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Exemplos Casos Práticos

O documento apresenta uma série de casos práticos resolvidos sobre conceitos fundamentais do Direito, incluindo a norma jurídica, obrigações naturais e sanções. Os exercícios abordam questões teóricas e práticas, desafiando os alunos a aplicar o conhecimento jurídico em situações concretas. O material é voltado para estudantes do 1º ano de Solicitadoria do Instituto Politécnico de Bragança.

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Exemplos Casos Práticos

O documento apresenta uma série de casos práticos resolvidos sobre conceitos fundamentais do Direito, incluindo a norma jurídica, obrigações naturais e sanções. Os exercícios abordam questões teóricas e práticas, desafiando os alunos a aplicar o conhecimento jurídico em situações concretas. O material é voltado para estudantes do 1º ano de Solicitadoria do Instituto Politécnico de Bragança.

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Casos praticos resolvidos

Introdução Ao Direito (Instituto Politécnico de Bragança)

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Introdução ao Estudo do Direito


1.º Ano de Solicitadoria

Casos práticos

- Enunciados
- Resolvidos

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Casos práticos
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Exercícios sobre a aproximação do conceito de direito, a norma jurídica e a proteção


coativa

I – Explique e comente as seguintes afirmações:


1 – “Há, pois, atos da nossa vida que se subtraem a um estatuto jurídico: o direito
não pode arrogar-se o… «direito» de resolver todos os problemas do homem”.
2 – “Estamos no direito com a nossa face societária, com o nosso «eu social»; com o
nosso «eu [puramente] pessoal» estamos fora do direito”.
3 – “A expressão «normas jurídicas» é sinónima da expressão «normas de conduta
social»”.
4 – “Como objeto que aí está e se nos põe, o Direito Português perfila-se diante de
nós e dirige-se-nos – nós somos seus destinatários –, organizando a nossa inter-relação
societária. Mas nós não somos apenas destinatários do direito. Titulamos também direitos,
que podemos usufruir e impor a outra pessoa”.
5 – “A objetividade e a subjetividade são os dois pólos do direito”.

II – Responda, fundamentadamente, às seguintes questões:


1 – Diga, sucintamente, o que entende por plenitude da ordem jurídica.
2 – Poderá o cidadão adotar uma moral diferente daquela que inspira o Direito do seu
país?
3 – As chamadas obrigações naturais, tal como estão previstas e reguladas nos arts.
402.º a 404.º do Código Civil, pertencem à órbita do Direito Natural, da Moral ou do Direito
Positivo?
4 – Será o direito dos consumidores direito objetivo?
5 – Será que existe um direito superior ao direito positivo?
6 – No Direito Penal moderno, diz-se que “ninguém sofre (é punido) por causa de
meros pensamentos” (“nuda cogitatio nemo patitur”). Será só em Direito Penal?
7 – André teve uma avaria no automóvel durante a noite, numa serra, numa estrada
com muito pouca circulação. Bento passou por lá e André pediu-lhe auxílio, mas aquele
recusou-se a prestar-lhe auxílio e seguiu o seu caminho. Neste contexto, não há nenhuma
regra de direito positivo que imponha a Bento o dever de auxílio, mas André quer
responsabilizá-lo por falta de solidariedade para com o seu semelhante.
Quid iuris?

III – Responda, fundamentadamente, às seguintes questões:

1 – O direito de usufruto, previsto nos arts. 1439.º e ss. do Código Civil, é direito
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 1

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Casos práticos
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objetivo ou direito subjetivo?

2 – Distinga e exemplifique generalidade horizontal de generalidade vertical;

3 – Diga o que entende por plenitude da ordem jurídica;

4 – Considerando as várias classificações das normas jurídicas, qualifique,


justificando, os artigos 1143.º, 1145.º, n.º2, e 1148.º, n.º1, do Código Civil.

IV – Identifique, justificando, os elementos constituintes das normas


correspondentes aos seguintes enunciados legais:
1 – Art. 881º do Código Civil: “Quando se vendam bens de existência ou titularidade
incerta e no contrato se faça menção dessa incerteza, é devido o preço”;
2 – Art. 1327º do Código Civil: “Pertence ao dono da coisa tudo o que a esta
acrescer por efeito da natureza”.

V – Exercícios sobre as classificações das normas jurídicas


1 – Considerando as várias classificações das normas jurídicas, qualifique,
justificando, os artigos 415º e 410º, n.º2, do Código Civil.
2 – Considerando as várias classificações das normas jurídicas, qualifique,
justificando, os artigos 940º, 947º, n.º1, e 953º do Código Civil.
3 – Considerando as várias classificações das normas jurídicas, qualifique,
justificando, o art. 1710º do Código Civil.
4 – Distinga, exemplificando, normas especiais de normas excecionais.

VI – Analise as seguintes situações e qualifique a sanção aplicável ao caso ou


identifique a sanção presente na norma, fundamentando a sua resposta:
1 – O tribunal condenou Alípio no pagamento de €100 por cada incumprimento da
prestação de alimentos aos seus filhos.
2 – O art. 82º, al. f), do Estatuto da Câmara dos Solicitadores, prescreve que “é
suspensa a inscrição do solicitador quando não efetuar o pagamento das dívidas que tenha
para com a Câmara ou para com a Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores”.
3 – Em agosto de 2009, Berta adquiriu um cravo, que, de acordo com o vendedor,
datava do séc. XIV. Porém, veio a descobrir, no mês passado, que o predito cravo era apenas
do séc. XX, pelo que pretende invocar a invalidade do negócio, com fundamento nos arts.
253º e 254º do Código Civil.
4 – César encarregou Dário de transportar o seu automóvel do Porto até Faro. Após a
realização do transporte, César recusa-se a pagar o serviço, argumentando que Dário deveria
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 2

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Casos práticos
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ter chegado uma hora antes. Dário, por sua vez, recusa-se a entregar o automóvel enquanto
César não proceder ao pagamento do serviço.
5 – Guilherme celebra um contrato com Helena, nos termos do qual se obriga a matar
o marido daquela mediante o pagamento de €7000.
Contudo, tal negócio é contrário à ordem pública nos termos do art. 280º do C.C.
6 – Irene com 15 anos vende o seu computador a João, sendo que esse negócio é
anulável nos termos dos arts. 122º a 125º do C.C.
7 – Em ação intentada por Luís contra a sua entidade patronal, o tribunal condenou
esta entidade a pagar ao primeiro a quantia de € 25 por cada dia que aquela não ocupasse Luís
com trabalho.

VII – Identifique a sanção presente nas seguintes hipóteses:


1 – Art. 829º-A do CC.
2 – O Estatuto da Ordem dos Advogados dispõe que perde a qualidade de advogado
quem for condenado criminalmente por certos atos lesivos dos clientes.
3 – Art. 131º do CP: “Quem matar outra pessoa é punido com pena de prisão de 8 a
16 anos”.
4 – O António contratou Bento para lhe pintar a casa porque pensava ser ele pintor de
profissão. Acontece que o Bento era servente de pedreiro e, por isso, o António anulou o
negócio apoiado no art. 251º do CC.
5 – Cátia, que é veterinária, recusa-se a devolver o Bobi, que tinha ido à vacina,
porque David não quer pagar a consulta.
6 – O art. 21º, n.º2, al. b), da Lei n.º 145/99, de 1 de setembro, que aprova o
Regulamento de Disciplina da GNR, prevê que “são suscetíveis de inviabilizar a manutenção
da relação funcional, designadamente, fazer uso da arma que tenha distribuída, contra
qualquer pessoa, fora das circunstâncias e requisitos legais que o permitem”.
7 – Dalila deixou o seu frigorífico para reparação no estabelecimento de Eduardo.
Porém, perante o preço exorbitante que Eduardo pede pela reparação realizada, Dalila não
quer pagar, pelo que Eduardo se recusa a devolver o frigorífico.

