CDMA (IS-95)
Este tutorial apresenta os conceitos básicos de Sistemas Celulares CDMA (IS-95) .
O CDMA (Code Division Multiple Access) é um padrão digital de segunda geração do celular
desenvolvido nos Estados Unidos.
Autor: Eduardo Tude
Engenheiro de Teleco (IME 78) e Mestre em Teleco (INPE 81) tendo atuado nas áreas de Redes
Ópticas, Sistemas Celulares e Comunicações por Satélite. Ocupou várias posições de Direção em
empresas de Teleco como BMT, Pegasus Telecom e Ericsson.
Duração estimada: 15 minutos
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CDMA: Arquitetura
O CDMA é uma tecnologia que utiliza espalhamento espectral (Spread Spectrum) como meio de
acesso para permitir que vários usuários compartilhem uma mesma banda de freqüências. O
CDMA permite uma melhor utilização do espectro possibilitando um aumento de capacidade dos
sistemas celulares.
A família de normas da TIA IS-95 da Telecommunications Industry Association dos Estados
Unidos padronizou os sistemas celulares digitais de segunda geração conhecidos popularmente
como CDMA, ou cdmaOne e que são baseados no IS-95. Esta tecnologia foi em grande parte
desenvolvida pela empresa americana Qualcomm.
O CDMA tem a estrutura básica dos sistemas celulares e oferece as mesmas funcionalidades
básicas associadas à mobilidade como roaming e handover entre células. (Consulte o Tutorial
Telefonia Celular no Brasil).
A arquitetura básica de um Sistema Celular CDMA (IS-95) é apresentada na figura a seguir.
Mobile Station (MS)
Ou Estação Móvel é o terminal utilizado pelo assinante. A estação móvel é identificada por um
MIN (Mobile Identification Number). O equipamento dispõe ainda de um número de série
eletrônico (ESN).
Estação Radio Base (ERB)
Equipamento encarregado da comunicação com as estações móveis em uma determinada área que
constitui uma célula.
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Base Station Controller (BSC)
Controla um grupo de ERBs. Em alguns sistemas CDMA as funções do BSC são implementadas
na CCC.
Central de Comutação e Controle (CCC)
É a central responsável pelas funções de comutação e sinalização para as estações móveis
localizadas em uma área geográfica designada como a área da CCC.
Home Location Register (HLR)
Ou Registro de Assinantes Locais é a base de dados que contém informações sobre os assinantes
de um sistema celular.
Visitor Location Register (VLR)
Ou Registro de Assinantes Visitantes é a base de dados que contém informações sobre os
assinantes em visita (roaming) a um sistema celular.
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CDMA: Interface entre Estação Móvel e ERB
As características principais da interface entre Estação Móvel e ERB são apresentadas a seguir.
Freqüências de Operação (MHz)
O CDMA IS-95 foi desenvolvido nos Estados Unidos e padronizou as freqüências utilizadas nesse
país.
800 MHz PCS 1900
Estação Móvel -> ERB 824-849 1850-1910
ERB -> Estação Móvel 869-894 1930-1990
Espaçamento entre
Freqüências 45 80
( Transmissão e Recepção)
No Brasil o CDMA tem sido utilizado pelas operadoras na faixa de 800 MHz nas Bandas A e B.
Teve também um uso limitado na freqüência de 1,9 GHz para Telefonia Fixa (WLL) uma vez que
está faixa não está ainda disponível no Brasil para Telefonia Celular.
Canalização
As Bandas do CDMA são divididas em canais de RF, onde cada canal consiste de um par de
freqüências (Transmissão e Recepção) com 1,25 MHz de banda cada.
Teoricamente poderiam existir, portanto, até 10 canais de RF em uma Banda de 12,5 MHz como
ocorre na faixa de 800 MHz. Na prática o número é menor pois esta Banda é dividida com o
AMPS e é necessário estabelecer uma guarda banda.
Diferente dos demais sistemas onde o múltiplo acesso de vários terminais a um mesma ERB é
feito alocando uma freqüência para cada terminal (AMPS), ou compartilhando uma mesma faixa
de freqüência mas transmitindo em tempos diferentes (TDMA), no CDMA o acesso múltiplo de
canais que compartilham uma mesma banda de freqüências é feito pela utilização de códigos
diferentes pelos vários terminais. A informação é extraída destes canais conhecendo-se a chave
específica com a qual cada canal é codificado.
O CDMA utiliza a técnica de “Spread Spectrum” na qual o sinal de informação é codificado
utilizando-se uma chave de código que provoca o seu espalhamento espectral em uma banda
transformando-o aparentemente em ruído. Os códigos utilizados podem ser ortogonais (Walsh) ou
PN (“Pseudo-noise”). Um bit deste tipo de código é conhecido como "chip" e a taxa de bits deste
código de “chip rate”. Este tipo de espalhamento espectral é denominado espalhamento espectral
por seqüência direta.
