Compreendendo e Utilizando Efetivamente o
Protocolo SEL MIRRORED BITS
Mark Diehl Andrew Dulmage
O protocolo SEL MIRRORED BITS® é um protocolo serial seguro e confiável que transmite e
recebe oito bits de status digital entre dois dispositivos SEL. Este protocolo é frequentemente
usado entre pares de relés em cada extremidade de uma linha de transmissão para implementar
esquemas de teleproteção de alta velocidade como os esquemas de disparo permissivo por
sobrealcance (POTT) ou comparação direcional por bloqueio (DCB) [1]. Ele também é usado em
alguns esquemas de automatismos em subestações, como transferência de fontes de alimentação,
seletividade lógica ou esquemas de falha de disjuntor em barramentos de distribuição.
O objetivo deste guia de aplicação é explicar a funcionalidade básica do protocolo SEL
MIRRORED BITS, explorar os ajustes necessários para parametrizar os relés SEL para utilizarem o
protocolo MIRRORED BITS e discutir técnicas e recursos usados para testes, soluções de
problemas e comissionamento de esquemas utilizando MIRRORED BITS.
O protocolo MIRRORED BITS
um link serial, como mostrado na Figura 1. Para cada um dos oito bits transmitidos, uma equação
atribui o bit desejado no relé a um dos oito bits que estão sendo enviados pelo canal MIRRORED
BITS. Essa é conhecida como a equação de Transmissão MIRRORED BIT (TMB). Cada uma das
oito equações TMB no relé 1 pode ser programada para conter qualquer variável digital, também
chamada de word bit, ou uma equação de controle SELOGIC®. O status dessa word bit ou
equação é espelhado para o relé 2 e é recebido na forma de Recepção MIRRORED BIT (RMB)
correspondente.
Por exemplo, a configuração para TMB1 no relé 1 pode conter o bit de status do disjuntor (52A),
que é um lógico 1 quando fechado e um 0 lógico quando aberto. Sempre que o disjuntor muda de
estado, o bit 52A e o bit TMB1 também são alterados no relé 1. Esse bit é enviado para o relé 2,
onde é representado por RMB1 (os outros sete TMBs correspondem, de modo semelhante, aos
RMBs correspondentes). Quando o canal está íntegro, o RMB1 no relé 2 sempre terá o mesmo
valor que o TMB1 no relé 1. Isso significa que se o disjuntor do relé 1 for fechado, o RMB1 no
relé 2 deverá mudar de 0 para 1. Esse bit pode ser usado nas equações lógicas do relé 2.
Ao mesmo tempo, o relé 2 envia oito de seus próprios TMBs para o relé 1. Essas mensagens são
enviadas a cada intervalo de processamento do relé (4 a 8 vezes o ciclo do sistema de potência,
dependendo do relé). Os protocolos tradicionais de comunicação, como o DNP (Distributed
Network Protocol) ou Modbus, são muito lentos para aplicações de proteção. Como o protocolo
MIRRORED BITS processa rapidamente de ponta a ponta, é um protocolo ideal para se usar em
esquemas de proteção, como por exemplo o envio de um sinal de transferência de disparo de um
relé para outro. Para mais informações sobre a tecnologia MIRRORED BITS, veja [1]. Veja a
Figura 1 para uma representação visual de como a tecnologia MIRRORED BITS funciona.
Existem dois protocolos MIRRORED BITS diferentes, MB e MB8. Para entender a pequena
diferença entre esses dois protocolos, é preciso primeiro entender a estrutura geral dos dados que
estão sendo trocados. Mensagens de comunicação MB e MB8 consistem em quatro caracteres
(bytes). Cada byte é composto de um bit de início (start bit), seis bits de dados, um bit de paridade
e um ou dois bits de parada (stop bits).
Quando o MB foi inicialmente desenvolvido, os cabos seriais DB-9 tradicionais conectavam
diretamente os equipamentos. Isso também poderia ter a forma de um link de fibra ótica através
do uso de transceptores como o transceptor de fibra ótica SEL-2800, o transceptor de fibra ótica
SEL-2812 com IRIG-B ou o transceptor/modem de fibra ótica monomodo SEL-2830. Devido a
esse canal de comunicação ser dedicado, o número total de bits em um caractere não era
especialmente importante, portanto, o protocolo MB inclui apenas um bit de parada para um total
de nove bits por caractere.
