0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações15 páginas

Depression

A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza intensa e perda de interesse em atividades, podendo ser desencadeada por fatores hereditários, emocionais ou hormonais. Os sintomas incluem apatia, dificuldades de sono, e pensamentos suicidas, com tratamento possível através de antidepressivos e psicoterapia. O diagnóstico é baseado em critérios psiquiátricos e pode ser complicado em idosos, onde sintomas podem ser confundidos com demência.

Enviado por

mimosonseca
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações15 páginas

Depression

A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza intensa e perda de interesse em atividades, podendo ser desencadeada por fatores hereditários, emocionais ou hormonais. Os sintomas incluem apatia, dificuldades de sono, e pensamentos suicidas, com tratamento possível através de antidepressivos e psicoterapia. O diagnóstico é baseado em critérios psiquiátricos e pode ser complicado em idosos, onde sintomas podem ser confundidos com demência.

Enviado por

mimosonseca
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

A depressão é um sentimento de tristeza e/ou diminuição do interesse ou

prazer em realizar atividades que se torna um transtorno quando for


suficientemente intenso a ponto de afetar o desempenho de funções. É
possível que ele surja depois de uma perda recente ou de outro acontecimento
triste, mas é desproporcional em relação ao acontecimento e se prolonga por
mais tempo do que seria normal.

 Fatores hereditários, efeitos colaterais de medicamentos, eventos


emocionalmente angustiantes, alterações dos níveis de hormônios ou outras
substâncias no corpo e outros fatores podem contribuir para a depressão.
 A depressão pode fazer com que a pessoa fique triste e sem energia e/ou que
perca todo o interesse e prazer em atividades de que costumava gostar.
 Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas.
 Antidepressivos, psicoterapia e, às vezes, eletroconvulsoterapia podem ajudar.

(Consulte também Considerações gerais sobre transtornos de humor.)

O termo depressão costuma ser usado para descrever o humor triste ou


desencorajado que resulta de eventos emocionalmente estressantes, como um
desastre natural, uma doença séria ou a morte de um ente querido. É possível
também que a pessoa diga que se sente deprimida em determinados
momentos, como nas festas de fim de ano (tristeza de fim de ano) ou no
aniversário da morte de um ente querido. No entanto, esses sentimentos
normalmente não representam um transtorno. Normalmente, esses
sentimentos são temporários e duram dias, não semanas ou meses, e ocorrem
em ondas que tendem a estar relacionadas a pensamentos ou lembranças do
evento perturbador. Além disso, esses sentimentos não interferem
substancialmente com a funcionalidade durante qualquer período de tempo.

A depressão é o segundo transtorno de saúde mental mais frequente


(a ansiedade é o mais frequente). Aproximadamente 30% das pessoas que
consultam um clínico geral têm sintomas de depressão, porém, menos de 10%
dessas pessoas apresentam depressão grave.

A depressão normalmente surge em meados da adolescência ou ao redor dos


20 ou 30 anos; no entanto, a depressão pode começar praticamente em
qualquer idade, incluindo durante a infância.

Um episódio de depressão não tratado costuma durar cerca de seis meses,


mas, às vezes, prolonga-se por dois anos ou mais. Os episódios tendem a se
repetir diversas vezes ao longo da vida.