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O CDMA utiliza três tipos de código todos com uma taxa de 1,2288 megachips.
Walsh Conjunto de 64 códigos ortogonais W0 a W63.
Conjunto de 4,398 x 1012 códigos diferentes ( 242 – 1),
PN longo
gerados por um registrador de deslocamento de 42 bits.
Conjunto de 32.767 códigos diferentes (215 – 1),
PN curto gerados por um registrador de deslocamento de 15 bits.
Na comunicação entre estação móvel e ERB utilizam-se esquemas de codificação diferentes em
cada direção do enlace.
Canais Códigos Modulação
Piloto Walsh
Paging PN longo para criptografia QPSK
ERB -> Estação Móvel
Sincronismo PN curto
Tráfego
PN longo
Tráfego
Estação Móvel -> ERB PN curto OQPSK
Acesso
Walsh para modulação
Cabem ainda os seguintes comentários:
• Todos os canais recebem ainda uma outra máscara com o código de espalhamento PN curto
para identificação do setor do transmissor na ERB o que possibilita o reuso de freqüência
entre setores.
• Os canais de piloto e sincronismo são necessários para decodificação quando se utiliza
códigos de Walsh.
• No enlace entre ERB e Estação Móvel os códigos de Walsh são usados para identificar
canais diferentes. No enlace reverso os códigos de Walsh são usados para identificar
diferentes grupos de seis símbolos.
• O canal de acesso é utilizado para a Estação Móvel se comunicar com a ERB quando ainda
não tem nenhum canal de tráfego designado.
• Os canais de tráfego são utilizados para voz/dados do usuário e informação de sinalização.
• Os codificadores de voz (vocoder) mais utilizados no CDMA são do tipo EVRC (Enhanced
Variable Rate Coder) que utilizam taxas que variam entre 1,8 Kbit/s, 3,6 kbit/s, 7,2 kbit/s e
14,4 kbit/s.
O IS-95 é portanto uma combinação de FDMA e CDMA.
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Capacidade do CDMA
A figura a seguir traduz uma situação de carregamento de um canal de RF do CDMA.
Quanto mais usuários utilizam o canal maior o ruído, aumentando a interferência para os canais
que utilizam a mesma banda até um limiar quando não é mais possível decodificar os canais. Esta
interferência também é tanto maior, quanto maior for a potência individual de cada canal
transmitido naquela banda.
Este comportamento motivou o desenvolvimento de um sofisticado mecanismo de controle de
potência nos terminais e ERBs de um sistema CDMA. Este controle de potência leva também à
expansão e à contração do raio de uma célula CDMA conforme o seu carregamento com tráfego.
A setorização de células é usada para reduzir a interferência, uma vez que cada setor utiliza
antenas direcionais e não interfere nos demais setores da célula.
Um dos fatores que contribui para a grande capacidade alcançada por sistemas CDMA é a
possibilidade de utilização de reuso de 1, ou seja, a mesma freqüência de portadora é reutilizada
em todas as células.
A eficiência de utilização do espectro, ou capacidade de um sistema CDMA (IS-95), é maior que
os demais sistemas existentes AMPS, TDMA (IS-136) e GSM.
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CDMA: IS-41
O IS-41 é o protocolo desenvolvido pela TIA (Telecommunications Industry Association) dos
Estados Unidos para implementar a sinalização entre redes celulares e possibilitar o roaming entre
operadoras. Ele é o protocolo utilizado por sistemas baseados em padrões desenvolvidos pela TIA
como AMPS, TDMA (IS-136) e CDMA (IS-95).
No Brasil, a rede nacional de roaming, que possibilita o roaming automático entre celulares das
Bandas A e B, é baseada no protocolo IS-41.
O Protocolo IS-41 é dividido em duas partes: Serviços de Aplicação IS-41 e Serviços de
Transferência de Dados.
Serviços da Aplicação IS – 41 IS-41 MAP
(Camada OSI 7*)
TCAP (ANSI)
SCCP (ANSI)
Serviços de Transferência de Dados
X.25
(Camadas OSI 1, 2 e 3)
MTP (ANSI)
Serviços de Transferência de Dados
O IS-41 especifica duas opções para estas camadas: Protocolo X.25 e as camadas MTP (Message
Transfer Part) e SCCP (Signaling Connection Control Part) do protocolo SS7 padrão ANSI
adotado nos Estados Unidos.