No entanto, alguns equipamentos contam bits e requerem um caractere de 10 bits, portanto, o
protocolo MB8 foi desenvolvido para atender a esse requisito, incluindo dois bits de parada, ao
invés de um para um total de dez bits por caractere. O protocolo MB8 deve ser usado em vez do
MB ao fazer interface com equipamentos de comunicação serial, como rádios, multiplexadores ou
modems [2] [3]. Você pode usar o protocolo MB8 para todas as aplicações MIRRORED BITS para
evitar confusão, porque as conexões seriais diretas tradicionais suportam MB e MB8.
Da mesma forma como em outros protocolos tradicionais, como Modbus e DNP3, as
configurações das portas de comunicação devem ser consideradas ao se utilizar comunicações
MIRRORED BITS entre dois relés. Esta seção analisa as várias possibilidades de ajustes dos
MIRRORED BITS disponíveis nos equipamentos SEL e o que considerar ao parametrizá-los. Este
guia de aplicação utiliza o Software ACSELERATOR QuickSet® SEL-5030 para configurar a porta
serial 3 de um relé SEL-351S no protocolo MIRRORED BITS.
O primeiro passo é definir a configuração de seleção de protocolo (PROTO) para MB8A para
essa porta. Isso é mostrado na Figura 2. Embora anteriormente este guia apenas referencie os
protocolos MB e MB8, a Figura 2 mostra MBA, MBB, MB8A e MB8B como opções para a
configuração PROTO. Esses são os mesmos MB e MB8 descritos anteriormente com um A ou B
anexado. A maioria dos relés SEL modernos suportam até dois canais MIRRORED BITS. As
designações A e B permitem que o dispositivo diferencie localmente entre esses dois canais
MIRRORED BITS diferentes. Por exemplo, se o relé 1 precisar de uma conexão MB8 para o relé 2 e
uma segunda conexão para o relé 3, uma porta serial pode ser definida como MB8A e a outra
como MB8B. Ambos estão usando o mesmo protocolo, mas o relé precisa distinguir quais oito
bits irão para o relé 2 e quais irão para o relé 3. Se a porta conectada ao relé 2 estiver configurada
como MB8A, então TMB1A TMB8A serão os bits enviados para o relé 2 e RMB1A RMB8A
são os bits recebidos do relé 2. Da mesma forma, se a porta conectada ao relé 3 for configurada
como MB8B, TMB1B TMB8B serão os bits transmitidos ao relé 3 e RMB1B RMB8B serão os
bits recebidos do relé 3. É importante saber que as designações A e B não são comunicadas
através do canal MIRRORED BITS, portanto, se a porta serial em um dispositivo for configurada
como protocolo MB8A e a porta serial no outro dispositivo for configurada como MB8B, eles
ainda podem ser comunicar. As designações A e B são importantes somente dentro do relé
individual.
Os módulos de entradas e saídas remotas SEL-2505 e SEL-2506 (montado em rack) são produtos
simples que incorporam MIRRORED BITS e são programados usando chaves de controle (DIP
switches). Estes produtos suportam apenas o protocolo SEL MB8. Se um desses produtos estiver
conectado a um dispositivo SEL, como o SEL-451 ou o SEL-351, então o relé deverá ser
configurado para usar o protocolo MB8 para ser compatível com o SEL-2505 ou SEL-2506.
Em seguida, configure a taxa de transmissão, conforme mostrado na Figura 3. Quando você
seleciona o MB8A como o protocolo, a maioria dos parâmetros de comunicação fica fixa em
valores específicos. Neste exemplo, a taxa de transmissão é 9600. Em algumas aplicações, uma
taxa de transmissão mais alta pode ser usada para melhorar a latência. No entanto, considere
cuidadosamente a velocidade de dados apropriada com base no tipo de cabeamento ou conexão.
Cabos seriais longos de cobre em um ambiente de subestação podem ser propensos à indução ou
outro ruído que tenha impacto em taxas de transmissão mais altas.
A Tabela 1 apresenta atraso de tempo nos dispositivos de comunicação SEL MIRRORED BITS,
medido a partir do momento em que um TMB é ativado em um dispositivo até o momento em
que o RMB correspondente é recebido e processado no outro dispositivo. É importante considerar
esse atraso ao usar esse protocolo para um esquema de proteção. Os relés da série SEL-400
possuem um intervalo de processamento de 1/8 de ciclo e a maioria dos outros relés SEL possui
um intervalo de processamento de 1/4 de ciclo.
