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Modulo 1

O módulo aborda a importância da contabilidade nas atividades empresariais, destacando seu papel na tomada de decisões e na medição da riqueza. As principais atividades de uma empresa incluem o estabelecimento de objetivos, obtenção de financiamentos, investimentos e operações. Além disso, são introduzidas as principais demonstrações financeiras, como o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício, essenciais para a análise contábil.

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Modulo 1

O módulo aborda a importância da contabilidade nas atividades empresariais, destacando seu papel na tomada de decisões e na medição da riqueza. As principais atividades de uma empresa incluem o estabelecimento de objetivos, obtenção de financiamentos, investimentos e operações. Além disso, são introduzidas as principais demonstrações financeiras, como o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício, essenciais para a análise contábil.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

1 – VISÃO GERAL DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS E AS PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

Objetivo

Ao final deste tópico você estará apto(a) a:


 Entender a finalidade da contabilidade e o seu papel no dia-a-dia das empresas
 Conhecer as principais atividades da empresa
 Introduzir as principais Demonstrações Financeiras

Introdução

A contabilidade é uma atividade essencial na vida econômica. Mesmo nas economias mais
simples, é necessário manter a documentação das atividades desempenhadas pelas
instituições. Uma vez que os recursos são escassos, sempre existe a necessidade de se saber
com exatidão de onde vieram os recursos empregados pela empresa, onde foram investidos e
como se deu a multiplicação destes recursos.

Faz parte da rotina do administrador a tomada de decisões. Independentemente do tipo de


instituição, – empresa privada, empresa pública, governo ou entidade filantrópica – os
responsáveis pela administração estão tomando decisões que são importantes para o sucesso
do empreendimento. Nesse sentido, há a necessidade de dados e informações corretas que
contribuam para uma boa tomada de decisão.

Aplicação de Recursos

O ambiente empresarial brasileiro é caracterizado por elevada carga tributária, excessivos


encargos sociais, juros altos, ampla concorrência externa, escassez de recursos e influencia da
situação econômica mundial, reflexo do fenômeno da globalização. Um dos maiores desafios
para as empresas é a aplicação dos recursos escassos disponíveis com a "máxima eficiência".
Neste sentido a experiência e a capacidade do administrador tem que ser complementadas por
um elenco de informações que reflitam a realidade.

Grande parte das informações que o administrador necessita estão contidas nos relatórios
elaborados pela contabilidade. Em sentido amplo, a contabilidade é o processo de registro,
mensuração, interpretação e comunicação dos dados financeiros ou seja o contador elabora as
demonstrações financeiras que refletem as condições econômico-financeiras e o desempenho
operacional de uma empresa.

A contabilidade é como o registro na "memória" da empresa de todos os eventos que


ocorreram em determinado período. Do mesmo modo que nos valemos de nossa memória
quando queremos recordar de algum fato, a contabilidade nos mostra os fatos.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Visão Geral das Atividades de uma Empresa

As quatro atividades principais conduzidas por empresas são:

1. Estabelecimento de objetivos e estratégias,


2. Obtenção de financiamentos,
3. Investimentos, e
4. Atividades operacionais.

Veremos agora essas atividades um pouco mais detalhadamente:

Determinação de Objetivos e Estratégias Corporativas

Os objetivos da empresa determinam os alvos ou resultados finais em que a empresa irá


direcionar suas energias. As estratégias estabelecem os caminhos de como os objetivos serão
atingidos. Os objetivos e estratégias são determinados de acordo com o ambiente econômico,
cultural e institucional em que a empresa opera.

De modo geral, podemos dizer que os objetivos da empresa são:


 maximização da riqueza dos proprietários (maximização de seu valor),
 proporcionar ambiente de trabalho estável e estimulante aos funcionários,
 contribuir com os objetivos e políticos nacionais e se integrar a eles.

Obtenção de Financiamentos

Antes da empresa iniciar suas atividades operacionais, ela deve obter os recursos financeiros
necessários. As atividades de financiamento envolvem a obtenção de recursos de duas fontes:
 proprietários, também chamados de acionistas. A empresa não tem a obrigação de
pagá-los em uma data futura. Os proprietários recebem valores distribuídos pela
empresa, chamados de dividendos, quando ela decide faze-los;

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 credores (terceiros). Ao contrário dos proprietários, os credores emprestam dinheiro


para a empresa, que deve pagá-los em uma data futura, geralmente acrescido de
juros.

Investimentos

Depois de obter os recursos necessários, a empresa os investe em diversos itens necessários


para o desempenho de suas atividades, tais como terrenos, imóveis e equipamentos que
representam a capacidade produtiva da empresa. Além disso, a empresa também necessita de
fazer investimentos em estoques e manter um determinado nível de dinheiro em conta-corrente
ou em caixa.

Assim, os investimentos podem ser tangíveis, tais como: instalações, equipamentos, estoques;
ou podem ser intangíveis, tais como: patentes, licenças, concessões e outros direitos. Outros
investimentos são participações acionárias em outras empresas, aplicações financeiras.

Atividades Operacionais

A empresa obtém financiamentos e investe os recursos com o objetivo de geração de valor. As


principais atividades operacionais são:
 Compras: aquisição de matérias-primas ou produtos para revenda
 Produção: combinação dos recursos materiais e humanos para a acriação dos
produtos da empresa
 Marketing: vendas e distribuição dos produtos.
 Administração: suporte para as atividades acima.

Processo de Registro e Principais Demonstrações Financeiras

Medindo a riqueza da empresa

A contabilidade é um sistema de registro e apuração ou medição da riqueza. Todos os


lançamentos contábeis realizados durante um período e todos os procedimentos que os
cercam visam, fundamentalmente, à medição da riqueza da empresa ao final deste período. No
dia a dia da empresa, inúmeras transações são efetuadas envolvendo a aquisição e venda de
mercadorias, produção de bens, pagamentos, recebimentos, geração de dívidas e de direitos
que, direta ou indiretamente, afetam o nível de riqueza da empresa. A contabilidade
acompanha estes fluxos de recursos que se dirigem para a empresa ou dela partem,
classificando-os e quantificando-os em um processo contínuo de medição da riqueza contida
na unidade produtiva.

Para tal acompanhamento, a contabilidade produz diversos relatórios contábeis. Para


acompanhamento dos fluxos de recursos das empresas, a contabilidade produz diversos

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

relatórios contábeis que por sua vez, são fundamentais no processo de tomada de decisões.
Os principais relatórios contábeis utilizados são:
 Balanço Patrimonial: ilustra os investimentos e financiamentos da empresa em
determinada data.
 Demonstração do Resultado do Exercício: mostra os resultados (lucro ou prejuízo) das
atividades da empresa num determinado período de tempo
 Demonstração do Fluxo de Caixa: apresenta com detalhes a origem e a aplicação do
caixa da empresa.

A figura a seguir ilustra os objetivos gerais das demonstrações financeiras e a utilidade de cada
relatório contábil mencionado nas atividades da empresa:

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Demonstrações Contábeis e as Atividades da Empresa

E para finalizar, veja como os demonstrativos, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do


resultado do Exercício, bem como os métodos existentes de análise contábil destes
demonstrativos, além da Demonstração do Fluxo de Caixa.

Tais demonstrativos relacionam-se com a empresa da seguinte forma:

Resumindo...

Ao final deste tópico, você aprendeu:


 qual a dificuldade da contabilidade e seu papel no dia-a-dia das empresas;
 quais as principais atividades da empresa;
 a introduzir as principais Demonstrações Financeiras.

Bibliografia

Equipe de Professores da USP. Contabilidade Introdutória. Ed, Atlas, 18ª edição.

LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para Administradores. Ed. Atlas, 3ª edição.

MARION, José Carlos, Contabilidade Empresarial. Ed. Atlas, 11ª edição.

MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. Ed Atlas, 3ª edição.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

2 – VISÃO GERAL SOBRE O SISTEMA CONTÁBIL

ATENÇÃO: Este material é parte integrante do curso on-line "CONTABILIDADE"


oferecido pela FGV. O acesso às atividades, leituras interativas, testes e fóruns de
discussão deve ser feito diretamente no ambiente de aprendizagem on-line.

Objetivo

Ao final deste tópico você estará apto(a) a:


 compreender os mecanismo dos lançamentos contábeis;
 conhecer as formas de registro da contabilidade;
 entender o sistema de débito e crédito;
 conhecer os princípios contábeis.

Introdução

Medição da riqueza

A contabilidade é um sistema de registro e apuração ou medição da riqueza.

Todos os lançamentos contábeis realizados durante um período e todos os procedimentos que


os cercam visam, fundamentalmente, à medição da riqueza da empresa ao final deste período.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

No dia a dia da empresa, inúmeras transações são efetuadas envolvendo a aquisição e venda
de mercadorias, produção de bens, pagamentos, recebimentos, geração de dívidas e de
direitos que, direta ou indiretamente, afetam o nível de riqueza da empresa. A contabilidade
acompanha estes fluxos de recursos que se dirigem para a empresa ou dela partem,
classificando-os e quantificando-os em um processo contínuo de medição da riqueza contida
na unidade produtiva.

Formas de registro e livros

Como a contabilidade acompanha os registros da empresa?

Para acompanhar esses registros, a contabilidade usufrui de uma série de convenções e


princípios. Ao invés de enumerá-los aqui, vamos explicá-los com exemplos.

Assim, comecemos com uma transação simples e vejamos como a Contabilidade acompanha
tal transação.

Suponhamos que uma empresa tenha adquirido um veículo, o qual ela utilizará para realizar as
entregas das mercadorias, no valor de $50.000 à vista. Como é feito o registro contábil?

Primeiramente, é preciso entender que cada transação gera um lançamento contábil. Entende-
se por lançamento o registro de três itens: o valor da transação, a origem do recurso e o
destino do recurso. Agora podemos identificar estes três itens no nosso exemplo de transação.
Sabemos que o valor é $50.000.

