Exemplos Casos Práticos
Exemplos Casos Práticos
Casos práticos
- Enunciados
- Resolvidos
Casos práticos
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1 – O direito de usufruto, previsto nos arts. 1439.º e ss. do Código Civil, é direito
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 1
Casos práticos
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Casos práticos
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ter chegado uma hora antes. Dário, por sua vez, recusa-se a entregar o automóvel enquanto
César não proceder ao pagamento do serviço.
5 – Guilherme celebra um contrato com Helena, nos termos do qual se obriga a matar
o marido daquela mediante o pagamento de €7000.
Contudo, tal negócio é contrário à ordem pública nos termos do art. 280º do C.C.
6 – Irene com 15 anos vende o seu computador a João, sendo que esse negócio é
anulável nos termos dos arts. 122º a 125º do C.C.
7 – Em ação intentada por Luís contra a sua entidade patronal, o tribunal condenou
esta entidade a pagar ao primeiro a quantia de € 25 por cada dia que aquela não ocupasse Luís
com trabalho.
1 – O que entende por Justiça, que relação há entre ela e o Direito, e como se diferencia da
Equidade?
Casos práticos
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6 – André encarregou Bruno de transportar o seu automóvel do Porto até Faro. Após a
realização do transporte, André recusa-se a pagar o serviço, argumentando que Bruno deveria
ter chegado uma hora antes. Bruno, por sua vez, recusa-se a entregar o automóvel enquanto
André não proceder ao pagamento do serviço. Indique a sanção presente na situação descrita e
diga em que consiste.
Caso prático 1
Amílcar, solicitador de execução, aquando da promoção de diligências no âmbito de
um processo executivo, por negligência, partiu uma estatueta do séc. XIX pertencente a
Bernardo.
Nessa mesma data, Amílcar foi o agente de execução numa ação executiva para
entrega de um colar de esmeraldas, que, por herança, coube a Catarina, mas que se encontrava
na posse de Dalila, que, por sua vez, se recusava a devolvê-lo.
Já no início desta semana, Amílcar tomou conhecimento que lhe fora aplicada a pena
de censura, prevista no art. 142.º, n.º1, al. b), do Estatuto dos Solicitadores, em virtude de ter
insultado um colega, desrespeitando, deste modo, o estatuído no art. 109.º, al. h), do mesmo
diploma.
Identifique, fundamentadamente, as sanções presentes no caso enunciado.
Caso prático 2
António Alves, pintor de renome, compromete-se a pintar o retrato da mulher de Bento
Bernardes até 30 de dezembro de 2009, destinando-se o quadro a constituir um presente de
Natal para a predita senhora.
Em dezembro, António Alves ainda não acabara o quadro, pelo que Bento Bernardes
move contra aquele uma ação de cumprimento do contrato, pedindo ao tribunal que o
condene, por cada dia de atraso, no pagamento da quantia de €50.
António Alves alega não ter inspiração e indica um pintor seu amigo para finalizar o
quadro.
Quid iuris?
Caso prático 3
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 4
Casos práticos
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Caso prático 4
André e Beatriz, regressando a casa depois de uma noitada num bar de Leiria,
despistaram-se e colidiram frontalmente com um veículo pesado que era conduzido por
Crespo.
Após a colisão, Crespo, que havia ficado ileso, viu-se obrigado a arrombar a porta de
um restaurante que se encontrava próximo, a fim de poder utilizar o telefone para chamar uma
ambulância.
O proprietário do restaurante, Dário, que morava numa habitação por cima do mesmo,
apercebendo-se da invasão, tenta impedir Crespo de se introduzir na sua propriedade,
acertando-lhe com uma frigideira na cabeça, o que o fez perder os sentidos.
Posteriormente, concluiu-se que André, condutor do veículo ligeiro, apresentava 1,6º
de álcool no sangue.
Art. 292º, n.º1, do Código Penal
“Quem, pelo menos por negligência, conduzir veículo, com ou sem motor, em via
pública ou equiparada, com uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 1,2 g/l, é
punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave
lhe não couber por força de outra disposição legal.”
Aprecie a situação e diga quais as eventuais sanções aplicáveis.
Caso prático 5
Ana, casada sob o regime de comunhão de adquiridos com Bernardo, atravessa uma
fase difícil no casamento. Certo dia, após acesa discussão, Bernardo decidiu sair
definitivamente de casa, mas não sem antes levar todos os seus alegados pertences. Acontece
que, preparando-se Bernardo para levar as joias que lhe havia oferecido, Ana procura impedi-
lo, rasgando os pneus do carro. Bernardo, perante o sucedido, sai do carro e começa a agredir
Ana, que foge para o quintal do vizinho em busca de socorro. Carlos ia a passar junto à casa
do vizinho e corre em auxílio de Ana. Para obstar às investidas de Bernardo, Carlos pega num
valioso pote chinês do vizinho e parte-o na cabeça de Bernardo.
