Desenvolvimento
Através dos livros da série The History of Middle-earth, nota-se que a ideia que Tolkien
apresenta dos Ainur vai evoluindo ao longo do tempo. No princípio, os Ainur (que ainda não
tinham este nome) se pareciam com um panteão de deuses pagãos,sendo comum haver
Ainur irmãos ou com filhos. Posteriormente, eles foram se aproximando da ideia cristã de
anjos.
Seus aspectos físicos não apresentam descrições completas em escrito, afinal, segundo
Tolkien estes seres poderiam assumir formas variadas e até mesmo revestir-se com seus
pensamentos, descortinados por enorme glória e terror. Sua majestade se comparada às
terras de Arda era grandiosa e inigualável, de acordo com o Silmarillion.
História fictícia
Antes da Criação, Eru Ilúvatar fez os Ainur ou "os sagrados". Este nome em quenya vem da
raiz élfica ayan- "reverenciar, tratar com admiração".[3] "Os Ainur só aparecem no plural [em
textos élficos], já que depois da Criação todos os que foram Maiar incluem Valar e seus
parentes menores, mas não aqueles que não participaram da Grande Música, ou então não
entraram em Eä." Isso significa que apenas textos apócrifos escritos por Homens ou por
Hobbits usavam o singular Ainu.
O Universo foi criado através da Música dos Ainur ou Ainulindalë, música cantada pelos
Ainur em resposta aos temas criados por Eru. Este universo, a canção dotada de existência
por Eru, foi chamada em quenya de Eä. A terra foi chamada de Arda. Aqueles entre os
Ainur que sentiam preocupação pela Criação entraram nela, e tornaram-se conhecidos
como os valares e maiares, os guardiões da Criação.
O vala Melkor ou Melko reivindicou a Terra para si mesmo. Seu irmão Manwë e vários
outros Valar decidiram confrontá-lo. O conflito entre os Valar e Melkor marcou
profundamente o mundo. De acordo com O Silmarillion, os Valar e Maiar — com a ajuda do
Vala Tulkas, que entrou na Criação por último — conseguiram exilar Morgoth, a
manifestação física de Melkor, no Vazio.
Maiar
Os Maiar (singular: Maia), estão entre uma classe de seres do Universo Fantástico de J. R.
R. Tolkien. Sobrenaturais e angelicais, eles são "Ainur inferiores" que entraram em "Eä" no
começo dos tempos.
O nome Maiar está na língua quenya (uma das várias línguas construídas) que vem da raiz
élfica maya- "excelente, admirável".[4]
Maiar às vezes se refere a todos os Ainur que entraram em Eä, a "Criação", mas com mais
frequência aos menos poderosos entre eles: "Maia é o nome dos Parentes dos Valar, mas
especialmente daqueles de menor poder que os nove grandes governantes. "escreveu
Tolkien.
Sendo de origem divina e possuindo grande poder [5], os Maiar podem vagar pelo mundo
invisível ou moldar-se à moda dos elfos ou de outras criaturas; esses "véus", chamados
fanar em quenya, podiam ser destruídos, mas seu verdadeiro ser não. Raramente os Maiar
adotaram suas formas visíveis para os elfos e o homem, e por essa razão, muito poucos
Maiar têm nomes em suas línguas, e os elfos não sabem quantos Maiar existem.
Dentre a classe dos Maia, três receberam grande destaque nas obras de Tolkien, sendo
seus nomes mais conhecidos os de Saruman O Branco, Gandalf o Cinzento
(posteriormente O Branco) e Sauron[6].