Causas de depressão
A causa exata da depressão não está clara, mas uma série de fatores podem
tornar a depressão mais provável. Os fatores de risco incluem
 Uma tendência familiar (hereditariedade)
 Eventos emocionalmente angustiantes, especialmente os que envolvem uma
perda
 Sexo feminino
 Alguns problemas de saúde geral
 Efeitos colaterais de alguns medicamentos
A depressão não reflete uma fraqueza de caráter ou a falta de tentar se sentir
melhor. A classe social, a origem étnica e fatores culturais aparentemente não
exercem influência sobre a possibilidade de uma pessoa ter depressão ao
longo da vida.
Fatores genéticos contribuem para a depressão em aproximadamente metade
das pessoas que a têm. Por exemplo, a depressão é mais comum em parentes
de primeiro grau (especialmente em um gêmeo idêntico) de pessoas com
depressão. Os fatores genéticos podem afetar o funcionamento de substâncias
que ajudam as células nervosas a se comunicarem (neurotransmissores).
Serotonina, dopamina e noradrenalina são neurotransmissores que podem
estar envolvidos na depressão.
As mulheres são mais propensas a apresentarem depressão que os homens,
embora as explicações para esse fato não sejam claras. Entre os fatores
físicos, os hormônios são os mais associados à depressão. Alterações nos
níveis hormonais podem causar alterações no humor um pouco antes da
menstruação (como parte da síndrome pré-menstrual), durante a gravidez,
depois do parto e durante a menopausa. Algumas mulheres ficam deprimidas
durante a gravidez ou durante as quatro primeiras semanas após o parto
(melancolia pós-parto ou, se a depressão for mais séria, depressão pós-parto).
A função anormal da tireoide, que ocorre com bastante frequência em
mulheres, pode ser outro fator.
A depressão pode se manifestar concomitantemente ou ser causada por vários
fatores e problemas de saúde geral. Esses problemas de saúde podem causar
depressão diretamente (por exemplo, quando um distúrbio da tireoide afeta os
níveis hormonais) ou indiretamente (por exemplo, quando a artrite
reumatoide provoca dor e incapacidade). Com frequência, uma doença causa a
depressão tanto direta quanto indiretamente. Por exemplo, a AIDS pode causar
uma depressão direta, se o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que causa
a AIDS, lesionar o cérebro. A AIDS pode causar uma depressão indireta devido
a um efeito geral negativo na vida da pessoa.
Muitas pessoas afirmam que se sentem mais tristes no final do outono e no
inverno e atribuem essa tendência à diminuição das horas de luz natural e às
temperaturas mais baixas. No entanto, em algumas pessoas, essa tristeza é
grave o bastante para ser considerada um tipo de depressão (chamada de
transtorno afetivo sazonal).
O uso de alguns medicamentos com receita médica, como alguns
betabloqueadores (usados para tratar hipertensão arterial), pode causar
depressão. Por razões desconhecidas, os corticosteroides provocam
depressão com frequência quando o corpo os produz em grandes quantidades
no contexto de um transtorno (como na síndrome de Cushing), mas quando
administrados como um medicamento, eles tendem a causar hipomania (uma
forma menos grave de mania) ou, raramente, mania. Algumas vezes,
interromper a administração do medicamento pode causar depressão
temporária.
Vários transtornos de saúde mental podem predispor uma pessoa à depressão.
Eles incluem determinados transtornos de ansiedade, o transtorno por uso de
álcool, outros transtornos por uso de substâncias e a esquizofrenia. Pessoas
que já tiveram depressão têm mais propensão a tê-la novamente.
Eventos emocionalmente angustiantes, como a perda de um ente querido, às
vezes podem desencadear depressão, mas geralmente apenas em pessoas
que são predispostas à depressão, como as que têm pessoas na família com
depressão. Contudo, a depressão pode surgir ou piorar sem nenhum motivo
aparente ou significativo.
Sintomas da depressão
Os sintomas da depressão em geral se desenvolvem gradativamente ao longo
de dias ou semanas e podem variar muito. Por exemplo, uma pessoa que
esteja se tornando depressiva pode ter um comportamento apático e triste ou
irritável e ansioso.

Muitas pessoas com depressão não conseguem sentir emoções – incluindo


luto, alegria e prazer – de forma normal. O mundo parece ter menos cores e
menos vida. A pessoa perde o interesse ou o prazer em atividades de que
costumava gostar.

É possível que a pessoa com depressão fique preocupada com intensos


sentimentos de culpa e autodestrutivos e talvez não consiga se concentrar. Ela
pode ter sentimentos de desespero, solidão e inutilidade. Essas pessoas
costumam ser indecisas e retraídas, sentem-se desamparadas sem esperança
e pensam em morte e em suicídio.

A maioria das pessoas com depressão tem dificuldade para adormecer e


despertam repetidas vezes, principalmente de madrugada. Algumas pessoas
com depressão dormem mais que o habitual.

A falta de apetite e a perda de peso podem causar emaciação e, no caso das


mulheres, é possível que a menstruação pare de vir. No entanto, a alimentação
excessiva e o aumento de peso são comuns em pessoas com depressão leve.

Algumas pessoas com depressão negligenciam a higiene pessoal ou mesmo


seus filhos, outros entes queridos ou animais de estimação. Algumas pessoas
se queixam de ter uma doença física, com vários sofrimentos e dores.

Transtorno depressivo maior

A pessoa com transtorno depressivo grave fica deprimida na maior parte do dia
por, no mínimo, duas semanas. Ela pode dar a impressão de estar se sentindo
muito infeliz. Os olhos podem ficar cheios de lágrimas, as sobrancelhas podem
estar franzidas e os cantos da boca podem estar voltados para baixo. É
possível que ela se sinta desanimada e evite contato ocular. É possível que ela
praticamente não se mova, mostre pouca expressão facial e converse de forma
monotônica.