38400 4,2 ms (4,2 ms) 8,3 ms (8,3 ms)
19200 6,3 ms (6,3 ms) 10,5 ms (12,5 ms)
9600 8,3 ms (10,4 ms) 12,5 ms (12,5 ms)
4800 12,5 ms (18,7 ms) 16,7 ms (20,8 ms)
Essas configurações são predeterminadas com base no ajuste PROTO e não podem ser alteradas.
Observe que os ajustes para bits de dados e bits de parada foram ajustados automaticamente para
6 e 2, respectivamente, com paridade ímpar. Estes são consistentes com a estrutura da mensagem
MB8 descrita anteriormente. Alternativamente, se o protocolo MB for selecionado, os ajustes
para bits de dados e bits de parada serão fixados em 6 e 1, respectivamente.
A Figura 3 mostra ajustes típicos da porta serial que aparecem nos relés SEL-300 e SEL-700. Os
relés da Série SEL-400 são ligeiramente diferentes. Os relés da Série SEL-400 não possuem uma
configuração para o protocolo MB8A. Para imitar o protocolo MB8A, selecione PROTO = MBA
(ou MBB) e selecione STOPBIT = 2.
O handshaking de hardware é um método de controle de fluxo no qual os pinos RTS e CTS são
usados para controlar o fluxo de tráfego. Como isto não é necessário para uma conexão
MIRRORED BITS, portanto, deixe-a definida como padrão, N, o que significa que ela está
desativada.
Este ajuste somente aparece nos relés da Série SEL-400. Se dois relés da Série SEL-400
estiverem se comunicando entre si, eles poderão usar o MIRRORED BITS para se comunicar mais
rápido do que outros produtos da plataforma de hardware da SEL. Se este for o caso, TXMODE
pode ser definido como N para normal, o que faz com que o link MIRRORED BITS funcione o mais
rápido possível. Se um relé da série SEL-400 for comunicar com outro tipo de produto SEL
usando MIRRORED BITS, ajuste TXMODE como P para o modo regulado (paced mode) para
obter compatibilidade.
Existem algumas configurações adicionais do MIRRORED BITS associadas à porta serial 3, como
mostra a Figura 4.
CBADPU e RBADPU são ajustes de limites usados para detectar problemas com a confiabilidade
do link de comunicação. CBADPU é usado para identificar um problema em que o canal de
comunicação está periodicamente entrando e saindo de serviço. O produto SEL usando
MIRRORED BITS rastreia o número de mensagens perdidas e realiza comparação com o número de
mensagens que espera receber. O parâmetro CBADPU ajusta essa proporção de mensagens
perdidas para o total de mensagens esperadas com unidades de partes por milhão (PPM). O bit
CBAD é ativado quando o resultado do cálculo da proporção PPM está acima do valor do ajuste
de CBADPU. Ajuste CBADPU com base na confiabilidade do canal de comunicação sendo
usado. A Tabela 2 mostra exemplos de possíveis ajustes com base no tipo de canal.
12
Fibra Ótica 10 0,002 ppm 10
9
Canal Digital 10 0,2 ppm 100
6
Canal Analógico 10 200 ppm 2000
RBADPU é um ajuste usado para identificar um problema em que o canal de comunicação sofreu
um dropout contínuo e estendido. O ajuste de RBADPU estabelece o número de segundos que o
canal MIRRORED BITS está indisponível antes da ativação da word bit RBAD. Isso pode ser
causado por uma falha de hardware da porta serial ou por um canal de comunicação com falha,
como uma fibra rompida.
Como o RBAD e o CBAD são indicadores para diferentes tipos de falhas de comunicação, a SEL
recomenda que você use o RBAD e o CBAD em conjunto para detectar se um canal MIRRORED
BITS está com alguma falha ou se apresenta de modo instável. Essas word bits podem ser usadas
como alarme por meio de uma saída digital ou via SCADA, ou então podem ser usadas na lógica
dos relés para evitar operação indesejada. Neste exemplo, RBADPU e CBADPU são deixados em
seus ajustes default. O exemplo de aplicação MIRRORED BITS da página 8 expande o uso dos bits
RBAD e CBAD na solução de problemas.
O ajuste de TXID define o endereço MIRRORED BITS que é enviado com a mensagem
transmitida. No terminal remoto, esse TXID vindo com a mensagem recebida é comparado com o
ajuste de RXID local. Se estes valores corresponderem, a mensagem será aceita, permitindo que
os MIRRORED BITS recebidos sejam usados na lógica do dispositivo receptor. TXID e RXID não
podem ser configurados para o mesmo número no relé.