Casos práticos
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Caso prático 6
Afonso, ao regressar do trabalho, cerca da meia-noite, é assaltado por Bernardo, que
lhe tira a carteira e o relógio.
Afonso, que habitualmente andava armado, defende-se, disparando sobre Bernardo e
atingindo-o no peito. Em consequência do disparo, Bernardo perdeu os sentidos, ficando
gravemente ferido.
Quando se apercebe do sucedido, Afonso arromba a porta de uma loja de vestuário que
se encontrava próxima, a fim de usar o telefone, para chamar uma ambulância.
Bernardo veio a morrer pouco tempo depois.
Caso prático 7
No dia 1 de abril, Guilherme encontra a sua namorada, Henriqueta, prostrada na rua
onde ela morava. Após várias tentativas de a reanimar e não dispondo de veículo próprio,
Guilherme decide levar o automóvel do vizinho Ivo, que se encontrava ausente, pois sabia
onde ele costumava guardar as chaves. Assim, arrombou a porta, retirou as chaves do
respetivo automóvel e conduziu Henriqueta ao hospital. Guilherme ignorava, porém, que o
referido automóvel carecia de reparações urgentes no motor, pelo que a meio da viagem o
automóvel parou com sérias danificações. Cansada de fingir, Henriqueta levanta-se e grita
“Mentira!”.
Quid iuris?
Caso prático 8
Hugo tem inveja de Ivo, porque este tem tudo o que um homem sonha. Um dia,
quando soube que Ivo ganhara o Euromilhões, ficou possesso e passeando com o seu
Doberman dá-lhe instruções para aquele matar Ivo. O cão precipita-se sobre Ivo, que
costumava andar munido de arma, por se tratar de um bairro ultimamente deveras inseguro, e
dispara sobre o cão, matando-o.
Quid iuris?
Caso prático 9
Casos práticos
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João, ao entrar em casa, verificou que a sua irmã Luísa, que com ele coabitava, se
encontrava inanimada por intoxicação de gás. Não dispondo, nessa altura, de veículo próprio
e encontrando-se próximo um veículo de um vizinho, arrombou a porta de casa deste retirou
as chaves do carro, que sabia onde estavam, e conduziu a irmã ao hospital.
Parece-lhe lícito o comportamento de João?
Caso prático 10
Num ato de desespero, Carla decide por fim à sua angustiante vida.
Quando se prepara para disparar a arma na região temporal da cabeça, irrompe Daniel
pelo quarto dentro, agarrando-a e agredindo-a, instintivamente, com o objetivo de pôr fim aos
seus intentos.
Atordoada com o sucedido, Carla corre intempestivamente para a rua. Nesse
momento, vinha a passar Eduarda, de regresso a casa, conduzindo o seu veículo automóvel.
Não tendo a possibilidade de parar, prefere chocar com um carro estacionado do que atropelar
Carla.
Quid iuris?
Casos práticos
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Caso prático 11
César, nascido a 01/09/94, praticou, sem o consentimento de seus pais Dalila e
Eduardo, mas com o conhecimento imediato destes, os seguintes atos:
a) No dia 01/07/11 vendeu a Filipe, pela cotação na bolsa, um lote de ações da
EDP, que herdara do seu avô no dia 01/06/09;
b) No dia 12/10/11, vendeu a Guilherme um terreno que o seu tio lhe doara,
falsificando o seu bilhete de identidade de modo a constar como ano do seu
nascimento “1990”, com o exclusivo intuito de convencer Guilherme a
comprar.
Após explicar o que entende por relação jurídica, diga, fundamentadamente, se Dalila e
Eduardo poderão, na presente data, invalidar cada um dos atos praticados?
Caso prático 12
António, nascido em 23 de julho de 1992, praticou os seguintes atos jurídicos:
1. Em março de 2009, trocou de motorizada com Bernardo, tendo realizado um bom
negócio;
2. Em novembro ainda do mesmo ano, vendeu a Carlos um computador, que havia
comprado dois meses antes, com dinheiro ganho a trabalhar como "barman" de uma
discoteca;
3. Em meados de dezembro daquele ano, doou a Dalila um relógio antigo, de coleção,
em ouro, que havia herdado do avô.
Apenas em janeiro do presente ano, os pais tiveram conhecimento dos atos descritos.
1 — Aprecie os atos praticados por António, dizendo qual a sanção aplicável e por
quem é arguível.
2 — E se, em início de dezembro de 2009, António se tivesse casado com Eduarda,
sem autorização dos seus pais, qual o valor do último ato praticado por António?
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 8
Casos práticos
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Caso prático 13
A Lei 1 foi publicada a 1 de março, para entrar em vigor a 1 de maio. A Lei 2 foi
publicada a 5 de março, sem indicar quando entraria em vigor. A Lei 3 foi publicada a 9 de
março, para entrarem vigor “vinte dias após a sua publicação”. Sendo as três incompatíveis,
em que períodos é que cada uma delas vigorou ou vigora?