A origem dos recursos é o caixa da empresa, tendo em vista que a compra foi a vista. E o
destino do recurso é a utilização para entregas de mercadorias, de modo que o veículo passará
a ser um bem da empresa.

Para fins de registro contábil, devemos classificar as origens e destinos dos recursos em
contas. Para cada ponto de origem e destino de recurso pode haver uma ou mais contas
envolvidas. Assim, as empresas costumam ter o chamado Plano de Contas, um documento
onde são enumeradas todas as contas existentes na empresa, de modo a padronizar os
lançamentos da mesma e otimizar o sistema de registros.

No nosso exemplo, há uma conta para o ponto de origem da transação, a conta Caixa, e outra
para o ponto de destino da transação, a conta Veículos.

Veículos 50.000
a Caixa 50.000

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Nota que na linha superior, é registrado o ponto de destino da transação, enquanto que na
linha inferior, é registrado o ponto origem, onde também é usada a partícula “a” na frente do
nome da conta. Este é o formato do lançamento de Diário.

No entanto, ao longo do nosso curso, não usaremos esse tipo de registro por não apresentar a
praticidade desejada. Como nosso objetivo é o de entender as demonstrações contábeis e
saber extrair informações das mesmas para a tomada de decisões, usaremos os chamados
razonetes, ou conta T, pois este é o formato do razonete. O conjunto dos razonetes de um
empresa constitui-se no Livro Razão.

Antes de prosseguirmos a demonstração do lançamento no razonete, é preciso entendermos o


conceito de débito e crédito:

Tanto no livro Diário com no livro Razão, os débitos ficam sempre ao lado esquerdo, enquanto
que os crédito ficam no lado direito.

Lembram-se do exemplo do livro diário?

Veículos 50.000
a Caixa 50.000

Reparem que a conta veículos, ponto de destino dos recursos, apresenta o seu valor à
esquerda, enquanto que a conta Caixa, conta creditada, apresenta seu valor à direita.

O mesmo ocorre no registro no razonte, verifique:

(Crédito) (Débito)

Você pode estar se perguntando: por que o débito fica sempre na esquerda?? Por que o
crédito fica na direita?? Nosso conselho é não entrar nestes méritos e aceitar esta como uma

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

das convenções contábeis, pois do ponto de vista prático, as convenções não são explicáveis,
mas aceitas. Alguém perde tempo questionando porque o verde no semáforo significa “siga”?

Curiosidade: o segredo do contador

Conta-se que havia um contador muito considerado por seus colegas de trabalho pelo seu
extraordinário conhecimento da ciência contábil. A ele todos acorriam para buscar
ensinamentos e para resolver as controvérsias a respeito dos lançamentos mais intrincados.

Havia entretanto, uma característica no comportamento deste contador que ninguém conseguia
explicar: todas as manhãs, ele chegava pontualmente à sua mesa no trabalho e,
cuidadosamente, selecionava uma chave em seu chaveiro de prata e abria uma das gavetas
de sua mesa olhando atentamente para o seu interior durante algum tempo. A seguir, esta
gaveta era fechada e o contador conferia várias vezes se ela estava realmente trancada.
Terminado este ritual, ele iniciava o seu trabalho, ostentando discretamente seu reconhecido
saber contábil e firmeza de decisão.

Seus colegas de trabalho se intrigavam com aquela rotina matinal, que, dia após dia, era
absolutamente invariável. Todos tinham teorias a respeito do que havia no interior daquela
misteriosa gaveta. Alguns juravam tratar-se de uma foto de uma namorada secreta do
contador. Mas ninguém tinha realmente certeza do que poderia estar ali tão zelosamente
guardado durante tantos anos.

Certo dia o velho contador faleceu repentinamente. A primeira idéia que veio à cabeça de seus
colegas foi arrombar a gaveta e desvendar o mistério. Na realidade, a descoberta foi
desconcertante: dentro da gaveta havia um pedaço de cartolina onde estava escrito com
caligrafia impecável a seguinte frase: “O débito é do lado da janela.”

Na verdade, o lembrete do contador encerra o principal ensinamento de uma iniciação na


Contabilidade, ou seja, a importância de se adotar a convenção fundamental do método
contábil, fixando-se apenas a regra de que os débitos são feitos sempre nas colunas que ficam
à esquerda das contas.

Se esta associação (débitos = lado esquerdo) fica solidamente arraigada na memória, as


demais convenções contábeis se acomodarão facilmente, em conseqüência desta primeira
marcação.

Isto evitará o labirinto em que sempre ingressam aqueles que desejam compreender a
Contabilidade, mas se negam a adotar um conjunto de convenções simples e objetivas como a
adoção de mão e contramão em uma avenida movimentada. Assim como ninguém está
interessado em compreender porque o lado direito foi escolhido para ser a “mão” em uma
avenida, não devemos perder tempo buscando explicações para esta regra elementar e
extremamente útil. Da mesma forma, as convenções contábeis devem ser aceitas como regras

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

práticas e úteis para o registro de transações. Mas é preciso enfatizar que estas poucas regras
universais são fundamentais e, à medida em que forem enunciadas, devem ser incorporadas
de forma definitiva, como um dia tivemos que incorporar a convenção da “mão” e “contramão”
no trânsito.

Retornando ao nosso exemplo, verificamos que fizemos um lançamento à débito na conta


Veículos no valor de $5.0000, e à crédito na conta Caixa, também no valor de 50.000. Este
mecanismo é conhecido como Método das Partidas Dobradas, pois o valor total da transação é
registrado duplamente, uma vez como crédito e outra como débito. Logo, concluímos que a
soma dos débitos de uma transação tem de ser igual à soma dos créditos da mesma.

Caso esta compra não fosse realizada totalmente à vista, mas parte do pagamento (50%) fosse
realizado à vista e a outra parte em 30 dias, teríamos um lançamento onde uma conta seria
debitada (a conta Veículos, representando o ponto de destino da transação) e outras duas
contas seriam creditadas (a contas Caixa e Financiamentos, ambas representando o ponto de
origem da transação). Mas ainda assim, o valor total creditado é igual ao valor total debitado,
respeitando o Método das Partidas Dobradas. Veja a demonstração abaixo:

Balancente de Verificação

Concluindo...

Diariamente uma empresa realiza um série de transações que, conseqüentemente, resultam


em inúmeros lançamentos contábeis. Assim, ao final de certos períodos, os contadores
organizam as informações do Livro Diário e Razão e elaboram os demonstrativos contábeis,
como o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados do Exercícios, que serão objetos
de estudos dos próximos módulos.

Entretando, na prática, os contadores não passam diretos destes livros para as demosntrações.
Antes, eles elaboram o chamado Balancete de Verificação, que pode ser definido como uma
conferência geral dos lançamentos realizados em um período.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

O Balancete de Verificação é constituído por três colunas: na primeira são identificados os


nomes das contas, na segunda o total dos débitos e na terceira o total dos créditos ocorridos.
Para título de exemplo, usaremos o lançamento anterior: compra de um Veículo no total de
50.000, sendo 50% pago à vista e o restante em 30 dias. Assim, o Balancete de Verificação
seria:

CONTAS DÉBITO CRÉDITO


Caixa 25.000
Veículos 50.000
Financiamentos 25.000

TOTAL 50.000 50.000

O Balancete de Verificação é útil para identificar qualquer erro que possa ter ocorrido no
momento de lançamento da transação pois, se o total dos débitos nãofor igual ao total
do débitos, é sinal de que um ou mais lançamento foi realizado de modo incorreto, e é
preciso conferí-los.

Para fins didáticos, usaremos em nosso exercícios o Balancete de Verificação de modo


simplificado, ou seja, composto somente com duas colunas: uma representando os débito e
outra os créditos.

Princípios Contábeis

Lançamentos contábeis e princípios

Antes de partirmos para o lado prático e iniciarmos um exercício, é importante ressaltar que os
lançamentos contábeis devem ser feitos em respeito não só às convenções contábeis, mas
também aos Princípios Contábeis. Abaixo, listamos alguns princípios relevantes para o nosso
aprendizado:

Princípio da Realização: a receita é reconhecida no período contábil em que é realizada, o


que usualmente ocorre no fornecimento de bens e serviços em troca de dinheiro (ou seja: no
ato da venda).

Princípio da Entidade: a Contabilidade é exercida para a entidade como pessoa


completamente distinta das pessoas (física ou jurídica) de seus sócios.

Princípio da Continuidade: a Contabilidade presume que a empresa operará indefinidamente.

Princípio do Custo com base de valor: A contabilidade registra o custo histórico dos produtos
ou bens adquiridos e produzidos pela empresa.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Princípio da Competência dos Exercícios: As receitas e despesas devem ser atribuídas de


acordo com o fato gerador, e não com o pagamento e recebimento.

Princípio do Denominador Comum Monetário: A Contabilidade registra eventos e


transações suscetíveis de avaliação monetária.

Exercício 1

Façamos agora um exercício em conjunto, para verificarmos como a contabilidade lida


com diversas operações em um determinado período.

A Cia. Distribuidora Inicial foi fundada em 1/5/x1. Contabilize as seguintes transações e efetue
o Balancete de Verificação ao final do período.
 Dia 1 – Foi integralizado o Capital Social da Cia. Distribuidora Inicial em dinheiro –
$20.000 .

Esta operação afeta duas contas: Capital Social e Caixa, do seguinte modo:

O ponto de origem da transação é o Capital Social, portanto há um crédito nesta conta:


(mostrar a conta Capital social e o lançamento de 20.000). Lembre-se: crédito = lado
direito!!!

O ponto de destino da transação é o Caixa, portanto há um débito nesta conta: (mostrar a


conta Caixa e o lançamento de 20.000). Lembre-se: débito = lado esquerdo!!!

 Dia 2 – Foi comprado um imóvel no valor de $12.000 a vista .