Continuando o exemplo da figura 3, os ajustes de TXID e RXID são deixadas nos valores default
de TXID = 2 e RXID = 1. Isso significa que o dispositivo na outra extremidade do canal de
comunicação deve ter TXID = 1 e RXID = 2 para comunicar com este dispositivo. Se o canal não
funcionar durante o comissionamento, as configurações de TXID e RXID nas duas extremidades
podem estar incorretas.
O uso adequado das configurações de TXID e RXID pode ajudar quando você estiver usando
canais MIRRORED BITS paralelos. Isso é comum quando relés de proteção principal e de
retaguarda estão usando MIRRORED BITS sobre fibra ótica direta ou outro equipamento de
comunicação. Em casos como este, é possível acidentalmente ter o relé primário em uma
extremidade se comunicando com o de retaguarda na outra extremidade devido a um erro de
cabeamento. No entanto, se configurados corretamente, os endereços TXID e RXID impedem
que neste caso sejam estabelecidas comunicações bem-sucedidas. Por exemplo, o usuário pode
fazer com que os relés primários usem os endereços 1 e 2 e os relés de retaguarda usem os
endereços 3 e 4. Dessa forma, se um dos relés usando 1 e 2 receber uma mensagem com um
endereço de 3 ou 4 devido a um erro de cabeamento, o canal MIRRORED BITS não será
estabelecido, impedindo uma operação indesejada. Se ambos os pares de relés usarem 1 e 2, um
erro de cabeamento pode não ser percebido e a comunicação pode ser estabelecida incorretamente
entre um relé principal e de retaguarda.
O ajuste de RXDFLT é mostrado na figura 5. Essa configuração determina o estado de cada sinal
individual MIRRORED BITS recebido quando a comunicação é interrompida. Esses bits são
referenciados da esquerda para a direita como RMB8 a RMB1.
A configuração padrão é XXXXXXXX, o que faz com que o sinal MIRRORED BITS recebido seja
definido como o último estado válido do bit que foi recebido. Os bits individuais também podem
ser forçados para 0 ou 1, conforme necessário, configurando o RXDFLT apropriadamente. Por
exemplo, ajustando RXDFLT = XXXX0011 teria os seguintes resultados no caso de uma falha de
comunicação: RMB8 a RBM5 seria definido como o último valor recebido, RMB4 e RMB3
seriam forçados a 0 e RMB2 e RMB1 seriam forçados a 1 Esse recurso pode ser muito útil
dependendo de como os MIRRORED BITS são usados em um esquema de proteção ou de
automatismo de relés. No caso de falha na comunicação através do link MIRRORED BITS, definir
RXDFLT adequadamente para forçar determinados RMBs a um determinado estado pode
impedir que um esquema de proteção dispare indevidamente ou que um esquema de automatismo
funcione incorretamente.
A figura 6 mostra os ajustes para retardo de tempo (debounce) para ativar (pickup) e desativar
(dropout) mensagens dos MIRRORED BITS RMBnPU e RMBnDO. Esses ajustes definem o
número necessário de mensagens consecutivas que contêm o mesmo estado antes que o
dispositivo processe a alteração nos dados. Por exemplo, a configuração de pickup RMB1PU = 5
significaria que para RMB1 ir de 0 a 1, o relé requer cinco mensagens consecutivas, onde TMB1
= 1 da extremidade remota. Da mesma forma, se o ajuste de droupout RMB1DO = 6, o relé
precisa receber seis mensagens consecutivas da extremidade remota em que TMB1 = 0 para
RMB1 para fazer a transição de 1 para 0 no relé.
O uso dos ajustes de confirmação para ativar e desativar mensagens pode aumentar a segurança,
verificando se a mesma mensagem foi recebida várias vezes antes de atualizar os valores de
RMB. No entanto, isso também resulta na introdução de um atraso, aguardando o processamento
dessas várias mensagens. Considere o impacto dos ajustes de confirmação para ativar e desativar
no dispositivo receptor e como os atrasos introduzidos, usando esses ajustes, podem afetar o
esquema geral que está sendo usado.