Transtorno depressivo persistente


Uma pessoa com transtorno depressivo persistente fica deprimida a maior
parte do tempo por dois anos ou mais.
Os sintomas começam de modo gradativo, frequentemente durante a
adolescência, e podem durar anos ou décadas. A quantidade de sintomas
presentes concomitantemente varia e, às vezes, os sintomas são mais leves
que os da depressão grave.
A pessoa com esse transtorno pode estar triste, pessimista, descrente, sem
senso de humor e incapaz de se divertir. Algumas são passivas, sem energia e
introvertidas. Ela reclama constantemente e é rápida em criticar os outros e
censurar a si mesma. Ela se preocupa com a inadequação, o fracasso e com
acontecimentos negativos, ao ponto de chegar a desfrutar morbidamente dos
seus próprios fracassos.
Transtorno disfórico pré-menstrual
Sintomas graves ocorrem antes da maioria dos períodos menstruais e
desaparecem quando terminam. Os sintomas causam angústia substancial
e/ou interferem bastante no desempenho de funções. Os sintomas são
semelhantes aos da síndrome pré-menstrual, mas são mais graves, causando
grande angústia e interferindo com o desempenho de funções no trabalho e
interações sociais.
O transtorno disfórico pré-menstrual pode surgir em qualquer momento depois
da primeira menstruação. Ele pode piorar conforme as mulheres se aproximam
da menopausa, mas termina após a menopausa. Ele ocorre em
aproximadamente 3% a 8% das mulheres que estão menstruando.
As mulheres com transtorno disfórico pré-menstrual apresentam alterações de
humor e ficam tristes e chorosas subitamente. Elas ficam irritáveis e se zangam
com facilidade. Elas ficam bastante deprimidas, sem esperança, ansiosas e se
sentem no limite. Elas podem se sentir sobrecarregadas ou sem controle.
Assim como com outros tipos de depressão, mulheres com esse transtorno
podem perder o interesse em suas atividades normais, ter dificuldade para se
concentrar e se sentir cansadas e sem energia. Elas podem comer em excesso
ou ter compulsão por certos alimentos. Elas podem dormir pouco ou muito.
Transtorno do luto persistente
O luto persistente é quando ocorre uma tristeza persistente após a perda de
um ente querido. Ele difere da depressão quanto ao fato de que a tristeza se
refere especificamente à perda, em vez de os sentimentos generalizados de
tristeza e falência associados à depressão.
O luto persistente é considerado presente quando o luto (demonstrado por uma
saudade e/ou preocupação com o falecido persistentes) é de longa duração (no
mínimo 12 meses), é sentido o tempo todo e é mais profundo que aquele
considerado típico pela cultura da pessoa. Ele também deve ser acompanhado
por três ou mais dos quesitos a seguir, durante no mínimo um mês, a ponto de
ser angustiante ou incapacitante:
 Sensação de confusão de identidade (por exemplo, sentir que uma parte de si
morreu)
 Não acreditar que a pessoa morreu
 Evitar lembretes da perda
 Dor emocional intensa (por exemplo, dor relacionada à morte)
 Dificuldade em participar da vida em andamento
 Sensação de amortecimento
 Sensação de que nada faz sentido
 Solidão intensa
Suicídio
Pensamentos de morte são um dos sintomas mais graves de depressão.
Muitas pessoas com depressão querem morrer ou sentem que, por valerem tão
pouco, merecem morrer. Aproximadamente 15% das pessoas com depressão
não tratada terminam a sua vida ao cometerem suicídio.
Uma ameaça de suicídio é uma emergência. Quando a pessoa ameaça se
matar, é possível que o médico a interne para que ela possa ser
supervisionada até o tratamento reduzir o risco de suicídio. O risco é
especialmente alto nas seguintes situações:
 Quando a depressão não é tratada ou não é tratada adequadamente
 Quando o tratamento inicia (quando a pessoa se torna mais ativa mental e
fisicamente, mas o seu humor ainda é sombrio)
 Quando a pessoa tem um aniversário significativo
 Quando a pessoa alterna entre depressão e mania (transtorno bipolar)
 Quando a pessoa se sente muito ansiosa
 Quando a pessoa bebe álcool ou usa entorpecentes
 Nas semanas a meses após uma pessoa ter cometido uma tentativa de
suicídio, especialmente se ela tiver usado um método violento
Uso de substâncias
A pessoa com depressão tem mais propensão a usar álcool ou outros
entorpecentes para tentar dormir ou se sentir menos ansiosa. Contudo, a
depressão dá origem ao transtorno relacionado ao uso de álcool ou a
outros transtornos por uso de substâncias com menos frequência do que se
pensava.
A pessoa tem mais propensão para fumar muito e descuidar da sua saúde. Por
isso, aumenta o risco de a pessoa desenvolver ou piorar outras doenças,
como doença pulmonar obstrutiva crônica.
Outros efeitos da depressão
A depressão pode diminuir a capacidade de o sistema imunológico responder a
corpos estranhos ou nocivos, como micro-organismos ou células cancerosas.
Assim, a pessoa com depressão pode ser mais propensa a desenvolver
infecções.
A depressão aumenta o risco de apresentar distúrbios do coração e dos vasos
sanguíneos (como ataques cardíacos) e AVC. O motivo pode ser que a
depressão causa algumas alterações físicas que aumentam este risco. Por
exemplo, o corpo produz uma quantidade maior de substâncias que causam a