Maiar conhecidos
Eis os principais maiar, citados nas obras de Tolkien, com seus nomes dados em quenya:
Arien
Eönwë
Ilmarë
Melian
Ossë
Tilion
Uinen
Olórin (Gandalf)
Rómenstámo e Morínehtar (Magos Azuis)
Aiwendil (Radagast)
Curunír (Saruman)
Mairon (Sauron)
Istari
Dentre os Maiar há a os Istari, um pequeno grupo de magos, de aspecto semelhante ao dos
Homens, mas possuindo maior capacidades físicas e mentais.[7] Sendo Maiar em forma
corpórea os Istari possuem limitações às suas capacidades, diferentemente de Sauron, o
qual veio a Arda em sua forma espiritual.[8]
Os Istari na Terra-Média
Os mais importantes nos livros são Gandalf, o Cinzento e Saruman, o Branco. Desde Aman
há uma certa desavença entre Saruman e Gandalf, muito mais por parte daquele do que por
este que, desde o princípio, preferira ficar em Aman, pois "estava cansado e era fraco para
enfrentar Sauron". Diz-se que antes de sua partida de Aman, Gandalf seria o terceiro, ao
que Varda teria dito o contrário, que ele iria, mas não como o terceiro (vide O Silmarillion), e
disso Saruman se lembrou. Tornou-se ainda do conhecimento de Saruman que Gandalf
havia recebido de Círdan, Senhor dos Portos, o Anel do Fogo, Narya, pois viu que ele teria
"uma missão difícil, e precisaria do anel para acender os corações na Terra-Média".
N'O Silmarillion há a dúvida quanto à quantidade exata de istaris que teriam ido à Terra-
Média. Dos cinco que entraram nas histórias, dois tiveram papel principal, um terceiro,
Radagast, teria se desviado de seu intento, e os outros dois teriam se perdido no leste.
Diz-se que Radagast se perdeu ao se importar mais com os animais e plantas do que com
sua missão de ajudar o povo de Arda. O que de certo parece estranho, pois, desde o
princípio, ele fora escolhido por Yavanna, que era a "patrona" tanto dos animais quanto das
plantas. Ademais, sempre fora grande o desprezo que Saruman tinha por ele. Mesmo em
Aman, foi necessário que Yavanna insistisse muito com ele para que pudesse levar consigo
Radagast.
Já os Magos Azuis, sabe-se que foram para o Leste com Saruman, mas de lá nunca
retornaram. Não se sabe ao certo o que aconteceu com eles; talvez tenham também se
perdido em seu intento, ou tenham sido capturados por Sauron e submetidos à vontade
dele.
Os cinco eram:
Gandalf (conhecido ainda por Mithrandir, Olórin, Tharkûn, Íncanus, o Cinzento ou o
Branco)
Saruman (Curunír, Curumo, Sharkey, o Branco ou de muitas cores)
Radagast (Aiwendil ou o Castanho)
Alatar (O azul, mais citado junto de Pallando como os "Magos azuis")
Pallando (O azul, citado mais junto de Alatar como os "Magos azuis")
Valar
Os Valar, (singular: Vala), eram os mais poderosos dentre os Ainur, [9][10][11] recebendo o título
de Valar apenas os mais poderosos dentre os Ainur que adentraram em Arda, finalizando o
desenvolvimento material do planeta após sua criação pela Música dos Ainur (Ainulindalë).
O termo Valar é usualmente utilizado por Tolkien para descrever todos os Ainur que
adentraram Arda, porém seu uso mais frequente se refere aos catorze mais poderosos
Ainur.[8]
O Sol e a Lua são seres vivos
Quando as árvores foram destruídas, Yavanna chorou sobre elas. Da árvore prateada,
nasceu uma flor de prata. Da árvore dourada, nasceu um fruto de ouro.
Yavanna as entregou ao seu marido que forjou duas naves para conservar seus brilhos. As
naves foram entregues a Varda que as ergueu ao firmamento.
Os Valar escolheram dois Maiar para guiar as naves. O espírito de fogo, Arien, guiava o
Sol, enquanto o caçador e amante da prata, Tilion, guiava a Lua. Ao ver Arien nua, Tilion
se apaixonou pelo Sol e passou a persegui-lo como faria pela eternidade.
Valaquenta - O Relato dos Valar
Muito do que é dito nesse capitulo é apenas um resumo do que foi escrito no capítulo
anterior o Ainulindalë - A música dos Ainur, vamos falar apenas sobre o que é realmente
exclusivo nesse capitulo, como a classificação dos espíritos celestiais, os nomes dos Valar,
e um pouco sobre os inimigos.