VIII – Pronuncie-se, justificadamente, sobre as questões que se seguem:

1 – O que entende por Justiça, que relação há entre ela e o Direito, e como se diferencia da
Equidade?

2 – Distinga a relação de excecionalidade e de especialidade entre as normas, apresentando a


sua relevância, nomeadamente, no domínio da aplicação analógica das normas.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 3

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Casos práticos
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3 – Distinga e exemplifique sanção material reconstitutiva de sanção material compensatória.

4 – Pronuncie-se sobre os diversos fins perseguidos pelo Direito.

5 – Distinga e exemplifique norma precetiva de norma supletiva.

6 – André encarregou Bruno de transportar o seu automóvel do Porto até Faro. Após a
realização do transporte, André recusa-se a pagar o serviço, argumentando que Bruno deveria
ter chegado uma hora antes. Bruno, por sua vez, recusa-se a entregar o automóvel enquanto
André não proceder ao pagamento do serviço. Indique a sanção presente na situação descrita e
diga em que consiste.

IX – Casos práticos sobre a proteção coativa e meios de tutela privada do Direito

Caso prático 1
Amílcar, solicitador de execução, aquando da promoção de diligências no âmbito de
um processo executivo, por negligência, partiu uma estatueta do séc. XIX pertencente a
Bernardo.
Nessa mesma data, Amílcar foi o agente de execução numa ação executiva para
entrega de um colar de esmeraldas, que, por herança, coube a Catarina, mas que se encontrava
na posse de Dalila, que, por sua vez, se recusava a devolvê-lo.
Já no início desta semana, Amílcar tomou conhecimento que lhe fora aplicada a pena
de censura, prevista no art. 142.º, n.º1, al. b), do Estatuto dos Solicitadores, em virtude de ter
insultado um colega, desrespeitando, deste modo, o estatuído no art. 109.º, al. h), do mesmo
diploma.
Identifique, fundamentadamente, as sanções presentes no caso enunciado.

Caso prático 2
António Alves, pintor de renome, compromete-se a pintar o retrato da mulher de Bento
Bernardes até 30 de dezembro de 2009, destinando-se o quadro a constituir um presente de
Natal para a predita senhora.
Em dezembro, António Alves ainda não acabara o quadro, pelo que Bento Bernardes
move contra aquele uma ação de cumprimento do contrato, pedindo ao tribunal que o
condene, por cada dia de atraso, no pagamento da quantia de €50.
António Alves alega não ter inspiração e indica um pintor seu amigo para finalizar o
quadro.
Quid iuris?

Caso prático 3
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 4

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Casos práticos
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Carla de 19 anos de idade resolve contrair matrimónio com Dionísio de 75 anos.


Depois de 2 anos de convivência, Carla resolve matar o seu esposo, ministrando-lhe todos os
dias pequenas doses de arsénio na canjinha. Dionísio morre passados dias.
Na fase de inquérito o juiz de instrução aplica-lhe prisão preventiva.
Que meio de proteção coativa lhe foi aplicado?

Caso prático 4
André e Beatriz, regressando a casa depois de uma noitada num bar de Leiria,
despistaram-se e colidiram frontalmente com um veículo pesado que era conduzido por
Crespo.
Após a colisão, Crespo, que havia ficado ileso, viu-se obrigado a arrombar a porta de
um restaurante que se encontrava próximo, a fim de poder utilizar o telefone para chamar uma
ambulância.
O proprietário do restaurante, Dário, que morava numa habitação por cima do mesmo,
apercebendo-se da invasão, tenta impedir Crespo de se introduzir na sua propriedade,
acertando-lhe com uma frigideira na cabeça, o que o fez perder os sentidos.
Posteriormente, concluiu-se que André, condutor do veículo ligeiro, apresentava 1,6º
de álcool no sangue.
Art. 292º, n.º1, do Código Penal
“Quem, pelo menos por negligência, conduzir veículo, com ou sem motor, em via
pública ou equiparada, com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, é
punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave
lhe não couber por força de outra disposição legal.”
Aprecie a situação e diga quais as eventuais sanções aplicáveis.

Caso prático 5
Ana, casada sob o regime de comunhão de adquiridos com Bernardo, atravessa uma
fase difícil no casamento. Certo dia, após acesa discussão, Bernardo decidiu sair
definitivamente de casa, mas não sem antes levar todos os seus alegados pertences. Acontece
que, preparando-se Bernardo para levar as joias que lhe havia oferecido, Ana procura impedi-
lo, rasgando os pneus do carro. Bernardo, perante o sucedido, sai do carro e começa a agredir
Ana, que foge para o quintal do vizinho em busca de socorro. Carlos ia a passar junto à casa
do vizinho e corre em auxílio de Ana. Para obstar às investidas de Bernardo, Carlos pega num
valioso pote chinês do vizinho e parte-o na cabeça de Bernardo.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 5

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Casos práticos
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1 – Comente a situação descrita e analise as implicações jurídicas das condutas dos


intervenientes.
2 – Pretendendo impedir Bernardo de extraviar novos bens, a que meio podia recorrer Ana?

Caso prático 6
Afonso, ao regressar do trabalho, cerca da meia-noite, é assaltado por Bernardo, que
lhe tira a carteira e o relógio.
Afonso, que habitualmente andava armado, defende-se, disparando sobre Bernardo e
atingindo-o no peito. Em consequência do disparo, Bernardo perdeu os sentidos, ficando
gravemente ferido.
Quando se apercebe do sucedido, Afonso arromba a porta de uma loja de vestuário que
se encontrava próxima, a fim de usar o telefone, para chamar uma ambulância.
Bernardo veio a morrer pouco tempo depois.

Caso prático 7
No dia 1 de abril, Guilherme encontra a sua namorada, Henriqueta, prostrada na rua
onde ela morava. Após várias tentativas de a reanimar e não dispondo de veículo próprio,
Guilherme decide levar o automóvel do vizinho Ivo, que se encontrava ausente, pois sabia
onde ele costumava guardar as chaves. Assim, arrombou a porta, retirou as chaves do
respetivo automóvel e conduziu Henriqueta ao hospital. Guilherme ignorava, porém, que o
referido automóvel carecia de reparações urgentes no motor, pelo que a meio da viagem o
automóvel parou com sérias danificações. Cansada de fingir, Henriqueta levanta-se e grita
“Mentira!”.
Quid iuris?

Caso prático 8
Hugo tem inveja de Ivo, porque este tem tudo o que um homem sonha. Um dia,
quando soube que Ivo ganhara o Euromilhões, ficou possesso e passeando com o seu
Doberman dá-lhe instruções para aquele matar Ivo. O cão precipita-se sobre Ivo, que
costumava andar munido de arma, por se tratar de um bairro ultimamente deveras inseguro, e
dispara sobre o cão, matando-o.
Quid iuris?

Caso prático 9

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 6

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Casos práticos
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João, ao entrar em casa, verificou que a sua irmã Luísa, que com ele coabitava, se
encontrava inanimada por intoxicação de gás. Não dispondo, nessa altura, de veículo próprio
e encontrando-se próximo um veículo de um vizinho, arrombou a porta de casa deste retirou
as chaves do carro, que sabia onde estavam, e conduziu a irmã ao hospital.
Parece-lhe lícito o comportamento de João?

Caso prático 10
Num ato de desespero, Carla decide por fim à sua angustiante vida.
Quando se prepara para disparar a arma na região temporal da cabeça, irrompe Daniel
pelo quarto dentro, agarrando-a e agredindo-a, instintivamente, com o objetivo de pôr fim aos
seus intentos.
Atordoada com o sucedido, Carla corre intempestivamente para a rua. Nesse
momento, vinha a passar Eduarda, de regresso a casa, conduzindo o seu veículo automóvel.
Não tendo a possibilidade de parar, prefere chocar com um carro estacionado do que atropelar
Carla.
Quid iuris?