coagulação do sangue (fatores de coagulação) e ocorre a diminuição da
capacidade do coração de mudar a frequência de seus batimentos em resposta
a diferentes situações.
O diagnóstico da depressão
 Avaliação de um médico com base em critérios de diagnóstico psiquiátrico
padrão
 Exames para identificar doenças que podem causar a depressão
Em geral, é possível que o médico diagnostique uma depressão a partir dos
sintomas. Os médicos utilizam listas específicas de sintomas (critérios) para
diagnosticar os diferentes tipos de transtornos depressivos. Para ajudar a
diferenciar entre a depressão e alterações comuns no humor, o médico
determina se os sintomas estão causando angústia significativa ou
prejudicando a capacidade de a pessoa desempenhar suas atividades.
Antecedentes de depressão ou histórico familiar de depressão ajudam a dar
respaldo ao diagnóstico.
Na depressão, é frequente a pessoa manifestar preocupação excessiva,
ataques de pânico e obsessão, sintomas que podem levar o médico a pensar
erroneamente que a pessoa tem um transtorno de ansiedade.
Pode ser difícil detectar a depressão em idosos, sobretudo em pessoas que
não trabalham ou que têm pouca interação social (consulte Destaque para
Idosos: Depressão). Além disso, a depressão pode ser confundida
com demência, porque pode causar sintomas semelhantes, como confusão e
dificuldade de concentração e de pensar claramente. No entanto, quando
esses sintomas são causados por depressão, eles desaparecem quando a
depressão é tratada. Quando a demência é a causa, eles não desaparecem.
É possível que o médico peça à pessoa que responda questionários
padronizados para ajudar a identificar a depressão e determinar a sua
gravidade, mas eles não podem ser usados isoladamente para diagnosticar a
depressão. Dois desses questionários são a Escala de Avaliação da Depressão
de Hamilton e o Inventário de Depressão de Beck. Por sua vez, o questionário
da Escala de Depressão Geriátrica é aplicado aos idosos. O médico também
pergunta à pessoa se ela tem qualquer pensamento ou plano de causar lesões
a si mesma. Esses pensamentos indicam que a depressão é grave.
Exames
Não existe nenhum exame que consiga confirmar a depressão. Entretanto,
exames laboratoriais podem ajudar o médico a determinar se a depressão é
causada por uma doença hormonal ou outro distúrbio físico. Por exemplo,
geralmente são feitos exames de sangue para detectar uma doença de
tireoide ou deficiência de vitaminas. É possível que sejam feitos exames para
detectar o uso de entorpecentes.
Um exame neurológico completo é feito para detectar a doença de Parkinson,
que causa alguns dos mesmos sintomas.
No caso de pessoas com distúrbios do sono graves, talvez seja necessário
fazer exames de sono (polissonografia) para diferenciar os distúrbios do
sono da depressão.
Tratamento da depressão
 Apoio
 Psicoterapia
 Medicamentos, principalmente antidepressivos
A maioria das pessoas com depressão não precisa de hospitalização. No
entanto, às vezes, a pessoa deve ser hospitalizada, sobretudo se ela já
considerou ou tentou cometer suicídio, se estiver demasiado fraca pela perda
de peso ou se houver risco de problemas cardíacos devido à agitação grave.
O tratamento depende da gravidade e do tipo de depressão:
 Depressão leve: Terapia de suporte (incluindo visitas frequentes ao médico e
educação) e psicoterapia
 Depressão moderada a grave: Medicamentos, psicoterapia ou ambos e, às
vezes, eletroconvulsoterapia
 Depressão sazonal: Fototerapia
 Transtorno do luto persistente: Psicoterapia adaptada para esse transtorno
A depressão em geral pode ser tratada com sucesso. Se a causa (por exemplo,
um medicamento ou outra doença) puder ser identificada, ela é corrigida
primeiro, mas também poderão ser necessários medicamentos para tratar a
depressão.
Apoio
O médico explica à pessoa com depressão e à sua família que a depressão
tem causas físicas e necessita de tratamento específico, que normalmente é
eficaz. O médico a tranquiliza dizendo que a depressão não reflete uma falha
de caráter, como fraqueza. É importante que as pessoas da família entendam o
transtorno, estejam envolvidas no tratamento e prestem apoio.
Compreender a depressão pode ajudar a pessoa a entender e a lidar com o
transtorno. Por exemplo, a pessoa entende que o caminho para a recuperação
geralmente é complicado e que episódios de tristeza e pensamentos obscuros
podem ocorrer novamente, mas que têm fim. Dessa forma, as pessoas
conseguem colocar qualquer retrocesso em perspectiva e ficam mais
propensas a continuar o tratamento e não desistir.
Tornar-se mais ativo, caminhando e exercitando-se regularmente, pode ajudar,
assim como interagir mais com outras pessoas.
Grupos de apoio (como a Aliança de Apoio a Pacientes com Depressão e
Transtorno Bipolar [Depression and Bipolar Support Alliance] – DBSA) podem
ajudar oferecendo um fórum para compartilhar experiências e sentimentos
comuns.
Psicoterapia
A psicoterapia em si pode ser tão eficaz quanto a farmacoterapia no caso de
depressão leve. Quando usada com medicamentos, a psicoterapia pode ser útil
para depressão grave.
A psicoterapia individual ou de grupo pode ajudar a pessoa depressiva a