A exceção de Nienna e Ulmo, todos os outros Valar fazem par e são casais, esses dois
vivem na companhia da solidão, Ulmo vive nas águas, mas não fixa morada em lugar
nenhum, já Nienna vive próxima de seus irmãos, os Feantüri, Os Senhores dos Espíritos
- Irmo e Námo, ela escuta de lá o lamento dos Filhos de Ilúvatar na Terra-média e no
Palácio de Mandos, onde ficam as almas penosas, que sofrem seja a sua perda ou de
outrem. Námo, é mais conhecido por sua morada o Palácio de Mandos, nele os elfos
aguardam o retorno de suas almas, caso seja concedido o dom da ressurreição, ou apenas
a cura delas para aguardar o fim dos tempos e o inicio de outro ciclo na Terra. A esposa de
Mandos - Námo, é Vairë, a Tecelã, ela tece em suas telas a história de cada coisa ou
pessoa que já existiu no tempo. Irmo é responsável pelos sonhos, vive em Lórien, um
grande jardim que fica na terra dos Valar, Valinor. A esposa de Irmo-Lórien, é a Estë
senhora da cura, dorme durante o dia em uma ilha no lago sombreado de árvores e trabalha
durante a noite junto de seu esposo.
Vána é esposa de Oromë, o caçador de feras cruéis e montador de Nahar, o cavalo que é
branco a luz do sol e prateado a noite. Oromë amava tanto a Terra-média que foi o último
a deixar ela, para ir para Valinor.
Nessa é esposa de Tulkas o Valente, o Vala que se regozija nas batalhas, sejam por
esporte ou pela guerra. Foi Tulkas quem fez Melkor se esconder quando veio correndo
pelos campos e gargalhando procurando pelo Senhor do Escuro para lhe dar uma lição
com os punhos fechados. Não cavalga nenhum animal, pois sua velocidade já é
incrivelmente alta e é incansável, sua esposa Nessa, também tem grande agilidade. Ela
gosta de correr com as corças e dançar.
A irmã de Nessa é Yavanna, e é também a esposa de Aulë, casal este que é de tão
grande importância que tem seu próprio capítulo - Capitulo II - De Aulë e Yavanna.
Yavanna é a Senhora dos Frutos, ela criou as Árvores de Valinor, os animais e plantas
da Terra-média e Aulë é o artificie dos Valar, dentre outras coisas ele quem criou os
anãos, moldou as montanhas, desenhou os minerais da terra.
Manwë e Varda vivem em Taniquetil, uma montanha gigantesca que chega tocar as
nuvens e fica em Valinor. Eles tem por companhia em seus tronos as águias, que trazem e
levam notícias do mundo inteiro.
Os Maiar são os espíritos celestes - ou seja Ainur - que tem poderes logo abaixo dos Valar, o mais
conhecido deles é Sauron, ou Gorthaur "o Cruel", que era vassalo de Aulë antes de ser corrompido
por Melkor em seus intentos. Melkor acabou por perder a posição de Vala¹ e ficou sendo conhecido
como Morgoth, o Inimigo do Mundo. Atraiu para si outros Maiar, que assumiam formas de fogo e
sombra, estes são conhecidos pelo nome de Balrogs, demônios de terror, flagelos de fogo.
Outros Maiar mais famosos são Melian, Olórin, Ossë, Uinen e Eönwë. Melian, tem grande
participação nas histórias de O Silmarillion, por conta de sua história romântica no Capítulo IV - De
Thingol e Melian, e das várias vezes em que se utilizou de sua enorme sabedoria para orientar,
aconselhar e até advertir. Seus poderes influenciam no decorrer da história, e sua importância é
provada até no final da 3ª Era, por conta da sua linhagem deixada na Terra-média.
Olórin é conhecido por muitos nomes, o mais comum é Gandalf, mas apenas em sua forma física, o
que é raro para os Maiar, eles quase nunca são permitidos deixarem ser vistos, Melian e Olórin, são
algumas dessas exceções.
Nota 1 - Valar, Maiar e Ainur tem o SUFIXO "R" que indicam PLURAL, no SINGULAR essas palavras
são escritas sem o "R" - Ex. Singular = "Ainu", "Vala" e "Maia". - No feminino temos apenas
"Valië" como exemplo.
Todas estas palavras estão em QUENYA que é a língua criada e utilizada por Tolkien
como uma língua sagrada e mais antiga em suas histórias, ela é equivalente ao Romano ou
Grego para nós. Desta língua se derivou o Sindarin, que terão mais exemplos no decorrer
dos estudos.