Nota bem: Acentue-se que, tal como escreveu Galvão Telles, in Introdução ao Estudo
do Direito, a “ordem de prioridade não se define pela entrada em vigor mas sim pela
publicação. De duas leis é mais antiga a que primeiro foi publicada, embora destinada a entrar
em vigor depois.”
Caso prático 14
Constava de um «Suplemento» ao Diário da República de 02/11/11 um Decreto-Lei
que nada dispunha quanto à sua entrada em vigor.
1 – Indique a data de entrada em vigor do diploma em análise e explique o significado
do período de tempo existente entre a publicação do diploma e a sua entrada em vigor.
2 – Suponha agora que o predito diploma, apesar de ter sido promulgado pelo
Presidente da República, não foi referendado pelo Primeiro-Ministro. Qual o seu valor?
Casos práticos
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Caso prático 15
A Lei n.º 64/2010, de 11 de maio, que não indicou quando entraria em vigor, impôs
que a compra e venda de automóveis fosse feita por documento escrito, com a assinatura das
partes reconhecida presencialmente pelo notário, determinando ainda a nulidade das vendas
que não obedecessem a essa forma.
Em outubro de 2011, foi publicado o Decreto-lei n.º 91/2011, de 22 de outubro, que
prescreve o seguinte:
“A Lei n.º 64/2010, de 11 de maio, embora animada das melhores intenções, veio
consagrar exigências formais que se verificaram excessivas e não foram cumpridas na
generalidade dos contratos. A nulidade desses contratos deu origem a situações injustas.
Assim, nos termos do art. 198º, n.º1, al. a), da Constituição, o Governo decreta:
Artigo 1º
A compra e venda de automóveis deve ser feita por documento escrito assinado pelo
vendedor, sem necessidade de reconhecimento notarial da assinatura.
Artigo 2º
Este diploma entra em vigor no dia 20 de novembro de 2011.”
1 – Pronuncie-se sobre as fontes de direito em análise.
2 – Determine as datas de entrada em vigor dos mesmos diplomas e explique o seu
significado.
3 – Diga, fundamentadamente, quais os efeitos produzidos pelo segundo diploma
sobre o primeiro.
4 – Diga qual a validade, hoje, do contrato de compra e venda de automóvel celebrado
entre André e Bruno no dia 17 de novembro de 2011, que foi apenas assinado por André, o
vendedor.
Caso prático 16
Em 14 de setembro de 2011, foi publicada a Lei I, com o seguinte conteúdo:
“Art. 1.º: A alteração do contrato de sociedade, quer por modificação ou supressão de
alguma das suas cláusulas, quer por introdução de nova, só pode ser deliberada pelos sócios”.
Em 22 de setembro do mesmo ano, foi publicada uma Lei II que dispõe o seguinte:
“Art. 1.º: Quando entenda necessário, a gerência da sociedade por quotas pode alterar
o contrato de sociedade.
Art. 2.º: O presente diploma entra em vigor no 1.º dia útil do mês seguinte ao da sua
publicação”
No dia 04 de outubro, foi publicada a Lei III, que estatui o seguinte:
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 10
Casos práticos
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Caso prático 17
O Decreto-Lei X, de 2000, estabelece que “cada caçador, por dia, pode caçar apenas
cinco perdizes”. O Decreto-lei Y, publicado no início de 2010, devido a condições ambientais
extraordinariamente adversas desse ano, dispõe unicamente que “durante a época de caça de
2010, cada caçador, por dia, pode caçar apenas três perdizes”.
Diga, fundamentadamente, quantas perdizes se podem caçar, por dia, em 2011?
Caso prático 18
A Lei n.º 3/2008, de 10 de janeiro, determina que (artigo único): “1. As instalações de
gás devem ser objeto de inspeções periódicas bianuais. 2. As instalações a que se refere o
número anterior devem ser requeridas pelos proprietários dos prédios respetivos”.
O DL n.º 15/2010, de 21 abril, dispõe que (artigo único): “1. As instalações de gás de
estabelecimentos de restauração devem ser objeto de inspeções periódicas trimestrais. 2. As
inspeções a que se refere o número anterior devem ser requeridas pelos proprietários dos
estabelecimentos e podem ser oficiosamente realizadas pelas Câmaras Municipais”.
A Lei n.º 23/2011, de 4 de outubro, determina que: (artigo 1.º) “As instalações de gás devem
ser objeto de inspeções semestrais. (artigo 2.º) “ A presente lei entra em vigor no dia imediato
ao da sua publicação”.