Como o imóvel foi comprado à vista, ele afeta a conta Caixa. Agora, esta conta é a
origem da transação, de modo que este novo lançamento será um crédito. (mostrar a
conta Caixa e o lançamento de 12.000)

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Para registrar a compra do Imóvel, temos que abrir uma nova conta, chamada Imóveis.
Como ela é o destino dos recursos desta transação, efetuaremos um débito nesta conta.
(mostrar a conta Imóveis e o lançamento de 12.000)

 Dia 3 – Foram comprados a prazo produtos no valor de $5.000 .

Agora temos uma compra a prazo, portanto a conta Caixa não será afetada neste
momento (somente em um outro perído, não definido aqui, que pode ser de 30, 60, 90
dias etc). Para tanto, abriremos uma nova conta, chamada Fornecedores. Como esta
conta caracteriza-se como ponto de origem da transação, faremos um crédito na mesma.
(mostrar a conta Fornecedores e o lançamento de 5.000)

Em contra partida, temos uma nova conta chamada Estoque, admitindo assim que os
produtos comprados serão vendidos. Por ser o ponto de destino da transação, faremos
um débito nesta conta. (mostrar a conta Estoques e o lançamento de 5.000)

 Dia 4 – Foi comprado um veículo para entregas no valor de $8.000, sendo paga no ato
a importância de $1.000 e o restante financiado em 7 prestações.

Nesta operação, teremos 3 contas afetadas: a conta Caixa, pois parte do valor foi pago a vista;
a conta Veículos, para registrar a compra do bem, e a conta Empréstimos, para identifcar o
valor que foi financiado na compra.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Assim, temos dois pontos de origem da transação: Caixa e Empréstimos, portanto


devemos creditar os devidos valores nestas contas: (mostrar a conta Caixa e o lançamento
de 1.000, em seguida mostrar a conta Empréstimos e o lançamento de 7.000).

Na contra partida, debitaremos o valor de 8.000 na conta Veículos, que representa o


ponto de destino da transação. (mostrar a conta Caixa e o lançamento de 8.000)

Importante: Reparem, que mesmo havendo 3 contas, com lançamentos de valores diferentes,
a somatória dos débitos e créditos é nula, respeitando o Método das Partidas Dobradas (1.000
+ 7.000 = 8.000).

 Dia 5 – Venda a prazo de produtos por $2.000 (sem lucro) para serem recebidos no dia
12.

Neste caso, como a venda foi efetuada a prazo, a conta Caixa não foi afetada neste
momento, de modo que abriremos uma nova conta entitulada Clientes. Por representar o
ponto de destino da transação (venda), realizaremos um lançamento a débito na conta:
(mostrar a conta Clientes e o lançamento de 2.000)

Na contrapartida, lançaremos o crédito na conta Estoques, tendo em vista a venda de


produtos da empresa. (mostrar a conta Estoques e o lançamento de 2.000)

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 Dia 6 – Venda a vista de produtos por $2.000 (sem lucro).

Este lançamento é muito parecido com o anterior, com a diferença de que a transação foi
realizada a vista, de modo que a conta a ser debitada será a conta Caixa. (mostrar a conta
Caixa e o lançamento de 2.000).

Na contrapartida, novamente é creditado 2.000 na conta Estoques. (mostrar a conta


Estoques e o lançamento de 2.000).

 Dia 7 – Pagamento de conta de luz no valor de $500 .

Sendo a origem da transação o pagamento a vista, novamente teremos um crédito na


conta Caixa. (mostrar a conta Caixa e o lançamento de 500) . Por outro lado, o destino da
transação se dá a uma Despesa. Considerando que as contas de despesas são redutoras
da conta Lucro, devemos fazer um débito nesta conta: (mostrar a conta Lucro e o
lançamento de 500)

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 Dia 8 – Contabilização de conta de telefone a pagar dia 16 – $400 .

Aqui precisamos tomar cuidado: note que a conta foi somente contabilizada, mas ainda não
paga. Assim, devemos considerar o ponto de origem da transação a contabilização da conta,
ou seja, o reconhecimento da despesa. Criemos então a conta Contas a Pagar. (mostrar a
conta Contas a Pagar e o lançamento de 400).

E, analogamente ao item anterior, a conta de telefone é considerada uma despesa e, portanto,


redutora da conta Lucro. Assim, debitemos o valor de $4.000 nesta conta: (mostrar a conta
Lucro e o lançamento de 400)

 Dia 9 – Foram comprados a vista produtos no valor de $5.000 .

Neste caso o ponto de origem de nossa transação é a conta Caixa, tendo em vista que a
compra foi realizada a vista. (mostrar a conta Caixa e o lançamento de 5.000).

Já o ponto de destino é a conta de Estoques, pois a empresa comprou produto que irá
comercializar futuramente. Assim, debitaremos 5.000 nesta conta: (mostrar a conta Estoque e
o lançamento de 5.000)

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 Dia 10 – Venda a vista de produtos por $3.000, que haviam custado $2.500, havendo
um lucro de $500 .

Agora temos uma novidade: venda com lucro!!! Logo, esta etapa compõe-se de três
lançamentos: primeiro, faremos um lançamento a crédito no Estoque, que é um dos pontos de
origem desta operação: (mostrar a conta Estoque e o lançamento de 2500)

Agora devemos fazer outro lançamento a crédito, mas na conta Lucros: (mostrar a conta
Lucro e o lançamento de 500). E, finalmente, faremos um lançamento a débito na conta
Caixa, que é o ponto de destino da transação: (mostrar a conta Caixa e o lançamento de
3000).

Note que novamente temos uma transação com três lançamentos de valores diferentes, mas
que ainda assim, o Método das Partidas Dobradas foi respeitado, pois:
500 (lucro) + 2.500 (estoques) = 3.000 (caixa)

 Dia 11 – Venda a prazo de produtos por $2.000, que haviam custado $1.500, havendo
um lucro de $500 .

Neste caso temos uma transação muito semelhante à anterior, com a diferença da venda ser a
prazo, logo a operação não afetará a conta Caixa, mas sim a conta Clientes. Assim, temos:
 Lançamento a crédito na conta Estoques (mostrar a conta Estoque e o lançamento
de 1500)
 Lançamento a crédito na conta Lucro (mostrar a conta Lucro e o lançamento de 500)
 Lançamento a débito na conta Clientes (mostrar a conta Clientes e o lançamento de
2000)

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 Dia 12 – Recebimento de cliente, referente à venda efetuada no dia 5 .

Neste caso, o ponto de origem da transação é a conta Clientes (lembra do lançamento


efetuado no dia 5?), na qual devemos lançar um crédito de 2.000 (mostrar a conta Clientes e
o lançamento de 2000).

E o ponto de destino é a conta Caixa, de modo que devemos fazer um lançamento a débito
nesta conta. (mostrar a conta Caixa e o lançamento de 2000)

 Dia 13 – Pagamento a fornecedor, referente à compra efetuada no dia 3 .

Você se lembra que no dia 3 efetuamos um lançamento a crédito na conta Fornecedores? Pois
agora, faremos um lançamento a débito nesta conta, pois agora ela se configura como o ponto
de destino da transação. (mostrar a conta Fornecedores e o lançamento de 5000).

Em contra partida, lançaremos um crédito na conta Caixa, a conta de origem da operação.


(mostrar a conta Caixa e o lançamento de 5000).

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 Dia 14 – Compra a prazo de produtos no valor de $4.000 .

Novamente temos uma compra a prazo, portanto a conta Caixa não será afetada neste
momento. Para tanto, feremos um crédito na conta Fornecedores, pois a mesma
caracteriza-se como ponto de origem da transação. (mostrar a conta Fornecedores e o
lançamento de 4.000)

Admitindo assim que os produtos comprados serão vendidos, faremos um débito na


conta Estoques, ponto de destino da transação. (mostrar a conta Estoques e o lançamento
de 4.000)

 Dia 15 – Pagamento de prestação do veículo, no valor de $1.000 .

Esta operação é uma continuação da que foi iniciada no dia 5. Agora iremos efetuar o
primeiro pagamento do financiamento. Assim, nosso ponto de origem é a conta Caixa,
logo efetuaremos um lançamento a crédito nesta conta. (mostrar a conta Caixa e o
lançamento de 1.000).

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Em contra partida, faremos um lançamento a débito na conta Empréstimos, o ponto de


destino desta transação. (mostrar a conta Empréstimos e o lançamento de 1.000)

 Dia 16 – Pagamento de salários no valor de $600, e telefone anteriormente


provisionado, totalizando $1.000 .

No dia 8 fizemos a provisão do pagamento da conta de telefone no valor de $ 400, e agora


iremos efetuar este pagamento. Assim, nossa conta de origem será a conta Caixa, de modo
que faremos um lançamento a crédito no valor total das despesas. (mostrar a conta Caixa e o
lançamento de 1.000).

Por outro lado, temos duas contas de destino: Contas a Pagar, tendo em vista que estamos
dando a baixa na conta provisionada (mostrar a conta Lucro e o lançamento de 400), e a
conta Lucro, tendo em vista que o pagamento relativo à despesa com salários, que por sua
parte, é conta redutora do lucro. (mostrar a conta Lucro e o lançamento de 600).

21
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

 Dia 17 – Venda a prazo de produtos por $6.000, que haviam custado $5.000, havendo
um lucro de $1.000.

Neste caso novamente temos uma venda com lucro e três lançamentos diversos. O ponto de
origem da transação é representado pelas contas Estoques e Lucro. (mostrar a conta
Estoques e o lançamento de 5.000), (mostrar a conta Lucro e o lançamento de 1.000).

Como a venda foi feita a prazo, a transação não afeta a conta Caixa, de modo que nosso ponto
de destino será a conta Clientes. (mostrar a conta Clientes e o lançamento de 6.000).

 Dia 18 – Provisão para pagamento de fretes, no valor de $200 .

Note que neste caso, análogo ao Dia 8, a conta não é paga, somente provisionada. Assim,
nosso ponto de origem da transação é a conta Lucro, pois o pagamento de frete é uma
despesa e, consequentemente, reduz o lucro. (mostrar a conta Lucro e o lançamento de
200).

Por outro lado, o ponto de destino da transação é a conta Contas a Pagar, de modo que
efetuaremos um débito na mesma. (mostrar a conta Contas a Pagar e o lançamento de
200).