Iluvitar, Airur, Valar e os Maiar
O pequeno número de estudos dedicados a obra de Tolkien ainda não distingue de forma
satisfatória a essência — mesmo que puramente terminológica e conceitual — que
diferencia os Ainur dos Valar e esses dos Aratar. Sabe-se que os Ainur são criações do
pensamento de Eru, “ele criou primeiro os Ainur, os Sagrados, gerados por pensamento, e
eles lhe faziam companhia antes de tudo o mais fosse criado”.
Esses seres divinos foram as primeiras criações de Eru. Há que se ressaltar que na
cosmogonia proposta pelo autor existe uma inovação: dois tipos de criação são propostos, a
criação através do pensamento e a criação através da palavra (cantada e falada). Aqueles
que foram criados através do pensamento são chamados de Ainur e a criação através da
palavra adquire uma conotação dupla, ou melhor, tanto a fala quanto o canto são capazes
de criar a vida. É necessário compreender que somente os Ainur cantam, enquanto Eru
materializa a criação: Eru cria os Ainur através do pensamento, os Ainur cantam e moldam
o universo e Eru, através da fala e da música dos Ainur, manda para o vazio a Chama
Imperecível.
Ulmo, um dos 14 Valar Voltando à distinção entre Ainur, Valar e Aratar, entende-se que os
Ainur são um tipo de categoria para designar os seres Sagrados que foram,
primordialmente, criados pelo pensamento de Eru. Sobre os Ainur, pode-se dizer que eles
compõem uma classe divina. Essa classe de seres Sagrados subdivide-se
hierarquicamente em Valar, Aratar e Maiar.
Entende-se que a diferença básica entre os Ainur e os Valar é sua condição espacial. Todos
os seres que habitavam ao lado de Eru eram os Ainur, porém, Eru sugeriu aos Ainur que
permanecessem no mundo eternamente e que seus poderes se limitassem a esse espaço.
Os Ainur que desejaram habitar a criação foram chamados de Valar, ou seja, os Poderes de
Mundo, em função disse “caminhavam sobre a Terra como forças visíveis, trajados com
roupas do Mundo, e eram lindos e gloriosos ao olhar, além de jubilosos”.
Os Ainur que agora habitam a criação originalmente, havia quinze Valar, porém somente
catorze continuaram sob esse estatuto, sabendo-se que Melkor Foi excluído do grupo por
tentar se apoderar de toda criação. Não há somente distinções entre Ainur e Valar, pode-se
traçar as características que distinguem Valar e Aratar.
Dentre os Valar que habitavam a criação, nove gozaram de maior poder e reverência; mas
um foi excluído do grupo14 e oito permaneceram, os Aratar, os Seres Superiores de Arda:
Manwë e Varda, Ulmo, Yavanna e Aulë, Mandos, Nienna e Oromë. Embora Manwë seja
seu Rei e tenha a lealdade de todos sob as ordens de Eru, em majestade eles são
semelhantes, ultrapassando de longe todos os outros, sejam Valar, sejam Maiar, sejam de
qualquer outra ordem que Ilúvatar tenha enviado para Eä Entende-se, a partir daí, que os
Ainur eram todos os seres Sagrados que habitavam ao lado de Eru.
Os Valar são quinze desses Ainur que decidiram habitar a criação, a saber: Manwë, Melkor,
Ulmo, Aulë, Oromë, Mandos, Lórien, Tulkas, Varda, Yavanna, Nienna, Estë, Vairë, Vána e
Nessa. Entre os quinze Valar, nove tornaram-se mais poderosos e foram chamados de
Aratar (Seres Superiores de Arda) a saber: Manwë, Varda, Ulmo, Yavanna, Aulë, Mandos,
Nienna, Oromë e Melkor.
Melkor merece atenção especial por pertencer a classes de Valar e Aratar, porém foi
excluído das duas e então o número de Valar tornou-se catorze, e o número de Aratar
tomou-se oito.
É interessante saber que tipo de poderes e domínio abarcavam cada um dos Aratar, seus
atributos podem ser comparados aos do panteão da mitologia nórdica ou mesmo greco-
[Link] Manwë, sabe-se que tem a maior estima de Ilúvatar e compreende com mais
clareza seus objetivos.