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 7

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Casos práticos
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Exercícios e casos práticos sobre a relação jurídica

1 – Distinga e exemplifique direito subjetivo stricto sensu e direito potestativo.


2 – Caracterize os direitos de personalidade, de crédito, reais e potestativos, e diga a
qual dessas modalidades corresponde cada uma das espécies seguintes: direito à restituição do
direito emprestado, direito de propriedade, direito ao nome e direito de resolver o contrato de
arrendamento.
3 – Confronte os direitos de crédito e os direitos reais, exemplificando e dizendo o que
há neles de comum e de distinto.

Caso prático 11
César, nascido a 01/09/94, praticou, sem o consentimento de seus pais Dalila e
Eduardo, mas com o conhecimento imediato destes, os seguintes atos:
a) No dia 01/07/11 vendeu a Filipe, pela cotação na bolsa, um lote de ações da
EDP, que herdara do seu avô no dia 01/06/09;
b) No dia 12/10/11, vendeu a Guilherme um terreno que o seu tio lhe doara,
falsificando o seu bilhete de identidade de modo a constar como ano do seu
nascimento “1990”, com o exclusivo intuito de convencer Guilherme a
comprar.
Após explicar o que entende por relação jurídica, diga, fundamentadamente, se Dalila e
Eduardo poderão, na presente data, invalidar cada um dos atos praticados?

Caso prático 12
António, nascido em 23 de julho de 1992, praticou os seguintes atos jurídicos:
1. Em março de 2009, trocou de motorizada com Bernardo, tendo realizado um bom
negócio;
2. Em novembro ainda do mesmo ano, vendeu a Carlos um computador, que havia
comprado dois meses antes, com dinheiro ganho a trabalhar como "barman" de uma
discoteca;
3. Em meados de dezembro daquele ano, doou a Dalila um relógio antigo, de coleção,
em ouro, que havia herdado do avô.
Apenas em janeiro do presente ano, os pais tiveram conhecimento dos atos descritos.
1 — Aprecie os atos praticados por António, dizendo qual a sanção aplicável e por
quem é arguível.
2 — E se, em início de dezembro de 2009, António se tivesse casado com Eduarda,
sem autorização dos seus pais, qual o valor do último ato praticado por António?
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 8

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Casos práticos
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Exercícios e casos práticos sobre as fontes do direito

Responda, fundamentadamente, às questões que se seguem:


1 – A professora de Direito da ESTG determinou, no início do ano letivo, que os
alunos não fizessem perguntas sem pôr antes “o dedo no ar”. Fez uma lei?
2 – Distinga, exemplificando, lei material e lei formal
3 – Distinga, exemplificando, regulamentos complementares ou de execução de
regulamentos independentes ou autónomos.
4 – Distinga e relacione norma especial, revogação, derrogação e repristinação.
5 – Explique e comente a seguinte afirmação: “De facto, a doutrina é fonte de direito;
juridicamente, contudo, não o é.”
6 – Comente a seguinte afirmação: “Atualmente, a jurisprudência não cria direito.”
7 – Distinga e relacione publicação, distribuição e vacatio legis.
8 – Distinga ratio legis, vacatio legis e occasio legis.

Caso prático 13
A Lei 1 foi publicada a 1 de março, para entrar em vigor a 1 de maio. A Lei 2 foi
publicada a 5 de março, sem indicar quando entraria em vigor. A Lei 3 foi publicada a 9 de
março, para entrarem vigor “vinte dias após a sua publicação”. Sendo as três incompatíveis,
em que períodos é que cada uma delas vigorou ou vigora?
Nota bem: Acentue-se que, tal como escreveu Galvão Telles, in Introdução ao Estudo
do Direito, a “ordem de prioridade não se define pela entrada em vigor mas sim pela
publicação. De duas leis é mais antiga a que primeiro foi publicada, embora destinada a entrar
em vigor depois.”

Caso prático 14
Constava de um «Suplemento» ao Diário da República de 02/11/11 um Decreto-Lei
que nada dispunha quanto à sua entrada em vigor.
1 – Indique a data de entrada em vigor do diploma em análise e explique o significado
do período de tempo existente entre a publicação do diploma e a sua entrada em vigor.
2 – Suponha agora que o predito diploma, apesar de ter sido promulgado pelo
Presidente da República, não foi referendado pelo Primeiro-Ministro. Qual o seu valor?

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 9

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Casos práticos
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Caso prático 15
A Lei n.º 64/2010, de 11 de maio, que não indicou quando entraria em vigor, impôs
que a compra e venda de automóveis fosse feita por documento escrito, com a assinatura das
partes reconhecida presencialmente pelo notário, determinando ainda a nulidade das vendas
que não obedecessem a essa forma.
Em outubro de 2011, foi publicado o Decreto-lei n.º 91/2011, de 22 de outubro, que
prescreve o seguinte:
“A Lei n.º 64/2010, de 11 de maio, embora animada das melhores intenções, veio
consagrar exigências formais que se verificaram excessivas e não foram cumpridas na
generalidade dos contratos. A nulidade desses contratos deu origem a situações injustas.
Assim, nos termos do art. 198º, n.º1, al. a), da Constituição, o Governo decreta:
Artigo 1º
A compra e venda de automóveis deve ser feita por documento escrito assinado pelo
vendedor, sem necessidade de reconhecimento notarial da assinatura.
Artigo 2º
Este diploma entra em vigor no dia 20 de novembro de 2011.”
1 – Pronuncie-se sobre as fontes de direito em análise.
2 – Determine as datas de entrada em vigor dos mesmos diplomas e explique o seu
significado.
3 – Diga, fundamentadamente, quais os efeitos produzidos pelo segundo diploma
sobre o primeiro.
4 – Diga qual a validade, hoje, do contrato de compra e venda de automóvel celebrado
entre André e Bruno no dia 17 de novembro de 2011, que foi apenas assinado por André, o
vendedor.

Caso prático 16
Em 14 de setembro de 2011, foi publicada a Lei I, com o seguinte conteúdo:
“Art. 1.º: A alteração do contrato de sociedade, quer por modificação ou supressão de
alguma das suas cláusulas, quer por introdução de nova, só pode ser deliberada pelos sócios”.
Em 22 de setembro do mesmo ano, foi publicada uma Lei II que dispõe o seguinte:
“Art. 1.º: Quando entenda necessário, a gerência da sociedade por quotas pode alterar
o contrato de sociedade.
Art. 2.º: O presente diploma entra em vigor no 1.º dia útil do mês seguinte ao da sua
publicação”
No dia 04 de outubro, foi publicada a Lei III, que estatui o seguinte:
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 10

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Casos práticos
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“Artigo único: A Lei II fica suspensa pelo período de dois meses”.


No dia 20 de outubro de 2011, foi publicada a Lei IV, que determina:
“Art. 1.º: Quando a alteração do contrato de sociedade implique a supressão de
algumas cláusulas, esta pode ser deliberada pelo órgão de administração”.
Já em 18 de dezembro de 2011, foi publicada a Lei V, segundo a qual:
“Art. 1.º: A gerência não pode deliberar sobre qualquer alteração do contrato de
sociedade.
Art. 2.º: A presente lei entra em vigor no dia a seguir ao da sua publicação”.
1 – Determine, fundamentadamente, a data de entrada em vigor dos vários diplomas
legais enunciados.
2 – Quais os efeitos de cada um dos diplomas legais sobre os demais?

Caso prático 17
O Decreto-Lei X, de 2000, estabelece que “cada caçador, por dia, pode caçar apenas
cinco perdizes”. O Decreto-lei Y, publicado no início de 2010, devido a condições ambientais
extraordinariamente adversas desse ano, dispõe unicamente que “durante a época de caça de
2010, cada caçador, por dia, pode caçar apenas três perdizes”.
Diga, fundamentadamente, quantas perdizes se podem caçar, por dia, em 2011?

