AULA 3 – Casamento: conceito, natureza
jurídica, elementos constitutivos. Princípios
matrimoniais. Capacidade para o casamento,
idade núbil. Habilitação para o casamento.
Prof.a Dra. Elisabete Aloia Amaro
• Conceito: é o ato jurídico negocial solene,
público e complexo, mediante o qual o casal
Casamento: constitui família, pela livre manifestação de
vontade e pelo reconhecimento do Estado.
conceito, (Paulo Lôbo – Direito Civil – Famílias, vol. 5, 9ª.
ed., São Paulo: Saraiva, 2019)
natureza
jurídica, • Conceito: união de duas pessoas, reconhecida e
elementos regulamentada pelo Estado, formada com o
objetivo de constituição de família e baseado
constitutivos. em um vínculo de afeto. (Flávio Tartuce – Direito
Civil – Direito de Família, vol.4, 12ª. ed., Rio de
Janeiro: Editora Gen/Forense, 2017)
Os avanços
• CF 1988 – admitiu expressamente a
em sede de liberdade que as pessoas têm de escolher se
casamento, casarem, ou não, tendo em vista a finalidade
de constituir família.
na • STJ, Resp 1.183.378/RS – Rel. Min. Luis
Constituição Felipe Salomão (25.10.2011) – desde então,
e na voz dos reconhece-se, no Brasil, o casamento entre
pessoas do mesmo sexo (casamento
Tribunais homoafetivo).
RECURSO ESPECIAL Nº 1.183.378 - RS (2010/0036663-8)
RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO
RECORRENTE : K R O RECORRENTE : L P ADVOGADO : GUSTAVO CARVALHO BERNARDES E OUTRO(S)
RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
EMENTA
DIREITO DE FAMÍLIA. CASAMENTO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO (HOMOAFETIVO).
INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 1.514, 1.521, 1.523, 1.535 e 1.565 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002.
INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO EXPRESSA A QUE SE HABILITEM PARA O CASAMENTO PESSOAS DO
MESMO SEXO. VEDAÇÃO IMPLÍCITA CONSTITUCIONALMENTE INACEITÁVEL. ORIENTAÇÃO
PRINCIPIOLÓGICA CONFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DA ADPF N. 132/RJ E DA ADI N. 4.277/DF.
• 1ª corrente – Teoria institucionalista: o
casamento é uma instituição (forte carga
moral e religiosa)
• 2ª corrente – Teoria contratualista: entende
Natureza que o casamento tem natureza contratual,
jurídica: três pois forma-se pelo consenso entre os
nubentes
correntes • 3ª corrente – Teoria mista ou eclética: é um
negócio jurídico contratual, especial de
Direito de Família, com certa carga
institucional
Poderíamos considerar que são três os
elementos que essencialmente constituem o
casamento:
1. O elemento subjetivo da voluntariedade,
por parte dos nubentes.
Elementos 2. A necessidade da sua formalização,
constitutivos segundo as regras estabelecidas na lei, que
é o que distingue o casamento da união
estável.
3. A finalidade legal do casamento, que é o
estabelecimento da plena comunhão de
vida.
Princípios matrimoniais
Segundo Paulo Lôbo:
• Princípios fundamentais:
• da dignidade da pessoa humana
• da solidariedade familiar
• Princípios gerais:
• da igualdade familiar
• da liberdade familiar
• da (co)responsabilidade familiar
• da afetividade
• da convivência familiar
• do melhor interesse da criança
A teoria das incapacidades, conforme regrada na
Parte Geral do Código Civil (especialmente arts. 3º e
4º) foi substancialmente alterada pela Lei 13.146, de
julho de 2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência.
• Na nova redação do art. 3º - somente são
Capacidade absolutamente incapazes os menores de 16 anos
para o (não há mais maiores que tenham esta condição de
absolutamente incapazes).
casamento, • Assim, são incapazes para o casamento apenas os
menores de 16 anos, nos termos do art. 1517 CC e
idade núbil. do art. 3º CC (com a nova redação).
• O Estatuto da Pessoa com Deficiência retirou do
sistema a possibilidade de nulidade absoluta do
casamento da pessoa enferma mental, revogando,
assim, o art. 1548, I CC.
• Lei 13.146/2015 – art.6º: a deficiência não afeta a
plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
• casar-se e constituir união estável;
• exercer direitos sexuais e reprodutivos;
• exercer o direito de decidir sobre o número de
filhos e ter acesso adequado a informações
Capacidade adequadas sobre reprodução e planejamento
familiar;
para o • conservar sua fertilidade, sendo vedada a
casamento, esterilização compulsória;
• exercer o direito à família e à convivência
idade núbil. familiar e comunitária;
• exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e
à adoção, como adotante ou adotando, em
igualdade de oportunidades com as demais
pessoas.
• Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis
Artigos anos podem casar, exigindo-se autorização de
ambos os pais, ou de seus representantes legais,
atualmente enquanto não atingida a maioridade civil.