Ele foi designado para ser, na plenitude do tempo, o primeiro de todos os Reis: senhor do
reino de Arda e governante de todos os que o habitam. Em Arda, seu prazer está nos
ventos e nas nuvens, e em todas as regiões do ar, das alturas às profundezas, dos limites
mais remotos do Véu de Arda às brisas que sopram nos prados. Súlimo é seu sobrenome,
Senhor do Alento de Arda. Ele ama todas as aves velozes, de asas fortes; e elas vão e
vêm, atendendo às suas ordens
mora Varda, Senhora das Estrelas, que conhece todas as regiões de Eä. Sua beleza é por
demais majestosa para ser descrita nas palavras de homens ou elfos, pois a luz de Ilúvatar
ainda vive em seu semblante. Na luz estão seu poder e sua alegria. Das profundezas de
Eä, veio ela em auxílio a Manwë; pois conhecia Melkor antes do início da Música e o
rejeitava; e ele a odiava e temia mais do que qualquer outro ser criado por Eru sobre Varda
sabe-se também que “de todos os Grandes Seres que habitam o mundo, os elfos sentem
maior reverência e amor por Varda.
O nome que lhe dão é Elbereth, e eles o invocam das sombras da Terra-média, elevando-o
em hino quando nascem as estrelas”. Sobre ulmo é dito que “é o Senhor das Águas. Ele
vive só. Não mora em lugar algum por muito tempo,mas se movimenta à vontade em todas
as águas profundas da Terra ou debaixo dela”.
Sobre sua aparência é dito que se os Filhos de Eru o avistassem, eram dominados por
intenso pavor; pois a chegada do Rei dos Mares era terrível, como uma onda que se
agiganta e avança sobre a terra, com elmo escuro e crista de espuma, e cota de malha
cintilando do prateado a matizes do verde […]. A voz de Ulmo é profunda, como as
profundezas do oceano que só ele viu Ulmo fala “com vezes que são ouvidas apenas como
música das águas. Pois tem sob seu domínio todos os mares, lagos, fontes e nascentes […]
o espírito de Ulmo corre em todas as veias do mundo”.
Yavanna é a Provedora dos Frutos. Ela ama todas as coisas que crescem na terra; e
guarda na mente todas as suas incontáveis formas, das árvores semelhantes a torres nas
florestas primitivas ao musgo sobre as pedras ou aos seres pequenos e secretos que vivem
no solo. Em reverência, Yavanna vem logo após Varda entre as Rainhas dos Valar. Na
forma de mulher, ela é alta e se traja de verde; mas às vezes assume outras formas. Há
quem a tenha visto em pé como uma árvore sob o firmamento, coroada pelo sol; e, de todos
os seus galhos, derramava-se um orvalho dourado sobre a terra estéril
Seu marido é Aulë, que governa todas as substâncias das quais Arda é feita. No início a
criação de todas as terras foi sua tarefa. Ele é ferreiro e mestre de todos os ofícios; deleita-
se com trabalhos que exigem perícia, por menores que sejam, e também com a poderosa
construção do passado. São suas as pedras preciosas que jazem nas profundezas da
Terra, e o ouro que é belo nas mãos, não menos do que as muralhas das montanhas e as
bacias dos oceanos.