retomar de modo gradual suas antigas responsabilidades e a adaptar-se às
pressões normais da vida. A terapia interpessoal se concentra nos papéis
sociais passados e presentes da pessoa, identifica problemas com o modo
como a pessoa interage com outras pessoas e oferece orientação conforme a
pessoa se ajusta às alterações nos papéis da vida. A terapia cognitivo-
comportamental pode ajudar a eliminar o desespero e os pensamentos
negativos.
Medicamentos para depressão
Vários tipos de antidepressivos estão disponíveis (consulte a
tabela Medicamentos utilizados para tratar a depressão). Eles incluem os
seguintes:
 Inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRSs)
 Antidepressivos mais modernos
 Antidepressivos heterocíclicos
 Inibidores da monoaminoxidase (IMAOs)
 Antidepressivo melatonérgico
 Cetamina e escetamina
Psicoestimulantes, tais como a dextroanfetamina e o metilfenidato, entre
outros medicamentos, são às vezes utilizados, geralmente em combinação
com antidepressivos. Os psicoestimulantes são usados para aumentar o
estado de alerta mental e a conscientização.
A erva-de-são-joão, um suplemento dietético herbáceo, é usada às vezes
para aliviar uma depressão leve, embora a sua eficácia não esteja
comprovada. Contudo, devido a interações potencialmente nocivas entre a
erva-de-são-joão e muitos medicamentos com receita médica, as pessoas
interessadas em tomar esse suplemento fitoterápico deverão discutir as
possíveis interações medicamentosas com o seu médico.
Eletroconvulsoterapia
A eletroconvulsoterapia (antigamente chamada de terapia de choque) é usada
às vezes no tratamento de pessoas com depressão grave, sobretudo quando
em pessoas com psicose, que estão ameaçando suicídio ou que se recusam a
comer. Ela também é usada para tratar a depressão durante a gravidez quando
os medicamentos não são eficazes.
Esse tipo de terapia costuma ser muito eficaz e pode aliviar a depressão
rapidamente, ao contrário da maior parte dos antidepressivos que podem
demorar várias semanas até surtirem efeito. A velocidade com que faz efeito
pode salvar vidas. Após a interrupção da eletroconvulsoterapia, episódios de
depressão podem voltar a ocorrer. Para evitá-los, o médico geralmente receita
antidepressivos.
Na eletroconvulsoterapia, são colocados eletrodos na cabeça do paciente e é
aplicada uma corrente elétrica para induzir uma convulsão no cérebro. Por
razões desconhecidas, as crises convulsivas aliviam a depressão. Geralmente,
são realizados no mínimo de cinco a sete sessões de tratamento (em dias
alternados).
Como a corrente elétrica pode provocar contrações musculares e dor, é
aplicada anestesia geral durante os tratamentos. É possível que a
eletroconvulsoterapia provoque alguma perda de memória temporária, mas
raramente permanente.
Fototerapia
A fototerapia que usa banhos de luz é o tratamento mais eficaz contra a
depressão sazonal, mas também pode ser útil para outros tipos de transtornos
depressivos.
A fototerapia envolve sentar-se a uma distância específica de uma caixa de luz
que emite luz com a intensidade necessária. A pessoa é orientada a não olhar
diretamente para a luz e a permanecer em frente da luz por 30 a 60 minutos
por dia. A fototerapia pode ser realizada em casa.
Se a pessoa dorme e acorda tarde, a fototerapia é mais eficaz pela manhã. Se
a pessoa dorme e acorda cedo, a fototerapia é mais eficaz no período entre o
final da tarde e o começo da noite.
Outras terapias
É possível tentar outras terapias que estimulam o cérebro quando os
tratamentos iniciais forem ineficazes. Incluem
 Estimulação magnética transcraniana repetitiva
 Estimulação do nervo vago
Espera-se que as células estimuladas liberem mensageiros químicos
(neurotransmissores), que ajudam a controlar o humor e assim aliviar sintomas
de depressão. Essas terapias podem ajudar as pessoas com depressão grave
que não apresentam resposta a medicamentos ou psicoterapia.
Na estimulação magnética transcraniana repetitiva, uma bobina
eletromagnética é colocada sobre a testa próxima a uma área do cérebro que
se considera estar envolvida com a regulação do humor. O eletroímã gera
pulsos magnéticos não dolorosos que, de acordo com os médicos, estimulam
as células nervosas na área alvo do cérebro. Os efeitos colaterais mais comuns
são dor de cabeça e desconforto próximo à área onde a bobina foi colocada.
Para a estimulação do nervo vago, implanta-se um dispositivo semelhante a
um marca-passo cardíaco (estimulador do nervo vago) sob a clavícula
esquerda e liga-se ao nervo vago no pescoço com um cabo sob a pele. (O par
de nervos vagos sai do tronco encefálico, localizado na base do crânio, passa
pelo pescoço e nas laterais do tórax e abdômen até chegar a órgãos, como o
coração e os pulmões.) O aparelho é programado para estimular
periodicamente o nervo vago por meio de um sinal elétrico indolor. Este
tratamento pode ser útil para depressão quando outros tratamentos forem
ineficazes, mas geralmente leva entre três e seis meses para começar a fazer
efeito. As reações adversas da estimulação do nervo vago incluem rouquidão,
tosse e mudanças no tom de voz quando o nervo é estimulado.
[Link]
transtornos-do-humor/depress%C3%A3o#Mais-informa%C3%A7%C3%B5es_v47634670_pt

