande sacada: mostrar através de seus vestuários, prédios, móveis etc. todo
o poder da França. Assim, ele investiu em uma indústria interna de qualidade, fazendo com que
tudo fosse produzido dentro do país e com o padrão de qualidade estético francês. Em um
período de intermináveis guerras ao redor da Europa, o luxo francês reabastecia dos caixas do
país. A construção do palácio de Versailles foi a coroa de sua demonstração de poder sobre a
Europa, tanto político quanto cultural.
A moda da França era o oposto à austeridade espanhola: vestidos amplos e com muitas
estampas, cores claras, saltos, tecidos brilhantes, cabelos volumosos e adereços extravagantes.
Além disso, havia uma sazonalidade maior nos produtos: vestidos deveriam ser trocados a cada
estação e sapatos refeitos a depender da última moda.
Por mais forte que fosse a indústria interna, a aceleração do consumo de luxo começava a
sangrar os cofres públicos e enquanto o povo morria de fome nas ruas, os nobres faziam
banquetes diários. Hoje em dia, nós já sabemos onde isso foi parar, não é mesmo? Mas não
vamos pular etapas. Antes de passarmos para o momento em que os nobres vão perder
literalmente a cabeça, vamos ver o estilo que traduziu a vida fútil da nobreza: o Rococó.
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Pintura de Maria Antonieta. Fonte:
Pixabay
O Rococó é um desdobramento do Barroco, mas mais carregado de leveza. Ao invés de jogos
de claro e escuro, remetendo muitas vezes a uma atmosfera pesada, o Rococó é iluminado.
Ainda que tenha surgido na França, ele se espalha por toda a Europa. Ele fica em vigor até
meados dos anos 1780, quando o estilo neoclássico – de que falaremos posteriormente – ganha
espaço na Europa.
Lembre-se que a França chega ao século XVIII como a grande epítome do luxo e do bom
gosto. A nobreza que morava em Versailles possuía recursos para pagar pelas obras de arte e,
por isso, tornou-se a clientela fiel e favorita dos artistas, que reproduziam em suas pinturas o
estilo de vida e os valores daquela parcela da população. Assim, o rococó surge primeiro como
uma tendência na decoração de interiores e produção de obras pessoais, como gravuras e
pequenas estátuas. O mobiliário também se desenvolve sobremaneira nesse período.
A futilidade da sociedade de então fazia com que a arte fosse entendida como algo para trazer
prazer, não para produzir críticas ou fazer refletir sobre o mundo. Assim, os temas mais
comuns da arte rococó são:
· Mitologia;
· Cenas da corte, principalmente de galanteio;
· Pastorais;
· Natureza e vegetação estilizadas;
· Teatro;
· Situações lúdicas ou festejos.
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Escultura rococó no Palácio de Linderhof. Fonte: Pixabay
A palavra “rococó” vem do francês rocaille, que significa algo como “concha”. É perceptível nas
obras rococó a tendência às linhas curvas lembrando uma concha, principalmente nos
elementos decorativos. As próprias molduras dos quadros são adornadas de maneira detalhada,
com muitos motivos botânicos e ondulações.
Além disso, no trabalho dos mobiliários, na decoração de interiores e na ourivesaria, percebem-
se também linhas curvas de fluídas, formas delicadas e cores suaves. O rococó é
essencialmente uma arte leve, alegre, frívola e exuberante.
Arquitetura Rococó
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Se até o século XVII o centro da arte arquitetônica tinha sido a Itália, a partir do século XVIII a
França se tornar o novo parâmetro a ser seguido. A principal inovação do período são as
noções de arquitetura exterior e decoração de interiores. Ainda que sempre tenhamos falado
sobre a constituição dos edifícios tanto na parte interna quanto externa, é a partir daqui que o
ofício do decorador se torna semelhante ao que preservamos até hoje. Tanto é assim que é do
rococó um dos primeiros nomes de decoração de interiores conhecido por nós: Pierre
Lepautre. Vamos dividir a apresentação de características, então, em duas partes: o exterior e o
interior.
As principais características da arquitetura rococó no exterior são:
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· Excluem-se as referências aos elementos decorativos clássicos, como colunas ou
esculturas, que passam a ser usadas com muita moderação e quase sempre em consolas, ou
mísulas, pequeno espaço reservado para estátuas e vasos.
· Jardins, assim como no barroco, seguem sendo parte importante.
· Poucos ângulos retos, substituídos por curvas suaves.
· Portas e janelas grandes, em arco de volta perfeita. A decoração de concentra mais
nessas partes do edifício, já que o exterior se simplifica um pouco.
· Prédios não tão altos, contando em média com um ou dois andares.
· Uso de ouro e ferro forjado, principalmente em grades e varandas.
· Nas casas comuns, telhados de duas águas, ou seja, duas bandas unidas formando uma
espécie de triângulo – o telhado de desenho de casinha :)
Exterior do Palácio de Linderhof, Alemanha. Fonte: Pixabay
Já na arquitetura e decoração interior do rococó, nas principais características são:
· O prédio se constrói em torno de um salão de onde saem todas as dependências.