“os fëanturi, senhores dos espíritos, são irmãos; e são geralmente chamados de mandos e
Lórien. Contudo, esses são de fato os nomes dos locais onde moram, sendo verdadeiros
nomes Námo e Irmo”, então entende-se que o nome Mandos serve para designar o local
onde Námo vive. Dentre os irmãos ele é
o mais velho, mora em Mandos, que fica a oeste, em Valinor. Ele é o guardião das Casas
dos Mortos, e o que convoca os espíritos dos que foram assassinados. Nunca se esquece
de nada; e conhece todas as coisas que estão por vir, à exceção daquelas que ainda se
encontram no arbítrio de Ilúvatar. Ele é o Oráculo dos Valar; mas pronuncia seus presságios
e suas sentenças apenas em obediência a Manwë. Vairë, a Tecelã, é sua esposa, e tece
em suas telas, repletas de histórias, todas as coisas que um dia existiram no Tempo; e as
moradas de Mandos, que sempre se ampliam com o passar das eras, estão revestidas
dessas telas
Nienna é a irmã dos fëanturi, que vive sozinha. Ela conhece a dor da perda e pranteia todos
os ferimentos que Arda sofreu pelos estragos provocados por Melkor. Tão imensa era sua
tristeza, à medida que a Música se desenvolvia, que seu canto se transformou em lamento
bem antes do final; e o som do lamento mesclou-se aos temas do Mundo antes que ele
começasse. Não chora, porém, por si mesma; e quem escutar o que ela diz, aprende a
compaixão e a persistência na esperança. Sua morada fica a oeste do Oeste, nos limites do
mundo; e ela […] Prefere visitar a morada de Mandos, que fica mais perto da sua; e todos
os que esperam em Mandos clamam por ela, pois ela traz força ao espírito e transforma a
tristeza em sabedoria
O último dos oito Aratar é Oromë, que é um senhor poderoso […] temível em sua ira; […]
amava as terras da Terra-média e as deixou a contragosto, sendo o último a chegar a
Valinor. […] É caçador de monstros e feras cruéis e adora cavalos e cães de caça; ama
todas as árvores, motivo pelo qual é chamado de Aldaron e, pelos sindar, Tauron, o Senhor
das Florestas. Nahar é o nome de seu cavalo, branco à luz do sol e prateado à noite.
Valaróma é o nome da sua enorme trompa, cujo som se assemelha ao nascer do Sol
escarlate, ou ao puro relâmpago que divide as nuvens
esclarecido as atribuções de cada um dos Aratar, pode-se conceituar a natureza dos Maiar.
Sabe-se que eles pertencem à mesma classe dos Valar, ou ainda, compartilham com eles a
classe de Ainur. À criação, junto com
os Valar vieram outros espíritos cuja existência também começou antes do Mundo, e da
mesma ordem dos Valar, mas de grau inferior. São os Maiar, o povo dos Valar, seus criados
e auxiliares. Seu número não é conhecido entre os elfos, e poucos têm nomes em qualquer
dos idiomas do Filhos de Ilúvatar. Pois, embora seja diferente em Aman, na Terra-média os
Maiar raramente apareceram em forma visível a elfos e homens
Os Maiar eram emissários ou subordinados dos Valar, não possuindo formas determinadas.
Dentro do esquema hierárquico divino, eles estão logo abaixo dos Valar. Etre os Maiar,
aqueles destacados como mais importantes em O Silmarillion são Ilmarë, que é “a criada
de Varda”; Eönwë, “o porta-estandarte e arauto de Manwë, cujo poder em armas ninguém
supera em Arda”; Ossë, que “é vassalo de Ulmo e é o senhor dos mares que banham as
praias da Terra-méria”; Uinen, “a Senhora dos Mares, cujo cabeleira se espalha por todas
as águas sob os céus. Ela ama todas as criaturas que habitam as correntes salgadas e
todas as algas que ali se desenvolvem”. Melian, que “servira tanto a Vána quanto a Estë.
Morou muito tempo em Lórien, cuidando das árvores que florescem nos jardins de Irmo”.
Olórin, que é o “mais sábio dos Maiar […] ele também mora em Lórien, mas sua natureza o
levava com frequência à casa de Nienna, e com ela aprendeu a compaixão e a paciência”; e
Sauron,
ou Gorthaur, o Cruel. No início, ele pertencia aos Maiar de Aulë e continuou poderoso na
tradição daquele povo. Em todos os atos de Melkor, o Morgoth, em Arda, em seus imensos
trabalhos e nas trapaças originadas por sua astúcia, Sauron teve participação; e era menos
maligno do que seu senhor somente porque por muito tempo serviu a outro, e não a si
mesmo. No entanto, nos anos posteriores, ele se elevou como uma sombra de Morgoth e
como um espectro de seu rancor, e o acompanhou no mesmo caminho desastroso de
descida ao Vazio
Dentre os Maiar, alguns decidiram-se rebelar e seguir Melkor,
muitos foram atraídos por seu esplendor em seus dias de majestade, permanecendo fiéis a
ele em seu mergulho nas trevas. E outros ele corrompeu mais tarde atraindo- os para si
com mentiras e presentes traiçoeiros. Horrendos entre esses espíritos eram os valaraukar,
os flagelos de fogo que na Terra-média eram chamados de balrogs, demônios do terror
Continuando a linha hierárquica definida anteriormente, pode-se traçar uma pequena lista,
em ordem de importância, das categorias de deidades que compõem a cosmogonia do
autor: Eru; os Ainur; os Valar; os Aratar; os Maiar; os Istari.