Anselmo, proprietário do restaurante “Resliz”, em Leiria, foi autuado em 12 de dezembro de
2011 pela Câmara Municipal respetiva, por incumprimento do DL n.º 15/2010, «uma vez que
decorreu já o prazo de três meses, sem que tenha requerido inspeção às instalações de gás do
restaurante “Resliz”».
Casos práticos
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Anselmo contestou a imputação da Câmara, alegando que o DL n.º 15/2006 fora revogado
pela Lei n.º 23/2011 e que, assim sendo, foi reposta em vigor a Lei n.º 3/2008.
Responda, fundamentadamente, às seguintes questões:
1 – Pronuncie-se sobre os citados diplomas enquanto fontes de direito.
2 – Determine as datas de entrada em vigor dos mesmos diplomas.
3 – Aprecie a argumentação de Anselmo, determinando quais os efeitos produzidos pelos
diplomas legais sobre os anteriores e, portanto, averiguando, de entre as normas legais
referidas, quais as que se encontram atualmente em vigor relativamente aos estabelecimentos
de restauração.
Caso prático 19
Suponha que no dia 13 de dezembro de 2011, era publicada a Lei n.º 74/2011 que
racionava fortemente os combustíveis derivados do petróleo, em razão da grave crise no setor
provocada por um conflito armado, proibindo a sua venda acima de determinados limites, sob
pena de pesadas sanções e declarando entrar imediatamente em vigor.
Suponha, ainda, que as autoridades competentes notificaram a empresa X, proprietária
de vários postos de gasolina, de que esta estava sujeita ao pagamento de determinado
montante por ter vendido gasolina de 12/12/11 (segunda-feira), inclusive, até 17/12/10
(sábado), inclusive, acima dos referidos limites.
Suponha, finalmente, que a empresa X reagiu contra a sanção aplicada, alegando o
seguinte:
a) Não assina o “Diário da República Eletrónico”, como poderá provar, não
conhecendo a predita lei, pelo que não está sujeita a qualquer pagamento.
b) Mesmo que assinasse o “Diário da República” e tivesse conhecimento da
lei, apenas responderia pelos excedentes de gasolina vendidos nos dias 12,
13 e 14.
Caso prático 20
No domínio do arrendamento urbano, tem sido amplamente discutida a controvertida
questão de saber se, para a locação do estabelecimento comercial instalado no local dado de
arrendamento, é necessária a mera comunicação ao senhorio, ou se, além da predita
comunicação, é igualmente necessária a autorização do senhorio, por interpretação extensiva
do art. 1038.º, n.º1, als. f) e g), do Código Civil e do art. 64.º, n.º1, al. f) do RAU.
No sentido de não ser necessária a enunciada autorização, decidiram, inter alia, os
Acórdãos do STJ de 29/09/1998, de 06/05/1998, de 07/02/1995, os Acórdãos da Relação de
Introdução ao Estudo do Direito – 1º Ano de Solicitadoria 12
Casos práticos
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Caso prático 21
Suponha que no dia 24/01/11 foi publicada no Diário da República uma lei que
racionava fortemente os combustíveis derivados do petróleo, em razão da grave crise no setor
provocada por diversos focos de conflito armado no mundo árabe, proibindo a sua venda
acima de determinados limites, sob pena de pesadas sanções. Declarou-se na predita lei que
esta entrava imediatamente em vigor.
Suponha ainda que as autoridades notificaram a empresa X, proprietária de vários postos de
abastecimento, de que estava sujeita ao pagamento de determinado montante por ter vendido
gasolina de 24/01/11, inclusive, até 28/01/11, inclusive, acima dos referidos limites.
Suponha, finalmente, que a empresa X reagiu contra a sanção aplicada, alegando o seguinte:
1. Não assina o Diário da República, pelo que desconhecia o conteúdo de tal lei. Logo, não
poderá ser condenada.
2. Mesmo que, hipoteticamente, assinasse o jornal oficial e tivesse conhecimento do seu
conteúdo, apenas responderia pelos excedentes de gasolina vendidos nos dias 26, 27 e 28.
1 – Pronuncie-se, fundamentadamente, sobre a argumentação avançada pela empresa X.
2 – Suponha agora que o diploma não havia sido promulgado pelo Presidente da República.
Aprecie a sua validade.
3 – Suponha também que o próprio diploma indicava que cessava a sua vigência no dia
30/06/11. Pronuncie-se sobre esta prescrição.
Casos práticos
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6) Direito Civil
Casos práticos
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8) Direito Administrativo
h) É o ramo do direito privado constituído pelo sistema de
normas jurídicas que regulam a generalidade dos atos e
atividades em que se desenvolve a vida privada dos
particulares, tanto na sua esfera pessoal como patrimonial,
desde o berço até ao túmulo.