Depressão
O que é a depressão?
A depressão, nos seus vários tipos, caracteriza-se, de maneira geral, como uma patologia
em que se encontram presentes sentimentos de tristeza profunda e persistente no tempo,
vazio, sensação de cansaço e falta de interesse nas atividades.

O impacto dos sintomas varia de acordo com a sua gravidade (ligeira, moderada ou
grave) e a sua duração, mas sabe-se, atualmente, que a depressão é a doença que mais
contribui para as mortes por suicídio e a que mais provoca incapacidade na atividade
produtiva. As consequências nos contextos familiares, sociais e profissionais são, por
vezes, devastadoras.

A depressão é, muitas vezes, uma doença silenciosa, onde o apoio profissional, familiar e
social são fundamentais para uma boa recuperação.

Compreender a depressão ajudará a preveni-la e a diminuir o estigma que frequentemente


impede que a pessoa peça ajuda.

Quem pode ser afetado pela


depressão?
A depressão pode atingir qualquer pessoa, de qualquer idade e sexo, embora exista
uma maior prevalência no sexo feminino (mulheres). Tal como acontece com outras
patologias mentais, as crianças podem também sofrer de depressão (depressão infantil),
ainda que os sinais e os sintomas possam ser distintos dos sinais dos adultos, sendo o
humor irritável um dos sinais de que algo não se encontra bem com o/a menor.

Embora qualquer pessoa esteja sujeita a desenvolver depressão, existem alguns fatores
de risco que potenciam o seu aparecimento, como a situação económica desfavorável,
desemprego, acontecimentos de vida (morte de um ente querido, rutura de um
relacionamento, pós-parto...) ou até a ocorrência de doenças físicas. No caso de alguns
tipos de depressão, como a perturbação depressiva major, pode existir
uma predisposição genética / hereditariedade, sendo que os familiares de primeiro grau
de pessoas com este tipo de patologia possuem um risco 2 a 4 vezes maior
quando comparados com a população geral.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as perturbações depressivas


correspondem a um dos principais problemas de saúde mental a nível mundial,
estimando-se que existam cerca de 300 milhões de pessoas a sofrer desta patologia.

Depressão e tristeza – o que as


distingue?
Os conceitos de depressão e tristeza são frequentemente confundidos, sendo o termo
depressão muitas vezes utilizado quando alguém se encontra triste. Embora a depressão
inclua um estado de elevada tristeza, estar triste não significa estar deprimido.

A tristeza é um estado emocional normativo, uma resposta a uma situação desagradável.


A tristeza geralmente dura algumas horas ou dias e não interfere de forma clinicamente
significativa na vida da pessoa. Todos nós já experienciamos tristeza em algum momento
da nossa vida e é expectável que assim o seja.

A depressão, por outro lado, é uma doença, e implica que os sintomas sejam constantes
por várias semanas e influenciem o funcionamento adaptativo do sujeito. A depressão
afeta os nossos pensamentos, sentimentos, comportamentos e perceções. Esta patologia
extrai a vontade de viver, é sentida de forma recorrente e requer tratamento. Quanto mais
cedo a intervenção for iniciada, melhor será o seu prognóstico.

Tipos e Sintomas da depressão


De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-V),
na categoria das perturbações depressivas podemos incluir:

 Perturbação de desregulação do humor disruptivo;


 Perturbação depressiva major;
 Perturbação depressiva persistente (distimia);
 Perturbação disfórica pré-menstrual;
 Perturbação depressiva induzida por substância/medicamento;
 Perturbação depressiva devida a outra condição médica;
 Perturbação depressiva com outra especificação;
 Perturbação depressiva não especificada.

Estas perturbações têm em comum a presença de sentimentos de tristeza, vazio ou humor


irritável e alterações somáticas e cognitivas. Todas elas interferem no funcionamento da
pessoa e diferem entre si ao nível da duração, timing ou etiologia (origem).

Dentro da categoria de perturbações depressivas, a que é considerada como "a clássica” é


a perturbação depressiva major e a forma crónica de depressão corresponde
à perturbação depressiva persistente (distimia). Assim sendo, apresentamos de
seguida cada uma delas com maior detalhe.

1. Perturbação depressiva major


Para esta perturbação ser diagnosticada devem estar presentes pelo menos 5 dos
seguintes sintomas, durante pelo menos 2 semanas consecutivas, sendo que tem de
estar presente (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer:

1. Humor deprimido durante a maior parte do dia, quase todos os dias;


2. Diminuição do interesse ou prazer em todas, ou quase todas, as atividades durante
a maior parte do dia, quase todos os dias;
3. Perda de peso, não estando a fazer dieta, ou aumento de peso significativos ou
diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias;
4. Insónia ou hipersónia quase todos os dias;
5. Agitação ou lentificação psicomotoras quase todos os dias;
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
7. Sentimentos de desvalorização ou culpa excessiva ou inapropriada quase todos os
dias;
8. Diminuição da capacidade de pensar ou de concentração, ou indecisão, quase
todos os dias;
9. Pensamentos de morte recorrentes, ideação suicida recorrente sem plano
específico ou tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio.

2. Perturbação depressiva persistente (distimia)


Neste tipo de depressão existe um humor depressivo durante a maior parte do dia, mais
de metade dos dias, durante pelo menos 2 anos (ou humor irritável durante pelo menos 1
ano no caso de crianças e adolescentes).

Para além deste humor depressivo, devem estar presentes pelo menos 2 dos seguintes
sintomas:

1. Apetite diminuído ou aumentado;


2. Insónia ou hipersónia;
3. Baixa energia ou fadiga;
4. Baixa autoestima;
5. Falta de concentração ou dificuldade em tomar decisões;
6. Sentimentos de desesperança.

Para além destes sintomas, para se realizar o diagnóstico desta perturbação o humor
depressivo e os sintomas anteriores têm de nunca ter estado ausentes por mais de 2
meses consecutivos.