MIRRORED BITS
Os últimos ajustes que precisam ser definidos são as equações de transmissão MIRRORED BITS,
conforme mostrado na figura 7. Observe que o protocolo escolhido pelo usuário determina qual
conjunto de equações TMB é usado. Por exemplo, se você escolher o MBA como o protocolo,
use as equações do canal A. Se você escolher MBB como o protocolo, use as equações do canal
B.
Esses ajustes definem quais valores estão sendo enviados para o dispositivo remoto na forma de
TMBs e podem ser compostos de word bits ou de equações lógicas contendo várias word bits e
operações SELOGIC. Se uma equação lógica é usada, ela é avaliada como 1 ou 0, e esse é o valor
que será enviado. Observe que as configurações default vistas na figura 7 possuem valor 0 para
TMB1A TMB8A. Isso significa que, por padrão, cada bit de transmissão permanece 0, portanto,
o terminal remoto receberá 0 para RMB1 RMB8 para essa conexão.
Uma consideração final sobre as parametrizações refere-se à utilização dos RMBs recebidos do
dispositivo remoto na lógica do relé. Use o elemento RMB apropriado na equação lógica para
obter o efeito desejado. Por exemplo, se você quiser definir o Latch 1 sempre que RMB1A for
alto, simplesmente defina SET01 = RMB1A em sua configuração lógica.
Esta seção explora um exemplo do uso de MIRRORED BITS. O objetivo é enviar um sinal de
disparo de um relé local (relé 1) para um relé remoto (relé 2). Este guia concentra-se na
elaboração da lógica no relé e assume que todas os ajustes de comunicação e endereçamento
foram previamente configurados.
MIRRORED BIT
Nos relés SEL, geralmente há uma equação TR que contém lógica apropriada para condições de
disparo de disjuntor. Se essa equação for avaliada como 1, isso significa uma condição de disparo
e a word bit TRIP é ativada. Isso alterna o contato de saída apropriado que é conectado à bobina
de abertura do disjuntor para iniciar um disparo no mesmo. Para programar uma transferência de
sinal de disparo do relé 1 ao relé 2, defina TMB1A = TRIP no relé 1, conforme mostrado na
Figura 8. Se você deseja que uma condição diferente inicie uma transferência de disparo (como
pressionar um botão, somente acionamentos manuais, etc.), personalize a lógica de acordo com o
desejado. Por exemplo, se uma entrada digital no relé (por exemplo, IN102) estiver conectada a
um relé de bloqueio que indica falha do disjuntor, você pode definir TMB1A = IN102 para enviar
uma transferência de disparo para o disjuntor remoto com base nessa condição. Por outro
exemplo, se um produtor independente de energia quiser enviar uma transferência de disparo para
o disjuntor da concessionária quando seu próprio disjuntor abrir, eles poderão definir TMB1A =
NOT 52A.
Em seguida, configure o relé 2 para atuar ao receber o bit de transferência de disparo. Como
explicado anteriormente, quando a equação TMB1A é ativada no relé 1, ele reflete esse valor no
relé 2 como uma word bit RMB1A. Portanto, o relé 2 deve ser programado para atuar com base
em suas funções de proteção normais, bem como também ao receber RMB1A. Existem várias
maneiras de conseguir isso, mas a mais direta é usar a equação TR discutida anteriormente. No
final da equação TR existente no r -300) ou
EL-400, SEL-600 e SEL-700).
Observe que alguns relés incluem uma equação TRCOMM para se colocar o bit RMB1A ao invés
de na equação TR. Isso permite que você separe as condições normais de disparo de disjuntor das
condições de disparo que vêm de esquemas de proteção baseados em comunicações. A Figura 9
mostra a equação TR revisada, onde a word bit RMB1A foi adicionada à equação de disparo
default em um relé da Série SEL-300. A lógica mostrada na Figura 9 para a equação de disparo,
mostra várias word bits sendo adicionadas juntas (onde o operador + é uma porta OR) e o último
termo adicionado é a word bit RMB1A, que é usada para a função de transferência de disparo.
Se você quiser que o relé 2 possa enviar uma transferência de disparo para o relé 1, repita as
etapas anteriores para configurar o TMB1A no relé 2 e edite a equação de disparo no relé 1 para
incluir RMB1A.
Para fins de solução de problemas e análise de eventos, é importante adicionar word bits
adequadas ao registrador de sequência de eventos (SER) de cada relé. Para a função de
transferência de disparo, inserir as word bits TMB1A e RMB1A seria apropriado. A
parametrização revisada do SER é mostrada na figura 10.