22
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Pronto!!! Agora que todos os lançamentos estão realizados, devemos encerrar as contas,
determinando o saldo de cada uma delas. Sendo assim, comecemos com a conta Caixa:

23
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Com isso, simulamos uma seqüência de transações em uma organização.

Resumo

Ao longo deste tópico você aprendeu...


 os mecanismo dos lançamentos contábeis.
 as diferentes formas de registro da contabilidade.
 o sistema de débito e crédito.

24
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Bibliografia

a
Equipe de Professores da USP. Contabilidade Introdutória. Ed. Atlas, 18 edição

a
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para Administradores. Ed. Atlas, 3 edição

a
MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. Ed. Atlas, 3 . edição.

ª
MARION, José Carlos , Contabilidade Empresarial. Ed. Atlas, 11 edição.

25
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

26
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

3 – BALANÇO PATRIMONIAL

ATENÇÃO: Este material é parte integrante do curso on-line "ANÁLISE CONTÁBIL E


FINANCEIRA" oferecido pela FGV. O acesso às atividades, leituras interativas, testes e
fóruns de discussão deve ser feito diretamente no ambiente de aprendizagem on-line.

Objetivo

Ao final deste tópico, você estará apto (a) a:


 Entender a utilidade e a composição do Balanço Patrimonial;
 Identificar e diferenciar as principais contas de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.

Composição do balanço patrimonial

Conceito – O que é?

O Balanço Patrimonial de uma empresa é a demonstração da situação real do seu patrimônio


no que se refere aos bens, direitos, obrigações e resultados econômicos em determinada data.

O Balanço Patrimonial possui dois lados:

1. Do seu lado esquerdo, são apresentados os bens e direitos da empresa, ou seja: o


ativo.
2. Do lado direito, são apresentadas as obrigações com terceiros, o passivo, e as
obrigações com os donos e acionistas, o patrimônio líquido.

27
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Aplicação e captação de recursos

Na representação do Ativo, podemos identificar onde a empresa aplica seus recursos. Já na


representação do Passivo e do Patrimônio Líquido, é possível visualizar onde a empresa capta
seus recursos.

Exercício 1

Os dois lados do Balanço Patrimonial: testando seu aprendizado até o momento!

Sabendo que no ATIVO estão representadas as contas que a empresa em que aplica seus
recursos e que no PASSIVO e no PATRIMÔNIO LÍQUIDO estão representadas as contas em
que ela empresa capta seus recursos, identifique na lista abaixo que contas vão para o lado
esquerdo e para o lado direito da figura.

28
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Neste momento, ainda não se preocupe com a ordem, apenas transcreva as contas para o lado
correto.

LISTA DAS CONTAS: PASSIVO E PATRIMÔNIO


ATIVO LÍQUIDO
Veículos = $8.000
Fornecedores = $4.000
Contas a Pagar = $200
Caixa = $1.500
Capital Social = $20.000
Clientes = $1.000
Lucros Acumulados = $300
Estoque = $8.000
Imóveis = $12.000
Empréstimos = $6.000

Padronização dos balanços

Regras – Leis

Não é possível padronizar todos os balanços de todas as empresas em função da diversidade


de suas contas patrimoniais. No entanto, a apresentação do Balanço Patrimonial deve
obedecer a regras determinadas em Lei.

Ativo: onde a empresa APLICA seus recursos.

No Ativo, as contas são dispostas na ordem decrescente de grau de liquidez, em três grupos:
 Ativo Circulante,
 Realizável a Longo Prazo e
 Ativo Permanente.

Vamos conhecer cada um em detalhes:

Ativo

Ativo circulante

São os bens e direitos da empresa de liquidez imediata, ou no exercício seguinte (até 365
dias). As principais contas do Ativo Circulante são:

29
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Disponibilidades:
• Caixa, bancos, conta movimento: são as contas que representam a disponibilidade
financeira imediata da empresa.

• Aplicações financeiras de curto prazo: são as aplicações financeiras da empresa junto


a instituições financeiras, de liquidez em até 365 dias.

Contas a Receber: clientes, duplicatas a receber, apresentam as obrigações de terceiros para


com a empresa, por motivo de empréstimos ou vendas a prazo.

Duplicatas Descontadas: conta redutora do ativo, que representa a parcela da conta


Duplicatas a Receber, referente a empréstimos que a empresa buscou junto a alguma
instituição financeira, dando como garantia suas duplicatas.

Provisão para Devedores Duvidosos: conta redutora do ativo, que representa a perda
comum na prática comercial resultante dos devedores insolváveis.

Saiba mais

Natureza da provisão

A conta provisão é adotada visando obedecer à norma contábil de não modificar os registros
históricos. Assim, a conta “Provisão para Devedores Duvidosos” é uma conta subtrativa de
Duplicatas a receber ou Contas a receber etc.

As contas de provisão distinguem-se das contas de reserva pelo fato das mesmas serem
constituídas antes da apuração do resultado, enquanto as reservas são constituídas com a
distribuição do próprio resultado.

Estoque: valor, em unidades monetárias, correspondente às mercadorias da empresa.


 Em indústrias há três tipos de estoques: estoque de matéria-prima, produtos em
fabricação e estoque de produtos acabados.
 Em empresas comerciais, existe o estoque de mercadorias destinadas à venda.

30
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Saiba mais:

PEPS, UEPS, CUSTO MÉDIO

A atribuição de valor ao estoque varia conforme os critérios adotados em cada organização. Os


principais critérios são:

PEPS: com base nesse critério, é dada baixa no estoque da seguinte forma: o Primeiro que
entra é o primeiro que sai, obedecendo ao raciocínio de que vendemos Primeiro as unidades
mais antigas. Assim, o valor do estoque estará sempre baseado nas compras mais recentes,
enquanto o custo das mercadoria estará baseado nas compras mais antigas.

UEPS: é o contrário do critério anterior, ou seja, é dada baixa no estoque da seguinte forma: o
Último que Entra é o Primeiro que Sai. Assim, o custo das mercadorias estará sempre baseado
nas compras mais recentes, enquanto o do estoque estará baseado nas compras mais antigas.

CUSTO MÉDIO: nesse critério, o valor é atribuído com base no custo médio das compras,
evitando, assim, distorções existentes nos critérios anteriores. Pode-se calcular o custo médio
das compras de determinado mês, período ou, o mais comum, do estoque existente.

Despesas Antecipadas: são as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte.


Assim, embora pagas de uma só vez, essas despesas são contabilizadas periodicamente, de
acordo com sua competência.
 Ex.: Seguros pagos antecipadamente

Para título de exemplo, usaremos uma empresa fictícia, a Cia MVF. Nela, aplicaremos todos os
conceitos vistos ao longo do curso.

Veja a representação do Ativo Circulante na Cia. MVF:

31
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Exercício 2

Ativo Circulante: testando seu aprendizado até o momento!

Antes de seguir adiante, vamos exercitar com as principais contas do Ativo Circulante que você
acabou de ver? Identifique abaixo as contas como Disponibilidades (D), Contas a Receber
(CR), Estoques (E) ou Despesas Antecipados (DA):

Produtos Acabados
Duplicatas Descontadas
Aplicações de Liquidez Imediata
Aluguel pago antecipadamente
Matéria Prima
Caixa
Clientes
Duplicatas a receber
Seguros

Ativo

Realizável a longo prazo

São os bens e direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, ou seja, após 365 dias.
As principais contas do Realizável a Longo Prazo são:
• Contas a Receber: apresentam as obrigações de terceiros para com a empresa, por
motivo de vendas a prazo, com prazo de vencimento superior a 365 dias.
• Recebíveis de Controladas, Coligadas ou Diretores: apresentam os bens e direitos
oriundos de negociações não operacionais entre controladas, coligadas, diretores etc.

Ativo permanente

São os bens e direitos que não devem ou não podem ser transformados em dinheiro. As
principais contas do Ativo Permanente são:

Investimentos: são os bens e direitos por participações permanentes em outras sociedades,


bem como os investimentos que não são destinados à manutenção da atividade da empresa e
não se classificam como Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo.
 São exemplos de Investimentos: participações em outras sociedades, obras de arte,
quotas de clubes etc.

32
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Imobilizado: são aplicações feitas com o objetivo de dar operacionalidade à empresa.


 São exemplos de Imobilizado: móveis e utensílios, equipamentos, veículos, terrenos
etc.

Estes ativos são depreciáveis de acordo com a legislação vigente, com exceção dos Terrenos.

Saiba mais

Depreciação

Assim com uma conta de provisão, a conta patrimonial Depreciação é uma conta redutora do
ativo permanente que visa não modificar o valor histórico dos bens, porém, permite identificar o
valor líquido dos ativos em questão.

Diferido: refere-se a contas que produzirão receitas futuramente. Esses gastos ocorrem,
geralmente, na fase pré-operacional da empresa ou de projetos.

São exemplos de Diferido: despesas pré-operacionais, gastos com pesquisa &


desenvolvimento.

Veja a representação do Ativo Permanente na Cia. MVF:

33
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Veja agora a representação de todo Ativo na Cia. MVF:

Exercício 3

Agora que você já conhece as contas do ATIVO identifique a seguir algumas contas.
Transcreva para o devido lugar, obedecendo à ordem correta das contas:

PASSIVO E PATRIMÔNIO
ATIVO LÍQUIDO

ATIVO CIRCULANTE

LISTA DAS CONTAS:

Créditos com Pessoas


Ligadas – $2.500
REALIZÁVEL A LONGO
Imóveis – $20.000
PRAZO
Caixa – $1.500
Clientes – $1000
Aplicações Financeiras de LP
– $5.000
Estoques – $8.000
ATIVO PERMANENTE
Veículos – $15.000

Passivo

Onde a empresa CAPTA seus recursos, no Passivo, as contas são dispostas na ordem
decrescente de grau de exigibilidade, em dois grupos: Passivo Circulante e Exigível a Longo
Prazo.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Passivo circulante

São as obrigações para com terceiros que vencem no exercício seguinte, ou no prazo de 365
dias. As principais contas do Passivo Circulante são:

Fornecedores: refere-se à compra de matéria-prima e/ou mercadorias.