Causas da depressão
A depressão pode ser causada por estímulos endógenos (relacionados com o próprio
indivíduo) ou por estímulos exógenos (relacionados com as diversas circunstâncias
adversas que rodeiam o indivíduo), podendo ser considerada como uma patologia
biopsicossocial. Existem, efetivamente, alguns fatores que são considerados como de
risco e podem influenciar o prognóstico da evolução e tratamento da doença,
nomeadamente fatores de risco temperamentais, ambientais, genéticos e fisiológicos e
modificadores de curso.

Os fatores de risco temperamentais dizem respeito às caraterísticas psicológicas da


pessoa. Pessoas que apresentam níveis elevados de neuroticismo (afetividade negativa)
encontram-se mais suscetíveis a desenvolver episódios depressivos como resposta às
situações adversas da vida.
Os fatores de risco ambientais relacionam-se com as experiências adversas ou
potencialmente traumáticas, sejam na infância ou na idade adulta. Estas experiências
negativas parecem potenciar o aparecimento de depressão.

Os fatores genéticos e fisiológicos remetem-nos para o fator da hereditariedade e para


a questão neurobiológica. Sabe-se que os familiares de primeiro grau de indivíduos com
depressão possuem 2 a 4 vezes mais probabilidade de desenvolver, igualmente, a
doença. Adicionalmente, quando no nosso cérebro existe um desequilíbrio na produção de
neurotransmissores como noradrenalina, serotonina e dopamina (responsáveis pela
sensação de bem estar e motivação) a probabilidade do desenvolvimento de depressão
aumenta.

Outras condições médicas podem ainda modificar o curso de uma perturbação


depressiva, fazendo com que ela seja tardiamente diagnosticada, por exemplo, ou
potenciando o seu desenvolvimento. Indivíduos que possuem outras patologias
associadas, principalmente doenças crónicas e/ou incapacitantes, apresentam um risco
mais acentuado ao nível da severidade da depressão, quando comparados com pessoas
medicamente saudáveis.

Cada pessoa é única e é fundamental explorar a anamnese (história de vida) do indivíduo


para ser possível intervir adequadamente.

Severidade da depressão
Uma perturbação depressiva pode variar, mediante o número de sintomas, a sua
intensidade e o impacto destes ao nível do funcionamento da pessoa, consoante 3 graus
de gravidade:

 Ligeiro – presença de poucos sintomas, ou nenhum, para além do mínimo


requerido para a realização do diagnóstico. A pessoa com perturbação depressiva
de grau ligeiro consegue gerir minimamente o seu mal estar, sendo os défices no
funcionamento social ou ocupacional considerados como menores.

 Moderado – o número de sintomas presentes, a sua intensidade e o défice


provocado no funcionamento social ou ocupacional estão entre os especificados
para o grau de ligeiro e o grau de grave.

 Grave – a quantidade de sintomas excede substancialmente o número mínimo


requerido para se efetuar o diagnóstico. A pessoa que sofre com uma perturbação
depressiva de grau grave não consegue gerir o mal estar elevado que sente e os
sintomas que vivencia interferem com o seu funcionamento social e o seu
funcionamento ocupacional.

Tal como o diagnóstico em si, a gravidade da perturbação deve também ser avaliada por
um profissional, mediante as queixas da pessoa.
A depressão pode ser altamente incapacitante. De acordo com a OMS, esta doença
representa, a nível mundial, cerca de 10% dos Anos Vividos com Incapacidade (YLD –
Years Lived with Disability).
Complicações / consequências da
depressão
A saúde física e a saúde mental relacionam-se intimamente, influenciando-se mutuamente.
Como complicações da depressão podemos destacar:

 Risco mais elevado de desenvolver outras doenças ? dados recentes indicam que
a depressão aumenta risco de doenças como diabetes e doenças
cardiovasculares, sendo que estas, por sua vez, elevam também o risco de
depressão. O próprio sistema imunitário fica enfraquecido, existindo um maior risco
de desenvolver infeções e outras doenças.
 Queixas somáticas (dores de cabeça, dores abdominais, dores nas articulações ou
em outras partes do corpo...);
 Problemas relacionais que vão afetar os diversos contextos de vida (familiares,
profissionais e sociais);
 Problemas financeiros;
 Alterações no desejo ou interesse sexual;
 Risco mais acentuado de desenvolver perturbações de ansiedade e perturbações
de abuso de substâncias / dependências (o uso de substâncias pode inicialmente
servir para evitar o sofrimento causado pela depressão o que rapidamente conduz
a pessoa a um ciclo vicioso com consequências extremamente nefastas);
 Risco mais elevado de suicídio. A morte é encarada pela pessoa como o término
de um estado emocional demasiado doloroso e as tentativas de suicídio
potenciadas pela incapacidade de antever qualquer tipo de prazer futuro e pela
vontade de não se tornar num peso para terceiros. A depressão corresponde à
principal causa de suicídio, que por sua vez consiste na segunda principal causa
de morte em jovens entre os 15 e os 29 anos.

Diagnóstico da depressão
O diagnóstico de perturbação depressiva pode ser obtido através da recolha de uma boa
anamnese (história de vida) da pessoa e recolha os sintomas relatados pelo próprio e
observados por terceiros (profissional, familiares...). Paralelamente, podem ser
realizados testes psicológicos para auxiliar o processo e, ainda, despistar outras
patologias.