Normalmente escadas indicam que o andar superior é restrito aos donos da casa.
· Paredes cobertas de tecidos claros e estampados, além de detalhes em dourado e
prateado, telas com molduras trabalhadas, tapeçarias, relevos e afrescos.
· Materiais que imitam mármore, principalmente próximos a lareiras ou outros pontos de
destaque do cômodo.
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· Uso de sofitos, superfícies curvas que unem a parede ao teto, tirando a angulação entre
eles.
· Móveis são usados para dividir o espaço. São frequentes relógios, poltronas, cômodas,
escrivaninhas, namoradeiras e bancos.
· Uso de bibelôs na decoração, principalmente de porcelana pintada, representando
figuras humanas.
· Candelabros e espelhos para ampliar a iluminação e aumentar o espaço do cômodo
ainda mais.
Interior do Palácio de Queluz. Fonte: Pixabay
Algumas das construções mais famosas do Rococó são:
· Hôtel de Soubise, Paris.
· Petit Triano, Versailles.
· Palácio de Linderhof, Linderhof.
· Igreja de Wies, Bavária.
· Pavilhão de Amalienburg, Nymphenburg.
Escultura Rococó
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Quando falamos de escultura, as diferenças entre barroco, maneirismo e rococó ficam menos
claras. Os movimentos são muito semelhantes.
Pode-se elencar como principais características da escultura rococó:
· Assim como no barroco, o uso de linhas curvas e formas mais fluidas, conferindo
dramaticidade, caráter cênico às esculturas.
· Aproximação com a escultura maneirista quanto à posição das figuras representadas, de
maneira graciosa.
· Nas esculturas de grandes dimensões, os principais materiais são bronze e pedra. Nas
de menores dimensões, o ouro e o bronze também aparecem.
Escultura no jardim do Palácio Queluz. Fonte:
Pixabay
· Esculturas principalmente de caráter ornamental, decorativo. Pequenas estaturas de
porcelana, conhecidas como bibelôs, se popularizam na época. Esse foi o principal material das
produções do rococó.
· Nesse tipo de escultura, os temas são bastante cotidianos, frequentemente mostrando
cenas de galanteios e poses mais descontraídas, além de alguns motivos campestres.
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Bibelô tipicamente
rococó.
O escultor de maior destaque no período foi Étienne Maurice Falconet (1716-1791). Ele começou
sua carreira como aprendiz de carpinteiro, período em que também fazia algumas esculturas
de barro. Tornou-se aprendiz de um escultor e sofreu influências do teatro e do balé. Foi
convidado pela Rainha Catarina, a Grande, da Rússia, para trabalhar em São Petersburgo. Nesse
período, a Rússia estava buscando aproximação com a estética e costumes da França, numa
tentativa de aproximar-se da Europa.
O amor ameçando, Falcoet.
Escultura em porcelana,
Museu do Louvre.
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Pedro, o Grande, em bronze. São Petesburgo, Rússia.
Fonte: Acervo
Pintura Rococó
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A pintura rococó aparece em dois grandes campos: um retratando o modo de vida das elites da
época e outro como parte da decoração dos edifícios, partindo de temáticas políticas ou
religiosas. De todo modo, ela é muito ligada ao seu caráter decorativo, sem teor crítico. Ainda
que tenha sido entendida como superficial por escolas subsequentes, a pintura rococó é um
importante documento acerca do modo de vida das elites de então.
Dentre suas principais características estão:
· Temas leves, como galanteios amorosos e cenas campestres, pastoris.
· Situações amorosas festivas.
· Afastamento da teatralidade pesada do barroco. Reprodução de cenas tranquilas.
· Referência a alguns elementos da mitologia grega, principalmente ninfas e cupidos.
· Função decorativa, portanto, são obras muito harmônicas.
· Retratos delicados, com cores suaves, muitas vezes com um leve esfumado, que deixa
os contornos pouco nítidos.
· Paletas de cores em tons pastel.
· Reprodução da ideia de movimento nas figuras representadas.
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Veja alguns dos principais pintores da época:
François Boucher
Pintor conhecido por suas imagens que alternam entre a inocência e a sensualidade. Suas
obras são descontraídas e apresentam personagens em situações de leveza. Além da
representação de figuras da nobreza e o cotidiano do luxo, ele também pintou diversas figuras
mitológicas. Sua principal financiadora foi Madame Pompadour, amante oficial de Luis XV.
Figura 8-A toalete da Vênus (1751).
Óleo sobre tela. Metropolitan Museum
of Art, Nova York.
Jean-Honoré Fragonard
Autor de um dos quadros mais conhecidos do período, Fragonard ficou conhecido por seus
retratos e pinturas representando cenas idílicas na natureza. Foi um dos últimos pintores do
Rococó e é considerado um percursor do Impressionismo.
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O balanço (1767). Óleo sobre tela,
Coleção Wallace, Londres.
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