• Comentário: agora a parte especial conversa com
vigentes a geral, pois tanto uma parte como a outra
enunciam que a incapacidade absoluta é a dos
sobre menores de dezesseis anos. Antes havia conflito
entre parte geral e especial, pois o art. 3º trazia
capacidade mais hipóteses de incapacidade absoluta.
• Parágrafo único. Se houver divergência entre os
para casar pais, aplica-se o disposto no parágrafo único
do art. 1.631.
• Comentário: Um juiz decidirá, levando em
consideração o melhor interesse da criança.
Comentários • Art. 1.518. Até a celebração do
casamento podem os pais ou tutores
aos artigos da revogar a autorização. (Redação dada
pela Lei nº 13.146, de 2015)
capacidade • Comentário: antes os curadores também
para podiam revogar, e desde 2015 não
podem mais.
casamento • Art. 1.519. A denegação do
consentimento, quando injusta, pode ser
(cont.) suprida pelo juiz.
A questão do casamento sem idade núbil
• Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem
ainda não alcançou a idade núbil (art. 1517), para evitar imposição ou
cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.
• “De início, a Lei 11.106/2005 afastou a extinção da punibilidade nos casos de
estupro presumido (art. 107, incs. VII e VIII, do CP), ou seja, na hipótese de
alguém manter uma relação sexual com uma criança com idade inferior a 14
anos, e depois se casar com ela. Como não há que se falar mais em extinção
da punibilidade, muitos doutrinadores passaram a entender que o art. 1.520
do CC estaria revogado na parte que tratava da extinção da pena criminal”
(TARTUCE, v. 5, 2019, p. 58).
A questão do casamento sem idade núbil
• Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art. 1517),
para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.
• “lei penal, a Lei 12.015, de 7 de agosto de 2009, parece ter encerrado o debate anterior, não sendo mais
possível o casamento da menor com aquele que cometeu o crime antes denominado como de estupro
presumido, em hipótese alguma. Isso porque o Código Penal, ao tratar dos crimes sexuais contra vulnerável,
passou a prever em seu art. 217-A que é crime “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com
menor de 14 (catorze) anos”. O tipo penal passou a ser denominado como estupro de vulnerável, sendo certo
que a vulnerabilidade encerra uma presunção absoluta ou iure et de iure” (TARTUCE, v. 5, 2019, p. 59).
A questão do • Seguindo nessa tendência e encerrando o
debate, foi promulgada a Lei 13.811 de 12
casamento de março de 2019, pela qual fica
sem idade terminantemente proibido o casamento de
pessoas menores de 16 anos, em qualquer
núbil (cont.) hipótese.
Nova redação
do art. 1.520
Art. 1.520. Não será permitido, em qualquer caso, o
do CC/02
casamento de quem não atingiu a idade núbil, observado
conforme o disposto no art. 1.517 deste Código."
aprovação no
Congresso
• Primeira fase; promovida perante o oficial do
registro civil (residência dos nubentes).
• Habilitação:
• Requerimento + juntada de documentos +
publicidade + parecer do MP = certificado de
aptidão para celebração do casamento.
Habilitação • Lei n. 12.133/2009 – desburocratizou e
para o desjudicializou esta fase
• Nubentes maiores de 18 anos:
casamento. • Certidão de nascimento ou RG
• Declaração dos nubentes sobre seus estados
civis
• Declaração de duas testemunhas sobre não
existirem impedimentos legais
• Juntada de pacto antenupcial, se houver
• Nubentes com idade entre 16 e 18 anos:
• Devem também juntar a autorização por escrito
de ambos os pais ou tutor.
• Nubente (s) viúvo (s), divorciado (s) ou casamento
Habilitação anterior anulado:
• Juntará (ão) a certidão de óbito do cônjuge
para o falecido, a sentença de divórcio ou a sentença
de nulidade ou anulação do casamento, tudo
casamento com prova de trânsito em julgado,
respectivamente.
(cont.)
• Publicação de editais dos proclamas em local visível
e nas circunscrições do registro de nascimento de
ambos os nubentes, por 15 dias. Publicação
também na imprensa local.
• Se houver oposição de impedimentos ao
casamento, abre-se o prazo de 3 dias para os
Habilitação nubentes se defenderão.
• Remetem-se , após, ao juiz, os autos.
para o • Nubentes e oponentes terão o prazo de 10
casamento dias para apresentarem provas.
(cont.) • O juiz ouvirá o MP e, afinal, decidirá (art. 67
da Lei de Registros Públicos)
• Concluído o prazo para publicação dos
proclamas, o oficial abre vista para o MP.
Habilitação • Se não houver nenhuma contestação por
para o parte desse órgão, é expedido o certificado
casamento de habilitação, cujos efeitos valerão por 90
dias.
(cont.) • Os nubentes estarão aptos para a celebração
civil ou religiosa do casamento.
Obrigada !