Depois que todas as configurações tiverem sido ajustadas adequadamente, envie os novos ajustes
para os relés.
Um esquema POTT pode ser implementado de forma semelhante ao esquema de
transferência de disparo anteriormente descrito. Consulte o manual de instruções
específico do relé para obter detalhes sobre como um esquema POTT funciona e como
configurá-lo usando MIRRORED BITS.
No relé 1, ajuste TMB1A = KEY (este é o elemento que é ativado quando o esquema
POTT detecta falta no sentido direto).
No relé 2, configure o ajuste de permissão de disparo (PT1) para RMB1A.
Da mesma forma, você também pode implementar um esquema DCB. Consulte o manual
de instruções específico do relé para obter detalhes sobre como funciona o esquema
DCB.
No relé 1, ajuste TMB1A para atender a lógica de envio de sinal de bloqueio (por
exemplo, ajuste TMB1A = NSTRT AND NOT STOP OR DSTRT).
No relé 2, ajuste o recebimento do sinal de bloqueio de disparo (BT) para RMB1A.
Ao instalar um link MIRRORED BITS, use o comando TAR para verificar o status do bit ROKA ou
ROKB, conforme mostrado na Figura 11.
As words bits ROK permanecem ativadas se o relé estiver recebendo mensagens MIRRORED BITS
válidas, mas desarmam assim que houver uma única mensagem incorreta. Isso é mais usado para
verificar o status de um link MIRRORED BITS para determinar se ele está funcionando
corretamente. No entanto, esse bit não deve necessariamente ser usado para fornecer alarme para
caso de problemas num canal. As funções RBAD e CBAD são uma indicação melhor da condição
geral do canal. Devido à natureza sensível da desativação de ROK mesmo para uma única
mensagem incorreta, usar isso como um alarme no SCADA pode resultar em muitos alarmes
incômodos.
Se ROK não for ativada, verifique os ajustes de endereço e taxa de transmissão em ambos os
dispositivos. Estas são frequentemente as causas de um link MIRRORED BITS não funcionar. De
acordo com a discussão em Configurações do MIRRORED BITS em Relés na página 2, o endereço
de transmissão em uma extremidade deve corresponder ao endereço de recebimento da outra e
vice-versa. Além disso, os ajustes da taxa de transmissão devem ser os mesmos em ambos os
relés. Se o problema não for sanado corrigindo os ajustes de endereço ou taxa de transmissão, o
canal físico pode ser o problema. O canal pode ser fibra, conexão serial direta, multiplexador ou
outra mídia.
Uma maneira de confirmar a integridade do canal de comunicação é um teste em loop ou
loopback. Muitas vezes é possível fazer o loopback do canal, de modo que a mensagem que um
dispositivo envia seja direcionada de volta ao receptor do mesmo dispositivo. Normalmente, o
relé rejeita uma mensagem que não possui o endereçamento adequado. Se o relé enxergar uma
mensagem que está sendo enviada, ele a rejeita e entra em um estado de alarme. No entanto, o
dispositivo pode ser configurado para procurar a mensagem que está transmitindo, executando o
comando LOO (Loopback). O comando LOO A faz com que o canal A entre no modo de
loopback por 5 minutos. Você também pode especificar uma duração de tempo diferente
executando o comando LOO A n, onde n é a duração desejada em minutos. O comando LOO
tem um parâmetro opcional para adicionar no final do comando (DATA), que permite que os bits
que são transmitidos sejam processados normalmente como dados recebidos, que serão então
usados como quaisquer outros dados no relé. Isso é feito com um comando como LOO A DATA.
Tenha cuidado ao usar a opção DATA, porque o relé avalia os dados recebidos normalmente e
um disparo ou outra operação pode ocorrer. Bloqueie a operação do relé com chaves de testes ou
outros meios, se isso for uma preocupação. Durante o tempo em que o dispositivo está no modo
de loopback, as entradas são forçadas para os valores default. A word bit ROK é desabilitada
quando neste modo. Se a mensagem enviada for recebida corretamente pelo dispositivo, o
LBOKA ou o LBOKB serão ativados, comprovando a integridade do meio de comunicação até o
Se o trajeto de comunicação estiver em looped back em vários locais, mesmo assim você poderá
localizar o problema. Se esse for um link de fibra direto, use um jumper para fazer o loop de volta
assim que ele sai do dispositivo transmissor. Isso pode ser usado em conjunto com um transceptor
SEL, como o SEL-2830M. Se esse teste for bem-sucedido, os circuitos de transmissão e recepção
e os sinais óticos serão aceitos para operarem nesse dispositivo.