Salários e encargos sociais a pagar: refere-se às obrigações com os empregados da


empresa.

Impostos a pagar/recolher: refere-se às obrigações relativas a impostos, taxas e


contribuições. Usa-se a conta Tributos a Pagar quando a empresa assume o papel de
contribuinte, e a conta Tributos a Recolher, quando a empresa assume o papel de agente
arrecadador, como no caso do Imposto de Renda Retido na Fonte.

Empréstimos bancários: refere-se às obrigações junto às instituições financeiras.

Dividendos propostos: refere-se à participação no lucro por parte dos acionistas.

Veja a representação do Passivo Circulante na Cia. MVF:

Exigível a longo prazo

São as obrigações para com terceiros que ultrapassam o exercício seguinte, ou seja, com
prazo maior de 365 dias.

São exemplos de Exigível a Longo Prazo: financiamentos a pagar, impostos diferidos etc.

Veja a representação do Exigível a Longo Prazo na Cia. MVF:

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Patrimônio líquido

No Patrimônio Líquido, as contas são distribuídas em três grupos. São eles:

Capital social: corresponde aos recursos investidos pelos acionistas/sócios.

Reservas: corresponde às contas que complementam o capital na formação do Patrimônio


Líquido da empresa.
 São exemplo de reservas: Reserva de Capital, Reserva de Lucros etc.

As Reservas são, em sua maioria, constituídas por valores oriundos do lucro e que visam
mantê-los dentro da empresa, evitando sua distribuição aos sócios e mantendo o seu capital de
giro.

Lucro ou prejuízo acumulado: corresponde ao resultado da empresa após a distribuição para


as Reservas e Dividendos.

É a conta que liga o Balanço Patrimonial à Demonstração do Resultado do Exercício.

Veja a representação do Patrimônio Líquido na Cia. MVF:

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Veja agora o Balanço Patrimonial completo da Cia. MVF:

Exercício 4:

Contas do Passivo: testando seu aprendizado até o momento!

Agora que você já conhece as contas do PASSIVO, identifique a seguir algumas contas.
Transcreva para o devido lugar, obedecendo à ordem correta das contas.

LISTA DAS CONTAS: PASSIVO E PATRIMÔNIO


ATIVO LÍQUIDO
Financiamentos a Longo
Prazo – $4.000 PASSIVO CIRCULANTE
Empréstimos – $6.000
Capital Social – $30.000
Fornecedores – $4.000
Contas a pagar – $ 300 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
Dívidas com Pessoas Ligadas
– $7.000
Lucros acumulados – $700
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Exercícios de fixação

Exercício 1 – Estruturação do Balanço Patrimonial

Estruture o Balanço Patrimonial da Cia Sec em 31/12/200X (dados em $1.000):

Caixa, $1.300, Fornecedores $5.000, Máquinas, $8.000, Estoques $2.000, Financiamentos a


Pagar a Longo Prazo $7.400, Capital Social $50.000, Lucros Acumulados $1.100, Duplicatas a

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Receber, $4.500, Salários a Pagar, $1.500, Participações em Outras Empresas, $5.600,


Imóveis $45.000, Impostos a Pagar no Curto Prazo $1.400.

Balanço Patrimonial – Cia. Sec 31/12/200X

ATIVO PASSIVO + PL
Circulante Circulante
Caixas Forncedores
Estoques Salarios a pagar
Duplicatas a vencer Imposto a pagar

Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo

Financimento a pagar em
LP
Permanente Patrimônio Líquido
Investimentos Capital social
participação em empresas Lucros Acumulados
Imobilizado
maquinas
imoveis
Diferido

TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO + PL

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Exercício 2 – Contas do Balanço Patrimonial

Verifique se os itens abaixo são contas do Balanço Patrimonial, seja no lado do Ativo, ou no
lado do Passivo.

Balanço Patrimonial Não é do


Conta Passivo Balanço
Ativo
+ PL Patrimonial
Valor das ações que a Cia Aglutinadora detêm
1
como controladora de outra empresa.
Valor de funcionários especializados da empresa
2
Training.
Valor do financiamento a pagar referente a
3
máquinas e equipamentos.
4 Títulos a receber em dois anos.
Valor que a empresa tem em saldo da conta
5
bancária do Banco Grupo, que já faliu.
Valor de uma máquina alugada que a empresa
6
utiliza em seu processo produtivo.
7 Dívida da empresa com seus fornecedores.
Estoque de mercadorias perdido em incêndio na
8
fábrica.
Clientela fiel, fruto de 65 anos de bons serviços na
9
região.
Valor da criatividade do pessoal da agência de
10
propaganda ZPD.

Exercício 3 – Montagem do Balanço Patrimonial

Nas férias, você foi para o interior visitar sua família e foi recebido com a esperada cordialidade
interiorana. Entre uma broa de milho e outra, seus tios contaram que abriram uma loja de
sapatos com o nome D. Quixote. Assim que souberam que você estava fazendo um curso de
contabilidade, pediram uma posição dos primeiros dias da loja. Queriam saber o que tinham e o
que deviam.

Monte o Balanço Patrimonial da loja, com base nas seguintes informações:


 O casal constituiu a D. Quixote Ltda atribuindo-lhe um capital de $40.000 em dinheiro;
 Compraram um imóvel que há tempos “namoravam”, por $30.000 à vista;
 Compraram estantes, móveis e um computador por $15.000, a prazo;
 Obtiveram um empréstimo de curto prazo junto ao Banco Sancho, no valor de $6.000;
 Compraram um estoque de 500 sapatos, por $10.000, 50% à vista e 50% a prazo.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Balanço Patrimonial – D. Quixote Ltda, 31/07/2003.

ATIVO PASSIVO + PL

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO + PL

Resumo

Ao longo deste tópico você aprendeu:


 Qual é a utilidade do Balanço Patrimonial.
 Qual é a composição do Balanço Patrimonial.
 Identificar e diferenciar as principais contas de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.

Bibliografia

a
Equipe de Professores da USP. Contabilidade Introdutória. Ed. Atlas, 18 edição.

a
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para Administradores. Ed. Atlas, 3 edição.

a
MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. Ed. Atlas, 3 . edição.

ª
MARION, José Carlos, Contabilidade Empresarial. Ed. Atlas, 11 edição.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Gabarito dos exercícios

Exercício 1

Resposta...
 Veículos = $8.000 (ATIVO)
 Fornecedores = $4.000 (PASSIVO)
 Contas a Pagar = $200 (PASSIVO)
 Caixa = $1.500 (ATIVO)
 Capital Social = $20.000 (PL)
 Clientes = $1.000 (ATIVO)
 Lucros Acumulados = $300(PL)
 Estoque = $8.000 (ATIVO)
 Imóveis = $12.000 (ATIVO)
 Empréstimos = $6.000 (PASSIVO)

TOTAL DO ATIVO = $30.500


TOTAL DO PASSIVO = $30.500

Exercício 2

Resposta...

Produtos Acabados E
Duplicatas Descontadas CR
Aplicações de Liquidez Imediata D
Aluguel pago antecipadamente DA
Matéria Prima E
Caixa D
Clientes CR
Duplicatas a receber CR
Seguros DA

Exercício 3

Resposta...

Créditos com Pessoas Ligadas – $2.500 (5)


Imóveis – $20.000 (7)
Caixa – $1.500 (1)
Clientes – $1000 (3)
Aplicações Financeiras de LP – $5.000 (4)

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Estoques – $8.000 (2)


Veículos – $15.000 (6)

Exercício 4

Resposta...
 Financiamentos a Longo Prazo – $4.000 (4)
 Empréstimos – $6.000 (2)
 Capital Social – $30.000 (6)
 Fornecedores – $4.000 (1)
 Contas a pagar – $ 300 (3)
 Dívidas com Pessoas Ligadas – $7.000 (5)
 Lucros acumulados – $700 (7)

Exercícios de fixação

1. Resposta...

ATIVO PASSIVO + PL
Circulante Circulante
Caixa 1.300 Fornecedores 5.000
Estoques 2.000 Salários a pagar 1.500
Duplicatas a Receber 4.500 Impostos a pagar 1.400

Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo


Financiamentos a pagar LP 7.400

Permanente Patrimônio Líquido


Investimentos Capital Social 50.000
Participações em Empresas 5.600 Lucros Acumulados 1.100
Imobilizado
Máquinas 8.000
Imóveis 45.000
Diferido

TOTAL DO ATIVO 66.400 TOTAL DO PASSIVO + PL 66.400

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

2. Resposta...

Conta Balanço Não é do


Patrimonial Balanço
Ativo Passivo + Patrimonial
PL
1 Valor das ações que a Cia Aglutinadora detêm X
como controladora de outra empresa.
2 Valor de funcionários especializados de outra X
empresa.
3 Valor do financiamento a pagar referente a X
máquinas e equipamentos.
4 Títulos a receber em dois anos. X
5 Valor que a empresa tem em saldo da conta X
bancária do Banco Grupo.
6 Valor de uma máquina alugada que a empresa X
utiliza em seu processo produtivo.
7 Dívida da empresa com seus fornecedores. X
8 Estoque de mercadorias perdido em incêndio na X
fábrica.
9 Clientela fiel, fruto de 65 anos de bons serviços na X
região.
10 Valor da criatividade do pessoal da agência de X
propaganda ZPD.

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

3. Resposta...

Balanço Patrimonial – D. Quixote Ltda, 31/12/2003.


ATIVO PASSIVO + PL
CIRCULANTE CIRCULANTE
Caixa 11.000 Fornecedores 5.000
Estoque 10.000 Contas a pagar 15.000
Empréstimos Bancários 6.000

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO

PERMANENTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO


Mobília e Equipamentos 15.000 Capital 40.000
Imóvel 30.000

TOTAL DO ATIVO 66.000 TOTAL DO PASSIVO + PL 66.000

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)

ATENÇÃO: Este material é parte integrante do curso on-line "ANÁLISE CONTÁBIL E


FINANCEIRA" oferecido pela FGV. O acesso às atividades, leituras interativas, testes e
fóruns de discussão deve ser feito diretamente no ambiente de aprendizagem on-line.