Casos práticos
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Caso prático 22
O Ministro das Atividades Económicas e do Trabalho interpretou uma norma contida
na Regulamentação do Código do Trabalho (Lei n.º35/2004, de 29 de julho), através de uma
portaria. Caracterize e discuta o valor deste ato interpretativo
Caso prático 23
Tendo surgido dúvidas sobre o significado da expressão "danos significativos no
ambiente, em virtude de ação especial perigosa" constante do art. 41º da Lei de Bases do
Ambiente, veio o Secretário de Estado do Ambiente, através de despacho dispor o seguinte:
"Por danos significativos no ambiente e ação especialmente perigosa deve entender-
se qualquer ação que cause ou possa causar lesões irreversíveis nos ecossistemas ou que
ponha em perigo vidas humanas".
1 - Qual a validade interpretativa deste ato?
2 - Suponha que não existia o referido despacho e que o tribunal, pela aplicação do
citado preceito, condenava uma fábrica local por ter depositado lixo tóxico no rio da região,
prejudicando gravemente a fauna e flora ali existente. Qual o valor interpretativo a atribuir à
sentença descrita?
Caso prático 24
Em 04/01/10 foi publicado um Decreto-Lei que apresentava como objetivo reduzir os
níveis de poluição sonora junto dos estabelecimentos de saúde, produzida em particular pelos
motociclos e que continha o seguinte artigo único:
Art. 1.º
É proibida a circulação de veículos de duas rodas a menos de 500 metros de distância
dos hospitais.
Casos práticos
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Caso prático 25
No Tribunal Judicial de Leiria, no diferendo que opõe Afonso a Bernardo, o juiz
proferiu o seguinte despacho:
“Por não ter encontrado no ordenamento jurídico português nenhuma norma reguladora da
questão, decido não tomar posição sobre o assunto”.
Fundamentando a sua resposta, diga se concorda com o predito despacho.
Caso prático 26
Em setembro de 2011, Belmiro, funcionário da Secção de Obras da Câmara Municipal
de Leiria, recebeu de Carlos o montante de 1.000 € para, em contrapartida, diligenciar com
particular rapidez um processo de licenciamento de obra.
Na data em que os fatos foram praticados estava em vigor o art. 373.º do Código
Penal, sob a epígrafe, “Corrupção passiva para ato lícito”, que previa, para sua punição, uma
pena de prisão até dois anos ou uma pena de multa até 240 dias. Sucede que a Lei n.º 32/2011,
de 14 de novembro, veio alterar tal dispositivo, passando a prever, para os mesmos factos,
uma pena de prisão até cinco anos ou uma pena de multa até 600 dias.
1 – Identifique o ramo do Direito regulador dos factos descritos? Este ramo integra-se
no Direito Público ou no Direito Privado?
2 – Sabendo que os factos praticados por Belmiro apenas foram sujeitos à apreciação
do Tribunal em janeiro de 2011, diga qual foi a lei aplicável ao caso.
3 – Poderia tal dispositivo ser aplicável analogicamente?
Caso prático 27
César, milionário e sócio do Benfica, descobriu que tem um tumor maligno e que lhe
resta pouco tempo de vida. Decidiu então fazer um testamento público, em janeiro de 2006,
Casos práticos
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do qual consta uma disposição a favor do seu amigo David, que desde há vários anos o
acompanha nas suas idas aos jogos no estádio da Luz. Esta disposição está redigida nos
seguintes termos:
“Lego ao meu amigo David a minha camisola autografada pelo Eusébio no caso de o
Benfica ser campeão nacional neste ano ou no próximo. A camisola ficará para o meu filho
Eugénio, se o David não a quiser”.
Duas semanas antes do óbito de César, e em virtude dos escândalos ligados ao futebol,
o legislador resolve aditar ao art. 2232.º do Código Civil a proibição de fazer depender o
direito de herdar de condições dependentes dos resultados desportivos.
1 – Este aditamento tem alguma implicação na posição jurídica de César?
César falece em agosto de 2009 e o Benfica foi campeão. No dia marcado pelo notário
para abertura do testamento, Eugénio interpela David à entrada do Cartório, propondo-lhe
pagar 1500 € para abdicar, a seu favor, do direito a receber a camisola. Perante a recusa
terminante de David, Eugénio, exaltado, desfere-lhe um poderoso soco no abdómen. David
ainda responde com um empurrão com uma mala que abre o sobrolho de Eugénio, mas, com o
segundo soco daquele, David perde o equilíbrio e cai desamparado no chão, sofrendo um
traumatismo craniano que lhe provoca morte instantânea. Eugénio entra imediatamente no
Cartório e propõe-se receber a camisola, argumentado que David não a quer.
2 – Que comentários lhe merece o sucedido e que sanções considera poderem ser
aplicadas a Eugénio em virtude do seu comportamento?