O próximo passo é fazer o loopback da fibra na extremidade remota em direção ao transmissor.
Isso pode ser feito através um adaptador no painel para o link de fibra. Se o teste for bem-
sucedido, isso eliminará quaisquer problemas com o dispositivo transmissor e o link de fibra. Se
este teste não provocar atuação do bit LBOK, pode haver um problema de fibra, como por
exemplo, uma fibra quebrada, emenda incorreta, etc. Assumindo que os testes de loopback local e
remoto resultem na atuação de LBOK, o problema pode estar no equipamento remoto. Testes
semelhantes podem ser feitos com o dispositivo remoto.
Note que se a comunicação for serial EIA-232, o loopback é feito com um jumper para conectar
os pinos 2 e 3 do cabo serial. Se a comunicação estiver sendo feita em um multiplexador,
geralmente é possível usar o software para configurar um loopback na placa de interface serial na
extremidade local ou remota do link. Quando o teste estiver concluído, o comando LOOP expira
e o dispositivo retorna à operação normal, ou o comando LOO A R pode ser executado para fazer
com que o canal A do MIRRORED BITS deixe o modo de loopback.
Uma vez que o sistema MIRRORED BITS esteja em funcionamento após o comissionamento
inicial, os usuários podem ser notificados de um problema através de um anunciador de alarmes
ou via SCADA através do uso das word bits de alarme RBAD e CBAD discutidas anteriormente.
O usuário pode determinar se o alarme foi gerado pelo RBAD ou CBAD usando TAR RBADA
ou TAR CBADA para ver qual word bit está ativa no momento. Isso também pode ser
determinado observando os resultados do comando SER, caso essas word bits tenham sido
programadas no SER.
De acordo com a discussão nas Configurações do MIRRORED BITS em Relés, na página 2, se o
RBAD for ativado, é porque houve uma falha de comunicação estendida no canal MIRRORED
BITS por um intervalo especificado pelo usuário. Isso geralmente indica que algo no link de
comunicação falhou. Causas possíveis podem incluir uma falha de hardware da porta serial no
relé, um transceptor como o SEL-2830 com falha, um cabo ou fibra rompida, uma falha do rádio
ou um problema com um multiplexador pelo qual o canal está passando.
Aplique métodos padronizados para resolução de problemas, como trocar componentes ou
realizar o teste em loop do canal em vários pontos no link para isolar o problema. Depois que o
problema tiver sido corrigido, verifique as word bits ROK ou RBAD para verificar se o link
MIRRORED BITS está se comunicando.
Se o CBAD for ativado, ele geralmente indica um problema de comunicação intermitente. Isso
geralmente é resultado de um link de comunicação não confiável. Exemplos desses tipos de links
incluem circuitos telefônicos analógicos e rádio de micro-ondas. Estes são propensos a
interrupções por causa da infraestrutura antiga, para o caso dos circuitos telefônicos analógicos, e
do clima que pode interferir nos links de micro-ondas. Para um link não confiável, o canal pode
ter diversas interrupções muito curtas. É possível ter casos em que as interrupções são frequentes
(de forma que a disponibilidade geral esteja abaixo do limite CBAD discutido anteriormente),
mas curta o suficiente para que o RBAD não seja ativado com base na duração do RBADPU.
Nesses casos, se você estiver usando apenas o RBAD para alarme do canal, talvez não venha a
saber que o canal está realmente sendo interrompido muitas vezes. Por esse motivo, é melhor usar
uma combinação de RBAD e CBAD para confirmar a disponibilidade geral do canal. De acordo
com a discussão nas Configurações do MIRRORED BITS em Relés na página 2, os ajustes de
RBADBU e CBADPU são influenciadas pelo tipo de canal usado e pela confiabilidade desse link
de comunicação.
Se a causa do alarme for RBAD, a word bit RBAD será desativada assim que a comunicação do
link MIRRORED BITS for restaurada. No entanto, se o alarme for um resultado do CBAD, a word
bit CBAD não poderá ser imediatamente desativada quando a comunicação do link MIRRORED
BITS for restaurada. Como discutido anteriormente, o bit de alarme CBAD é ativado quando a
proporção de mensagens ruins para o número total de mensagens está acima do ajuste de
CBADPU. Portanto, para que a word bit CBAD seja desativada, o canal MIRRORED BITS precisa
ter comunicações confiáveis por tempo suficientemente longo para que a proporção de mensagens
inválidas para o número total de mensagens esteja abaixo do ajuste de CBADPU. Isso pode levar
muito tempo para acontecer, dependendo de quanto tempo dura a interrupção ou a forma de como
as falhas são intermitentes.