Objetivo

Ao final deste tópico, você estará apto(a) a:


 conhecer a Demonstração de Resultados do Exercício e seus componentes;
 identificar as causas de variações no Patrimônio Líquido;
 diferenciar o Regime de Competência e o Regime de Caixa;
 entender a relação entre o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados.

Conceito – o que é?

Relatório das atividades

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é o relatório das atividades da empresa,


num determinado período de tempo, que mostra o resultado líquido deste período, lucro ou
prejuízo. Assim, ela demonstra os aumentos e reduções do Patrimônio Líquido.

A Equação Básica do Resultado é:


 Lucro Líquido = Receitas – Custos e Despesas

46
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Receitas versus despesas

Receitas significam entradas de ativos, seja sob a forma de dinheiro ou de direitos, resultantes
das vendas de produtos e serviços. No entanto, as receitas podem também ser provenientes
de juros bancários ou resultados de outros tipos de aplicações.

Assim, quando ocorre uma receita, ocorre também um aumento no Patrimônio Líquido:

Custos e despesas representam saídas de ativos utilizados na geração de resultados. Os


custos são os gastos relacionados diretamente à operação da empresa, enquanto que as
despesas são os gastos que estão ligados às atividades de apoio. Mas ambos custos e
despesas são gastos realizados com o objetivo de trazer maiores entradas de caixa no futuro.

Lucro e Prejuízo

Assim, quando ocorre uma despesa, ocorre também uma redução no Patrimônio Líquido:

Desse modo, concluímos que, quando as receitas são maiores que as despesas, temos lucro
no período, enquanto que, quando ocorre o contrário, ou seja: quando as despesas são
maiores que as receitas, temos prejuízo como resultado do período, conforme ilustrado a
seguir:

Como é apresentada?

Agora veremos como é apresentada a Demonstração de Resultados do Exercício na Cia. MVF


e, em seguida, faremos o detalhamento dos itens apresentados:

47
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Os componentes da DRE

Detalhamento da DRE

Vejamos agora o detalhamento do itens apresentados na figura anterior:

Receita Bruta de Vendas: corresponde ao total faturado pela empresa em determinado


período.

Devoluções e Abatimentos: ocorrem sempre que um cliente sente-se prejudicado em relação


a preço, quantidade, qualidade ou outro fator da mercadoria, de modo que é negociado um
abatimento no preço ou a devolução da mercadoria.

Impostos Faturados: são os impostos relacionados ao faturamento, ou seja: ICMS, ISS, PIS e
COFINS.

Receita Líquida de Vendas: é o resultado da Receita Bruta de Vendas menos as devoluções,


abatimentos, descontos e impostos faturados.

Custo da Mercadoria Vendida (CMV): corresponde ao valor das mercadorias vendidas no


período, o qual é apurado a partir do inventário da empresa. Em geral, pode-se considerar a
seguinte equação:
 CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final

No caso de uma empresa prestadora de serviços, este item leva o nome de Custo dos
Serviços Prestados.

48
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Lucro Bruto: é o resultado da Receita Líquida de Vendas menos o Custo das Mercadorias
Vendidas ou Custo do Serviço Prestado.

Veja o exemplo da Cia. MVF:

Demonstração de Resultados Ano 1 Ano 2


RECEITA DE VENDAS 360.000 576.000
(-) CMV 250.000 345.600
L UCRO BRUT O 110.000 230.400

Despesas Operacionais: são as despesas necessárias para a operação da empresa, tais


como:
 despesas administrativas: aluguéis, salários, impostos etc;
 despesas com vendas: transportes, comissões etc;
 despesas com depreciação: contemplam o desgaste e a obsolescência de um bem,
como por exemplo: imóveis, veículos, equipamentos, móveis e utensílios, etc.

Despesas de Amortização: apropriam custos incorridos em atividades que ainda não


produziram receita, como por exemplo:
 despesas pré – operacionais
 despesas financeiras: juros bancários ou semelhantes.

Veja o exemplo da Cia. MVF:

Demonstração de Resultados Ano 1 Ano 2


(-)DESPESAS OPERACIONAIS
Desp. Administrativas 17.872 40.320
Desp. com Vendas 10.800 51.223
Depreciação e Amortização 17.000 21.000
Desp. Financeiras 12.900 19.000
Total 58.572 131.543

Lucro Operacional: é o resultado do Lucro Bruto menos as despesas operacionais.

Receitas e Despesas não operacionais: são receitas ou despesas decorrentes da


comercialização de ativos não ligados à atividade fim da empresa, como, por exemplo, venda
de um veículo, venda de um equipamento for a de uso, aluguel de um terreno não utilizado etc.

Resultado não Operacional: é o resultado das Receitas não Operacionais menos as


Despesas não operacionais.

49
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Veja o exemplo da Cia. MVF, em que foi vendido um ativo da empresa:

Demonstração de Resultados Ano 1 Ano 2


RESULTADO NÃO OPERACIONAL
Receita de venda de imobilizado 0 24.000
(-) Custo do bem vendido 0 -20.000
Total 0 4.000

Lucro antes do Imposto de Renda: é o resultado do Lucro Operacional menos o Resultado


Operacional.

Provisão para o IR: corresponde ao valor apurado para pagamento do Imposto de Renda,
conforme a legislação vigente.

Saiba mais...

Tributação do resultado

Para o cálculo do Imposto de Renda, a empresa pode optar por um dos três regimes abaixo:

Lucro Real: os impostos são calculados com base no lucro real da empresa, apurado
considerando-se todas as receitas, menos todos os custos e despesas da empresa, de
acordo com o regulamento do imposto de renda.

Lucro Presumido: os impostos são calculados com base num percentual estabelecido sobre
o valor das vendas realizadas, independentemente da apuração do lucro.

Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas


e Empresas de Pequeno Porte): Constitui-se em uma forma simplificada e unificada de
recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos,
incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta.

No entanto, para optar por um dos regimes, é preciso encaixar-se nos requisitos
estabelecidos no Regimento do Imposto de Renda vigente.

Lucro Líquido: é o resultado do Lucro antes do Imposto de Renda menos a Provisão para o
IR. Representa o resultado final das operaçòes da empresa em um período determinado.

50
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

A seguir, veremos como é apresentada a Demonstração de Resultados do Exercício na Cia.


MVF:

Demonstração de Resultados Ano 1 Ano 2


RECEITA DE VENDAS 360.000 576.000
(-) CMV 250.000 345.600
L UCRO BRUT O 110.000 230.400
(-) DESP. OPERACIONAIS 58.572 131.543
LUCRO OPERACIONAL 51.428 98.857
RESULTADO NÃO OPERAC. 0 4.000
LUCRO ANTES I.R. 51.428 102.857
(-) PROVISÃO I.R. 15.428 30.857
LUCRO LÍQUIDO 36.000 72.000

Exercício

Organize as contas listadas abaixo na tabela representando a DRE de uma empresa e


descubra de quanto foi o seu Resultado.
 Despesas com Vendas = -620.112
 Deduções da Receita Bruta = -749.093
 Provisão para IR e Contribuição Social = -36.533
 Outras Despesas Operacionais = -247.904
 Despesas Gerais e Administrativas = -157.833
 Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos = -2.682.673
 Resultado Não Operacional = 37.923
 Despesas Financeiras = -44.898

Regime de competência versus regime de caixa

Fluxo Econômico e Fluxo Monetário

Como você deve ter reparado, a DRE retrata o Fluxo Econômico da empresa, e não o Fluxo
Monetário. Isso ocorre porque, na DRE, não importa se uma receita ou despesa afetou ou não
o caixa da empresa, mas sim se afetou o patrimônio da mesma. Isso se deve ao fato de essa
demonstração ser elaborada através do Regime de Competência.

Há dois regimes contábeis: Regime de Caixa e Regime de Competência.

Vamos ver um exemplo primeiro para entender melhor esses conceitos.

51
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Exemplo:

Imagine uma empresa com as seguintes operações em três meses:


 Mês 1: Comprou matéria-prima à vista por $15.000 e efetuou venda a prazo (30 dias)
por $20.000
 Mês 2: Comprou matéria-prima à vista por $27.000 e efetuou venda a prazo (30 dias)
por $30.000
 Mês 3: Comprou matéria-prima à vista por $30.000 e efetuou venda a prazo (30 dias)
por $35.000

Veja a diferença de contabilização entre os dois regimes no quadro abaixo:

No Regime de Caixa, as receitas são reconhecidas quando existe recebimento de caixa e os


custos e despesas são reconhecidos quando ocorre dispêndio de dinheiro.

Assim, podemos concluir que o Regime de Caixa é intuitivo e fácil. Ele fornece informações
confiáveis sobre os fluxos de caixa, bem como sobre a capacidade da empresa de cumprir
suas obrigações de curto prazo. No entanto, está sujeito a manipulações, pois a empresa pode,
por exemplo, postergar o reconhecimento de custos e despesas através do adiamento de
pagamentos.

Já no Regime de Competência, as receitas, custos e despesas são reconhecidos com base


na realização, independentemente do fluxo de caixa.

O Regime de Competência é mais difícil conceitualmente e fornece informações sobre a


lucratividade, pois podem ocorrer mudanças na riqueza da empresa sem impactos no caixa,
através de vendas a prazo ou no caso de trocas de bens. Por sua vez, esse regime está sujeito
a manipulações através de escolhas de regras de reconhecimento de receitas e despesas.