Caso prático 18
A Lei n.º 3/2008, de 10 de janeiro, determina que (artigo único): “1. As instalações de
gás devem ser objeto de inspeções periódicas bianuais. 2. As instalações a que se refere o
número anterior devem ser requeridas pelos proprietários dos prédios respetivos”.
O DL n.º 15/2010, de 21 abril, dispõe que (artigo único): “1. As instalações de gás de
estabelecimentos de restauração devem ser objeto de inspeções periódicas trimestrais. 2. As
inspeções a que se refere o número anterior devem ser requeridas pelos proprietários dos
estabelecimentos e podem ser oficiosamente realizadas pelas Câmaras Municipais”.
A Lei n.º 23/2011, de 4 de outubro, determina que: (artigo 1.º) “As instalações de gás devem
ser objeto de inspeções semestrais. (artigo 2.º) “ A presente lei entra em vigor no dia imediato
ao da sua publicação”.
Anselmo, proprietário do restaurante “Resliz”, em Leiria, foi autuado em 12 de dezembro de
2011 pela Câmara Municipal respetiva, por incumprimento do DL n.º 15/2010, «uma vez que
decorreu já o prazo de três meses, sem que tenha requerido inspeção às instalações de gás do
restaurante “Resliz”».

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 11

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Casos práticos
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Anselmo contestou a imputação da Câmara, alegando que o DL n.º 15/2006 fora revogado
pela Lei n.º 23/2011 e que, assim sendo, foi reposta em vigor a Lei n.º 3/2008.
Responda, fundamentadamente, às seguintes questões:
1 – Pronuncie-se sobre os citados diplomas enquanto fontes de direito.
2 – Determine as datas de entrada em vigor dos mesmos diplomas.
3 – Aprecie a argumentação de Anselmo, determinando quais os efeitos produzidos pelos
diplomas legais sobre os anteriores e, portanto, averiguando, de entre as normas legais
referidas, quais as que se encontram atualmente em vigor relativamente aos estabelecimentos
de restauração.

Caso prático 19
Suponha que no dia 13 de dezembro de 2011, era publicada a Lei n.º 74/2011 que
racionava fortemente os combustíveis derivados do petróleo, em razão da grave crise no setor
provocada por um conflito armado, proibindo a sua venda acima de determinados limites, sob
pena de pesadas sanções e declarando entrar imediatamente em vigor.
Suponha, ainda, que as autoridades competentes notificaram a empresa X, proprietária
de vários postos de gasolina, de que esta estava sujeita ao pagamento de determinado
montante por ter vendido gasolina de 12/12/11 (segunda-feira), inclusive, até 17/12/10
(sábado), inclusive, acima dos referidos limites.
Suponha, finalmente, que a empresa X reagiu contra a sanção aplicada, alegando o
seguinte:
a) Não assina o “Diário da República Eletrónico”, como poderá provar, não
conhecendo a predita lei, pelo que não está sujeita a qualquer pagamento.
b) Mesmo que assinasse o “Diário da República” e tivesse conhecimento da
lei, apenas responderia pelos excedentes de gasolina vendidos nos dias 12,
13 e 14.

Caso prático 20
No domínio do arrendamento urbano, tem sido amplamente discutida a controvertida
questão de saber se, para a locação do estabelecimento comercial instalado no local dado de
arrendamento, é necessária a mera comunicação ao senhorio, ou se, além da predita
comunicação, é igualmente necessária a autorização do senhorio, por interpretação extensiva
do art. 1038.º, n.º1, als. f) e g), do Código Civil e do art. 64.º, n.º1, al. f) do RAU.
No sentido de não ser necessária a enunciada autorização, decidiram, inter alia, os
Acórdãos do STJ de 29/09/1998, de 06/05/1998, de 07/02/1995, os Acórdãos da Relação de
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Casos práticos
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Lisboa de 02/07/1998 e de 09/07/1998, e o Acórdão da Relação de Coimbra de 09/12/1997.


Esta tem sido igualmente a posição perfilhada por Pinto Furtado, na sua obra Manual do
Arrendamento Urbano, e por Pereira Coelho, em Arrendamento.
Já a Relação de Évora acompanhada de Pires de Lima e Antunes Varela, no Código
Civil Anotado, têm propugnado a necessidade da autorização do senhorio para o descrito
efeito.
1 – Identifique e caracterize as fontes do Direito constantes do caso enunciado.
2 – Hoje, certo juiz da Relação de Évora não concorda com a interpretação abraçada
por essa mesma Relação, pelo que pretende saber se está vinculado a decidir como os seus
colegas fizeram. Como lhe responderia? Fundamente a sua resposta.
3 – A sua resposta seria a mesma se o STJ tivesse uniformizado a jurisprudência,
optando pela primeira posição descrita? E se existisse um Assento nesse sentido?

Caso prático 21
Suponha que no dia 24/01/11 foi publicada no Diário da República uma lei que
racionava fortemente os combustíveis derivados do petróleo, em razão da grave crise no setor
provocada por diversos focos de conflito armado no mundo árabe, proibindo a sua venda
acima de determinados limites, sob pena de pesadas sanções. Declarou-se na predita lei que
esta entrava imediatamente em vigor.
Suponha ainda que as autoridades notificaram a empresa X, proprietária de vários postos de
abastecimento, de que estava sujeita ao pagamento de determinado montante por ter vendido
gasolina de 24/01/11, inclusive, até 28/01/11, inclusive, acima dos referidos limites.
Suponha, finalmente, que a empresa X reagiu contra a sanção aplicada, alegando o seguinte:
1. Não assina o Diário da República, pelo que desconhecia o conteúdo de tal lei. Logo, não
poderá ser condenada.
2. Mesmo que, hipoteticamente, assinasse o jornal oficial e tivesse conhecimento do seu
conteúdo, apenas responderia pelos excedentes de gasolina vendidos nos dias 26, 27 e 28.
1 – Pronuncie-se, fundamentadamente, sobre a argumentação avançada pela empresa X.
2 – Suponha agora que o diploma não havia sido promulgado pelo Presidente da República.
Aprecie a sua validade.
3 – Suponha também que o próprio diploma indicava que cessava a sua vigência no dia
30/06/11. Pronuncie-se sobre esta prescrição.

Faça corresponder a designação do Ramo do 1) Direito do Trabalho


Direito à respetiva definição.

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Casos práticos
________________

privada – não como cidadãos face a Estado mas


como simples particulares em face uns dos
outros, na esfera dos assuntos de caráter
2) Direito Constitucional
meramente privado.

b) É o sistema de normas jurídicas que, tendo em vista a


prossecução de um interesse coletivo, conferem para esse
efeito a um dos sujeitos da relação jurídica poderes de
autoridade sobre o outro.
3) Direito Privado

c) É o ramo do direito privado constituído pelo sistema de


normas jurídicas que regulam as relações individuais de
trabalho subordinado, bem como fenómenos coletivos
com elas relacionados.

d) É o ramo do direito público composto pelo sistema de


4) Direito Penal
normas jurídicas que regulam a organização e o
funcionamento dos órgãos superiores do Estado, bem
como definem e asseguram os direitos e deveres
fundamentais dos cidadãos.

e) É o ramo do direito público constituído pelo sistema de


5) Direito Público normas jurídicas que qualificam os factos ilícitos de maior
gravidade social como crimes e estabelecem para eles as
penas tidas por adequadas.

6) Direito Civil

a) É o que corresponde à utilidade dos


particulares enquanto tais, ou seja, nas suas
relações jurídicas uns com os outros, na sua vida

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Casos práticos
________________

g) É o ramo do direito público constituído pelo sistema de


7) Direito Comercial
normas jurídicas que regulam a organização e o
funcionamento dos órgãos do poder executivo do Estado,
bem como dos entes públicos menores, e que asseguram a
proteção dos direitos dos particulares face à
Administração Pública e desta perante aqueles.