Serviços de Aplicação
Para os serviços de aplicação foi especificada uma camada IS-41 MAP (Mobile Application Part)
que implementa as funções de mobilidade associadas ao roaming entre sistemas celulares. Esta
camada utiliza como suporte o TCAP (Transaction Capabilities Application Part) do protocolo
SS7 padrão ANSI. As camadas OSI 4, 5 e 6 são nulas.
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CDMA: Serviços
Os sistemas CDMA (IS-95) oferecem além dos serviços de telefonia (voz) dezenas de serviços
suplementares, tais como identificação do número chamador, chamada em espera, siga-me e
conferência.
O Serviço de Mensagens Curtas (SMS) tem suporte do IS-41 para assinantes em roaming.
Os Serviços de Mensagem Multimídia (MMS) que permitem aos assinantes móveis enviar fotos,
vídeos e áudio, assim como o acesso a Internet têm sido os motivadores para a evolução dos
sistemas CDMA no sentido de oferecerem conexões de dados com altas taxas.
Esta evolução para serviços de terceira geração com taxas de dados de até 2 Mbit/s vem sendo
padronizada pelo 3rd Generation Partnership Project 2 (3GPP2) e mantém a compatibilidade com
os sistemas IS-95 e sua estrutura de canais de RF de 1,25 MHz.
Estão sendo desenvolvidos os seguintes padrões:
Geração 2G 2,5 G 3G
cdmaOne
CDMA2000 CDMA 1xEV-DO
Tecnologia (IS-95 A e
1X* CDMA 1xEV-DV
B)
Taxa de dados (teórica) 14,4 kbit/s 153 kbit/s 2,4 Mbit/s
* CDMA2000 1X= CDMA/IS-95-C, CDMA 1xRTT ou cdma2000 1x.
O CDMA 1xEV tem sua evolução em duas etapas:
• 1xEV-DO (Data Only) onde uma portadora de 1,25 MHZ é dedicada apenas para dados, e
posteriormente
• 1xEV-DV (Data and Voice) onde uma portadora poderá ser utilizada para voz e dados.
O CDMA 1xRTT já se encontra em operação no Brasil com uma portadora dedicada a dados.
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CDMA: Considerações Finais
O CDMA atingiu em março de 2003 segundo o EMC a marca de 146 milhões de assinantes ou
12,85% dos assinantes mundiais, sendo que 42% destes assinantes estão nos Estados Unidos onde
mais de 40% dos celulares são CDMA.
O CDMA representava em dezembro de 2002 no Brasil 32% dos assinantes de celular. Consulte as
seções de referência rápida do Teleco.
A evolução dos sistemas celulares para 3G deve consolidar a existência de duas famílias de
padrões a nível mundial: o GSM e o CDMA evoluindo a partir do IS-95.
Os esforços de padronização de sistemas de 3G pela UIT através do projeto IMT-2000 deu origem
a dois projetos: 3GPP (Third Generation Partnership Project) e o 3GPP2 (Third Generation
Partnership Project 2) para o GSM e CDMA respectivamente.
As diferenças entre estas famílias envolvem as características da interface rádio entre Estação
Móvel e ERB e o padrão da sinalização utilizada na arquitetura da rede e no roaming. Estas
diferenças refletem os diferentes padrões utilizados nos países de onde se originam, ou seja, GSM,
da Europa, e CDMA IS-95 e IS-41, dos Estados Unidos.
Referências
3GPP2
Responsável pela padronização da evolução do CDMA para o 3G.
TIA
Desenvolveu as normas para o CDMA.
CDG
CDMA Development Group, consórcio internacional de empresas que dão suporte ao CDMA.
Wireless BR
Possui seção com vários artigos sobre CDMA.
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CDMA: Teste seu entendimento
1) Assinale a alternativa falsa
As Bandas do CDMA são divididas em canais de RF com 1,25 MHz de banda cada.
As interfaces de sinalização para roaming em uma rede CDMA são baseadas no protocolo
IS-41.
A estrutura de codificação dos canais CDMA é a mesma nos dois sentidos de comunicação
entre ERB e Estação Móvel.
Os canais de piloto e sincronismos são necessários para decodificação quando se utiliza
códigos de Walsh.
2)Assinale a Alternativa verdadeira
O 3GPP (Third Generation Partnership Project) é responsável pela padronização da
evolução do CDMA (IS-95) para 3G.
O CDMA (IS-95) não suporta SMS.
O IS-41 é suportado pelo SS7 (ANSI).
O CDMA e o TDMA (IS-136) tem a mesma capacidade.
3) Assinale o elemento que não faz parte da arquitetura de uma rede CDMA (IS-45)
CCC
SIM Card
ERB
HLR
VLR
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