52
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Exercício 1

Uma empresa comercial teve o fluxo seguinte de receitas e despesas:

Despesas relativas à:
 Dezembro de 2005, pagas em dezembro de 2005: R$ 100.000,00
 Janeiro de 2006, pagas em dezembro de 2005: R$ 208.000,00
 Dezembro de 2005, pagas em janeiro de 2006: R$ 172.000,00

Receitas relativas à:
 Dezembro de 2005, recebidas em janeiro de 2006: R$ 154.000,00
 Janeiro de 2006, recebidas em dezembro de 2005: R$ 226.000,00
 Dezembro de 2005, recebidas em dezembro de 2005: R$ 202.000,00

Com base no Regime de Competência, identifique as contas relativas ao mês de Dezembro


para obter o resultado da empresa:

Despesas:
Receitas:
Resultado:

Com base no Regime de Caixa, identifique as contas relativas ao mês de dezembro para obter
o resultado da empresas.

Despesas:
Receitas:
Resultado:

Relação entre o balanço patrimonial e a DRE

Assim como a Demonstração de Resultados, o Balanço Patrimonial também é uma


demonstração financeira com enfoque econômico.

No entanto, ao comparar o BP com a DRE, podemos dizer que o Balanço Patrimonial tem o
enfoque estático, pois mostra a situação da empresa em uma determinada data. Já a DRE tem
o enfoque dinâmico, pois reflete a situação da empresa em um determinado período.
Metaforicamente, podemos dizer que o BP é uma foto, enquanto a DRE é um filme.

53
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Exercícios de fixação

Exercício 1

Classifique as contas colocando os valores nas respectivas colunas:

CONTA R$ ATIVO PASSIVO PL DRE


Disponibilidades 5.487
Fornecedores 17.903
Reservas 19.909
Duplicatas descontadas (1.877)
Financiamento a LP 41.530
Contas a receber 2.412
Imobilizado 36.365
Custo dos produtos vendidos (139.319)
Despesas Operacionais (48.387)
Capital 91.500
Contas a pagar 17.010
Títulos a receber 45.653
Investimentos temporários 63.097
Receita de vendas 190.592
Resultado Não Op. 3.242
Financiamento a CP 3.174
Contas a receber a LP 10.321
Investimentos 7.676
Estoques 21.892
TOTAL

Exercício 2

Uma empresa registrou as seguintes informações para o ano concluído em 31/12/x0:


 O Recebimento de clientes foi de $560, e a Receita de Vendas, de $660. Não havia
Contas a Receber no início do Período. A Provisão para Devedores Duvidosos é de 3%
do saldo de Contas a Receber em 31/12/x0;
 Mercadorias custando $430 foram compradas durante o ano fiscal. Não havia estoques
no início do período. O estoque em 31/12/x0 é de $25. Pagamentos por mercadorias
durante o ano chegaram a $350;
 Pagamentos de $14 foram feitos por serviço de manutenção de rotina ao longo do ano;
 Outras despesas operacionais de $56 foram pagas durante o ano. As despesas de
salários incorridas mas ainda não pagas são de $40. Além disso, as instalações devem
ser depreciadas em $28;
 A alíquota de Imposto de Renda é de 30%.

54
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Pede-se preparar a Demonstração de Resultados da empresa para o período findo em


31/12/x0.

Exercício 3

A Cia. ABCD teve o seguinte fluxo de receitas e despesas:

Despesas relativas à:
 Dez/X8, pagas em dez/X8 R$90.000
 Jan/X9, pagas em dez/X8 R$108.000
 Dez/X8, pagas em jan/X9 R$72.000

Receitas relativas à:
 Dez/X8, recebidas em jan/X9 R$54.000
 Jan/X9, recebidas em dez/X8 R$126.000
 Dez/X8, recebidas em dez/X8 R$102.000

Com base apenas nestas informações, podemos dizer que a empresa obteve, em dez/X8, pelo
Regime de Competência dos Exercícios, um resultado de:

Com base apenas nestas informações, podemos dizer que, em dez/X8, o saldo de caixa da
empresa variou em:

Exercício 4

Estruture, com base nos saldos das contas, as seguintes demonstrações financeiras:
Demonstração de Resultados do Exercício de 200X e o Balanço Patrimonial em 31/12/200X.

Nome das Contas Saldo em 31/12/200X


1 Disponível 106.254
2 Investimento 62.280
3 Encargos a Pagar 4.825
4 Reservas 392.082
5 Lucros Acumulados 256.511
6 Deduções de Vendas 625.838
7 Despesas não Operacionais 126.203
8 Receitas não Operacionais 100.900
9 Impostos a Pagar Longo Prazo 17.011
10 Financiamentos Longo Prazo 595.004
11 Impostos a Recolher 118.641
12 Ativo Diferido 32.635
13 Duplicatas a Receber 582.613
14 Estoques 290.001

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Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

15 Aplicações Financeiras Longo Prazo 36.189


16 Imposto de Renda 33.633
17 Despesas Financeiras 91.433
18 Duplicatas Descontadas 61.723
19 Capital Social 500.000
20 Fornecedores 126.758
21 Empréstimos Bancários 152.819
22 Despesas Administrativas 119.126
23 Receita Bruta 2.438.332
24 Custo do Produto Vendido 1.368.313
25 Imobilizado Líquido 1.149.035
26 Despesa de Depreciação 4.108
27 Imposto de Renda a Pagar 33.633

Resumo

Ao longo deste tópico, você aprendeu:


 A identificar os componentes da Demonstração de Resultados do Exercício;
 A identificar as causas de variações no Patrimônio Líquido e diferenciar o Regime de
Competência e o Regime de Caixa;
 A entender a relação entre o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados.

Bibliografia

a
Equipe de Professores da USP. Contabilidade Introdutória. Ed. Atlas, 18 edição.

a
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para Administradores. Ed. Atlas, 3 edição.

a
MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. Ed. Atlas, 3 . edição.

ª
MARION, José Carlos , Contabilidade Empresarial. Ed. Atlas, 11 edição.

56
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Gabarito dos exercícios:

Exercício 1:

Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços 4.522.079


Deduções da Receita Bruta -749.093
Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços 3.772.986
Custo de Bens e/ou Serviços Vendidos -2.682.673
Resultado Bruto 1.090.313
Despesas/Receitas Operacionais -1.070.747
Despesas com Vendas -620.112
Despesas Gerais e Administrativas -157.833
Despesas Financeiras -44.898
Outras Despesas Operacionais -247.904
Resultado Operacional 19.566
Resultado Não Operacional 37.923
Resultado Antes Tributação/Participações 57.489
Provisão para IR e Contribuição Social -36.533
Lucro/Prejuízo do Exercício 20.956

Exercício 2:

Regime de Competência

Despesas:
• Dezembro de 2005, pagas em dezembro de 2005: R$ 100.000,00
• Dezembro de 2005, pagas em janeiro de 2006: R$ 172.000,00

Receitas:
• Dezembro de 2005, recebidas em janeiro de 2006: R$ 154.000,00
• Dezembro de 2005, recebidas em dezembro de 2005: R$ 202.000,00

Resultado: R$84.000

Regime de Caixa:

57
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Gabarito:

Despesas:
 Dezembro de 2005, pagas em dezembro de 2005: R$ 100.000,00
 Janeiro de 2006, pagas em dezembro de 2005: R$ 208.000,00

Receitas:
 Janeiro de 2006, recebidas em dezembro de 2005: R$ 226.000,00
 Dezembro de 2005, recebidas em dezembro de 2005: R$ 202.000,00

Resultado: R$120.000

Exercícios de fixação

1. Resposta:

CONTA R$ ATIVO PASSIVO PL DRE


Disponibilidades 5.487 5.487
Fornecedores 17.903 17.903
Reservas 19.909 19.909
Duplicatas descontadas (1.877) (1.877)
Financiamento a LP 41.530 41.530
Contas a receber 2.412 2.412
Imobilizado 36.365 36.365
Custo dos produtos vendidos (139.319) (139.319)
Despesas Operacionais (48.387) (48.387)
Capital 91.500 91.500
Contas a pagar 17.010 17.010
Títulos a receber 45.653 45.653
Investimentos temporários 63.097 63.097
Receita de vendas 190.592 190.592
Resultado Não Op. 3.242 3.242
Financiamento a CP 3.174 3.174
Contas a receber a LP 10.321 10.321
Investimentos 7.676 7.676
Estoques 21.892 21.892
TOTAL 191.026 79.617 111.409 6.128

58
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

2. Resposta:

Receita de Vendas 660


CMV 405 (430-25)
Receita Líquida 255
Despesas Operacionais 138 (14+56+40+28)
Lucro Operacional 117
Resultado Não Operacional 0
Lucro antes do IR 117
Provisão de IR 35
Lucro Líquido 82

3. Resposta:

Pelo Regime de Competência dos Exercícios, um resultado de: (6.000)


Dez/X8, recebidas em jan/X9 +R$54.000
Dez/X8, recebidas em dez/X8 +R$102.000
Dez/X8, pagas em dez/X8 -R$90.000
Dez/X8, pagas em jan/X9 -R$72.000
O saldo de caixa da empresa variou em: 30.000
Jan/X9, recebidas em dez/X8 +R$126.000
Dez/X8, recebidas em dez/X8 +R$102.000
Dez/X8, pagas em dez/X8 -R$90.000
Jan/X9, pagas em dez/X8 -R$108.000

4. Resposta:

Balanço patrimonial

Ativo

Circulante:
Disponível 106.254
Duplicatas a Receber 582.613
Duplicatas Desc. (61.723)
Estoques 290.001

Realizável a Longo Prazo:


Aplicações Fin. LP 36.189

Permanente:
Investimento 62.280
Imobilizado Líquido 1.149.035

59
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Ativo Diferido 32.635


Total 2197284

Passivo

Circulante:
Fornecedores 126.758
Encargos a Pagar 4.825
Impostos a Recolher 118.641
Empréstimos Banc. 152.819
IR a Pagar 33.633

Exigível a Longo Prazo:


Impostos a Pagar LP 17.011
Financiamentos LP 595.004

Patrimônio líquido
Capital Social 500.000
Lucros Acumulados 256.511
Reservas 392.082
Total 2.197.284

DRE

Receita Bruta 2.438.332


-Deduções (625.838)
Receita com Vendas 1.812.494
-CMV (1.368.313)
Receita Líquida 444.181
-Desp. Operacionais (214.667)
Desp. Fin. 91.433
Desp. Adm. 119.126
Desp. Depr. 4.108
Lucro Operacional 229.514
Resultado não operacional (25.303)
Rec. ñ op. 100.900
Desp. ñ op. (126.203)
Lucro antes do IR 204.211
Imposto de Renda (33.633)
Lucro Líquido 170.578

60
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

5 – DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – DFC

ATENÇÃO: Este material é parte integrante do curso on-line "CONTABILIDADE"


oferecido pela FGV. O acesso às atividades, leituras interativas, testes e fóruns de
discussão deve ser feito diretamente no ambiente de aprendizagem on-line.

