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Solitude

O texto retrata a angústia e solidão do eu lírico, que se sente preso em uma existência sem sentido. Ele descreve uma luta interna entre a vida e a morte, expressando saudade de experiências não vividas e um desejo de escapar de sua dor. A narrativa culmina em uma aceitação da inexistência como forma de libertação.
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Solitude

O texto retrata a angústia e solidão do eu lírico, que se sente preso em uma existência sem sentido. Ele descreve uma luta interna entre a vida e a morte, expressando saudade de experiências não vividas e um desejo de escapar de sua dor. A narrativa culmina em uma aceitação da inexistência como forma de libertação.
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E então desperto – me com a ligeira sensação de ignóbil, a sensação de solidão assola meu

peito, minha respiração ofegante, o ar dói, meu corpo retesa, não contenho um chiado
pequeno, um brado contido. Mesmo se minha voz soasse gutural me manteria sozinho, seria
uno com a minha consciência na minha espectral prisão de teias grotescas. Definharia até o
último dia.
Levantei – me, estralando os pés sobre o piso de madeira, ouvindo o ranger dos blocos.
Suspirou mais uma vez, sentindo o esgar de dor entre o peito, gemendo para cessar a caixa
escura. Abri o objeto de madeira, alisando as linhas de textura. Pisei sobre os blocos lixando os
pés na superfície desigual, uma lixa de som agonizante, este era o som do meu preço, o custo
da minha existência trivial, efêmera. Corri os pés ensanguentados para fora da pequena
cabana, ambiente desconfortável. A porta desprendeu – se das dobraduras, cedendo junto à
minha última gota de esperança. Corri com a tez dos membros inferiores desnudos, pelo
prazer de sentir a última gosta de mim esvair-se junto às minhas desesperanças. O encalço das
pedras irregulares aguardava por ser tingido por carmesim. Tateei ao redor, sentindo o vento
congelante me eletrizar, minhas sinapses cada vez mais intensas. No caminho senti a saudade
abater, contornando como um véu desprovido de sentimentos positivos, quando o que se tem
a frente é um nebuloso destino, o que nos retrata são a intensidade do preço baixo da nossa
vida, uma moeda de troca inutilizada, estamos desnudos dos nosso próprios princípios, guiei-
me ao desfiladeiro, senti reverberarem mim, saudade irracional de vidas que não vivi, de
pessoas que desconheci, de povoar realidades distantes, mas eu sou apenas passageiro de
trem sem vagões, meu destino inevitável é decair. Arrepiei perante o esperado, estúpidas
memórias, estúpidas desculpas, me deixei entornar, as lágrimas grossas eram nada mais que
uma tentativa desesperadora de um apego inexistente. O ser humano tem medo da vida, o ser
humano tem medo da morte, neste momento entre ambos os caminhos vou oscilar, abraçar
uma inexistência, que agora virará meu módulo de vida, meu presságio verdadeiro.

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