O diagnóstico deve ser sempre realizado por um/a profissional de saúde,


preferencialmente da área da saúde mental (psicólogo/a ou psiquiatra). À semelhança do
que acontece com outras doenças mentais, é importante efetuar-se um diagnóstico
diferencial, tendo em consideração que para além de existirem vários tipos de depressão,
as perturbações depressivas podem ser confundidas, ou até ocorrer juntamente
(comorbilidade), com outras patologias do foro físico ou mental, como o caso das
perturbações de ansiedade.

Saiba, aqui, tudo sobre perturbações de ansiedade.

Tratamento da depressão
A depressão, nos seus vários tipos, pode provocar consequências sérias no
funcionamento psicológico, físico, social e profissional da pessoa. Contudo, o tratamento
existe e quanto mais cedo ele for iniciado melhor será o prognóstico.
O principal tratamento para a depressão consiste na intervenção psicoterapêutica. É
importante que a pessoa compreenda o que se está a passar consigo, os fatores que
podem ter desencadeado a doença ou que tenham feito com que ela se manifestasse de
forma mais evidente. Através da psicoterapia, ou acompanhamento psicológico, a pessoa
sentir-se-á mais compreendida e trabalhará estratégias adequadas ao seu caso,
motivando a resolução de problemas e o fortalecimento de suporte social.

Em certos casos, em que os sintomas se assumem como moderadamente ou


extremamente incapacitantes, deve ser equacionada a terapia farmacológica,
nomeadamente o uso de antidepressivos (mediante prescrição médica). No entanto, é
importante realçar que a medicação não trata o problema, apenas atenua os sintomas.
Para que a pessoa consiga efetivamente assumir novamente o controlo da sua vida e
melhorar o seu bem estar físico e psicológico é necessário que a medicação seja
acompanhada de psicoterapia, existindo, desta forma, o recurso a terapia combinada
(psicoterapia + psicofarmacologia).

Devido ao estigma associado à depressão – que impede frequentemente que a pessoa


peça ajuda – e ao facto de esta doença por vezes ser confundida com outras situações e
não ser devidamente diagnosticada, origina que, de acordo com a OMS, somente 50% das
pessoas com depressão beneficiem de tratamento. Especificamente em Portugal, dados
da DGS indicam que só 35% das pessoas com depressão beneficiou de tratamento no
primeiro ano de surgimento dos sintomas.

É, por estes motivos, importante compreender que a depressão é uma doença, que pode
afetar qualquer pessoa, existem formas de a prevenir e o tratamento é, absolutamente,
essencial quando ela se desenvolve.

Pedir ajuda é sinal de coragem. Um/a profissional pode ajudar!

Estratégias para prevenir / lidar com a


depressão
A depressão pode afetar qualquer pessoa, contudo cada um de nós tem o poder de adotar
certas estratégias para prevenir o seu aparecimento. Quando a pessoa já sofre de
depressão é importante que seja devidamente acompanhada com psicoterapia e, nos
casos em que assim se justifica, com terapia combinada (psicoterapia + medicação). No
entanto, também nestes casos as seguintes dicas podem ser colocadas em prática (nota:
fale com o/a seu/sua psicólogo/a antes de adotar estas estratégias):

 Tente começar (ou continuar) atividades que lhe proporcionem (ou anteriormente
lhe proporcionavam) prazer;
 Tente manter um sono regular, com horários de adormecer e de despertar
relativamente constantes;
 Tente, dentro do possível, manter-se ativo/a, realizando atividades físicas que se
adequem às suas caraterísticas e que o/a cativem. A prática de yoga, por exemplo,
tem vindo a ser associada a melhorias nos sintomas de depressão, quando
combinada com psicoterapia.
 Tente comer regularmente, apesar das suas alterações de apetite;
 Não se isole! Tente dedicar parte do seu tempo a família e amigos/as;
 Tente participar em atividades em atividades da sua comunidade;
 Foque-se no que o seu dia teve de positivo;
 Crie um momento diário de reflexão e relaxamento. A prática de exercícios de
relaxamento e de meditação tem vindo a ser associada a melhorias nos sintomas
de depressão, devendo estes ser combinados com psicoterapia;
 O défice de algumas substâncias tem vindo a ser associado à depressão,
principalmente ao nível das vitaminas do complexo b, de ómega 3 e dos
neurotransmissores serotonina e noradrenalina. Para tentar compensar estes
défices pode optar por alguns alimentos, como por exemplo:
o Alimentos ricos em ómega 3: como salmão, atum, frutos secos...;
o Alimentos que contenham vitaminas do complexo b: arroz e pão integral,
aveia, espinafres, ovos...;
o Alimentos ricos que promovam serotonina e dopamina: chocolate negro
(cacau), banana, nozes, peru, frango, soja e derivados...
 Evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
 Quando não se sentir bem, procure ajuda. Não esconda ou ignore o que está a
sentir. Um/a profissional pode ajudar!

[Link]

CONCLUSÃO

A depressão é uma doença mental grave, incapacitante e multifacetada, caracterizada por


tristeza persistente, perda de prazer e alterações físicas/cognitivas. Não é frescura, mas um
desequilíbrio tratável com terapia e medicamentos, sendo crucial buscar ajuda
profissional para evitar agravamentos e recorrências. O apoio social e a
desmistificação do transtorno são essenciais para a recuperação.

Você também pode gostar