Caso prático 28
André (A), residente nas Caldas da Rainha, contratou em dezembro de 2006 os
serviços da sociedade Bipcabo SA (B), fornecedora de televisão por cabo e linha telefónica. À
data da celebração do contrato, a atividade do fornecimento daqueles serviços era regulada
pelo DL X/2001, de 20 de maio. O referido DL X determina que a faturação do serviço deve
realizar-se mensalmente, mas nada dispõe sobre o modo de celebração do contrato, pelo que A
e B optaram por celebrá-lo verbalmente.
Entretanto, em 10 de novembro de 2010, foi publicado o DL Y, sem indicar a data de
entrada em vigor, que, tendo por objeto a atividade de fornecimento daqueles mesmos
serviços, dispõe que (i) o contrato de fornecimento de televisão por cabo e linha telefónica
deve ser celebrado por escrito e que (ii) a faturação deve ser detalhada, se o cliente o solicitar.
Tendo experimentado vários dias de sinal televisivo de má qualidade e quebras de
linha telefónica que o impediram de telefonar diversas vezes, e deparando com a recusa
constante por parte de B de apresentação de faturas detalhadas, A pretende agora saber:
Casos práticos
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Caso prático 29
Carlos e Dina casaram há 40 anos.
1 – Sabendo que a lei vigente à data da celebração do casamento atribuía em exclusivo
ao marido a administração tanto dos bens comuns do casal como dos bens próprios da mulher
e que a lei atual atribui a cada em dos cônjuges a administração dos seus bens próprios e a
ambos os cônjuges, em conjunto, a administração dos bens comuns, diga se Dina pode vender
a produção de laranjas de um pomar do qual é exclusiva proprietária.
2 – Poderá Dina pedir o divórcio com fundamento em adultério de Carlos, sabendo-se
que a lei atual prevê o adultério como causa do divórcio, mas que a lei vigente à data da
celebração do casamento o previa como fundamento unicamente invocável pelo marido?
Caso prático 30
A e B casaram com 16 anos em agosto de 2007, tendo obtido, para o efeito, o
necessário consentimento dos pais.
Suponha que em dezembro de 2009 entra em vigor uma lei que introduz as seguintes
modificações ao regime de casamento:
a) Revogando o art. 1601.º, al. a), do CC, a idade mínima para casar passa a ser 21
anos, sob pena de invalidade, estabelecendo a lei o regime desta invalidade;
b) Alterando os arts. 1775.º e seguintes do CC, deixa de ser permitido o divórcio por
mútuo consentimento, caso os cônjuges tenham filhos.
Considerando que A e B têm dois filhos, discute-se a validade do seu casamento à luz
do requisito referente à idade e, caso se conclua pela validade do casamento, discute-se ainda
a possibilidade de A e B se divorciarem por mútuo consentimento.
Pronuncie-se, justificadamente, acerca de cada uma das questões suscitadas.
Casos práticos
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Assim, a previsão pode ser definida como a representação de uma situação futura ou
estado de coisas que se pretende regular; quando essa situação futura e incerta ou estado de
coisas passar do campo da hipótese possível, para o campo do realmente acontecido, há de ser
aplicado um comando determinando uma conduta ou um resultado jurídico, comando esse a
que chamaremos estatuição; finalmente, a sanção é a consequência da violação da estatuição.
Posto isto, passemos à análise do art. 1320º do Código Civil.
1."Os animais bravios habituados a certa guarida, ordenada por indústria do homem,
que mudem para outra guarida de diverso dono (previsão), ficam pertencendo a este
(estatuição) se ou não puderem ser individualmente reconhecidos (complemento da previsão);
no caso contrário (complemento da previsão), pode o antigo dono recuperá-los, contanto que
o faça sem prejuízo do outro (estatuição).
2."Provando-se, porém, que os animais foram atraídos por fraude ou artifício do dono
da guarida onde se hajam acolhido (previsão), é este obrigado a entregá-lo ao antigo dono
(estatuição) ou a pagar-lhe o triplo do valor deles, se não for possível restituí-los" (sanção).
O nº1 do citado artigo prevê uma situação abstrata, que poderá verificar-se (ou não)
em algum momento, ou seja, contém uma previsão: um animal bravio, que não possa ser
reconhecido na sua individualidade, sai do prédio de alguém para se albergar no prédio de
outra pessoa.
Tal é o caso de, por exemplo, alguns coelhos que viviam numa herdade do Sr. Alberto
fugirem para a herdade do Sr. Bento.
Casos práticos
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Nesse caso, ou seja, caso se verifique efetivamente a situação prevista, estatui a norma
um resultado, um efeito jurídico, isto é, contém a norma uma estatuição: a transferência da
propriedade dos coelhos do Sr. Alberto para o Sr. Bento, que passa a ser dono deles.
O n.º2 do mesmo artigo prevê nova hipótese: o animal muda de guarida na sequência
de manobras artificiosas do dono da guarida procurada pelo animal, sendo esta a previsão.