8) Direito Administrativo
h) É o ramo do direito privado constituído pelo sistema de
normas jurídicas que regulam a generalidade dos atos e
atividades em que se desenvolve a vida privada dos
particulares, tanto na sua esfera pessoal como patrimonial,
desde o berço até ao túmulo.

i) É o ramo do direito privado constituído pelo


sistema de normas jurídicas que regulam o
9) Direito Financeiro
estatuto dos comerciantes e o regime dos atos e
atividades do comércio.

j) É o ramo do direito público constituído pelo


sistema de normas jurídicas que definem os
10) Direito Fiscal
impostos e o respetivo montante a pagar pelos
cidadãos e pelas empresas ao Estado e aos entes
públicos menores, e que asseguram a proteção
dos direitos dos contribuintes perante a
11) Direito Processual
Administração tributária, e desta perante estes.

l) É o ramo do direito público que disciplina a forma de


resolução dos litígios em tribunal, regulando a tramitação
processual dessa resolução.

f) É o ramo do direito público que fixa as regras


a observar por todos os servidores da coisa
pública na arrecadação, contabilidade e gasto do
dinheiro dos contribuintes.

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Casos práticos
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Casos práticos sobre a interpretação, integração e aplicação da lei

Responda, fundamentadamente, às seguintes questões:


1 – Pronuncie-se sobre o objetivismo e o subjetivismo na interpretação da lei e diga o
que o legislador civilista estipulou a este respeito.
2 – Comente a seguinte afirmação: “Apesar da instante justificação da analogia, há
certos casos em que considerações fortes a excluem”
3 – Distinga e relacione normas especiais, normas excecionais, analogia.

Caso prático 22
O Ministro das Atividades Económicas e do Trabalho interpretou uma norma contida
na Regulamentação do Código do Trabalho (Lei n.º35/2004, de 29 de julho), através de uma
portaria. Caracterize e discuta o valor deste ato interpretativo

Caso prático 23
Tendo surgido dúvidas sobre o significado da expressão "danos significativos no
ambiente, em virtude de ação especial perigosa" constante do art. 41º da Lei de Bases do
Ambiente, veio o Secretário de Estado do Ambiente, através de despacho dispor o seguinte:
"Por danos significativos no ambiente e ação especialmente perigosa deve entender-
se qualquer ação que cause ou possa causar lesões irreversíveis nos ecossistemas ou que
ponha em perigo vidas humanas".
1 - Qual a validade interpretativa deste ato?
2 - Suponha que não existia o referido despacho e que o tribunal, pela aplicação do
citado preceito, condenava uma fábrica local por ter depositado lixo tóxico no rio da região,
prejudicando gravemente a fauna e flora ali existente. Qual o valor interpretativo a atribuir à
sentença descrita?

Caso prático 24
Em 04/01/10 foi publicado um Decreto-Lei que apresentava como objetivo reduzir os
níveis de poluição sonora junto dos estabelecimentos de saúde, produzida em particular pelos
motociclos e que continha o seguinte artigo único:
Art. 1.º
É proibida a circulação de veículos de duas rodas a menos de 500 metros de distância
dos hospitais.

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Casos práticos
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André, que em 18/01/10 circulava junto da Clínica Médico-Cirúrgica X, foi


interpelado por Bento, porteiro daquela instituição hospitalar, que dando-lhe conhecimento do
predito diploma o intimou a descer da bicicleta.
André recusou-se a fazê-lo e Bento, irritado força André a descer da bicicleta, altura
em que André com um empurrão atira Bento para o chão, o que provocou uma fratura no seu
braço.
1 – Tendo em conta os elementos e os resultados da interpretação, diga qual o
verdadeiro sentido do diploma publicado.
2 – Comente a situação descrita no último parágrafo.

Caso prático 25
No Tribunal Judicial de Leiria, no diferendo que opõe Afonso a Bernardo, o juiz
proferiu o seguinte despacho:
“Por não ter encontrado no ordenamento jurídico português nenhuma norma reguladora da
questão, decido não tomar posição sobre o assunto”.
Fundamentando a sua resposta, diga se concorda com o predito despacho.

Caso prático 26
Em setembro de 2011, Belmiro, funcionário da Secção de Obras da Câmara Municipal
de Leiria, recebeu de Carlos o montante de 1.000 € para, em contrapartida, diligenciar com
particular rapidez um processo de licenciamento de obra.
Na data em que os fatos foram praticados estava em vigor o art. 373.º do Código
Penal, sob a epígrafe, “Corrupção passiva para ato lícito”, que previa, para sua punição, uma
pena de prisão até dois anos ou uma pena de multa até 240 dias. Sucede que a Lei n.º 32/2011,
de 14 de novembro, veio alterar tal dispositivo, passando a prever, para os mesmos factos,
uma pena de prisão até cinco anos ou uma pena de multa até 600 dias.
1 – Identifique o ramo do Direito regulador dos factos descritos? Este ramo integra-se
no Direito Público ou no Direito Privado?
2 – Sabendo que os factos praticados por Belmiro apenas foram sujeitos à apreciação
do Tribunal em janeiro de 2011, diga qual foi a lei aplicável ao caso.
3 – Poderia tal dispositivo ser aplicável analogicamente?

Caso prático 27
César, milionário e sócio do Benfica, descobriu que tem um tumor maligno e que lhe
resta pouco tempo de vida. Decidiu então fazer um testamento público, em janeiro de 2006,

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Casos práticos
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do qual consta uma disposição a favor do seu amigo David, que desde há vários anos o
acompanha nas suas idas aos jogos no estádio da Luz. Esta disposição está redigida nos
seguintes termos:
“Lego ao meu amigo David a minha camisola autografada pelo Eusébio no caso de o
Benfica ser campeão nacional neste ano ou no próximo. A camisola ficará para o meu filho
Eugénio, se o David não a quiser”.
Duas semanas antes do óbito de César, e em virtude dos escândalos ligados ao futebol,
o legislador resolve aditar ao art. 2232.º do Código Civil a proibição de fazer depender o
direito de herdar de condições dependentes dos resultados desportivos.
1 – Este aditamento tem alguma implicação na posição jurídica de César?
César falece em agosto de 2009 e o Benfica foi campeão. No dia marcado pelo notário
para abertura do testamento, Eugénio interpela David à entrada do Cartório, propondo-lhe
pagar 1500 € para abdicar, a seu favor, do direito a receber a camisola. Perante a recusa
terminante de David, Eugénio, exaltado, desfere-lhe um poderoso soco no abdómen. David
ainda responde com um empurrão com uma mala que abre o sobrolho de Eugénio, mas, com o
segundo soco daquele, David perde o equilíbrio e cai desamparado no chão, sofrendo um
traumatismo craniano que lhe provoca morte instantânea. Eugénio entra imediatamente no
Cartório e propõe-se receber a camisola, argumentado que David não a quer.
2 – Que comentários lhe merece o sucedido e que sanções considera poderem ser
aplicadas a Eugénio em virtude do seu comportamento?

Caso prático 28
André (A), residente nas Caldas da Rainha, contratou em dezembro de 2006 os
serviços da sociedade Bipcabo SA (B), fornecedora de televisão por cabo e linha telefónica. À
data da celebração do contrato, a atividade do fornecimento daqueles serviços era regulada
pelo DL X/2001, de 20 de maio. O referido DL X determina que a faturação do serviço deve
realizar-se mensalmente, mas nada dispõe sobre o modo de celebração do contrato, pelo que A
e B optaram por celebrá-lo verbalmente.
Entretanto, em 10 de novembro de 2010, foi publicado o DL Y, sem indicar a data de
entrada em vigor, que, tendo por objeto a atividade de fornecimento daqueles mesmos
serviços, dispõe que (i) o contrato de fornecimento de televisão por cabo e linha telefónica
deve ser celebrado por escrito e que (ii) a faturação deve ser detalhada, se o cliente o solicitar.
Tendo experimentado vários dias de sinal televisivo de má qualidade e quebras de
linha telefónica que o impediram de telefonar diversas vezes, e deparando com a recusa
constante por parte de B de apresentação de faturas detalhadas, A pretende agora saber:

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 18

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Casos práticos
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a) Se o facto de o contrato ter sido celebrado verbalmente afeta a sua validade


considerando o que dispõe o DL Y;
b) Se pode exigir a entrega de faturas detalhadas e, em caso afirmativo, desde quando.
Como lhe responderia?