Se o link de comunicação foi corrigido, mas a comunicação não opera sem erros por um período
suficientemente longo para limpar a word bit CBAD, você pode limpar esse bit de alarme
executando o comando COM A C, conforme mostrado na Figura 13. Este comando realiza o
reset do cálculo da proporção de mensagens ruins para o total de mensagens, permitindo que
inicie os cálculos a partir de um ponto em que o canal de comunicação esteja funcionando
corretamente. É uma boa prática resetar as estatísticas de comunicação depois que um novo link
MIRRORED BITS tiver sido comissionado ou após um problema ter sido corrigido. Isso permite
que o bit CBAD forneça uma representação mais precisa de se ainda existe ou não um problema
por desconsiderar os dados da comunicação registrados anteriormente à execução do comando.
O comando COM A pode fornecer informações mais detalhadas sobre o status do canal de
comunicação MIRRORED BITS, que pode ajudar na resolução de problemas. Um exemplo disso
é mostrado na Figura 14.
Uma versão desse comando, COM A L, fornece detalhes sobre cada um dos eventos de
comunicação individuais do link MIRRORED BITS. Este comando fornece o longo relatório para o
canal A do MIRRORED BITS, conforme mostrado na Figura 15.
Os vários tipos de erros nos relatórios de comunicação são explicados na Tabela 3.
Parity error Dados falharam na verificação de paridade UART.
Underrun Três mensagens MIRRORED BITS transmitidas sem que uma seja recebida.
Overrun Sobrecarga no buffer de dados UART.
Re-sync O dispositivo MIRRORED BITS da outra extremidade do link detectou um erro.
Data error Dados recebidos não são consistentes ou o endereço estava errado.
Relay disabled Funções de proteção do relé desabilitadas durante energização ou mudanças nos ajustes ou
grupo de ajustes.
Loop back
estava em loopback.
Framing error O UART não detectou um bit de parada nos dados MIRRORED BITS recebidos.
Em resumo, existem muitas ferramentas disponíveis ao solucionar problemas de uma conexão
MIRRORED BITS. Primeiro, verifique os parâmetros de comunicação para confirmar se estão
configurados corretamente em ambas as extremidades. Depois de verificar os ajustes de
comunicação, verifique o meio físico da conexão empregando o teste em loop ao longo do trajeto
para descartar uma interrupção no link de comunicação ou uma falha de hardware que impeça a
transmissão ou o recebimento de dados nos dispositivos dos terminais remotos.
Durante os testes, há muitas word bits úteis no relé para ajudar a entender e localizar o problema.
O bit ROK fornece uma indicação instantânea de se o canal está ou não se comunicando. No
entanto, devido à natureza sensível deste ponto, normalmente não deve ser usado para um alarme
de comunicação. É melhor usar uma combinação de RBAD e CBAD como pontos de alarme. O
RBAD indica uma falha contínua durante um determinado período de tempo definido pelo
usuário, enquanto o CBAD é baseado na disponibilidade geral de um canal, expondo problemas
intermitentes que podem não causar uma falha contínua. Esses bits são úteis na solução de
problemas, mas também podem ser usados na lógica do relé para desativar o esquema de proteção
se a comunicação estiver inativa.
As comunicações MIRRORED BITS podem ser usadas para fornecer meios de comunicação rápidos
e confiáveis para aplicações de proteção e automatismos. Este guia examinou todas as
configurações e ajustes associados a uma conexão MIRRORED BITS. Ele também explorou
diferentes opções de canais de comunicação e as recomendações de configuração para cada tipo.
Por fim, este guia explorou as técnicas de solução de problemas para conexões do MIRRORED
BITS e mostrou alguns dos relatórios que os relés podem fornecer para ajudar a determinar o que
pode estar errado em um determinado canal.
[1] -321 and an SEL-311 Series Relay to Set Up
-22), 2017. Disponível:
[Link].
[2]
-12), 2001. Disponível:
[Link].
[3] L-3031 Serial Radio
-17), 2016.
Disponível: [Link].
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