Nesse caso, concretizada a previsão, é imposta uma conduta: devolver o animal ao dono da
guarida primitiva (estatuição). Não se verificando tal conduta, ou seja, se o animal não for
devolvido, surge, como consequência, a obrigação de pagamento do triplo do valor do animal,
obrigação essa que é a sanção desta norma jurídica, dado que a conduta estatuída não foi
observada.
Casos práticos
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Resolução
O direito, enquanto sistema de normas jurídicas, surge como um elemento
fundamental de ordenação da vida em sociedade, que garante uma vivência comum pacífica e
harmónica.
Porém e tal como estudámos, o homem não se encontra sujeito forçosamente a acatar
as referidas normas de comportamento, dado que é um ser livre. Mas, para garantirmos uma
pacífica convivência em sociedade, torna-se necessário que o comando das normas jurídicas
seja generalizadamente cumprido. Posto o que se compreende que as normas jurídicas sejam
passíveis de imposição pela força se não forem cumpridas voluntariamente.
Assim, não basta que essas normas existam enquanto regras de conduta da vida social,
é necessário ainda que essas normas sejam eficazes, isto é, que se garanta a eficácia e o
respeito das normas jurídicas pelos seus destinatários, mesmo contra a sua vontade.
Mas quem pode exercer tais atos de coerção, quer sancionatórios, quer preventivos?
Casos práticos
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No caso sub iudice, Bruno ofendeu a integridade física e o património de Adérito, pelo
que este, para o impedir de continuar a atividade criminosa e autotutelar a sua própria
integridade física e património, defendeu-se desferindo-lhe alguns golpes judocas.
Conforme se referiu, a conduta de Adérito só será lícita se subsumir a algum dos casos
de autotutela dos direitos especialmente previstos na lei.
Assim, analisando os casos previstos na lei, concluímos que o que pode tornar lícito o
comportamento de Adérito é a legítima defesa consagrada no art. 337º do Código Civil,
doravante designado abreviadamente C.C., nos termos da qual pode tal conduta ser justificada
e, portanto, lícita.
E de facto, Adérito atuou da forma descrita para afastar uma agressão ilegal, contrária
à lei que tutela a integridade física e a propriedade de cada um; atual, uma vez que a agressão
estava em execução; sendo impossível recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais; e
pode colocar-se a questão de saber se o prejuízo causado pelo ato não foi manifestamente
superior ao que decorre da agressão.
No que concerne às sanções aplicáveis ao caso em análise, podemos referir que Bruno
incorreria em diversas sanções materiais, que, tal como estudámos, se refletem na prática
material de vários atos.
Deste modo, relativamente à camisola rasgada, Bruno seria obrigado a colocar Adérito
na situação em que estaria se não tivesse ocorrido a lesão, ou seja, seria obrigado a comprar
uma nova camisola, devolvendo-a a Adérito, tal como dispõe o art. 562º do C.C. Com efeito,
sempre que o cumprimento coativo não seja possível, tem lugar a reintegração, repondo-se,
em princípio, as coisas no estado em que as mesmas existiriam se a norma não tivesse sido
Casos práticos
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violada e nesse caso será aplicável a sanção material reintegradora por reconstituição
natural.
Por outro lado, Bruno cometeu um ilícito criminal, pelo que não sendo possível o
cumprimento coativo, dado não ser possível retrotrair no tempo não violando a norma, uma
vez que a conduta já foi consumada e dado ainda não ser possível reintegrar a situação de não
violação da norma, terá lugar a reparação, que se vai traduzir na imposição de um sacrifício
ao infrator da norma, como contrapartida da violação da mesma, e na concessão de uma
satisfação ao lesado. Deste modo, será aplicada a Bruno uma sanção compensatória na forma
de pena criminal, nos termos do Código Penal, e eventualmente uma sanção compensatória
por danos não patrimoniais sofridos por Adérito como consequência da agressão contra si
perpetrada, tal como prescreve o art. 496º do C.C.
Casos práticos
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Resolução
1 - O direito, tal como estudámos, é um sistema de normas de conduta social, ou seja,
regula a conduta humana não isoladamente, mas em relação com os outros homens. O direito
regula, portanto, as relações entre os homens: as relações jurídicas.
Efetivamente, a relação jurídica, que pode ser definida como toda a relação da vida
social disciplinada pelo direito e que consiste na atribuição a um sujeito de um direito
subjetivo e na adstrição de outro sujeito a uma vinculação jurídica, implica sempre a
intervenção de pelo menos dois sujeitos: o sujeito ativo e o sujeito passivo.
Com efeito, a relação jurídica é travada entre sujeitos, que poderão ser pessoas
singulares ou pessoas coletivas e que têm aptidão para serem titulares de direitos e obrigações,
ou seja, são dotados de personalidade jurídica. No caso em análise, as diversas relações
jurídicas estabelecem-se entre António e outras pessoas singulares.