Caso prático 29
Carlos e Dina casaram há 40 anos.
1 – Sabendo que a lei vigente à data da celebração do casamento atribuía em exclusivo
ao marido a administração tanto dos bens comuns do casal como dos bens próprios da mulher
e que a lei atual atribui a cada em dos cônjuges a administração dos seus bens próprios e a
ambos os cônjuges, em conjunto, a administração dos bens comuns, diga se Dina pode vender
a produção de laranjas de um pomar do qual é exclusiva proprietária.
2 – Poderá Dina pedir o divórcio com fundamento em adultério de Carlos, sabendo-se
que a lei atual prevê o adultério como causa do divórcio, mas que a lei vigente à data da
celebração do casamento o previa como fundamento unicamente invocável pelo marido?

Caso prático 30
A e B casaram com 16 anos em agosto de 2007, tendo obtido, para o efeito, o
necessário consentimento dos pais.
Suponha que em dezembro de 2009 entra em vigor uma lei que introduz as seguintes
modificações ao regime de casamento:
a) Revogando o art. 1601.º, al. a), do CC, a idade mínima para casar passa a ser 21
anos, sob pena de invalidade, estabelecendo a lei o regime desta invalidade;
b) Alterando os arts. 1775.º e seguintes do CC, deixa de ser permitido o divórcio por
mútuo consentimento, caso os cônjuges tenham filhos.
Considerando que A e B têm dois filhos, discute-se a validade do seu casamento à luz
do requisito referente à idade e, caso se conclua pela validade do casamento, discute-se ainda
a possibilidade de A e B se divorciarem por mútuo consentimento.
Pronuncie-se, justificadamente, acerca de cada uma das questões suscitadas.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 19

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Casos práticos
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Identifique os elementos estruturantes da norma ínsita no art. 1320º do Código Civil


e justifique a sua resposta.

A norma jurídica, enquanto elemento constituinte do conceito de direito, é constituída


por três elementos estruturantes, a saber, a previsão também designada por “tipo legal”,
“hipótese normativa” ou factispécie, a estatuição e a sanção, que deve ser antes entendida
como elemento do sistema jurídico, dado que será apenas elemento estruturante da chamada
norma completa ou perfeita.

O presente exercício impõe-nos a identificação dos mencionados elementos


estruturantes da norma ínsita no art. 1320º, pelo que para cumprirmos tal tarefa urge, em
primeiro lugar, dizermos o significado de cada um, para depois, considerando as definições
dadas, podermos identificar os elementos da norma apresentada.

Assim, a previsão pode ser definida como a representação de uma situação futura ou
estado de coisas que se pretende regular; quando essa situação futura e incerta ou estado de
coisas passar do campo da hipótese possível, para o campo do realmente acontecido, há de ser
aplicado um comando determinando uma conduta ou um resultado jurídico, comando esse a
que chamaremos estatuição; finalmente, a sanção é a consequência da violação da estatuição.
Posto isto, passemos à análise do art. 1320º do Código Civil.
1."Os animais bravios habituados a certa guarida, ordenada por indústria do homem,
que mudem para outra guarida de diverso dono (previsão), ficam pertencendo a este
(estatuição) se ou não puderem ser individualmente reconhecidos (complemento da previsão);
no caso contrário (complemento da previsão), pode o antigo dono recuperá-los, contanto que
o faça sem prejuízo do outro (estatuição).

2."Provando-se, porém, que os animais foram atraídos por fraude ou artifício do dono
da guarida onde se hajam acolhido (previsão), é este obrigado a entregá-lo ao antigo dono
(estatuição) ou a pagar-lhe o triplo do valor deles, se não for possível restituí-los" (sanção).

O nº1 do citado artigo prevê uma situação abstrata, que poderá verificar-se (ou não)
em algum momento, ou seja, contém uma previsão: um animal bravio, que não possa ser
reconhecido na sua individualidade, sai do prédio de alguém para se albergar no prédio de
outra pessoa.

Tal é o caso de, por exemplo, alguns coelhos que viviam numa herdade do Sr. Alberto
fugirem para a herdade do Sr. Bento.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 20

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Casos práticos
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Nesse caso, ou seja, caso se verifique efetivamente a situação prevista, estatui a norma
um resultado, um efeito jurídico, isto é, contém a norma uma estatuição: a transferência da
propriedade dos coelhos do Sr. Alberto para o Sr. Bento, que passa a ser dono deles.

Se o animal puder ser reconhecido na sua individualidade (complemento da previsão),


estatui a norma que o antigo dono pode recuperá-los (estatuição), ou seja, pode o sr. Alberto
recuperar os coelhos.

O n.º2 do mesmo artigo prevê nova hipótese: o animal muda de guarida na sequência
de manobras artificiosas do dono da guarida procurada pelo animal, sendo esta a previsão.
Nesse caso, concretizada a previsão, é imposta uma conduta: devolver o animal ao dono da
guarida primitiva (estatuição). Não se verificando tal conduta, ou seja, se o animal não for
devolvido, surge, como consequência, a obrigação de pagamento do triplo do valor do animal,
obrigação essa que é a sanção desta norma jurídica, dado que a conduta estatuída não foi
observada.

Em conclusão, podemos referir que a norma apresentada é uma norma completa ou


perfeita, uma vez que contém os três elementos da norma jurídica por nós estudados.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 21

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Casos práticos
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Caso prático sobre a Proteção Coativa


Adérito encontrava-se no parque da cidade, por volta das 23 horas, quando foi
agredido por Bruno, que lhe rasgou a camisola quando procurava roubar-lhe a carteira.
Adérito, cinturão negro, desferiu alguns golpes sobre Bruno, que o deixaram
gravemente ferido e sem sentidos.
Aprecie a situação e diga quais as sanções aplicáveis.

Resolução
O direito, enquanto sistema de normas jurídicas, surge como um elemento
fundamental de ordenação da vida em sociedade, que garante uma vivência comum pacífica e
harmónica.

Porém e tal como estudámos, o homem não se encontra sujeito forçosamente a acatar
as referidas normas de comportamento, dado que é um ser livre. Mas, para garantirmos uma
pacífica convivência em sociedade, torna-se necessário que o comando das normas jurídicas
seja generalizadamente cumprido. Posto o que se compreende que as normas jurídicas sejam
passíveis de imposição pela força se não forem cumpridas voluntariamente.

Assim, não basta que essas normas existam enquanto regras de conduta da vida social,
é necessário ainda que essas normas sejam eficazes, isto é, que se garanta a eficácia e o
respeito das normas jurídicas pelos seus destinatários, mesmo contra a sua vontade.

Ora, definindo-se o Direito como o “sistema de normas de conduta social, assistido de


proteção coativa”, concluímos que é precisamente o elemento proteção coativa que assegura
o cumprimento das normas jurídicas, se necessário pela força, quer posteriormente à violação
da estatuição das normas, quer em momento anterior a essa violação. Daí que possamos falar
em proteção repressiva e proteção preventiva, respetivamente.

Mas quem pode exercer tais atos de coerção, quer sancionatórios, quer preventivos?

Nas sociedades hodiernas, os atos de coerção competem a entidades públicas:


Administração Pública e Tribunais. Cabe, portanto, em princípio, a entidades públicas a
realização dos atos destinados a prevenir ou a sancionar os atos ilícitos. Porém, a título
subsidiário, pode o titular do interesse protegido pela norma agir, autotutelando tal interesse
ou prevenindo a sua violação.