Os Istari são, ao mesmo tempo, um tipo de criatura e uma ordem que congrega indivíduos
que têm um objetivo em comum. Segunda Pereira, esses seres “eram Maiar, divindades de
estatura um pouco menor que os Valar” que “tiveram de assumir a forma de homens e
manter a sua identidade em segredo, só revelendo o seu verdadeiro nome para poucos”. Os
Istari, ou Magos, tinham a aparência de homens velhos de chapéu pontudo, casaco e botas
altas e carregavam um longo bastão. Cada um usava uma só cor, que o diferenciava e
identificava seus poderes e talentos.
Dizia a história da Terra Média que eles eram Maiar, espíritos poderosos, que vieram à
Terra Média na forma de homens. Seus poderes haviam sido limitados e não lhes era
permitido usá-los diretamente contra o inimigo. Havia cinco Istari, mas destes, somente três
foram mencionados em O Senhor dos Anéis: Gandalf, o Cinzento, Saruman, o Branco,
Radagast, o Marrom
Os cinco Istari
No Apêndice de O Senhor dos Anéis é dito que havia originalmente cinco Istari, os quais
vieram para a Terra-Média com a missão de unir seus povos para combater o mal trazido
por Sauron, o Senhor dos Anéis referido no título da obra e o vilão do enredo. Desses cinco
aparecem apenas três: Saruman, tido como o líder da ordem; Radagast, mencionado
apenas em passant na obra; e Gandalf, um dos nove heróis da trama e um dos principais
personagens das obras de Tolkien.
A função básica dos Istari, como arauto dos Valar e como Maiar dotados de grande poder,
era tentar reestabelecer o equilibrio da Terra-média, porém “os magos estavam proibidos de
enfrentar o poder dele (Sauron) com o seu poder, ou de procurar dominar os elfos ou os
homens usando de força ou medo”. Com o veto de seus poderes, as únicas armas de que
disppunham para combater o desequilíbrio trazido por Sauron eram a sabedoria e o
discurso (a habilidade com a linguagem, seja a fala ou a escrita). Tão bem delineada na
obra.
Os Istari já existiam na Primeira Era (Era da criação de Eä) ainda somente como Maiar,
porém é mais a frente, na Terceira Era, que sua intervenção (manifestar-se na Criação
como matéria) nos acontecimentos da Terra-média será necessária e, sendo assim, os
Cinco Istari aparecerão “pela primeira vez na Terra-média por volta do ano 1000 da Terceira
Era”.
Retomando-se seus atributos e começando pela etimologia da palavra,
Mago é uma tradução do quenya istar (sindarin ithron): um dos membros de uma ‘ordem’
(como eles a chamavam), que alegava possuir e demonstrava eminente conhecimento da
história e natureza do Mundo. A tradução (apesar de adequada, por relacionar-se com
‘wise’ e outras antigas palavras de conhecimento, de modo semelhante a istar em quenya)
talvez não seja feliz, visto que a Heren Istarion ou ‘Ordem dos Magos’ era bem diversa dos
‘magos’ e ‘mágicos’ de lendas posteriores
Sua natureza é tão misteriosa que pouco se sabe sobre sua origem: “Eles pertenciam
unicamente à Terceira Era e depois partiram, e ninguém, exceto talvez Elrond, Círdan e
Galadriel, descobriu de que espécie eram ou de onde vieram”. Em Contos inacabados: de
Númenor e da Terra-média há um capítulo dedicado somente aos Istari e cada um deles é
identificado com uma cor. O Branco é Saruman, o Cinza é Gandalf, o Castanho ou Marrom
é Radagast e os dois Azuis chamam-se “Alatar” e “Pallando”. O próprio nome dos Magos
Azuis serve para exemplificar o papel dos anexos da obra, posto que nenhuma das três
narrativas principais aparece os nomes deles.