Ora, acontece que António, apesar de ser dotado de capacidade de gozo – que pode ser
definida como a medida de direitos e vinculações de que uma pessoa é suscetível de ser titular
– padece, porém, da incapacidade de exercício dos seus direitos, ou seja, está incapacitado de
exercer por si, pessoal e livremente, os seus direitos e vinculações.
De facto, António é menor por não ter completado dezoito anos de idade, tal como
prescreve o art. 122º do Código Civil, doravante designado abreviadamente CC., carecendo,
por este motivo, da capacidade para o exercício de direitos, de acordo com o estatuído no art.
Casos práticos
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123º do mesmo diploma. Assim, os atos praticados pelo menor sem suprimento da sua
incapacidade estão feridos de anulabilidade, arguível nos termos do art. 125º do CC.
Efetivamente, tal como estudámos no contexto temático da proteção coativa, esta pode
assumir a forma de sanção material ou sanção jurídica, sendo que a sanção jurídica se destina
a produzir efeitos práticos e que relevam no plano jurídico, isto é, estaremos perante uma
sanção jurídica quando, com a violação de uma norma jurídica, as partes pretendiam a
produção de efeitos jurídicos pela celebração de negócios jurídicos. De acordo com o que
estudámos, a sanção jurídica tem como principal consequência a invalidade do negócio, ou
seja, o negócio existe mas não produz os efeitos jurídicos que as partes pretendiam que
produzisse e pode assumir duas formas: a nulidade, prevista no art. 286º, e a anulabilidade,
estatuída no art. 287º, ambos do CC.
In casu os atos praticados pelo menor estão feridos de anulabilidade, por este motivo
produzem efeitos embora precariamente, uma vez que a sua produção depende da não
arguição da anulabilidade dos negócios por quem tenha legitimidade e no prazo de um ano, tal
como estabelece o art. 125º do CC. Assim, nos termos da al. a) do nº1 do referido art. 125º,
seria o poder paternal, ou seja, os pais, quem tinha legitimidade para arguir a anulabilidade,
no prazo de um ano a contar do conhecimento dos negócios impugnados, ou seja, até janeiro
de 2011 os pais de António podiam intentar a ação de anulação. Porém, como António atinge
a maioridade a 23 de julho de 2010, os pais de António só podiam arguir a anulabilidade até
esta data e não até janeiro de 2011, uma vez que a anulabilidade não pode ser arguida depois
de o menor atingir a maioridade ou ser emancipado, tal como estabelece a parte final do art.
125º, n.º1, al. a), do CC. Também o menor podia arguir a anulabilidade, no prazo de um ano a
contar da sua maioridade, tal como prevê a al. b) do n.º1 do art. 125º do CC.
Em alternativa, os pais poderiam confirmar os negócios celebrados por António, tal
como prescreve o n.º2 do art. 125º.
Podemos, porém, referir que o segundo negócio celebrado, isto é, a compra e venda do
computador consubstancia uma das exceções à incapacidade do menor prevista na al. a) do
n.º1 do art. 127º, visto tratar-se de uma compra e venda realizada com património proveniente
do seu trabalho, sendo por este motivo válida.
2 - Se, em dezembro de 2009, António tivesse casado com Eduarda, seria emancipado
pelo casamento, tal como estabelece o art. 132º, pelo que, nos termos do art. 129º, a sua
incapacidade cessava, sendo válidos os negócios por ele celebrados.
Todavia, visto que António não obteve a autorização dos pais para casar, continua, nos
termos do art. 1649º do CC., a ser considerado menor quanto à administração dos bens que
Casos práticos
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leve para o casamento ou que posteriormente lhe advenham a título gratuito até à maioridade.
Assim, a doação por ele realizada a Dalila seria anulável, nos termos do art. 125º do CC.
Casos práticos
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Resolução
1 – O presente caso prático reconduz-nos ao tema da interpretação da lei.
Na verdade, toda a disposição legal é constituída por um conteúdo, integrado por um
conjunto mais ou menos vasto de palavras ou dizeres que exprimem o pensamento do
legislador, cujo significado plúrimo determina a necessidade de analisar o texto da lei para
determinar o sentido com que as palavras foram usadas e o pensamento que quiseram
transmitir.
Assim, a tarefa de interpretação da lei traduz-se na atividade de determinação ou
fixação do sentido e alcance da lei, ou seu entendimento ou compreensão, isto é, na
determinação do exato e pleno conteúdo do pensamento nele contido, de acordo com um
conjunto de regras que se denomina técnica ou método de interpretação.
Importa, pois, determina ou fixar o exato sentido e alcance de uma norma para aplicar
a lei.
Ora, existem várias espécies de interpretação de acordo com diversos critérios.
Quanto ao critério do agente ou da sua fonte e valor, isto é, de acordo com o agente
da interpretação ou qualidade do intérprete, a interpretação pode ser legal, judicial ou
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Casos práticos
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