Assim, consoante a qualidade do agente protetor das normas jurídicas, a proteção


coativa ou meios de tutela do direito podem ser a justiça privada, autotutela ou tutela privada
do direito e justiça pública, heterotutela ou tutela pública do direito.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 22

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Casos práticos
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A este respeito estabelece o art. 1º do Código de Processo Civil o princípio geral da


proibição da autodefesa, que consagra a justiça pública como a regra e a justiça privada
como exceção apenas legalmente admissível nos casos e dentro dos limites da lei.

No caso sub iudice, Bruno ofendeu a integridade física e o património de Adérito, pelo
que este, para o impedir de continuar a atividade criminosa e autotutelar a sua própria
integridade física e património, defendeu-se desferindo-lhe alguns golpes judocas.

Neste contexto, coloca-se a questão de saber se a ofensa à integridade física de Bruno


é válida e lícita face à lei.

Conforme se referiu, a conduta de Adérito só será lícita se subsumir a algum dos casos
de autotutela dos direitos especialmente previstos na lei.

Assim, analisando os casos previstos na lei, concluímos que o que pode tornar lícito o
comportamento de Adérito é a legítima defesa consagrada no art. 337º do Código Civil,
doravante designado abreviadamente C.C., nos termos da qual pode tal conduta ser justificada
e, portanto, lícita.

Contudo, para assim suceder teremos de verificar a existência cumulativa dos


requisitos legais enunciados no artigo supracitado.

E de facto, Adérito atuou da forma descrita para afastar uma agressão ilegal, contrária
à lei que tutela a integridade física e a propriedade de cada um; atual, uma vez que a agressão
estava em execução; sendo impossível recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais; e
pode colocar-se a questão de saber se o prejuízo causado pelo ato não foi manifestamente
superior ao que decorre da agressão.

Assim e se entendermos que o prejuízo que resultou da agressão – ferimentos graves –


não foi manifestamente superior ao que decorria do roubo, a conduta de Adérito é lícita ao
abrigo do art. 337º do C.C. e da figura da legítima defesa.

No que concerne às sanções aplicáveis ao caso em análise, podemos referir que Bruno
incorreria em diversas sanções materiais, que, tal como estudámos, se refletem na prática
material de vários atos.

Deste modo, relativamente à camisola rasgada, Bruno seria obrigado a colocar Adérito
na situação em que estaria se não tivesse ocorrido a lesão, ou seja, seria obrigado a comprar
uma nova camisola, devolvendo-a a Adérito, tal como dispõe o art. 562º do C.C. Com efeito,
sempre que o cumprimento coativo não seja possível, tem lugar a reintegração, repondo-se,
em princípio, as coisas no estado em que as mesmas existiriam se a norma não tivesse sido

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 23

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Casos práticos
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violada e nesse caso será aplicável a sanção material reintegradora por reconstituição
natural.

Por outro lado, Bruno cometeu um ilícito criminal, pelo que não sendo possível o
cumprimento coativo, dado não ser possível retrotrair no tempo não violando a norma, uma
vez que a conduta já foi consumada e dado ainda não ser possível reintegrar a situação de não
violação da norma, terá lugar a reparação, que se vai traduzir na imposição de um sacrifício
ao infrator da norma, como contrapartida da violação da mesma, e na concessão de uma
satisfação ao lesado. Deste modo, será aplicada a Bruno uma sanção compensatória na forma
de pena criminal, nos termos do Código Penal, e eventualmente uma sanção compensatória
por danos não patrimoniais sofridos por Adérito como consequência da agressão contra si
perpetrada, tal como prescreve o art. 496º do C.C.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 24

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Casos práticos
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Caso prático sobre a relação jurídica e as sanções jurídicas


António, nascido em 23 de julho de 1992, praticou os seguintes atos jurídicos:
1. Em março de 2009, trocou de motorizada com Bernardo, tendo realizado um bom
negócio;
2. Em novembro ainda do mesmo ano, vendeu a Carlos um computador, que havia
comprado dois meses antes, com dinheiro ganho a trabalhar como "barman" de uma
discoteca;
3. Em meados de dezembro daquele ano, doou a Dalila um relógio antigo, de coleção,
em ouro, que havia herdado do avô.
Apenas em janeiro do presente ano, os pais tiveram conhecimento dos atos descritos.
1 — Aprecie os atos praticados por António, dizendo qual a sanção aplicável e por
quem é arguível.
2 — E se, em início de dezembro de 2009, António se tivesse casado com Eduarda,
sem autorização dos seus pais, qual o valor do último ato praticado por António?

Resolução
1 - O direito, tal como estudámos, é um sistema de normas de conduta social, ou seja,
regula a conduta humana não isoladamente, mas em relação com os outros homens. O direito
regula, portanto, as relações entre os homens: as relações jurídicas.
Efetivamente, a relação jurídica, que pode ser definida como toda a relação da vida
social disciplinada pelo direito e que consiste na atribuição a um sujeito de um direito
subjetivo e na adstrição de outro sujeito a uma vinculação jurídica, implica sempre a
intervenção de pelo menos dois sujeitos: o sujeito ativo e o sujeito passivo.
Com efeito, a relação jurídica é travada entre sujeitos, que poderão ser pessoas
singulares ou pessoas coletivas e que têm aptidão para serem titulares de direitos e obrigações,
ou seja, são dotados de personalidade jurídica. No caso em análise, as diversas relações
jurídicas estabelecem-se entre António e outras pessoas singulares.
Ora, acontece que António, apesar de ser dotado de capacidade de gozo – que pode ser
definida como a medida de direitos e vinculações de que uma pessoa é suscetível de ser titular
– padece, porém, da incapacidade de exercício dos seus direitos, ou seja, está incapacitado de
exercer por si, pessoal e livremente, os seus direitos e vinculações.
De facto, António é menor por não ter completado dezoito anos de idade, tal como
prescreve o art. 122º do Código Civil, doravante designado abreviadamente CC., carecendo,
por este motivo, da capacidade para o exercício de direitos, de acordo com o estatuído no art.

Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 25

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Casos práticos
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123º do mesmo diploma. Assim, os atos praticados pelo menor sem suprimento da sua
incapacidade estão feridos de anulabilidade, arguível nos termos do art. 125º do CC.
Efetivamente, tal como estudámos no contexto temático da proteção coativa, esta pode
assumir a forma de sanção material ou sanção jurídica, sendo que a sanção jurídica se destina
a produzir efeitos práticos e que relevam no plano jurídico, isto é, estaremos perante uma
sanção jurídica quando, com a violação de uma norma jurídica, as partes pretendiam a
produção de efeitos jurídicos pela celebração de negócios jurídicos. De acordo com o que
estudámos, a sanção jurídica tem como principal consequência a invalidade do negócio, ou
seja, o negócio existe mas não produz os efeitos jurídicos que as partes pretendiam que
produzisse e pode assumir duas formas: a nulidade, prevista no art. 286º, e a anulabilidade,
estatuída no art. 287º, ambos do CC.
In casu os atos praticados pelo menor estão feridos de anulabilidade, por este motivo
produzem efeitos embora precariamente, uma vez que a sua produção depende da não
arguição da anulabilidade dos negócios por quem tenha legitimidade e no prazo de um ano, tal
como estabelece o art. 125º do CC. Assim, nos termos da al. a) do nº1 do referido art. 125º,
seria o poder paternal, ou seja, os pais, quem tinha legitimidade para arguir a anulabilidade,
no prazo de um ano a contar do conhecimento dos negócios impugnados, ou seja, até janeiro
de 2011 os pais de António podiam intentar a ação de anulação. Porém, como António atinge
a maioridade a 23 de julho de 2010, os pais de António só podiam arguir a anulabilidade até
esta data e não até janeiro de 2011, uma vez que a anulabilidade não pode ser arguida depois
de o menor atingir a maioridade ou ser emancipado, tal como estabelece a parte final do art.
125º, n.º1, al. a), do CC. Também o menor podia arguir a anulabilidade, no prazo de um ano a
contar da sua maioridade, tal como prevê a al. b) do n.º1 do art. 125º do CC.
Em alternativa, os pais poderiam confirmar os negócios celebrados por António, tal
como prescreve o n.º2 do art. 125º.
Podemos, porém, referir que o segundo negócio celebrado, isto é, a compra e venda do
computador consubstancia uma das exceções à incapacidade do menor prevista na al. a) do
n.º1 do art. 127º, visto tratar-se de uma compra e venda realizada com património proveniente
do seu trabalho, sendo por este motivo válida.
2 - Se, em dezembro de 2009, António tivesse casado com Eduarda, seria emancipado
pelo casamento, tal como estabelece o art. 132º, pelo que, nos termos do art. 129º, a sua
incapacidade cessava, sendo válidos os negócios por ele celebrados.
Todavia, visto que António não obteve a autorização dos pais para casar, continua, nos
termos do art. 1649º do CC., a ser considerado menor quanto à administração dos bens que