Os Valar, com o consentimento de Eru, enviaram membros de sua própria elevada ordem,
porém vestidos de corpos como os dos homens, reais e não ilusórios, mas sujeitos aos
medos, às dores e à exaustão da terra, capazes de sentirem fome e sede, e de serem
mortos; embora, por causa de sua nobreza de espírito, não morressem, e só
envelhecessem em decorrência das preocupações e labutas de muitos e muitos anos
Como afirma o autor, dessa “ordem o número de membros é desconhecido; mas daqueles
que chegaram ao Norte da Terra-média […] os principais eram cinco”, ou seja, não havia
somente cinco Istari, mas cinco era o número de Istari conhecidos na narrativa de O
Senhor dos Anéis. A chegada desses cinco à Terra-média também descreve as
caracteristicas básicas de cada um deles. A ordem de chegada é um fator muito importante
e as cores também são carregadas de valor simbólico e hierárquico. De acordo com o
relato,
[o] primeiro a chegar tinha nobre semblante e porte, com cabelos negros e uma bela voz, e
trajava branco. Tinha grande habilidade nos trabalhos das mãos, e era considerado por
quase todos […] o chefe da Ordem. Também havia outros: dois trajados de azul do mar, e
um do castanho da terra; e por último chegou um que parecia o menos importante, menos
alto que os demais, e de aspecto mais idoso, de cabelos grisalhos, trajado de cinza e
apoiado em um cajado
O primeio a chegar foi Saruman, seguido de Alatar e Pallando. Depois vieram Radagast e
Gandalf. Cada um desses cinco foi enviado sob a influência de algum dos Aratar. É
importante destacar que cada um dos cinco tem um nome que era usual na terra dos
deuses19 e, quando chegam à Terra-média, são investidos de novos nomes, simbolizando
as novas características corpóreas de que lhes foram atribuídas. O primeiro a chegar foi
“Curumo, que foi enviado por Aulë” o segundo e o terceiro foram “Alatar, que foi enviado por
Oromë […] levou Pallando como amigo” relacionando esse último, também, com Oromë. O
terceiro a chegar foi Aiwendil, tendo sido trazido por Curumo “porque Yavanna lhe implorou
que o fizesse”, e o último a chegar foi Olórin e seu nome está relacionado à Manwë e
Varda.
A partir da afirmativa de que “eles [os Istari] eram todos Maiar, isto é, pessoas de ordem
‘angelical’, mas não necessariamente da mesma classe. Os Maiar eram ‘espíritos’, porém
capazes de auto-encarnação, e podiam assumir formas ‘humanoides’”, pode-se entender
que os Istari passaram, ao entrar na Terra-média, de uma condição espiritual para uma
condição carnal, e isso se reflete nos diferentes nomes pelos quais eram conhecidos em
Valinor (a terra abençoada em que habitavam os Valar) e na Terra- média. Então vale listar
os nomes, na ordem em que chegaram à Terra-média, dos cinco Istari, sendo o primeiro
nome o utilizado para a condição espiritual em Valinor e o segundo nome o utilizado para a
condição material na Terra-média. Curumo passa a se chamar Saruman, Allatar e Pallando
talvez nunca tenham recebido nenhum nome na Terra-média, pois nela nunca foram vistos.
Aiwendil passou a se chamar Radagast e Olórin tornou-se Gandalf.
Apesar de terem sido enviados pelos Valar, cada um deles era livre para fazer o que podia
nessa missão; que não eram comandados nem se esperava que agissem juntos como um
pequeno corpo central de poder e sabedoria; que cada um tinha poderes e inclinações
diferentes, e que foram escolhidos pelos Valar com essa intenção e, mesmo sendo
divindades, ainda que menos poderosas, os Istari tinham o livre-arbítrio para opinar e atuar,
sendo essa liberdade um dos temas centrais da obra de Tolkien. As personagens são
obrigadas a fazer escolhas, durante toda a narrativa, e a se responsabilizar pelas decisões
tomadas. Desde o mais poderoso dos Valar até o mais simples dos Hobbits, todos recebem
as recompensas (ou castigos) pelas ações perpetradas a partir de suas escolhas.