Objetivo

Ao final deste tópico você estará apto(a) a:


 conhecer a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) e seus componentes;
 entender a importância da DFC e como a mesma contribui no conjunto de relatórios
contábeis:
 aprender a elaborar a DFC.

Introdução

Relembrando...

Você deve lembrar que:


 o Balanço Patrimonial mostra como a empresa se financia e como investe seus
recursos.
 a Demonstração de Resultados do Exercício mostra lucros ou prejuízos gerados pela
empresa durante um período.

61
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Muito bem! Mas o que você não viu, ainda, e é o que vamos vê neste módulo é a
demonstração que mostre de onde veio e aonde foi aplicado o caixa (disponível) da empresa,
certo?

Portanto, vamos estudar agora a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), que é o relatório
financeiro que explica as entradas e saídas de dinheiro da empresa, ou seja, a variação no
saldo da conta caixa (disponível) entre dois exercícios consecutivos.

Vamos conhecer a seguir!

Bons Estudos!

DFC – Utilização

Porque a DFC é utilizada? Que questionamentos são válidos?


 Por que o lucro líquido não coincide com o fluxo de caixa das operações?
 Por que empresas lucrativas podem entrar em concordata ou falência?
 Existem outros fatores que influenciam o fluxo de caixa da empresa e que não estão
evidenciados na demonstração de resultados?

Estas são algumas questões que podem ser levantadas ao se analisar somente o Balanço
Patrimonial e a Demonstração de Resultados do Exercício. Ao realizar o Fluxo de Caixa,
podemos obter algumas outras informações, tais como:
1. verificar origens de recursos;
2. avaliar investimentos;
3. verificar como excessos de caixa estão sendo aplicados;
4. verificar possibilidade de falta de liquidez.

Segundo a atual Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6404/76), a Demonstração do Fluxo de
Caixa não é obrigatória, somente a DOAR – Demonstração das Origens e Aplicações de
Recursos. No entanto, o projeto de lei 3741/2000, mas conhecido como Nova Lei das SA’s,
classifica a DFC como demonstrativo obrigatório. Por esta tendência e pelo fato da DFC ser um
demonstrativo mais didático e de uso gerencial, é que estudaremos neste curso somente a
Demonstração do Fluxo de Caixa.

A Demonstração do Fluxo de Caixa tem grande utilidade gerencial, contribuindo especialmente


para o planejamento financeiro da empresa. As principais informações que se obtem desta
demonstrativos são relativas à Capacidade Financeira da Empresa, tais como: auto
financiamento da empresa, necessidade de empréstimos, capacidade de investimento,
capacidade de pagamento dos financiamentos, distribuição de dividendos etc.

62
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Apresentação da DFC

Como a DFC é apresentada?

A estrutura simplificada da DFC é a seguinte:


(=) saldo inicial
(+) entradas
(-) saídas
(=) saldo final

No entanto, a DFC engloba três tipos de Fluxos de Caixa, são eles:


1. operacional: fluxo de caixa relacionado com a venda de bens e serviços, ou seja, a
atividade operacional da empresa.
2. de investimentos: fluxo de caixa relacionado com a aquisição ou venda de ativos
permanentes.
3. de financiamentos de longo e curto prazo: fluxos de caixa relacionados com
passivos e patrimônio líquido; dividendos representam saídas de caixa de
financiamentos.

Assim, a estrutura da DFC é:

Fluxo de Caixa das Operações:


 Recebimentos
 (-) Pagamento das Compras/ outros custos
 (-) Pagamento das Despesas
 = Total do Fluxo de Caixa das Operações

Fluxo de Caixa de Investimentos:


 (+/-) Variação no Ativo Permanente
 = Total do Fluxo de Caixa de Investimentos

Fluxo de Caixa de Financiamentos:


 (+/-) Variação no Exigível
 (-) Pagamento de Dividendos
 (+) Aporte de capital pelos proprietários
 = Total do Fluxo de Caixa de Financiamento

= Variação do saldo de Caixa

63
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Os componentes da DFC

Esquema prático da DFC

Veja no quadro a seguir um esquema prático dos componentes da DFC.

Vejamos agora um exemplo de Fluxo de Caixa

64
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Técnicas de elaboração

Introdução

As empresas podem elaborar a demonstração do fluxo de caixa diretamente através da conta


“caixa”.

Mas muitas elaboram através do balanço e demonstração de resultados, onde o Fluxo de


Caixa pode ser elaborado através dos métodos direto e indireto.

O método direto elabora o fluxo de caixa das operações através da subtração dos
desembolsos de caixa relativos ao pagamento de fornecedores e empregados das
entradas de caixa relativas aos recebimentos de clientes.

Já o método indireto elabora o fluxo de caixa das operações através de ajustes das receitas e
despesas que não implicam em caixa sobre o lucro líquido. Muitas empresas apresentam seu
fluxo de caixa utilizando o método indireto.

Vamos conhecê-los melhor:

Método Direto

Os primeiros passos para preparar a demonstração de fluxo de caixa, no método direito, são:
1. Obter Balanço inicial e final de cada ano;
2. Explicar as mudanças na conta caixa, entre o início e fim de cada ano, considerando as
mudanças, durante o período, em cada item que não representa caixa;
3. O passo final é preparar uma demonstração formal de fluxo de caixa.

Para a elaboração da DFC, busca-se os dados de natureza operacional no Balanço Patrimonial


e na Demonstração do Resultado do Exercício. Já os dados sobre as origens e aplicações,
pode-se buscar na DRE e na Demostrações das Mutações do Patrimônio Líquido .

Tendo em mãos tais demonstrações, seguimos os seguintes passos:

1º Passo – Recebimento de Clientes

Receita de Vendas
 (+) Saldo Inicial de Clientes (X1)
 (-) Saldo Final de Clientes (X2)
 (=) Recebimento de Clientes

65
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

2º Passo – Pagamento a Fornecedores

CMV
 (-) Estoque Inicial (X1)
 (+) Estoque Final (X2)
 (=) Compras

Saldo Inicial de Fornecedores (X1)


 (+) Compras
 (-) Saldo Final de Fornecedores (X2)
 (=) Pagamento a Fornecedores

3º Passo – Pagamento de Despesas

Despesas Totais
 (+) Contas a Pagar (Salários, Tributos, Outras) Inicial (X1)
 (-) Contas a Pagar Final (X2)
 (-) Despesas Antecipadas (X1)
 (+) Despesas Antecipadas (X2)
 (=) Pagamento de Despesas (X2)

66
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Vejamos agora o exemplo de Fluxo de Caixa da nossa cia MVF elaborado pelo Método Direto:

Método Indireto

Para elaborar o fluxo de caixa através do método indireto, devemos partir do Fluxo de Caixa de
Operações, realizando as adições e deduções necessárias ao lucro líquido.

67
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Tais ajustes são realizados porque os mesmos não alteram o caixa da empresa na prática,
somente em termos contabeis.

Para entendermos melhor os ajustes, vejamos alguns exemplos:


Adições que devem ser feitas ao Lucro Líquido
 depreciação do período
 aumentos de passivo circulante
 reduções de ativo circulante

Deduções que devem ser feitas ao Lucro Líquido


 aumentos de ativo circulante
 reduções de passivo circulante

Assim, o fluxo de caixa pelo método indireto se dá da seguinte maneira:

Fluxo de Caixa de Operações:


 = Lucro Líquido do período
 + adições
 - deduções
 + Fluxo de Caixa de Investimentos
 + Fluxo de Caixa de Financiamentos
 = Variação do saldo de Caixa
 + Saldo inicial de Caixa
 = Saldo Final de Caixa

68
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Vejamos como é apresentado o Fluxo de Caixa na nossa Cia. MFV, elaborado pelo Método
Indireto:

69
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Encerramento – Conclusão

Equação do fluxo de caixa

Você se lembra da equação básica da Contabilidade?

Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido


ou
A = P + PL

Separando o Ativo em duas categorias: Caixa (c) e Não Caixa (N$), temos:

C + N$ = P + PL

Agora, consideremos as alterações que ocorrem normalmente no dia-a-dia de uma empresa.


Consideremos estas alterações como D:

DC + DN$ = DP + DPL

Reordenando os dados da equação básica para a demonstração de fluxo de caixa:

DC = DP + DPL – DN$

A alteração do caixa, DC, é aumento ou diminuição da conta caixa.

Esse valor deve ser igual as alterações nos passivos mais alterações no patrimônio líquido
menos alterações nos ativos que não são caixa.

Portanto, podemos concluir que é possível identificar as causas nas alterações na conta caixa
através da análise das alterações das contas que não significam caixa.

Resumo

Ao longo deste tópico você aprendeu:


 quais os componentes da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC);
 qual a importância da DFC e como a mesma contribui no conjunto de relatórios
contábeis;
 a elaborar a DFC.

70
Módulo 1 – Análise Contábil e Financeira

Bibliografia

a
Equipe de Professores da USP. Contabilidade Introdutória. Ed. Atlas, 18 edição

a
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para Administradores. Ed. Atlas, 3 edição

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MATARAZZO, Dante C. Análise Financeira de Balanços. Ed. Atlas, 3 . edição.

ª
MARION, José Carlos , Contabilidade Empresarial. Ed. Atlas, 11 edição.

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