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leve para o casamento ou que posteriormente lhe advenham a título gratuito até à maioridade.
Assim, a doação por ele realizada a Dalila seria anulável, nos termos do art. 125º do CC.

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Caso prático sobre a interpretação da lei


Alexandre vem sendo, há longas semanas, acordado a meio da noite por chamadas
telefónicas feitas por alguém que invariavelmente lhe pergunta se costuma dormir bem.
Tendo reconhecido a voz de Bruno, quer saber se pode apresentar queixa-crime contra
ele, com fundamento no art. 100º do Decreto-lei n.º400/97, de 14 de abril (Código Penal), nos
termos do qual “quem se introduzir na habitação de outra pessoa, contra a vontade expressa
ou presumida de quem de direito, ou nela permanecer depois de intimado a retirar-se será
punido com pena de prisão até 120 dias”.
Para o efeito, invocou o Decreto Regulamentar 11/99, de 12 de janeiro que esclarece
que a expressão “introduzir-se na habitação” deve ser entendida como toda a violação da
privacidade do domicílio, haja ou não presença física por parte do agente.
1 – Considere o tipo de interpretação que foi efetuada pelo referido Decreto
Regulamentar.
2 – Suponha que não existia o referido Decreto Regulamentar e que era consultado um
professor catedrático de Direito Penal, que emitiu um parecer sobre o sentido daquele artigo.
Que valor deve ser atribuído a este parecer no que concerne à interpretação do citado
preceito do Código Penal?

Resolução
1 – O presente caso prático reconduz-nos ao tema da interpretação da lei.
Na verdade, toda a disposição legal é constituída por um conteúdo, integrado por um
conjunto mais ou menos vasto de palavras ou dizeres que exprimem o pensamento do
legislador, cujo significado plúrimo determina a necessidade de analisar o texto da lei para
determinar o sentido com que as palavras foram usadas e o pensamento que quiseram
transmitir.
Assim, a tarefa de interpretação da lei traduz-se na atividade de determinação ou
fixação do sentido e alcance da lei, ou seu entendimento ou compreensão, isto é, na
determinação do exato e pleno conteúdo do pensamento nele contido, de acordo com um
conjunto de regras que se denomina técnica ou método de interpretação.
Importa, pois, determina ou fixar o exato sentido e alcance de uma norma para aplicar
a lei.
Ora, existem várias espécies de interpretação de acordo com diversos critérios.
Quanto ao critério do agente ou da sua fonte e valor, isto é, de acordo com o agente
da interpretação ou qualidade do intérprete, a interpretação pode ser legal, judicial ou

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doutrinal, divergindo o respetivo valor. A interpretação legal pode ainda subdistinguir-se em


interpretação autêntica e interpretação oficial.
A interpretação autêntica é feita pelo legislador através de uma nova lei,
nomeadamente por lei de valor hierárquico igual ou superior ao valor da norma que se
interpreta (lei interpretada), designando-se tal lei por lei interpretativa, cuja função é fixar
decisivamente o sentido de outra lei anterior na qual se integra. Com efeito, a lei interpretativa
integra-se na lei interpretada (vide art. 13º, n.º1, do Código Civil).
No que respeita ao seu valor, a interpretação autêntica é vinculativa mesmo que esteja
errada: se a interpretação da lei interpretativa for correta, há uma verdadeira interpretação; se
eventualmente alterar o sentido da lei interpretada, revoga-a, continuando a vigorar a lei
interpretativa.
Ora, neste caso o Decreto Regulamentar do Governo, tendo um valor hierárquico
inferior ao da norma que se interpretou, um artigo de um Decreto-Lei, logo concluímos que
não se trata de interpretação autêntica.
A interpretação oficial é a que é feita por lei de valor hierarquicamente inferior ao
valor da norma interpretada, tendo o seu valor vinculativo restrito à cadeia hierárquica
subordinada ao órgão criador da lei interpretativa (relação Ministros/subordinados do
respetivo ministério).
Porém, essa vinculatividade restringe-se a esse âmbito, ou seja, a interpretação oficial
não vincula os tribunais nem os demais destinatários da norma.
Desde logo, a interpretação efetuada pelo Decreto Regulamentar do Governo, podia
tê-lo sido porque esse decreto foi emanado ao abrigo da competência regulamentar do
Governo, ou poder legislativo em sentido amplo.
Efetivamente, o Governo é o principal órgão com poder regulamentar a quem
“compete, no exercício de funções administrativas fazer os regulamentos necessários à boa
execução das leis”, mediante, entre outros, emissão de Decretos Regulamentares, que são
promulgados pelo Presidente da República.
Os Decretos Regulamentares destinam-se a possibilitar a aplicação ou execução da
norma, isto é, regulam a execução das leis gerais, devendo indicar expressamente as leis que
visam regulamentar ou que definem a competência subjetiva e objetiva para a sua emissão, tal
como determina o art. 112º, n.º7, da Constituição da República Portuguesa, daqui em diante
designada pela abreviatura C.R.P.
Acrescente-se que os Regulamentos revestem a forma de Decreto Regulamentar
quando tal for determinado pela lei que regulamentam, e quando se trate de regulamentos
independentes (art. 112º, n.º6, da C.R.P.).
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Pelo facto de os Decretos Regulamentares serem promulgados pelo Presidente da


República e as Resoluções do Conselho de Ministros e as Portarias não o serem, os primeiros
têm valor hierárquico superior em relação aos segundos e, dentro deste, a Resolução prevalece
sobre a Portaria.
Assim sendo, a interpretação que o Decreto Regulamentar do governo fez do artigo do
Código Penal é uma interpretação oficial, porque é feita por uma lei de valor hierárquico
inferior ao Decreto-Lei.
Pelo que e tal como já referimos, essa interpretação não pode vincular os tribunais e
fundamentar a apresentação de queixa-crime contra Bruno.
2 – No que respeita à interpretação do artigo do Código Penal efetuada por meio de
um douto parecer de um professor catedrático, atendendo à qualidade deste, trata-se de uma
interpretação doutrinária, doutrinal ou particular, porque não é feita, por exclusão de
partes, por lei de valor hierárquico superior, igual ou inferior ao da lei que se interpreta, nem
pelos tribunais, no âmbito de um processo concreto, sendo, portanto, interpretação feita por
jurista.
Esta interpretação não tem qualquer força vinculativa, mas tão só valor de facto e
persuasivo, resultante da exatidão dos princípios em que se baseie, da razão que o intérprete
demonstre ter (da sua lógica argumentativa), e do prestígio do intérprete seu autor.
Pelo que, muito menos tal interpretação poderia fundamentar a acusação contra Bruno.

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